Em seu quarto livro, a escritora revisita memórias de vida dialogando com a saudosa Dona Antônia, sua avô materna
Quando o surfista Ítalo Ferreira ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Tokyo, disse: “Eu queria que minha avó estivesse viva para ver isso. Para ver o que eu me tornei”. Essa atitude de olhar para trás em reverência ancestral, que a tradição africana denomina de sankofa, é a síntese do novo livro da filósofa e feminista negra, Djamila Ribeiro. Em ‘Cartas para Minha Avó’ (Companhia das Letras, 2021), seu quarto lançamento, a escritora traz memórias e pensamentos através de epístolas endereçadas a Dona Antônia, sua avó materna, mostrando uma escrita íntima, delicada, e igualmente repleta de sabedoria.
enzedeira famosa em São Dimas, bairro de Piracicaba, Dona Antônia foi figura fundamental na vida de Ribeiro. A matriarca de uma família de sete filhos, faleceu aos 68 anos, em decorrência da fragilidade da saúde que foi se acentuando depois de uma picada de barbeiro, deixando um legado de cuidado, visão de mundo e personalidade que influenciam fortemente a escritora.
“Ao ver seus olhos na foto, entendi de onde herdei os meus”, descobre a autora por meio das reminiscências entre os quintais da avó no interior de São Paulo e o apartamento em Santos, onde acompanhamos histórias sobrepostas que narram o crescimento e amadurecimento de Djamila. E a narrativa vai além dos episódios de racismo e questões de gênero, temas vivenciados e amplamente abordados em suas obras predecessoras e no seu ativismo. Nas cartas há espaço para uma menina traquina, partilhando a experiência do primeiro beijo; de uma moça que é sucesso na pista de dança e chora com músicas românticas; e de uma poeta que foi premiada com seus versos.
A presença da ancestralidade é recorrente na obra em várias nuances. Já na capa se apresenta um ofá (flecha) de Oxóssi, orixá de frente da escritora, anunciando essa procura às suas raízes. Em ‘O Espírito da Intimidade’ (Odysseys, 2003) Sobonfu Somé mostra como os parentes da aldeia Dagara em Burkina Faso são importantes para o fortalecimento de seus seus familiares, sobretudo na escuta, orientando-os em suas decisões.
Como “Brasil também é África” (leia o livro para entender essa máxima), a experiência diaspórica é similarmente vivenciada por Djamila, que se conecta com seus familiares ancestrais partilhando momentos de sua trajetória. E aqui o diálogo se expande para Dona Erani e Seu Joaquim, mãe e pai da autora, que também faleceram precocemente. Relação amorosa, ensinamentos, orientações pra combater o racismo e demais vivências que Ribeiro teve no bojo familiar, foram diretrizes para criar sua filha Thulane, rompendo alguns ciclos (como conversas sobre sexo, consideradas tabus pra suas mais velhas) e realizando a manutenção de outros, como a proteção vinda das rezas e do banho de erva
Há brechas para o riso e para o choro. Nesta obra, a neta fala tanto quanto a celebrada escritora, que também é uma mulher apaixonada e sonhadora, sem deixar desvanecer a sua potência enquanto ativista, e sua força como uma das 20 mulheres de sucesso do Brasil, segundo a Forbes (2021). Assim, a autora consegue ilustrar a profundidade das múltiplas facetas que compõem as pessoas negras, opondo-se à insistência em colocá-las numa narrativa de apenas dor ou superação. Isso é humanizar pessoas.
É positivo o fato de uma mulher negra em ascensão, sinônimo de influência e poder, contar suas intimidades e vulnerabilidades, pois assim fortalece a identificação das pessoas que a leem. Afinal, como pontua a escritora, “restituir a humanidade também é assumir fragilidades e dores próprias da condição humana”.
Ao contar histórias de sua avó, Ribeiro conta suas próprias histórias, as de sua mãe, e as de tantas outras mulheres negras (e também homens) que, mesmo carregando suas narrativas individuais, partilham de dores, dengos e delicadezas comuns.
Seja pela experiência do racismo, ou pelas similaridades presentes no convívio e na cultura de famílias pretas, conseguimos identificar as Antônias, as Eranis, as Djamilas e as Thulanes que passam pelo tempo cronológico, mas permanecem em nossas vidas e nas vidas dos nossos. Contar essa história é uma forma de perpetuar a presença antepassada, que foi responsável por abrir caminhos e continua sendo esteio existencial. No fundo Djamila sabe que, mesmo não estando presente em matéria, Dona Antônia comemora, do Orun, a medalha de ouro que é sua neta. Axé!
‘Cartas para Minha Avó ’Djamila Ribeiro Companhia das Letras, 2021200 páginas R$34,90 (venda no site)
*Lucas de Matos é soteropolitano, Comunicador com habilitação em Relações Públicas (UNEB) e Pós-Graduando em Comunicação e Diversidades Culturais (Faculdade 2 de Julho). É poeta e apreciador da literatura.
Sérgio All nasceu na periferia de São Paulo, no bairro do Capão Redondo, na década de 70. Filho de um metalúrgico e uma diarista, dona Cleuza Aparecida. Seus pais não puderam terminar os estudos, mas sempre o incentivaram a estudar, pois entendiam que aquele era o único caminho possível para vencer. Com seis filhos, seus pais sempre trabalharam muito, ficando pouco tempo em casa, e essa ausência criou em Sérgio uma vontade de mudança, de fazer o possível para mudar aquela situação.
Durante a infância, vivenciou ditaduras, inflação, desemprego, falta de tecnologia, mas ele sempre buscou se informar pelo rádio, TV e jornais, meios aos quais tinha acesso na época. Desde os 6 anos almejava ser um homem de sucesso. Criado em lar cristão, aprendeu desde cedo a distinguir o certo do errado. E optou pelo caminho do certo. Sonhador, Sérgio se inspirava filmes, e seu sonho era trabalhar no mercado financeiro, de Nova York, assim como no filme Wall Street, estrelado por Charlie Sheen e Michael Douglas.
“Eu via o filme e falava pra minha mãe: eu quero trabalhar assim mãe, e ela sempre dizia, você vai”, contou. Enquanto os irmãos empinavam pipa, ele brincava de faz-de-conta na cama da sua mãe, simulando que ali era sua grande mesa de escritório. Estudou sempre em escola pública até o Ensino Médio, e desde muito cedo buscou empreender.
Foi o primeiro de sua família a ter uma empresa formal, e aos 16 anos foi trabalhar no Mappin (antiga loja de departamentos), como office boy. Vendo o mundo corporativo de dentro, sempre almejou novos cargos, durante os 8 anos que passou na companhia. Estudou desde cedo a questão do racismo, e enfrentou na pele o racismo corporativo, desde o seu primeiro emprego.
Sérgio sempre desafiou o status quo, e depois de enfrentar alguns conflitos com seu chefe, por causa de sua cor, foi mandado para trabalhar no arquivo morto, no subsolo. Lá embaixo, ele descobriu que os nãos seriam seu combustível para o sim. Ia trabalhar sempre de terno e gravata, começou a se relacionar com a diretoria, que nos elevadores o encontravam e estranhavam aquela figura: preto, jovem e de terno.
Após algum tempo trabalhando no subsolo, entendendo a desordem do local para armazenamento de arquivos e vendo oportunidades de melhorias, sugeriu uma mudança drástica no arquivo da loja. Ciente que enfrentaria resistência de seu superior imediato, levou a sugestão diretamente à diretoria, que aprovou como um piloto. Com o aval dos diretores, criou processos que facilitaram a busca pelos arquivos e aumentaram a produtividade da área jurídica.
Durante o teste, no qual pediram uma série de arquivos diferentes, surpreendeu ao encontrar forma rápida tudo que lhe havia sido pedido. Cientes da eficácia do que Sérgio havia proposto, fizeram com que o novo processo virasse modelo para todas as outras lojas. E assim começou sua escalada corporativa.
Foi convidado para cursar Direito, com apoio da empresa, mas agradeceu e recusou, entendendo que, apesar das oportunidades, aquela não era a sua vocação, e não era o trampolim que o levaria a realizar o sonho de sua mãe, que era terminar a construção de sua casa. Cursando Marketing Multinível, aprendeu muito sobre liderança e sobre aglutinar pessoas. Sérgio foi se desenvolvendo e se preparando para o que estava por vir.
“Aos 18 anos, perdi minha mãe, e contraí depressão, uma dor solitária, assim como o empreendedorismo, que persistiu por 2 anos”. Aquela que o tinha ensinado a desafiar a vida, agora faltava. Durante o processo de depressão, se tornou autodidata, e lendo livros sobre publicidade, achou ali sua vocação.
Optou por empreender na área de jogos eletrônicos e concluiu que poderia fazer disso um negócio. Antes da bolha da internet estourar, lançou o SOS Games, uma startup na qual aplicou toda a base do que aprendeu no marketing multinível. A startup desenvolveu um buscador de dicas de jogos, chamados também de “detonados”, que era alimentado por noites de jogos entre ele e os amigos.
O SOS Games ficou no ar por 5 anos, e acumulou mais de 50 mil dicas, com um público mensal de mais de 30.000 pessoas. O negócio decolou, e Sérgio, através de sua empresa, começou a representar grandes marcas, e a participar de feiras, como a Fenasoft, a maior feira do segmento.
Entre suas descobertas, se questionou o motivo de não haver jogos para Mac, e pra sua surpresa, viu que esses jogos existiam, e só não eram divulgados. Procurou a Apple, e encontrou apoio para popularizar esses jogos, pra essa plataforma, e pouco tempo depois estava no palco de um grande evento para revendas, no Clube Pinheiros, sendo apresentado como o responsável para divulgação dos jogos na plataforma.
O networking foi algo que ele aprendeu muito cedo em sua jornada empreendedora, durante uma edição da Fenasoft. Ali, entendeu que precisava ir logo no primeiro dia, quando o board dos expositores visitava a feira, e distribuía muitos cartões de visita.“O mercado de entretenimento me projetou”, disse ele.
Como previsto, pouco tempo depois já estava em um evento da Apple na Amchan, onde teve a oportunidade de apresentar um novo jogo para a plataforma. Lá, conheceu muitas pessoas importantes. Pra atrair capital e crescer, ele trouxe outros profissionais para o board, como sócios, e com essa experiência aprendeu a duras penas sobre a importância de escolher as pessoas certas.
Depois de diversos desentendimentos e muita hostilidade por parte dos seus sócios, Sérgio vendeu sua participação na empresa e foi buscar novos horizontes. “Lembrava de minha mãe me dizendo que tudo que eu me dedicasse eu conseguiria sucesso, e foi assim”.
Ao sair de sua própria empresa, decidiu montar uma agência. Aglutinou pessoas, trouxe sócios certos, e consolidou a sua agência ao longo de 20 anos, que começou prestando serviços para o digital, fazendo sites, e foi adicionando divisões de trade marketing, eventos, até se tornar uma agência full service. Surfou vários segmentos, participou na construção de grandes shows, como U2, Linkin Park, entre outros grandes nomes.
Aprendeu sobre captação de patrocínios, e sempre que surgia uma nova demanda, Sérgio primeiro vendia, depois ia descobrir como entregar. E entregava com muita competência, na raça. Sempre teve clientes brancos, os pares e parceiros idem. Percebeu que seu maior desafio era não ser reconhecido como o dono da agência, pela sua cor.
Em diversas situações, encarou com um sorriso amarelo no rosto, quando enfrentava esses desafios raciais. Foi então que aprendeu a lidar, e passou a letrar os seus próximos sobre o tema. Lutava para conquistar clientes, que muitas vezes duvidavam de sua capacidade de entrega.
Quando jovem havia perdido seu irmão caçula, que foi assassinado. E agora, perdia seu irmão mais velho, seu braço direito na agência, para um infarto fulminante. Perdeu também seu pai. E lidando com suas perdas, não desistiu, e ganhou novas bases de sustentação. Conheceu a Fernanda Ribeiro, que presenciou as suas dores e perdas. Na ocasião, sua agência estava crescendo, e precisou de um empréstimo para modernizar os computadores e crescer. Durante entrevista presencial, ao verem a cor da sua pele, o banco negou o empréstimo, e esse foi o estopim para que Sérgio decidisse abrir um banco.
Utopia e motivo de chacota no início, ele sempre conduziu suas iniciativas pelo querer fazer. Desde cedo, em toda sua jornada, jogou pro universo, desejou, e conquistou os espaços que desejava. Pessoas viam no seu olho a vontade de querer fazer, e apostavam.
Pesquisou o mercado, aprendeu a fundo sobre a desbancarização do povo preto, buscou e consolidou números. Na época, Sérgio já conhecia a Fernanda há 15 anos, e dividiu o desafio com ela, que imediatamente aceitou construir em conjunto. Fernanda vem de um berço feminino. Sétima menina de uma grande família, contrariou as estatísticas desde o ventre, quando sua mãe, aos 43 anos engravidou, mesmo usando o DIU.
Com as irmãs já todas crescidas, nasceu numa família de adultos, na periferia de São Paulo. Em razão do estágio de vida em que estavam, seus pais já eram financeiramente saudáveis. Sua mãe trabalhava como assistente social, na área da saúde, e seu pai na área de aviação. Sempre teve acesso a educação de qualidade, em escolas particulares. E pra além de tudo isso, teve a oportunidade de conviver com pessoas diferentes.
“Quando nasci, minha família, de tão grande, precisava até de um organograma.” O encontro de família, os almoços de domingo, eram um grande laboratório. Com uma família repleta de diversidade, ela aprendeu a pensar sempre sob muitos pontos de vista. Sempre furou bolhas, em sua família diversa.
Sua mãe sempre levou os filhos a campo, pra ver outras realidades. Fernanda conviveu com essas realidades, e buscava conhecer sempre mais. Já no dia a dia, em escola particular, convivia com outro extrato da sociedade, com famílias abastadas e de origem privilegiada.“Sempre sou a pessoa improvável nos lugares improváveis. E agora, não é diferente. Sou uma mulher, negra, retinta, jovem, no meio do mercado financeiro. Para além disso, gosto de balançar as estruturas, e promover o teste do pescoço, olhando pro lado em busca de pessoas como eu.”
Com DNA questionador, não convive em locais com tantos iguais. Ao contrário do esperado (sua mãe e irmãs todas trabalhavam na área da saúde), ela seguiu outro caminho, e inspirada pelo seu pai, que sempre a levava nas folgas ao aeroporto, para verem aviões chegando e partindo, na hora de escolher sua faculdade, escolheu Turismo.
Trabalhou como executiva em grandes companhias aéreas, onde construiu sua carreira corporativa. Entendeu que o quanto mais subia na escalada corporativa, menos negros encontrava pelo caminho. Trabalhando o triplo, por 18 horas diárias, sempre focou em entregar e ir além.
Fernanda tem muito orgulho de sua carreira, dos países que visitou, das pessoas com quem se conectou. Apesar de amar seu trabalho, enfrentava o racismo de muito perto, vindo de seu superior imediato. Com uma jornada de trabalho adoecedora, teve Síndrome de Burnout, desenvolveu um nódulo, descoberto em um atendimento médico que precisou se submeter, durante uma crise de ansiedade. Na ocasião entendeu que precisava mudar de carreira, e que aquele ciclo havia finalizado. Durante sua internação, seu chefe não parava de ligar para ela, afinal, ele precisava de informações para uma reunião importante.
Percebendo ser apenas mais um número, decidiu migrar sua carreira. Se programou financeiramente para um período de pausa, preparou sua sucessora, e saiu da companhia. Após sua saída, se dedicou por um ano a conhecer o novo, se conectar com o diverso. E nesse momento os destinos de trabalho de Fernanda e Sérgio se cruzaram, e criaram juntos a Afro Business, juntamente com Márcio, um amigo em comum, e terceiro fundador do negócio.
Desde o primeiro dia, a grande vocação era para atuar na área econômica, gerando trabalho e renda pra pessoas pretas. E assim surgiu um negócio de impacto, uma plataforma de cadastro, que em 3 meses já era finalista de uma premiação internacional, promovida pelo Google. Com um plano de comunicação sólido, saíram em uma matéria de mais de 5 minutos, no programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios, e viram sua rede se encher de profissionais.
Começaram a conectar as pessoas entre si, e notaram que havia muita diferença entre os graus de maturidade dos negócios. Para além de conectar as pessoas, entenderam que precisavam capacitar e fomentar o empreendedorismo. “Nascemos com o DNA de não reinventar a roda“.
Segundo Fernanda, com diversas organizações pretas no mercado, atuando em diversas vertentes, optaram por focar na conexão dos empreendedores. E assim começou a atuação do Afro Business, gerando frutos para os participantes. Os empreendedores negros não estão em todos os setores da economia, limitando as conexões possíveis. Quando surgiu a ideia de inserir os empreendedores na cadeia de suprimentos de grandes empresas, e dentro desse ecossistema, surgiu a coragem de criar um banco, para atender a demanda do povo preto.
Tinha empreendedor que não tinha conta bancária, pois eram impedidos pelo sistema, sendo reprovados muitas vezes pelo recorte étnico, diante de gerentes de banco que não enxergavam potencial em seus negócios. O prazo de faturamento das empresas para seus fornecedores também era um problema, pois era longo demais, para empreendedores que não tinham caixa nem crédito. As instituições tradicionais negam crédito 4x mais para pessoas pretas.
O Conta Black nasce como uma conta digital, e traz pro empreendedor acesso a ferramentas financeiras, e trabalhar com outras camadas. “Desde o primeiro dia, entendemos que educação financeira precisava constar em nosso DNA. No Brasil, o sistema financeiro tem um mecanismo para manter as pessoas pretas endividadas. 70% dos adultos economicamente ativos e endividados são pretos, e o Conta Black veio para mudar esse cenário”.
Tão importante quanto o crédito, trazer a educação financeira pro povo preto se faz necessário, é preciso também educar para o não endividamento. Ao longo dos 6 anos do Conta Black, criamos cartão, microcrédito e conta digital. Somos hoje um hub de serviços financeiros, conectados a uma conta digital. Nossos pilares se baseiam em educação financeira: Benefícios, que representa entregar produtos e serviços que sejam adequados a realidade; Consumo, que orienta a forma como continuamos fomentando o black money; e Conta Digital”, finaliza Fernanda.
Um dos conceitos que mais curto em História é o de historicidade. Este conceito tenta compreender as dinâmicas que estão envolvidas na formação dos valores, das crenças, dos hábitos e instituições sabendo que essas realidades se transformam no tempo, não são estáticas, são históricas.
Para a Historicidade, a experiência – compreendendo o que é experimentado e como se experimenta – é a teia que tece a realidade de um ser. Por exemplo: apesar de serem gêmeos, crescerem em uma mesma família, mesma escola, mesmos pais duas pessoas desenvolverão personalidades diferentes, porque as suas experiências individuais darão o tom.
Em uma linguagem psicológica, historicidade são os conjuntos de experiências que irão constituir a história de uma pessoa e que condicionará seu comportamento em uma determinada situação. Costumava sempre dizer que é impossível dar “cavalinho de pau com transatlântico”, ou seja, não tem como operar movimento bruscos com o conjunto de experiências que engendram a história de um ser, que constrói quem somos.
Sempre agiremos no limite do horizonte das nossas experiências e expectativas. Como os indivíduos, também são os grupos sociais, os povos, as raças. Elas possuem experiências específicas, ou seja, historicidades específicas que formam seu ser, sua psicologia, seu comportamento.
É o estudo dessa formação e das implicações políticas que delas decorrem que se trata também uma perspectiva afrocêntrica. Se pretos e brancos tem experiências históricas diferentes na sua formação de povo como suas agências, seu pensamento, seu comportamento, suas soluções, sua perspectiva seriam iguais? Se somarmos a isso a realidade de que há no mundo uma dominação cultural, política, econômica, ou seja, civilizatória, branca, na discussão perceberemos o óbvio: se a fala/comportamento das pessoas pretas estão em consonância com as pessoas brancas que as dominam e que possuem historicidades diferentes, é porque essas falas são falas ideológicas produzidas pelo regime de poder branco, ou seja, a partir da historicidade branca.
Ideologia aqui como os esquemas de pensamento (material e imaterial) que promovem uma alienação. Ora, pra agir igual o branco, pensar igual o branco, se comportar igual e ter a mesma agenda política que o branco, o negro precisa estar alienado da sua própria experiência histórica, alienado de si próprio, ou seja, colonizado.
Como um povo que convive com uma taxa de aniquilamento onde se morre um filho, um pai, um primo, um tio a cada 23 minutos pode dar a mesma resposta de um povo que não sabe o que é genocídio? Como uma mulher negra pode dar a mesma resposta que as mulheres brancas, se as experiências são outras? Como as mães pretas podem responder a vida igual as mães brancas?
Ora, isso só é possível pela dominação ideológica e alienação. Enfim, esse texto é um enfrentamento, uma guerra contra a ideologia dominante e o seu processo de alienação e um convite ao despertar Negro. Como negro é uma invenção do mundo branco, é preciso “Tornar-se Negro” fora da construção de sentido colonial, como nos lembra Neusa Santos. Ou seja, é preciso tecer o próprio ser a partir da própria historicidade.
Toda vez que um Negro em posição de poder (de influência) ter sua fala aplaudida calorosamente por pessoas brancas, é preciso desconfiar se essa fala não passa de peça de propaganda ideológica branca e portanto, de instrumento de alienação cujo objetivo é a manutenção do domínio colonial da supremacia branca.
Saiba também que o poder quer o poder e que poder se exerce e não se doa. Nenhum povo fará o trabalho por você. Nem se quiserem (não irão querer, pois poder não se doa), não podem, pois sua historicidade é outra. Qual é a sua história? Seu ponto de vista? Sua interpretação da realidade e principalmente qual a agenda política que você defende, levando em conta a sua própria experiência nesse território?
Hebert Conceição conseguiu medalha de ouro no boxe olímpico após nocautear, de forma rara para a categoria, o ucraniano Oleksandr Khyzhniak. Em luta realizada na madrugada de sexta-feira para sábado (7) na categoria até 75kg, Conceição conseguiu uma virada espetacular após perder os dois primeiros rounds por unanimidade.
Imagem: Reprodução/Globo
Hebert Conceição iniciou o primeiro round sendo pressionado por Khyzhniak que desferiu um grande volume de golpes, mantendo a luta à curta distância, anulando as boas habilidades de esquiva do brasileiro. O round foi decidido a favor do atleta da Ucrânia por unanimidade.
No segundo assalto a história se manteve e o brasileiro continuou pressionado pela quantidade de golpes dada pelo adversário. Mais uma vez o round foi decidido por unanimidade a favor de Khyzhniak.
Com a possibilidade quase nula de vencer por pontos, Conceição precisava de um nocaute para conseguir a medalha de ouro e foi justamente o que aconteceu. O adversário tentou encurtar a distância e foi surpreendido por um golpe fulminante da esquerda do brasileiro. Com o pugilista adversário no chão e desorientado, o juiz interrompeu a luta e decretou nocaute técnico para o baiano de 23 anos.
“Eu sabia que estava perdendo e tinha que ir com tudo”, disse o lutador em áudio capturado pela transmissão da Globo.
Para chegar à final, Hebert passou nas oitavas de final, derrotou o chinês Tuohetaerbieke Tanglatihan por 3 a 2, em decisão dividida dos árbitros. Nas quartas, passou pelo cazaque Abilkhan Amankul, prata no Campeonato Mundial de 2017, e venceu por 3 a 2. Na semifinal, o adversário foi o russo Gleb Bakshi, campeão mundial de 2019 e o brasileiro também venceu.
O canoísta baiano Isaquias Queiroz ganhou a medalha após vencer outros seis rivais na final do C1 1000m (canoa individual). O atleta já tinha ganhado três medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro: Prata na Canoa Individual 1.000m, Bronze na Canoa Individual 200m e Prata na Canoa de Dupla 1.000m, (com Erlon de Sousa) e se tornou o primeiro atleta brasileiro a conquistar três medalhas em uma única edição dos Jogos Olímpicos.
Imagem: Instagram/Isaquias Queiroz
Isaquias Queiroz já começou forte e passou em quarto lugar nos primeiros 250m, com Na primeira metade, nos 500m, estava em segundo brigando bico a bico com o chinês. Nos 750m o brasileiro disparou e fez os adversários beberem água . E fechou os 1000m vencendo com 4m04s408.
Ouro negro e baiano. Agora Queiroz tem medalha de todas as cores em sua coleção de medalhas olímpicas. “Feliz por deixar minha família e meus filhos verem a história acontecer”, disse o canoísta após a prova.
Quando mães não reconhecem a necessidade do filho de ter um pai, ainda que ausente.
Mãe cadê meu pai? Quer brincar ele, contar sobre as coisas que acontecem na escola, perguntar como era sua infância, quero saber se posso namorar, se posso chegar tarde em casa…enfim, QUERO MEU PAI!!
Muitas mães acabam ouvindo questionamentos como esse depois de anos de criação solo dos filhos, depois de passar a maioria das fases de desenvolvimento da criança contando pouco ou quase nada do apoio paterno. Muitas recebem suporte da rede de sua rede de apoio como avós, tios e padrinhos, mas aquela ausência paterna ronda a mente e o coração dessas mães.
E é sobre isso que quero falar, a ausência paterna e suas consequências permanentes na vida dos filhos, mas pelo olhar das mães solos. Quantas reivindicam o direto de receber homenagens no dia dos pais? Quantas negam o direito (mesmo que na melhor das intenções) dos filhos descobrirem um pouco mais da história do seu nascimento e o porquê sofrem tal ausência?
Muitos são os motivos que levam homens a não estarem próximos dos filhos durante quase toda a vida, brigas, falta de dinheiro, relacionamentos rápidos e aventureiros ou ainda a falta de informação sobre a existência de uma criança gerada. E o papel das mães diante desse quadro é tentar preencher essa ausência de qualquer jeito.
Por mais que as mães, avós e tios se esforcem para cuidar de uma criança não deixando faltar as necessidades básicas como alimentação e educação e cuidados com a saúde. A necessidade da presença paterna no desenvolvimento cognitivo do pequeno é indispensável, nas tomadas de decisão ao longo da sua vida social, na afetividade e até mesmo na saúde mental segundo pediatras e psicólogos.
Mas porque não insistem em não reconhecer essa necessidade na vida das pessoas que elas mais amam? Seria a relação tóxica que tiveram com seus antigos parceiros, magoas causadas pelo abandono do homem, agressões sofridas, falta de amparo durante a gestação?
Um pai me confidenciou que desde que o sofre ao tentar se reaproximar do filho, pois além da mãe dificultar o contato, ainda emite palavras ao filho ao se referir ao pai como: Ausente, imprestável, irresponsável, egoísta, entre outras ainda mais pesadas.
Não quero amenizar de forma alguma a responsabilidade de um pai no cuidado com o filho, na divisão de responsabilidades com a mãe. Mas levantar outras perspectivas na relação das mães om os pais ausentes.
Baixar a guarda, cobrar essa presença de forma saudável e justa, entendendo a necessidade da criança. Cabe ao pai reconhecer que pode acarretar graves consequências a uma criança que prova sua ausência paterna.
O termo: Eu sou uma PÃE (pai/mãe) não existe e tão pouco valoriza o papel digno de uma mãe solo e que passa muitas vezes sozinhas todas as dificuldades da criação de um filho. Apoio financeiro é possível juridicamente, mas resgatar o afeto e a presença paterna exige um pouco mais de esforço de todos os envolvidos.
Isso é o amor na essência sendo exercido. A pratica do perdão, a busca por conhecimento sobre a necessidade dessa presença e sobre tudo, ao diálogo entre as partes pode ser o melhor caminho para a formação de nossos pequenos.
Nosso trabalho no coletivo pais pretos presentes é tentar essa reaproximação conscientizando os pais da importância de se fazer presente, de participar das diferentes etapas de uma criança, assumir que erros forma cometidos, mas que é possível recomeços harmoniosos e saudáveis.
Além de reivindicar o direto de serem chamados pais e de receber todo o carinho e afeto do filho, não importando o passado de distanciamento. Domingo é dia dos pais, e meu desejo é que a mães possam incentivar seu filho a tentar um contato paterno ainda que possa ser uma experiência dolorosa. E você papai experimente fazer uma ligação ao seu filho ou ainda uma visita surpresa apenas para dizer, eu te amo.
Como diz aquela pequena criança no do comercial do banco: Isso muda o Mundo!
Naomi Osaka tem apenas 23 anos, mas já é uma das atletas mais conhecidas da atualidade, sendo vencedora de quatro Grand Slams e sendo a primeira tenista asiática a liderar o ranking mundial. Mas não é sobre as conquistas dentro de quadra que reside o foco do documentário “Naomi Osaka – Estrela do Tênis” da Netflix.
Imagem: Reprodução/Netflix
Dirigido pela experiente documentarista Garret Bradley (‘Time’), o documentário acompanha a vida da tenista ao longo de dois anos, divididos em três episódios que passam rápido, visto a figura interessante que é Osaka. A diretora escolhe por deixar a narração por conta da retratada, com algumas poucas falas das pessoas que a cercam (pais, irmã, treinadores). Essa escolha faz com que vejamos de forma mais íntima a forma com que Naomi encara o mundo, com reflexões simples e diretas sobre como enxerga sua trajetória e como sente o processo de interação com o mundo após virar uma estrela mundial.
A câmera mostra sua protagonista em festas de família, mudança de casa e durante partidas importantes. Em todas as situações fica a impressão que a campeã está constantemente desconfortável dentro da situação, com exceção de quando participa dos protestos do Black Lives Matter.
Justamente no trecho final, quando mostra a decisão da tenista de usar sua plataforma para falar sobre racismo, nacionalidade e dúvidas existenciais, a produção cresce. Naomi reflete sobre sua condição de japonesa negra que é questionada pelos dois lados quanto à sua raça, a dor de ter perdido um amigo, o astro da NBA Kobe Bryant (morto em janeiro de 2020 em acidente de helicóptero) e se sua vida está mesmo sob seu pleno controle.
É possível sentir um certo desconforto pela personagem e sua sensação de inadequação em ensaios fotográficos e entrevistas. A torcida é para que ela consiga logo sair dali e entrar em quadra ou ir para casa. Curiosamente, pouco antes do lançamento do documentário, Naomi Osaka abandonou o Aberto da França por se sentir mal em dar entrevistas após os jogos.
Filha de mãe japonesa e pai haitiano, Naomi é mostrada como uma mulher que ainda questiona seu lugar no mundo, mas sem negar nenhuma de suas origens e mesmo sem demonstrar personalidade expansiva, impõe sua voz. Os três episódios passam rápido e devido à complexidade da personagem passa longe de soar como uma obra precoce, como pode acontecer ao se retratar jovens personalidades surgindo para o mundo.
A história do Rap Nacional ainda tem sua base masculina pautada com frequência e mesmo nos tempos atuais, debater sobre isso é como tocar o dedo na ferida de quem se incomoda. A discussão em si não é apenas sobre machismo, é sobre a falta de espaço, de representatividade, diversidade, dentre tantas outras questões.
É impossível falar de Rap e dissociá-lo como um dos elementos do Hip-Hop. A participação das mulheres não está restrita à música, mas a diversos locais dentro deste movimento, em espaços ocupados com muito esforço.
Hoje, 06 de agosto, foi instituído o “Dia do Rap Nacional”, através da Lei 13.201/2008, de autoria do deputado Geraldo Vinholi, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e aproveito este espaço para exaltar mulheres que vem fazendo a diferença nos trabalhos que desenvolvem dentro da cena do Rap atualmente.
Uma dessas mulheres é a Assessora de Imprensa e Supervisora de Comunicação do Centro Cultural de São Paulo (CCSP), Nerie Bento, referência no que faz. Por muitos anos integrou a Frente Nacional das Mulheres do Hip-Hop (FNMH), presidida por Lunna Rabetti, e lá percebeu a necessidade de documentar a realidade vivida pelas mulheres.
Neri Bento – Foto: Divulgação
Nerie dirigiu e roteirizou o documentário “O Protagonismo das Minas: A Importância das Mulheres no Rap de SP”, lançado em outubro de 2019, com o objetivo de torná-lo um registro histórico e destacar mulheres que estão em diversas áreas. Algumas das mulheres citadas e participantes são: Mila Felix, ex produtora do programa Manos e Minas, da TV Cultura. Sharylaine, rapper que criou o primeiro grupo de Rap brasileiro apenas com mulheres e está há 36 anos na cena. Danna Lisboa, primeira MC trans de São Paulo, entre outras. Você pode acompanhar Nerie nas redes sociais, ela dá dicas para artistas independentes, fala sobre construção de projetos culturais, comportamento, política.
Certamente você já ouviu falar de Katú Mirim, multiartista e ativista que ficou conhecida após a publicação de um vídeo contra a utilização da cultura indígena como fantasia. Ainda na adolescência, Katú descobriu que era adotada e que sua família biológica é composta por indígenas e pretos. Na busca por informações sobre sua ancestralidade, descobriu que descendia do povo Boe Bororo.
Suas músicas abordam a resistência do povo indígena e preto, ancestralidade, gênero e diversidade. Ela é uma das criadoras do coletivo Tibira – Indígenas LGBTQ e enquanto artista, obteve alguns marcos em sua carreira. Participou de festivais, de comerciais televisivos e grandes eventos de música e teatro, foi capa da revista ELLE.
Em fevereiro deste ano, criou a TAG #indigenasjobs, com o objetivo de facilitar a vida de contratantes, já que existe um pensamento racista pautado no ilusório fato de “não encontrar indígenas e por isso não os contratar”. Seu último lançamento foi a música “Indigena Futurista”.
Bianca Manicongo é o nome dela. Bixarte! Se você não a conhece, procure saber! Ela tem apenas 20 anos e é cantora, compositora, poetisa e rapper, é bicampeã estadual do Slam da Paraíba, finalista do Slam Brasil e ganhadora do Festival de Música da Paraíba. Lançou seu primeiro trabalho musical, intitulado “Revolução”, aos 18 anos. Com 19,a mixtape “Faces” e “Faces Remix” e, aos 20 anos, o projeto “A Nova Era”, financiado pela Lei Aldir Blanc.
Bixarte traz as suas vivências para sua arte, utiliza a música para clamar por igualdade e respeito e, de certa forma, reeducar a população através de suas perspectivas. Seu intuito é mostrar ao mundo que mulheres trans e travestis são capazes de produzir trabalhos com excelência, desmistificar todo o preconceito que há contra a população LGBTQIA+, e falar sobre corpos invisibilizados.
Seu último lançamento foi a música “Àrólé”, em referência ao Orixá Oxossi, o grande Odé (caçador). É uma música que passa força e confiança, além de exaltar a ancestralidade africana. https://www.youtube.com/watch?v=MWZ0nOJWfQk
Minha última indicação para vocês é MC Taya, carioca que ganhou destaque na cena com o lançamento da música “Preta Patrícia”, seu primeiro single, que se tornou um verdadeiro movimento em todo o país. Taya mostrou para as jovens pretas que elas podem e devem se amar, cuidar da mente, do corpo, do cabelo e que está tudo bem serem elas mesmas, independentes, sem medos de julgamentos. A Preta Patrícia é aquela menina que é cria da favela, que sonha com as suas conquistas, sem esquecer de onde saiu e onde quer chegar.
MC Taya — Foto Divulgação
Taya é de Nova Iguaçú (RJ), apaixonada por moda e pela valorização da estética preta, conseguiu acender uma chama de esperança no coração de muitas jovens e se tornou referência. Ela não é uma mulher “padrão” e não se envergonha, é uma mulher real e mostra isso de forma bem espontânea nas redes sociais. Além de MC, é comunicadora e apresenta o Bud Street Style, onde fala de lifestyle, música, esporte, entre outros assuntos. Seu último lançamento foi um feat com Larinhx, na música “De LV & Mini Saia”.
https://www.youtube.com/watch?v=sK9JjcHlOuc
Valorize o trabalho da comunidade preta. Compartilhe, divulgue para amigos, pesquise. Procure se ambientar sobre o seu povo, sobre os artistas, pesquisadores, comunicadores, sobre a sua ancestralidade. Se hoje nós ocupamos alguns espaços, é graças aos que vieram antes de nós e prepararam o caminho. Feliz Dia do Rap Nacional, com muito ainda o que lutar. ♥
Odete Cambala Cruz é uma mulher angolana, ex-esposa de um diplomata francês que morreu no Brasil no interior de São Paulo, em São José dos Campos, de causa suspeita e até agora não revelada, sendo enterrada às pressas pelo ex-marido, sem o consentimento da família e do consulado angolano.
O juiz de plantão, que em primeira instância se sentiu incompetente de julgar o caso, em menos de 24 horas decidiu dar pleno direito ao ex companheiro, já divorciados, de sepultar Odete sem considerar o interesse do consulado angolano e da família que apelava por um outro fim. Alegando que os filhos tinham legitimidade para requerer o sepultamento da mãe aqui, quebrando assim o juízo o jogo contrário que rege qualquer processo legal.
Segundo informações, a Angolana, no início do processo de divórcio em Março de 2020, procurou o consulado angolano e pediu ajuda, estes junto de seu advogado também de nacionalidade angolana e o jurídico do consulado se disponibilizaram e seguiam atentos os passos do processo até o mês de Julho do ano corrente, em que dias antes do ocorrido a moça fez contacto com o consulado e estes em resposta já não a conseguiam contatar, foi então quando alguns responsáveis se deslocaram para seu endereço onde a encontraram morta.
“Odete sempre foi uma mulher de luz, uma pessoa alegre, sempre teve um espírito de família mesmo longe nunca esqueceu as suas raízes. Ela era uma pessoa agradável de ter por perto. Nos últimos anos passou por um divórcio bastante conflituoso onde a a guarda dos filhos foi a principal frente de batalha” disse Maria Judite Cassombe, irmã da vítima.
A família de Odete está em São Paulo, vieram de Angola (Continente Africano) para acompanhar de perto o processo de exumação e visitar as crianças, poder abraçar e dar aquele conforto de mães, porque vieram duas irmãs da Odete e para nós africanos, aquelas crianças não são simples sobrinhos, são filhos delas também. No entanto, o pai das crianças não permite a aproximação dos familiares com tais.
“E como se não bastasse o nosso luto e a nossa dor ser assim prolongada a cada dia que passa, vimo-nos impedidos de ver os nossos sobrinhos, hoje faz uma semana que estamos aqui no Brasil com esta intenção porque para nós cultura angolana os sobrinhos são filhos nossos também e pela forma como a nossa irmã foi enterrada sem a nossa presença, sem a nossa despedida, dada a relação que nós tínhamos de muito próximas e que fica este vazio de não poder estar lá presente, nós temos essa dificuldade que os nossos sobrinhos passam a ser a única prova viva que a nossa mana deixou.
Então estamos aqui com essa dificuldade e apelar à quem de direito para que a justiça seja feita e que nos permitisse ter este acesso”. conclui a irmã da Angolana.
A família pede exumação do corpo de Odete e para ver as crianças!
O Festival CoMA , com o intuito de dialogar com a diversidade para construção de novos ambientes possíveis de tecnoconvívio – termo que condensa as formas de convívio intermediadas pelas tecnologias mais recentes criou o podcast “laboratório do mundo”.
A apresentação ficou por conta de Linn da Quebrada, agitadora cultural e artista multimídia que recebe convidados para um bate-papo real e consciente. Com estreia marcada para 5 de agosto, o primeiro episódio trouxe a participação de Verônica Oliveira (@faxinaboa) e de Alê Garcia (@alegarcia) para uma conversa sobre equidade, diversidade e inclusão.
O aquecimento para a quarta edição do festival, em formato de podcast, propõe a sensação de uma roda de conversa, com um olhar esperançoso ao futuro a partir de uma perspectiva crítica do agora. Foi tal proposta que trouxe Linn da Quebrada ao comando do programa.
“É uma possibilidade de aguçar a minha curiosidade, de aprender mais. O poder não saber, conversar com pessoas que sejam muito diferentes de mim ou mesmo parecidas, é um meio de encontrar coisas novas”, afirma Linn.
Ao decorrer dos encontros, nomes como Luedji Luna, Pai Rodney, Teresa Cristina, Lucas Veiga, Fióti, Jaque Fernandes e Srta. Bira passam pelo Laboratório de Mundo, projeto que já transitava pelos planos dos organizadores mas que foi impulsionado pela pandemia.