Nesta segunda-feira (16) os fundadores do Quilombo PcD, Flávia Diniz e Marcelo Zig, ocupam o Instagram do dramaturgo Rodrigo França. “Estamos super felizes por fazermos está linda travessia por temas tão importantes para a sociedade“, celebram Flávia e Marcelo.
Flávia Diniz é produtora cultural e fundadora do Resenha das Pretas, já Marcelo Zig é filósofo e fundador do Projeto Mergulho Cidadão, ambos fundadores do Quilombo PcD. Na ocupação, eles abordaram assuntos como: Educação, moda, paternidade, maternidade, lazer, cultura e afetividade. Sempre trazendo a perspectiva da pessoa preta com deficiência.
Flávia explica por que esse recorte é tão importante: “Porque nós enquanto pessoas pretas com deficiência somos empurrados para a margem uma vez que nossos corpos pretos são expropriados pelo racismo única e exclusivamente como mão de obra porem somos ainda mais acachapados para a margem da margem quando o capacitismo diz que nem esta serventia nossos corpos com deficiência possuem”.
Tão importante quanto dar voz a pessoas PcD´s é também ouvi-las. Os fundadores do quilombo PcD fazem o convite mas lembram “não somos nossas deficiências somos pessoas“.
Serviço
Ocupação PcD Onde: Instagram @rodrigofranca Quando: Segunda-feira, 16 de novembro e terça-feira (17) “Venha sorrir, chorar, prosear, refletir, trocar, construir, nos conhecer, se conhecer, e juntas e juntos identificarmos saídas para questões históricas que nos distanciam a todos nós, sem distinção, da nossa própria humanidade”.
Não é novidade que a relação da mulher negra com seu cabelo raramente inicia sendo das melhores: a ditadura do liso como única alternativa, as piadas racistas, o bullying e a falsa ideia de um “cabelo ruim” ou “cabelo difícil”. Quantas de nós maltratamos nossos cabelos até que não sobre alternativa além da transição capilar seguido do big chop (grande corte) – sem contar aquelas que passam por esse processo mais de uma vez.
Aquela velha história do racismo que nos fez odiar nossos traços e o nosso crespo/cacheado está incluindo nisso. A falta de representatividade nas novelas, o padrão de beleza imposto de mulher branca, magra e lisa, bem como a ausência de produtos específicos para cabelos cacheados e crespos corroborou por anos a afiliação de possuir um cabelo afro. Nos fez acreditar que possuir um cabelo afro era sinônimo de desleixo, desarrumação ou dificuldade. Como se fosse inerente aos crespos e cachos estar sendo preso. Mentiram para nós por anos. E nós, infelizmente, acreditamos.
Hoje em dia, para algumas mulheres negras, está mais fácil aceitar os cabelos de raízes e texturas mais grossas, mas houve um tempo em que corríamos para diversas soluções para simplesmente escondê-los.
É claro que podemos usar nosso cabelo da forma que nos sentimentos mais confortáveis, box braids, lace, twists, nagô e até alisados, encontramos diversas versões e mantemos a que nos faz radiar. Mas, o ideal é entendermos o porquê de não nos sentimos confortável justamente com a forma original dele, o que está por trás disso já sabemos e o importante é que mesmo que indiretamente cada vez mais mulheres negras estão aceitando suas versões originais e ganhando confiança para aderir outras.
Porque cabelo de negro não é só resistente
É resistência. (2016, p.11). Mel Duarte
Enquanto mulheres negras, nosso cabelo fala mais por nós do que imaginamos, quando estamos acanhadas, ele mostra presença e deixa recados, através de algumas versões além de contar nossas histórias, ele conta a de nossos antepassados. Já passou a época em que nos envergonhávamos dele, hoje eu arrisco dizer, que o cabelo da mulher preta é o que mais lhe dá orgulho.
No mês de novembro, a nossa intenção é contemplar a beleza de mulheres negras, crespas, cacheadas, trançadas, em transição, carecas, das laces e quantas mais versões de nós existir. Porque a nossa beleza é plural, para isso conversamos com algumas seguidoras do Mundo Negro, para saber a atual relação com seus cabelos.
Para as crespas: Por muito tempo o cabelo crespo foi diminuído “cabelo duro, cabelo ruim, bombril” eram apelidos usados pelos racistas para nos ridicularizar e fazer com que odiássemos nossos traços, porque eles sabiam que desde o momento que olhássemos nosso crespo com outros olhos e notássemos a potência dele, nada mais poderia nos ofender. O cabelo crespo é resistência, foi por muito tempo o caminho que guiava nossos ancestrais e a história que o cabelo crespo carrega é do trajeto para nossa liberdade! Por isso, devemos nos gabar dos nossos crespos, sim e ter muito orgulho dele!
“Tenho muito orgulho, por conta de todo preconceito que já enfrentei por conta do meu crespo. Hoje em dia aceitar ele do jeito dele é uma superação. Eu levei 30 anos para aceitar meu cabelo natural e hoje em dia não trocaria por nenhum outro cabelo do mundo” contou a seguidora Viviane @vivifragoso
Para as alisadas:
Há um mito de que a mulher negra precisa usar o seu cabelo natural, independente se prefere de outra forma ou não. Mas acontece que a mulher negra pode usar o seu cabelo como prefere e se sente bem, e não deixará de ser negra por isso, como já dito o importante é entender o que está por trás do “não gostar do natural” e trabalhar em cima disso. Mas nós não saímos da ditadura do liso há alguns anos para entrarmos na ditadura dos cachos a essa altura.
“Entendo que mesmo sendo negra meu cabelo pode ser uma referência mesmo não utilizando ele de maneira natural.” Contou nossa seguidora, Morgana Tays (@morganatays8)
Para as em transição: Estamos juntas! Muitas mulheres negras se sujeitam as químicas desde cedo, e nós sabemos o quanto o processo de transição capilar pode mexer com a gente, o famoso dia de lutas e dias de glória. Um dia acordamos feliz com mais um cachinho que se formou e no outro estamos indignadas com uma parte que não cacheia de jeito nenhum, mas ainda assim, o processo é de muita descoberta!
“O processo de transição capilar me abriu portas para o autoconhecimento e aceitação. Eu vivia inserida na cultura branca, (…) a falta de representação negra com cabelos cacheados e crespos nesse mundo fazia com que eu não me aceitasse da forma que sou, principalmente na questão com meus cabelos. Foi quando decidi passar pelo processo de transição capilar, pesquisei muito, conversei com muitas pessoas e decidi iniciar essa caminhada. Certamente foi a melhor escolha que fiz, estou há quase um ano e pude me conhecer como nunca antes. Durante esse processo, conheci pessoas como eu que me inspiram e me interessei em buscar artistas e personagens que me representassem também. O processo de aceitação não é do dia para a noite, mas posso dizer que a transição tem me ajudado de forma diária a buscar o melhor de mim, a me olhar no espelho e aceitar os meus cachos cheios como são.” Contou nossa seguidora Nicolle Moraes (@transicaodanic)
Para as trançadas:
As tranças – de seus variados modelos – são um grande símbolo de resistência. É histórico e, sobretudo, cultural. Grande símbolo de nossos ancestrais que utilizavam das tranças para diversas situações.
“Usar trança pra mim sempre foi muito além de só um estilo, trança sempre foi identidade. Graças à elas, consegui me libertar do cabelo alisado, graças a elas recuperei minha autoestima e me empoderei. A minha relação com as tranças sempre foi algo além, é uma sensação de poder, de autoestima, de força… quando me vi de box braids pela primeira vez foi um misto de sensações que nem sei explicar. Botei na minha cabeça que ia aprender a trançar meu próprio cabelo, tentei, tentei até que consegui e hoje em dia trabalho com isso. É maravilhoso, ajudar mulheres negras, aumentar a autoestima delas como a minha foi aumentada, parece que eu volto em 2015 e me vejo em cada reação das minhas clientes ao se ver no espelho. Acredito que tenho um dom ancestral e me orgulho dele.” Declarou a seguidora e trancista, Flávia Trindade (@ffflav)
Para as carecas:
A liberdade capilar também estar em não ter cabelos! Sim! Podemos raspar nossos cabelos e não seremos menos femininas, tampouco menos negras. A liberdade capilar de escolher ser e estar como queremos. Às vezes o ato de raspar o cabelo traz uma força inimaginável para a mulher preta. Além de ser super estiloso!
“Ter meu cabelo curto para mim significa coragem, significa não me basear em padrões, significa acordar pronta, significa me ver no espelho (já que não tenho cabelo para “me esconder”), significa olhar para o meu rosto e pensar: “como sou linda”, significa mostrar às meninas que elas podem ter o cabelo que quiserem, significa mostrar que a beleza não se resume num cabelo.” Desabafou a seguidora, Jade Lima (@jadels100)
Muitas versões né, e tudo isso para mostrar que somos quem queremos ser e somos lindas de todas essas formas, por isso, abrace as suas versões e tire o melhor delas!
A partir do dia 16 de novembro, segunda-feira, as orquestras do Programa Orquestra nas Escolas, se apresentam em locais públicos do Rio de Janeiro. Crianças e jovens do projeto, promovido pela Secretaria Municipal de Educação e com patrocínio da Uber, vão às ruas do Largo da Carioca, Central do Brasil, Praça Mauá e Cinelândia às 16h30; e em Cais do Valongo onde a apresentação acontece às 10h30.
Nos dias 23 e 25 de novembro, a Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca vai executar a ópera ‘O Morro Canta Canudos’, às 19 horas, com a participação especial do cantor Toni Garrido, diretamente da Cidade das Artes (RJ), com transmissão ao vivo pelo Canal do YouTube do Programa Orquestra nas Escolas. Músicas como, Pelo telefone (Donga, 1917), Suíte Pixinguinha, 5º mov: Ainda me Recordo (Anderson Alves), O Morro Não Tem Vez (Tom Jobim), Alguém me avisou (Dona Ivone Lara) e O sol nascerá (Cartola), fazem parte do repertório do Concerto.
“A música e a arte são instrumentos potentes que nos ajudam a refletir e transformar a nossa maneira de pensar e entender o mundo. Trouxemos, para exaltar a Semana de Consciência Negra, o musical “O Morra Canta Canudos”, para que de maneira poética possamos cantar e contar nossa história, memória e raízes ancestrais.”, reflete Moana Martins, Coordenadora Geral do Programa Orquestra nas Escolas
O Morro Canta Canudos reúne música de concerto e música popular, para contar parte da história da nossa ancestralidade, bem como a importância da matriz africana para a formação sociocultural do Brasil. A partir da relação entre a ambulante Dona Zilá e sua neta Dandara, que estuda para ser advogada, o espetáculo passeia por diferentes eventos históricos, tais como: a travessia dos navios negreiros; a criação do Morro da Favela pelos soldados de Canudos; a população do cortiço Cabeça de Porco; a apresentação do maxixe de Chiquinha Gonzaga no Palácio do Governo; o nascedouro do samba pela Gamboa e arredores (incluindo Tia Ciata e o samba de roda baiano).
Para finalizar, uma grande celebração carnavalesca. Contada por meio de esquetes, com fragmentos desses eventos, o espetáculo inclui também um grupo de dança, que acompanhará algumas das músicas da OSJC. Vídeos de alunos da rede pública carioca de ensino ao lado de seus professores e familiares, levando ao público mensagens de liberdade, igualdade e esperança no futuro.
SERVIÇO
Programa Orquestra nas Escolas exalta a Semana da Consciência Negra
Orquestra vai às ruas
16/11 (2af), 16h30: Largo da Carioca | OSJC Santa Cruz
17/11, 3af, 16h30: Central do Brasil | Jazz Sinfônica
No Mês da Consciência Negra, a Amazon.com.br promove uma ação organizada pelo Black Employee Network (BEN). O grupo de afinidade de funcionários negros da empresa irá apoiar a luta pela igualdade racial com uma curadoria de produtos que terá 15% do valor das vendas destinados para a ONG Desabafo Social.
A ONG Desabafo Social criou uma comunidade para resolução de problemas da sociedade, incluindo a desigualdade racial, em campos de tecnologia, comunicação e educação, com ações de geração de renda, projetos editoriais, treinamentos e consultoria criando possibilidades para novos negócios sociais.
Para conferir todos os produtos incluídos na ação, os clientes podem acessar a página amazon.com.br/consciencia negra.
Entre os livros e eBooks participando na ação estão:
• Mulheres, raça e classe, de Angela Davis
• Minha História, de Michele Obama
• Pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro
• Olhos d’água, de Conceição Evaristo
• Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie
• Torto arado, de Itamar Vieira Junior
• Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak
• Kindred : laços de sangue, de Octavia E. Butler
• De bala em prosa: Vozes da resistência ao genocídio negro, vários autores
• Sulwe, de Lupita Nyong’o
• Sinto o que sinto: e a incrível história de Asta e Jaser, de Lázaro Ramos
Os títulos acima estão disponíveis na Amazon.com.br em livro físico e na versão em eBook Kindle.
Além desses, há diversos eBooks gratuitos sobre diversidade e com temáticas raciais para o público jovem e infantil. Também é possível encontrar itens de beleza para a pele negra e os cabelos crespos e cacheados; álbuns e uma playlist da Amazon Music valorizando artistas negros; brinquedos com representatividade; filmes com protagonistas negros e outras formas de contemplação da cultura negra; como camisetas com personagens negros e lápis de cor com seis tons de pele disponíveis.
O período da campanha com a doação para a Desabafo Social será até o dia 30 de novembro.
No Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, acontece a terceira edição do projeto literário “Reconto cada qual no seu Recanto”, com histórias tradicionais africanas, além de contos e mitos afro-brasileiros. Serão três horas de transmissão ao vivo, das 15h às 18h. Cada convidado contará três histórias intercaladas entre canções, parlendas e poemas. Ao final, acontece um bate-papo com o público.
Destinada para crianças de todas as idades, a mostra internacional de contadores de histórias tem intenção de fazer a economia criativa girar e promover encontros antes impossíveis presencialmente. As rodas de histórias temáticas recebem três convidados nacionais de estados diferentes e um convidado internacional, e, como diz o título, “cada qual no seu recanto”.
A idealização e direção artística são de José Mauro Brant, premiado ator, autor teatral, com quase trinta anos dedicados ao ofício de narrar histórias, que divide a curadoria com Benita Prieto, experiente contadora de histórias e produtora de eventos na área da leitura e literatura. Ambos também serão os apresentadores da mostra.
Os convidados da terceira edição são, Boniface Ofogo, de Camarões/África, Rogério Andrade Barbosa e Daniele Ramalho, do Rio de Janeiro; e Madu Costa, de Belo Horizonte.
SERVIÇO
Reconto cada qual no seu Recanto – Contação de histórias
Quando criança, eu sentia algo que não sabia explicar. Não me via nos livros, nas bonecas e na maioria dos desenhos e, se tinha alguém parecido comigo, poucas vezes era a protagonista. Eu me olhava no espelho e não entendia. Eu ia para a escola e não entendia. Tinha um vão dentro de mim que só mais tarde fui entender como uma consequência do racismo que, desde cedo, seguindo uma lógica de educação eurocêntrica, nos fez acreditar que éramos feias, que nossos antepassados tinham menos história ou conhecimento, que estávamos designadas a ser coadjuvantes e não protagonistas.
Pois bem, anos se passaram e aquele vão que eu sentia dentro de mim começou a ser aos poucos preenchido quando comecei a conhecer mais da nossa história, vasculhando tudo o que eu podia para também saber mais da história da minha família. A música preta teve um papel fundamental nisso. Sempre amei ouvir Djavan, também sentia algo que não sabia explicar, mas que era um misto de admiração com vontade de morar dentro das canções que eu ouvia, e que de alguma forma, também preenchiam o vão em mim. Os sambas, pagodes e coreografias de axé que eu fazia com minha irmã e meu primo, somados às batidas de funk, ao meu pai tocando violão e cantando com sua voz mansa, e às vozes das minhas tias cantando louvores, me tocavam e ecoavam dando preenchimento a esse vazio em mim.
Na música, eu finalmente me senti fazendo parte, senti que eu cabia ali também, que minha voz se encaixava com as dos que vieram antes, e possivelmente com os que estariam por vir. Eu não precisava refletir muito sobre isso, eu simplesmente sentia. Talvez essa sensação foi o que me conduziu nos anos seguintes a trabalhar como educadora pelo viés da arte, e principalmente da musicalidade preta.
Os cânticos vissungos, as loas de maracatu, a nota blues de um negro espiritual, a força de um partido alto, a magia das cirandeiras, os improvisos do jazz, as melodias do pagode, as rimas de um rap ou de uma embolada, tudo isso e mais ecoam a história, a força e a beleza que há na trajetória do povo preto. Eu vejo e reconheço por meio da música, da arte e da educação, uma possibilidade de recontar a história pelo nosso viés e também de ressignificar o nosso presente, além de imaginar futuros mais dignos.
Como artista-educadora busco levar essas referências para as aulas de música que dou e tenho vivenciado trocas incríveis. Um dos lugares onde trabalho como educadora de música é a Associação Vida Jovem, que tem um projeto de cultura voltado para adolescentes das regiões do Ipiranga, Heliópolis, Parque Bristol, Jardim São Savério e entornos. Levar o Hip Hop, especificamente o rap, paras as nossas aulas é sempre muito potente, pois os convida a falarem sobre suas vivências, seu contexto, seus territórios, suas raízes e também de suas particularidades. Não necessariamente todos que foram meus alunos e passaram por uma oficina de rap vão querer se tornar MC, cantor ou músico, mas eu espero que o fato de exercitarmos a escrita e fala sobre a nossa história, sobre quem nós somos, o que gostamos ou não, quais os nossos sonhos, contribua para o processo de autoconhecimento e afirmação de cada um.
Mostrar e exaltar compositores e compositoras negras, musicistas, gêneros musicais, histórias de resistência, valores e heranças culturais, é muito mais do que suprir a valorização cultural da população preta e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira, mas é fundamentalmente ecoar caminhos possíveis dentro de nós, lugares de pertencimento, nos reconhecer tanto quanto potência coletiva, quanto individual.
Hoje, com 24 anos, acredito que a arte e a educação quando caminham juntas, se tornam uma ferramenta poderosa. Enxergar por outras perspectivas, questionar a lógica branca, eurocêntrica e hegemônica, espalhar histórias de luta a fim de nos encorajar, resgatar o orgulho de ser quem somos, criar imaginários mais bonitos onde possamos existir para além da dor, não é um trabalho simples. Entretanto, pelos que vieram antes de nós e semearam coragem e fé em nós e nos nossos sonhos, isso se torna uma realidade possível. A educação por si só, tem de ser antirracista, ou ela simplesmente não está educando, e sim mantendo uma estrutura hegemônica que nunca nos coube e cada vez menos será engolida.
Gabriellê é cantora, compositora e arte-educadora da zona Sul de São Paulo.
Léo Santos, é um ator e humorista soteropolitano, de 22 anos que já acumula mais 32 mil seguidores no Instagram e cerca de 55 mil no Facebook. Sua personagem, a mãe de santo ‘Mãe Rita’ foi criada em 2018 com o objetivo de ir contra o preconceito religioso. O artista que já foi compartilhado por personalidades como Yuri Marçal e Rico Dalasam, contou ao site Mundo Negro um pouco sobre seus objetivos de propagação da ancestralidade africana e como lida com os haters.
O artista explica a questão dos estereótipos em torno das religiões de matriz africana, que é comumente atacada, mas que em verdade não se diferencia muito de outras religiões. E usando o humor como ferramenta que ele busca transformar essa visão. “Mostrando que dentro da religião de matriz africana existe felicidade, alegria, ruindade, bondade, assim como as outras, que não são demonizadas. A demonização vem a partir de uma construção social, racista”.
Foto: Divulgação
Já sobre sua relação com os haters, pessoas que possuem intolerância religiosa e disseminam ataques em suas redes sociais, Léo conta que aprendeu a lidar mudando sua visão sobre quem é de fato o seu público de interesse para o consumo de seus conteúdos. “Sobre os haters, inicialmente eu ficava mal, mas depois pensei que se estou levando uma coisa boa, os ataques são de pessoas intolerantes, pois quem segue ou conhece a religião, não faria certos tipos de ações que fossem de encontro a uma pessoa que só queira levar a sua ancestralidade para cima”, reflete o ator e humorista.
O primeiro vídeo de Léo que viralizou alcançou mais de 870 mil visualizações no Facebook com o tema “O tipo de cada pessoa dentro do candomblé”.
Keira Chansa, Reece Yates e Jordan A. Nash estrelarão no filme “Come Away” na (tradução livre “Venha Embora”) que terá direção de Brenda Chapman, produtora que ganhou o Oscar de melhor filme de animação por Valente. Angelina Jolie e David Oyelowo também estão no elenco.
O filme contará as histórias de Alice no País das Maravilhas e Peter Pan antes dos dois partirem para as suas próprias aventuras. Alice (Keira Chansa) e Peter (Jordan A. Nash) são irmãos, que vivem uma maravilhosa infância, até que acontece uma tragédia que os obriga a se refugiar nas suas histórias já conhecidas: Peter na “Terra do Nunca” e Alice no “País das Maravilhas”.
A história se passa no interior da Inglaterra, onde o artesão Jack (David Oyelowo) e sua esposa Rose (Angelina Jolie) vivem em uma casa pitoresca com três filhos. As crianças exercitam sua imaginação na floresta, onde brincam de faz de contas, lá eles passam os dias atirando flechas imaginárias e cruzando espadas em combate. Um barco a remo virado vira um navio cheio de piratas; e varas das árvores se tornam espadas afiadas.
E eles seguem assim, até que uma desgraça atingir a família que se afunda em dor, e nunca mais volta a ser a mesma. O pai (David Oyelowo) passa a ter problemas com jogo e apostas, e a mãe (Angelina Jolie) se torna uma alcoólatra. Para fugir desta realidade, os filhos mais novos iniciam suas aventuras e embarcam em suas histórias, no País das Maravilhas e na Terra do Nunca
Uma atendente de pizzaria relatou em denúncia prestada no Distrito Federal, ter sido vítima de injúria racial por Frederick Wassef, ex-advogado do presidente Bolsonaro. O crime ocorreu em seu local de trabalho no último domingo, 8, sendo a denúncia realizada nesta quarta-feira, 11, e reafirmada em novo depoimento ontem. Duas testemunhas também ouvidas ontem, confirmaram o relato da funcionária que foi chamada de ‘macaca’.
Já Wassef, nega que o crime tenha ocorrido inclusive pontuando de que a funcionária não é negra, e que se o relato fosse verdadeiro ele teria sido preso em flagrante pelos seguranças do estabelecimento. “Sou vítima de uma farsa e armação montada. Sou vítima de denunciação caluniosa que foi organizada sob orientação de terceiros, visando futura ação indenizatória para ganhar dinheiro através desta fraude arquitetada”, relata ele em nota divulgada à imprensa.Como forma de recorrer ao crime o advogado também denunciou a vítima, por denunciação caluniosa.
A denúncia da funcionária, que não teve identidade revelada, segue sob investigação e passará por análise das câmeras de segurança do estabelecimento. A vítima relatou já ter vivenciado outras situações humilhantes pelo advogado no estabelecimento, que também se pronunciou por meio de nota de repúdio prestando acolhimento à funcionária.
A partir da próxima segunda-feira, 16/11, o projeto A Arte Gerando Renda, da ONG Favela Mundo, inicia uma série de aulas gratuitas para a promoção do protagonismo e empreendedorismo para mulheres negras. O projeto de capacitação profissional que já formou mais de 1.800 alunos, sendo 96% mulheres pretas, promoverá aulas de maquiagem social, maquiagem artística, decoração de unhas, tranças afro e turbantes, artesanato, além de fantasias e adereços.
Serão 10 aulas que estarão disponíveis de segunda à sábado, às 15h, pelo canal do Youtube do projeto. Podem participar meninas a partir dos 15 anos e os cursos disporão de certificado mediante validação da presença ao final de cada aula assistida. “A data de inicio das aulas foi pensada para essa importante semana, uma vez que a maioria de nossas alunas são mulheres negras, moradoras das comunidades do Rio e o sustento de suas famílias depende delas. O A Arte Gerando Renda já mudou a vida de muitas pessoas e essa edição online poderá beneficiar centenas de moradores das favelas da cidade. Até o fim de outubro já tínhamos mais de 700 pessoas inscritas”, aponta Marcello Andriotti, fundador da ONG Favela Mundo, que desenvolve o projeto.
O projeto é patrocinado pelo ICTSIRIO e METRÔRIO e apoiado pelo Instituto Invepar, Magellan Ip, Secretaria Municipal de Cultura e Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro.
SERVIÇO
Projeto A Arte Gerando Renda promove aulas para mulheres negras
Aulas: Maquiagem social, maquiagem artística, decoração de unhas, tranças afro e turbantes, artesanato, além de fantasias e adereços.
Período: 10 aulas de segunda à sábado a partir de 16/11, segunda-feira
Faixa etária: De 15 anos para cima
Inscrições: Gratuitas pelo formulário disponível aqui e nas redes sociais do projeto