O youtuber Julio Cocielo foi absolvido das acusações de incitação ao ódio pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. A decisão, proferida pelo juiz Rodiner Roncada da 1ª Vara Federal de Osasco, em São Paulo, considerou que, apesar de “moralmente reprovável”, não foi provado que houve discriminação racial. Ao dizer que Cocielo é negro, a defesa argumentou ainda que o youtuber “seria impossível que as falas do réu se enquadrassem como racismo, enquanto não há como se considerar hierarquicamente superior a um grupo ao qual se pertence”.
O Ministério Público Federal (MPF) havia denunciado Cocielo por uma série de postagens nas redes sociais entre novembro de 2010 e junho de 2018, alegando que estas eram de cunho racial. Uma das postagens em questão referia-se ao jogador de futebol Kylian Mbappé, onde Cocielo comentou: “Conseguiria fazer uns arrastão top na praia, hein”. A defesa destacou que a menção estava relacionada à performance esportiva do jogador e não à sua raça. Em outro comentário, ele teria escrito: “o Brasil seria mais lindo se não houvesse frescura com piadas racistas. Mas já que é proibido, a única solução é exterminar os negros”.
O juiz acolheu os argumentos da defesa, observando que, embora as declarações pudessem ser vistas como de “gosto discutível”, elas não configuravam incitação ao racismo. “O réu afirmou em seu interrogatório não ter agido com a intenção de ofender qualquer raça ou etnia, mas apenas imbuído do intento de ser engraçado, de divertir a sua plateia, em seu ‘palco’. As testemunhas confirmaram que o acusado nunca demonstrou comportamento ou atitude racista. Cabe ressaltar que não houve notícias, durante a fase investigativa ou em juízo, de que o réu tenha tido uma conduta social discriminatória ao longo de sua vida, com episódios envolvendo a prática de racismo”, escreveu o magistrado.
O magistrado ainda acrescentou: “Não há nada nos autos que denote que o acusado, cuja família é afrodescendente, tenha tido a intenção de fazer piada com o intuito deliberado de atingir a comunidade negra, a fim de incitar comportamentos racistas”, concluiu o juiz.
Na comemoração de seu 65º aniversário, a Barbie destacou figuras femininas que transformaram o mundo do esporte, homenageando, nesta quarta-feira, 22, a ginasta brasileira Rebeca Andrade. A campeã olímpica foi imortalizada como uma das bonecas do projeto “Role Models”, juntando-se a atletas como a tenista Venus Williams e a nadadora Federica Pellegrini.
Rebeca, que tem em seu currículo medalhas de ouro e prata olímpicas e títulos mundiais, agora tem sua jornada eternizada em uma boneca que reflete não apenas seu talento excepcional, mas também sua capacidade de inspirar jovens garotas. Esta boneca, criada à semelhança de Rebeca, serve como um símbolo de possibilidades ilimitadas para meninas ao redor do mundo.
A iniciativa faz parte do “Barbie Brecha do Sonho”, um esforço iniciado em 2018 para desmantelar estereótipos e expandir as aspirações das meninas desde cedo. Através desta linha de bonecas, a Barbie busca encorajar as jovens a sonhar grande e acreditar em seu potencial ilimitado, combatendo as crenças autolimitantes que muitas vezes começam a se formar na infância.
O grupo de homenageadas deste ano também inclui a jogadora de futebol Christine Sinclair, a jovem promessa Mary Fowler, a ginasta Alexis Moreno, a paratriatleta Susan Rodriguez e a velocista Ewa Swoboda, todas escolhidas por sua excelência e influência positiva no esporte.
Rebeca expressou sua gratidão e surpresa com a homenagem: “Eu nunca imaginei que um dia poderia ser Barbie! É uma honra ter sido escolhida ao lado de nomes tão grandes no esporte. Essa homenagem representa conquista, sonho, um salto de fé.” Com essa distinção, Rebeca Andrade reforça seu papel como fonte de inspiração, mostrando que é possível alcançar grandes alturas quando se acredita e se luta pelos próprios sonhos.
No ano em que estreou sua turnê em comemoração aos 25 anos do lançamento de seu primeiro disco ‘The Miseducation of Lauryn Hill’, em 1998, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Álbum do Ano no Grammy de 1999, Lauryn Hill já tem novos motivos para comemorar. O álbum acaba de ser eleito o primeiro da lista dos 100 melhores álbuns de todos os tempos, criada pela Apple Music.
Ao ser comunicada sobre o prêmio, em uma cerimônia que contou com a presença de um representante da Apple Music, a cantora se mostrou surpresa e afirmou: “Este é o meu prêmio. Mas é uma narrativa rica e profunda que envolve tantas pessoas e tanto sacrifício e tanto tempo e tanto amor coletivo”, disse. “Isto é tão meu quanto seu. Esta é a nossa celebração, mamãe. Mamãe, isso é seu”, afirmou a cantora, que estava de mãos dadas com a mãe, Valerie Hill, visivelmente emocionada.
De acordo com a Apple, um ‘time de especialistas’ ao lado de artistas como Maren Morris, Pharrell Williams, J Balvin, Charli XCX, Mark Hoppus, Honey Dijon e Nia Archives, além de compositores, produtores e profissionais da indústria foram responsáveis pela criação da lista, que inclui trabalhos como Thriller, de Michael Jackson, Purple Rain, do Prince, Blonde, de Frank Ocean, Songs in the key of life, de Stevie Wonder, good Kid, m.A.A.d city, de Kendrick Lamar e Lemonade, de Beyoncé, no top 10.
Confira a lista completa:
1- The Miseducation of Lauryn Hill (Lauryn Hill)
2- Thriller (Michael Jackson)
3- Abbey Road (The Beatles) 4- Purple Rain (Prince)
5- Blonde (Frank Ocean)
6- Songs in the key of life (Stevie Wonder)
7- good Kid, m.A.A.d city (Kendrick Lamar)
8- Back to Black (Amy Winehouse) 9- Nevermind (Nirvana) 10- Lemonade (Beyoncé)
11- Rumors (Fleetwood Mac) 12- OK Computer (Radiohead) 13- The Blueprint (Jay-Z) 14- Highway 61 Revisited (Bob Dylan) 15- 21 (Adele) 16- Blue (Joni Mitchell) 17- What’s Going On (Marvin Gaye) 18- 1989 (Taylor’s Version) (Taylor Swift) 19- The Chronic (Dr. Dre) 20- Pet Sounds (Beach Boys) 21- Revolver (The Beatles) 22- Born to Run (Bruce Springsteen) 23- Discovery (Daft Punk) 24- The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars (David Bowie) 25- Kind of Blue (Miles Davis) 26- My Beautiful Dark Twisted Fantasy (Kanye West) 27- Led Zeppelin II (Led Zeppelin) 28- The Dark Side of the Moon (Pink Floyd) 29- The Low End Theory (A Tribe Called Quest) 30 – WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO? (Billie Eilish) 31 – Jagged Little Pill (Alanis Morissette) 32 – Ready to Die (The Notorious B.I.G.) 33 – Kid A (Radiohead) 34 – It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back (Public Enemy) 35 – London Calling (The Clash) 36 – BEYONCÉ (Beyoncé) 37 – Enter the Wu-Tang (36 Chambers) (Wu-Tang Clan) 38 – Tapestry (Carole King) 39 – Illmatic (Nas) 40 – I Never Loved a Man the Way I Love You (Aretha Franklin) 41 – Aquemini (Outkast) 42 – Control (Janet Jackson) 43 – Remain in Light (Talking Heads) 44 – Innervisions (Stevie Wonder) 45 – Homogenic (Björk) 46 – Exodus (Bob Marley & The Wailers) 47 – Take Care (Drake) 48 – Paul’s Boutique (Beastie Boys) 49 – The Joshua Tree (U2) 50 – Hounds of Love (Kate Bush) 51 – Sign O’ the Times (Prince) 52 – Appetite for Destruction (Guns N Roses) 53 – Exile on Main Street (The Rolling Stones) 54 – A Love Supreme (John Coltrane) 55 – ANTI (Rihanna) 56 – Disintegration (The Cure) 57 – Voodoo (D’Angelo) 58 – (What’s the Story) Morning Glory (Oasis) 59 – AM (Arctic Monkeys) 60 – The Velvet Underground and Nico (Velvet Underground and Nico) 61 – Love Deluxe (Sade) 62 – All Eyez on Me (2Pac) 63 – Are You Experienced? (The Jimi Hendrix Experience) 64 – Baduizm (Erykah Badu) 65 – 3 Feet High and Rising (De La Soul) 66 – The Queen is Dead (The Smiths) 67 – Dummy (Portishead) 68 – Is This It (The Strokes) 69 – Master of Puppets (Metallica) 70 – Straight Outta Compton (N.W.A.) 71 – Trans-Europe Express (Kraftwerk) 72 – SOS (SZA) 73 – Aja (Steely Dan) 74 – The Downward Spiral (Nine Inch Nails) 75 – Supa Dupa Fly (Missy Elliott) 76 – Un Verano Sin Ti (Bad Bunny) 77 – Like a Prayer (Madonna) 78 – Goodbye Yellow Brick Road (Elton John) 79 – Norman F*g Rockwell! (Lana Del Rey) 80 – The Marshall Mathers LP (Eminem) 81 – After the Gold Rush (Neil Young) 82 – Get Rich or Die Tryin’ (50 Cent) 83 – Horses (Patti Smith) 84 – Doggystyle (Snoop Dogg) 85 – Golden Hour (Kacey Musgraves) 86 – My Life (Mary J. Blige) 87 – Blue Lines (Massive Attack) 88 – I Put a Spell on You (Nina Simone) 89 – The Fame Monster (Lady Gaga) 90 – Back in Black (AC/DC) 91 – Listen without Prejudice vol. 1 (George Michael) 92 – Flower Boy (Tyler, the Creator) 93 – A Seat at The Table (Solange) 94 – Untrue (Burial) 95 – Confessions (Usher) 96 – Puren Heroine (Lorde) 97 – Rage Against The Machine (Rage Against The Machine) 98 – ASTROWORLD (Travis Scott) 99 – Hotel California (Eagles) 100 – Body Talk (Robyn)
A comunicadora, Gabriela Oliveira, conhecida como Gabi de Pretas, publicou um vídeo na manhã desta quarta-feira, 22, em suas redes sociais, falando sobre como a imprensa tem mencionado o fato de o adolescente que matou os pais na Zona Oeste de São Paulo ter sido adotado pelo casal. “Qual o sentido dos veículos destacarem o fato do adolescente ter sido adotado. Será que a imprensa está colocando adoção como fator determinante para o crime?”, questionou a influenciadora.
Ao mencionar os comentários das notícias sobre o caso, em que pessoas diziam ter medo de adoção porque ‘não sabe o que vai vir no sangue dessa criança’, Gabi de Pretas lembrou casos que se tornaram midiáticos de filhos biológicos que assassinaram os pais, como de Suzane von Richthofen e pontuou ainda que a imprensa nunca usa o termo ‘filho biológico’ nessas ocasiões. “Isso poderia acontecer em qualquer formato de família. Isso não tem nada a ver com o fato dele ter chegado através da adoção. E, gente, ele não é filho adotivo. Ele é filho. O filho que matou a própria família, assim como os outros filhos mencionados”, disse.
Gabi ainda apontou o perigo de discursos que colocam na genética a culpa por determinados comportamentos: “O nosso, seu, meu histórico genético familiar não é isento. Não é isento, não é purificado, sabe? Até porque esse conceito de purificação, gente, beira a eugenia. E faz com que, por exemplo, muitas famílias não aceitem quando uma criança nasce com algum tipo de deficiência ou transtorno. Uma criança gerada biologicamente dentro da família”, pontuou.
“Como uma pessoa formada em comunicação, eu considero que os meus colegas de profissão deveriam se envergonhar e serem obrigados a se retratar em situações onde eles claramente disseminam informações que trazem discriminação em relação a crianças que passaram pelo processo de adoção, como se passar pelo processo de adoção fosse um definidor para o resto da vida delas, de quem elas podem ser, de como elas vão ser, de tudo de bom e de ruim que elas fazem na vida. Eu espero que os profissionais de comunicação se conscientizem e parem de trazer de forma desmedida essa informação, que muitas vezes não tem nada a ver com a notícia”, disse Gabi.
Entenda o caso
O crime aconteceu na casa em que a família morava, na Zona Oeste de São Paulo. O adolescente de 16 anos afirmou em depoimento à polícia ter ficado com raiva dos pais depois de ter seu celular confiscado por eles. Na sexta-feira, 17, ele esperou o pai chegar em casa com a irmã, depois de buscá-la na escola, e atirou nos dois. Em seguida, almoçou e foi para a academia, na volta, esperou pela mãe e a matou quando ela viu os corpos do marido e da outra filha. O adolescente usou a arma do pai, um guarda municipal, para cometer os crimes. Ele ainda passou o final de semana inteiro com os corpos em casa e, no domingo, acionou a polícia e se entregou.
As recentes inundações no Rio Grande do Sul expuseram de forma contundente as desigualdades raciais e socioeconômicas no estado. Dados do Observatório das Metrópoles e do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) comprovam com dados, o que muitos já apontavam: as populações negras, quilombolas e indígenas estão entre as mais afetadas por este desastre climático.
Um mapa divulgado pelo Observatório das Metrópoles mostra que as áreas com maior concentração de população negra coincidem significativamente com as regiões sujeitas a inundações. Porto Alegre e municípios adjacentes, como Alvorada e Viamão, apresentam altos índices de residentes negros em zonas de risco. Essas áreas, demarcadas em tons de vermelho no mapa, evidenciam uma vulnerabilidade ambiental acentuada.
Complementando essa análise, a nota técnica do Icict/Fiocruz destaca que 240 favelas, 40 comunidades quilombolas e cinco aldeias indígenas foram diretamente atingidas pelas inundações. O documento estima que mais de 2,5 milhões de pessoas foram afetadas e 1,3 milhão de residências estão em zonas de risco. As comunidades quilombolas e indígenas, já historicamente marginalizadas, enfrentam agora desafios adicionais, como a desassistência em saúde devido ao impacto nos serviços básicos.
DESIGUALDADE ESTRUTURAL E A NECESSIDADE DE POLÍTICAS PÚBLICAS
A sobreposição de vulnerabilidades ambientais e raciais indica uma desigualdade estrutural profunda. As populações negras, quilombolas e indígenas não só habitam áreas mais suscetíveis a desastres naturais, mas também enfrentam maiores barreiras no acesso a serviços de saúde e infraestrutura adequada, o que também pode ser denominado racismo ambiental.
“Tentamos fazer um diagnóstico da situação de saúde e os primeiros impactos. Precisamos entender qual é o nível de desassistência da população e como ficou a estrutura de atendimentos de saúde. É preciso pensar que há portadores de doenças crônicas, por exemplo, que precisam de atendimento contínuo, e com problemas de saúde que podem se agravar”, explica o pesquisador do Observatório de Clima e Saúde, Diego Xavier.
A situação atual destaca a importância de políticas públicas que abordem diretamente essas desigualdades. Os governos municipais, estaduais e federais precisam de estratégias de mitigação de riscos ambientais e de adaptação às mudanças climáticas que incluam essas comunidades vulneráveis. Programas de melhoria de infraestrutura, acesso a serviços de saúde e moradia segura são fundamentais para reduzir a exposição a riscos e promover a equidade social.
O doutorado é um processo que leva anos e muita preparação em pesquisa para ser concluído. Nos Estados Unidos, a jovem Dorothy Jean Tillman II surpreendeu ao concluir seu doutorado com apenas 17 anos. Ela é uma das pessoas mais jovens do mundo a ser reconhecida com o título. A adolescente se formou em Saúde Comportamental Integrada, no estado do Arizona, Estados Unidos.
Tillman formou-se em Humanidades pelo Excelsior College de Nova York em 2018. Cerca de dois anos depois, ela obteve seu mestrado em ciências pelo Unity College. A jovem declarou que ela dá crédito à avó e à confiança na orientação de sua mãe por suas atividades e sucessos educacionais.
“Tudo o que estávamos fazendo não me parecia anormal ou fora do comum até começar a receber toda a atenção”, disse ela, relatando que o caminho não foi fácil. “Eu não estaria aqui sem a inteligência que ela tem e a maneira como ela consegue prever as coisas e saber que serão grandes. Minha avó também me ensinou muito, só de sentar com ela na mesa da cozinha e aprender com ela, ganhei muito com isso“.
A mãe de Tillman disse que percebeu que desde muito jovem a menina já estava além da idade e conseguia lidar com conteúdos mais avançados. Ela se destacou em seus cursos, embora os professores inicialmente não quisessem ensinar alguém tão jovem e não achassem que ela conseguiria lidar com o material. O presidente da universidade teve que conceder permissão exclusiva para que a adolescente pudesse participar.
A cantora Kelly Rowland chamou atenção da internet após aparecer discutindo com uma segurança no Festival de Cinema de Cannes. A cantora marcou presença no evento para prestigiar a estreia no tapete vermelho do filme franco-italiano “Marcello Mio”.
Nas imagens, Kelly aparece exaltada apontando o dedo no rosto da segurança. O motivo do ocorrido não foi revelado e, até o momento de publicação dessa matéria, a equipe da artista não se manifestou.
David Fisher/Shutterstock
Fotos do evento mostram Rowland sorrindo para a multidão enquanto subia os degraus do tapete vermelho para entrar no teatro – antes de entrar em uma discussão com a segurança. A ex-integrante do grupo Destiny’s Child se mostrou bastante irritada com a situação.
O clássico ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, de Machado de Assis, se tornou um dos livros mais vendidos dos Estados Unidos após viralizar nas redes sociais. Tudo começou quando a influenciadora norte-americana Courtney Henning Novak, de 45 anos, publicou um vídeo relatando que estava obcecada pelo livro brasileiro. “Preciso ter uma conversa com o pessoal do Brasil. Por que não me avisaram antes que este é o melhor livro já escrito? O que vou fazer do resto da minha vida depois que terminá-lo?”, disse ela.
uma americana do tiktok fez um desafio de ler um clássico de cada país do mundo e pro Brasil indicaram pra ela Brás Cubas
— Lea Michele alfabetizada pelo método Paulo Freire (@ive_brussell) May 18, 2024
A edição da Penguin Classics, com tradução de Flora Thomson-DeVeaux, se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e acabou impactando o fluxo de vendas da obra de Assis. A obra chegou ao primeiro lugar na categoria de livros mais vendidos na Amazon EUA, dentro da seção de ficção latino-americana e caribenha. “Eu não consigo nem imaginar o quão bom isso é em português. Então agora, no meio do meu projeto de ler ao redor mundo, eu tenho outra tarefa que é aprender português”, destacou Courtney.
A história de ‘Memórias Póstumas’ aborda a vida de Brás desde sua infância em uma família abastada no Rio de Janeiro até sua morte, oferecendo um retrato mordaz da sociedade brasileira do século XIX. Através de episódios variados e personagens memoráveis, Machado de Assis explora temas como a vaidade, o egoísmo e a hipocrisia da elite carioca.
A narrativa não linear e o uso frequente de digressões e comentários metafísicos contribuem para o tom cínico e bem-humorado do livro. ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’ é amplamente considerado um marco do realismo na literatura brasileira e um exemplo brilhante do estilo único e inovador de Machado de Assis.
Antigamente eu diria que pessoas negras não tinham motivos para se orgulhar de uma identidade Nerd. Quem cresceu nos anos 90 tinha poucas opções de personagens negros na TV aberta ou na cultura pop que representassem bem qualquer criança ou adolescente negro na fase escolar. Era bem pelo contrário, os que existiam reforçam os estereótipos em nós. Essa falta de representação era especialmente evidente para mim. Vocês devem lembrar daquele coitado que era o Cirilo na versão original de Carrossel ou pior, do Saci no Sítio do Pica Pau Amarelo e eu ainda tive a infelicidade de viver essa fase da adolescência na cidade do Monteiro Lobato, onde até hoje você encontra as apresentações dos textos racistas em peças teatrais nas escolas.
Pra quem nasceu nas últimas décadas, vale ressaltar que não existia internet e os conteúdos não chegavam facilmente nas comunidades negras, por isso muitos ficcionistas negros famosos como Sandra Menezes e Octavia Butler tiveram experiências significativas de SCIFI com a televisão. Mesmo com as limitações, a gente dava um jeito de se divertir e o meu era jogar RPG, porém só podia contar com revistas emprestadas e alguns livros de fantasia que encontrava na biblioteca escolar, eles eram sempre os mais clássicos possíveis para quem curte obras fantásticas: H.G. Wells, Asimov, Júlio Verne, Edgar Allan Poe… autores que acabaram formando meu imaginário. Nada era sobre meu mundo, minha realidade e minha cara, mas tinha uma coisa que me aproximava demais dos Nerds, todos eram odiados na escola.
Filmes como “A vingança dos Nerds” mostravam como todo o grupo era visto: um bando de desajustados, bobos, fãs de videogames, quadrinhos, naves espaciais, que nunca eram convidados para as festas mais descoladas da turma. Passar a adolescência com essa turma foi muito divertido. No entanto, enquanto me divertia com meus amigos nerds, não percebia que a exclusão que enfrentávamos era diferente, meus amigos espelhavam-se nos heróis das histórias, a imagem dos personagens alimentavam seus egos. O preconceito que caia sobre eles era sobre serem “excêntricos”, por mais que fossem rejeitados e tivessem seus gostos culturais criticados pela maioria, toda exclusão vivida por essa turma poderia ser apenas uma estranheza cultural, nada comparado ao racismo que atravessa inúmeras questões do dia-a-dia.
Por isso, existe ainda uma parcela grande dos Nerds da minha geração que tem dificuldades em se aprofundar neste tema. Até entendo essa reação, afinal eles experimentaram uma exclusão em algum momento da vida e acabam confundindo isso, pois não perceberam que reproduziam a mesma rejeição dentro da comunidade. Historicamente, a representação de personagens negros em quadrinhos, filmes, séries e jogos tem sido limitada e, muitas vezes, carregada de estereótipos negativos. Essa escassez de representatividade não apenas marginaliza as contribuições e experiências dos nerds negros, mas também perpetua uma visão de mundo estreita e homogênea. O racismo presente no mundo todo afastou criadores negros e dificultou que histórias criadas por autores da comunidade se tornassem tão populares quanto os heróis clássicos, os brancos se tornaram o “panteão canônico”, como deuses imutáveis e qualquer alteração gera uma onda de repúdio grosseira.
Acontece que hoje a identidade nerd não é mais rejeitada, ser Nerd se tornou pop, a vingança dos nerds se concretizou e isso trouxe novos desafios para a comunidade. Alguns Nerds se tornaram donos de startups, empresários, escritores famosos, atores e membros influentes do mundo do entretenimento e a experiência da exclusão na adolescência parece ter desaparecido da sua mente, alguns ficaram mais insensíveis ainda à realidade de exclusão da comunidade negra. As novas gerações consomem a cultura nerd sem ter nem noção de como era difícil se identificar assim no passado, elas se agarram aos heróis canônicos de forma mais reacionária ainda, se mobilizando na internet, criando canais no youtube e conseguindo voz e visibilidade que era impensável anteriormente. Eu vi nesse momento um grupo bem diferente daqueles que se tornaram meus amigos, não era mais adolescentes estranhos com dados e livros nas mãos, não estavam mais interessados em criar juntos e pra piorar, não apenas ignoravam as questões raciais, mas estavam se tornando reativas a elas, se tornando agressivos a qualquer menção da discussão, acusando de vitimismo e em alguns casos extremos agredindo com ofensas racistas quem apontasse a falha da visibilidade nessa cultura.
Porém a alma da cultura Nerd é acreditar na sua imaginação, as nossas maiores histórias são sobre seres que atravessam a galáxia, os universos ou enfrentaram seres medonhos em mundos aterrorizantes porque acreditavam em si e nos seus sonhos. É isso que aproxima muita gente que ainda se sente excluída da comunidade, ativistas negros, LGBTQIA+, mulheres e todos aqueles que também acreditam na fantasia. É esse poder nerd que fez nascer e crescer personagens e produtores que passaram a me representar muito, como Blade. É importante ressaltar o ativismo do ator, Wesley Snipes em causas como violência policial e racismo; os personagens do selo Milestone, entre eles o Super Choque e o ativismo dos criadores dentro da indústria dos quadrinhos. Jordan Peele e seus filmes de terror.
É por conta de todos esses criadores, atores e produtores da comunidade que hoje temos várias personagens importantes que estão fazendo muito sucesso e contribuindo pra que a cultura Nerd seja mais inclusiva e representativa. Através de suas obras, esses pioneiros estão quebrando barreiras e construindo um legado de diversidade e aceitação. Personagens como Miles Morales, Riri Williams e Nubia têm inspirado uma nova geração a ver a si mesmos como heróis, não apenas nas páginas dos quadrinhos, mas também na vida real. Diretores como Ava DuVernay e Ryan Coogler têm redefinido o que significa ser um super-herói no cinema, trazendo perspectivas autênticas. Aqui no Brasil, movimentos como a Perifacon têm crescido, mostrando o poder da comunidade Nerd periférica, e nas periferias do norte têm se fortalecido a Convenção Nerd de Cultura e Tecnologia da Amazônia, trazendo o olhar de toda cultura dessa região para dentro da cultura de nerdices.
Infelizmente, como em todas as esferas da sociedade, qualquer pessoa que fale de diversidade e esteja ativamente discutindo os espaços de representatividade, a gente vai encontrar a reação agressiva de gente insensível ou ignorante. Apesar de tudo isso ainda é possível dizer que também tenho um Orgulho Nerd, foi essa identidade que preservou meu imaginário na adolescência e permitiu que eu sonhasse o suficiente para me transformar hoje em um escritor de ficção científica reconhecido e tento contribuir para preencher também a imaginação das próximas gerações de Nerds.
A taxa de analfabetismo entre as populações preta e parda no Brasil é mais que o dobro da registrada entre os brancos, conforme revelado pelo Censo 2022. Embora tenha havido uma redução ao longo das décadas, a desigualdade racial no acesso à alfabetização persiste.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os novos dados na sexta-feira (17). No Brasil, a taxa de analfabetismo da população com 15 anos ou mais é de 7%, o que corresponde a 11,4 milhões de brasileiros que não sabem ler e escrever um bilhete simples.
O censo aponta que o analfabetismo afeta a população de maneira desigual. Entre os pretos, 10,1% são analfabetos, enquanto entre os pardos essa taxa é de 8,8%. Já entre os brancos, a taxa é de 4,3%, menos da metade da registrada entre pretos e pardos.
Para os indígenas, a situação é ainda mais crítica, com uma taxa de analfabetismo de 16,1%, quase quatro vezes maior que a dos brancos.
Assim, dos 11,4 milhões de brasileiros analfabetos, 71,5% — ou 8,15 milhões — são pretos e pardos.
No entanto, dados históricos mostram uma redução dessas desigualdades raciais. Em 2010, a diferença entre as taxas de analfabetismo das populações branca e preta, parda e indígena era de 8,5, 7,1 e 17,4 pontos percentuais, respectivamente. Em 2022, essas diferenças caíram para 5,8, 4,5 e 11,8 pontos percentuais.
A taxa de analfabetismo entre a população branca é menor do que entre pretos, pardos e indígenas em todas as faixas etárias, inclusive entre os jovens.
Embora as gerações mais novas apresentam menores percentuais de analfabetismo, o Censo revela que a expansão educacional não beneficiou todos os grupos raciais de maneira uniforme.
Entre os jovens de 15 a 19 anos, 1,2% dos brancos não sabem ler nem escrever. Entre pretos, pardos e indígenas, as proporções são de 1,8%, 1,7% e 6,5%, respectivamente — totalizando mais de 155 mil jovens analfabetos nessa faixa etária.
As disparidades raciais se ampliam nas faixas etárias mais avançadas. Entre os maiores de 65 anos, 12,1% dos brancos são analfabetos, comparados a 33% dos pretos, 29% dos pardos e 46,2% dos indígenas.
Precisamos ter em mente que dados como estes acendem um alerta para a população negra, tais como: desigualdade econômica, exclusão social, educação para os descendentes, desenvolvimento comunitário e impacto na economia como um todo.
A educação é um direito fundamental e um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades, investir na alfabetização de pretos e pardos não só melhora as oportunidades individuais, mas também contribui para uma sociedade mais justa, próspera e inclusiva.
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