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Cuscuz, pamonha, mungunzá e cocada: Comidas juninas que são de origem afro

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Foto: Reprodução / Redes Sociais.

As comidas juninas são um deleite para os paladares durante as festividades típicas do mês de junho no Brasil. Essa tradição culinária traz consigo uma rica diversidade cultural, refletindo as influências de diferentes etnias que compõem a história do país. Entre essas influências, destaca-se a contribuição da culinária afro-brasileira, que trouxe sabores e técnicas únicas para a mesa junina.

Cuscuz. Foto: Reprodução.

Dentre as iguarias afro-brasileiras que se tornaram populares, podemos destacar a pamonha, o mungunzá, a cocada e o cuscuz. A pamonha é um prato feito com milho verde ralado, leite de coco e açúcar, envolto em palha de milho e cozido. Sua origem remonta às tradições indígenas, mas foi incorporada à cultura afro-brasileira, especialmente na região Nordeste do país.

“Tem muita gente que não sabe, mas a pamonha também é uma influência africana na culinária brasileira. Ela é uma variação de um bolinho chamado acaçá. Feita com milho, é misturada ao leite e enrolada na própria palha — podendo ser encontrada na versão doce e salgada”, diz o Chef Pedro Barbosa em conversa com o MUNDO NEGRO.

Pamonha. Foto: Reprodução / Internet.

O mungunzá, também conhecido como canjica, é outro prato típico afro-brasileiro bastante apreciado nas festas juninas. “Essa é uma iguaria afro-brasileira que algumas regiões até reconhecem como item indispensável das festas juninas. Também chamado de canjica, o mungunzá é feito usando grão de milho branco cozido em caldo de leite com açúcar. No Brasil, ganhou outros ingredientes, como canela, cravo da índia e leite de coco”, conta Pedro.

A cocada é uma iguaria que tem relação profunda com com as religiões de matrizes africanas, a exemplo no candomblé, a iguaria possui um significado mais especial. Para os adeptos, a cocada é dada como oferenda para Oxalá, o principal orixá e o doce representa as crianças. “As cocadas preparadas nos tempos de Brasil colônia eram feitas com açúcar escuro, semelhante ao mascavo de hoje, por causa disso, elas eram escuras, ainda não existia a cocada branca, que seria produzida futuramente com o açúcar cristal“, conta a Chef Aline Chermoula.

Mungunzá. Foto: Reprodução / Internet.

O cuscuz, por sua vez, é uma iguaria consumida há muito tempo no noroeste africano. “Feita à base de milho, em geral, o cuscuz é servido com ovo, queijo ou manteiga. Também há a versão doce, feita com leite de coco e açúcar”, conta o Chef. Além desses pratos, outras comidas juninas têm influência afro-brasileira, como o acarajé e o vatapá, típicos da região Nordeste. Essas delícias são heranças diretas da culinária dos povos africanos, que utilizam ingredientes como o dendê, o quiabo e o camarão seco para preparar essas iguarias.

As comidas juninas de origem afro-brasileira são uma manifestação cultural que une tradição, história e sabor em um só prato. Elas nos conectam com as raízes africanas presentes na formação do Brasil e nos convidam a apreciar a diversidade gastronômica do país.

Número de brasileiros que se autodeclaram pretos atinge número recorde, mas a maioria se diz parda 

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Foto: Freepik

Mais preto e menos branco. Essa é a forma que os brasileiros veem a si mesmos, de acordo com os números revelados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), obtidos pelo último censo realizado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, em 2022. Os dados vêm depois de dois anos em que não foi possível a realização de pesquisas, por conta da pandemia. 

O número de brasileiros que se autodeclaram pretos aumentou no Brasil nos últimos 10 anos. Se em 2012 eram 7,4 % da população, em 2022 eles foram 10,6% dos entrevistados, sendo o grupo racial que mais cresceu. Nunca na história do país tantas pessoas se declararam pretas.

Entre os que se declaram pardos não houve variações significativas. Foram 45,3% em 2022 (45,6% em 2012). É o maior grupo racial brasileiro. 

Já a população branca diminuiu. De 46,3% em 2012,  este grupo agora é 42,8%. Houve uma queda da população branca em todas as regiões do Brasil, sendo mais significativa no Sul, onde em 2012 representava 78,8% da população, para 72,8% em 2022.

Indígenas e quilombolas têm um censo específico. Os dados também foram colhidos em 2023 e devem ser divulgados em breve.

MUDANÇA NO COMPORTAMENTO REFLETE NO CENSO

Os números do censo fazem sentido quando olhamos a História do Brasil, o último a abolir a escravatura. Foram quase 400 anos de escravidão e o reflexo disso, se traduz na cor do seu povo. 

Com a chegada da Internet no começo do anos 2000, o se ver e se reconhecer se tornou possível e a força da representatividade foi um fator impulsionador no número de pessoas negras aumentando nas pesquisas do censo. Para o colunista do Mundo Negro, o professor Ivair Augusto Alves dos Santos, Mestre em Ciências Políticas pela Unicamp e Doutor em Sociologia pela UnB, a potência da mídia, cultura e movimento negro, especialmente em espaços de poderm, foi fundamental na influência da autodeclaração. 

“A força do movimento negro, a mídia, novelas com mais representações negras, espaços de poder com mais negros, ações afirmativas, crescimento do números de parlamentares negras e as plataformas com conteúdo sobre negros é importante. Poderia continuar uma lista grande, mas a existência de uma figura como Vinicius Jr, não é por acaso, é fruto do trabalho de muitos ativistas”, detalha o ex-diretor do Departamento de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos da Presidência da República.

Como a pessoa constrói essa identidade racial também é outro aspecto que deve ser considerado. “A tendência geral do censo do IBGE é que as pessoas têm um processo longo de construção da sua autodeclaração. São pessoas que vivem em espaços que não prevalecem os mecanismo identitários não negros. Estão em comunidades onde é mais comum a presença negra e em função deste circuito de vulnerabilidade criado pelo racismo no Brasil, são pessoas deste circuito que vão criando mecanismos de solidariedade, que vão tendo relações familiares dentro deste núcleo e com o passar do tempo vão construindo uma identidade”, comenta o professor e vice-diretor da Unesp, Juarez Xavier. 

AUTODECLARAÇÃO E HETEROIDENTIFICAÇÃO 

A ditatura removeu dados sobre questões raciais do censo e quando este tema retorna a coleta de dados do IBGE, a atuação do movimento negro é fundamental para o surgimento da autodeclaração. 

“A autodeclaração se constituiu, sendo parte de um grande processo de debate, de discussão que consumiu parte do final dos anos 70, 80 e a partir dos anos 90, porque a ditadura civil militar tirou os dados relativos à questão racial do censo”, explica o professor Juarez. Ele detalha que quando raça e cor voltam a ser discutidos, mais de 100 denominações surgiram para identificar a cor das pessoas não brancas.

“Foi necessário então se criar um mecanismo, muito bom, pautado na autodeclaração e optou-se em trabalhar com os conceitos étnico-raciais.Por exemplo: preto, pardo, branco e amarelo são questões étnicas, e indígenas questões raciais. Isso foi definido depois de várias testagens feitas pela equipe do IBGE”, detalha o acadêmico que destaca a insistência do Movimento Negro para implementação deste método.

Sobre a heteroidentificação, há uma mudança no que se entendia anteriormente como pardo, que basicamente era toda pessoa que não se identificava nem branca e nem preta, como amarelos, cafuzos e mamelucos. “Começou-se a partir de 2012 a evitar este tipo de conceito, passou-se a considerar, para efeitos de políticas públicas de heteroidentificação, que pardo são as pessoas que têm ascendência negra”. A fenotipia das pessoas negras (cabelo, traços e tom de pele) é um dos critérios usados ao se cruzar dados para decidir se uma pessoa é considerada de ascendência negra e portanto, candidata a usufruir de ações afirmativas. 

O professor ainda explica que as declarações do censo do IBGE tem um grande fator espontaneidade porque quem responde, não usufrui de nenhum benefício imediato, porém, não é possível saber, se quem se declarou pardo, realmente é uma pessoa de ascendência africana, sem se fazer uma “mineração desses dados”. Já na heteroidentificação, por haver um caráter de interesse, há uma tendência maior da autodeclaração ser duvidosa, e aí os fatores da heteroidentificação são o que determina quem realmente merece entrar, por exemplo, em uma universidade pelo sistema de cotas. 

Kendrick Lamar compartilha clipe de Tasha & Tracie e cantoras comemoram: “isso mostra que saímos da bolha”

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Foto: Press Association ; Isabelle India.

O rapper Kendrick Lamar publicou nesta última quinta-feira (15) um registro do clipe de ‘Diretoria’, música lançada por Tasha e Tracie em 2020. O artista norte-americano compartilhou a imagem em sua conta secundária, que ele utiliza para mostrar detalhes, referências de trabalhos e vivências pessoais.

Foto: Reprodução / Redes Sociais.

A imagem compartilhada por Kendrick mostra um homem com cristais e óculos, em tom preto e branco. A estética do clipe de ‘Diretoria’ foi feita por NÏCO. Nas redes, internautas se surpreenderam com a referência às artistas brasileiras. Através do Instagram, Tasha comemorou: “Estou muito feliz. É assim que as pessoas daqui dão valor. Me vejo muito no trampo dele. Isso mostra que a gente conseguiu sair da bolha, que é algo que queríamos fazer. Que isso fique de exemplo para você. Que você não fique atrás de de aprovação dos outros, faça seu trampo. Obrigada a todos que desacreditaram na gente, vocês são nosso combustível”.

Nas redes, usuários também celebraram a novidade. “Quando você fizer coisas grandes será odiada pelas pessoas erradas e amada pelas pessoas certas. Vida longa as gêmeas e a tudo que a mente delas produz“, publicou uma usuária. “O Kendrick Lamar postando frame do clipe da Tasha e Tracie e uma porrada de gente espumando dizendo que é fake. Difícil demais p galera ver uma mulher preta e periférica fazendo um trampo foda e ganhando o reconhecimento que merece de gente grande (imagina então se forem duas)“, publicou outra internauta.

Letitia Wright diz que deseja interpretar Shuri em um novo filme da Marvel: “ela tem uma jornada de cura”

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Foto: Annette Brown / Marvel.

Será que veremos o retorno de Shuri em um novo filme da Marvel? Se depender da atriz Letitia Wright, que interpreta a personagem na franquia ‘Pantera Negra’, a reposta é sim. Em nova entrevista para a revista People, a artista demonstrou interese em reprisar seu papel num novo longa-metragem.

“A maneira como terminamos [Wakanda Para Sempre], definitivamente mostra que essa personagem tem uma jornada de cura”, disse Wright. “Ela tem responsabilidades como tia e como alguém que é um dos últimos membros remanescentes da família real. Isso, infelizmente, é apenas algo com o qual ela está lidando”.

Shuri em ‘Pantera Negra: Wakanda Para Sempre’. Foto: Divulgação / Marvel Studios.

No filme ‘Pantera Negra: Wakanda Para Sempre’, lançado em novembro do ano passado, Shuri assume a liderança do reino de Wakanda após vivenciar uma série de desafios. A possibilidade de um novo filme da franquia já foi citada pelo diretor Ryan Coogler, mas nenhuma confirmação efetiva foi informada até o momento. Assim como o primeiro ‘Pantera Negra’, de 2018, ‘Wakanda Para Sempre’ se tornou um grande sucesso pelo mundo, arrecadando mais de U$ 850 milhões e rendendo indicações ao Oscar, incluindo a nomeação a ‘Melhor Atriz Coadjuvante’ para Angela Bassett, que interpreta Rainha Ramonda.

Letitia Wright conta ainda que Shuri possui um grande papel nos quadrinhos e que isso pode indicar um retorno da personagem ao mundo do cinemas. “[As] histórias em quadrinhos revelam muito sobre ela”, completa a atriz, que diz ainda possuir uma ótima relação com o elenco. “Eu mando mensagens de texto para [diretor/co-roteirista] Ryan Coogler o tempo todo, entro em contato com ele e sua família. Temos um grande vínculo, um belo vínculo”, disse Wright. “Eu vejo Mama Angela [Bassett] o tempo todo, na temporada de premiações – dando flores a ela, apenas certificando-se de que ela está bem.”

Mulher negra escravizada por desembargador foi listada como funcionária

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Foto: Divulgação/UOL

O desembargador Jorge Luiz de Borba, acusado de manter uma mulher negra em condições análogas à escravidão na sua casa por mais de 30 anos, em Santa Catarina, aparece em uma publicação no Instagram da sua esposa, Ana Cristina, segurando um cartão com agradecimentos feitos a ele na véspera do Dia dos Pais, em 2020, escrito: “De suas funcionárias: Soninha, Nadir, Elisangela, Lucimara”. Sônia é a mulher resgatada pela Polícia Federal. A informação é da reportagem do colunista do UOL, Leonardo Sakamoto.

Quando o caso repercutiu na reportagem do Fantástico no último domingo (11), o desembargador do Tribunal de Justiça de SC se defendeu das acusações, afirmando que tratava a vítima como filha e prometeu que iria adotá-la e incluí-la na herança, mas a postagem contradiz a sua fala.

Foto: Divulgação/UOL

Nos comentários da publicação, o Borba respondeu: “muito gratificante quando tuas funcionárias te homenageiam, agradecendo”. A conta ficou restrita a não seguidores após repercusão da reportagem na TV Globo.

Procurada pela UOL, a assessoria da família Borba disse que a foto não será comentada. “Em respeito às decisões da Justiça, não haverá manifestação enquanto perdurar o sigilo”, afirma.

Entenda o caso

Sônia Maria de Jesus, uma mulher negra de 49 anos, surda e muda, passou mais de 30 anos sendo tratada como escrava na casa do desembargador de SC, Jorge Luiz Borba.

Sônia começou a morar na casa do desembargador ainda nova, com 12/13 anos e logo cedo começou a viver situações precárias e de escravidão moderna. Ela foi privada do direito de se comunicar e nunca aprendeu Libras, a linguagem brasileira de sinais. 

Em sua defesa, o desembargador disse que ama Sônia como se fosse sua própria filha e quando ela precisava de cuidados médicos amigos e a própria filha, que é médica, a atendia. 

Fonte: UOL/Leonardo Sakamoto

“Que a gente tenha a coragem de cultivar todos os dias o amor pelo saber”, destaca Lázaro Ramos durante o Festival LED

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Foto: Reprodução

Com reflexões fundamentais sobre passado, futuro e educação no Brasil, o Festival LED – Luz na Educação iniciou o primeiro dia de evento levantando discussões sobre as “Trajetórias ancestrais: como o passado pode guiar futuros plurais?”, reunindo o ator, diretor e escritor Lázaro Ramos, a escritora Ana Maria Gonçalves e o ator e escritor Daniel Munduruku para explorar a importância de aprender com nossos ancestrais como forma de moldar futuros desejáveis.

O diálogo, que ocorreu nesta manhã no auditório do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, buscou estabelecer conexões entre as raízes históricas do país e as possibilidades de construir um futuro mais equitativo e inclusivo.

Foto: Maycon Cabral

A escritora Ana Maria Gonçalves, conhecida por suas obras que exploram questões históricas e sociais, trouxe sua visão afiada sobre a importância de resgatar e compreender a trajetória ancestral para construir sociedades mais justas. A escritora falou sobre seu livro “Um defeito de cor”: “Conta também a história oficial do Brasil contada a partir de um ponto de vista que a gente não está acostumada a ler”, disse ela ao destacar a importância de trazer um novo ponto de vista sobre a escravização no Brasil, contando a história a partir do povo negro, diferente do que é contado pelo colonizador e que está nos livros das escolas.

Lázaro Ramos contribuiu com suas experiências e reflexões sobre a representatividade e a valorização das narrativas negras, trazendo à tona a relevância da ancestralidade afro-brasileira na construção de futuros plurais. O ator e diretor pontuou a importância da valorização do saber e dos professores: “Professores, além de necessários, precisam ser valorizados, respeitados e são fundamentais para a construção do projeto de nação”.

Lázaro relembrou sua própria trajetória educacional e deixou um recado importante sobre a importância da educação: “Desejo que a gente tenha a coragem de cultivar todos os dias o amor pelo saber, pela escola, pelos professores, porque nesse ambiente da escola a gente cria memórias que vão durar para sempre”.

Daniel Munduruku, escritor, professor, ator e ativista indígena, trouxe uma perspectiva valiosa sobre a sabedoria ancestral indígena e sua relevância na construção de um futuro mais consciente. “Eu sou um educador de formação e quero ser visto dessa maneira e estou usando as ferramentas possíveis para educar o olhar do meu povo que é o povo brasileiro. Os povos indígenas trazem consigo a sabedoria ancestral, a sabedoria muito antiga, pra antes de nós e para além de nós”, destacou ele.

“O povo indígena que tem milhares de anos de existência nessa terra é um povo criativo. Tão criativo que é capaz de preservar sua vida, sua existência e seu modo de olhar para o mundo sem precisar se autodestruir”, pontuou. “O povo indígena está aí para provocar e dizer, ‘nós somos filhos da terra’ ou não seremos nada”.

A conversa no palco LED Inspira foi um momento de reflexão coletiva sobre como o passado pode ser um guia para a construção de futuros desejáveis. Através da intersecção de perspectivas diversas e da valorização das trajetórias ancestrais, buscou-se iluminar caminhos para uma sociedade mais equitativa, inclusiva e consciente de suas raízes.

“Ela tem toda a certeza da impunidade”, diz Mirtes sobre Sari Corte Real ingressar no curso de medicina

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Foto: Reprodução/Globo e Instagram

Sari Corte Real, condenada pela morte de Miguel Otávio Santana, de cinco anos, foi aprovada em uma faculdade de medicina de Jaboatão dos Guararapes (PE). A ex-primeira-dama de Tamandaré foi sentenciada a oito anos e seis meses de prisão, após a criança cair do 9º andar de um prédio de luxo em Recife (PE) em 2020, mas recorre a sentença em liberdade.

“Ela tem toda a certeza da impunidade. São três anos lutando por justiça pela morte de Miguel e Sari Corte Real vem tocando a sua vida como se nada estivesse acontecendo. Isso é bem difícil para mim. Ainda mais pelo curso que ela vai fazer. Um curso que salva vidas. E ela não teve a capacidade de salvar a vida do meu filho. Ela teve todas as oportunidades nas mãos de fazer e não fez. Isso me deixa muito reflexiva sobre as pessoas que futuramente ela pode atender”, desabafa Mirtes Renata, mãe do menino Miguel que trabalhava como empregada doméstica para Sari, em live realizada no Instagram, nesta quinta-feira (15).

“Até foi postado ela se apresentando no grupo de whatsapp do curso da faculdade, que era o sonho dela de fazer medicina, já que agora os filhos dela estão grandes. Como se ela fosse uma pessoa que a maternidade ocupasse muito o tempo dela. Nunca ocupou porque tinha eu e minha mãe para cuidar dos filhos dela quando ela queria sair. E quando queria ir para festa, também tinha quem ficasse com os filhos dela. É algo que não condiz”, lamenta.

A mãe de Miguel aproveitou a ocasião para atualizar sobre o caso que corre na Justiça contra Sari Corte Real. “No mês de maio [o caso] estava na relatoria, na mão do desembargador relator. Ainda vou procurar saber se eles já terminaram para mandar ao revisor, para depois ser distribuído aos outros desembargadores para ter a votação dos nossos pedidos, da nossa parte e da ré”. 

No dia da morte da criança, em 2 de junho de 2020, Sari Corte Real foi presa em flagrante por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar), mas foi liberada após pagar fiança de R$ 20 mil. Apesar da sentença de oito anos e seis meses de prisão, o juiz José Renato Bizerra, da 1ª Vara dos Crimes contra a Criança e do Adolescente de Recife, diz que “não há pedido algum a lhe autorizar a prisão preventiva [de Sari], a sua presunção de inocência segue até trânsito em julgado da decisão sobre o caso nas instâncias superiores em face de recurso, caso ocorra”.

Brasileira que inspirou filme “Pureza” é premiada em Washington, nos EUA, por combate ao trabalho escravo no Brasil

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Foto: U.S. Department of State

Pureza Lopes Loyola, 80, recebeu na última quinta-feira (15) em Washington, EUA, o prêmio “Heróis no Combate ao Tráfico de Pessoas” por seu combate ao trabalho escravo no Brasil. Ela recebeu a honraria, uma das maiores da área dos direitos humanos, das mãos do secretário de Estado, Antony Blinken, e se tornou a primeira brasileira a receber o prêmio desde sua criação, em 2004.

Dona Pureza, mulher preta, nordestina e de fé, nasceu no Maranhão e se alfabetizou aos 40 anos para conseguir ler a Bíblia. Seu combate ao trabalho análogo a escravidão começou em 1993 quando ficou meses sem notícias do filho mais novo, Abel, que estava na Amazônia trabalhando no garimpo. Por três anos, ela descobriu e enfrentou um grande sistema de trabalho precário.

Seu combate ao trabalho em condições análogas à escravidão ajudou o Brasil a se tornar referência mundial. Em 1995, inspirado na luta de Pureza, foi criado o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que já libertou 62 mil trabalhadores em condições análogas à escravidão entre 1995 e 2021.

Seu ativismo também inspirou o filme ‘Pureza’, do diretor Renato Barbieri. O longa já recebeu quase 30 prêmios internacionais e nacionais. “Essa premiação do TIP HERO, conferido à Dona Pureza Lopes Loyola pela Secretaria de Estado dos Estados Unidos, é de relevância histórica, pois trata-se da única pessoa no Brasil a receber as duas maiores condecorações abolicionistas que conhecemos: o TIP HERO, em Washington, em 2023, e o ANTI-SLAVERY AWARD, conferido pela Anti Slavery International, em Londres, em 1997. É a coroação da luta incansável dessa nossa heroína cabocla em favor dos direitos à Vida, vivida de forma impactante por Dira Paes no filme Pureza, como também fortalece sobremaneira a luta abolicionista no Brasil em todos os campos.”, comenta o cineasta.

Em homenagem a Dona Pureza, o filme será transmitido na próxima segunda-feira (19) na Tela Quente, na Globo, às 22h.

Associação de advogadas negras, Black Sisters in Law se une ao iFood e lança central para entregadores vítimas de discriminação

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Foto: Marcello Casal / Agência Brasil

Texto: Kelly Bapstista

São incontáveis os casos de racismo e violências sofridas por entregadores de aplicativos. Uma queixa bem comum quando mais uma notícia vem à tona, é o desamparo que estes profissionais enfrentam ao serem vítimas de clientes.  Quase a totalidade destes entregadores, não possui recursos para contratar um advogado particular ou ter um acompanhamento psicológico.

Demorou, mas finalmente surge uma iniciativa realizada pela Black Sisters in Law em parceria com o iFood, com o objetivo de combater a discriminação e oferecer apoio aos entregadores, a marca lança uma central de apoio psicológico e jurídico para entregadores vítimas de discriminação. A associação global de advogadas negras, reconhecida por seu trabalho em várias áreas do Direito, se une à plataforma de delivery para garantir que os trabalhadores não sejam vítimas de ofensas, preconceito, assédio ou violência.

A iniciativa ganha destaque por sua importância no cenário atual, onde a proteção e valorização dos entregadores se tornaram fundamentais. Por meio dessa parceria estratégica, o iFood disponibilizará uma central assistencial dedicada aos entregadores que sofreram discriminação, garantindo-lhes acesso à justiça e apoio em suas demandas.

A atuação da Black Sisters in Law, que reúne advogadas negras comprometidas em promover a igualdade e a justiça social, traz uma abordagem abrangente para enfrentar os desafios enfrentados pelos entregadores. Além de oferecer suporte jurídico, a associação reconhece a importância do cuidado psicológico para ajudar os trabalhadores a superar os traumas causados pela discriminação.

“Ganha o iFood, que fornecerá aos seus entregadores um instrumento de segurança e proteção quando experimentam situação de racismo e injúria racial. Ganham as Black Sisters in Law, que terão a oportunidade de exercer a advocacia com dignidade. E ganham os entregadores, que passam a ter ao seu dispor uma plataforma que os acompanhará e fornecerá assistência jurídica nos momentos mais desafiadores do exercício da atividade.”, celebrou a fundadora da Black Sister in Law, Dione Assis. 

Todos os casos reportados pelos entregadores no aplicativo do iFood serão encaminhados para as advogadas e psicólogas associadas à Black Sisters in Law, que fornecerão atendimento especializado e individualizado. Essa medida visa garantir que os entregadores recebam a devida assistência legal e emocional, auxiliando-os a enfrentar os momentos mais desafiadores de sua jornada de trabalho.

Em comunicado oficial nas redes sociais da organização, a Black Sisters in Law afirmou que as advogadas “trabalharão em estreita colaboração com o iFood para identificar casos de racismo e injúria racial, oferecendo suporte legal, psicológico, orientação e representação jurídica apropriada” e reforçou a mensagem de apoio aos entregadores “Se você é um entregador que sofreu discriminação racial, saiba que agora há um apoio jurídico ao seu alcance”.

Para denunciar casos de discriminação e receber suporte da Central de Apoio Psicológico e Jurídico do iFood, os entregadores podem reportar os episódios diretamente no aplicativo. Ao clicar na opção “Alerta de casos graves” e selecionar “Quero reportar um caso grave”, eles poderão relatar o incidente e anexar fotos, se necessário. De acordo com informações do iFood, a equipe de Segurança de app entrará em contato para fornecer orientações e encaminhar o caso às profissionais da Black Sisters in Law.

John Boyega fala sobre realizar o sonho de trabalhar com Jamie Foxx: “Me inspiro muito”

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Foto: Jason Koerner/Getty Images e Henry Nicholls/Reuters

O ator John Boyega, 31, cresceu assistindo Jamie Foxx, 55, atuar em “The Jamie Foxx Show” e no filme “Ray”, e agora, realiza o sonho de estrelar o filme junto com ele, em “Clonaram Tyrone!”, da Netflix.

“É alguém em quem me inspiro muito”, disse Boyega à Variety no tapete vermelho do American Black Film Festival. “Ele definitivamente foi uma das principais mãos por trás da minha carreira que me ajudou a conseguir papéis, oportunidades e eu aprecio isso”.

Mesmo Boyega também ser uma estrela consagrada, pelas atuações em “A Mulher Rei” e na trilogia de “Star Wars”, por exemplo, ele valoriza a experiência de Foxx nos cinemas.

“Minha lembrança duradoura é dele ter a capacidade de ler seis páginas de novos diálogos e apenas dizer ‘Sim, entendi.’ Eu fico tipo, ‘O quê? Como você fez isso? Isso é coisa de estrela de cinema”, conta o ator. “Incrivelmente generoso com as pessoas, sempre cheio de energia, muito positivo”, diz sobre o Foxx.

Teyonah Parris também se junta à dupla no protagonismo da longa-metragem “Clonaram Tyrone!” chega no dia 21 junho na plataforma da Netflix. Na trama de comédia e ficção científica, “um traficante (Boyega), um cafetão (Foxx) e uma prostituta (Parris)”, se envolvem em uma grande teoria da conspiração governamental de clonagem de pessoas negras e outros experimentos ilegais.

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