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Os desafios da construção de riqueza das famílias negras brasileiras

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Helen Moraes, uma mulher negra e com blusa social branca, posando para foto.
Helen Moraes (Foto: Divulgação)

Por: Rachel Maia

No dicionário, a palavra herdeiro significa “sucessor” e entre o povo negro esse contexto raramente é associado ao poder aquisitivo. Uma palavra que representa uma divisão entre aqueles que detêm liberdade de escolha e os que precisam correr atrás do prejuízo causado pelo sistema escravocrata e pela ausência de reparação aos descendentes de pessoas escravizadas.

Sendo assim, a discussão sobre riqueza entre famílias negras não pode ser reduzida à capacidade individual de poupar, empreender ou conquistar a casa própria. É preciso compreender que patrimônio é resultado de tempo, oportunidades e transmissão de recursos entre gerações. Entender que existe uma dívida histórica que mantém pessoas negras em desvantagem financeira é fundamental para identificar os diferentes pontos de partida.

Casa própria: patrimônio, herança e oportunidade

A moradia é o principal instrumento de formação patrimonial. É a partir da tão sonhada casa própria que as famílias brasileiras têm a oportunidade de se projetar para o futuro e proporcionar aos seus herdeiros maior tranquilidade e melhores condições para alcançar estabilidade financeira.

Helen Moraes é CEO da Habita Reurb e da Habita Moraes, a primeira mulher negra à frente de uma incorporadora de construção civil, alguém que cria oportunidades para que famílias iniciem o processo de formação patrimonial e compreendam que cada bem material adquirido representa um passo em direção à segurança financeira e geração de riquezas.

“Muitas famílias negras sonham com a casa própria, mas cresceram sem referências de investimento patrimonial dentro de casa. Quando não existe herança, imóvel ou reserva financeira familiar, cada geração precisa começar do zero”, enfatiza Helen.

Quando uma família adquire um imóvel, ela não está apenas conquistando um bem material. Está criando uma base de segurança capaz de atravessar décadas, protegendo seus descendentes das instabilidades econômicas e ampliando suas possibilidades de escolha. Como defende Helen: “Incentivar a compra da casa própria, o planejamento financeiro e a cultura da sucessão patrimonial é contribuir para que as próximas gerações tenham mais oportunidades do que tivemos. Afinal, riqueza não se constrói apenas para uma vida, mas para um legado”.

Enquanto descendentes de europeus acumulam patrimônio há gerações — por terem adquirido concessões para compra de terras e imóveis —, famílias negras e indígenas, descendentes de pessoas privadas de sua liberdade e impedidas de adquirir recursos para iniciar suas vidas financeiras e acadêmicas devidamente, ainda estão construindo aquilo que deveria ter sido o ponto de partida de seus antepassados.

“Acredito que a educação patrimonial é uma ferramenta de transformação social. Tenho procurado ensinar as pessoas da minha comunidade que a aquisição da casa própria não representa apenas segurança habitacional, mas também a construção de um ativo capaz de gerar estabilidade financeira e oportunidades para os filhos e netos. Um imóvel pode ser a primeira etapa para a formação de riqueza familiar”, contextualiza a empresária.

Temos falado sobre reparação e sobre políticas de acesso, inclusão e informação para essa parcela da população, historicamente negligenciada, que ainda sofre os efeitos de quase quatorze décadas decorridas desde o fim da escravização. A ampliação do acesso à moradia, ao crédito, à educação financeira e às oportunidades de geração de renda para a população negra fortalecerá uma cultura de planejamento patrimonial, permitindo que os frutos das conquistas atuais não se encerrem em uma única geração.

“Construir riqueza é um processo de longo prazo. Ele começa quando entendemos que patrimônio não é apenas um bem material, mas uma estratégia de liberdade econômica. Dados do IBGE demonstram que a renda da população preta e parda permanece significativamente inferior à da população branca, o que impacta diretamente a capacidade de poupar, investir e adquirir bens duráveis. Essa desigualdade não afeta apenas o presente, mas também a possibilidade de construção de herança e mobilidade social”, ressalta a CEO.

Produzir riqueza e garantir que ela permaneça, cresça e seja transmitida de geração em geração entre as famílias afro-brasileiras e os povos originários é um desafio que estamos enfrentando há muito tempo. E esse tempo já se estendeu o suficiente para que a situação retratada nestas linhas não seja normalizada, mas combatida. Isso exige intencionalidade, perseverança e sobretudo corresponsabilidade de pessoas não-negras nesse processo de transformação. A palavra “herdeiro” precisa deixar de ser uma exceção na realidade das famílias negras brasileiras para se tornar parte de uma trajetória coletiva de prosperidade, autonomia e poder de escolha.

TJ do Pará anula acordo que obrigava sacerdotisa de Umbanda a sair de casa 

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Foto: Joa Souza/Getty Images

Decisão reconhece violação à liberdade religiosa, ao direito à moradia e determina o trancamento definitivo do processo após atuação do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO).

Uma decisão do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA) anulou o acordo que obrigava uma sacerdotisa de Umbanda a deixar sua residência e interromper práticas religiosas após reclamações de vizinhos sobre suposta perturbação do sossego. O entendimento da Justiça também determinou o trancamento definitivo do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) que deu origem ao caso.

A decisão foi proferida pela juíza relatora Ana Patrícia Nunes Alves Fernandes, da 1ª Turma Recursal Permanente dos Juizados Especiais, após habeas corpus apresentado pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO) em favor de Jussilene Natividade Maia, moradora de Belém (PA) e sacerdotisa de Umbanda.

Acordo foi considerado incompatível com direitos fundamentais

O caso começou após reclamações relacionadas aos sons produzidos durante os rituais religiosos. Sem assistência jurídica, Jussilene assinou, durante audiência no Juizado Especial Criminal, um acordo que previa a busca por outro imóvel em até 30 dias e a interrupção do uso de tambores, sinos e outros elementos litúrgicos da religião.

Ao analisar o caso, a magistrada concluiu que o acordo era materialmente nulo por impor restrições incompatíveis com direitos fundamentais, como a liberdade religiosa, o direito à moradia, a dignidade da pessoa humana e a vedação constitucional ao banimento.

A decisão também destacou que não havia laudo técnico capaz de comprovar excesso de ruído que justificasse a caracterização da contravenção penal. Segundo a relatora, o processo apresentava elementos de discriminação relacionados ao exercício de uma religião de matriz africana.

Decisão reforça proteção à liberdade religiosa

Para o advogado Hédio Silva Júnior, presidente do IDAFRO e responsável pela ação, a decisão representa um importante precedente para a proteção dos direitos das comunidades de matriz africana.

“O Tribunal reconheceu que a liberdade religiosa, a moradia e a dignidade humana não podem ser negociadas. Foram impostos 30 dias para que a sacerdotisa deixasse sua casa e o terreiro, local sagrado da profissão de fé, em uma transação penal completamente descabida, que foi revista e anulada pelo TJ”, declarou o jurista.

Segundo Hédio, o julgamento também reforça a responsabilidade do Poder Judiciário em impedir que acordos aparentemente consensuais resultem na violação de direitos fundamentais ou legitimem práticas discriminatórias.

‘Será o Benedito Café e Prosa’: novo refúgio gastronômico com coworking e ancestralidade em São Paulo

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Espaço da cafeteria Será o Benedito
Foto: Divulgação

O bairro do Ipiranga, em São Paulo, ganhou um novo ponto de encontro que transborda representatividade e cheiro de café fresco. O ‘Será o Benedito Café e Prosa’ abre suas portas como a realização de um sonho do empreendedor Rogério Caetano de Campos, que conversou com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs sobre sua trajetória e o legado que está construindo com o estabelecimento.

O espaço vai muito além de uma cafeteria convencional: une gastronomia afetiva, um espaço aconchegante de coworking com internet de alta velocidade (700mb) para quem precisa trabalhar ou estudar, além de uma forte conexão com as origens negras e a espiritualidade.

Rogério Caetano de Campos (Foto: Divulgação)

O nome do espaço, Será o Benedito, carrega uma homenagem tripla. É um tributo ao saudoso pai de Rogério, o Sr. Benedito; uma reverência a São Benedito, o padroeiro dos cozinheiros e das donas de casa no catolicismo; e uma conexão com os Pretos Velhos pelas religiões de matriz africana. “Hoje meu empreendimento está voltado para o café que, na verdade, eu acho que é coisa de Aruanda […] Nossa cafeteria é muito protegida por todos eles, tenho certeza disso”, afirma o fundador, que também destaca como cozinhar é um ato de amor. “Se a coisa é feita com amor, não tem como não dar certo”.

O estabelecimento conta com um cardápio variado. Diante do inverno, também está com um Festival de Bebidas Quentes, que incluem Chocolate Quente, Cappuccino e Café com Leite. Os clientes também podem comprar diferentes lanches para acompanhar, como pedaços de bolo e coxinha.

‘Será o Benedito Café e Prosa’ (Foto: Divulgação)

Afroempreendedorismo: legado familiar e trajetória

Antes de inaugurar a cafeteria em junho, Rogério já empreendeu com uma pizzaria e aprendeu muito com a sua família desde a infância. “Minha mãe nos ensinou a cozinhar desde os 11 ou 13 anos. Com certeza minha inspiradora foi minha mãe, Dona Vera Lúcia“, relembra. Ele também é irmão de Regiane Campos, chef do restaurante-escola Da Quebrada, em Pinheiros, que figura como outra grande inspiração atual.

Coworking do ‘Será o Benedito Café e Prosa’ (Foto: Divulgação)

Mas empreender no Brasil sendo um homem negro é um ato de muita coragem e resistência. Rogério pontua que os desafios são diários, e ainda há situações de racismo, como o que ocorreu há alguns anos atrás na pizzaria que ele tinha sociedade. “Um funcionário teve a ousadia de me indagar de onde vinha meu dinheiro e quanto era a minha parte porque ele não admitia trabalhar para um negro. Fiquei furioso pois ninguém sabe da luta pra conquistar algo. Infelizmente esse negócio não foi pra frente, mas foi sim um grande aprendizado. E claro, desliguei ele na hora do quadro de funcionários”, relatou.

Hoje com o Será o Benedito, Rogério mira no futuro e projeta o crescimento do negócio com o desejo de alcançar a tranquilidade financeira e expandir a marca, deixando um legado sólido para todos os envolvidos.

Serviço

  • Local: Será o Benedito Café e Prosa
  • Endereço: Rua Bom Pastor, 2024 – Ipiranga, São Paulo – SP
  • Instagram: @seraobeneditocafe
  • WhatsApp: (11) 99494-9510

Rei de Oyó visita a Bahia para fortalecer patrimônio iorubá

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Rei de Oyó durante visita à Casa de Oxumarê, em Salvador
Foto: Divulgação

Visita reforça os laços entre Brasil e Nigéria e fortalece uma cooperação construída pela Bahia em defesa da preservação do patrimônio cultural iorubá. 

A visita do Alaafin de Oyó, Ọba Akeem Abimbola Owoade I, à Bahia marca um novo momento na cooperação entre Brasil e Nigéria em torno da preservação do patrimônio cultural iorubá. O monarca cumpriu, até o dia 4 de julho, uma agenda de atividades acadêmicas, diplomáticas e culturais voltadas ao fortalecimento dos vínculos históricos entre os dois países na Bahia.

Cooperação entre Brasil e Nigéria

A programação incluiu a participação na 4ª Conferência Internacional LASUCAS, realizada na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e o lançamento do livro Oyó: A Cidade do Patrimônio Cultural Iorubá, resultado de uma parceria entre instituições brasileiras e nigerianas que apoiam o reconhecimento internacional da antiga capital do Império Iorubá como Patrimônio Mundial.

Casa de Oxumarê 

Um dos momentos centrais da visita foi a recepção da comitiva na Casa de Oxumarê (Ilé Òṣùmàrè Àṣẹ Àràká Ògódò), um dos mais tradicionais terreiros de candomblé do estado, localizado na capital baiana. O encontro simboliza o reconhecimento do papel desempenhado pela instituição na aproximação entre Salvador e Oyó e nas iniciativas voltadas à preservação desse patrimônio compartilhado.

Essa relação começou em 2014, quando integrantes da Casa de Oxumarê visitaram Oyó e identificaram a necessidade de fortalecer ações de proteção aos patrimônios históricos, culturais e religiosos da cidade. A partir desse diálogo, foi construída uma rede de cooperação que reuniu outros terreiros tradicionais da Bahia e instituições brasileiras e nigerianas, consolidando um intercâmbio voltado à valorização da herança iorubá.

Patrimônio iorubá compartilhado

Oyó desempenhou papel fundamental na difusão da língua, das tradições e das instituições iorubás como a antiga capital de um dos principais impérios da África Ocidental. Com a diáspora africana, parte desse legado atravessou o Atlântico e encontrou na Bahia um dos seus principais territórios de preservação.

Para Sivanilton Encarnação da Mata (Babá Pecê de Oxumarê), babalorixá da Casa de Oxumarê, preservar Oyó também significa preservar parte da história compartilhada entre Brasil e Nigéria:

“Quando iniciamos esse diálogo com Oyó, compreendemos que preservar a antiga capital do Império Iorubá significava também proteger a memória de parte da nossa própria história. A visita do Alaafin reafirma que Bahia e Nigéria compartilham um patrimônio vivo, construído pela ancestralidade, pela espiritualidade e pelo compromisso das comunidades tradicionais em manter esse legado para as futuras gerações.”

Mbappé reage a ataques racistas de senadora paraguaia: “Desprezível e indigna de sua função”

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Kylian Mbappé e Celeste Amarilla
Fotos: Getty Images e Congresso de Paraguai

Em mais um episódio de racismo e xenofobia no futebol, o atacante e capitão da seleção francesa, Kylian Mbappé, foi alvo de ataques por parte da senadora paraguaia Celeste Amarilla. O crime ocorreu após a vitória da França sobre o Paraguai por 1 a 0, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, no último sábado (4).

Diante da violência verbal, o camisa 10 fez uma publicação no X (antigo Twitter) acompanhada da foto da parlamentar. “Senhora Celeste Amarilla, você é uma mulher desprezível e indigna de sua função. Você não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição. Por sua inconsciência e seu racismo descomplexado, o mundo inteiro já esqueceu o percurso e o esforço histórico que seus jogadores realizaram durante esta Copa do Mundo, dando lugar a uma senhora incompetente que oferece a pior imagem possível de seu país. Eu nunca deixarei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo”, disparou.

Logo após a eliminação do Paraguai, a senadora destilou uma série de ofensas raciais na mesma rede social. “Bruto nem aprendeu a escrever, em vez de leite materno, chupava cocos e o mais instruído que ouvia eram chimpanzés”, escreveu. Em outra mensagem, ela destilou novos xingamentos: “Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio”.

Além das agressões verbais, a senadora incitou explicitamente a violência física, lamentando que os jogadores da seleção paraguaia (Albirroja) não tenham agredido o atacante após o apito final: “A única coisa que muitos de nós criticamos na Albirroja é não terem dado um tapa nele no fim do jogo”.

A Federação Francesa de Futebol (FFF) e o governo da França se manifestaram em repúdio absoluto e anunciaram que medidas judiciais severas serão tomadas contra a parlamentar paraguaia.

Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz lançam Escreviventes 

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Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz em divulgação de Escreviventes
Foto: Thiago dos Santos

Obra reúne uma conversa inédita entre as escritoras e antecipa o documentário homônimo dirigido por Estevão Ribeiro, previsto para estrear nos festivais em 2027. 

Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz transformaram décadas de amizade, literatura e reflexões sobre a vida em Escreviventes, livro lançado pela Pallas Editora que inaugura a coleção Memórias Brasileiras. A publicação registra uma conversa inédita entre as duas autoras e antecipa o documentário homônimo dirigido por Estevão Ribeiro, atualmente em pós-produção.

O encontro aconteceu durante dois dias, em dezembro de 2025, na Kaza 123, quilombo urbano localizado em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. A obra preserva o diálogo e a amizade entre duas escritoras que compartilham uma trajetória marcada pela produção literária e pelo compromisso com a construção de narrativas a partir de suas próprias experiências.

A publicação chega em um momento simbólico para ambas. Em 2026, Conceição Evaristo celebra 80 anos, enquanto Eliana Alves Cruz completa 60. Conceição consolidou o conceito de escrevivência por meio de obras como Ponciá Vicêncio, Becos da memória, Olhos d’água e Canção para ninar menino grande, que a tornaram referência da literatura brasileira. Já Eliana, jornalista de formação, construiu uma trajetória reconhecida por premiações como o Prêmio Jabuti, conquistado em 2022 com A vestida, e o Prêmio Guimarães Rosa, da Academia Brasileira de Letras, na categoria Melhor Livro de Ficção, por Meridiana.

Em Escreviventes, a conversa percorre temas como racismo, maternidade, sexualidade e envelhecimento. Durante o diálogo, Conceição recupera a palavra “parecenças”, utilizada para definir as afinidades que aproximam as autoras e permeiam toda a narrativa da obra.

A obra também reúne depoimentos do escritor Itamar Vieira Junior, do filósofo Renato Nogueira, da escritora cubana Teresa Cárdenas e da jornalista Flávia Oliveira. As participações ampliam as reflexões propostas pelas autoras ao longo do livro e ajudam a contextualizar a relevância de suas produções para a literatura e para a cultura brasileira.

A publicação antecipa o universo do documentário Escreviventes, dirigido por Estevão Ribeiro. O longa tem estreia prevista em festivais em 2027 e lançamento comercial em 2028, tornando o livro o primeiro registro público do encontro entre as escritoras.

O livro já está em pré-venda e será lançado oficialmente durante a 24ª FLIP. Para saber mais sobre a obra e acompanhar as novidades, acesse o perfil oficial da @pallaseditora no Instagram.

Taís Araújo fará participação especial em “A Nobreza do Amor”

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Reprodução/Instagram / Globo/ Estevam Avellar

A Nobreza do Amor pode ganhar Taís Araújo no elenco, em papel ligado à realeza africana, confira detalhes.

Taís Araújo, confirmou uma participação especial em “A Nobreza do Amor”, novela das seis da Globo protagonizada por Duda Santos. Segundo a coluna Play, do jornal O Globo, a atriz vai interpretar uma integrante da realeza dentro do reino fictício de Batanga, cenário africano que estrutura boa parte da trama escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr. As gravações estão previstas para os próximos dias, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.

A participação marca o retorno de Taís às novelas depois do remake de “Vale Tudo”, produção que a atriz atravessou em meio a bastidores conturbados, segundo relatos da imprensa. Antes de aceitar o papel atual, ela recusou dois convites para personagens maiores dentro do próprio folhetim. A primeira proposta era para viver a rainha Niara, recusada logo após a experiência em “Vale Tudo”, papel que acabou com Erika Januza. Depois, veio o convite para a princesa Binta, que Taís não conseguiu encaixar na agenda, e que ficou com a atriz angolana Lesliana Pereira, 38, conhecida por outros folhetins brasileiros como “I Love Paraisópolis”.

Na trama, Taís poderá contracenar diretamente com o marido, o ator Lázaro Ramos, que interpreta o vilão Jendal, responsável por um golpe de estado que o coloca no trono de Batanga. A novela também conta com Jorge Lucas e Ana Miranda no elenco, como pais da princesa Binta, ampliando o núcleo de personagens ligados à realeza do reino fictício.

“A Nobreza do Amor” se desenvolve em dois cenários paralelos, o próprio reino de Batanga, situado na costa ocidental africana, e a cidade fictícia de Barro Preto, no Rio Grande do Norte. A ambientação dá centralidade a uma narrativa de realeza africana pouco comum na teledramaturgia brasileira, com abertura que já remete a raízes afro-brasileiras dentro do universo da trama.

A entrada de Taís chega em um momento de agenda concentrada da atriz fora da televisão. Ela segue em cartaz com o espetáculo solo “Mudando de Pele”, que teve temporada de sucesso no Rio de Janeiro antes de estrear em São Paulo, onde ganhou datas extras, e ainda passa por Belo Horizonte. Taís também recusou o papel de protagonista em “Por Você”, próxima novela das sete da Globo, prevista para estrear em agosto, escalação que ficou com Sheron Menezzes. O contrato da atriz com a emissora havia sido renovado em fevereiro deste ano.

A escolha de recuar para uma participação mais curta, depois de duas recusas seguidas, também marca um momento em que Taís tem calibrado os convites que aceita na televisão. A atriz já havia sinalizado publicamente a intenção de priorizar o teatro antes de assumir novos compromissos extensos na TV, e a presença pontual em “A Nobreza do Amor” preserva parte da agenda que ela vem reservando para os palcos, sem tirá-la de um projeto que já reúne o próprio marido no elenco.

Nesta segunda-feira (6), a trama segue avançando outros núcleos da história. O capítulo do dia traz Malungo recebendo informações de Jorge, enquanto Diógenes e Marta confrontam Virgínia diante das acusações feitas por Lúcia, sob a identidade de Alika. Onildo defende que Miguel e Salma têm direito de conhecer a verdade sobre o próprio estado de saúde, contrariando a postura de Fátima, que segue enganando a filha para mantê-la sob controle.

Despedida de Neymar da seleção repercute na imprensa internacional

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Foto: REUTERS/Mike Segar

Neymar anuncia saída da Seleção após eliminação do Brasil na Copa. Veja como A Bola, AS e Marca repercutiram a despedida do camisa 10 na imprensa internacional.

O anúncio de Neymar de que não voltará a defender a seleção brasileira ganhou espaço na imprensa internacional poucas horas depois da eliminação do Brasil para a Noruega, nesta segunda-feira (6), nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Jornais de Portugal e Espanha noticiaram a despedida do camisa 10 com abordagens distintas, ainda que convergindo num mesmo ponto, o encerramento de uma trajetória que nunca resultou em título mundial.

O jornal português A Bola estampou a palavra “Acabou” na manchete e reproduziu a fala do próprio Neymar após a partida, que resumiu o fim do ciclo com a seleção em poucas palavras. “Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui”, disse o atacante, em coletiva após a eliminação. A publicação também lembrou que Neymar encerra a passagem pela seleção como maior artilheiro da história do Brasil, com 80 gols em 130 partidas disputadas pela amarelinha.

Já o espanhol AS escolheu enquadrar a notícia por outro ângulo. Sob o título “A maldição de Neymar: quatro Mundiais sem conquistar a coroa”, o diário apontou a ausência do título mundial como a principal lacuna na carreira do jogador, que disputou quatro edições da Copa sem levantar a taça. O texto também mencionou a participação limitada de Neymar nesta edição do torneio, resultado de uma lesão sofrida ao longo da competição, e questionou a decisão do técnico Carlo Ancelotti de mantê-lo convocado mesmo diante de outros atacantes em melhor fase.

O Marca, também da Espanha, resumiu o desfecho como uma “despedida amarga”, recorrendo à própria fala do jogador para descrever o clima após a eliminação. Para o jornal, a derrota para a Noruega fechou de forma melancólica uma passagem marcada pelo talento individual, mas sem o hexacampeonato que a torcida brasileira buscava havia mais de duas décadas.

Apesar dos enfoques diferentes, adotados conforme a linha editorial de cada veículo, os três jornais chegam à mesma conclusão sobre o momento, o fim de uma das passagens mais discutidas da história recente da seleção brasileira, sem o título que acompanhou Neymar ao longo de toda a carreira na Copa do Mundo. A saída do camisa 10 ocorre no mesmo dia em que o Brasil deixou o torneio, e deve reabrir a discussão sobre quem assume a referência ofensiva da seleção nas próximas convocações, incluindo as eliminatórias para a Copa de 2030.

Sem o Brasil na Copa, torcida escolhe entre Marrocos, Egito e França

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Foto: Reprodução/@equipedumaroc/ Getty Images

Com o Brasil eliminado, veja como chegam Marrocos, Egito e França às quartas de final da Copa do Mundo de 2026, e quem ainda disputa vaga na fase.

A eliminação do Brasil para a Noruega, por 2 a 1, nesta segunda-feira (6), nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, tirou o país da disputa direta pelo título, mas o torneio segue com nomes que aproximam o público brasileiro de outras histórias em campo. Marrocos já garantiu vaga nas quartas de final e enfrenta a França na próxima quinta-feira (9), enquanto o Egito decide sua permanência na competição nesta terça-feira (7), diante da Argentina, em Atlanta.

Marrocos chega a essa fase como a única seleção africana ainda viva no Mundial depois da eliminação em sequência de Tunísia, África do Sul, RD Congo, Senegal, Costa do Marfim, Argélia, Cabo Verde e Gana. A equipe marroquina eliminou o Canadá por 3 a 0 no último sábado (4) e repete o caminho percorrido na Copa de 2022, quando chegou à semifinal e se tornou a primeira seleção africana e árabe a alcançar essa fase da competição.

O Egito depende do resultado contra a Argentina para seguir vivo no torneio. A seleção comandada por Mohamed Salah eliminou a Austrália nos pênaltis, após empate por 1 a 1, e alcançou pela primeira vez na história a fase de oitavas de final de uma Copa do Mundo. A partida contra os argentinos, atuais campeões mundiais, está marcada para as 13h desta terça-feira (horário de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium.

A França, adversária de Marrocos nas quartas de final, também chama atenção pela composição do elenco. Do total de 26 jogadores convocados pelo técnico Didier Deschamps para o Mundial, 18 são negros. A maioria nasceu e foi criada na França, casos de Kylian Mbappé, nascido em Paris, e Ousmane Dembélé, nascido em Vernon, ambos filhos de famílias com raízes em países africanos, respectivamente Camarões e Argélia no caso de Mbappé, Mauritânia e Mali no caso de Dembélé. Esse perfil vem de longa data na seleção francesa, presente desde o título de 1998, quando o elenco ficou conhecido pelo slogan “Black-Blanc-Beur”.

A campanha coletiva do continente africano nesta edição já é considerada histórica antes mesmo do resultado de Marrocos e Egito nas próximas fases. Das dez seleções africanas classificadas para o Mundial, nove avançaram à fase eliminatória, o maior número da história da competição e o melhor aproveitamento entre todas as confederações na primeira fase. O aumento no número de vagas, resultado da expansão do torneio para 48 seleções, ampliou a presença africana em relação às edições anteriores, quando o continente costumava levar cinco representantes.

Salah chega à sequência decisiva como principal referência do Egito, depois de liderar a equipe na segunda colocação do grupo e balançar as redes nos momentos definidores da fase de grupos. Do lado marroquino, o elenco comandado por Hakimi soma três vitórias, dois empates e nenhuma derrota até aqui, número que reforça a candidatura da equipe a repetir ou superar o quarto lugar conquistado em 2022, no Catar.

Com Marrocos e Egito ainda na disputa, e a França enfrentando justamente os marroquinos nas quartas de final, a Copa do Mundo de 2026 segue, na ausência do Brasil, com mais de um caminho até a decisão, marcada para 19 de julho.

Entre vaias e comida arremessada, Kevin Hart se tornou um dos maiores nomes da comédia

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Foto: Instagram/@kevinhart4real

Kevin Hart completa 46 anos nesta segunda (6/7). Relembre como driblou as vaias no início da carreira até virar um dos maiores nomes da comédia.

Kevin Hart celebra 46 anos nesta segunda-feira, 6 de julho, data que marca também três décadas desde que o comediante deu os primeiros passos nos palcos de sua cidade natal, a Filadélfia, ainda sob o codinome Lil Kev, em apresentações que resultaram em vaias frequentes e em pelo menos um episódio no qual um espectador arremessou um pedaço de frango contra seu rosto durante o show. A trajetória, hoje contada pelo próprio artista em entrevistas e em seu audiolivro The Decision, se tornou um dos capítulos mais repetidos de sua biografia justamente por contrastar com o patamar que ele ocupa atualmente na indústria do entretenimento.

Antes de subir a um palco de comédia, Hart vendia sapatos em uma loja da Filadélfia, ocupação que serviu, segundo relato do próprio comediante em uma aula do MasterClass, como primeiro laboratório de seu humor. Ele descreveu que transformava a repetição cansativa do trabalho, como subir e descer escadas em busca de números de calçado, em material de piada para os clientes, testando no balcão o que depois levaria aos microfones abertos da cidade. A prática ajudou a moldar um estilo baseado em observações do cotidiano e em autodepreciação, marcas que o acompanham até os especiais mais recentes.

A estreia formal nos palcos aconteceu no The Laff House, casa de comédia da própria Filadélfia, e não correspondeu às expectativas do jovem comediante. Hart foi expulso do palco em mais de uma ocasião nesse início de carreira, e um dos episódios mais lembrados envolveu um espectador que atirou nele um pedaço de frango, ainda com molho, em resposta a uma apresentação que não conquistou a plateia. Diante do tamanho do homem que o interpelou, o comediante optou por não revidar e seguiu o show até o fim.

As dificuldades continuaram na virada dos anos 2000, período em que Hart passou a disputar competições de comédia amadora por clubes de Massachusetts, região que se tornaria decisiva para o amadurecimento de seu trabalho. Foi nesses palcos menores, longe da exposição de Nova York ou Los Angeles, que o comediante abandonou a tentativa inicial de imitar referências como Chris Tucker e passou a construir um estilo próprio, apoiado em histórias pessoais e nas inseguranças que carregava desde a infância, marcada pela criação em lar monoparental ao lado da mãe, Nancy Hart, enquanto o pai enfrentava dependência química.

A mudança de rota resultou em papéis de coadjuvante no cinema ao longo da década seguinte, com participações em produções como Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família e O Virgem de 40 Anos, até a consolidação como protagonista em filmes de grande bilheteria a partir dos anos 2010. O ponto mais simbólico dessa ascensão ocorreu em 30 de agosto de 2015, quando Hart apresentou o show que originou o especial Kevin Hart: What Now? para 53 mil pessoas no Lincoln Financial Field, o mesmo estádio que recebe os jogos do Philadelphia Eagles, na cidade onde décadas antes ele levantava frangos de plateias hostis.

O reconhecimento institucional acompanhou o sucesso comercial. Hart acumula indicações a dois prêmios Grammy e a quatro Emmys, e em 2024 recebeu o Mark Twain Prize for American Humor, uma das principais honrarias da comédia americana, concedida anteriormente a nomes como Richard Pryor e Whoopi Goldberg. A revista Time já havia incluído o comediante em sua lista de cem pessoas mais influentes do mundo em 2015.

O aniversário chega em um momento de agenda ativa para o comediante. Em 2026, Hart estreou Funny AF with Kevin Hart, competição de stand-up exibida pela Netflix, e em dezembro do ano passado dividiu a apresentação do sorteio da Copa do Mundo de 2026 no Kennedy Center, em Washington. A distância entre o jovem vaiado no The Laff House e o nome hoje convidado para eventos globais de grande audiência segue como o eixo central de como Hart apresenta a própria história ao público.

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