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Kenia e Brás “Casamento entre negros é um ato político”

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Kenia e Erico Foto: Priscila Prade

Kenia Maria é uma jovem militante das antigas. Com 41 anos e sabendo como usar a Internet para promover suas ideias e trabalho, ela diz com orgulho que sua militância vem antes das hashtags e do feminismo capa de revista. A luta dela era corpo a corpo, no dia a dia da comunidade. Para atriz e empresária, amar homens negros sempre foi natural por conta da sua educação.

Linda da cabeça aos pés, Kenia se sente uma rainha, por viver um amor “nobre” ao lado Érico Brás há 5 anos. Ela celebra o amor, porque Brás  a entende como mulher negra, a textura do seu cabelo, o corpo generoso, as dores em comum.

Nessa entrevista exclusiva para o site Mundo Negro, ela fala sobre seu relacionamento com marido, boleiros negros que amam loiras, seu trabalhos com a família e claro, seu novo posto como Defensora Dos Direitos das Mulheres Negras  na ONU Mulheres Brasil. Brás também fala conosco sobre sua musa.

Mundo Negro:  Na música Ponta de Lança, Rico Sapiência fala dos pretos e pretas que estão se amando. Você tem notado um aumento no número de casais negros? Quando a gente ama nossa negritude, o natural é procurar alguém como a gente?

Kenia Maria: A arte é um grande instrumento de transformação, de conscientização e manipulação. Todos os sistemas autoritários que pretendiam submeter uma etnia a outra, usaram a arte para manipular isso, como no nazismo. No Brasil “Casa Grande e Senzala” (Gilberto Freire/1933) fala muito bem de como deveria ser a relação afetiva de negros e brancos. Na arte sempre foi fortalecida a ideia de não ficarmos juntos. Desde a época da escravidão, desde de África nos separaram, por línguas, tribos, para gente não se reconhecer, não se gostar, porque nos gostando seríamos muito fortes. Uma família negra que aparece num comercial de TV, no cinema, nos muros de São Paulo ou qualquer lugar de manifestação artística, tem um poder incrível de transformação.  Um amigo meu estava dizendo que na favela preto casa com preta, mas a gente sabe que saindo de lá as coisas mudam, porque isso foi ensinado. Temos que mostrar que a gente se ama, é uma luta, e isso não deixa se ser político, casamento entre negros é um ato político. As pessoas costumam estranhar quando eu estou com Érico. Acham que sou irmã dele, babá, assessora, bom assessoria eu sou , ( risos ), acham tudo, mas quando digo sou mulher é um espanto.

Reprodução/Ellen Soares/Gshow

Mundo Negro: Érico, o que te fez perceber que a Kenia era A mulher para você? A cor foi só um detalhe ou a negritude estava “dentro do pacote”?

Érico Brás: A gente se conheceu no centro do Rio de Janeiro e a princípio a beleza dela me chamou a atenção. Ela flutuava com leveza ao atravessar a rua do Ouvidor com a Buenos Aires. A cor dela já era uma prerrogativa para atrair o meu olhar. De onde venho mulher negra tem um diferencial. Mas Kenia trazia um frescor apaixonante no olhar que me rendeu de imediato. Com o passar do tempo percebi que as suas qualidades iam além da atração física. Ela é inteligente, amorosa e viva.

Vocês podem ver nas nossas redes sociais – Facebook e Instagram – que o amor é ingrediente do nosso dia a dia. Descobrir que ela era minha melhor e única companheira quando nos declaramos para outro: EU TE AMO. Foi fatal. Esse amor ele é vivo nas nossas empreitadas, momentos de lazer e com a família. Ele é o motor da nossa relação. O nosso amor nos cura das feridas da vida.

Reprodução/Ellen Soares/Gshow

Mundo Negro: Kenia quando sua mão negra se encontra na mão negra do Brás, como você sente a sua ancestralidade. Vocês juntos parecem rei e rainha, vocês se sentem desse jeito, se tratam desse jeito?

Kenia Maria: Nossa relação começou com uma atração. Eu fui criada por uma família negra, feminista e militante e onde há poucos relacionamentos inter-raciais. Então aprendi a admirar homens negros. Meu primeiro casamento também foi com homem negro e sempre namorei homens negros.  Como todas as mulheres do nosso país, eu tive dificuldades por ser uma menina de subúrbio, comunidade. Mas sempre tive essa preferência. E o Érico por ser uma pessoa criada no bairro preto Curuzu, na Bahia, num grupo de teatro onde a politica é a regra, onde não se pode se pensar ator, sem se ver negro. Aí nos encontramos, fizemos uma parceria que depois virou casamento e que é um ato político. Temos consciência disso quando a gente aparece junto em revistas, as pessoas ficam impactadas. Muita gente estranha nossa relação porque meu trabalho sempre foi de militância em uma época que ela não era capa de revistas importantes, como Vogue e Marie Clarie, então as pessoas não me conheciam. Eu me sinto uma rainha sim, porque a relação com um homem negro consciente é muito diferente. Um homem negro que gosta de uma mulher negra, que entende do cabelo, da textura, não tem medo de botar a mão nesse cabelo e entende que o corpo da mulher negra, nunca vai ser igual ao de uma mulher branca. Eu sou uma mulher com quadril, sou uma mulher grande. Não sou melhor nem pior, mas sou diferente, sou uma mulher negra. Quando a gente encontra alguém que entende e aceita a gente dessa forma é nobre, eu me sinto uma rainha.

Foto: Divulgação

À frente da Defensoria Dos Direitos das Mulheres Negras na ONU, suas reflexões sobre nós (mulheres negras) se intensificaram. A solidão da mulher negra, na sua visão é uma realidade?

Eu sou de uma família de militantes. Minha mãe nos anos 70 já ostentava um black power com o meu pai, que era amigo do Toni Tornado. Na minha família tem Mestre Celso que é fundador do Engenho da Rainha, um importante movimento de capoeira. Nos anos 90 na época de Xuxa, paquitas e “angélicas”, minha mãe me colocou para fazer dança afro e recorri aos grupos afro da Bahia, o Orumilá que me levou à dança e a militância. Morar fora me fez despertar mais a esse lado político em mim, eu fui mãe fora do país na Venezuela, onde racismo não era crime na época e minha filha  Gabriela sofreu muito. Quando volto para o Brasil eu e minha filha criamos o “Tá Bom Pra Você?” quando ela tinha 13 anos, hoje ela tem 18. Hoje sinto o Brasil vivendo um novo momento do Movimento Negro, a informação e tecnologia deixou a coisa mais democrática, mas a internet ainda não é , senão teríamos Youtubers negras ganhando dinheiro com publicidade e com milhares de seguidores como acontecem com as brancas. A questão da ONU chegar é por conta dessa militância. De coisas que abri mão de fazer, por cause das minhas raízes. Até meu nome é uma homenagem que minha mãe fez a um país africano. Eu estou reforçando um coro e sempre volto a olhar para as minhas irmãs, Sueli Carneiro, Vilma Reis, Djamila Ribeiro, Lélias Gonzales e tantas outras, para ver o que estou falando. Só vai funcionar se for coletivo. O aumento da violência contra a mulher negra aumentou 54% depois da lei da Maria da Penha e contra mulher branca caiu 10% . Não podemos pensar essas questões, sem um recorte de raça.

Mundo Negro: Como você explica essa preferência de negros bem sucedidos por mulheres brancas?

Kenia Maria: Eu fui casada dos 20 até 33 anos com um homem negro, da mesma comunidade que eu e quando mudamos para Venezuela,  ele era jogador de um time da primeira divisão, ele percebeu que tinha algo estranho e esse algo estranho era eu. Eu era única mulher negra em um meio repleto de mulheres parecidas com Barbies. As que não era, iam rapidamente clarear o cabelo e colocar silicone. Eu sempre era confundida como babá dos meus filhos, ou enfermeira do time. E eu consegui perceber nele, o momento que ele teve essa confusão, e os colegas o questionavam. O mais estranho era que quando eu voltava para o Brasil de férias, depois da separação, esses jogadores mandavam presentes, dinheiro para entregar as suas ex-mulheres que ficavam no Brasil e quando me encontrava com elas, a surpresa, eram todas negras. Todas. Você via a substituição é automática. Como disse antes, isso é ensinado e estimulado na família, que clarear é mostrar que é bem-sucedido. Meu marido mesmo disse que o pai dele falava muito sobre “mulher de presença”, que é a mulher de fenótipo ariano. A negra é a que não tem presença para estar em certos lugares, vai dar escândalo. O machismo também está ligado a isso, a boa casa, o bom carro e a boa mulher, que é a branca.

Mundo Negro: Vocês dividem o palco juntos e um canal no Youtube juntos. Ser casado com que tem o mesmo ofício tem mais vantagens ou desvantagens?

Eu sempre costumo dizer que a mulher negra anda com duas malas. Enquanto os homens carregam a do racismo a gente carrega a do machismo e do racismo. Eu sempre serei mais cobrada, eu sou muito elogiada porque eu agencio a carreira dele, por ele estar a 5 anos em uma grande empresa. Ele me paga para isso, porque eu não sou uma ótima mulher recatada e do lar, eu faço um trabalho há mais de 20 anos, antes atletas agora artistas, então não gosto desse título. O “Tá Bom Pra Você?” é uma criação de duas mulheres negras. Como o Érico era ator, muitos não acreditaram que a ideia e o roteiro eram meus. Então tem essa desvantagem, essa armadilha. Até meu discurso como militância, tem gente que pensa que eu aprendi com o Érico. Minha família tem milhares de pessoas do axé, minha mãe é feminista e de repente parece que tudo o que sei veio dele, parece até que ele me pariu (risos).

Ele é um grande companheiro, mas eu venho de uma militância muito antes de hashtag, era corpo a corpo, e é doloroso ser definida como mulher de alguém. Nós precisamos estar alertas para gente não perder nosso mérito, criação e autorias, pelo simples fato de ter um macho, mesmo que ele seja negro.

Primeira webserie negra brasileira e peça com marido

O “Tá Bom Pra Você?” fez 4 anos esse ano e é uma ideia da Gabriela que era de fazer uma webserie de uma família negra que mora na zona sul e os conflitos que se dá quando o negro sai do lugar que o negro denominou para ele. Criamos roteiros a partir da nossa vivencia e descobri que somos a primeira web-série negra brasileira, protagonizada por negros e devo isso a Gabriela, as ideias e questionamentos dela. E agora a gente sai da Internet e vai direto para o palco. Dessa vez, vou eu e Érico porque Matheus, meu filho que é um dos atores do projeto está fazendo medicina e Gabriela está se dedicando a arte dela e se lançando como cantora no próximo semestre.

Double Black: peça do casal que estreou Salvador (Foto: Divulgação)

Tivemos a ideia de criar o Double Black que é um Stand Up, um musical e também a nossa história, uma comédia romântica e como diz o Érico, é “uma mistura de Brasil com Egito” (risos). Falamos de forma divertida sobre como nos conhecemos e outros assuntos que falamos no canal. O espetáculo foi lançado em Salvador no Teatro Jorge Amado, no dia 2 e 4 de junho e estamos agora fechando uma agenda que depende muito do Érico, meu companheiro de palco. Em breve estaremos nos palcos do Brasil, quiçá do mundo.

XIII Edição da Feira Crespa, no Rio de Janeiro, já tem data marcada

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Em clima de arraiá, a “Feira Crespa” terá sua primeira edição realizada no galpão da MALHA. Como em todas as edições, o evento trará o melhor da moda, culinária, arte e cultura afro-brasileira. A programação conta com aulão de zumba, desfile de moda, desfile de pais e filhos – em homenagem ao dia dos pais; além da tradicional feira de produtos.

Entre as marcas já confirmadas estão: Negra Rosa, Crioula Criativa, Az Marias, Odoyarte, Universo das Festas, Clovispinga, Confeitaria Doce Sonho e Sisalewa e VizeAfro. A feira acontece nos dias 18 e 19 de agosto.

Negra Rosa – Marca de maquiagens criada para a pele negra, estará na Feira Crespa

No dia 18, sexta-feira, a entrada é colaborativa, no valor sugerido de 5 reais; começando às 12h, com término às 18h. Já no dia 19, sábado, o valor de 5 reais  funciona como entrada fixa e a feira começa às 10h e vai até às 18h. O galpão da MALHA fica na rua General Bruce, nº 274, Rio de Janeiro.

A realização da “Feira Crespa” é da “Rainha Crespa”, que tem como objetivo a produção de eventos culturais que exaltem a negritude, a mulher negra e que criem diálogos sobre as questões raciais no Brasil. Para saber mais acesse o evento no Facebook e confirme sua presença.

“Preto no Branco” – Sobre os perigos de ser negro no Brasil

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Imagem do curta "Preto no Branco"

Um garoto negro, de periferia, é acusado de ter roubado a bolsa de uma mulher branca, de classe média. Não há evidências de que foi ele, mas a vítima o acusa, de forma convicta. Também de forma convicta, Roberto Carlos, o protagonista, afirma não ser ladrão. E então, quem está falando a verdade?

Esse é o enredo do curta-metragem “Preto no Branco”, roteirizado e dirigido por Valter Rege. “O objetivo principal, é se colocar no lugar dos personagens, senti-los; sem julga-los. Obviamente abordo o preconceito racial. Meus filmes sempre terão essa pegada social , por isso deixo claro que independentemente do garoto ser culpado ou não, o tratamento que ele recebe não é como o que seria dado a uma pessoa branca”, explica o diretor.

Imagem do curta “Preto no Branco”

O curta, que recebeu apoio do Ministério da Cultura, contemplado no edital “Curta Afirmativo” de 2014, já tem data de estreia. Será no dia 22 de agosto, às 19h, no Cine Olido (Galeria Olido – Av. São João, 463, São Paulo) – entrada gratuita.

Valter promete uma história que prende a atenção do espectador: “O público pode esperar uma imersão no mundo obscuro , frio e claustrofóbico de uma delegacia. O roteiro prenderá o espectador do início ao fim , com a dúvida até o último segundo: O quê acontecerá com esse garoto?”

Imagem do curta “Preto no Branco”

Além da estreia de “Preto no Branco” o evento também contará com um bate papo junto à equipe responsável pelo curta. Para saber mais acesse o evento da estreia no Facebook e confirme sua presença. Assista ao trailer do curta:

https://youtu.be/v8ONcc9nF8c

Valter Rege, diretor do curta, também conhecido como “Valtinho”, além de cineasta é criador de conteúdo para a internet. Como o seu canal “Energia Positiva”, Valter publica seus curtas independentes, suas visões sobre a sétima arte e entrevistas com atores, editores, criadores… Tudo isso com sua visão de homem, negro, gay, periférico e cineasta. Conheça:

O pai negro é realmente o mais ausente?

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O mito do pai negro tem sido perpetuado por anos. Vários estudos e pesquisas diziam incansavelmente que pais negros eram absurdamente os mais distantes na vida dos seus filhos.

No entanto, enquanto esses números não podem ser ignorados, eles contribuem para invisibilizar o grande número de pais negros que são presentes e participativos na vida das suas crianças.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos Estados Unidos recentemente publicou novos dados sobre o papel do afro-americanos enquanto pais e trabalho foi postado no site americano Defender Network.

O estudo derruba vários estereótipos sobre paternidade negra, mostrando que pais negros estão mãos envolvidos na rotina dos seus filhos do que os pais de outros grupos raciais.
O estudo elenca algumas mentiras ditas sobre paternidade negra;

 

-Pais negros não estão envolvidos com a vida dos seus filhos.

O Centro de Pesquisa Pew (também nos EUA) também achou evidências similares que apontam que pais negros não se diferenciam de pais brancos de forma muito significativa. Apensar dos pais negros serem os que mais vivem em casa separadas dos filhos, a pesquisa mostrou que 67% dos pais negros (que moram fora), veem seus filhos pelo menos uma vez ao mês, comparado aos 59% dos pais brancos e 32% dos pais negros.

Homens negros não valorizam a paternidade

Condições econômicas dos pais negros que não vivem com seus filhos e, portanto, não podem vê-los com frequência ou prover bens de consumo e educação, fez com que se criasse uma imagem de que o pai negro não valoriza a paternidade.  Um número igual de pais brancos e negros concordam, de acordo com pesquisa do Pew, que é importante que um pai de suporte emocional, disciplina e guie seus filhos moralmente. Porém pais negros dão mais valor ao suporte financeiro aos seis filhos.

“Mesmo que os pais negros sejam os que menos casam com a mãe dos seus filhos, eles costumam continuar envolvidos em criar essas crianças”, diz Dr Roberta L. Coles, socióloga e professora na Universidade Marquette na matéria do site. Ela tem estudado sobre paternidade negra há uma década.

 

A ausência de pais negros não justifica todos os problemas

Muitos dizem que a comunidade negra seria mais estruturada se os pais fossem mais presentes. Enquanto esse fato não pode ser negado, o autor, Mychal Denzel Smith defende que a responsabilidade da paternidade só é extrema em um mundo oprimido em termos institucionais.

“Para crianças negras, a presença dos pais não influir nas leis racistas de combate as drogas, na perseguição policial e quem esse escolhe matar, doenças causadas por envenenamento da água na escola. Focando na suposta ausência de pais negros, nós fingimos que a pressão não é real e responsabilizamos os homens negros, pelo estado crítico da sociedade americana”, finaliza Denzel.

Colaboração entre mulheres negras resulta em ensaio fotográfico que exalta a realeza africana

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Imagine que você é uma mulher negra, na faculdade. Você não tem muitas pessoas negras ao seu redor e, como uma das poucas representantes de afro-brasileiros naquele espaço, você quer honrar suas origens de alguma forma. Você quer fazer algo lindo, grande, impactante; porém não tem recursos pra isso…  O que vai fazer? Desistir?

Foi essa a situação em que a universitária Bárbara Jadeh Procóprio se viu. Graduanda em Rádio & TV, na Universidade Anhembi Morumbi, ela teve a oportunidade de apresentar, na disciplina de Fotografia, um ensaio com tema livre.  “Na hora, eu pensei em rainhas africanas. Eu não sabia o quê fazer, como fazer e por onde começar. Tinha a ideia na cabeça, mas estava totalmente perdida, resolvi pesquisar sobre o tema, sobre a África e como poderia fazer um ensaio sobre isso. Uma coisa que eu tinha certeza em mente era: queria mostrar uma África que não é vista nas TVs, jornais, etc. Um continente rico, jamais visto!”, conta.

Como dar a real grandeza que esta ideia merecia? Barbara não sabia e assim, acabou se dirigindo para outra proposta, algo mais simples. Porém, com restando uma semana para que o trabalho fosse entregue a inquietação da estudante cresceu e a mesma retomou o tema “Rainhas Negras”. Se antes parecia difícil, como realizar tudo em uma semana? É nesse instante que a colaboração feminina, entre mulheres negras, se fez presente e mostrou toda sua força.

Em um grupo no Facebook Bárbara encontrou três mulheres negras para serem suas modelos. A estudante tinha quem fotografar e, em troca, as modelos teriam belas fotos para seu portfólio. Nessa mesma lógica de colaboração mútua, a maquiadora Andressa Vaz e Claudete Santos, que cedeu peças da sua marca Chinue, completaram o time. A locação escolhida foi o Parque  da Água Branca (SP).

As modelos Larissa Naomi, Jéssica Dhandara e Andriélli Barcelos representaram, respectivamente, as rainhas Nzinga (Ana de Solza), Makeda (Rainha de Sabá) e Yaa Asantewaa. Nzinga representa “riqueza e natureza”, esta foi uma rainha angolana, que lutou pelo seu povo até o fim contra a comercialização de escravos.

Makeda, a famosa Rainha de Sabá, foi uma rainha etíope, poderosa, citada biblicamente e exaltada como o sol, pelo seu povo. No ensaio ela representa “poder e delicadeza”.

Já Yaa foi rainha mãe ganesa, amante da natureza e grande guerreira sendo uma conselheira, figura muito respeitada por todos. Ela representa “paz e guerra”.

A fotografa e idealizadora deste projeto, pretende expandi-lo e representar outras grandes rainhas africanas através de sua fotografia. Por enquanto, veja o resultado do trabalho já realizado:

Lázaro Ramos quer você em seu novo programa

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Começa na Internet e depois vai para TV. É assim bem resumidamente que o novo projeto do ator multimídia Lázaro Ramos “Lazinho com você”, se apresenta do ponto de vista de como será consumido. A proposta no entanto, é de muita interatividade com o público sendo uma grande oportunidade para revelar novos rostos e ideias de várias regiões do Brasil.

“O programa é uma experiência colaborativa que começa na rede e depois vai para a TV. Todos podem enviar conteúdos (textos, vídeos, imagens, áudio)”, explica a equipe do programa por meio da página oficial do projeto no Facebook.

“Todo mundo pode opinar, criar ou interagir. Somos todos personagens principais de um programa feito para nos divertir. A gente acredita que o entretenimento de muitos é o entretenimento feito por muitos”, afirmou o apresentador.

A iniciativa faz parte da quarta edição do Globo Lab, metodologia criada pela Globo com o objetivo de testar narrativas inovadoras, buscar talentos criativos e fortalecer o relacionamento com produtores independentes.

Nessa primeira parte do projeto, os internautas podem conferir o que está rolando no evento em tempo real pelo FacebookTwitter e Instagram do Lazinho com Você.

A previsão é que o projeto vá para TV em dezembro, fazendo parte da programação dominical da Globo.

Afrofuturismo – livro mistura elementos futuristas e mitologia Iorubá

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Fábio Kabral

O “Afrofuturismo”  é um gênero narrativo que mescla mitologia e cosmologias africanas, fantasia, pós-colonialismo, ciência e  tecnologia, com  protagonismo de autores e personagens negros. Sendo assim, o livro “ O caçador cibernético da Rua Treze” é uma típica aventura afrofuturista, uma vez que a história se passa em uma metrópole repleta de tecnologias avançadas e está intimamente ligada a mitologia Iorubá.

Fabio Kabral, autor do livro, conta como conheceu este gênero narrativo, ainda tão pouco explorado no Brasil: “A palavra “Afrofuturismo” apareceu para mim por volta de 2014, enquanto eu acessava sites gringos sobre cultura pop. Quando fui ver já era, mais ou menos, o que venho fazendo no meu trabalho de ficção; então me senti compelido a intensificar meus estudos sobre Afrocentricidade, o que coincidiu também com o meu mergulho na vivência ancestral do Candomblé”, conta.

Na história deste novo livro, João Arolê é o protagonista, ele é um jovem negro caçador de espíritos malignos. Morador de uma metrópole tecnológica, abitada por uma população negra, João vive cercado por carros voadores e máquinas que são acionadas por fantasmas. Nessa narrativa, o personagem, assombrado por crise de consciência por erros passados, acaba por se tornar um herói improvável.

Para este livro Kabral promete “uma história de ação intensa, um super herói com complexidades humanas e um cenário muito rico”.  A história também trás elementos ficcionais familiares da cultura pop.

O lançamento de “ O caçador cibernético da Rua Treze” acontece no dia 10 de agosto, a partir das 19h, na livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509, Bela Vista, São Paulo).

Escutar os mais velhos é um hábito africano ignorado

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A professora Diva Guimarães com a escritora Conceição Evaristo (Foto : Reprodução FB)

As narrativas pessoais são indispensáveis para a construção histórica de uma comunidade. A  tradição oral, se falarmos das culturas africanas, foi fundamental para conhecer o que sabemos hoje sobre nossos antepassados. Não é por acaso que o emocionante depoimento da Dona Diva Guimarães durante o evento “A pele que habito”, durante a Flip 2017, em Paraty,  fez mais de 11 milhões de pessoas pararem para ouvi-la. Temos uma dívida com os nossos mais velhos.

Os influenciadores, ou seja, as pessoas que a mídia por critérios discutíveis, aponta como quem devemos ouvir devido a relevância do seu discurso são cada vez mais jovens. O que vemos, em muitos casos, é uma reprodução de discursos muitas vezes baseados em achismos e seriados da Netflix, já que não se pode falar muito sobre vivências, visto que são jovens. O olhar dessa nova geração é egocêntrico e narcisista. A minoria tem um preocupação legítima com o mundo, que não necessite de um registro para o Facebook, ou que está aberto a ouvir pessoas fora da sua bolha social.

Não estou aqui afirmando que jovens são ignorantes, até porque eu sigo muitos deles, que leem e se informam antes de emitir sua opinião e discorrem sobre assuntos que eu aos 20 e poucos nem sabia que exista. Minha provocação é, mas porque só os jovens têm falas relevantes hoje em dia e de como isso pode empobrecer a nossa visão de mundo.

Território Flip/Flipinha: A pele que habito (trecho)

O momento mais emocionante da #Flip2017 veio pela voz do público no Território Flip/Flipinha: "A pele que habito". Com a palavra, Diva Guimarães:

Posted by Flip – Festa Literária Internacional de Paraty on Friday, July 28, 2017

“Eu posso dizer com certeza que em comunidades de Angola e Congo onde eu tenho mais contato as pessoas mais velhas ainda têm uma importância muito grande. Em Angola por exemplo, os mais velhos são chamados de cota”, explica o professor Carlos Machado, autor do precioso livro “Gênio das Humanidade – Ciência, Tecnologia, Inovação Africana e Afrodescendente.  “ A cultura de empoderar os jovens, é algo muito ocidental”, finaliza Machado.

Nas culturas tradicionais africanas os influenciadores são pessoas mais maduras

A chave é a pluralidade, mas vemos que há vozes muitos silenciados nos espaços onde discutimos negritude. Tão importante quanto a literatura são os depoimentos de senhoras como a dona Diva, que não discorreu sobre dados sobre o deficit na educação pública, ela se abriu sobre como fatos históricos afetaram emocionalmente sua vida. Poucos são os livros que se atentam as emoções, a tristeza, raiva ou compaixão que sentimos em situações de conflito racial.

Que as marcas que dona Diva deixou dentro de nós seja um símbolo de resgate a valorização dos nossos idosos negros. Temos que ouvi-los antes que seja tarde demais.

Mulher trans e negra escreve livro que trada de questões como depressão, transexualidade, homossexualidade, racismo e suicídio

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Ilustração da capa do livro "Quatro suicidas e uma peruca cor-de-rosa"

“A gente é semente, mas ninguém sabe do que” – essa frase continuou ecoando em minha mente, mesmo com a leitura já terminada. “Quatro suicidas e uma peruca cor-de-rosa” foi uma narrativa tão arrebatadora, que me fez estar atenta até a última página, sem interrupções. Como não me acontecia há muito tempo, terminei a leitura em penas um sábado.

De certo você já concluiu que o livro não é grande, e realmente não é; mas não se precipite em achar que se trata de uma literatura simplista; definitivamente, não é esse o caso. Este é um livro que trata de assuntos muito complexos, como: O que leva uma pessoa ao suicídio? Como a sociedade trata uma pessoa com depressão?

Ilustração do livro “Quatro suicidas e uma peruca cor-de-rosa”

São discussões tão pesadas, tão densas, e, ainda sim, o enredo consegue trazer doçura e encantamento à história. Trata- se de quatro pessoas: Gisele, Nicholas, Gregory e Demetrio; em algum momento esses personagens tentaram cometer suicídio e, em algum momento, a história deles se cruza e, juntas, tomam um novo rumo, criam um novo significado.

É um típico enredo que poderia virar série, filme, peça de teatro; porque a gente realmente quer saber o que vai acontecer com cada um dos personagens. Ao longo da leitura eu senti como se tivesse ganhado novos amigos. Porém, com o decorrer da trama, percebi que, ao conhecer cada personagem eu conhecia partes de uma mesma pessoa, a autora.

Kelvin Valentim deu vida a “Quatro suicidas e uma peruca cor-de-rosa” e mostrou, de forma fragmentada, sua luta enquanto mulher negra e trans. Com a leitura me deparei com a insegurança constante que é ser um ser humano fora da “normalidade” imposta socialmente, e o quanto isso é cruel.

Com um vocabulário riquíssimo, esse é um livro que, além de envolvente, é didático. A narrativa joga luz sobre temas como o colorismo, depressão, transexualidade; entre outros. O livro retrata ainda como o ambiente escolar pode ser difícil para negros e gays e como o simples fato de existir pode ser tão perigoso para transexuais.

“Quatro suicidas e uma peruca cor-de-rosa” é um símbolo muito especial de resistência, luta, sobrevivência e vitória. Com essa narrativa, Kelvin mostra que, apesar de tudo, ela, enquanto mulher negra e trans, vem vencendo a cada dia. E que, se não contam nossas histórias, se não apresentam outras perspectivas, nós mesmas o fazemos. E a gente tem muito pra dizer!

Grupo de artistas baianos criam o Afro-Horóscopo

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Foto: Reprodução FB

Será que o zodíaco age de forma diferente de acordo com nosso gênero e raça? Seja lá qual for o canal de “humor negro”, Ouriçado, de Salvador, mostrou a personalidade de homens e mulheres negros de acordo com o seu signo.

Veja o resultado abaixo e confirme ou não se bate com o seu signo.

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