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COVID-19 e seu impacto nas comunidades negras nos Estados Unidos e no Brasil

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*Por, Elizabeth Hordge-Freeman Michel Chagas

 A COVID-19 tem exercido um impacto devastador, e as comunidades negras em todo o mundo têm sido as mais afetadas pela pandemia. Mesmo que a extensão total do seu impacto ainda esteja para ser determinada, essas comunidades estão desproporcionalmente propensas a contraírem e perecerem em função da COVID-19, comparando-se com o restante da população. Tecemos considerações a respeito do impacto da pandemia de COVID-19 no Brasil e nos Estados Unidos como ponto de partida para futuros estudos sobre populações negras em todo o mundo.

O Brasil é o maior e mais populoso país da América do Sul, com uma população de aproximadamente 210 milhões. A população negra constitui a maioria dos habitantes do país, representando 51,1% da população total.[1] Por outro lado, os Estados Unidos possuem uma população total de 328,2 milhões, sendo que a parcela negra representa apenas 12,1%. Uma comparação entre esses países pode, inicialmente, parecer incomum, especialmente porque historicamente esses países foram retratados como modelos contrastantes de raça e racismo. Por exemplo, um sistema de classificação racial e as leis de Jim Crow nos EUA, muitas vezes, foram justapostas ao contexto de mistura de raças, e as manifestações veladas e sofisticadas do racismo no Brasil. No entanto, o impacto contínuo da pandemia de COVID-19 no Brasil e nos EUA sugere que, embora existam diferenças, as comunidades negras em ambos países apresentam condições sociais semelhantes, tornando-as muito mais vulneráveis ​​ao vírus do que suas congêneres nacionais.

Os primeiros casos de COVID-19 no Brasil foram relatados em São Paulo, no final de fevereiro de 2020. Os casos iniciais de infecção incluíram três homens brancos que haviam viajado para a Europa e foram diagnosticados ao retornarem para o Brasil. Cada um desses pacientes portadores do vírus recebeu tratamento no Hospital Israelita Albert Einstein, considerado o melhor hospital da América Latina.[2] Seus perfis, semelhantes, contribuíram para o esboço inicial[3] da COVID-19 como uma “doença de gente rica”. Aproximadamente, um mês após o primeiro caso confirmado no Brasil, a COVID-19 chegou à comunidade Cidade de Deus, um bairro predominantemente negro e economicamente desfavorecido no Rio de Janeiro. Desde então, o vírus se espalhou por todo o país, alastrando-se rapidamente para as periferias urbanas (principalmente habitadas por negros) e causando mortes, perdas e sofrimento expressivos.

No Brasil, o vírus tem sido desproporcionalmente mais letal para a população negra. Os relatórios epidemiológicos mais recentes do Ministério da Saúde[4] demonstraram que, apesar da população negra representar apenas 46,7% dos pacientes hospitalizados devido à síndrome respiratória aguda grave, ela corresponde a 54,8% dos óbitos por COVID-19. Mais recentemente, a “Agência Pública”[5] analisou relatórios epidemiológicos de 11 a 26 de abril, revelando que, as mortes causadas pela COVID-19 tinham triplicado entre a população branca, já na população negra, a taxa foi 5 vezes maior.

Padrões semelhantes relacionados à raça e mortalidade surgiram nos Estados Unidos, onde os negros americanos constituem menos de 13% da população, mas representam 27% de todas as mortes (mais que o dobro da proporção da população). Em maio de 2020, o Laboratório de Pesquisa APM[6] constatou que “a taxa de mortalidade para negros americanos é 2,2 vezes maior que a dos latinos, 2,3 vezes maior que a dos asiáticos e 2,6 vezes maior que a dos brancos”.

Essas disparidades raciais não são coincidências, estando, entretanto, relacionadas com as condições sociais e econômicas semelhantes, enraizadas no racismo. Por exemplo, uma proporção significativa da população negra do Brasil vive em comunidades empobrecidas (favelas), áreas residenciais densamente povoadas e marcadas por altos índices de vulnerabilidades. Nos Estados Unidos, os negros americanos também têm muito mais probabilidade de residir em áreas densamente povoadas e caracterizadas por pobreza (resultado direto da segregação residencial e práticas racistas de moradia). Nos dois países, a vulnerabilidade econômica dos negros, as barreiras impostas à sua capacidade de praticar o distanciamento social e o acesso limitado aos serviços de saúde facilitam e aceleram o processo de transmissão da COVID-19.

No âmbito do trabalho, os trabalhadores negros de ambos os países estão mais propensos a serem considerados trabalhadores essenciais e mais propensos a enfrentarem circunstâncias econômicas que não lhes permitem ficar em casa, longe de seus locais de trabalho. O Brasil possui a maior população de trabalhadores domésticos do mundo, sua grande maioria formada por mulheres negras, cujas circunstâncias econômicas precárias exigem que as mesmas continuem trabalhando, mesmo em situação de pandemia, para sustentar suas famílias.

Embora os negros americanos não sejam a maioria dos trabalhadores domésticos nos Estados Unidos, 25% destes estão empregados no setor de serviços e 30% de todos os enfermeiros licenciados são negros, o que significa que os mesmos sejam desproporcionalmente forçados a continuar trabalhando durante a pandemia.[7] As funções desempenhadas, majoritariamente, por negros no Brasil e nos Estados Unidos, como motoristas de ônibus, balconistas de supermercado, atendentes de metrô, enfermeiras, trabalhadores de fastfood, assim também como agentes carcerários (e encarcerados), colocam-nos em um risco significativamente maior de exposição à COVID-19. Lembremos de Cleonice Gonçalves, trabalhadora doméstica e vítima fatal atribuída ao coronavírus no Rio de Janeiro que foi infectada por sua patroa[8], assim como o motorista de ônibus da cidade de Nova York[9] que morreu após um passageiro ter tossido sem cobrir a boca.

Finalmente, as disparidades raciais da COVID-19 podem também ser atribuídas às condições de saúde e menor acesso aos cuidados que os cidadãos negros recebem nos dois países. De acordo com o CDC dos EUA[10], para os residentes negros dos EUA, a falta de seguro de saúde, taxas mais altas de condições crônicas, estigma e desigualdades sistêmicas aumentam sua vulnerabilidade ao vírus. Da mesma forma, estudos da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC)[11] demonstram que 67% dos cidadãos brasileiros que dependem exclusivamente do SUS são negros (pretos e pardos). A população negra no Brasil e nos Estados Unidos enfrentam maior prevalência de doenças como diabetes, tuberculose, hipertensão e doença renal crônica, que os colocam em um grupo de alto risco para o COVID-19.

Nitidamente, as atuais disparidades raciais relacionadas ao impacto da COVID-19 evidenciam que a população negra no Brasil e nos EUA são as mais afetadas e a previsão é de agravamento dessas consequências nos próximos estágios da pandemia. A urgência de diálogos e iniciativas transnacionais visando aperfeiçoar as condições de saúde, em ambas comunidades negras, tornam-se evidentes e necessárias. Nossa expectativa é que uma maior atenção ao impacto global do racismo e da desigualdade na saúde da população negra passe a fundamentar a implementação de iniciativas transnacionais visando superar ambos o racismo e a COVID-19. E, como sugerem as consequências dessa pandemia, a construção de solidariedades transnacionais não é opcional, é literalmente uma questão de vida ou morte.

 

Dra. Elizabeth Hordge-Freeman é Professora Associada de Sociologia na Universidade do Sul da Flórida. É mestre e Ph.D. em Sociologia pela Universidade Duke. É autora do livro A cor do amor: características raciais, estigmas e socialização em famílias negras brasileiras (2018, Edufscar). https://www.amazon.com.br/Cor-do-Amor-Elizabeth-Hordge-freeman/dp/8576004976

hordgefreema@usf.edu

 

Michel Chagas é militante do movimento negro, membro do Instituto Steve Biko. É especialista em Gestão Pública Municipal pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestre em Políticas de Desenvolvimento Internacional pela Universidade Duke. michelchagas@gmail.com

[1] A categoria negra representa a porcentagem agregada das pessoas que se identificam como pretos e pardos.

[2] Hospital Israelita Albert Einstein, Diferenciais, https://www.einstein.br/sobre-einstein/diferenciais

[3] https://www.reuters.com/article/us-health-coronavirus-brazil-poor/imported-by-the-rich-coronavirus-now-devastating-brazils-poor-idUSKBN22D549

[4] Ministério da Saúde, BE 16 – Boletim COE Coronavírus, https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/May/21/2020-05-19—BEE16—Boletim-do-COE-13h.pdf

[5] Agência Pública é a primeira agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos do Brasil. https://apublica.org/

[6] The color of coronavirus:COVID-19 deaths by race and ethnicity in the U.S. https://www.apmresearchlab.org/covid/deaths-by-race

[7] COVID-19 in Racial and Ethnic Minority Groups, https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/need-extra-precautions/racial-ethnic-minorities.html

[8] Morte por coronavírus em Miguel Pereira ressalta riscos e provoca debates, https://br.reuters.com/article/idBRKBN21B2S3-OBRTP

[9] New York City bus drivers are being hit the hardest by deaths as COVID-19 devastates the MTA https://www.businessinsider.com/new-york-city-bus-drivers-most-deaths-covid-19-mta-2020-4

[10] Centros de Controle e Prevenção de Doenças

[11] A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) é uma sociedade científica cujo papel principal se dá no âmbito do desenvolvimento de uma especialidade médica que presta atendimento de excelência às condições clínicas mais prevalentes de pessoas e populações. Os estudos mencionados acima são resultado do grupo de trabalho Saúde da População Negra da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, disponível em https://www.sbmfc.org.br/noticias/gt-de-saude-da-populacao-negra-manifestacao-sobre-ausencia-de-dados-da-covid-19-desagregados-por-raca-cor/

Edital apoia pesquisas que apontam soluções para desafios da equidade racial na Educação Básica

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Estão abertas as inscrições para o Edital de Equidade Racial na Educação Básica, que financiará pesquisas e reconhecerá artigos científicos que apontem soluções para a redução das desigualdades étnico-raciais e de gênero nas escolas. Realizado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) e Itaú Social, o valor total de investimentos é de R$ 3 milhões. As inscrições estão abertas até o dia 13 de junho, exclusivamente no site do edital (editalequidaderacial.ceert.org.br).

A divulgação dos resultados ocorrerá no dia 15 de setembro e, após esta data, está prevista a primeira oficina de trabalho, a apresentação dos projetos e artigos selecionados e a assinatura do termo de outorga. Em outubro, as pesquisas deverão ser iniciadas.

A iniciativa conta com a parceria do Instituto Unibanco, Fundação Tide Setubal e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Em construção desde abril de 2019, o edital busca articular e mobilizar escolas, redes, coletivos, centros de pesquisas e organizações da sociedade civil (OSCs) para viabilizar e fortalecer estratégias de enfrentamento das desigualdades raciais e de gênero na educação.

Segundo dados de 2017 levantados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de analfabetismo é mais alta entre os negros do que entre os brancos: 9,3% ante 4%. O estudo realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) em 2018 aponta que 39% de estudantes pretos e 34% de pardos apresentam trajetórias escolares não lineares, marcadas por reprovações e abandono, já entre brancos o percentual é de 22%.

Esses resultados, de modo geral, reafirmam que o risco de repetência é maior para o alunado negro.

“O trabalho com equidade racial na educação básica é uma oportunidade para que o povo brasileiro conheça mais a sua história, reconheça igualmente seus diferentes talentos e valorize uma perspectiva de desenvolvimento que inclua a população em toda sua rica diversidade. Além disso, promover a equidade na educação básica significa garantir iguais oportunidades de aprendizagem a todas as crianças e adolescentes” , explica a diretora executiva do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), Cida Bento.

Categorias

O Edital de Equidade Racial está dividido em duas categorias: Pesquisa aplicada e Artigo científico. Os interessados podem concorrer apenas com uma proposta em cada categoria.

Na categoria Pesquisa aplicada, podem se inscrever pesquisadores mestres ou doutores, que já possuam ou estabeleçam cooperação formal com escola(s) pública(s) ou rede de ensino municipal ou estadual ou, eventualmente, com um terceiro ator, uma organização da sociedade civil – OSC da área da educação. Serão selecionados 15 projetos de pesquisa aplicada, que receberão um aporte de R$ 150 mil cada, além de uma bolsa no valor de R$ 3 mil para o pesquisador coordenador, no período de 18 meses.

Já na categoria Artigo científico, podem participar graduados, mestres e doutores, desde que o artigo seja inédito e a titulação do autor tenha sido obtida há no máximo cinco anos. Dois artigos de cada modalidade receberão reconhecimento financeiro.

As modalidades e os valores são: Graduados: R$ 3 mil; Mestres: R$ 5 mil e Doutores R$ 8 mil. Também receberá menção honrosa um artigo de cada modalidade.

Para garantir a transparência em todo o processo seletivo, as cinco instituições realizadoras e parceiras formam uma estrutura de governança, com o apoio de um conselho consultivo constituído por profissionais da temática racial, educação básica, assim como fomento e organização de editais de pesquisa.

(Fonte: Divulgação)

Movimento Negro organiza ato nacional pela morte de João Pedro

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Ato Nacional em memória de João Pedro, assassinado em 18/05.

Mobilização que lembra a morte de João Pedro e de milhares de jovens mortos nas favelas está marcado para 18 horas desta terça-feira (26)

 

A Coalizão Negra por Direitos convocou um manifesto em homenagem ao sétimo dia da morte de João Pedro Mattos Pinto, 14 anos. João foi morto em casa, na segunda feira (18) durante uma operação policial Federal e Civil ordenada pelo Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, no Complexo do Salgueiro, São Gonçalo. O crime foi muito comentado por autoridades e celebridades brasileiras, já que logo depois de baleado na barriga, o menino foi levado para ser socorrido pelos mesmos policias do atentado e a família só teve noticia de seu paradeiro no dia seguinte, quando o corpo de João já estava no IML.

O manifesto conta com mais de 500 entidades e movimentos que saem em defesa dos Direitos Humanos, a rede organizadora do ato (@coalizaonegra) pede que os usuários usem nas redes sociais as hashtags #VidasNegrasImportam, #ParemDeNosMatar, #JustiçaPorJoãoPedro e #AlvosDoGenocídio.

Na mesma semana, policiais em operação balearam e mataram João Vitor, 18 anos, e Rodrigo Cerqueira, 19 anos, que estavam recebendo cestas básicas no Morro da Providência e na Comunidade de Deus, respectivamente. Foram três jovens mortos, três vidas seladas em apenas quatro dias e em comunidades diferentes do Rio de Janeiro, a única semelhança entre os casos são a cor de suas peles e a forma da morte. Os três foram mortos pelo o Estado do Rio de Janeiro.

João estava brincando dentro de sua casa, que recebeu 72 tiros, no mínimo, durante o confronto policial dentro da favela do Rio, um desses tiros acertou a barriga do menino, que não resistiu e se tornou mais um para contabilizar o número de mortes por “bala perdida” em crianças no Estado. Só ano passado, foram mais de cinco crianças mortas da mesma forma nas favelas do Rio de Janeiro e mais de 15 baleadas.

Aghata Félix, 8 anos, baleada dentro de uma Kombi.

Kauan Peixoto, 12 anos, saiu para comprar um lanche.

Kauan Rosário, 11 anos, atingindo no confronto Polícial X Bandido em Bangu (RJ).

Kauê Ribeiro, 12 anos, voltando para casa durante confronto policial.

Jenifer Cilene, 11 anos, em frente ao bar da mãe no conjunto Bairro Carioca.

Em entrevista para a revista Marie Claire, a professora e mãe de João Pedro, Rafaela Pinto (36), falou que sua filha mais nova de apenas 4 anos não para de perguntar onde está o irmão. “Senti e sinto algo que não desejo para ninguém. Já consolei muitas pessoas que perderam filhos, mas eu não conseguia imaginar como era essa dor. É algo que a gente acha que nunca vai acontecer com a gente. Sempre tive muito, muito medo. Quando aconteciam essas operações policiais, ficávamos todos dentro de casa, porque é onde a gente se sente seguro. Como explicar, então, que uma criança, dentro de casa, pode ser alvejada pela polícia? É inaceitável. Saber que meu filho estava dentro de casa e levou um tiro… Está sendo muito difícil ficar aqui, pois estou cercada de lembranças, e não vejo mais João Pedro.”

João entra na estatística brasileira em que um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos. Um dado desumano, que faz lembrar a possibilidade dos jovens e crianças negras não concluírem seus sonhos, pois eles são tirados de forma cruel diante de confrontos que atingem uma população inteira. Depois das crianças serem mortas de maneira tão frívolas, vem o pedido de desculpa ou a decretação de luto pelo Estado. Um luto eterno, que mata três jovens em apenas quatro dias nas favelas do Rio.

Cantor Salgadinho arrecada cinco toneladas de alimentos antes de live beneficente

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Dono de hits como como Inaraí e Recado à Minha Amada, o cantor Salgadinho já arrecadou 5 toneladas de alimentos antes da sua live beneficente, que acontece na sexta-feira (29). As doações foram feitas pelas lojas Marabraz em ação que tem como objetivo arrecadar dinheiro e alimentos para os profissionais da área de entretenimento, uma das mais afetadas devido ao COVID-19.

“Foi uma maneira que encontramos para auxiliar milhares de profissionais da indústria do entretenimento, creio que a indústria mais afetada com tudo isso. Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a voltar. Muita gente está passando necessidade e espero que possamos ajudar muita gente com isso”, diz Salgadinho.

A Live Show acontece a partir das 20h no canal oficial do cantor no Youtube, trazendo no repertório um mix de todos os álbuns da carreira solo, em ordem cronológica, até os sucessos dos primeiros álbuns do Katinguelê. “Em tempos de quarentena, devemos nos doar ainda mais para fazer com que as pessoas fiquem em casa e ajudar a achatar a proliferação desse vírus. Vai ser um grande espetáculo e uma maneira de aliviar um pouco das saudades dos shows”.

https://www.instagram.com/p/CAEGsPzH93C/

ONU elogia como a África tem lidado com o COVID-19 e pede mais apoio ao continente

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Em vídeo para lançar um relatório sobre a COVID-19 na África, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, elogiou a resposta da África à pandemia, mas lembrou que esforços para ampliá-la, incluindo a cooperação internacional e os sistemas de saúde, ainda são necessários.

O continente africano já confirmou cerca de 2.500 mortes por COVID-19. Guterres destacou que os países africanos responderam rapidamente à pandemia e, até agora, os casos relatados são mais baixos do que se temia. “Mesmo assim, há muito a pesar na balança (…) A vigilância e a preparação são fundamentais”, ressaltou.

“Nos últimos anos, os africanos fizeram muito para melhorar o bem-estar das pessoas do continente. O crescimento econômico tem sido forte. Mas a pandemia ameaça o progresso. Irá agravar desigualdades que há muito existem e agravar a fome, a desnutrição e a vulnerabilidade a doenças”, disse o chefe da ONU.

Na África, a procura por mercadorias, turismo e remessas já está diminuindo. A abertura da zona de comércio foi adiada, enquanto milhões podem ser empurrados para a pobreza extrema.

Leia também: Os impactos do Coronavírus no turismo africano

O relatório da ONU lançado na quarta-feira (20) recomenda, “o que os países africanos já fizeram junto com a União Africana”. As medidas já executadas incluíram o reforço da coordenação regional, o destacamento de profissionais de saúde e a implementação de quarentenas, confinamentos e encerramentos de fronteiras.

A ONU também pediu que os países africanos tenham acesso rápido, igualitário e acessível a qualquer vacina e tratamento que possam surgir, e pediu que estes sejam considerados “bens públicos globais”.

O menino que descobriu o vento: Baseado em história real, filme mostra o descaso do governo com o povo

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Live: Festival dia da África debate influência na formação social e política do Brasil

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Hoje, 25 de maio se comemora o Dia da África, a data marca o encontro de 32 chefes de estado africanos, em maio de 1963 na Etiópia, o dia foi um marco para o continente, já que os líderes presentes criaram a Organização de Unidade Africana (OUA) a partir de uma carta conjunta que marcou a fundação da organização continental.

Para celebrar essa conquista e também debater questões importantes sobre África, Brasil e a luta antirracista o Festival dia da África reúne para uma live nesta segunda-feira (25), uma programação diversa para debater o tema.

Leia também: Dia da África: 11 produções Africanas disponíveis para assistir on-line
A live acontece no Instagram da deputada estadual (PSOL), Renata Souza, criadora da lei aprovada no ano passado, que incluiu a data internacional no calendário oficial do estado do Rio de Janeiro.

Dá uma conferida na programação:

Festival Dia da África

16h – Seimour Souza
Abertura: diáspora africana

16h20 – Marina Iris convida Xixel Langa
Música em Moçambique

16h50 – Seimour convida Fatou Ndiaye
Construção de uma educação antirracista

17h25 – Mônica Cunha convida Dida Nascimento
Culinária, ritual de encontro

18h – Michelle Lacerda convida Iyá Wanda
Combate ao racismo religioso

18h35 – Flávia Candido convida Janaína Damasceno
Ler a África

19h10 – Renata Souza convida Ludmilla Lis e Midiã Noelle
Ubuntu: Eu sou porque nós somos

20h10 – Rayanne Soares convida Ruth Mariana
Angola e Brasil: Maré de arte e luta

20h45 – Marina convida Maíra Freitas e Arifan
Religiosidade e música (Awuré)
O Brasil canta a África

21h25 – Renata Souza convida Rafael Andrade Encerramento

https://www.instagram.com/p/CAnVL1QpqaF/

Os impactos do Coronavírus no turismo africano

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Por Tainara Rosa *

Já estima-se que o colapso da indústria turística poderá ser catastrófica para as economias africanas.

A receita perdida como um todo é enorme. O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), uma associação do setor, estima que o turismo e suas atividades associadas sejam responsáveis por gerar cerca de 9% da receita do continente. O setor emprega 10 milhões de africanos diretamente, e talvez 14 milhões a mais de empregos sejam criados por seus impactos indiretos.

O turismo tornou-se um setor importante para a maioria dos países africanos nas últimas duas décadas. Houve um aumento dos investimentos em desenvolvimento e aprimoramento de produtos, marketing agressivo, juntamente com reformas sócio-políticas apropriadas para os negócios.

Em 2019 o aumento das chegadas internacionais em todo o continente  foi de 4,2%. E antes do surto da pandemia de COVID-19, havia sido previsto um aumento adicional de 3% a 5% para 2020. As causas que impulsionaram o crescimento incluem a possibilidade de intercâmbio  e pacotes turísticos com valores melhores se comparar com outros países, melhoria nas tecnologias digitais e processos de visto mais fáceis.

Como outros setores, o turismo, especialmente o internacional, é vulnerável a choques externos e crises. Repetidas vezes, os eventos fizeram o setor recuar. Isso inclui recessões, ameaças à segurança, incluindo ataques terroristas, desastres naturais e epidemias e pandemias. Há também o problema de reportagens negativas da mídia internacional.

A pandemia de COVID-19 em andamento é uma dessas ameaças, embora em um nível totalmente novo. Os países africanos devem aproveitar a experiência do passado para elaborar planos para gerenciar o vazio pós-coronavírus.

Visto que o turismo tem sido um dos setores mais atingidos desde que a doença foi detectada pela primeira vez em Wuhan, na China, em dezembro de 2019. O Conselho Mundial de Viagens e Turismo alertou que a pandemia do COVID-19 pode custar até 50 milhões de empregos em todo o mundo no setor turístico.

Em Uganda por exemplo, “os únicos hotéis com hóspedes são os designados como centros de quarentena”, diz Jean Byamugisha, diretor executivo da Associação de Proprietários de Hotéis de Uganda. Os hotéis normalmente precisam de 40% de ocupação para se equilibrar, e ele acrescenta, que muitos hotéis “não podem cumprir suas obrigações financeiras, como pagar impostos e pagar empréstimos”.

“Todo o setor está de joelhos”, acrescenta Carmen Nibigira, analista de políticas de turismo com sede em Ruanda. “Quando você olha para a região da África Oriental, não há muitas empresas maiores que estão realmente dominando nosso setor. Ainda temos milhares e milhares de empresários independentes por aí lutando e tentando sobreviver. ”

De fato, ela declara, que muitas dessas pequenas empresas “já estão enterradas” pela pandemia. “Essas são as linhas de frente da nossa indústria”, acrescenta ela. “Eles não são o Marriott. Talvez nesse momento muitos acabem optando por trabalhar em casa, no modelo estilo Airbnb, ou pousada.

É importante ressaltar que os países africanos devem se concentrar em aumentar sua promoção em viagens domésticas e entre outros países do continente. Isso servirá como um catalisador para desencadear a recuperação e estimular o crescimento da indústria.

Isso nem sempre foi o caso, porque a maioria das organizações de gerenciamento e marketing focadas no continente africano preferem campanhas direcionadas a visitantes internacionais, enquanto negligencia o poder de compra e as possíveis contribuições do povo africano. O que seria um grande estímulo na recuperação futura da industria.

Manter a confiança dos viajantes será uma parte crucial para a retomada das rédeas. Investir em segurança, infraestrutura e conforto será um diferencial importante nos próximos meses.

 

E após a pandemia é importante que possamos mudar o olhar do viajante. Pois o nosso continente mãe estará contando com o nosso apoio. Sabendo o quanto esse continente tem para oferecer, que a Keep Travel tem como foco principal em muitos destes destinos. Vamos colaborar para acelerar essa transformação e contribuir para o crescimento. A África tem muito para ensinar a todos. Seus visitantes podem esperar uma riqueza de experiências únicas.

 

*Tainara Rosa é a idealizadora da agência @keeptraveloficial

Dia da África: 11 produções Africanas disponíveis para assistir on-line

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No dia 25 de maio se comemora o Dia da África, do continente berço da humanidade. A data marca o encontro de 32 chefes de estado africanos, em maio de 1963 na Etiópia, para pensar como, juntos, poderiam realmente emancipar o continente africano, ou seja, tirá-lo das mãos do domínio europeu.

Leia também: “O coração é a morada da nossa consciência “. Ensinamentos de um TEDX sobre filosofia africana

O dia foi um marco para o continente, já que os líderes presentes criaram a Organização de Unidade Africana (OUA) a partir de uma carta conjunta que marcou a fundação da organização continental. Em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu a importância do encontro, instituindo a data como o Dia da África.

Para além do reconhecimento institucional, a data simboliza a memória coletiva dos povos africanos e o esforço conjunto no processo de desenvolvimento econômico e social do continente. Para reforçar a importância do continente africano para todo o mundo, selecionamos 11 produções Africanas disponíveis para assistir on-line.

Leia também: Cine África promove sessões e debates virtuais de filmes africanos

Confira:

Atlantique

Atlantique é um filme de drama romântico franco-belga-senegalês de 2019 dirigido por Mati Diop e escrito por Diop e Olivier Demangel. Estreou internacionalmente em 16 de maio de 2019 no Festival de Cinema de Cannes e foi selecionado para representar Senegal no Oscar 2020.

Sangue e Água

A trama é cheia de romances e intrigas. A protagonista, Puleng Khumalo (Ama Qamata), uma garota determinada em descobrir o paradeiro de sua irmã que foi raptada logo após o nascimento acaba conhecendo uma garota que ela acredita ser a sua irmã desaparecida. Para descobrir a verdade, a personagem se transfere de escola.

O Menino que Descobriu o Vento 

Sempre esforçando-se para adquirir conhecimentos cada vez mais diversificados, um jovem de Malawi se cansa de assistir todos os colegas de seu vilarejo passando por dificuldades e começa a desenvolver uma inovadora turbina de vento.

The Burial of Kojo

The Burial of Kojo (em português: O enterro de Kojo), o filme explora a cultura africana através de uma viagem espiritual em que uma jovem busca seu pai após um desaparecimento misterioso. Escrito e dirigido por Blitz Bazawule, o longa foi selecionado para o Festival de Cinema Pan-Africano de 2019 (PAFF) e venceu na categoria de melhor narrativa no Festival de Cinema Urbanístico de 2018.

Queen Sono

Queen Sono é uma série de drama policial sul-africana criada por Kagiso Lediga que estreou no Netflix em 28 de fevereiro de 2020 e já foi renovada para sua segunda temporada.

In My Country

In My Country é um filme de drama de 2017 dirigido por Frank Rajah Arase, estrelado por Sam Dede, Shan George, Okawa Shaznay, Bimbo Manuel, Precious Udoh e Austin Enabulele.

Moolaadé

Moolaadé é um filme de 2004 do escritor e diretor senegalês Ousmane Sembène. Ele aborda o assunto da mutilação genital feminina, uma prática comum em vários países africanos, do Egito à Nigéria

Beast of No Nation (Cary Fukunaga | EUA, 2015)

Baseado no romance homónimo do autor nigeriano, Uzodinma Iweala, o filme conta a história de um garoto africano separado da família durante a guerra civil, que é obrigado a lutar ao lado de mercenários e se tornar um menino-soldado de guerrilha. O drama é uma produção estadunidense de 2015 e foi selecionado para ser exibido na sessão Apresentações Especiais da quadragésima edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto.

Kiriku e a Feiticeira (Michel Ocelot.| França, 1998)  

A animação francesa de 1998, ambientada na África Ocidental, conta a história de Kiriku, um menino minúsculo, cujo tamanho não alcança nem o joelho de um adulto, e que tem como desafio enfrentar a poderosa feiticeira Karabá, que secou a fonte d’água de sua aldeia. Kiriku enfrenta perigos e passa por muitas aventuras, provando que o seu tamanho, não só não é um problema, como é a sua melhor arma para enfrentar a feiticeira.

Ceddo (Ousmane Sembène | Senegal, 1977)

Ceddo, também conhecido como The Outsiders, é um filme de drama senegalês de 1977 dirigido por Ousmane Sembène. Foi inscrito no 10º Festival Internacional de Cinema de Moscou.

 

Sambizanga 

Sambizanga é um filme franco-angolano-congolês do género drama, realizado por Sarah Maldoror, com base na novela A vida verdadeira de Domingos Xavier do autor angolano José Luandino Vieira.

 

Designers negros: 77 Anos de Emory Douglas e sua Importância no design gráfico

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Arte de Emory Douglas para o jornal dos Panteras Negras

Quantos negros do seu circulo social, são formados ou estudam design? Infelizmente muitos responderão poucos ou nenhum. Apesar de sermos maioria entre os estudantes universitários, segundo dados do IBGE do final do ano passado, a distribuição ainda é desigual. Ocupamos a maior parte das cadeiras em cursos como Ciências Naturais e Química, mas em outros como Moda ou Design, somos apenas 26%.

E infelizmente, esse numero baixo não é apenas no Brasil. Nos EUA por exemplo, só 2% dos estudantes de design gráfico são negros, quando 86% são brancos. (Asiáticos e hispânicos também ocupam uma menor parte, com 6 e 4% respectivamente).

Considerando isso, podemos pensar: Por qual motivo? Então cabe uma outra reflexão: Cite um designer gráfico famoso negro. Conseguiu pensar em alguém? Exatamente. Não temos referências de pretos no design e sem alguém para se inspirar, pode ficar muito mais difícil se identificar com a profissão. Nem mesmo durante a faculdade, esses exemplos são vistos como deveria. Entretanto, mesmo que em menor escala, eles estão lá e devem ser lembrados.

Não tem como falar de referência negra no design gráfico sem citar Emory Douglas. O Ministro da Cultura do Partido dos Panteras Negras de 1967 até 1980 (quando o partido acabou) que completou 77 anos  ontem, dia 24 de maio, é formado em design gráfico pela Faculdade da Cidade de São Francisco.

Ele era o diretor de arte, ilustrador e designer responsável por toda a parte gráfica do Jornal dos Panteras Negras, que em 1970 chegou a atingir uma circulação de 139.000 cópias por semana.

(mini documentário com legenda em inglês disponível)

Seu interesse pela área surgiu após trabalhar na gráfica da Escola Reabilitação de Jovens de Ontário, na Califórnia, onde foi sentenciado a passar quinze meses. O Revolucionário Emory, tinha que lidar com o baixo orçamento do jornal, bem como o pouco tempo que tinha para desenvolver seu trabalho (desafios esses que os designers gráficos ainda encontram), mas mesmo assim conseguiu criar um tipo de arte característico seu, com contornos pretos grossos, colagens e texturas.

Mural de Emory Douglas e Richard Bell em Brisbane, Austrália. A Arte reproduz a cena de 1968, quando Tommie Smith e John Wesley Carlos fizeram a saudação do movimento Black Power no pódio das Olimpíadas de 1968.

Apesar de ser muito associado erroneamente apenas com fins lucrativos e comerciais, os materiais de design gráfico como jornais, panfletos, cartazes e etc, são também na verdade documentos históricos que podem nos ajudar a compreender algo, sejam as duas grandes guerras ou a história do movimento negro.

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