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2ª edição do Programa Marielle Franco oferece bolsas de R$ 3.500 para mulheres negras

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Foto: Freepik

O Baobá – Fundo para Equidade Racial vai conceder bolsas mensais de R$ 3.500 para 30 mulheres negras durante 18 meses, como parte da segunda edição do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco. A iniciativa, realizada em parceria com a Fundação Kellogg, Fundação Ford, Open Society Foundation e Instituto Ibirapitanga, busca ampliar a presença de mulheres negras em posições estratégicas de liderança política, social e econômica. As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 14 de outubro.

Criado em 2019, o programa promove o desenvolvimento político, técnico e socioemocional de mulheres negras – cis, trans ou travestis – que atuam em instituições públicas, organizações da sociedade civil, organismos multilaterais ou empresas privadas. Mais do que o apoio financeiro, a iniciativa visa consolidar lideranças comprometidas com a construção de uma sociedade mais justa, com equidade racial e de gênero.

Além das bolsas, as selecionadas terão acesso a mentorias individuais e coletivas, participação em eventos organizados pelo Fundo Baobá e espaços de troca com outras lideranças femininas negras. O investimento também permitirá a implementação de planos de desenvolvimento individual, incluindo formações técnicas, políticas e socioemocionais, além de aquisição de equipamentos e experiências estratégicas para fortalecer suas trajetórias.

Na primeira edição, o programa apoiou 59 mulheres, com idades entre 22 e 69 anos, de 19 estados brasileiros e do Distrito Federal, representantes de territórios diversos – de centros urbanos a áreas rurais. As participantes atuavam em diferentes campos – da arte à ciência, passando pelos direitos humanos e pela educação –, o que reforçou a diversidade e pluralidade das trajetórias apoiadas. O impacto se refletiu em redes locais fortalecidas e em iniciativas que continuam ativas, mesmo após o término do ciclo de financiamento.

A diretora de Programa do Fundo Baobá, Fernanda Lopes, explica a importância dessa segunda edição do programa para o potencial de desenvolvimento das mulheres negras no país.“2º edital de apoio individual é mais uma oportunidade de investimento em mulheres negras cis e trans, comprometidas com o enfrentamento ao racismo patriarcal e com a implementação de ações inovadoras, regenerativas e sustentáveisQueremos apoiar e atuar em parceria com aquelas cujos objetivos, projetos e sonhos contribuam com a construção de uma sociedade justa e a promoção da equidade racial e de gênero”, diz.
 
Com metodologia aprimorada a partir da experiência anterior e da escuta de lideranças negras, o programa reafirma seu compromisso em investir na formação política e institucional de mulheres negras, criando redes de apoio e ampliando a capacidade de incidência política dessas lideranças.
 
Viviana Santiago, pedagoga e ativista pelos direitos humanos de populações marginalizadas, foi uma das participantes da primeira edição do Programa Marielle Franco. Ela falou em 2022, em depoimento gravado, sobre o impacto positivo do programa na sua vida. “Quando penso na minha trajetória profissional, no meu percurso, eu tenho certeza de que tudo aquilo por onde eu caminhei e tudo aquilo que eu venho conquistando como profissional e liderança negra tem relação com o fato de nunca ter caminhado sozinha. Tem a ver com eu ter contado com a presença, com o apoio e conhecimento de outras mulheres negras e instituições que possibilitaram a mim ter acesso ao conhecimento, seja por cursos de formação e rodas de reflexão”, afirmou naquela oportunidade.
 
Midiã Noelle, mestre em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia, foi outra donatária da primeira edição e compartilhou sua experiência de transformação em depoimento feito em vídeo em 2022. “Fui uma das aceleradas do Programa Marielle Franco e foi uma experiência muito importante, porque eu pude fortalecer minha liderança. Eu tinha o entendimento, fiz a minha proposição para entrar no processo, mas eu não reconhecia as minhas potencialidades individuais e como eu poderia construir o meu projeto de vida a partir daquilo que eu amo e acredito. O processo com o Baobá foi importante para eu entender, de fato, qual é meu compromisso comigo mesma”, disse.
 
Ao impulsionar lideranças femininas negras em diferentes áreas do conhecimento – da ciência de dados à arquitetura, da psicologia à engenharia –, o Fundo Baobá fortalece narrativas positivas sobre o protagonismo dessas mulheres e reafirma seu papel central na transformação do Brasil em uma sociedade mais equitativa. 

Cronograma do edital individual
 
As inscrições para o Programa Marielle Franco: Apoio Individual são gratuitas e estarão abertas até 14 de outubro de 2025, pelo site baoba.org.br. O resultado final será divulgado em 09 de janeiro de 2026.

Mundo Negro é finalista do prêmio +Admirados Jornalistas Negros e Negras da Imprensa Brasileira

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Silvia Nascimento, CEO do Mundo Negro. (Foto: Divulgação)

Mundo Negro, o primeiro portal com conteúdos exclusivos sobre a comunidade negra no Brasil, é finalista da categoria “Veículo Liderado por Jornalistas Negros” na terceira edição do prêmio +Admirados Jornalistas Negros e Negras da Imprensa Brasileira. No ar desde 2001, o site tem a redação liderada pela CEO e fundadora Silvia Nascimento. A votação segue aberta até o dia 30 de setembro.

“O Mundo Negro ser um dos veículos finalistas dessa premiação sem termos feito campanha de votos já é uma vitória. É raro ver veículos independentes que resistem e permanecem relevantes durante tantos anos. Já passamos da casa das duas décadas e é o reconhecimento do público que nos mantém ainda como o site de notícias para comunidade negra mais lido do país e que sempre teve um time só de profissionais negros”, celebra a jornalista Silvia Nascimento, que ficou em sétimo lugar no TOP 10+Admirados do Ano, na primeira edição.

Para votar no Mundo Negro, basta acessar este link, preencher um rápido cadastro e escolher, do 1º ao 5º colocado entre os finalistas da categoria “Veículo Liderado por Jornalistas Negros”. 

Cada posição renderá uma pontuação, seguindo a ordem de 100 pontos para o 1º colocado, 80 para o 2º, 65 para o 3º, 55 para o 4º e 50 para o 5º. O resultado final será obtido da soma dessas pontuações.

A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 10 de novembro, na Câmara dos Vereadores de São Paulo, com a entrega dos troféus aos veículos liderados por jornalistas negros vencedores, além de outras categorias. 

A iniciativa é organizada por Jornalistas&Cia, em parceria com os sites Neo Mondo e 1 Papo Reto e com a Rede JP – Jornalistas Pretos.

A cultura africana como alicerce da cozinha baiana

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Jorge Washington (Foto: Divulgação)

Por: Afrochefe Jorge Washington 

Com a chegada forçada de milhões de africanos escravizados ao Brasil, especialmente à Bahia, práticas alimentares de diferentes etnias foram recriadas com os ingredientes disponíveis no novo território. O dendê, o leite de coco, o quiabo, a pimenta, o inhame e outros alimentos de origem africana passaram a ser combinados com produtos locais e europeus, criando uma culinária única e profundamente simbólica, que é também marca de resistência.

Os pratos afro-baianos são expressões vivas da cosmovisão africana. Acarajé, vatapá, caruru, abará e moqueca não são apenas alimentos, mas manifestações da religiosidade afro-brasileira, especialmente do Candomblé e de como a sabedoria africana se tornou um conhecimento vivo que atravessa gerações. Muitos deles são oferecidos aos orixás, cada qual com seus significados, cores e ingredientes específicos.

Culinária como Patrimônio e Resistência

A gastronomia afro-baiana é um patrimônio cultural imaterial, reconhecido pela sua importância histórica e simbólica. O ofício das baianas de acarajé, por exemplo, foi registrado pelo IPHAN como patrimônio cultural do Brasil. Essas mulheres são guardiãs de um saber ancestral que ultrapassa a cozinha — são também figuras centrais na preservação das tradições afro-religiosas, no fortalecimento da identidade negra e na economia informal que antes, nas mãos das quituteiras, garantiu a sobrevivência e liberdade de muitos. 

Em um contexto de opressão histórica, a culinária foi (e ainda é) uma forma de resistência. Cozinhar com dendê e rezar para os orixás era, durante muito tempo, uma forma de manter a fé viva, mesmo sob perseguição. Ao preparar a comida nós e nossos ancestrais mantivemos nossas raízes culturais, transformando a cozinha em um espaço de liberdade e ancestralidade.

Religiosidade e Sagrado nos Sabores

Na culinária afro-baiana, a comida é também sagrada. Cada prato tem uma ligação com os rituais do Candomblé. O acarajé, por exemplo, é oferecido a Iansã, orixá dos ventos e das tempestades. O amalá é prato de Xangô, feito com quiabo e carne. Mais do que alimento, esses pratos são oferendas, pontes entre o mundo terreno e o espiritual.

Essa dimensão simbólica transforma a cozinha em um terreiro — um espaço onde se celebra a vida, a fé e a ancestralidade. Comer um prato afro-baiano é, muitas vezes, participar de um rito, mesmo que inconscientemente.

Saberes e Sabores que Moldam a Identidade Baiana

A presença da cultura africana na Bahia é marcante em todos os aspectos da vida cotidiana, e a gastronomia é uma das formas mais potentes dessa expressão. Aqui em Salvador e no Recôncavo Baiano, os sabores da África estão em cada esquina, em feiras, mercados e tabuleiros. É por meio desses alimentos que reafirmamos nossa identidade cultural e transmitimos, de geração em geração, os saberes da cozinha de terreiro e da oralidade ancestral.

A culinária afro-baiana é o reflexo de uma herança africana que resistiu à escravidão, à marginalização e ao preconceito. Ela é uma celebração da cultura negra, um canal de memória, espiritualidade e pertencimento. Ao valorizar a gastronomia afro-baiana, reconhecemos o poder da cultura na construção dos sabores que definem não apenas um território, mas também a alma de um povo.


Texto: Jorge Washington [@jorgewashingtonr]. Um talentoso profissional que atua em duas áreas diferentes: como Afrochefe e como Ator. Sua paixão pela culinária é evidente em seu trabalho como Afrochefe, onde ele incorpora ingredientes como ancestralidade e  afetividade em suas criações. Desde jovem, Jorge Washington ajudava sua mãe Georgina nas compras da feira, cortando temperos, tratando carnes e aprendendo as  melhores formas e estratégias para deixar cada preparo saboroso. Ele é conhecido por  pratos como bacalhau martelo, galinha ao molho pardo, moqueca de feijão, xinxim de  bofe, moqueca de miraguaia, além de suas próprias criações e adaptações, como  maxixada de carne seca, moqueca de carne seca com mamão verde, fígado com  maxixe, entre outros. Jorge Washington, ou como ele prefere ser chamado, o Afrochefe, traz consigo sua herança africana e promove a culinária baiana através do  Projeto Culinária Musical, buscando promover reflexão, intercâmbio, conhecimento e estímulo à arte gastronômica. 

Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.

“Iemanjá em Mares Verdes”: livro explora a história de mais de 50 anos da Festa de Iemanjá em Fortaleza

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Fotos: Divulgação

O novo livro “Iemanjá em Mares Verdes”, da geógrafa e pesquisadora Ilaina Damasceno, mergulha na história de mais de 50 anos da Festa de Iemanjá em Fortaleza, analisando como o evento se tornou patrimônio imaterial da cidade e um ato de resistência para as religiões de matriz africana. (Baixe aqui gratuitamente)

Fruto de seu doutorado na Universidade Federal Fluminense (UFF), a obra mostra como a festa realizada na Praia de Iracema vai além do campo religioso, transformando-se em um ato de visibilidade e de luta por direitos. Entre 2011 e 2019, Damasceno realizou pesquisa de campo, documentando a performance dos participantes — com músicas, gestos e indumentárias — como uma forma de “fazer política com o corpo”.

“A presença do corpo afro-brasileiro em rituais públicos é uma experiência estético-política que reinventa narrativas e territórios”, destaca a autora.

O livro também explora a relação entre a tradição nordestina e a ancestralidade afro-brasileira, reforçando identidades negras e indígenas no Ceará. Para Ilaina, escrever “Iemanjá em Mares Verdes” foi um reencontro com sua própria trajetória.

Natural de Quixadá, no sertão cearense, ela cresceu entre práticas católicas e referências à Jurema Sagrada, mas foi no Rio de Janeiro que se aproximou da umbanda e do candomblé, tornando-se cambone em um terreiro.

Baixe o livro no site da editora Pedro e João Editores.

Escola Àbámodá leva moda e identidade afro-indígena ao Fancy África em Moçambique

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Foto: Casmurro

A Escola Àbámodá, de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, marca presença de 22 a 25 de setembro no Fancy África, evento de moda e economia criativa realizado em Maputo, Moçambique, com o tema “Ubuntu – Eu sou porque nós somos”. A participação da escola será conduzida por sua diretora e idealizadora, Luísa Mahin, que integra a programação do evento com atividades formativas e apresenta a primeira coleção autoral do projeto.

Com apenas um ano de atuação, a Àbámodá vem se destacando na Bahia por sua metodologia que conecta moda, cultura, educação, empreendedorismo e identidade étnico-territorial. À frente do projeto, Mahin soma mais de 22 anos de experiência em gestão de projetos sociais, culturais e de moda, representando a escola em um intercâmbio internacional de visibilidade e protagonismo negro.

No Fancy África, Luísa Mahin ministra a masterclass “Moda e Transformação Social” e a Oficina Criativa “Diversidade, inovação e empreendedorismo na moda”, além de participar da mesa-redonda “A Moda como Embaixadora da Identidade: Qual o Papel da Cultura Local na Economia Criativa?”. A participação da escola se encerra com o desfile da coleção “Cabaça do Mundo”, manifesto coletivo que explora o sagrado feminino e o empoderamento da mulher.

Luísa Mahin (Foto: Janderson Meneses)

O intercâmbio entre a Àbámodá e o Fancy África começou em julho deste ano, quando a escola recebeu o estilista King Levi para apresentar a coleção “XIGUBO – A Força Estética da Resistência Afro”, por meio do projeto África 360º e do Fancy África Brasil.

“Cachoeira está entre as 9 cidades do país em que a maioria da população se autodeclara negra, ou seja, somos um território predominantemente negro, afrodescendente, que está atravessando o Atlântico numa conexão que une moda, tecnologias ancestrais e transformação social”, destaca Luísa Mahin.

Coleção Cabaça do Mundo (Foto: Casmurro)

Ancestralidade e impacto social

Com uma proposta pedagógica centrada na ancestralidade afro-indígena e na transversalidade entre moda, arte, cultura e economia criativa, a Àbámodá foca no público feminino negro e LGBTQIAPN+, oferecendo formação continuada em costura, design de joias, estamparia e atividades manuais. As aulas resultam em peças autorais com forte vínculo identitário e territorial.

“Pesquisamos produtos naturais do território para usar nos tingimentos; pensamentos nos elementos, iconografias e grafismos indígenas e africanos, procuramos entender como a cultura local pode estar presente em cada peça. Queremos acessar nossas memórias e histórias, para criar produtos que falam disso”, explica Mahin.

Além da formação, a Àbámodá se consolida como espaço de articulação entre cultura e economia criativa, contribuindo para o desenvolvimento social do Recôncavo Baiano. O projeto valoriza saberes ancestrais e práticas culturais locais, promovendo protagonismo da comunidade, enquanto oferece formação empreendedora e estratégias de gestão, estimulando a criação de iniciativas sustentáveis capazes de gerar renda e oportunidades.

SERVIÇO:

22 a 25 de setembro de 2025
Escola Àbámodá no Fancy África
Local: Maputo – Moçambique

Participação da Àbámodá com Luisa Mahin:

  • 22/09 – Master Class: Moda e Transformação Social
  • 23/09 – Mesa Redonda: A Moda como Embaixadora da Identidade
  • 24/09 – Oficina Criativa: Diversidade, inovação e empreendedorismo na moda
  • 25/09 – Desfile com a coleção-manifesto Cabaça do Mundo

Exposição “OBIRIN OMI – Mulheres Água” celebra a trajetória de mães de santo brasileiras no Instituto Pretos Novos

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Foto: divulgação

O Instituto Pretos Novos inaugura nesta sexta-feira (12), às 17h, a exposição “OBIRIN OMI – Mulheres Água”, da artista visual goianiense Raquel Rocha, que homenageia grandes mães de santo brasileiras, como Mãe Gilda de Ogum e Mãe Susu, pilares na preservação e expansão do Candomblé no Brasil.

Com curadoria de Mariana Maia e produção artística de Rona Neves, a mostra apresenta obras da série “As Matriarcas”, produzidas em acrílica sobre peneiras bordadas com 16 búzios e acompanhadas de uma quartinha com água, símbolo de vida e ancestralidade. Cada obra resgata a memória e o protagonismo dessas mulheres, reconhecendo sua força histórica e cultural.

A pré-abertura contará com a performance “Omi Eró”, em parceria com o artista Marcelo Marques, que recria o preparo ritual de um banho de ervas, criando uma experiência sensorial de cura e reconexão espiritual afrocentrada.

Raquel Rocha reforça que a exposição é também um posicionamento político: “O terreiro tem raiz preta, e não será arrancada dele. Minha exposição valoriza a centralidade das mulheres negras na manutenção da cultura afro-brasileira”, afirma a artista.

Realizada no Instituto Pretos Novos, espaço de memória sobre o antigo Cemitério dos Pretos Novos, a mostra se torna também uma reflexão sobre resistência, ancestralidade e preservação da história afro-brasileira.

Serviço

  • Exposição: OBIRIN OMI – Mulheres Água
  • Artista: Raquel Rocha
  • Curadoria: Mariana Maia
  • Produção artística: Rona Neves
  • Local: Instituto Pretos Novos – Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, Gamboa, Rio de Janeiro
  • Abertura oficial: Sexta-feira, 12 de setembro, às 17h (com roda de samba do grupo Velhos Malandros)
  • Período de exibição: 12 de setembro a 11 de outubro
  • Entrada: Gratuita

D4vd: O que se sabe sobre a morte da adolescente encontrada no carro do rapper americano

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Foto: twnty three

O corpo de Celeste Rivas, adolescente de 15 anos, foi encontrado no porta-malas de um Tesla registrado em nome do rapper D4vd, 20 anos, nome verdadeiro David Anthony Burke. A descoberta ocorreu em 8 de setembro de 2025, meses após o desaparecimento da jovem em Lake Elsinore, Califórnia. Ela havia sido vista pela última vez em sua residência, e a família registrou boletim de desaparecimento junto às autoridades.

O legista confirmou que Celeste estava morta dentro do veículo há algum tempo. A causa da morte ainda está sendo investigada, mas o caso é tratado como homicídio.

Evidências indicam que D4vd e Celeste provavelmente se conheciam. Ambos possuíam tatuagem idêntica no dedo indicador direito, com a inscrição “Shhh…” em letra cursiva — uma marca relativamente comum, popularizada por celebridades como Rihanna. A mãe da jovem afirmou que sua filha tinha um namorado chamado David, reforçando as suspeitas sobre o vínculo com o artista.

Uma faixa inédita de D4vd, intitulada “Celeste”, vazou em 2023 e contém referências à jovem, incluindo seu nome e tatuagem, sugerindo um vínculo próximo. Trechos da música mostram obsessão do rapper:

“Oh, Celeste / A garota com meu nome tatuado no peito / Sinto o cheiro dela nas minhas roupas como cigarro / Ouço a voz dela toda vez que respiro / Estou obcecado.”

Fotos recentes mostram D4vd em Lake Elsinore, próximo à residência de Celeste, e imagens antigas indicam que ele e a jovem apareceram juntos em streams. Até o momento, não há confirmação sobre quem dirigiu o Tesla pela última vez.

A residência de D4vd em Los Angeles foi investigada pela polícia, que apreendeu itens digitais, incluindo o computador pessoal do artista, para análise. Em resposta às investigações, D4vd cancelou apresentações e adiou o lançamento de seu álbum “Withered”.

Entre as colaborações musicais do rapper, destaca-se a faixa “Crashing”, lançada em fevereiro de 2025 em parceria com a cantora internacional Kali Uchis. Após a descoberta do corpo de Celeste, Kali anunciou que a música será retirada das plataformas de streaming, reforçando seu distanciamento do artista:

“Não sou amiga dele. Fiz uma música com ele que está sendo retirada devido às notícias perturbadoras de hoje.”

O caso gerou grande repercussão nas redes sociais, com a hashtag #JusticeForCeleste viralizando, e a imprensa internacional acompanha cada novo desenvolvimento. Até o momento, D4vd não foi formalmente acusado, e as investigações continuam em andamento.

Ne-Yo será atração em camarote de Salvador no Carnaval 2026

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Foto: reprodução

O ícone do R&B Ne-Yo retorna ao Brasil e será a principal atração do Camarote Salvador 2026, comandando o Palco Praia na segunda-feira de Carnaval, 16 de fevereiro. Após o sucesso estrondoso de sua turnê pelo país em 2024 e de sua apresentação marcante no Rock in Rio, o cantor norte-americano promete mergulhar na energia contagiante da folia baiana.

Ne-Yo já é conhecido do público brasileiro: em 2013, levantou os foliões com sucessos como So Sick, Sexy Love, Closer e Miss Independent, mostrando não apenas sua voz, mas também seu gingado. No Carnaval de 2026, ele chega novamente para proporcionar uma experiência musical intensa, conectando o R&B internacional à alegria e à tradição de Salvador.

O line-up do Camarote Salvador 2026 também conta com outros grandes nomes da música nacional. Léo Santana abre a folia na sexta-feira (13), garantindo três dias de apresentações diversificadas e de alto impacto para os foliões.

STF se alinha ao Estatuto da Igualdade Racial e confirma que critério para cotas raciais é ‘preto ou pardo’

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Foto: Dorivan Marinho/SCO/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou que o critério para acesso às cotas raciais em concursos públicos e universidades é a autoidentificação como preto ou pardo, e não como “negro”.

A decisão atende a um pedido do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) e foi publicada em acórdão nesta quinta-feira (19). O caso teve origem em um recurso contra decisão da Justiça do Ceará, que havia anulado o ato de uma comissão de heteroidentificação em um concurso público do Tribunal de Justiça do estado.

Em julgamento anterior, o STF reconheceu a possibilidade de controle judicial das decisões dessas comissões, mas utilizou a expressão “negros ou pardos” para se referir aos candidatos beneficiários. Após o pedido de reconsideração do Idafro, a Corte ajustou a redação para se alinhar ao Estatuto da Igualdade Racial, que adota “pretos e pardos” como referência para as políticas de ação afirmativa.

O novo entendimento reforça que a avaliação das comissões deve se basear em parâmetros objetivos, como cor da pele e traços fenotípicos, oferecendo mais segurança jurídica para quem concorre às vagas.

Para o jurista Hédio Silva Jr., fundador do Idafro e da Jusracial, a decisão representa uma vitória histórica. “Essa diferença impacta a autodeclaração e a heterodeclaração, com reflexos diretos em concursos públicos e no funcionamento das comissões de heteroidentificação, especialmente no contexto das políticas de cotas raciais. Apontamos esse erro e ficamos orgulhosos por ser corrigido há tempo.”

“Minha trajetória na cozinha é um chamado ancestral”, afirma a baiana de acarajé Mãe Juci D’Oyá

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Foto: Divulgação

Em Belém (PA), na Ilha de Cotijuba, vive e trabalha Jucilene de Souza Carvalho, mais conhecida como Mãe Juci D’Oyá, yalorixá, baiana de acarajé e guardiã da memória ancestral do povo preto, ribeirinho e indígena da região.

Nascida em Portel, no Marajó, Mãe Juci cresceu vendo mãe, avós e tias transformarem ingredientes em comida, afeto e cura. “Minha trajetória na cozinha é um chamado ancestral”, conta em entrevista ao Mundo Negro e Guia Black Chefs.  

Em 2017, ao ser iniciada no Candomblé Ketu para a Orixá Oyá, ela recebeu a determinação de se tornar baiana de acarajé. “Na nossa tradição, todas as mulheres iniciadas para essa Orixá são orientadas a fazer o acarajé como forma de manutenção da ancestralidade e também para auxiliar nos custos. Foi nesse momento que compreendi que cada receita é também uma forma de manter viva a nossa cultura e espiritualidade.”

Foto: Divulgação

“O prato que mais me representa é o acarajé, alimento sagrado que conecta o Pará à África e reafirma a presença da mulher preta como guardiã da ancestralidade”, afirma a fundadora do Acarajé da Juci D’Oyá, negócio que carrega seu nome e identidade.

O empreendimento Acarajé da Juci D’Oyá é um negócio familiar. Hoje, a empresa é gerida pelos seus filhos e também conta com o apoio de sua mãe, tias e amigos próximos. Juntos, aceitam encomendas dos clientes e participam de feiras e eventos na região, fortalecendo a tradição e criando um espaço de encontro e acolhimento. “Ainda não tenho um espaço fixo de restaurante, mas meu tabuleiro é meu altar”, explica. 

Racismo Gastronômico

O caminho, no entanto, não foi fácil. “Ser uma mulher preta, lésbica, ribeirinha e da tradição do axé é carregar muitas camadas de resistência”, ressalta. 

Em 2019, Mãe Juci relata que junto a outros trabalhadores negros, foi impedida de trabalhar na Praça da República, em Belém, durante a chamada “faxina ética” promovida pela gestão municipal da época, de extrema direita, que ela também classifica como racismo gastronômico. “Com a justificativa de que Acarajé não é um alimento paraense e eu não poderia estar ali”.

Mas segundo a Mãe Juci, a praça é um território de memória, com um cemitério arqueológico de pessoas escravizadas. “Ser retirada daquele espaço foi doloroso, mas reforçou o meu compromisso com a luta. A gastronomia negra não é só alimento — é memória, território e dignidade”, afirma.

Cozinha como ato luta e resistência

Para Mãe Juci, cozinhar é mais do que um ofício: é um manifesto. “Cada Prato que preparo é também uma afirmação da resistência negra, indígena e ribeirinha no Brasil. Minha identidade racial não está separada da minha história: ela é a base de tudo. Carrego no ofício a memória da diáspora africana e daqueles que já habitavam aqui, a luta das mulheres pretas e Indígenas e a sabedoria dos povos de terreiro.”

O próximo passo é expandir o alcance do Acarajé da Juci D’Oyá para outros estados e até outros países. Mãe Juci sonha em abrir um espaço fixo que seja também um ponto de cultura e resistência, além de seguir fortalecendo a presença das Baianas de Acarajé na Amazônia.

Mãe Juci é Yalorixá do Ilê Omo Oyá Odé Axé Omi Dáa Ofùurufu e sacerdotisa do Terreiro de Umbanda Casa de Mãe Herondina. Além da cozinha, também atua como benzedeira e parteira. “Minha vida é dedicada a cuidar de pessoas, seja pelo alimento, pelo axé ou pelo acolhimento. Minha maior missão é honrar os ancestrais e abrir caminhos para que outras mulheres pretas também ocupem seus lugares de dignidade e protagonismo.”

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