Quando penso nas artes como algo fundamental para o incentivo de inteligências, potencialidades e soft skills (habilidades comportamentais), logo me vem à mente a importância de ocuparmos lugares, por exemplo, no cinema – assim como se dá na música. Faço esse comparativo para evidenciar todo o acervo de artistas negros, muitos autodidatas, que se perpetuam no universo da produção musical, cujas obras são apreciadas por públicos diversos.
Já no audiovisual, a falta de acesso à formação superior (necessária para a admissão no setor) por parte de realizadores negros corresponde a uma das razões do cenário ainda desigual no que se refere a oportunidades. Para mapear e debater isso, criou-se a Cinemateca Negra, uma investigação da história do cinema negro produzido no Brasil. Segundo esse levantamento (trabalho que resultou em livro), apenas 1.086 filmes, incluindo longas, curtas e médias-metragens, foram dirigidos por uma ou mais pessoas negras desde 1949 (data do primeiro registro do cinema nacional). Até onde se tem conhecimento, José Cajado Filho é o primeiro diretor negro do nosso audiovisual, tendo lançado ‘Estou aí?’ justamente em 1949. Adélia Sampaio, por sua vez, foi a primeira mulher negra a dirigir um filme: o curta ‘Denúncia Vazia’, de 1979.
Entre 2010 e 2020, houve um aumento da participação de artistas negros no cinema: 83% da produção negra se deu nesse período. A hipótese para tanto, salienta Heitor Augusto, pesquisador-chefe e organizador da publicação em foco, relaciona-se às políticas de cotas, as quais contribuíram para que mais estudantes negros ingressassem em cursos superiores de audiovisual, bem como participassem de editais da área. Existem, porém, muitos outros avanços a serem alcançados.
Margareth Menezes assina prefácio do livro, valorizando a preservação de memórias da obra (Na foto: Rachel Maia e Margareth Menezes)
A Cinemateca Negra foi lançada pelo NICHO 54, instituto que apoia a carreira de pessoas negras em posições de liderança criativa, intelectual e econômica na indústria, em novembro de 2023. Para mapear todas as produções com mais de quatro minutos, a iniciativa teve como fontes de pesquisa festivais, mostras de cinema, retrospectivas e sessões especiais, além de graduações de cinema e audiovisual, cursos livres, formações técnicas e workshops de realização. Também foram consultadas coletâneas em DVD e Blu-ray, artigos acadêmicos, livros de entrevistas coletâneas, notícias e matérias on-line, além da Hemeroteca Digital Brasileira. Ou seja: tem-se uma pesquisa extensa.
Em 2024, a Cinemateca Negra chega ao público na íntegra em versão impressa bilíngue, objetivando incentivar a inclusão da história do cinema negro nos currículos das universidades. Tal conteúdo tem grande importância para a sociedade brasileira e, em especial, para a comunidade negra, uma vez que ter conhecimento e acesso a um acervo tão rico desperta o sentimento de pertencimento e formaliza que a presença dos realizadores negros no cinema brasileiro não é recente.
“Preservar as memórias das pessoas que vieram antes de nós e celebrar o imenso legado de nossos e nossas ancestrais é também um fazer político impregnado nas políticas culturais de nosso país”, pontua Margareth Menezes, cantora e atual ministra da cultura, no prefácio do livro que aqui celebro. Fazemos parte da história do cinema brasileiro e seguimos extremamente relevantes para a presente cena cultural.
O Relatório Mundial de Felicidade de 2024 lançado nesta quarta-feira, 20, traz insights valiosos sobre as tendências de felicidade em todo o mundo, trazendo à tona questões cruciais que afetam diferentes comunidades. Este documento, divulgado para marcar o Dia Internacional da Felicidade das Nações Unidas, é o resultado de análises detalhadas de dados da Pesquisa Mundial Gallup, conduzidas por renomados cientistas do bem-estar.
Especialistas utilizam respostas de pessoas em mais de 140 nações para classificar os países mais ‘felizes’ do mundo. Países do norte da Europa continuam liderando o ranking da felicidade. Pelo sétimo ano consecutivo, a Finlândia encabeça a lista, seguida por outros países da região. A pesquisa considera uma variedade de fatores, incluindo renda, saúde, liberdade, generosidade e ausência de corrupção, para determinar a felicidade de cada nação.
Neste cenário, o Brasil conquistou uma ascensão de cinco posições e agora ocupa o 44º lugar no ranking. No entanto, o Afeganistão, marcado por conflitos devastadores e o domínio do grupo extremista Talibã, figura como o país menos feliz na lista.
Entre os destaques, estão as disparidades raciais e sociais que influenciam significativamente a felicidade e o bem-estar das pessoas. No Brasil, uma nação marcada por uma forte diversidade racial, compreender como a discriminação racial e a desigualdade social impactam a felicidade é algo importante.
Neste sentido, as estatísticas revelam que grupos minorizados frequentemente enfrentam obstáculos adicionais no acesso a oportunidades educacionais e econômicas, o que pode afetar profundamente seu senso de bem-estar.
Além disso, o relatório destaca a preocupante queda na felicidade dos jovens em várias partes do mundo, incluindo na América do Norte e na Europa Ocidental. No Brasil, isso levanta questões sobre as condições de vida e as pressões sociais enfrentadas pelos jovens, especialmente aqueles pertencentes a comunidade negra e indígena.
Outro ponto relevante é a observação de que as políticas públicas são fundamentais para promover a felicidade e o bem-estar. Especialistas interdisciplinares das áreas da economia, psicologia, sociologia e outras tentam chegaram a essa conclusão analisando dados entre países e ao longo do tempo utilizando fatores como o PIB, a esperança de vida, ter alguém com quem contar, um sentido de liberdade, generosidade e percepções de corrupção.
“A elaboração de políticas eficazes depende de dados sólidos, mas continua a haver uma falta significativa deles em várias partes do mundo. O Relatório Mundial sobre a Felicidade de hoje tenta colmatar algumas destas lacunas, oferecendo insights sobre as percepções das pessoas sobre a vida na Terra. Oferece mais do que apenas classificações nacionais; fornece análises e aconselhamento para planejamento e elaboração de políticas baseadas em evidências. O nosso papel na investigação sobre a Felicidade Mundial enquadra-se naturalmente na nossa missão de longa data: fornecer aos líderes as informações corretas sobre o que as pessoas dizem que faz a vida valer a pena”, explica Jon Clifton, CEO da Gallup.
No Brasil, isso significa reconhecer e enfrentar as disparidades raciais e sociais por meio de programas sociais eficazes, investimentos em saúde mental e iniciativas que promovam a igualdade racial.
Em um mundo onde a felicidade é afetada por diversos fatores, desde o acesso a oportunidades até o senso de pertencimento e inclusão, o Relatório Mundial de Felicidade de 2024 destaca a importância de abordar as desigualdades subjacentes que impactam a vida das pessoas em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Assolado pela pobreza e falta de segurança há anos, o Haiti vive uma grave crise política, com uma nova onda de violência que começou no início deste mês. Segundo a OIM (Organização Internacional de Migrações), agência da ONU (Organização das Nações Unidas), a fuga de cerca de 4 mil presos resultou em mais de 17 mil pessoas que deixaram suas casas da capital Porto Príncipe para ir à outra região do país, entre os dias 8 e 14 de março. Só nesta terça-feira (19), foram encontrados 15 corpos em um subúrbio rico da capital haitiana.
Cerca de 200 gangues têm controlado áreas inteiras do Haiti, inclusive 80% de Porto Príncipe. Durante a ausência do primeiro-ministro Ariel Henry, que estava em viagem ao Quênia, foi instaurado o caos com ataques às infraestruturas, unidades da polícia e escritórios governamentais.
Um dos objetivos das gangues armadas era derrubar o primeiro-ministro, que acabou renunciando no dia 11 de março. Ele havia assumido o cargo de forma interina pouco antes do assassinato do presidente haitiano Jovenel Moïse (1968-2021). Sob estado de emergência e à beira de uma guerra civil, o país agora aguarda a formação de um governo de transição.
No mesmo dia da renúncia do primeiro-ministro, foi realizada uma reunião de emergência com representantes do Haiti, dos Estados Unidos, da ONU, entre outros. A Comunidade do Caribe (Caricom) e os seus parceiros encarregaram os partidos políticos haitianos e o setor privado do país de criarem as autoridades de transição.
Em meio a crise, nesta quarta-feira (20), os Estados Unidos já declararam a intenção de implantar tropas no Haiti, o que tem sido motivo de divergências entre as autoridades. A Assembleia dos Povos do Caribe (APC) já se manifestou contra tropas estrangeiras ou qualquer ajuda multinacional da ONU no Haiti: “Os ricos e setores mais privilegiados da classe média não são alvos das gangues armadas”, disseram em defesa dos mais pobres.
Você sabia que 21 de março é o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial? A data foi escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em memória ao Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960 na África do Sul, onde uma manifestação pacífica contra as leis do passe do apartheid foi brutalmente reprimida, resultando na morte de 69 pessoas e ferimentos em outras 180, a maioria negra.
Ao proclamar o Dia em 1966, a Assembleia Geral da ONU apelou à comunidade internacional para que redobrasse os seus esforços para eliminar todas as formas de discriminação racial. Atualmente, diversas iniciativas globais atuam no combate ao racismo. Nesse texto, apresentamos algumas ações:
United Nations Human Rights Council (UNHRC): O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas é uma iniciativa global que promove e protege os direitos humanos em todo o mundo, incluindo o combate à discriminação racial por meio de resoluções, relatórios e ações diretas.
Black Lives Matter (BLM): O movimento global surgiu nos Estados Unidos em resposta à violência policial e à discriminação sistêmica contra negros e pessoas de cor. O BLM organizou protestos, campanhas de conscientização e advocacia em todo o mundo para combater a injustiça racial.
protest international activist movement protesting against racism and fighting for justice – Demonstrators from different cultures and race protest on street for equal rights
The International Coalition of Sites of Conscience (ICSC): Essa coalizão global reúne locais históricos, museus e organizações dedicadas a preservar a memória de injustiças passadas, como a escravidão e o apartheid. Eles trabalham para educar o público sobre esses eventos e promover a reconciliação e a justiça social.
The Southern Poverty Law Center (SPLC): O centro de advocacia baseado nos Estados Unidos tem como objetivo combater o extremismo, o ódio e a discriminação, incluindo a discriminação racial. Eles fornecem recursos educacionais, litigam em casos de discriminação e monitoram grupos extremistas em todo o mundo.
European Network Against Racism (ENAR): A rede é uma coalizão de organizações antirracismo em toda a Europa. Eles trabalham para promover a igualdade racial, monitorar incidentes de racismo e discriminação e advogar por políticas e leis antidiscriminatórias em nível nacional e da União Europeia.
O governo lança nas próximas horas o Plano Juventude Negra Viva (PJNV), com 200 ações e 43 metas específicas voltadas para a população. De acordo com a gestão, este é o maior pacote de políticas públicas para jovens negros da história do país. “Falar de juventude sem ouvir os jovens é impossível”, disse a Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, em conversa com jornalistas, nesta quarta-feira (20).
Com detalhes e ações, o Plano Juventude Negra Viva vai ser lançado nesta quinta-feira, 21 de março, descrito também como o Dia Internacional contra a discriminação racial. A partir de um processo democrático, o PJNV foi construído com a escuta de aproximadamente 6.000 jovens negros/as durante a realização das caravanas, que percorreram os 26 estados e o Distrito Federal.
A Ministra Anielle relatou que o principal tema apontado pelos jovens durante a construção do PJNV foi a letalidade. “Esse era um ponto primordial, juntamente com a empregabilidade. Empregabilidade sempre vem com saúde mental. Então, pra mim, a educação, saúde mental, empregabilidade, segurança pública, eram os quatro pontos que eu mais ouvia”, relatou a ministra. As ações e metas do plano estão divididas nos seguintes eixos: saúde; educação; cultura; segurança pública; trabalho e renda; geração de trabalho e renda; ciência e tecnologia; esportes; segurança alimentar; fortalecimento da democracia; meio ambiente, garantia do direito à cidade e a valorização dos territórios.
As 10 ações prioritárias do Plano Juventude Negra Viva (PJNV) incluem:
1 – Projeto Nacional de Câmeras Corporais (Diretrizes, treinamento, capacitação); 2 – Criação do Pronasci Juventude Bolsas de R$ 500 para jovens negros enquanto passam por cursos de capacitação profissional por 1 ano nos Institutos Federais (IFs); 3 – Política Nacional de Atenção Integral a Saúde de Adolescentes e Jovens: Todos os programas do Ministério da Saúde terão recorte de juventude negra; 4 – Bolsa para preparação para concursos da Adm. Pública; 5 – Criação de Equipamentos de Referência em Políticas para as Juventudes; 6 – Promoção de intercâmbios entre países sul-sul: 6 milhões de investimento em intercâmbios de professores e estudantes de licenciatura. para África e América Latina; 7 – Implementar Pontão de Cultura com recorte específico para a juventude; 8 – Internet em territórios periféricos, comunidades tradicionais e espaços públicos; 9 – Núcleos do programa Segundo Tempo: Formação de jovens esportistas nas periferias; 10 – Crédito rural: Com foco na produção de alimentos, agroecologia e sociobiodiversidade, com ênfase na ampliação da linha de crédito rural PRONAF Jovem.
Após 70 dias na competição, Raquele foi eliminada do Big Brother Brasil 24. A capixaba saiu do reality com 87,14% dos votos, num paredão que disputou com a dupla de adversárias Alane e Beatriz, e garante que não se arrepende da trajetória. “Fui para ser como realmente sou. Se mexessem comigo, como mexeram, com certeza eu iria me defender, falar, ser reativa até certo ponto. Mas ser briguenta e apontar muito o dedo nunca foi de mim. Então, não teria como eu fazer diferente lá dentro. Eu fui a Raquele do início ao fim”, diz ela.
Sobre a possível carreira de cantora, a ex-sister diz que não descarta oportunidades. “O pessoal falou muito dos meus ‘takezinhos’ cantando na festa, e isso me surpreendeu, porque eu estava ali curtindo, dançando e cantando como se ninguém tivesse me observando. E, de repente, eu saio e vejo um vídeo meu cantando e as pessoas gostando, comentando. Então, se aparecer uma oportunidade, por que não tentar algo diferente?“, diz Raquele, que também não descarta os planos de seguir com sua doceria. “Sobre a doceria eu tenho que conversar com meu sócio, que é o meu noivo, para ver como vai ficar (risos). Mas é algo de que eu não queria abrir mão porque o doce mudou a minha vida, desde 2019 vem mudando. Não penso em largar de mão, mas vamos ver como vai ser, se eu vou dar conta disso tudo. Estou aberta a tentar novas oportunidades, novas coisas“.
Após quatro tentativas, Raquele conseguiu entrar no BBB. Em entrevista para a TV Globo, ela conta que talvez devesse ter agido de outra maneira dentro do programa, mas reforça que não poderia inventar um personagem de si mesma. “Pelo que eu andei observando, faltou eu soltar a minha oncinha, ser mais briguenta, falar mesmo (risos)… Mas eu não podia inventar um personagem porque essa não sou eu“, destaca. “Eu não conseguiria sustentar por muito tempo. Eu fui para ser como realmente sou. Se mexessem comigo, como mexeram, com certeza eu iria me defender, falar, ser reativa até certo ponto. Mas ser briguenta e apontar muito o dedo nunca foi de mim. Então, não teria como eu fazer diferente lá dentro. Eu fui a Raquele do início ao fim“.
Ao ser chamada de ‘planta’ por outras pessoas, Raquele rebate e diz que, para ela, não fazia sentido comprar brigas que não te pertenciam. “Isso foi porque eu não gosto muito de me intrometer em assuntos dos outros. Sou a pessoa que observa mais de fora e, se eu sentir que posso colocar minha opinião, vou colocar”, diz ela. “Mas, quando não é sobre mim, não me meto. Esse é o meu pensamento, contrário ao de outras pessoas que me achavam uma planta. Muita gente achava que eu não fazia movimentos dentro da casa, não conversava sobre jogo. Só que eu conversava, sim, mas com os meus, com quem eu me sentia à vontade. Não tem por quê eu conversar de jogo com pessoas que não são minhas aliadas. Como eles não viam isso, automaticamente eu era a planta da edição para eles“.
Nesta quarta-feira, 20 de março, é celebrado o Dia Mundial Sem Carne. A data tem o intuito de alertar sobre os cuidados com a saúde em relação ao consumo excessivo da carne, além do equilíbrio ambiental e bem-estar dos animais.
Seja pensando em uma ou todas essas pautas, um levantamento realizado pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) de 2018, apontou que 14% (cerca de 30 milhões de brasileiros à época) se consideravam vegetarianos. Já no caso dos veganos, estima-se que existam 10 milhões de pessoas que aderem a esse estilo alimentar.
Para entrar no clima do Dia Mundial Sem Carne, o Mundo Negro e o Guia Black selecionou lugares comandados por pessoas negras para comer refeições vegetarianas e veganas hoje.
O restaurante vegetariano é da chef proprietária Eliane Barbosa Carneiro. Ela abriu o estabelecimento com a necessidade de ter locais que oferecessem esse tipo de alimentação, sem que precisasse ser pratos insossos. Os pratos mais pedidos da casa são: Ceviche de Manga e massas artesanais, além de terem um ketchup artesanal. Endereço: Rua Desembargador Joaquim Ferreira Guimarães, 26 – Jardim Carvalho.
Foto: Reprodução/Instagram
Lujul Cozinha Consciente, São Paulo (SP) | Instagram: @lujul_
Comandado pelo chef Julio Cardoso, o restaurante é especializado em gastronomia italiana vegetariana e vegana. A tarta de banana em crocante de alga, o socarrat de vegetais e maionese de carvão ativado, estão entre os pedidos favoritos dos clientes. Endereço: Rua Original, 165 – Vila Madalena.
Comandado pela fundadora Laila Santos e a chef Silly, o estabelecimento é especializado em gastronomia africana, veganos e não veganos. Entre as especialidades está o prato Tigadiguena, um strogonoff Africano de amendoim, fufu de arroz, batata da terra chips e champignon (para veganos). Endereço: Rua Capitão Cavalcanti, 33 – Vila Mariana.
Empreendimento da chef Milena Albergaria, especializado em abará feitos sob encomendas, diz que ao criar o abará vegano, além de atrair veganos, surgiram clientes alérgicos a camarão, recém-mães que evitavam esse alimento pós-parto e para a introdução alimentar dos pequenos.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou nesta noite de terça-feira (19) que o ex-PM Ronnie Lessa, responsável por atirar em Marielle Franco e Anderson Gomes, resolveu colaborar com a investigação e concordou com os termos da delação premiada, que agora foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro apontou que muito em breve teremos a conclusão do caso e o nome dos verdadeiros responsáveis pelo crime.
“Nós sabemos que esta colaboração é um meio de obtenção de prova e traz elementos importantíssimos que nos leva a crer que brevemente teremos a solução do assassinato da vereadora Mariele Franco”, disse Lewandowski. “[O caso] está agora nas competentes mãos de Alexandre de Moraes e dentro em breve teremos o resultado daquilo que foi apurado pela competentíssima atuação da Polícia Federal, que em um ano chegou a resultados concretos nessa investigação“.
Ronnie Lessa foi preso em março de 2019 pela participação nas mortes de Marielle e Andersos. O anúncio confirma a veracidade das provas e da versão apresentada pelo ex-PM à Polícia Federal. Agora, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é o relator das investigações na Corte. O STF é responsável pelo julgamento de autoridades como presidente, ministros, senadores, deputados federais e integrantes dos tribunais superiores.
As notícias que acabam de sair com os avanços da investigação sobre o caso da minha irmã e do Anderson, nos dão fé e esperança de que finalmente teremos respostas para esse assassinato político, covarde e brutal.
O anúncio do Ministro Lewandowski a partir do diálogo com o…
A Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, se manifestou após o anúncio de Lewandowski. “As notícias que acabam de sair com os avanços da investigação sobre o caso da minha irmã e do Anderson, nos dão fé e esperança de que finalmente teremos respostas para esse assassinato político, covarde e brutal“, informou ela. “O anúncio do Ministro Lewandowski a partir do diálogo com o Ministro Alexandre de Moraes é uma demonstração ao Brasil de que as instituições de justiça seguem comprometidas com a resolução do caso”.
A ex-namorada de Jonathan Majors, 34, entrou hoje, 19 de março, com uma nova ação contra o ator por difamação, agressão, imposição intencional de sofrimento emocional e processo malicioso. Ele já havia sido condenado por violência doméstica contra ela, em dezembro do ano passado, e está a menos de um mês para receber uma sentença de até um ano de prisão.
No processo civil aberto no tribunal federal de Nova Iorque por danos múltiplos, Grace Jabbari alega “abuso verbal e físico” por parte de Majors, desde o início do relacionamento do casal, durante a gravação do filme ‘Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania’, onde se conheceram. Ela afirma que foi sujeitada a “um padrão de violência doméstica generalizada que começou em 2021 e se estendeu até 2023”, quando eles se separaram.
A atriz também afirma que Majors “recorreu a abusar publicamente de sua reputação” e a chamou de “uma mentirosa a todo momento… com o objetivo de convencer o mundo de que Grace não é uma vítima de violência doméstica, mas sim uma mentirosa maluca”. Agora ela busca indenizações compensatórias e punitivas.
Em documentos legais obtidos pela Rolling Stone, Jabbari também relata que Majors tinha “consistentemente envolvido num padrão crescente de comportamento abusivo contra as mulheres desde 2013”. A equipe jurídica do ator ainda não se pronunciou a respeito.
Entenda o caso
As acusações contra Majors surgiram em março de 2023, quando ele foi apontado por agredir sua ex-namorada, Grace Jabbari. Na ocasião, o ator alegou ter chamado a polícia ao encontrá-la inconsciente em seu apartamento. Os agentes que responderam à ocorrência prenderam Majors ao identificar lesões em Jabbari, incluindo uma lesão atrás da orelha e um dedo quebrado. Apesar da alegação de inocência por parte do ator, durante o julgamento, Jabbari afirmou que os ferimentos foram causados por Majors durante uma briga no carro no mesmo dia.
No final do ano passado, Majors foi condenado por agressão por contravenção em terceiro grau, causando danos físicos de forma imprudente, bem como assédio em segundo grau no caso de violência doméstica, contra a ex-namorada, em março de 2023. Mas foi inocentado das acusações mais graves de agressão intencional de terceiro grau e assédio agravado. Com audiência marcada para 8 de abril, o ator de ‘Creed III’ pode pegar até um ano de prisão pela condenação de violência doméstica.
Em menos de 3 meses fará 4 anos que o assassinato de George Floyd parou o mundo. Em 25 de maio de 2020, o afro-americano foi morto por um policial de Minneapolis, nos Estados Unidos, que pressionou o joelho contra seu pescoço por quase nove minutos. O crime desencadeou protestos globais e destacou questões da brutalidade policial e do racismo sistêmico em todo mundo.
Até hoje esse fato é apontado como um grande momento na história da humanidade onde o racismo contra pessoas negras foi reconhecido como um fator de atraso social, político e econômico na vida deste grupo e diversas iniciativas surgiram ao redor do mundo no sentido de tentar oferecer algum tipo de reparação. Obviamente, nada do que foi feito chegou perto de qualquer tipo de reparação histórica que minizmie os danos do holocausto negro, que no Brasil durou quase 400 anos e antes que alguns avanços pudessem ser celebrados, as iniciativas de igualdade racial, sofreram cortes severos. Vale lembrar que em 2023, a Suprema Corte Americana derrubou as cotas raciais nas universidades
Floyd foi mencionado algumas vezes durante o encontro de mulheres brasileiras no evento do Pacto Global – Rede Brasil da ONU , realizado em Nova York nos dias 13 e 14 de março. O “evento paralelo” foi parte da programação da 68ª edição da Comissão de Situação da Mulher (CSW), o maior evento de equidade de gênero do mundo.
Durante a mesa Giselle dos Anjos Santos, Historiadora e Pesquisadora Especialista em Interseccionalidades do CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), reconheceu a importância das manifestações de 2020, mas lembrou que antes disso o ativismo do movimento negro já havia causado impactos no sentido de trazer uma reflexão de como as estruturas sociais compactuam com o racismo, e alguns frutos também foram colhidos.
Giselle dos Anjos Santos – Foto: Fábio Ura
“Não podemos esquecer o quão significativo tem sido essas tentativas de mudanças. Em alguns momentos eu fico até me perguntando se faz sentido a gente dizer que realmente essas políticas afirmativas dentro das instituições, especialmente considerando a pauta racial, começaram a partir do caso do George Floyd. De fato, a gente entende que mudou muito, mas antes disso, já tinham muitas instituições, ainda de forma tímida, trabalhando com o tema”.
NADA É PERMANENTE, NEM O RETROCESSO
Após a mesa na ONU, conversamos com Giselle Santos e Edilza Sotero, Cientista Social, pesquisadora do CEERT e professora da Universidade Federal da Bahia.
Giselle dos Anjos Santos e Edilza Sotero – Foto: Fábio Ura
Demissões em departamentos de Diversidade e Inclusão, cortes em projetos com foco na comunidade negra e questionamentos sobre a continuidade de ações afirmativas têm trazido tensões nas rodas negras do meio corporativo e acadêmico.
Giselle reforça que apesar da relevância das ações sociais antirracistas de 2020, é preciso reconhecer quem veio antes. “A luta do Movimento Negro é histórica e precisa ser reconhecida e valorizada, porque se a gente avançou de alguma forma em termos de promoção da equidade na sociedade brasileira foi também por conta da intervenção, da construção e da contribuição dessas organizações. E aí eu gosto, inclusive, de enfatizar que o Movimento Negro, como diz a própria Nilma Lino Gomes, do Movimento Negro Educador, que ele não constrói uma luta para favorecer unicamente o grupo da população negra, pelo contrário. Essa luta atinge toda a sociedade”.
A intelectual reconhece os esvaziamentos das pautas raciais nos espaços de poder, mas ela volta à história para trazer uma reflexão de que não é a primeira vez que a sociedade anda para trás sobre questões étnicos raciais.
“O CEERT, por exemplo, é uma dessas instituições que há mais de três décadas promovem a equidade racial e de gênero, especialmente dentro das instituições, promovendo uma política de promoção da equidade racial, interseccionada com o gênero, construindo censos, construindo uma metodologia, a partir da nossa metodologia de trabalho que visa construir uma outra cultura, uma dinâmica onde as pessoas negras não só possam estar, mas estar de forma que não seja pautada por uma lógica de violência. A gente reconhece que está havendo um enxugamento das pautas de diversidade, mas eu acredito que existe um movimento que ele é contínuo, mas que ele não é linear. Quando a gente pensa as ações de modo geral, a política e a dinâmica social, na verdade, a dinâmica social não é linear. Vai existir um movimento de avanço, assim como vai existir um movimento de retrocesso, porque faz parte de uma lógica, inclusive dialética, da sociedade. Assim como o avanço é um movimento que aconteceu dentro das empresas e agora está retrocedendo, essa também é a impressão da própria dinâmica da sociedade brasileira, que avançou nos últimos anos em relação à pauta racial e de gênero”, reflete a historiadora.
Entender que o interesse social por questões raciais vai e volta ao longo da história é algo importante que reforça a necessidade de se estar sempre preparado para para mudanças, mas principalmente ter a consciência que a luta não pode ser cíclica.
“É fundamental para que a gente não esmoreça no processo, para que a gente efetivamente entenda que a pressão tem que ser contínua. Porque inclusive quando a gente dá passos e avança, a gente acha que pode recuar ou relaxar. A sociedade precisa caminhar para frente sem retroceder sobre nossos direitos”, completa Giselly.
AS MULHERES NEGRAS MANTÉM A ESQUERDA À ESQUERDA
“Acredito que há, de fato, um crescimento no conservadorismo, mas ao mesmo tempo observamos um aumento na representação negra por diversos motivos. Falamos muito sobre George Floyd, mas muitas vezes esquecemos de Marielle Franco. Infelizmente, hoje estamos lembrando os seis anos de seu assassinato. Após este momento em que Marielle se tornou uma semente, uma ancestral, ela impulsionou muito o movimento de mulheres negras na política, que estava conectado a ela, bem como aquelas que não estavam. Além disso, houve um esforço contínuo por parte das mulheres negras para convencer os partidos políticos de que elas são sim candidatas viáveis”, reflete a cientista social, Edilza Sotero.
Edilza Sotero – Foto: Fábio Ura
O conservadorismo também é um movimento social cíclico, mas para a pesquisadora os movimentos sociais estão bem firmes.
“O conservadorismo é um movimento que vai e volta, mas nos Estados Unidos, por exemplo, a gente tem uma bancada, que é uma bancada do Partido Democrata, com pessoas que são negras, de origem latina, de origem árabe, que estão também colocando na política um discurso onde não admitem ser deixados de fora. No Brasil, lembro de Vilma Reis, deputada baiana, que diz uma frase que é maravilhosa: ‘é preciso mudar a fotografia do poder’. Não dá mais para tirar aquelas fotos da chapa, que está todo mundo branco, todo mundo do partido branco, e aí mudar a fotografia também a gente conta uma história que está atrás dela, não é só o momento da foto, mas como é que a gente muda a história que está constituída para que aquela foto exista. Nós mulheres negras somos a esquerda. É a gente que puxa a esquerda para a esquerda. É a gente que puxa os debates que precisam ser feitos para que eles estejam na pauta. Então eu acho que é um momento de apreensão, mas é um momento de reafirmar que nós temos respostas. A gente não é só voto. A gente tem resposta para a política e para a sociedade, para a mudança que a gente quer”, finaliza Edilza.