A Frente Nacional Antirracista, representada pela EDUCAFRO e mais o Centro Santo Dias de Direitos Humanos e Odara Instituto Mulheres Negras, protocolaram no dia 12 de maio, no Tribunal do Trabalho, a primeira ação civil pública da história em que se busca a erradicação do racismo estrutural no ambiente de trabalho no Brasil.
A ação terá como como réu o grupo Atakadão Atakarejo da Bahia, motivada pela morte de Bruno Barros da Silva, de 29 anos, e seu sobrinho Ian Barros da Silva, de 19. Após a dupla, supostamente, ter furtado peças de carne, foram entregues pela segurança do supermercado para traficantes do bairro de Amaralina, em Salvador. Os corpos foram achados no porta-malas de um carro com marcas de tiro e sinais de tortura.
Tio e sobrinhos foram entregues a traficantes após suposto furto de carne (Imagem: Redes Sociais)
As entidades afirmam que “somente um ambiente de trabalho contagiado pela violência racial, permite que empregados recebam ordens para levar pessoas negras para execução”.
A intenção da ação é que medidas contra o racismo sejam tomadas, por exemplo a presença de negros em todos os graus de hierarquia da empresa com a proporcionalidade que reflita a presença preta na sociedade brasileira, além de treinamento focado na aprendizagem dos Direitos Humanos por parte dos funcionários.
Junto às medidas citadas, as entidades intencionam pedir uma indenização de R$207 milhões de reais para serem convertidos em bolsas de estudos para população negra.
Tentamos falar com o Frei Davi, coordenador da EDUCAFRO, mas até o fechamento dessa matéria não conseguimos contato.
Se o que sustenta a beleza é cara, como já brinca Camilla de Lucas a boca é uma parte do rosto bem importante, ainda mais para nós, pessoas negras que temos lábios mais grossos (que tem gente que gasta uma grana para copiar).
Falta de hidratação, alimentação errada, batons ruins são alguns dos fatores que podem comprometer a beleza e a maciez da nossa boca.
Voltando na Camilla , após sair do BBB , a influenciadora passou por um procedimento estético chamado Pump Lips, que pode ser feito somente em clínicas. Resumidamente se trata em uma esfoliação para remover peles mortas e logo em seguida é feita uma potente hidratação.
Foto: reprodução/Instagram
“Esse tipo de procedimento tira esses vincos que aparecem quando o lábio fica ressecado. Eles ficam mais naturais, revitalizam, dão uma nova vida para o tecido”, explica a esteticista Carla Nunes especialista em pele negra que diz que a boca pode chegar até ter um aspecto natural de que acabou de passar gloss.
Mesmo não tendo os resultando dos tratamentos feitos por profissionais, dá para ter bons resultados com técnicas caseiras.
Segue uma dica:
ESFOLIANDO use açúcar refinado ou mascavo, mel e um óleo vegetal, como o de coco, por exemplo. Faça uma pastinha com essa mistura suficiente para você massagear seus lábios. Pessoas negras tendem ter a pele bem delicada quando a boca é bem grande e carnudona, então faça movimentos circulares, mas sempre de forma delicada.
HIDRATANDO Depois de esfoliar e lavar, seus lábios estão implorando por uma hidratação. Ela pode ser feita bom bepantol, manteiga de cacau ou qualquer hidratante facial da sua preferência.
Sabe a receita do quindim? Doce afro-brasileiro feito pelas mãos das mulheres pretas escravizadas e levadas para a cozinha da casa grande e que, com criatividade, adaptaram a receita do “Brisas do Lis” que, na ausência da farinha de amêndoas, utilizaram o coco, que já era abundante, fazendo com que Quindim fosse brasileiro!
Mas se diz que a palavra quindim é de origem africana, provavelmente pertencente à língua quimbundo. Então podemos concluir que o quindim é um doce feito inspirado na receita portuguesa (brisa de lis) com nome africano, mas criado no Brasil por negras africanas escravizadas. É brasileiro, enfim.
Para fazer quindim, é preciso seguir a técnica à risca.
SEPARE: 12 gemas1 xícara (chá) de coco fresco ralado fino (cerca de 100g)
1 ½ xícara (chá) de açúcar
3 colheres (sopa) de manteiga derretida
Manteiga e açúcar para untar e polvilhar a fôrma
Preparo: Derreta a manteiga e, numa vasilha, misture-a ao coco e ao açúcar. Cubra com filme e deixe descansar na geladeira por 1 hora (descanso NECESSÁRIO!)
Enquanto gela, coloque uma peneira sobre uma vasilha média e, numa tigela pequena, quebre um ovo de cada vez.
Use um garfo para furar as gemas e deixe o líquido escorrer para a vasilha. Passe delicadamente as costas de uma colher pela peneira para agilizar o processo, mas sem pressionar demais – peneirar as gemas serve para eliminar a película.
Imagem: Aline Chermoula
Passado o tempo de descanso, retire a mistura de manteiga, coco e açúcar da geladeira, junte as gemas peneiradas e misture com uma espátula para incorporar.
Preaqueça o forno a 180°C.
Unte generosamente com manteiga uma fôrma de 18 cm de diâmetro com furo no meio. Polvilhe com açúcar para cobrir bem a superfície e ainda sobrar uma camadinha fina no fundo da fôrma.
Transfira a massa do quindão para a f̂orma untada. Cubra o fundo de uma assadeira com um pano de prato dobrado, coloque a fôrma do quindão sobre o pano, leve ao forno e, só então, preencha a assadeira com a água fervente até cobrir metade da fôrma.
Deixe assar por cerca 1h30, até a superfície do quindão ficar levemente dourada e sequinha. Para garantir o ponto, espete um palito: ela deve ter uma leve resistência, indicando não estar mais líquida.
Retire do forno e deixe amornar por cerca de 30 minutos, desenforme ainda morno!
Esta mesa não montei hoje, mas ficou tão linda que decidi publicar, o que você achou?
O seu dia pode começar com o Bom dia, Brasil (Globo), apresentado por Heraldo Pereira e terminar com Aline Midlej, na apresentação do Jornal das Dez (Globonews). Os dois jornalistas entregam muito quando o assunto é notícia, análise, profissionalismo em comunicação, além de demonstrar sensibilidade na medida em relação a pautas de Direitos Humanos e da população negra, estabelecem maior representatividade em horários nobres desses tradicionais canais.
A troca de turnos é mútua nessa dança das cadeiras nas Organizações Globo. Heraldo Pereira passou quase quatro anos entrando ao vivo na apresentação do telejornal que começa às 22h, enquanto Aline Midlej completou cinco anos como âncora da Edição das 10 da manhã, ambos na Globonews.
Quem já acompanhava Heraldo Pereira à noite, pode acordar vendo sua atuação na bancada do Bom Dia Brasil, direto de Brasília. Os fãs do telejornal noturno que ele conduzia não ficam órfãos, pois a Aline Midlej passa a conduzir o Jornal das Dez, que se destaca por trazer o noticiário de política, com um time de analistas experientes e com fontes estratégicas.
A Direção de Jornalismo da Globo, em comunicado oficial, destacou qualidades de ambos profissionais e momentos de sua trajetória, até essa troca anunciada nesta sexta-feira (14): Sobre Heraldo Pereira: “Antes de assumir o J10, Heraldo passou pelo Jornal Nacional, tanto na reportagem quanto na apresentação aos sábados, cobriu a Copa do Mundo da África do Sul e foi comentarista no Jornal da Globo, onde se destacou por trazer no fim da noite sempre um aspecto novo da principal notícia do dia. Como repórter, ao longo de quase quarenta anos de profissão, cobriu em Brasília todos os eventos que marcaram a nossa História recente. Agora leva essa bagagem para o Bom dia Brasil” (via G1)
Sobre Aline Midljej: “Aline chegou à Globonews há cinco anos para ancorar o Edição das 10 da manhã e nesse período consolidou a liderança de audiência do canal no horário. Trouxe na bagagem um Prêmio Vladimir Herzog na categoria reportagem de TV. E por aqui mostrou grande versatilidade à frente de um jornal sempre quente, exibido enquanto os fatos ainda estão se desenrolando, mostrando incrível agilidade para transitar por uma larga gama de assuntos” (via G1)
As datas de início dessa nova fase ainda não foram divulgadas. Certamente, são novos desafios – algo que jornalista, geralmente, gosta muito – para os quais ambos já demonstraram estar à altura. Vamos acompanhar!
Tayane Nunes, Flávia Oliveira, Uila Gabriela e Bianca Campos formam o Espaço Ori.
Será que as questões levadas por pacientes para os consultórios de psicologia e psicanálise têm correlação com as experiências de raça, gênero e classe social dos pacientes? O Espaço Ori, criado por quatro psicólogas e psicanalistas negras de Brasília, acredita que sim. Por isso, está oferecendo o curso Racismo, Capitalismo e Psicanálise voltado a profissionais da área.
“É uma tentativa de construir uma psicanálise que consiga dialogar com os aspectos sociais e políticos. Existe um debate corrente sobre a necessidade ou não de estabelecer pontes sólidas entre o sujeito da psicanálise e o sujeito como é conhecido nas ciências sociais. Nós nos posicionamos nisso afirmando esta necessidade, que tem aparecido como falta ou carência de gramática entre profissionais que escutam experiências racializadas na clínica”, explica Bianca Campos, que vai ministrar o curso, ao lado de Flávia Oliveira.
Bianca é psicanalista, psicóloga e pesquisadora de relações raciais na clínica. Flávia é psicóloga, mestre em psicologia clínica e cultura pela Universidade de Brasília, com foco em saúde mental e trabalho, raça e gênero.
PÚBLICO-ALVO — Pode se inscrever no curso qualquer profissional interessado na temática. “Convidamos pessoas que estudem, trabalhem ou se interessem de alguma forma pela psicanálise como ferramenta de compreensão desses complexos que são o racismo e o capitalismo. Existem leituras múltiplas sobre estes temas e aqui a ideia é produzir um olhar pro fenômeno a partir dessas lentes”, explica Flávia Oliveira.
O curso é dividido em três módulos ofertados em encontros semanais com duração de duas horas às quintas-feiras de 19h às 21h, iniciando na primeira semana de junho. A cada cinco pessoas inscritas, vai ser oferecida uma inscrição gratuita, para quem informar a necessidade no ato da inscrição.
ESPAÇO ORI — Ori significa cabeça no idioma yorubá. Mas se refere não apenas à cabeça física, como também aos aspectos emocionais e espirituais da consciência. Em Brasília, é um espaço criado a partir das potências de mulheres negras que entendem este lugar como espaço simbólico de acolhimento, trocas, afeto e revolução.
“Somos um consultório no meio da capital do Brasil, um lugar muito indigesto para a população negra e periférica do Distrito Federal, mas esperamos que nossa presença ativa ajude a humanizar este espaço. Somos um espaço de atendimento e formação conjunta entre nós profissionais e a partir desse encontro, desejamos ampliar a rede de profissionais da psicologia e psicanálise que pensam relações raciais em suas práticas”, explica Tayane Nunes.
Síndrome da Senhorita Morello é a ânsia de uma pessoa branca, que até reconhece seus privilégios, se reconhece nele, mas não consegue entender que pessoas pretas podem ser tão inteligentes e capazes de ter uma vida tão plena quanto uma pessoa branca. Pessoas que se comportam como a Senhorita Morello, professora do Chris na série “Todo Mundo Odeia O Chris” acham que são superiores, seja moral ou psicologicamente e por isso se atribuem o papel de salvadores.
Esse tipo de comportamento, se traduz, por vezes, na postagem fotos de meninos de rua com uma legenda em alerta para seu trabalho de caridade. É aquele fotógrafo que ganha prêmio explorando a fome nos países do continente africano, mas pouco faz para trazer à tona o debate da culpa dos colonizadores.
Na série, a professora do Chris costuma repetir frases que refletem o lugar comum com que os brancos olham para os negros, tendo dificuldade em reconhecer que pessoas negras podem fazer parte de uma família funcional e conseguir empregos que não sejam empregados nas casas dos brancos. Em determinado momento ela diz para o ex-presidiário: Malvo: “Com educação apropriada você poderia fazer tantas coisas! Você poderia ser lixeiro, motorista do carro do lixo, recolher o lixo do carro do lixo, uma lista infinita. ”
Em outro diálogo da série temos um exemplo da visão da Srta Morello sobre o protagonista: – Chris, se você tivesse um pai. Chris: – EU TENHO UM PAI! Prof Morello: Se você soubesse o nome dele!
Senhorita Morello sempre fascinada pela cultura africana
Outra característica é achar que todo preto tem algum poder místico baseado em preconceito com religiões africanas. “Não é educado o senhor jogar sua macumba contra brancos”, diz Morello a Julius (Terry Crews). Não raro, essas pessoas sentem atração pelos corpos pretos. Enxergam de forma hipersexualizada homens e mulheres pretos, mas não acreditam que essas pessoas possam ter relacionamentos duradouros e cheios de afetividade.
É possível identificar o padrão de comportamento da Senhorita Morello em muitas pessoas que estão no campo progressista do espectro político. Ainda que não percebam, reproduzem uma visão estereotipada do que seria ter uma “vida de pessoa preta”. Muitas vezes essas impressões são debatidas dentro de uma bolha onde não se permite a entrada dos próprios negros, como se o indivíduo negro não pudesse ter uma visão válida do que seria a própria vivência em uma sociedade estruturalmente racista.
Depois dessa descoberta ela deduz se Juius é lixeiro ou cafetão
A Senhorita Morello, como muitas pessoas que detém acesso ao conhecimento, até viajam para África, usam turbantes, vestem as capulanas, se encantam com os artesanatos regionais e assim entendem que possam explicar a ancestralidade negra aos próprios negros. Algumas passagens hilárias da série envolvem a surpresa da professora quando confronta uma realidade diferente da que idealiza para comunidade preta.
Não se é uma acusação generalizada, mas uma tentativa de reflexão para entender essas dinâmicas que envolvem quem imagina sempre estar numa posição didática quanto à realidade do outro.
Você pode assistir a todos os episódios de “Todo Mundo Odeia o Chris” pela Amazon Prime Video.
Um fechamento: é como é considerado ‘Tina’, documentário sobre a vida da cantora Tina Turner, que já havia anunciado aposentadoria dos palcos em 2009. Dessa vez, a Rainha da Rock se despede da vida pública com mais um marco em sua carreira coroada de hits de sucesso, turnês mundiais com recorde de público, e inestimável contribuição para a cultura da comunidade negra. Afinal, rock’n roll é coisa de preto, baby!
O registro de quase 2h, dirigido por Dan Lindsay e T.J. Martin, foi lançado na HBO MAX no fim de março e só estará disponível no Brasil em julho, quando a plataforma será oficialmente lançada no país. Mas nós já demos uma espiadinha e mostramos em primeira mão 10 fatos sobre a história dessa mulher lendária que superou uma vida de abusos, alcançou o estrelato e deixou um legado no mundo.
1 – Entre algodões e corais
Tina teve uma infância e adolescência modestas em Nutbush, interior do Tennessee (EUA). Nessa época ainda era conhecida por seu nome de batismo, Anna Mae Bullock, e trabalhava com a mãe e irmãos nas colheitas dos campos de algodão. A diversão na cidade pacata era frequentar a igreja e cantar nos corais. Assim nascia uma estrela!
2 – Agarrando as oportunidades
Na vida adulta começou a frequentar clubes para assistir aos shows de soul music e rock’n roll. Quando o guitarrista da banda de Ike Turner (que viria a ser o seu marido) baixou o microfone para o público cantar, Tina agarrou a oportunidade e soltou o vozeirão, deixando todos boquiabertos. De espectadora, virou cantora principal, e o resto é história…
3 – Um furacão nos palcos
Autodidata é ela! Tina nunca fez aulas de canto ou dança, e possuía essas habilidades inatas em sua performance que chamavam atenção, numa época em que as cantoras eram mais comedidas no gestual. A musa chegou jogando as pernas e tremendo tudo com sua voz gutural e rascante, ofuscando seu parceiro Ike, e pavimentando oinevitável caminho de uma carreira solo e exitosa.
4 – Dizendo não a vida abusiva
Apesar do sucesso estrondoso, Tina vivia uma “vida de morte tortura”, como a própria destacou no filme. Foram 16 ao lado de Ike, sofrendo graves abusos que resultaram em marcas físicas e psicológicas (ela quase morreu ao tentar suicídio tomando vários medicamentos de uma só vez). Exausta e decidida a não mais sofrer violência, resolveu fugir e trilhar um novo capítulo para si. No seu divórcio, saiu apenas com o nome artístico, o qual foi batizado por Ike. Contudo, saiu com o bastante para dar a volta por cima.
5 – Nunca é tarde para (re)começar
Para sedimentar sua imagem como artista solo, Tina fez apresentações em bares, clubes, programas de TV, até conseguir contrato para lançar o seu primeiro álbum, ‘Private Dancer’, em 1984. Foi desacreditada por empresários que hesitaram em investir. Resultado? Vendeu milhões de cópias aos 45 anos de idade, e aos 50 fez uma das maiores turnês mundiais femininas. Isso que é um recomeço!
6 – Um dos maiores sucessos é cover?
“What’s Love Got To Do With It”, um dos maiores clássicos que rendeu um Grammy a Tina Turner, trata-se de uma regravação da banda Bucks Fizz. A cantora não gostou da primeira versão e, por pouco, não aceitou regravar por achar se tratar de uma música muito pop. Contudo, foi convencida a imprimir o “estilo Tina” de voz, e hoje quase ninguém conhece a versão original. Vrá!
7 – Recorde de público no Brasil
Sim, Tina esteve por aqui! Durante a turnê ‘Break Every Rule’ em 1988, ela fez um show no Maracanã para mais de 180 mil pessoas, realizando seu sonho de lotar estádios como uma grande estrela do rock. Lotou tanto que entrou para o Guinness Book com o feito de maior show já apresentado por uma cantora solo. Rainha faz assim, não é?
8 – Inspirando outras mulheres
Em 1986, Tina lançou o seu primeiro livro ‘Eu, Tina – A História de Minha Vida’ como forma de dar um ponto final à insistência da mídia em fazer perguntas e reminiscências sobre o seu passado de abusos. Apesar de ter conseguido o efeito contrário (o livro virou best-seller e os holofotes aumentaram, culminando na produção de um filme sete anos depois), Tina inspirou mulheres a falar sobre violência doméstica, assunto que era pouco abordado à época.
9 – A solidão da mulher preta
Um dos pontos mais emocionantes do documentário é quando a artista confessa em lágrimas, numa entrevista de 1985, que nunca viveu “uma história de amor”, e se indagou o porquê dos homens não enxergarem sua verdadeira beleza. O ponto de virada é que, naquele mesmo ano, ela encontraria Erwin Bach, seu grande amor, com o qual é casada e vive hoje na Suíça. O marido, inclusive, doou um rim à Tina em 2017, devido à luta da cantora contra a falência renal.
10 – O ato final
Depois da reclusão dos palcos, Tina brindou seu fãs com mais uma biografia “Minha História de Amor” (2018), onde fala sobre grandes desafios como as doenças enfrentadas, e o suicídio de seu filho mais velho, Craig Turner. Em 2019, a intérprete de ‘The Best’ prestigiou, em Nova York, a estreia de um musical sobre sua carreira e, agora, aos 82 anos, retira-se da vida pública com o lançamento deste documentário. Apesar das cortinas se fecharem, o aplauso à Rainha do Rock segue efusivo e eterno. Obrigado, Tina!
*Lucas de Matos é soteropolitano, 24 anos, Comunicador com habilitação em Relações Públicas (UNEB) e Pós-Graduando em Comunicação e Diversidades Culturais (Faculdade 2 de Julho). É poeta e apreciador da literatura.
Narrativas Negras é o nome da equipe formada por Eliana Alves Cruz, Estevão Ribeiro, Lidiane Oliveira (foto), Marton Olympio e Renata Diniz
Subverter expectativas quando se fala em narrativas negras, e ter nossas histórias contadas para o mundo todo, alcançando diferentes audiências. Estas são algumas metas da equipe “Narrativas Negras”, formada pela escritora Eliana Alves Cruz, pelo quadrinista Estevão Ribeiro, mais as roteiristas Lidiane Oliveira e Renata Diniz, com a coordenação do diretor e roteirista Marton Olympio. Assim chega ao cenário da comunicação brasileira a primeira sala de conteúdo para diversidade e equidade do VIS Américas (divisão da ViacomCB).
“Somos diferentes em gênero e origens, como realmente é a experiência negra no Brasil”, ressalta Eliana Alves Cruz, sobre a pluralidade sobreposta à grande diversidade que marca o grupo agora reunido, e que agrega formações, experiências e habilidades diversas, mas convergentes aos objetivos.
Os projetos desenvolvidos podem incluir séries, longa-metragens e até reality shows. Os cinco também atuarão na consultoria de outros projetos que possam aumentar a representatividade e promover equidade racial. Essa é uma iniciativa pioneira para o VIS Américas e deve ser replicada em outras regiões, a partir dessa primeira Sala.
Da esquerda para direita: Eliana Alves Cruz, Estevão Ribeiro, Lidiane Oliveira, Marton Olympio e Renata Diniz
Créditos: Divulgação / Acervo Pessoal
Potências – O coordenador Marton Olympio colabora com sua ampla experiência em direção e roteiro, inclusive de longas, séries, com passagem pela Rede Globo, Fox, Globo Filmes, além de ter atuado na tutoria de outros profissionais da área no Flup Narrativas Negras. Renata Diniz traz a vivência de roteirista premiada, com resultados de seus trabalhos exibidos nas telas do Canal Futura e TV Brasil, por exemplo.
A experiência de pesquisa profunda de Eliana Alves Cruz, autora de “Água de Barrela”, junto com seu domínio de textos poéticos e de prosa, são contribuições ao trabalho do grupo. O escritor, roteirista e quadrinista Estevão Ribeiro agrega o olhar apurado para o visual, pois também é fotojornalista. Já Lidiane Oliveira tem a experiência de teatro, atuação em peças, filmes e séries, além de ser também roteirista em várias dessas iniciativas.
O conjunto formado certamente atende, em alta qualidade, a necessidade de inclusão de temas, representações mais plurais e diversas, a gigantesca lacuna de representatividade que a mídia brasileira historicamente não consegue cobrir. “É importante que o conteúdo que desenvolvemos dialogue e atraia os diferentes espectadores. Queremos especialmente levantar essas vozes e destacar histórias que não estão bem representadas na mídia”, destaca Federico Cuervo, SVP, o Diretor Geral do VIS Américas, responsável pela criação da sala de conteúdo.
A iniciativa da Sala de Conteúdo faz parte da concretização do anúncio do VIS, feito em novembro de 2020, sobre 25% de seu orçamento na América Latina ser investido na criação e desenvolvimento de conteúdo por pessoas que ampliem a diversidade e aumentem a equidade, seja ela racial, cultural, de gêneros ou de perspectivas. O ViacomCBS International Studios é uma divisão da ViacomCB fundada em 2018 e produz conteúdo para as marcas e plataformas da ViacomCBS, incluindo Paramount+, Nickelodeon, MTV, Comedy Central, Channel 5, Network 10, VIS, Telefe, Ananey e Porta dos Fundos.
Se pudesse escolher alguma dica para mulheres pretas conquistarem o emprego dos sonhos, sem dúvida, a administradora e gerente de produtos de uma das maiores empresas techs do mundo, Antônia Souza, diria que é a estratégia. Isso porque, segundo ela, sonho sem estratégia não se realiza e se você tem pela frente um mercado de trabalho machista e racista, é melhor que a sua estratégia esteja muito bem estruturada e que o lugar onde você quer chegar esteja claro.
Liste suas prioridades
Para a mentora de jovens e mulheres, uma forma que pode ser de grande ajuda a tornar esses sonhos mais palpáveis é ter a sua lista de top 5 empresas dos sonhos. Coloque nessa lista apenas as 5 empresas que você daria tudo de si para trabalhar. De posse dessa lista entenda onde você está e quais passos serão necessários para chegar até seu sonho. Use isso de base para planejar metas menores que te ajudem a chegar lá. Essas metas podem ser: aprender um idioma, fazer um curso de especialização, etc.
Imagem: Arquivo Pessoal /Antônia Souza
Preparação
Se como mulher preta você precisa se provar mais vezes, comece fazendo isso já na preparação para os processos. É impressionante o volume de candidatos que chegam no processo seletivo sem saber ao certo como funciona a empresa em que estão se candidatando.
Se você quer se destacar nos processos seletivos o primeiro passo é a preparação. Por isso estude a vaga, o site da empresa, o perfil dos profissionais que trabalham na empresa, o mercado que a empresa atua e se possível verifique o perfil dos entrevistadores antes da entrevista. Aqui vale também usar os sites que disponibilizam avaliações sobre as empresas feitas por candidatos, colaboradores e ex colaboradores. Nesses sites é possível obter informações sobre o processo seletivo e te ajudará a não ser pego de surpresa. Toda essa preparação te ajudará a entender como a empresa funciona e além de te deixar mais preparada, também te deixará mais segura para o processo.
Diferencial Profissional
A verdade é que no mercado de trabalho o produto é você e sabendo disso é fundamental que você conheça bem o que faz do seu produto melhor que o outro. Essa é uma tarefa muito difícil para nós mulheres negras, isso porque temos que lidar com uma síndrome interna que nos diz todos os dias que não somos tão boas assim. Mas para ter sucesso profissional e conquistar aquela vaga dos sonhos é extremamente necessário que você trave essa luta interna e encontre os seus pontos fortes.
Uma vez que você entender o que faz de você uma profissional diferente dos demais, use isso a seu favor e potencialize isso a cada entrevista realizada. Você verá como os recrutadores irão te olhar diferente depois que você descobrir como usar seus talentos a seu favor.
Networking
A falta de representatividade é uma das grandes dificuldades que a mulher preta enfrenta durante a busca pelo emprego dos sonhos. A tentativa frustrada de encontrar outras mulheres pretas na empresa dos sonhos pode gerar a crença de que aquele lugar não é pra ela. Uma forma de manter a chama do sonho viva dentro de si é através da expansão da sua rede de relacionamentos. Desenvolver um bom networking irá te ajudar a encontrar referências em outros mercados, a troca de experiências além de te ajudar na preparação, também te ajudará a manter a motivação na busca do sonho.
Antifragilidade
Podemos dizer que a resiliência se tornou a palavra da década e que é cada dia mais comum vermos empresas cobrando isso de seus funcionários, mas quando falo da luta pela carreira dos sonhos da mulher negra eu vou além. Ela não precisará apenas resistir a situações adversas, ela precisará se tornar melhor apesar das situações adversas.
O caminho da mulher preta até a conquista do sonho profissional é bem tortuoso e por isso desenvolver características antifrágeis a tornarão mais preparada para percorrer essa jornada e concluí-la.
Foi proposto pelo vereador Antonio Donato (PT), através do Projeto de Lei (PL) 258/21 o Programa São Paulo DNA África, com a finalidade de permitir que Descendentes de Negros Africanos Escravizados no Brasil (DNAEBs) tenham acesso a testes gratuitos de DNA e Mapeamento Genético de Ancestralidade. A PL prevê que esses testes sejam feitos na municipal de saúde podendo ser em via de parceria com entidades públicas ou privadas.
A Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial e Secretaria Municipal de Saúde ficariam responsáveis pelo cadastramento de todos os indivíduos da população que se identificam como DNAEBs. Com a adoção em larga escala desse tipo de exame é possível localizar as origens geográficas e familiares dos cidadãos descendentes dos povos escravizados, que tiveram seus registros queimados após a abolição.
Escritora e ex-vereadora Claudete Alves (Imagem: SEDIN)
No livro “Negros, o Brasil nos deve milhões: 120 anos de um Abolição Inacabada”, da escritora Claudete Alves, é exposto como se deu parte da destruição dos registros pelo então Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, em 1890. “Rui Barbosa assinou um decreto que determinou a incineração de todos os documentos relativos à escravidão para assim acabar com qualquer vestígio e consequentemente, evitar qualquer pleito indenizatório tanto dos negros, como dos ex-senhores de escravo”.
É um fato que o preto no Brasil não sabe de onde vem. A diáspora africana foi sangrenta e após a abolição se seguiu um processo de apagamento da história que só tem sido, lentamente, recuperada recentemente. O Brasil é o país do continente americano que mais recebeu africanos escravizados e parece que a história do preto começou nos navios negreiros, como se o passado não existisse. Isso é o oposto do que acontece com os outros povos que ajudaram a compor a identidade da população brasileira, que tiveram preservadas suas histórias de lutas, conquistas e identidades.
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