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Racismo algorítmico é tema do novo livro de Tarcízio Silva

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Pesquisador Tarcízio Silva. Foto: Arquivo Pessoal.

No dia 21 de fevereiro será lançado, pela Edições Sesc em formato digital, o livro Racismo Algorítmico: Inteligência Artificial e Redes Digitais. A obra, que é parte da pesquisa de doutorado de Tarcízio Silva, tem como objetivo colaborar com a reflexão crítica a respeito dos danos algorítmicos recorrentes na sociedade. “O livro foi pensado para um público amplo, qualquer pessoa interessada em conhecer mais sobre as controvérsias e reações ao racismo algorítmico”, diz Tarcízio. “Buscamos uma linguagem acessível para debater temas difíceis como os diversos casos em torno do mundo. Acredito também que o livro pode motivar graduandes a expandir ainda mais o debate através de investigações inéditas e locais.”

Com leitura acessível para não especialistas, o livro dialoga com intelectuais do passado e do presente e mostra como as manifestações de racismo algorítmico são ecos do racismo estrutural que ocorre desde antes do contexto digital. Para Tarcízio Silva, o escrito foi desenvolvido a partir de uma curadoria de conhecimento de vários campos do saber e sua expectativa é que o livro se torne uma introdução robusta para diversos públicos.

“Um dos casos que ilustra a dificuldade em combater o racismo algorítmico é o caso da chatbot Zo”, explica o pesquisador. “O sistema foi lançado pela Microsoft meses depois do escândalo mais vulgar de racismo algorítmico, a chatbot Tay que disseminou tweets racistas, nazistas e xenófobos poucas horas depois de lançada. O livro discute também como a nova chatbot da Microsoft apresentou uma forma mais sutil de racismo: foi simplesmente programada para evitar temas difíceis ou empatia a grupos minorizados. Ou seja, evitar certos temas protegia a empresa, mas limitava a experiência de minorias“, finaliza.

Disponível para pré-venda recentemente, a obra é a sexta publicação da Coleção Democracia Digital organizada pelo Professor Sérgio Amadeu da Silveira. O acesso à coletânea – que discute como as mudanças tecnológicas afetam as democracias – pode ser realizado nas principais plataformas digitais ou apps de leitura para celulares.

Com o desejo de auxiliar músicos das favelas, Ludmilla apresenta projeto social para governador do Rio

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A cantora e apresentadora Ludmilla - Foto: Rodolfo Magalhães

Desde que gravou o clipe de “Rainha da Favela”, em meados de 2020, a cantora Ludmilla sentiu uma vontade ainda maior de fazer algum projeto em prol das pessoas que moram em comunidades do Rio de Janeiro. Parece que nesta sexta-feira (11), a cantora deu o pontapé inicial para esta a realização. A artista, compareceu ao Palácio Laranjeiras, para uma reunião com o Governador do Estado Claudio Castro. Lud mostrou suas ideias e abordou os caminhos para torná-las realidade.

Ludmilla ao lado do Governador do Estado de Rio de Janeiro, Claudio Castro.

À coluna do jornalista Léo Dias, a cantora deu maiores informações e revelou que este projeto é uma vontade que ela possui há tempos. “Bom, era uma vontade antiga e quando gravei ‘Rainha da Favela’, na Rocinha, isso ficou mais forte em mim. Não tem nada de concreto ainda, mas queria promover um projeto social para auxiliar os músicos das favelas e até transformar jovens moradores em potenciais talentos da área”, conta a artista. “Gostaria muito de poder ajudar e contar com o apoio do governo para ter dados, ter um mapeamento preciso das comunidades, logística e toda orientação possível que eles possam nos dar para poder realizar tudo o que está no papel. Sei bem o que os moradores de comunidades passam e, por isso, gostaria de poder fazer algo a mais” – concluiu.

Cocada Angolana, um doce com “cara” do Brasil

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Foto: Stefhan Behar

A cocada é uma iguaria que tem relação profunda com com as religiões de matrizes africanas, a exemplo no candomblé, a iguaria possui um significado mais especial. Para os adeptos, a cocada é dada como oferenda para Oxalá, o principal orixá e o doce representa as crianças.

As cocadas preparadas nos tempos de Brasil colônia eram feitas com açúcar escuro, semelhante ao mascavo de hoje, por causa disso, elas eram escuras, ainda não existia a cocada branca, que seria produzida futuramente com o açúcar cristal.

Aqui no Brasil tem cocada “branca” ou “preta”, com o açúcar queimado, e pode ser enriquecida com leite ou com um pouco de fruta como abacaxi, maracujá, capuaçu…

É unânime as melhores cocadas são aquelas artesanais, vendidas nas feiras, nos tabuleiros da baiana, nas casa do norte, etc.

Em Angola a cocada também é simples, saborosa e, é claro, guarda uma história, uma riqueza cultural quando falamos de alimentos da Diáspora Africana, em breve contaremos a história.

Como o próprio nome diz, a cocada leva como ingrediente principal o coco, uma fruta muito nutritiva e barata, que pode ser encontrada facilmente nos mais diversos locais.

Vamos a receita da cocada Angolana

Deliciosa assada ou cozida, segue a receita pra você se deliciar.

Preparo:

3 xícaras (720 ml) de água
2 xícaras (360 g) de açúcar
6 xícaras (420 g) de coco fresco ralado
15 gemas (255 g), passadas na peneira
2 pedaços pequenos de canela em pau (3 g)
4 cravos-da-índia (1g)
1 colher (sopa) (15 ml) de essência de baunilha

Preparo

1) Numa panela, coloque a água, o açúcar e o coco, misture bem, tampe a panela e leve ao fogo alto por 40 minutos, até começar a aparecer o fundo da panela.
2) Retire do fogo e deixe esfriar.
3) Então, junte as gemas, a canela, o cravo e a baunilha, misture bem e leve ao fogo novamente, mexendo constantemente, por mais 20 minutos, até as gemas estarem cozidas.
4) Retire e transfira para uma compoteira.

Programa Acelera Iaô vai beneficiar mais de mil afro empreendedores

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Foto: Divulgação.

As inscrições para o Programa Acelera Iaô, que tem a proposta de promover os afroempreendedores baianos, se encerram neste domingo, 13 de fevereiro. Desenvolvido pela Fábrica Cultural, o programa visa fomentar o trabalho de empreendimentos negros por meio do apoio, da qualificação e da aceleração dos negócios criativos. Neste primeiro ciclo, o projeto disponibiliza 150 vagas, divididas nas Iaô Labs de moda, artesanato, gastronomia, música e serviços criativos. Inscrições podem ser feitas através do site www.fabricacultural.org.br.

O Acelera Iaô vai promover e impulsionar a educação empreendedora afro centrada, a economia criativa e a comunicação digital. O estímulo à autonomia e à geração de renda são também alguns propósitos do programa de formação, que compreende o conhecimento técnico/estético/criativo e o uso das ferramentas digitais. O Programa prevê um conjunto de etapas que ocorrerão até outubro deste ano e, ao todo, fortalece 1500 negócios, a partir da execução de seis etapas, como a construção do “Iaô Espaço de Criação”; a realização de qualificações nas áreas da economia criativa – “Iaô Labs” e a aceleração de empreendimentos negros.

O Programa de apoio a afroempreendedores conta com o patrocínio do Grupo Carrefour Brasil. “O nosso foco é fortalecer instituições e fomentar o empreendedorismo negro, atuando com entidades que já possuem ações sólidas e sérias, nessa frente. Sabemos que a Fábrica Cultural tem um trabalho social extremamente importante no estado mais negro do país e, mesmo assim, carece de apoio de empresas privadas. Queremos, através deste patrocínio, colaborar com esta organização e potencializar negócios de pequenos afroempreendedores”, declarou Lúcio Vicente, diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Grupo Carrefour Brasil

Os participantes do programa apresentarão seu plano de negócio para uma banca de especialistas, entre os quais, 25 serão indicados para participar da etapa de aceleração de negócios do Programa e acessarão – de forma exclusiva – uma cartela de serviços gratuitos de comunicação e desenvolvimento de produtos, inerentes ao Iaô Espaço de Criação.

IZA lança remix de “Sem Filtro” em parceria com Luccas Carlos

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Foto: Rodolffo Magalhães.

A música “Sem Filtro”, que já conta com mais de 12 milhões de visualizações só no YouTube, acabou de ganhar um remix. Nessa nova versão, IZA divide os vocais com um dos compositores da faixa, Luccas Carlos.

Elevando o clima poético-sensual da música, IZA revelou que logo de início já tinha pensado em convidar Luccas para participar da faixa. “Eu fiquei muito feliz com o resultado dessa música, me apaixonei de cara e eu já sabia que eu queria a voz dele na música, tinha falado isso com ele porque sempre fui muito fã e admiradora do trabalho, estou muito feliz com essa parceria, que seja a primeira de muitas!“, comentou a cantora.

Feliz com a nova parceria, Luccas comenta: “Eu me vejo abençoado mesmo. Já estava feliz só de ela ter gostado da música, de ter usado a música, pra mim isso já era demais. Mas não vou negar que um feat. com a IZA já era um sonho pra mim, e acontecer numa música que eu fiz tem todo um sentimento envolvido”.

Já tendo emprestado seus talentos como compositor também para artistas como Thiaguinho, Vitão e Rashid, Luccas Carlos mostra-se cada vez mais versátil na cena musical brasileira. O remix também ganha um visualizer com produção e edição 3D de Fernando Bersanetti, Gabriel Viotto e Tiago Scaff e edição é de Tiago Kuurtz. O vídeo intercala cenas originais do clipe de “Sem Filtro” com uma performance de Luccas Carlos. Os dois artistas interagem em um mundo futurista e tecnológico enquanto cantam os versos da canção. A ficha técnica também conta com Bernardo Neder em color, coordenação de pós de Victor Reis e captação vídeo por Bernie Walbenny.

Escute a música em sua plataforma digital favorita, clicando aqui.

Imagem de Kim Kardashian usada para promover ‘estilo de cabelo africano’ viraliza nas redes sociais

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Uma foto de Kim Kardashian usando longas tranças em um evento foi usada para promover o “estilo de cabelo africano” em um salão de cabeleireiro em Bruxelas, na Bélgica, e isso deixou os internautas ‘intrigados’.

A imagem provavelmente foi usada sem permissão da estrela da realidade, 41, que já foi acusada de apropriação cultural diversas vezes ao logo se sua carreira. O termo é definido como “quando uma pessoa branca se fez propositalmente negra na internet”, de acordo com o Urban Dictionary.

 A conta do Instagram Diet Prada postou a foto do anúncio do salão de cabeleireiro e apontou em seu Instagram Stories como Kardashian modelou penteados tradicionais em seu ensaio para a Vogue, que recentemente foi acusado de ‘escurecer Kim’ em uma de suas fotos.  No anúncio do salão, Kardashian estava usando tranças Fulani, um estilo atribuído a um grupo étnico que vem da África Ocidental, onde o penteado é um visual popular entre as mulheres.

 Em um post separado, a conta compartilhou uma foto de Kardashian de sua entrevista para a revista, com a legenda: “Kim e Vogue disseram ‘Mês da História Negra'”.

Viúva de Durval Teófilo, homem morto pelo vizinho militar, deixa condomínio após sofrer ameaças

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Durval Teófilo Filho. Foto: Reprodução .

Luziane Teófilo, a viúva de Durval Teófilo, homem morto pelo sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra, prestou um novo depoimento à polícia nesta última quinta-feira (10). Luziane, que voltou à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), contou que está morando em outro local com a filha de 6 anos e que não tem mais ânimo de voltar para casa. “Eu tinha o sonho de criar minha filha ali e o seu Aurélio tirou isso dela. Tudo do meu esposo está ali, não consegui mexer em nada. E não me sinto segura lá mais”, declarou ela. Enquanto voltava do trabalho, Durval foi morto a tiros, na porta de sua casa, pelo vizinho Aurélio Alves.

Segundo o advogado Luiz Carlos Aguiar, que cuida do caso, a viúva sofreu ameaças indiretas após o crime. “A Luziane está com medo da soltura de Auréilo, existe um receio, até porque logo após o falecimento do esposo dela, ela recebeu algumas informações que consideramos como ameaça” conta Aguiar. “Foram duas ou três ameaças, informando que, como ela era mulher, mãe e viúva, para que ela não ficasse no local porque as coisas poderiam ficar ruins para ela. Ela está com medo de que aconteça alguma coisa com ela ou com familiares dela”. Ela teme também que o militar seja solto“, detalhou o advogado.

Aos jornalistas, Luziane comentou que deseja justiça e que o a morte de seu marido foi também motivada por racismo. “Tudo que eu mais quero é justiça, porque pude entender que foi racismo sim, e ele não pode ficar impune. Ele não teve piedade do meu marido e nesse momento eu não aceito desculpa, não aceito perdão. Foi um crime bárbaro. Ele foi um assassino frio”.

A viúva enfatizou ainda que não recebeu nenhum tipo de apoio da Marinha. “Foi uma injustiça o que ele fez com o meu esposo, porque era um rapaz que estava chegando do trabalho, cansado, porque ele trabalhou muito aquele dia, estava ansioso para chegar em casa e descansar e, de repente, tiraram o descanso dele. Foi racismo, sim, com certeza, porque meu esposo falou que era vizinho dele e ele não quis saber. Só porque era um preto que estava chegando do trabalho de chinelinho, bermuda e camisetinha, e não teve nenhuma chance de se proteger. Era só ele e Deus”, ressaltou ela.

De forma preventiva, o sargento Aurélio Alves Bezerra segue preso.

Campanha em prol de Moise distribuirá cestas orgânicas para refugiados de países africanos

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Após o assassinato violento que ceifou a vida de Moise Kabagambe, 24, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o projeto “Orgânico Solidário” realizou campanha de doação de cesta de alimentos orgânicos para comunidade situadas no RJ de refugiados oriundos de países africanos. Inspirados na trajetória do congolês refugiado no Brasil com a família desde 2011, para fugir da fome e guerra civil em seu país natal, a campanha tem como objetivo organizar 30 cestas com, aproximadamente, seis quilos e até 14 itens entre legumes, verduras e frutas. 

O projeto desde março de 2020, destina cestas orgânicas para projetos e organizações sociais, organizado sob a forma de um fundo filantrópico gerido pela Sitawi Finanças do Bem que tem como objetivo, levar alimentos orgânicos para famílias em situação de vulnerabilidade social, envolvendo uma rede de agricultores orgânicos que tem sua produção e renda estimuladas. 

Doe agora por: https://organicosolidario.org/doacao/campanha/moise

Diretor de agência de modelos negros é indicado ao prêmio Melhor do Brasil na Europa

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Foto: Divulgação.

Helder Dias, fundador da HDA Agency é um dos nomes que concorrem ao prêmio organizado pela revista britânica High Profile

A Premiação Melhor do Brasil na Europa 2022 será em Paris, no mês de Junho, no Gustave Eiffel Lounge, na Torre Eiffel. O diretor da HDA Agency Helder Dias está entre os nomeados para receber o prêmio de melhor empreendedor da premiação organizada pela revista britânica High Profile.

Foto: Divulgação.

Helder exerce um importante papel para a inclusão e representatividade em nosso país. Ele é diretor da primeira agência de modelos a valorizar a beleza negra e capacitar e preparar modelos para o mercado, de Alagoinhas, na Bahia, para o mundo.

Nesta fase, a votação para o prêmio está aberta ao público, que poderá entrar no site https://www.bestofbrazilawards.com/votar até o dia 24 de abril. O voto equivale a um único comentário por pessoa na respectiva página do candidato escolhido.

Para saber mais sobre o indicado e seu trabalho, confira os perfis @hellderdias e @hdaagency nas redes sociais.

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Quem não vê cor, não vê a luta

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Quem nunca se deparou durante um diálogo sobre questões raciais com falas como “Eu não vejo tonalidades de peles diferentes. Para mim são todos iguais”? Frases como essa viralizaram recentemente nas redes sociais, dando espaço para a discussão do termo color blindness ou color blind racism,referente a pessoas (especialmente brancas) que alegam não enxergar diferentes tons de cor de pele.

Primeiramente é preciso explicar o que este termo realmente significa. A tradução literal de color blindness seria cegueira de cor, um termo usado para portadores de daltonismo, uma deficiência visual. Quando essa expressão é utilizada para falar sobre uma incapacidade proposital de diferir cor nas pessoas, a transformação do significado torna-se uma fala capacitista. 

Além da deturpação do termo original, na discussão sobre color blindness existe uma série de problemas e contradições no diálogo sobre questões raciais. “Eu não vejo negro ou branco; eu vejo todos como iguais” é uma das principais frases que reforçam essa ideia de cegueira de cor/raça e, mesmo que as pessoas estejam bem intencionadas, acabam anulando a discussão sobre raça e deixando de examinar o próprio viés inconsciente. 

Os argumentos citados ignoram o racismo estrutural e sistêmico que uma pessoa negra vive, enquanto é preciso discutir e construir ações para evoluir a pauta negra no Brasil. Podemos conceituar as tentativas de “color blindness” e a resistência em participar de diálogos sobre questões raciais como sinais de uma fragilidade branca. 

As pessoas brancas têm uma dificuldade em se ver como uma raça, pois os padrões de normalidade racial contemplam a sua existência. O branco é socialmente visto como uma cor comum, enquanto o preto ou o indígena ou até o amarelo são os diferentes, os racializados. Ao mesmo tempo que essa fragilidade faz o branco não se enxergar como raça, também faz com que ele não queria discutir raça. 

Temáticas voltadas para a branquitude são as mais difíceis de deliberar porque a fragilidade branca aflora emoções como raiva, medo, incômodo e culpa. “Eu não sou racista, eu tenho um amigo negro” são contra-argumentos comuns que sempre aparecem nas discussões junto com o “color blindness”. A democracia racial, conceito trazido por Gilberto Freyre em “Casa Grande Senzala”, também é colocado nas discussões, questionando a capacidade e disposição que pessoas pretas têm para conquistar seus objetivos.

Contudo, é possível evidenciar por meio dos dados estatísticos que a população negra desde os primórdios da nossa história como país é marginalizada e violentada até os dias de hoje. No estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil feito pelo IBGE em 2019 é apresentado que 68,5% dos cargos de gerência no país são ocupados por pessoas brancas, enquanto 29,9% pertencem a pessoas pretas. O salário médio de uma pessoa branca com ocupação formal equivale a 3.282 reais, enquanto para uma pessoa preta vale 2.082.

É preciso compreender que a luta racial é anulada por expressões e falas que ignoram a raça, que se negam a enxergar a cor. Então, mesmo sem entender, é propagado e perpetuado o racismo sistêmico que dificulta, oprime e nega direitos à vida de pessoas negras. Por fim, todo o combo de “color blindness”, fragilidade branca e o mito da democracia racial atrasam o avanço da pauta antirracista e da luta do movimento negro no Brasil.

*Artigo escrito por Iane Pessoa, que é Analista de Projetos e Diversidade e Inclusão da Condurú Consultoria

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