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De que mulheres para o STF estamos falando?

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Foto: Antonio Augusto/STF

Por: Fayda Belo – advogada, TEDx Speaker e consultora em crimes de gênero e direito antidiscriminatório

Com o anúncio da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, reacendeu-se o debate sobre a urgência de uma nova indicação feminina para o Supremo Tribunal Federal, hoje composto por dez homens e apenas uma mulher, a ministra Cármen Lúcia.

Mas antes de celebrar a ideia de “mais uma mulher”, é preciso fazer uma pergunta essencial: de que mulheres estamos falando?

Desde o Império, o poder no Brasil foi planejado, exercido e reproduzido por homens. Em mais de 130 anos de existência, o STF teve apenas três mulheres em sua composição, e todas elas, mulheres brancas.

Esse dado revela o quanto os espaços de poder e decisão no universo jurídico ainda permanecem reféns de uma lógica patriarcal e colonial, sustentada por um racismo epistêmico que invisibiliza, deslegitima e silencia a intelectualidade das mulheres negras.

O racismo epistêmico retira das mulheres negras o direito de serem reconhecidas como elaboradoras de conhecimento, formuladoras de teoria e intérpretes legítimas da justiça, desqualificando o conteúdo do saber e as credenciais pelo corpo que as carrega, impedindo que o sistema jurídico se beneficie da pluralidade de intelectualidades e epistemologias que poderiam corrigir vieses, ampliar horizontes e
humanizar decisões.

Quando o debate público sobre a vaga no STF se limita a “ter uma mulher”, sem racializar à discussão, ele reproduz o mecanismo de reconhecer o gênero como critério de inclusão, mas mantém a branquitude como critério de legitimidade e a exclusão continuam apenas sem o constrangimento do racismo declarado.

O discurso de que “basta ser uma mulher” parece progressista, mas é uma armadilha retórica, pois desracializa o debate e transforma o gênero em uma categoria isolada, produzindo uma igualdade seletiva que beneficia apenas algumas mulheres e deixa intactas as estruturas que mantêm as demais à margem.

Da mesma forma, o argumento de que não importa a cor, desde que seja uma mulher soa inclusivo, mas é, na verdade, a defesa da manutenção da branquitude como norma, o que no Direito, é o que se chama de discriminação indireta: não se proíbe explicitamente a presença de mulheres negras, mas se estrutura o discurso e o processo de escolha de modo a garantir o mesmo resultado de exclusão.7

Trata-se de uma forma de perpetuar um sistema de justiça que se diz imparcial, mas continua estruturalmente excludente.

A indicação que o presidente Lula fará para a vaga deixada por Barroso é, portanto, uma oportunidade histórica de romper com essa lógica. Não se trata apenas de corrigir o desequilíbrio de gênero, mas de enfrentar o pacto da branquitude que mantém mulheres negras afastadas das mais altas instâncias do poder jurídico.

O Brasil não precisa apenas de mais uma mulher no Supremo. O Brasil precisa que essa mulher seja uma mulher negra, porque a história já mostrou que é possível ampliar a presença feminina sem alterar as hierarquias raciais que sustentam o poder.

Por isso, a não indicação de uma mulher negra não será apenas uma omissão política, será também um ato de continuidade colonial, que reafirma quais corpos podem decidir e quais só podem ser julgados.

O que está em debate, portanto, não é apenas gênero, mas quais experiências, saberes e epistemologias o Estado brasileiro considera dignos de ocupar o vértice do seu sistema de justiça.

Nia Long e Larenz Tate se reencontram em novo drama romântico da Netflix inspirado no álbum de Maxwell

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Foto: J. Countess/Getty

Nia Long e Larenz Tate, estrelas do clássico ‘Love Jones’ (‘Uma Loucura Chamada Amor’), de 1997, estão prestes a se reencontrar nas telas em um novo drama romântico sem título, dirigido por Eugene Ashe, responsável pelo aclamado ‘O Amor de Sylvie’. A informação foi revelada pelo Deadline.

O projeto, aprovado pela Netflix, marca mais uma colaboração entre os dois atores que recentemente trabalharam juntos no filme biográfico Michael Jackson, da Lionsgate. Fontes próximas ao projeto revelam que o filme foi oferecido à empresa após uma reestruturação na Amazon.

‘Uma Loucura Chamada Amor’ (Foto: Divulgação)

Inspirado no álbum de estreia do cantor R&B Maxwell, ‘Urban Hang Suite’, o roteiro está sendo mantido em segredo. Ashe assina a direção ao lado de Kay Oyegun, roteirista e produtora conhecida por seu trabalho na série ‘This Is Us’. A produção é assinada por James Lopez, Charles D. King e Poppy Hanks, do Macro Film Studios, com Maxwell, John D. Hammond, Long e Tate como produtores executivos.

‘Uma Loucura Chamada Amor’, dirigido por Theodore Witcher, é um marco do cinema romântico dos anos 1990 em Chicago, contando a história de Darius Lovehall (Tate), jovem poeta e romancista, e Nina Mosley (Long), fotógrafa, cujo romance cativou uma geração. Em ‘Michael’, de Antoine Fuqua, com lançamento previsto para 24 de abril de 2026, Long interpreta Katherine Jackson, matriarca da família, enquanto Tate vive Berry Gordy, lendário executivo da Motown Records.

Professora negra aprovada em 1º lugar na USP tem concurso anulado após ação judicial de candidatos brancos

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Foto: Reprodução/Instagram

A professora e doutora em Literatura Érica Bispo, que conquistou o primeiro lugar em concurso para docente na USP (Universidade de São Paulo) na cadeira de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, teve sua aprovação anulada após ação judicial movida por concorrentes brancos que questionaram sua qualificação e levantaram suspeição sobre a banca avaliadora.

Recentemente, a professora denunciou o caso nas redes sociais. “Eu fui a única candidata preta a me candidatar a fazer esse concurso, e seis candidatos brancos entraram com recurso, alegando, dentre outras coisas, que eu não tinha capacidade para me tornar professora da USP. Eles alegaram que eu tive um certo favorecimento, alegaram uma suspeição da banca”, relatou. Érica destacou que o recurso “tem um caráter discriminatório” e reforçou “Eu passei por mérito, em primeiro lugar”.

Ao longo da semana, Érica continuou a fazer outros vídeos detalhando o que vem acontecido com ela desde que foi aprovada no concurso. “A anulação é baseada na ideia de uma amizade íntima entre mim e duas professoras da banca. As provas? Seis fotos aleatórias retiradas de redes sociais, que são fotos de eventos e congressos da área de literaturas africanas, que é uma área bem pequenininha, entre 2019 e 2022. São fotos que são do Rio de Janeiro, Moçambique, de Natal, São fotos em grupos, e que definitivamente não provam uma amizade íntima”, disse no segundo vídeo publicado.

Segundo Érica, as fotos foram aceitas pela universidade e ela perdeu a vaga. “A procuradoria da USP considerou essas fotos, mais uma legenda em que dizia: ‘entre amigos é muito bom’, como prova cabal para anular o concurso, desconsiderando totalmente que a banca é composta por cinco professores e que os cinco professores me deram notas super consistentes e bastante altas o tempo inteiro. Ou seja, não houve um favorecimento. O concurso foi anulado por um mero indício.”

No terceiro vídeo, a professora também afirmou que teve dificuldade para apresentar a sua defesa. “Imagina que você é acusado de alguma coisa, você prepara sua defesa, mas na hora do julgamento, você descobre que ninguém leu aquilo que você escreveu. Foi isso que aconteceu no meu caso com a USP”, relatou.

“Quando eu fui notificada de que havia um processo administrativo que poderia vir a anular o meu concurso, eu me manifestei por e-mail dentro do prazo, mandei mais de uma manifestação e, dentre elas, uma manifestação técnica elaborada pelos meus advogados. O processo andou, o concurso foi anulado e depois do concurso anulado eu pedi o processo inteiro. E aí quando eu tomei eficiência do processo inteiro, eu descobri que a manifestação técnica que tinha sido elaborada pelos meus advogados não foi incluída. Ou seja, foi me negado o direito à ampla defesa. O conselho universitário votou sem, ao menos, ter ciência daquilo que eu estava argumentando para me defender. Em outras palavras, a USP não só validou essas acusações frágeis, como também não garantiu que eu tivesse o meu direito à ampla defesa”, denunciou Érica.

No último vídeo publicado nesta terça-feira (14), Érica finaliza dizendo que nem todos dentro da USP ficaram de acordo com a decisão. “A primeira instância em que isso passa, que é a congregação da FFLCH rejeitou o recurso e concordou comigo, me deu razão, tanto que eu tive meu concurso homologado. Depois da decisão da congregação, o processo sobe para outra instância, passa para a Procuradoria da USP e para o Conselho Universitário da USP. Nessa outra instância, a Procuradoria resolveu acolher o recurso, mesmo com esses argumentos frágeis”.

“Ou seja, a alta cúpula da Universidade optou por ignorar a decisão tomada na congregação e validar a narrativa que questionava o mérito de uma professora negra que foi aprovada por unanimidade. Eu penso que uma instituição do tamanho da USP deveria proteger a lisura dos seus processos, dos seus concursos. E pra isso precisaria proferir decisões baseadas muito mais em fatos comprovados e apurados do que em indícios”, finaliza a professora, afirmando que em breve irá publicar outro vídeo detalhando mais sobre o caso, envolvendo a decisão do Ministério Público.

Apenas 21% dos docentes do ensino superior são negros, aponta levantamento do Inep

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Foto: reprodução

O ensino superior brasileiro mantém os professores negros em minoria. Segundo o Censo da Educação Superior do Inep, apenas 21% dos docentes se declaram pretos ou pardos, embora negros e pardos representem mais da metade da população do país. O dado evidencia a persistente desigualdade racial e a falta de representatividade no ambiente acadêmico.

Embora políticas públicas como a Lei de Cotas (Lei nº 12.990/2014) tenham ampliado o acesso de estudantes negros às universidades, a presença de docentes negros permanece aquém da realidade demográfica do país. Em 2023, apenas 2,9% dos professores universitários se autodeclararam pretos, e 18,2% pardos, totalizando 21% de docentes negros. Esses números contrastam com os 55,5% de brasileiros que se identificam como pretos ou pardos, conforme o Censo de 2022 do IBGE (Brasil de Fato).

A ausência de professores negros nas universidades reflete uma estrutura educacional excludente que limita o acesso e a permanência desse grupo em posições acadêmicas. Segundo estudo da Fiquem Sabendo, apenas 2,9% dos docentes se identificam como pretos, correspondendo a menos de um terço da proporção de pretos na população brasileira (10,2%).

Especialistas apontam que a falta de representatividade negra no corpo docente impacta negativamente o senso de pertencimento dos estudantes negros. A ausência de modelos acadêmicos que compartilham experiências e trajetórias semelhantes pode desencorajar a permanência e o sucesso desses alunos no ensino superior. Além disso, a escassez de docentes negros limita a diversidade de perspectivas e a produção de conhecimento que reflita a pluralidade da sociedade brasileira.

Apesar dos avanços nas políticas de inclusão, como a ampliação do ingresso de estudantes negros nas universidades, a representatividade docente permanece um desafio. A implementação efetiva de cotas raciais nos concursos públicos é essencial para corrigir essa distorção histórica e promover uma educação mais justa e plural.

Neste Dia dos Professores, é fundamental refletirmos sobre a importância da representatividade negra no ensino superior. A presença de docentes negros não é apenas uma questão de justiça social, mas também um imperativo para a construção de uma educação que verdadeiramente reflita a diversidade e a riqueza cultural do Brasil.

É necessário um compromisso coletivo para transformar essa realidade, por meio de políticas públicas eficazes, ações afirmativas e uma mudança estrutural que promova a equidade racial no ambiente acadêmico. Somente assim poderemos garantir uma educação superior que seja verdadeiramente inclusiva e representativa de toda a sociedade brasileira.

Spike Lee virá ao Brasil para receber o título de cidadão honorário fluminense

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Foto: reprodução

Spike Lee, um dos mais potentes nomes do cinema contemporâneo, voltará ao Rio de Janeiro para um momento simbólico e urgente: será oficialmente nomeado Cidadão Honorário do Estado do Rio, pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em reconhecimento à sua obra que une arte, ativismo e memória negra.

A programação de sua visita carrega camadas de significado para a luta antirracista no Brasil. No sábado (19/10), haverá uma exibição especial do filme Luta de Classes em Botafogo, seguida de um passeio pela Pequena África, região marcada pela história e resistência negra. No dia seguinte, o cineasta participará de uma roda de conversa com a deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) — autora da proposta —, o produtor cultural Dom Filó, integrantes do Instituto Cultne e jovens profissionais do audiovisual, para discutir inclusão, diversidade e memória negra.

O título de cidadão honorário, formalizado no Projeto de Resolução 1.160/24, aprovado em maio pela Alerj, é um reconhecimento que ultrapassa fronteiras. É o Brasil celebrando um artista que, ao longo de décadas, construiu uma filmografia marcada pela denúncia do racismo, pela valorização da cultura negra e pela defesa inegociável da justiça social. Autor de clássicos como Faça a Coisa Certa, Malcolm X e Infiltrado na Klan, Spike Lee segue sendo uma das vozes mais contundentes do cinema político mundial.

O vínculo do diretor com o Brasil vem de longe. Em 1995, ele filmou no Morro Santa Marta, no Rio, e no Pelourinho, em Salvador, o icônico videoclipe They Don’t Care About Us, de Michael Jackson — obra que se tornou um marco na representação das periferias e favelas em produções internacionais.

Mais do que uma homenagem, a presença de Spike Lee no Rio de Janeiro reafirma que arte, memória e justiça racial são partes inseparáveis da construção do nosso presente. Que esta condecoração inspire o reconhecimento de mais narrativas negras, a valorização das periferias e o fortalecimento dos laços entre o Brasil, sua ancestralidade e o povo negro que o sustenta.

‘Sem Glamour’: Chef Vladimir Reis, do Dim Sum Rio, anuncia autobiografia sobre os bastidores das cozinhas

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Foto: Divulgação

O chef carioca Vladimir Reis, conhecido por sua expertise na culinária chinesa e pelo restaurante Dim Sum Rio, anuncia que está escrevendo atualmente a sua autobiografia, ‘Sem Glamour’. No livro, ele compartilha os bastidores das cozinhas profissionais, expondo desafios como “o submundo das panelas encardidas, dos patrões abusivos, das cozinhas improvisadas e dos sonhos moídos no moedor da desigualdade”. Fechado por “interferências externas”, o chef também anuncia que o Dim Sum Rio deve ser reaberto em breve.

Antes de se tornar referência na gastronomia, Vladimir vendia quadros nas ruas do Rio para custear seus estudos, mostrando desde cedo uma trajetória marcada por resistência, criatividade e coragem. O primeiro contato com cozinhas profissionais surgiu por meio de um convite de um amigo, transformando uma oportunidade temporária em missão de vida e paixão pela culinária.

Comecei pintando e vendendo quadros. Foi com essa renda que paguei meu curso. Quando me formei, eu sabia que Santa Teresa seria o lugar onde as portas se abriram. Ali começou minha verdadeira história na cozinha”, revela o chef natural de Nilópolis, cidade da Baixada Fluminense.

Foto: Divulgação

Com mais de 20 anos de carreira, o chef acumula experiências que atravessam continentes e tradições: da culinária francesa à brasileira, da asiática à contemporânea. A passagem por Singapura foi decisiva, onde se especializou na técnica do Dim Sum, e ao retornar ao Rio, fundou o Dim Sum Rio, que começou como barraquinha em feiras de rua e ganhou restaurante próprio em 2021.

Durante a pandemia, Vladimir também se tornou um líder comunitário, criando redes de solidariedade entre cozinheiros negros e fortalecendo a agricultura familiar em Japeri, valorizando pequenos produtores orgânicos. Pelo conjunto de sua trajetória, recebeu da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro uma moção honrosa, reconhecimento de seu compromisso social e luta por justiça.

Em ‘Sem Glamour’, o chef narra a sua própria vida, de quem iniciou por sobrevivência antes de cozinhar por paixão, revelando a rotina de cozinhas improvisadas, patrões abusivos e os obstáculos enfrentados por profissionais invisibilizados. Entre a fome da infância e o calor dos fogões industriais, Vladimir constrói um relato visceral sobre resistência, ancestralidade e transformação social.

Quem ensina o negro na universidade é (sempre) o branco

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Foto: freepik

Por: Ricardo Corrêa

A pergunta comum nas redes sociais quando chega o dia 15 de outubro — Dia dos Professores — é: “Quantos professores negros você teve na universidade?”. E a maioria das respostas não surpreende: “um”, “nenhum”, “dois”, “três”, no máximo. A escassez de docentes negros acontece em vários cursos, seja em instituição pública ou privada.

Como aluno de universidade pública, em duas formações distintas, incluindo uma pós-graduação, tive apenas dois professores negros. Conheço pessoas negras que frequentaram cursos de especialização sobre algum campo da cultura negra, e os professores, na maioria, eram brancos. Pesquisas sobre o quadro de docentes na Universidade de São Paulo (USP) apontam que menos de 3% dos professores são negros.

Para uma sociedade de mentalidade racista, as pessoas negras devem ocupar posições desprivilegiadas, que não lhes possibilitem sair do gueto social. Embora a representatividade mereça destaque, o foco aqui é a ausência de equidade num sistema que nos exclui mesmo quando somos maioria. Em princípio, a indignação reside no contingente populacional no qual somos mais da metade. Que democracia é essa que políticos e diferentes autoridades costumam citar com orgulho em suas declarações públicas? O povo negro desconhece!

É até curioso ver os brancos preocupados com a Inteligência Artificial substituindo postos de trabalho, alarmando as pessoas sobre tal situação. Para nós, o racismo antecede esse temor dos brancos.

No entanto, mesmo existindo forças contrárias à participação dos negros em igualdade com os brancos no exercício da docência universitária, não recuaremos. A educação é elemento da construção da revolução, quando for sob os nossos termos.

Do sofá à timeline do celular: Samantha Almeida explica a estratégia que fez “Vale Tudo” uma obsessão nacional 

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Foto: Samantha Almeida

Se você se viu alterando sua rotina para acompanhar “Vale Tudo” – algo que talvez não fizesse há anos por uma novela – saiba que não está sozinho. A trama, um remake do icônico sucesso dos anos 80, retornou aos lares brasileiros arrebatando a atenção e o afeto de diversas gerações. Vimos jovens se inspirarem no corte de cabelo de Maria de Fátima (Bella Campos) , enquanto milhares de mulheres se engajaram com a trajetória de Consuelo (interpretada por Belize Pombal), agora Diretora da TCA.

Além de uma narrativa já conhecida e habilmente atualizada para a contemporaneidade, outro fator crucial para a retenção da audiência foi a utilização estratégica das redes sociais. Elas funcionaram como um catalisador, unindo uma comunidade apaixonada por folhetins televisivos, uma paixão que remonta ao século passado. O Brasil, com sua forte presença digital, é um usuário intensivo e mobile-first das redes sociais, contando com aproximadamente 141 milhões de perfis no Instagram e cerca de 91,7 milhões no TikTok em 2025, posicionando o país entre os maiores mercados globais dessas plataformas.

Samantha Almeida, Diretora de Marketing da TV Globo, detalha a estratégia que transformou “Vale Tudo” na novela mais lucrativa da história da emissora, um feito atribuído à sua audiência e engajamento sem precedentes.

“O que fizemos ao longo desses meses foi, através de uma estratégia robusta de conteúdo e mídia, conectar essa potente tradição [da novela] à linguagem e ao comportamento de consumo de conteúdo atual. As plataformas digitais desempenharam um papel muito importante, tendo a televisão como grande protagonista”, explica a diretora, que já foi agraciada com o Caboré de 2021 na categoria inovação.

A estratégia capitalizou a paixão do público brasileiro por redes sociais, memes, vídeos curtos e análises aprofundadas sobre os temas abordados, conectando-se de forma ágil e, em muitos casos, em tempo real, com cada capítulo da trama exibida no horário nobre. Uma novela, por sua natureza, gera conteúdo novo e ‘ao vivo’ seis dias por semana. Consequentemente, uma estratégia de marketing eficaz exige agilidade, uma leitura rápida do cenário, sensibilidade para interagir com o público e uma genuína cocriação com os talentos envolvidos.

Samantha ressalta que a equipe de criação, parceiros internos, agências externas e os talentos dos Estúdios Globo foram essenciais para conceber “uma jornada complementar à TV que se manifestou em múltiplos formatos, plataformas, nas escolhas de mídia, ganhou voz com creators, e multiplicou gatilhos nas redes sociais com vasto conteúdo em tempo real.”

E se engana quem pensa que spoilers ou previsões sobre o desenrolar da trama foram um obstáculo. Para Samantha, mesmo com a percepção de que sabemos o que acontecerá, a expectativa por uma surpresa mantém o interesse aceso. “O formato novela, seja no agendamento diário na grande tela, nos cortes espalhados pelas redes ou nas figurinhas de WhatsApp, faz parte da identidade cultural do Brasil. Somos muitos milhões de especialistas apaixonados, a maior comunidade noveleira do mundo, esperando sermos surpreendidos mesmo com o que achamos já conhecer”, afirma.

“Vale Tudo reforça uma essência da Globo: contar boas histórias é atemporal e, hoje, naturalmente multiplataforma”, conclui a diretora.

Angie Stone e D’Angelo, parceiros na vida e na música, se despedem em 2025, deixando legado eterno no neo-soul e no R&B

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Foto: reprodução

Em 2025, o mundo da música negra perdeu duas de suas vozes mais emblemáticas: Angie Stone e D’Angelo. Ambos partiram no mesmo ano, deixando um legado indelével no soul e no R&B. Sua parceria transcendeu os palcos e os estúdios, refletindo uma conexão profunda que influenciou gerações.

Angie Stone, nascida em 1961, iniciou sua carreira no grupo The Sequence nos anos 80, sendo uma das pioneiras do hip-hop feminino. Nos anos 90, ela se consolidou como uma das maiores vozes do soul contemporâneo, com álbuns como Black Diamond (1999) e Mahogany Soul (2001). Sua colaboração com D’Angelo foi marcante, especialmente na canção “Everyday”, que se tornou um clássico do R&B.

D’Angelo, nascido Michael Eugene Archer em 1974, foi uma figura central no movimento neo-soul. Seu álbum Voodoo (2000) é considerado uma obra-prima do R&B moderno. Apesar de sua carreira mais reservada, sua influência é inegável, com canções que exploram temas de amor, espiritualidade e identidade negra.

Durante o tempo em que estiveram juntos, Angie enfrentou julgamentos públicos motivados por preconceitos sobre sua imagem e expectativas sociais em torno de relacionamentos inter-raciais e de aparência. Sobre essa realidade, Angie comentou em entrevista ao portal HelloBeautiful:

“Quando eu estava naquela fase, era uma realidade cruel. Muitas pessoas começaram a lutar contra isso por causa da questão do peso, porque eu era uma mulher de pele escura com lábios cheios. Para eles, isso simplesmente não combinava. Mas o que eles não entendiam é que ele também foi obeso em um ponto.”

A perda de ambos em 2025 é um lembrete da efemeridade da vida, mas também da perenidade da música que criaram. Angie Stone e D’Angelo não foram apenas artistas; foram cronistas da experiência negra, utilizando suas vozes para contar histórias de amor, luta e identidade. Seu legado permanece vivo, não apenas em suas gravações, mas na maneira como moldaram o som do soul e do R&B contemporâneo.

O filho deles, Michael Archer Jr., de 27 anos, tornou-se um elo de memória viva entre duas trajetórias tão entrelaçadas quanto distintas. Ele perdeu a mãe em março, pouco após seu aniversário, e agora perde o pai também, em menos de um ano. Em comunicado, Michael pediu que as pessoas os mantenham em seus pensamentos (“mantenha-me em seus pensamentos”), mostrando que, por trás dos palcos e dos sucessos, há dor e saudade.

Hoje, a morte de ambos em 2025 reforça o valor de revisitar seu legado, as vozes, as letras, as harmonias, os momentos em que ambos enfrentaram expectativas externas, estereótipos e críticas — e como transformaram tudo isso em arte. A música de D’Angelo e Angie Stone permanece viva, ecoando seu talento, suas lutas pessoais e o impacto que causaram em quem os ouviu, artistas, fãs, gerações inteiras. O silêncio que sobra com suas ausências é grande, mas o legado é maior.

‘Caldeirão com Mion’ celebra a obra e legado de Arlindo Cruzem roda de samba especial

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Foto: divulgação

Neste sábado (18), o Caldeirão com Mion promove uma homenagem especial a Arlindo Cruz, que faleceu em agosto, reunindo músicos, atores e familiares em uma grande roda de samba. O encontro é comandado por Arlindinho, filho do sambista, e reúne artistas consagrados do gênero como Diogo Nogueira, Sombrinha, Feyjão, Gabrielzinho do Irajá e Thaís Macedo. Além dos músicos, participam da homenagem Babi e Flora Cruz, viúva e filha de Arlindo, e nomes da televisão como Douglas Silva, Erika Januza, Carla Cristina Cardoso, Viviane Araújo, Juliana Alves, Tatiana Tibúrcio, Gi Fernandes, Quitéria Chagas e o mentalista português João Blumel.

O programa busca resgatar não apenas a obra musical de Arlindo Cruz, mas também sua influência pessoal e cultural. Marcos Mion, apresentador do Caldeirão, resumiu a experiência: “Foi muito emocionante receber a família e todos esses músicos no programa”. A declaração sintetiza a atmosfera do encontro, que combina música, lembranças e homenagens, reforçando o papel de Arlindo como referência no samba brasileiro.

Douglas Silva e Feyjão, músicos que iniciaram suas carreiras com a banda Soul Mais Samba, destacam a generosidade de Arlindo Cruz. Douglas lembra que, ao convidá-lo para um show com o objetivo de custear a gravação do primeiro CD da banda, Arlindo se recusou a receber cachê: “Se tem uma palavra que define o Arlindo é generosidade”. Feyjão complementa: “Ele era exatamente como a gente via na TV. Um cara que amava estar em grupo, fazer seu som, e sempre ajudando e apoiando quem estivesse ao lado”. Esses relatos reforçam a dimensão humana do artista, que ultrapassa o talento musical.

Arlindo Cruz deixa um legado de composições marcantes e atuações que atravessam gerações, consolidando-se como um dos maiores nomes do samba e do pagode brasileiro. O programa celebra não apenas suas músicas, mas também a influência e o apoio que ele ofereceu a novos talentos, demonstrando como sua trajetória se conecta à formação de novos artistas e à preservação da cultura do samba.

A homenagem faz parte da direção artística de Geninho Simonetti, com produção de Tatynne Lauria e Matheus Pereira, e direção de gênero de Monica Almeida. Com a presença da família, de músicos renomados e de artistas convidados, o Caldeirão com Mion reforça a importância de celebrar a memória de Arlindo Cruz, garantindo que sua obra, sua generosidade e sua influência permaneçam vivas no cenário musical e cultural do Brasil.

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