A cantora Ashanti anunciou nesta quarta-feira (17) que está grávida de seu primeiro filho, fruto do relacionamento com Nelly.
O rapper já é pai dos filhos adultos, Chanelle, 29, e Cornell Haynes III, 24, frutos de um relacionamento anterior. Nelly também adotou os filhos de sua irmã, Jackie Donahue – Shawn e Sydney Thomas – depois que ela morreu de leucemia em 2005.
Os rumores da gravidez de Ashanti começaram em dezembro do ano passado. O casal namorou de 2003 a 2013 e passaram quase dez anos separados. Os artistas reataram em setembro de 2023, quando apareceram juntos no Video Music Awards. “Estamos bem de novo”, disse Nelly. “Acho que surpreendeu a nós dois”, acrescentou. “Não foi nada planejado”.
Finalmente chegou o dia e acabou a agonia, Davi Brito consagrou-se campeão do BBB24 numa vitória épica, histórica, belíssima e encheu o coração dos brasileiros de felicidade diante da luta intensa travada por ele, uma luta que os cidadãos comuns conhecem bem no cotidiano. Lavamos a alma! Nos emocionamos, choramos, nos revoltamos diante das violências por ele sofridas, levamos a discussão para a internet, defendemos, lutamos aqui fora cada um de sua maneira, e ele lá dentro, resoluto.
Eu passei a acompanhar a trajetória do Davi e absolutamente tudo sobre ele me encantava, sua história, seu jeito de ser, sua espontaneidade, sua generosidade mas havia outros aspetos que muito me interessavam, suas estratégias, a gestão das emoções, sua inteligência, sua perspicácia, sua sabedoria, sua autodeterminação, sua segurança e sua autoestima e foram esses últimos o motivo de ter angariado tantos dissabores na casa mais vigiada do Brasil.
Em psicanálise o Davi seria a personificação do retorno do recalcado.
Calma Calabreso!
Numa clínica voltada para a comunidade negra e racializada, durante todos esses anos de atuação acabei por acolher pessoas que adoecem por conta do racismo. As maiores dificuldades é saber como atuar e se comportar nos espaços hostis para nossos corpos e isso tem sido o maior desafio. É bem verdade que o BBB é um caso extremo e que impõe desafios extremamente complexos, entretanto pode sim servir de objeto de análise e assim se pensar em diferentes maneiras de se preservar em meios violentos. Na universidade, no trabalho, com amigos, em eventos sociais, com famílias … todo lugar é um potencial espaço de violência.
Eu como psicóloga, entendi que apesar da vitória o custo foi alto e a saúde mental do Davi corria perigo. Nosso campeão sofreu e muito. O jovem negro é o grupo social que mais esteve nas estatísticas de suicídio nos últimos anos, sem contar com o genocídio insistente neste país. Contudo, alguns aspectos do comportamento do Davi assim como características de sua personalidade ajudaram bastante para que esse enfrentamento fosse muito bem feito e eu vou citar alguns:
1- Quebra de estereótipos
Ao contrário do conjunto de estigmas aferidos aos jovens negros tais como sujo, desorganizado, fedido, irresponsável, mal educado, imprestável, preguiçoso, violento, perigoso, lascivo, burro dentre outros adjetivos que costumam colar no corpo de pessoas negras, Davi demonstrou totalmente o contrário não somente através de palavras mas principalmente por sua conduta, seu comportamento consistente do começo ao fim. Sim, ele fez questão de deixar escuro: Olha, me respeita, não sou o que você pensa de mim, tá?! Isso gerou um enorme desconforto porque a representação do corpo não condiz com a realidade, o que deixa a branquitude confusa, angustiada, sem nenhum depositário de suas faltas e desvios e consequentemente atacam a fim de confirmar tudo aquilo que é insuportável não ver em si próprios, e neste caso, as tais virtudes. Subverter a lógica racista é indispensável e revelador em qualquer espaço que estejamos.
2- Autodeterminação e Autoestima
Davi com apenas 21 anos possui uma consciência racial bem construída, identidade racial saudável, usa bem sua origem como sua maior potência. Por ter muito bem determinado o seu lugar de origem e consequentemente seu lugar social, Davi tinha ciência de suas potencialidades e mostrou tudo sem o menor constrangimento, ele sabia que poderia ser uma única chance e que alguém poderia reconhecer. Embora tenha discorrido muitas vezes sobre sua trajetória de faltas, ele sabia que as limitações que encontrou em sua vida eram oriundas das contingências de ser um rapaz negro e pobre no Brasil e nunca por incapacidade. Ele demonstrou estar confortável com seu corpo, com sua personalidade e com suas potências. O Autoconhecimento é uma arma poderosa, portanto Davi nos ensina a não permitir ser determinado por ninguém a não ser por nós mesmos.
3- Comunicabilidade e Voz
Com um repertório bem sofisticado, mas diferente do letramento racial dos ativistas, intelectuais e militantes que abusam muitas vezes do excesso de conceitos,
Davi comunica tudo através de uma linguagem palatável, democrática e condizente com a realidade da maioria da comunidade negra brasileira. É um comunicador nato. Ele falou sobre todos os conceitos através de exemplos pessoais, histórias, casos…um storytelling de prender a atenção inclusive daqueles que não se identificavam com ele. Rapaz falante, ele em nenhum momento deixou de comunicar o que pensava, sentia e achava mesmo diante inúmeras práticas de silenciamento ao longo do experimento. Tentaram calar ele mas não funcionou pois inteligentíssimo como é, lançou de várias formas de comunicação e parecia que até em situações de embate ele achava a medida certa. Calavam ele de uma forma, ele achava outra forma de falar. Vale ressaltar que muitas vezes nos sentimos exaustos por não sermos ouvidos, já o Davi falava por ele, porque sentia necessidade e não necessariamente para alguém ouvir ou concordar com ele. E o Brasil ouviu, e muito bem. Ao estilhaçar a mordaça que colocam em nossas bocas estamos treinando o exercício de se colocar diante de situações importantes.
4- Afetividade assertiva e Objetividade
Existe um aspecto muito importante que eu observo em pessoas negras que sofrem não só em ambientes de trabalho mas em muitos outros espaços : a preocupação em ser aceito. Num país em que o corpo negro foi destituído de qualquer investimento afetivo positivado, é comum – por questões profundas e inconscientes – uma pessoa negra esperar aceitação principalmente de pessoas brancas no intuito de integrar-se ao espaço e interagir humanamente com as pessoas que ali estão. O problema é que nem sempre esse espaço nos acolhe, ou quase nunca. Um exemplo foi o cuidado que o Davi tinha de cozinhar para todos, e sabemos que este é um ato de afeto, afeto este rapidamente rejeitado pela maioria. O que Davi fez? Seguiu. Entendeu rápido que o afeto é valioso e que iria oferecer de forma verdadeira para quem o merecia, e foi o que ele fez. Sua atenção estava concentrada em como ele iria ganhar o prêmio. Notem que as alianças e amizades nunca foram sua prioridade e sim eliminar um por um e vencer a competição. Ele aliançou com as pessoas possíveis e nunca se lamentou por alianças que não aconteceram, Davi não foi lá fazer amigos. Pessoas negras e racializadas nunca devem esquecer o principal objetivo de qualquer plano em suas vidas. Se for para a universidade, seu objetivo será qual? o diploma? se for para o trabalho o objetivo é qual? O salário? Uma promoção? Então, foco no objetivo. Tudo a mais será apenas bónus.
Esta receita em que os componentes quebra de estereótipo, autodeterminação e autoestima, comunicabilidade e voz, afetividade assertiva e objetividade foi a mistura perfeita para que Davi mantivesse vantagem diante dos outros participantes apesar de inúmeros movimentos de marginalização, demonização e difamação por parte dos insatisfeitos. O Brasil identificou-se com ele, o país assistiu tudo e escolheu seu campeão, embora não seja a norma a escolha de jovens negros como a representação da maioria. É que Davi quando entrou já havia se escolhido. Que lição! Dessa vez algo nos uniu, a dor, a injustiça mas também a esperança por um país livre, com pessoas livres, sonhadoras e felizes.
O cantor e agora ex-participante do Big Brother Brasil 24, Rodriguinho, anunciou para a imprensa nesta quarta-feira, 17, que vai lançar um livro e divulgou a capa do novo trabalho chamado “Intitulado “Fora da Caixa – Um Novo Ciclo”. Além do livro, Rodriguinho também anunciou o lançamento de um EP inédito.
“Eu sou um cara que escreve muito, todo tempo eu to [sic] tendo uma ideia, elaborando uma letra de música, anotando um pensamento, e isso me fez falta lá no confinamento”, revelou Rodriguinho em seu Instagram ao publicar a capa do livro que já está em fase de pré-venda oficial e tem lançamento programado para o dia 8 de maio sob o selo editorial DISRUPtalks.
“Vivi experiências muito intensas nos últimos meses, inclusive o Big Brother Brasil, que mudou muita coisa pra mim, me fez conectar com pessoas diversas e incríveis, aprender sobre os meus erros e acertos. Uma experiência que trouxe pela primeira vez na minha carreira e vida a oportunidade de me enxergar totalmente fora da caixa.”, compartilhou o cantor.
O cantor, que foi o décimo eliminado do BBB 24 com 78,23% dos votos. Durante sua estadia na casa, Rodriguinho se envolveu em algumas polêmicas, incluindo comentários sobre o corpo da modelo Yasmim Brunet e conflitos com outros participantes, como o motorista de aplicativo Davi Brito.
No entanto, após deixar o confinamento, Rodriguinho demonstrou interesse em aprender mais sobre temas sensíveis, revelando recentemente seu envolvimento em aulas de letramento racial e de gênero com professora Tainara Ferreira, conforme revelou a colunista Fábia Oliveira do portal Metrópoles.
Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva foi eleita pela revista TIME como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2024. Ela é a única brasileira na lista, que também inclui nomes estrangeiros como Colman Domingo, Taraji P. Henson e Burna Boy.
Foto: Agência Brasil
Marina entrou na categoria de ‘líderes’. “Natural da Amazônia, de família de seringueiros, Marina Silva aprendeu a ler e escrever ainda adolescente. Ela se tornou uma das senadoras mais influentes do Brasil e se candidatou à presidência”, destacou a TIME. “Hoje, como Ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do país , ela está reconstruindo a capacidade do Brasil de deter o desenfreado desmatamento ilegal na Amazônia, uma missão que tem estado no centro de sua vida política e ativista.
O tradicional veículo norte-americano também destacou o trabalho de Marina em prol da energia sustentável. “Contra todas as probabilidades, ela está a pressionar corajosamente por uma transição doméstica da energia centralizada baseada em combustíveis fósseis para a energia renovável gerada localmente”, destacou o editorial. “A nível internacional, ela defende que reconsideremos as nossas perspectivas limitadas sobre o que pode custar a proteção da natureza e, em vez disso, adotemos uma compreensão mais abrangente do extraordinário impacto econômico e valor que a natureza oferece“.
Após a descoberta de um barco à deriva no litoral do Pará, as autoridades estão desvendando um cenário sombrio de migração ilegal e exploração por parte de organizações criminosas. Com nove corpos encontrados a bordo, a investigação liderada pela Polícia Federal aponta para a existência de rotas mundiais de migração em barcos que saem de África.
Na última terça-feira, 16, a PF encontrou documentos e objetos no barco que indicavam que dos corpos encontrados, pelo menos um é da Mauritânia e outro de Mali. Os investigadores buscam estabelecer a identidade dos corpos utilizando protocolos de identificação de vítimas de desastres da Interpol (DVI).
Ainda de acordo com as investigações, o barco partiu da Mauritânia, em África, com destino às Ilhas Canárias, popular rota migratória para entrada no continente europeu. No entanto, a embarcação ficou à deriva e acabou arrastada até as costas brasileiras, onde foi encontrada.
a PF abraça essas situações há muitos anos, e tem feito trabalho de desarticulação de organizações criminosas que se aproveitam dessas pessoas que estão vulneráveis e procurando uma vida melhor”, afirmou José Roberto Peres, superintendente da PF no Pará, em entrevista para a CNN.
Lucas Koka Penteado, de 27 anos, está celebrando uma importante conquista. O ator deu uma entrevista para a revista Quem, Lucas falou sobre seu processo de recuperação contra a dependência química, celebrando “meio ano de só por hoje” e revelou seus planos de ajudar adictos através da realização de trabalhos sociais.
Após enfrentar desafios públicos com a dependência química e passar por três internações desde sua saída do BBB 21, Lucas agora se sente revigorado e comprometido com sua saúde mental e física: “Estou limpo há seis meses, trabalhando, voltei com minhas atividades normais e estou fazendo projetos para ajudar adictos que vivem nas ruas e ainda sofrem com essa doença, que é tão fatal e segregadora.”, contou Lucas sobre sua luta contra a dependência química.
“Agora, sou ficha azul nos Narcóticos Anônimos (NA). Meio ano de só por hoje”, disse na entrevista. O ator atribui seu processo de recuperação a uma combinação de apoio do programa Narcóticos Anônimos (NA), tratamento psiquiátrico e o amor e apoio de sua esposa, Nayara Zabelê. Ele ressalta a importância de seguir o tratamento à risca e reconhece a individualidade de cada processo: “O que tem me ajudado muito é frequentar as reuniões do NA, mas, principalmente, os livros do programa, os ‘Só Por Hoje’, os livros azuis, o azul claro e o azul escuro, o amor da minha esposa e o trabalho”, pontuou.
Ele também revelou que tem recebido apoio da TV Globo: “O artístico da emissora se disponibilizou a me ajudar quando foi necessário. A equipe foi muito potente no meu processo de recuperação. E me colocarem para trabalhar tem sido a maior terapia para a minha autoestima, de que valho a pena para alguma coisa. Trabalhar, tecnicamente, tem sido minha melhor terapia”.
Ator talentoso, Lucas Penteado tem se destacado em trabalhos recentes no cinema. Ele ganhou o Prêmio APCA 2023 de ‘Melhor Ator’ pelo papel de ‘Claudinho’ no filme “Nosso Sonho: A história de Claudinho e Buchecha“, que estreou nos cinemas no ano passado e conta a história da dupla.
Lucas também falou sobre o estigma a respeito dos dependentes químicos, ressaltando que nunca teve problemas com trabalho por conta da dependência: “Um tempo atrás existia uma falácia no mercado de que o Lucas não ia conseguir trabalhar e produzir. E isso é uma mentira, porque durante a minha vida adicta, sempre fui muito funcional no trabalho. Aliás, a droga nunca trouxe nenhum problema real para nenhuma das empresas que eu trabalhava. Ficaram sabendo que eu era adicto quando comecei a tentar parar e tive questões familiares”, afirmou.
Ao falar sobre trabalhos sociais com adictos, Lucas Penteado revela: “Tenho um que ajudo através do teatro, mas participo de vários, como levar comida para eles, conversar, passar a palavra de Deus. Mas meu projeto é uma peça de teatro, com 7 adictos em cima do palco contando suas experiências com as questões psicológicas. Autoestima é o melhor remédio para conseguir deixar um adicto limpo”.
A noite de terça-feira, 16, foi de comemoração com a vitória de Davi Brito no Big Brother Brasil 2024. Nas redes sociais, a comunidade negra repercutiu a conquista do baiano, natural de Cajazeiras: “Quando um preto vence, todos os seus iguais vencem um pouco”.
Davi Brito se tornou o campeão do BBB 24 com 60,52% dos votos e, além do valor de R$ 2,92 milhões, ele também ganhou o reconhecimento de personalidades negras pela conquista como primeiro homem preto a ganhar o programa. Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial parabenizou Davi em suas redes sociais: “Independente de qualquer coisa, o Brasil anoitece hoje com o sorriso de um jovem negro em rede nacional!”, escreveu.
Independente de qualquer coisa, o Brasil anoitece hoje com o sorriso de um jovem negro em rede nacional!
Orgulhoso da sua história, determinado a vencer, aprender com os erros e cuidar da sua família e sua comunidade.
A deputada federal pelo Rio de Janeiro, Benedita da Silva, também publicou uma mensagem parabenizando o brother: “A vitória do Davi é muito significativa!”, destacou ela.
Quantos jovens negros, neste momento, estão sorrindo e se enxergando pelo Brasil? A vitória do Davi é muito significativa! A primeira vez que um jovem negro vence o maior reality da TV brasileira.
O ativista social, Preto Zezé lembrou a importância representativa da vitória de Davi Brito no reality show: “Quando um preto vence, todos os seus iguais vencem um pouco”.
O médico, ativista e ex-BBB, Fred Nicácio, também compartilhou uma mensagem celebrando a vitória de Davi: “Eu me emociono sim, porque Davi representa a esperança de milhões de jovens negros periféricos. Eu vim de lá e sei como é improvável o nosso sucesso. E é pra mudar a realidade de muitos outros e outras como nós que é importante existirem pessoas como Davi ocupando o lugar de GRANDE VENCEDOR E CAMPEÃO”.
DEU CERTOOOO! 😭 E eu vou aparecer nas redes chorando sim! 🥹 Vocês sabem o quanto sofri, torci e vibrei junto com o @daviooficiall durante todo esse período. Eu me emociono sim, porque Davi representa a esperança de milhões de jovens negros periféricos. Eu vim de lá e sei como é… pic.twitter.com/8JNnoA0dFZ
Davi Brito é o grande vencedor do BBB 24 e ganhou o prêmio recorde do reality show, no valor de R$ 2,92 milhões, além de um documentário que será produzido pela Globoplay. O motorista de aplicativo se tornou o primeiro homem negro a vencer o programa.
Para celebrar a final na noite de hoje, 16, a família do brother se juntou à torcida de Davi em Salvador para assistir o programa no bairro Cajazeiras, com direito a trio elétrico e um telão.
O brother entrou pelo Puxadinho no início do programa, sendo um dos escolhidos pelo público e se tornou um dos favoritos durante uma trajetória com muitos embates, sendo alvo de muitas ofensas, perseguição e conquistas.
Durante o confinamento, o baiano acumulou R$ 120 mil em dinheiro, uma bolsa de estudos para realizar o sonho de cursar Medicina, uma picape de R$ 281,9 mil, um videogame, um celular, e vouchers de R$ 10 mil para compras.
Davi também ganhou 8,8 milhões de seguidores no Instagram, se tornando o participante que conquistou o maior número de seguidores nas redes sociais.
O livro “Racismo algorítmico: inteligência artificiale discriminação nas redes digitais” foi lançado recentemente pelo pesquisador Tarcízio Silva na versão impressa e levanta diversas questões como: “O que acontece quando as máquinas e programas apresentam resultados discriminatórios? Seriam os algoritmos racistas? Ou trata-se apenas de erros inevitáveis? De quem é a responsabilidade entre humanos e máquinas? E o que podemos fazer para combater os impactos tóxicos e racistas de tecnologias que automatizam o preconceito?”.
Em entrevista ao Mundo Negro, Tarcízio refletiu sobre o impacto dos erros que acontecem durante o uso da IA, como o caso do Gemini, ferramenta do Google, que suspensa desde fevereiro por gerar imagens de pessoas negras e asiáticas vestidas com trajes de soldados nazistas, ao ser solicitado a criação de imagem de soldados alemães em 1943.
“Para reparar os danos é necessário que as sociedades em torno do mundo rechacem a implementação desenfreada de tecnologias falhas em escala. O acúmulo de danos e casos vulgares de erros graves que vão de estereótipos a discurso de ódio e desinformação anti-democrática requer regulação forte que mitigue os problemas que as big tech tem gerados à cultura, democracia e esfera pública”, analisa.
Em março, a União Europeia aprovou legislação pioneira para regulamentação da inteligência artificial, mas que para o Brasil, o Tarcízio acredita que ainda não seria o suficiente. “Considerando que os direitos humanos no Brasil não alcançaram níveis adequados, ainda é possível dizer que a regulação aqui no país deve ser mais rigorosa em diversos aspectos”, analisa o pesquisador.
Capa do Livro (Crédito: Divulgação)
Leia a entrevista completa abaixo:
Em fevereiro, tivemos alguns casos de erros do Gemini – ferramenta do Google, que gerou imagens de pessoas negras e asiáticas vestidas com trajes de soldados nazistas, ao ser solicitado a criação de imagem de soldados alemães em 1943 e desde então a ferramenta segue suspensa para reparação. Afinal, por que esses erros acontecem e como é possível reparar esses danos que continuam perpetuando o racismo na sociedade?
O caso das imagens de pessoas asiáticas, indígenas e negras com uniforme nazista foi um exemplo vulgar de como a Google e o grupo Alphabet não possuem compromisso com a produção de tecnologias de qualidade para todos. Modelos da chamada “inteligência artificial generativa” são produzidos pelas big tech a partir da coleta de dados massivos, sem autorização, sem curadoria adequada e, ainda, sem transparência sobre sua composição. Inúmeros estudos demonstraram que a tecnologia tende a gerar diversos tipos de danos representacionais, como imagens cheias de estereótipos nocivos.
No caso em questão, o problema ocorreu pois a Google ao invés de mudar radicalmente a abordagem para produção de tecnologias, fez uma gambiarra completamente inadequada para tentar evitar denúncias sobre falta de diversidade. Boa parte dos prompts, os textos descritivos para gerar os conteúdos, tem sido modificados internamente pela ferramenta para adicionar critérios de diversidade. Então se alguém pedisse algo como “imagens de soldados nazistas”, a ferramenta na verdade rodava algo como “imagens de soldados nazistas com diversidade demográfica”. Ou seja, uma solução vulgar e sem nenhum cuidado com contexto e valores para cada situação. É o contrário da inteligência.
Para reparar os danos é necessário que as sociedades em torno do mundo rechacem a implementação desenfreada de tecnologias falhas em escala. O acúmulo de danos e casos vulgares de erros graves que vão de estereótipos a discurso de ódio e desinformação anti-democrática requer regulação forte que mitigue os problemas que as big tech tem gerados à cultura, democracia e esfera pública.
Como o livro poderá ajudar pessoas a melhorar o desempenho de profissionais da tecnologia contra algoritmos racistas?
O livro apresenta um panorama com cuidadosa curadoria de pesquisas, dados e entrevistas sobre os modos pelos quais os algoritmos podem incorporar mecanismos de opressão racial. Assim, para os profissionais de tecnologia em sentido estrito, a publicação pode apoiar em abordagens críticas sobre práticas em torno do desenvolvimento das tecnologias. Tarefas como desenho de coleta de dados, definição de padrões éticos, análise de impacto e a própria decisão sobre a desejabilidade de um determinado tipo de tecnologia podem ser apoiadas pelas reflexões e dados presentes no livro.
Lançamento do livro impresso no Sesc Ipiranga, em São Paulo, no dia 10 de abril (Crédito: Bruna Damasceno)
Quais são um dos principais perigos para a comunidade negra com o resultados discriminatórios dos algoritmos?
O principal risco está ligado ao uso das tecnologias algorítmicas para atividades que envolvem risco à vida, como os setores de segurança pública ou saúde. Hoje, no Brasil, diferentes espectros políticos têm realizado uma verdadeira corrida para ver quem implementa mais tecnologias de reconhecimento facial no espaço público, um tipo de recurso comprovadamente eficiente e nocivo. Campanhas em torno do tema buscam banir o reconhecimento facial para evitar os problemas imediatos e futuros.
O que a política brasileira pode aprender com a lei aprovada na União Europeia para regular o uso de IA?
A maior parte dos setores no Brasil concorda que a proposta de regulação europeia permite equilibrar regulação e inovação. Considerando que os direitos humanos no Brasil não alcançaram níveis adequados, ainda é possível dizer que a regulação aqui no país deve ser mais rigorosa em diversos aspectos.
Quanto ao combate ao racismo algorítmico, poderia citar três pontos que temos na regulação europeia e no nosso PL 2338 que podem ser relevantes – se aperfeiçoados para serem ainda mais rigorosos. O primeiro é o rol de categorias de risco, que inclui a definição de alto risco e de risco inaceitável. Quanto a alto risco, especificar uma lista expansível de áreas onde as empresas, estado e desenvolvedores devem ter mais obrigações de transparência ajuda a defender os direitos e mantém o potencial inovador: tecnologias de baixo e médio risco devem possuir menos obrigações. Um segundo ponto é a obrigatoriedade de análises prévias de impacto algorítmico para as tecnologias de risco médio e alto, que não só permitirão uma melhor supervisão da inovação e defesa de direitos, mas também ajudará a avançar o campo uma vez que mais dados e conhecimento será circulado.
Por fim, um terceiro ponto que a legislação brasileira pode avançar ainda mais em relação à europeia é o estabelecimento de entidade supervisora com efetiva participação social, na qual organizações representantes de grupos marginalizados poderão influenciar as decisões sobre aspectos regulatórios.
A historiadora, poeta, cineasta e intelectual Beatriz Nascimentoé a escritora homenageada daFlup 2024(Festa Literária das Periferias). Nesta 14ª edição, o festival – declarado patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro – celebra uma obra que despertou outro imaginário brasileiro e que se desdobrou numa nova geração de intelectuais e escritoras que transformam o cenário cultural hoje.
A escritora Conceição Evaristo e a filósofa Helena Theodoro abrem as homenagens na mesa “A noite não adormece nos olhos das mulheres“, mediada pela também escritora Bianca Santana. A programação é gratuita, no dia 11 de maio, sábado, a partir de 12h, no Circo Crescer e Viver, localizado na Praça Onze, Centro do Rio de Janeiro. O Pagode da Gigi, com participações de Marcelle Mota e Nina Rosa, fecham a noite no berço do samba carioca. Nos intervalos, quem anima o público é a DJ Jess.
“A palavra quilombo não existia como símbolo de estratégia e inteligência de sobrevivência, até Beatriz Nascimento”, explica Julio Ludemir, diretor-fundador da Flup. “Queremos que sua obra seja cada vez mais conhecida, mais lida, mais publicada, que chegue ainda mais longe”, ressalta.
Ao homenagear Beatriz Nascimento, a Flup 24 traz o conceito de quilombo – agregação, comunidade, luta – como fundamento da sua programação anual. No ano em que o Rio de Janeiro recebe a cúpula do G20, o festival faz um diálogo entre periferias globais e movimentos transatlânticos, referência explícita ao “Eu sou Atlântica“, um dos versos mais emblemáticos da produção de Nascimento.
Beatriz Nascimento emprestou sua voz e sabedoria para o longa-metragem Ôri, dirigido por Raquel Berger, em 1989. O filme, um dos principais documentários do cinema brasileiro, fala da refundação do Brasil a partir de uma das formas de aquilombamento contemporâneos: os terreiros, espaços de culto das religiões de matriz africana. Por isso, na véspera do dia das mães, a Flup aproveita para discutir a intolerância religiosa com a mesa “Deixa e gira girar“, que reunirá a yalorixá, escritora e matriarca do Ilê Asé D’Oluaiyè, Márcia Marçal e a socióloga, escritora e matriarca da Casa do Perdão, Flávia Pinto.
A mediação é da cineasta pernambucana Natara Ney, que também é curadora da programação do 11 de maio. “Terreiro, Gira, encontro. Palavras familiares, palavras sagradas. Esta primeira gira da Flup é a possibilidade de ouvir importantes pensadoras sobre temas que nos afetam, dores em comum e também alegrias, desejos, projetos. Mulheres plurais”, destaca a cineasta.
As poetas Carol Dall Farra, Josi de Paula, Winona Evelyn e MC Martina fazem o Sarau Beatriz Nascimento no início de cada uma das mesas. Serão recitados poemas autorais e também poemas da homenageada da Flup 24. Todas as ações do ano vão dialogar com a obra de Beatriz Nascimento, incluindo os quilombos, os terreiros, as narrativas orais preservadas pelas matriarcas, a poesia e o samba.
No centro das discussões sobre a obra de Nascimento, a Flup vai trazer uma rede de 100 mulheres acadêmicas negras, criada por Thaís Alves Marinho e Rosinalda Simoni, que biografou outras 100 mulheres brasileiras negras e ousaram colocar em prática a máxima da intelectual negra “precisamos falar de nós mesmos”. A programação deve articular espaços periféricos na cidade, com a presença dessas intelectuais, para promover a escuta dessas histórias, infelizmente pouco conhecidas, e lançar o livro com as 100 biografias chamado “Dicionário Biográfico: Histórias Entrelaçadas de Mulheres Afrodiaspóricas“.
Formação de escritores, roteiristas e poetas quilombolas
O evento também marca a abertura das inscrições para a formação de escritoras e escritores “Yabás, Mães Rainhas“, que vai resultar no 31º livro lançado pela Flup. Serão sete encontros, em sete sábados consecutivos, em terreiros que cultuam cada uma das yabás: Iemanjá, Oxum, Obá, Iansã, Nanã e Ewá, incluindo a entidade feminina Pombagira. Os 50 participantes selecionados vão escrever contos a partir dos itãs, ou seja, os relatos míticos que envolvem essas importantes protagonistas da cosmologia afro-brasileira.
“A existência, resistência de nossa cultura está nos terreiros, mães que alimentam, contam histórias e cuidam de seus filhos. Orí-entação. Este processo formativo traz a beleza dos encontros, da fabulação e oralidades. Acredito que cada visita nos trará ensinamentos únicos, não apenas para as nossas escritas, mas também, e principalmente, para a nossa vida”, explica a curadora Natara Ney.
Em junho, a Flup inicia um outro processo formativo: o Slam de Quilombo, ecoando a obra de Beatriz Nascimento e homenageando o intelectual quilombola Nêgo Bispo. Participam 10 quilombos de 10 diferentes estados brasileiros, que recebem slammers experientes para dar oficinas de poesia e performance. Cada quilombo promove uma batalha de slam local. Os vencedores de cada estado viajam para o Rio de Janeiro, para a grande final, em novembro.
Em agosto, será lançada a oitava edição do Laboratório de Narrativas Negras e Indígenas para Audiovisual – Lanani. A parceria da Flup e a Globo já formou mais de 220 roteiristas nos últimos sete anos, renovando o mercado audiovisual brasileiro. São três meses de formação com dois encontros semanais, um para aulas sobre formatos narrativos e estruturas de roteiro audiovisual e o segundo para mentorias de discussão dos projetos individuais dos participantes. O objetivo é a produção de um argumento para audiovisual, seja filme, série ou novela.
Periferias 20 e o G20
O evento do 11 de maio também é um anúncio das datas do festival. Em 2024, a Flup propõe fortalecer o debate público sobre as principais questões das periferias – globais e brasileiras, no âmbito do encontro do G20, no Rio de Janeiro. Vozes nacionais e internacionais, representantes de periferias regionais, climáticas, raciais, étnicas e de gênero, se encontrarão em mesas de debates durante a programação, de 11 a 17 de novembro.
“No momento em que o Rio de Janeiro vai receber as principais lideranças políticas e econômicas mundiais, a Flup vai fazer um festival reunindo vozes de destaque que pensam as periferias atlânticas internacionais no ciclo de debates denominado Periferias 20”, explica Ludermir. Ao longo do ano, o Flup vai anunciar os convidados confirmados.
A Flup 24 é apresentada pelo Ministério da Cultura e Shell. Tem patrocínio master da Shell, patrocínio do Instituto Cultural Vale e Globo por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O apoio é da Fundação Ford. A Fundação Roberto Marinho e o Canal Futura são parceiros. Realização: Suave, Associação Na Nave, Ministério da Cultura, Governo Federal.
Serviço:
Festa Literária das Periferias-Flup
Abertura da agenda anual
Dia: 11 de maio de 2024, sábado
Hora: a partir de 12h
Local: Circo Crescer e Viver (próx. Estação Praça Onze)
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