O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou nesta sexta-feira (22) que a mpox segue figurando como emergência em saúde pública de importância internacional. Em seu perfil na rede social X, ele destacou que a decisão foi tomada após reunião do comitê de emergência convocada para esta sexta-feira (22).
“Minha decisão baseia-se no número crescente e na contínua dispersão geográfica dos casos, nos desafios operacionais e na necessidade de montar e sustentar uma resposta coesa entre países e parceiros”, escreveu.
“Apelo aos países afetados para que intensifiquem suas respostas e para que a solidariedade da comunidade internacional nos ajude a acabar com os surtos”, concluiu Tedros.
Entenda
Em agosto, a OMS decretou que o cenário de mpox no continente africano constituía emergência em saúde pública de importância internacional em razão do risco de disseminação global e de uma potencial nova pandemia. Este é o mais alto nível de alerta da entidade.
Em coletiva de imprensa em Genebra à época, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que surtos de mpox vêm sendo reportados na República Democrática do Congo há mais de uma década e que as infecções têm aumentado ao longo dos últimos anos.
Em julho de 2022, a entidade havia decretado status de emergência global para a mpox em razão do surto da doença em diversos países.
A doença
A mpox é uma doença zoonótica viral. A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animais silvestres infectados, pessoas infectadas pelo vírus e materiais contaminados. Os sintomas, em geral, incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrio e fraqueza.
As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas que secam e caem. O número de lesões pode variar de algumas a milhares. As erupções tendem a se concentrar no rosto, na palma das mãos e na planta dos pés, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, inclusive na boca, nos olhos, nos órgãos genitais e no ânus.
A Secretaria de Participação e Parceria (SMPP), a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads) e a Coordenação dos Assuntos da População Negra (CONE), em parceria com a Coordenadoria de Inclusão Digital (CID) disponibilizam a partir do dia 08 de novembro uma ferramenta de serviço à sociedade para o registro on-line de denúncias de combate à homofobia e crimes de racismo.
Como denúncias deverão ser feitos através do preenchimento do formulário disponível no site da SMPP (www.prefeitura.sp.gov.br/smpp). O acesso a essa ferramenta pode ser feito em todas as unidades de Telecentros de São Paulo.
A nova ferramenta visa facilitar o atendimento a esse público, para que assim o Poder Público possa agir coibindo atos discriminatórios contra a população negra e a população LGBT e também elaborar políticas públicas de proteção a esses grupos.
Ao fazer a denúncia, é preciso que especifique detalhes dos fatos ocorridos como: local, horário, pessoas envolvidas, o tipo de discriminação que ausidade e outras informações que julgaram relevantes. Todas as informações encaminhadas são sigilosas, nos termos da lei.
Atualmente, a SMPP disponibiliza esses serviços no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia, localizado no Pateo do Colégio, 5 – 1º andar e no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate ao Racismo, também, localizado no Pateo do Colégio, 5 – 2º andar.
Para a utilização dos Telecentros é necessário agendar um horário via telefone ou pessoalmente. Acesse o site do Telecentro e escolha uma unidade mais próxima de você.
O primeiro negócio de Rafael Zulu quebrou. Era um bar, abriu porque ele sempre foi apaixonado pela noite, e fechou porque ele não sabia o que estava fazendo.
“Quando você está num negócio que não entende, não faz um business plan e não cuida, está fadado ao fracasso. Foi o que aconteceu”, ele conta, em entrevista exclusiva ao Mundo Negro.
Hoje, Zulu é sócio de empresas em frentes bem distintas. Due.inc, no corporativo. Tardezinha, no entretenimento. Adore, incorporadora que está entre as maiores construtoras de Pernambuco. Negócios de hospedagem e tecnologia. Mais o trabalho de ator, que nunca parou, e agora a estreia como apresentador do Papo de Segunda, no GNT.
A trajetória dele interessa por uma razão específica. A maioria das pessoas que empreende no Brasil não é herdeira, começa do zero. E a maior parte das histórias de sucesso circuladas por aí esconde o tombo do começo. Zulu não esconde.
“Acredito que todo mundo que quebra algum dia sai fortalecido para os próximos negócios”, afirma. “Inclusive, sempre digo: ter um sócio que já quebrou na vida é algo positivo, pois esse cara não vai querer passar por aquilo novamente.”
Depois do bar, ele mudou o método. A regra passou a ser uma só.
“Sempre optei por ter sócios que já eram ligados à área. Eu não me meto num negócio do qual não sei absolutamente nada”, diz. “Sempre fui curioso e quis entender de tudo um pouquinho.”
A Tardezinha entrou na vida dele quando ele já tinha, nas palavras dele, “uma capacidade maior de entendimento empresarial”. Se cercou de gente que entendia do negócio. Com a Adore foi igual: sócios do meio da construção civil, com o conhecimento técnico que ele não tinha.
O que Zulu coloca na mesa é o que ele construiu fora do negócio específico. “No final do dia, eu empresto meu relacionamento e meu conhecimento em Marketing, que é minha formação, atuando diretamente nesse setor. Se você entra num negócio com a tranquilidade de querer aprender com quem já está ali, as coisas tendem a dar certo.”
É a lógica de um ecossistema, e ele nomeia assim. “O mercado corporativo exige muito tempo de escritório, e meus sócios contribuem para que eu possa atuar em outras frentes, entendendo que minha presença na TV também abastece o nosso negócio. É um ecossistema que gira.”
A pergunta que segue naturalmente é sobre rotina. Como alguém dá conta de atuação, empresas, apresentação de um programa semanal de TV e ainda mantém a família como prioridade declarada?
“A paternidade pesa, mas confesso que não atrapalha em nada, porque meus filhos crescem com a certeza de que o papai precisa voar para que eles possam voar também”, responde Zulu.
Ele é pai de Luiza, de 19 anos, que segundo ele já cresceu entendendo essa lógica, e de Kalu. “Tudo o que faço é conversado com minha esposa e minha filha.”
A organização, ele diz, vem antes. “Consigo organizar minha vida porque sou um cara organizado. Faço um milhão de coisas, mas sei parar um dia inteiro para ficar com a família.”
E quando não dá para parar, a família vai junto. “Se viajo para um trabalho fora do Rio, por vezes cato o bonde e todo mundo vai comigo. Minha família nunca atrapalhou porque, antes de eles chegarem, eu já trabalhava. Não vou abrir mão da minha vida e do meu trabalho, eles estarão comigo nos meus sonhos.”
Para os próximos cinco anos, a aposta não é concentrar em uma frente. É manter todas.
“Eu me dei conta de que dou conta de ocupar todas essas gavetinhas”, afirma. “A Tardezinha é sazonal, o que é maravilhoso. No ano em que ela acontece, demanda muito, mas geralmente nos finais de semana. Agora no Papo de Segunda, a segunda-feira é um dia tomado, mas o restante da semana a gente administra. É um caos organizado! E eu amo o caos organizado. Não saberia não fazer esse tanto de coisa que eu faço.”
O Papo de Segunda estreia sua 18ª temporada no dia 27 de abril, segunda, às 22h30, no GNT. Rafael Zulu chega ao programa junto com Gil do Vigor, compondo com João Vicente de Castro e Francisco Bosco uma das formações mais diversas da atração em mais de uma década de história.
Sobre entrar no sofá de um programa que ele mesmo já assistiu como fã, Zulu é direto. Ser um dos dois homens pretos da nova formação já diz algo.
“Como um homem preto num programa, a gente sabe que liga a televisão e não se reconhece muitas vezes. Eu me vejo muito pouco na TV, hoje um pouco mais na teledramaturgia”, ele diz. “Então, eu acho que estar ali já é um ato de resistência. Um homem preto ocupando um espaço daquele ali, sem falar nada, já representa uma espécie de militância.”
Ele adianta que não vai se furtar. “Quero falar sobre as minhas questões e as questões da minha comunidade, do meu povo. Se ainda precisamos falar, é porque as coisas ainda estão acontecendo aí fora. Eu seria muito cobrado pela minha comunidade se não trouxesse nossos temas para dentro de uma conversa como essa.”
No fim, a trajetória de Rafael Zulu entrega uma síntese rara. A de um homem preto que ocupa TV aberta, TV paga, conselho de empresa e obra em Pernambuco ao mesmo tempo, e que olha para trás sem esconder o primeiro tombo. O bar que quebrou virou método. O método virou negócio. E o negócio virou ecossistema.
“Eu até brinquei na viagem que a marca estava fazendo um ‘feitiço’ para nos deixar em encantamento , mas a verdade é que toda essa magia gira em torno de muita tecnologia”. O criador de conteúdo baiano William, o Will (@willsosou), embarcou para Paris a convite da La Roche-Posay para vivenciar de perto os bastidores científicos da marca e o lançamento do Mela B3 Double Dose, o produto mais ambicioso da linha Mela B3 no Brasil em 2026. O convite não era apenas para conhecer um produto novo. Era para ir até a origem: visitar a cidade francesa de mesmo nome da marca, entender como nasce cada fórmula e, no caminho, deixar que tudo isso passasse pelo filtro de quem cresceu no interior da Bahia sonhando com um lugar que, por muito tempo, não parecia feito para ele.
La Roche-Posay é, literalmente, o nome de uma pequena cidade no interior da França, na região de Vienne, a sudoeste de Paris. Suas fontes termais são documentadas desde o século XIV, quando a lenda conta que o nobre Bertrand Du Guesclin teria curado um cavalo com eczema nas águas do local. Em 1617, o médico de Luís XIII foi até lá para estudar as propriedades da água, e a fama foi tão grande que Napoleão Bonaparte chegou a fundar um hospital militar na cidade para tratar as lesões de pele de seus soldados.
Em 1905, foi inaugurado o primeiro Centro Termal da cidade. Em 1913, La Roche-Posay foi reconhecida oficialmente como termal e, em 1975, o farmacêutico René Levayer fundou o laboratório dermatológico que hoje é a marca mais recomendada por dermatologistas no mundo. Toda essa história não é detalhe de brochura. É o que Will viu de perto, e é o que moldou a forma como ele passou a falar sobre a marca depois que voltou.
Will não é um influenciador de beleza no sentido tradicional. Ele é comunicador, criador de conteúdo e uma voz crítica nas redes sociais, conhecido por questionar o que não faz sentido e defender o que é genuíno. Não é o tipo de perfil que costuma aparecer em viagens de imprensa de marcas de skincare, e é exatamente por isso que a escolha importa.
“Eu sentia vontade de chorar em diversos momentos. Acho que pessoas como eu, que vêm do mesmo lugar que eu, vão entender o abismo que existe entre a escassez e o medo de defender o certo, o que acaba nos deixando em uma situação de muita vulnerabilidade. Eu parava, observava aquelas pessoas lindas, os criadores que a marca selecionou, a própria marca ali presente, e me lembro de respirar fundo para não chorar enquanto agradecia, porque, sem dúvidas, a partir disso eu me senti pertencente. Era como um mantra na minha cabeça: eu repetia ‘eu mereço, eu mereço’. Vendo toda aquela grandiosidade, o carinho da marca comigo e os amigos criadores, todos pessoas éticas, eu me senti tão acolhido. Ainda estou degustando essa sensação.”
O que Paris representa quando você vem de Feira de Santana
Will cresceu no interior da Bahia. Suas primeiras referências de beleza e comunicação vieram de uma gráfica longe de casa, onde ele acessava a internet para assistir às primeiras blogueiras de maquiagem no YouTube. Paris, enquanto epicentro global da indústria da beleza, não estava no horizonte óbvio de alguém com essa trajetória, e é justamente esse descompasso que ele articula com precisão.
“Eu não cresci me vendo representado onde sonhei estar. Sou uma pessoa muito afetuosa, minhas memórias são muito latentes, como se estivessem cristalizadas. Eu conseguia ver o Willian que andava muito para chegar a uma gráfica só para acessar a internet e entrar no YouTube para assistir às minhas primeiras blogueiras de maquiagem, que já viviam a realidade que eu desejava. Isso tudo lá do interior da Bahia, em Feira de Santana. Quando eu desisto da beleza no sentido de postar vídeos de maquiagem, como fazia na adolescência, e descubro na minha comunicação a ponte para me conectar comigo mesmo, percebo que tudo faz parte da construção. Estando ali, eu pensava nos meus primos, nos pequenos da minha família e no quanto isso significava como reparação. Me senti em uma vitrine, sendo visto pelo mundo como pertencente àquele lugar, e eu sou. Foi um despertar em todos os sentidos: minha mãe, minha irmã e meu noivo, no Brasil, emocionados com a minha conquista, e eu sendo inspiração para todos eles. Foi fantástico.”
O relato de Will toca diretamente numa questão que o veículo Mundo Negro acompanha de perto: a ausência histórica de pessoas negras e periféricas em narrativas de prestígio dentro da indústria da beleza global. Que Paris ainda seja um lugar onde essa presença precisa ser nomeada como conquista diz muito sobre o tamanho do caminho que ainda existe.
Bastidores da ciência
A viagem não foi só sobre experiência emocional. A La Roche-Posay levou os criadores aos bastidores da marca, incluindo a visita à cidade que dá nome ao laboratório, onde as fontes termais seguem sendo usadas como base dos produtos. Mais de 840 estudos clínicos sustentam as fórmulas da marca, e os recursos termais atendem inclusive pacientes oncológicos e com doenças de pele graves em tratamento dermatológico.
Will saiu de lá com outra leitura sobre o que significa falar de uma marca de skincare.
Foto: divulgação
“Eu até brinquei na viagem que a marca estava fazendo um ‘feitiço’ para nos deixar em encantamento , mas a verdade é que toda essa magia gira em torno de muita tecnologia. E eu afirmo que a marca fez algo inédito: mostrar além da embalagem, do roteiro e do alinhamento publicitário. Mostrar onde tudo nasce, como começa, a ciência e o cuidado em cada etapa. Nunca mais eu vou falar da marca de qualquer forma. Já existia um cuidado da minha parte, mas depois de ver o impacto social e o cuidado com pessoas reais que utilizam esses recursos como ferramenta de tratamento, inclusive em casos de câncer e outros problemas de pele, eu entendi que preciso ser ainda mais responsável ao falar sobre ela, porque há muito cuidado e ciência envolvidos.”
O produto
O Mela B3 Double Dose é o lançamento central dessa parceria. O carro-chefe da linha Mela B3 combina dois ativos patenteados: o Melasyl, molécula desenvolvida ao longo de 18 anos de pesquisa com respaldo de 45 patentes globais, e o Proxylane, ativo com ação firmadora. O mecanismo do Melasyl é considerado inédito no mercado: em vez de agir na produção de melanina como a maioria dos ativos antimanchas, ele intercepta o excesso de melanina antes que ele cause manchas na pele, sem alterar o tom natural de quem usa. O Double Dose tem fórmula de textura emulsão leve, foi testado em pele brasileira e é adequado para uso diário, tanto de manhã quanto à noite. Os dados clínicos da fórmula indicam 97% de correção visível de manchas e redução de 75% nas rugas em uma semana de uso, além de pele 20% mais firme em quatro horas.
Para Will, a linha é especialmente relevante porque resolve um problema que ele viveu na própria pele, literalmente.
“Eu amei, porque sempre que ouço a palavra ‘relevante’, me sinto sendo chamado [risos]. Quero responder de forma muito pessoal. Eu sempre tive problemas com manchas: a acne vinha seguida de manchas. Fiz uso de muita medicação com acompanhamento profissional, e isso afetou muito minha saúde, de tanto trauma em ter a pele manchada. Meu medo sempre foi a espinha aparecer e deixar rastro. Com o uso do Mela B3, foi a primeira vez que eu comprovei na minha pele que não surgem manchas no pós-acne. Eu vejo essa tecnologia, na minha opinião, como a mais promissora da marca na atualidade, porque imagina interceptar a mancha antes mesmo que ela aconteça? Amo que não deixa a pele oleosa, posso usar diariamente e também à noite antes de dormir, e minha pele nunca esteve tão iluminada. Eu até brinquei que queria uma banheira de Mela B3, porque ele uniformiza a pele sem me desbotar, respeitando que eu sou uma pessoa preta. Ele age na mancha, e não no tom da pele.”
Foto: divulgação
Esse ponto não é cosmético. Para peles negras, a hiperpigmentação pós-acne é uma das queixas dermatológicas mais comuns e uma das menos atendidas pelo mercado tradicional de skincare, que por décadas desenvolveu produtos calibrados para outros fototipos. Um ativo que age especificamente no excesso de melanina sem interferir no tom natural da pele tem implicações concretas para esse público.
O que fica
Will parte para Paris como um criador de conteúdo crítico e volta com o que, segundo ele, é uma mudança de perspectiva sobre o que significa falar de autocuidado.
“Sim, o processo. Deu para perceber que tudo leva tempo e que pele saudável exige dedicação. Durante a viagem, parecia um filme, tudo muito perfeito. Eu dizia aos meus amigos que parecia um show da Beyoncé: tudo funciona, tudo performa bem. Mas existe muita dedicação, detalhe e muita pesquisa por trás. Então, o que eu quero transmitir é que pele bonita não nasce da noite para o dia, mas sim da dedicação diária com os produtos certos. Essa viagem tira a ideia de aceleração e abre espaço para entendermos a importância do autocuidado com tempo e produtos de qualidade.”
O Mela B3 Double Dose está disponível nas principais farmácias e redes de beleza do Brasil. Para acompanhar o conteúdo de Will sobre a experiência, acesse o Instagram dele em @willosou. A La Roche-Posay pode ser acessada no Instagram em @larocheposaybr.
Um novo vídeo que circula nas redes sociais expõe um grupo de turistas no Pelourinho de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, simulando uma cena de tortura no monumento histórico.
No período colonial, a estrutura de pedra, localizada na Praça Minas Gerais, era utilizada para açoitar e humilhar pessoas negras escravizadas como forma de punição pública.
No registro, é possível ver um grupo de mulheres diante do monumento. Em um momento de absoluto desrespeito, uma delas se pendura nas argolas de ferro e grita: “me bate”. Ao redor, outras pessoas observam a cena.
O caso foi criticado pelo vereador Pedro Sousa (PV). “Quem nasceu em Mariana já presenciou turistas que se sentem à vontade para ir até a Praça Minas Gerais e gravar vídeos ou tirar fotos imitando pessoas pretas escravizadas no Brasil e em nossa própria cidade”, escreveu nas redes sociais.
Para o vereador, a atitude é uma forma de violência simbólica que fere a dignidade da população negra. “Esse tipo de atitude, carregada de estereótipos, dor e desrespeito, fere a dignidade do povo preto, que foi sequestrado da África e, mesmo após tantas marcas da história, ainda precisa lidar com esse tipo de teatro barato. É preciso lembrar que a escravidão foi um dos maiores crimes contra a humanidade, e que Mariana foi construída com o sangue de pessoas negras”, reforçou.
O parlamentar reiterou que a postura dos visitantes é inaceitável. “Turistas que tratam esse sofrimento como entretenimento mostram que ainda precisam aprender muito sobre a história. Para mim, esse tipo de postura não é bem-vinda na nossa cidade.”
Uma idosa de 74 anos foi presa em flagrante, nesta terça-feira (21), após proferir ofensas racistas contra um policial militar no Largo de Santana, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. A mulher, cuja identidade não foi revelada, disse ao agente que seria “superior em razão de sua raça”.
O caso ocorreu enquanto a equipe da Polícia Militar realizava patrulhamento de rotina na região, um dos polos culturais e boêmios mais movimentados da capital baiana. Segundo informações da Polícia Civil, a mulher abordou os agentes questionando a atuação policial no local. Mesmo após receber os esclarecimentos necessários, a idosa elevou o tom e atacou um dos policiais, de 23 anos, com falas racistas.
Diante da gravidade da ofensa, a mulher foi conduzida à delegacia, onde foi autuada em flagrante. Ela segue sob custódia e à disposição da Justiça. O caso está sendo conduzido pela Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, que realiza oitivas e diligências para dar continuidade às investigações.
No vídeo divulgado pela Polícia Militar no momento da prisão, é possível notar que a mulher resistiu à detenção e tentou minimizar o crime. “Meu avô também era preto. Como é que eu posso ser racista?”, questionou aos agentes.
“O cara me acusou porque eu falei que lá em Brasília só tem branco e não tem ninguém armado desse jeito, entendeu?”, alegou a idosa. Ela ainda tentou comparar as normas de segurança para justificar seu incômodo. “Em Brasília, ninguém pode andar com uma arma dessa na rua, que é área de segurança nacional. Quando eu vejo uma arma dessa, me sinto muito mal, porque eu acho que vai acontecer uma coisa terrível”, afirmou.
Visivelmente exaltada, a idosa ainda tentou intimidar os policiais mencionando que a filha trabalha no Banco do Brasil. “Eu sou uma senhora que eu tenho 74 anos, tenho família, cara. Não sou uma coitada”.
Segundo a Lei 7.716/1989, a pena para o crime de injúria racial pode chegar a cinco anos de reclusão, além do pagamento de multa.
Apontado como o mandante do assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete, Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, morreu na madrugada desta quinta-feira (16) após um confronto com a Polícia Militar na zona rural de Catu, na Região Metropolitana de Salvador. O caso ocorreu durante uma tentativa de cumprimento de mandado de prisão pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), dois dias após ele ter sido condenado pela Justiça a 29 anos e 9 meses de reclusão.
Apontado como liderança do tráfico de drogas na região, Marílio foi julgado à revelia pelo Tribunal do Júri na última terça-feira (14), no Fórum Criminal Ruy Barbosa. A investigação concluiu que ele ordenou a execução de Mãe Bernadete em razão da oposição que a líder quilombola exercia contra as atividades criminosas no território.
Além dele, Arielson da Conceição dos Santos, identificado como executor do crime, também foi condenado à mesma pena pelos crimes de homicídio qualificado — por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima — e roubo.
Mãe Bernadete foi morta em agosto de 2023, dentro de sua casa no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Na ocasião, homens armados invadiram o imóvel e efetuaram 25 disparos contra a liderança religiosa na presença de seus netos. Maquinista figurava no “Baralho do Crime” da SSP-BA como o “Ás de Ouros”, sendo considerado um dos foragidos mais perigosos do estado antes de ser localizado pelas autoridades.
Se você fechar os olhos e pensar em um treino, provavelmente virá à mente aquela imagem fria de academia, espelhos e um silêncio que nem sempre nos convida a entrar. Mas o Hip Hop Workout Collective (HHWC) virou essa mesa. Quem chega em um encontro do HHWC é imediatamente atingido por uma dose massiva de vitalidade. Não se trata apenas de uma aula de funcional ou de uma playlist bem curada; é sobre a visão de dezenas de mulheres negras, de todas as idades e tons, ocupando o espaço com o que têm de mais belo. É um ambiente onde a estética e a saúde caminham juntas, provando que o autocuidado para nós nunca foi apenas sobre vaidade, mas sobre a manutenção da nossa própria alegria.
Celebrar um ano de trajetória é confirmar que o movimento do corpo, para o povo negro, continua sendo uma linguagem sagrada. Se no Bronx o Hip Hop nasceu para substituir a violência pela arte, em São Paulo o HHWC utiliza essa mesma cultura para retomar um território que muitas vezes nos é negado: o direito de sermos cuidadas. Em um contexto onde mulheres negras são historicamente colocadas no papel daquelas que servem, que limpam e que sustentam o mundo ao redor, ter um lugar onde o foco é o nosso próprio bem estar é revolucionário.
Para Caroline Araujo, a força desse encontro geracional é o que move a engrenagem do coletivo.
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“Ver tantas mulheres cantando juntas, treinando e cuidando de si mesmas, algumas pela primeira vez com essa dedicação. Encontrar gerações diferentes no mesmo evento, desde filhas às avós, é realmente algo que emociona não apenas pela quantidade, mas exatamente por entendermos que podemos e merecemos esse cuidado. Tudo que propomos no HHWC é com muito carinho, desde as frutas, a elaboração de cada sacolinha, e fazer isso com um time de mulheres por trás, todas dedicadas e empenhadas em fazer acontecer. Sou grata a quem acredita e confia no nosso trabalho desde a primeira edição. E não poderia deixar de agradecer às minhas amigas e sócias por tornarem isso tudo mais leve, divertido e também possível”
Essa leveza mencionada por Caroline é o diferencial que faz as mulheres voltarem. O coletivo entende que o acesso à saúde é uma das nossas maiores vulnerabilidades estruturais e, por isso, transforma o treino em uma experiência de pertencimento. Juliana Oliveira reforça que o exercício físico, quando aliado ao propósito de vida, tem o poder de transformar realidades e fortalecer os laços entre mulheres que compartilham as mesmas vivências.
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“1 ano de HHWC e parece que foi ontem que iniciamos, passou muito rápido e ver onde chegamos me emociona. O exercício físico mudou a minha vida quando mais nova e hoje faço disso, um propósito de vida e o HHWC se tornou um dos meus propósitos! Trabalhar com mulheres como minhas sócias, faz tudo ser mais leve, duas mulheres extremamente inteligentes e capazes de fazer qualquer ideia funcionar. Sou grata por ser do HHWC”
O crescimento do projeto é nítido e a emoção de quem esteve lá desde a primeira aula, quando tudo ainda era um rascunho entre amigas, transborda em cada nova edição. Juliane Daianny, ao olhar para trás, enxerga não apenas um ano de aulas, mas um ano de construção de uma rede que agora se prepara para novos voos, incluindo a expansão para o Rio de Janeiro e novos formatos de experiência.
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“Uma das edições mais emocionantes que já tivemos! Me emocionei no palco ao lembrar da primeira aula que fizemos há 1 ano atrás. E ver o quanto crescemos, traz uma sensação de gratidão e recompensa.”
O Hip Hop Workout nunca faz o básico e a próxima fase promete elevar o nível da experiência. Em São Paulo, no dia 18 de abril, o coletivo prepara uma aula temática especial em homenagem ao lançamento do filme de Michael Jackson. O evento acontece em um formato inédito: uma versão pocket, com vagas limitadas e clima intimista dentro da academia The Yard, unindo o treino funcional ritmado à intensidade que já é marca registrada do grupo.
Além das novas edições em solo paulista e carioca, o projeto celebra uma novidade institucional: o HHWC agora é parceiro de mídia do Mundo Negro. As fundadoras passarão a assinar conteúdos sobre atividade física e saúde, trazendo a expertise de quem entende que o movimento do corpo negro é, acima de tudo, um ato de preservação da nossa história.
Executor e mandante do assassinato de Mãe Bernadete são condenados a 40 e 29 anos de prisão
O Tribunal do Júri da Comarca de Salvador condenou na noite desta terça-feira (14) os dois réus pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete. Arielson da Conceição dos Santos foi sentenciado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. Marílio dos Santos, apontado como mandante, recebeu pena de 29 anos e 9 meses. Ambos cumprirão pena em regime fechado.
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023 com 25 tiros na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Ela estava com seus três netos quando foi atingida. Tinha 72 anos e era uma das principais lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
O crime e a motivação
As investigações apontaram que o crime foi motivado pela oposição firme de Mãe Bernadete às atividades ilícitas na comunidade, especialmente à instalação de pontos de venda de drogas e à ocupação irregular de áreas por integrantes do Bonde do Maluco (BDM). Marílio, conhecido como “Maquinista”, mantinha uma barraca usada para o comércio de drogas dentro do quilombo, e Mãe Bernadete exigia a retirada.
Antes de morrer, a liderança quilombola havia denunciado publicamente as ameaças que sofria e chegou a ser incluída em um programa de proteção a defensores de direitos humanos. A proteção não foi suficiente.
O julgamento
A sessão começou na manhã de segunda-feira (13) no Fórum Ruy Barbosa e terminou na noite desta terça. Os sete jurados acolheram a tese da acusação e condenaram a dupla por homicídio qualificado, por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito.
Réu confesso, Arielson optou por responder apenas perguntas da defesa durante o interrogatório. Marílio, foragido, foi julgado na presença de advogados que o representaram. Além da condenação pelo homicídio, Arielson também foi sentenciado pelo roubo de cinco aparelhos celulares durante o crime.
O advogado da família, Hédio Silva Jr., que atuou na acusação ao lado do Ministério Público, havia declarado antes do veredicto que as provas eram irrefutáveis: grampos telefônicos, perícias e testemunhos. “Temos um conjunto de provas irrefutáveis. Nossa expectativa é que os jurados não tenham nenhuma dúvida e condenem à pena máxima”, afirmou. O resultado confirmou a tese da acusação em todos os crimes imputados aos réus.
Para o filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico, o veredito representa um primeiro passo. “Sensação de justiça sendo feita. Foram dois dias de martírio total”, disse ele, acrescentando que espera pena máxima para os demais envolvidos.
Ainda há réus a julgar
Outros três denunciados pelo Ministério Público, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus — ainda serão submetidos a julgamento, sem data definida.
A Anistia Internacional, que acompanhou o caso, reconheceu a condenação como um avanço, mas alertou que a justiça só será completa com a responsabilização de toda a cadeia envolvida no crime e com mudanças estruturais no programa de proteção a defensores de direitos humanos.
O Fórum de Salvador recebe, nesta terça-feira (14), o segundo dia de julgamento dos acusados pelo assassinato de Mãe Bernadete Pacífico, Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos. O caso, que se tornou um símbolo internacional da resistência contra o racismo religioso e a violência no campo, entra em uma fase decisiva com a expectativa de que o veredito honre o legado da liderança quilombola.
O advogado Hédio Silva Jr., que atua na acusação em nome da família da ialorixá, reforçou a contundência das provas colhidas durante a investigação. Segundo ele, o conjunto probatório é sólido o suficiente para garantir o desfecho esperado por toda a comunidade negra.
“Uma investigação histórica na história da Polícia Civil da Bahia. Temos provas muito robustas, grampo telefônico, materiais, perícias, testemunhas… então, temos um conjunto de provas irrefutáveis. Hoje, com o que nós temos aqui, nossa expectativa é que os jurados não tenham nenhuma dúvida e condenem à pena máxima”, declarou.
Ainda segundo o advogado, a condução do caso ao longo das investigações reforça a confiança no trabalho realizado e na decisão do júri popular. “Confio no discernimento dos jurados e hoje aqui só há um resultado possível: a condenação em pena máxima”, completou.
O julgamento ocorre sob forte atenção de movimentos sociais, entidades do movimento negro e representantes da sociedade civil, que acompanham o desfecho do caso de Mãe Bernadete como um marco na luta por justiça e no combate à violência racial e religiosa no país. A previsão é que o júri seja concluído após a fase de debates entre acusação e defesa, seguida da votação dos jurados, que definirá o destino dos acusados.
Mãe Bernadete, matriarca do Quilombo Pitanga dos Palmares, foi executada com 25 tiros em agosto de 2023, em Simões Filho.
A trancista e capoeirista Karielle Lima Marques de Souza, de 23 anos, e seu filho, de apenas seis anos, foram brutalmente assassinados a facadas no último domingo (5), em Ibirapitanga, no sul da Bahia. Karielle, fez história recentemente ao ser a primeira moradora de sua cidade a desfilar na Senzala do Barro Preto como candidata ao título de Deusa do Ébano do Ilê Aiyê, em Salvador.
Em nota oficial publicada nas redes sociais, o bloco manifestou profunda indignação com mais um caso de feminicídio, destacando que Karielle não era apenas uma candidata, mas um “símbolo de beleza negra, potência, futuro e representatividade”.
“Este não é um caso isolado. É reflexo de uma estrutura que insiste em violentar, silenciar e interromper vidas negras. É urgente que a sociedade, o poder público e todas as instituições assumam seu papel no enfrentamento dessa realidade, com políticas efetivas, proteção às mulheres e responsabilização rigorosa dos agressores”, diz trecho da nota do Ilê Aiyê publicada nesta segunda-feira (6). “Seguiremos em pé pela vida das mulheres negras e pela justiça”, completou.
Segundo informações da Polícia Militar da Bahia, o principal suspeito é Rolemberg Santos de Pina, de 32 anos. As investigações apontam que o homem nutria um interesse não correspondido por Karielle, que já estava em outro relacionamento. A suspeita é de que o agressor tenha monitorado a residência da vítima e esperado o companheiro de Karielle sair para invadir o imóvel, caracterizando a premeditação do ataque.
Após o crime, equipes da 61ª CIPM foram acionadas, mas mãe e filho não resistiram aos ferimentos. O corpo do agressor foi encontrado posteriormente em uma zona rural de Maraú, com indícios de que ele teria tirado a própria vida após o duplo homicídio.
Karielle era uma figura central na cultura de Ibirapitanga. Ao representar sua cidade no concurso da Noite da Beleza Negra de 2025, em Salvador, ela celebrou o momento como uma vitória coletiva. “É uma honra imensa poder carregar o nome da minha cidade neste evento tão relevante à cultura negra, com toda nossa ancestralidade”, declarou ela na época.
“Karielle foi uma jovem alegre e talentosa, que por diversas vezes representou com orgulho o nosso município em apresentações culturais, deixando sua marca e contribuindo com a valorização da nossa cultura. Neste momento de dor, nos solidarizamos com seus familiares e amigos, rogando a Deus que conceda força e conforto a todos”, escreveu a prefeitura de Ibirapitanga.
Leia a nota do Ilê Ayiê na íntegra:
O Ilê Aiyê vem a público manifestar seu mais profundo pesar e indignação diante do assassinato de Karielle Lima Marques Souza, de 23 anos, e de seu filho, uma criança de seis anos, vítimas de uma violência que escancara, mais uma vez, a face do feminicídio em nosso país.
Karielle não foi apenas uma candidata ao posto de Deusa do Ébano, ela era símbolo de beleza negra, potência, futuro e representatividade. Sua trajetória agora é interrompida de forma irreparável.
O Ilê Aiyê, enquanto instituição que há décadas exalta a vida, a cultura e a dignidade do povo negro, reafirma seu compromisso inegociável com a luta contra todas as formas de violência, em especial o feminicídio, que atinge de maneira desproporcional mulheres negras em todo o Brasil.
Este não é um caso isolado. É reflexo de uma estrutura que insiste em violentar, silenciar e interromper vidas negras. É urgente que a sociedade, o poder público e todas as instituições assumam seu papel no enfrentamento dessa realidade, com políticas efetivas, proteção às mulheres e responsabilização rigorosa dos agressores.
Hoje, nos unimos em luto, mas também em resistência. Que a memória de Karielle siga viva como força, denúncia e chamado à ação. Nos solidarizamos com familiares, amigos e toda a comunidade impactada por essa perda.
Seguiremos em pé pela vida das mulheres negras e pela justiça.
O Brasil perdeu, neste sábado (5), o professor Jarbas Vargas Nascimento, aos 80 anos, que estava em tratamento contra o câncer. Um dos mais respeitados intelectuais brasileiros no campo da Linguística e da Análise do Discurso, Jarbas deixa um legado científico e humano que transborda os muros das universidades onde construiu sua trajetória.
Pós-doutor em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), doutor em Letras, Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Jarbas acumulou uma das trajetórias acadêmicas mais sólidas e consistentes de sua geração. Era professor titular do Departamento de Ciências da Linguagem e do Programa de Pós-Graduação em Língua Portuguesa da PUC-SP, além de professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Sua produção intelectual é extensa e marcante. Entre suas obras mais recentes, destaca-se Discurso, Cultura e Negritude (Blucher, 2021), livro que reúne dez autores e autoras em reflexões sobre questões discursivas e histórico-culturais ligadas à negritude brasileira, uma síntese do seu compromisso com a produção de conhecimento comprometida com a realidade do povo negro. Jarbas foi líder do Grupo de Pesquisa Memória e Cultura na Língua Portuguesa Escrita no Brasil, cadastrado no CNPq, e membro pesquisador do Grupo de Pesquisa A Escrita no Brasil Colônia e Suas Relações.
O reconhecimento ao seu trabalho se fez presente ainda em vida. No dia 13 de março de 2026, a PUC-SP sediou a mesa-redonda e o lançamento da obra Discurso, Cultura e Memória: uma homenagem a Jarbas Vargas Nascimento, reunindo pesquisadoras e pesquisadores em torno das suas contribuições para os estudos discursivos no Brasil. O evento destacou seus 15 anos de atuação no Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFES, com ênfase na consolidação da linha de Estudos sobre Texto e Discurso. Mais do que uma celebração, o livro se configura como um espaço de memória intelectual e de reconhecimento permanente à sua contribuição para a Linguística brasileira.
Foto: @gedim_ufes
Além da pesquisa, atuou como Pró-Reitor de Cultura e Relações Comunitárias da PUC-SP e ocupou cargos de gestão em outras instituições, como a Universidade Braz Cubas e a Unifec.
Mas talvez o maior legado de Jarbas Vargas Nascimento não esteja nas prateleiras das bibliotecas acadêmicas, esteja nas pessoas. Silvia Nascimento, hard de conteúdo do Mundo Negro e nora do professor, traduz em palavras o que tantos viveram:
“Jarbas era um professor que, além da preocupação acadêmica, tinha uma grande preocupação em fazer os alunos serem incluídos. Ele tem um grupo incontável de pessoas que só voltaram a estudar e investiram na carreira acadêmica, inclusive no mestrado e no doutorado, porque Jarbas era aquela pessoa que falava: eu acredito em você. E contava com ele.”
O professor deixa a esposa, três filhos, oito netos, dois bisnetos e um número imensurável de alunos que encontraram no seu incentivo a coragem de acreditar que a universidade também era para eles.
O velório será realizado neste domingo (6), na Sala Roma, localizada na Rua São Carlos do Pinhal, 376, Bela Vista, São Paulo, com início às 11h e término às 13h.
Que a memória do professor Jarbas Vargas Nascimento seja honrada com a continuidade do que ele sempre defendeu: o direito de todo e qualquer pessoa ao conhecimento, à língua e ao seu próprio discurso.