Nesses anos todos entrando nas empresas para falar de contratação de profissionais negros, já vi e ouvi muitas coisas que vocês nem imaginam, entre tantas, listo aqui seis mitos para iniciarmos uma reflexão, um debate, sobre isso:
1* não encontramos negros capacitados Esse é o número 1. É incrível! Muitas empresas dizem que não estamos qualificados, que não temos todos os requisitos das vagas sendo que, discriminam o profissional negro no recrutamento. Excluem currículos pelo bairro que moram, pelo tipo de faculdade que cursam, quem não fez faculdade…
2* nunca nem percebi que não tinham negros aqui É “comum” ver a maioria dos funcionários brancos enquanto a maioria da população é negra? Se nós somos mais de 50% da população brasileira deveríamos ter números compatíveis no mercado de trabalho não? Como é que não percebem que faltam negros nas empresas? Nas 500 maiores e melhores, segundo pesquisa do Instituto Ethos, somos 31,1% e os brancos 67,3%. As mulheres negras são as que mais sofrem por terem menos oportunidades e quando tem ganham menores salários. Mesmo assim, das que conseguem ascender nesse cenário apenas 0,5% de mulheres negras estão entre os executivos brasileiros.
3* não existe racismo aqui na empresa, temos negros como seguranças Essa é do “mito da democracia racial” se hoje, temos qualificação profissional, experiência, currículo, porque não contratar mais negros além da área de segurança, recepção, limpeza? Porque não inserir mais negros no nível tático e estratégico?
4*para trabalhar numa empresa grande, só com cabelo alisado Nós mulheres negras temos mesmo a falsa ideia de que o cabelo liso é mais aceito, mais formal, mais comportado! Mito! Nosso cabelo pode estar alinhado a qualquer tipo de empresa com o penteado, a trança, o acessório e o que mais você quiser usar no seu cabelo! Respeite o dress code (regras de vestimentas) da empresa e todos respeitarão o seu cabelo!
5* meu estilo não é aceito pela empresa Essa é complemento da anterior. Cada empresa tem seu dress code, sua forma de se vestir, suas regras, seu estilo. Alguns detalhados no regulamento interno, no código de ética, alguns são direcionados pelo tipo de mercado que a empresa está inserida, outros pelo tipo de produto que comercializa. Independente do tipo de empresa, você tem que saber ler esse código e estar formal, esportivo, se é casual. Na verdade, suas roupas vendem a imagem profissional de quem você é.
6* os programas de diversidade não aceitam negros Já é uma prática, oriunda das empresas multinacionais a inclusão de profissionais da diversidade, entre eles, estão pessoas com deficiência, mulheres, melhor idade, jovem aprendiz, LGBT e negros. A estratégia das empresas é diversificar o quadro de profissionais, na maioria branca e masculina. Assim, empresas que trabalham com programas de diversidade, incluem negros sim! Aliás, é até uma porta de entrada, mas, a maioria exige o conhecimento em inglês!
*Patrícia Santos de Jesus é pedagoga especialista em Recursos Humanos, idealizadora da consultoria EmpregueAfro, promove ações afirmativas para a inclusão e ascensão do negro no mercado de trabalho desde 2005.
São de impressionar as imagens de André Benjamin caracterizado como Jimi Hendrix. Também conhecido como André 3000, o músico do OutKast irá interpreta o lendário guitarrista em All Is By My Side. O filme fará sua estreia mundial no Festival de Toronto, mas ainda não possui previsão de lançamento nos cinemas brasileiros.
Curiosamente, All Is By My Side contará a história de vida de Hendrix sem utilizar músicas clássicas dele. O longa não obteve os direitos de uso das canções dele e acabará utilizando apenas músicas de outros artistas que foram cantadas por Jimi, como “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, “Hound Dog” de Elvis Presley e “Bleeding Heart” de Elmore James. Hayley Atwell, Imogen Poots e Ashley Charles completam o elenco. Mesmo sem ter estreado ainda, o visual de André Beijamin já parece convincente, como revela a presença no Top 15 da especial 20 atores que interpretaram artistas da música.
Eu cresci em um lugar onde não falamos muito sobre racismo, pois é um assunto quase proibido. Sempre que o mesmo surge, as pessoas tratam de mudar de tópico, agitando-se desconfortavelmente nas cadeiras, ou tratando de desmoralizar e “descategorizar” a discussão.
– Deixa disso rapaz, aqui não tem racismo, tem diferença social. Pessoas que têm e que não têm, apenas isso. Racismo é coisa dos países europeus. Por isso aprendi desde cedo, que não interessava falar sobre discriminação racial e acabei assim, perdendo uma grande oportunidade de saber quando se estavam a referir à mim de forma preconceituosa e racista.
Vim para o Brasil, estudar e continuei a dizer sempre que me perguntavam que ainda não tinha sido discriminado, pois na minha cabeça, discriminação era ser chamado de crioulo, ser associado à escravatura ou qualquer coisa parecida, ou ainda ouvir aquelas frases travestidas de sabedoria popular, do tipo: “Preto quando não suja na entrada, suja na saída”, ” Preto é como carvão, se não queima, suja” etc., porém, tinha-me passado despercebido um pormenor importante: a discriminação feita às claras era crime e por isso jamais alguém faria abertamente alguma brincadeira pretensamente racista. Por isso, era fácil ter a falsa impressão de que não havia discriminação.
Além disso, meus supostos novos amigos eram muito atenciosos comigo e por isso, jamais tomei como ofensa certas piadas. Aventei mesmo que podiam ser apenas resultado do à-vontade com que se acostumaram a tratar-me, de tal modo, que já não me questionava sobre aquela piadinha que faziam das fotos:
– Meu! Se não fosse pelo sorriso, não saberíamos onde você está;
Ou do folclore envolvendo uma espécie de virilidade bestializada, criando-se mitos de uma dotação masculina quase sobre-humana.
– Oh negão, se você entrar de sunga na piscina eu saio!
Como eu gostava de roupa branca, também não eram raros aqueles piadistas que me perguntavam como eu fazia para manter minhas roupas tão brancas? Normalmente todo mundo achava graça dessas piadas e às vezes eu mesmo chegava a cair também na risada, por que na minha cabeça de recém-chegado, desacostumado às minúcias desses movimentos discriminatórios, aquelas piadas eram brincadeiras inocentes.
Não demorou e comecei inclusive a comprar o discurso de que aqui não tem preconceito, que o que existe é nada mais do que um complexo de inferioridade introjetada pelos “morenos” (morenos como um eufemismo pobre, diga-se de passagem, para preto ou negro). Ou seja, o preconceito, estava na cabeça dos pretos, que tinham complexo de inferioridade e outros problemas de aceitação. Entretanto, ninguém parecia muito preocupado em questionar como estes supostos “problemas de aceitação” se criam, afinal, ser preto pode ser uma questão genética, mas o sofrimento que advém disso, com certeza está muito além do genético.
* Angolano,natural do Bié, reside atualmente em São Paulo. Doutorando do curso de Psicologia pela Unesp/ Assis
Todo mundo já ouviu falar em ativador e prolongador de cachos, silicone, leave-in, spray de brilho, certo? Mas será que você sabe das diferenças que existem entre eles? A Prapreta resolveu te dar uma forcinha!
Ativador de cachos
Só quem tem cabelos cacheados e crespos sabe dos cuidados os fios merecem. O ativador de cachos pode ser encontrado na forma de spray, creme ou gel e possui ativos que desenvolvem a elasticidade. Com agentes hidratantes na fórmula que ajudam a soltar as mechas, as novas versões não deixam com aspecto pesados.
2- Ativador, Doux Clair Effets – Nutre os fios, sela as cutículas e mentem disciplinados.
Prolongador de cachos
Seu nome já diz tudo! Com ativos específicos, proporciona brilho, maciez e ação anti frizz para manter os cachos controlados e hidratados e dia todo.
– Boas pedidas para prolongar os cachos:
3- Prolongador de Cachos, Doux Clair – Hidratação e definição por muito mais tempo.
4- Set in Free, Deva Curl – Segura os cachos, protege e dá brilho por até 48h.
Sérum e silicone
Para acabar com o frizz! Pode ser usado como um reparador de pontas, a diferença é que ele mais aquoso e possui propriedades de tratamento que ajudam conter o ressecamento. O sérum é mais bem absorvido pelos fios secos e por ser menos acumulativo que o reparador, pode ser aplicado mais de uma vez.
– Boas pedidas anti-frizz
5- Silken Seal Light, Avlon – Sela a cutícula, facilita a escova e não contém óleos.
6- MirrorCurls, Deva Curl – O primeiro sérum silicone-free, 99% natural e solúvel em água.
Leave-in
Creme para pentear! Isso mesmo, as empresas adotaram o mesmo nome por uma questão comercial. O leave-in tem função de hidratar e deixar os cabelos maleáveis e delicadamente modelados. Por ser um produto mais leve, sem tirar o volume ele desembaraça, dá brilho e mantém os cabelos comportados e sem aqueles arrepiados.
– Boas pedidas para pentear:
7- Leave-in KeraCare, Avlon – Deixa os cabelos macios e ajuda na prevenção de danos provenientes de ação térmica.
8- Angéll Gel Finalizador, Deva Curl – Mantém os cachos sem a sensação de cola ou rigidez.
Spray de Brilho
Cabelo sedoso é tudo de bom, além de sexy claro. Mas com o ressecamento causado por químicas e com agressões do dia-a-dia, esse efeito vai embora. A melhor solução para este caso é o spray de brilho. Rico em vitaminas, condiciona e deixa um toque macio.
– Boa pedida para dar brilho:
9- Pink Plus 2-N-1 Spray, Luster – Com manteiga de karitê, sua fórmula protege o couro cabeludo.
As ruas deixaram o recado: o atual sistema de representação política está falido e não nos representa! Seria também um aviso às Conferências Temáticas? Aliás, vivemos tempos onde se realizam muitas conferências. Tem pra todos os gostos: moradia, saúde, criança e adolescente, diversidade etnicorracial, mulheres, direitos humanos, segurança, etc. Mas, o que de fato se aproveita dessas conferências, para além de seus emblemáticos documentos finais repletos de boas propostas que, talvez por serem boas, jamais se concretizam? Não há intenção de dar conta da questão nesse texto, mas fazer uma provocação sobre um tema apenas: Efetivação das leis 10639/03 e 11645/08.
Em São Paulo, no final do mês de setembro deve acontecer a etapa regional da Conferência de Educação, que elege delegados para a Conferência Nacional de Educação – CONEA, que ocorrerá em 2014. Com a intenção de elaborar propostas para a etapa paulista, aconteceu nos dias 13 e 14 a I Conferência de Educação para Relações Etnicorraciais do Estado de São Paulo. Esta atividade foi uma vitória da sociedade civil organizada e em especial do FEDER – Fórum de Educação e Diversidade Etnicorracial. Afinal, é preciso dar visibilidade à questão da implementação da Lei 10639/03, alterada pela 11645/08, e claro, tentar comprometer setores públicos em sua efetivação.
Sim, é preciso expor o absurdo: Como é possível que 10 anos após sua aprovação, a Lei que institui a obrigatoriedade do ensino da História da África e das culturas africanas e indígenas no Brasil – apesar dos nobres esforços de militantes e grupos muitas vezes isolados – não tenha saído do papel? Se considerarmos que deveria ter sido publicada como lei complementar à Abolição, significa que já estamos 135 anos atrasados.
Pergunto aos estudantes que prestaram vestibular nos processos seletivos do último ano: quantas questões abordaram a história e a cultura afro-brasileira e indígena? Nem mesmo o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) – certamente menos injusto que os vestibulares tradicionais – despertou para esse problema. Há ao menos coerência. Por questão de lógica, é impossível cobrar um conteúdo que não foi ensinado em sala de aula.
Se é verdade que vivemos em um país estruturalmente racista; se é verdade que a população descendente das africanas, para além de jamais terem sidos reparadas ou indenizadas por um dos maiores crimes de lesa humanidade que se tem notícia – os quase 400 anos de escravidão no Brasil – ainda penam “como de costume”, com a negação de direitos, com a violência das polícias e o encarceramento, daí podemos extrair uma hipótese: provocar a lembrança da história de resistência dessa gente preta, pobre e fankeira pode ser perigoso! Seria um risco ver o povo brasileiro reconhecendo nos indígenas um passado em comum, marcado por violências de toda a espécie mas também – e principalmente – sua permanente disposição para a luta e a resistência.
Imagine o perigo: crianças negras, ao invés de brincarem de “polícia e ladrão” organizarem – no fundo do quintal, a rebelião das senzalas, com os meninos brigando entre si para decidir quem seria Zumbi dos Palmares! Ou mais: crianças brancas e negras, brincando de casinha e a pretinha, ao assumir “seu papel na brincadeira”, resolve preparar o veneno que vai servir de tempero no banquete da amiguinha ‘Senhora’.
Evidente que não seriam essas as práticas pedagógicas a serem fomentadas. Mas diante do risco de se alcançar o efeito que mais se espera de um processo educacional: a provocação da capacidade reflexiva, da capacidade crítica, da capacidade de comparação, de contextualização do problema real, enfim, imagine essas capacidades cognitivas, reflexivas e críticas relacionadas ao processo do que foi a escravidão e do que é a realidade a que a população negra e indígena é vive hoje.
Não. Uma lei dessas não pode dar certo. Armar os escravos? Jamais! Provocar sua tomada de consciência? De jeito nenhum!
Mas a História – ela de novo – ensina: Pretos e Índios se armam por sua própria conta. Para além de todas as propostas técnicas de implementação da lei, devemos exigir a criação de uma Lei de Responsabilidade Etnicorracial. Afinal, o gestor público deve ser responsabilizado por não cumprir seu dever: valorizar a cultura e a História do povo negro e indígena. Se o ensino da História da África, das africanas e suas descendentes, bem como da história e do povo indígena, é lei, cumpra-se!
O estudo da cor da pele é fundamental para compor uma bela imagem de forma harmônica. A pele negra foi identificada, com base no estudo das peles de Suzanne Caygill chamado Color Harmony, em 38 tons, classificados em seis categorias sendo:
dois grupos de peles quentes;
dois grupos de peles frias;
dois grupos de peles neutras.
O nome dado a cada um dos grupos são derivados de nomes de regiões, ritmos musicais e temperos.
Calipso: um ritmo musical caribenho, alegre e agitado, pele quente e dourada que combina com quase todas as cores quentes, mas especialmente com a luminosas, em que predominam o amarelo-dourado e os tons quentes de rosa como (salmão, coral e pêssego), tanto na roupa quanto no cabelo e na maquiagem. É recomendando joias e acessórios dourados.
Spike: significa temperado com condimentos quentes e apimentados, é avermelhada e é encontrada facilmente no Brasil. É uma pele que se harmoniza com cores avermelhadas e alaranjadas, vivas e quentes. O ideal é usar acessórios e joias dourados.
Saara: corresponde à cor do deserto do Saara, um amarelo claro neutro, com tendência a frio. As cores que predominam para este tipo de pele é a cor fria (roxo, magenta, amarelos-claros, verdes-claros) e vários tons de bege. As joias e acessórios que combinam são os prateados.
Nilo: é o nome do rio africano, neutro e com tendência a ser frio, muito claro aproximando da cor marfim. Pela cor não se nota a ascendência negra, é uma pele clara e fria e não é muito comum no Brasil. As cores que combinam são as claras ou neutras frias como (cinza-azulado ou marrom-esverdeado-claro). Evite as cores escuras pois ficam com muito contraste, tornando a pele mais pálida e opaca. Use joias e acessórios prateados.
Jazz: é escuro da cor do chocolate ou café, seu nome deriva do gênero musical que alterna movimentos rápidos e lentos. Esse tipo de pele é encontrado em todas as regiões da África. É de cor fria, viva, pura e contrastantes com predominância para o magenta e o roxo. É recomendado usar acessórios e joias de qualquer tipo (prateados ou dourados).
Blues: nome de gênero musical conhecido por canções tristes e lentas, também é uma pele de cor fria, viva, pura e contrastante com predominância para o azul, verde e o carmim. Para joias e acessórios use os prateados.
Com essas dicas do seu tipo de pele, fica muito mais fácil na hora de escolher um look, um make e arrasar na produção.
Qualquer dúvida que houver contate uma Personal Stylist
Vou trazer aqui alguns looks com tendências e cores e, mostrar que além das passarelas pode ser usado no seu dia a dia e em todas as ocasiões. E observem o quanto fica bem valorizado essas tendências trazidos para tom da pele negra.
Vejam as dicas:
BRANCO TOTAL
É uma tendência que volta muito forte nesta estação e que combina demais ao tom de pele negra por trazer mais iluminação.
P&B – PRETO E BRANCO
Vem de forma e estrutura geométrica e listras de todos os tamanhos que pode ser combinado com alfaiataria.
LISTRAS
Continua forte na próxima estação e em diferentes tipos grossas, finas e coloridas.
ÉTNICO
Com influência africana, ritmos e alegria nas estampas bem coloridas e contrastantes.
ESTAMPA AZULEJO OU AZULEJO PORTUGUÊS
Com influência da arquitetura colonial portuguesa em azul e branco feitas em figuras geométricas, flores ou mistura das duas figuras.
ASSIMETRIA
Aparecerá em qualquer peça shorts, saia, blusas, vestidos.
CROPPED
Nada impede de as Plus Size também usarem essa tendência, desde que esteja com a barriga no lugar sem as partes salientes pra fora da calça e do top.
DECOTE NAS COSTAS
Decote nas costas estará em evidência junto com a barriga de fora, para quem tem o corpo no lugar Use e Abuse!!!
MIX DE ESTAMPAS
Fazendo um visual ousado e bem descontraído
Ou mais discreto
CORES FORTESSerá usado todos os tons em Amarelo, Verdes, Alaranjados, Vermelho, Azul, Rosa Pink e Roxo. Destaque em roupas e acessórios.
Como funciona nos EUA, todo mundo sabe. Tem uma gota de sangue africano, é negro. No Brasil, ser negro, é parecer negro. Por mais que seu corpo seja composto por mais genes africanos do que europeus, e sua vó seja do tom da Jovelina Pérola Negra, a cor da sua pele é quem define a que “clube” você pertence ou que deseja pertencer. A questão aqui não é de certo ou errado, é apenas a maneira que a questão “raça”, funciona no Brasil. Por conta disso, o jogador de futebol Ronaldo, ao não se declarar negro, gera histeria na comunidade negra. E se definir como não-negro, não é apenas uma negação das suas reais origens. Ele provavelmente foi “lido” como branco ao longo de sua vida. A atriz Débora Nascimento também espanta muita gente se afirmando negra. Sua pele e olhos claros, dentro da cultura brasileira, lhe dão a permissão de ser o que ela quiser. Palmas para ela que decidiu ser coerente e atribuir aos seus ancestrais africanos vários traços da sua beleza.
O burburinho do momento, novamente, é a questão das cotas, que voltou à tona depois da repercussão do caso do aluno Mathias de Souza Lima Abramovi, tido como branco, mas que se declara afrodescendente, portanto negro, para ter vantagens no processo seletivo para o Instituto Rio Branco. Sabe a questão americana do sangue? Esquece isso. Vamos transportar a “leitura de uma pessoa“ e definir a que grupo étnico ela pertence pelo ponto de vista brasileiro. Como? Vamos fazer um exercício juntos, respondendo as perguntas abaixo:
O candidato, que se autodeclarou como afrodescendente:
a)Está no perfil físico dos negros vítimas de homicídio?
b) Teria alguma dificuldade, num processo seletivo de uma empresa por conta da sua aparência?
c) Seria motivo de piadas racistas na escola?
d) Seria preterido pela família da namorada, se ela fosse branca?
e) O segurança do shopping o veria como suspeito?
f) A senhora racista seguraria sua bolsa caso o avistasse na rua?
Ele pode ter mais genes africanos do que o Lázaro Ramos, mas ele não se encaixa no grupo de pessoas que sofrem de racismo em nosso país, e não, não precisa de nenhum tipo de benefício para chegar onde quiser. O próprio jornal O Globo o definiu como branco e este é provavelmente “o clube” a que ele pertença, mesmo que seus genes digam que não. Programas de ações afirmativas serão eficientes quando os envolvidos em sua implementação perceberem o óbvio: é a cor da pele que impede a ascensão do negro no Brasil. As dificuldades são proporcionais à quantidade de melanina. Chega de cinismo.
*Jornalista e Diretora de Conteúdo do Site Mundo Negro
Uma recente revisão dos dados do Departamento do Censo americano indica que há uma maior percentagem de crianças em idade escolar afro-americanas na escola comparado aos estudantes brancos nas faixas etárias comparáveis. Os dados foram publicados pelo Journal of Blacks no Ensino Superior e revela que havia cerca de 12 milhões de estudantes afro-americanos matriculados em todos os níveis de escolaridade. Isso representa 31,4 % da população negra nacional acima de três anos de idade. Isso se compara com um pouco menos de 23 % da população branca na mesma faixa etária.
Os números refletem dados obtidos pelo Censo Bureau (o equivalente ao IBGE nos EUA) em 2012. A mesma tendência se aplica ao ensino superior. Eles indicam que 8% da população afro-americana estava matriculada em faculdade ou pós-graduação. Entre os brancos a taxa é de 6,2% .
Na questão de gênero o censo aponta uma grande diferença. Os números indicam que 1,8 milhões de mulheres negras estavam matriculadas na faculdade, em comparação com 1,1 milhões de homens negros. As mulheres negras representavam 62 %do número de estudantes afro-americanos matriculados no curso superior.
Com muita arte, e exaltação da cultura negra, a Fundação Cultural Palmares comemora 25 anos e corre o Brasil com vários eventos. A celebração que começou em agosto chega ao Rio e São Paulo em Setembro. Porto Alegre, Alagoas e Vitória são outras cidades onde a instituição estará presente com debates e eventos culturais.
Confira a programação:
RIO DE JANEIRO
29 de agosto
14h às 18h – Abertura do Projeto “Memória e Identidade”
Tema: Jongo, caminhos de nossa ancestralidade
Local: Auditório Muniz Aragão Rua da Imprensa, 16 – Centro,
7º andar – Rio de Janeiro. Foto: ASCOM/FCP14 de setembro
10h às 17h – Encontro “Quilombo Brasil”
Tema: Comunidade Remanescente de Quilombo de Santana (Quatis) recebe os
jongueiros da Comunidade Remanescente de São José da Serra (Valença).
Local: Comunidade Remanescente de Quilombo de Santana (Quatis),
SÃO PAULO
12 de setembro
19h – Mesa Redonda: “O corpo negro na dança e nas artes plásticas”
Local: Auditório do MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos São Paulo/SP.
13 de setembro
19h – Mesa Redonda: “O corpo negro no teatro, na literatura e no fazer intelectual”
Local: Auditório do MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos São Paulo/SP. Foto: ASCOM/FCP
14 de setembro
09h às 20h – Atividade Especial: “Plantio das árvores sagradas”
Local: Solar das Andorinhas, R. Ivan de Abreu Azevedo,
333 Carlos Gomes – Campinas/SP.
26 de setembro
19h – Mesa Redonda: “O caminho editorial negro”
Local: Auditório do MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos São Paulo/SP.
03 de outubro
19h – Mesa Redonda: “Seminário Mídia e Relações raciais”
Local: Auditório do MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos São Paulo/SP.
04 de outubro
19h – Mesa Redonda: “Caminhos da nova mídia negra”
Local: Auditório do MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos São Paulo/SP.
26 de outubro
19h – Mesa Redonda: “Encontro de gerações entre escritoras negras”
Local: Auditório do MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos São Paulo/SP
PORTO ALEGRE
25 de setembro
14h – Ciclo de Palestras: “Manifestações afro-gaúchas e a dinamização das
culturas negras”
Local: FATO – Faculdades Monteiro Lobato, Rua dos Andradas, 1180, Centro, Porto
Alegre/RS
ALAGOAS
15 de outubro
14h – Mesa Redonda: “Gestão do Parque Memorial Quilombo dos Palmares
Local: Espaço Cultural Linda Mascarenhas, Avenida Fernandes Lima – Maceió/AL.
VITÓRIA
23 de outubro
14h – Ciclo de Palestras: “Jongos e Caxambus: interfaces entre religiosidade e
cultura afro-brasileira no Espírito Santo
Local: Auditório do Centro de Educação- IC- IV- Universidade Federal do Espírito
Santo- UFES, Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vitória/ES.