É impossível não ficar impactado com as ideias e a interpretação que o cantor e compositor baiano Vírus traz em “Mercado Modelo“. A faixa é o primeiro lançamento de Bandele – projeto audiovisual criado por Baco Exu do Blues com seis lançamentos de artistas pretos no mês da Consciência Negra. “Mercado Modelo” chega nos aplicativos de música nesta segunda-feira (16) através do selo 999 em parceria com a Altafonte.
“As igrejas mentem, as escolas mentem não acredite em ninguém… Orgias de padres no Vaticano com seus pênis banhados a ouro. Comércio de pornografia aumentando sistema capitalista escroto“, vocifera o artista em versos que demonstram seu descontentamento.
Produzido pelo próprio Vírus, a música é o segundo lançamento solo do artista que surge como uma das principais promessas da nova cena soteripolitana. Nascido no Subúrbio Ferroviário há 20 anos, Vírus se tornou artista desde os 10 anos, quando decidiu entrar no grupo de teatro “Herdeiros de Angola”. Lá se apaixonou pelos palcos e seguiu seu caminho nas artes. Ele é um artista que vem quebrando padrões estéticos e comportamentais, se experimentando musicalmente em projetos autorais.
Despertando a curiosidade do público em seus clipes e apresentações carregadas de referências ancestrais, Vírus aborda na sua obra a desigualdade racial, de gênero e social. Ele também trata da espiritualidade e coloca em cheque a masculinidade tóxica.
Assista ao clipe de “Mercado Modelo”:
Próximos lançamentos:
18/nov – Dactes – Não Abrir Mão De Nada 20/nov – Baco Exu do Blues – Tommie Smith 23/nov – Young Piva – Deus Em Pele de Farsa 25/nov – Muse Maya – Sauce 27/nov – Celo Dut – Ilhada
Em celebração ao dia da Consciência Negra, que acontece no dia 20 de novembro, o google Arts & Culture está lançando o projeto “Consciências Negras”, que contará com uma seção inédita na plataforma dedicada à arte e cultura afro-brasileira.
A iniciativa é uma parceria com 15 instituições culturais e reúne 31 exposições, 13 delas inéditas. Uma área dedicada às expressões artísticas e culturais do Porto do Rio (principal porto de tráfico da América) também foi reservada.
O projeto conta com um acervo grande, com destaques para a histórias do Museu Nacional de Belas Artes, fotografias de costumes brasileiros, obras da pinacoteca de São Paulo, Museu da pessoa e diversas outras instituições.
“Celebramos o mês da Consciência Negra lançando uma nova seção dedicada à história e às lutas e conquistas da população negra do Brasil. Graças às 15 instituições culturais parceiras que aderiram ao projeto, qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode aprender mais sobre as raízes da cultura afro-brasileira”, afirma Luisella Mazza, diretora de operações globais do Google Arts & Culture.
Á área destinada a consciência negra do Google Arts e Culture ainda contará com quatro artistas brasileiros convidados para falar sobre a história do protagonismo negro que não foi contada diante de histórias conhecidas pela população.
Para saber um pouco mais sobre a nova área cultural do google, assista o trailer:
Em sua estreia na TV o ator Reinaldo Junior interpreta Mahommah Gardo Baquaqua, no especial ‘Falas Negras’, da Rede Globo, que será exibido nesta sexta-feira, 20 de novembro. Dirigido por Lázaro Ramos, o programa trará textos históricos de grandes personagens que, de 1600 aos dias de hoje, lutaram contra a escravidão, a segregação racial, o racismo e a intolerância.
“Baquaqua foi um herói pouco conhecido no Brasil, costumam intitular os nossos heróis e guerreiros como escravos, trazer um olhar para além do que os livros, e o mercado apresentam é importante para desmistificar e popularizar para mais de 100 milhões de brasileiros a verdadeira história, contada por nós, através da luta e riqueza do nosso povo”, conta Reinaldo.
O ator que já tem uma longa carreira premiada no teatro é destaque na cena preta teatral e dedica a trabalhar o tema dentro e fora dos palcos com objetivo de combater o racismo e trazer humanização aos corpos de homens negros. “Rei Black”, como é conhecido, foi convidado por Lázaro Ramos para interpretar Babaquara após ver seu trabalho atuando no espetáculo “Esperança na Revolta”, que foi indicado ao Prêmio Shell em três categorias, sendo premiada em direção, por André Lemos.
Para ele, expandir seu trabalho do teatro para as telinhas é de grande importância para levar representatividade para os seus. “Sou da Baixada Fluminense, o acesso ao teatro é muito restrito, a minha arte pouco é vista pelos meus familiares e amigos de infância, é quase um evento levá-los ao teatro. A TV é grande responsável pela construção do imaginário social, estar nessa plataforma hoje, é levar representatividade para mais de 100 milhões de brasileiros que tem a nossa cara, a nossa cor e o nosso jeito preto”, afirma.
Reunindo em seu currículo trabalhos que receberam três premiações. Sendo premiado a melhor ator pelo Prêmio Ubuntu 2019 por Oboró – Masculinidades Negras, ganhador do Prêmio Shell 2020 na categoria Inovação por Terreiro Contemporâneo, indicado a melhor ator no Prêmio Olhares da Cena 2017, co-idealizador e curador do Projeto “Segunda Black”, ganhador do Prêmio Shell 2018 na categoria Inovação, e do Prêmio Questão de Crítica 2018, do Grupo Emú, ganhador do Prêmio Shell 2016 no elenco de Salina. O artista, que é de Mesquita, Baixada Fluminense, também é produtor e diretor de movimento da Confraria do Impossível. Aos 29 anos, com o longo currículo de prêmios, Reinaldo mostra que como diz em suas próprias palavras “a favela está conquistando seu espaço”, frisa.
Para além de discurso Reinaldo abre espaço para pessoas negras na prática, o ator faz questão ter uma equipe toda composta por pessoas negras cuidando de sua carreira. Desde seu empresário Rudson Martins, fundador da R Martins Agenciamentos, até a assessoria de imprensa, Laís Monteiro, fundadora da Monteiro Assessoria. Para ele, empoderar só é possível no coletivo. “Minha equipe é Black Excellence, é fundamental para os nossos que exerçamos a filosofia Black Money, por meio de empregabilidade, valorização de profissionais negros em todos os setores. Negociações, comunicação e a estratégia a partir de uma agenda pautada na negritude, me dando todo o respaldo afetivo e profissional para que eu não me sinta sozinho em cena”, conclui.
A quarta edição do Programa Itaú Mulher Empreendedora em parceria com a DIVER.SSA, oferece aceleração de negócios à mulheres negras e indígenas, sendo que até o final da edição 2021, cinco finalistas receberão além do treinamento oferecido pelo programa, um investimento semente no valor de R$ 10 mil. Para participar do programa, as empreendedoras devem seguir as orientações dispostas no edital Itaú Mulher Empreendedora + DIVER.SSA, com inscrições abertas de 30 de outubro a 20 de novembro.
A metodologia tem por base os pilares do autoconhecimento, da autoconfiança e da autogestão. O projeto busca empreendedoras com os mais diversos perfis e contextos interculturais. A participação é aberta a mulheres de todo o Brasil e, nesta edição, a seleção irá priorizar negócios liderados por mulheres, negras, indígenas e LBTs (lésbicas, bissexuais e transexuais) das regiões Norte e Nordeste.
Os requisitos para a participação são: ser uma microempreendedora individual (MEI), ou, em caso de informalidade, capaz de comprovar existência do negócio há pelo menos dois anos — serão consideradas provas de existência, por exemplo, página em redes sociais do desenvolvimento do negócio, site de vendas, cadastro de plataformas virtuais de venda e/ou entrega de produtos. Não há limitação de idade e nem há consulta aos serviços de proteção ao crédito.
A aceleração completa por meio da seleção de 30 empreendedoras pelo edital, tem duração de quatro meses e meio, e será dividido em três fases, conforme cronograma disponível no site do DIVER.SSA. O programa – do Itaú Mulher Empreendedora e a DIVER.SSA – tem apoio financeiro e técnico da International Finance Corporation (IFC), organização do Grupo Banco Mundial.As inscrições no programa deverão ser realizadas pela internet, através do site da DIVER.SSA – www.diverssa.org/itaumulherempreendedora, por meio de preenchimento de formulário digital, entre os dias 30/10/2020 e 19/11/2020, até às 23h59min.
Na primeira eleição municipal após o assassinato da vereadora Marielle Franco, o Instituto Marielle Franco criou a agenda que leva o nome da vereadora, na intenção de continuar o seu legado “Do ‘Falar Marielle’ ao ‘Fazer Marielle’.” é o slogan do projeto.
A intenção da Agenda Marielle Franco é encontrar candidatos dispostos a seguir os compromissos com práticas e pautas antirracistas, feministas e populares a partir do legado de Marielle para as eleições 2020
Através de análises da produção legislativa do mandato de Marielle realizadas nos últimos meses pela equipe do Instituto o projeto foi estudado e dividido em 4 etapas:
1-Estudo das falas de Marielle do plenário da Câmara de Vereadores e de outros discursos;
2 – Entrevistas com assessoras de Marielle de diferentes áreas do gabinete;
3- Estudos das justificativas de Projetos de Lei e outros documentos produzidos por Marielle;
4- Sistematização das observações colhidas em 7 práticas e 7 pautas, sendo elas:
7 Práticas Marielle Franco:
–Diversificar, não uniformizar –Ampliar, não limitar –Honrar, não apagar –Coletivizar, não individualizar –Puxar, não soltar –Escancarar, não se encastelar –Cuidar, não abandonar
7 Pautas Marielle Franco:
– Justiça Racial e Defesa da Vida –Gênero e Sexualidade –Direito à Favela –Justiça Econômica -Saúde Pública, Gratuita e de Qualidade –Educação Pública, Gratuita e Transformadora –Cultura, Lazer e Esporte
Para mais informações sobre a Agenda Marielle Franco clique aqui
O Conversa com Bial exibe, nesta segunda-feira (16), uma entrevista feita com o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Em conversa, realizada por videoconferência, com o jornalista e apresentador Pedro Bial, Obama fala sobre o novo livro “Uma terra prometida“, feito com base nas memórias à frente da Casa Branca. Obama também fala sobre as perspectivas de seu país e do mundo, inclusive aos olhos do Brasil, em relação a Joe Biden e Kamala Harris, recém-eleitos para o posto que ele ocupou por oito anos.
“Minha esperança é que, com a nova administração de Biden, há uma oportunidade de redefinir essa relação. Sei que ele vai enfatizar que a mudança climática é real, que Estados Unidos e Brasil têm um papel de liderança a desempenhar. Sei que ele vai valorizar a ciência sobre a Covid-19, e o fato de que o vírus é real.”
Flávia Barbosa, editora executiva do jornal O Globo que cobriu todo o segundo mandato de Obama, também participa da entrevista que vai ao ar depois do Jornal da Globo.
A obra, feita com base nas memórias de Obama à frente da Casa Branca no decorrer de oito anos, será publicado, nessa terça-feira (17), simultaneamente em 25 idiomas no mundo todo. Este é o primeiro de uma série de dois volumes.
Desde a volta do Conversa com Bial, o programa tem sido mais curto e com entrevistas feitas remotamente. Na estreia com Gloria Maria, a jornalista falou sobre racismo e a história dela no telejornalismo brasileiro. Também falou pela primeira vez sobre a doença que enfrentou, criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro com a imprensa e disse que já teria dado um basta nisso.
Nesta segunda-feira, 16 de novembro, chega ao mercado uma agência de Relações Públicas com foco em assessorar artistas, eventos e criadores de conteúdo negros. A partir de um resgate ancestral, a GRIOT Assessoria propõem perpetuar por meio da oralidade as histórias do povo preto por meio das mídias convencional e alternativa, e na internet. A especialidade da agência é trabalhar o posicionamento e a imagem com foco no empoderamento preto, e na Comunicação Integrada de acordo com os objetivos específicos de cada cliente. Os serviços que possibilitam essas estratégias são: assessoria de imprensa, social media, curadoria e consultoria estratégica.
O nome GRIOT é uma menção aos contadores de histórias e perpetuadores da cultura africana, responsáveis por transmitir de forma oral todas as tradições, mitos, ritos e canções ao longo das gerações. Países como Mauritânia, Guiné, Moçambique, Congo e Mali, possuem essa tradição. Estes griots na contemporaneidade, são comunicadores, escritores, poetas, artistas, terapeutas holísticas, filósofas, entre outros, que mantém vivos o legado das filosofia e cultura africanas no continente de origem e pela diáspora.
A GRIOT é fundada por Cristhiane Faria, comunicadora social que iniciou sua carreira em Relações Públicas nos segmentos de tecnologia, empreendedorismo e beleza, conta que a GRIOT é fruto da união da consciência racial com a definição de propósitos para o trabalho. “Antigamente eu trabalhava apenas em troca de um salário e benefícios, o que é a realidade de grande parcela da população negra. Porém, a maioria não tem o mesmo acesso que eu tive para ocupar e se apropriar de determinados espaços. Por isso, com o amadurecimento pessoal e mais consciência social, e sobretudo racial e de gênero, entendi que poderia usar destes privilégios para me alimentar de trabalhos com propósito. E para além disso, retornar à comunidade negra estes conhecimentos e experiências adquiridas na minha trajetória enquanto profissional de Comunicação que pôde vivenciar diferentes segmentos e formatos de empresas no mercado de trabalho”, declara Cristhiane.
A recém-afroempreendedora também questionou a falta de Assessorias de Comunicação lideradas por mulheres negras no mercado, e principalmente nas áreas de cultura e empreendedorismo. “Comecei a fazer um levantamento de indicações e percebi que entre artistas, produtores, ativistas, empreendedoras e criadores de conteúdo, o conhecimento de profissionais de Assessoria de Comunicação negras era escasso. E com isso, muitas personalidades negras que possuem discurso ativista e antirracista, trabalham com equipes de Comunicação não-negras”, pontua a fundadora da GRIOT.
Sobre a GRIOT Assessoria:
Agência de Relações Públicas especializada em contar histórias de artistas, eventos e criadores de conteúdo negros. A GRIOT – assim como a tradição em África – tem como propósito perpetuar pela oralidade essas histórias para a mídia e na internet. Os serviços prestados são de Assessoria de Imprensa, Social Media, Curadoria e Consultoria Estratégica. É o Afrofuturismo em ação! É fundada por Cristhiane Faria, que iniciou sua trajetória no meio cultural e de influência digital em 2018, como Relações Públicas do selo musical MGoma, dirigido pelo MC e produtor musical Rincon Sapiência. Atualmente, tem em seu casting as cantoras Indy Naíse e Gabriellê, os cantores Dois Africanos e Leonardo Alan, as plataformas artísticas e culturais Academia Dancehall e Academia do Funk; os Festivais Periferia Preta e Encontro das Pretas; a plataforma de conteúdo Influência Negra e a plataforma de saúde holística afrekana Kiumbe.ixi.
Em conversa com o Mundo Negro, a fundadora falou sobre a importância de uma agência preta no mercado e o papel da Griot Assessoria na luta antirracista:
MUNDO NEGRO:
Você falou sobre a baixa representatividade de mulheres negras à frente de Assessorias de Comunicação, pode falar um pouco sobre a importância da Griot nesse sentido?
Cristhiane Faria (Fundadora da GRIOT): Sabemos que enquanto mulheres e negras as oportunidades quase nunca nos são oferecidas. Atualmente, vemos um maior movimento e presença de lideranças femininas negras no mercado de trabalho, seja dentro de empresas ou à frente de seus próprios negócios. Entretanto, assim como muito se tem noticiado sobre a baixa representatividade negra na publicidade, esse índice se reflete nas demais áreas, como Relações Públicas, Assessoria de Imprensa, Jornalismo, entre outras. Ou seja, temos um domínio da branquitude num lugar que diz respeito às nossas próprias vozes, identidades e posicionamento. Por isso, entendo a importância da GRIOT não só quanto mais uma referência dentre as poucas que temos, mas também de posicionar no mercado e principalmente nessa sociedade pós-George Floyd, que nós mulheres negras estamos resgatando e perpetuando nossa cultural ancestral do matriarcado e da gestão de comunidades, a exemplo das organizações quilombolas.
Mundo Negro:Em sua visão qual é a necessidade e importância de pessoas pretas serem assessoradas por uma agência preta?
Essa é uma questão que se desdobra em várias outras. A começar por todos os esforços em políticas afirmativas para aumento do ingresso de pessoas negras nas universidades, passando pela ínfima presença de negros nas agências, pela representatividade negra na mídia, até chegarmos ao movimento blackmoney e à consciência antirracista. O objetivo da GRIOT é de perpassar por todas essas questões, e principalmente fazer valer a produção de projetos e estratégias de Comunicação centradas no antirracismo. Cada vez mais profissionais negros da Comunicação e dos Negócios, têm sido procurados por marcas para consultorias e curadorias, pois estas compreenderam a necessidade de não tentarem compreender algo que não possuem vivência para tanto. Somente uma pessoa negra irá conseguir identificar determinadas oportunidades valiosas para a carreira de uma pessoa negra, valorar na mídia suas conquistas individuais que se projetam no coletivo, e consequentemente também evitar pautas e projetos que não condizem com nossas perspectivas.
Cristina Junqueira do Nubank - Foto: Reprodução Roda Viva TV Cultura
Como diria a Rihanna, tem gente que só pede desculpa por que foi pego. O banco digital Nubank anunciou um investimento de 20 milhões de reais em uma série de ações que têm como objetivo incluir mais negros na empresa.
Obviamente nada disso teria acontecido se Cristina Junqueira não tivesse ofendido a comunidade negra durante o programa Roda Viva afirmando que contratar pessoas negras era difícil e ela não queria nivelar por baixo contratando profissionais despreparados. “Não adianta colocar alguém pra dentro que depois não vai ter condições de trabalhar com as equipes que a gente tem”, disse a executiva no programa da TV Cultura.
O Nublack comitê étnico racial do NuBlacks ajudou a construir uma série de ações que incluem parcerias e capacitação.
Selecionamos algumas :
– Ampliação do time de diversidade e inclusão para 12 pessoas, 100% dedicadas na atração, seleção e desenvolvimento de grupos sub representados.
– Em 2021 a empresa criará um programa formal de mentoria e aceleração focado no desenvolvimento dos funcionários negros, negras e outros grupos sub-representados para valorizar ainda mais os talentos que já temos hoje no Nubank.
– Abertura do Nulab@Salvador, um hub de tecnologia e experiência do cliente em Salvador (BA), que vai nos ajudar tanto a trazer mais diversidade para o time do Nubank, como a entender melhor a realidade dos milhões de clientes que temos no Nordeste.
– Formação de 1.000 jovens negros e negras socialmente excluídos para o mercado de trabalho com foco em habilidades fundamentais de linguagem e matemática, inglês e programação;
– Formação de pelo menos 250 programadoras negras para contratação pelo Nubank ou por outras empresas de tecnologia.
A carta de compromisso da empresa pode ser lido na íntegra aqui.
E que nas próximas ações de gestores brancos, a gente possa usufruir de ações reparatórias sem sermos moralmente agredidos.
Aline Chermoula: é a nova colunista do Mundo Negro. Ela é cozinheira e pesquisadora da culinária afrodiaspórica pelas Américas
A identidade cultural de um povo age como sustentação e manutenção de suas tradições, hábitos e costumes. Os traços peculiares permitem a produção, fomento e difusão do conhecimento, e a comida mantém ligação intrínseca aos significados atribuídos aos alimentos e ao ato alimentar, criando assim, símbolos que moldam os hábitos culturais de um grupo.
A diáspora carrega em si a ideia de dispersão, assim também como a possibilidade de regresso. Os africanos da diáspora buscaram, na criatividade e na organização, as formas de resistir mantendo suas culturas vivas, principalmente a culinária, que carregou muitas características de sua origem.
Uma das principais romantizações que se faz da história brasileira é a contribuição dos povos africanos escravizados para a gastronomia nacional. Importante lembrar que a população da diáspora executava trabalhos forçados nas colônias. Portanto, é impossível pensar que essa construção da cultura alimentar se deu de bom grado como uma troca de saberes. Internamente, a cultura e a religiosidade de matriz africana, transmitidas com resiliência entre gerações, é um dos pilares da gastronomia do país – se não a principal influência, e era, infelizmente ainda é, uma religião que sofre ataques dos intolerantes.
A imigração forçada dos africanos destruiu ainda nossas referências históricas com nossos antepassados. Os reinos devastados, sociedades desenvolvidas e com tecnologia desconhecida foram roubadas pelos europeus, que também levaram nossas riquezas. Mas a cultura viajou junto com as pessoas e a culinária é uma das maiores representações culturais de um povo. O comportamento relativo à comida liga-se diretamente ao sentido de nós mesmos e à nossa identidade social.
Quando você come uma moqueca, por exemplo, sente que ali tem a mão de algum descendente do continente africano. A pamonha também tem um pouco de África em si, se aproxima muito dos acaçás e aberéns. Posso citar até mesmo a maniçoba é um prato indígena, mas que tem registro de preparos parecidos na mãe África.
A culinária possui significados e simbolismos diversos nas diferentes formas de cultura. A comida transcende seu significado para algo além do satisfazer-se biologicamente (nutrir o corpo com o essencial para sobrevivência), mas o ato de comer está entre o que é natural, social e cultural no homem. No processo de transformar o alimento em comida ocorre a introdução de crenças, costumes, saberes de um determinado grupo. A forma que os povos se alimentam está diretamente relacionada historicamente à sua cultura, às condições geográficas, recursos econômicos e até mesmo a religião. E foi em torno desta última que inicialmente os africanos recém chegados ao Brasil se organizaram e fortaleceram para resistir à escravização e perpetuar alguns saberes ancestrais africanos E as religiões de matrizes africanas trazem consigo um arsenal de referências culturais pertencentes a nossos ancestrais.
Por isso, a cultura alimentar é um aspecto importante para recuperação da humanidade de muitos indivíduos.
Foto: Reprodução Instagram Aline Chermoula
A culinária da diáspora africana pelas américas tem como principal objetivo promover e resgatar memória ancestrais, por meio da pesquisa sobre comida africana e suas representações em países do continente americano. Esse tipo de fazer é conhecido como culinária afrocontemporânea, uma cozinha que utiliza como principais ingredientes alimentos que fazem parte das dietas alimentares de vários países continente Africano. Essa cozinha que chamo diaspórica pelas Américas, não é um conceito muito conhecido ainda. A defino a partir de minha visão e conhecimentos.
Receitas como Gumbo, prato da culinária cajun do Sul dos EUA, Ropa Vieja comida emblemático de Cuba, assim como Acarajé, comida que representa o povo de santo no Brasil, acredito que muitos outros são importantes e serão ainda revelados.
Esta culinária das Américas tem como principal característica a grande diversidade de origens, que se dão a partir das misturas de ingredientes, técnicas de preparo e conservação dos alimentos, além das influências dos nativos, exploradores, outros imigrantes escravizados e conquistadores.
A comida afro contemporânea se define pela utilização de ingredientes em comum como o inhame, a banana da terra, a pimenta malagueta, o coco, o tamarindo, os feijões, os camarões secos, as ervas frescas e as especiarias.
Em um ano tão problemático para a comunidade negra, marcado pelas manifestações e luta do movimento negro percebemos que pouca coisa mudou, e ainda ficamos de fora das grandes homenagens. O Prêmio Contigo que por muito tempo foi considerado o Oscar da TV brasileira divulgou a lista de indicados do ano de 2020 que tem o total de 9 pessoas negras
A redação da Contigo ao longo do último mês trabalhou na listagem de 5 pessoas ou programas de TV para cada uma das 28 categorias que serão premiadas, são no total, 20 categorias envolvendo premiações diretamente a pessoas, 100 pessoas foram indicadas e 10 são pretas.
Confira a lista de pessoas negras indicadas e suas categorias:
1 -Iza foi indicada na categoria de Melhor Cantora
2-Thiaguinho indicado na categoria de Melhor Cantor
3- Jéssica Ellen indicada na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante
3 – Agnes Nunes na categoria Revelação Musical
4-Taís Araújo indicada na categoria Atriz de novela
5 – Lázaro Ramos indicado na categoria de Ator de Série
6 – Maju Coutinho na categoria de Âncora de Telejornalismo
7 – Roberta Rodrigues indicada na categoria de Atriz Coadjuvante
8 – Taís Araújo indicada na categoria Atriz de série
9 – Ludmilla indicada na categoria Melhor Cantora
10- Any Gabrielly indicada na categoria Revelação Musical
É claro, consideraremos a baixíssima representatividade de pessoas negras na televisão brasileira, o que é a problemática central, mas, além disso, muitos nomes de artistas e influenciadores negros nem sequer foram considerados pela redação da premiação que trabalhou em torno de um mês para selecionar uma lista 90% branca.
Abaixo listamos alguns artistas e influenciadores que marcaram o ano de 2020 e foram bem recebidos pelo público:
O ator mirim
Pedro Guilherme, que emocionou o telespectador por diversas vezes em suas cenas com a Atriz Taís Araújo
TikToker do Ano
A influenciadora Camilla De Lucas que animou a quarentena dos brasileiros com os seus vídeos super originais e cômicos .
Atriz Revelação
A atriz e rapper Gabz que atuou em Malhação “Toda Forma de Amar” e protagonizou uma das cenas da novela que mais repercutiu
O ator David Junior, que interpretou Ramon Bernardes em “Bom Sucesso” e Mauro em “Sob Pressão” e teve vários momentos inspiradores em ambas tramas, na novela das 7 as cenas do ator com a filha foi muito comentada nas redes sociais, e o papel de chefe da equipe em “Sob pressão” é de arrepiar e isso foi comprovado somente em 2 episódios especiais
Atriz Coadjuvante
Erika Januza que deu vida a tenista Marisa na novela “Amor de Mãe” e levou muita emoção ao público com as reviravoltas da sua personagem que enfrentou muitas dificuldades na busca por um sonho.
Atriz de Série
A atriz Paty de Jesus da série “Coisa Mais Linda” nos proporcionou um dos melhores diálogos sobre ser mãe solo, preta e periférica no Brasil, e na segunda temporada da trama a atriz se entregou com a mesma dedicação enquanto enfrentava o puerpério.
Melhor Cantor
O rapper Djonga, que fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a ser indicado à Premiação Americana de Rap no ano de 2020.
Casal do Ano
Taís Araújo e Lázaro Ramos, que durante o ano postam seus sutis momentos de amor e cuidado e dão um belo exemplo da leveza que traz um amor preto.
E poderíamos citar muitos outros artistas, influenciadores e profissionais… Em um país em que somos a maioria da população como é possível a comunidade negra ser sempre minoria em grandes momentos? Como afirmou a jornalista Maju Coutinho, “Somos ótimos em outras coisas também”, então por que somos lembrados somente quando o assunto é racismo? Queremos ser capa de revista, queremos ser referência, e receber grandes prêmios e homenagens.