Continuando nossa retrospectiva de 2019, não podemos esquecer que o filma “Pantera Negra” venceu os Oscars de melhor figurino, melhor direção de arte e melhor trilha sonora.
Realeza africana, herói negro, rainha, guerreiras, uma jovem mestre em tecnologia e Wakanda, a África Utópia onde colonizadores e escravagistas nunca pisaram e que seria a maior potencia do planeta. Esses elementos do Pantera Negra tem gerado um efeito intenso na comunidade negra em todo mundo.
Dos nascidos no continente africano, aos afro-americanos , negros do América do Sul, da Europa, a verdade que o filme da Marvel aflorar a fantasia dessas pessoas, não só por suprir a falta de representação, mas por mostrar de forma irretocável o que África seria, ou seja, o que nós todos poderíamos ser como nação e indivíduos, dos nossos nomes, vestuário, ancestralidade e solidariedade entre as nações.
Deise Cipriano, do Fat Family faleceu em fevereiro deste ano
Deise Cipriano, do Fat Family faleceu em fevereiro deste ano
Esse 2019 foi muito marcante para a cultura negra brasileira e internacional, para relembrar os fatos que mais marcaram esse ano, separamos os principais fatos.
O primeiro fato que iremos relembrar, foi a morte de Deise Cipriano, do Fat Family, em 12 de fevereiro de 2019. De uma voz potente e arrepiante, Deise e seus irmãos impressionaram o país no início dos anos 2000 e continuaram emocionando. Infelizmente, Daise, de 39 anos, lutava contra um câncer no fígado desde agosto de 2018.
Nossos sentimentos aos familiares e amigos. Uma voz incomparável que alegrou nossas vidas. Descanse em paz, Deise.
Nem todo mundo teve que lidar com a brincadeira do pavê ou para comer, por não tem condições de bancar uma ceia de Natal.
Em um ano em crise, muitos brasileiros carentes tiverem que contar com a ajuda das pessoas para ter uma alimento decente no período do Natal.
A Iza, que teve um ano sensacional, dedicou horas da sua agenda corrida para caridade. Ontem (26/12) a cantora passou o dia servindo, ela mesma, juntamente com outros voluntários, refeições para os moradores em situação rua do bairro da Penha, no Rio de Janeiro.
A ação foi feita em parceria com a Basílica Santuário da Penha RJ.
Tão bom quanto agradecer as coisas boas é retribuir ajudando quem precisa.
A comunidade negra é a maior do Brasil . Saber como ela se comporta na Internet é algo importante, afinal, as Redes Sociais, ganham cada dia mais, importância nas tomadas de decisões das pessoas, além de ser uma fonte de entretimento, socialização e informação.
Facebook, Twitter, Instagram, Tik-Toc, Pinterest, Linkedin ou Youtube? Qual a sua rede social favorita?
O Mundo Negro pela segunda vez faz uma pesquisa para entender o comportamento online na comunidade negra. Queremos saber onde nosso povo e está e qual sua relação com as suas redes sociais prediletas. E sim, queremos saber o que você pensa.
Os participantes da pesquisa ainda concorrerão a um vale-presente de R$ 100 na loja online da marca Xongani.
Aqui sua opinião importa participe da pesquisa clicando aqui (onde também tem todos os detalhes do sorteio).
Se você é crespa ou cacheada, lembra com quantos anos aprendeu a cuidar dos seus próprios cabelos?
A empresária afro-americana Yelitsa Jean-Charles aprendeu a arrumar seus fios volumosos e crespos aos 21 anos e essa foi uma das motivações para ela criar a Healthy Roots Dolls, empresa voltada a produção de bonecas negras com cabelos crespos e cacheados. “Não faz sentido que eu só tenha aprendido a cuidar do meu cabelo tão tarde, é meu cabelo natural, o que sai da minha cabeça”, explicou a empresária em entrevista ao Now This.
O cabelo crespo tem fama de ser difícil de cuidar e isso, de acordo com Yelitsa, vem da nossa cultura e suas bonecas querem quebrar essa ideia, ensinando desde muito cedo que o cabelo natural das meninas e mulheres negras é incrível e para cuidar bem é preciso prática. “As crianças merecem bonecas que as façam se sentirem maravilhosas”.
Zoe é a principal boneca da marca. É possível pentear, passar creme, fazer tranças e twists, lavar e desembaraçar as bonecas. “Eu me esforcei para que o cabelo tivesse textura real, para as crianças poderem passar creme e levar quantas vezes quiserem”, detalha.
A linha teria grande potencial aqui no Brasil e mesmo nos EUA onde a população negra é menor, Yelitsa conseguiu investimentos para aumentar a produção de bonecas. Atualmente ela faz vendas diretas ao consumidor pelo site: http://www.healthyrootsdolls.com Infelizmente ela ainda não envia produtos fora dos EUA, mas fica a ideia para nossos afro-empreendedores brasileiros se inspirarem nas bonecas que fariam muito sucesso por aqui.
ASBRAC promove o primeiro curso de Juiz de Paz para Religiões de Matriz Africana, no Rio de Janeiro
ASBRAC promove o primeiro curso de Juiz de Paz para Religiões de Matriz Africana, no Rio de Janeiro
Hoje, se um casal que segue religiões de matriz africana quiser se casar no Rio de Janeiro, precisará de um juiz de paz que não será um dos seus líderes religiosos, como acontece com evangélicos, judeus e católicos. Mas, a partir de janeiro, esse cenário mudará, pois estão abertas as inscrições para o curso de Juiz de Paz para Povos Tradicionais de Matrizes Africanas. As aulas serão realizadas nos dias 11 e 12 de janeiro, no Shopping Nova América e estão sendo organizadas pela ASBRAC ( Associação Brasileira de Capelania Civil).
Segundo a Iyalorisa Rita d’Oiyá, superintendente de Igualdade Religiosa da ASBRAC, o curso é integrativo e não excludente como de outras denominações. “Quem quiser, será bem-vindo. Percebemos que nosso povo não estava tendo a mesma oportunidade que evangélicos, por exemplo que ao casarem na igreja, podem fazer a cerimônia religiosa com efeito civil, tendo o pastor como o juiz de paz. Agora, com esse curso, poderemos ter igualdade de direitos com pessoas de outras religiões”, aponta a Iyá.
O valor do curso é de R$ 440, e inclui o registro com carteirinha de Juiz de Paz Religioso. matrícula é feita mediante apresentação do comprovante de pagamento de pelo menos 50% do valor total do curso. As aulas são voltadas para Iyalorixás, Babalorixás e sacerdotes de todos os segmentos religiosos, com casa religiosa aberta. Egbomi, Ekejdi e Ogã, wiccas, canbonas, pai e mãe pequenos e outros cargos, precisam de indicação assinada por seu zelador com casa aberta.
Sobre a ASBRAC
A Associação Brasileira de Capelania Civil – ASBRAC surgiu através do Conselho Nacional de Capelania e Justiça de Paz Eclesiástica (CONCAJAPE), em 04 de fevereiro de 2016. Está ligada à Faculdade Cristã de Teologia e Filosofia do Estado do Rio de Janeiro – FACTEFERJ, que possui cursos superiores de Filosofia, Teologia Cristã e Teologia Espírita. Além do curso de juiz de paz, também oferecem cursos de capelania para religiões de matriz africana.
Mais informações (021) 98113-3906 ou (021) 98348-4499.
Procure um médico se você não se emocionou com o especial de Natal da Globo, Juntos a Magia Acontece, exibido na noite do dia 25.
Nem todo mundo chora, mas a emoção no peito bate forte ao ver um elenco massivamente negro interpretando um roteiro com tanta representatividade, afeto, mostrando o lado solidário do nosso povo.
A imagem das pessoas negras está atrelada a quem recebe assistência e não a quem oferece.
Além disso, as famílias negras na dramaturgia são raramente formadas por um núcleo integralmente negro e sempre que aparecem há sempre algo forte ligado à pobreza, ao abandono, violência e abusos, quando não reforço dos estereótipos ligados à sexualidade dos homens e mulheres.
Neuza(Zezé Motta), Orlando (Milton Gonçalves) , André (Fabrício Boliveira) , Vera (Camila Pitanga), Letícia (Gabriely Mota) e Jorge (Luciano Quirino) formam a Família Santos .
As possibilidades de continuar a história deles em outros projetos é possível e não choca ninguém o fato da web se empolgar com essa possibilidade.
Como era a Família Santos antes da morte da Dona Neuza? Como André e Vera vão reconstruir sua relação? Jorge vai arrumar um emprego fixo e ajudar mais a esposa? Como fica a depressão do Seu Orlando depois de um Natal memorável? E os amigos da Letícia? Queremos saber mais sobres essas crianças.
Como muita gente comentou, o único problema do especial, foi ter durado pouco e por isso a gente quer sim, uma continuação dessas histórias. Aliás, merecemos.
Veja algumas manifestações, por meio das redes sociais, de pessoas que acham que a Família Santos tem que voltar.
Elyfer Torres será protagonista de telenovela exibida no SBT
Elyfer Torres será protagonista de telenovela exibida no SBT
Em quase 40 anos, o SBT nunca exibiu uma telenovela com uma protagonista negra em sua grade, e até mesmo em papéis secundários, era raríssimo ver pretos na grade do SBT. Mas, com a aquisição da telenovela Betty em Nova Yorque, outra releitura de Betty, a Feia, isso finalmente acontecerá em breve.
Elyfer Torres, mexicana de 22 anos, vive a clássica personagem na releitura do original colombiano, Betty, a Feia. A jovem atriz também é primeira negra a protagonizar um folhetim da Telemundo, emissora americana de conteúdo espanhol.
É um avanço, mas a pergunta que fica é quando teremos uma produção nacional do SBT com protagonistas pretos e conosco nos papéis de destaque? Lembrando que não somos minoria como nos Estados Unidos (14%), somos 54% da população.
A autora de Juntos a Magia Acontece, Cleissa Regina Martins, entre os atores Milton Gonçalves e Zeze Motta
A autora de Juntos a Magia Acontece, Cleissa Regina Martins, entre os atores Milton Gonçalves e Zeze Motta
Revelação da primeira turma do Laboratório de Narrativas Negras para o Audiovisual, parceria entre a Globo e a Flup iniciada em 2017, Cleissa Regina Martins, de 24 anos, fez sua estreia como autora no especial de Natal ‘Juntos a Magia Acontece’. Em 2020, ela será uma das colaboradoras da próxima temporada de ‘Malhação’. Nascida no bairro carioca de Magalhães Bastos, formada em Ciências Sociais, com experiências de intercâmbio nos Estados Unidos e no Canadá, pesquisava com frequência as desigualdades de gênero e raça no audiovisual brasileiro. Assinou a direção de arte do premiado curta-metragem ‘Eu, Minha Mãe e Walace’, dos irmãos Marcos Carvalho e Eduardo Carvalho.
Qual a sua inspiração para fazer esse especial de Natal?
Essa ideia surgiu quando eu conheci o Milton Gonçalves em 2016. A gente se encontrou em um evento e ele foi superlegal comigo, me deu o cartão dele e disse que eu poderia escrever algo e convidá-lo. Fiquei pensando na hora em que história eu poderia desenvolver para o Milton e acabei pensando nele como Papai Noel. E aí, durante a Flup, em 2017, eu precisei apresentar um argumento e nasceu essa história e essa família.
Qual a principal mensagem do especial?
A de que Natal é um momento de encontro, para estar junto de verdade, de olhar para o lado e entender o que o outro está querendo, esperando, e como a gente se completa e como se cria esse censo de comunidade.
Como foi ver o especial ganhando corpo, saindo do papel durante as gravações?
Foi ótimo! Cada ator criou um pouco para o seu próprio personagem, achei isso legal e mostrou o quanto os atores estavam envolvidos com o texto, o quanto eles se viram ali de alguma forma.
Deixe o pacote de lenço do lado do sofá aos assistir “Junto a Magia Acontece”, especial de final de ano que a Globo exibirá na noite do Natal. Ah e chame a família para se emocionar com você. E não é sobre drama é sobre representatividade.
O elenco em si, já emociona.
Milton Gonçalves, Zezé Motta, Camila Pitanga, Fabrício Boliveira, Luciano Quirino e a talentosa estreante Gabriely Mota formam uma família negra, mas sem um milímetro de estereótipos que vemos na TV e no Cinema.
Há uma pequena tensão racial em alguns momentos, mas já é de se esperar, afinal Papai Noel Negro, um dos temas do programa, em um país como Brasil nunca seria uma unanimidade.
No entanto, o fato do núcleo familiar ser 100% negro, algo raríssimo de se ver na TV aberta, faz a narrativa nos deixar com a impressão que somos parentes daquelas pessoas.
O texto de Cleissa Regina Martins não decepciona. A trama flui por conter nuances de dramas familiares que intercalam a relação de todos eles, como pais, filhos, irmãos. Parece tolo, mas são textos assim que mostram que famílias negras são como as outras. Nós amamos, somos solidários, temos empatia e gostamos de união, de alegria e de uma mesa farta no Natal.
Cleissa Regina Martins – revelada pelo Laboratório de Narrativas Negras para o Audiovisual, uma parceria da Globo com a FLUP (Festa Literária das Periferias) Foto: Estevam Avellar/Globo
A relação de Vera (Camila Pitanga) e o irmão André (Fabrício Boliveira) é complexa, e é interessante ver como a questão de gênero aparece de maneira sutil, mas certeira, na maneira como os dois filhos foram criados.
As crianças do programa são um show a parte. Todas negras, crespas e muito empoderadas.
Como fazer as crianças sentirem o espírito de natal competindo com smartphones e tablets? Sim, esse tema inclui todas as crianças, incluindo as negras. Agora o que as crianças negras querem de Natal? Aí há algumas diferenças e o momento que elas falam sobre seus desejos de Natal é um dos mais bonitos do especial.
A trilha sonora também é quase um personagem à parte. Há trechos sem diálogos onde a música vai fazer seus olhos encherem de lágrimas.
O responsável é Plínio Profeta. “Quando Maria me contou da história, a questão da representatividade veio muito forte à mente. Por isso, convidei a Agnes Nunes, cantora paraibana, de 17 anos, para gravar ‘Rua Enfeitada’, e a Luedji Luna, que interpreta ‘Asas’, composição dela”, explica Plínio.
Kenia Maria: o detalhe que não aparece na tela, mas fez toda diferença
Kenia Maria, porta voz da ONU Mulheres e consultora da Globo, foi responsável pelas pesquisas que envolveram o desenvolvimento de “Juntos a Magia Acontece”.
Kenia Maria, consultora da Globo (Foto: Reprodução Instagram)
“A Monica Albuquerque , Diretora de Desenvolvimento e Acompanhamento Artístico (DAA) da Globo, me convidou para participar desse projeto. Todas as vezes que conversamos eu falei para ela que a Globo tem que ter um compromisso com a comunidade negra que é a maioria da população, que estamos na Década do Afro Descendentes” detalha Kenia que ficou envolvida no especial de julho à dezembro.
“Eu estava presente quando a Cleissa, autora que surge da Flup, teve seu texto escolhido pela Globo para o projeto e nós trocamos aquele olhar que temos quando somos únicos. Troquei muito com ela. Participei da leitura de textos. O cuidado desde o tamanho da árvore de Natal, sou uma mulher negra que nasceu no subúrbio e lá as árvores são grandes, mostram que a gente consome, e eu falei muito de Black Money, de ter comerciantes negros, de ser em Madureira. Era preciso apontar as questões sociais, mas é importante mostrar que a gente consome” ressalta a pesquisadora.
O projeto tem patrocínio da Coca-cola . “A série emociona, fala de amor entre homens pretos, família preta e dinheiro. A Coca Cola entendeu que nos consumimos e isso não é sobre amor, afro-brasileiros movimentam por ano 1,8 trilhão”, finaliza Kenia.
O especial vai ao ar no dia 25 de dezembro, depois de ‘Amor de Mãe’.
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