Chegamos à segunda edição do Prêmio Mundo Negro com os concorrentes indicados pela comunidade de seguidores do MUNDO NEGRO nas redes sociais. Agora, você pode escolher quem vai levar o prêmio para casa em onze categorias: Melhor Jornalista, Melhor Atleta, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Cantor, Melhor Cantora, Melhor Influência, Melhor Podcast, Melhor Revelação Musical , Melhor Inspiração e Creator no Tiktok!
A editora-chefe do Site Mundo Negro e idealizadora do Prêmio, Silvia Nascimento, explica que a ideia da premiação é valorizar pessoas negras de destaque em suas várias frentes de atuação. “Ter um prêmio para reconhecer a excelência de pessoas da nossa comunidade é algo que nos traz muita alegria, porque sabemos que ainda não temos espaço e reconhecimento suficientes em outras premiações. O Prêmio Mundo Negro é o ‘Nós por Nós’ na prática”, sintetiza.
A votação está aberta até sexta-feira (26) e cada pessoa pode votar quantas vezes desejar,neste link.Os vencedores do Prêmio Mundo Negro serão anunciados em uma transmissão ao vivo no dia 10 de dezembro, sexta-feira, a partir das 19h, no perfil do Mundo Negro no TikTok e logo em seguida noYoutube.
A apresentação do Prêmio será feita pela redatora do Mundo Negro Rakeche Nascimento e creator e colaborador do site Gerson Saldanha. A produção é fruto de uma parceria com Cultne e o patrocínio é do TikTok.
Considerada um dos maiores nomes da indústria musical, IZA ganha mais um reconhecimento: ela acaba de se transformar em uma boneca Barbie única e feita à sua semelhança.
A marca presta uma homenagem à cantora por tudo o que ela representa para as futuras gerações, ao quebrar barreiras e empoderar meninas e meninos de todo o mundo, a Barbie presenteou Iza com uma boneca. A iniciativa faz parte da linha “Mulheres Inspiradoras” (Role Models, em inglês).
“Eu sempre quis ter uma Barbie parecida comigo e não acredito que esse sonho está acontecendo. Fiquei muito feliz com essa homenagem, pois significa muito para mim. Eu precisava ter ouvido isso quando era mais nova: que eu tinha que ser exatamente do jeito que eu sou. Como uma menina negra, vivi muitas coisas, tive muito medo e achava que ser eu não era suficiente”, relembra a cantora, ressaltando que, por mais clichê que pareça, o seu conselho é para que as crianças se aceitem do jeito que são. “Se eu pudesse diria para meninas e meninos de todo o mundo: seja você, pois você é incrível!”.
Photographer Jeremy, Stylist Rachel Ritter
Imagem: Divulgação
IZA é a terceira brasileira homenageada por Barbie, que também presenteou com uma boneca exclusiva a biomédica brasileira Dra Jaqueline Goes, em agosto deste ano, e a surfista de ondas grandes Maya Gabeira em 2019. O projeto “Mulheres Inspiradoras” tem como objetivo reconhecer mulheres que fazem a diferença em seu campo de atuação, ao atingir grandes marcas em sua carreira, e servirem de exemplo para as futuras gerações.
Criada em 2015, a iniciativa já elegeu diversos profissionais que são exemplos de luta e perseverança, que cruzam fronteiras e que fazem história em todo o mundo, seja na carreira de modelo, cosmonauta, ativista ou chef de cozinha.
A atriz Camila Pitanga chegou na HBO Max e já começou a estampar as prateleiras internacionais da plataforma. Depois de 25 anos na Tv Globo, a atriz foi anunciada como a estrela do streaming em um coquetel que aconteceu na noite do domingo, 21, em Nova Iorque.
Usando full look Balenciaga, a atriz posou para as lentes de Pedro Arietas para a noite tão especial. Durante o discurso do CEO da empresa, Camila foi a estrela citada como aposta da HBO para o próximo ano.
Nesta segunda, a atriz participa do iEmmy a convite da sua mais nova casa. Ao sair da Rede Globo, Camila revelou que tomou a decisão pensando em alçar novos voos e sair da sua zona de conforto.
Imagem: Pedro Arietas
“Tomei a decisão de sair da minha zona de conforto para assumir uma nova responsabilidade. Sei que não será simples, mas acredito na minha força criativa”, disse ela.
Na plataforma, ela também trabalhará como produtora de conteúdos, além de atuar.
Os artistas e militantes da questão racial Kênia Maria e Érico Brás não são mais um casal. O anúncio da separação foi feito por Kênia Maria neste final de semana. Os dois viveram um relacionamento por nove anos. Os dois tiveram uma participação exibida no último sábado (20), no programa Caldeirão, na TV Globo.
A separação dos dois não se deu de forma amigável. Segundo nota enviada pela assessoria, “Kênia entrou com pedido de divórcio litigioso e outras medidas judiciais que se mostram necessárias, uma vez que a separação não aconteceu de maneira amigável e os desdobramentos acarretaram situações prejudiciais à atriz”
O ex-casal já havia passado por uma separação em 2019, mas reataram o relacionamento quase um ano depois.
Os dois conquistaram espaços de grande relevância para a comunidade negra, como a premiação por figurarem entre as 100 pessoas negras mais influentes do mundo pelo Mipad, órgão vinculado à Organização da Nações Unidas (ONU), onde Érico foi conselheiro consultivo do Fundo de População das Nações Unidas e Kênia atuou como defensora dos Direitos das Mulheres Negras, na ONU Mulheres.
Obra será lançada dia 23 de novembro na livraria Argumento
Thiago Thomé é um artista completo. Conhecido pela sua atuação em novelas como O Outro Lado do Paraíso, A Dona do Pedaço e Novo Mundo, todas da rede Globo, ele – eu estará na série “Arcanjo Renegado” ano que vem -, é também compositor e já gravou com grandes nomes da música nacional como Ivete Sangalo, Zeca Pagodinho, Thiaguinho e outros, além de participar da banda Funk Samba Club, com Vítor Art. Agora, Thomé apresenta outro talento estreando como escritor na ficção científica com o livro “E se desse para DENEGRIR?”.
A obra narra a trajetória de uma família negra rica, que resolve inverter a ordem social de um país, promovendo verdadeira revolução racial, tendo como aliadas tecnologia e ciência. Uma mãe e seus cinco filhos – três homens e duas mulheres – somam seus talentos e habilidades profissionais para conseguir trocar de lugar com os principais líderes das estruturas sociais, igualando as relações de poder e oportunidades entre brancos e negros e revolucionando as organizações sociais ao melhorar, drástica e necessariamente, as condições de vida da população preta. Com isso, os protagonistas interferem na mídia e na política do país.
O texto é dinâmico e repleto de adrenalina. É uma ficção que traz a importante reflexão sobre as relações de poder e submissão entre as raças. Veloz, intensa, científica e atualíssima, a história criada por Thiago presenteia o leitor com uma oportunidade de enxergar o cotidiano com olhar mais crítico e humano ao mesmo tempo. O livro debate ainda temas como racismo, candomblé, conflitos individuais, indústria farmacêutica, intergêneros, relações interraciais e mais.
Escrito inteiramente na pandemia, foi a chance que Thiago teve para conquistar o feito de escrever seu próprio livro, que era um desejo antigo. “Já tinha tentado escrever um livro outras duas vezes, mas nunca conseguia me dedicar pela correria da rotina. Aproveitei o tempo ganho com a paralisação inicial provocada pela pandemia do novo coronavírus e escrevi”. Thomé criou uma espécie de ritual: Todo dia, acordava as três horas da madrugada (bom horário para o processo criativo), acendia o cachimbo (em memória ao pai, que era fumante) e bebia um copo de cachaça (acompanhado de um copo d’água e uma caneca de café) com a meta de escrever 1500 palavras por dia.
Foto: Divulgação.
O curioso é que, na vida pessoal, o artista não consome bebida alcoólica e nem fuma. “Criei esse sistema e, de certa forma, era um momento de me conectar com minhas origens, minha ancestralidade, me ajudando na inspiração para compor a história. Quase como se o Thiago escritor fosse um personagem novo e esse ritual me ajudasse a conectar com ele”, conta o autor.
O livro, que tem 252 páginas, terá cópias físicas e digitais publicadas pela Approach Editora, com lançamento no dia 23 de novembro de 2021, na livraria Argumento, a partir das 17 horas.
Serviço: Livro “E se desse para DENEGRIR?” Tiragem inicial: 500 exemplares Preço sugerido: livro físico R$52,00 / e-bookR$14,90 Autor: Thiago Thomé Editora: Approach Editora Capa: Pandro Nobã Lançamento: 23/11/2021 Local: Livraria Argumento, na Rua Dias Ferreira, 417 – Leblon, Rio de Janeiro – RJ, 22431-080
Serão 600 vagas. Empresa irá bancar os custos de capacitação e preparação para a certificação de agente autônomo de investimento.
Com o propósito de capacitar e incluir mais profissionais negros no mercado financeiro, a XP anuncia o lançamento do programa “Vem Transformar”. Serão abertas 600 vagas para cursos de educação financeira e preparatórios para tirar a certificação da Ancord (Associação Nacional de Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), condição necessária para ser um agente autônomo de investimento (AAI).
Os cursos terão duração de 60h (Xpeed) e 70h (Ancord).Para participar, é necessário se autodeclarar uma pessoa negra/parda. A empresa também arcará com os custos da prova. As pessoas aprovadas no exame participarão de processos seletivos dos escritórios de agentes autônomos parceiros da XP.
“Queremos transformar o mercado financeiro para melhorar a vida de todas as pessoas brasileiras. Acreditamos que, para isso, a diversidade do nosso país deve ser refletida em nosso ambiente de trabalho e que, só assim, conseguiremos desenvolver as melhores soluções em investimento para diferentes necessidades e pessoas”, destaca Marta Pinheiro, sócia e diretora de Cultura & ESG da XP Inc.
O programa Vem Transformar é uma iniciativa da XP em parceria com o coletivo Blacks by XP Inc, formado por pessoas negras da XP. A ação faz parte do plano criado pela diretoria de ESG, em março de 2020, que desde então vem ampliando seu compromisso com a sociedade. A área vem atuando de forma contínua e propositiva na promoção de ações afirmativas dentro da companhia, hoje com cerca de 6 mil funcionários. Ao todo, estão sendo investidos mais de R$35 milhões em iniciativas voltadas à diversidade, inclusão e equidade racial para o público interno e externo.
“Queremos reforçar, por meio desta e de outras ações, o nosso compromisso em fazer transformações significativas na sociedade. A inclusão e a diversidade na companhia e em nossa rede de parceiros é uma questão de extrema importância dentro do nosso propósito e cultura. Fizemos alguns estudos para identificar quais barreiras impedem a inclusão de profissionais diversos no mercado de trabalho e um dos principais obstáculos é a formação de qualidade, por isso decidimos investir nessas parcerias”, declara Ana K Melo, head de D&I e sócia da XP Inc.
As informações detalhadas sobre as vagas e como se candidatar serão em breve comunicadas pela empresa.
Brasil esse momento é nosso! O maior festival de música negra do planeta estará entre nós. O Afropunk Bahia acontece em Salvador no dia 27 de novembro, em modo híbrido, ou seja, haverá a presença de público – moderada por conta da pandemia – mas o mundo todo poderá acompanhar o festival online (Youtube/Site Afropunk). Na programação do evento, apresentado por Larissa Luz, o rapper Mano Brown divide o palco com Duquesa; Tássia Reis se une ao Ilê Aiyê; enquanto a baiana Luedji Luna se apresenta com o Duo Yoún; a carioca Malia soma ao lado da Margareth Menezes; e, por fim, Urias com Vírus.
O visual é algo tão importante quanto o som nesse evento. A beleza do público que sempre apresenta looks incríveis tem que ser recompensada com uma estética estimulante. Junto com Gil Alves, Bruno Zambelli, diretor criativo do grupo musical ATTOOXXA, dirige a parte criativa do festival.
Bruno Zambell – Foto: Arquivo pessoal
O Mundo Negro conversou com Bruno sobre o que podemos esperar desse evento tão aguardado pela comunidade negra brasileira. Ele tem um grande desafio pela frente que é fazer um evento internacional no Brasil vacinado, mas que ainda tem que seguir os protocolos de segurança para o público e o staff. “Acho que cabe também reconhecer a toda a equipe preta que fez essa ideia funcionar, pelos obstáculos não apenas técnicos, mas também emocionais, em fazer acontecer um evento tão esperado pela gente, no momento mais difícil possível para a sociedade”.
MUNDO NEGRO – COM A MAIORIA DAS PESSOAS VACINADAS, QUAIS SÃO NESSE MOMENTO OS MAIORES DESAFIOS EM PRODUZIR UM FESTIVAL DESSE PORTE AINDA EM FORMATO HÍBRIDO?
As maiores dificuldades estão em justamente lidar com esse momento de transição. Perceber os estabelecimentos abrindo, os eventos liberando maior quantidade de pessoas. Isso requer que o festival vá se adaptando a esse processo. Ocorreram várias alterações no meio do caminho. Primeiro se pensou em uma proposta somente online e depois foi abrindo para o público. Fazer um festival híbrido é perceber que o que seria somente uma transmissão recorre também ao acolhimento do público, e é desafiador fazer o que seria o ideal. Sem contar que é o primeiro festival Afropunk Bahia, o que é um desafio por si só, sendo a primeira edição no Estado e no Brasil. Acho que cabe também reconhecer a toda a equipe preta que fez essa ideia funcionar, pelos obstáculos não apenas técnicos, mas também emocionais, em fazer acontecer um evento tão esperado pela gente, no momento mais difícil possível para a sociedade.
O QUE MAIS VAI REPRESENTAR O BRASIL NESSA VERSÃO NOSSA DO AFROPUNK?
Trazemos o Brasil dentro do conceito do festival deste ano, que é a roda. A roda foi um símbolo escolhido por ser uma expressão que se manifesta em vários lugares da nossa cultura Brasileira, especialmente musical e religiosa. Pensamos que esta seja uma forma de marcar o símbolo e sair do padrão de olhar o artista debaixo, enquanto ele está em cima, no palco. Em círculo, permanecemos todos em volta e sem fim. E não é apenas sobre os artistas que vão se apresentar e que iremos assistir, mas sobre todos construirmos essa grande roda, esse grande ritual. A princípio, temos esse olhar Afropunk sobre o que é Brasil, um olhar próprio. E é o que vai acontecer nesse festival.
VOCÊ JÁ PARTICIPOU DE ALGUMA EDIÇÃO DO AFROPUNK SE SIM, QUAL MAIS GOSTOU E QUAIS OUTROS FESTIVAIS DE MÚSICA VOCÊ CONSIDERAR INSPIRADOR?
Eu nunca estive em um festival do Afropunk, sempre quis desde a primeira vez que eu soube da existência e quando soube que viria para o Brasil, fiquei ansioso demais com essa possibilidade. Acho que eu e meus amigos, quando soubemos disso, pensamos: “imagina se tal artista toca, se tal artista vem de fora tocar… imagina se a gente toca” – no caso, eu e meus amigos que trabalham com música. Nos imaginamos pensando onde vai ser, o que vamos vestir. Penso que esse é o sentimento mais incrível do Afropunk, porque também fala sobre a carência que temos de um espaço para valorizar nossa cultura enquanto pessoas pretas. Eu já estive em muitos festivais, mas nunca senti que esse fosse o centro de interesse do evento. Ter um espaço como esse é incrível, principalmente em Salvador, que é a cidade mais preta do Brasil pô, então, eu diria que é o lugar ideal para acontecer, com certeza vamos criar caminhos muito prósperos.
Trazendo uma narrativa um manifesto contra o racismo e a precariedade do sistema educacional no Brasil, o filme ‘Cabeça de Nêgo’ chegou em 20 de novembro no Globoplay. Dirigido e roteirizado por Déo Cardoso, o longa foi inspirado no movimento de ocupação de escolas ocorrido em São Paulo, em 2015.
Contando a história de Saulo, um jovem engajado em impor mudanças em sua escola e que tem como principal referência os Panteras Negras – partido político dos EUA que tinha como foco principal a defesa da comunidade afro-americana. Após ser alvo de racismo e reagir ao insulto, ele é expulso, mas se recusa a deixar as dependências do colégio até que a justiça seja feita. O ato dá início a uma grande mobilização coletiva.
Marcando a estreia de Déa como direto, ele disse que o filme busca provocar inquietações, sentimentos e questionamentos em seu público. Além de Lucas Limeira, que vive o protagonista Saulo, o elenco conta com as atrizes cearenses Nicoly Mota e Larissa Góes, o ator baiano Val Perré e a participação especial de Jéssica Ellen no papel de professora
“Meus filmes buscam expressar inquietações, questionamentos e sentimentos que determinados contextos sociais me despertam. Faço filmes para refletir os temas abordados e para compartilhar sensações em relação a eles”, declara Déo Cardoso.
Novembro é o Mês da Consciência Negra, é um marco na luta e celebração da população negra no Brasil e é também o mês em que nós, militantes contra o racismo, passamos muita raiva. Na prática, não há um dia sequer em que a gente não sinta algo referente ao racismo (tristeza, ódio, solidão, desprezo, cansaço e a tão presente raiva). Mas novembro é diferente. Além de todos os sentimentos que vivenciamos, também precisamos lidar com os discursos da opinião pública sobre essa data. Nas conversas informais, nas reuniões de trabalho e nas redes sociais todo mundo tem alguma coisa para falar sobre o 20 de novembro. Nos espaços virtuais saltam postagens do discurso de 2006 feito pelo ator Morgan Freeman sobre a possibilidade do dia da Consciência Humana.
O sucesso da fala desse ator norte-americano, ou melhor, de um trecho dela, expressa um desejo de desvalorização de conquistas políticas importantes do Movimento Negro. Não farei uma análise dessa entrevista, estou mais interessada na sua utilização do que nela em si. Porém, para um balanço do discurso, te convido a assistir a entrevista na íntegra e a analisá-la criticamente. Como podemos acreditar que o discurso isolado de um indivíduo pode colocar à prova a trajetória de um movimento social inteiro?
Todo ano precisamos justificar a importância do dia 20 de novembro para a história do nosso país. Você já conversou com alguém que queria acabar com o feriado de 21 de abril, dia de Tiradentes? Eu nunca. O herói da Inconfidência Mineira foi um militar, minerador, dentista, tropeiro e proprietário de escravizados, sim, você leu certo. Ele é ícone da Independência, além de um feriado nacional, ele foi homenageado com várias estátuas pelo Brasil. Tiradentes não está sozinho nesse panteão de “heróis”, que incentivaram o sistema escravista, faço aqui mais um convite, conheça o projeto Galeria de racistas.
Vamos avançar o calendário para chegar em 20 de novembro. Desde 2003 esse dia foi incorporado no calendário escolar brasileiro por meio da lei 10.639. Em alguns estados, como o Rio de Janeiro, é feriado. Na década de 1970 integrantes do Movimento Negro começaram a reivindicar o 20 de novembro como marco de resistência, em oposição ao 13 de maio, assinatura da Lei Áurea pela princesa branca, aquela que libertou os escravizados.
Novembro expressa a liberdade negra conquistada e não concedida. Em 20 de novembro de 1695, Zumbi dos Palmares, líder do quilombo dos Palmares, foi morto pelo poder colonial. Zumbi é símbolo da resistência negra contra o sistema escravista. O quilombo localizado na Serra da Barriga, atual estado de Alagoas foi liderado por ele durante 20 anos dos quase 100 de existência desse “Estado Negro” como definido por Edson Carneiro no livro O Quilombo dos Palmares. Além da resistência contra as forças lusas, havia também que combater tropas holandesas que queriam destruir esse modo de viver construída pelos negros.
Escrever este texto é também relembrar que nós, ativistas do movimento negro, estamos há décadas lutando por causas antigas. Sabemos que a história não é linear. Se engana quem pensa que estamos evoluindo como sociedade, tempo e progresso não são sinônimos. Mas entender isso não minimiza nem apaga as nossas dores, os nossos traumas coletivos. Nos últimos dias as dores se intensificaram ao vermos por exemplo a mãe do menino Miguel expressando sua dor e indignação, pois está se aproximando o aniversário dele de 7 anos e ela não poderá comemorar. As mães negras não conseguem ver seus filhos crescerem, formarem-se, viajarem, viverem. Observamos também o atual presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, sugerir no Twitter a mudança do nome da instituição para princesa Isabel. Acompanhamos em tempo real o jovem negro influenciador Júlio Sá numa abordagem policial racista, choramos com ele pela violência real e simbólica dessa situação, que é vivenciada pela maioria dos jovens negros. Ao acompanhar estes casos, que não são isolados, lembrei da frase: “quem vai pagar a conta?” presente da música Cabô de Luedji Luna. Os traumas que nós sofremos em consequência do racismo doem muito, para onde enviamos essa cobrança?
O publicitário e fundador da Black Influence , Ricardo Silvestre - Foto: Bruno Gomes
O mercado publicitário lentamente começou a entender a importância da representatividade em campanhas e por trás da produção de material publicitário. Quando marcas querem buscar diversidade uma das agências mais requisitadas do momento é a Black Influence do publicitário Ricardo Silvestre.
Nesse mês da consciência negra conversamos com ele sobre as principais campanhas que sua agência participou esse ano e talvez você tenha visto mais de uma delas.
Spotify – Para a marca a Black Influence fez o mapeamento de influenciadores da principal campanha de 2020, a Retrospectiva Spotify. Em 2021, trabalhou na campanha “Abra seus Ouvidos”, que destaca o trabalho de artistas negros que estão na plataforma e incentiva a valorização da cultura negra.
Stix – O trabalho realizado foi para o lançamento da marca, que é o ecossistema de pontos do grupo Pão de Açúcar.
Magalu – Já para o Magalu foi feito recentemente o mapeamento de influenciadores para comunicar o Programa de Trainee 2022.
Amazon Prime Video – Para a empresa de streaming foi desenvolvida uma estratégia de comunicação para impulsionar nas redes sociais a série “Manhãs de Setembro”, estrelada pela cantora Liniker. O trabalho de comunicação foi feito com mais de 60 influenciadores, com protagonismo para criadores negros.
Pinterest – O Pinterest decidiu criar, em parceria com a agência, o movimento ‘Maravilha Preta’, a primeira série de conteúdo original no Brasil com conteúdos criados por pessoas pretas relacionados à cultura, moda, beleza e bem-estar. A ideia foi que, ao proporcionar uma plataforma inclusiva e diversa, seus trabalhos tenham destaque e impactem os mais de 400 milhões de usuários do Pinterest no mundo.
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