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Alice Carvalho viverá Marta em cinebiografia com estreia anunciada

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MARTA - Produção: Conspiração / Creditos: Laura Campanella

Produção da Conspiração com Globo Filmes percorre locações no Rio de Janeiro e em Alagoas; estreia está marcada para 8 de abril de 2027

A cinebiografia da jogadora Marta Vieira da Silva iniciou as filmagens no Brasil em junho, após concluir a primeira etapa na Suécia, e chega aos cinemas em 8 de abril de 2027. O filme, intitulado “Marta”, é estrelado por Alice Carvalho e dirigido por Andrucha Waddington, com roteiro de Elena Soárez e Thais Tavares. A produção é uma realização da Conspiração em coprodução com Globo Filmes, TV Globo e a produtora sueca Fox In The Snow, que também assina a distribuição no Brasil.

As gravações em território nacional percorrem locações com significado direto para a trajetória da atleta. No Rio de Janeiro, a equipe utilizou a Granja Comary, centro de treinamento da Seleção Brasileira em Teresópolis, além do Estádio de São Januário e do Estádio Nilton Santos, conhecido como Engenhão. A produção segue em ritmo intenso ao longo de julho e ainda passará por Alagoas, estado onde Marta nasceu, em Dois Riachos, em 1986.

Ao lado de Alice Carvalho no papel principal, o elenco reúne Karina dos Santos como Rosana, Vitoria Ribeiro como Formiga, Camila Cocão como Simone Jatobá, Raissa Borges como Katia Cilene, Sophia Dinis como Ester e Betina Bion como Andrea Suntaque. A escolha de reencenar figuras reais do futebol feminino brasileiro indica que o roteiro não se limita à trajetória individual de Marta, mas recupera o contexto coletivo em que sua carreira se desenvolveu.

A passagem pela Suécia na primeira etapa das filmagens não é casual. Marta construiu parte central de sua carreira europeia no país, onde defendeu o Umeå IK entre 2004 e 2008 e conquistou dois títulos da Liga dos Campeões da UEFA feminina. Foi nesse período que se consolidou como melhor jogadora do mundo pela FIFA, prêmio que recebeu seis vezes entre 2006 e 2018, recorde absoluto na categoria.

A Conspiração chega ao projeto com uma trajetória consolidada no audiovisual brasileiro e internacional. A produtora acumula dez indicações ao Emmy Internacional, entre elas a vitória na categoria Melhor Comédia com “A Mulher Invisível”. No cinema, integrou a coprodução de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025 e maior bilheteria brasileira do período pós-pandemia. A Globo Filmes, coprodutora do projeto, opera desde 1998 e reúne mais de 560 títulos lançados, com filmes como “Cidade de Deus”, indicado ao Oscar em quatro categorias, e “Bacurau”, premiado em Cannes.

“Marta” estreia nos cinemas brasileiros em 8 de abril de 2027.

CUFA e iFood ampliam parceria para impulsionar o empreendedorismo e as oportunidades nas favelas

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Equipe da Cufa e iFood reunida.
Foto: Divulgação

Juntos desde 2020, a CUFA (Central Única das Favelas) e o iFood anunciaram a consolidação e a ampliação de sua parceria institucional, para fortalecer o ecossistema periférico, unindo a tecnologia social e a tecnologia digital de cada organização. O foco principal da nova fase é a aceleração do empreendedorismo e a geração de oportunidades reais para a população periférica em todo o Brasil.

A aliança, que vai muito além das ações em momentos de crise humanitárias, já colocou de pé iniciativas de peso como o iFood Acredita e o iFood ChegaJunto, que apoiam projetos sociais e o desenvolvimento local. Agora, o objetivo é estruturar soluções duradouras baseadas na emancipação econômica e na inclusão digital.

Para os próximos anos, as frentes de atuação incluem programas de formação, aceleração de negócios, apoio à formalização e ampliação do acesso de empreendedores locais a ferramentas tecnológicas e novos mercados. A estimativa é de que mais de 3 mil pessoas sejam diretamente impactadas somente em 2026 em diversas regiões do país.

“A favela nunca foi um lugar de escassez de ideias, mas sim de oportunidades de escala. Quando a CUFA se une ao iFood, não estamos falando de ajuda, estamos falando de conexão de potências. O iFood entende essa grandeza e nos acompanha na construção de soluções que geram autonomia real, emancipação econômica e dignidade. É uma parceria de quem acredita na capacidade produtiva da favela e seus territórios”, afirma Kalyne Lima, Presidente Nacional da CUFA.

A parceria também visa desenhar novos projetos que usem a inovação como chave para o desenvolvimento sustentável das periferias. Luana Ozemela, CSO e Vice-Presidente de impacto e sustentabilidade do iFood, destaca a importância de construir soluções ao lado de quem vive e entende a realidade desses territórios.

“Acreditamos que a transformação social acontece quando conectamos tecnologia, conhecimento e oportunidades. A parceria com a CUFA é um exemplo concreto disso. Ao unir a inteligência territorial e a capacidade de mobilização da CUFA com a tecnologia e a escala do iFood, conseguimos ampliar o alcance de iniciativas que fortalecem o empreendedorismo, geram renda e impulsionam o desenvolvimento das favelas. Mais do que apoiar projetos, queremos construir soluções duradouras ao lado de quem conhece profundamente esses territórios e sua potência. Essa parceria reforça nossa convicção de que inovação e inclusão precisam caminhar juntas para promover impacto real e sustentável”, diz Luana.

Além dos programas de aceleração, o iFood consolidará seu apoio à cultura e à articulação comunitária ao patrocinar a agenda completa de eventos nacionais da CUFA, celebrando a identidade e a força produtiva das favelas brasileiras.

Bianca Oliveira critica fala racista de participante no MasterChef Brasil: “Desumaniza mulheres negras”

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Chef Bianca Oliveira com olhar sério e Reinaldo Bockor no MasterChef Brasil.
Fotos: Rafael Borgatto e Renato Pizzutto/Band/Divulgação

O participante da 13ª edição do MasterChef Brasil causou indignação após proferir uma fala racista que foi exibida na TV Band na última terça-feira (16). Durante a avaliação dos jurados, o biomédico Reinaldo Bockor tentou explicar o conceito de sua receita utilizando uma analogia desrespeitosa: “Ele [o prato] tem que ter um pouco de manteiga no caldo, trouxe uns legumes, rasguei com a mão, imaginei aquela ‘mama criola’ rasgando com a mão assim, cozinhando para um francês que casou e tal”, declarou o catarinense.

A chef e fundadora da Casa do Dendê Aracaju, Bianca Oliveira, criticou a fala do cozinheiro amador. “A declaração do participante reforça estereótipos raciais que, há muito tempo, são usados para diminuir e desumanizar mulheres negras na gastronomia e fora dela”, destacou em entrevista ao Mundo Negro e ao Guia Black Chefs.

“Ao afirmar que cortou as folhas ‘igual às crioulas que casam com franceses’, ele não faz apenas uma comparação. A fala reproduz uma visão ligada a heranças coloniais, associando mulheres negras à subordinação e sugerindo, ainda que de forma indireta, que seu reconhecimento ou ascensão social dependeria da relação com homens brancos”, completa a chef, que também é pesquisadora da cultura alimentar afro-brasileira.

Bianca também critica a naturalidade com que a produção do programa exibiu a fala racista. “Causa preocupação que uma declaração como essa seja exibida sem uma reflexão mais ampla sobre seu significado. Mulheres negras não precisam ser associadas a ninguém para que sua competência, talento e trajetória sejam reconhecidos. Somos protagonistas de nossas próprias histórias”, pontua.

A chef destaca, ainda, que as mulheres negras carregam conhecimentos que construíram e sustentam até hoje uma parte importante da culinária no Brasil e no mundo. “Não podemos aceitar que nossas trajetórias sejam reduzidas a piadas, estereótipos ou comentários preconceituosos apresentados como humor. O que pedimos é algo simples: respeito às mulheres negras. Respeito às nossas ancestrais. Respeito às cozinheiras que ajudaram a construir e continuam construindo a história da alimentação”, conclui.

Com a repercussão negativa nas redes sociais, o catarinense se pronunciou nesta quarta-feira (17) para se defender. “Eu estava me referindo à comida de origem Cajun, que é uma comida que nasceu no Sul dos Estados Unidos, que é uma comida de origem crioula. Assim como a gente tem aqui no Brasil a comida nordestina, a comida paraense, a comida sulista, é uma comida de regiões, né? Eu estava contando naquele momento a história da comida como ela começou”.

O participante concluiu com um pedido de desculpas: “Se a fala ofendeu alguém, eu quero pedir humildemente perdão porque realmente não foi a minha intenção. Não entrei na cozinha do MasterChef para ofender ninguém, não entrei na cozinha do MasterChef para prejudicar ninguém, eu entrei porque eu gosto de cozinhar”.

Até o momento, a assessoria do programa e a emissora não se pronunciaram sobre o episódio.

Endrick: trajetória do jogador de 19 anos até a Copa do Mundo

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Endrick comemora em campo pela Seleção Brasileira antes da Copa
Foto: Joilson Marconne/CBF

Do Distrito Federal ao futebol mundial, a história do atacante da Seleção Brasileira é marcada por disciplina, apoio familiar e a coragem de seguir acreditando nos próprios sonhos

Aos 19 anos, Endrick já alcançou feitos que muitos atletas levam uma carreira inteira para conquistar. Titular da Seleção Brasileira, jogador do Real Madrid e convocado para sua primeira Copa do Mundo, o atacante representa uma geração de jovens negros que segue transformando talento, planejamento, disciplina e apoio coletivo em caminhos possíveis para realizar sonhos.

Sua história, compartilhada por familiares, treinadores e pessoas que acompanharam sua formação, mostra que o sucesso não nasceu da sorte. Foi construído diariamente por uma família que acreditou no potencial do filho, mesmo diante das dificuldades financeiras e dos obstáculos que surgiram pelo caminho.

Os primeiros passos: um menino de quatro anos que já chamava atenção

Nascido em Taguatinga, no Distrito Federal, e criado em Valparaíso de Goiás, Endrick começou a jogar futebol ainda criança.

O atleta entrou pela primeira vez em campo aos quatro anos, em uma escolinha de futebol local. Mesmo competindo com crianças mais velhas, a dedicação chamou a atenção de treinadores e observadores muito cedo, devido à sua personalidade, coragem e competitividade incomuns para a idade.

O sonho que exigia sacrifícios

Enquanto o talento de Endrick crescia, a realidade da família exigia esforço constante.

O pai, Douglas, conciliava trabalho e viagens para acompanhar o desenvolvimento do filho. Já a mãe, Cíntia Ramos, assumia grande parte da rotina de deslocamentos para treinos e competições.

Em entrevista à ESPN Brasil, ela relembrou os desafios enfrentados naquele período e destacou a importância da rede de apoio formada por familiares e amigos. Sem recursos abundantes, a família precisou criar alternativas para manter vivo o sonho do jovem atleta. Entre elas, a venda de cafés da manhã próximos à estação Barra Funda, em São Paulo, enquanto buscavam estabilidade na nova cidade.

A mudança para São Paulo e a oportunidade que mudou tudo

Monitorado por grandes clubes desde os oito anos, Endrick passou por avaliações difíceis ainda muito jovem.

A virada aconteceu quando o Palmeiras ofereceu as condições necessárias para que a família pudesse se estabelecer em São Paulo. A mudança representou um novo capítulo na trajetória do garoto que já era visto como uma promessa do futebol brasileiro.

Nas categorias de base, os resultados vieram rapidamente. Gols, títulos e atuações decisivas transformaram Endrick em um dos principais nomes da formação alviverde e em uma referência para jovens atletas.

Da base ao profissional

Em 2022, aos 16 anos, Endrick estreou pelo time principal do Palmeiras.

A ascensão foi meteórica, mas sustentada por anos de preparação. Em pouco tempo, conquistou títulos importantes, ganhou projeção internacional e confirmou as expectativas criadas desde a infância.

Seu desempenho chamou a atenção do Real Madrid, que fechou uma das maiores negociações envolvendo um jovem jogador brasileiro.

O sonho europeu

Chegar ao Real Madrid representou a realização de um objetivo construído desde a infância. Porém, essa experiência também trouxe novos desafios.

A concorrência, a adaptação ao futebol europeu e uma lesão importante exigiram maturidade de um atleta que ainda estava iniciando sua trajetória profissional. Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de atuar pelo clube francês Lyon, experiência que permitiu ao atacante ganhar sequência, confiança e protagonismo em território europeu.

O retorno ao protagonismo e a convocação para a Copa

Na França, Endrick voltou a mostrar o talento e a dedicação que o levaram ao topo. As boas atuações recolocaram seu nome entre os destaques brasileiros no exterior e abriram caminho para a tão aguardada convocação para a Copa do Mundo de 2026.

A vaga de titular da Seleção Brasileira tornou-se símbolo de anos de dedicação compartilhados entre o atleta, sua família e todos aqueles que acreditaram em seu potencial desde o início.

O exemplo de uma juventude negra que não abre mão de sonhar

A história de Endrick dialoga com a realidade de milhares de jovens negros brasileiros que diariamente trabalham em favor dos seus sonhos, desenvolvem talentos, enfrentam desafios, mas constroem trajetórias de excelência em diferentes áreas.

Ao olhar para trás, é possível enxergar uma história repleta de suor e disciplina, resultante da convicção de que o futuro poderia ser transformado com propósito e preparação.

Como afirmou sua mãe, Cíntia Ramos, em entrevista à ESPN Brasil:

“É muito gratificante. Na vida, o negócio é não desistir. Perseveramos juntos, muitos sorrisos, choros, vitórias, alguns obstáculos, mas continuamos de pé e vencendo a cada dia. Essa caminhada não terminou, mas é um momento épico na vida dele e de quem torce por nós.”

‘Chico Bento 2’: Isaac Amendoim anuncia sequência do filme sucesso de bilheteria

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Isaac Amendoim sorrindo vestido como Chico Bento no filme.
Foto: Fabio Braga

Após se consagrar como a segunda maior bilheteria nacional de 2025 e conquistar o coração de mais de 1 milhão de espectadores nos cinemas, o ator Isaac Amendoim anunciou hoje (18) a sequência do filme ‘Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa’. As filmagens de ‘Chico Bento 2’ acontecerão em 2026, reunindo novamente o elenco e a equipe responsáveis pelo primeiro longa.

O filme infantil coleciona reconhecimentos importantes, incluindo o Grande Otelo de Melhor Filme Infantil 2025 e o Prêmio ABRA de Melhor Roteiro Infantil 2026. Sob a direção de Fernando Fraiha, a produção dominou as salas comerciais por onze semanas e desenhou uma trajetória de forte impacto social ao promover mais de quarenta sessões gratuitas em diversas regiões do país, democratizando o acesso à cultura e formando novos públicos para o cinema nacional.

“Tô feliz dimais em estar de vorta pra telona do cinema! A gente já tá nos ensaios com nosso diretor Fernando e a diversão só aumenta. Eu tava com muita sardade da Vila Abobrinha e da minha turma. Tenho certeza de que essa história vai ser boa dimais da conta e arrancar mais risadas de todo mundo”, afirma Isaac, caracterizado como Chico Bento no vídeo.

Desta vez, a trama levará Chico Bento e seus amigos a embarcar em uma aventura emocionante, movida por um desejo muito especial ligado à Vó Dita. Mais detalhes sobre o elenco, bastidores e data de estreia serão revelados em breve.

Após ser barrada por banca racial, Flávia Medeiros conquista posse no Itamaraty

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Foto: @flaviahgmedeiros / reprodução

Barrada por banca de heteroidentificação que contestou sua negritude, Flávia Medeiros assina acordo com a AGU e garante posse no Itamaraty após meses de disputa

A Advocacia-Geral da União assinou na segunda-feira, 15 de junho de 2026, um acordo para garantir a posse de Flávia Henriques Goes de Medeiros no cargo de oficial da chancelaria do Ministério das Relações Exteriores. Flávia foi aprovada nas provas escritas do concurso promovido pelo Cebraspe em 2024, mas foi impedida de concorrer às vagas reservadas ao sistema de cotas raciais pela comissão de heteroidentificação, que concluiu que a candidata possuía “pele clara, traços finos e cabelos lisos”, características consideradas pela banca incompatíveis com sua autodeclaração como mulher negra.

A candidata recorreu à Justiça Federal, obteve liminar favorável em primeira instância e chegou a tomar posse em março de 2026, após se mudar de Vitória, no Espírito Santo, para Brasília. Em maio, o Tribunal Regional Federal derrubou a liminar por questões processuais, e a exoneração foi publicada no Diário Oficial da União em 22 de maio, menos de dois meses após a posse. Flávia permaneceu afastada do cargo por 24 dias até a assinatura do acordo.

Ao assinar o documento, o advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu uma revisão dos critérios aplicados pelas bancas de heteroidentificação. “Ficará este legado para que injustiças não ocorram mais. O Estado não pode ter compromisso com o erro”, afirmou Messias, em declaração reproduzida pela Agência Brasil. Pelo acordo, Flávia será nomeada para o cargo, mas aceitou renunciar a eventuais indenizações e benefícios referentes ao período anterior à nova nomeação. O documento ainda precisa ser homologado pela Justiça.

As bancas de heteroidentificação foram criadas para complementar a autodeclaração racial em concursos públicos e coibir fraudes no sistema de cotas, instituído pela Lei nº 12.990, de 2014, e ampliado pela Lei nº 15.142, de junho de 2025, que elevou de 20% para 30% a reserva de vagas para negros, indígenas e quilombolas nos concursos públicos federais. Na prática, porém, as bancas baseiam suas avaliações na percepção fenotípica dos candidatos, o que especialistas e juristas têm apontado como fonte de insegurança jurídica num país de miscigenação intensa, onde a população negra apresenta fenótipos variados como resultado direto de séculos de escravidão e violência colonial.

Em declaração ao portal Metrópoles após a assinatura do acordo, Flávia afirmou que o desfecho ultrapassa sua trajetória individual. “Tentar separar pretos e pardos, desmantelar esse grupo de pessoas negras, é muito nocivo porque pardo também é negro. O racismo só se manifesta de formas diferentes, mas há muitas similaridades”, declarou ao Metrópoles. A servidora reforçou que se reconhece como mulher negra de pele parda desde sempre. “Vejo essa decisão como uma vitória não apenas para mim, mas para todos os pardos”, afirmou, também ao Metrópoles.

O caso aguarda homologação judicial para encerrar definitivamente o litígio na Justiça Federal do Distrito Federal.

Dia do Químico: as descobertas de cientistas negros que mudaram a história da química

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Foto: divulgação

No Dia do Químico, conheça 11 pesquisadores negros cujas descobertas salvaram vidas, derrubaram fraudes e reescreveram a ciência, e que os livros ignoraram

Todo ano, em 18 de junho, o Brasil celebra o Dia do Químico, data que marca a criação do Conselho Federal de Química pela Lei nº 2.800, de 18 de junho de 1956 e reconhece a atuação de profissionais que trabalham na intersecção entre a matéria e a vida. São eles que desenvolvem os medicamentos que chegam às farmácias, os processos industriais que produzem combustíveis, os métodos de análise que identificam fraudes em alimentos e os materiais que sustentam a eletrônica contemporânea. A química está presente em cada comprimido engolido, em cada fibra sintética usada, em cada litro de água tratada distribuído nas cidades.

A profissão, regulamentada nessa mesma lei, consolidou um campo que já produzia pesquisadores de alto nível muito antes de ser formalmente reconhecida pelo Estado. O país conta hoje com mais de 100 mil profissionais registrados nos conselhos regionais, atuando em laboratórios de análise, indústrias petroquímicas, hospitais, universidades e órgãos de vigilância sanitária. A data serve, portanto, não apenas como celebração corporativa, mas como oportunidade de olhar para quem construiu esse campo e para quem, dentro dele, enfrentou barreiras adicionais para exercê-lo.

A história da química, como a da maioria das ciências exatas, foi registrada ao longo do século XX de maneira seletiva. Os manuais escolares e os livros de história da ciência repetiram por décadas um cânone predominantemente europeu e branco, apagando ou minimizando as contribuições de pesquisadores africanos, afro-americanos e afro-brasileiros. Esse apagamento não foi neutro. Ele produziu efeitos concretos sobre quem se via representado na ciência, quem tinha acesso às universidades e quem recebia financiamento para pesquisa.

Em homenagem ao Dia do Químico e ao legado que precisa ser contado com mais rigor e frequência, o Mundo Negro selecionou 11 profissionais negros cujas descobertas, inovações e realizações mudaram concretamente a vida de pessoas em todo o planeta. A escolha não pretende esgotar esse universo, que é vasto e ainda subexplorado pela historiografia, mas trazer ao centro nomes que merecem figurar em qualquer discussão séria sobre ciência.

George Washington Carver (EUA, 1864–1943) foi o cientista que transformou a agricultura do sul dos Estados Unidos num período de colapso econômico e ambiental. Filho de pessoas escravizadas, Carver assumiu em 1896 a direção do departamento de agricultura do Instituto Tuskegee, no Alabama, e encontrou solos destruídos por décadas de monocultura do algodão. Seu diagnóstico foi preciso e sua solução foi radical para a época. Identificou que o amendoim e a batata-doce fixavam nitrogênio no solo e propôs a rotação de culturas como método sistemático de regeneração da terra. Para criar mercado para as toneladas de amendoim que os agricultores passaram a produzir, Carver desenvolveu mais de 300 produtos derivados da leguminosa, entre tintas, plásticos, borracha sintética, sabonetes e cosméticos. O mesmo processo foi aplicado à soja e à batata-doce. Sua contribuição é considerada pela USDA a base conceitual do que hoje se chama de bioquímica industrial, e a American Chemical Society declarou seu trabalho um Marco Histórico Nacional da Química em 2005. Em sua época, era chamado de “o Thomas Edison negro”.

Foto: Getty Images

Percy Lavon Julian (EUA, 1899–1975) acumulou ao longo da vida três descobertas que teriam sido suficientes, individualmente, para garantir um lugar na história da ciência. Em 1935, sintetizou em laboratório a fisostigmina, composto presente no feijão Calabar que até então só podia ser extraído da planta, tornando o tratamento do glaucoma mais acessível. A American Chemical Society classificou essa síntese em 1999 como um dos 25 maiores feitos da história da química americana. Em 1942, desenvolveu a partir de proteína de soja um fluido extintor de incêndios, o AeroFoam, usado pela Marinha americana em porta-aviões durante a Segunda Guerra Mundial para apagar chamas de gasolina e óleo. Em 1949, desenvolveu um processo para sintetizar cortisona a partir do esterol de soja, eliminando a dependência de glândulas suprarrenais de bois e reduzindo o custo do medicamento de centenas de dólares por grama para centavos, colocando o tratamento da artrite reumatoide ao alcance de milhões de pessoas. Julian acumulou mais de 130 patentes ao longo da vida. Neto e filho de pessoas escravizadas, teve sua casa em Chicago atacada com bomba incendiária duas vezes, em 1950 e 1951.

Foto: Francis Miller/Acervo de fotos The LIFE/Getty Images

Alice Augusta Ball (EUA, 1892–1916) morreu aos 24 anos sem publicar os resultados da pesquisa que revolucionou o tratamento da hanseníase. Em 1915, sendo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a obter mestrado em química pela Universidade do Havaí, Ball foi procurada por um médico do Hospital Kalihi que buscava uma forma eficaz de administrar o óleo de chaulmoogra, único tratamento disponível para a doença mas inutilizável em injeções por sua viscosidade extrema. Em menos de um ano, Ball desenvolveu um processo de esterificação que transformou os ácidos graxos do óleo em ésteres solúveis em água, possibilitando a injeção sem os efeitos colaterais que tornavam o tratamento anterior insuportável. O Método Ball, como foi chamado pelo médico Harry Hollmann em publicação de 1922, permaneceu como principal terapia global contra a hanseníase por mais de duas décadas, até o surgimento dos sulfonamidas. Após a morte de Ball, outro pesquisador publicou os resultados como se fossem seus. O reconhecimento formal só veio em 2000, quando a Universidade do Havaí instalou uma placa em sua homenagem.

Foto: reprodução

Alma Levant Hayden (EUA, 1927–1967) foi a primeira cientista negra da Food and Drug Administration dos Estados Unidos e a responsável por uma das operações de análise química mais importantes da história da saúde pública americana. Em 1963, médicos chamados Stevan Durovic e Andrew C. Ivy comercializavam o Krebiozen, um composto vendido por centenas de dólares por ampola e apresentado como cura para o câncer. A substância tinha seguidores fervorosos e havia gerado enorme polêmica política nos Estados Unidos. Quando a FDA conseguiu amostras do composto, Hayden coordenou a análise usando espectrofotometria infravermelha, comparando as imagens espectrais do Krebiozen com um arquivo de 20 mil substâncias catalogadas. O resultado foi encontrado na letra C. O suposto milagre oncológico era creatina, um aminoácido comum presente naturalmente no corpo humano, sem qualquer atividade anticancerígena. Três equipes independentes, incluindo cientistas do MIT, confirmaram a análise. Os promotores do esquema foram a julgamento criminal. O relatório de Hayden foi incluído no Congressional Record dos Estados Unidos. Ela morreu de câncer em 1967, aos 40 anos.

Foto:Flickr

James Andrew Harris (EUA, 1932–2000) entrou para a história da química ao co-descobrir dois elementos que hoje estão na tabela periódica. Depois de enfrentar discriminação racial ao tentar ingressar no mercado científico após a graduação, Harris conseguiu uma posição no Laboratório Lawrence Berkeley, na Califórnia, onde chefiou o Grupo de Produção de Isótopos Pesados. Seu trabalho era desenvolver técnicas de purificação para preparar os alvos atômicos que seriam bombardeados no acelerador de partículas. O renomado químico nuclear Albert Ghiorso descreveu o trabalho de Harris como “o melhor alvo já feito para pesquisa de elementos pesados”. O resultado foi a co-descoberta do rutherfórdio, elemento 104, em 1969, e do dúbnio, elemento 105, em 1970, tornando Harris o primeiro americano negro a participar da descoberta de elementos químicos. Recebeu doutorado honorário em 1973.

Foto: Wikipedia

Cheikh Anta Diop (Senegal, 1923–1986) foi físico, químico e historiador senegalês que construiu no continente africano uma infraestrutura científica inédita para datação arqueológica. Formado em física e química em Paris, Diop retornou ao Senegal e fundou em 1966, na Universidade de Dakar, o primeiro laboratório de datação por carbono-14 da África Negra. O laboratório, instalado no Instituto Fundamental da África Negra, era o segundo de todo o continente, atrás apenas do da Rodésia do Sul. Com ele, Diop passou a datar de forma independente amostras arqueológicas africanas, determinando a antiguidade de sítios do Neolítico senegalês com base em análises de carvão e ossos, e publicando os resultados na revista científica internacional Radiocarbon. Em 1974, publicou “Physique Nucléaire et Chronologie Absolue”, obra que descreveu os métodos de datação arqueológica e geológica desenvolvidos no laboratório de Dakar. Seu trabalho abriu a possibilidade de que a África produzisse cronologias arqueológicas próprias, sem depender de laboratórios europeus.

Foto: reprodução

Marian Ewurama Addy (Gana, 1942–2014) foi a primeira mulher a alcançar o grau de professora titular de ciências naturais em Gana e realizou pesquisa que conectou dois mundos que a ciência ocidental costumava tratar como opostos. Sua área de trabalho era a bioquímica de plantas medicinais usadas por curandeiros tradicionais, e seu objetivo era verificar, com rigor laboratorial, se as alegações desses praticantes tinham base. Ao estudar o Desmodium adscendens, uma erva usada há gerações no tratamento da asma, Addy identificou que o composto ativo pertencia a uma classe de moléculas que a ciência ainda não havia catalogado, as soyasaponinas. A descoberta validou o uso popular da planta e abriu uma linha de pesquisa sobre suas aplicações no tratamento da asma e do diabetes tipo 2. Addy publicou 22 artigos científicos ao longo da carreira, recebeu o Prêmio Kalinga da UNESCO em 1999 pela popularização da ciência e foi eleita membro da Academia de Ciências e Artes de Gana.

Foto: wikipedia

Oswaldo Luiz Alves (Brasil, 1947–2021) foi o primeiro aluno negro do Instituto de Química da Unicamp, onde se formou em 1973 sem encontrar nenhum outro estudante negro nos corredores da instituição. Em 1979, durante um período de pesquisa na França, entrou em contato com a química do estado sólido e decidiu introduzir a disciplina no Brasil. Voltou a Campinas, criou a primeira disciplina brasileira na área e fundou em 1985 o Laboratório de Química do Estado Sólido na Unicamp, o único do país. Tornou-se também um dos pioneiros da nanotecnologia no Brasil, coordenando o Laboratório de Síntese de Nanoestruturas e Interação com Biossistemas. Publicou mais de 250 artigos científicos e depositou 31 patentes, entre elas uma tecnologia de remediação de efluentes de indústrias papeleiras e têxteis que foi licenciada para o setor produtivo. Presidiu a Academia Brasileira de Ciências entre 1998 e 2000 e recebeu a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico em 2002. Nos últimos anos de vida, passou a defender publicamente a necessidade de identificar e dar visibilidade aos pesquisadores negros espalhados pelo país nas áreas de ciências exatas.

Foto: Eduardo Cesar

Viviane dos Santos Barbosa (Brasil) cresceu no bairro da Liberdade, em Salvador, estudou em escolas públicas e chegou à Universidade Tecnológica de Delft, na Holanda, onde desenvolveu a pesquisa que a colocou no mapa internacional da química. Trabalhando com catalisadores, substâncias que aceleram e melhoram o rendimento de reações químicas, Barbosa desenvolveu uma combinação de paládio e platina em escala nanométrica capaz de operar em temperatura ambiente, diferindo de forma significativa dos catalisadores então existentes, que exigiam altas temperaturas para funcionar. O material tem aplicação direta na redução da emissão de gases tóxicos e no desenvolvimento de fontes de energia alternativa. Em 2010, o trabalho foi submetido à International Aerosol Conference, em Helsinque, Finlândia, onde competiu com cerca de 800 trabalhos de pesquisadores do mundo inteiro e conquistou o primeiro lugar.

Foto: reprodução / Mundo D’elas

José Custódio da Silva (Brasil, 1897–1933) farmacêutico e químico mineiro que especializou-se em físico-química na Alemanha e construiu no Brasil, num momento em que o país ainda não tinha tradição científica consolidada, uma das primeiras estruturas institucionais da química nacional. Foi o principal responsável pela criação, em 1929, da Revista Brasileira de Chimica, primeiro periódico brasileiro dedicado exclusivamente à publicação de pesquisas em química. A revista funcionou como plataforma de legitimação da ciência química no país em um momento de construção institucional e foi, por anos, o único espaço formal de difusão científica da área. Custódio da Silva permaneceu quase completamente invisível na historiografia da química brasileira até ser resgatado por pesquisadores da Revista Brasileira de História da Ciência em 2023.

Foto: reprodução

Charles Okechukwu Esimone (Nigéria, 1970) tornou-se professor aos 37 anos e é o primeiro professor de microbiologia farmacêutica do sudeste da Nigéria. Entre 2003 e 2005, com uma bolsa da Fundação Alexander von Humboldt, desenvolveu na Alemanha uma técnica de triagem antiviral baseada em vetores de DNA recombinante que revolucionou o rastreamento de compostos anti-HIV em larga escala, permitindo que laboratórios de pesquisa testassem centenas de moléculas candidatas com muito mais velocidade e precisão do que os métodos disponíveis até então. Paralelamente, sua pesquisa resultou na identificação de novos compostos antimicrobianos com atividade antibacteriana, antifúngica e antiviral, derivados de endófitos, líquens, samambaias e plantas medicinais africanas. Com mais de 100 publicações, Esimone foi reconhecido em 2009 com o Prêmio ANDI para o Melhor Pesquisador Inovador da África e integrou como jovem cientista o Fórum Econômico Mundial de Nova Geração de Líderes, em Tianjin, China.

Foto: divulgação

O que essas histórias têm em comum é que foram produzidas sob condições de acesso desigual. Carver não podia dormir nos hotéis das cidades onde ia dar conferências. Julian teve a casa incendiada duas vezes. Ball morreu sem ver seu nome num artigo científico. Harris foi rejeitado em entrevistas de emprego por empregadores que não acreditavam que um homem negro fosse qualificado para trabalhar com química. Alves era o único negro nos espaços por onde passou. Cada um desses pesquisadores construiu sua contribuição científica carregando, ao mesmo tempo, o peso de uma estrutura que os excluía.

O Dia do Químico é uma data adequada para lembrar que a ciência não é uma atividade neutra produzida em condições iguais para todos. Reconhecer quem foram os pesquisadores negros que a fizeram avançar é parte do trabalho de torná-la mais honesta com sua própria história.

Akin, do Hey Autista, defende a força da representatividade na era digital

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Akin Sá do perfil @heyautista
Foto: Reprodução/ Redes Sociais

No Dia Nacional do Orgulho Autista, o criador de contéudo e ativista trans, Akin Sá, de 25 anos, falou ao Mundo Negro sobre identidade, representatividade e a necessidade de ampliar a visibilidade de autistas negros nos debates sobre neurodiversidade.

Jovem negro e autista, Akin utiliza as redes sociais para compartilhar mais informações, experiências e reflexões sobre autismo com os seus seguidores. Em entrevista ao Mundo Negro, ele destacou a importância de fortalecer narrativas construídas a partir das próprias vivências e expandir o debate sobre representatividade neurodivergente nas redes.

Orgulho autista como afirmação de identidade

Para Akin, o orgulho autista está diretamente relacionado ao reconhecimento e à valorização da identidade das pessoas autistas.

“Quando a gente fala de orgulho autista, nós estamos tratando do reconhecimento de uma identidade e de um empoderamento das pessoas acerca do que significa ser autista”, afirma.

Segundo ele, o conceito vai além da conscientização porque permite que pessoas autistas sejam vistas a partir de suas experiências, culturas e formas de existir.

“O orgulho autista é sobre valorização das nossas vidas, cultura e identidades”, destaca.

Representatividade ainda não contempla toda a diversidade autista

Akin chama atenção para a persistência de estereótipos que limitam a compreensão sobre quem pode ser uma pessoa autista.Para ele, a construção dessas imagens está relacionada a desigualdades históricas que impactam quem tem acesso ao diagnóstico e à visibilidade social.

Nesse contexto, a representatividade desempenha um papel fundamental ao criar referências para diferentes grupos.

“A representatividade funciona como uma janela para o mundo, que permite difundir e ampliar visões, quebrar estereótipos e convidar as pessoas para o diálogo”, explica.

O criador de conteúdo também ressalta que o autismo não está restrito a um único perfil.

“As pessoas pensam que existe apenas um lugar específico onde estão os autistas, quando, na realidade, nós estamos em todos os lugares”, afirma.

Redes sociais como espaço para autistas negros, indígenas e LGBTQIAPN+

Ao falar sobre sua trajetória nas redes sociais, Akin conta que um dos principais desafios foi encontrar formas de comunicar informações complexas de maneira acessível sem abrir mão da profundidade do conteúdo.

Segundo ele, a linguagem próxima e o diálogo direto ajudaram a construir pontes com seu público.

O criador também avalia que as redes sociais contribuíram para ampliar o acesso à informação sobre neurodiversidade e possibilitaram que mais pessoas autistas compartilhassem suas próprias histórias.

Apesar dos avanços, ele acredita que ainda existem desafios importantes relacionados à pluralidade da representatividade.

“Nas entrevistas, reportagens e programas, ainda são priorizados autistas que seguem o estereótipo ou o mais próximo que existe dele. Falta ouvir mais os autistas que fazem parte de outras minorias, como os autistas negros, indígenas e LGBTQIAPN+”, afirma.

“Está tudo bem ser diferente”

Ao deixar uma mensagem para pessoas autistas que ainda estão em processo de descoberta e autoconhecimento, Akin reforça a importância do acolhimento e da valorização da própria identidade.

“Está tudo bem em ser diferente. Não desistam dos seus processos de descoberta e autoconhecimento. Saber quem você é é apenas o início de uma jornada que pode ser libertadora.”

Para ele, o orgulho autista é uma ferramenta de fortalecimento coletivo diante das barreiras impostas por uma sociedade ainda marcada pelo capacitismo.

“O orgulho autista existe para mostrar que, apesar de todas as dificuldades que ainda enfrentamos numa sociedade capacitista, podemos sentir orgulho da nossa identidade, ocupar espaços e dar voz para a nossa causa.”

Akin encerra com uma mensagem que resume o significado da data:

“Toda história é importante, todo autista é único.”

UOL e Drauzio Varella debatem dignidade menstrual e raça

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Menina sentindo dor de cólica
Foto: Imagem gerada por IA

Debate em evento do UOL e Portal Drauzio Varella aponta como raça, gênero e acesso a direitos influenciam a experiência menstrual

Durante o evento Pulso: um diagnóstico da saúde e do bem-estar, promovido nesta terça-feira (17) pelo UOL e pelo Portal Drauzio Varella, especialistas discutiram temas centrais para a saúde da população brasileira. Entre eles, a dignidade menstrual e os impactos que desigualdades sociais e raciais continuam exercendo sobre a vida de meninas e mulheres.

O Mundo Negro acompanhou os debates e teve acesso ao estudo “Ser menina não deveria doer: as dimensões do direito das meninas à dignidade menstrual e o mapeamento legislativo no Congresso Nacional”, divulgado em maio de 2026. O documento chama atenção para um aspecto frequentemente invisibilizado nas discussões sobre menstruação: a dor, o estigma e as desigualdades estruturais que rotulam a experiência menstrual de milhões de brasileiras.

Quando a menstruação deixa de ser apenas uma questão de saúde

Embora a menstruação seja um processo biológico natural, especialistas apontam que ela continua cercada por silêncio, constrangimento e falta de informação.

Historicamente, as políticas públicas voltadas ao tema concentraram-se no combate à pobreza menstrual e na distribuição de absorventes. Embora essas iniciativas sejam fundamentais, o estudo argumenta que elas não são suficientes para responder à complexidade do problema.

A saúde menstrual envolve também acesso à informação, acolhimento, diagnóstico de condições como a endometriose, privacidade, infraestrutura adequada e reconhecimento da dor como uma questão legítima de saúde pública.

Dor menstrual continua sendo subestimada

Os números apresentados pelo estudo revelam a dimensão do problema.

Entre 66% e 73% das adolescentes e jovens mulheres convivem com dores menstruais. Destas, entre 30% e 35% relatam dores moderadas ou intensas.

O levantamento também destaca que entre 62% e 75% das jovens encaminhadas para investigação especializada recebem posteriormente diagnóstico de endometriose. Mesmo assim, o diagnóstico da doença pode levar até 12 anos para ser confirmado.

A demora no reconhecimento dos sintomas pode gerar impactos físicos, emocionais, educacionais e profissionais ao longo da vida.

O recorte racial da dignidade menstrual

As desigualdades relacionadas à menstruação não atingem todas as meninas da mesma forma.

Segundo o estudo, 58,8% das meninas que vivem sem banheiro ou chuveiro em casa são pretas ou pardas. O dado evidencia como raça, gênero e condição socioeconômica se cruzam no acesso a condições básicas para o cuidado menstrual.

A realidade também dialoga com uma questão historicamente presente na sociedade brasileira: a naturalização da resistência da mulher negra à dor.

Pesquisas nacionais e internacionais têm demonstrado que estereótipos raciais podem influenciar a forma como dores e sintomas relatados por pessoas negras são interpretados ou acolhidos por instituições e profissionais de saúde.

Quando esse cenário se encontra com os tabus em torno da menstruação, meninas negras podem enfrentar barreiras adicionais para ter suas necessidades reconhecidas e atendidas.

Um debate sobre dignidade e direitos para milhares de estudantes

Mesmo com avanços recentes no debate público, muitas meninas ainda escondem absorventes ao caminhar pelos corredores escolares, evitam pedir ajuda ou enfrentam dificuldades para acessar banheiros que garantam privacidade e segurança.

O estudo destaca que a menstruação marca um momento importante da vida de meninas e adolescentes, podendo impactar autoestima, participação social e permanência em ambientes educacionais quando não existem condições adequadas de acolhimento.

Ao reunir profissionais da saúde, pesquisadores e comunicadores, o evento Pulso reforçou a importância da informação baseada em evidências para enfrentar desafios históricos da saúde brasileira.

Lucy Ramos e Sheron Menezzes vivem amizade em “Por Você”

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Lucy Ramos e Sheron Menezzes como Juli e Bela em "Por Você"
Foto: TV Globo/Fábio Rocha

Interpretadas por Lucy Ramos e Sheron Menezzes, Juli e Bela protagonizam uma história sobre amizade, cuidado e escolhas de vida na próxima novela das 21h da TV Globo.

A amizade entre Juli e Bela é o ponto de partida de “Por Você”, próxima novela das 21h da TV Globo com estreia prevista para agosto. Vividas por Lucy Ramos e Sheron Menezzes, as personagens compartilham uma trajetória construída desde a infância na Vila Maravilha, comunidade da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde cresceram como vizinhas e transformaram a convivência em um vínculo de irmandade.

Embora tenham seguido caminhos diferentes, as duas permaneceram conectadas ao longo da vida. Bela realizou o sonho de se tornar médica e construiu uma carreira de destaque como ginecologista e obstetra. Já Juli encontrou na maternidade o centro de sua jornada, criando quatro filhos enquanto conciliava trabalho, afeto e responsabilidades cotidianas.

A relação entre as duas durante a trama, destaca as diferenças de percurso das personagens e como elas se entrelaçam. Quando Juli decide se formar como técnica de enfermagem, é Bela quem a incentiva e apoia. Mais tarde, as amigas passam a trabalhar juntas no mesmo hospital, fortalecendo uma parceria construída ao longo de décadas.

Para Lucy Ramos, a personagem representa uma história que retrata o cuidado coletivo e a importância das redes de apoio. A atriz, que retorna às novelas após a maternidade, destaca a conexão que encontrou com Juli desde o primeiro contato com o roteiro.

“A única rede de apoio da Juli é a amiga Bela. Sem pais ou parceiros, elas se completam: uma ajuda, acolhe e apoia a outra em suas dificuldades e dores. É uma amizade muito bonita de acompanhar”, afirma Lucy.

No decorrer da novela, a amizade das duas será colocada à prova após um acontecimento que muda o rumo de suas vidas. O impacto dessa história também impacta na construção e crescimento de Bela, personagem que, segundo Sheron Menezzes, carrega camadas de força, vulnerabilidade e transformação.

“A cada capítulo que eu leio, e a cada camada da Bela que eu desbravo, eu me reconheço um pouco. É uma mulher guerreira, que não mede esforços e encara os desafios com dignidade, sempre em busca dos seus objetivos”, destaca a atriz.

Criada por Dino Cantelli e Juliana Peres, “Por Você” tem direção artística de André Câmara e direção geral de Jeferson De.

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