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Conversamos com Criolo sobre esperança, música, saúde mental na quarentena e saudade dos palcos

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Foto: Divulgação

Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo, vive seu maior tempo distante dos palcos desde os 13 anos de idade. A pandemia afastou o rapper do público, ao menos presencialmente. 

Com lançamentos de singles como “Sistema Obtuso” e “Fellini”, Criolo continua se mantendo entre os artistas mais relevantes da nossa MPB. Desde o álbum ‘Nó Na Orelha’, de 2011, o filho do Grajaú foi alçado a um dos nomes mais requisitados para parcerias, seja na cena do rap nacional ou da MPB, dividindo estúdio e palco com nomes como Ivete Sangalo, Milton Nascimento, Emicida e Rashid

Nina Simone disse uma vez que o artista deveria refletir seu tempo e no Brasil, Criolo pode ser encaixado sem reservas entre os músicos que não tem receio de serem um reflexo de momentos conturbados em que o páis foi jogado. Em 2018, o clipe cinematográfico de “Boca de Lobo” evocava mais referências do que os dedos da mão podem contar, desde o governo Temer, os casos crescentes de dengue e chikungunya, passando pelo assassinato de crianças por policiais militares no Rio, enquanto a letra faz referência a Pablo Escobar, Pablo Neruda. 

Imagem: Acervo do artista

Após ‘Boca de Lobo’ vieram canções emblemáticas como o manifesto ‘Etérea’, sobre o respeito a diversidade no amor (Uma bala/ Quase hétero/ Etérea, massa, complexo/ De não se entender/ Um canalha/ Quase hétero/ Ignorar amor por complexo/ Medo de nele se ver), ‘Sistema Obtuso’, trazendo mais um clipe denúncia sobre a destruição da Amazonia, estrelado pelo ator Júlio Andrade, fazendo papel de grileiro e a mais recente ‘Fellini’, com sua letra imagética: “Parafal e granada/ favela em desgraça/ Só agrada o dono do poder/  2020 afogando os Nazi/ Eu nem sou violento, nem quero ser/ Entrada de ano trocando no asfalto/ se tiver de palio vai morrer”. 

Criolo falou brevemente ao Site Mundo Negro sobre esses lançamentos, a tristeza de estar longe dos palcos e esperança num país melhor. 

Confira a entrevista completa abaixo: 

Mundo Negro: A pandemia afastou artistas do público. Para você como foi lidar com esse distanciamento dos palcos? 
Criolo: Desde os meus 13 anos de idade nunca fiquei tanto tempo sem cantar, dá um tristeza danada na gente . 

Mundo Negro: Os fãs foram presenteados nos últimos anos com singles como “Sistema Obtuso” e mais recentemente “Fellini”, no entanto seu último disco de inéditas foi “Espiral de Ilusao”, de 2017. Há previsão para um próximo álbum? 
Criolo: Tenho algumas canções e espero poder dividir logo com todo mundo, só não sei o formato. Se for um álbum vai ser tão bom! 
 
Mundo Negro: Desde que “Nó da Orelha” foi lançado, você passou a transitar em parcerias com artistas do mainstream como Ivete Sangalo, do Underground como Rashid e com mestreas da MPB como Milton Nascimento. Diante de todas essas experiências como acha que o Criolo pré “Nó na Orelha” se enxergaria hoje? 
Criolo: Como alicerce pra essas andanças na música. O rap e sua força me conduziram a caminhos lindos e a gratidão é eterna. 
 
Mundo Negro: Há uma qualidade vocal para o canto na sua voz que nem sempre é presente nos rappers brasileiros. Quando você percebeu que tinha qualidade 
vocal para o canto?  
Criolo: Na verdade, eu acredito que esse vocal está sim com os Mcs. Seja no rap, no funk ou no trap, antigamente não tínhamos o espaço e eram poucas também as referências. Hoje vejo jovens no rap, no funk e no trap construindo suas melodias, explorando suas extensões vocais, isso é mesmo algo que me alegra. Só um pouquinho de calma, paciência e um tempinho de pesquisa vocês vão encontrar lindas vozes. 

Imagem que representa bem a inquietude de Criolo

 
 
Mundo Negro: Você já mudou algumas passagens de suas músicas porque entendeu que determinado trecho era ofensivo a um grupo social.  Acha que a mudança é um apagamento da obra que reflete um certo período da história do artista ou crê que essas revisões devam ser mais frequentes? 
Criolo:
Não entendo que seja apagamento, nesses casos são correções onde o antes e o depois servem para se compreender o caminho do aprendizado. E a frequência disso é o coração que diz aquilo que você encontra em você e no outro. 

  
Mundo Negro: O que você anda ouvindo de música nesse ano pandemico que tem te inspirado como artista? 
Criolo: Muito rap, muito, muito Milton Nascimento e de tudo um pouco. 
 
Mundo Negro: No clipe de “Sistema Obtuso” há uma mensagem forte sobre as queimadas acontecidas na Amazonia. Enxerga uma melhora no aspecto da preservação ambiental num futuro próximo? 
Criolo: Não se continuar assim. Vai ser como um trecho final de uma música dos Racionais: “minha verdade foi outra, não dá mais tempo pra nada…” 
 
Mundo Negro: “As pessoas não são más. Elas só estão perdidas”. Você chegou a duvidar dessa frase diante do cenário político e social pelo qual estamos passando? 
Criolo: Me apego nessa juventude, que nos momentos de crise do país têm apresentado caminhos para transformação. Inspirando pessoas de todas as idades e classes a se movimentar de modo positivo. 
 
Mundo Negro: O rap é caracterizado por abordar temas sociais e dar voz e visibilidade as agruras das quebradas. Nos últimos anos tivemos a ascensão de artistas que, assim como o funk ostentação, gosta de rimar sobre riquezas, conquistas, e focam menos 
nas denúncias de violência policial, abusos de poder politico. Por que acha que houve a mudança de discurso?
da cena do rap. 
Criolo: Não houve mudança é que algumas músicas giram mais que outras. As vezes, quando um jovem fala que quer ter uma mansão é pelo motivo simples e cruel da sociedade lhe apresentar o seguinte quadro: tem dinheiro? Ok !!! Não tem? você é tratado como lixo. Simples, cruel e real retrato de um efeito eficaz. Nossos jovens cansaram de ser vistos como lixo. Entenderam o jogo e foram jogar, no meio disso tudo muito se ganha e muito se perde, mas isso é fruto de algo que não foram eles que construíram, os jovens tentam de alguma forma sobreviver a tudo isso. Cada um responde do- seu jeito as pancadas que a vida dá. 
  
Mundo Negro: “Povo Guerreiro”, “Etérea”, “Boca de Lobo”, são canções de samba, eletrõnica e boombap com pitadas de trap. Quando poderemos te ouvir cantando 
um rock ? 
Criolo: Tenho ainda muito a aprender e viver para um dia escrever e cantar rock. 
 
Mundo Negro: Saúde mental, ausência de afetos, exercício da sexualidade com o próximo, tem sido assuntos muito discutidos pelas pessoas que cumprem o isolamento enquanto a pandemia não arrefece. Como tem lidado com os fatores citados? 
Criolo: O momento é fúnebre, manter-se vivo é a lei. De onde eu vim essa lei existe há 500 anos, antes da pandemia, e agora segue com mais dificuldades e desafios. O Brasil disse que pobre não tem direito a viver. Aqui nessa terra a gente sobrevive, e a arte é um dos caminhos pra se preparar uma mudança, tendo a educação com nossos professores/as como alicerce fundamental para esse passo. 
 
 
Mundo Negro: O Site Mundo Negro é um portal que tem como público alvo e majoritário pessoas negras e você é uma referência para muitos de nossos leitores. 
Uma mensagem sua para tempos difíceis em um país que massacra negros, gays e mulheres? 
Criolo:A gente segue e a gente não desiste! A gente luta, grita, sorri, chora, mas a gente é a gente em alma, carne e sonhos! Nós somos lindos e é Pokas Idea, ok !?

“I May Destroy You” conquista 8 das 16 indicações ao BAFTA 2021 DA HBO

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Foto: Reprodução/ I May Destroy You

No último sábado (24) foram anunciados os indicados aos prêmios BAFTA® durante uma cerimônia virtual. Ao todo, a HBO conquistou 16 indicações. Entre os destaques, a minissérie original dirigida pela atriz, roteirista e diretora Michaela Coel ‘I MAY DESTROY YOU‘ recebeu oito indicações, incluindo as três das principais categorias do evento: Melhor Minissérie, Melhor Atriz, pela performance de Michaela Coel, e Melhor Ator, pela performance de Paapa Essiedu.

Baseada nas experiências pessoais de sua protagonista, criadora e codiretora Michaela Coel, a I MAY DESTROY YOU explora a questão do consentimento sexual na vida contemporânea e como, no atual cenário de encontros e relacionamentos, é feita a distinção entre liberdade e exploração. Franca e provocadora, a minissérie, que também foi indicada ao Screen Actors Guild deste ano pela performance de Coel como Arabella, conquistou indicações nas categorias Melhor Minissérie, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Direção de Ficção, Melhor Edição de Ficção, Melhor Cabelo, Maquiagem e Melhor Roteirista de Drama.

Além da série de produção de uma mulher preta ‘I MAY DESTROY YOU’, a HBO foi reconhecida pela série dramática LOVECRAFT COUNTRY, de produção de Jordan Peele.

A 15ª edição do British Academy Television Awards será realizada em 6 de junho e todas as produções estão disponíveis na HBO GO .

Rincon Sapiência narra as vivências da quebrada em “Cotidiano”

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Foto: Reprodução

A brasilidade do violão aliada à batida de funk dão o tom da música. “Nós segue a meta porque a meta é recuar jamais. Não sai da área de conforto quem tá rodeano. E nunca ache que o seu sonho é querer demais, lembra do corre que é feito no cotidiano”, dizem os primeiros versos despejados na voz e no flow inconfundíveis de Rincon Sapiência. Assim começa “Cotidiano”, novo single que o cantor e compositor, da Zona Leste de São Paulo lança através da Altafonte.

A faixa traz células do funk rasteiro e conta o dia-a-dia da periferia, que apesar das dificuldades, se mantém confiante. A letra soa como incentivo para se seguir em frente. A faixa é produzida por Oldilla Beats, jovem produtor também da Zona Leste de São Paulo. “A ideia é trazer um texto para a periferia se identificar. É importante ter orgulho do nosso lugar de origem, sem abrir mão do desejo de ver as coisas mudarem pra melhor. O momento social do mundo pede muito isso”, acredita Rincon.

Ele explica que no contexto histórico do Brasil, o cotidiano do homem preto e da mulher preta sempre foi sobreviver, mas viver também é importante. “Aproveitar o momento, as formas que a periferia criou de sociedade. Muitas vezes é esgoto a céu aberto, mas também tem árvores, áreas verdes, praças. É falar sobre progresso, saúde, não necessariamente sobre estar numa mansão, morar no bairro X, ou ter um carro Y. É mostrar as outras formas de viver bem”, desenvolve o rapper, que mesmo citando referências automotivas, grifes, costura um texto que frisa também a importância das coisas simples: “…cheio de marca nessas roupas isso custa caro, se não tem grana pra comprar pode ficar tranquilo. Quem nasce no berço de ouro o dinheiro compra, mas veja bem é maloquêro é quem tem estilo”.

A principal referência desta música é o funk consciente, vertente do ritmo que tem se destacado em São Paulo e vem narrando a convivência nas comunidades, mostrando as vielas das quebradas nos clipes, assim como fazia o rap nos anos 90. “Tem um bonde fazendo músicas incríveis como MC Lipe, Paulinho da Capital, Kayblack, Hariel e Menor da VG. Tenho curtido bastante, porque vejo como as pessoas recebem essas mensagens e cantam emocionadas. Por isso me senti à vontade de trazer essa energia pra minha música também”, justifica.

Confira o clipe de “Cotidiano”:

É preciso se unir para evitar o colapso da educação no país

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Foto: Divulgação

Por Kelly Baptista, especialista em gestão de políticas públicas e coordenadora geral da Fundação 1Bi, apoiada pelo Grupo Movile

Passado mais de um ano de pandemia, a Educação continua em estado grave no Brasil. Para quem acompanha o setor, esse cenário não é novo – apesar de espantoso. Embora haja investimentos, os recursos não chegam a todos. A Educação formal, até então centrada na relação entre aluno e professor na sala de aula, precisou se adaptar e crianças e adolescentes de todas as regiões do país tiveram de seguir com os estudos de forma remota. Para muitos, a falta ou escassez de acesso à internet e de aparelhos, como smartphones e computadores, trouxe um desafio extra àqueles que já sofriam com um ensino precário.

Ainda assim, mesmo com dificuldades, foi registrado um crescimento na quantidade de domicílios com acesso à internet no país, principalmente na região Nordeste, de acordo com a PNAD Contínua TIC 2019, divulgada pelo IBGE, que estudou o acesso à Tecnologia da Informação e Comunicação.

Os dados da PNAD evidenciam que a desigualdade no acesso ao recurso afeta, de forma mais severa, as escolas públicas. De todos os estudantes sem internet no país, 95,9% estavam em escolas públicas em 2019, número que correspondia a cerca de 4,1 milhões de alunos. Com a pandemia e o aumento da pobreza, esperamos impactos ainda maiores nesse acesso, visto que muitas famílias sequer conseguem garantir a subsistência. Assim, as desigualdades se sobrepõem, aumentando o abismo entre crianças e jovens brasileiros na área da Educação.

Outro dado alarmante vem do relatório do Banco Mundial sobre a Educação. O documento aponta estimativas espantosas em relação ao impacto do fechamento das escolas na região da América Latina e do Caribe. Em média, estima-se que quase dois terços dos estudantes do Ensino Fundamental podem não ter a capacidade de ler ou compreender um texto para a sua idade. No caso do fechamento das escolas por 10 meses, a estimativa é da perda de 1,3 ano de escolaridade ajustada pela aprendizagem, segundo o mesmo relatório. Esse período terá grande impacto no futuro dos jovens, porque não será recuperado. E sem políticas públicas para todo o Brasil, a desigualdade aumentará.

Enquanto os estudantes que têm recursos financeiros e acesso à internet avançam nos estudos e conseguem manter uma rotina de aulas consistente, grande parte dos estudantes de escolas públicas sofre sem acesso à tecnologia e sem o direito de acompanhar as aulas. Mesmo na área urbana, como em Parelheiros, bairro em São Paulo, ainda há dificuldade no acesso à internet. As pessoas que fazem o uso dela precisam pagar caro para terem bons planos de internet wifi.

Mas, então, qual a saída para um cenário tão desolador? O que podemos fazer para que essas previsões não se concretizem? Como é sabido, a desigualdade educacional que o Brasil vive não é de agora; apenas se intensificou com a pandemia. Pensando nisso, iniciativas encabeçadas pela sociedade civil organizada passam a ter papel central para tirar a Educação desse papel de coadjuvante que até então foi relegada. E a tecnologia tem o potencial de compartilhar informação e promover uma educação inclusiva e de qualidade, se os investimentos corretos forem feitos. Sem o olhar focado e estratégico dos governos para a educação, ONGs e empresas buscam contribuir com a mudança desse cenário.

No entanto, com o agravamento da crise, as ONGs estão enfrentando um momento delicado. Muitas contam com poucos recursos e doações e estão deixando de lado alguns projetos para dar prioridade a alimentar a população que atendem e que passa fome. Infelizmente, resta pouco recurso para que as entidades desenvolvam iniciativas tão importantes em outros setores, como educação, cultura e esporte.

Tornam-se então ainda mais necessárias políticas públicas que levem mais antenas de internet para as periferias e regiões ainda marginalizadas dos rincões de nosso Brasil e investimentos para melhorar a qualidade do ensino público. Este será o início de uma história em que todos os jovens brasileiros terão oportunidades iguais para disputar vagas nas melhores universidades e concorrer em pé de igualdade às melhores oportunidades profissionais.

Não sabemos quando o isolamento social acabará e, mesmo em um cenário mais seguro à saúde das crianças, o ensino híbrido dá indícios de ser o modelo educacional para os próximos anos.

Precisamos do investimento privado e de parcerias com o governo para a retomada de uma educação continuada para os estudantes de escolas públicas em todo o Brasil. Sem isso, teremos uma geração perdida e repetiremos todo o ciclo de exclusão e miséria que já é repetido hoje. O mercado de trabalho tem dado cada vez mais atenção à diversidade e inclusão nas empresas, mas ainda enxerga pouco o início de carreira dessas pessoas, que está lá na educação de base desses jovens na periferia. É preciso se unir para evitar o colapso da Educação no país.

“Não há prêmio que tenha impacto sobre esse legado”, diz B. Jordan sobre Chadwick e o Oscar

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Chadwick Boseman e Michael B. Jordan - Foto: Reprodução Instagram

O fato de Chadwick Boseman não ter levado o Oscar de Melhor ator por sua atuação como o atormentando Levee Green, em “A voz suprema do Blues” deixou muita gente indignada. No entanto, olhando num contexto maior, a contribuição do nosso eterno T’Chala para arte foi bem maior. E foi esse o pensamento compartilhado por Michael B. Jordan ao falar sobre seu falecido amigo durante o programa americano The View, na última quinta-feira, 29.

Jordan respondeu a pergunta da atriz e apresentadora do programa Whoopi Goldberg sobre qual a reflexão poderia ser feita a respeito de grandes atuações, ao analisar a derrota de  Boseman para Anthony Hopkins.  “Assistindo ao filme e vendo a sua atuação, para mim, a gente o vê entregando a sua ultima performance. E é algo que ele mortalizou dessa forma. Seu legado vai existir para sempre. O impacto que ele teve e que vai continuar a ter em mim e nas pessoas ao redor do mundo vai sempre existir”, respondeu.

O protagonista de Sem Remorso (Amazon Prime) continua sua reflexão sobre a grandeza do saudoso colega. “Não existe prêmio, não há vitória que terá impacto sobre esse legado. Sua vida como um todo vai representar isso. O que ele representa, o que a sua família representa, no final do dia é o que temos, é o controle que temos. O resto é opinião e especulação dos outros”, finalizou Jordan.

Chef congolês, desabafa sobre preconceito de Ana Maria Braga com comida tipicamente africana

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Imagem: Reprodução globo/Instagram

O chef congolês Pitchou Luhata Luambo, dono do tradicional Congolinária, restaurante especializado em comida vegana do Congo, gravou em suas redes sociais um vídeo desabafo sobre a reação da apresentadora Ana Maria Braga ao experimentar o ugali, uma comida comum em todo continente africano. No programa Mais Você, exibido no último dia 28, a apresentadora tratou com deboche o prato preparado pelo camaronês ChefSam, sorrindo da aparência da comida feita com farinha de milho e água. 

No telão, a apresentadora é acompanhada pelo jornalista esportivo, Thiago Oliveira, que comenta: “Boa sorte, Ana. Qualquer coisa a gente se vê algum dia”. Luambo questiona o jornalista desejar “boa sorte” por alguém experimentar uma comida africana: “Esses ingredientes são aqui do Brasil. Ele cozinhou no Brasil. Sabe o que você tem medo de matar, seu preconceituoso? O preconceito que está dentro de você”, desabafa o chef. 

O dono do Congolinária ressaltou em seu desabafo que ningué nunca morreu na África ou em seu restaurante após comer ugali. No programa foi apresentado como comida típica queniana, mas é uma comida popular em quase todos os países da África, podendo receber diversos nomes como ngima, obusuma, obuchima, kimnyet, nshima, mieliepap, phutu, sadza, kuon, gauli, gima, isitshwala, ubugali umutsima, etc. 

Enquanto Oliveira mastigava, a apresentadora comentou que o prato tinha uma aparência feia, o que também foi rebatido por Luambo que respondeu que “feio é a atitude e postura” dos dois apresentadores em rede nacional. “Feio não é a comida, feio não é a receita. Feio é seu preconceito”, afirmou. 

Chamou a atenção também a pequena aula de jornalismo que Luambo precisou dar uma pequena aula de jornalismo aos globais, que acusaram a comida de não ter gosto. O chef lembrou que com um pouco de investigação, saberiam que o ugali é água e farinha, sendo sempre acompanhado por um molho para dar gosto. 

Curioso que em um programa culinário e com a presença de um jornalista de ofício como convidado tenha havido um show de desinformação e que tenham de ser corrigidos.  

Thiago Oliveira e Ana Maria Braga sorriem em estúdio do Mais Você
Thiago Oliveira e Ana Maria Braga experimentam o ugali em tom de deboche no Mais Você.

Seguindo com o tom debochado,ao comentar o livro “Nuvem de Terra”, escrito por Plácido Berci sobre sua experiência como correspondente esportivo no Quênia, a apresentadora diz que espera que a viagem tenha sido melhor que o ugali, seguido de gargalhadas. Pitchou Luhata Luambo reagiu a essa passagem apontando algo que parece óbvio para alguns, mas passa batido para quem vê com olhos menos atentos: “Nunca dei entrevista para vocês por causa dessa falta de respeito que vocês tem com povo africano. Vocês não respeitam nossa cultura. Vocês querem nos usar”, declarou. 

Outra observação pertinente feita pelo fundador do Congolinária foi a diferença com que um chef preto e um chef branco são tratados. Para ele se o chef Jacquin, integrante do Masterchef, tivesse preparado a comida, a reação seria radicalmente diferente. 

“Que culinária africana você conhece? Acarajé e cuzcuz marroquino?”, ironizou Luambo, que em sua visão acredita que o ChefSam foi humilhado. Ao fim do vídeo, o chef lembra que participando da cena estava uma pessoa que deveria entender o que estava acontecendo: “Você, Thiago, não adianta falar que ‘eu negro’, eu sou da África. Você é o que está dentro do seu coração”, desabafou sobre o repórter Thiago Oliveira. 

Recentemente, Ana Maria Braga se envolveu em polêmicas com relação á comunidade negra após aparcer de dread e posteriormente por falar que existia racismo reverso. Em ambos os casos pediu desculpa nas redes sociais. 

Resta saber quantos pedidos de desculpas suportamos aceitar. 

“Yasuke”, série sobre o primeiro samurai africano já está disponível na Netflix

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Foto: Reprodução

Chegou hoje na Netflix Brasil a série “Yasuke” que conta a história do primeiro AfroSamurai, Lakeith Stanfield (indicado a melhor ator coadjuvante por Judas e o Messias Negro no Oscar 2021) dá a voz a Yasuke.  O anime leva o espectador a uma viagem pelo Japão feudal.

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Sobre Yasuke:

Yasuke é o novo anime original da Netflix, baseado na figura histórica do guerreiro de ascendência africana que serviu o daimyo japonês Oda Nobunaga durante o período Sengoku, num conflito samurai no Japão do século 16.

Confira o trailer:

Faculdade Baiana de Direito e Gestão está com vagas abertas de bolsas integrais para pessoas negras

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Imagem: Reprodução/Google fotos

Podem participar do programa estudantes autodeclarados negros e pardos que cursaram ensino médio em escola pública ou com bolsa integral em escola particular. O desconto é de 100%.

O candidato irá passar por uma pré-seleção, que consiste em três etapas: preenchimento do formulário, envio do desafio escrito e a entrevista. Se for aprovado em todas as fases da seleção prévia, será selecionado para realizar de forma gratuita o vestibular 2021.2 da Faculdade Baiana de Direito e Gestão. Os candidatos que forem aprovados em todas as fases da seleção prévia, serão selecionados para realizarem de forma gratuita o vestibular 2021.2 da Faculdade Baiana de Direito e Gestão concorrendo a 4 bolsas de estudos integrais na Faculdade Baiana de Direito e Gestão para o turno matutino.

As bolsas de estudos consistem no benefício de isenção integral do pagamento das matrículas e mensalidades por mera liberalidade da Faculdade Baiana de Direito e Gestão e conforme critérios estabelecidos neste Edital, Anexos e Aditivos.

As isenções serão concedidas exclusivamente para alunos(as) regularmente matriculados no Curso de Direito da Faculdade Baiana de Direito e Gestão, que estejam entre os(as) 4 participantes do ‘Programa de seleção de bolsas étnico- raciais’ da faculdade baiana de direito melhor posicionados na Classificação Geral do Processo Seletivo Vestibular.

Por meio do, em parceria com a sua empresa júnior Alfa Consultoria Jurídica e com o projeto Akane, a Faculdade busca dar oportunidade para o jovem negro ingressar em um curso superior de qualidade.

A data limite para envio dos desafios será até 09 de maio às 23:59. Àqueles que não enviarem o desafio em tempo, serão desclassificados de forma automática deste processo seletivo.

Para mais informações, acesse o edital neste link: https://faculdadebaianadedireito.com.br/edital-programa-de-bolsas-etnico-raciais/.

Julius e a desconstrução da paternidade negra violenta e ausente em Todo Mundo Odeia o Chris

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Julius Rock (Terry Crews) é um dos únicos pais de Bed-Stuy, região mais populosa do Brooklyn, com predominância de habitantes negros. Costuma trabalhar em dois ou mais empregos para conseguir criar os três filhos (Chris, Drew e Tonia) e pagar as contas em dia com apoio da esposa, Rochelle. 
O patriarca de “Todo Mundo Odeia o Chris” tem personalidade amorosa, mas as vezes distante. Está sempre sonolento, e muitas vezes está descansando enquanto eventos do seriado ocorrem. É incapaz de ser grosso com a filha mais nova, Tonia, sendo condescendente com suas travessuras. Julius tem respeito e admiração por Rochelle e a dinâmica entre eles funciona bem . A série acerta ao desmitificar a imagem do homem preto violento e destemperado. 

Especial Dia dos Pais | TBS irá transmitir episódios de Julius e sua família  em Todo Mundo Odeia o Chris
A família Rock: Julius, Drew Tonia, Chris e Rochelle (Imagem: Divulgação)


Ele não se importa que a mulher trabalhe, e até a incentiva . A preocupação do personagem com dinheiro pode ser confundido apenas com avareza, mas sua neurose envolve preocupação com a segurança da família, evocando um passado difícil financeiramente, explorado em alguns episódios, como quando Rochelle descobre que ele ficou pagando a aliança de casamento por anos a fio.
À sua maneira, Julius promove hábitos que são conhecidos por muitos moradores da periferia, como passar as roupas de um filho para o outro, por exemplo. 
Pouco á vontade na presença de outras mulheres que não sejam sua esposa, sempre foge ao menor sinal de flerte alheio.
Mesmo sem jeito ele mantém diálogo com os filhos sobre amor, violência policial e as tensões raciais da época. 
Em determinado momento o gosto do personagem de Terry Crews por novelas rende uma divertida subversão de expectativa sobre as preferências masculinas na programação televisiva. 
“Todo Mundo Odeia O Chris” trata a paternidade negra com carinho. Alvos constantes dos personagens brancos que desacreditam que exista uma família negra que não tenha um pai bêbado e violento, é em Julius que os integrantes dos Rock encontram proteção sem ter de volta chantagem emocional ou ameaças.
Em um dos episódios que exploram melhor a relação entre Rochelle e Julius, o cansaço do marido o impede de ouvir com atenção sobre como foi o dia da esposa, mas no fim ele compreende que ouvi-la não é um sacrifício, mas um gesto simples de amor que acaba evitando mais desgaste do que a resistência em dialogar com sua esposa. 
Julius é a personificação do pai que se desdobra para dar aos filhos o que não teve materialmente e mesmo com falhas, não resiste em aprender coisas novas com a família. 

10 comentários que Julius Rock faria no Aiqfome - frigideira por aiqfome
Quando você ameaçar a família de Julius ele estará lá

A passagem mais marcante em que se sugere uma reação violenta do marido de Rochelle para resolver uma situação foi quando precisou intimidar o criminoso do bairro, Malvo, que vinha ameaçando Chris por causa de uma corrente. Ainda assim o seriado tornou a sequência hilária, com a simples presença física do pai da família Rock botando o ladrão para correr. 

Fugindo da idealização irreal do pai de comercial de margarina, mas desconstruindo a figura da homem preto truculento, Julius Rock é o pai negro mais simpático das séries que fizeram sucesso no Brasil. 

Doc. sobre Karol Conká expõe as dores e traumas de uma família com medo do futuro

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Karol chora e é amparada pela família no documentário "A vida após o tombo" - Foto: Reprodução GlobPlay

(Contém spoilers)

“Estando ela certa ou errada eu só consigo ver o ódio que as pessoas têm pelas mulheres negras que colocam seu cabelo para cima e que exigem seu lugar de fala. Decidiram colocar tudo em cima da Karol”.  Essa fala da advogada e empresária Eliane Dias durante o “A vida após o Tombo” (GloboPlay),  documentário sobre a controversa experiência da rapper Karol Conká durante e após o BBB21 representa algo que não se foi muito discutido, mas é real.

O documentário dirigido por Patrícia Carvalho e Patrícia Coelho, com roteiro de Malu Vergueiro e Valéria Amaral, poderia ter sido feito em uma hora, mas foi dividido em quatro partes: o cancelamento, realidade, ruptura e o pai.

Um pouco antes do seu lançamento oficial, feito nessa quinta-feira, 29, Karol conversou com as apresentadoras do Saia Justa (GNT) e admitiu que tudo foi gravado quando ela ainda não tinha uma avaliação mais neutra sobre suas atitudes. “Estou num momento de reflexão profunda.  No documentário eu ainda estava montada na soberba tentando disfarçar as dores que eu tinha causado”, explicou a artista.

É cruel imaginar que depois de um confinamento em rede nacional, iniciado durante uma época de isolamento social por conta da Covid-19, Karol teve que lidar com as câmeras da Globo perto dela durante boa parte do seu dia. Desde da saída do Projac ao reencontro com sua linda mãe Ana, seu filho Jorge e irmão Lilo e por mais algumas semanas.

A família de Karol inclusive é uma das partes mais desconfortantes do documentário. Ver o próprio filho da cantora falar das ameaças, dos ataques é lastimável porque ele também deve estar lidando com traumas e deveria ser poupado. “Não acho que o linchamento seja um caminho certo para se corrigir um erro”, disse Jorge, ao explicar que teve que mudar sua conta do Instagram por conta dos ataques e ameaças.

Se pensarmos em um contesto maior, a Globo, também tem sua parcela de responsabilidade pela maneira que as relações foram conduzidas dentro da casa. Não dá para isentar a direção do programa pela tortura psicológicas que Lucas sofreu nas mãos de Karol, sem nenhuma intervenção.

Ana, mãe de Karol, é a imagem da mulher negra que tem que se mostrar forte, mas por dentro está lidando com a dor e o medo. É inimaginável a angústia de ver sua filha, de 35 anos, sendo uma das pessoas mais rejeitadas do Brasil. Não há precedentes de algo assim e fica a torcida que essa mãe também esteja sendo assistida com carinho. 

Dona Ana, mãe de Karol em cena da documentário “A vida após o tombo” : Imagem Reprodução GloboPlay

Ver os quatro, Karol, Jorge, Lilo e Ana chorando e se abraçando deixa o questionamento sobre a insistência na exploração das nossas dores em programas de TV.

Lumena, Lucas, Fake News e redes sociais

Ao sair do BBB , além de ter que ser esconder com um medo literal de apanhar na rua de pessoas estranhas, Karol teve que lidar com a decepção de uma equipe fora da casa que não agiu da forma que havia sido alinhada por ela mesma antes do programa. O abandono gerou uma série de fakenews, muitos envolvendo a suposta falência da artista. “Eu não faço 5 milhões nem em um ano inteiro”, explicou a rapper respondendo às reportagens que sugeriam prejuízos milionários por conta da crise de imagem. Paulo Junqueiro, presidente da Sony Music, gravadora da rapper, reforçou que em termos de relações com a gravadora, nada mudou. “Nunca pensamos em romper contrato”.  

O documentário escolheu um formato de gosto discutível ao colocar uma pessoa que está lidando com as consequências dos seus atos, mas também com seus próprios fantasmas, no centro de um cenário em um estúdio, com frases, perguntas, imagens do BBB21 freneticamente piscando à sua frente.  Se existe alguma preocupação com a saúde mental da Karol, a experiência teatral, só deve ter aumentado o repertório de lembranças traumáticas.

Foi nesse espaço, aliás, que ela teria que se sentar frente a frente com algumas das pessoas que ela agrediu verbalmente na casa. Carla Dias e Acrebiano não quiseram participar do programa. Lumena, única que apareceu pessoalmente, alguns momentos durante suas falas, parecia que iria colapsar. “A gente alimentou nossos erros e nossas dores expondo a nossa família. A gente se perdeu”, disse a psicóloga sempre olhando para o chão.

Lucas apareceu de um telão, em um vídeo gravado, dizendo que não estava ainda pronto para se encontrar pessoalmente com a Karol, mas recitou um poema falando sobre perdão e Deus.  A rapper justifica suas atitudes contra o ator, ao fato de ter que lidar com o alcoolismo do pai, já falecido, em mais um momento com uma pitada de sensacionalismo em cima de uma questão tão delicada como vício e abandono.

Cena da documentário “A vida após o tombo” : Imagem Reprodução GloboPlay

A trajetória da Karol também esteve presente no documentário mostrando a relevância da artista para o mundo do rap, não esquecendo dos momentos baixos da sua carreira, mas também apresentando vários momentos da Conká plena em shows lotados. E parece que a música é o único meio possível de redenção da curitibana.

“Minha música sempre foi a tradução dos meus sentimentos. Fiz muitas músicas em pouco tempo, como nunca fiz antes” comenta a rapper que vai entregar um novo trabalho produzido durante 2 semanas em parceria com o produtor RDD, com letras que traduzem o que ela tem vivido nesses dois meses após a saída do BBB21.  “Só mais um dia de luta depois do dilúvio”, cantou Karol ao final do documentário, em uma adaptação da música “Dilúvio” feita após o confinamento.

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