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Agência Iyabá promove curso gratuito de Planejamento Artístico para mulheres negras

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Foto: Sofia Coeli

Após a ação realizada nos dias 19 e 20 de novembro em que projetaram textos de mulheres negras brasileiras no centro de São Paulo, a agência Iyabá promove novo curso gratuito. Ambas as ações fazem parte do Re(Orí)entar – Novas imaginários,  projeto que propõe reposicionar o imaginário da mulher negra, das mulheres não-brancas, e das relações sociais que as perpassam através de um trabalho de repolitização da mulher não-branca através da cultura. Em outubro ocorreu o curso de Gestão e Produção Cultural, e para os dias 25, 26 e 27 ocorrerá o curso de Planejamento Artístico. As inscrições estão abertas e não possuem limite de vagas. 

Créditos: Divulgação

O curso voltado para profissionais não-brancas do setor cultural e da economia criativa, ou quem deseja se profissionalizar, e será transmitido ao vivo pelo Youtube. A proposta é fomentar a reflexão sobre como organizar, estruturar e planejar uma carreira artístico-cultural, além de entender a importância do planejamento estratégico, posicionamento, valores e as possíveis formas de compartilhar subjetividades raciais para o público e clientes. 

“Para reposicionar o imaginário das mulheres negras e das relações sociais que as perpassam, é imprescindível fazer um grande trabalho de repolitização dessas mulheres através da cultura afro-brasileira e do conceito do (Orí). Orí que diz respeito à essência divina de cada ser. Assim, essa mulher desperta a (Orí) potência dela, se torna dona da própria história e a conta. Ela desperta uma (Orí) presença e se posiciona como a Iyabá (Deusa) que ela é”, explica Raiany Fernandes, Diretora de Planejamento da agência Iyabá.

Confira a programação completa do curso de Planejamento Artístico:

Aula 1 – Novos imaginários: Raça, etnia e gênero no empreendedorismo
Profissionais: Marta Carvalho e Raiany Fernandes
Data: 25 de novembro
Horário: 19h às 20h
Carga Horária: 40 minutos

Aula 2 – Novas formas planejamento de carreira para artistas
Profissionais: Michelle Serra e Raiany Fernandes
Data: 26 de novembro
Horário: 19h às 20h
Carga Horária: 40 minutos

Aula 3 – Marketing digital para artistas
Profissionais: Raiany Fernandes
Data: 25 de novembro
Horário: 19h às 20h

SERVIÇO
Re(orí)entar – novos imaginários: Curso de Planejamento de Carreira para Artistas

Origens do pilão: item essencial para a gastronomia africana

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A chefe Aline Chermoula especialista em cozinha afrodiaspórica

Originário da África, o pilão (ou almofariz) é utilizado há centenas de anos para triturar, amassar e moer, ou seja, para pilar alimentos e transformá-los em algo novo. Historicamente, os pilões da África são grandes e podem ser utilizados por várias pessoas ao mesmo tempo, com o intuito de moer grãos.

Em nosso dia a dia, o pilão pode ser um grande aliado para criar preparos muitos saborosos. Na África o costume é que as mulheres pilem ao ritmo de uma música característica, que também marca as batidas no pilão.

Como utilizar o pilão?

O uso do pilão pode mesmo gerar dúvidas, mas basta colocar o que você deseja moer e segurar o pilão com uma mão enquanto a outra amassa os ingredientes. Escolha a mão com maior controle para pilar e segure com a outra o recipiente, procurando tapar a boca do pilão para que os ingredientes não caiam.

Em primeiro lugar, comece moendo os itens mais densos para depois unir à mistura os temperos que se desfazem facilmente. Por último, são colocados os temperos em pó – como o curry, a pimenta e o sal – para se juntarem à pasta formada anteriormente pelos temperos moídos.

Pilão de pedra

O pilão de pedra é um utensílio chave nas cozinhas tradicionais do campo e da cidade, amplamente utilizado no preparo de receitas. Hoje em dia, além de sua função na gastronomia, o pilão de pedra também cumpre função decorativa na cozinha, trazendo um toque rústico e natural.

O pilão de pedra – Foto Arquivo Aline Chermoula

Os modelos mais comuns são feitos de mármore, pedra sabão e granito. O pilão de mármore e o de pedra sabão se destacam pela excelente resistência e durabilidade. Se manuseados com o devido cuidado, podem se transformar em verdadeiras relíquias de família. Já o pilão de granito é uma alternativa de utensílio de cozinha elegante e, acima de tudo, atemporal, ideal para quem deseja trazer um toque de requinte e estilo ao preparo de receitas.

Pilão de pedra na gastronomia

A função do pilão de pedra é, principalmente, a de recipiente para macerar ou socar alimentos. Grãos, ervas, frutas e temperos são alguns dos exemplos de alimentos comumente preparados no pilão. Diferente do pilão de madeira, o pilão de pedra não tende a se impregnar com o aroma e sabor dos alimentos e, por isso, pode ser utilizado no preparo de todos os tipos de receitas, desde que seja lavado imediatamente após o uso. O uso do pilão de pedra é uma alternativa artesanal ao triturador de alimentos. A maceração traz um toque caseiro aos pratos e viabiliza a preparação de temperos, sopas, caldos e sobremesas com o toque inconfundível de comida de interior.

Aline Chermoula: temperos e combinações

  • Alho e sal: fica muito melhor do que aqueles que vêm prontos. Basta moer os dentes de alho e, em seguida, acrescentar o sal.
  • Molho pesto: feito tradicionalmente com manjericão, o molho pesto pode ganhar uma nova roupagem com coentro. Basta misturar uma castanha e um dente de alho às folhas (um maço) e amassar. Quando estiverem bem moídos, misture uma pitada de sal e azeite suficiente para dar consistência.
  • Tempero baiano leva uma colher de sopa de cominho em grão, uma colher de sopa de semente de coentro e uma colher de sopa pimenta do reino em grão. Logo após moer, torre em uma frigideira por 2 minutos antes de usar.

Deu água na boca? Então não perca tempo e adicione à sua cozinha um pilão e novos temperos!

Alberto Pereira Jr. é o mago do conteúdo afrourbano do Trace Trends

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Alberto Pereira Jr. apresentador e roteirista do Trace Trends da Trace Brasil

A Trace Trends completou um ano com uma programação 100% dedicada à cultura negra pela Rede TV. Alberto Pereira Jr. é o nome por trás do conteúdo do programa e traz a experiência de quem trabalhou em empresas de mídia importantes como a Folha de S. Paulo academia de Filmes, Conspiração Filmes e FremantleMedia Brasil, só para citar alguns. Ele é artista social, ator e atua há seis anos no mercado audiovisual como diretor, roteirista e gerente criativo e também é apresentador do jovem canal.

Nós conversamos com ele para entender mais de onde vem a inspiração para criar conteúdo para um projeto tão especial e de brinde ele nos contou quais são seus 5 momentos preferidos na programação da Trace Trends desde seu lançamento em 20 de novembro de 2019.

Mundo Negro ( Silvia Nascimento) – O que você consome para se sentir criativo e conseguir ter referências para fazer seu trabalho na Trace?

Eu sou um apaixonado por cultura, política e novidades artísticas. Para pensar a curadoria de conteúdos da Trace, eu estou sempre ligado aos lançamentos musicais de todos os gêneros afrourbanos. Navego muito pela internet e redes sociais (Twitter, Instagram, Facebook, Tik Tok, YouTube). Leio sites, revistas e jornais nacionais e internacionais. Também troco figurinha com produtores, curadores, profissionais da comunicação, da tecnologia e do esporte. Uso minha experiência jornalística para identificar tendências e para abordar assuntos já conhecidos sob uma nova ótica. 

Por que demoramos tanto para ter um canal como esse no Brasil? Mesmo tendo existido o TV da Gente do Netinho de Paula, essa é a primeira vez que existe um programação 100% black com qualidade técnica de transmissão. 

Infelizmente, o racismo estrutural é a única explicação para que em 70 anos de TV no Brasil só agora tenhamos um canal 100% dedicado a conteúdos e pessoas negras. Somos um país com mais de 55% de negros, mas sempre fomos subrepresentados em todas as mídias, os poucos exemplos que existiram, como a TV da Gente, programas como “Manos e Minas” (TV Cultura), Yo! (MTV), “Mister Braun” (TV Globo), são exceções que confirmam a regra. O mercado publicitário e os executivos de TV sempre foram reticentes em mostrar o Brasil real na tela. Mas graças às pressões dos movimentos negros, estamos quebrando essa bolha e mostrando que somos diversos, que queremos nos ver na frente e atrás das câmeras, temos boas histórias para contar, não apenas casos de racismo.

Como está sendo a parceria com a TV Bahia e de que forma essa união pode ser vista na grade da programação da Trace?

A parceria com a TVE Bahia veio coroar esse primeiro ano da Trace no Brasil, depois do Trace Trends, na RedeTV! e da chegada do nosso canal Trace Brazuca, na TV por assinatura. A Bahia é o estado mais negro do Brasil, uma potência cultural. Poder trocar conteúdos tão relevantes com a TVE Bahia é algo incrível. De nossa parte, levamos um pouco da cultura afrourbana internacional, com destaque para: “Djouba”, uma lista com as músicas africanas contemporâneas o que estão bombando; o nosso Trace Trends, uma revista eletrônica de empoderamento social; “Mwana Afrika”, que mostra curiosidades do continente que é o berço da civilização; além de um giro pelas novidades musicais de artistas brasileiros que estão se consolidando no cenário, em “Focus”. Da TVE Bahia, exibiremos para o Brasil e para o mundo filmes e documentários especiais, shows e o programa “Soterópolis”, além de especiais sobre o maior carnaval do mundo, que é o baiano!

Os 5 momentos preferidos do Alberto no Trace Trends

20/11/2019

A estreia da primeira temporada do Trace Trends ocorreu especialmente numa quarta-feira, no Dia da Consciência Negra, apresentado por Magá Moura. Para marcar a nossa chegada no Brasil, falamos da Batekoo (festa e coletivo preto LGBTQIA+ e periférico); do estilista baiano Isaac Silva, que estava estreando na SPFW; mostramos o som e uma entrevista com Djonga, rapper mineiro que ganhou o país com suas rimas fortes e muito suíngue, e uma entrevista com Eliane Dias, no nosso quadro Poderosa, que fala sempre de uma mulher negra que é destaque em sua área de atuação.

19/5/2020

Estreia da segunda temporada. Já realizada inteiramente na quarentena e no distanciamento social. Estreia do Ad ao meu lado na apresentação, cada um da sua casa. Entrevista com Marcelo D2 e o quadro poderosa com Triscila Oliveira, escritora.

AD Junior e Alberto Pereira Jr. – Foto: Reprodução Instagram

23/06/2020

Foi um lindo programa, começando com uma entrevista inédita de Djavan no Brasil, realizada pela equipe da Trace em Paris. Também mostramos a potência dos turbantes, com a especialista Thaís Muniz.

03/11/2020

Ainda em meio a pandemia, resolvemos ir pra rua e gravar, depois de alguns meses, uma externa. O primeiro especial musical, em comemoração ao nosso aniversário de 1 ano. O convidado foi o rapper Projota. 

17/11/2020

Especial musical com Paula Lima.

Alberto e Paula Lima- Foto: Reprodução Instagram

Receber Paula Lima no programa para um bate-papo e um musical foi muito especial. A cantora possui uma das mais belas vozes da música nacional e também é bastante contundente e consciente da necessidade de agirmos enquanto seres políticos, em busca de um mundo melhor.

Produtora criada por Michelle e Barack Obama fará série de comédia política para a Netflix

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De acordo com a revista Variety, a série irá misturar elementos de documentário com esquetes de comédia. A intenção será retratar os bastidores da política norte-americana de uma maneira mais leve e irreverente. A produtora criada por Michelle e Barack Obama, Higher Ground Productions, se unirá ao comediante Adam Conover para produzir a série que se chamará “The G Word with Adam Conover”. A produção, para Netflix, ainda não tem data de estreia.

Conover irá apresentar os funcionários que fazem o complexo mecanismo político dos EUA funcionar e fará uma abordagem satírica das falhas e deficiências desse sistema. Ainda segundo a revista, o programa será vagamente inspirado no livro best-seller do jornalista Michael Lewis, “The Fifth Risk”.

Os Obama fundaram a Higher Ground e assinaram um contrato de produção com a Netflix em 2018. Até o momento, eles produziram “American Factory”, que ganhou o Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem este ano, e “Crip Camp: Revolução pela Inclusão”, que chegou no catálogo do streaming no mês de março.

Diaspora.Black e Devassa apresentam roteiros culturais beneficentes em Salvador

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Foto: Divulgação

Passeio com dicas de Larissa Luz e Lazzo Matumbi é opção criativa para desvendar a ancestralidade cultural da cidade e estará disponível a partir deste domingo (22)

A plataforma Diaspora.Black, uma rede global de pessoas que amam a cultura negra e buscam viver experiências autênticas e inesquecíveis, se uniu à Devassa, marca que está ativamente enaltecendo a criatividade tropical brasileira para disponibilizar a partir deste domingo (22) um roteiro especial, que além de criativo, terá lucro revertido para instituições soteropolitanas Backstage Invisível e Invisível Essencial, que apoiam profissionais do backstage da música que estão sem renda durante e pandemia.

O passeio promete celebrar a ancestralidade cultural de Salvador, cidade que será palco para o segundo Encontros Tropicais, espetáculo ao vivo comandado pela cantora Iza, com participação do maestro Letieres Leite e sua Orkestra Rumpilezz, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Larissa Luz, BNegão, Mateus Aleluia, ChicoCorrea, João Milet Meirelles e Lazzo Matumbi em um encontro inédito, que será transmitido no canal do YouTube de Devassa e no Multishow neste sábado (21), a partir das 20h.

Pinçados desse line-up incrível, Larissa Luz e Lazzo Matumbi assinam esse novo roteiro cultural especialmente para Diaspora.BLack, com suas dicas mais preciosas para um passeio inesquecível por Salvador, lugar muito importante para as raízes da música brasileira, além de ser a cidade natal desses dois artistas que vão revelar lugares inspiradores.

“Estamos muito felizes em participar desse projeto que fortalece a ideia do turismo com propósito para conhecer Salvador a partir de aspectos culturais e da memória da cidade que nem sempre são lembrados. Esse roteiro é uma opção para que as pessoas conheçam mais da memória da comunidade, do território e da cultura negra local e, dessa forma, aprender um pouco mais sobre os valores afro brasileiros que estão tão presentes tanto na nossa música como no dia a dia”, diz Antonio Pita, co-fundador da Diaspora.Black.

Devassa investe desde 2019 em ações sob seu posicionamento Tropical Transforma, que tem como objetivo glorificar a criatividade transformadora do brasileiro. Com apoio à festivais de música por todo o país e fomento à cultura, a marca criou o projeto #UnidosPelaMúsicaBrasileira durante a pandemia, visando arrecadar fundos para profissionais do backstage da produção de eventos musicais.

SERVIÇO

#UnidosPelaMusicaBrasileira: https://www.sympla.com.br/devassa-encontros-tropicais__1053086
Link para compra do roteiro: disponível a partir de 22/11/20 no site http://www.diaspora.black/

Encontros Tropicais: Iza e Orkestra Rumpillez convidam Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Larissa Luz, BNegão, Mateus Aleluia, Lazzo Matumbi, Chico Correa e João Milet Meirelles

Local: Museu du Ritmo – Salvador
Data: 21/11/2020
Horário: 20h
Transmissão: Youtube.com/Devassa e canal Multishow

Sobre o Grupo HEINEKEN no Brasil

O Grupo HEINEKEN chegou ao Brasil em maio de 2010, após a aquisição da divisão de cerveja do Grupo FEMSA e, em 2017, adquiriu a Brasil Kirin Holding S.A (“Brasil Kirin”), tornando-se o segundo player no mercado brasileiro de cervejas. O Grupo gera mais de 13 mil empregos e tem 15 unidades produtivas no país, sendo 12 cervejarias, localizadas em Alagoinhas (BA), Alexânia (GO), Araraquara (SP), Benevides (PA), Caxias (MA), Igarassu (PE), Igrejinha (RS), Itu (SP), Jacareí (SP), Pacatuba (CE), Ponta Grossa (PR) e Recife (PE), duas micro cervejarias em Campos do Jordão (SP) e Blumenau (SC) e uma unidade de concentrados para refrigerantes em Manaus (AM). No Brasil, o portfólio de cervejas do Grupo HEINEKEN é composto por Heineken, Sol, Amstel, Kaiser, Bavaria, Eisenbahn, Baden Baden, Devassa, Schin, Glacial, No Grau e Kirin Ichiban. O portfólio de não alcoólicos inclui Água Schin, Schin Tônica, Skinka e os refrigerantes Itubaína, Viva Schin e FYs. Com sede em São Paulo, a companhia é uma subsidiária da HEINEKEN NV, a maior cervejaria da Europa.

Sobre a Diaspora.Black

Diaspora.Black une o turismo à valorização da cultura negra em uma única plataforma serviços. Cerca de 5 mil integrantes de 15 países estão conectados na rede, que é aberta a todas as pessoas interessadas em conhecer a riqueza da cultura negra. “Mais do que consumo de viagens, trabalhamos com o turismo de impacto, que fomenta a geração de renda, valoriza o saber da comunidade, e aproxima, constrói pontes entre a nossa tradição cultural às pessoas que buscam experiências transformadoras”, afirma o CEO da empresa, Carlos Humberto Silva. A startup está presente em 150 cidades e 15 países, como Uruguai, México, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Itália, França, Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique e Angola. Nessas locais, a rede promove a oferta de acomodações compartilhadas e experiências turísticas imersivas, como roteiros e vivências guiados em quilombos e diversos locais de memória e cultura negra.

Mulheres negras e afetividade: temos o direito de ser amadas

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Foto: Carolina Marinati

Por Haillany Souza 

Não, você não está lendo errado. O título desse texto não é uma pergunta, é uma afirmação. Nós, mulheres pretas, temos o direito de ser amadas sim. E já adianto que esse amor vai muito além do romântico. Afeto não é algo que pessoas pretas estão acostumadas a receber, e nem a demonstrar. Não demonstramos aquilo que não recebemos. É indiscutível o fato de que muitas de nós vivenciamos o amor tardiamente. E isso já começa quando não nos reconhecemos, quando ainda não nos admiramos. O processo de construção da autoestima da mulher preta é por vezes doloroso, mas libertador. Olhar para si, e enxergar beleza no que se vê, é um caminho sem volta e é por aqui que devemos iniciar.

Autocuidado não é só skincare. Num mundo onde a beleza padrão ainda é eurocêntrica, a mulher negra precisa exercitar diariamente a compaixão por ela mesma. Explorar o nosso eu interior, entender quais são as nossas necessidades, os nossos sentimentos, e fazer tudo isso sem culpa e sem censura é um autocuidado e uma forma de se (re)conhecer. Quando a mulher preta se enxerga dessa maneira, se amar e ser amada torna-se um processo mais leve, pois é vivenciando esse amor por si que finalmente percebe que sim, merecemos dar e receber amor.

Mas, é preciso trabalhar com os fatos: esse processo não é fácil e nem é rápido. No decorrer de toda essa descolonização a qual estamos lidando, tendemos à internalizar somente as dores. O que mais se ouve falar é sobre a solidão da mulher negra, do quanto não vivenciamos o amor, do quanto o afeto não é para nós. Quando se trata de afetividade e mulheres negras, a primeira coisa que é pautada é a nossa autodestruição. Sempre focam no quanto somos marcadas pela infelicidade de não sermos escolhidas e nem amadas. Mas isso tem que acabar, e já!

Mulheres negras merecem ser amadas. Mulheres negras podem escolher. Isso pode soar como mantra. Aliás, acho que pode até ser. Precisamos entender que “O amor cura” não é apenas uma frase clichê, pois aprender a amar é uma forma de achar a cura que precisamos. Reconhecer as nossas dores e encontrar no amor por si e por outrem, outras formas de curá-las. Em ‘Vivendo o Amor’, Bell Hooks contextualiza isso perfeitamente: “Quando nós, mulheres negras, experimentamos a força transformadora do amor em nossas vidas, assumimos atitudes capazes de alterar completamente as estruturas sociais existentes. Assim, poderemos acumular forças para enfrentar o genocídio que mata diariamente tantos homens, mulheres e crianças negras.  Quando conhecemos o amor, quando amamos, é possível enxergar o passado com outros olhos; é possível transformar o presente e sonhar o futuro. Esse é o poder do amor. O amor cura”.

Circule esse amor. Ter uma rede de apoio preta onde possa exercitar o afeto, demonstrar sem amarras tudo o que sente, é uma ótima forma de viver essa cura que só o amor nos proporciona. Precisamos aprender não só a nos amar, mas também a amar outras mulheres pretas. Nós somos únicas e plurais. Somos atravessadas por nossas vivências. Nos reconhecemos umas nas outras. E aprendendo a amar a si mesma, e as outras mulheres pretas, você está mostrando ao mundo que sim, mulheres negras têm o direito de ser amadas.

Hailanny Souza é CMO da Agência e Produtora Freakout, Head de Conteúdo do Influência Negra, fotógrafa, escritora e criadora de conteúdo digital.

“Não existe racismo no Brasil” vice-presidente Mourão fala sobre episódio no Carrefour

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O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta sexta-feira (20) que não existia racismo no Brasil, mas classificou o assassinato de João Alberto como lamentável.

Mourão deu a declaração ao comentar o caso de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos – homem negro espancado e morto por dois seguranças de uma loja do supermercado Carrefour na noite desta quinta (19) em Porto Alegre, um dia antes da celebração do dia da consciência negra no país

Mourão classificou a morte como “lamentável” e disse que o caso é de uma “segurança totalmente despreparada”.

Questionado repetidas vezes pelos jornalistas, o vice-presidente negou que o crime possa ter sido motivado por questões raciais, pois não “no Brasil, não existe racismo”, repetiu ele.

O vice-presidente ainda alegou que racismo existe nos EUA, “lá sim. O pessoal de cor anda separado. Nunca vi disso aqui, posso afirmar. No Brasil, não tem racismo”.

Um dos agressores na morte de João Alberto era segurança do local e o outro, um policial militar temporário. Ambos brancos.

A importância da tradição oral africana para a manutenção da história

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Abdias Nascimento / Foto: Ascom Parlamentar

Por Opai Big Big e Izy Mistura

Durante séculos, a opinião mundial se alimentou de pensamentos distorcidos sobre a história da África, inspirados por pensadores europeus como Friedrich Hegel, autor da frase “A África não possui consciência exterior que possa resultar em universalidade”. A África foi rotulada pelos europeus como uma terra sem história, por falta de registros escritos, apesar da escrita ter nascido no continente. Neste artigo pretendemos explicar a força da literatura oral na África, suas manifestações e importância para a manutenção de todo um legado histórico. 

A tradição oral sempre teve um importante papel na cultura africana. A maioria das informações culturais, sociais e ancestrais eram transmitidas oralmente, de uma geração em geração. Os griôs e os mais velhos eram, e em alguns lugares continuam,  sendo os responsáveis por essas transmissões. Como dizia o escritor Amadou Hampaté Bâ, natural de Mali “Na África, quando morre um velho, é toda uma biblioteca que queima”.

A tradição oral na África conta com quatro principais canais de veiculação e perpetuação das informações, que são a música, a história, os contos e os provérbios. 

1. A música

Desde a antiguidade, grandes fatos históricos e grandes nomes de heróis eram imortalizados pela música. Todo povo tinha seus griôs que conheciam sua história de cor e a passavam para seus filhos, visto que em geral, ser griô era uma função hereditária. Até hoje, nos países do Sul do Saara, é comum encontrar um jovem griô de vinte anos que consiga contar a história de uma família por sete gerações através de uma canção enquanto dedilha sua Kora. Além de ser o jornal da comunidade, a música na África também sempre carregou lições de moral, já que ela é destinada a todos. Por isso que muitas músicas tradicionais eram até histórias do dia a dia (storytelling) que findavam com um ensinamento. 

2. A história

Outro veículo da tradição oral africana era histórias de fatos contada oralmente. Na sociedade africana, sempre se falou da importância de uma pessoa saber quem ela é.  Não há como saber de sua identidade sem conhecer sua história. Por isso, os jovens africanos eram instruídos desde cedo sobre a história de sua tribo, de seu povo, sobre a sociedade, seus fundamentos, e os nomes importantes do povo. Aqui o termo ‘história’, não se refere a algo fictício. Mas dos fatos reais. O lado fictício era desenvolvido nos contos.

 3.  Os contos

Antes de La Fontaine escrever seu livro, as mães e os velhos africanos já contavam fábulas para seus filhos. E até hoje os contos continuam sendo importantes veículos de sabedoria. As fábulas eram mais curtas e os contos mais compridos. Os dois gêneros tinham em comum a personificação dos animais e sua interação com os humanos. Às vezes, eram usados para explicar de forma lúdica alguns fatos naturais, como por exemplo o porquê do tigre ter listras na pele, ou porque o sol todo dia se põe no oeste, claro explicações bem criativas não muito próximas de tudo que hoje se sabe graças aos telescópios. 

4. Os provérbios

Os provérbios são frases curtas que possuem uma lição de moral. A maturidade do homem na África era perceptível pelo uso frequente que ele fazia dos provérbios. Quando uma pessoa diz por exemplo: “A mão que comeu a carne é a mesma que come ovo”,  ela quer dizer que a vida tem momentos diversos, altos e baixos. Isso denota o entendimento dele da vida e suas estações. Quanto mais velha a pessoa na África, mais provérbios ela fala. Por isso as vezes para um jovem, é algo complexo conversar com um mais velho porque a cada cinco frases, três são um provérbio e para quem não foi treinado a entender as coisas tão metaforicamente, ou pensar um pouco mais profundamente, leva tempo para entender. 

O primeiro meio natural do ser humano se expressar é a palavra, o verbo. Por isso, além de ser um veículo propício à emoção, a palavra do homem na cultura africana  tem o maior peso. Ao oposto da cultura européia em que um contrato escrito vale mais que um acordo verbal. Escutar uma história da boca de um mais velho sempre terá mais aceitação na África do que lê-lá de um livro. Sobretudo em determinados assuntos como história, tradições, costumes ou religiões. E pelo lado místico e sagrado das coisas na África, os anciões preferiam transmitir algumas informações apenas a alguns iniciados, que como mensageiros reais, protegiam essas informações com a própria vida. Também precisamos notar que apesar da escrita ser mais precisa na transmissão da informação, ela não garante automaticamente a sua veracidade. Muita informação sobre a África foi escrita pelos europeus, com vários registros incorretos, marcados pela apropriação cultural, ou mesmo adulterados. Como diz o ditado popular: ‘’Os caçadores contaram sua versão da história’’. E não é porque sua versão foi escrita, que é automaticamente verdadeira. Se o parâmetro de credibilidade for baseado nos medidores europeus, a África sempre sairá como inferior.

Contudo, de um tempo para cá, se tem feito um grande esforço para documentar a parte que faltava da história da África. O desafio permanece para a nova geração africana: continuar a obra iniciada pelos mais velhos com o objetivo de corresponder a essa necessidade.

Opai Big Big e Izy Mistura são cantores, compositores e produtores musicais, que formam a dupla Dois Africanos, e vem do Benin e do Togo, respectivamente.

HBO Max lançará série documental sobre Nicki Minaj

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Nicki Minaj, que virou mãe neste ano, fechou contrato com a HBO Max para contar sua história em um projeto inédito. A novidade foi anunciada pela própria rapper, nesta sexta-feira (20), em seu Instagram. De acordo com Minaj, a série irá mostrar uma versão “sem filtro da minha vida pessoal e da minha jornada profissional”. Na legenda, ela afirmou: “Estou mais que grata e animada em compartilhar esta notícia com vocês. Eu não poderia estar mais entusiasmada para ter o HBO Max a bordo para ajudar a contar a minha história desta forma delicada e memorável. Uma forma que os meus fãs vão amar para sempre. Este documentário é outro nível. Posso prometer isso para vocês.

A produção do documentário é da BRON Studios, com direção de Michael John Warren. É o mesmo diretor dos documentários “Fade to Black” (2004), sobre Jay Z, e “Drake: Better Than Good Enough” (2010), desenvolvido para a MTV.

10 Anos de “Pink Friday”

Nicki Minaj está completando neste fim de semana, dez anos do lançamento de seu primeiro álbum, “Pink Friday” (2010). É o disco que trouxe o hit “Super Bass”, certificado como oito vezes platina nos Estados Unidos. Foi seu primeiro sucesso no Top 3 da Billboard Hot 100.

Para comemorar a data, a rapper liberou nas plataformas digitais uma nova edição do disco – agora chamado “Pink Friday (Complete Edition)”. De novidade, há oito faixas bônus, incluindo participações de Eminem e Lil Wayne em uma outra versão de “Roman’s Revenge”.

Cine África trará programações até dezembro

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Vaya, de Akin Omotoso (2016)

O cine África, que estava programado para terminar em novembro, trará novas programações para o mês de dezembro. A nova leva inclui produções da África do Sul, Gabão, Nigéria e Tunísia, com todos legendados e começando a ficar disponíveis à partir do dia 3 de dezembro.

Os títulos dos quatro filmes escolhidos serão “O Africano que Queria Voar” (2016), de Samantha Biffot, “Kasala!” (2018), de Ema Edosio, “Olhe Para Mim” (2018), de Néjib Belkadhi e “Vaya” (2016), de Akin Omotoso. 

As exibições serão gratuitas e vão ocorrer no site da plataforma Sesc Digital, cada filme poderá ser assistido por apenas uma semana e estará disponível apenas para o Brasil.

Confira os filmes e semanas dos lançamentos:  

03/12 (qui) – “Vaya”, de Akin Omotoso (África do Sul, 2016) – 115 min – Drama – 14 anos;

10/12 (qui) – “Olhe Para Mim” (“Regarde-moi”), de Néjib Belkadhi (Tunísia/França/Catar,

2018) – Drama – 98 min – Livre;

17/12 (qui) – “O Africano que Queria Voar” (“The African Who Wanted to Fly”), de Samantha Biffot (Gabão/França/Bélgica/China, 2016) – Documentário – 70min – Livre;

24/12 (qui) – “Kasala!”, de Ema Edosio (Nigéria, 2018) – Comédia  – 90 min – 14 anos.

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