O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou nesta sexta-feira (22) que a mpox segue figurando como emergência em saúde pública de importância internacional. Em seu perfil na rede social X, ele destacou que a decisão foi tomada após reunião do comitê de emergência convocada para esta sexta-feira (22).
“Minha decisão baseia-se no número crescente e na contínua dispersão geográfica dos casos, nos desafios operacionais e na necessidade de montar e sustentar uma resposta coesa entre países e parceiros”, escreveu.
“Apelo aos países afetados para que intensifiquem suas respostas e para que a solidariedade da comunidade internacional nos ajude a acabar com os surtos”, concluiu Tedros.
Entenda
Em agosto, a OMS decretou que o cenário de mpox no continente africano constituía emergência em saúde pública de importância internacional em razão do risco de disseminação global e de uma potencial nova pandemia. Este é o mais alto nível de alerta da entidade.
Em coletiva de imprensa em Genebra à época, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que surtos de mpox vêm sendo reportados na República Democrática do Congo há mais de uma década e que as infecções têm aumentado ao longo dos últimos anos.
Em julho de 2022, a entidade havia decretado status de emergência global para a mpox em razão do surto da doença em diversos países.
A doença
A mpox é uma doença zoonótica viral. A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animais silvestres infectados, pessoas infectadas pelo vírus e materiais contaminados. Os sintomas, em geral, incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrio e fraqueza.
As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas que secam e caem. O número de lesões pode variar de algumas a milhares. As erupções tendem a se concentrar no rosto, na palma das mãos e na planta dos pés, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, inclusive na boca, nos olhos, nos órgãos genitais e no ânus.
A Secretaria de Participação e Parceria (SMPP), a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads) e a Coordenação dos Assuntos da População Negra (CONE), em parceria com a Coordenadoria de Inclusão Digital (CID) disponibilizam a partir do dia 08 de novembro uma ferramenta de serviço à sociedade para o registro on-line de denúncias de combate à homofobia e crimes de racismo.
Como denúncias deverão ser feitos através do preenchimento do formulário disponível no site da SMPP (www.prefeitura.sp.gov.br/smpp). O acesso a essa ferramenta pode ser feito em todas as unidades de Telecentros de São Paulo.
A nova ferramenta visa facilitar o atendimento a esse público, para que assim o Poder Público possa agir coibindo atos discriminatórios contra a população negra e a população LGBT e também elaborar políticas públicas de proteção a esses grupos.
Ao fazer a denúncia, é preciso que especifique detalhes dos fatos ocorridos como: local, horário, pessoas envolvidas, o tipo de discriminação que ausidade e outras informações que julgaram relevantes. Todas as informações encaminhadas são sigilosas, nos termos da lei.
Atualmente, a SMPP disponibiliza esses serviços no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia, localizado no Pateo do Colégio, 5 – 1º andar e no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate ao Racismo, também, localizado no Pateo do Colégio, 5 – 2º andar.
Para a utilização dos Telecentros é necessário agendar um horário via telefone ou pessoalmente. Acesse o site do Telecentro e escolha uma unidade mais próxima de você.
Hoje foi dia de celebração, encontros potentes e afirmação do protagonismo de mulheres negras que estão transformando o Brasil. No ano em que completa sua quinta edição, a Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias voltou ao Rio de Janeiro, local onde a primeira edição do prêmio foi realizada. O encontro reuniu homenageadas, executivas, artistas e lideranças em um brunch especial na sede da L’Oréal Brasil, como parte das celebrações do Julho das Pretas, Latino-Americanas e Caribenhas.
“O que me move é exaltar o talento de outras mulheres. Mulheres que, como eu, trabalham não pela egotrip de aparecer, mas para impactar a comunidade e o mundo. De 2022 até aqui, já homenageamos 40 mulheres de diversas áreas, incluindo medicina e ciência. No ano passado, somamos ao júri técnico o voto popular, para receber indicações de mulheres incríveis de todo o país que mudam histórias dentro e fora da nossa comunidade.”, celebrou Silvia Nascimento, fundadora e Head de Conteúdo do Mundo Negro e anfitriã da premiação.
Fotos: Cultne
O evento contou com o patrocínio do Grupo L’Oréal e da TV Globo — representada pela parceria com a novela das seis A Nobreza do Amor.
Homenagem às vencedoras da premiação
Com a marca histórica de quase 20 mil votos computados ao longo de suas fases e 854 indicações, a premiação reforçou o papel de dar visibilidade a trajetórias de excelência de mulheres negras. A entrega dos troféus promoveu momentos de intensa emoção. Conduzidas por Silvia Nascimento e pelo trio de entregas no palco — composto pela Dra. Katleen Conceição, pela executiva Aline Lima, por Livia (Diretora de Marketing Digital da L’Oréal) e pela atriz Duda Santos —, as premiadas compartilharam mensagens marcantes ao receberem seus reconhecimentos.
Representando a categoria Ciência, Tecnologia e Inovação, a cientista da computação Nina da Hora foi aplaudida por sua atuação na democratização da tecnologia e no combate a viéses algorítmicos.
“A gente trabalha tanto que não vê onde está chegando. A gente só vê quando acontece um problema ou uma homenagem como essa” , declarou Nina da Hora.
Outras homenageadas do júri técnico incluíram a escritora Conceição Evaristo (Trajetória Transformadora) e a cantora Urias (Cultura, Artes e Entretenimento), que enviaram mensagens especiais em vídeo, além da empresária Val Benvindo (Diversidade e Impacto Social) e Eduarda Vieira (Liderança Corporativa).
Nas categorias decididas pelo público, o afroempreendedorismo mostrou sua força de mobilização. Celebrada como Empreendedora do Ano, Fany Miranda subiu ao palco para receber o troféu entregue pela atriz Duda Santos.
“Eu fui uma pessoa em situação de rua. Não tive essas mulheres comigo na época e hoje é um privilégio estar aqui. […] Sou muito honrada pelas mulheres que vieram antes de mim e abriram as portas. A gente tem a obrigação de deixar essa porta aberta para que outras venham e passem.” ressaltou Fany Miranda.
A votação popular também consagrou Cicih Lima (Criadora Digital), Letícia Maria (Profissional da Beleza), Saint Clair Cezar (Destaque em Gastronomia) e Madá Negrif (Profissional da Moda).
Foto: Cultne
O poder da autoconfiança
A programação de talks foi aberta com o painel Power Talks Kérastase, mediado por Silvia Nascimento, trazendo reflexões sobre como a autoconfiança impacta a presença e o crescimento de mulheres negras no mercado e na sociedade. O diálogo contou com a participação da escritora Luanda Vieira e de Eduarda Vieira, Head de Comunicação na L’Oréal no Brasil e uma das homenageadas do dia na categoria Liderança Corporativa.
Eduarda Vieira, Silvia Nascimento e Luanda Viera – Fotos: Cultne
Durante o papo, as convidadas abordaram como a construção de redes de apoio e mentoria fortalecem a caminhada profissional.
“Representatividade nada mais é do que a gente se sentir possível, […] e quando a gente se sente possível ninguém para a gente de fato, quando a gente entende que existem outras pessoas em lugares que a gente gostaria de chegar, a gente realmente entende que também fomos feitos para estar lá”, afirmou Luanda Vieira.
Mulheres negras na teledramaturgia
Encerrando a sequência de painéis, o segundo talk do dia foi mediado pela jornalista Laís Gomes e trouxe ao palco a atriz Duda Santos, protagonista da novela A Nobreza do Amor, e Larissa Régia, gerente de Marketing da TV Globo. Elas destacaram a importância do protagonismo negro em histórias exibidas em horário nobre e a presença de lideranças negras na construção das narrativas nos bastidores da mídia.
Duda Santos, Laís Gomes e Larissa Regis – Fotos Cultne
“Quando uma criança me vê na rua, não vê apenas uma atriz ou uma princesa. Acho que vê possibilidade e esperança também. […] Entrar na casa das pessoas todos os dias e mostrar para as crianças que muita coisa é possível é muito potente. A gente tem um poder imenso nas mãos. A gente colabora para um futuro melhor.”, concluiu Duda Santos.
Yahya Abdul-Mateen II concorre ao Emmy pelo papel de Simon Williams em Wonder Man, série cancelada pela Marvel meses após ter renovação confirmada.
A Marvel Television cancelou a série Wonder Man, do selo Spotlight exibida pelo Disney+, e a produção não terá uma segunda temporada. A informação foi divulgada pela Variety nesta quinta-feira (30). A decisão contraria o anúncio feito pela própria Marvel em março, quando a renovação do projeto havia sido confirmada publicamente.
Segundo roteiristas ligados ao projeto, a sala de roteiro da segunda temporada nunca chegou a ser aberta. A equipe responsável pela produção foi realocada para outros projetos da Marvel Television antes que o trabalho tivesse início, o que tornou inviável dar continuidade à trama após o fim da primeira leva de episódios.
Lançada em janeiro deste ano, a série acompanha o ator Simon Williams, interpretado por Yahya Abdul-Mateen II, em sua tentativa de emplacar uma carreira em Hollywood enquanto esconde poderes que ainda não sabe controlar. No elenco também está Ben Kingsley, que retoma o papel de Trevor Slattery, personagem apresentado em Homem de Ferro 3 e revisitado em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. Destin Daniel Cretton, diretor de Shang-Chi, assina a produção executiva e dirigiu parte dos episódios, enquanto o roteiro é assinado por Andrew Guest, roteirista de Brooklyn Nine-Nine e Community.
O cancelamento chega poucas semanas depois de Abdul-Mateen II receber uma indicação ao Emmy de Melhor Ator em Série de Comédia por seu papel na produção. A academia também reconheceu a série com dez indicações técnicas, incluindo performance de dublê, coordenação de dublês, design de produção, fotografia, desenho de título, maquiagem protética, música e letra originais, edição de som e mixagem de som. O ator já havia vencido o Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada por sua atuação como Doutor Manhattan em Watchmen.
A indicação marca apenas a segunda vez que uma série da Marvel garante uma indicação a Melhor Ator, e a primeira do estúdio em cinco anos. A última vez que a Marvel havia alcançado esse patamar foi com WandaVision, em 2021, quando a série somou 23 indicações e venceu em três categorias. Na disputa por Melhor Ator em Série de Comédia, Abdul-Mateen II concorre com Steve Carell, de Rooster, Matthew Rhys, de Widow’s Bay, Jason Segel, de Shrinking, e Martin Short, de Only Murders in the Building. O ator também recebeu indicações no Astra TV Awards e no Dorian TV Awards ao longo da temporada de premiações.
Wonder Man é a versão televisiva de Magnum, personagem criado em 1964 pela Marvel Comics. Nos quadrinhos, Simon Williams recebeu superforça após um experimento conduzido pelo Barão Zemo e chegou a atuar como vilão antes de conquistar a confiança dos Vingadores, tornando-se posteriormente membro fundador dos Vingadores da Costa Oeste. Sua passagem por Hollywood como ator e dublê, retratada nos quadrinhos, é o ponto de partida escolhido pela série do Disney+.
Yahya Abdul-Mateen II usou as redes sociais para comentar o cancelamento e agradecer ao público que acompanhou a série. Em publicação feita nesta quinta-feira, o ator afirmou que “a série deu certo” e disse que essa constatação é o que mais o deixa satisfeito com o projeto. Ele relatou ter recebido mensagens de espectadores que associaram a trajetória do personagem a momentos pessoais de superação e mencionou acompanhar as reações de criadores de conteúdo no YouTube que comentaram os episódios. A publicação foi encerrada com uma convocação aos fãs para acompanhar a disputa do Emmy em setembro.
Todos os episódios de Wonder Man, chamada de Magnum no Brasil, seguem disponíveis no catálogo do Disney+. A Marvel Television não detalhou se Simon Williams poderá aparecer em outros projetos do estúdio, e não há, até o momento, informações sobre uma possível continuidade da história em formato de filme ou minissérie.
Hoje é dia de celebrar o protagonismo negro feminino: o Rio de Janeiro recebe, na sede da L’Oréal Brasil, a cerimônia da Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias 2026, que consagra dez trajetórias de excelência em uma edição marcada por quase 20 mil votos e por um júri técnico de peso. Integrando as celebrações do Julho das Pretas, Latino-Americanas e Caribenhas, o evento reunirá as homenageadas, executivas, artistas e lideranças comprometidas com a equidade racial e de gênero no Brasil.
A quinta edição da premiação conta com o patrocínio do Grupo L’Oréal e da TV Globo, que assina a parceria com a marca de sua novela das seis, “A Nobreza do Amor”.
“Cada uma dessas vencedoras representa um Brasil mais plural e comprometido com o futuro que queremos construir”, afirma Silvia Nascimento, fundadora e Head de Conteúdo do Mundo Negro.
Cerimônia e programação
A cerimônia desta quinta edição será conduzida por Silvia Nascimento, com início às 10h. Além da entrega dos prêmios, o encontro inclui talks temáticos e momentos de homenagem às premiadas, reforçando o caráter de celebração e debate da Powerlist.
Além das homenageadas, outros nomes já estão confirmados no evento: Dra. Katleen Conceição, Aline Lima e Ana Paula Fernandez, que compõem o trio de entregas previsto para o palco. A programação também anuncia participações de Luanda Vieira, no talk sobre autoconfiança com a campanha Power Talks Kérastase, e de Duda Santos, Larissa Régia e Duda Santos, no painel sobre mulheres negras na teledramaturgia.
Vencedoras da Powerlist Mundo Negro 2026
A Powerlist 2026 registrou um total de 854 indicações e alcançou a marca histórica de 19.893 votos computados ao longo de suas fases — sendo 5.966 votos na etapa inicial e 13.927 na acirrada etapa final. Além das cinco categorias com voto popular, a premiação também contou com um júri técnico formado por nove mulheres negras, incluindo nomes como a atriz Taís Araújo e a jornalista Flávia Oliveira, para definir as vencedoras em outras cinco categorias.
Essa estrutura reforça o caráter plural da premiação, que busca equilibrar reconhecimento técnico e legitimidade popular na escolha das homenageadas.
Veja a lista completa:
Urias | Cultura, Artes e Entretenimento (Júri Técnico)
Fany Miranda | Empreendedora do Ano (Voto Popular)
Letícia Maria | Profissional da Beleza (Voto Popular)
Saint Clair Cezar | Destaque em Gastronomia (Voto Popular)
Madá Negrif | Profissional da Moda (Voto Popular)
Serviço
Powerlist Mundo Negro – Mulheres Negras Mudam Histórias 2026 Data da Cerimônia: 31 de julho de 2026 Local: Sede da L’Oréal Brasil – Rio de Janeiro (RJ) Patrocínio: L’Oréal e TV Globo
Existe uma geração de artistas negros que deixou de esperar reconhecimento para construir o próprio lugar na cena brasileira. Não porque o mercado finalmente tenha se tornado mais justo, mas porque esperar significava aceitar um papel secundário numa história que também lhes pertence.
Hipólyto é um dos nomes que ajudam a redesenhar esse novo mapa com sua extraordinária presença cênica.
No teatro musical, assumiu o protagonismo de Wicked. No audiovisual, chegou às produções da Disney+. Tornou-se a voz brasileira de atores como Anthony Ramos e Kelvin Harrison Jr., além de dar vida a Scar em Mufasa: O Rei Leão. Os trabalhos se acumulam, mas o que impressiona não é a quantidade de personagens. É a naturalidade com que atravessa linguagens diferentes sem abandonar uma identidade artística.
Sua formação não nasceu da pressa de construir um currículo robusto. Ela revela uma estratégia de sobrevivência artística. Da dança aprendida ainda na infância com os pais, passando pelo Arte em Cena, pela UNIRIO e pelo Circo Crescer e Viver, ele construiu uma linguagem em que interpretação, música e movimento deixaram de ser disciplinas distintas para formar um mesmo pensamento cênico. Quando sobe ao palco, não alterna entre essas habilidades. Elas acontecem ao mesmo tempo.
Essa multiplicidade costuma ser celebrada como talento. Pouco se fala sobre sua origem. Artistas negros raramente puderam apostar todas as fichas em uma única especialidade. Durante muito tempo, precisaram dominar diversas linguagens para disputar espaços que continuavam restritos. A excelência deixou de ser um diferencial. Tornou se uma exigência.
Hipólyto conhece esse mecanismo. Ele fala de uma sensação que muitos artistas negros reconhecem imediatamente, a necessidade permanente de provar competência antes mesmo de começar o trabalho. Existe uma fronteira delicada entre ser reconhecido e causar surpresa. Ainda hoje, qualidade artística produz espanto quando atravessa um imaginário acostumado a limitar quem pode ocupar determinados lugares.
O racismo que descreve não aparece em grandes escândalos. Manifesta se na frase aparentemente neutra, “não é o perfil que procuramos”. Surge nas recusas sem justificativa, nas escolhas que nunca são assumidas publicamente, nos papéis que parecem já nascer com um rosto previamente definido. É uma violência discreta, justamente porque aprendeu a esconder seus próprios rastros.
Sua resposta nunca foi transformar a indignação em discurso permanente. Foi aprofundar o ofício.
Existe, porém, um detalhe que organiza sua trajetória melhor do que qualquer papel de destaque. Ao ser perguntado sobre sua maior conquista, Hipólyto não menciona estreias nem prêmios. Fala da casa da mãe. A resposta desloca completamente a ideia de sucesso. O reconhecimento deixa de ser uma coleção de troféus e passa a ser a possibilidade concreta de transformar a vida de quem tornou seu sonho possível desde o início.
Sua mãe Sônia continua sendo sua maior incentivadora. O menino que, segundo ele próprio, nunca teve tempo para voar porque precisou amadurecer cedo, hoje voa por ela também. Há uma delicadeza nessa imagem. Ela explica muito sobre uma geração inteira de artistas negros que aprendeu a transformar conquistas individuais em patrimônio coletivo das suas famílias.
Também por isso, Hipólyto recusa a ideia do artista isolado. Ao fundar o Coletivo Corsário e desenvolver projetos autorais, demonstra que sua ambição não termina no próximo papel. Ela inclui ampliar o campo de possibilidades para outros criadores, produzir novas narrativas e participar da construção de uma cena cultural mais diversa.
Quando crianças negras fazem fila para pedir uma fotografia ou um autógrafo, elas não encontram apenas um ator conhecido. Encontram uma imagem de futuro. Durante muito tempo, o palco brasileiro ensinou quem podia ser protagonista. A presença de artistas como Hipólyto altera essa pedagogia silenciosa.
Sua história não é extraordinária porque rompe todas as barreiras. Ela é extraordinária porque continua produzindo excelência enquanto muitas delas permanecem de pé. É desse tipo de permanência que uma geração inteira começa, finalmente, a escrever uma nova página da cultura brasileira.
Sabemos que se exercitar é fundamental nos dias de hoje, ainda mais com jornada de trabalho aumentada, tempo de tela excessivo e outras demandas do dia a dia que exigem muito de nós, é simples dizer que ‘’falta vontade’’, mas será que todas as pessoas possuem as mesmas oportunidades?
No Brasil, a resposta é não.
A prática regular de exercícios, depende de alguns fatores importantes como: tempo disponível, renda, segurança, acesso a espaços públicos de qualidade, transporte e até o sentimento de pertencimento em alguns ambientes. E são esses aspectos que a população negra enfrenta cotidianamente para que possa existir a prática de exercício.
Segundo dados do IBGE, pessoas negras são maioria entre a população de menor renda e enfrentam jornadas de trabalho mais longas e maiores índices de informalidade. Isso significa menos tempo livre e menos recursos para investir em academias, clubes esportivos ou modalidades que exigem equipamentos e mensalidades.
Com a falta de acesso e também a falta de infraestrutura, tudo acaba se tornando uma bola de neve. A população negra apresenta maior prevalência de doenças como hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, condições que podem ser prevenidas ou controladas com hábitos saudáveis, incluindo a prática regular de exercícios físicos. Quando o acesso ao movimento é limitado, as desigualdades em saúde tendem a se aprofundar.
Promover saúde vai muito além de incentivar as pessoas a se ‘’exercitarem mais’’, significa criar cidades com espaços públicos seguros, ampliar políticas de esporte e lazer, investir em projetos comunitários, fortalecer profissionais que atuam nas periferias e garantir que todas as pessoas possam cuidar do próprio corpo com dignidade.
Talvez a pergunta nunca tenha sido ‘’por que pessoas negras praticam menos atividade física?’, mas sim ‘por que ainda existem tantas barreiras que impedem parte da população de acessar um direito básico à saúde?’. Quando entendemos essa diferença, percebemos que incentivar o movimento também é promover equidade.
Na première de “Homem-Aranha: Um Novo Dia” em Londres, a atriz reforçou o retorno da escova volumosa que dialoga com o maxi hair dos anos 1970.
Zendaya colocou o volume no centro de sua mais recente aparição no tapete vermelho. Na première de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, em Londres, a atriz escolheu um blowout encorpado, com comprimento, movimento e ondas abertas, acompanhado de um vestido branco de alta-costura da grife Tamara Ralph.
O visual reforça um movimento que vem ganhando espaço entre mulheres negras nos tapetes vermelhos: cabelos crespos e cacheados menos comprometidos com a definição perfeita e mais interessados em volume, textura e movimento.
O blowout é uma técnica de finalização que alonga a curvatura, reduz o encolhimento e deixa os fios mais soltos, sem exigir alisamento químico. O acabamento pode variar entre uma escova mais alinhada, como a escolhida por Zendaya, e um cabelo com cachos escovados, volume orgânico e textura aparente.
Outras artistas negras também vêm apostando nessa estética. Olivia Dean levou ao Grammy 2026 um blowout volumoso, com ondas macias e raízes elevadas. Chase Infiniti escolheu uma versão ainda mais expansiva para a première de “Uma Batalha Após a Outra”, realizada em Londres, em setembro de 2025.
No Brasil, Camila Pitanga já usou a técnica para valorizar o movimento de seu corte em camadas, enquanto Taís Araújo apareceu com uma versão mais alongada, preservando cachos moldados nas pontas. Os diferentes resultados mostram que o blowout não segue um único formato: ele pode ser adaptado à curvatura, ao corte e ao volume desejado.
Do maxi hair dos anos 1970 ao presente
Embora tenha voltado aos holofotes com referências ao glamour das supermodelos dos anos 1990, o atual interesse por cabelos grandes também recupera o maxi hair dos anos 1970. Diana Ross foi uma das principais referências dessa estética, transformando cabelos volumosos, ondas abertas e cachos expansivos em parte de sua imagem nos palcos, filmes e editoriais.
O período também foi marcado pelo movimento Black Power, que fortaleceu o cabelo natural como símbolo de identidade, orgulho e resistência. O afro usado por Angela Davis tornou-se uma das imagens mais reconhecidas desse contexto.
Apesar do afro político, do maxi hair de Diana Ross e do blowout atual possuirem construções distintas, eles dialogam entre si criando a possibilidade de o cabelo negro ocupar espaço, aparecer com volume e escapar de padrões que tentam controlar sua forma.
Essa liberdade também inclui não transformar a definição em uma nova obrigação. A valorização dos cabelos naturais no Brasil, especialmente entre 2013 e 2016, ajudou muitas mulheres a abandonar processos químicos e reconhecer suas curvaturas. Ao mesmo tempo, consolidou-se a ideia de que o cabelo crespo ou cacheado deveria estar sempre perfeitamente definido para parecer bem cuidado.
O blowout amplia esse repertório. Em vez de negar a textura, permite experimentar outras formas dentro do próprio cabelo natural, valorizando volume, comprimento, movimento e uma aparência menos controlada.
Como reproduzir o blowout?
O primeiro passo é lavar os cabelos e utilizar um condicionador ou uma máscara leve. Cremes densos e óleos em excesso podem pesar nos fios e diminuir o volume, por isso, o ideal é aplicar produtos em pouca quantidade.
Para fazer o blowout com calor, retire o excesso de água, aplique um protetor térmico específico e divida o cabelo em mechas. Com o secador em temperatura moderada e o bico direcionador, estique cada seção delicadamente com uma escova raquete ou ventilada. O secador deve permanecer em movimento e afastado do couro cabeludo.
A tração suave ajuda a alongar os cachos e diminuir o encolhimento sem retirar todo o corpo do cabelo. O jato de ar frio pode ser utilizado ao final para ajudar a preservar o formato.
Também é possível alcançar um efeito mais orgânico sem escova térmica. Com os fios secos, desembaraçados e levemente umedecidos, divida o cabelo em partes e estique cada seção delicadamente com os dedos, um pente de dentes largos ou uma escova raquete. O resultado preserva mais textura e cria um volume menos uniforme.
Para finalizar, um spray de fixação flexível ajuda a sustentar o penteado sem deixar os fios rígidos. A proposta é encontrar a combinação de volume, textura e movimento que funcione para cada cabelo.
Com foco nas diferentes histórias de realeza negra, a 12ª edição será realizada em 14 de novembro, no Pelourinho, em Salvador. O Afro Fashion Day revelou “Rainhas e Reis” como tema de sua 12ª edição. Marcado para 14 de novembro, no Pelourinho, em Salvador, o desfile terá a ancestralidade negra como ponto de partida para apresentar diferentes perspectivas sobre poder, beleza, memória e pertencimento por meio da moda.
O anúncio foi realizado nesta quarta-feira (29), durante um encontro na sede da Rede Bahia. A programação reuniu estilistas, produtores de moda e representantes de agências de modelos que participarão da construção da edição de 2026 do evento promovido pelo jornal CORREIO.
A proposta é abordar a realeza negra para além das representações construídas a partir de referências exclusivamente ocidentais. Na passarela, o tema deve inspirar criações conectadas às histórias de diferentes sociedades e reinados africanos, assim como às heranças culturais preservadas e recriadas pela população afro-brasileira.
Fábio Reis, analista de marketing à frente do evento, explicou que a edição buscará questionar visões estereotipadas sobre as culturas e os reinados do continente africano. Segundo ele, o tema será traduzido de maneira acessível ao público por meio das diferentes criações apresentadas no desfile.
As informações sobre as seletivas de modelos e demais etapas da programação serão anunciadas posteriormente no canal oficial do Afro Fashion Day no Instagram (@afrofashionday).
Serviço
Afro Fashion Day 2026 — “Rainhas e Reis” Data: 14 de novembro de 2026 Local: Pelourinho, Salvador Informações: @afrofashionday e @correio24horas
Um novo consenso internacional, publicado em julho de 2026 no The Lancet Diabetes & Endocrinology, reuniu recomendações para adultos em tratamento com medicamentos baseados em incretinas, como semaglutida e tirzepatida, as canetas emagrecedoras.
O documento reforça que não existe uma dieta única para quem utiliza essas medicações. Como elas reduzem significativamente o apetite, é fundamental garantir que a menor ingestão de alimentos não resulte em perda de massa muscular, deficiências nutricionais, fadiga ou piora da qualidade de vida. O sucesso do tratamento deve ser avaliado não apenas pela perda de peso, mas também pela preservação da força, da funcionalidade e do bem-estar.
Proteína: prioridade, mas não exclusividade
O consenso recomenda individualizar a ingestão entre 1 e 1,5 g de proteína por quilo de peso ajustado por dia, com uma referência mínima geral de 60 g diárias, distribuídas ao longo das refeições.
Além de carnes, ovos e peixes, também podem contribuir para essa meta alimentos como leite, iogurte, queijos, feijão, lentilha, grão-de-bico e tofu. E não é necessário ficar refém de whey protein.
Ao mesmo tempo, o documento alerta que a proteína não deve ocupar todo o prato. Carboidratos como arroz, cuscuz, aveia, batata-doce, inhame, aipim e frutas continuam importantes para fornecer energia e devem ser mantidos conforme a realidade, a cultura alimentar e a tolerância de cada pessoa.
Fibras, hidratação e manejo dos sintomas
A orientação é consumir pelo menos 25 g de fibras por dia, priorizando frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais e sementes. O aumento das fibras deve ser gradual e sempre acompanhado de boa hidratação, já que pouca ingestão de líquidos pode agravar gases e constipação.
Para sintomas como náuseas e sensação de estômago cheio, refeições menores, menos gordurosas e preparações simples costumam ser mais bem toleradas. Em casos de refluxo, recomenda-se evitar grandes refeições, principalmente à noite, e não se deitar logo após comer. Já a constipação deve ser manejada com fibras, hidratação adequada e atividade física, respeitando as condições individuais.
Atenção aos sinais de alerta
Vômitos persistentes, incapacidade de se alimentar, sinais de desidratação ou perda importante de força não devem ser considerados efeitos esperados do tratamento. Nesses casos, é essencial procurar a equipe de saúde para reavaliar a dose e a estratégia terapêutica.
O consenso reforça que a alimentação continua sendo parte fundamental do tratamento. Portanto, é crucial acompanhamento do nutricionista que irá individualizar e conduzir dentro da realidade de cada paciente. Nesse sentido, Mais do que incentivar o consumo de proteínas, o objetivo é preservar massa muscular, energia, saúde intestinal, funcionalidade e qualidade de vida durante o uso das medicações.
Referência científica
Dobbie LJ et al. Nutritional, functional, and psychological considerations for incretin-based therapies in adults: an EASO, EFAD, and ECPO Consensus Statement. The Lancet Diabetes & Endocrinology. Publicado on-line em 8 de julho de 2026. DOI: 10.1016/S2213-8587(26)00122-1.
Erika Januza refletiu sobre autoculpa e diferentes tipos de luto no Saia Justa, dias após o fim de um relacionamento marcado pela quebra de confiança.
A atriz e apresentadora Erika Januza usou o programa Saia Justa, exibido pela GNT na noite de quarta-feira (29), para refletir sobre os diferentes tipos de luto que uma pessoa pode enfrentar ao longo da vida, entre eles o fim de uma relação amorosa marcada pela quebra de confiança. A fala aconteceu dias depois do término do namoro com o cantor Arlindinho e concentrou o discurso na própria experiência emocional, sem se estender sobre os detalhes da separação.
Durante o quadro, Erika listou situações que considera formas de luto, como mudar de cidade, mudar de país, terminar um relacionamento, perder uma pessoa sem possibilidade de reencontro e sofrer uma traição. Segundo ela, cada uma dessas experiências atinge escalas diferentes, mas todas mexem com o emocional a partir do mesmo ponto, o momento em que “algo que estava existindo deixou de existir”. A apresentadora completou que esse tipo de perda também pode se transformar, já que o fim de uma relação costuma vir acompanhado da possibilidade de reatar.
Erika relatou que a semana havia sido marcada pelo caos em sua vida pessoal e atribuiu o momento à própria disposição para acreditar no amor, não a um erro cometido por ela. A apresentadora afirmou que entregou o que tinha para entregar na relação e recebeu o que a outra parte teve a oferecer, reforçando que cada pessoa contribui dentro do que consegue oferecer emocionalmente. Ela disse ainda não se arrepender de ter compartilhado momentos felizes nem de ter amado, argumentando que um sentimento verdadeiro em um momento não deixa de ter existido quando a relação termina.
A apresentadora também abordou o padrão de autoculpa que costuma atingir mulheres depois de uma decepção amorosa. Segundo ela, é comum surgir o questionamento sobre o que teria sido feito de errado, uma reação que atribuiu à tendência feminina de assumir a responsabilidade por conflitos que não criaram sozinhas. Erika defendeu que, nesses episódios, é necessário parar e processar o que aconteceu antes de repetir para si mesma que a experiência foi um livramento. Para ela, essa compreensão não chega de imediato, e o período entre a dor inicial e o entendimento de que a separação representa uma proteção costuma ser doloroso.
Ela encerrou a fala pedindo que outras mulheres em situação semelhante não abram mão de si mesmas ao perdoar rupturas de limites que consideravam inegociáveis. A apresentadora associou essa postura à trajetória profissional que construiu ao longo dos anos, marcada por esforço e noites de trabalho, e afirmou que não permitiria que aquilo fosse apagado por uma atitude alheia. A fala reforça um ponto central do desabafo, o de que a responsabilidade pela dor não recai sobre quem foi ferida, e sim sobre quem rompeu o combinado da relação.
O Saia Justa está no ar desde 2002 e reúne apresentadoras para discutir temas como relacionamentos, saúde, maternidade, trabalho e comportamento, sempre a partir de repertórios pessoais. Erika Januza integra o time fixo do programa desde 2025, ano em que também passou a apresentar a atração ao lado de outras colegas na grade da GNT.
Vídeos do momento em que a apresentadora discorre sobre os tipos de luto foram compartilhados por perfis do próprio Saia Justa e reproduzidos por páginas de entretenimento em diferentes plataformas, acumulando comentários de apoio à atriz. A repercussão levou o tema da autoestima após uma traição a ganhar espaço em debates paralelos nas redes, com internautas relacionando a fala de Erika a experiências pessoais semelhantes.
Fundado por taxistas negros em 1958, o Cruz da Esperança reuniu futebol de várzea, samba, capoeira, religiosidades de matriz africana e ações comunitárias na Casa Verde
O local onde funcionava o Samba do Cruz, na Casa Verde, zona norte de São Paulo, foi demolido nesta quarta-feira (29). A ação ocorreu após uma decisão judicial autorizar a reintegração de posse da área ocupada pelo Grêmio Esportivo e Recreativo (GRE) Cruz da Esperança, destinada à construção do Parque Municipal Campo de Marte.
A demolição encerra as atividades no endereço onde diferentes gerações construíram relações por meio do futebol de várzea, do samba, da capoeira, das religiosidades de matriz africana e de ações comunitárias.
Após a decisão judicial, o coletivo reafirmou nas redes sociais a continuidade de sua história: “O Cruz vive e sempre viverá”.
Um território construído pela população negra
Fundado em 12 de outubro de 1958 por um grupo de taxistas negros, o Cruz da Esperança tornou-se uma referência cultural e esportiva da Casa Verde. Nos fins de semana, o clube recebia partidas de futebol de várzea e o Samba do Cruz, roda que reunia centenas de frequentadores e ajudava a financiar uniformes, campeonatos e a manutenção do espaço.
A comunidade integra um território chamado por pesquisadores e moradores da “Pequena África paulistana”. A denominação está relacionada à presença histórica da população negra na região ao longo do século 20, especialmente após processos de deslocamento de famílias negras das áreas centrais da cidade.
Ao longo dos anos, o espaço recebeu rodas de samba, bailes de samba-rock, capoeira, atividades religiosas, projetos sociais e encontros ligados ao cotidiano da comunidade. Para os organizadores, essas práticas não eram complementares ao clube: constituíam sua própria identidade.
Comunidade mobilizou mais de 26 mil assinaturas
Diante da ameaça de retirada, dirigentes, frequentadores, artistas, pesquisadores e representantes políticos iniciaram uma mobilização pela permanência do Cruz da Esperança no território.
Um abaixo-assinado em defesa do clube reuniu mais de 26 mil assinaturas. Entre as reivindicações estavam a preservação das atividades, a abertura de diálogo com o poder público e o reconhecimento do Cruz da Esperança como patrimônio cultural imaterial de São Paulo.
A comunidade também questionou o modelo de concessão do futuro Parque Municipal Campo de Marte à iniciativa privada. Segundo os dirigentes, as regras propostas limitariam o funcionamento do clube e não assegurariam a continuidade do Samba do Cruz.
O presidente da entidade, Antônio de Jesus, conhecido como Tio Toninho, afirmou anteriormente que o acordo apresentado contemplava os campos de futebol, mas não garantia espaço para as manifestações culturais construídas no local.
O Cruz da Esperança participou das negociações iniciais, mas decidiu não aderir ao acordo aceito por outras associações da região. A decisão foi apresentada pelos dirigentes como uma tentativa de preservar a autonomia e a continuidade das atividades culturais e esportivas.
Disputa judicial pelo Campo de Marte
A disputa judicial começou em março, quando a Prefeitura de São Paulo entrou com uma ação de reintegração de posse de uma área de quase 15 mil metros quadrados.
A administração municipal alegou que o terreno é público e precisava ser entregue livre para o cumprimento do contrato de concessão do Parque Municipal Campo de Marte. A decisão inicial autorizou a retomada da área e a demolição das construções.
O clube conseguiu posteriormente um prazo para a desocupação voluntária e a suspensão temporária das demolições. Após recurso da Prefeitura, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo restabeleceu a autorização para a retirada das estruturas.
Em sua posição oficial, a Prefeitura classificou a presença do clube como uma ocupação irregular. A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente afirmou que tentou negociar uma gestão compartilhada dos futuros campos de várzea e alegou que o Samba do Cruz não possuía autorização municipal para realizar os eventos.
A comunidade contestou esse enquadramento, ressaltando que sua presença no território não era recente e estava ligada a uma história iniciada em 1958, muito antes da criação do projeto do parque.
Com a derrubada do Cruz da Esperança, a comunidade perde o endereço onde sua história foi construída ao longo de quase sete décadas. A demolição retirou estruturas físicas, mas não encerrou a história criada pelas famílias, sambistas, atletas, e frequentadores que transformaram o Cruz da Esperança em uma referência da cultura negra paulistana.
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