Home Blog Page 35

Luciana Barreto investiga o legado e a imagem de Tia Ciata, a matriarca do samba, em ‘Caminhos da Reportagem’

0
Caminhos da Reportagem da TV Brasil
Créditos: Divulgação/TV Brasil

Matriarca do samba e ialorixá símbolo de resistência da cultura negra no Brasil, Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, teve sua história e os mistérios que cercam seu legado investigados no episódio “Tia Ciata: a matriarca do samba”, do programa Caminhos da Reportagem. Exibida nesta segunda-feira (27) pela TV Brasil, a produção já está disponível no YouTube e no site oficial da emissora.

Em entrevista ao Mundo Negro, a jornalista Luciana Barreto comentou sobre os bastidores da reportagem e as revelações com a produção: “Nós começamos essa investigação sobre a vida da Tia Ciata através de uma foto que, supostamente, seria inédita. O mais interessante para mim e para a equipe foi descobrir, ao longo do percurso, que o registro que era nosso ponto de partida não era inédito. No entanto, foram muitas outras lacunas na vida dessa personagem que inacreditavelmente estavam aguardando para serem preenchidas. Qual o rosto real da Tia Ciata? Quantos filhos teve? Como era a esfera de poder desta mulher? Por que ainda não temos essas respostas? Tudo isso mostrou que a Tia Ciata, como outras personagens fundamentais para a história do Brasil, sofrem de apagamento e negligência. Isso é revoltante”, destacou.

A vida e o legado de Tia Ciata se entrelaçam com a história do samba e da cultura negra no país. Baiana do Recôncavo, ela fez parte do movimento de mulheres que migrou para o Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX, conhecido como “diáspora baiana”. Na capital federal, tornou-se referência religiosa, humanitária e cultural, exercendo uma influência que continua a reverberar mais de cem anos após a sua morte.

Debates sobre a imagem e o patrimônio

Uma das dúvidas apontadas pela produção diz respeito à verdadeira imagem de Hilária. A historiadora e pesquisadora Angélica Ferrarez, estudiosa das “tias do samba”, argumenta que a famosa foto feita na Bahia pelo fotógrafo alemão Rodolpho Lindemann não seria de Ciata, já que ela mudou-se para o Rio em 1876, aos 22 anos, e a imagem teria sido tirada quando ela já morava na capital carioca.

Por outro lado, a bisneta e presidente da Casa de Tia Ciata, Gracy Mary Moreira, explica que a bisavó viajava com frequência para a Bahia por ser “mãe pequena” no terreiro de João Alabá, famoso babalaô e fundador do primeiro terreiro de candomblé do Rio de Janeiro. Gracy também destaca um estudo de antropologia forense realizado com a foto de Lindemann e imagens de familiares para verificar a hereditariedade.

Outro ponto abordado é o patrimônio e os descendentes de Ciata. O inventário de Hilária, arquivado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, registra que quatro filhos dividiram a quantia de três contos de réis. A pesquisadora Jéssica Costa pontua que essa riqueza econômica garantiu estabilidade para a família após a sua morte, em 1924.

O quintal da Praça Onze

O programa também destaca a importância da casa de Ciata na extinta rua Visconde de Itaúna, na Praça Onze. Foi em seu quintal que Ciata possivelmente participou da criação de “Pelo Telefone”, o primeiro samba registrado no Brasil, em 1916, por Donga e Mauro de Almeida. O escritor e historiador Luiz Antônio Simas analisa que o local era um núcleo de extrema relevância tanto para a religião quanto para a música popular urbana em formação.

A planta do imóvel foi reconstituída pela arquiteta Luciana Mayrink, mostrando que as manifestações religiosas ocorriam no terreiro ao fundo do terreno, enquanto o samba acontecia no galpão da frente, forming um quintal protegido.

Essa herança deixada por Ciata e outras tias ilustres, como Tia Carmem, Tia Amélia e Tia Perciliana, permanece viva no presente. O episódio mostra esse paralelo ao visitar o Cafofo da Tia Surica, em Madureira. A cantora e matriarca da Portela também realiza festas com rodas de samba em seu quintal e ressalta a continuidade dessa tradição: “Nós não vamos ser eternos. Então, os que estão vindo agora que deem continuidade. Porque dizem que o samba morre. O samba não morre, nem agoniza.”

Nath Finanças lança canal de notícias sobre economia

0
Nath Finanças
Foto: Gabriella Maria

Criada pelo Grupo Nath Finanças, a N3 Notícias aborda mercado financeiro, finanças pessoais e políticas econômicas com linguagem acessível. 

A empresária e educadora financeira Nath Finanças lançou a N3 Notícias, canal dedicado à cobertura de economia, mercado financeiro, finanças pessoais e educação financeira. Disponível nas redes sociais desde 30 de junho, o projeto busca relacionar o noticiário econômico às decisões presentes no cotidiano da população.

Em menos de um mês, a N3 Notícias registrou mais de 5,9 milhões de visualizações e alcançou 1,3 milhão de contas, segundo balanço divulgado pelo Grupo Nath Finanças. O canal pode ser acompanhado pelo perfil @n3.noticias.

Produzido por uma equipe de jornalistas e especialistas, o projeto apresenta notícias e explicações sobre indicadores econômicos, políticas públicas, investimentos, consumo e organização financeira. A proposta é tornar compreensíveis temas frequentemente apresentados por meio de termos técnicos.

O lançamento expande a atuação da empresária na comunicação e na educação financeira. Conhecida pela produção de conteúdos voltados principalmente a pessoas de baixa renda, a empresária construiu sua trajetória abordando dinheiro sem fórmulas prontas e relacionando planejamento financeiro às diferentes realidades econômicas.

“Mais do que informar, queremos criar pontes entre o noticiário econômico e a realidade das pessoas”, afirmou Nath. Para a empresária, o alcance registrado nas primeiras semanas indica que existe demanda por conteúdos econômicos apresentados de maneira mais direta.

Ela também defende que compreender as decisões econômicas pode contribuir para escolhas financeiras mais conscientes e para o exercício da cidadania. “Acreditamos que informação também é uma ferramenta de inclusão social”, declarou.

A N3 Notícias pretende explicar como mudanças em juros, inflação, emprego, renda e políticas públicas chegam à vida das pessoas. O conteúdo é desenvolvido para as redes sociais, onde informações econômicas circulam ao lado de publicações sem contexto ou apuração.

Segundo Nath, a criação do canal não tem o objetivo de substituir a cobertura dos veículos tradicionais. A proposta é ampliar o alcance do jornalismo econômico e chegar também a pessoas que não costumam acompanhar publicações especializadas no assunto.

Representatividade no fitness ainda é um desafio?

0
Mulheres negras reunidas praticando exercício físico em aula da HHWC.
Aula da HHWC (Foto: @peroladutra)

Por: Juliana Oliveira – HHWC

Basta abrir as redes sociais e ver as campanhas de grandes marcas esportivas para notarmos uma mudança significativa: hoje, já é possível notar pessoas negras ocupando mais esses espaços. 

Mas será que essa representatividade é suficiente? 

Podemos observar esses avanços, mas ainda não reflete a diversidade da população brasileira. Quando observamos quem ocupa os espaços de maior visibilidade: influenciadores, embaixadores de marcas, palestrantes, proprietários de academia e profissionais frequentemente convidados para eventos, a presença negra continua sendo proporcionalmente menor. 

No entanto, a representatividade não pode ser apenas estética. 

Incluir pessoas negras em campanhas somente em datas comemorativas, não é o bastante. Precisamos de pessoas negras em cargos de decisão, mesas de debate, capas de revistas, grandes eventos esportivos e parcerias mais relevantes do mercado fitness. 

Como uma das proprietárias do HHWC, pude viver e sentir na pele a importância que nossa presença faz nesse mercado. Podemos ser quem realmente somos e compartilhar isso com as alunas, que também conseguem se sentir à vontade nos nossos eventos, justamente por ter 3 mulheres como elas, mostrando que é possível se exercitar e estar em lugares que antes nos foi negado acesso. 

Quando as pessoas se sentem acolhidas, respeitadas e representadas, a chance de criar vínculos duradouros com a atividade física aumenta. E sabemos que a constância é um dos principais fatores para colher os benefícios do exercício ao longo da vida.

4º Prêmio Mulheres Dissonantes reúne Lídia Lisboa, Luedji Luna e Juliana Souza no MASP 

0
Lídia Lisboa, Luedji Luna e Juliana Souza no Prêmio Mulheres Dissonantes
Foto: Divulgação

Realizada pelo Instituto Desvelando Oris, quarta edição propõe uma conversa sobre memória, ancestralidade e permanência em São Paulo.

 O Instituto Desvelando Oris realiza, nesta quarta-feira (29), a quarta edição do Prêmio Mulheres Dissonantes, no Auditório do MASP, em São Paulo. Com o tema “A Arte de Permanecer”, o encontro reunirá a artista visual Lídia Lisboa, a cantora e compositora Luedji Luna e a advogada Juliana Souza, fundadora e presidente da organização.

A programação integra as celebrações pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e terá uma conversa sobre memória, ancestralidade e permanência, mediada por Juliana. Em seguida, será realizada a cerimônia de homenagem que dá nome ao prêmio.

Criada para reconhecer mulheres que contribuem para a sociedade por meio da arte, da cultura, da educação, da comunicação e da incidência social, a premiação destaca o protagonismo feminino na produção de conhecimento, na criação artística e na construção de novos caminhos para o país.

Nesta edição, o tema “A Arte de Permanecer” propõe uma reflexão sobre as formas de permanência construídas por mulheres negras ao longo da história. A proposta relaciona esse movimento à preservação da memória, à ocupação de espaços, à produção de conhecimento e à criação de narrativas capazes de gerar novas possibilidades para as próximas gerações.

Lídia Lisboa desenvolve uma produção artística abordando temas como memória, território, ancestralidade e identidade. Suas obras integram coleções públicas e privadas no Brasil e em outros países.

Já a artista baiana Luedji Luna, indicada ao Grammy Latino, aborda em sua obra questões relacionadas à ancestralidade, pertencimento, deslocamento e afeto. A cantora consolidou sua trajetória na música brasileira contemporânea por meio de trabalhos que articulam experiências individuais e coletivas.

Responsável pela mediação, Juliana Souza é advogada e fundou o Instituto Desvelando Oris em 2022. A organização atua no enfrentamento às desigualdades raciais e de gênero a partir dos eixos de educação, justiça e cultura.

Juliana também foi reconhecida pelo MIPAD, iniciativa internacional voltada a pessoas afrodescendentes, e é autora do livro “Torrente Ancestral — Vidas Negras Importam?”. Sua atuação reúne advocacia racial, direito e produção cultural.

Desde a primeira edição, o Prêmio Mulheres Dissonantes reconhece trajetórias femininas em diferentes áreas e busca ampliar a visibilidade de iniciativas que fortalecem direitos, a cultura brasileira e a criação de novos imaginários sociais.

Serviço

4º Prêmio Mulheres Dissonantes — A Arte de Permanecer
Data: quarta-feira, 29 de julho de 2026
Credenciamento: das 19h às 19h45
Início da programação: 19h45
Local: Auditório do MASP — Avenida Paulista, 1.578, 1º subsolo, São Paulo (SP)
Entrada: gratuita, com vagas limitadas e retirada antecipada de ingresso pela plataforma Sympla.

O Globo publica reportagem sobre cientista Nina da Hora com foto de outra mulher negra

0
Fotos: Arquivo pessoal/reprodução

Pesquisadora revela que O Globo usou foto de outra mulher negra em seu nome desde 2022 e explica por que corrigir o site não resolve o problema no acervo.

A cientista da computação Nina da Hora denunciou uma falha de apuração do jornal O Globo, que publicou, na lista dos 101 brasileiros que constroem o futuro, seu nome associado à fotografia da escritora Lu Ain-Zaila, outra mulher negra – imagem catalogada de forma incorreta no acervo do veículo desde 2022. Fundadora do Instituto da Hora e especialista em ética de inteligência artificial, ela usou o caso para expor uma falha registrada quatro anos antes da publicação de domingo.

A redação trocou a fotografia no site em poucas horas depois de contatada, mas sem nota de correção. A edição impressa, que já havia circulado, permanece com o erro. O crédito publicado sob a imagem trazia a data de arquivo de 17 de novembro de 2022, o que evidencia que o vínculo incorreto entre nome e fotografia existe há quatro anos dentro do próprio banco de dados do jornal.

“O que aconteceu no domingo não foi o erro”, disse Nina, em publicação no LinkedIn, ao descrever a descoberta do equívoco durante o fim de semana. O problema real está registrado no acervo do jornal desde 2022 e respondeu de forma incorreta a buscas pelo nome da cientista ao longo de todo esse período, inclusive depois da correção feita no site.

A troca da imagem publicada não resolve a origem do problema, porque o par errado entre nome e rosto permanece no índice de arquivo do jornal, disponível para qualquer novo uso da fotografia. Nina escreveu um relatório técnico sobre esse comportamento antes mesmo do episódio, demonstrando que corrigir a cópia publicada não repara o sistema que a gerou. O relatório completo, em português e inglês, está disponível nos comentários da publicação, junto com a explicação sobre por que a troca no site não neutraliza a circulação da edição impressa.

O erro não envolveu inteligência artificial, mas um banco de imagens, um campo de metadado preenchido de forma equivocada e uma redação que não conferiu a informação. Esse tipo de banco não registra quem está de fato na fotografia, mas sim quem alguém escreveu que está, e qualquer sistema automatizado que consome esse dado herda a mesma falha, acrescentando a ela uma camada adicional de difícil reversão.

Cientista da computação, Nina da Hora pesquisa sistemas de identificação facial e espaços de embeddings, tecnologias em que a distinção entre pessoas de um mesmo grupo racial costuma falhar com mais frequência. O episódio reproduziu, fora de qualquer modelo de inteligência artificial, o mesmo mecanismo que ela estuda em laboratório, o que reforça o argumento de que falhas atribuídas a algoritmos com frequência têm origem em processos humanos anteriores à automação.

A mulher que aparece na fotografia publicada em nome de Nina não foi identificada nem procurada pelo jornal. A reportagem de Mundo Negro tentou localizar essa mulher e, até o fechamento desta matéria, não obteve êxito.

O caso se soma a um debate mais amplo sobre racismo algorítmico, termo cunhado por pesquisadores como Tarcízio Silva, autor do livro Racismo Algorítmico: Inteligência Artificial e Redes Digitais, para descrever como tecnologias de dados intensificam práticas discriminatórias em áreas como segurança pública, saúde e mercado de trabalho. Levantamentos independentes já mostraram, por exemplo, que sistemas de reconhecimento facial usados por forças de segurança apresentam taxas de erro mais altas para rostos negros, e que algoritmos de redes sociais tendem a priorizar imagens de pessoas brancas em testes comparativos. O episódio com Nina da Hora acrescenta a esse debate um exemplo de falha registrada antes de qualquer automação, na etapa de catalogação manual de um acervo jornalístico.

Nina da Hora integra a lista de homenageados da PowerList Mundo Negro 2026 na categoria Ciência, Tecnologia e Inovação, reconhecimento concedido a profissionais negros que se destacam na produção de conhecimento e na fiscalização pública de sistemas automatizados no país. Até a publicação desta matéria, O Globo não havia se manifestado publicamente sobre o episódio além da troca da fotografia no site.

“Nós dois simplesmente sabíamos”: atores comentam o destino de Baela e Alyn em ‘A Casa do Dragão’

0
Cena da série A Casa do Dragão
Foto: HBO

Alerta de spoiler! 

A família Velaryon continua dando o que falar em “A Casa do Dragão”. No novo episódio, lançado ontem (26) na HBO Max, Baela Targaryen (Bethany Antonia) e Alyn de Hull (Abubakar Salim) protagonizam o primeiro e surpreendente beijo após uma conversa marcada pela vulnerabilidade emocional e o peso das perdas da guerra. A sequência reforça o avanço da trama dos Velaryon nas adaptações dos livros de George R. R. Martin.

De forma sutil, a aproximação entre os dois começou durante a busca por Corlys Velaryon, depois da Batalha da Goela. Ao lado dos meios-irmãos Alyn e Addam de Hull, Baela se vê diante de uma nova configuração familiar, em meio às consequências do conflito e à necessidade de estreitar laços com os filhos ilegítimos de Corlys. Ela também vive um outro ponto de virada, após perder o noivo Jacaerys Velaryon na guerra.

Em “Fogo & Sangue”, Baela e Alyn acabam se casam após a guerra civil Targaryen, o que leva parte do público a interpretar a cena como uma preparação para esse desfecho. Ainda assim, a série tem adotado mudanças em relação ao material original, deixando em aberto o que pode acontecer entre os personagens.

Para Bethany e Abubakar, a primeira conversa entre os dois após a Batalha da Goela já carregava intimidade. “Foi engraçado, nós dois estávamos rindo como crianças pequenas, sabendo o que estava acontecendo. Também estávamos rindo do fato de que — quer dizer, spoilers — Jace nem estava com frio, mas essa é a realidade”, disse Salim recentemente ao Decidir.

“Aquela cena na praia foi maravilhosa de filmar porque não precisamos conversar muito sobre o que ela significava. Nós dois simplesmente sabíamos instintivamente e, sim, foi maravilhoso”, afirmou Antonia.

“O interessante sobre Baela e Alyn é que ambos perderam suas mães. Eles se reconhecem muito nessa responsabilidade de irmão mais velho, de sempre ter que estar junto, de sempre fazer a coisa certa. Ambos têm irmãos mais novos que parecem fazer o que querem”, completou Salim.

O próximo episódio de “A Casa do Dragão” estreia no domingo, às 22h, na HBO Max.

Antônio Pitanga ganha musical em sua homenagem: “Um artista que atravessa gerações preservando memórias”

0
Pitanga, O Musical
Foto: Divulgação

O ator e cineasta Antônio Pitanga será tema de um musical idealizado por Jô Santana, com texto e direção de Rodrigo França. Intitulado “Pitanga, O Musical”, o espetáculo nasce como homenagem à trajetória de um dos maiores artistas da história do Brasil e pretende revisitar sua atuação nas artes e na vida pública ao longo de mais de seis décadas.

A criação é fruto da parceria entre Jô Santana — ator, produtor e idealizador da Trilogia do Samba — e Rodrigo França, dramaturgo, cineasta, diretor teatral e colunista do site Mundo Negro. Segundo a produção, o projeto busca celebrar o legado de Pitanga e consolidar sua presença como patrimônio vivo da cultura nacional.

Com previsão de estreia para o segundo semestre de 2027, em Salvador, cidade natal do artista, “Pitanga, O Musical” seguirá em temporada por São Paulo e Rio de Janeiro. A montagem promete mapear a trajetória do ator através de suas passagens pelo cinema, teatro, televisão e pela cena política, relacionando sua obra às grandes transformações sociais do país.

“Antônio Pitanga é o nosso griô. Um artista que atravessa gerações preservando memórias, abrindo caminhos e ampliando o horizonte da cultura brasileira. Esse musical é mais do que merecido. Penso, inclusive, que já deveria ter acontecido há muito tempo”, diz Jô Santana com exclusividade ao Mundo Negro. “Idealizar e realizar essa homenagem chega no momento certo da minha trajetória. Como artista que pensa a sociedade, sinto que estou preparado e digno dessa missão. Não medirei esforços para entregar um musical à altura desse grande homem, desse grande artista e dessa referência indispensável para a cultura brasileira”, completa.

“Receber do Jô Santana a missão de escrever e dirigir um musical sobre Antônio Pitanga é um presente que chega ao colo de qualquer artista que reconhece a riqueza que a negritude brasileira ofereceu e continua oferecendo ao país. Pitanga é um dos grandes precursores dessa história. Sou profundamente grato à sua trajetória e tenho o lindo benefício de, há anos, acordar quase todas as manhãs com uma mensagem, uma reflexão ou uma palavra dele. Isso revela a dimensão do intelectual e do ser humano que ele é. Ganha a sociedade por ter Antônio Pitanga como um de seus maiores artistas. Ganha quem tem a oportunidade de caminhar ao seu lado. Esse musical já nasce deslumbrante”, diz Rodrigo França ao site.

Avon celebra o 25 de Julho com mulheres negras em jantar

0
Mulheres negras reunidas no jantar da Avon em celebração ao 25 de Julho
Foto: Divulgação

O encontro marcou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e reuniu jornalistas e criadoras de conteúdo. 

A Avon promoveu, na sexta-feira (24), um jantar em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado em 25 de julho. O encontro reuniu jornalistas e criadoras de conteúdo para uma conversa sobre representatividade, beleza, desenvolvimento de produtos e equidade racial.

A programação buscou criar um espaço de troca entre mulheres negras que atuam no mercado da beleza e da comunicação, e apresentar iniciativas da marca relacionadas à diversidade de tons de pele.

Durante o encontro, Aline Lima, Head de Diversidade, Equidade e Inclusão da Natura América Latina, destacou que a construção da equidade racial exige continuidade, escuta e transformação de compromissos em ações concretas. Segundo ela, a empresa desenvolve, desde 2013, pesquisas sobre a diversidade de tons de pele em diferentes países.

Desenvolvimento de produtos para diferentes tons de pele

Entre as iniciativas apresentadas está a linha de hidratação facial Avon Care Radiância e Luminosidade, desenvolvida para peles pretas e pardas a partir de estudos realizados em países da América Latina.

A Avon também afirma ampliar seu portfólio de maquiagem com diferentes cores, acabamentos e tecnologias. Entre os lançamentos recentes estão produtos para a construção do chamado lip combo, técnica que combina delineador labial e batom.

Como parte da agenda em torno do 25 de julho, a marca também patrocinou o Festival Pacto das Pretas. O movimento passou por Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo com debates, conexões e atividades voltadas à atuação e ao protagonismo de mulheres negras.

A influenciadora Tamiê estava presente no jantar e ressaltou a importância de encontros nos quais mulheres negras possam compartilhar experiências, fortalecer conexões e participar das discussões que movimentam o mercado da beleza.

“Encontros como esse reforçam a importância de criar espaços em que mulheres negras sejam protagonistas e possam trocar experiências.”

5 filmes dirigidos por mulheres negras para celebrar o Julho das Pretas

0
Cena do filme Café com Canela
Foto: Divulgação

O Julho das Pretas é um mês para celebrar as mulheres negras, e o cinema é um dos caminhos que tem o poder de trazer a visibilidade positiva para elas, seja nas telas ou nos bastidores. Destacando o cenário do audiovisual brasileiro, Luh Maza, cineasta e colunista do Mundo Negro, selecionou cinco títulos entre um clássico que atravessa gerações, além de produções mais recentes, mostrando como diretoras negras refletem a cultura e as vivências negras com olhares diversos.

Do marco histórico de Adélia Sampaio às novas vozes que ocupam festivais e plataformas de streaming, as obras desconstroem estereótipos e ampliam o imaginário coletivo sobre a comunidade negra no Brasil.

Veja lista completa abaixo

“Amor Maldito” (1984) dirigido por Adélia Sampaio – considerado o primeiro longa-metragem dirigido por uma mulher no Brasil. Disponível no YouTube.

Fotos: Divulgação e Marcus Leoni/Itaú Cultural

“Café com Canela” (2017) dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio – longa onde uma dos codiretores é uma mulher negra

Fotos: Divulgação

“Um Dia Com Jerusa” (2020) dirigido por Viviane Ferreira – segundo longa de ficção dirigido exclusivamente por uma mulher negra

Fotos: Divulgação

“Racionais MC’s – Das Ruas de São Paulo pro Mundo” (2022) dirigido por Juliana Vicente – longa documental distribuído pela Netflix

Fotos: Divulgação

“Insubmissas” (2024) dirigido por Ana do Carmo, Júlia Katharine, Luh Maza e Taís Amordivino – longa antológico onde 3 das quatro codiretoras eram negras e a outra descendente asiática.

Fotos: Divulgação e Cleber Correa

A reexistência no topo: Representatividade, desafios e o poder transformador da mulher negra na liderança

0
Liderança negra
Foto: IA/Maginifc

No Brasil, onde mais de 56% da população se autodeclara negra, a desigualdade racial e de gênero no mercado de trabalho ainda é alarmante. Dados recentes mostram que apenas 3% da população negra ocupa cargos de alta liderança no país, e o percentual de mulheres negras em posições executivas é ainda menor. Essa discrepância reflete uma estrutura corporativa que, historicamente, exclui e invisibiliza corpos negros, especialmente os femininos, dos espaços de decisão. Nesse contexto, a jornada de uma mulher negra até o topo é marcada por desafios desproporcionais, mas também por um poder transformador que transcende o individual.

É comum ouvirmos no meio corporativo que a liderança é uma jornada solitária. No entanto, quando essa trajetória é atravessada pela interseccionalidade de raça e gênero, essa afirmação deixa de ser um mero clichê de gestão para se tornar uma realidade concreta, dura e diária. Para a maioria das executivas negras que alcançam o topo, a experiência de ser a única presença negra em salas de reunião, conselhos e diretorias não é uma exceção, mas, na maioria das vezes, a regra do cotidiano.

Costumamos idealizar mentalmente a figura da liderança perfeita: um time diverso, empoderado e conduzido por uma pessoa “super-heroína” capaz de equilibrar todos os pratos. Contudo, no cotidiano, a solidão da mulher negra na gestão se manifesta de forma sutil e profunda. A ausência de pares na alta liderança que compartilhem das mesmas vivências faz com que conselhos e modelos tradicionais de gestão precisem ser constantemente filtrados e adaptados para fazerem sentido dentro da nossa própria realidade e essência.

Essa sensação de isolamento reflete diretamente a estrutura do mercado de trabalho brasileiro. Trata-se de uma discrepância alarmante em uma nação onde mais de metade da população é negra, evidenciando como o acesso ao topo exige um esforço desproporcional, acompanhado por inseguranças e pela enorme responsabilidade de inspirar e puxar aqueles que o sistema insiste em deixar à margem.

A complexidade dessa jornada se intensifica quando inserimos o recorte da maternidade. O mercado corporativo tradicional historicamente pregou o mito de que a maternidade colocaria um fim na carreira de uma executiva. A prática cotidiana, no entanto, demonstra o exato oposto: a maternidade possui o potencial de transformar a mulher em uma líder incomparavelmente melhor, mais empática, estratégica e resiliente. 

O desafio, no entanto, reside na falta de estruturas acolhedoras que compreendam a integração entre a vida pessoal e a profissional sem tabus ou penalizações veladas. Políticas corporativas que promovam a equidade de gênero e a inclusão de mães no mercado de trabalho são essenciais para que essas mulheres possam exercer todo o seu potencial.

Lidando com esses cenários há mais de 25 anos e hoje como presidente da Fundação 1bi, atuando com a melhoria da educação pública por meio da tecnologia, reflito que:

“O cargo e o título, para mim e de onde eu venho, fazem toda a diferença. Não porque o título sirva para autoafirmação, mas porque, ao verem uma mulher negra ocupar uma diretoria executiva e, na sequência, uma presidência, outras pessoas entendem que também podem chegar lá. O título visibiliza a conquista e abre caminhos para que a jornada das próximas gerações seja um pouco mais leve.”

Quando uma mulher negra ocupa uma posição de liderança, ela não apenas quebra barreiras para si mesma, mas também inspira e pavimenta o caminho para outras mulheres negras que vêm depois.

Apesar dos avanços pontuais e do boom de compromissos públicos e vagas afirmativas registrado por volta de 2020, o cenário atual exige alerta. Percebe-se um movimento de recuo nas organizações, com a diminuição de programas afirmativos e a descontinuidade de comitês de diversidade. 

Promover a transformação social e alterar a cultura corporativa é uma tarefa diária e exaustiva. Não basta apenas abrir portas de entrada em cargos de base; é urgente garantir o desenvolvimento, a retenção e a ascensão real dessas profissionais a posições decisórias. Empresas precisam ir além de discursos e compromissos superficiais, implementando políticas estruturais que garantam a equidade de forma sustentável.

error: Content is protected !!