O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou nesta sexta-feira (22) que a mpox segue figurando como emergência em saúde pública de importância internacional. Em seu perfil na rede social X, ele destacou que a decisão foi tomada após reunião do comitê de emergência convocada para esta sexta-feira (22).
“Minha decisão baseia-se no número crescente e na contínua dispersão geográfica dos casos, nos desafios operacionais e na necessidade de montar e sustentar uma resposta coesa entre países e parceiros”, escreveu.
“Apelo aos países afetados para que intensifiquem suas respostas e para que a solidariedade da comunidade internacional nos ajude a acabar com os surtos”, concluiu Tedros.
Entenda
Em agosto, a OMS decretou que o cenário de mpox no continente africano constituía emergência em saúde pública de importância internacional em razão do risco de disseminação global e de uma potencial nova pandemia. Este é o mais alto nível de alerta da entidade.
Em coletiva de imprensa em Genebra à época, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que surtos de mpox vêm sendo reportados na República Democrática do Congo há mais de uma década e que as infecções têm aumentado ao longo dos últimos anos.
Em julho de 2022, a entidade havia decretado status de emergência global para a mpox em razão do surto da doença em diversos países.
A doença
A mpox é uma doença zoonótica viral. A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animais silvestres infectados, pessoas infectadas pelo vírus e materiais contaminados. Os sintomas, em geral, incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrio e fraqueza.
As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas que secam e caem. O número de lesões pode variar de algumas a milhares. As erupções tendem a se concentrar no rosto, na palma das mãos e na planta dos pés, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, inclusive na boca, nos olhos, nos órgãos genitais e no ânus.
A Secretaria de Participação e Parceria (SMPP), a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads) e a Coordenação dos Assuntos da População Negra (CONE), em parceria com a Coordenadoria de Inclusão Digital (CID) disponibilizam a partir do dia 08 de novembro uma ferramenta de serviço à sociedade para o registro on-line de denúncias de combate à homofobia e crimes de racismo.
Como denúncias deverão ser feitos através do preenchimento do formulário disponível no site da SMPP (www.prefeitura.sp.gov.br/smpp). O acesso a essa ferramenta pode ser feito em todas as unidades de Telecentros de São Paulo.
A nova ferramenta visa facilitar o atendimento a esse público, para que assim o Poder Público possa agir coibindo atos discriminatórios contra a população negra e a população LGBT e também elaborar políticas públicas de proteção a esses grupos.
Ao fazer a denúncia, é preciso que especifique detalhes dos fatos ocorridos como: local, horário, pessoas envolvidas, o tipo de discriminação que ausidade e outras informações que julgaram relevantes. Todas as informações encaminhadas são sigilosas, nos termos da lei.
Atualmente, a SMPP disponibiliza esses serviços no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia, localizado no Pateo do Colégio, 5 – 1º andar e no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate ao Racismo, também, localizado no Pateo do Colégio, 5 – 2º andar.
Para a utilização dos Telecentros é necessário agendar um horário via telefone ou pessoalmente. Acesse o site do Telecentro e escolha uma unidade mais próxima de você.
O livro “O Pacto da Branquitude”, da psicóloga, pesquisadora e escritora Cida Bento, passou a contar com uma versão em audiobook. A novidade amplia as formas de acesso à obra, que propõe reflexões sobre branquitude, racismo, relações de poder, privilégios e os mecanismos que sustentam as desigualdades na sociedade brasileira.
Lançado originalmente em 2022 em formato impresso, o livro tornou-se uma das principais referências para os debates sobre relações raciais no Brasil ao analisar como a branquitude se estrutura e atua na manutenção das desigualdades.
Em declaração nas redes sociais, a autora afirmou que espera que a versão em áudio alcance novos públicos, estimule diálogos e fortaleça o compromisso coletivo com a construção de uma sociedade antirracista.
O audiobook de “O Pacto da Branquitude” já está disponível nas principais plataformas digitais.
Evento gratuito na Pequena África reúne gastronomia afro-brasileira, programação junina e transmissão da partida da Copa do Mundo.
Quem visitar o Arraiá Gastronomia Preta neste domingo (5) poderá acompanhar, ao vivo, a partida entre Brasil e Noruega pela Copa do Mundo a partir das 17h. A transmissão acontece em um telão instalado na Praça das Yabás, no Muhcab (Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira), na região da Pequena África, no Rio de Janeiro.
O evento mantém a programação dedicada à cultura afro-brasileira, com feira gastronômica, apresentações culturais, quadrilhas juninas e atividades para toda a família.
Realizado em parceria com a TV Globo, o espaço contará com transmissão em tempo real da partida. Em ação promovida pela emissora, o público poderá retirar gratuitamente antenas digitais durante o evento, enquanto durarem os estoques.
Idealizado por Breno Cruz, o Arraiá Gastronomia Preta reúne chefs, empreendedores e expositores da gastronomia afro-brasileira em uma programação que conecta culinária a cultura popular.A programação infantil inclui brincadeiras tradicionais, como corrida do saco, pescaria, bingo e corrida do ovo na colher, além de apresentações de quadrilhas juninas.
A entrada é gratuita, mediante retirada de ingressos pela plataforma Sympla, e está sujeita à lotação do espaço.
Atriz interpretará a mãe do protagonista vivido por Marcello Melo Jr. em “Delegacia de Homicídios”, produção criada por José Junior para a plataforma de streaming, Disney +.
Após a participação no BBB 26, a atriz Solange Couto integrará o elenco de “Delegacia de Homicídios”, nova série nacional produzida para o Disney+, segundo informações da coluna Play, do jornal O Globo.
Na produção, Solange interpretará a mãe de Patrício, protagonista vivido por Marcello Melo Jr. A atriz também dividirá cenas com Neguinho da Beija-Flor, que fará par com sua personagem ao longo da trama.
Criada por José Junior, responsável por sucessos como Arcanjo Renegado, a série acompanha o cotidiano de uma delegacia especializada em homicídios no Rio de Janeiro. Os oito episódios apresentarão histórias ficcionais inspiradas em situações que fazem parte da rotina das investigações policiais.
O novo trabalho marca o retorno de Solange Couto à atuação em uma produção seriada após participação polêmica no BBB 26, marcada por cancelamentos, sendo eliminada com uma rejeição histórica de 94,17% dos votos.
Até o momento, a plataforma não divulgou a data de estreia da produção.
A Netflix divulgou hoje (2) o pôster oficial de “Nando Entre Dois Mundos – Um Filme Sintonia”, o aguardado spin-off de uma das séries nacionais mais importantes da plataforma. O longa estreia no dia 12 de agosto e promete entregar o desfecho da trajetória de um dos personagens mais complexos e emblemáticos da produção, interpretado pelo talentoso ator Christian Malheiros.
Desde sua estreia, “Sintonia” se destacou por narrar com autenticidade a realidade, a cultura, as dores e a potência da periferia de São Paulo. Agora, o filme foca nas escolhas, no drama familiar e nas consequências que moldam a vida de Nando.
Cinco anos após ascender no submundo do crime, Nando vive na Sérvia, distante de suas origens. No entanto, sua filha adolescente, Bruninha (Duda Pimenta), desaparece sem deixar rastros, forçando seu retorno ao Brasil. De volta ao país, ele tenta reconstruir os laços familiares e manter o crime longe daqueles que ama, enfrentando o dilema de manter a lealdade ao submundo ou proteger sua família, em uma narrativa sobre a busca por romper em definitivo com o passado.
Além dos protagonistas, a atriz Júlia Yamaguchi volta como Scheyla, e o longa conta com as participações especiais de Bruna Mascarenhas (Rita) e Jottapê (Doni), reunindo o trio que deu início a esse fenômeno cultural.
Baseado em uma ideia original de KondZilla, o projeto foi desenvolvido em parceria com Felipe Braga e Guilherme Quintella. O filme é produzido pela Gullane, dirigido por Johnny Araújo e tem roteiro assinado por Guilherme Quintella, Denis Nielsen e Léo Todeschini. A produção executiva é de Caio Gullane, Ana Saito, Marina Puech Leão e Cristiane Façanha.
O reality “As Patroas”, criado pela influenciadora Viih Tube e pelo marido, Eliezer Netto, virou alvo de investigação após a estreia do primeiro episódio, publicada na terça-feira (30) e retirada do ar em menos de 24 horas. O Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo informou que abriu procedimento para apurar os fatos, enquanto a deputada estadual Ediane Maria Nascimento (PSOL-SP) protocolou representação no MPT pedindo investigação e a suspensão imediata do programa. Ao mesmo tempo, funcionários que participavam do reality reclamam do cancelamento dos patrões.
A repercussão negativa teve como ponto central a exposição da relação entre empregadores e empregados em desafios humilhantes. No episódio divulgado, trabalhadores da casa foram submetidos a provas como o “Desafio do CLT”, que incluiu esconder moedas em locais degradantes — entre eles, o lixo do banheiro e o vaso sanitário — gerando desconforto e acusações de exploração nas redes sociais.
O MPT-SP comunicou que tomou conhecimento do reality por meio da imprensa e abriu procedimento para investigar se houve violação de direitos trabalhistas, como coação, não pagamento de horas extras ou utilização comercial indevida da imagem dos empregados sem contrato específico. O Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem citar nomes, publicou que expor trabalhadores a situações humilhantes pode caracterizar assédio moral e lembrou que a Constituição protege a dignidade da pessoa humana.
Na representação encaminhada ao MPT, a deputada Ediane Nascimento argumenta que a dinâmica do programa pode configurar “assédio moral organizacional” e violar leis trabalhistas. O documento questiona a voluntariedade da participação — apontando ausência de registros ou provas de consentimento — e sugere que recompensas como redução de jornada ou prêmios estariam sendo usadas para mascarar pagamento por trabalho extraordinário e cessão de imagem em canais monetizados, sem a devida compensação ou recolhimento previdenciário. A parlamentar pede inquérito, notificação dos influenciadores e a suspensão do reality caso se confirmem irregularidades.
Reação dos funcionários
Contrapondo as críticas, funcionárias da casa divulgaram um vídeo de defesa do casal. A governanta, Ediléia Santana (conhecida como Leinha), afirmou que todas aceitaram participar de forma voluntária, que são “bem cuidadas” e que o projeto trouxe oportunidades e prêmios importantes, como dinheiro e uma motocicleta. Elas negaram ter sido obrigadas a realizar as provas e criticaram a onda de cancelamento e as denúncias. Parte dos empregados manifestou insatisfação pelo fato do conteúdo ter sido retirado do ar, alegando que perderam oportunidades de visibilidade e premiações prometidas.
Bárbara Brito e Bella Campos falam à Mundo Negro sobre afrolatinidade, luxo e redes de apoio antes de edição do Jantar Preto dedicada a mulheres pretas.
Bárbara Brito e Bella Campos convidam mulheres negras para uma edição especial do Jantar Preto batizada de “Só para as Pretinhas”, marcada para a próxima segunda-feira, dia 6 de julho, às 19h, em São Paulo. Bárbara preside o Jantar Preto desde 2024 e Bella integra o time de convidadas fixas das últimas edições do evento, que já reuniu nomes como Jorge Aragão, Regina Casé, Juliana Alves e Ângela Bassett. A dupla concedeu entrevista exclusiva à Mundo Negro em que fala sobre afrolatinidade, ocupação de espaços de luxo, redes de apoio entre mulheres pretas e o legado que pretende deixar para meninas negras, temas que atravessam a programação do Julho das Pretas neste mês.
Criado em 2023 pelos publicitários Kevin David e Levis Novaes, o Jantar Preto nasceu como um encontro intimista entre profissionais negros do mercado criativo e cresceu até se tornar um dos principais circuitos de celebração da cultura negra em espaços de alto padrão, com edições já realizadas no Rio de Janeiro, em Salvador e em Brasília. Bárbara Brito assumiu a presidência do projeto em 2024, ao lado dos cofundadores, mantendo o propósito original de transformar o luxo em território de protagonismo negro. Comunicóloga formada em Dublin, colunista das revistas Glamour e ForbesLife e autora do livro Caixa Preta, lançado pela Globo Livros em 2022, Bárbara também comanda a Mequelab, empresa de comunicação que assina projetos para marcas como Arezzo e Anitta. Bella Campos, natural de Cuiabá, ganhou notoriedade nacional ao interpretar Muda no remake de Pantanal, em 2022, prêmio de melhor atriz coadjuvante no Melhores do Ano daquele ano, e seguiu a carreira nas novelas Vai na Fé e Vale Tudo, na qual viveu a personagem Maria de Fátima.
Momentos de afrolatinidade
Para Bárbara Brito, a afrolatinidade não pede grandes cenários, ela mora nos gestos do dia a dia, na escolha de um penteado, no jeito de receber gente em casa. “A gente se sente afro-latina em detalhes que parecem pequenos, mas não são. No cabelo black que a gente decide usar solto num evento chique. Na forma como recebe as pessoas em casa, com comida, com afeto, com barulho”, disse à Mundo Negro, acrescentando que os anos vividos fora do Brasil aprofundaram essa percepção. “Viajar também é um gatilho forte, morar fora do Brasil durante tanto tempo e ver como a diáspora se organiza em outros países, como preserva memória, estética, ritmo, me fez voltar mais inteira ao meu país.”
Foto: reprodução/@sadcoxa
Bella Campos chegou a um sentimento parecido por outro caminho, o das viagens pelo continente africano, que considera um divisor na própria formação de identidade. “Acho que esse sentimento aparece quando eu me reconheço nas minhas raízes…” afirmou a atriz, somando a essa vivência o contato com a música e com outras mulheres negras. “Também sinto isso na música, na nossa forma de ocupar os espaços, na troca com outras mulheres negras. São momentos que me lembram que eu faço parte de uma história muito maior do que a minha.”
Ocupação de espaços de luxo
O luxo brasileiro reservou por décadas seus espaços mais visados a corpos brancos, e é dentro dessa disputa histórica que Bárbara Brito situa a própria presença em ambientes como o Baretto. “Não é sobre estar num lugar bonito. É sobre reescrever quem se apossou da permissão de estar ali…” declarou, associando essa naturalidade a um exercício coletivo de abertura de caminho para as próximas gerações.
Bella Campos caminha na mesma direção, mas amplia o argumento para o efeito que essa presença produz em quem observa de fora. Para a atriz, ocupar esses espaços sem precisar alterar a própria identidade já é uma forma de ampliar o imaginário social. “Durante muito tempo, a gente quase não via mulheres negras sendo associadas ao luxo…” disse.
Redes de apoio entre mulheres negras
Entre Bárbara Brito e Bella Campos, a amizade funciona como um refúgio que dispensa explicações, e é essa a base que Bárbara resgata ao falar da própria saúde mental. “Amiga preta é saúde mental sim. Mas antes disso é espelho…” afirmou, acrescentando que o apoio mútuo altera a escala das próprias ambições. “Sozinha, a gente sobrevive. Juntas, a gente expande.”
Foto: reprodução/@sadcoxa
Bella Campos reconhece o mesmo efeito na própria trajetória, mas amplia a rede para além da amizade direta, incluindo mulheres mais velhas que serviram de referência e a comunidade formada nas redes sociais. “Existem experiências que a gente não precisa explicar…” disse, destacando o papel de seguidoras e meninas mais jovens nesse fortalecimento.
Mensagem para a nova geração
Nas rodas onde meninas negras hoje crescem observando essa naturalidade toda, Bárbara Brito enxerga o efeito mais concreto do próprio trabalho. “Que elas cresçam sabendo que merecimento não é discurso, é ocupação…” declarou, ao afirmar que aproximar luxo, sucesso e beleza da imagem dessas meninas já representa o cumprimento de parte essencial do trabalho.
Bella Campos chega a uma conclusão semelhante, mas concentra o recado numa palavra específica, a de permissão, que ela mesma buscou por anos ao longo da carreira. “Eu espero que elas cresçam acreditando que não existe espaço onde elas precisem pedir permissão para estar…” disse, completando que espera que a geração seguinte alcance patamares além dos que ela própria conquistou.
A edição “Só para as Pretinhas” integra a programação do Julho das Pretas e reúne mulheres negras num dos endereços mais tradicionais da hotelaria paulistana, como resposta prática às reflexões levantadas pela dupla na entrevista.
Médica publicou fotos e vídeos de férias em Cartagena nesta quinta (2), dias após período afastada das redes sociais.
Thelma Assis retomou nesta quinta-feira (2) as publicações nas redes sociais com um relato sobre os dias que passou em Cartagena, na Colômbia. A médica e vencedora do BBB 20 publicou fotos e vídeos da viagem, feita durante um período de semanas em que ficou afastada das redes, e descreveu o momento como uma pausa necessária depois de uma fase de maior exposição pública.
Nas imagens, Thelma aparece caminhando pelas ruas históricas da cidade colombiana, provando pratos típicos da culinária local e mergulhando no mar próximo à orla, sempre em momentos de descanso, sem compromissos profissionais aparentes nos registros. A sequência de fotos e vídeos mostra também passeios por pontos turísticos do centro histórico da cidade.
Na legenda da publicação, Thelma escreveu o texto na íntegra. “A vida pede pausas, solitude, reflexões, reciprocidade e registros de bons momentos. Foi isso que vivi nos últimos dias, de férias, viajando pela Colômbia. Mesmo estando fora das redes sociais, recebi o carinho de vocês. Agora estou de volta, com energia renovada e mais forte que a muralha de Cartagena. Seguimos.”
O agradecimento pelo carinho recebido durante o período afastada das redes ocorre semanas depois da repercussão de um processo por racismo que Thelma venceu contra o empresário Rodrigo Branco, condenado pela Justiça de São Paulo a indenizá-la em R$ 40 mil. O caso teve origem em comentários feitos por ele durante a participação da médica no BBB 20, em 2020.
Cartagena, cidade murada às margens do mar do Caribe, é um dos destinos turísticos mais procurados da Colômbia e reúne arquitetura colonial preservada, praias urbanas e ampla oferta gastronômica no centro histórico. A muralha citada por Thelma na legenda da publicação é uma das principais referências da cidade, erguida pelos colonizadores espanhóis entre os séculos XVI e XVIII para proteger o porto de ataques.
A publicação desta quinta-feira marca o retorno de Thelma à rotina de posts diários, interrompida durante as semanas de maior exposição pública do caso contra Rodrigo Branco.
Grasy Andrade encarou três reprovações na avaliação médica e dois meses de treinamento em regime de alta pressão antes de ingressar na força naval americana, trajetória que integra a série Julho das Pretas, do Mundo Negro
A carioca Grasy Andrade se tornou veterana da Marinha dos Estados Unidos aos 40 anos, depois de enfrentar três reprovações na avaliação médica de ingresso, um intervalo de 31 anos entre a promessa de vestir a farda branca e a realização dela, e dois meses de treinamento em regime de alta pressão ao lado de recrutas mais jovens. A trajetória integra a série Julho das Pretas, do Mundo Negro, que reúne histórias de mulheres negras brasileiras em áreas onde a presença delas ainda enfrenta barreiras concretas de idade, peso e origem.
Da profecia à farda branca
Grasy recebeu, aos 9 anos, uma profecia feita por um pastor sobre vestir a farda branca da Marinha americana, promessa que só se cumpriu três décadas depois. “No meu caso, esse sonho nasceu de Deus. Mas entre a promessa e a realização houve muito preparo, muitas lutas e até momentos em que pensei em desistir”, contou a veterana em entrevista ao Mundo Negro.
Grasy relata que chegou a desistir do processo depois de ser reprovada três vezes seguidas na avaliação médica, etapa que barra candidatos fora do padrão de peso exigido pela corporação. “Já estava acima do peso e tinha decidido voltar para o Brasil, quando meu recrutador me ligou pedindo que eu retornasse aos Estados Unidos porque, dessa vez, eu havia sido aprovada na avaliação médica”, relatou.
O treinamento posterior à aprovação no exame físico cobrou tanto do corpo quanto da mente, em um ritmo que Grasy não esperava enfrentar naquela fase da vida. “Como eu não estava fisicamente preparada, o treinamento foi extremamente desafiador. Mas o maior teste foi mental. Passei dois meses em um ambiente de alta pressão, convivendo com pessoas muito mais jovens do que eu, longe da família e sendo constantemente desafiada. Foi ali que aprendi que a força da mente pode ser ainda mais importante do que a força do corpo”, afirmou.
Ser mulher negra dentro de um navio militar
Grasy identifica um fator que separou sua experiência da de outros recrutas brasileiros no mesmo processo de alistamento. Entre os brasileiros que ingressaram na Marinha americana com ela, era a única mulher negra, condição que atribuiu um peso extra à própria presença na corporação. “Isso me fez entender que eu carregava uma responsabilidade ainda maior, mostrar que nós também podemos ocupar espaços que muitos acreditam não serem para nós”, disse.
A rotina a bordo de um navio militar somou a essa responsabilidade um cotidiano de cobrança constante, agravado pela diferença de idade em relação à maioria dos colegas de farda. Grasy resume o resultado desse período como uma conquista que já considera consolidada, independentemente do que ainda está por vir na carreira militar. “A experiência dentro de um navio militar não é fácil. A rotina é intensa, existe muita cobrança e, no meu caso, a diferença de idade em relação à maioria dos militares também tornou o desafio ainda maior. Mas, só de ter chegado até aqui, eu já me sinto uma guerreira e uma vencedora. Essa caminhada exigiu coragem, perseverança e muita fé, e tenho orgulho de cada etapa que vivi”, declarou.
Bagagem de vida como base emocional
Grasy credita à formação recebida no Brasil parte da resistência que sustentou a adaptação à rotina militar nos Estados Unidos. Os pais priorizaram a educação dela desde cedo, o que incluiu aulas de inglês a partir dos 11 anos e passagem por escolas que ela descreve como decisivas para lidar com desafios posteriores. “Meus pais sempre priorizaram a minha educação. Comecei a estudar inglês aos 11 anos e tive o privilégio de estudar em boas escolas, o que me deu uma base sólida para enfrentar novos desafios”, afirmou.
A migração para os Estados Unidos, país onde vive há dez anos, funciona na narrativa de Grasy como uma segunda camada de preparo, construída fora do ambiente familiar e escolar. “A experiência como imigrante também fortaleceu muito a minha resiliência. Recomeçar a vida em outro país, aprender uma nova cultura e superar tantos desafios me deram a força emocional necessária para enfrentar a rotina e as exigências da Marinha dos Estados Unidos”, relatou. Para ela, cada etapa da vida, da infância no Rio de Janeiro até a adaptação como imigrante, funcionou como preparação direta para o momento em que passou a integrar a força naval.
Mensagem para mulheres negras 40+
Grasy define como objetivo pessoal mostrar a outras mulheres negras que a idade não encerra possibilidades de carreira, mensagem que direciona especialmente ao público acima dos 40 anos. “Meu objetivo é que todas as mulheres negras saibam que nós podemos chegar onde quisermos. Com perseverança, força de vontade e fé, a idade se torna apenas um número. Quando temos um alvo claro, fica mais fácil não desistir até chegarmos lá”, afirmou.
Ao longo do processo de imigração, Grasy ouviu de várias pessoas a sugestão de desistir e voltar para o Brasil, mas manteve a decisão de seguir até o ingresso na Marinha, apoiada na convicção que carregava desde a infância. “Muitas pessoas disseram para eu voltar para o Brasil, mas desde os 9 anos eu já sabia que Deus tinha algo preparado para mim nesta terra americana. Passei por muitas dificuldades como imigrante, mas o que não me deixou desistir foi o meu propósito”, disse. A mensagem final que deixa para outras mulheres resume o percurso descrito ao longo da entrevista. “A mensagem que eu deixo é: agarre-se ao seu sonho, mantenha os olhos no seu objetivo e jamais esqueça que a idade é apenas um número. Nunca é tarde para viver aquilo que Deus preparou para você”, declarou.
Hoje casada e radicada na Flórida, Grasy Andrade mantém no Instagram, no perfil @andrade_grasy, o registro da rotina como veterana da Marinha americana e conteúdos voltados à comunidade de brasileiros que vivem nos Estados Unidos. O relato dela integra o conjunto de histórias reunidas pelo Mundo Negro na série Julho das Pretas, que ao longo do mês apresenta trajetórias de mulheres negras brasileiras que romperam barreiras em suas áreas de atuação.
Almirón e Hincapié foram punidos por cobrir a boca durante discussões em campo, regra que a Ifab aprovou após episódio de racismo contra Vinícius Júnior na Champions League
O zagueiro equatoriano Piero Hincapié foi expulso nos acréscimos do segundo tempo da derrota por 2 a 0 para o México, na terça-feira (30), no Estádio Azteca, depois de cobrir a boca durante uma discussão com o atacante Santiago Giménez. O lance, revisado pelo VAR, resultou no segundo cartão vermelho aplicado nesta Copa do Mundo pela chamada “Lei Vini Jr.”, protocolo que pune jogadores que escondem a fala do rosto durante confrontos em campo.
Giménez e outros atletas mexicanos perceberam o gesto e reclamaram imediatamente à arbitragem. O esloveno Slavko Vincic interrompeu a partida, revisou as imagens no monitor lateral e decidiu pela expulsão de Hincapié ainda nos minutos finais do jogo. O México confirmou a vitória por 2 a 0 e avançou às oitavas de final da competição.
O paraguaio Miguel Almirón havia sido o primeiro jogador expulso pela mesma regra nesta edição do torneio, durante a fase de grupos, em partida contra a Turquia. Os dois casos consolidam a aplicação do protocolo logo na estreia da medida em um Mundial.
Origem da regra
A “Lei Vini Jr.” nasceu de um episódio de racismo ocorrido na Liga dos Campeões da temporada 2025/26, durante um jogo entre Real Madrid e Benfica. Na ocasião, o argentino Gianluca Prestianni cobriu a boca com a própria camisa para dirigir falas racistas a Vinícius Júnior, que denunciou o caso à arbitragem e à Fifa. Prestianni foi punido disciplinarmente pelo episódio, que impulsionou o debate sobre esse tipo de conduta dentro de campo.
A International Football Association Board, a Ifab, entidade responsável pelas regras oficiais do futebol, aprovou o novo protocolo em reunião especial realizada em Vancouver, no Canadá, em abril. A partir dali, qualquer jogador que cobrir a boca durante uma discussão com um adversário passou a estar sujeito à expulsão direta.
Pierluigi Collina, presidente do Comitê de Arbitragem da Fifa, defendeu tolerância zero para esse comportamento em declarações à imprensa após a aprovação da regra. Segundo o dirigente italiano, o gesto de cobrir a boca é interpretado como intencional, já que busca impedir que árbitros e câmeras identifiquem o conteúdo da fala, o que justifica o enquadramento como infração passível de cartão vermelho.
O protocolo surge em um momento de repetidos episódios de racismo enfrentados por Vinícius Júnior ao longo da carreira no futebol espanhol, que já haviam motivado sanções a clubes e campanhas de entidades esportivas em defesa do atacante brasileiro. A medida da Fifa transforma um caso individual em mudança estrutural nas regras do jogo, com efeito direto sobre a proteção de atletas negros em campo.
A aprovação pela Ifab, entidade que regula as leis oficiais do futebol e reúne representantes da Fifa e das quatro federações britânicas, deu ao protocolo o mesmo peso normativo de outras infrações clássicas do esporte. Qualquer seleção de qualquer confederação passa a estar sujeita à mesma punição caso um atleta seja flagrado cobrindo a boca durante uma discussão em campo, o que uniformiza a aplicação da regra em todos os jogos do Mundial.
Repercussão internacional
A expulsão de Hincapié ganhou destaque em jornais de diferentes países horas depois do apito final. O espanhol As classificou a aplicação da regra como implacável e descreveu como o lance foi identificado pelos jogadores mexicanos antes da revisão do VAR. O Marca, também da Espanha, deu ênfase ao fato de o zagueiro ter descumprido diretamente o novo protocolo.
Foto: Reprodução/Instagram @vinijr
O Mundo Deportivo recordou que Almirón havia sido o primeiro expulso pela regra e classificou Hincapié como mais um nome na lista. Na Argentina, o Olé detalhou a sequência do lance, da discussão entre os dois jogadores até a decisão de Vincic após a análise no monitor. Já o americano The Athletic associou diretamente a expulsão à nova norma da Fifa criada após o caso envolvendo Vinícius Júnior.
O caso de Hincapié deve reabrir a discussão sobre a efetividade do protocolo nas oitavas de final, fase em que o volume de jogos decisivos tende a aumentar a pressão emocional entre os atletas em campo. A Ifab ainda não indicou se fará ajustes na regra após o Mundial, mas o histórico das duas primeiras aplicações deve compor a avaliação da entidade sobre a permanência do protocolo em competições futuras.
Para celebrar o Julho das Pretas, conheça mulheres negras que atuaram no combate, na logística, na espionagem e na organização popular da Independência da Bahia.
Julho começa na Bahia com uma celebração que atravessa gerações. No dia 2, ruas, largos e avenidas são ocupados pelos cortejos da Independência da Bahia, marco da expulsão definitiva das tropas portuguesas em 1823. No mesmo mês, o Brasil também celebra o Julho das Pretas, agenda política construída por mulheres negras para fortalecer debates sobre direitos, memória e justiça social.
Embora separadas por mais de dois séculos, as duas datas se encontram em uma mesma pergunta: quem são as mulheres que ajudaram a construir a liberdade e ainda permanecem fora das narrativas oficiais?
A história da Independência da Bahia costuma destacar figuras como Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Felipa e Catarina Paraguaçu. Cada uma ocupou um lugar distinto nesse processo e deixou contribuições fundamentais para a história baiana. Mas a guerra pela independência foi sustentada por uma extensa rede de mulheres que participaram dos combates, organizaram estratégias militares, transportaram armas e alimentos, circularam informações entre diferentes localidades, cuidaram dos feridos e mantiveram a resistência popular em funcionamento.
Em entrevista concedida ao portal baiano Farol da Bahia, a historiadora e professora Marianna Freitas lembra que essas personagens conhecidas representam apenas parte dessa história:
“Essas quatro mulheres tiveram muita importância, como tantas outras que a gente não conhece os nomes.”
Baianas na frente da guerra
Se Maria Quitéria rompeu barreiras ao vestir uma farda e integrar o Exército, a atuação das mulheres negras aconteceu em diferentes frentes da luta, muitas vezes fora dos registros oficiais em regiões costeiras do estado baiano.
No Recôncavo, em cidades como Cachoeira, Santo Amaro, Maragogipe, Nazaré, São Francisco do Conde e Saubara, elas participaram da organização da resistência, esconderam armamentos, transportaram mantimentos, atuaram como mensageiras, espionaram tropas portuguesas e garantiram o abastecimento das forças baianas.
Em Saubara, uma estratégia coletiva criada durante a guerra permanece viva até hoje como tradição popular em celebração à memória de mulheres que resistiram às tropas portuguesas. A Festa das Caretas do Mingau surgiu de mulheres que caminhavam pelas ruas cobertas por lençois brancos durante os confrontos, carregando tabuleiros sobre a cabeça para esconder armas e alimentos destinados aos combatentes, ao mesmo tempo que produziam sons para confundir soldados portugueses e dificultar seus deslocamentos.
Maria Felipa não lutou sozinha
Entre essas lideranças, Maria Felipa ocupa um lugar singular na história da Independência da Bahia. Marisqueira, trabalhadora da Ilha de Itaparica e liderança comunitária, ela organizou uma rede de mulheres negras que participou diretamente das batalhas contra as tropas portuguesas.
Maria Felipa tornou-se um símbolo dessa resistência, mas ela nunca esteve sozinha. Pesquisas sobre sua trajetória mostram que Maria Felipa articulou grupos responsáveis pelo monitoramento da costa, pela vigilância das praias e pela proteção dos caminhos utilizados pelas forças baianas. Essas mulheres ficaram conhecidas como “Vedetas”, patrulhando manguezais, matas e áreas próximas aos campos de batalha para impedir ataques e identificar movimentações inimigas.
As estratégias também envolviam conhecimentos sobre o território, plantas da região e técnicas de combate desenvolvidas coletivamente. Relatos históricos apontam que o grupo participou do incêndio de embarcações portuguesas utilizando tochas produzidas com palha de coco e chumbo, além de enfrentar soldados com peixeiras e galhos de cansanção.
Estudiosos e historiadores recuperam os nomes de mulheres como Joana Soaleira, Brígida do Vale e Marcolina, integrantes do grupo liderado por Maria Felipa em Itaparica. Embora suas trajetórias permaneçam pouco documentadas, os registros disponíveis mostram que elas participaram da organização da resistência e continuaram mobilizadas mesmo após a Independência da Bahia.
A presença dessas mulheres demonstra que a emancipação baiana não foi resultado da atuação isolada de figuras heroicas, mas de uma construção coletiva protagonizada também por mulheres negras cujos nomes foram pouco preservados pela historiografia.
A história que ficou fora dos livros
Durante décadas, a narrativa oficial privilegiou líderes militares e personagens masculinos, enquanto experiências vividas por mulheres, trabalhadores, indígenas e pela população negra permaneceram em segundo plano.
Segundo a historiadora Marianna Freitas, esse apagamento reflete a forma como a história foi escrita durante muito tempo.
“A história foi durante séculos protagonizada por homens, figuras que nem sempre se preocupavam em colocar o lado real dos acontecimentos. Isso deixou de lado a grande massa populacional.”
Na última década, pesquisas dedicadas à história social, memória e cultura têm se dedicado a recuperar personagens antes invisibilizados e aproximar a população de sua própria história, reconhecendo mulheres negras como sujeitas históricas que participaram da construção do país.
O 2 de Julho encontra o Julho das Pretas
Celebrar a Independência da Bahia também significa reconhecer e celebrar as trajetórias de quem ocupa esse lugar de memória.
Enquanto o Julho das Pretas propõe reflexões sobre direitos, reconhecimento e reparação histórica, ele nos convida a revisitar mulheres como Maria Felipa e tantas outras que permaneceram anônimas apesar de sua atuação decisiva na guerra por liberdade.
A luta delas segue viva e permanece em curso nos cortejos do 2 de Julho, nas festas populares, nos terreiros, nas comunidades do Recôncavo e nas pesquisas que mesmo após duzentos e três anos de independência, continuam recuperando histórias esquecidas pelos registros oficiais.
Fontes: SANTOS, Lucas Borges dos. Maria Felipa de Oliveira. Resgate da Memória. n.2. jul. 2014.
SANTOS, Viviane Carla Bandeira Santos & Moreira, Andrea de Carvalho. Narrativas Femininas na Independência da Bahia: um caminho para educação antirracista e decolonial. Estudos IAT, Salvador, v.5, Edição Especial Prêmio Luís Henrique Dias Tavares, 2020.
PRATA, Lívia. Maria Felipa: uma heroína baiana. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação Visual) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.
SANTOS, Viviane Carla Bandeira; MOREIRA, Andréa de Carvalho. Vozes da independência: experiências de mulheres negras na Independência da Bahia. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), 2023.