“Ao atacar figura pública emblemática, os réus visavam – e de alguma forma obtiveram – ampla repercussão de suas mensagens segregacionistas.” Esse é um trecho da sentença assinada pelo juiz Eduardo Pereira dos Santos Júnior, da 5ª Vara Criminal da Comarca da Capital de São Paulo referente aos responsáveis aos ataques racistas sofridos pela jornalista Maju Coutinho .
Nessa segunda-feira, 9 de março , a justiça de São Paulo condenou Erico Monteiro dos Santos e Rogério Wagner Castor Sales a penas que variam de cinco a seis anos de prisão em regime semiaberto e aplicação de multa por racismo e injúria racial.
Os dois homens usaram perfis falsos para praticar racismo em páginas nas redes sociais. Por terem recrutados três adolescentes para a ação criminosa, eles também foram condenados por corrupção de menores.
Outros réus envolvidos no caso Kaique Batista e Luis Carlos Felix de Araújo foram absolvidos por falta de provas.
O caso de Maju aconteceu em 2015 , mas só em 2016 os quatro réus foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo. Eles ainda podem recorrer em liberdade.
Aos poucos três casais se formam e o público acompanha histórias de amor embaladas por sucessos de Arlindo Cruz. Esse é o clima do espetáculo Quando A Gente Ama – Um Musical com Sambas de Arlindo Cruz, que estreia nessa sexta-feira (13) às 20h, no Teatro Porto Seguro.
Com texto e direção de João Batista, o elenco conta com Alexandre Moreno, Aline Borges, Allex Miranda, Cris Vianna, Édio Nunes e Patrícia Costa. A temporada segue até 26 de abril com sessões às sextas e sábados às 20h e domingo às 19h.
O musical trata sobre os altos e baixos do amor, a partir do repertório do sambista Arlindo Cruz. O elenco é acompanhado por cinco músicos que animam uma roda de samba em cena. São dez histórias curtas, cada uma delas relacionada a uma canção do repertório de Arlindo Cruz, a quem o espetáculo é dedicado. O público entra em contato com toda uma galeria de personagens que parecem tirados do cotidiano, com os dramas (e comédias) das histórias de amor, acompanhadas por sucessos como Casal Sem Vergonha, O Show Tem Que Continuar e O Que é o Amor, entre outros.
Serviço:
De 13 de março a 26 de abril – Sextas e sábados às 20h. Domingo às 19h.
Ingressos: R$ 80,00 plateia / R$ 60,00 balcão e frisas.
Classificação: 14 anos.
Duração: 90 minutos.
TEATRO PORTO SEGURO – Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo
A atriz queniano-mexicana Lupita Nyong’o publicou em seu Instagram uma foto com a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, autora do livro “Americanah”. O encontro aconteceu em fevereiro, num evento realizado em Lagos, Nigéria, para promover a adaptação televisiva da obra.
No encontro, elas usaram o mesmo macacão, só que em cores diferentes. E foi inspiração pura. Uma estilista de uma marca infantil vestiu a filha e uma amiga com as mesmas roupas para recriar esse encontro. A foto das duas garotinhas foi postada pela mãe, em comemoração pelo Dia Internacional da Mulher.
Nesta segunda-feira (9) Chimamanda Adichie compartilhou em seu Instagram a “adorável” homenagem. Confira:
Camila de Moraes, Renata Martins e Gabriel Martins (Crédito: Reprodução Instagram)
A resposta é simples: Temos os nossos jovens talentos, com suas bagagens, escolas, projetos e genialidades.
Inspirados em “Spikes Lees”, “Jordans Peeles”, “Antônios Pitangas”, “Joelzito Araújos”, “Jefferson Ds”, “Zozimos Bubuls” e tantos outros…
Não precisamos de um Spike Lee. Precisamos de oportunidade.
Na dúvida, segue lista com alguns dos principais nomes do cinema negro no Brasil ( tem muito mais):
André Novais
Nascido em 1984, é diretor, produtor executivo, roteirista. Sócio-fundador da Filmes de Plástico, produtora audiovisual de Contagem (MG). Na sua lista de filmes estão “Temporada”, “Ela volta na quinta”, “Pouco mais de um mês” e “Fantasmas”.
André Novais: Crédito Lista Preta Twitter
Destaque para o premiado “Temporada”, sucesso de crítica e selecionado para o Festival de Locarno, na Suíça.
No Brasil, a obra recebeu venceu as cinco indicações do 51ª edição do Festival de Brasília, incluindo o prêmio de Melhor Atriz para Grace Passô.
Viviane Ferreira
Nascida na periferia de Salvador, Viviane Ferreira é a segunda mulher negra brasileira a dirigir um longa metragem, o filme “Um dia com Jerusa”. Ela também é Sócia da Odun formação e Produção e diretora artística do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul.
Viviane Ferreira : Crédito Lista Preta
Aqui você pode conferir o curta “O Dia de Jerusa” que deu origem ao longa lançado posteriormente
Sabrina Fidalgo
Sabrina é cineasta, roteirista, atriz e produtora brasileira. Foi eleita em 2018 pela Bustle uma das “36 Female Filmmakers Across the GlobeWho Are Breaking Ground In Their Own Country” ficando na oitava posição.
Sabrina Fidalgo: Crédito Lista Preta
Aqui você pode conferir o ótimo “Rainha” (2016), que rendeu cerca de 13 prêmios:
Renata Martins
Diretora e Roteirista Renata é criadora da premiada websérie Empoderadas, roteirista da série Pedro e Bianca, ganhadora dos Prêmios Emmy Kids Internacional, Prix Jeunesse Ibero-americano e Internacional.
Renata Martins – Crédito : Reprodução Instagram
Dirigiu e roteirizou os curta-metragens Aquém das nuvens e Sem Asas. Coordenou o desenvolvimento da série Rua Nove e também o 1º Encontro de Mulheres Negras do Audiovisual.
Ela ainda compôs e a equipe de roteiristas na novela Malhação – Viva a Diferença, na Rede Globo, projeto ganhador do Emmy Kids Internacional.
Episódio de Empoderadas com Raquel Trindade:
Glenda Nicácio
Glenda fundou a Rosza Filmes, uma produtora independente localizada no recôncavo baiano, integra também o projeto Quadro a Quadro atuando na realização de oficinas cinematográficas e na atividade cineclubista em escolas públicas da região.
Glenda Nicácio: Crédito Lista Preta
Trailer de uma das suas principais obras, “Café com Canela”:
Gabriel Martins
Gabriel é bacharel em cinema pelo Centro Universitário UNA, roteirista, diretor e sócio-fundador da produtora Filmes de Plástico. Dentre seus principais projetos estão os curtas “NADA”, “Rapsódia para o Homem Negro” e o longa “No Coração do Mundo”.
Gabriel Martins: Crédito Lista Preta Twitter
Trailer de “No coração do Mundo”:
Camila de Moraes
A jornalista Camila de Moraes é também diretora do documentário “O Caso do Homem Errado” de 2017, que conta a história de Júlio César de Melo Pinto, executado pela polícia.
Camila Moraes : Crédito Lista Preta Twitter
O doc foi pré-selecionado para o Oscar. Atualmente trabalha na série “Nós Somos Pares”
Segue trailer de “O Caso do Homem Errado”:
Clementino Junior
Fundador do cineclube Atlântico Negro e criador do projeto ‘Memória Portátil’ voltado para produções etnográficas. Tem em seu currículo cerca de 25 curtas, seu projeto mais recente, “A padroeira” será exibido na exposição “Every Leaf is An Eye” na Suécia.
Clementino Junior : Crédito Lista Preta Twitter
Aqui você pode confere outra obra de Clementino, o documentário “Jurema”:
Juliana Vicente
Diretora, produtora e fundadora da Preta Portê Filmes. Com trabalhos vistos em diversos festivais como Berlim e Rotterdam. Em 2015 ela foi premiada com a co-produção “A Terra e a sombra”, no Festival de Cannes.
(Texto publicado originalmente em 28 de fevereiro)
O racismo está em todos os espaços, até entre jornalistas que têm como função, buscar a igualdade e justiça por meio da informação.
O Mundo Negro foi procurado por funcionários da Record TV com prints de conversas de Whatsapp de jornalistas, incluindo uma correspondente internacional, que estariam usando um grupo com nome “Resistência” para difamar e fazer “piadas” sobre um jovem negro que trabalha na sede da emissora em Brasília.
Os lábios grossos da vítima foram comparados com o ânus, quando o grupo ainda fazia “piadas” sobre a possível orientação sexual do rapaz negro durante os diálogos no aplicativo.
Reprodução Whatsapp
Outro caso de racismo aconteceu quando uma jornalista de Brasília também usou o aplicativo de bate-papo para fazer piadas sobre uma colega negra a quem ela se referia como” Patolino”, o pato negro das animações da Warner Bros, ao se referir a ela em conversas com pessoas da emissora.
De acordo com as fontes que quiseram manter anonimato, a Chefia de Jornalismo de Brasília e São Paulo e o Departamento de Recursos Humanos estão cientes dos grupos e comentários racistas, mas até o momento ninguém havia sido suspenso ou demitido.
Tentamos contato com um Diretor da Record que está ciente da situação, para ter um posicionamento da emissora, mas ele não retornou as ligações nem respondeu aos recados.
Manu, Victor Hugo e Babu estão no sétimo paredão do BBB 20, formado na noite de domingo (8). Manu foi automaticamente colocada na berlinda após apertar o botão vermelho do quarto branco, ontem; Victor Hugo foi indicado pelo líder; e Babu foi o mais votado pela casa, com cinco votos.
Os participantes tiveram 30 segundos para defenderem suas permanências no jogo e Babu emocionou ao pedir: “Quero ser o primeiro homem negro a ganhar o Big Brother”.
Babu completou dizendo, “vocês já me conhecem o suficiente e da onde eu venho boa convivência vem de três palavras magicas, por favor, com licença e obrigado. Onde ações como ligou, deliga. Sujou, limpou. Abriu, fecha. Pra mim isso é o começo de uma boa convivência, mas eu acho que aqui não faz muita diferença e tudo bem. São 40 anos contrariando estatística, me ajude a contrariar mais uma. Quero ser o primeiro homem negro a ganhar o Big Brother. Deixa o paizão ficar. Que eu estou duro, devendo, isso tudo vocês já sabem”.
Pai de três filhos, Babu pouco falou, sobre a vida difícil e da luta pela sobrevivência que sempre teve aqui fora. Apenas em uma declaração, o participante do reality, mandou o seguinte recado: “Dona Rosa, quero pagar o aluguel”. No imóvel alugado por R$ 1,5 mil, de dois quartos e 70 metros quadrados, vive a atual namorada, um dos seus três filhos e o melhor amigo. Sem dinheiro, a família compra fiado num restaurante ao lado da casa onde mora, e já acumula uma conta de mais de R$ 1 mil.
Sérgio Camargo,Presidente da Fundação Palmares, não é visto com bons olhos nem pela nova Secretária Especial de Cultura, Regina Duarte.
Em entrevista ao Fantástico neste domingo, 8 de março, a atriz definiu Camargo como alguém fora do perfil que ela espera para o cargo. “Voltamos a uma situação de uma pessoa que é um ativista mais do que um gestor público. Estou adiando o problema. Eu quero que baixe um pouco a temperatura”, disse a secretária , no sentido de esperar para tomar uma decisão.
Durante a entrevista ela confessou que os trâmites políticos têm dificultado suas primeiras movimentações dentro da pasta.
Levando-se em conta que ela usou a palavra “problema” ao se referir à Camargo, não será surpresa se ele cair em breve.
Na mesma entrevista, Regina afirmou que grupos minoritários devem ir atrás de patrocínios e não esperar verba da Secretaria de Cultura para os seus projetos. As minorias devem procurar patrocínio junto à sociedade civil”, alertou a Secretária.
Muitas vezes a consciência da cor surge para nossas crianças quando elas sofrem racismo e essa é a pior maneira de despertar a sua identidade. Falaremos aqui sobre meninas negras. Não por acaso, muitas ao se descobrirem negras se acham menos bonitas e dignas de afeto, como se fosse um produto de segunda linha, sempre à sombra das meninas brancas.
Nos EUA chegaram fazer um estudo comparando meninas negras como brancas na perspectiva da receptividade social. Os números mostraram que as garotas negras são vistas de forma mais adulta que as brancas de forma que também estariam mais sujeitas a violência e assédio sexual.
Se as mulheres negras de hoje sem referências negras na infância já movem o mundo, imagine como serão as da nova geração que já têm mães e pais mais conscientes?
Se você cria meninas negras e está perdida ou perdido na missão, vou te dar algumas dicas. Sou mãe de três meninas.
Elogie a beleza : Falaremos sobre o interno mais para frente, mas a beleza é o externo e não temos como ser hipócritas com a forma como o mundo lida com a aparência. Meninas negras têm vários tons de pele, texturas de cabelo e traços. Os traços mais “fora” do padrão são os que mais devem ser elogiados: o cabelo mais crespo, o nariz mais largo, os lábios mais grossos, o tom mais escuro. Tudo o que é mais perto do padrão tem referência, a beleza negra ainda carece de representatividade real. No livro da Lupita Nyongo a cor da sua personagem Sulwe, que sofre por ser mais escura até dentro da sua família, se sente mais linda ao ser comparada com a noite, escura e cheia de beleza, como a garotinha.
Enalteça o conhecimento do povo negro: A contribuição do povo negro vai muito além da nossa genialidade na música e no esporte. Das pirâmides do Egito até a Dra. Jaqueline sequenciando o genoma do coronavírus no Brasil, nosso intelecto teve imensurável contribuição para humanidade. O filme “Estrelas além do Tempo”, por exemplo, é uma história para todas as idades e conta como três mulheres negras , Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) que fizeram parte de uma equipe da Nasa em época de forte segregação racial. Elas foram fundamentais para que os EUA fossem o primeiro país a orbitar a Terra.
Representatividade importa: Beyoncé, Iza, Maju , uma mulher na família que fez algo incrível. Se não formos nós mostrando aos mais jovens como somos incríveis, ninguém o fará, ao menos não da forma que sentimos que deve ser feito. Tente ter em casa referências na decoração e até no material escolar, de algo que seja racialmente representativo. Outras culturas fazem isso de forma muito natural. Sem nos enxergar na sociedade e sendo tão jovens, é fácil achar que não nos encaixamos ou pertencemos a determinado ambiente. Faça um uso sábio das redes sociais seguindo pessoas negras inspiradoras, seja por sua aparência, seja pelos seus feitos.
Fale sobre racismo: A melhor maneira de começar a falar sobre racismo com os filhos é dando um contexto histórico antes que eles tenham que lidar com isso, porque infelizmente irão. Se começamos pela narrativa da violência e segregação, não temos a dimensão de como isso chega na criança. É importante que ela entenda que o racista está errado e que os contextos históricos fizeram com que hoje a maioria das pessoas negras viva na pobreza. Ressalte que isso não tem nada a ver com a competência dos negros e sim é fruto de um longo período da história, mais de 300 anos, onde pessoas brancas escravizam pessoas negras e que isso ainda se reflete nos dias de hoje, mas as coisas estão melhorando.
O cabelo crespo não é brinquedo de gente curiosa: Assim como acontece com as mulheres negras e crespas adultas, umas se incomodam de ter seus cabelos tocados, outras não. Porém como responsáveis por meninas negras temos sempre que ensinar que cabelo faz parte do corpo e o toque do outro, sem permissão não deve ser visto como algo normal. As pequenas terão dificuldade de verbalizar esse incomodo, então cabe aos adultos tomar as providências caso o cabelo da criança negra seja alvo de curiosidade alheia, piada e fofoca. Se ela quiser alisar, explique que o cabelo natural é o que a deixa mais bonita, que é também mais o saudável e busque imagens de crespas para inspirá-la.
Sobre amor e preterimento: a solidão da mulher negra não vale somente na esfera do relacionamento amoroso. Ele nasce na infância quando a menina negra não é chamada para atividade em grupo da escola ou para ser o par do coleguinha festa junina. A nova geração evoluiu, mas ainda é criada por pessoas racistas. Por isso o amor da família é fundamental. No livro “Na minha pele”, Lázaro Ramos destaca o enfoque que ele dá em termos de carinho à sua filha Maria Antonia por entender que o mundo lá fora não será sempre gentil com ela no campo do afeto. Essa é uma decisão sábia. O amor da família é fundamental para autoestima e ferramenta indispensável que fará com que a menina negra sinta que se o outro não gosta dela, o problema está nele.
Essa é uma lista de dicas colaborativa e adoraria saber sua opinião e sugestão. Use os comentários!
*Esse é o primeiro texto da minha coluna “Nossas meninas negras” com foco na informação de pais e mães de meninas negras e também com conteúdo dedicado às pretinhas.
O ator Pedro Guilherme Rodrigues (Crédito: Arquivo pessoal)
Quantas vezes as cenas de Tiago da novela “Amor de Mãe”, interpretado pelo ator Pedro Guilherme Rodrigues, te tiraram o ar?
Arrastão, cenas no camburão e racismo no shopping. O filho de Vitória (Taís Araújo) retrata na TV cenas do racismo cotidiano típico do Brasil.
Na cena de sexta-feira, 6, o responsável pela segurança do shopping onde o garoto foi confundido com morador de rua, a confusão entre racismo e preconceito estava no roteiro e Vitória foi enfática: “Racismo é crime”.
https://www.instagram.com/p/B9ahHcVlmzE/
Infelizmente nem a fama poupou Pedro, que tem 9 anos, de sofrer racismo na vida real. Quem explica o episódio de racismo é Renata De Paula, mãe do ator que concedeu uma entrevista ao Mundo Negro: “O Pedro estava olhando fones de ouvidos dentro de uma loja da FastShop no shopping e um vendedor chegou nele e disse ‘Esse fone é muito caro para você’”.
Renata descreve que apesar das cenas fortes da novela, Pedro não deixa o roteiro afetar suas emoções. “Ele é muito profissional. Falou ‘corta’ ele se torna o Pedro de novo”, detalha a mãe, que sente que o filho é ciente do que o seu personagem representa.
Pedro com a irmã Stefany de Paula (ao fundo) e sua mãe Renata de Paula (Crédito: Arquivo pessoal).
“Ele tem total conhecimento de tudo isso , nas cenas que faz sempre procura se concentrar e depois ele me pergunta se isso tudo um dia vai parar de acontecer.
Interpretando Luiz Gama no filme (Prisioneiro da Liberdade) de Jeferson D ele me perguntou por que os negros eram escravizados , por que hoje podemos falar e brigar pelos nossos direitos e a muitos anos atrás não podíamos ? “, conta Renata.
Alguns episódios de racismo que aparecem nos noticiários mexem com o ator mirim, como o caso do jovem de 16 anos de Salvador, que foi agredido pela polícia por ter “cabelo de bandido”:
“Pedro nunca quis cortar o cabelo , mais recentemente vendo uma cena de abuso de poder , que aconteceu na Bahia onde alguém batia em um rapaz negro e dizia que o seu cabelo era de bandido ou de alguém que não valia nada , ele ficou preocupado e se perguntou ‘será que um dia vão me bater na rua ,por causa do meu cabelo ?! Ou vão me prender quando for adolescente se estiver sozinho pelas ruas ?! “, descreve a mãe de Pedro.
O tom na interpretação Tiago tem sido fundamental para contar um pouco como o racismo se dá no Brasil e nossas crianças não estão isentas dessa violência.
https://www.instagram.com/p/B6Oh8rXhLct/
Pedro tem mostrado muito brilho mesmo em cenas onde ele contracena com grandes nomes da TV como Taís Araújo e Murilo Benício nos mais diversos cenários tanto alegres como de tensão.
A gente aqui fica na torcida para ver Pedro em novos papéis na telinha.
A Rede Globo divulgou nessa sexta-feira (6), dois projetos que envolvem a morte da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, ambos assassinados a tiros em 14 de março de 2018. Um é o primeiro documentário da plataforma Globoplay sobre a vida da vereadora até a sua morte “Marielle: O Documentário” que vai ao ar no dia 13 de março.
Porém o segundo projeto, um seriado ficcional sobre o assassinato da vereadora causou revolta entre ativistas e profissionais negros da área audiovisual que escreveram coletivamente uma Nota de Repúdio em relação ao projeto da série.
Um dos motivos é a ausência de pessoas negras, sobretudo mulheres negras na parte executiva do projeto. Marielle era mulher negra e feminista.
“É revoltante. No entanto, numa sociedade capitalista, não surpreende que a história de uma mulher negra seja contada a partir do ponto de vista de três pessoas brancas. A única surpresa é o fato de terem demorado tanto pra anunciar o projeto, visto a sanha que têm de se apropriar dessa história há tanto tempo.”
Outra fonte de repulsa pelo seriado é o envolvimento de Antonia Pellegrino, uma das roteiristas da série “O Sexo e as Negas” e José Padilha, diretor de Tropa de Elite como diretor do seriado. Sobre isso a nota diz:
“O diretor escolhido para comandar a série é o homem que deu e dá ferramentas simbólicas para a construção do fascismo e genocídio da juventude negra no País. É uma violência extrema envolver numa série sobre Marielle o autor de filmes que retrataram de forma heróica a polícia mais violenta do País. Para se ter uma ideia, após “Tropa de Elite”, as inscrições no Bope aumentaram vertiginosamente. O retrato ali inspirou e inspira ações violentas em todo o país. Não à toa que a música tema da Tropa no filme apareceu em dezenas de vídeos de apoio ao presidente em exercício”.
A Nota diz destaca que fazer um seriado sobre uma morte cuja investigação nem foi concluída também é um erro:
“Além disso, ficcionalizar em torno de um crime que ainda está sendo investigado também é uma violência e uma naturalização do crime violento e dos 13 tiros disparados contra o carro de Marielle, que vitimaram ela e o motorista Anderson Gomes”.
Confira a Nota na íntegra ( se quiser assinar clique aqui) :
Nota de repúdio
Na sexta-feira, 6 de março de 2020, a Rede Globo e a Globoplay anunciaram uma série ficcional baseada na Vida de Marielle Franco, cujo assassinato em 2018 continua ainda sem respostas. Acontece que o projeto anunciado é encabeçado por três pessoas brancas. A roteirista Antonia Pellegrino (“Sexo e as Negas”, “Bruna Surfistinhas” e “Tim Maia”), George Moura (“Onde Nascem os Fortes”, “Amores Roubados” e “O Canto da Sereia”) e José Padilha.
É revoltante. No entanto, numa sociedade capitalista, não surpreende que a história de uma mulher negra seja contada a partir do ponto de vista de três pessoas brancas. A única surpresa é o fato de terem demorado tanto pra anunciar o projeto, visto a sanha que têm de se apropriar dessa história há tanto tempo.
Mas o desastre fica maior a cada detalhe. O diretor escolhido para comandar a série é o homem que deu e dá ferramentas simbólicas para a construção do fascismo e genocídio da juventude negra no País. É uma violência extrema envolver numa série sobre Marielle o autor de filmes que retrataram de forma heróica a polícia mais violenta do País. Para se ter uma ideia, após “Tropa de Elite”, as inscrições no Bope aumentaram vertiginosamente. O retrato ali inspirou e inspira ações violentas em todo o país. Não à toa que a música tema da Tropa no filme apareceu em dezenas de vídeos de apoio ao presidente em exercício. É o filme que mais exaltou o tema “bandido bom, é bandido morto”, simplificando a discussão da violência urbana a uma questão de polícia.
Além disso, ficcionalizar em torno de um crime que ainda está sendo investigado também é uma violência e uma naturalização do crime violento e dos 13 tiros disparados contra o carro de Marielle, que vitimaram ela e o motorista Anderson Gomes.
Depois disso, Padilha ainda cometeu a série “O Mecanismo”, cujas falsificações históricas só fizeram recrudescer o discurso fascista que resultou no governo mais autoritário e violento das últimas décadas no Brasil.
É revoltante mais uma vez ver a branquitude disfarçar de boas intenções a apropriação da imagem de uma mulher negra lésbica, favelada, mãe, filha, irmã e esposa. Para defender sua propriedade de contar a história de Marielle, Antonia Pellegrino usou como argumento: “eu a conhecia muito bem”, “eu ajudei na sua primeira campanha”, “eu segurei o seu caixão”.
Mas a mesma pessoa que diz ter se inspirado em Marielle e diz ter respeito pelo feminismo negro, se lança como arauto para contar essa história aliada aos seus pares, masculinos e brancos. Tudo isso é extremamente violento. É um desrespeito a tudo que Marielle defendia.
Se qualquer uma dessas pessoas tivessem entendido de fato a luta de Marielle, saberiam o quão violento é fazer esse projeto encabeçado apenas por pessoas que não refletem sua imagem e semelhança. Existe um valor simbólico e financeiro em contar essa história. Um valor que vai ficar na mão daqueles que sempre dominaram o audiovisual no Brasil.
Ter em algum momento convivido ou lutado ao lado de Marielle não tira o peso da decisão de se apropriar da história dela dessa forma.
Padilha disse em entrevista ao “O Globo” que “se dedicou por muito tempo a histórias de violência urbana do Rio. Essa é uma que precisa ser contada”. A história de Marielle cabe muito mais do que apenas a violência institucional. Ela é muito mais do que uma vítima da violência urbana que tentam fazer parecer. Seu assassinato é o reflexo da necropolítica que ela denunciava.
A história de Marielle é também a história das tecnologias afetivas, pois Marielle sempre falou sobre afeto, empatia, mulheres lutando juntas, jovens negras movendo estruturas. A branquitude quer se apropriar e narrar essa história sem ao menos entender sobre o que ela é. Tudo isso é desesperador demais.
Às mulheres e homens pretos e lésbicas foi negado o direito de contar essa história. Pois ainda que o racismo estrutural e institucional tente nos paralisar, homens e mulheres negros e negras se tornaram grandes realizadores, comandando produções e recebendo reconhecimento aqui e fora o Brasil. Por isso, é ainda mais perverso saber que essa história só será contata se for produzida por essas pessoas, pois o racismo produziu mecanismo para distanciar pessoas negras do direito de con ju tar a própria história.
Quem trabalha no audiovisual conhece bem as estratégias perversas da branquitude que domina esse meio e entende o código por trás de cada afirmações “bem intencionadas” sobre transformar a série numa “escola”. Isso significa que as decisões finais serão todas tomadas por brancos e que os profissionais não-brancos da equipe terão no máximo o direito de brigar e adoecer tentando deixar a narrativa menos racista, sendo subjugados pelo tokenismo.
Marielle, em sua última fala pública, contou a respeito da prefeitura do Rio: “primeiro eles saem chutando a porta, depois eles pedem desculpas e por último oferecem um microcrédito, que não repara nada”. Esse é o modus operandi da branquitude. Se apropriar como se tudo a ela pertencesse: nosso corpos, nossa subjetividade, nossa história. É um desastre, é violento e racista.
Assinam essa nota:
1
Adriana Silva, produtora e roteirista
2
Ana Beatriz Luta, estudante aic
3
Ana Julia Travia, roteirista e diretora
4
Ana Pacheco, roteirista
5
Atilon Lima, aAudiovisualista e Fotógrafo.
6
Beatriz Silva Moura, estudante – AIC
7
Betânia Dutra , fotógrafa
8
Bianca Joy Porte, Atriz e roteirista
9
Bruna Fortes, montadora
10
Bruno dos Anjos Soeiro de Souza, diretor de fotografia
11
Carmen Faustino, escritora e produtora cultural
12
Carol Rodrigues, roteirista e diretora
13
Caroline Moreira empreendedora
14
Cecília Carlos Boechat, apresentadora, jornalista, produtora de conteúdo e modelo.
15
Cibele Amaral, roteirista e diretora.
16
Claudia Alves, Roteirista e diretora
17
Dalila Ferreira, jornalista e Roteirista
18
Daniel Ramos, antropólogo
19
Daniela Israel, produtora e diretora
20
Denise Souza, maquiadora.
21
Ébano Gama, publicitário
22
Eliana Alves Cruz, Escritora e jornalista
23
Eric Paiva, roteirista
24
Erica Malunguinho, Deputada Estadual do PSOL
25
Érica Sarmet , roteirista, diretora e pesquisadora
26
Erick Diana Gomes, eEstudante AIC
27
Estevão Ribeiro, Roteirista e escritor, criador da tirinha Rê Tinta
28
Éthel Oliveira , cineasta e cineclubista
29
Frederico Rosa da Paz, produtor
30
Gabriel Nascimento, Professor, Pesquisador e escritor
31
Gabriela Ramos, advogada e pesquisadora.
32
Gabriella Padilha Scott, realizadora audiovisual
33
Gautier Lee, roteirista e diretora
34
Jeferson da Silva Brum, produtor e distribuidor
35
Jessica Queiroz , Diretora e montadora
36
Jonathan Raymundo, produtor do Wakanda in Madureira
37
Jorane Castro, roteirista e diretora
38
Jorge Washington, ator fundador e membro do Colegiado gestor do Bando de Teatro Olodum
39
Julia Tolentino, realizadora audiovisual
40
Juliana Balhego, realizadora audiovisual
41
Karoline Maia, diretora
42
Kelly Adriano de Oliveira, Antropóloga, educadora e gestora cultural
43
Laís Werneck Oliveira, Produtora
44
Léa Maria Melo Chaib, Artista
45
Leonardo Miguel Braga Sampaio, realizadora audiovisual
46
Lorena Montenegro, roteirista e crítica de cinema
47
Luciana Damasceno, atriz e roteirista
48
Luiz Santana, roteirista
49
Luiza Romão , Atriz e slammer
50
Maíra Azevedo, Jornalista, humorista e apresentadora
51
Maíra Oliveira, roteirista e dramaturga
52
Maitê Freitas, jornalista
53
Manuela da Fonseca Miranda, atriz
54
Marcela Lisboa, jornalista e diretora
55
Maria Clara Pessoa, roteirista e publicitária.
56
Maria Clara, roteirista e publicitária.
57
Mariana Costa, pesquisadora
58
Mariana Luiza, roteirista e diretora
59
Mariani Ferreira, roteirista
60
Marília Nogueira, roteirista e diretora
61
Marina Luísa Silva, pesquisadora e roteirista
62
Mario Victor Bergo Crosta, Estudante. Unesp.
63
Maurício Batista Zumerle, Estudante , Academia Internacional do Cinema
64
Monique Rocco, diretora de Produção
65
Myrza Muniz, roteirista
66
Nêga Lucas, atriz, diretora, escritora
67
Pâmela Hauber , roteirista e produtora executiva
68
Paulo Souza, atriz
69
Pedro Borges, Jornalista e co-fundador do Alma Preta
70
Phelipe Caetano, roteirista
71
Rafael Mike, Roteirista, compositor, cantor e diretor musical (Dream Team do Passinho)
72
Rafaela Carmelo, diretora e roteirista
73
Renata Martins, roteirista e diretora
76
Roberta Rangel , atriz e realizadora
75
Rodolfo De Castilhos Franco, diretor e roteirista
76
Rogér Cipó
77
Sabrina Fidalgo, roteirista e diretora
78
Sílvia Godinho, diretora, roteirista e produtora
79
Silvia Nascimento, jornalista Fundadora do Mundo Negro
80
Tabatha Sanches , cantora e Professora
81
Tatiana Nequete Machado, roteirista e diretora
82
Thaise de Oliveira Machado, diretora de arte
83
Thales Ramos, jornalista
84
Thamyra Thamara de Araújo, jornalista e roteirista.