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A camisa da seleção brasileira

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Foto: Nike

Melhor que despolitizar seria, talvez, politizar pela liberdade religiosa, pela diversidade, contra o racismo, contra o machismo, pela proteção das matas de Oxóssi e dos povos que nelas habitam

Um possível erro no sistema operacional no site da empresa Nike proibia a personalização da nova camisa da seleção brasileira com palavras ligadas às religiões de matrizes africanas e liberava referências do cristianismo. Mas como o grande público ficou sabendo disso? Como este assunto ganhou destaque nas redes sociais? No dia 15 de agosto, ao vivo no podcast Com Todo Respeito os apresentadores estavam conversando sobre o impedimento de personalizar a camisa da seleção brasileira lançada para a Copa do Mundo de 2022 com expressões de cunho religioso, político e de palavras ofensivas. Os apresentadores do citado podcast fizeram uma sequência de testes na aba de customização e naquele momento expressões como “Jesus” e “Cristo” eram permitidas enquanto “Exu” e “Ogum” eram proibidas. 

As restrições já haviam causado debate bem no lançamento. A empresa, em nota, se pronunciou, como se pode ler no portal Terra: “A Nike, como descrito na própria página, não permite customizações com palavras que possam conter qualquer cunho religioso, político, racista ou mesmo palavrões. Este sistema é atualizado periodicamente visando cobrir o maior número de palavras possíveis que se encaixem nesta regra”. “Lula”, “Bolsonaro”, “comunismo” entre outras palavras também estão indisponíveis. Após a repercussão do podcast e das manifestações nas redes sociais a marca se pronunciou novamente e explicou que ocorreu uma falha no site “que permitiu a customização de algumas palavras de cunho religioso” e que ela “está sendo corrigida”, como consta na página eletrônica da empresa O Globo

Tudo devidamente explicado e confirmado. Hoje o sistema não permite mais a personalização com palavras anteriormente autorizadas, como “Jesus” e “Cristo”. Porém, todo esse possível erro operacional nos leva a outras complexidades que envolvem política, religião e futebol. Aprendemos, desde a infância, que esses três temas não se discutem. Mas serei desobediente. No “país do futebol”, onde muitos e os mais famosos jogadores são declaradamente evangélicos e onde o cristianismo na sua versão evangélica pentecostal mais cresce, esses temas são quase incontornáveis. No último censo do IBGE, em 2010, a população evangélica era de 22% do total de cristãos. O mapa religioso do Brasil mudou nos últimos anos. Segundo dados de pesquisa promovida pelo Datafolha em 2019, publicados na Folha de São Paulo, em 2020, 50% dos brasileiros eram católicos e 31%, evangélicos. Conforme apontam alguns pesquisadores da religião no Brasil, é possível que num futuro não muito distante o número de evangélicos ultrapasse o de católicos. No site Religião e Poder do Instituto dos Estudos de Religião (o ISER) é possível consultar dados e análises da relação entre crescimento de evangélicos e política institucional. Da religião à política, da política à religião, agora voltemos para o futebol e a religião.  

Na seleção e nos clubes brasileiros, na maioria das comemorações de gol, os jogadores levantam as mãos ao céu numa nítida alusão à fé em Deus. Na multidão de preces ao Deus cristão, uma exceção, Paulinho. No ano passado, na partida do Brasil contra a Alemanha nos Jogos de Tóquio, Paulinho, após o gol da vitória de 4 a 2, saudou Oxóssi com um gesto que fazia alusão à flecha do orixá guerreiro e dono da mata. Da exceção lembramos da importância da luta pela representatividade, tão importante para a população negra. 

Num país em que religião e política se misturam. Um exemplo, relativamente recente, foi a votação pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016, quando os parlamentares acionaram discursos de Deus e Família para justificar esse processo político. De acordo com o ISER, Eduardo Cunha, na ocasião presidente da Câmara dos Deputados, coordenou a votação e ao abrir a sessão disse a seguinte frase: “Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus”. Além disso, conforme analisou o Huffpost Brasil, “a menção aos crimes de responsabilidade fiscal foi citada apenas 18 vezes na Câmara dos Deputados, enquanto os termos como ‘Família’ e Filhos’ e ‘Deus’ foram citadas 250 e 75 vezes, respectivamente”. Evidenciando o conservadorismo e a religião entre os valores anunciados pelos parlamentares. 

O ano de 2022 é de Copa (no Catar) e eleições presidenciais no Brasil, o país do futebol anunciado pelo atual presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro como uma nação de Deus. E como vivemos em disputa, Bolsonaro, no último sábado, na cidade do Rio de Janeiro, na Marcha para Jesus, mais uma vez afirmou a posse do Brasil por Deus. Os inúmeros fiéis vestiam a camisa do Brasil e carregavam bandeiras do país. Essa mesma camisa que a Nike tenta, deseja despolitizar até novembro, mês previsto para o início da Copa do Mundo. Melhor que despolitizar seria, talvez, politizar pela liberdade religiosa, pela diversidade, contra o racismo, contra o machismo, pela proteção das matas de Oxóssi e dos povos que nelas habitam.  

Mãe conta que está sendo processada após denúncia de racismo contra o filho em escola: ‘escola me processou por calúnia’

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Foto: Arquivo pessoal

Stephanie Silva denunciou a escola do filho por racismo depois de ver um vídeo em que o menino está com uma máscara de macaco

No final de maio, viralizou nas redes sociais o vídeo que mostra um menino negro de 3 anos usando uma máscara de macaco em uma festinha que acontecia no Centro Educacional Infantil (CEI) Monte Carmelo II, escola municipal localizada em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. As imagens, compartilhadas no Instagram da escola, mostravam duas educadoras e outras crianças perto dele cantando “você virou macaco”.

Em entrevista para o portal Universa Uol, Stephanie Silva, mãe do menino, contou que fez uma denúncia formal sobre a escola e que agora a instituição entrou com um processo contra ela por calúnia. “Eu fiz um boletim de ocorrência denunciando racismo, processo que agora corre em segredo de justiça por envolver um menor, mas a escola me processou por calúnia. Colocaram uma máscara de macaco no meu filho, divulgaram o vídeo em redes sociais, e eu agora que respondo por um crime”, contou Silva.

Stephanie conta que na época tentou contato com a escola e como não foi atendida, resolveu denunciar o caso nas redes sociais. Foi então que a escola ligou para ela afirmando que tudo não passava de um ‘mal entendido’.

Para a mãe do menino, é evidente se tratar de um caso de racismo, considerando que o menino foi à festinha da escola, cujo o tema era circo, vestido de palhaço. “Por que pegar justo um menino negro, que estava com outra fantasia, para vestir de macaco e fazer ele virar o centro das atenções?”.

Ao portal, a Secretaria de Educação da cidade de São Paulo contou que “repudia qualquer ato de discriminação e racismo”. Também foi informado que uma apuração do caso já está sendo feita e que a instituição será penalizada e pode ter o contrato com a prefeitura rescindido caso irregularidades sejam comprovadas.

Programa inicia terceira turma de lideranças femininas negras para atuação em conselhos e empresas

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Foto: Reprodução.

Mais de 150 mulheres se inscreveram para a ação afirmativa que vai promover o networking e ampliar o conhecimento de lideranças negras femininas em temas relacionados à governança corporativa

Começa nesta terça-feira (16), a terceira turma do programa sem fins lucrativos Conselheira 101, que recebeu mais de 150 inscrições – realizadas em julho. Agora, 26 mulheres selecionadas, participam de uma imersão realizada em 15 encontros, que têm como objetivo ampliar o conhecimento de lideranças femininas negras em temas relacionados ao papel dos conselhos, envolvendo responsabilidades, formação e desafios. O programa também as incentiva e prepara para o networking dentro da comunidade de conselhos e empresas.

Na abertura, além da apresentação do conteúdo programático, acontece um bate-papo com as alumni Roberta Anchieta e Monalisa Gomes – da 1ª e 2ª turma, respectivamente. Dentre outros temas, o programa aborda os tipos de conselhos e comitês de assessoramento, governança (em startups/scaleups, terceiro setor e capital aberto),  conselho do futuro e diversidade racial na liderança corporativa. Na quarta (17) acontece um master class com uma grande liderança feminina à frente de uma das principais empresas do país.

Surgido de reflexões de diferentes grupos acerca da diversidade em conselhos de administração sob a perspectiva racial e de gênero, o Conselheira 101 viabiliza a visibilidade de mulheres negras que já possuem qualificações para ocupar tais cargos. Até o momento, 37 mulheres foram formadas nas edições anteriores do C101, que pede como requisitos 15 anos de experiência e mínimo de 5 anos de atuação no mercado em cargos sênior. 

Lisiane Lemos, advogada especialista em transformação digital e co-Líder do Conselheira 101, pontua que tem desenvolvido muitas conversas e ações nos últimos anos, justamente com o intuito de fomentar a liderança de profissionais negros no ambiente corporativo. “Iniciei pelo Blacks at Microsoft, co-criei a Rede de Profissionais Negros e depois co-liderei o comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil, mas sempre teve um ‘e agora?’. Então, encontramos no C101 um novo jeito de mover o topo da carreira corporativa?”.

Para Ana Paula Pessoa, presidente do Conselho da Credit Suisse Brasil e uma das fundadoras do projeto, o programa vem se consolidando como um importante meio de promoção ao diálogo real e aberto sobre inclusão racial em diferentes conselhos no Brasil. “Foi a partir dele que tivemos a oportunidade de criar um ambiente cooperativo e de estímulo contínuo”, acrescenta a executiva.

“Enquanto mulher branca, consegui ampliar o leque da diversidade para absorver, externalizar e reforçar o quanto abraços diversos são poderosos e transformadores”, conclui Graciema Bertoletti, Chief Growth Officer – Opy Health e uma das idealizadoras do Conselheira 101. Além de Lisiane, Ana Paula e Graciema, o grupo fundador é formado também por Marienne Coutinho, Ana Beatrix Trejos, Elisangela Almeida, Jandaraci Araujo, Leila Loria e Patrícia Molino. 

Nesta terceira edição, estão confirmados como painelistas nomes, como Adriane Almeida (IBGC), Denísio Liberato + Adriana Caetano (Coaud), Lamenza + Patrícia Moraes (UnBox), Silvia Sigaud (Korn Ferry) + Marcelo de Lucca (MAIO) e Juliana Oliveira (Oliver Press).

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

  • 16/08: Abertura T3 – Apresentação do Programa | Dinâmica com participantes + Alumni Roberta Anchieta (T1) e Monalisa Gomes (T2);
  • 17/08: Master Class com Luiza Trajano (Magazine Luiza) + Q&A;
  • 23/08: Introdução à GC e Melhores Práticas | Adriane Almeida (IBGC);
  • 30/08: Tipos de Conselhos e Comitês de Assessoramento | Denísio Liberato + Adriana Caetano (Coaud)
  • 06/09: Elevator Pitch | Andrea Cruz 
  • 13/09: Governança em Startups / Scale Ups & Conselho do Futuro | Lamenza + Patrícia Moraes (UnBox)
  • 20/09: Encontro com HH | Silvia Sigaud (Korn Ferry) + Marcelo de Lucca (MAIO)
  • 27/09: Diversidade Racial na Liderança Corporativa | Liliane Rocha + Solange Sobral
  • 04/10: Governança no Terceiro Setor | Cris Pinho + Ana Toni
  • 11/10: ESG nos Conselhos | Maria Eugênia Buosi + Regina Magalhães
  • 18/10: Networking para Boards | Fernando Carneiro + Heloisa Carvalho
  • 25/10: Governança em Empresas de Capital Aberto | Denise Damiani + Mauro Cunha
  • 01/11: Planejamento Estratégico e Avaliação dos Negócios | Wellington Silva + Francis Fukuda
  • 08/11: Soft Skills Executivo x Dinâmicas de Conselhos | Sandra Guerra + Tania Almeida
  • 22/11: I&D Media Training | Juliana Oliveira (Oliver Press)
  • 29/11: Especial – Simulação de Conselho | Ana Paula + Maria Silvia Bastos

15/12: Formatura e participação especial de Rachel Maia

Erika Hilton e Matheus Gomes são alvos de novas ameaças de morte para desistirem das candidaturas: “O ódio e a violência não irão vencer as eleições”

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Fotos: Reprodução e Márcio Pimenta

Erika Hilton, vereadora da Câmara Municipal de São Paulo e candidata a deputada federal (PSOL), é alvo de novas ameaças de mortes por e-mail. “O ódio é nossa razão de viver”, escreveu o autor das agressões, que ainda não teve identidade confirmada.

Com declarações transfóbicas, o agressor citou a deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL), dizendo que ela desistiu de se candidatar nesta eleição por medo deles. “Se vocês dois não abandonarem a vida pública, vamos matar vocês com uma bomba. Vamos explodir suas casas e estraçalhar suas corpas”, escreveu se referindo a Erika e vereadora suplente de Porto Alegre, Natasha Ferreira, com quem realizaram uma denúncia no Ministério Público contra Bolsonaro por suas falas homofóbicas no Flow Podcast, na semana passada, ao relacionar a varíola dos macacos a doença de pessoas LGBTQIA+.

A parlamentar já confirmou que vai registar o boletim de ocorrência contra esta nova ameaça, agregada a um inquérito que já está em aberto por outra ameaça contra a vida em março deste ano, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). “O ódio e a violência não irão vencer as eleições, porque as pessoas querem paz, querem ser respeitadas, querem ser valorizadas. E no que depender de mim toda transfobia, toda ameaça e toda violência será investigada e devidamente responsabilizada até que não tenham mais espaço em nossa sociedade”, escreveu a vereadora no Instagram.

O e-mail com ameaças de morte também foi enviado ao vereador de Porto Alegre e candidato a deputado estadual, Matheus Moreira (PSOL) e aos jornalistas do Congresso em Foco, Lucas Neiva e Vanessa Lippelt, “que acabaram com nosso esquema de fake news nas eleições”, dizia no e-mail.

Ao Congresso em Foco, Matheus Moreira disse nesta terça-feira (16) que também fará um boletim de ocorrência. “Já enfrentamos desde o início do mandato mais de uma dezena de ameaças de morte. É sempre ruim, a gente fica preocupado com nossa atividade política, ainda mais às vésperas de uma eleição”, relatou.

“Precisamos transformar essa situação de agressividade e de violência em organização e preparação para que a gente supere isso nos próximos meses”, completou o vereador.

Série documental vai contar a história do funk no Brasil

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Foto: divulgação

A série documental FUNK. DOC: POPULAR & PROIBIDO traz uma das últimas entrevistas de Mr. Catra, falecido em 2018

No dia 30 de agosto estreia a série documental FUNK. DOC: POPULAR & PROIBIDO. Transmitida pela HBO e HBO MAX, a série tem direção de Luiz Bolognesi, a série documental lança luz à história do funk brasileiro, com depoimentos de grandes nomes como Mr Catra, em uma de suas últimas entrevistas, Ludmilla, Kondzilla, Valesca Popozuda, MC Rebecca, Tropkillaz, MC Carol, MC Guimê, DJ Renan da Penha, Bonde do Tigrão, entre outros.

Ao longo de seis episódios e sob um olhar investigativo, a produção mostra como o funk é capaz de combater o preconceito com popularidade, seus desdobramentos sociais e a popularização mundial. FUNK. DOC:POPULAR & PROIBIDO narra a trajetória da música, além de introduzir questões essenciais de gênero.

Com produção de Caio Gullane, Fabiano Gullane, Eduardo Zaca, Patricia Carvalho e Rafaella Giannini, produção associada de Kondzilla, direção de Luiz Bolognesi, roteiro de Luiz Bolognesi, Henrique Crespo, Tejo Damasceno e Ricardo Farias, ‘FUNK. DOC: POPULAR & PROIBIDO‘ é uma coprodução com a Gullane e Buriti Filmes com lançamento exclusivo na plataforma de streaming e no canal HBO. A série documental conta com recursos da Condecine — Artigo 39.

“Minha expectativa é mostrar para as mulheres negras que podemos romper silenciamentos seculares”, diz premiada cineasta Natara Ney

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Natara Ney. Foto: Divulgação.

Pernambucana recebeu o Prêmio Cabíria de Roteiro, trabalhou na montagem de “Pluft, o Fantasminha” e está em cartaz com documentário sobre cartas de amor. Natara faz parte da Kilomba Produções ao lado de Erika Candido e Monique Rocco.

Uma coleção de prêmios e realizações em 2022. A noite literalmente não adormece nos olhos de Natara Ney. A cineasta e jornalista negra pernambucana está a todo vapor. Integrante da Kilomba Produções, ao lado de Erika Candido e Monique Rocco, ela começou o ano levando a prata no “New York Film Festivals” com o documentário “Elza Infinita”, dirigido em parceria com Erika, e acaba de receber o Prêmio Cabíria de Roteiro, segundo lugar com “Vedetes do Subúrbio”, concebido ao lado de Luisa Arraes e Janaina Fischer.

Em meio ao reconhecimento, diversas realizações em cartaz. Entre elas, o documentário romântico “Espero que esta te encontre e que estejas bem”, que tem direção e roteiro de Natara e vai para a décima semana de exibição e em breve chega nas plataformas de streaming. “Pluft, o Fantasminha”, primeiro filme infantil brasileiro de live-action em 3D, também contou com a participação da cineasta negra, que dividiu a montagem com Welington Dutra. 

O próximo desafio de Natara é a acessibilidade no audiovisual. Entre os dias 23 e 28 de agosto, ela participa do Festival de Filmes com Acessibilidade Comunicacional do Recife, exibindo uma versão adaptada de “Espero que esta te encontre e que estejas bem”, documentário baseado na troca de cartas entre um casal separado por milhares de quilômetros de saudade e sonhos.

“Minha expectativa é cada vez mais e mais mostrar para as mulheres, principalmente para mulheres negras, que podemos romper silenciamentos seculares e colocar nossas vozes no megafone para dizermos bem alto o que pensamos sobre o mundo, sobre o amor e sobre nós mesmas”, ressalta Natara, que afirma sua identidade enquanto mulher negra, nordestina, filha de Iemanjá e Oxóssi, devota de São Jorge. 

“Tenho sorte por não ter morrido precocemente por doença, antes dos 30, ou emboscada, antes dos 20. Contar histórias sempre foi um desejo, que me empurrou ao jornalismo. Adiante compreendi que podia inventar minhas próprias narrativas, e um pouco adiante me encantei com experiências já vividas que precisavam ser contadas e reinventadas. Hoje conto todo tipo de história. Vivo me reescrevendo.”

Nestas eleições, Brasil tem 49,3% de candidaturas negras

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Foto: Dado Galdieri/Bloomberg

Nesta terça-feira (16) teve início, oficialmente, a campanha eleitoral de 2022. O diferencial para este ano é a alta proporção de pessoas negras concorrendo a cargos eletivos. Segundo dados parciais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), das 26.398 candidaturas registradas, 49,3% são de pessoas negras e 49,1% de pessoas brancas. As candidaturas de mulheres representam 33,4% até agora.

Esses números representam os pedidos de registro de candidaturas apresentados ao TSE. Ainda não são números finais que considerem candidaturas deferidas e indeferidas. As solicitações para registro de candidatura terminaram na última segunda-feira (15).

Em dezembro de 2021, o TSE aprovou resolução que estabeleceu regras de distribuição dos recursos do fundo eleitoral que determina que os partidos precisam distribuir o dinheiro para financiamento de campanha de forma proporcional para candidaturas negras e brancas, levando em consideração o número de candidatos em cada partido.

Além disso, a partir deste ano os votos dados a candidatas mulheres ou a candidatos negros para a Câmara dos Deputados serão contados em dobro na definição dos valores do fundo partidário e do fundo eleitoral distribuídos aos partidos políticos. A medida será válida até 2030.

A população brasileira vai às urnas em 2 de outubro de 2022. O segundo turno das eleições será em 30 de outubro.

Com informações da Folhapress.

Queen Latifah e Ludacris protagonizam filme de ação e suspense

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Foto: URSULA COYOTE/NETFLIX

Netflix liberou o trailer de “End of the road”, longa com Queen Latifah e Ludacris que deve estrear no mês de setembro

Com estreia prevista para 9 de setembro na Netflix, o filme “End of the Road”, ou “Fim da Estrada”, traz a rapper e atriz Queen Latifah na pele de Brenda e Ludacris como seu irmão, Reggie. A direção é assinada por Millicent Shelton.

Brenda é uma viúva, mãe de dois filhos (interpretados por Mychala Faith Lee e Shaun Dixon), que está em uma viagem com a família pelos Estados Unidos. Eles acabam sendo testemunhas de um assassinato brutal e, a partir de então, passam a ser perseguidos pelo assassino e lutam para sobreviver durante o trajeto.

A diretora contou em entrevista para a revista Essence que foi Queen Latifah quem sugeriu o rapper para o papel de Reggie. “Queen Latifah foi quem inicialmente sugeriu para o papel de Reggie”, disse Shelton, que já acompanhava o trabalho de Ludacris. “Sou fã de longa data da franquia Velozes e Furiosos e de sua música, mas nunca o conheci. A primeira vez que nos encontramos no Zoom , eu soube imediatamente que nos daríamos bem e que ele acertaria o papel de Reggie. Chris entendeu que Reggie era aquele membro da família que todo mundo ama, mas é um idiota, e ninguém espera nada dele, mas há mais para ele”.

Ela ainda complementou: “Quando li o roteiro inicialmente, sabia que precisava retratar essa família como uma família normal de classe média, mas também enfatizar suas experiências como uma família negra viajando pelo sul”.

A Netflix liberou hoje o trailer do filme:

Jeniffer Dias, atriz da série “Rensga Hits!”, fica fora da lista de elenco em site, sem divulgação do perfil no Google e Yuri Marçal expõe na web

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Foto: Reprodução/Instagram

O humorista Yuri Marçal publicou um vídeo no Instagram nesta segunda-feira (15), em que exibe como os atores negros da série “Rensga Hits!” da Globoplay estão sendo excluídos das pesquisas no Google e no site de entretenimento. A exemplo disso, ele tentou procurar pelo nome da noiva e atriz Jeniffer Dias, que interpreta a cantora Thamyres.

“Eu fui pesquisar sobre a série, saber ficha técnica. E aí eu notei algumas informações que eu queria passar pra vocês”. No vídeo, Yuri exibe a pesquisa no Google com o nome “Rensga Hits”, entra em “Elenco” e aparece nomes como: Lorena Comparato, Alice Wegmann e Rafa Kalimann, mas no perfil da Jeniffer, ela foi a única que não aparecia a foto.

“Minha mulher não tem rosto. Eu sou noivo da mãe do Tom, do Tom e Jerry”, ironiza o humorista. “Aí você clica nela e não tem nada. Tem uma notícia recente. Inacreditável, pô”, completa, ao tentar encontrar mais informações sobre a noiva na web.

https://www.instagram.com/p/ChS0vfGpDLn/

Sem sucesso pelo Google, Yuri tenta encontrar informações pela plataforma AdoroCinema, e nem aparece o nome da atriz. “Tem que mudar o nome do site para Simpatizo com Cinema”, brinca.

Com mais nomes divulgados no elenco do site, só aparece um ator negro, o Sidney Santiago, que interpreta o Theo. A Tia Má, que faz o papel da Carol, dona do Espetinho da Carol, também está fora da divulgação do nome no elenco.

“Uma pessoa que tem vários trabalhos na pista, não tem informações. Por que isso escroto pra caralh*? Porque dificulta em tudo, quantidade de seguidores que ela poderia ter e não tem, a quantidade de trabalhos, a quantidade de fãs”. E Yuri completa: “Claro que tem outras formas de você pesquisar, mas no macro, ocasiona lá na pontinha do iceberg de dificultar os trabalhos chegarem. Dificulta o artista ter uma visibilidade maior ou justa que ela poderia ter e não está tendo”.

Só neste ano, além de estar na série lançada no início do mês “Rensga Hits!”, a atriz Jeniffer Dias também está no filme “Barba, cabelo e bigode” da Netflix, lançado em julho, e “Mussum, o filmis”, que será lançado em breve, sem data definida para estreia.

Jeniffer iniciou a carreira no elenco do programa “Esquenta” da TV Globo, ao lado de Regina Casé, e logo emendou o trabalho atuando em duas novelas da emissora “Malhação Vidas Brasileiras” e “Novo Mundo”. Protagonizou o curta-metragem “Carne”, a comédia romântica “Ricos de Amor” da Netflix, e a na segunda temporada da série “Segunda Chamada”.

Personagens negras são destaque em ‘Sandman’, nova série de fantasia da Netflix

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Foto: Netflix / Divulgação.

Novo série de sucesso da Netflix, ‘Sandman’ está entre os assuntos mais comentados do mundo. A obra, que faz uma mistura sobre mito moderno e fantasia sombria, combina ficção contemporânea, drama histórico e lenda. A série gira em torno das pessoas e dos lugares afetados por Morpheus, o rei dos Sonhos, na tentativa de corrigir os erros cósmicos e humanos que cometeu em sua vasta existência.

Para além dos conflitos, do suspense e dos efeitos especiais, a presença talentosíssima de personagens negras dentro da obra vem chamando atenção da internet e dos espectadores. O rei dos Sonhos é um dos Endless, grupo de seres imortais que governam aspectos do universo mortal. No episódio 6 da primeira temporada, recebemos o primeiro contato com a Morte, irmã mais velha do Sonho, que é interpretada pela atriz britânica Kirby Howell-Baptiste.

Kirby Howell-Baptiste como Morte em ‘Sandman’. Foto: Netflix.

Conforme somos apresentados, a Morte, existia no início do mundo e existirá no final, transportando os falecidos para seu reino com um sorriso e palavras gentis. No contexto da série, ela está sempre disposta a ajudar o Sonho e tenta fazer com que ele entenda melhor as pessoas. A performance comovente de Kirby Howell-Baptiste em ‘Sandman’ vem chamando atenção pelos diálogos humanos, sensíveis e até mesmo filosóficos. Com um apelo empático e extrema compaixão, o episódio que apresenta a Morte e seus desdobramentos no mundo humano é o ponto alto de toda a temporada.

Mas não é só a performance de Howell-Baptiste que impressiona. O destaque contínuo para a paixão e o carinho de Lucienne também é contagiante. Interpretada pela atriz Vivienne Acheampong, ela é a principal bibliotecária do reino dos Sonhos e uma das servas mais fiéis do Sonho. Ela faz o possível para manter o reino em ordem, mesmo em meio aos perigos do abandono e de solidão. Lucienne é responsável por apresentar o tom lógico, razoável e concreto da série.

Vivienne Acheampong como Lucienne ‘Sandman’. Foto: Netflix.

Com o decorrer da obra também somos apresentados à Rose Walker, interpretada pela atriz Vanesu Samunyai. Apesar da aparição relativamente curta, Walker é uma órfã que só quer arrumar um bom emprego e encontrar o irmão que perdeu quando seus pais se separaram. Infelizmente, para o contexto de ‘Sandman’, ela também tem o poder de quebrar as barreiras entre o reino dos Sonhos e o mundo desperto, ação que causa uma grande desordem para o enredo da obra.

Vanesu Samunyai como Rose Walker em ‘Sandman’. Foto: Netflix.

Numa aposta tão grandiosa como ‘Sandman’, observar personagens negros como referências de destaque traz um olhar contemporâneo e representativo para a obra. Baseada na série de quadrinhos da DC de Neil Gaiman com o mesmo nome, é bom acompanhar novos nomes pretos ganhando destaque internacional numa plataforma tão grandiosa como a Netflix.

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