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Mãe do menino Miguel fará pronunciamento hoje durante atos em memória da morte do filho

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Serão realizados hoje, em Recife,  às 14h, atos em memória de um ano da morte do menino Miguel. Também haverá ato em São Paulo, às 16h, com pronunciamento de Mirtes Renata Santana de Souza, mãe de Miguel , nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo. Ao todo, serão seis atos no Brasil, além de lives, intervenções artísticas e audiovisuais. As ações contam com apoio da Articulação Negra de Pernambuco, Coalizão Negra por Direitos e outras organizações e movimentos sociais.

Caso Miguel: Justiça manda Sari e Sérgio Hacker pagarem salários e  benefícios trabalhistas para mãe e avó do menino que caiu de prédio |  Pernambuco | G1
Imagem: Mirtes Renata

Filho único de Mirtes e Paulo Inocêncio, Miguel tinha cinco anos quando veio a óbito no dia 2 de Junho de 2020, quando sua mãe foi convocada para o trabalho em uma das piores fases da pandemia de Covid-19. Por conta disso, o menino teve que acompanhar sua mãe ao trabalho. Ele foi abandonado por Sarí Gaspar Corte Real, patroa de sua mãe, e após ser deixado sozinho em um elevador caiu do nono andar do Condomínio Píer Maurício de Nassau, conhecido localmente como “Torres Gêmeas”, um prédio de luxo de Recife (PE).

A Semana Internacional Menino Miguel (acontecendo entre os dias 30 de maio e 5 de junho)  também é uma forma de relembrar a ausência de justiça na investigação do caso do menino. Um ano após o início das investigações, do pouco que evoluiu o processo, destacam-se as irregularidades do caso. Mais recentemente, uma testemunha indicada pela defesa de Sarí foi ouvida pela justiça sem a participação da família de Miguel, ato considerado ilegal pela assistência de acusação. “Para mim a pior dor foi tomar ciência da linha de defesa que os advogados de Sarí estão operando: o discurso deles busca nitidamente adultizar Miguel e infantilizar Sari. É uma barbaridade, de uma crueldade imensa, retratam meu filho como uma criança incontrolável, mal-educada e grosseira, apresentando Miguel como culpado da própria morte. Sim! Os advogados estão afirmando isso, quando infantilizam Sari, argumentando que ela “fez tudo o que podia”, mas não teve condições de impedir Miguel de usar o elevador. Uma petição pública hospedada na plataforma Change.org também pede justiça para o caso. Criado pela jovem Dani Brito e pela mãe de Miguel, Mirtes, o abaixo-assinado tem quase três milhões de assinaturas.

Para Angelo Assumpção, no Brasil que é punido por racismo “é a vítima e não o agressor”

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Em 2015, o ginasta Angelo Assumpção estava em ascensão e tinha sido campeão da prova de salto da etapa de São Paulo da Copa do Mundo de ginástica artística, mas em meio ao ápice aconteceu o que acabou por definir a desventura que o atingiria.

Os colegas de equipe de Ângelo, Fellipe Arakawa, Henrique Flores e Arthur Nory lhe disseram coisas de cunho abertamente racista : “Seu celular quebrou. A tela quando funciona é branca, quando ele estraga é de que cor? (risos)”, pergunta Arthur Nory. “Preto!”, respondem os outros. “O saquinho do supermercado é branco. E o do lixo? É preto!”. A cena deprimente foi gravada e vazada nas redes sociais, mostrando um Angelo visivelmente constrangido.

Imagem: Acervo do atleta

Seis anos depois, nenhum punido. Arthur Nory tem milhões de seguidores enquanto Angelo está sem clube desde novembro de 2019, quando foi demitido pelo Esporte Clube Pinheiros, clube que defendeu por 16 anos. Na última segunda-feira (31), Ângelo desabafou em suas redes sociais. “Eu juro que queria entender porque até hoje não consegui achar um clube para treinar. Qual foi o crime que cometi para ser banido da ginástica?!!! Cadê as pessoas que disseram que iria ajudar do meio esportivo quando ficaram sabendo do ocorrido? Um ano e meio e o racismo…”, escreveu o atleta.

Angelo tem se mantido inteiro física e psicologicamente da forma que lhe é possível. “Está sendo bem difícil, sinto que houve um abandono das pessoas do meu ambiente (ginástica) , onde até o presente momento não consegui achar um clube para treinar. Faço que está ao meu alcance de ir atrás de quem pode me ajudar, treinando na academia e tentando manter saúde mental conversando semanalmente com minha psicóloga”, conta.

“Eu faço acompanhamento sem parar há três anos. É uma profissional fora do ambiente esportivo, com intuito de tratar o Angelo como ser humano que transita no Angelo profissional e tem me ajudado muito com tudo que estou passando”, desabafa o paulistano que fará 25 anos em junho.

Com tranças, Angelo Assumpção ajudou o Pinheiros a ser campeão brasileiro em 2019 - Ricardo Bufolin/ECP
Ângelo no Campeonato Brasileiro em 2019 (Imagem: Ricardo Bufolin)

Ainda que o ginasta se esforce em academias, para se manter apto para o esporte que ama é preciso treinos específicos que são oferecidos apenas em alguns clubes do Brasil. Segundo informações do Globoesporte.com, o  Esporte Clube Pinheiros passou por uma reestruturação ao fim de 2019, mas Angelo foi o único atleta dispensado. O atleta é articulado e plenamente consciente de sua condição de homem preto que foi inserido em um espaço majoritariamente branco. “Eu não denunciei os meus ex- colegas de seleção, o Arthur postou o vídeo em suas redes sociais naturalizando a existência do racismo dentro do esporte e muitos acham que é um lugar isento de racismo”, explica.

Não há como apontar outras razões que não um racismo latente que perpassa a existência de indivíduos e instituições do país. A punição maior se aplica contra a vítima e, ao que parece, é a única punição. “É evidente a indignação do silêncio ensurdecedor que estão fazendo com a minha história de anos representando um país e que nada efetivo foi feito para  minha volta. Minha trajetória começou em 2003, não quero encerrar minha carreira, mas preciso ter o direito de continuar a exercer o meu trabalho”, desabafa.

Maior pivô dos ataques a Angelo, Arthur Nory deu entrevistas, foi para as Olímpiadas um ano depois do vídeo, reforçando que racismo pode ser compensado com pedidos de desculpas guiados por assessoria e que a causa racial está longe de comover marcas e pessoas públicas e isso parece evidente para Angelo. “Crescemos em uma estrutura que precisa buscar o letramento racial. Muitos acreditam que o racismo só se manifesta quando chamam de macaco, porque provavelmente é o sinal claro de desumanização. Mas o racismo aparece de várias formas, por isso ele é estrutural. Por isso que devemos buscar profissionais que trabalham diretamente com questões raciais para instruir e educar estes ambientes onde a diversidade de pessoas se encontram. É perverso pra nós ficar recebendo tudo isso e tendo que educar em todos os momentos”, diz em uma lucidez raramente demonstrada entre esportistas brasileiros.

Sobre a ausência de punição e inversão do apoio, Angelo é firme. “Temos leis muito brandas quando falamos de racismo, que precisa ser mudada para punição severa com quem comete e uma assistência em seu modo geral mais adequada para quem é vítima. Quem é punido neste país por ser racista é a vítima e não o agressor. Isso fica claro”, raciocina.

A situação de um ginasta preto e talentoso, abandonado após ser mais uma vítima de racismo rende muitas reflexões, mas o próprio atleta deixa um recado simples e direto: “A volta do Angelo ao esporte significa o início efetivo do enfrentamento contra o racismo na ginástica”, conclui.

Com aporte de R$ 2 milhões, Carrefour lança editais para apoiar coletivos negros e afroempreendedores

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Foto: Getty Image

Depois do assassinato de João Alberto dentro de uma loja do Carrefour em Porto Alegre em novembro do ano passado, o Grupo Carrefour Brasil vem divulgando uma série de ações e compromissos feitos juntamente com um Comitê Externo formado por intelectuais da comunidade negra, para finalmente, investir em ações de impacto que contribuam para luta pela igualdade racial .

Nessa terça-feira, 1 de junho, a empresa anunciou o lançamento de três editais com foco em coletivos que tenham ações de combate ao racismo, grupos que trabalham com questões raciais e afroempreendedores.

Os editais beneficiarão cerca de 40 organizações e coletivos das cinco regiões do Brasil, dando início a uma série que prevê investimentos futuros nas temáticas de educação, empregabilidade e empreendedorismo, sendo todos voltados para a população negra.

O total dos investimentos neste primeiro ciclo chega a R$ 2 milhões. Os recursos serão aplicados durante 1 ano com possibilidade de extensão do projeto, a depender de avaliação.

Mais detalhes sobre os editais estão disponíveis no site: https://naovamosesquecer.com.br/

Pretos que voam: Conheça o projeto inovador que disponibiliza bolsas de estudos para os futuros tripulantes negros

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Imagem: Reprodução/Instagram

Quilombo Aéreo, um coletivo que visa trazer visibilidade aos tripulantes negras (os) da Aviação Civil Brasileira, mostrou sua primeira turma de tripulantes negros que estão se formando através de suas bolsas de estudos. O beneficio é totalmente direcionadas a jovens de periferia que tem o objetivo de fazer o curso de comissários de voo.

Atualmente, nenhuma mulher negra é piloto de linha aérea no Brasil e, por isso, o projeto foi criado para contribuir com a mudança desse cenário.

É a primeira vez que existem bolsas de estudo para comissários de voo brasileiros que cobrem cem por cento de todas as despesas, envolvendo a sua formação. Por esse motivo, o “voo negro” compartilhou sua primeira turma de comissários formada exclusivamente por pessoas negras em suas redes sociais.

As inscrições dessa primeira turma foram feitas até dia 29/03 desse ano e contou com uma participação de diversos jovens, entre eles, foram 11 selecionados para as bolsas de estudo no curso de comissário de voo, que já começaram suas aulas e no último dia do mês de maio, usaram seus uniformes pela primeira vez:


O Mundo Negro conversou com Kenia Aquino, aeromoça e participante do projeto, que esclareceu algumas dúvidas sobre a nova turma:

MN: Que demais isso! Como foi o processo ?

Era tudo ou nada!
Batemos a meta, e ganhamos o aporte da plataforma da benfeitoria! Aí começamos a segunda parte de seleção dos bolsistas, organizar o edital e conferir se tudo corria como certo!

Quando começou o processo ? Quanto foi arrecadado? E para selecionar esse grupo , qual foi o critério ?

O edital foi ao ar em novembro. Ficamos até dezembro com a vaquinha !

Os critérios para seleção eram:

Ser negro, residente na região de Porto Alegre, baixa renda, disponibilidade para fazer aulas de segunda a quinta à noite.

Ensino médio completo, sem ter concluído o ensino superior.

O projeto foi pensado para pessoas que não tiveram oportunidade de estudo adequada.

Então algumas pessoas que tem ensino superior , acabaram não se qualificando pra parte final.

A Odabá, associação de AfroEmpreendedores foi a organização responsável pela seleção deles. Eles tem uma equipe de psicólogas e profissionais de recursos humanos que já faz esse tipo de trabalho! 

E quando começa o curso ?

Eles começaram as aulas dia 05/05. Mas ontem (31) vestiram o uniforme pela primeira vez

Presidente da Fundação Palmares revoga proteção ambiental dos quilombos brasileiros

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Presidente da Fundação Sérgio Camargo

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, revogou hoje a Instrução Normativa que definia a proteção ambiental em torno dos territórios dos quilombos brasileiros (nº 1, de 31 de outubro de 2018). A legislação previa participação efetiva dos quilombolas no processo de licenciamento de obras ou empreendimentos capazes de gerar impactos socioambientais, econômicos e culturais nas comunidades.

A decisão de Camargo afeta cerca de 3,5 mil comunidades quilombolas no Brasil, retira a necessidade da mediação dos grupos nos quilombos aos processos de licenciamento, assim como extingue as medidas de prevenção, mitigação, controle e compensação sobre as obras que atinjam áreas protegidas (a construção também participativa de programas, planos e projetos de contraponto para beneficiar as comunidades).

Sem a condução participativa dos quilombos, os processos poderiam ser reprovados e suspensos. Agora, não há mais mecanismos de interrupção e a especulação imobiliária pode avançar sem problemas em territórios que cumpriria ao Estado proteger.

A portaria de Sérgio Camargo faz parte de uma ampla blitz de fragilização do meio ambiente e de facilitação da especulação imobiliária no governo Bolsonaro, em especial no âmbito do Ministério do Turismo.

Fonte: Jotabê Medeiros para Carta Capital (https://farofafa.cartacapital.com.br/author/jb-medeiros/)

Projeto “Criatividade Tropical” leva o novo single de Iza para todo o Brasil em um tour virtual

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.Na próxima quinta-feira, dia 3, será lançado o esperado single da cantora Iza, “Gueto“. A canção será apresentada ao vivo por ela diretamente do Rio de Janeiro, pelo projeto “Criatividade Tropical”, e projetada simultaneamente em diferentes comunidades pelo país. A ideia do show veio para enaltecer a origem da cantora e sua luta, inspirando outros talentos criativos do Brasil a também ultrapassem as barreiras das periferias e conquistarem seus sonhos. A transmissão ao vivo desse show acontece no Instagram de Devassa (parceira da cantora) às 21 horas.

Imagem: Divulgação

 O objetivo é celebrar a criatividade que sempre existiu dentro das periferias. Na próxima etapa de “Criatividade Tropical: abre as portas para o gueto”, o projeto percorrerá comunidades de diferentes cidades brasileiras para encontrar talentos e mostrar que todos podem estar no palco, assim como Iza, permitindo que a criatividade que nasce nos guetos ganhe o Brasil.

Mais desdobramentos devem ser divulgados em breve.

Pretas na ciência: Série de vídeos traz mulheres inspiradoras falando sobre a profissão

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Imagem: Google fotos

O projeto “Pretas na Ciência”, em conjunto com a L’Oréal Brasil, vai lançar a nova série de videocasts lançada no dia 01 de junho. Nomeada ‘Para elas na ciência’,  elas buscam incentivar o empoderamento feminino e a diversidade na âmbito, além de inspirar jovens cientistas a se inscreverem no programa “Para Elas na Ciência”, realizado pela L’Oréal em parceria com a UNESCO no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências.

A inscrições para a premiação, que busca reconhecer a participação da mulher na ciência, favorecendo o equilíbrio de gêneros no cenário brasileiro, estão abertas até o dia 10 de junho.

“Essa série tem o objetivo de dar visibilidade para o programa nessa reta final de inscrições, mas vai muito além. Queremos mostrar a importância da força feminina no meio acadêmico. Porque o mundo precisa de ciência. E a ciência precisa de mulheres”, diz Cristina Garcia, Diretora Científica da L’Oréal Brasil e integrante do júri do programa.

Com apresentação de Lívia Rodrigues, analista de Pesquisa & Inovação da L’Oréal Brasil, e Ana Nascimento, do time de desenvolvimento de produto na empresa – ambas cofundadoras do @pretasnaciência (projeto independente das pesquisadoras no Instagram) -, a série contará sempre com uma convidada especial para contar sua história, desafios e conquistas no campo das ciências.

O primeiro episódio do #ParaElasNaCiência conta com a participação da física e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Marcia Barbosa. A cientista é integrante da Academia Brasileira de Ciências, já ganhou o prêmio internacional do Para Mulheres na Ciência e, em 2020, foi nomeada como uma das “Sete cientistas mulheres que moldam o mundo” pela ONU Mulheres. O assunto do debate será mulheres na ciência e a igualdade de gênero no ambiente científico.

No segundo episódio, o tema será mães na ciência e as dificuldades que as mulheres enfrentam em conciliar a maternidade com a vida profissional, principalmente no meio acadêmico científico. Fernanda Staniscuaski, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, fundadora e coordenadora do movimento Parent In Science e mãe do Bruno, Samuel e Gabriel, será a convidada especial para abordar o assunto.

Para falar sobre a representatividade feminina negra na ciência, a convidada do terceiro episódio do videocast será Rita de Cássia dos Anjos, laureada do Para Mulheres na Ciência 2020. Astrofísica e professora da Universidade Federal do Paraná, após ganhar o prêmio da L’Oréal em parceria com a UNESCO Brasil e a Academia Brasileira de Ciências, Rita se tornou membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências. Os videocasts estarão disponíveis através do site https://wwwloreal.com .

Isaac Silva lança coleção de inspiração afroindígena em collab com Havaianas

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Foto: João Bertholini

“Axé, boca da mata!” é o nome da nova coleção de chinelos criada por Isaac. Coleção também vai para a SPFW no final do mês

O estilista Isaac Silva lança nesta terça-feira (1) a coleção “Axé, boca da mata!”, em colaboração com a Havaianas, tradicional marca de chinelos do Brasil. Totalmente inspirada nas culturas afroindígenas, o imaginário das religiosidades e o respeito à natureza é a grande marca deste trabalho.

“A boca da mata representa um grande portal de energia para as culturas afro e indígenas. Me inspirei neste portal para a gente se atentar às questões da natureza”, revela o artista. “Todos nós somos uma mistura de muitos outros, que viveram, criaram e aprenderam com a natureza antes de nós, e eu quero que essa natureza que tanto nos fornece e guarda, continue a existir.” completa Isaac.

Foto: João Bertholini

As peças usam elementos gráficos da capulana africana, tradicionalmente usada em Moçambique como vestimenta e adorno de cabeça devido a sua versatilidade, além dos traços de artes indígenas, estampas animais e elementos sagrados nas religiões de matriz africana. “Em uma das sandálias trazemos uma estampa com sementes olho de cabra, que é um elemento usado tanto pelos indígenas, quanto pelos afros”, explica Isaac.

 OPORTUNIDADE — Para Isaac, o convite para a criação da coleção em parceria com as Havaianas veio em um momento muito oportuno. Por conta da pandemia, as marcas pequenas estão se vendo com cada vez menos oportunidades.

“Nesse momento pandêmico, onde tudo está muito difícil, especialmente para as pequenas marcas, a Havaianas dá um grande exemplo. Se todas as marcas grandes trabalharem com as marcas pequenas, vai ser um boom muito grande. Nós precisamos crescer, e para crescer precisamos da colaboração das marcas grandes”, avalia Isaac.

No final deste mês, o estilista vai lançar a coleção Isaac Silva inspirada nas sandálias na São Paulo Fashion Week.

A multiartista Luiza Loroza, filha de Serjão Loroza, lança single composto há 30 anos pelo pai

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A poetisa e diretora Luiza Loroza, filha de Serjão Loroza, estreia como cantora com o lançamento do single “Pureza”, também registrado em clipe. A canção foi escrita por seu pai há 30 anos, antes mesmo do nascimento de Luiza.

A nova versão conecta a obra, até então perdida, do pai – e suas reflexões à época – às memórias de infância da filha, mas sob o seu olhar no tempo presente. “Essa música veio para selar a potência da nossa relação”, revela Luiza.

Imagem: Divulgação

“Pureza” é, antes de tudo, segundo ela, uma provocação a olharmos para os opostos. “O adulto e a criança, a pureza e a impureza, o quanto de um pode ter no outro, acompanhado de um audiovisual que nos prende à tela e de uma melodia que nos transporta para a nossa essência interior”, reflete a multiartista, que, no estúdio, foi acompanhada pelo pai e o irmão, João Loroza, que não conseguiram conter as lágrimas durante as gravações.

“A Luiza ressignificou a canção. Ela tinha, de certa forma, um quê de uma busca impossível e Luiza deu uma outra perspectiva, de fortalecimento, da pureza como a ligação com a nossa própria essência. Afinal, voltar-se para aquela pequena criança que já fomos pode ser a melhor maneira de se tornar grande, conta, emocionado, Serjão Loroza.

“Pureza” foi capitaneada pelo percussionista e produtor Pedro Amparo (Agytoê, Mahmundi, Potyguara Bardo), que recrutou um time de peso para materializar a canção, que marca esse novo passo no universo de Luiza. Na canção, os timbres contrastam com a melodia, que transporta para sentimentos ora nostálgicos, ora esperançosos, trazendo uma leveza muito importante para os dias atuais. O single marca também a parceria da artista com o selo Mondé, presente no mercado independente há 10 anos e que foi responsável por distribuir a canção nas plataformas digitais.

O clipe da música foi dirigido e roteirizado pela própria Luíza, que apresenta oito personagens marcantes delineados pelos figurinos de Dora de Assis, criados a partir de traços da sua personalidade. O clipe flerta com outras artes, como a poesia, o teatro e as artes visuais, muito presentes no seu cotidiano, além de propor outros imaginários possíveis relacionados à infância. A escolha dos instrumentos e de todos os elementos audiovisuais foi dada pelo arsenal referencial da artista, que mantém sua face diversa: dividindo a autoria com Serjão Loroza.

Você pode conferir “Pureza” aqui.

“Cura”: novo álbum de Jonathan Ferr aposta na música acalanto para a alma

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Foto: João Victor Medeiros.

Jonathan Ferr aposta no poder transformador da música em seu álbum ‘Cura’ – ouça aqui -, o primeiro a ser lançado pelo slap, selo da Som Livre. O projeto chega ainda com uma websérie no YouTube, com estética afrofuturista, outra marcante assinatura do artista, que também está sempre à frente da direção das suas produções audiovisuais. Composta por oito vídeos, um para cada faixa inédita e com o número 8 representando o infinito, simbolizando a cura infinita de cada um -, a série chega ao canal do artista nesta terça-feira (01) e retrata o encontro de um casal que se apaixona e vive um drama da vida cotidiana, em um processo contínuo de busca pela referida cura do título do disco.

Com nove faixas no total, o álbum alcança o feito de simultaneamente ser uma obra essencialmente pessoal do artista, enquanto transmite uma mensagem universal a quem escuta. A universalidade, aliás – para além da experiência sensorial intensificada pelo caráter instrumental do projeto – fica evidente também no título das canções, apresentando elementos comuns à trajetória humana: “Nascimento”, “Choro”, “Sensível”, “Chuva”, “Amor”, “Felicidade”, “Caminho” e “Esperança” – sendo essa última o único single já lançado, com a participação de Serjão Loroza. A única faixa que foge a essa regra, e não à toa, é “Sino da Igrejinha”. Canção de domínio público e familiar aos cultos de matrizes africanas, ela foi a escolhida para ser a primeira da tracklist. “Dentro dos terreiros, essa é uma música cantada para a entidade responsável por abrir os caminhos para todas as coisas”, explica Ferr, evidenciando mais uma faceta de sua personalidade plural.

Foto: Renan Oliveira

Além da brilhante musicalidade, “Cura” encanta também pela proposta democrática – sem perder o apuro técnico -, tendo como um de seus objetivos principais a desmistificação da música instrumental como um gênero erudito. O caráter contemporâneo do urban jazz – estilo assumido pelo músico para denominar a mistura de elementos do jazz, hip hop, R&B e outros estilos de música urbana, promovendo um verdadeiro mix pop – contribui para o alcance mais popular que Jonathan almeja. “Busquei um certo minimalismo para a produção de ‘Cura’, no sentido de apostar em poucos elementos e muita clareza nas informações musicais. É um disco fácil de ouvir e sentir”, diz Jonathan. O cuidado fica evidente na audição do álbum, que traz sempre o piano no centro de cada composição, acompanhado de um quinteto de cordas e alguns convidados especiais, como o violoncelista Jaques Morelenbaum, a filósofa Viviane Mosé e o cantor Serjão Loroza.“Penso nesse projeto como uma espécie de ‘Jonathan Ferr Unplugged’, porque eu me dispo muito de toda essa essa coisa de banda, cantores e etc.”, completa.

Outro importante pilar de “Cura” é o conceito de música-medicina, com intenção clara desde o título do álbum, uma vez que Jonathan acredita na música como um elemento para acalentar a alma em busca do ‘curamento’. “O conceito (de música-medicina) normalmente está ligado à música espiritualista, e eu acho muito bonito pensar nele dentro da proposta instrumental também, porque acredito que a música por si só é medicinal. O que seria de nós na pandemia se não fosse a música, por exemplo? Então eu intencionalmente quis trazer o disco pra esse lugar, onde você pode dar o play, meditar e etc., usando esse disco para um movimento de autocura mesmo”, declara o artista. “Na última faixa, ‘Caminho’, a Vivi Mosé declama um texto lindo e poderoso no qual ela diz ‘o que cura é a vida’, que resume muito bem a proposta do disco. Ela usa ainda um mantra indígena que eu gosto muito, que é ‘a cura está acontecendo agora, nesse momento’. E é isso o que quero dizer: a cura é a vida, a água pura, é estar com quem você ama, é o bom dia para quem acorda do seu lado, é olhar para o seu filho e se reconhecer nele, é comer uma comida gostosa, é beber uma cerveja com os amigos”, exemplifica Jonathan.

Assim como o próprio artista, “Cura” é um disco repleto de nuances, que conversam de maneira muito orgânica e de fácil absorção ao ouvinte. Ao mesmo tempo em que o álbum apresenta uma essência sentimental, a busca pela espiritualidade e um caráter curativo – evidentes em “Sino da Igrejinha” e “Caminho”, respectivamente -, ele não deixa de apresentar também seu viés político-social alinhado com a identidade do seu criador, como na track “Esperança”, que traz um poema de autoria Ferr declamado por Serjão Loroza e um clipe repleto de simbolismos. Mas há também espaço para faixas como a love song “Amor”, um blues sensual para dançar a dois; “Choro”, que imprime uma conexão com nossos sentimentos mais profundos; “Felicidade” e sua vibe rock’n roll’ com um solo de guitarra; o resgate a um local seguro da infância em “Chuva”; uma reflexão sobre a deusa egípcia Maat e a energia do feminino em “Sensível”, com participação do violoncelista Jaques Morelenbaum; e uma homenagem ao ícone da MPB Milton Nascimento em “Nascimento”.

Tornar sua obra e mensagem acessíveis é tão importante para Jonathan que, segundo o artista – e ao contrário da maioria dos álbuns musicais -, a ordem de consumo das faixas proposta na tracklist não é essencial para a compreensão do disco. “Com esse trabalho estou buscando conexão com todo mundo – desde uma senhorinha humilde que mora no interior e nem sabe o que é jazz, até um colecionador que tenha milhares de vinis em casa. Quero que todos que dêem play nesse álbum sintam e estabeleçam uma conexão, porque vão entender. Não quero mostrar que consigo fazer 30 notas por segundo, porque acho que isso não conecta ninguém. Então esse é um álbum que fiz para alcançar esse lugar e que vai trazer muitas possibilidades”, conclui Jonathan.

Por fim, é possível vivenciar a experiência de um projeto cheio de frescor, ineditismo, beleza e cura.

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