Home Blog Page 1333

As mais lidas de 2019 #12 – Wakanda in Madureira: “O que a colonização separou, Wakanda quer juntar”

0

“Tudo nasce em um piquenique no Parque Madureira para unir as famílias negras e aí cresce, hoje é um festival. A ideia é: se a colonização separou nossas famílias, Wakanda quer juntar”. É dessa forma que professor de História e Filosofia Raymundo Jonathan define esse movimento que ele criou e organizou, o Wakanda In Madureira.

Ele explica que esse movimento que começou com o piquenique, hoje organiza muitas outras atividades com foco na cultura negra. “A gente organiza visitas guiadas pelo Rio de Janeiro com roteiros pretos. Tem oficina de carnaval que rola no Wakanda, numa parceria com o grupo Coração Batuqueiro”, detalha Johathan.

[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=t_tWal4Cdzk[/embedyt]

Em novembro está previsto um Papo com Griot, que se trata de um encontro com os mais velhos. “Me angustia esse vaco geracional”, finaliza Raymundo.

Quem quiser saber mais sobre a programação do Wakanda in Madureira, vale a pena seguir suas redes sociais.

Facebook: https://www.facebook.com/wakandainmadureira/
Instagram: https://instagram.com/wakandainmadureira

 

Oscar 2020: Hair Love é indicado ao prêmio Melhor Curta Animado

0

Hair Love um  filme que encantou o mundo e já tem mais de 10 milhões de visualizações no Youtube foi indicado ao Oscar de Melhor Curta Animado. A lista dos indicados para edição 2020 da maior premiação do cinema foi divulgada na manhã dessa segunda-feira, 13 de janeiro.

O filme é um curta sobre um pai que tenta aprender como deixar o cabelo da sua filha com os penteados que ela gosta. Ela tem um cabelo bem crespo e volumoso e gosta deles assim, desafiando o pai a descobrir como penteá-lo, já que a pequena tem fortes referências estéticas.

O filme é do cineasta Matthew A. Cherry feito em parceria com a Sony Pictures Animation.

A própria Issa Rae que faz a voz da mãe no curta, foi quem anunciou a indicação.

O brasileiro “Democracia em Vertigem” foi indicado como melhor documentário.

“Rei Leão” concorre na categoria de Melhores Efeitos Visuais.

Cynthia Erivo foi indicada ao prêmio de melhor atriz por Harriet que também concorre a estatueta de melhor canção original, com “Stand UP”.

Confira a lista com demais indicados. A premiação acontece no dia 9 de feveireiro:

MELHOR FILME

MELHOR ATOR

MELHOR ATRIZ

MELHOR ATOR COADJUVANTE

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

MELHOR ANIMAÇÃO

MELHOR FOTOGRAFIA

MELHOR FIGURINO

MELHOR DIREÇÃO

MELHOR DOCUMENTÁRIO

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM

MELHOR EDIÇÃO

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

MELHOR CURTA ANIMADO

MELHOR CURTA METRAGEM

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

MELHOR MIXAGEM DE SOM

MELHORES EFEITOS VISUAIS

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

 

 

 

 

 

 

 

O perigo de você não contar para o seu filho que ele é negro

0
O perigo de não contar ao seu filho que ele é negro

No décimo primeiro lugar da nossa retrospectiva das notícias mais lidas de 2019 temos uma reflexão sobre de racismo estrutural: O 20 de novembro já passou, mas as reflexões precisam continuar durante todo o ano. A falta de conscientização racial pode gerar problemas graves nos ambientes sociais que as crianças frequentam, por isso, queremos chamar atenção de todos que convivem com crianças negras para este texto.

Vocês precisam contar para seus filhos que eles são negros, que isso é motivo de orgulho e potência e que existe racismo no Brasil, caso contrário ele pode ser o próximo aluno racista da turma, ou pode estar vivendo agressões racistas e nem se dar conta disso. Veja o caso.

 

Racismo na escola

Recentemente fomos chamadas para dialogar em uma escola particular, do interior paulista, onde ocorreu um grave caso de racismo, em que uma menina negra de pele retinta vinha sendo frequentemente agredida por um grupo de meninos.

Uma das questões mais espantosas do caso é que o principal agressor é um menino negro de pele clara, caraterizado pela escola como pardo. Esse garoto é adotado e sabe que sua mãe biológica é negra.

A cidade em que essas duas crianças estão inseridas, o agressor e a vítima, é marcadamente racista. Há uma espécie de inconsciente coletivo que afirma a todo momento que ali ser negro é ruim, fazendo com que dificilmente as crianças assumam uma identidade negra e tenham consciência racial.

 

A omissão que causa dor

O que agrava a situação nesse contexto é que provavelmente nunca disseram para esse menino que ele é negro, porém, ele tem consciência que a cor da sua pele está mais para negro do que para branco. Nesse caso, para negar totalmente a sua negritude e se distanciar o máximo possível da possibilidade de o enxergarem como um garoto negro, ele agride uma criança negra, para deixar bem explícita a diferença entre eles, se colocando em posição oposta e se transformando assim num cruel agressor racista.

A menina agredida tem um núcleo familiar consciente sobre as questões raciais e que valoriza sua negritude. Ela aprendeu, desde muito cedo, a se orgulhar de suas origens, e o mais importante, compreender e denunciar o racismo.

Os desdobramentos desse caso são sempre dolorosos tanto para a vítima quanto para o agressor. Ao longo dos anos, estamos batalhando para a construção de uma sociedade com instituições antirracistas, em que pessoas com comportamentos e práticas racistas não caberão mais. E não desejamos que a criança que convive com você seja apartado dessa sociedade.

 

Consulado americano oferece cursos de inglês de graça para afrobrasileiros

0
O curso já capacitou turmas anteriormente

O Grupo +Unidos e o Consulado Geral dos Estados Unidos, em São Paulo realizam junto à jovens profissionais e/ou empreendedores afro-brasileiros o E2C – English to Connect, Comunicate, Catalyze, projeto piloto de aprendizado de inglês.

O principal objetivo é capacitar jovens negros, de 18 a 35 anos, para que possam desenvolver habilidades linguísticas que poderão trazer valor para suas carreiras. Além da imersão em inglês, que visa aprimorar a proficiência, o E2C também promoverá palestras com profissionais e investirá em mentorias direcionadas às carreiras profissionais de cada aluno.

O projeto tem 200 horas de instrução direta divididas em duas fases. A primeira fase contemplará 100 horas de instrução direta entre março e junho de 2020, além de atividades extracurriculares. A segunda fase inicia em agosto e será encerrada em dezembro, quando acontece a cerimônia final de graduação e entrega dos certificados.

Saiba mais em: http://maisunidos.org/e2c

As mais lidas de 2019 #10 Ao que tudo indica, a coisa vai ficar preta no Grammy 2020

0

Kauan Ferreira*

Foi divulgado em novembro, quais serão os artistas que concorrem ao prêmio mais importante da música, o Grammy.

A artista mais indicada da edição, é a rapper, instrumentista e cantora Lizzo, com 8 indicações pelo aclamado álbum Cuz I Love You e os sucessos que ele inclui, tais como Truth Hurts que atingiu o topo da parada mais importante da Billboard nesse ano, a Hot 100. Além do potencial vocal, Lizzo entrega para o público muita representatividade, negritude, feminismo, auto aceitação e superação.

Mas ela, não é a única a representar a comunidade negra na premiação, já que até Michelle Obama recebeu uma indicação ao troféu que é considerado o Oscar da música. (Mas calma aí, ela não está cantando).

Acontece que existe uma categoria para Melhor Álbum Falado, e Michelle conseguiu ser indicada pelo audio-book de seu Best-Seller, o livro ‘’Becoming’’. Essa não é a única categoria ‘’não musical’’ da noite.

O humorista Dave Chapelle concorre em Best Comedian Album, ao lado de nomes como Ellen DeGeneres.

Outro destaque vai para o jovem rapper  Lil Nas X, que superou o racismo e homofobia para conseguir se manter por 18 semanas em #1 no topo da Billboard Hot 100. O Recorde, pertencia desde 1996 á Mariah Carey e o grupo Boyz II Men, com o hit ‘’One Sweet Day’’

Como já era esperado quando se fala de Grammy, Beyoncé não ficou de fora. Entre a trilha sonora para o filme O Rei Leão, e o projeto Homecoming, foram 4 indicações.

Honrando o legado do pai, Julian Marley concorre na categoria ‘’Best Reggae Album’’.E na categoria ‘’World Music Album’’, temos África em peso. O nigeriano Burna Boy e a beninense Angelique Kidjo estão juntos na disputa pelo gramofone de ouro.

Ao que tudo indica, a coisa vai ficar preta nessa cerimônia, pois além dos já citados, ainda temos outros talentos na luta pelo troféu: Khalid, H.E.R, Cardi B, Swae Lee, Ella Mai, J Cole, Black Puma, Anderson Paak, Daniel Caeser, Young Thug, Travis Scott, Brandy e FKA Twigs são alguns desses nomes.

Por última, mas não menos importante, temos a nossa Thalma de Freitas como a única brasileira à disputar o Grammy. A artista carioca é indicada na categoria de jazz latino por álbum assinado com o compositor norte-americano John Finbury.

https://www.instagram.com/p/B5tf4OYnpwg/

 

Coisa de preto é fazer música bem feita. Estaremos na torcida!

Kauan Ferreira tem 21 anos, estudante. Apaixonado por moda, design e cultura  pop.

 

Beyoncé dá entrevista impactante para Revista Elle

0

Se você já parou para prestar a atenção nas letras das músicas de Beyoncé, talvez a entrevista da superstar para a Revista Elle não te surpreenda tanto, mas sua abertura em falar de tudo claramente, em uma entrevista, sim. “Quem manda no mundo, mulheres. Temos nossos filhos e voltamos aos negócios”, diz a letra de Run on The World, em tradução livre. A música de 2011 já dava noções de como Bey levaria sua vida e carreira. Mas, a vida com uma filha e com três é bem diferente, ainda mais com uma gestação de gêmeos, onde ela correu risco de vida e seus bebês, hoje com dois anos.

A entrevista e o ensaio, que conta com as peças da collab de Bey com a Adidas serão estampados na Elle nos Estados Unidos, Canadá, Itália, Reino Unido, e em muitos outros países onde a publicação está presente – a Elle Brasil deixou de ser publicada pela Editora Abril, em 2018, então não teremos essa capa histórica em versão tupiniquim.

 

A estrela nunca escondeu suas adversidades de seus fãs. Desde Bills, Bills, Bils, em que falava sobre pagar as suas próprias contas, passando por Independent Woman (Mulher Independente), ambas do início dos anos 2000, até a mais recente Bigger, lançada há alguns meses no álbum The Gift. Na letra Beyoncé narrava a dificuldade em conseguir tirar dias de folga, admitia que não tirava e “tentando ser uma boa esposa. Ainda é bem difícil, não vou mentir, mas te prometi que iria lutar, então eu luto”, falou francamente, revelando as pressões que sofria. A diferença da entrevista para a Elle canadense, que só sairá em janeiro, é que ela falou abertamente em uma entrevista, não apenas nas entrelinhas das canções.

Ninguém melhor do que seus próprios fãs para enviarem as perguntas, que foram feitas a diva pela Elle. Posando para o ensaio com as peças feitas em uma collab da sua marca Ivy Park com a Adidas, Beyoncé se abriu sobre diversos temas. “Minha mãe instalou em mim a ideia de que a criatividade começa com um salto de fé – dizendo aos seus medos que não são permitidos para onde você está indo”, aponta.

Beyoncé falou ainda sobre sua nova linha em parceria com a Adidas, que será lançada no dia 18 de janeiro. A diva disse que se trata de uma coleção divertida e que está ligada à criatividade, o poder supremo. “Me concentrei em criar uma coleção unissex de calçados e roupas, porque vi homens usando IVY PARK. A maneira como eles adotaram a marca é um presente inesperado. Aprecio a beleza das roupas neutras em termos de gênero e a quebra das chamadas regras da moda.”

Ter que equilibrar carreira e trabalho é algo que estressa a estrela. “Garantir que eu esteja presente para os meus filhos – deixando Blue na escola, levando Rumi e Sir para suas atividades, tendo tempo para sair com meu marido e chegando em casa a tempo de jantar com minha família – enquanto dirijo uma empresa, pode ser desafiador. Fazer malabarismos com todos esses papéis pode ser estressante, mas acho que é a vida de qualquer mãe que trabalha”, disse.

Agora, os gêmeos estão bem e saudáveis, mas a gestação deles foi de risco e abalou a saúde física e mental de Beyoncé. “Depois de uma gravidez difícil, levei um ano para me concentrar na minha saúde. Eu pesquisei informações sobre medicamentos homeopáticos. Eu não coloco qualquer receita no meu corpo. Minha dieta é importante e uso ferramentas como acupuntura, meditação e exercícios respiratórios.”

Sobre seu processo de criação, Bey afirmou que ele também está relacionado a fé: “Reúno minha equipe para uma oração. Garanto que todos somos claros sobre a intenção e qual é o significado mais profundo. Faço o meu melhor e tento impulsionar todos ao meu redor a fazer o mesmo. Acabo dando tudo o que tenho. Quando é lançado para o mundo, deixo para lá porque não é mais meu.”

 

As mais lidas de 2019 #9 “Um passageiro não teve o que queria e jogou uma banana na comissária negra”:  “Voo Negro” quer dar visibilidade aos tripulantes negros

0

Texto: Gabrielly Ferraz
Edição: Silvia Nascimento

As barreiras a serem enfrentadas por um negro que decide se tornar comissário de bordo no Brasil, não se limitam ao investimento financeiro, se estendem a árdua resistência e se encaminham para adoecimento mental causado pelo racismo velado.

O racismo que ocorre a bordo ainda não é motivo de pauta para as grandes companhias aéreas, ocasionando então em um ensurdecedor silêncio dos negros comissários, que infelizmente são submetidos à naturalização de tais situações.

Conversamos com Kenia Aquino, comissária com mais de 10 anos de atuação, fundadora do ‘Voo Negro’ projeto que auxilia, incentiva e contempla milhares de tripulantes negros pelo Brasil. E ao ouvir seus relatos em todos esses anos de experiência foi possível notar que o racismo no Brasil, segue sendo alimentado e cresce incessantemente.

Além desse racismo ‘sutil’ que os comissários sofrem pelos passageiros, recrutadores e até mesmo pela própria equipe, existem outras questões que tornam a profissão ainda mais desestimulante para os negros. Exigências de um comportamento superior aos demais, subestimação de sua capacidade e as limitações que só decaem aos corpos negros são uma delas.

“Eu percebo sim, que existe uma diferença de avaliação e de cobrança. Porque uma coisa está diretamente ligada a outra, a partir do momento que eu sou uma comissária de voo negra eu preciso manter as cobranças que são feitas a bordo da mesma maneira para todos os nossos clientes, mas eu não sou igual a todos os outros comissários.” Diz Kenia que ainda lembra de uma ocasião em que um passageiro recusou a água que ela estava oferecendo para logo em seguida solicitar um copo d’agua a outra comissária, que por uma inesperada coincidência, era branca.

Kenia Aquino, comissária com mais de 10 anos de atuação (Foto: Arquivo pessoal)

 

“Em geral, eu sou a única negra do rolê, raramente nós temos duas pessoas negras numa mesma tripulação. Quando eu, enquanto corpo negro chego a um passageiro e preciso que ele faça algo que ele não quer fazer, em geral ele tem uma tendência muito maior a mandar uma reclamação para empresa, porque ele se sente ofendidíssimo com o meu ‘NÃO’,” desabafa Kenia sobre uma situação de tensão entre ela e um passageiro que se recusava a respeitar as regras padrões de voo que lhe foram passadas por ela.

Assim como em muitas outras áreas de atuação, os negros seguem sendo subestimados e resumidos a “inexperientes” nas companhias de aviação.

Enquanto há um negro se esforçando para alcançar a excelência em seus postos, há um branco realizando um trabalho mediano e recebendo muito mais méritos por isso. E esse ‘não’ reconhecimento pode gerar uma frustração que consequentemente desestimula muitos comissários negros a seguir na carreira.

“Tem comissários que estão adoecendo por está vivendo cenas de racismo institucional, não é a instituição da Companhia Aérea, mas o Brasil, as pessoas, os passageiros, os colaboradores, os prestadores de serviços,  todo o sistema brasileiro é racista.”

O assunto ‘Cotidiano dos comissários de bordo negros’ não é algo que ouvimos falar constantemente, afinal, com que frequência os vemos? E o que além do fato de vivermos em um país extremamente racista justificaria a falta desses profissionais negros nas companhias aéreas? Podemos apontar alguns fatores, como: a desigualdade social, que muitas vezes impede que uma pessoa negra, pobre, periférica tenha noção do que é necessário para se tornar um comissário de bordo, ou também a dificuldade financeira, que irá o impedir muito antes de conseguir se matricular em um curso, pelo fato da ausência de idiomas, mas muitas vezes sempre irá retornar para a cor da pele que irá tirar a sua merecida vaga e colocar no lugar uma pessoa branca, loira e provavelmente de  olhos azuis.

O que foi o caso da Kenia em seu primeiro processo seletivo para comissária de bordo.

“Eu tenho consciência de que nós não somos tantas assim, mas existimos”, diz Kenia ao relembrar conosco o motivo que a impulsionou a criar o “Voo negro”:  A falta de representatividade.

“Existem várias páginas e perfis nas redes sociais que falam sobre a profissão, que incentivam os comissários os alunos comissários, exaltam a beleza das comissárias brasileiras e dos comissários do mundo. E na época, eu não identifiquei nenhum perfil que contemplasse as comissárias negras. Eles são vários perfis distintos ali que tem 200, 300, 400 postagens e alguns deles não tinha nenhuma foto de comissárias negras e alguns tinham uma ou duas fotos.”

É viável pontuar que a sutilidade com que muitos casos de racismo acontecem a bordo, pode sim influenciar diretamente na carência de medidas de repúdio contra essa prática, partindo das companhias aéreas.  Porém, seria um pouco fantasioso acreditar em tamanha ingenuidade vindo de grandes empresas de aviação. O racismo precisa virar pauta entre essas companhias, informar aos passageiros sobre as consequências dessa prática e dar suporte aos comissários negros que frequentemente são expostos a essas situações é algo que já deveria estar sendo feito.

“Não há uma política anti-racista nas companhias aéreas brasileiras, não existe. Nunca teve, nunca foi uma questão para essas companhias nem para os órgãos que permeiam as companhias aéreas,  os sindicatos, nem associações. Há um despertar coletivo, e há uma necessidade enorme de se fazer mais.”

Com a iniciativa da Kenia, na criação do ‘Voo Negro’ hoje, os aspirantes à comissário de bordo negros do Brasil, tem em quem se inspirar, tirar suas dúvidas e descobrir mais sobre o cotidiano dos tripulantes negros.

Bons resultados estão sendo comprovados desde a criação do projeto, os comissários negros, que antes se viam sozinhos em uma luta diária, hoje já conseguem contar com o apoio de outros tripulantes que entendem suas dores. É sobre conforto, compreensão, representatividade e resistência.

“Estamos em contato com as companhias e com algumas entidades afro e escola de comissários com o objetivo de conseguir que as companhias aéreas abram seleção especificamente para as pessoas negras, porque aí não existiria a ‘desculpa’ de que não existem negros na aviação porque eles não fazem o curso, existem muitas pessoas negras que fizeram o curso e estão prontas para começar, elas só não tem as mesmas oportunidades.”

O ‘Voo negro’ não se limita a apenas um perfil em uma rede social, Kenia também nos contou sobre o novo projeto que já está em vigor em parceria com a escola de comissários ‘Palegre’.

“Essa seria a segunda parte do meu projeto,  pretendemos criar bolsas de estudo 100% para pessoas negras dentro de escolas de aviação, a gente precisa quebrar essa barreira financeira, e convencer as pessoas periféricas de que é possível seguir esse caminho, atualmente já realizo um trabalho de palestras com pessoas que tem aspiração para se tornar comissário, eu trabalho com pessoas de todas as etnias, mas sempre vou partir do princípio que os negros enfrentam mais dificuldades.”

Prêmio Ubuntu vai premiar 20 personalidades pretas no Rio de Janeiro

0
Paula Dias é uma das idealizadoras do Prêmio Ubuntu

A comunidade preta do Rio está se preparando para uma grande festa: No dia 29 de janeiro acontecerá o Prêmio Ubuntu, que premiará nas categorias Dança, Teatro, Música, Religiosidade, Literatura, Educação, Manifestação Cultural, Personalidade Negra, Menção Honrosa e Protagonismo Juvenil. Serão 20 personalidades homenageadas. A cerimônia acontecerá no Teatro Carlos Gomes, no Centro da capital carioca, a partir das 19h.

Segundo Paula Dias, idealizadora do prêmio, a proposta é “A ocupação cultural, o fazer artístico, a troca entre os artistas para buscar ações que contemplem o fortalecimento, a reflexão e visibilidade da cultura afro brasileira.” Quem quiser assistir a cerimônia pode se inscrever clicando aqui.

As indicações de nomes são feitas por grupos culturais e entidades ligadas ao movimento artístico e negro, por meio da equipe de articulação do projeto. Os indicados têm o nome e o histórico avaliados pela comissão julgadora do Prêmio, formada por representantes da sociedade civil, classe artística, poder público, articuladores do Prêmio e a idealizadora do projeto, Paula Dias , diretora da Ong Afrotribo com parceria com Daniele Gonçalves do coletivo Dandaras pra sempre. Onde buscam a valorização e destaques desses agentes culturais no estado do Rio de Janeiro.

As mais lidas de 2019 #8 – Maia Boitrago: Conheça a fada que cuida do cabelo da celebridades negras como Taís Araújo, Iza, Jennifer Nascimento

0

Ter uma mulher negra cuidando do nosso cabelo afro faz toda a diferença. Conversamos com Maia Boitrago que cuida do cabelo das mais badaladas celebridades negras como Taís Araújo, Iza, Camila Pitanga, Jennifer Nascimento e Lellê. 

Do crespo armado às tranças super estilizadas Maia tem o dom, mas também profissionalismo . Suas clientes famosas não economizam nos elogios, fazendo de Maia um dos nomes mais requisitados quando falamos de beleza negra.

Ela mesma passou por um processo de transição capilar e entende a importância disso.

Mundo Negro : Quando e como foi que tudo começou, quando você descobriu esse dom que é trabalhar com tranças, e se teve algum fator que te incentivou seguir essa área?

Maia Boitrago: Então, eu sempre fiz trança no meu próprio cabelo, desde novinha. Em 2015 eu fiquei desempregada, daí comecei a trançar o cabelo das minhas amigas pra ajudar na renda. Eu sempre amei mexer em cabelo, sempre inventava vários penteados em mim. Eu comecei a trabalhar com tranças porque estava precisando, mas eu sempre amei.

https://www.instagram.com/p/B4ThFM6npeF/

Há alguns anos atrás muitas mulheres passaram por transições capilares talvez um pouco mais dolorosas do que seria atualmente, as tranças ainda não eram tão bem aceitas aqui, então a única solução era usar os cabelos bem curtos ou com a textura dupla mesmo. Hoje em dia podemos apontar os penteados nagô, ou as tranças soltas mesmo como aliados das mulheres na transição capilar?

Maia: Quando eu resolvi colocar trança eu fui muito criticada, diziam que ia ficar feio, que não ia combinar, que era coisa de gente suja… Eu sempre fui muito teimosa e coloquei as tranças mesmo contra a vontade de todos. Eu, na época não sabia o que era racismo, não sabia que a minha atitude estava um ato de resistência enfrentar e sustentar todas aquelas pessoas com suas opiniões totalmente preconceituosas e racista.

As tranças foram o primeiro passo pra eu passar pela transição sem saber também o que estava acontecendo, eu apenas parei de usar química e comecei a usar as tranças. Com o tempo eu fui me interessando pela cultura, comecei a frequentar feiras e eventos de pessoas pretas para pessoas pretas e aos poucos fui me descobrindo e me entendendo como mulher negra. As tranças além símbolo de resistência elas ajudam muito nesse processo de transição que é bem doloroso, muitas mulheres chegam bem fragilizadas por tudo o que já passaram e mexer com a autoestima é algo muito delicado e de uma grande responsabilidade.

https://www.instagram.com/p/B4faHE-glCm/

Geralmente, qual é a reação da mulher na transição capilar após se ver pela primeira vez de tranças? O quão gratificante algo que muitos veem apenas como vaidade pode ser para você e para o cliente?

Todas ficam muito felizes, principalmente quando vamos passando o processo juntas e elas vão vendo o resultado a cada vez que vão refazer suas tranças.

Nós vimos também que atualmente você faz os penteados de muitas mulheres negras em evidência na mídia, como é essa sensação de ver a proporção que seu trabalho tem chegado.

Às vezes eu ainda não acredito e me assusto quando alguém vem até mim me elogiar, mas acima de tudo, eu fico feliz em saber que de alguma forma eu estou fazendo parte nessa luta diária. Eu atendo meus ídolos, mulheres que eu admirei a vida toda e hoje fazem parte da minha vida não só como clientes, mas trocando experiências também.

Em relação aos penteados que você fez recentemente dessas mulheres famosas, teve algum que você gostou mais? Achou mais desafiador, ou sentiu uma responsabilidade maior?

Os penteados de todas elas são desafiadores. São mulheres de muita personalidade e eu além de colocar a minha personalidade no meu trabalho preciso respeitar e ser a fiel a delas também. Não tenho nenhum de preferência, todos são muito especiais e todos têm histórias que vou levar pro resto da vida!!!! Vou ter histórias pra contar para os meus netos!

https://www.instagram.com/p/B2FeV6RgPF-/

Falando sobre as tendências para esse fim de ano, verão… Que tipo de penteado as mulheres podem apostar para curtir confortavelmente essa época mais quente do ano?

No verão eu gosto de usar muito nagô que é a trança mais leve, confortável e fresca que tem. Mas todas elas são tendência e nunca saem de moda!!!!! Vai de cada pessoa escolher o que seja mais confortável.

Sambas-enredo do Carnaval 2020 exaltam a negritude

0
Passista da Mangueira. Foto: Cacau Fernandes

Negros, índios, quilombos, favelas, terreiros, Bahia, lavadeiras… O Carnaval 2020 do Grupo Especial do Rio vem preto, forte e destemido. Confira a trilha sonora do “maior espetáculo da terra” para este ano e se prepare com muito samba no pé: Depois de consagrar suas Marias, Mahins e Marielles com a “História para ninar gente grande” de 2019, a campeã Mangueira leva Jesus Cristo ao morro com “A verdade vos fará livre”: “Eu sou a Estação Primeira de Nazaré/Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”, canta Marquinho Art’Samba.

Comandada por Quinho e Emerson Dias, o Salgueiro conta a história de Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil. Falando em  referência da arte brasileira e preta, a Mocidade homenageia Elza Soares, com o tema “Elza Deusa Soares”, na voz de Wander Pires e samba assinado por Sandra de Sá.

“Oh, mãe, ensaboa, mãe, ensaboa, pra depois quarar” vem de Niterói, trazendo a Viradouro (vice-campeã do último Carnaval) e sua homenagem às Ganhadeiras de Itapuã, grupo musical que leva adiante a tradição das lavadeiras.

De azul e branco, a Vila Isabel homenageia Brasília, com um samba que é a cara do povo de Noel Rosa, puxado por Tinga, intérprete que transpira o DNA da agremiação. A Vila fala de “Jaçanã e um índio chamado Brasil”.

A Portela – que estreia em 2020 ninguém menos do que a dupla de carnavalescos Renato e Márcia Lage – vem de “Guajupiá, terra sem males”, enredo que conta a lenda dos Tupinambás, um dos povos que ocupavam originalmente esta terra.

De Padre Miguel para a Tijuca, mais uma voz inconfundível do carnaval traz o povo do Borel à Sapucaí: “A minha felicidade mora nesse lugar/ Eu sou favela”, canta Wantuir em “Onde moram os sonhos”, que marca o retorno do carnavalesco Paulo Barros à Unidos da Tijuca, onde foi campeão três vezes.

Em São Cristóvão, o método foi o mesmo: mais uma vez, Moacyr Luz, Cláudio Russo e parceiros assinam o samba do Paraíso do Tuiuti, “O santo e o rei – Encantarias de Sebastião”.

De São Cristóvão o Grupo Especial pega a Linha Vermelha e vai até Duque de Caxias, e exalta o sacerdote Joãozinho da Gomeia, pai de santo visitado por nomes como Jorge Amado, Juscelino Kubitschek e dezenas de atrizes, atores e músicos. Celebrado como um dos enredos (e sambas) do ano, “Tatalondirá – O canto do caboclo no quilombo de Caxias”, da Grande Rio, canta o axé do baiano Joãozinho com garra, além de passar pelo essencial alerta contra a intolerância: “Eu respeito o seu amém, você respeita o meu axé”, na voz de Evandro Malandro.

Pegando a mesma Linha Vermelha de volta, o disco desembarca na União da Ilha, onde Ito Melodia canta “Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: salve-se quem puder”, um emocionante hino de louvor ao povo das comunidades.

Encruzilhadas, becos e vielas também aparecem, em abordagem diversa, em “Se essa rua fosse minha”, com que a Beija-Flor fala dos caminhos por onde o homem anda desde o início das civilizações, não esquecendo, é claro, os orixás e o povo da rua. “Nilopolitano em romaria/ A fé me guia”, garante Neguinho da Beija-Flor, mais de quatro décadas de serviços prestados à azul-e-branco da Baixada.

Promovendo a estreia de um craque do humor, Marcelo Adnet, no posto de compositor de samba-enredo (com parceiros), a São Clemente volta a um tema caro e necessário ao Carnaval: a malandragem, com “O conto do vigário”. A escola de Botafogo revive seus dias de crítica social (o que a levou ao Grupo Especial lá nos anos 1980) no belo samba puxado por Bruno Ribas, Leozinho e Grazzi Brasil. “La garantía soy yo!”.

Para fechar a coleção, o velho Estácio reaparece no Grupo Especial, em edição luxuosa comandada pela carnavalesca Rosa Magalhães (que fez história na escola décadas atrás): “Pedra”, que passa pela mineração, construção e tudo o que tem minerais envolvidos.

error: Content is protected !!