Home Blog Page 664

A solidão da mulher negra nos espaços de liderança

0
Foto: Yuri Darian

Texto: Kelly Baptista

É comum ouvirmos que a liderança é um caminho solitário, ainda mais se tratando de uma liderança que passa por interseccionalidade de raça e gênero. Sendo bem sincera, e sendo a única mulher negra na maioria dos espaços que ocupei, considero esta fala verdadeira.

Mentalmente criamos uma persona, vivendo uma situação perfeita de liderança, com um time diverso, empoderado e que cresce com uma pessoa líder super heroína, capaz de equilibrar todos os pratos. Mas isso é real?

No dia a dia, a solidão para nós, mulheres negras, se apresenta de forma sutil, porque não encontramos pares na alta liderança que compartilhem das mesmas vivências. Obviamente as experiências que absorvemos dos pares nos ajudam a evoluir, mas na maioria das vezes precisamos fazer um filtro e trazer para a nossa essência e realidade.

Partindo do ponto de que muitas líderes são mães, isso automaticamente se potencializa, cresci profissionalmente em uma geração que pregava que a maternidade acaba com a carreira de uma executiva, mas hoje entendo que a maternidade me fez uma líder melhor.

Lá no fundo muitas vezes existe uma dúvida das escolhas que fizemos, a conquista da liderança para uma pessoa preta vem a partir de muito trabalho, muita insegurança e com a responsabilidade de inspirar e  trazer os nossos que ainda estão à margem da sociedade.

Nas empresas brasileiras, menos de 30% dos cargos de liderança são ocupados por pessoas negras. O percentual é baixo e ainda sofreu queda. Em 2018, a população preta ou parda ocupava 29,9% dos cargos gerenciais. Em 2019, esse índice caiu para 29,5%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto as mulheres brancas correspondiam a 66,9% dos cargos gerenciais, a parcela de negras nessas posições é de 31%. A diferença entre homens brancos (69,3%) e negros (28,6%) em postos de liderança é maior. Nas grandes corporações, a proporção é ainda mais desigual.

Os negros representam 55,9% da população brasileira, mas ocupam apenas 4,7% dos cargos de liderança nas 500 maiores empresas do país, segundo pesquisa do Instituto Ethos. As mulheres negras representam 9,3% dos quadros destas companhias e estão presentes apenas em 0,4% dos altos cargos.

De forma estruturada, tenho buscado desenvolver interna e externamente ações intencionais para ajudar a impulsionar carreiras de meninas e mulheres pretas e grupos minorizados, trazendo situações práticas, mostrando a realidade, e a necessidade de transformação do machismo e racismo estrutural, vida pessoal e profissional caminhando juntas e outros temas que nos atravessam diretamente.

É importante fortalecer e acolher  todas as pessoas que saem de situação vulnerável, olhar se as oportunidades são justas, além de criar uma rede de apoio.

Promover a transformação social e na cultura das empresas, é uma tarefa diária e muitas vezes exaustiva, mas é nosso papel como pessoas pretas líderes influenciar, contagiar e cuidar, dos que virão, porque quando um vence todos nós vencemos. 

*Kelly Baptista Gestora Pública, diretora executiva da Fundação 1Bi, mentora, membro da Rede de Líderes Fundação Lemann e Conselheira Fiscal do Instituto Djeanne Firmino.

Caso vinícolas: 95% dos trabalhadores escravizados no Rio Grande do Sul são negros

0
Foto: Divulgação/RBS TV

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 95% dos escravizados resgatados na produção de vinho em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, se declaram negros (64% pardos e 31%, pretos) e 93% nasceram na Bahia. Todos são homens, sendo 56% com idades entre 18 e 29 anos, e 61% não concluíram o ensino fundamental ou são analfabetos. 

As informações obtidas pelo blog do Leonardo Sakamoto no UOL são do Ministério, extraídas das guias de seguro-desemprego, que são preenchidas com informações fornecidas pelas próprias vítimas.

Os 207 trabalhadores resgatados no final do mês de fevereiro da empresa Fênix Serviços Administrativos e Apoio a Gestão de Saúde LTDA, responsável pela terceirização das vinícolas Aurora, Salton e Cooperativa Garibaldi, sofreram agressões constantes.

Segundo documentos que o jornal O Globo teve acesso, uma das vítimas relatou em depoimento para o Ministério Público do Trabalho (MPT), ter escutado uma ordem de “matar os trabalhadores baianos”. Um dia antes de fugir, ele foi encurralado por quatro seguranças, que o espancaram com cabo de vassoura, usaram spray de pimenta e o morderam.

Um trabalhador gaúcho, em entrevista ao UOL Tab, também afirma que os baianos eram os que mais sofriam agressões. “Eles apanhavam bastante. Qualquer coisa que estivesse errada, apanhava. Nós do Sul não apanhávamos”.

Na semana passada, a empresa recusou a proposta de indenização do MPT no valor de R$600 mil para as vítimas. e voltará a se reunir, junto com os representantes das vinícolas, para a assinatura de um acordo. 

Idris Elba luta para desvendar mistérios em ‘Luther: O Cair da Noite’, novo filme de drama da Netflix

0
Foto: Divulgação / Netflix.

Sucesso como série da BBC, a obra ‘Luther’ ganhou um novo filme de drama dentro da Netflix. Com estreia marcada no Brasil para o próximo dia 10 de março, o longa, estrelado por Idris Elba, 50, tenta descobrir os segredos de um assassino em série que aterroriza a cidade de Londres. “A ideia de que podemos levar as pessoas que assistiram ‘Luther’ por cinco temporadas para um nova escala da história é emocionante para mim”, diz Elba.

‘O Cair da Noite’ é uma criação de Neil Cross, 54, aclamado roteirista britânico. Elba diz que a nova adaptação é uma conquista dos fãs da série, que não possui exibição no Brasil. “Os fãs realmente trabalharam para isso. E eu queria tentar ampliar o que fizemos com a televisão“, conta o ator. “Quero que se surpreendam com psicológico e também com o humor”.

Idris Elba em ‘Luther: O Cair da Noite’. Foto: Divulgação.

O filme também traz as estrelas Cynthia Erivo, 36, Andy Serkis, 58, e Dermot Crowley, 75. Para a Netflix, Erivo contou sobre a experiência de trabalhar com Idris em ‘Luther’. “Idris Elba é como um gigante gentil. Ele é capaz de transmitir a escuridão e os problemas que Lutero [detetive] tem dentro, mas ele ainda é capaz de obter um calor dele. Quando você olha para os olhos de Lutero, é possível ver calor lá dentro“, conta a atriz. “Então, essa combinação de escuridão e calor juntos é algo que é realmente raro de encontrar em pessoas e personagens. O que tornou realmente fácil trabalhar com ele é que ele abre espaço para que esse novo personagem o conheça”.

Cynthia Erivo em ‘Luther: O Cair da Noite’. Foto: Divulgação.

O diretor Jamie Payne, 58, também falou sobre a adaptação da série para os cinemas. “Existem algumas séries de TV destinadas ao cinema para que respirem corretamente em todos os sentidos. Desde que vi o primeiro episódio, a primeira temporada de ‘Luther’, eu sabia que era apenas uma questão de tempo. Neil me contou um detalhe enquanto estava desenvolvendo o roteiro logo no começo: ele
queria explorar a ideia do que era o serial killer moderno
“, destacou o diretor. “Não o serial killer que senta no seu jardim e te observa pelas janelas à noite ou estuda você de longe, mas aquele que senta em nossa casa todos os dias e pode nos assistir, ou ouvir nos momentos mais ordinários ou extraordinários de nossa vida, através da câmera em nosso televisão, através do nosso alto-falante inteligente“.

Taís Araujo relembra como sua imagem foi erotizada pela mídia no início da carreira: “tudo isso com 17 anos”

0
Foto: Tom Barreto.

A atriz Taís Araujo, 44, utilizou suas redes sociais para compartilhar uma matéria feita nesta última semana pela Revista Piauí. A reportagem explorou a forma como a imagem de Taís, no início da carreira, entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000, foi utilizada sempre com sensualidade e erotização atrelada a um enfoque racial.

Por muitos anos, a artista enfrentou também a rejeição das revistas femininas, que evitavam exibir a imagem de Taís e em muitos casos, faziam alterações em sua aparência, afinando o nariz ou mudando a textura do seu cabelo.

“Eu me surpreendi. Eu dei de cara com uma realidade que eu reconheci sim, aquela era a minha vida, só que eu chorei lendo a matéria”, desabafou Taís. “Eu chorei como se eu não tivesse vivido tudo aquilo, como se fosse a vida de outra pessoa, sabe? Eu ia lendo e pensava assim: ‘caramba, que pesado isso… Nossa é isso mesmo, né? Ele falou isso mesmo. Ele me disse isso. Como que eu pude passar por tudo isso com 17 anos? Eu era muito menina. Que pose é essa? Nossa, que manchete é essa?’“.

Através do Instagram, enquanto narrava os sentimentos, imagens de diversas capas de revista foram mostradas ao público pela artista. Nas imagens, a Taís de 17, 18 e 19 anos, aparecia em poses sensuais, com manchetes provocativas. “Ao mesmo tempo tudo isso vinha com um: ‘mas pera aí, eu não fui obrigada a fazer nada disso, fiz porque eu quis’. Porque o que parece absurdo hoje e é absurdo hoje, era muito natural naquela época”, contou a atriz.

“Todos esses pensamentos estão reverberando na minha cabeça e eu fico me questionando o tempo inteiro assim: ‘onde eu guardei as dores vividas?”, disse Taís. “O caminho não foi mole e tenho orgulho de cada passo dado, de cada tropeço, de cada aprendizado, de cada levantada após a queda”.

Jonathan Majors vai estrelar novo filme dirigido por Spike Lee e produzido por Will Smith

0
Foto: Clifford Prince King / AFP ; Matt Winkelmeyer / Getty.

Destaque de ‘Creed III’, Jonathan Majors, 33, já possui outro grande projeto no mundo do cinema. O artista vai estrelar e produzir um novo filme chamado ‘Da Understudy’. De acordo com o site Deadline, projeto deverá ter o consagrado cineasta Spike Lee, 65, como diretor. O contrato foi fechado com a Amazon Studios e acontece dias após ‘Credd III’ se tornar uma das maiores estreias do cinema norte-americano.

Ainda sem data prevista de lançamento, ‘Da Understudy’ conta a história de um jovem ator que após conquistar um papel de destaque na Broadway, comete uma série de crimes para se manter no sucesso. Além de Majors, Will Smith, 54, também será responsável por produzir o filme.

Foto: Keith Major / EBONY.

Neste ano de 2023, Jonathan Majors também atuou em ‘Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania’. Outro filme do astro, ‘Magazine Dreams’ será lançado nos Estados Unidos em dezembro. Dentro da produção, ele interpreta um fisiculturista amador aspirante, mas emocionalmente problemático.

“Isso já dura quase 30 anos”, fonte diz à revista People que Chris Rock é obcecado por Jada Pinkett Smith

0
Foto: Axelle/Bauer Griffin/Filmmagic

Uma fonte próxima à Jada Pinkett Smith, contou à revista People que Chris Rock é obcecado pela apresentadora há quase 30 anos. “Chris é obcecado por ela e isso já dura quase 30 anos”. “Veja onde ele escolheu filmar seu especial da Netflix. A cidade natal dela [Baltimore]”, teria dito. 

No dia 4 de março, Chris Rock lançou o especial ‘Selective Outrage’ no streaming. No especial, Chris fez piadas direcionadas a Will e Jada Pinkett Smith: “Anos atrás, sua esposa disse que eu deveria desistir do Oscar. Eu não deveria apresentar porque o homem dela não foi indicado para Concussão. E então ele me dá uma merda de concussão.”, disse.

O ator se referia ao movimento “#OscarsSoWhite” que a esposa de Will Smith ajudou a iniciar, em 2016, e que questionava a pouquíssima presença negra no Oscar. Na época, Will foi ignorado pela academia e não concorreu ao prêmio de Melhor Ator pelo filme Concussão.

“Em 2016, ela ajudou a iniciar um movimento com o Oscar ao questionar por que há tão poucos membros negros, e Chris levou isso a sério?”, contou a fonte para a revista People. “Ela nunca pediu a Chris para não apresentar o Oscar. Ela disse publicamente em um post no Facebook na época que Chris seria um ótimo apresentador do Oscar e é perfeito para o trabalho.”, disse.

Mais uma vez se referindo à Jada Pinkett Smith, Chris teria dito em seu especial que a atriz começou as coisas. “Eu fiz algumas piadas sobre ela. Quem se importa? É assim que é: ela começa, eu termino”. O comediante também se referiu à Jada de maneira desrespeitosa, chamando-a de “cadela” em diferentes momentos.

A fonte também afirmou para a People que Jada não se envolveu na tensão entre Chris e Will Smith, após o tapa que seu marido deu no comediante para defende-la depois dele ter feito uma piada sobre seu cabelo durante a cerimônia do Oscar, há uma ano. “Jada não participou de tudo isso além de ser incomodada”, disse.

BBB 23: 5 vezes que Sarah Aline mostrou que não tem nada de planta

0
Foto: Divulgação/BBB

Não surpreende, mas continua desapontando! Em um paredão com a Key Alves, acusada de racismo religioso, Sarah Aline e Domitila, a psicóloga que corre o risco de ser eliminada nesta terça-feira (07), no BBB 23, de acordo com as parciais divulgadas.

Entre algumas justificativas levantadas nas redes sociais, seria que a Sarah é uma planta no jogo. Porém, o Mundo Negro veio mostrar que isso não é verdade. Confira 5 vezes em que a psicóloga, com a sua voz serena e doce, mostrou como é que se joga.

1 – Debate com o ‘Boco Roso’

O jogo da discórdia na última segunda-feira (6) deu o que falar! Especialmente porque o líder Fred ‘Boco Roso’ indicou a Sarah direto para o paredão e ainda tentou se colocar numa posição de salvador, mas logo foi repreendido ao vivo. “Você não quer me defender […] Sou que estou no paredão”. A briga continuou se estendendo durante a madrugada.

2 – Voto na amiga Aline Wirley

Sarah sendo do quarto Fundo do Mar, se juntou ao seu grupo para se protegerem e votou na Aline Wirley do quarto Deserto, mesmo elas sendo amigas e não concordando com a decisão dos seus aliados. Ambas conversaram sobre a importância do jogo e mantiveram a amizade.

https://www.instagram.com/reel/CpLHgocteRq/?next=%2F

3 – Escondeu o celular do VIP

Cansada do quarto Deserto ganhar diversas provas seguidas, durante uma festa, Sarah escondeu o celular para que os rivais no VIP não ganhassem estalecas fazendo stories e tivessem o poder coringa.

https://twitter.com/alexlimareal/status/1631263568485052416

4 – Voto no Cara de Sapato

Mesmo tendo passado o dia doente e com febre alta, Sarah Aline correu para atender o Big Fone e indicou o Cara de Sapato para o paredão. O público acompanhou como o lutador estava perseguindo o Fred Nicácio antes da sua eliminação por um ocorrido na primeira semana do programa e isso estava gerando incômodo em todo mundo dentro da casa.

5 – Cenas quentes com o Ricardo

Mostrando que está no programa também para os flertes, a Sarah Aline protagonizou uma das cenas mais envolventes com o amigo Ricardo “Alface”. Certeira no flerte, os dois ficaram de chamego na festa e depois de alguns dias, foram até dormir juntinhos. Joga y joga!

https://twitter.com/tagrevista_/status/1618608079888846850

Tyler Perry está em negociação para comprar participação majoritária da BET Media Group, que produz conteúdo audiovisual para público negro

0
FOTO DE TOMMASO BODDI/GETTY IMAGES

O bilionário Tyler Perry deve expandir seus negócios no audiovisual dos Estados Unidos. Perry está em negociação com a Paramount Global para comprar uma participação majoritária do BET Media Group, que inclui os canais BeT e VH1.

De acordo com informações publicadas pela revista Variety, Perry, que já é dono de do Tyler Perry Studios, um dos maiores estúdios de cinema do planeta, já possui uma participação minoritária na operação da BET e é responsável pela produção de boa parte do conteúdo veiculado pela empresa e pelo serviço de streaming BET +, que o empresário ajudou a lançar.

Entre as divisões da BET também está produtora BET Studios, que conta com Kenya Barris, Rashida Jones e Aaron Rahsaan Thomas como acionistas minoritários.

A relação de Tyler Perry com a BET é longa. Foi a empresa que o ajudou financiar seu primeiro longa-metragem, “Diary of a Mad Black Woman”, em 2005. Com a Paramount, Perry firmou um contrato de longa duração em 2017 para filme e um contrato de TV que começou em 2020. A parceria das empresas com Perry foi lucrativa para o CEO da Paramount Global, Bob Bakish, e para o presidente da BET Networks, Scott Mills.

Ainda de acordo com a Variety, o fundador da Allen Media Group, o milionário Byron Allen também estaria interessado em adquirir a BET. Em 2022, ele adquiriu o Black News Channel por $ 11 milhões, que se junta ao The Weather Channel junto com canais digitais como Local Now, HBCU GO e TheGrio. O Allen Media Group também investiu mais de US$ 1 bilhão nos últimos 3 anos para adquirir 27 afiliadas da ABC, NBC, CBS e Fox.

Foto: Reprodução

Segundo Wall Street Journal, primeiro a publicar a notícia sobre o interesse da Paramount Global em vender a BET, “A decisão de considerar a venda de uma participação majoritária dos ativos, que atendem principalmente ao público negro, faz parte do o esforço da gigante do entretenimento para obter recursos para reforçar seu principal serviço de streaming Paramount + e sua plataforma de streaming gratuita Pluto TV, apoiada por anunciantes, disseram algumas das pessoas.”

Com maior acervo digital de cultura negra na América Latina, Cultne pode se tornar Patrimônio Cultural do Brasil

0
Foto: Zô Guimarães/UOL

Com mais de 40 anos registrando e mantendo viva a história e cultura da comunidade negra brasileira, a Cultne pode ser reconhecida como Patrimônio Nacional, Cultural e Imaterial do Brasil e da Humanidade.

A deputada federal Benedita da Silva (PT) apresentou no início do mês, o projeto de lei 742/2023 reconhecendo a importância da Cultne. O PL continua em tramitação na Câmara dos Deputados.

Responsável pelo maior acervo digital de cultura negra da América Latina, a Cultne trabalha desde 1980 e hoje atua com a TV, o Instituto, a Rede de Educação, a Editora, a Produtora Audiovisual e a parceria com o Google Arts and Culture.

“A realização da Cultne foi direcionada ancestralmente. Nos últimos 500 anos, ninguém havia se preocupado, enquanto comunidade, a contar a nossa história sem que fosse pela questão oral. A Cultne passa a ser quilombo digital, um griô que utiliza da tecnologia, não totalmente acessível a nós, a formar a tecnologia preta”, disse Dom Filó, produtor cultural e CEO da Cultne, em entrevista ao ECOA Uol, em dezembro do ano passado.

Canal Brasil exibirá filmes protagonizados por Léa Garcia no aniversário de 90 anos da atriz

0
Foto: Leo Martins

Para homenagear os 90 anos da atriz Léa Garcia, considerada “A dama do teatro negro brasileiro”, no próximo fim de semana, o Canal Brasil vai exibir dois longas-metragens protagonizados pela atriz. O longa “Um Dia com Jerusa” (2020), dirigido pela cineasta Viviane Ferreira, será exibido no sábado, às 14h, e “Filhas do Vento” (2005), de Joel Zito Araújo, passará na sequência, às 15h15.

Em “Um Dia com Jerusa”, Léa Garcia interpreta Jerusa, uma senhora de 77 anos que recebe a jovem Silvia (Débora Marçal) em sua casa, no bairro do Bixiga, região central de São Paulo. Durante o encontro, Jerusa compartilha com Silvia suas experiências e lembranças vividas no bairro que é um lugar recheado de memórias ancestrais. “Um Dia Com Jerusa” é o terceiro longa-metragem de ficção realizado por uma cineasta negra no Brasil. O longa foi exibido na 44ª Mostra de Cinema de São Paulo e indicado ao AMAA – African Movie Academy Awards como melhor filme realizado em diáspora.

Léa Garcia levou o prêmio de “Melhor Atriz” no Festival de Gramado por seu trabalho no filme “Filhas do Vento”. A trama acompanha a relação de duas irmãs, Ju, interpretada por Thalma de Freitas na juventude e por Léa Garcia quando mais velha, e Cida, personagem vivida por Taís Araújo na fase jovem e por Ruth de Souza na maturidade. As duas se separaram ainda jovens e se reencontram 45 anos depois, no enterro do pai (Mílton Gonçalves), com vidas totalmente diferentes. O longa, dirigido por Joel Zito Araújo, é o primeiro filme de ficção do diretor e foi vencedor de oito kikitos no Festival, incluindo o de melhor filme pelo júri da crítica. Na Mostra de Tiradentes, o “Filhas do Vento” foi escolhido o melhor filme pelo júri popular e no Paratycine, venceu a categoria de melhor roteiro.

Com uma carreira extensa, Léa possui trabalhos marcantes no teatro, na TV e no cinema. A atriz estreou nos palcos em 1952, na peça “Rapsódia Negra”, de Abdias do Nascimento. Quatro anos depois, fez parte do elenco da montagem de “Orfeu da Conceição”, espetáculo que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com cenários de Oscar Niemeyer. A partir da peça, foi feito o filme “Orfeu Negro” (1959), de Marcel Camus, que marcou a estreia de Léa no cinema. O longa venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela França, e a Palma de Ouro no Festival de Cannes. A atriz também foi indicada ao prêmio de melhor atriz no festival francês. Na TV, participou de sucessos como “Selva de Pedra” e “Escrava Isaura”, obra em que viveu a marcante vilã Rosa.

No final do ano passado, Léa Garcia estreou a peça “Mãe Baiana”, no Rio de Janeiro,  ao lado da atriz Luana Xavier. 

error: Content is protected !!