O Carnaval de Salvador é uma das maiores festas populares do Brasil. Com uma população formada em sua maioria por negros, a Bahia recebe turistas de todo o país e do mundo durante os quatro dias de folia. A fim de estudar o racismo na capital baiana nesse período, foi criado o Projeto de Pesquisa Racismo no Carnaval de Salvador.
Uma das partes do projeto consiste na aplicação de um questionário, elaborado pelo Centro de Estudos dos Povos Afro-Índio-Americanos (CEPAIA) e pelo Departamento de Educação do Campus I da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). A proposta é que o questionário seja respondido por todas as pessoas que já participaram do carnaval na condição de foliões, trabalhadores ou telespectadores, seja a pessoa de Salvador ou de qualquer parte do Brasil ou do mundo. O sigilo dos entrevistados é absoluto.
O questionário já está disponível na internet, no site: http://www.racismonocarnaval-salvador.org.br/. Na caixa de diálogo à direita da página, digite seu e-mail. Em instantes você receberá uma senha para participar da pesquisa.
Projeto – A intenção deste projeto é investigar de que maneira o racismo se manifesta no âmbito do carnaval de Salvador, identificando os fatores estruturais que antecedem a realização da festa, bem como as ocorrências de discriminação racial durante o evento.
Ao final da pesquisa será divulgado um Relatório e encaminhado para organizações vinculadas ao carnaval e aos órgãos governamentais. Além disso, os dados serão disponibilizados no site da UNEB. Com esses dados, a equipe de pesquisadores poderá auxiliar na produção e promoção de políticas públicas que visem mitigar o racismo não somente no Carnaval mas ao longo de todo o ano.
A banda Orquestra Imperial se apresentará no domingo, dia 18 de dezembro, no Parque Ibirapuera, às 12h, no estacionamento ao lado do museu Afro Brasileiro.
O show, que contará com a participação da cantora Emmanuelle Araújo e do rapper Criolo, é o último deste ano realizado pelo projeto Telefônica Sonidos – Misture-se e é gratuito.
A Orquestra Imperial, que não se apresenta em São Paulo desde março deste ano, resgata a gafieira e os sambas de bailes da era de ouro carioca. Formada em 2002, a banda conta com 18 músicos fixos, entre eles nomes como Moreno Veloso, Rodrigo Amarante, Telma de Freitas e Pedro Sá.
Apresentar ao jovem negro e negra de periferia que outro caminho é possível diferente daqueles apontados por estatísticas e indicadores sociais, é o principal objetivo da campanha “Contrarie as Estatísticas”, lançada nesta semana pelo Instituto Mídia Étnica/Correio Nagô. A iniciativa da organização, criada há seis anos e formada por jovens comunicadores, surgiu após a divulgação dos últimos indicadores sociais que apontam o alto de risco de vulnerabilidades e desigualdades aos quais a juventude negra brasileira está exposta, a exemplo, do aumento da taxa de homicídios, analfabetismo, gravidez na adolescência, pobreza, entre outros.
A proposta do IME, como o Instituto é carinhosamente chamado pelos seus integrantes, é trazer referências de jovens negros e negras que vieram de comunidade carentes e que conseguiram driblar estes índices e ocupam lugar de destaque e de decisão na sociedade. Segundo dados do relatório “Situação da Adolescência Brasileira 2011 – O direito de ser adolescente: Oportunidade para reduzir vulnerabilidades e superar desigualdades”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), atualmente vivem no Brasil 21 milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos, destes 56,6% são negros. Na Bahia, são aproximadamente dois milhões de adolescentes, deste 78,3% são de garotos e garotas negras. De acordo com dados da agência da ONU, projeções demográficas mostram que o país não voltará a ter uma participação percentual tão significativa dos adolescentes no total da população.
Visando garantir oportunidades e a concretização dos devidos direitos desse segmento da população, que é o direito à vida e o direito de serem plenamente adolescentes e jovens, o Instituto Mídia Étnica convoca a sociedade brasileira a contrariar as estatísticas e os indicadores sociais que violam esses direitos, a partir de referências positivas desta juventude. “O jovem negro e negra brasileira precisam de exemplos que lhe sejam contemporâneos, ou seja, eles precisam saber que podem ser advogados, médicos, jornalistas, publicitários, que eles podem ter ensino superior e principalmente que eles podem estar vivos para realizar isso. É por isso que na campanha trazemos como referência, jovens que conseguiram contrariar essas estatísticas, dados estes que na maioria das vezes se transformam em números e mais números ao invés de ações concretas que mudem essa realidade”, explicou a coordenadora executiva do Instituo Mídia Étnica, Ilka Danusa.
Veja abaixo mais dados sobre as vulnerabilidades que atingem a juventude negra brasileira:
Homícidios
Em quatro anos, a taxa de homicídios entre adolescentes de 12 a 18 anos na Bahia teve um crescimento de quase 400% – em 2004, a taxa medida por 100 mil habitantes da mesma idade era de 8,6, em 2009 a taxa chegou a 31,1. O adolescente negro desta faixa etária tem 3,7 vezes mais risco de ser assassinado em comparação com adolescentes brancos, segundo dados do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) de 2009.
Situação de Rua
São 24 mil meninos e meninas em situação de rua no Brasil, segundo dados de um estudo do Consleho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos (2011). Entre eles, 70% são meninos. Dos 24 mil adolescentes que estão expostos a todo tipo de violação de seus direitos, quase metade deles (45,1%) tem entre 12 e 15 anos e 72,8% são negros (pretos e pardos).
Extrema Pobreza (até ¼ de salário mínimo)
A média nacional de adolescentes vivendo em situação de extrema pobreza, em 2009, era de 17,6%. Entre meninos e meninas negras esse índice chega a 22%. Os adolescentes negros que vivem nas regiões Norte e Nordeste são ainda mais vulneráveis. No Nordeste, enquanto 26% dos meninos e meninas brancos eram extremamente pobres, entre os negros, esse índice é de 31,5%.
Educação
Apesar dos avanços na educação, o percentual de adolescentes entre 16 e 17 anos negros que tinham o ensino fundamental era de 56% em 2009, em comparação aos adolescentes brancos que tem o percentual de 75,6%. No que se refere ao ensino médio, enquanto 60,3% dos adolescentes de 15 a 17 anos brancos frequentavam as escolas em 2009, entre os adolescentes negros, o índice era de 43,4%. Os adolescentes de 15 a 17 anos brancos atingem 7,8 anos de estudo, em média, e os negros 6,8.
Gravidez
A taxa de incidência de gravidez na adolescência é maior entre as adolescentes negras, o percentual é 6,1% entre as meninas negras de 15 e 17 anos, em comparação com o índice entre as adolescentes brancas, de 3,9%
Mercado de Trabalho
Dados da pesquisa de emprego e desemprego da Região Metropolitana de Salvador , intitulada “A Desigualdade entre Negros e Não-Negros no Mercado de Trabalho”, do Dieese 2009, apontam que a presença negra na População Economicamente Ativa (PEA – 2008) alcança 85,4%. Contudo, a ocupação desta parcela se dá, com frequência, em setores e posições em que os rendimentos são menores (negros: R$ 4,75 e os não-negros: R$ 9,63; as jornadas mais extensas (42 horas semanais para negros e 41 horas para os não negros) e participação em postos de direção (28,4% para não negros e 9,1% para negros).
Informações : 71- 9959-2350 \ 71 8782-7739 – Luciane Reis ( Coordenadora da Instituição e da Campanha)
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Os dois primeiros colocados ganharão os livros, mas primeiro escolhe sua obra de preferência. A promoção termina no dia 16 de dezembro
e os vencedores terão suas frases publicadas no site Mundo Negro e na
nossa Fan Page.
Essa promoção cultural é uma parceria do site Mundo Negro e da Editora Selo Negro ( que será a responsável pela entrega dos prêmios) e é válida somente para os leitores que moram no Brasil.
Nascimentos, mortes, rebelições e celebrações. Confira as datas que marcaram a história dos afrodescendentes no Brasil e no Mundo
JANEIRO
Dia 02
– Fundada a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos. São Paulo/SP (1711).
– Morre Mônica Veyrac, a primeira diplomata negra da história do Itamaraty. Costa Rica (1985).
Dia 06
– Lançado o jornal O Clarim da Alvorada, um dos poucos a refletirem a inquietação da população negra no Brasil. Matão/SP (1924).
Dia 09
– Promulgada a Lei Federal Nº 10.639, que rege a obrigatoriedade do ensino da história afro-brasileira na rede oficial de ensino (2003).
Dia 13
– Nasce André Rebouças, engenheiro, professor universitário e grande abolicionista. Cachoeira/BA (1838).
Dia 15
– Nasce Marthin Luther King, pastor norte-americano que lutou pela igualdade racial. Atlanta/Georgia (1929).
– Acontece a Revolta dos Malês, rebelião contra o escravismo e a imposição da religião católica. Salvador/BA (1835).
Dia 29
– Morre José do Patrocínio, jornalista e ativista da causa abolicionista. Rio de Janeiro/RJ (1905).
Dia 31
– Tombamento da Serra da Barriga, berço da resistência negra, onde nasceu o Quilombo dos Palmares e viveu seu maior líder, Zumbi dos Palmares. União dos Palmares/AL (1986).
FEVEREIRO
Dia 01
– Nasce Lélia González, antropóloga, filósofa, intelectual e militante da causa negra. Bebedouro/MG (1935).
Dia 02
– Plenário da Constituinte aprova a emenda de autoria do deputado federal Carlos Alberto Caó Oliveira, estabelecendo o racismo como crime inafiançável e imprescritível (1988).
Dia 07
– Nasce Clementina Jesus da Silva, sambista e ícone da luta contra a discriminação racial. Valença/RJ (1902).
Dia 10
– Nasce a Yalorixá Mãe Menininha do Gantois, ícone da luta contra a intolerância religiosa. Salvador/BA (1894).
Dia 12
– Nasce Arlindo Veigas dos Santos, acadêmico e primeiro presidente da Frente Negra Brasileira (FNB). Itu/SP (1902).
Dia 18
– Fundado o Afoxé Filhos de Gandhi, agremiação carnavalesca de maioria negra. Salvador/BA (1949).
Dia 19
– Realizado o primeiro Congresso Pan-Africano. Paris/França (1919).
Dia 21
– Morre Malcom X, um dos grandes defensores dos direitos afro-americanos. Nova Iorque (1965).
MARÇO
Dia 19 – Acontece a Revolta do Queimado, principal movimento de luta contra a escravidão do estado do Espírito Santo/ES (1849).
Dia 21 – Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial. O dia foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em memória das vítimas do massacre de Shapevile, África do Sul.
ABRIL
Dia 01 – Acontece o Primeiro Festival Mundial das Artes Negras. Dakar/Senegal (1966).
– Criação do Partido dos Panteras Negras. EUA (1967).
Dia 04 – Morre Marthin Luther King, ativista e Prêmio Nobel da Paz, assassinado minutos antes de uma marcha em favor dos direitos dos negros. Memphis/EUA (1968).
Dia 05 – Nasce Vicente Ferreira Pastinha, o “Mestre Pastinha”, capoeirista e ícone da cultura afro-brasileira. Salvador/BA (1889).
Dia 25 – Criado o bloco afro Olodum. Salvador/BA (1979).
Dia 26 – Nasce Benedita Silva, primeira mulher negra a ocupar um cargo de governadora. Praia do Pinto/RJ (1942).
MAIO
Dia 02
– Nasce Ataulfo Alves, grande cantor e compositor negro. Miraí/MG (1909).
Dia 03 – Nasce Milton Santos, grande geógrafo negro. Macaúba/BA (1933).
Dia 13 – A Lei Áurea extingue oficialmente a escravidão no Brasil. Mas a data é considerada pelo Movimento Negro como uma “mentira cívica”, sendo caracterizada como Dia de Reflexão e Luta contra a Discriminação (1888).
Dia 13 – Nasce Lima Barreto, escritor, jornalista e militante da causa negra. Rio de Janeiro/RJ (1881).
Dia 14 – Líderes da Revolta dos Malês são fuzilados. Campo da Pólvora, Salvador/BA (1835).
Dia 18 – Criado o Conselho Nacional de Mulheres Negras. Rio de Janeiro/RJ (1950).
Dia 19 – Nasce Malcom X, um dos maiores defensores dos direitos dos negros nos Estados Unidos. Omaha/Nebrasca (1925).
JUNHO
Dia 06
– Morre o jamaicano Marcus Garvey, mentor do Pan-africanismo. Londres (1940).
Dia 21 – Nasce Luiz Gonzaga Pinto da Gama, escritor, jornalista e um dos ícones da luta pela afirmação da identidade negra. Salvador/BA (1830).
Dia 24 – Nasce João Candido, líder da Revolta da Chibata, conhecido como Almirante Negro. Rio Pardo/RS (1880).
JULHO
Dia 01
– Fundado o Clube Negro de Cultura Social. São Paulo/SP (1932).
Dia 03 – É aprovada a Lei Afonso Arinos (nº 1390), estabelecendo a discriminação racial como contravenção penal (1951).
Dia 07 – Fundado o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR). São Paulo/SP (1978).
Dia 11 – Nasce Antonieta de Barros, primeira deputada negra brasileira. Florianópolis/RS (1902).
Dia 15 – Acontece a Primeira Conferência sobre a Mulher Negra nas Américas. Equador (1984).
Dia 18 – Nasce Nelson Mandela, líder negro que lutou conta o regime do Apartheid na África do Sul (1918).
Dia 24 – Nasce Francisco Solano Trindade, poeta. Recife/PE (1908).
AGOSTO
Dia 08
– Registrado o primeiro ato de escravidão por Portugal em Lagos. Nigéria (1444).
Dia 12 – Acontece a Revolta dos Alfaiates, também conhecida como Revolta dos Búzios. Manifesto dos conjurados baianos protesta contra os impostos e a escravidão e exige independência e liberdade. Bahia/BA (1798).
Dia 14 – Morre a Yalorixá Mãe Menininha do Gantois, ícone da luta contra a intolerância religiosa. Salvador/BA (1986).
Dia 22 – Criada, por meio da Lei nº 7.668, a Fundação Cultural Palmares, instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura que tem como principal atribuição promover a valorização da cultura negra (1988).
Dia 23 – Nasce José Correia Leite, ativista da imprensa negra e fundador do jornal O Clarim da Alvorada. São Paulo/SP (1900).
Dia 24 – Acontece o Primeiro Congresso de Cultura Negra das Américas. Colômbia (1977).
Dia 24 – Morre o abolicionista Luís Gama. São Paulo/SP (1882).
Dia 28 – Acontece a Primeira Marcha de Negros sobre Washington, em favor dos direitos civis. Estados Unidos da América (1963).
Dia 31 – Realizada a I Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância. Durban/África do Sul (2001).
SETEMBRO
Dia 04
– Promulgada a lei Euzébio de Queiroz, extinguindo o tráfico de escravos no Brasil (1850).
Dia 12
– Morre o líder sul-africano, Steve Biko, idealizador do movimento pela consciência negra. Cidade do Cabo/África do Sul (1977).
Dia 14
– Fundado o jornal O Homem de Cor, o primeiro periódico dedicado à causa negra da imprensa brasileira (1833).
Dia 16
– Fundada a Frente Negra Brasileira, primeira agremiação política composta por afro-descendentes. São Paulo/SP (1931).
Dia 28
– Aprovada a Lei do Ventre Livre, que declarava livre os filhos das escravas que nascessem após essa data (1871).
Dia 28
– Assinada a Lei do Sexagenário, garantindo a liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade (1885).
OUTUBRO
Dia 01
– Fundado o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAFRO). São Paulo/SP (1980).
Dia 07
– Dia de Nossa Senhora do Rosário, patrona dos negros.
Dia 10
– Morre Francisco Lucrécio, Secretário da Frente Negra Brasileira, em São Paulo (2001).
Dia 11
– Nasce Agenor de Oliveira, o Cartola. Cantor e compositor negro, figura entre os maiores representantes da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro/RJ (1908).
Dia 12
– Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, considerada protetora dos negros. São Paulo/SP (1717).
– Fundação do Teatro Experimental do Negro (TEN). Rio de Janeiro/RJ (1944).
Dia 15
– Nasce Grande Otelo, ator de cinema e TV e um dos ícones da cultura negra. Rio de Janeiro/RJ (1915).
Dia 24
– Morre Rosa Parks, líder do Movimento dos Direitos Humanos. América do Norte/EUA (2005).
NOVEMBRO
Dia 01
– Criado o bloco afro Ilê Aiyê, uma das primeiras agremiações carnavalescas a agregar negros no Brasil. Salvador/BA (1974).
Dia 10
– Retrocesso: Governo Médici proíbe a imprensa de publicar notícias sobre índios, Esquadrão da Morte, guerrilha, movimento negro e discriminação racial (1969).
Dia 19
– Nasce Paulo Lauro, que viria a ser o primeiro prefeito negro de São Paulo/SP (1907).
– Retrocesso: Rui Barbosa manda queimar todos os papéis, livros de matrícula e registros fiscais relativos à escravidão existentes no Ministério da Fazenda (1890).
– Lançado o primeiro volume de Cadernos Negros. São Paulo/SP (1978).
Dia 20
– Dia Nacional da Consciência Negra.
Dia 20
– Morre Zumbi dos Palmares, principal representante da resistência negra à escravidão e líder do Quilombo dos Palmares. Alagoas/AL (1695).
Dia 22
– Revolta da Chibata. Rebelião liderada por João Candido, o “Almirante Negro”, contra os maltratos sofridos na Marinha Mercante. Rio de Janeiro/RJ (1910).
Dia 24
– A Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco) reconhece o Samba do Recôncavo Baiano como Patrimônio da Humanidade. (2005).
DEZEMBRO
Dia 01
– O ofício da Baiana do Acarajé é tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Nacional (2004).
Dia 02
– Dia Nacional do Samba, uma das principais vertentes artísticas da cultura negra.
Dia 05
– Retrocesso: Constituição proíbe negros e leprosos de freqüentar escolas públicas no Brasil (1824).
Dia 10
– Aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).
Dia 20
– Lei nº 7437/85 Estabelece como contravenção penal o tratamento discriminatório no mercado de trabalho, por motivo de raça/cor (1985).
Foi aprovado, na semana passada, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Projeto de Lei que permite aos afrodescendentes e indígenas a inserção de sobrenomes de origens étnicas em seus documentos de identidade. A proposta por trás da medida é resguardar a identidade cultural e familiar destes grupos que carregam nos nomes valores em torno de sua ancestralidade.
O Projeto aprovado é um substitutivo apresentado pelo deputado Márcio Marinho (PRB-BA) ao Projeto de Lei 803/2011, dos deputados petistas Nelson Pellegrino (BA), Edson Santos (RJ) e Luiz Alberto (BA), que beneficiava apenas os afrodescendentes. “A regra deve também permitir ao índio o acréscimo de nomes de ancestrais, guardando simetria com o tratamento dispensado aos afrodescendentes”, esclareceu Marinho.
O novo texto altera a Lei de Registros Públicos (6.015/73), que possibilita a mudança de nome somente aos maiores de 18 anos. Assim, as crianças nascidas a partir da sanção do projeto já poderão ter, em seus primeiros registros, suas referências étnicas. O substitutivo também destaca que os sobrenomes afrodescendentes ou indígenas serão acrescidos ao nome, uma vez que os apelidos de família não podem ser prejudicados.
Tramitação – Para ser sancionado, o projeto tramita em caráter conclusivo restando ser avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados.
Herança étnica – Para Ogan Renato de Xangô, presidente da Casa de Cultura Ilê Asé d’Osoguiã (IAÔ) do estado da Paraíba, a iniciativa é de essencial importância por se tratar da valorização da identidade brasileira. “É um reconhecimento das nossas raízes africanas e uma forma de documentá-las legalmente”, afirma.
A Yalorixá da Casa de Cultura, Mãe Tuca de Oxalá, trata a medida como um avanço da população negra lembrando se tratar de uma reparação à violência sofrida pelos africanos escravizados no Brasil. “Eles perderam o direito a pertencer às suas famílias e até os seus nomes. Eram chamados pelos que lhes eram impostos pelos portugueses e outros colonizadores”, explicou. Para ela, o projeto não apenas resgata a identidade, ele também fortalece a população negra para novas lutas em prol de seus direitos.
Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, a historiografia brasileira ainda aborda o tema do negro partindo quase exclusivamente de duas vertentes: a da escravidão e a das relações raciais no país. O resultado é que a população e os estudiosos deixam de conhecer personagens, instituições e movimentos negros que se destacaram depois da abolição, ocorrida em 1888. Com o objetivo de preencher essa lacuna, Flávio Gomes e Petrônio Domingues organizaram a coletânea Experiências da emancipação (Selo Negro Edições, 312 p., R$ 74,90).São 11 artigos escritos por pesquisadores das principais universidades do país e dois produzidos por historiadores norte-americanos. Longe de adotar uma linguagem acadêmica, os textos tornam acessíveis informações imprescindíveis para compreender as lutas pela igualdade no país.
O período estudado – 1890 a 1980 – mostra um Brasil marcado por fortes contrastes e pouco ou nenhum acesso da população afrodescendente a direitos básicos como saúde, moradia e educação. Da consolidação da República ao êxodo rural, das disputas por poder às ditaduras instituídas em 1930 e em 1964, foram muitos os negros que, de forma pública ou anônima, procuraram combater o preconceito e a desigualdade.
Capa do livro: Experiência da Emancipação
“O painel esboçado nesta coletânea abrange personagens, instituições e movimentos que leram o mundo de acordo com diferentes experiências históricas e, a partir daí, cumpriram um papel ativo na construção da cidadania dos negros brasileiros”, afirmam os organizadores. Já estava na hora de alguém contar essas histórias.
Os organizadores
Flávio Gomes é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atuando nos programas de pós-graduação em História Comparada e em Arqueologia. Licenciado em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em História Social do Trabalho e doutor em História Social pela Universidade Estadual de Campinas. Publicou livros, coletâneas e artigos em periódicos nacionais e estrangeiros. Atualmente desenvolve pesquisas na área de história comparada.
Petrônio Domingues é doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e professor adjunto do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Publicou, entre outros trabalhos, o livro A nova abolição (Selo Negro, 2008). Atualmente, desenvolve pesquisas sobre populações da diáspora africana no Brasil e nas Américas, pós-emancipação, movimentos sociais, identidades, biografias, multiculturalismo e diversidade etnorracial.
Serviço Experiências da emancipação
Organizadores: Flávio Gomes e Petrônio Domingues
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 74,90
A estagiária Ester Elisa da Silva Cesário acusa seus superiores de perseguição e racismo. Conforme Boletim de Ocorrência registrado no dia 24 de novembro, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, ela teria sido forçada a alisar o cabelo para manter a “boa aparência”. A diretora do Colégio Internacional Anhembi Morumbi ainda teria prometido comprar camisas mais cumpridas para que a funcionária escondesse os quadris.
Ester conta que foi contratada no dia 1º de novembro de 2011, para atuar no setor de marketing e monitorar visitas de pais interessados em matricular seus filhos no colégio, localizado no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo. A estagiária afirma ter sido convocada para uma conversa na sala da diretora, identificada como professora Dea de Oliveira. Nos dias anteriores, sempre alguém mandava recado para que prendesse o cabelo e evitasse circular pelos corredores.
“Ela disse: ‘como você pode representar o colégio com esse cabelo crespo? O padrão daqui é cabelo liso’. Então, ela começou a falar que o cabelo dela era ruim, igual o meu, que era armado, igual o meu, e ela teve que alisar para manter o padrão da escola.”
Além das advertências, Ester afirma ter sofrido ameaças depois de revelar o conteúdo da conversa aos demais funcionários do colégio. Eles teriam demonstrado solidariedade ao perceber que a estagiaria estava em prantos no banheiro.
“Depois disso, eu me vesti para ir embora e, quando estava saindo, ela me parou na porta e disse: ‘cuidado com o que você fala por aí porque eu tenho vinte anos aqui no colégio e você está começando agora. A vida é muito difícil, você ainda vai ouvir muitas coisas ruins e vai ter que aguentar’.”
Colégio se defende
Após contato da reportagem, um funcionário indicado pela Direção do Anhembi Morumbi informou que a instituição não recebeu nenhuma notificação sobre o registro do Boletim de Ocorrência. Ele negou a existência de preconceito e se limitou a dizer que “o colégio zela pela sua imagem e, ao pregar a ‘boa aparência’, se refere ao uso de uniformes e cabelo preso”.
A advogada trabalhista Carmen Dora de Freitas Ferreira, que ministra cursos no Geledés – Instituto da Mulher Negra – assegura que a expressão “boa aparência” é usada frequentemente para disfarçar preconceitos.
“Não está escrito isso, mas quando eles dizem ‘boa aparência’, automaticamente estão excluindo negros, afrodescendentes e indígenas. O padrão é mulher loira, alta, magra, olhos claros. É isso que querem dizer com ‘boa aparência’. E excluir do mercado de trabalho por esse requisito é muito doloroso, afronta a Lei, afronta a Constituição e afronta os direitos humanos.”
Métodos conhecidos
De acordo com o depoimento da estagiária, as ofensas se deram em um local reservado. A advogada explica que essa prática é comum no ambiente de trabalho, além de ser sempre premeditada.
“O assediador sempre espera o momento em que a vítima está sozinha para não deixar testemunhas, mas as marcas são profundas. O preconceito é tão danoso, que ele nega direitos fundamentais, exclui, coloca estigmas, e a pessoa se sente humilhada, violentada. Quando o assediador percebe a extensão do dano, ele tenta minimizar, dizendo ‘não foi bem assim, você me interpretou errado, eu não sou discriminador, na minha família, a minha avó era negra’.”
Ester ainda afirma que teria sido pressionada a deixar o trabalho, ao relatar o ocorrido a uma conselheira do Colégio. Como decidiu permanecer, passou a ser vigiada constantemente por colegas.
“Eu estou lá e consegui passar numa entrevista porque sou qualificada para o cargo, mas ela não viu isso. Ela quis me afrontar e conseguiu abalar as minhas estruturas emocionais a ponto de eu me sentir um lixo e ficar dois dias trancada dentro de casa sem comer e sem beber. Você pensa em suicídio, se vê feia, se sente um monstro.”
Sequelas e legislação
Ester revela que as situações vividas no trabalho mexeram com sua auto-estima e também provocaram grande impacto nos estudos e no convívio social.
“Desde que isso aconteceu, eu não consigo mais soltar o cabelo. Quando estou na presença dela eu me sinto inferior, fico com vergonha, constrangida, de cabeça baixa. É a única reação que eu tenho pela afronta e falta de respeito em relação a mim e à minha cor.”
O Boletim de Ocorrência foi registrado como prática de “preconceito de raça ou de cor”. A Lei Estadual nº 14.187/10 prevê punição a “todo ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física”. Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e à cassação da licença estadual para funcionamento.
Dois de dezembro, Sexta-feira, Dia do Samba. A Fundação Cultural Palmares divulgou uma lista com alguns eventos que vão acontecer em vários Estados do Brasil hoje e amanhã. Confira:
Bahia
No Largo do Pelourinho, a partir das 19h, haverá apresentações de Bloco Alvorada,
Alerta Geral, Reduto do Samba, Proibido Proibir, Pagode Total, Arnaldo e Tempero do
Samba, Beto Jamaica, Washington e Nelson Rufino. No Largo Pedro Archanjo, se
reunirão grupos culturais populares. No Largo Tereza Batista grupos de pagode
complementarão a noite.
Ceará
Em Fortaleza, as homenagens tiveram início com a Aurora do Samba na Praça do
Ferreira. No sábado, o Trem do Samba sairá às 9h40 da Estação João Felipe e seguirá
até Caucaia com animados grupos de samba nos vagões. Às 19h, o encerramento será
marcado com shows de Carlinhos Palhano, Bateria Tom Maior e Chapinha do Samba da
Vela, entre outros na Praça Verde do Dragão do Mar.
Minas Gerais
A cantora de samba Elzelina Dóris ministra debate em torno do Dia Nacional do Samba
e da cultura afro-brasileira como forma de inclusão educacional e necessárias nos
currículos escolares. O evento que faz parte do projeto Cantando e Contando a História
do Samba da Fundação Cultural Palmares acontece na Universidade Federal de Minas
Gerais.
Rio Grande do Sul
Uma grande homenagem a sambistas, compositores e intérpretes marcará a sexta-feira
em Porto Alegre, a partir das 21h. O evento será marcado pela apresentação de duas
bandas: Grupo Seu Samba e Grupo Contratempo. A festa terá a participação de
convidados e canjeiros e acontecerá na Rua Sarmento Leite, 876.
Rio de Janeiro
O Trem do Samba, que transita da Central do Brasil ao subúrbio de Oswaldo Cruz,
transporta mil pessoas a cada viagem e passa por bairros marcados pela música popular.
A comemoração, que neste ano seguirá até sábado (3), contará com shows de grandes
nomes da música. As velhas-guardas de escolas de samba também participarão da festa.
Os shows acontecerão ao lado da Central do Brasil, sempre a partir das 20h.
Rondônia
O Dia Nacional do Samba na capital rondoniense será comemorado a partir das 20h no
Mercado Cultural com a presença do compositor Adalto Magalha (RJ), autor de sambas
como: Corda no Pescoço, interpretada por Beth Carvalho; AH! Moleque cantada pelo
grupo Molejo; Hoje Vou Pagodear, pelo grupo 100% e Rendição conhecida na voz de
Almir Guineto.
Roraima
A escola Independente de Boa Vista preparou um conjunto de atividades que teve início
com uma alvorada de samba às 6h. A programação incluiu almoço acompanhado de boa
música. Será encerrada as 21h com o show Rocinha é paz com o intérprete oficial da
Acadêmicos da Rocinha, Anderson Paz e as passistas Borboletas encantadas da
Rocinha. As atividades serão realizadas na quadra da escola em Itaquari.
São Paulo
A Liga Independente das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Guarulhos
(Liesg), em parceria com a Secretaria de Cultura, lançarão oficialmente o CD do
Carnaval 2012, com os sambas-enredos das agremiações da cidade. O evento
acontecerá no calçadão da Rua Dom Pedro II, no Centro de Guarulhos, a partir das 19h,
e contará com a presença de intérpretes das escolas e da Corte Oficial do Carnaval 2012.
A partir das 15h, rodas de samba com os grupos Samba da Arca, Canto pra Velha
Guarda, Samba da Canja, Ciranda do Povo e convidados serão responsáveis pela festa.
O evento será aberto ao público.
Santa Catarina
Em Florianópolis, os usuários do transporte coletivo começaram o dia ao som de samba
no Terminal de Integração do Centro (Ticen). O encerramento acontecerá, a partir das
19h, com um grande show no Mercado Público que contará com apresentações de
sambistas, intérpretes, compositores e integrantes de agremiações carnavalescas. O