Historicamente postas apenas como as populações mais impactadas pelas crises financeiras e pelas decisões de austeridade, as mulheres negras estão reivindicando e ocupando o lugar de formuladoras e pensadoras da política econômica no Brasil. O Instituto NoFront deu um passo histórico nessa construção ao lançar o primeiro volume dos Boletins Econômicos Instituto NoFront: “Mulheres Negras e Macroeconomia”.
A publicação, que teve seu lançamento presencial realizado em Salvador (BA) e já se encontra disponível para download gratuito, nasceu no contexto marcante do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. O objetivo é contundente: aproximar novos públicos do debate macroeconômico e reposicionar raça, gênero e território no centro das decisões estratégicas do país.
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Composto por análises rigorosas e aprofundadas, o boletim enfrenta temas cruciais que impactam diretamente a vida da população, tais como a posição do Brasil na economia global, a atuação do Poder Legislativo frente ao arcabouço fiscal, e os rumos da política monetária conduzida pelo Banco Central.
A proposta do NoFront rompe com a lógica tradicional do mercado financeiro, que insiste em tratar a economia como um campo neutro e puramente técnico. Ao colocar intelectualizadas e pesquisadoras negras na linha de frente, a publicação demonstra que debater orçamento público, distribuição de poder e desenvolvimento exige olhar criticamente para a realidade social e para a estrutura de desigualdades do país.
“Quando mulheres negras produzem conhecimento sobre macroeconomia, elas deslocam o debate público. A economia deixa de ser vista apenas a partir dos indicadores tradicionais e passa a ser analisada também a partir das desigualdades, dos territórios, do trabalho, da renda e das estruturas de poder que organizam a sociedade brasileira”, destaca Gabriela Chaves, Economista-Chefe do Instituto NoFront.
Para o Instituto NoFront — organização de pensamento estratégico fundada e liderada por mulheres negras —, a iniciativa vai muito além de pleitear recortes pontuais de gênero e raça dentro do modelo econômico vigente. Trata-se de disputar e refundar a concepção de economia, construindo um modelo que seja comprometido, em sua origem, com a justiça racial e a redistribuição real de renda e poder.
Eixos de Análise do Boletim (Vol. 1):
- O Brasil na Economia Mundial: Inserção soberana e impactos globais.
- Legislativo e Arcabouço Fiscal: Como o orçamento público distribui ou restringe direitos.
- Banco Central e Política Monetária: Taxa de juros, inflação e os efeitos diretos no cotidiano das periferias e no trabalho das mulheres negras.
Atuando nas frentes de pesquisa, formação e incidência política, o NoFront fortalece a produção intelectual negra e abre caminhos para que mulheres negras atuem ativamente na formulação de políticas públicas, narrativas e agendas para o Brasil e o Sul Global.
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