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Apenas 30% dos prefeitos eleitos são negros, segundo TSE

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Mesmo com os esforços de iniciativas que trabalharam para divulgar candidaturas negras durante as eleições municipais, apenas 3 em cada 10 prefeitos eleitos no primeiro turno são autodeclarados negros. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados no último domingo, 6, e publicados pelo jornal Folha de S. Paulo, foram escolhidos um total de 1.841 candidatos negros para o cargo de prefeito, entre eles, 127 se autodeclaram pretos e 1.714 afirmam ser pardos.

Em agosto, o TSE divulgou o registro de 240.587 candidatos negros, o que representa 52,7% das candidaturas. Foi a segunda vez na história que o número de candidatos negros superou o de brancos, que representaram  215.763, entre candidatos a prefeito, vice-prefeitos e vereadores.

O levantamento mostra que a maioria dos prefeitos negros foi eleito em municípios do Nordeste. A região elegeu 184 prefeitos, enquanto o Sudeste nomeou 149 prefeitos negros à principal cadeira municipal, o Sul, 50 e o Norte, 42. A coleta de dados sobre declaração racial dos candidatos começou a ser feita pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2016.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que, apesar de avanços no número de candidaturas negras, a sub-representação desses grupos entre os eleitos ainda é significativa. Em 2018, as candidaturas negras representaram 46,4% do total; em 2020, esse número chegou a 50%, e em 2022, atingiu 50,27%. No entanto, o reflexo nas casas legislativas foi insuficiente. Nas eleições municipais de 2020, 771 câmaras (13,86%) não elegeram nenhuma pessoa negra. Além disso, quase 54% dos vereadores eleitos se autodeclararam brancos. A desigualdade persiste também no cargo de prefeito: em 2020, 67% dos eleitos eram brancos, enquanto apenas 32% se declararam pretos ou pardos.

Obra de Lima Barreto é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro

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Imagem: Reprodução

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) reconheceu, no dia 12 de setembro, a obra do escritor Lima Barreto (1881-1922) como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro. A homenagem, feita quase 102 anos após a morte de Barreto, destaca a profunda ligação do autor com a cidade, refletida em seus romances, crônicas e contos, nos quais expôs as contradições sociais e políticas da capital carioca nas primeiras décadas do século XX.

A Lei 10.498/24, que consagra a obra do escritor, nascido nascido na Rua Ipiranga, em Laranjeiras, é de autoria dos deputados Andrezinho Ceciliano e de Dani Balbi. A nova legislação determina que o Poder Executivo, por meio de seus órgãos competentes, deverá apoiar iniciativas que promovam a valorização e a divulgação das obras de Lima Barreto, um dos maiores nomes da literatura brasileira.

A relação de Lima Barreto com o subúrbio, onde viveu seus últimos anos no bairro de Todos os Santos, Zona Norte, foi marcada por uma experiência intensa de observação social. Ele nomeou sua casa no bairro de “Vila Quilombo”, em uma provocação ao racismo que atravessou sua vida e obra. Sua rotina, que incluía viagens diárias de trem até o centro da cidade, alimentou muitas de suas reflexões sobre as desigualdades e injustiças sociais da época.

Embora tenha tentado, sem sucesso, ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), a obra de Lima Barreto permanece viva e influente. Ele criticava duramente as reformas urbanas que priorizavam a imagem de um Rio de Janeiro “cartão-postal” em detrimento das populações mais pobres, especialmente durante as grandes obras para o Centenário da Independência.

O legado material de Lima Barreto segue preservado na Biblioteca Nacional, onde mais de mil documentos, incluindo o manuscrito do “Diário do Hospício”, integram a coleção reconhecida pela Unesco como Memória do Mundo.

Cissy Houston, vencedora do Grammy e mãe de Whitney Houston, morre aos 91 anos

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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A cantora Cissy Houston, vencedora do Grammy e mãe da lendária Whitney Houston, faleceu nesta segunda-feira, 7 de outubro, aos 91 anos. A informação foi divulgada pela família através da conta oficial de Whitney Houston no Instagram. Cissy Houston morreu em sua casa, em Newark, Nova Jersey, às 10h30 da manhã, após estar sob cuidados paliativos devido à doença de Alzheimer. A artista havia celebrado o seu 91º aniversário no último dia 30 de setembro e estava rodeada por familiares no momento do falecimento.

Em nota assinada por Pat Houston, nora de Cissy, a família expressou sua tristeza com a perda: “Os nossos corações estão cheios de dor e tristeza. Perdemos a matriarca da nossa família. Mãe Cissy sempre foi uma figura forte e imponente nas nossas vidas. Uma mulher de profunda fé e convicção, que se importava profundamente com a família, o ministério e a comunidade.” A família também ressaltou o legado musical de Cissy, cuja carreira de mais de sete décadas moldou a música gospel e o R&B. “Somos abençoados e gratos por Deus ter-nos permitido passar tantos anos com ela”, disse Pat, pedindo privacidade durante este momento de luto.

Cissy Houston deixa um impacto duradouro na música, tanto por sua própria carreira de sucesso quanto por seu papel decisivo na formação da carreira de Whitney Houston, uma das maiores vozes da história. O falecimento de Cissy representa a perda de uma figura crucial na música americana, cujas contribuições ecoarão por gerações. A família Houston também expressou gratidão pelo apoio dos fãs e pediu respeito à sua privacidade neste momento difícil.

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Flip 2024 acontece entre 9 e 13 de outubro com destaque para programação afro-brasileira na Casa Poéticas Negras

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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Entre os dias 9 e 13 de outubro, a trará uma rica programação cultural, com destaque para a participação da Casa Poéticas Negras, parceira oficial do evento pelo quarto ano consecutivo. O espaço é reconhecido pela dedicação à promoção da educação afroreferenciada e à valorização da cultura negra, sendo um espaço importante na Flip para discussões sobre identidade, literatura e tradição.

Um dos grandes destaques da Flip deste ano é a escritora carioca Eliana Alves Cruz, vencedora do Prêmio Jabuti e roteirista indicada ao Emmy Internacional. Além de ser uma das convidadas oficiais do evento, Eliana também participará da programação de casas parceiras, incluindo a “Casa de Histórias”, uma colaboração com a Netflix, revista Piauí, Livraria Janela e a editora Mapa.Lab. Nesse espaço, ela lançará uma plaquete um livro de pequeno formato — que trará o conto Carta às cabeças brasileiras do futuro, narrado por uma testemunha ocular da morte de um mártir inconfidente, reafirmando sua habilidade de trazer à tona questões profundas da nossa história e identidade.

O escritor e ilustrador Estevão Ribeiro, conhecido pelo trabalho na série da HBO “Cidade de Deus: A Luta Não Pára”, também estará presente, contribuindo com sua perspectiva inovadora no campo da literatura e do audiovisual. Outro destaque internacional da Flip é a escritora franco-camaronesa Léonora Miano, cujas obras abordam a herança africana e suas implicações no mundo contemporâneo. Tiganá Santana, autor baiano de “O livro africano sem título”, também integra a lista de convidados, trazendo sua visão sobre ancestralidade e tradições africanas.

A programação contará ainda com a participação de Cláudia Alexandre, vencedora do Prêmio Jabuti 2024, que trará discussões sobre sua obra “Exu Mulher: A Dimensão Feminina de Exu e o Matriarcado Nagô”. Outras figuras importantes, como o historiador Nielson Bezerra e o mestre em Ciência da Religião Pai David Dias, participarão de mesas voltadas à preservação das tradições afro-brasileiras, como a cultura dos terreiros e o sincretismo religioso.

Também serão abordados temas sobre preservação ambiental, com destaque para a participação do pesquisador Erahsto Felício, da Teia dos Povos, e da educadora Gabriela Murua, que discutirão a relação entre as comunidades negras, indígenas e a proteção do meio ambiente.

Destaques da Programação:

  • 10 de outubro, às 18h: “Pedagogia do axé: saberes, lutas e resistência dos povos de terreiro” com Pai Dário (RJ), Juliana Drumond (RJ) e Tiganá Santana (BA). Mediação: Iyá Pollyanna ty Ayrá (Paraty).
  • 11 de outubro, às 17h: “A urgência da difusão dos saberes africanos” com Pai David Dias (SP), Nielson Bezerra (RJ) e Júlio César Boaro (SP). Mediação: Luana Vignon.
  • 12 de outubro, às 11h: “Criar o real: entre o jornalismo e a ficção” com Eliana Alves Cruz (RJ), Bianca Santana e Paulo Vicente Cruz. Mediação: Heleine Fernandes.
  • 12 de outubro, às 20h: “Quando as artes se encontram e tudo vira poesia” com Elisa Lucinda (ES), Odailta Alves (PE) e Héloa (SE). Mediação: Elis Trindade (SP).

Dia das Crianças: Autora lança livro de colorir com imagens que valorizam a diversidade e as tradições africanas

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Foto: Reprodução

A autora Kety Kim Farafina apresenta ao público sua mais nova obra, o livro de colorir “Farafina Colors”, que se destaca por ir além dos padrões tradicionais desse gênero. Com mais de 60 ilustrações detalhadas, o livro oferece uma experiência que celebra a riqueza cultural e a diversidade de tradições africanas.

Disponível no Clube dos Autores e na Amazon”Farafina Colors” traz ilustrações que desafiam estereótipos e apresentam rostos, formas e identidades pouco representadas em materiais do tipo. O objetivo é proporcionar uma jornada visual onde o ato de colorir se transforma em uma celebração das heranças africanas e suas influências no mundo contemporâneo.

“Este é mais que um livro para relaxar. Ele é uma homenagem à cultura africana e sua presença nas sociedades modernas”, afirmou Kety Kim Farafina. Além de ser uma obra criativa, o livro também é visto como uma oportunidade de reconexão com a cultura negra, oferecendo uma nova perspectiva sobre a diversidade que molda a estética africana.

Ficha técnica:

  • Título: Farafina Colors
  • Autora: Kety Kim Farafina
  • Preço: R$ 65,99

Mãe de Sean ‘Diddy’ Combs sai em defesa do filho e critica “linchamento público”

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Foto: Reprodução

A mãe do produtor musical e rapper Sean “Diddy” Combs, Janice Small Combs, manifestou-se publicamente em defesa de seu filho, que atualmente enfrenta acusações federais e processos civis nos Estados Unidos. Em um comunicado divulgado no domingo, 6, Janice afirmou estar triste e frustrada com as alegações feitas contra Combs, que está preso em uma unidade federal enquanto aguarda julgamento no Distrito Sul de Nova York, nos Estados Unidos.

Combs é acusado de conspiração para extorsão, tráfico sexual e transporte para se envolver em prostituição, acusações que ele nega. Além disso, ele enfrenta uma série de processos civis, que incluem denúncias de má conduta sexual e outras atividades ilegais.

“Venho até vocês hoje como uma mãe devastada e profundamente triste pelas alegações feitas contra meu filho, Sean Combs”, escreveu Janice no comunicado. “É de partir o coração ver meu filho julgado não pela verdade, mas por uma narrativa criada a partir de mentiras.”

Os promotores federais destacaram em sua acusação eventos conhecidos como “Freak Offs”, onde, segundo a acusação, foram elaboradas performances sexuais organizadas por Combs, nas quais ele teria coagido vítimas a participar de atos prolongados com profissionais do sexo.

No comunicado, Janice também abordou a controvérsia envolvendo um vídeo de câmeras de segurança de 2016, que mostra Combs agredindo sua então namorada, a cantora Cassie Ventura. O músico inicialmente negou as alegações de abuso, que foram incluídas em um processo movido por Ventura. Após a divulgação do vídeo, ele se desculpou publicamente.

“Meu filho pode não ter sido totalmente verdadeiro sobre certas coisas”, escreveu Janice, referindo-se ao vídeo. “Às vezes, a verdade e a mentira se tornam tão intimamente interligadas que se torna assustador admitir uma parte da história.”

Combs, após a divulgação do vídeo, compartilhou um vídeo em suas redes sociais onde expressou remorso pelo incidente. “Estou enojado agora. Fui procurar ajuda profissional. Comecei a fazer terapia, a ir para a reabilitação. Não estou pedindo perdão. Sinto muito mesmo”, declarou.

Segundo Janice, a equipe jurídica de Combs optou por resolver o processo de Cassie em vez de contestá-lo, o que, segundo ela, acabou sendo usado contra seu filho pelo governo federal. Ela concluiu o comunicado afirmando que “não ser totalmente direto sobre uma questão não significa que meu filho seja culpado das alegações repulsivas”.

Enquanto isso, o advogado Tony Buzbee, juntamente com o AVA Law Group, anunciou na semana passada que está representando pelo menos 120 homens e mulheres em processos civis contra o artista.

A defesa de Sean Combs ainda não comentou oficialmente sobre a declaração da mãe.

Pai e filho: LeBron e Bronny James atuam juntos pela primeira vez na NBA

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Foto: Katelyn Mulcahy/AFP
Foto: Katelyn Mulcahy/AFP

Na madrugada desta segunda-feira (7), LeBron James e seu filho, Bronny James, entraram para a história da NBA ao jogarem juntos pela primeira vez, durante a derrota do Los Angeles Lakers para o Phoenix Suns por 118 a 114, em partida da pré-temporada, na Califórnia. Este foi um marco inédito para a liga, que nunca havia testemunhado pai e filho atuando juntos em quadra.

Durante o segundo quarto, LeBron e Bronny dividiram a quadra por quatro minutos, marcando um momento emocionante para os fãs do basquetebol. Ao todo, Bronny jogou 13 minutos, mas não conseguiu pontuar, enquanto LeBron, que está na sua impressionante 22ª temporada na NBA, registrou 19 pontos, 5 ressaltos, 4 assistências e 2 bloqueios em apenas 16 minutos de jogo.

A carreira de LeBron James é marcada por feitos extraordinários. Aos 39 anos, ele já conquistou 4 títulos da NBA em 10 finais disputadas, e permanece como uma das maiores estrelas do basquetebol. Curiosamente, LeBron tem mais tempo de carreira do que o próprio filho tem de idade, visto que Bronny tem 20 anos.

Após a partida, Lebron disse que está tentando se acostumar um pouco e, para ele, é uma das grandes coisas que um pai pode desejar.— Ainda estou tentando me acostumar um pouco a isso, mas é muito legal para nós dois e especialmente para a nossa família. Para um pai, significa muito. Para alguém que não teve isso quando cresceu, poder ter essa influência nos seus filhos, ter momentos com seu filho e, no fim, poder trabalhar com seu filho. Eu acho que é uma das grandes coisas que um pai pode querer — disse LeBron após o jogo.

O feito da dupla representa um marco significativo tanto para a história da NBA quanto para a trajetória pessoal de LeBron, que continua a consolidar seu legado não só como atleta de elite, mas também como figura paterna, apoiando e inspirando a carreira de seu filho.

Donald Glover cancela última turnê de seu alter ego Childsih Gambino por questões de saúde; artista deve passar por cirurgia

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Foto: Reprodução/ Armando Gallo

O artista Donald Glover anunciou nesta sexta-feira, 6, o cancelamento do restante das datas da turnê intitulada New World, que seria despedia de seu alter ego musical, Childish Gambino, na América do Norte e no Reino Unido, devido a problemas de saúde. A decisão segue um adiamento anterior das apresentações, que foram suspensas no mês passado.

Por meio de uma postagem no X (antigo Twitter), Glover revelou que, após se apresentar em Nova Orleans, precisou ser internado em Houston para investigar uma condição de saúde que havia se manifestado. “Depois de ser avaliado, ficou claro que eu não me apresentaria naquela noite, e, após mais testes, não pude continuar com o restante da turnê pelos EUA no tempo solicitado”, explicou.

O artista confirmou que já tem uma cirurgia agendada e que precisa de um período de recuperação. “Meu caminho para a recuperação é algo que preciso enfrentar seriamente. Dito isso, tomamos a difícil decisão de cancelar o restante da turnê norte-americana e as datas no Reino Unido e na Europa”, declarou.

Todos os ingressos adquiridos serão reembolsados no ponto de venda. Apesar do cancelamento, Glover falou sua intenção de retomar a turnê no futuro: “Eu não quero nada mais do que levar esse show para os fãs e me apresentar. Até lá, obrigado pelo amor, privacidade e apoio.”

O artista tinha shows programados até o dia 3 de outubro nos Estados Unidos, antes da parte internacional começar em novembro. Glover já havia declarado anteriormente que estava pronto para deixar seu alter ego, quando destacou mudanças em sua vida pessoal, especialmente após se tornar pai. “Quando coloco meu filho nos ombros, sinto uma alegria profunda. Isso é real”, refletiu o artista.

“Nenhuma violência cometida por um individuo pode diminuir a luta do movimento negro”, diz Anielle Franco ao Fantástico

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Foto: Agência Brasil

ALERTA DE GATILHO

Em uma entrevista concedida ao programa Fantástico, exibido no domingo, 6, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, abordou a denúncia de importunação sexual que resultou na demissão do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. O depoimento à Polícia Federal, realizado nesta semana, marca a primeira vez que Anielle se pronuncia publicamente sobre o caso, que veio à tona há um mês.

Durante a conversa com a repórter Sônia Bridi, Anielle destacou a dificuldade em relatar situações de violência, afirmando que “nenhuma situação de violência é fácil, ainda mais para quem vive e para quem está ao redor”. Ela contou que inicialmente optou pelo silêncio: “A exposição indevida faz com que a gente repense, pense. Então, tem uns estágios ali que fazem você se sentir culpada, insegura, vulnerável, e eu decidi que falaria primeiro nas instâncias devidas”, comentou a ministra, que teve sua denúncia revelada em uma reportagem publicada pelo jornal Metrópoles no dia 5 de setembro. Anielle também reforçou que “Nenhuma violência cometida por um indivíduo pode resumir ou diminuir a luta e a conquista do movimento negro. Uma luta que é histórica, uma luta que é de resistência”.

Além das denúncias de outras mulheres ao Me Too Brasil, as acusações da ministra contra Silvio Almeida incluem toques inapropriados em uma reunião realizada em 16 de maio de 2023. Anielle descreveu o relacionamento entre eles como distante, afirmando: “nunca tivemos nenhum tipo de intimidade para que eu desse qualquer tipo de condição para ele fazer o que fez”. Em alguns momentos da entrevista, a ministra chegou a se emocionar, ela enfatizou que é essencial diferenciar a aproximação respeitosa de comportamentos que caracterizam assédio.

A demora na denúncia de casos de violência sexual foi tema de discussão durante a entrevista. Marina Ganzarolli, advogada de gênero e presidente do Me Too Brasil, afirmou que a revelação de tais experiências é muitas vezes um processo complexo, e não um evento isolado. Desde o início do escândalo, o número de chamadas para a organização cresceu quase 80%: “O ato de revelação nunca é um evento único e, sim, um processo. Na maioria das vezes, esse processo sequer acontece. A maioria das mulheres nunca denuncia o estupro ou a violência sexual que sofreu. Mas quando uma mulher rompe o silêncio e levanta sua voz com muita coragem e com um altíssimo custo, em especial para ela, ela inspira muitas mulheres a fazê-lo”, afirmou.

Anielle reafirmou a gravidade da importunação sexual, ressaltando que “não é normal a gente passar por isso em pleno 2024”. Ela também fez questão de frisar que a violência, independentemente de quem a perpetre, deve ser combatida. “Assédio é assédio, violência é violência”, enfatizou.

Quando as acusações chegaram à imprensa, Silvio Almeida negou todas as alegações, utilizando suas redes sociais e o site do Ministério dos Direitos Humanos para se defender. Seu advogado, Nélio Machado, declarou ao Fantástico que Almeida nega veementemente todas as referências feitas contra ele e questionou a falta de transparência no processo investigativo, alegando que a defesa ainda não teve acesso às denúncias.

Anielle Franco concluiu a entrevista refletindo sobre o impacto de sua experiência. “Eu, Anielle, não permitirei que a minha história seja resumida à violência”, afirmou, destacando sua luta por um futuro mais justo e igualitário.

OBS.: É importante ressaltar que a violência doméstica é um crime grave e que as mulheres têm o direito de denunciar seus agressores. Se você está em situação de risco, ligue imediatamente para o 190. Para denunciar e buscar apoio, entre em contato com a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180. Além disso, delegacias especializadas da mulher podem oferecer orientação e acolhimento. Lembre-se, você não está sozinha e há ajuda disponível 24 horas por dia.

Verba menor para candidaturas negras faz 4,4 mil candidatos voltarem a se autodeclarar brancos em 2024

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Imagem: Reprodução

Cerca de 10 mil candidatos que disputarão as eleições de 2024 alteraram a raça declarada por duas vezes desde 2016, ano em que a Justiça Eleitoral passou a divulgar essa informação. Entre eles, 4,4 mil se declararam negros em disputas anteriores e agora voltaram a se declarar brancos, em um contexto em que a verba pública destinada a candidaturas negras foi reduzida, segundo levantamento feito pela equipe de redação do g1.

O número representa 12% do total de 83 mil candidatos que concorreram em 2016 e 2020 e que estarão novamente nas urnas em 2024. A mudança mais comum é de candidatos que se declararam brancos em 2016, pardos em 2020, e agora retornaram à classificação de brancos, movimento feito por 4.029 candidatos, ou 40% do total.

Desde 2020, as raças dos candidatos são utilizadas como critério para políticas públicas, como a distribuição do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, que financiam campanhas. Naquele ano, ao menos 50% desses recursos deveriam ser destinados a candidatos negros — ou seja, aqueles que se autodeclararam pretos ou pardos. Em 2024, esse percentual caiu para 30%, em decorrência da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Anistia, que também eliminou multas de partidos que descumpriram essa regra nas eleições passadas.

Especialistas acreditam que essa mudança nas cotas pode estar diretamente relacionada às alterações nas autodeclarações raciais. “A diminuição da cota diminui o incentivo para que os candidatos se declarem negros”, avalia Joyce Martins, professora de Ciência Política da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Ela afirma que, com a PEC da Anistia, partidos que não cumpriram a exigência de destinar os recursos aos candidatos negros em 2020 foram perdoados, reduzindo o estímulo para que os candidatos se mantenham nessa categoria.

Outro fator citado por especialistas é a dificuldade de identificação racial por parte dos próprios candidatos. Fernando Moura, especialista em administração pública pela Universidade de Columbia, aponta que alguns candidatos podem ter receio de enfrentar críticas ao se declararem de uma determinada raça e não serem reconhecidos socialmente como pertencentes a ela. “O medo da exposição é um fator importante para entender essas mudanças”, diz.

Além disso, erros no registro das candidaturas podem ter influenciado parte das alterações. Rodrigo Augusto Prando, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie, observa que, em muitos casos, o preenchimento da autodeclaração racial pode não ser realizado com a devida atenção. “O Brasil é um país extremamente miscigenado, e muitos não têm letramento racial para se identificar adequadamente”, explica. Essa hipótese pode ajudar a explicar os 861 casos de candidatos que mudaram a raça declarada em todas as três eleições municipais analisadas.

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