Elton Sacramento, bailarino e intérprete criador, publicou em seu Instagram o vídeo da obra “Salomão veio do Futuro” que propõe refletir artisticamente sobre a necropolítica e o genocídio do povo preto.
“Conexões ancestrais, audiovisual e arte, são narrativas que corroboram para o discurso político. Tem poesia. Porém, também a cruel realidade apresentada”. Com esse intuito Anderson Valentim artista plástico, fotógrafo e propositor do conteúdo em audiovisual e exposição fotográfica, questiona as agruras da população preta.
Elton Sacramento, está dentre os artistas convidados e interpreta esse ser que diz “Salomão é o futuro que veio reconectar o caminho com o autoconhecimento “. O intérprete no processo acaba fazendo uma homenagem a Rubens Barbot, referência negra na Dança Contemporânea.
Partes das cenas de Elton Sacramento foram filmadas no Terreiro Contemporâneo, sede da Cia. O figurino que Elton usa, são peças pessoais de Rubens Barbot que autorizou para o trabalho. Um importante impacto social no diálogo entre gerações de artistas negros em suas obras.
“Eu enquanto homem negro entendedor do racismo, no meu fazer artístico trago a problematização da descentralização da estrutura dos privilégios direcionada à brancas e brancos e a existência da construção do meu corpo inteiro, dotado de expressão nos conceitos de estudos e analogias de saberes africanos e diaspório brasileiro”, escreveu Elton ao publicar o vídeo; Confira:
Djamila Ribeiro e seu livro "Pequeno Manual Antirracista"
“O livro mais vendido do Brasil é de uma mulher preta” Anuncia à filósofa e escritora Djamila Ribeiro, ao revelar que seu livro ‘Pequeno Manual Antirracista’ é o mais vendido no país durante o mês de Junho.
No livro, a autora fala sobre dez breves lições para entender as origens do racismo e como combate-lo, tratando de temas como atualidade, negritude, branquitude, violência racial e outros. Ela argumenta ainda que, a prática antirracista está nas atitudes do cotidiano, tendo que ser utilizados por todas as classes, cores e gêneros.
“A mãe da Thulane, uma mulher preta é a autora que mais vende livros no Brasil. Chora, Brasil colonial! É histórico!” Escreveu Djamila em suas redes sociais.
“Essa notícia não é uma conquista só para mim… É uma conquista para todos os grupos com quem converso, troco e aprendo. É uma conquista para meus ancestrais, para quem pavimentou o chão para que minha geração pudesse pisar. Já nos ensinou Lélia González, nosso legado não é somente de dor, mas um legado de luta e resistência.” Completou ela.
Na lista de best seller ainda estão os outros dois livros da escritora “Quem tem medo do Feminismo Negro?” em quinto lugar e “Lugar de Fala” em décimo.
Junho é o mês do Orgulho LGBTQIA+, mais do que nunca é importante entender as nuances e questões que permeiam a vida de pessoas negras que pertencem a sigla e o cinema pode contribuir para levantar o debate, difundir conhecimento e provocar inquietações. Neste contexto, separei 8 obras que abordam algumas dessas vivências:
Moonlight (2017)
Indicado a oito categorias no Oscar, levando três (Entre elas a categoria melhor filme), além de ser o filme LGBT mais bem avaliado na história do site especializado norte-americano metacritic; discute questões importantes como a homossexualidade, masculinidade tóxica e a violência num ambiente negro e periférico.
Pose (2018)
A série retrata Nova York no final da década de 1980 e a cultura dos Ballrooms. Na trama, a transexual Blanca Evangelista abriga jovens LGBT que foram expulsos de suas casas numa época marcada pela ascensão dos bailes. O elenco da série é majoritariamente composto por mulheres trans e homens gays negros, e também aborda questões como hiv, discriminação, racismo e transfobia.
Rafiki (2018)
Kena e Ziki são grandes amigas e, embora suas famílias sejam rivais políticas, as duas continuaram juntas ao longo dos anos. A relação de amizade transforma-se em um romance que afeta a rotina da comunidade conservadora em que vivem. O filme acumula alguns feitos e curiosidades importantes, foi o primeiro longa queniano a ser exibido no Festival de Cannes com direção e roteiro assinadas por Wanuri Kahiu, a produção também foi banida no Quênia onde a homossexualidade é proibida.
Bixa Travesty(2019)
Bixa Travesty é um filme brasileiro de 2018 dirigido e escrito por Claudia Priscilla e Kiko Goifman. O Doc Relata a vivência da cantora e ativista transexual Linn da Quebrada, venceu o Teddy Award de melhor documentário LGBT e a categoria “Melhor filme pelo júri Popular” no Festival de Cinema de Brasília.
Sócrates (2018)
Filme nacional vencedor na categoria “Diretor Revelação” do Independent Spirit Awards. Na trama, Sócrates precisa fazer de tudo para sobreviver após a morte de sua mãe, numa realidade difícil e agravada por sua homossexualidade. O filme foi produzido por Fernando Meirelles e alunos do Instituto Querô na Baixada Santista. O filme também foi indicado ao GLAAD Media Awards (premiação que reconhece e celebra representações inclusivas da comunidade LGBT) na categoria “Outstanding Film”.
Pariah (2011)
Pariah é a história de Alike, uma garota de 17 anos que vive no Brooklyn, em conflito com sua identidade sexual e auto-estima. Além de lésbicas negras como protagonistas discute questões como a imposição de feminilidade e conflitos familiares.
A Morte e Vida de Marsha P. Johnson (2017)
Enquanto enfrenta a onda de violência contra mulheres trans,a ativista Victoria Cruz investiga a morte de sua amiga Marsha P. Johnson,em 1992. Marsha foi uma ativista trans e criadora do grupo Street Transvestites Action Revolutionaries.
Heart Beats Loud (2018)
Frank Fisher, um ex-músico que perdeu a mulher em um acidente, é dono de uma loja de vinil falida chamada Red Hook Records, em Brooklyn, Nova York. Sam, sua filha, está prestes a partir para a Costa Oeste para estudar pré-medicina no final do verão. Apesar do desejo de Sam de estudar e passar um tempo com sua namorada, Rose, Frank incessantemente pede-lhe para tocar música com ele.
Nesta quarta-feira, (17), das 10h às 11h acontecerá o workshop virtual sobre Doença Falciforme, a doença hereditária mais comum no Brasil e considerada o segundo maior problema de saúde pública do mundo.
Durante o evento, que contará com a presença de Thelminha Assis, médica e vencedora do BBB 20, será apresentado uma pesquisa inédita realizada com 2 mil brasileiros sobre a percepção da população sobre Doença Falciforme.
A anemia falciforme é um grupo de distúrbios hereditários em que os glóbulos vermelhos assumem o formato de foice. No traço falciforme, a criança recebe a mutação genética da célula falciforme de apenas um dos pais. Nesse caso, a criança não desenvolve a doença, mas pode transmitir o gene defeituoso para as futuras gerações.
Os participantes irão abordar temas como o Dia Mundial de Conscientização da Doença Falciforme (comemorado em 19 de junho), às dificuldades dos pacientes, o fato de estarem entre o grupo de risco da Covid-19.
Com prevalência média de um entre 380 nascidos vivos afro-descendentes (o dobro do que entre os brancos), está na lista de fatores de risco da Covid-19. A doença é genética, incurável e seus portadores estão mais propensos a sofrer efeitos mais graves do novo coronavírus, com maior risco de morte. A estimativa é que 70 mil pessoas no Brasil vivam com a doença.
Serviço:
Data: Quarta-feira (17) das 10h às 11h Para se inscrever e participar do workshop é necessário enviar seu nome e cargo para o e-mail leila.justo@edelman.com
Will Smith já sabe qual será seu próximo papel nos cinemas logo após a pandemia. Desta vez, ele vai interpretar Peter, no longa Emancipation, o homem escravizado que ficou famoso após fugir e posar para uma foto expondo as cicatrizes de suas costas, marcas de um chicoteamento que quase o matou.
Originalmente circulada pelo jornal “Independent”, a foto também apareceu na “Harper’s Weekly”. Pouco depois, países europeus como a França anunciaram que deixariam de comprar algodão dos estados do sul dos EUA, onde a escravidão ainda era praticada.
Segundo o Deadline, o projeto será dirigido por Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento”, “O Protetor”). A foto de Peter, conhecida como “Scourged Back”, foi publicada em uma série de veículos de imprensa em 1863.
Embora vá usar todo este contexto histórico, “Emancipation” é descrito como um “thriller de ação” focado na fuga de Peter de seus captores. Smith também será um dos produtores do projeto.
Imagem Reprodução: TvCultura /
Divulgação/ Christian Parente
O professor, advogado e Doutor em Filosofia, Silvio Almeida, participará nesta segunda-feira (22) do programa Roda Viva. Autor do livro ‘Racismo Estrutural’, Silvio sempre abordou o racismo na estrutura social, política e econômica da sociedade brasileira em seus textos.
O programa terá como tema os protestos antirracistas ao redor do mundo e será apresentado pela jornalista Vera Magalhães, sendo passado às 22:00 horas na TV Cultura.
Silvio é Jurista e filósofo, doutor em filosofia e teoria geral do direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), professor das faculdades de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP) e da Universidade São Judas Tadeu (SP) e presidente do Instituto Luiz Gama.
Muito conhecido por manifestar suas opiniões em redes sociais, como o twitter, e sua interpretação sobre questões políticas e raciais. O anuncio foi feito pela rede social oficial do programa.
A Marvel Comics disponibilizou gratuitamente o download de várias HQs criadas por artistas e escritores negros. As revistas liberadas estão apenas em inglês e podem ser adquiridas até o final do mês de junho.
Entre as edições disponíveis estão a história antológica focada em heróis negros Marvel’s Voice, de 2020, Coração de Ferro, o começo da trajetória de Riri Williams, sucessora de Tony Stark, 2018, Quem é o Pantera Negra?, de 1998, e Deathlok, de 1991.
“Vozes negras de criadores e personagens são uma parte entrelaçada a história da Marvel. Essas histórias em quadrinhos visam celebrar seus legados, desde décadas atrás ou mesmo este ano”, disse a editora via comunicado oficial.
Para acessar os quadrinhos é necessário baixar o app Marvel Unlimited, disponível para Android e IOs. Clique em “Free Comics” na tela inicial e escolha as edições. Nenhuma informação de pagamento ou assinatura necessária, basta escolher e iniciar a leitura.
A Netflix foi uma das primeiras empresas de mídia e entretenimento a apoiar o movimento Black Lives Matter em meio a crescentes protestos contra o assassinato de George Floyd.
“Calar é ser cúmplice. Vidas negras são importantes”, disse a Netflix em um tweet de 30 de maio.
“Combater o racismo e a injustiça de maneira significativa significa criar oportunidades de longo prazo para a comunidade negra. O principal papel que desempenhamos é através do financiamento e da visualização dos membros de conteúdo importante. Como uma etapa adicional, estamos comprometendo US $ 5 milhões com organizações sem fins lucrativos dedicadas à criação de oportunidades diretas para criadores negros, jovens negros e empresas pertencentes a negros “, diz o CEO da Netflix, Reed Hastings.
Além dos US $ 5 milhões que foram comprometidos, a Netflix está procurando apoiar seus funcionários negros “temos o dever de apoiar nossos membros, funcionários, criadores e talentos negros.”
Amadeu Marins, nasceu e cresceu na favela de Manguinhos (RJ) teve uma infância e adolescência turbulenta e hoje aos 27 anos se consagrou em um salão considerado pela VOGUE como o melhor de Paris.
Amadeu é considerado um artista, e atualmente completa uma equipe de cabeleireiros no salão David Mallett , sendo o único negro a ocupar a posição de profissional do salão sem passar pelo programa de aprendizado trainee.
Não foi um caminho fácil a ser traçado, Amadeu perdeu seus pais logo na infância e precisou renunciar a muitas coisas para investir em sua educação.
Em entrevista para o Mundo Negro o hairstylist conta que já deixou de comprar roupas e até de comer para conseguir se qualificar, passou a vender salgados para pagar o curso na academia L’Oréal (onde deu início a sua formação) “Foi algo desafiador, mas que fiz com muito orgulho em prol de algo maior.” Contou o hairstylist.
E o grande marco dessa inspiradora trajetória foi quando o próprio David Mallett o convidou para integrar o time dele.
“É uma reflexão diária lembrar de onde eu saí, o que eu percorri para chegar aqui e que isso não é só uma conquista minha, é uma conquista de todas as pessoas que acreditaram no meu potencial, no meu trabalho e acredito também que seja uma conquista para todos os negros.” – afirma Amadeu.
O afroginger, idealizado por Amadeu tem feito muito sucesso no Brasil, e muitos jovens periféricos hoje se inspiram nas técnicas usados pelo carioca, que se orgulha muito dessa repercussão.
“Acredito ter ajudado as pessoas a perceber novas tendências e que coisas antes tidas como impossíveis para pessoas pretas foram surgindo também graças a esse movimento. Me sinto muito orgulhoso e especial por ter pesquisado e buscado essa tendência.” afirma o hairstylist.
O jovem atualmente está mostrando o seu talento na Europa, mas tem muitos planos futuros envolvendo seu país.
“Gostaria muito de iniciar um projeto social dentro de favelas do RJ, para profissionalizar jovens na área da beleza, criando assim oportunidades para jovens que como eu vieram de lugares onde parece que o poder público muitas vezes não chega.” conta Amadeu sobre seus projetos futuros.
Amadeu é resistência, superação e representatividade, com certeza inspiração para milhares de jovens favelados, que se veem limitados pela ausência de incentivo e suporte nas favelas.
“Só a educação nos torna grandes. Sempre investi muito em conhecimento, jamais fique estagnado, crie metas, novos objetivos. Isso inspira. E não tenha medo de errar ou falhar. É através dos erros que amadurecemos e enxergamos novas rotas de crescimento.” afirma Amadeu Marins.
A diretora-executiva do ID_Br Luana Genot - Foto: Reprodução Instagram
“Muitas dessas empresas, mesmo as que estão comprometidas com a igualdade racial nos EUA, nem sequer têm um único executivo negro em seu quadro.” A provocação é de Luana Genot, diretora executiva do ID_BR, instituto focado na inclusão de pessoas negras no mercado de trabalho.
Em suas redes sociais, Genot fez uma alerta sobre como multinacionais no Brasil não tem colocado em prática ações de inclusão racial amplamente promovidas pela matriz no exterior.
“A América é maior que os EUA. No Brasil (América do Sul), os negros representam mais de 110 milhões de pessoas. Mas, por exemplo, entre as 500 maiores empresas aqui, muitas delas americanas e multinacionais de outros países, temos menos de 5% dos negros em funções executivas. Isso significa que suas ações na “América” ainda não refletem aqui”, argumenta a executiva.
Confira o vídeo na íntegra que está em inglês com legendas em português :
Dear Nike and US organizations, companies and multinationals. We recognize your actions in response to racism. Your actions in "America" don't reflect in Brazil as we don't see investments focused on racial justice here. Please, extend investments and goals here. pic.twitter.com/wyzL264Z4g