O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou nesta sexta-feira (22) que a mpox segue figurando como emergência em saúde pública de importância internacional. Em seu perfil na rede social X, ele destacou que a decisão foi tomada após reunião do comitê de emergência convocada para esta sexta-feira (22).
“Minha decisão baseia-se no número crescente e na contínua dispersão geográfica dos casos, nos desafios operacionais e na necessidade de montar e sustentar uma resposta coesa entre países e parceiros”, escreveu.
“Apelo aos países afetados para que intensifiquem suas respostas e para que a solidariedade da comunidade internacional nos ajude a acabar com os surtos”, concluiu Tedros.
Entenda
Em agosto, a OMS decretou que o cenário de mpox no continente africano constituía emergência em saúde pública de importância internacional em razão do risco de disseminação global e de uma potencial nova pandemia. Este é o mais alto nível de alerta da entidade.
Em coletiva de imprensa em Genebra à época, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que surtos de mpox vêm sendo reportados na República Democrática do Congo há mais de uma década e que as infecções têm aumentado ao longo dos últimos anos.
Em julho de 2022, a entidade havia decretado status de emergência global para a mpox em razão do surto da doença em diversos países.
A doença
A mpox é uma doença zoonótica viral. A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animais silvestres infectados, pessoas infectadas pelo vírus e materiais contaminados. Os sintomas, em geral, incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrio e fraqueza.
As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas que secam e caem. O número de lesões pode variar de algumas a milhares. As erupções tendem a se concentrar no rosto, na palma das mãos e na planta dos pés, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, inclusive na boca, nos olhos, nos órgãos genitais e no ânus.
A Secretaria de Participação e Parceria (SMPP), a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads) e a Coordenação dos Assuntos da População Negra (CONE), em parceria com a Coordenadoria de Inclusão Digital (CID) disponibilizam a partir do dia 08 de novembro uma ferramenta de serviço à sociedade para o registro on-line de denúncias de combate à homofobia e crimes de racismo.
Como denúncias deverão ser feitos através do preenchimento do formulário disponível no site da SMPP (www.prefeitura.sp.gov.br/smpp). O acesso a essa ferramenta pode ser feito em todas as unidades de Telecentros de São Paulo.
A nova ferramenta visa facilitar o atendimento a esse público, para que assim o Poder Público possa agir coibindo atos discriminatórios contra a população negra e a população LGBT e também elaborar políticas públicas de proteção a esses grupos.
Ao fazer a denúncia, é preciso que especifique detalhes dos fatos ocorridos como: local, horário, pessoas envolvidas, o tipo de discriminação que ausidade e outras informações que julgaram relevantes. Todas as informações encaminhadas são sigilosas, nos termos da lei.
Atualmente, a SMPP disponibiliza esses serviços no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia, localizado no Pateo do Colégio, 5 – 1º andar e no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate ao Racismo, também, localizado no Pateo do Colégio, 5 – 2º andar.
Para a utilização dos Telecentros é necessário agendar um horário via telefone ou pessoalmente. Acesse o site do Telecentro e escolha uma unidade mais próxima de você.
Por Hédio Silva – Advogado e presidente do Idafro e JusRacial
O vodu, religião de matriz africana, foi o estopim da revolta de escravizados que, a partir de 23 de agosto de 1791, enfrentou o domínio colonial francês em São Domingos e deu início ao processo revolucionário que culminaria na fundação da República do Haiti, primeiro país independente da América Latina e do Caribe a abolir definitivamente a escravidão.
O vodu foi essencial para cimentar uma identidade comum e agregar diferentes grupos étnicos, lideranças e revoltosos. Foi durante uma cerimônia conhecida como Bwa Kayiman (ou Bois Caïman), liderada pelo sacerdote Dutty Boukman, que milhares de revoltosos se mobilizaram para iniciar ataques, incendiar plantações, libertar escravizados e enfrentar os senhores de engenho.
Morto em combate, Dutty Boukman, o Feiticeiro Negro, tornou-se um dos primeiros grandes líderes da Revolução Haitiana. Depois dele, ganharam protagonismo nomes como Toussaint Louverture, um dos maiores revolucionários das Américas, e, posteriormente, o lendário Jean-Jacques Dessalines.
Juntos, os chamados jacobinos negros enfrentaram e derrotaram o poderio militar francês. Em 1º de janeiro de 1804, consolidava-se a independência do Haiti, resultado da primeira revolução vitoriosa da história moderna conduzida por pessoas escravizadas contra o sistema colonial e escravista.
A independência haitiana, que completa 222 anos em 2026, não pode ser compreendida sem reconhecer o poder agregador, a resistência e a capacidade transformadora das religiões de matriz africana.
Na década de 1990, o dia 23 de agosto foi instituído pela Unesco como Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e sua Abolição, em referência ao início da insurreição de 1791 e em memória das milhões de pessoas vitimadas pelo tráfico transatlântico de africanos escravizados.
A história da Revolução Haitiana ajuda a compreender por que racistas e genocidas temem tanto nossas religiões: elas carregam autonomia de pensamento, altivez, insubmissão, resistência e libertação.
E, parafraseando Gilberto Gil e Caetano Veloso: “E todos sabem como se tratam os pretos (…) “O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui.”
A 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado chegou ao fim no último sábado (22), consagrando uma noite histórica de celebração, exaltação e visibilidade para o cinema brasileiro. Com grande destaque nas principais categorias, profissionais e artistas negros dominaram a entrega do cobiçado Kikito dourado.
O prêmio máximo da noite, na categoria de Melhor Longa-Metragem Brasileiro, foi conquistado pelo potente “Nosso Segredo”, obra dirigida e roteirizada pela cineasta e atriz Grace Passô. O longa ainda se destacou nas categorias técnicas, garantindo os Kikitos de Melhor Fotografia para Wilssa Esser e Melhor Direção de Arte para Lucas Osório.
Outro grande destaque da edição foi o filme “Feito Pipa”, que conquistou cinco prêmios no total. A obra consagrou Teca Pereira como Melhor Atriz e Lázaro Ramos como Melhor Ator Coadjuvante, além de levar os Kikitos de Melhor Direção para Allan Deberton e de Melhor Filme pelo Júri Popular, recebendo também uma Menção Honrosa para o ator mirim Yuri Gomes.
Em outro ponto alto da premiação, Christian Malheiros foi consagrado como Melhor Ator por seu papel em “Justino – Nos Bastidores do Reino”, dividindo o prêmio com José Loreto, premiado por “Chorão – Só Os Loucos Sabem”. A produção sobre Justino também garantiu uma Menção Honrosa para a atriz Onna Silva. Já na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, Naruna Costa foi a grande vitoriosa por sua atuação em “Pele de Rinoceronte”.
Na categoria de Melhor Longa-Metragem Documentário, o vencedor foi “Gonzaguinha, Da Maior Liberdade”, produção que celebra o legado e a memória de uma das vozes mais marcantes da cultura nacional.
Encontro acontece em 17 de setembro, na Casa de Maria, na Região Portuária, e amplia a rede de conexões profissionais e oportunidades entre mulheres negras.
A Ciranda Preta – Protagonismo Feminino chega ao Rio de Janeiro em 17 de setembro para sua primeira edição na cidade. Criado em Salvador por Danielle Pires e Najara Black, o movimento realiza o encontro na Casa de Maria, na Região Portuária carioca, dando continuidade à expansão nacional iniciada neste ano.
A iniciativa promove encontros voltados à construção de conexões profissionais, negócios e novas oportunidades entre mulheres negras de diferentes áreas. A proposta é criar um ambiente em que conversas possam se transformar em parcerias, indicações profissionais, clientes, oportunidades de carreira e novos negócios.
A expansão para outras capitais começou em maio, quando a Ciranda realizou sua primeira edição em São Paulo, com vagas esgotadas. Antes disso, o movimento já havia construído uma comunidade em Salvador por meio de encontros mensais. Em abril, a iniciativa reunia profissionais de áreas como comunicação, direito, saúde, bem-estar, economia e eventos, com cerca de 100 participantes por edição.
Para Danielle Pires, cofundadora da Ciranda Preta, a intenção é que os encontros produzam conexões que continuem depois do jantar.
“Queremos que as mulheres saiam da Ciranda não apenas com novos contatos, mas com possibilidades reais de conexão.”
A ideia de transformar relacionamento em oportunidade está no centro da proposta desde a criação do movimento. Em Salvador, a Ciranda já realizou encontros em diferentes espaços e consolidou uma comunidade formada por profissionais, empreendedoras, executivas e lideranças negras. Em julho, o projeto completou um ano de atuação na capital baiana.
Do networking à construção de oportunidades
O projeto aposta na convivência como ponto de partida para relações profissionais mais duradouras. A programação do encontro no Rio será organizada para estimular a troca de experiências e a identificação de possíveis afinidades entre as participantes.
Para Najara Black, também cofundadora da iniciativa, levar a Ciranda para outras cidades significa ampliar as possibilidades de encontro entre mulheres que atuam em diferentes setores.
“Ampliar essa roda significa conectar mulheres que talvez não se encontrassem em outros ambientes.”
A chegada a São Paulo, em maio, foi apresentada pelas fundadoras como o primeiro passo de uma expansão para outras regiões do país. A edição aconteceu no Altar Cozinha Ancestral, restaurante da chef Carmem Virgínia.
Agora, o Rio de Janeiro passa a integrar esse circuito.
Uma roda na Região Portuária do Rio
A escolha da Casa de Maria coloca a primeira edição carioca em uma região marcada pela presença negra na formação histórica e cultural da cidade. O espaço fica na Rua Sacadura Cabral, próximo a referências da Pequena África e do Largo da Prainha.
Recém-inaugurada, a Casa de Maria reúne gastronomia, música, cultura e memória afetiva. Entre as referências que inspiram a identidade do espaço estão Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Maria Quitéria e Maria da Penha.
O restaurante tem entre seus sócios o ator e empresário Douglas Silva e o chef e empresário Pitágoras Leite. A realização da Ciranda no local aproxima duas propostas que encontram na mesa um espaço para convivência: a construção de conexões profissionais e a valorização de histórias, referências e manifestações da cultura brasileira.
O que esperar da primeira Ciranda Preta no RJ
A edição carioca acontece no dia 17 de setembro de 2026, das 19h às 23h, na Casa de Maria. A participação é mediante inscrição, pagamento e envio do comprovante.
Serviço
Ciranda Preta – Protagonismo Feminino | Rio de Janeiro Data: 17 de setembro de 2026 Horário: 19h às 23h Local: Casa de Maria — Rua Sacadura Cabral, 55, Região Portuária, Rio de Janeiro/RJ
Investimento: R$ 210 Participação mediante inscrição, pagamento e envio do comprovante pelo perfil @cirandapreta.
Diretor-executivo do Fundo Baobá afirma que políticas afirmativas atuam de forma transversal dentro de estruturas universais e defende que reparação racial seja responsabilidade do Estado.
“Não existe SUS dos pretos. O que existe, dentro dessas estruturas, é a política transversal de ação afirmativa.” A afirmação é de Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá para Equidade Racial, ao responder a críticas de que políticas voltadas à população negra criariam privilégios ou seriam incompatíveis com políticas públicas universais.
Em entrevista concedida ao Folha C-Level, Harvey também defendeu que o enfrentamento das desigualdades raciais não pode depender apenas de projetos sociais, investimentos privados ou ações afirmativas. Para ele, a reparação à população negra deve ser assumida pelo Estado, inclusive por meio de medidas relacionadas à estrutura tributária.
A discussão aparece em um momento em que a reforma tributária abre espaço para o debate sobre justiça fiscal. Uma das reparações previstas é o chamado cashback, mecanismo de devolução de parte dos tributos sobre o consumo para famílias de baixa renda, com previsão de implementação a partir de 2027.
Para Harvey, a discussão sobre tributação pode integrar um debate mais amplo sobre reparação diante dos efeitos históricos da escravidão e da permanência das desigualdades raciais no país.
Ação afirmativa não substitui política universal
Ao abordar as críticas às políticas de cotas e outras medidas de ação afirmativa, Harvey rejeitou a ideia de que políticas universais e políticas focalizadas estejam necessariamente em oposição.
“Não vamos conseguir enfrentar as desigualdades étnico-raciais com projetos sociais ou apenas com políticas de ação afirmativa, que são políticas conservadoras”, afirmou, argumentando que essas iniciativas, isoladamente, não seriam suficientes para alterar estruturas de desigualdade.
Na sequência, o executivo recorreu ao exemplo do Sistema Único de Saúde (SUS) para explicar seu entendimento sobre a relação entre políticas universais e ações afirmativas.
“Não existe SUS dos pretos. O que existe, dentro dessas estruturas, é a política transversal de ação afirmativa.”
A afirmação foi feita no contexto de uma crítica recorrente às políticas destinadas especificamente à população negra, segundo a qual medidas focalizadas representariam uma ruptura com políticas públicas universais. Para Harvey, porém, uma política pode ser universal em sua estrutura e, ao mesmo tempo, incorporar mecanismos capazes de enfrentar desigualdades específicas.
Reparação racial como responsabilidade do Estado
A defesa de políticas afirmativas integra um amplo debate levantado por Harvey sobre reparação racial. Segundo o executivo, a responsabilidade pelo enfrentamento do racismo estrutural não pode ser transferida para organizações privadas ou para a filantropia.
“A reparação é tarefa do Estado”, afirmou.
Harvey também declarou que o racismo estrutural no Brasil seria resultado de processos vinculados à atuação estatal e, por isso, não poderia ser enfrentado exclusivamente por investimentos sociais privados.
O Fundo Baobá atua justamente no financiamento de iniciativas voltadas à equidade racial. Criado há 15 anos a partir de articulações envolvendo cerca de 200 instituições e movimentos negros, o fundo patrimonial reúne atualmente R$ 191 milhões e tem como meta chegar a R$ 250 milhões em 2027.
A organização informa que, ao longo de sua trajetória, seus investimentos alcançaram direta ou indiretamente mais de 1 milhão de pessoas e cerca de 1.300 iniciativas, com R$ 23 milhões destinados a projetos.
Entre as iniciativas apoiadas estão a Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), associação civil negra criada em Salvador no século XIX; a Marcha das Mulheres Negras; e o programa Black STEM, que oferece bolsas para estudantes negros aprovados em universidades estrangeiras em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Diversidade não deve depender apenas de retorno financeiro
Harvey também criticou a dependência de argumentos econômicos para justificar a presença de pessoas negras em espaços de decisão.
Ao ser questionado sobre os efeitos da diversidade nos resultados empresariais, afirmou que a diversidade pode melhorar a percepção de oportunidades de negócios, mas questionou a necessidade de transformar esse argumento em justificativa principal para políticas de inclusão.
“Quem precisa de argumento financeiro é aliado de segunda categoria. Isso tem que ser enfrentado pelo que é, e não depender de uma justificativa de melhoria de performance.”
A declaração ocorre em meio ao recuo de programas de diversidade por grandes empresas. Para Harvey, alianças empresariais em torno da pauta racial podem ser circunstanciais e sujeitas às mudanças de interesse das organizações.
“Temos que ter coragem de admitir o nosso tamanho”, afirmou. Segundo ele, algumas alianças construídas em momentos de maior mobilização em torno da diversidade podem funcionar mais como estratégia de valorização de marca do que como compromisso permanente.
Políticas universais e focalizadas podem coexistir
Ao abordar a permanência das desigualdades raciais mesmo após a criação de políticas públicas universais, Harvey questionou a ideia de que ações afirmativas beneficiariam apenas uma parcela restrita da população negra.
O executivo citou um debate histórico sobre a capacidade de políticas públicas universais de reduzir desigualdades relativas e afirmou que, mesmo com a ampliação dessas políticas, a população negra permanece em desvantagem em diferentes indicadores.
“Com todas as políticas públicas que foram criadas, nós ainda continuamos em desvantagem. Que privilégio é esse?”
A partir desse raciocínio, Harvey defende que políticas universais e ações afirmativas não precisam ser tratadas como escolhas excludentes. As primeiras podem alcançar a população de maneira ampla, enquanto as segundas atuam sobre desigualdades específicas que não são necessariamente eliminadas pela universalização de serviços.
Justiça tributária entra no debate sobre reparação
A reforma tributária é apontada por ele como uma oportunidade para ampliar a discussão sobre justiça racial. O mecanismo de devolução de tributos para famílias de baixa renda é, para ele, apenas um ponto de partida para discutir como o sistema tributário brasileiro distribui custos e benefícios entre diferentes grupos sociais.
O Fundo Baobá já financia estudos relacionados à justiça tributária e pretende manter essa agenda entre suas frentes de atuação.
Para Harvey, o próximo ciclo de planejamento da organização, previsto para começar em 2027, deve ampliar o espaço para propostas de enfrentamento às desigualdades raciais.
“Ser a primeira só tem sentido se outras não precisarem ser exceção”, afirma a Dra. Margarida Fernandes Lopes Morais D’Autilio, reconhecida como a primeira afro-brasileira graduada em Medicina e Cirurgia na Itália, em entrevista ao Mundo Negro. Aos 49 anos, ela vive em Roma há mais de duas décadas e construiu uma trajetória internacional que reúne assistência clínica, pesquisa científica, medicina estética e docência.
Atualmente, Margarida atende em diferentes clínicas na capital italiana. Ao longo dos anos, também consolidou sua formação acadêmica e profissional na Itália, sem perder o vínculo com o Brasil e com suas origens.
Durante sua formação, Margarida passou a buscar referências e registros de trajetórias semelhantes à sua, de outras pessoas afro-brasileiras, mas não localizou. “Encontrei muitos brasileiros que se identificam como brancos, frequentemente descendentes de italianos e, em sua maioria, oriundos das regiões Sul e Sudeste”, relata. “Foi nesse vazio de referências que comecei a perceber a dimensão histórica da minha trajetória”, afirma.
A percepção ganhou ainda mais força após a conclusão do doutorado de pesquisa em Ciências Médico-Cirúrgicas Aplicadas, com foco em Cirurgia Plástica Regenerativa. Para Margarida, ocupar um espaço de produção de conhecimento em uma área médico-cirúrgica historicamente marcada por referências pouco diversas reforçou seu compromisso com uma ciência mais plural.
Apesar do reconhecimento, ela não encara o pioneirismo como um troféu individual. “Se uma menina ou uma jovem negra olhar para a minha história e entender que medicina, pesquisa, doutorado e formação internacional também podem fazer parte do horizonte dela, então essa conquista se torna coletiva”, afirma.
Foto: Arquivo pessoal
Desafios para uma medicina mais inclusiva
Durante muito tempo, pesquisas, protocolos e tecnologias foram desenvolvidas sem considerar adequadamente a diversidade de peles presente na população. Para Margarida, essa ausência não é apenas uma questão de representatividade visual, mas tem consequências clínicas concretas.
“Peles mais pigmentadas apresentam particularidades na resposta a determinados procedimentos, especialmente em relação à pigmentação e à inflamação”, explica.
A hiperpigmentação pós-inflamatória, por exemplo, é uma preocupação relevante em pacientes com pele mais pigmentada. Por isso, determinados procedimentos precisam ser indicados e realizados com parâmetros, cuidados e precauções adequados. Também é necessário considerar diferenças relacionadas à cicatrização e à predisposição à formação de queloides em determinados grupos populacionais.
“Por isso, considero fundamental que a inovação em medicina estética caminhe junto com a inclusão científica: novos dispositivos, tecnologias, cosméticos e protocolos precisam considerar desde a fase de pesquisa a diversidade de fototipos e fenótipos da população real”, defende.
Margarida também destaca a reprodução de padrões eurocêntricos e brancos de beleza na medicina estética. Segundo ela, os tratamentos não devem ser utilizados para aproximar todos os pacientes de um único ideal estético.
“A medicina estética deve valorizar a pessoa que temos diante de nós, respeitando anatomia, ancestralidade, proporções e identidade. Inclusão, para mim, é também não apagar traços”, afirma.
Essa perspectiva orienta sua defesa de protocolos individualizados, que considerem as características biológicas, as expectativas e a história de cada paciente. Duas pessoas podem buscar o mesmo resultado, mas necessitar de condutas diferentes, inclusive quando possuem objetivos semelhantes.
“Não acredito em uma medicina estética que transforme todo mundo na mesma pessoa. Acredito em uma medicina que saiba reconhecer diferenças e trabalhar com elas”, resume.
Foto: Arquivo pessoal
O paciente antes do procedimento
A doutora também demonstra preocupação com a influência das redes sociais na relação das pessoas com a própria imagem. Segundo ela, pacientes chegam aos consultórios levando fotografias de celebridades e pedindo a reprodução de características específicas, como o formato dos lábios. “Não se pode banalizar. Atrás de cada procedimento existe estudo, anatomia, farmacologia, fisiologia e ética”, alerta.
Para Margarida, o profissional não deve apenas executar o desejo apresentado pelo paciente, mas também atuar na educação em saúde, explicando riscos, limites e possibilidades. “Um bom médico não faz apenas o que o paciente pede; ele exerce a educação em saúde”, afirma.
Foto: Arquivo pessoal
A influência de diferentes países
Margarida tem experiências médicas vividas no Brasil, nos Estados Unidos e na Itália. “Minha forma de exercer a medicina é resultado do encontro de três culturas”, explica.
Nascida e criada em Salvador, na Bahia, a brasileira afirma ter levado uma percepção natural da diversidade. Com um país de grande pluralidade fenotípica, cultural e racial, desenvolveu um olhar atento às diferentes formas de existência e beleza.
Durante sua passagem pela George Washington University, nos Estados Unidos, teve contato intenso com a pesquisa, a metodologia científica e a inovação. Sua tese experimental foi desenvolvida entre a universidade norte-americana e a Universidade de Roma Tor Vergata e posteriormente publicada no Journal of Craniofacial Surgery.
Já a Itália foi o país onde se formou médica, construiu sua carreira acadêmica e concluiu o doutorado. A experiência italiana aprofundou seu olhar sobre anatomia, proporção, harmonia e valorização da individualidade.
Consciente das barreiras enfrentadas ao longo dessa jornada, a médica transforma a solidão dos espaços predominantemente brancos em combustível para quem vem a seguir. “Haverá momentos em que se sentirão sós, em que se questionarão ou sentirão a necessidade de provar algo a mais, mas é justamente nesses momentos de dificuldade que tudo pode se transformar em força pura, luz e energia”, conclui.
O primeiro grande médico da história era um homem negro e viveu 2650 anos antes de Cristo. O meu avô quase não chegou ao diagnóstico por falta de dez linhas organizadas num papel. Este texto é sobre as duas coisas.
Por Dr. Lucas Diniz
O futuro está sempre começando agora.
Já se imaginou, negro e negra, que está lendo agora, você já se imaginou com abundância, riqueza, a ponto de transbordar seus tesouros? Pois bem, leia em voz alta: seu maior tesouro é sua saúde, e assim como tudo que tem muito valor, você precisa cuidar muito bem dela, assim como os antigos faraós guardavam suas relíquias nas pirâmides.
Aliás, ali por volta de 2650 antes de Cristo já existia um grande médico, Imhotep, que também era cientista, arquiteto e astrônomo, e que foi vizir, aquele que carrega um grande peso. Já imaginam a cor do médico que vivia na antiga cidade de Mênfis no Egito, correto? Porém a maioria conhece o outro colega, o grego Asclépio, aquele do bastão com a serpente que está na porta de cada hospital deste país e que veio quase dois mil anos depois. Não conto isso para alimentar raiva em ninguém, conto porque memória também é patrimônio.
Imagem gerada por IA
Agora deixa eu contar uma história da minha própria casa, e começo por um “causo de ignorância”, como disse o meu patriarca quando fui pedir a ele autorização para escrever isto aqui.
Meu avô é um senhor negro de mais de 80 anos. Durante muitos anos ele fez apenas o exame de sangue do PSA, sem nunca passar por um urologista e sem nunca ter feito o exame de toque. Certo dia eu estava olhando os exames dele e vi que aquele número estava muito alto. Tive a sorte de ter dois dos meus melhores amigos urologistas a um WhatsApp de distância, mandei para os dois, e os dois responderam a mesma coisa, que estava alto demais e ele precisava de avaliação médica. Veio então a resistência, que é a resistência de tantos homens da geração dele: a preocupação com o bichinho se espalhar, o medo do exame de toque, a ansiedade de ouvir a palavra câncer. Mas ele foi, passou pela consulta de verdade, foi investigado como manda o protocolo, e há dois anos recebeu o diagnóstico de câncer de próstata. Hoje ele está tratado. “Que sirva de bom exemplo para outras pessoas”, me disse ele.
E aqui eu preciso ser bem claro, porque esse medo é comum, é antigo e ele é falso. Nem o exame de toque nem a biópsia espalham câncer. O que espalha é o tempo que se perde sem diagnóstico.
Se não fosse aquele WhatsApp e aqueles dois amigos, anjos na terra, talvez ele nunca tivesse chegado ao diagnóstico a tempo.
E tem uma coisa nessa história que eu preciso que você guarde, porque ela é sobre o seu corpo. Um estudo publicado em 2023 na revista Cancer, da Sociedade Americana de Câncer, acompanhou mais de 75 mil homens negros e mais de 207 mil homens brancos, e no mesmo PSA de 4 o homem negro teve 49% de chance de ter câncer confirmado na biópsia contra 39% do homem branco. Os autores calcularam a equivalência e chegaram nisto: um homem negro com PSA de 4 corre o mesmo risco de um homem branco com PSA de 13,4. Quer dizer que aquele número que parecia apenas alto no papel do meu avô já era gravíssimo para ele havia muito tempo.
E o Brasil, onde está nessa conta? O INCA estima quase 72 mil novos casos de câncer de próstata a cada ano do triênio de 2023 a 2025, e em 2020 morreram 15.841 homens da doença, algo em torno de quinze mortes para cada cem mil. Agora repare no que não existe. A própria Revista Brasileira de Cancerologia, que é do INCA, reconhece a escassez de publicação científica brasileira sobre as causas da desigualdade de acesso à saúde. Nós somos mais da metade da população deste país e a nossa desigualdade em câncer de próstata continua sendo estudada com dado de veterano americano.
E o ponto que interessa a você é este. Você pode não ser médico e pode não ter dois amigos urologistas no celular, mas você pode fazer exatamente o que eu fiz antes de mandar a mensagem, que foi juntar informações que estavam soltas, espalhadas em papéis de anos diferentes, e olhar para todas elas juntas. O que salvou o meu avô não foi o meu diploma, foi ter organizado o que já existia e levado a alguém que sabia ler.
Como gosto muito de partilhar conhecimento, assim como Imhotep, vamos ao exercício.
Faça pela manhã, assim que acordar, com atenção. Abra qualquer inteligência artificial gratuita e escreva, linha por linha:
MEU TESOURO DE SAÚDE NEGRA
minha altura e meu peso
minha circunferência abdominal, medida com fita na altura do umbigo
se eu fumo e há quanto tempo
se eu bebo, quanto e com que frequência
se faço atividade física, qual e quantas vezes por semana
os remédios que tomo
as doenças que tenho
as doenças do meu pai, da minha mãe e dos meus avós
a cidade e o bairro onde moro
minhas alergias e as cirurgias que já fiz
E ao final você escreve assim: “organize essas informações em uma lista clara e objetiva e me ajude a preparar as perguntas que eu devo fazer ao meu médico na próxima consulta.”
Repare muito bem no que você está pedindo, porque isso importa mais do que tudo que está escrito aqui. Você não está pedindo diagnóstico, e nenhuma inteligência artificial pode te dar diagnóstico. Você está pedindo organização, que é o que eu fiz com os exames do meu avô antes de mandar para os meus amigos.
Três recados de médico antes de você sair correndo. Isso não substitui consulta nenhuma, porque o que você tem em mãos é um mapa, e mapa nenhum opera ninguém. Não escreva seu nome completo, CPF ou documento nessa conversa, porque tesouro a gente guarda. E leve essa lista impressa na próxima consulta, seja no SUS, na clínica popular, no convênio ou no particular, porque quem chega com dez linhas organizadas na mão transforma quinze minutos de consulta em meia hora.
Primeiro o diagnóstico, depois o tratamento e se possível, sempre a prevenção.
Há também o risco de tudo isso ser repetido em código, e ele tem cor. A pesquisadora Joy Buolamwini, do MIT, demonstrou em “Unmasking AI” que sistemas de análise facial erram muito mais em rostos negros porque foram treinados quase sem eles, e é Frantz Fanon, de “Pele negra, máscaras brancas”, reencarnado em linha de programação. Na saúde isso já custou vida. Um algoritmo que priorizava o cuidado de mais de 200 milhões de pessoas nos Estados Unidos media necessidade pelo gasto anterior do paciente, e como o paciente negro gasta menos porque acessa menos, o sistema concluiu que ele adoecia menos. Corrigido o viés, a proporção de negros que deveriam receber cuidado intensivo saltou de 17,7% para 46,5%. O código apenas herdou a nossa desigualdade e passou a chamá-la de estatística.
Você que está acostumado a ver risco como medo, passe a ler risco como oportunidade de agir. E digo isso também para quem lê esta coluna de uma cadeira de diretoria, de uma secretaria de saúde ou de um fundo de investimento. Um estudo do IDC divulgado em junho deste ano mostra que 90% dos executivos brasileiros já apontam a inteligência artificial como o diferencial-chave do seu setor, e que a fatia do orçamento de tecnologia destinada a ela sai de 28% hoje para 45% até 2028. Esse dinheiro será gasto de qualquer maneira, e a única pergunta que segue em aberto é sobre quais rostos esses sistemas serão treinados. O buraco que o próprio INCA aponta é a oportunidade. Nós temos a população, temos os hospitais-escola, temos os pesquisadores, e falta somente a decisão de construir o dado que ainda não existe.
Da fórmula da vida eterna às curas de Imhotep e ao bastão de Asclépio, hoje temos ferramentas que há dez, vinte anos chamariam de magia negra. Hoje ela é a realidade negra. Para além da Black Box, hoje falamos da perspectiva do negro, no mundo negro.
Escrevo do negro para o negro.
Então faça três coisas antes de fechar esta página. Amanhã de manhã escreva o seu TESOURO DE SAÚDE NEGRA. Depois marque a consulta e leve a sua lista impressa, porque tempo é vida. E por último compartilhe, com pretos e brancos, com pardos, amarelos e indígenas, porque diferentemente do que pregam, uma vela não perde nada ao compartilhar sua chama com outra vela.
A partir de hoje falaremos mais sobre tempo, saúde e tecnologia, de uma perspectiva positiva.
O meu avô teve a sorte de ter um neto médico olhando os papéis dele. O seu avô tem você.
Sejam médicos, sejam mágicos, sejam fodas.
* Eu sou Dr. Lucas Diniz, cirurgião plástico facial pela USP, CRM-SP 194459, RQE 111712, pesquisador de Inteligência Artificial para Cirurgias Craniofaciais da perspectiva da população negra.
Texto de caráter informativo e educativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. História pessoal publicada com autorização do familiar citado.
Fontes
Lee, K.M. et al. “Association of Race With Prostate Cancer Detection at a Given PSA Level”, Cancer, American Cancer Society (2023) — Wiley Newsroom
INCA, Estimativa 2023, Incidência de Câncer no Brasil (72 mil casos novos de próstata a cada ano do triênio 2023–2025) — INCA
Radar do Câncer, mortalidade por câncer de próstata no Brasil, 15.841 óbitos em 2020 — Radar do Câncer
INCA, “Câncer de Próstata e Equidade Racial: Análise das Barreiras de Acesso aos Cuidados de Saúde”, Revista Brasileira de Cancerologia — RBC/INCA
Buolamwini, J.; Gebru, T. “Gender Shades” (MIT, 2018) — MIT News
Obermeyer, Z. et al. “Dissecting racial bias in an algorithm used to manage the health of populations”, Science (2019) — Science
Fanon, F. “Pele negra, máscaras brancas” (1952)
IDC, “Impacto nos Negócios pela Adoção de IA no Brasil” (Microsoft Brasil, 08/06/2026) — Microsoft News
O ator Myles Bullock foi escalado para interpretar Dr. Dre em “Snoop”, cinebiografia sobre a trajetória do rapper e empresário Snoop Dogg. O filme será dirigido por Craig Brewer, com roteiro baseado em uma versão inicialmente escrita por Joe Robert Cole. As informações são do The Hollywood Reporter.
Jonathan Daviss, conhecido por seu trabalho na série “Outer Banks”, da Netflix, foi anunciado em abril como o ator que dará vida a Snoop Dogg nos cinemas. A produção ainda não teve início, mas tem estreia prevista para 6 de agosto de 2027.
Ambientada principalmente no início da carreira de Snoop Dogg, o filme deve abordar a relação entre o rapper e Dr. Dre, que foi um dos principais responsáveis por impulsionar sua trajetória na música.
No início dos anos 1990, enquanto trabalhava em seu primeiro álbum solo, “The Chronic”, Dr. Dre recebeu uma fita demo com gravações de Snoop Dogg. Impressionado com o estilo do artista, o produtor o convidou para participar de algumas faixas do projeto, incluindo “Nuthin’ But a ‘G’ Thang”, um dos maiores sucessos do hip-hop.
Dr. Dre também atuou como mentor de Snoop Dogg e produziu Doggystyle, álbum de estreia do rapper, lançado em 1993. O trabalho é considerado um dos discos mais influentes da música dos anos 1990.
Snoop Dogg e Sara Ramaker, presidente da Death Row Pictures, participam da cinebiografia como produtores. Jeb Brody, da Imagine Entertainment, é o produtor executivo.
A Universal Pictures também produziu “Straight Outta Compton: A História do N.W.A.”, cinebiografia do grupo de rap N.W.A. indicada ao Oscar em 2015.
A trajetória de Myles Bullock
A escalação de Myles Bullock reúne novamente o ator e Craig Brewer. Os dois trabalharam juntos na minissérie “Fight Night: The Million Dollar Heist” (2024). A produção contou ainda com nomes como Kevin Hart, Taraji P. Henson e Samuel L. Jackson. Bullock também participou do filme “Homens Brancos Não Sabem Enterrar” e das séries “BMF” e “Fugitivos”.
Atualmente, Myles Bullock grava “Prison Break: Black Creek”, reboot de Prison Break, no qual será um dos protagonistas.
O ator Yahya Abdul-Mateen II, protagonista de Magnum (Wonder Man), criticou a decisão da Marvel de cancelar a série antes de uma segunda temporada e afirmou que a interrupção de produções protagonizadas por atores negros produz uma percepção negativa sobre o estúdio.
Em entrevista à Vanity Fair, o ator declarou: “Se eu fosse a Disney, se eu fosse a Marvel, eu não gostaria de estar associado a essa imagem”. Para Abdul-Mateen II, a resposta para mudar essa percepção passa pelo investimento em produções com boas histórias e recursos de qualidade.
Embora não tenha mencionado Blade diretamente, o comentário acontece em meio a outros projetos da Marvel com protagonismo negro que enfrentaram mudanças ou interrupções. O filme Blade, estrelado por Mahershala Ali, também passou por um longo processo de desenvolvimento e alterações antes de sua produção.
Yahya defende continuidade de “Magnum”
Cancelada pela Marvel antes de ganhar uma segunda temporada, Magnum acompanha Simon Williams, personagem conhecido nos quadrinhos como Wonder Man. Na série, ele é apresentado como um ator que busca oportunidades em Hollywood enquanto tenta lidar com poderes que ainda não consegue controlar completamente.
Para Yahya, a produção tinha elementos suficientes para continuar. O ator destacou a qualidade da história, dos recursos e do elenco, além da recepção do público e do reconhecimento obtido pela série.
“Nossa série merece ser estudada, com informações reais e concretas sobre por que uma série como essa não continuou”, afirmou em entrevista à Vanity Fair.
A crítica de Abdul-Mateen II questiona o espaço destinado a personagens negros dentro de grandes franquias de entretenimento e as decisões de investimento que determinam quais histórias chegam a ganhar continuidade.
Após nove anos de sua última passagem pelo Brasil, quando ainda integrava o Fifth Harmony, Normani retorna ao país para sua primeira apresentação solo. A cantora norte-americana se apresenta em 17 de outubro, durante a quarta edição do Meli Music, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo.
A apresentação marca ainda a primeira atração internacional da história do festival. Normani ganhou projeção mundial como integrante do Fifth Harmony e, posteriormente, consolidou uma carreira solo no pop e R&B.
Da girl group à carreira solo
Depois do período no Fifth Harmony, Normani iniciou sua trajetória solo com “Love Lies”, parceria com Khalid lançada em 2018 como parte da trilha sonora de Love, Simon. A música chegou ao 9º lugar da Billboard Hot 100 e permaneceu 51 semanas na parada.
Em 2019, a cantora lançou “Dancing With A Stranger”, parceria com Sam Smith, e, no mesmo ano, apresentou “Motivation”, faixa que se tornou um dos principais sucessos de sua carreira solo.
Em 2024, Normani lançou seu primeiro álbum solo, Dopamine, projeto que aprofundou sua identidade musical entre o pop e o R&B e trouxe faixas como “1:59”, com Gunna, e “Candy Paint”.
Agora, o público brasileiro terá a oportunidade de acompanhar ao vivo essa nova fase de sua carreira pela primeira vez.
Normani no Brasil
A última passagem da artista pelo país aconteceu em 2017, durante a The 7/27 Tour, do Fifth Harmony. Na ocasião, o grupo realizou apresentações em Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.
Quase uma década depois, Normani retorna ao Brasil com um repertório próprio e em um momento diferente de sua trajetória artística.
O Meli Music acontece em 17 de outubro, na Mercado Livre Arena Pacaembu. Os portões serão abertos às 12h e o evento está previsto para terminar às 22h.
Serviço
Meli Music — 4ª edição Mercado Livre Arena Pacaembu — São Paulo 17 de outubro de 2026 Abertura dos portões: 12h 🎟️ Ingressos disponíveis pela Sympla.
As consequências de mais de 600 anos do projeto colonial europeu e da supremacia branca no Norte e no Sul Global são investigadas em “O Projeto”, primeiro longa-metragem da cineasta Sabrina Fidalgo, realizado em parceria com o fotógrafo suíço Yvan Rodic. Selecionado para a competição de documentários do 54º Festival de Cinema de Gramado, o filme foi exibido no evento e estreia nos cinemas brasileiros em 19 de novembro.
No documentário, Sabrina e Yvan partem do encontro entre suas próprias histórias para percorrer diferentes territórios e refletir sobre as marcas deixadas pelo colonialismo europeu. A cineasta apresenta a perspectiva de uma mulher brasileira preta do Sul Global, enquanto o fotógrafo suíço contribui com o olhar de um homem branco do Norte Global.
“Ele traz a visão dele enquanto homem branco suíço do Norte Global, e eu trago a minha história como mulher brasileira preta do Sul Global”, explica Sabrina, em entrevista ao Mundo Negro. “Nós dois juntos acabamos criando uma narrativa muito potente nesse lugar de encontros improváveis, mas que, ao mesmo tempo, criam uma sinergia entre si.”
Foto: Divulgação
A seleção das pessoas entrevistadas foi realizada ao longo do processo de pesquisa e das viagens da equipe. Alguns nomes já estavam entre as primeiras referências da diretora e de Yvan; outros surgiram espontaneamente durante a produção. Entre os depoimentos estão os de Grada Kilomba, Djamila Ribeiro e Anderson França.
“Grada Kilomba, por exemplo, sempre foi um nome em que pensei, porque estive no lançamento do livro dela, Memórias da Plantação, em Lisboa, há mais ou menos seis anos, e li a obra”, conta a cineasta, ao relembra que a leitura do livro influenciou a definição do escopo do filme e os caminhos escolhidos para abordar o colonialismo.
Djamila Ribeiro também foi pensada desde o início, por sua trajetória como filósofa, professora e uma das principais vozes antirracistas do Brasil. Já a participação de Anderson França foi articulada quando a equipe estava na Europa.
Segundo Sabrina, o documentário também reúne vozes de pessoas brancas, em uma tentativa de ampliar o debate sobre responsabilidade diante das estruturas racistas e coloniais. “A importância dessas vozes — não somente vozes negras, mas vozes não brancas do Sul Global — é imprescindível para tentarmos entender as consequências e talvez as maneiras com as quais possamos transformar o mundo em um lugar mais justo”, afirma. “É importante que essas pessoas assumam o seu lugar de culpa, passem a falar, a questionar e a tentar encontrar soluções nesse lugar também, sem deixar tudo nas costas dos oprimidos”, completa.
Foto: Divulgação
“Uma mensagem universal”
A exibição em Gramado marcou uma nova etapa na relação de Sabrina Fidalgo com o festival. Antes de apresentar seu próprio filme, a cineasta havia sido presidente do júri e curadora da Mostra Gaúcha. Ela afirma que ficou emocionada com a recepção do público após a sessão de estreia.
“Estou muito feliz, a nossa estreia foi linda, as pessoas se emocionaram muito e acho que o público entendeu a mensagem desse filme, que é uma mensagem universal. É um chamado à tomada de consciência. Isso ficou bem compreendido e sentido pelo público”, destaca.
A diretora também rejeita a ideia de que sua presença no festival esteja ligada apenas à representação de um segmento específico do cinema. “Mais do que representar um determinado tipo de cinema — cinema negro, no caso —, que eu não me entendo nesse lugar; acho que faço cinema brasileiro, sobretudo”, afirma. “Estou aqui representando o meu próprio cinema, a minha linguagem.”
Foto: Divulgação
Competição e lançamento
Com 94 minutos de duração, O Projeto está entre os documentários que disputam a competição do 54º Festival de Cinema de Gramado. O vencedor de Melhor Documentário será anunciado no sábado (22), a partir das 20h, durante a cerimônia oficial de premiação, no Palácio dos Festivais.
Depois da estreia no festival, o longa chega aos cinemas de todo o Brasil em 19 de novembro. O lançamento acontece no período de celebração do Dia da Consciência Negra e amplia o alcance de uma obra que propõe discutir as permanências do colonialismo no presente.
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