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Circuito Tamboreira Percussiva abre inscrições para oficinas de percussão para mulheres negras e indígenas

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Idealizado por Loiá Fernandes, Percussionista, Produtora Audiovisual, Arte Educadora e Atriz, o projeto tem o objetivo reunir mulheres negras e indígenas do Nordeste e de outras Regiões do Brasil em torno dos tambores, estabelecendo também intercâmbios internacionais. O Circuito é uma iniciativa que visa fortalecer a rede entre mulheres percussionistas, que se apropriam dos tambores como instrumento de expressão de força e poder.

O projeto contará com oficinas de ritmos percussivos afro-brasileiros e xamânicos, cantigas e expressões corporais e acontecerá entre os dias 3 e 7 de março. Nasce de uma perspectiva unificadora e intercultural, baseado na pluriversalidade, considerando a necessidade de fomentar a atuação das mulheres no segmento de instrumentação percussiva, tendo como princípio fundamental as raízes culturais dos tambores africanos e dos povos originários.

Respeitando todas as medidas protetivas contra a COVID 19, a programação acontecerá em formato virtual, em plataforma online (zoom, youtube e instagram). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 12 de fevereiro.

O critério para seleção é, primeiramente, a indicação racial, mulheres negras e indígenas, além das condições de vulnerabilidade que inviabilizam o acesso à arte e à cultura. A avaliação racial será feita através da fotografia anexada ao formulário de inscrições.

Não há indicação etária, mulheres de todas as idades podem participar. Cada oficina contará com o número médio de 20 participantes. O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Para se inscrever acesse: https://linktr.ee/tamboreirapercussiva.

Super Black 2021: H.E.R, Jazmine Sullivan e The Weeknd foram os destaques da noite

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Imagem: Billboard

Mal acaba uma edição do Super Bowl, e os olhos do mundo todo já se voltam (com grandes expectativas) para a do ano seguinte. Madonna, Beyoncé, Diana Ross, Justin Timberlake, todos esses artistas fizeram história se apresentando no maior evento esportivo dos EUA. Ano passado, foi a vez de Shakira e Jennifer Lopez, duas mulheres latinas, deixarem suas marcas na história do evento, em um show em Miami.

Esse ano por sua vez tivemos o ”Super Black”. A tão aguardada apresentação de The Weeknd, com um investimento de cerca de R$38.000.000,00 de reais foi o ponto alto da noite, roubando até os holofotes de Tom Brady e Patrick Mahones. No repertório, ”I Cant Feel My Face”, ”The Hills” e o hit duradouro ”Blinding Lights” foram os grandes destaques. Entretanto alguns fãs ainda sentiram falta de sucessos como Lust For Life ou Love Me Harder. O que é compreensível, mas vale a pena lembrar que o show do intervalo tem duração média de apenas 15 minutos. 15 Minutos dos quais ficamos hipnotizados na frente TV. Abel entregou uma super produção com direito a vários cenários, bailarinos e fogos de artificio, que deixa a tarefa ainda mais difícil pra quem for se apresentar no ano que vem.

Além dele, a cantora H.E.R apresentou uma versão muito particular de America The Beautiful, com direito a solos de guitarra e uma roupagem bem diferente do que estamos acostumados a ouvir. E para cantar o hino nacional dos EUA ao lado do cantor country Eric Church, tivemos a cantora 12 vezes indicada ao Grammy, Jazmine Sullivan que lançou seu mais novo álbum em janeiro. Confira as apresentações:

O hino nacional, por Jazmine Sullivan
América The Beautiful, por H.E.R
O show do intervalo, com The Weeknd

Oficina de autorretrato para mulheres negras e indígenas abre inscrições gratuitas

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Foto: Adriana Chaves/Divulgação

O projeto visa reunir, em encontros virtuais, mulheres de todo o país para criação de fotoperformances e autorretrato –  realizado da artista para a câmera, tendo a fotografia como objetivo final -. Surgindo com a necessidade de reunir e mover processos criativos de mulheres negras e indígenas interessadas em transformar pensamentos em imagens, a oficina será gratuita.

As atividades contarão com a supervisão das artistas e educadoras Dani de Iracema, Jessica Lemos e Jeisiekê de Lundu. Entre fevereiro e março deste ano, o projeto terá encontros semanais e ao final será realizada uma vídeo-exposição com o material produzido durante o processo, que tem suas inscrições abertas até o dia 12 de fevereiro.

Com apoio financeiro da Fundação Cultural do Estado da Bahia- FUNCEB, através da Secretaria de Cultura (Programa Lei Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Para Dani de Iracema, “essa é uma ação poético-política decolonial, uma oportunidade de reunir forças criativas, promover troca, partilha e produção de conhecimento artístico entre mulheres negras e indígenas, para refletir suas relações com a autoimagem em um mundo que ainda objetifica e violenta nossos corpos racializados e dissidentes”.

Para as mulheres que se dispõe a criar composições de imagens de  autorretratos e fotoperformances, a oficina será virtual e gratuita, no link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSduIHVW9z-dT9XUdp5JhRv1hiIDqYNSuPkrRxvxz9NR8wsnBw/viewform

Cotas raciais: UFRJ cancela matrícula de alunos de medicina por fraude

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Foto: Reprodução

Recentemente a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) cancelou a matrícula de 21 alunos da faculdade de medicina que fraudaram as cotas raciais. Entre os fraudadores têm estudantes desde o 4º até o 11º período, alguns estavam cursando o último semestre

Um grupo de alunos negros fizeram a denúncia, após descobrir a quantidade de pessoas brancas que ocupavam vagas para pessoas pretas. No geral, 96 estudantes foram  denunciados, mas somente 21 pessoas foram expulsos.

As denúncias se estenderam para outros cursos da UFRJ nos cursos de Psicologia, Enfermagem, Comunicação Visual e Engenharia também tinham fraudadores. E outras possíveis fraudes nos cursos de Odontologia, Direito e Química estão sendo melhor apuradas.

Informações: Isto É

Representatividade negra e trans: A série “Pose” deve ser assistida por todos

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Foto: Reprodução/Netflix

Pose é uma série dramática norte-americana, que estreou em 3 de junho de  2018 na FX, a série fala sobre o cenário LGBTQIA+  negro na cidade de Nova Iorque.  A sua popularidade no Brasil se deu após estrear na Netflix em 28 de setembro de 2019. Logo no mês de estreia a série se tornou patrimônio cultural da comunidade LGBTQIA+ brasileira e norte-americana.

Embora tenha sido muito premiada e muito contemplada em diversos países, a série ainda não tem a atenção merecida, por isso, nós reunimos 4 motivos para você começar a assistir Pose na Netflix:

UM MARCO NA CULTURA POP:

Além da predominância negra, Pose entrou para a história por ter o maior número de pessoas trans trabalhando na série, são mais de 50 pessoas, na frente e atrás das câmeras, envolvidas na produção e preparação de elenco. Isso é inédito, uma vez que as oportunidades de trabalhos para pessoas trans é inexistente o que leva grande parte da comunidade à prostituição por falta de uma única oportunidade.

ATUAÇÕES DE TIRAR O FÔLEGO:

No que diz respeito a atuação, você estará bem servido, o elenco é magnífico, de uma compreensão artística absurda, você terá a oportunidade de ver,  Dominique Jackson, MJ Rodrigues, Angelica Ross,  Indya Moore dentre  outras dando um show de atuação, além do maravilhoso Billy Porter que se tornou o primeiro homem assumidamente gay a ganhar um prêmio Emmy na categoria ‘’ melhor ator em série dramática’’ em 2018.

 REPRESENTATIVIDADE NEGRA E TRANS:

Nem todas as pessoas negras/trans que estão na televisão é uma representatividade negra/trans. Quando falamos em pessoas trans na televisão, a experiência é quase nula, afinal, o que acontece na grande maioria dos casos são atores cisgêneros encarnando a personagem travesti e tirando a oportunidade de atrizes travestis, além disso não ser uma representatividade, chamamos de ‘’transfake’’, o ato de atores cisgêneros interpretar papel de pessoas trans/travestis.

Quando falamos de pessoas negras na televisão, a experiência é quase dolorosa, só vamos ter uma grande quantidade de pessoas negras contratadas quando o enredo envolver escravidão. Pose fala de dor mas também de muitas alegrias, de beleza, encontro, arte, estilo. O racismo e a transfobia pode unir esses corpos, mas existe diversidade nas narrativas, Angel (Indya Moore)  é uma personagem que sonha em ser uma grande modelo, Blanca (MJ Rodrigues) está por enfrentar um dos maiores vírus de todos os tempos enquanto ajuda seus filhos a trilhar o caminho, somos múltiplas, nos definir em uma única narrativa é colaborar com a nossa desumanização.

NECESSÁRIA PARA TODAS AS PESSOAS  CISGÊNERAS:

Todas as pessoas cisgêneras deveriam assistir Pose, pois a ideia é humanizar as nossas narrativas, pessoas cis-aliadas na tentativa de apoiar nossas vidas acabam caindo em um grande erro que é a cristalização – não vou discordar porquê ela é travesti, mesmo quando o assunto não diz respeito a questão de gênero. Isso é um problema e acaba construindo aquele imaginário colonizador da travesti ‘agressiva’ ‘mal-educada’ a cristalização de qualquer corpo nunca é legal, é a mesma coisa de ser ‘café com leite’ na brincadeira de pega. Pose mostra pessoas trans, acertando, errando, fazendo piadas de mal gosto, o nosso pior e o nosso melhor, pois o ser humano é assim. É recomendado para pessoas cisgêneras, pois a ótica dessas pessoas sobre o nosso corpo poderá mudar, pois, elas irão enxergar a humanidade e a fortaleza que existe em nós.

“Monstro”: Em suposto áudio vazado, Boninho ignora ataques sofrido por Lucas

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O brother Lucas saindo da casa do BBB21 - Reprodução Globo

E o BBB21 trás mais um motivo para acabar com o nosso sossego. O brother Lucas Penteado desistiu do programa nessa manhã de domingo (7/02), após a contestação da sua bissexualidade, depois do artista ter beijado Gilberto na festa de sábado.

Em um áudio que circula na Internet, Boninho e Projota conversam sobre Lucas. Boninho se refere a Lucas como “moleque” o tempo todo e diz que não sabia sobre os problemas que jovem artista tinha com a bebida. “A gente descobriu só depois que ele tava aí, que ele tinha problema com bebida. Ele tá aqui, tá tranquilo, tá outra pessoa. É por isso que ele queria sair. Ele omitiu da gente que ele tinha problema com bebida. Essa festa era a última chance dele se comportar. Ele é um moleque gente fina, mas na hora que bebe vira um monstro”, disse o diretor do programa.

“Essa festa era a última chance de ele se comportar”, disse Boninho a respeito da festa Holi Festival. Boninho pediu para Projota relaxar por que a produção conversaria com Lucas. “O moleque é de boas, bebia e virava Gremlin”, comentou o poderoso da Globo .

Em nenhum momento da conversa , pelo menos do trecho vazado, Boninho atribui as crises emocionais de Lucas ao fato dele ter sofrido pressão psicológica diariamente desde a primeira festa da casa. Lumena, Karol Konká são as protagonistas de ataques verbalmente violentos que resultaram na desistência de Lucas que saiu hoje do programa.

Falar com os brothers sobre comportamento e estratégias de como a produção vai lidar com questões emocionais dos participantes certamente é uma maneira de controlar as narrativas de tudo o que a gente assiste.

Vaquinha

A família de Lucas emitiu uma nota sobre campanhas criadas para para arrecadar dinheiro para o ex-bbb.

Agradecemos a rede de afeto em torno do ator Lucas Penteado. Ele encontra-se bem e, em momento mais oportuno, se pronunciará em relação às demandas da imprensa.Sobre vaquinhas virtuais, informamos que a única autorizada pela família é a da Instituição Desabafo Social.

Para doar : https://benfeitoria.com/lucaskoka

“Iemenjá é preta” e a negritude sensorial de Larissa Luz

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📷 @gspalha Direção de arte e acessórios de vidro : @viniciussa.art

Entrevista e texto: Camilla Prado
Edição: Silvia Nascimento

Larissa Luz é cantora, compositora, atriz, produtora, curadora, ativista e empresária. Morando em São Paulo, a multiartista baiana é feita de muitas Larissas dentro de uma Larissa. Mulher intensa, retada e que faz acontecer. Já lançou três discos ao longo dos seus 10 anos de carreira – Mudança (2012), Território Conquistado (2016) e Trovão (2019), interpretou Elza Soares no musical Elza, fez a curadoria da primeira edição do Festival Afropunk, foi protagonista e responsável pela co-criação da campanha da Avon “Essa é minha cor” e segue calibrada para os passos que vem por aí.

Essa semana, no dia de Iemanjá (02/02), Larissa lançou o single “Iemanjá é Preta”, uma letra linda e forte. Não resistimos e a convidamos para uma resenha em Salvador, em sua casa, no aconchego, na poesia e na bossa do Rio Vermelho.

Mundo Negro ( Camilla Prado) – Lari, “Iemanjá é Preta” tem uma letra forte e necessária, pois para lembrar a todos que por mais que tenham imagens de Iemanjá como uma mulher “branca”, ela é um orixá de nossa ancestralidade, da África, assim como os outros orixás, ou seja ela é uma mulher negra. Como surgiu o processo de composição dessa canção? E como estão sendo os resultados do clipe?


Larissa Luz – Eu já venho pensando sobre isso há muito tempo, já tenho isso na minha cabeça. Falar sobre isso já é uma urgência pra mim há muito tempo. Há muitos anos eu vejo se repetir uma imagem de uma Iemanjá que não faz sentido, já que estamos falando de um orixá, de uma entidade que tem uma história, uma origem africana. Por que ela é branca? A gente sabe na verdade o porquê mas, eu não via o reflexo desse pensamento, de quem estava já tendo lucidez acerca disso na prática sobre isso, não tava vendo as coisas se transformarem na prática, então, usando a arte que é a minha ferramenta de protesto, minha ferramenta de transformação e esse ano, como não teve a festa em si (devido às adversidades que estamos atravessando ), me senti ainda mais motivada de trazer essa pauta, até como um presente. Essa seria minha oferenda, já que a gente não tem como ir lá e fazer o festejo físico, eu pensei de que maneira Iemanjá poderia se sentir contemplada e homenageada.

Ela deve pensar: “Eu não sou essa.. eu não sou branca, não tenho cabelo liso e nariz fino”.
Longe de ser a justiceira dos orixás, mas aqui nesse mundo físico, podemos usar o que a gente tem de uma forma respeitosa pra promover transformações significativas. Existe uma revolução estética – cor da pele, traços. Estamos falando de imagem, de representação, não é sútil, não é uma bobagem representatividade.

E como as pessoas receberam esse novo trabalho?
A repercussão do vídeo foi muito boa. Muitas pessoas ficaram aliviadas de verem aquilo ali ser dito e propagado dessa maneira porque eu sinto que tem muita gente que tem muitas coisas presas ali dentro, que não tem talvez tempo, ímpeto, energia pra se envolver, pra questionar ou alcance.. então eu senti que tinham muitas vozes, muitos pensamentos, muitas pessoas pensando a mesma coisa, mas que isso ainda não tinha sido condensado de uma forma que pudesse ecoar e ter uma reverberação grande pra começar uma transformação.. a ideia começa a se propagar mais, começando uma revolução de pensamento, as pessoas vão começando a se transformar por dentro, para aí então, virar uma atitude. O que fiz é um movimento, um passo a mais, na direção dessa transformação pra gente começar a reivindicar o que é nosso.

📷 @gspalha

Você tem um papel de uma artista que traz muitas provocações. “Bonecas Pretas” e “Não tenha medo de mim” são músicas reflexivas e traduzem os nossos sentimentos, a nossa experiência. Muitas de nós carregam dores, rejeições, carências, falta de amor e afeto. Quantas de nós nunca se enxergou ou se sentiu representada, nunca recebeu um carinho no cabelo ou qualquer atitude um afeto? Como isso reflete em você? Como você enxerga as relações?
Eu tô aprendendo também. A música é um reflexo do meu processo de aprendizado e da minha vontade de fazer com que isso seja uma realidade, sem utopia, sem achar que vai acontecer igual acontece nos contos de fada com príncipe encantado (risos), eu tento não romantizar. Humanizar as mulheres pretas e os homens pretos e entender que a gente tem um monte de ferida e um monte de questão e quando a gente se encontra pra equacionar, organizar. Esses dois lados machucados é uma demanda e precisa ter vontade, imersão, paciência, entrega.

Como você enxerga as relações não afrocentradas?
Eu acho que os homens pretos passam por coisas que a gente não passa, óbvio.
Não passamos por situações de julgamento que eles passam, como andar na rua e ver uma pessoa atravessando a rua porque acha que vai ser assaltada. Ou tem dificuldade em pegar um táxi. O homem preto vem com uma ferida muito profunda, que eu não vou saber dizer, porque eu não sinto. Assim como eles também não sabem das nossas pautas profundamente, eles só sabem e o que a gente sente, então começa daí. Aí eu acho que faz sentido na relação com a mulher branca como um troféu, porque eles não tinham acesso, e não só não tinham acesso como eram condenados e muitas vezes inclusive, alvejados, injustamente, apenas porque eram pretos. Eu não condeno os homens que se relacionam com mulher branca, pois isso é de muito tempo, isso vem de uma construção de base e não sei o que é passar por isso, ser perseguido dentro de uma loja.

Acho que a gente precisa começar a entender, tanto para os homens como para as mulheres. as mulheres também veêm, pra mim, esse lugar de salvação, porque como os homens pretos já estão com as mulheres brancas, agora então a gente vai sobrar quem pra amar, gente? então vem um homem branco querendo amar a gente, que quer ser amada.. então vira um ciclo, onde pra mim eu vejo funcionando perfeitamente a eugenia, um projeto implantado há anos, dando certo até hoje, que é uma política de embranquecimento da população. Vamos misturar. Todos os caminhos param aqui: no fim da nossa comunidade, do nosso povo. Porque a eugenia era um projeto que não era nem pra ter mais preto aqui… embranquecendo embranquecendo, até não ter mais. Acho que essa é uma questão que precisa ser pensada com cuidado porque não é simples, mas também tô tentando refletir como a gente vai resolver, vai solucionar isso. Porque também não é digno a gente julgar os pretos e pretas que estão querendo um pingo de afeto, que passaram a vida inteira mendigando afeto, pedindo pelo amor de Deus para receber um cafuné porque os caras não querem meter mão nos cachos, no cabelo crespo. Muitas mulheres não sabem o que é um cafuné, Tia Má falou isso, e mexeu muito comigo. Então, quando essa mulher vai lá e acha um homem branco que está disposto, eu não posso condenar ela.

Fabrício Boliveira com Larissa Luz no clipe “Não tenha Medo de Mim” – Foto: 📷 @caiolirio

E, aproveitando que estamos falando em dar voz, em adentrar espaços.. vamos falar da potência Elza Soares? No musical “Elza” emocionou e impressionou a todos nós com a personificação de tamanha semelhança com Elza Soares.
Como é a artista, a pessoa Larissa Luz depois do musical Elza, depois desse mergulho?

Eu falo que sou “antes de Elza e pós Elza, divido meus momentos”. Eu passei muito tempo imersa, ensaiava 11 horas por dia, chegava em casa e assistia a entrevistas, entrevistas e biografias. Eu conversava com ela, olhava nos olhos dela e pensava “meu Deus, eu vou interpretar ela! Muito frio na barriga! No primeiro dia ela foi assistir, eu fiquei toda cagada (risos), porque tocar em assuntos tão delicados assim, com “a mulher” ali na sua frente, vendo você fazendo ela, o empresário dela disse que ela apertava o braço dele e dizia “meu Deus sou eu!”, ela ficou chocada, apertou meu braço e disse “sou eu, sou eu!”. Eu queria que ela sentisse isso!

A princípio, nem era uma demanda, nem era uma exigência fazer “Elza”, fazer o timbre de Elza, estar parecida.. mas comecei a estudar, a pesquisar ela, a cantar as músicas, e percebi que queria que ela me olhasse no palco e sentisse que ela estava ali, que era ela, em 3D. É tão raro a gente fazer homenagem com o artista em vida, poder contar uma história pra ela se ver, parecida. Quis, tentei e a diretora falou que eu estava parecida e resolvemos assumir. Até os olhos puxados, que os meus já eram, puxamos mais. O que mais mudou na minha vida depois da história dela foi a minha capacidade de enxergar e encarar os problemas. Toda vez que eu tinha qualquer questão e que eu ficava pensando “o mundo vai se acabar”, eu parava e me lembrava de Elza e pensava “o mundo não vai se acabar, você é muito maior do que isso, levante porque você pode, se Elza pode, você pode!”. O que ela passou na vida, o que enfrentou, o que superou, atravessou para estar aqui hoje viva, fazendo música, fazendo disco. Eu não conheço nenhum ser humano que chegou nesse ponto, não conheço ninguém de perto. O que ela passou fisicamente e emocionalmente, era de perdas profundas: perder filho pra fome, perder filho de acidente de carro, de perder mãe num acidente provocado pelo marido, de ser agredida fisicamente pelo marido e emocionalmente pela sociedade por ter se relacionado com o marido. Ela condensa na história dela a história de muitas mulheres pretas, a história dela é realmente um canal pra trazer a tona todas essas mazelas sofridas pelas mulheres pretas periféricas, principalmente, porque são as que mais recebem a rebordosa dessa sociedade cruel. Fiquei muito mexida mesmo.

Sim, Larissa é tudo isssooooo!
Uma potência!

Encerro essa entrevista com uma aspas de Larissa que resume tudo que ela é “Quando percebo o tamanho da disparidade, das injustiças.. fico pensando que a gente precisa realmente se juntar e fazer coisas […] Podem me chamar de monotemática, mas vou passar o resto da vida falando disso”.

Macassá: a erva africana que carrega o cheiro do mundo

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Foto: Divulgação Aline Chermoula

Macassá é uma erva de origem África, mais precisamente da Nigéria, Sudão do Sul, Quênia e norte da África do Sul, mas que foi introduzida aqui na cultura brasileira, durante o processo de colonização, como muitos outros alimentos.
Ela é comumente utilizada em rituais religiosos, banhos de atração, purificação e curativos, na forma de banhos e maceradas com outras ervas aromáticas. Por seu aroma extremamente agradável, é muito utilizada também na indústria de cosméticos, na fabricação de perfumes e água de colônia, e na aromaterapia.

Ainda possui diversas propriedades medicinais e pode ser usada para aliviar dor de cabeça (embora algumas pessoas em contato com a planta sintam dor de cabeça), infecções na pele e nos olhos, febre de criança e no tratamento da epilepsia e derrame.

Atualmente o Macassá é considerado uma Panc (Planta Alimentícia não Convencional), mas há muito tempo leva qualquer caldo, sopa ou creme a outro patamar. O aroma de coco com baunilha possibilita que ela seja usada como substituta da baunilha também em pratos doces.

Veja uma receita super simples abaixo:

Sorvete de Macassá
500gr de inhame
250ml de leite
2 gemas
Açúcar a gosto ou leite condensado
1 ramo de Macassá

Como fazer
Descasque o inhame e cozinhe. Ferva o leite, retire-o do fogo e deixe o Macassá neste leite por alguns minutos. Bata no liquidificador o inhame cozido, as gemas e o leite sem o Macassá. Adoce a gosto, com açúcar ou leite condensado. Coloque em um recipiente e leve ao freezer por 12 horas. Se tiver sorveteira, colocar na sorveteira até engrossar. Retirar 10 min antes de servir.

Para cultivar é bem simples. Como é uma planta rústica, não precisa de muitos cuidados. Pode ficar sob sol pleno e em substrato levemente arenoso.
Você encontra ela pelos seguintes nomes:
Nome científico: Hyptis mollissima Benth.
Nomes populares: Macaçá, Macassa, Catinga de Mulata, Bergamotinha e Taia.

Quer outra receita? Veja abaixo:

Arroz doce com macassá
1 garrafa de leite de coco
1 xícara de arroz tipo japonês
3 e 1/2 xícaras de água
7 folhas de macassá
2 colheres de açúcar
2 sementes de cumaru (opcional)

Arroz doce com macassá – Foto Divulgação

Modo de preparo: aqueça o leite e a água em uma chaleira. Deixe ferver, desligue o fogo e coloque as folhas de macassá e o cumaru. Tampe e deixe descansando por 15 minutos. Coe este preparado e coloque o líquido em uma panela. Adicione o arroz e o açúcar. Deixe ferver em fogo médio a baixo, mexendo de vez em quando. Quando o arroz estiver mais seco mexa constantemente. Se necessário, coloque mais água. Sirva quente ou frio.

Fonte para esse texto:

Plant Resources of Tropical Africa (PROTA4U): Aeollanthus suaveolens – Acesso em 6 de março de 2016
Mansfeld’s World Database of Agricultural and Horticultural Crops (2001): Aeollanthus suaveolens – Acesso em 6 de março de 2016
Química Nova (2007): Chemical composition and antimicrobial activity of the essential oil from Aeolanthus suaveolens – Acesso em 6 de março de 2016
Biblioteca Virtual da Fundação de Amparo a Pesquisa (FAPESP, 2009): Cultura de Aeollanthus suaveolens como fonte de precursor biossintético – Acesso em 6 de março de 2016
Associação Brasileira de Química (2007): Composição química de A.suaveolens por SPME – Acesso em 6 de março de 2016
Sabor de Fazenda: O perfumado macassá – Acesso em 6 de março de 2016
Imagem: Arquivo Científico Tropical Digital Repository – Acesso em 6 de março de 2016
The Plant List: Aeollanthus suaveolens – Acesso em 6 de março de 2016

Documentário “Matéria de Cinema” fala sobre questão de lixo nas comunidades

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Foto: Reprodução

Atravessado pela questão do lixo nas comunidades, média-metragem de Beatriz Ohana estreia trazendo relatos das crianças da comunidade Independência, de Petrópolis (RJ). 

No dia 14 de Fevereiro, às 15h, o documentário será lançado em uma sessão virtual exclusiva. “Matéria de Cinema” é o primeiro documentário de Beatriz Ohana e sua produtora, a Engenhoca Filmes, que tem patrocínio do Estado do Rio de Janeiro / Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Governo Federal através da Lei Aldir Blanc. 

O média-metragem mostra toda a trajetória do projeto, desde quando era um cineclube no Centro Educacional Comunidade São Jorge até a criação de uma formação audiovisual para os alunos. A experiência inédita culminou na realização do curta ficcional “A incrível aventura das sonhadoras crianças contra Lixeira Furada e Capitão Sujeira”, que teve o roteiro desenvolvido a partir da visão das crianças sobre o maior problema que detectaram no bairro: o lixo. 

“O projeto se engajou no contexto social dos alunos, com o objetivo de entender suas dores e sonhos para, então, transformá-los em filme. Crianças de 08 a 14 anos que nunca haviam tido contato com o fazer cinematográfico passaram por toda a parte de formação audiovisual, trabalhando ainda questões sérias a respeito do lugar onde moram e a visão que possuem sobre aquele espaço”, relembra Beatriz que, até então, nunca havia desenvolvido um projeto para crianças.

 “Foi surpreendente. Elas passaram a pensar mais no cuidado com os espaços do bairro e com o planeta. Acredito que o processo de formação artística está diretamente ligado ao desenvolvimento do pensamento crítico e a formação cidadã”, destaca a cineasta, cuja ficção já ganhou quatro prêmios. 

O lançamento do documentário terá transmissão simultânea pelo YouTube e pela página do Facebook do Cine Pagu no dia 14 de Fevereiro das 15h às 18h e contará com a presença de uma intérprete de libras, tornando o conteúdo mais democrático e inclusivo. Paralelamente, Beatriz ainda inaugura a plataforma cinepagu.com.br onde será possível que professores e estudantes de todo o Brasil agendem sessões de ambos os filmes em suas próprias escolas. 

“O site terá também informações do projeto e dados dos filmes, como ficha técnica, fotos, trailers, curiosidades e extras. A ideia é que a história das crianças chegue a diversos lugares. Disponibilizar os filmes para outras realidades geográficas e escolares através de acesso remoto gratuito é um incentivo para que as próximas gerações também comecem a pensar na questão ambiental como algo grave e urgente”, complementa. 

Comprometida com a região onde vive e desenvolveu o projeto, Beatriz ainda distribuirá kits por 62 escolas estratégicas da rede municipal de ensino de Petrópolis. Cada escola receberá um pen drive com o documentário e o curta completos, além de um material especial de apoio para realização de debates e atividades. “O cinema pode ser uma excelente ferramenta para oportunizar acesso a informações e conteúdos que normalmente não chegariam a determinados lugares, seja por questões geográficas, culturais ou econômicas. Nós, do Cine Pagu, sonhamos com uma realidade onde o cinema seja utilizado em cada escola e em cada bairro dos cantões desse país, onde o audiovisual comece um novo capítulo da nossa história. Uma história que incentiva formações e propicia o conhecimento do fazer artístico de forma democrática. E é exatamente sobre isso que o documentário irá falar”, finaliza. 

Programação: Exibição dos dois filmes seguida de conversa com as crianças, membros da equipe e nomes da área de cinema e educação. 

FIicha técnica: MATÉRIA DE CINEMA – 2021, 45 min, documentário

Direção: Beatriz Ohana Roteiro Beatriz Ohana Montagem Daniel Figueiredo Imagens adicionais e Correção de cor Mariana Rocha 

Sinopse: O filme conta a história do Cine Pagu na Escola, um projeto realizado em 2019 com 43 crianças de 08 a 14 anos do Centro Educacional Comunidade São Jorge, na comunidade da Independência, em Petrópolis (RJ). A partir de imagens de bastidores de todo o processo e relatos da equipe e das crianças participantes, o documentário apresenta o projeto desde o início, quando ainda era um cineclube na escola, até a criação da formação audiovisual, que durou seis meses e culminou na realização do curta “A incrível aventura das sonhadoras crianças contra Lixeira Furada e Capitão Sujeira”, que vem sendo exibido e premiado em diversos festivais de cinema dentro e fora do Brasil. 

Sobre Beatriz Ohana: é produtora e cineasta. Graduanda em Artes Visuais, estudou Montagem e Edição na Escola de Cinema Darcy Ribeiro e na Academia Internacional de Cinema (AIC), onde também cursou Produção Executiva.

Chiwetel Ejiofor vai estrelar nova versão de “O Homem Que Caiu na Terra”

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O premiado ator Chiwetel Ejiofor vai estrelar a nova versão de “O Homem Que Caiu na Terra” produzida pela Paramount+. O título, que agora chega no formato de série, foi adaptado para os cinemas em 1976 por David Bowie.

Ainda sem previsão de estreia a série é inspirada no romance de Walter Tevis. A trama acompanha um alienígena que chega na Terra em um momento decisivo da evolução humana e deve enfrentar seu próprio passado para determinar o futuro da humanidade.

Ejiofor já foi indicado ao Oscar e ao BAFTA na categoria de Melhor Ator pelo filme “12 Anos de Escravidão“. Recentemente escreveu e dirigiu o elogiado filme da Netflix “O Menino Que Descobriu o Vento“.

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