Negra Li e MC Soffia perderam seguidores e sofreram xingamentos nas redes sociais.
Em live, artistas revelaram que parte do público as trata “como se a gente fosse uma coisa só”.
A passagem da rapper Karol Conká pelo BBB ainda está bem fresca na memória dos brasileiros. As condutas, consideradas inadequadas, da artista durante o programa renderam a ela a perda de seguidores, contratos e um dano grave à sua imagem, mas não ficou por aí. O linchamento virtual que Conká enfrentou e ainda enfrenta, não ficou só na conta dela. Outras mulheres e artistas negras também foram penalizadas por tabela.
Em conversa com a editora-chefe do MUNDO NEGRO, Silvia Nascimento, e a colaboradora Jéssica Machado, Negra Li e MC Soffia revelaram que perderam seguidores durante a passagem de Karol pelo reality show. “As pessoas vinham nas minhas redes sociais me xingar, dizendo que eu era igual. Eu perdi seguidores, como se a gente fosse uma coisa só, como se nossas histórias não valessem nada. Como se por trás de cada um de nós, não existisse uma pessoa, uma vida que é importante”, disse Negra Li.
Quando a participação recorde de pessoas negras foi anunciada, logo muitas pessoas e influenciadores negros fizeram questão de pontuar o que poderia ser óbvio: as pessoas negras não são todas iguais e apresentam problemas, conflitos e, provavelmente, terão discussões e discordâncias dentro de um reality show.
MC Soffia, que perdeu três mil seguidores durante a passagem de Conká pelo BBB, avalia que falta na sociedade, a visão de que os grupos sociais têm suas diferenças. “Os grupos, sejam de mulheres, pessoas LGBTQIA+ ou pessoas pretas têm problemas internos e precisam resolver, como no caso da Karol (Conká) e o Lucas (Penteado). Resolveu? Eu não preciso falar mais nada. Eu sou cantora, eu sou rapper, eu sou preta, mas eu não sou ela, não somos as mesmas pessoas”, afirmou.
A dureza no tratamento dispensado às mulheres negras também foi lembrado pelas rappers. “A Karol perdeu milhares de seguidores por ter uma atitude errada no programa, enquanto um cara que bate na mulher ganhou milhares de seguidores”, lembrou Nega Li.
Filmes com o registro da visita de Nelson Mandela ao Brasil e a primeira vitória jurídica em um caso de demissão por racismo estão na mostra.
Um dos principais responsáveis pela emergência do cinema negro no Brasil e com filmes exibidos e premiados em diversos festivais pelo mundo, Joel Zito Araújo ganha mostra com nove dos seus filmes realizados entre os anos de 1987 e 1997. A programação ficará disponível de 22 de julho a 01 de agosto de 2021, no site criado especialmente para o projeto, e será retransmitida paralelamente pela TV dos Trabalhadores (TVT).
O início da carreira do cineasta mineiro compreende a produção no formato de vídeo e sua contribuição ao vídeo popular (anos 1980/90). Ainda pouco conhecido, esse conjunto de filmes fundamentais para a memória do cinema brasileiro é o foco do projeto. São trabalhos raros e de difícil acesso, como São Paulo Abraça Mandela (1991), que retrata o encontro do líder sul-africano com os movimentos negros paulistas, e A Exceção e a Regra (1997), que documenta a primeira vitória jurídica na história do país de um caso de demissão por racismo.
“A proposta desta Mostra que traz os meus primeiros dez anos de realizador cinematográfico foi uma surpresa para mim. Eu revisito com regularidade os meus longas para cinema, realizados a partir de 2000, mas meus curtas e médias estavam esquecidos. Redescobri personagens que entrevistei, histórias que desenvolvi, parcerias que fiz, pessoas com quem trabalhei, as minhas escolhas e experiências narrativas e os desafios que vivi neste período que foi de intensa formação”, diz Joel Zito.
“Por outro lado, revê-los é também ver o que estava se passando com a juventude do cinema ligada aos movimentos sociais e à luta pela redemocratização do país e dos seus meios de comunicação. Porque todos estes curtas e médias foram frutos de um compromisso e parcerias com os movimentos sociais, especialmente os movimentos negros”, relembra.
Dos filmes se desdobram outras ações, como a abertura da mostra, com a psicóloga e ativista Cida Bento (amiga e colaboradora frequente de Joel Zito) e a Masterclass de encerramento com o homenageado, que garantirá certificado a quem participar. Na ocasião, o realizador abordará as singularidades da realização em vídeo, as circunstâncias históricas de sua prática e a relação com organizações civis no período da redemocratização, traçando paralelos com seus filmes atuais.
“São filmes fundamentais porque, ao se engajarem junto a movimentos sociais, nos ensinam não só sobre as lutas, mas também sobre como lutar através das imagens”, afirma Vinícius Andrade, um dos idealizadores da mostra ao lado de Álvaro Andrade.
Os filmes ficarão disponíveis por 10 dias no site. Junto com eles, será lançado um catálogo, em formato de e-book. O material será composto por uma entrevista com Joel Zito, diálogos com parceiros de trabalho, como o advogado Hédio Silva Júnior e o diretor de fotografia Luiz Miyasaka, além de reflexões transversais sobre as obras, documentos e referências bibliográficas visando ampliar o conhecimento sobre a cinematografia abordada, fichas técnicas e fotografias de cada filme.
Serão transmitidos em tempo real ainda três debates com autores e autoras dos textos do catálogo, como Bernardo Oliveira, Dácia Ibiapina, Débora Olimpio, Edileuza Souza, Ewerton Belico, Fabio Rodrigues, João Carlos Nogueira, Nicole Batista, Paulo Galo e Vladimir Seixas.
As conversas serão mediadas pelo crítico de cinema Juliano Gomes, editor dos textos. E, completando a grade de atividades, a Mostra exibirá ainda dois programas bônus: O primeiro gira em torno do material bruto do filme A Exceção e a Regra, e o segundo é composto por três programas da série Vídeo Popular – 30 Anos Depois, exibido pela TV dos Trabalhadores (TVT) em 2015 e que teve Joel como apresentador.
Além da parceria com a TVT, a mostra teve o apoio da TV PUC de São Paulo, responsável pela preservação do acervo da Associação Brasileira de Vídeo Popular (ABVP).
Docudrama sobre as mobilizações trabalhistas do início do século XX no Brasil, protagonizadas por organizações sindicais de influência anarco- socialista. A partir de recursos ficcionais e arquivos históricos, o filme reconstitui parte importante da memória do sindicalismo brasileiro e de suas maiores greves, estabelecendo o diálogo entre diferentes gerações operárias. Com Lelia Abramo, Dionizio Azevedo, Dulce Muniz, Gésio Amadeo, Cláudio Ferrario, Javert Monteiro, Carla Margareth, Devanir Rodrigues. Apoio da Cinemateca Brasileira e Arquivo Edgar Leuenroth (UNICAMP).
Produção: DIEESE – Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos socioeconômicos – Equipe de Educação Sindical/ Montevideo
Roteiro: Joel Zito Araújo e Peter Overbeck Direção: Joel Zito Araújo e Peter Overbeck Fotografia: Peter Overbeck
Montagem: Joel Zito Araújo, Peter Overbeck e Susana Kirkjian
Memórias de Classe (1989, 40 min)
Formato original: U-Matic
Documentário sobre o cotidiano e a luta dos trabalhadores da geração dos anos de 1930 no Brasil. Contado através das memórias de uma feminista e quatro sindicalistas, o filme mostra as diversas faces da experiência de organização dos trabalhadores nessa época, da influência varguista ao comunismo, culminando no traço comum da sua relação com as bases operárias. Ganhador do Concurso Nacional de Roteiros da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)/Fundação Ford de 1988. Realizado com financiamento do Concurso e com apoio do DIEESE e da Cinemateca Brasileira.
Produtora: Tapiri vídeo Roteiro: Joel Zito Araújo Direção: Joel Zito Araújo Fotografia: Valdir Tezinho
Montagem: Valdir Tezinho, Rodrigo Astiz e Maria Angélica Lemos
Almerinda, Uma Mulher de Trinta (1991, 25 min)
Formato original: U-Matic
Resgate da história de vida da militante feminista dos anos 1930, Almerinda Farias Gama, participante da luta pelo direito de voto da mulher, na Constituinte de 1934, e ativista da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, junto a Bertha Lutz. Realizado em parceria com a
S.O.S Corpo (Recife). Apoio da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)/Fundação Ford, Fundação McArthur, Novib. Menção Honrosa, pelo caráter de preservação da memória, no 14º Guarnicê de Cine-Vídeo/Jornada de Cinema e Vídeo do Maranhão, em 1991. Selecionado para o Habana Film Festival/Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano.
Produtora: Tapiri vídeo/TV Viva
Roteiro: Joel Zito Araújo e Angela Freitas Direção: Joel Zito Araújo e Angela Freitas Fotografia: Valdir Tezinho
Montagem: Joel Zito Araújo e Angela Freitas
Alma Negra da Cidade (1991, 30 min)
Formato original: U-Matic
A persistência da discriminação racial não impediu a afirmação da comunidade negra no espaço urbano de São Paulo. Dois cantores, um poeta, uma empresária, uma empregada doméstica, uma mãe de santo, um jovem, todos afro-brasileiros residentes em São Paulo, contam suas origens, trajetórias de vida, sonhos, angústias, e como vêem a situação da população negra 102 anos após a abolição formal da escravatura. Documentário realizado para exibição na TV Gazeta, no dia 13 de maio de 1992. Parceiros: Coordenadoria Especial do Negro (CONE) e Prefeitura Municipal de São Paulo. Apoio da TV dos Trabalhadores.
Produtora: Tapiri Vídeo
Direção de produção: Maria Angelica Lemos Roteiro: Joel Zito Araújo
Direção: Joel Zito Araújo Fotografia: Luiz Miyasaka Montagem: Valdir Afonso
São Paulo Abraça Mandela (1991, 22 min)
Formato original: U-Matic
Documentário sobre a visita de Nelson e Winnie Mandela à cidade de São Paulo, registrando o seu encontro com a comunidade negra e os movimentos sociais atuantes na cidade. O filme mostra a recepção oficial e a importância de suas presenças para o processo de reconhecimento do papel dos afro-brasileiros na formação do país. Parceiros: Coordenadoria
Especial do Negro (CONE), Prefeitura Municipal de São Paulo e Comitê Paulista de Recepção a Mandela.
Produção: TV dos trabalhadores (TVT) Roteiro: Joel Zito Araújo
O filme se aproxima das vivências de homens e mulheres obrigados a sobreviver nas ruas de São Paulo no início dos anos 1990, época de deterioração das condições de vida dos trabalhadores, alto índice de desemprego e aumento da pobreza urbana. Entre a abordagem do problema como algo estrutural e um olhar sensível para os personagens, o documentário retrata a vida de pessoas que perderam seus trabalhos, distanciaram-se de seus afetos e viram sua identidade desintegrar-se. Parceria com a Secretaria Municipal do Bem Estar Social, da Prefeitura Municipal de São Paulo.
Produtora: Tapiri vídeo
Direção de produção: Franklin G. Pinto Roteiro: Joel Zito Araújo
Direção: Joel Zito Araújo
Fotografia: Luiz Miyasaka e Robson de Azevedo Montagem: Cleiton Capellossi
Retrato em Preto e Branco (1992, 15 min)
Formato original U-Matic
O documentário é estruturado como uma vídeo-carta de um homem negro denunciando a persistência do racismo na sociedade e na mídia brasileira, um século depois do fim oficial da escravidão. Apresenta, assim, as contradições entre duas imagens das relações raciais no Brasil: a imagem divulgada no exterior, que difunde o mito da democracia racial, e a imagem interna, apresentada nos livros didáticos e na televisão, nos quais são perpetuados os estereótipos negativos contra a população negra. Com Guilherme Santana. Supervisão do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e parceria com o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC). Exibido no IV Encontro Latino Americano de Vídeo (Peru), na Muestra Latinoamericano de Video Educativo y Cultural (Chile), na Premiète da Muestra Europeenne
de Vídeos Latino-Americaines (França), e no Chicago Latino Film Festival (EUA).
Produção: Paulo Bueno, Bia Ribeiro – Companhia de Vídeo Roteiro: Joel Zito Araújo e Hédio Silva Junior.
Direção: Joel Zito Araújo Fotografia: Luiz Miyasaka Montagem: Paulo Bueno
Eu, Mulher Negra (1994, 31 min)
Formato original: U-Matic
Encomendado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) a partir Projeto “Saúde Reprodutiva da Mulher Negra”, coordenado por Elza Berquó, o filme faz parte de um compromisso de solidariedade pelo resgate de cidadania da população negra brasileira. São imagens e vozes que carregam a experiência de diferentes mulheres negras, tendo como eixo os problemas e desafios enfrentados para o cuidado com sua saúde reprodutiva. Participações de Ruth de Souza, Malu Mendes, Gueda Liberto, Patrícia Pereira, Ângela Baptista Alves e Lourdes das Graças Chagas. Apoio: Fundação McArthur e Novib.
Produtora: Tapiri vídeo
Direção de produção: Maria Lúcia da Silva Roteiro: Joel Zito Araújo
Direção: Joel Zito Araújo Fotografia: Luiz Miyasaka Montagem: Paulo Weidebach
A Exceção e a Regra (1997, 39 min)
Formato original: Betacam.
O filme investiga como as denúncias de racismo são tratadas pela justiça brasileira, relatando a história inédita de persistência e dignidade de um homem negro: Vicente do Espírito Santo tornou-se um caso de exceção por ter sido a primeira vítima de racismo a furar o cerco e chegar vitoriosamente ao Tribunal Superior do Trabalho e ao horário nobre da Rede Globo. Parceria com o Núcleo de Estudos Negros (NEN). Apoio: Fundação Ford, Sinergia SC, Fundação Cultural Palmares, Agentes de Pastoral Negros Quilombo Central, Câmera de Vereadores de Salvador, Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), Central Única de Trabalhadores (CUT-SP), Geledés, Secretaria de Negros e Negras – PT Nacional, Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente, Sindicato dos Bancários (ES), Sindicato dos Bancários de Florianópolis, Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores da Indústria Energética (MG), Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (MG). Selecionado para o Festival Nacional de Vídeo “Brasilidade”, organizado pela Cinemateca do MAM-RJ e Goethe- Institut.
Produção: Tapiri vídeo Roteiro: Joel Zito Araújo Direção: Joel Zito Araújo
Fotografia: Luiz Miyasaka e Valdir Tezinho Montagem: Joel Zito Araújo e Renato Tapajós
PROGRAMAS ESPECIAIS
Programa I – Bônus A Exceção e a Regra
Conjunto de materiais extra em torno do filme A Exceção e a Regra. O primeiro deles apresenta parte do material bruto do documentário, com imagens inéditas do julgamento do caso de Vicente do Espírito Santo. O segundo consiste em um trailer extraído do primeiro corte do filme, quando este ainda se chamava A Herança de Zumbi. Por fim, uma versão produzida para o público estrangeiro – dublada em inglês e com duração reduzida em relação à cópia brasileira.
Programa II – Série Vídeo Popular – 30 Anos Depois
Em 2015, o arquivo da Associação Brasileira do Vídeo Popular (ABVP) tornou-se matéria-prima para uma série sobre os 30 anos do vídeo popular. Produzida pela TV PUC (responsável pela preservação do arquivo da ABVP) em parceria com a TV dos Trabalhadores (TVT), na qual foi exibida, a série teve como apresentador Joel Zito Araújo. Dentre 26 episódios, três foram selecionados para exibição: o Episódio 1 tem participação de membros do Movimento Negro Unificado (MNU), com quem Joel Zito nutriu fortes laços; o Episódio 9, sobre o vídeo Exclusão Social (1995, de Renato Tapajós, realizado pela Tapiri, produtora da qual Joel Zito foi sócio, dialoga com filmes da Mostra (como Homens de Rua); Por fim, o Episódio 16, sobre as relações raciais no Brasil, faz uso de trechos e debate questões presentes em Retrato em Preto e Branco
A atriz e roteirista britânica de 33 anos, Michaela Coel, juntou-se ao elenco de “Pantera Negra: Wakanda Forever“, a aguardada sequência do filme de sucesso lançado em 2018. Essa semana já havia sido confirmado a volta de Winston Duke e assim como o ator, Coel não comentou detalhes de seu papel na produção.
Imagem: Reprodução/Twitter
Segundo a Variety, Coel se juntou ao diretor Ryan Coogler no Pinewood Studios de Atlanta, onde a filmagens começaram no mês passado.
Coel se tornou conhecida após roteirizar e dirigir a aclamada série da HBO Max “I May Destroy You“, pela qual recebeu quatro indicações ao Emmy. Além de escrever, dirigir e produzir, Coel estrelou o show que acompanha uma popular escritora processando traumas de estupro.
Horas após a confirmação da presença de Coel, o nome da atriz entrou para os trendings do Twitter com a volta do antigo rumor de que ela será a líder dos X-Men, Tempestade(Ororo Munroe). Nas HQs, Tempestade e Pantera Negra chegaram a se casar.
Apesar de não confirmado oficialmente, grande parte do elenco original deve voltar, incluindo Danai Gurira, Letitia Wright, Daniel Kaluuya, Winston Duke, Lupita Nyong’o, Florence Kasumba e Angela Bassett.
“Pantera Negra – Wakanda Forever tem previsão de estreia para o dia 8 de julho de 2022.
Imagem do vídeo que a moça é amarrada e apanha dentro do porta malas
Vários vídeos que circulam na internet mostram uma mulher travesti, que não foi identificada, amarrada, jogada no chão e apanhando, sem nenhum método de defesa, no Piauí. Em um deles, ela conversa com um homem e afirma ter participado de um roubo, por isso, as pessoas ao seu redor aprovam que ela merece receber o ‘castigo’.
Outro vídeo mostra a suspeita amarrada no porta-malas de um carro enquanto é agredida por pelo menos dois homens que usam um pedaço de madeira. Crianças presenciando a cena e mulheres pedindo para que parasse, mas os homens continuam e perguntam a ela sobre um botijão de gás e um colar, que aparentemente são os objetos roubados.
No vídeo, mostra a mulher amarrada sendo jogada no chão na frente da guarda municipal do Piauí que mostra ouvir o fato e não tomar nenhuma providencia sobre o caso. Em nota, a Guarda Municipal informou que, quando os agentes chegaram ao local, as agressões já não estavam acontecendo. Contudo, o vídeo mostra que os guardas presenciaram as agressões.
Por meio de nota, a GCM informou ainda que a suspeita e o agressor foram conduzidos à Central de Flagrantes de Teresina e que o comando da instituição irá avaliar se houve falhas na conduta de guardas que estiveram no local.
O nome da mulher agredida e de seus agressores não foram divulgados nas redes sociais, mas as cenas causaram revolta em grande parte das pessoas, uma delas foi a Deputada Estadual Erica Malunguinho, que comentou a cena.
“Nos últimos meses, estamos presenciando assassinatos em massa de travestis e mulheres trans negras no Brasil. É inconcebível que pessoas trans continuem sendo violentadas e nenhuma ação efetiva de combate à essas violências seja pensada por governos municipais e governos estaduais. Esse ciclo deve ser interrompido!”
Erica, que foi a primeira mulher transexual da Assembleia Legislativa de São Paulo, lembrou racismo e transfobia andam juntos e que as medidas devem ser tomadas contra o caso.
“Racismo e transfobia são violências que andam de mãos dadas. A Guarda Municipal de Teresina presenciou a agressão e nada foi feito. Travestis não são dignas de proteção? O que aconteceu com essa garota é uma grave violação dos direitos humanos, precisa ser apurado pelas instâncias cabíveis imediatamente.”
O ginasta Arthur Nory, um dos representantes do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio, falou no Twitter que tem sido “atacado” na rede social por pessoas que relembraram o episódio de racismo envolvendo ele, em 2015. Na ocasião, no vídeo, publicado pelo próprio Arthur, ele conversava com mais dois amigos sobre Ângelo Assumpção, ginasta que na época fazia parte da mesma seleção que ele.
“O saquinho do supermercado é branco e do lixo é o quê? Preto”, dizia Arthur para os atletas Fellipe Arakawa e Henrique Flors, enquanto Ângelo se mostrava nitidamente incomodado com a situação.
Em Tóquio, para participar das Olímpiadas, alguns brasileiros decretaram que não torceriam para o atleta e ele comentou a atitude em suas redes sociais:
“É normal tanto xingamento, ódio e desejar o mal aqui no Twitter?”, questionou Arthur.
Logo, a cantora Valesca Popozuda respondeu a pergunta do ginasta: “Não é. Mas quando a gente erra, é melhor assumir o erro e pedir desculpas. Porque aqui no Twitter ninguém passa mais pano”.
Na época do comentário, Arthur disse que tudo não passava de uma brincadeira entre amigos. Entretanto, em setembro de 2020, ele admitiu o erro e disse que se sentia envergonhado de sua atitude nas redes sociais.
Enquanto Nory, pessoa que cometeu racismo, está nas olímpiadas, Ângelo Assumpção, após denunciar as ‘brincadeiras’ racistas dos amigos, está sem equipe para treinar.
A jogadora da Seleção Brasileira, Marta, se tornou a primeira mulher a marcar gols em cinco edições das Olimpíadas.Na goleada de 5×0 sobre a China hoje (21), Marta marcou duas vezes. Os outros gols foram anotados por Debinha, Bia Zanerato, Andressa Alves em jogo válido pela primeira rodada do Grupo F.
Imagem: Koki Nagahama
Com estes dois gols, Marta empata com a canadense Christine Sinclair pelo posto de segunda maior artilheira da história do futebol feminino nos Jogos Olímpicos. Ambas somam 12 gols, dois a menos que a brasileira Cristiane, que não está competindo.
Marta é considerada a melhor jogadora de futebol de todos os tempos. Foi eleita pela FIFA, seis vezes, como a melhor jogadora de futebol do mundo, entre os anos de 2006 a 2010 e em 2018.. Foi Bola de Ouro em 2004 e 2007 e Chuteira de Ouro em 2007.
Artilharia geral do Futebol Feminino em Olimpíadas
Paulo Henrique Sampaio Filho, conhecido como Paulinho, jogador do Bayer Leverkusen (Alemanha), escreveu uma carta para o site The Player Tribune falando sobre como enxerga os problemas do Brasil, preconceitos e amor ao futebol.
Imagem: Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press
O que chama atenção na carta do jogador é a forma articulada de falar abertamente sobre o candomblé em um meio dominado pelo cristianismo, conservadorismo e ausência de posicionamento claro sobre os problemas do país. Cada palavra vinda da carta de Paulinho é alento para quem busca vida inteligente no futebol.
Entre histórias sobre a infância, Paulinho mostra admiração ao Vasco da Gama, clube que o projetou nacionalmente e frisa o aspecto vanguardista da instituição em relação à luta contra o preconceito. “O Colégio do Vasco da Gama, então, merece um capítulo à parte. É onde a gente aprende o que faz dessa instituição tão especial. O Vasco é o clube que cresceu por acolher a diversidade e aceitar as diferenças. Eu me identifico plenamente com esses valores”, escreveu.
Em entrevistas que costumam ser permeadas por proselitismo religioso genérico para evitar polêmicas com a massa fanática de maioria cristã. Paulinho não nega origens e a espiritualidade oriunda de sua ancestralidade preta. “Minha família tem ligação forte com o candomblé e a umbanda. Minha avó, minha mãe, minha tia… É algo que passa de geração para geração. Tenho muito orgulho da minha religião. “Se bem que…Religião, não. Prefiro chamar de filosofia de vida”, declara o atleta.
Todo o ano, fora das bolhas diretamente atingidas, o Brasil encara com naturalidade o racismo religioso que sai da boca de celebridades e de cristãos fanatizados. O futebol abriga personalidades que poderiam abraçar a causa da tolerância religiosa, mas preferem se calar. Para o jogador de 21 anos, a questão é íntima. “Uma coisa bem pessoal, que toca o meu coração. Sou eu comigo mesmo, entende? Cultuar essa filosofia me traz muita energia boa, muito axé. Como assentado e praticante, vou ao meu pai de santo sempre que estou no Brasil e peço proteção aos orixás, principalmente ao meu Pai Oxóssi e à minha Mãe Iemanjá. Exu é o caminho. Procuro saudá-lo antes de cada obrigação, de cada partida. Laroyé!”, saúda.
“Por tudo que nosso país já sofreu, temos não só o preconceito com religiões de matriz africana, mas também de outras naturezas, como de raça, gênero e orientação sexual”, reflete Paulinho, que hoje tem mais de 500 mil seguidores no Instagram. O que defendo, como uma pessoa que tem voz, é que eu não posso me dar o direito de permanecer calado. De não me posicionar diante de preconceitos e negligências”, diz.
“Ah, tá com a vida ganha’ Isso é o que muitos dizem sempre que eu manifesto alguma opinião sobre política. Não importa se sou um jogador de futebol que atua no exterior. Nada a ver com dinheiro ou patriotismo. Eu faço parte da sociedade. Continuo sendo um cidadão brasileiro, que se emociona ao ouvir o hino nacional”, escreve o lúcido Paulo Henrique.
O Brasil enfrenta a Alemanha pelas Olimpíadas amanhã em Yokohama e a estreia representa o pico (até aqui) na carreira de Paulinho. “Nunca foi sorte, sempre foi Exu. Axé!”, conclui.
Cris Guterres, Adriana Couto, Flávia dos Prazeres e Maria Amélia Rocha. Foto: Tânia Cai
Adriana Couto, Joyce Ribeiro, Erika Hilton, Eliane Dias, Maria Sylvia Oliveira e Neon Cunha participam da edição especial do Estação Livre
Nesta sexta-feira (23/7), o Estação Livre celebra o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado no dia 25. Na edição, rodas de conversa com mulheres negras que marcam presença na televisão, o papel das mulheres na política, um bate-papo com a primeira mulher trans do Brasil a conseguir retificar o gênero nos documentos sem precisar de atestado médico e um panorama histórico sobre o dia. Apresentado por Cris Guterres, o programa vai ao ar às 22h, na TV Cultura.
No estúdio, Cris Guterres recebe Eliane Dias, empresária dos Racionais MCs, e Maria Sylvia Oliveira, coordenadora de políticas de promoção de igualdade de gênero e raça do Geledés. Sobre o momento atual, Eliane afirma: “É muito difícil ainda. Tem um retrocesso aí de anos, que a gente tá sofrendo no momento. É lamentável, é triste esse momento. Mas a gente não pode perder o que a gente conquistou e a gente tem que seguir lutando para ter mais conquistas”.
O Estação Livre exibe um bate-papo com Adriana Couto, apresentadora do Metrópolis, Flávia dos Prazeres, apresentadora do Café Filosófico, e Maria Amélia Rocha, que teve passagens pelo Metrópolis e Manos e Minas. Elas contam sobre a experiência de ser mulher negra na televisão e Adriana destaca: “Cada mulher negra que vai entrando na televisão, na TV Cultura principalmente, elas de alguma forma me libertam”.
Joyce Ribeiro e Cinthya Rachel, que marcou época como atriz do Castelo Rá-Tim-Bum, também entram na conversa. “Quando eu comecei, eu não tinha muita referência, mas eu era muito pequena pra entender isso. Então eu via apresentadoras infantis e eu achava que eu não podia ser apresentadora porque eu não tinha o cabelo loiro”, conta Cinthya.
No âmbito político, a reportagem do programa conversa com parlamentares que fazem a diferença. São elas: Anielle Franco, diretora do Instituto Marielle Franco, Joenia Wapichana, deputada federal, Major Denice, superintendente da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, e as vereadoras Carol Dartora e Erika Hilton. O programa também fala com Neon Cunha, primeira mulher trans brasileira a conseguir mudar de gênero sem passar por avaliação médica e que hoje empresta seu nome à casa Neon Cunha, que acolhe a população trans na região do ABC.
A edição ainda destaca um trecho do programa Panorama, apresentado pela modelo e atriz Aizita Nascimento, primeira mulher negra a apresentar um programa na TV Cultura. E, para finalizar, traz advogada Cláudia Luna, que faz um panorama histórico sobre o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
‘Finding Me’ tem previsão de lançamento para abril de 2022
Se tem uma coisa que Viola Davis sabe fazer bem é contar histórias. Agora, a atriz negra com o maior número de indicações ao Oscar vai lançar um livro contando a própria vida. Com o título Finding Me (me encontrando, em português), o livro tem lançamento previsto para abril de 2022 e será lançado numa parceria entre a editora Harper Collins e a Ebony Magazine Publishing, selo editorial da revista Ebony.
O livro vai contar a história dos 55 anos de vida de Viola, desde a infância sofrida em meio à pobreza e violência, até os dias atuais, como CEO da produtora JuVee e vencedora dos três maiores prêmios de atuação no cinema, teatro e televisão: o Oscar, Tony e Emmy Awards.
“Sou uma artista porque não há separação entre mim e todos os seres humanos que passaram pelo mundo”, Davis escreve no livro. “Tenho muita compaixão pelas outras pessoas, mas principalmente por mim”.
Viola venceu o Oscar em 2017 como melhor atriz coadjuvante por sua atuação em ‘Fences’, dirigido por Denzel Washington. Davis também foi aclamada pela crítica com suas atuações em Dúvida (2008) e Histórias Cruzadas (2011).
Com seguidores encantados por seu talento e pela sua família em todas as regiões do Brasil, Raphael Vicente paralisou a internet com seus vídeos de humor.
Envolvendo toda a família e mostrando um pouco do seu cotidiano de forma leve e divertida, Raphael é cria do Complexo da Maré, Rio de Janeiro, e começou sua vida de vídeos nas redes sociais já faz anos, no antigo Vine, aprendendo a gravar, editar e roteirizar suas próprias criações.
“Eu que edito, filmo e faço o roteiro. Mas é algo que penso e sai, as vezes estamos conversando e alguém fala algo, aí eu penso ‘isso poderia ser tema de um vídeo’ e dar certo.”
Ao contrário do que muitos seguidores acham, Raphael mora sozinho com o cachorro Scott, mas muito pertinho do resto da família. Assim, passa boa parte do dia na casa da avó Maria Antonia da Silva, e confessa que aproveita o tempero da casa de vó para fazer todas as suas refeições ao lado da família.
Em praticamente 1 ano em meio de sucesso recorrente nas redes sociais, Raphael já consegue viver com o trabalho que ama e contribuir com a renda da sua família.
No fim de janeiro, ele foi contratado para o casting da Play 9, estúdio de conteúdo que tem como sócios Felipe Neto, João Pedro Paes Leme e Marcus Vinicius Freire, começando a fazer vídeos comerciais, na maioria da vezes com a família inteira.
Falando nisso, Raphael já pode dizer que sua madrinha, avó e irmã, são famosas como ele – ou até mais, o influencer revelou que já foi questionado por aparecer sozinho em alguns vídeos. “Tem vídeos que eles estão e eu não estou, mas quando é só eu, algumas pessoas perguntam ‘cadê sua família’” conta ele.
Para o futuro, ele sabe muito bem o que quer, o mais novo e poderoso humorista da internet, é responsável pelo grupo “Dance Maré”, com o projeto, Rapha pretende mudar a visão pública de que a favela não tem talentos e vive apenas com violência.
“Quero que as pessoas vejam nossa realidade mesmo sendo de fora da favela, quero ser reconhecido pelo lugar que vim”, falou Rapha.
O grupo de dança da comunidade criado em 2019 reúne jovens moradores do Complexo da Maré que são apaixonados por dançar, uma delas é a própria Eduarda, irmã do Rapha. Tem como principal objetivo compartilhar as coisas boas da favela através dessa arte.
Além dos novos projetos e vídeos bem humorados, Raphael segue recebendo diversos feedbacks positivos, vários deles de ídolos do humor do próprio jovem. O tiktoker mais família que existe lembra que não soube o que responder ao ver uma mensagem da Tatá Werneck elogiando o seu trabalho “Dei um vácuo na Tatá”, brinca ele, ao lembrar que ficou paralisado após receber uma DM da comediante.
Ao ser perguntado sobre o que diria para outros jovens que buscam reconhecimento na internet, Rapha aconselha “Persistente e paciente, isso que deve ser. Trabalho com isso faz 7 anos e entendi que para ser reconhecido tem que ter um diferencial, meu diferencial é a minha família.” Perguntado sobre o humor, ele responde “Em tempos tão escuros, o humor salva”.