Mundo Negro confirma 5ª edição da PowerList e abre indicações com novidade da autoindicação
Premiação celebra mulheres negras que mudam histórias e acontece em 31 de julho, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro A PowerList Mundo Negro chega à sua 5ª edição em 2026 com uma das maiores edições da história do prêmio. A cerimônia acontece no dia 31 de julho, dentro do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro. Esta edição contará com o patrocínio do Grupo L’Oréal, através de seu grupo de afinidade negra AfroSoul, e da TV Globo, que assina a parceria com a marca da novela A Nobreza do Amor.
A cada edição, a PowerList homenageia 10 mulheres negras, uma em cada categoria, escolhidas em duas frentes complementares: 5 categorias por voto popular, em que a comunidade indica e elege as homenageadas, e 5 categorias por curadoria técnica, definidas por um júri especializado convidado pelo Mundo Negro.
A grande novidade desta edição é a possibilidade de autoindicação. Pela primeira vez, mulheres negras poderão se inscrever diretamente em qualquer uma das categorias do voto popular, em um movimento que reforça o protagonismo e o reconhecimento próprio como atos políticos de afirmação.
“Chegamos ao quinto ano do principal evento do Mundo Negro, que tem 27 anos de história. A potência de resistir só acontece pelas parcerias que acreditam nos nossos sonhos, pelas marcas e pela nossa audiência, que nos engaja e nos estimula a sonhar. Com L’Oréal e Globo presentes, podemos sonhar ainda mais alto e fazer do Julho das Pretas uma grande celebração”, afirma Silvia Nascimento, CEO e Head de Conteúdo do Mundo Negro. AS 10 CATEGORIAS DA POWERLIST 2026 Voto popular e autoindicação:
Criadora Digital
Empreendedora do Ano
Profissional da Beleza
Destaque em Gastronomia
Profissional da Moda
Curadoria técnica:
Ciência, Tecnologia e Inovação
Liderança Corporativa
Diversidade e Impacto Social
Cultura, Artes e Entretenimento
Trajetória Transformadora
COMO INDICAR E VOTAR A votação popular acontece em duas fases, totalmente online, no portal oficial: powerlist.mundonegro.inf.br/votar
Fase 1, Indicações abertas: de 12 a 26 de maio de 2026
Top 5 por categoria: consolidação entre 27 e 29 de maio
Fase 2, Votação do Top 5: de 30 de maio a 22 de junho
Contato com as escolhidas (voto popular e júri técnico): de 22 a 30 de junho
Quem optar pela autoindicação responderá a duas perguntas-chave: descrever o trabalho profissional e as conquistas mais impactantes nos últimos 12 a 18 meses, e justificar por que merece estar na PowerList 2026. QUEM JÁ PASSOU PELA POWERLIST Em quatro edições, a premiação reconheceu mulheres que hoje são referência em diferentes campos da sociedade brasileira. Pela PowerList já passaram nomes como a deputada federal Erika Hilton (2023), a dermatologista Dra. Katleen Conceição (2022), a fundadora e curadora da Negra Rosa Rosangela Silva (2023), a diretora de Marketing da Globo Samantha Almeida (2024), a empreendedora e comunicadora Bárbara Brito (2024), a especialista em Inclusão e Diversidade na área de Beleza Marcele Gianmarino (2024), a psicóloga social, escritora e ativista, autora de O Pacto da Branquitude, Cida Bento (2025), a cantora Majur (2025) e a cientista Lívia Rodrigues (2025), entre outras trajetórias inspiradoras. A 5ª edição amplia esse legado e celebra novas mulheres em todas as 10 categorias da premiação. PATROCÍNIO A 5ª edição da PowerList Mundo Negro é patrocinada pelo Grupo L’Oréal, através do grupo de afinidade negra AfroSoul, em parceria ampliada após a edição de 2025. A TV Globo estreia como parceira da premiação, assinando com a novela A Nobreza do Amor, das 18h, e patrocinando especificamente a categoria Empreendedora do Ano. (Matérias dedicadas a cada parceria serão publicadas nos próximos dias.)
SOBRE A POWERLIST MUNDO NEGRO Em sua 5ª edição, a PowerList se consolida como a principal premiação de mulheres negras do Brasil, reunindo votação popular, curadoria técnica independente e cerimônia presencial. Conecta a comunidade negra a marcas e lideranças comprometidas com representatividade, e celebra trajetórias em diferentes áreas da sociedade. Indicações e votação: powerlist.mundonegro.inf.br/votar Contato: powerlist@mundonegro.inf.br
Uma parada na carreira de cozinheiro para viver novos ares fora da capital paulista junto com sua companheira Carol o levou à cidade litorânea de Paraty, no Rio de Janeiro. Ao chegar, compreendeu que a cidade vivia um boom gastronômico; e, como parte do enredo, Rafael teve que repensar aquela pausa em sua vida pessoal e profissional com a notícia da chegada do seu primeiro filho (Jonas). Com a bagagem profissional que tinha ao passar por grandes casas em São Paulo (SP), estava super preparado para assumir operações sofisticadas na cidade.
Em um país onde o colorismo é uma realidade, o chef paulista se compreendeu como homem pardo na cozinha profissional, ao ouvir de um chef que sua namorada à época era negra; e, ao se olhar, percebeu seu tom de pele mais escuro que o da namorada. Foi neste momento que Rafael Morente compreendeu que ele também era racialmente marcado.
Essa compreensão dos marcadores sociais também o motiva a contar sua história enquanto profissional de cozinha no Pindorama – o restaurante que ele criou e que é um dos sócios. Pindorama é também uma aula de história por resgatar o primeiro nome do Brasil antes da invasão portuguesa – uma vez que esse era o nome dado pelos povos originários. Pindorama significa Terra das Palmeiras.
Nessa aula de história do nosso território, o chef Rafael Morente une (i) cozinha e técnicas Caiçara com (ii) insumos nativos que ele e sua equipe colhem na Mata Atlântica, (iii) cozinha afrodiaspórica e (iv) técnicas de diferentes cozinhas. É, sem sombras de dúvidas, alta gastronomia em um ambiente sofisticado e com cozinha autoral. Mas para chegar até aqui existe uma trajetória.
Foto: divulgação
Aos 16 anos, o adolescente iniciou sua trajetória na cozinha profissional em um restaurante espanhol em São Paulo (SP). Em seguida, passou por um restaurante chinês nos finais de semana ainda no Ensino Médio. Aos 18 anos foi formalmente contratado por um bar de Tapas e atuou como confeiteiro. Depois, passou por um restaurante italiano onde ficou por alguns anos até chegar em Paraty com planos de atuar com panificação – especificamente com pães de fermentação natural. Naquele momento, Rafael já não queria mais trabalhar em cozinhas de restaurantes. Com a gravidez de sua companheira, o chef teve que voltar às cozinhas profissionais e deixar de lado seus planos de atuar como boulanger (padeiro).
E com essa bagagem de prática culinária em diferentes cozinhas, o chef Rafael Morente decidiu colocar em prática o projeto da sua vida – o Pindorama, que é um restaurante autoral de comida brasileira, evidenciando os insumos, técnicas, cultura e história do Brasil. Em seu trabalho de elaboração de pratos e experiências, o chef usa PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), FANCs (Fungos Alimentícios Não Convencionais), méis de abelhas nativas com produção local em um meliponário e PENACOS (Peixes Alimentícios Não Convencionais).
Minha experiência no Pindorama foi com o menu de quatro etapas – o menu Ancestral que também é nomeado de Nego Bispo. A entrada foi um mexilhão defumado com vinagrete de palmito; seguida de dois pratos principais – o Peixe azul-marinho com farofa de urtiga e harumaki de paçoca de banana; e, o Vatapá de arroz, castanhas do caju, quiabo grelhado e camarões flambados na cachaça. A sobremesa foi o arrebatador “Sonho Abolicionista” – uma criação pensada a partir da junção de um sonho de padaria recheado com pudim abolicionista (uma receita de 1888). Se posso deixar uma reflexão, aqui está: todo ser humano vivo neste planeta deveria ter a oportunidade de experimentar e virar os olhinhos com o Sonho Abolicionista.
O chef Rafael Morente é, sem sombras de dúvidas, um talento que deve ser conhecido por quem aprecia nossa cultura e nossa culinária. É inovador, potente, audacioso nas suas criações e legitimamente brasileiro. E é com essa audácia que termino meu texto de retorno ao Mundo Negro trazendo histórias de boas comidas e de profissionais da Gastronomia neste Brasil.
Texto: Preto Gourmet
Chef: @rafaelmorente
Restaurante: @pindoramaparaty
Preto Gourmet
Breno Cruz é o criador do Prêmio Gastronomia Preta, do Pretonomia e do Festival Gastronomia Preta. Pós-doutor, professor de Gestão na Gastronomia, Empreendedor Social e autor de 15 livros nas áreas de Administração e Gastronomia
O encontro de Sônia Oliveira com a cozinha de terreiro não aconteceu de uma vez. Foi, como ela mesma descreve, um chamado silencioso que foi chegando aos poucos, no tempo certo. “No início, eu via apenas o alimento para o santo, o cheiro, o cuidado no preparo. Mas, com o tempo, fui compreendendo que ali existia algo muito maior: memória, fé e ancestralidade”, conta.
Iyalorisá, professora e empreendedora sergipana, Sônia se iniciou no candomblé em 2002, e foi nesse espaço que a cozinha ganhou outra dimensão. “Fui aprendendo que cozinhar, naquele espaço, é um ato de respeito e conexão. Cada ingrediente tem um sentido, cada gesto carrega intenção, e cada preparo é uma forma de diálogo com o sagrado. Não se trata apenas de alimentar o corpo, mas de fortalecer o espírito.”
Essa visão se tornou o alicerce do seu trabalho. Idealizadora do Yeyê Bistrô e da Ojú Ifá Modas, em Sergipe, Sônia celebra ancestralidade e identidade negra por meio da fé, da culinária e da economia criativa, mobilizando sua comunidade e construindo um espaço onde gastronomia e espiritualidade se encontram. Para ela, a cozinha de terreiro é, antes de tudo, um patrimônio coletivo: “ancestral, coletiva e sagrada.”
É essa compreensão que ela leva para a campanha #IngredientePrincipal. O TikTok escolheu o Brasil para inaugurar essa campanha global, que conta com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs como parceiros estratégicos na produção de conteúdo com 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Iyá Sônia Oliveira é uma delas.
Para os jovens negros, o recado é sobre responsabilidade e pertencimento: “Preservar os saberes de terreiro é, antes de tudo, um ato de continuidade. Esses saberes chegaram antes de nós, atravessaram o tempo, resistiram à dor e chegaram até aqui. Agora é hora de cuidar desse grande legado que recebemos de presente dos nossos ancestrais. Vocês são continuidade. E preservar esses saberes é garantir que aquilo que nos sustenta não se perca, mas siga vivo atravessando gerações.”
Encontro íntimo de 30 mulheres acontece em 11 de maio, na HEINEKEN House em São Paulo, com oficina de IA, conversa sobre maternidades e ativação Sephora. Duas vagas estão reservadas para assinantes pagas da newsletter do Mundo Negro no Substack.
Em 11 de maio, segunda-feira, o Mundo Negro realiza a segunda edição do Mundo Negro Talks, encontro íntimo que reúne 30 mulheres negras para uma tarde de troca, escuta e fortalecimento. A edição Mês das Mães acontece na HEINEKEN House, em São Paulo, das 15h às 18h, em parceria com o Grupo HEINEKEN e a Sephora Brasil.
A programação é construída em três frentes. A tarde abre com uma oficina de IA e produtividade para mulheres, conduzida por Silvia Nascimento, fundadora do Mundo Negro, com foco em ferramentas práticas que ajudam a organizar trabalho, agenda e rotina pessoal. Em seguida, uma talk sobre maternidades abre espaço para histórias de mães e filhas negras atravessadas por maternidades diferentes. É uma escuta sobre os muitos modos de ser e construir família. A tarde fecha com uma oficina de maquiagem da Sephora. Café, comidinhas e bebidinhas geladas do Grupo HEINEKEN acompanham o encontro.
A edição reforça duas parcerias com histórico junto ao Mundo Negro. O Grupo HEINEKEN apoiou a primeira edição do Mundo Negro Talks, Julho das Pretas, em 2025, também em São Paulo. Já a Sephora Brasil esteve ao lado do Mundo Negro no Novembro Negro Mundo Negro + Pinterest Brasil, ação de Consciência Negra realizada na sede da Pinterest, em São Paulo, em 2023. As duas marcas voltam agora juntas para esta edição em homenagem ao Mês das Mães.
“Para o Grupo HEINEKEN, apoiar iniciativas que promovam inclusão, desenvolvimento e a troca qualificada de experiências é parte central da nossa estratégia. O Mundo Negro Talks materializa esse compromisso ao promover diálogos relevantes e proporcionar um ambiente seguro e inspirador para que mulheres negras compartilhem suas trajetórias, fortaleçam conexões e ampliem suas redes de apoio e influência”, afirma a empresa em nota.
Silvia Nascimento, Head de Conteúdo e fundadora do Mundo Negro e do Guia Black Chefs, e mãe de três, também celebra a parceria. “É muito simbólico a gente poder potencializar eventos com foco em mulheres e mães negras com apoio de marcas que levam a diversidade e inclusão a sério. O Brasil se mantém a custas das nossas mães e conversas sobre elas sempre são pautas em destaque no Mundo Negro.”
Como concorrer a uma das vagas
Por ser um encontro íntimo, todas as vagas do Mundo Negro Talks são por convite. Para esta edição, o Mundo Negro reserva duas vagas para assinantes pagas da newsletter no Substack .
O convite com o formulário de inscrição será enviado por e-mail às assinantes pagas na quinta-feira, 9 de maio, pela manhã. As vagas são preenchidas por ordem de inscrição, e a confirmação final é feita pela curadoria do Mundo Negro. Inscrever-se não garante a vaga.
Serviço Mundo Negro Talks | Mês das Mães Data: 11 de maio (segunda-feira), das 15h às 18h Local: HEINEKEN House, São Paulo
Atriz, jornalista e escritora, Maíra Azevedo, a Tia Má, está no momento mais produtivo da carreira: em 2025, lançou “A menina que não sabia que era bonita”, seu primeiro livro infantil pela Editora Malê, mantém a nova temporada de “Rensga Hits!” no Globoplay e fez teste para a novela “Dona de Mim”, da TV Globo. Em entrevista exclusiva ao Mundo Negro, a baiana de 45 anos falou sobre maternidade, raça e o medo cotidiano de criar dois filhos negros no Brasil.
Com 2 milhões de seguidores no Instagram e passagens por séries como “Nada Suspeitos” (Netflix) e “Toda Família Tem” (Prime Video), Tia Má é hoje uma das vozes mais reconhecidas quando o assunto cruza humor, autoestima e consciência racial.
Foto: arquivo pessoal
Para além dos sets e das telas, ela é mãe de Aladê, 18 anos, e Ayanna, 5, e foi sobre essa maternidade que ela quis falar nesta conversa ao Mundo Negro: sobre as cicatrizes financeiras de criar um filho sozinha aos 26, sobre o medo diário de ver um menino preto retinto enfrentar a rua e sobre a certeza de que esse medo não pode se tornar uma grade para os filhos que ela ama.
Dois filhos, dinâmicas diferentes
Aladê e Ayanna têm 13 anos de diferença e, por causa disso, cada um construiu com a mãe um tipo completamente distinto de relação. Aladê, que hoje tem 18 anos, cresceu sendo filho único e companheiro de uma mulher que trabalhava, lutava financeiramente e precisava que ele também fosse parceiro da rotina. Essa proximidade se consolidou numa amizade real, do tipo que atravessa gerações sem cerimônia. “A gente troca receita, a gente troca letra de música”, conta Maíra, descrevendo uma relação que já não tem mais a verticalidade típica entre mãe e filho adolescente. Com Ayanna, de 5 anos, a dinâmica é completamente outra: a filha mais nova chegou quando Maíra já tinha uma carreira consolidada, uma autoestima construída a custo e uma clareza sobre si mesma que a maternidade jovem não permitia. É Ayanna quem, sem saber o peso do que faz, devolve à mãe o que o mundo às vezes tenta tirar. “Ela olha para mim e diz o quanto eu sou linda. Ouvir da minha filha que eu sou linda, que ela quer ser igual a mim quando crescer, faz eu ter a certeza de que estou caminhando no lugar certo”, diz Maíra, acrescentando que esse olhar vai além da vaidade: “É ela olhar para a mãe dela e ter a mãe dela como referência.”
Foto: arquivo pessoal
Mas é exatamente esse amor que torna o medo mais pesado. No Brasil, criar filhos negros exige uma vigilância que não tem descanso, e Maíra não tem dificuldade em nomear isso. Aladê é um menino preto retinto que vai crescer enfrentando uma sociedade que historicamente trata corpos como o dele como ameaça, e Maíra carrega essa consciência todos os dias. “Meu filho é um menino preto retinto e eu sei que a rua é um lugar muito hostil para ele. Minha filha é uma menina e qualquer lugar pode ser um lugar ameaçador”, afirma. E define o que sente numa frase que não deixa margem para interpretação: “Ser mãe é viver com medo.”
O que a maternidade ensinou sobre a própria mãe
Tornar-se mãe mudou também a forma como Maíra enxerga a mulher que a criou. Antes da maternidade, certas reações da mãe pareciam exageradas ou difíceis de entender, o tipo de coisa que filhos jovens tendem a atribuir ao excesso de proteção ou à diferença de geração. Depois que Aladê nasceu, esse julgamento foi se dissolvendo. Maíra passou a reconhecer, na própria experiência, o mesmo desespero que via na mãe e que antes não sabia nomear. “Eu passei a entender melhor o desespero dela em relação a mim em determinadas coisas”, conta. Esse entendimento não eliminou os conflitos, que ela reconhece como naturais em qualquer relação entre gerações diferentes, mas aprofundou a amizade que já existia entre as duas e transformou a mãe numa referência ainda mais consciente. “Eu tento ser uma versão melhorada da minha mãe, mas eu preciso entregar para meu filho e para minha filha o mínimo do que recebi dela, que foi muito carinho, muita atenção, muito afeto.”
Soja, telhado caindo e banho de balde: a maternidade dos 26
Ser mãe aos 26 anos, em Salvador, sem estabilidade financeira e com um filho pequeno para criar, é uma realidade que muitas mulheres negras conhecem bem e que Maíra viveu sem rede de proteção. Naquele período, ela enfrentou desemprego, moradia precária e uma rotina de privações que ela descreve com a mesma franqueza com que fala de tudo. “Eu fiquei numa casa que foi infestada de pombos. Fiquei um momento desempregada que eu comia soja com meu filho porque não tinha dinheiro para comprar nenhuma outra proteína”, conta. O telhado chegou a cair uma vez, e havia períodos em que a falta de água forçava soluções improvisadas que ela e Aladê aprenderam a transformar em memória boa: o banho de balde virou brincadeira, e é uma história que os dois ainda contam hoje dando risada. “Meu filho lembra disso até hoje e a gente consegue falar disso dando risada. Mas era muito tenso”, diz ela, sem romantizar o que foi difícil.
Foto: arquivo pessoal
Foi dentro desse cenário de escassez que Maíra encontrou em Aladê a força para não desistir. O filho não era só uma responsabilidade, era a razão concreta de seguir em frente quando as condições objetivas não davam motivo para isso. “Aladê foi a bênção que eu recebi da minha ancestralidade para não desistir”, diz. Quando Ayanna nasceu, em 2020, no auge da pandemia, o contexto era radicalmente diferente: Maíra tinha 40 anos, uma carreira estabelecida, bursite e uma casa própria esperando pela filha. A instabilidade financeira que marcou a criação de Aladê não existia mais, mas o corpo também não era o mesmo. “Minha filha nasceu com uma casa boa. Então isso para mim mudou muito”, afirma, antes de reconhecer o outro lado da equação: “Já não é mais o mesmo corpo, já não é a mesma vitalidade.” É por isso que ela costura as histórias dos dois com uma frase que diz repetir para eles: “Eles nasceram da mesma barriga, mas eles têm duas mães diferentes. Porque a mãe de Aladê era uma mulher jovem; a mãe de Ayanna é uma senhora na menopausa.”
Filhos e redes sociais: diálogo com um, proteção total com a outra
As redes sociais ocupam um lugar ambíguo na vida de Maíra: foi pela internet que ela ganhou voz nacional, ultrapassou 2 milhões de seguidores e se tornou referência em pautas de raça e autoestima, mas é também na internet que ela precisa exercer o papel de mãe com mais cuidado e estratégia. Com Aladê, que já tem 18 anos e inevitavelmente acompanha a presença pública da mãe, a abordagem é o diálogo direto e sem protecionismo excessivo. Maíra prepara o filho para o que ele vai encontrar, incluindo os ataques e as tentativas de desqualificação que fazem parte da exposição pública, e deixa claro qual é o único parâmetro que importa. “Você tem que criar a sua imagem sobre mim a partir da nossa relação, do que a gente vive dentro de casa e fora de casa, não nas redes sociais”, diz ao filho. Com Ayanna, que ainda tem 5 anos, a lógica é oposta: a menina aparece pouco nas plataformas e Maíra não abre mão dessa escolha. “Eu tento preservar a minha filha ao máximo”, afirma, e explica sem rodeios o motivo: “As pessoas são cruéis na internet. São cruéis porque tem gente que tem uma vida tão miserável que a única coisa que ela tem é atacar uma outra pessoa.”
As memórias que ela guarda de cada um
Quando a conversa chega às memórias, Maíra fala dos filhos com o sorriso de quem sabe exatamente onde guardou cada coisa. A lembrança mais forte que tem de Aladê nasceu diretamente da sua própria profissão: jornalista de formação, repórter do Jornal A Tarde na época, ela criou com o filho um ritual chamado Jornal da Família, em que os dois narravam o dia um para o outro como se fossem repórteres de si mesmos. Aladê contava a escola, Maíra contava o trabalho, e o exercício ensinava ao menino, mesmo antes de ele saber escrever direito, que a vida cotidiana tem valor de reportagem. “A gente tinha um jornalzinho que a gente fazia, dando informes de como foi o dia um do outro”, conta. As listas de compras que ele fazia nessa época, com “uva” e “brinquedo” escritos do jeito que sabia, Maíra guarda na memória com afeto. Nos fins de semana, a rotina era de museu, teatro e programas culturais que caberiam no orçamento apertado daquela fase. “Eu e Aladê, a gente todo final de semana ia sempre para museu, a gente ia para o teatro. A gente ia para muito programa cultural que era mais acessível”, lembra.
Foto: arquivo pessoal
Com Ayanna, as memórias são do presente e do cotidiano, e têm um significado que vai além do afeto. A filha nasceu em 2020, no auge da pandemia, num momento em que o mundo parou e o medo era o clima dominante, e foi justamente por isso que a gravidez se tornou, para Maíra, uma certeza de que as coisas iam continuar. “Quando eu estava grávida eu sabia que a gente ia conseguir vencer a pandemia só porque eu estava grávida. Eu dizia: ‘Não é possível que eu vou ficar grávida e o mundo vai acabar’”, lembra. Hoje, o que move Maíra é observar a filha brincar de futuro, sempre se posicionando como dona, como líder, como quem manda: dona de loja, de salão, de empresa. Para uma menina negra de 5 anos, esse detalhe não é pequeno, e Maíra sabe disso. “Eu percebo que ela já entende que ela merece estar num lugar de liderança, ela merece estar num lugar de ser respeitada. Isso é muito bacana para mim.”
A mensagem para mães negras
Ao encerrar a conversa, Maíra quis falar diretamente com outras mães negras, mas fez isso a partir de um lugar que ela mesma ocupa: o de quem também precisa ouvir o próprio recado. O medo de que ela fala ao longo de toda a entrevista, o medo pela segurança de Aladê na rua, pela integridade de Ayanna em qualquer ambiente, é um medo que ela reconhece como paralisante, e é justamente aí que está o perigo. Quando o medo paralisa a mãe, ele também paralisa os filhos, e Maíra tem clareza sobre esse risco. “Várias vezes no meu dia o meu medo às vezes me paralisa e eu vejo que, por estar com medo, eu posso estar impedindo que meus filhos vivam experiências da vida deles que eles têm direito”, admite. O pedido que ela faz a outras mães é, portanto, o mesmo que ela tenta fazer a si mesma todos os dias: “Que o medo que a gente tem não proíba, não limite nossos filhos a viver. Eu sei que é difícil. Mas a gente precisa permitir que eles possam viver, viver livremente, ter as experiências que eles mereçam ter.”
Acompanhe Tia Má no Instagram em @tiamaoficial e encontre o livro “A menina que não sabia que era bonita” pela Editora Malê.
Para Solange Borges, a culinária de terreiro não é um nicho, é a origem. “O que é a comida baiana que as pessoas comem na sexta-feira? Acarajé, carurú, vatapá, efó, moqueca. Todas essas comidas têm na tradição o dendê. O dendê veio com os povos escravizados. E foi no terreiro, com mulher de candomblé, que nasceu, mesmo que empiricamente, o acarajé. Então, a comida baiana que a gente faz referência hoje na Bahia e no mundo é, pra mim, a comida de terreiro”, defende.
Essa convicção tem raiz. Sua mãe, Joselita Borges, era mulher de candomblé e todas as manhãs fazia comida para o santo. Solange cresceu observando esse ritual com os olhos de quem ainda não entendia tudo, mas sentia. “Eu achava muito interessante o amor, o afeto, o carinho, a devoção que ela tinha em preparar a comida pro santo. Dali surgiu esse meu amor, esse carinho, esse meu afeto, essa minha devoção pela religiosidade e pela sua comida.”
Joselita também vendeu acarajé. Faz parte, como Solange ressalta com orgulho, da linhagem das primeiras empreendedoras do Brasil: as baianas de tabuleiro. Chef Solange Borges herda e honra esse legado, levando o tabuleiro para a rua e para a rede, contando sua história em voz alta.
É exatamente essa postura que a conecta à campanha #IngredientePrincipal. O TikTok escolheu o Brasil para inaugurar essa campanha global, que conta com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs como parceiros estratégicos na produção de conteúdo com 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Solange Borges é uma delas.
Antes de virar biju, o aipim passa pelas mãos de Solange Borges (@chefsolangeborges ) do jeito ancestral: raspa, mói e peneira. Um processo que a cozinha de terreiro sempre soube fazer e que começa muito antes do fogo acender. Rico em carboidratos de absorção gradual, fibras, vitaminas do complexo B e minerais como cálcio e fósforo, o aipim é um dos alimentos mais completos e democráticos da cozinha brasileira e africana. Na mão de Solange, ele é rainha. E o biju é a prova de que comer bem começa no respeito ao ingrediente. #IngredientePrincipal#TheMainIngredient#Aipim
Para os jovens negros que querem se conectar com a cozinha ancestral, o conselho é uma convocação: “Falem da verdade de vocês. Se tiverem tempo, prestem atenção no que as mães, os pais, os avós fazem. E especialmente, contem suas histórias. Como é que você aprendeu a conhecer e a fazer essa comida? Vai na história, porque a história é muito importante. Coloque essa história no mundo, coloque a sua voz no mundo.”
E ela completa com uma frase que resume seu próprio caminho: “As pessoas que são de comunidades tradicionais precisam contar suas histórias. A gente precisa contar e contar e contar, repetidas vezes.”
Evento gratuito tem palestras, almoço de networking e tour pela Pequena África
A Rede de Engenharia Preta (REP) realiza neste sábado (09), na Glória, Zona Sul do Rio, o Encontro de Engenharia Preta 2026. A iniciativa, gratuita, reúne profissionais e estudantes para discutir representatividade negra no setor, racismo ambiental e os caminhos para construir ambientes mais diversos na ciência e na tecnologia.
A programação principal acontece das 8h30 às 12h30 na sede da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (SEAERJ), com palestras e mesas de debate. À tarde, quem quiser pode seguir para um almoço de networking na Casa Savana, no Centro, e depois fazer o Tour Pequena África, que percorre um dos territórios mais simbólicos da história afro-brasileira da cidade. As duas atividades são opcionais e têm custo individual.
Entre os nomes confirmados está Dom Filó, que participa da mesa sobre soft skills, cultura e consciência racial. O pesquisador Paulo Santos traz um panorama dos engenheiros ativistas no Brasil, e Nga Nizimbo fala sobre história e protagonismo negro na construção do mundo. A mesa de abertura discute racismo ambiental e desafios contemporâneos.
A REP nasceu para preencher uma lacuna histórica do setor. Profissionais negros da engenharia relatam, com frequência, trajetórias marcadas pelo isolamento e pela falta de reconhecimento. A rede se propõe a ser um espaço de acolhimento e fortalecimento coletivo, valorizando contribuições da cultura negra na engenharia e incentivando a formação de novas gerações. Além dos encontros presenciais, o coletivo realiza reuniões online toda última quinta-feira do mês.
A inscrição é gratuita e a organização incentiva contribuições voluntárias para apoiar as ações da rede. A programação também prevê vagas gratuitas para mães interessadas em participar do tour.
Serviço
Encontro de Engenharia Preta 2026
Data: 9 de maio de 2026
Horário: 8h30 às 12h30
Local: SEAERJ, Rua do Russel 1, Glória, Rio de Janeiro/RJ
A banana é um dos alimentos mais onipresentes na mesa brasileira. Seja na sobremesa, no café da manhã ou em pratos principais, a fruta carrega uma versatilidade única, com o aproveitamento integral de uma culinária precisa e ancestral. Na campanha #IngredientePrincipal, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, Joélho Caetano e Kelma Zenaide revelam como tudo pode ganhar contornos de inovação com a banana no centro da cozinha.
Para o gastrólogo Joélho Caetano (@joelhocaetano), a cozinha é um espaço de narrativa onde o ingrediente principal precisa contar uma história e trazer sabores que conectam o comensal às suas raízes. Em sua trajetória, o aproveitamento integral da fruta é o pilar que sustenta criações como a sua carne de casca de banana e a torta doce de banana, que dispensa glúten, açúcar e lactose. A técnica de Joélho vai além do básico, tratando a casca — muitas vezes descartada — como a base de um prato refogado rico e texturizado.
Essa visão de que a fruta deve ser utilizada em sua forma integral também se destaca na prática da Mestra Kelma Zenaide (@kitutugastronomiafrobrasileira), que combina esse olhar sustentável com uma tecnologia ancestral de preparo. Em sua cozinha, ela criou a receita ceviche de banana da terra, ideal para petiscos que surpreendem pela simplicidade e profundidade de sabor.
A convergência entre a herança quilombola, presente na atuação de Joélho, e o domínio das técnicas ancestrais de Kelma, reforça que a cozinha brasileira tem na sua base a sabedoria da terra. Não se trata de improviso, mas de um profundo conhecimento sobre como extrair o máximo de cada alimento, respeitando seu ciclo e potencial.
Esta matéria é parte de uma parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, uma iniciativa que busca amplificar vozes e práticas que transformam a gastronomia brasileira a partir de suas raízes.
Antes de qualquer técnica ou apresentação, existe quem planta, quem colhe e garante que o alimento chegue até a mesa. É com essa frase que o chef Jônatas Bomfim (@chefjonatasbomfim) abre sua participação na campanha #IngredientePrincipal, iniciativa global do TikTok que estreou no Brasil em parceria com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs, reunindo 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Ao lado do nutricionista Saulo Gonçalves (@saulo.nutri) e da pesquisadora Bruna Crioula (@brunacrioula), ele coloca em foco o elo mais invisível da cadeia alimentar brasileira: a agricultura familiar, setor que, segundo o Censo Agropecuário do IBGE de 2017, concentra 77% dos estabelecimentos rurais do país e responde por 87% da produção nacional de mandioca, 70% do feijão e 67% das ocupações no campo.
A origem como ponto de partida
Jônatas Bomfim cresceu entre duas cozinhas: a da avó Carminha, de Salinas da Margarida, com dendê, frigideiras e moquecas, e a da avó Joana, do interior baiano de Terra Nova, com farofa d’água e carne de sertão frita. Essa dupla formação moldou a forma como ele entende gastronomia muito antes de passar pelo Senac Bahia ou pelo bacharelado em Gastronomia da UFBA, onde se tornou pesquisador e extensionista. Fora da universidade, comanda a brigada de uma cozinha industrial que produz refeições para o Tribunal de Justiça da Bahia e a Maternidade Climério de Oliveira, além de criar o projeto Chefe da Quebrada, voltado para talentos da periferia. É essa visão de gastronomia como ferramenta coletiva que ele leva para a campanha: “A agricultura familiar é o que sustenta a alimentação do povo brasileiro todos os dias. E para mim, sempre foi e será o ingrediente principal. Porque sem origem, não existe gastronomia.”
O que chega à mesa e como escolher
Partindo da mesma base que Jônatas coloca no centro, Saulo Gonçalves responde nos vídeos da campanha uma das perguntas mais frequentes no seu consultório: é obrigatório comer orgânico? Carioca, formado primeiro em Direito e depois em Nutrição, Saulo construiu nas redes sociais uma linguagem que mistura humor e ciência sem abrir mão do contexto real das pessoas, já participou do É de Casa e do Mais Você, ambos da TV Globo, e tem na alimentação natural consciente seu principal campo de atuação. A resposta sobre orgânicos é direta: o alimento orgânico tem composição superior porque o Brasil utiliza volumes altos de pesticidas e aditivos químicos na produção convencional, mas o custo mais alto e o prazo curto de validade tornam a adesão integral inviável para a maior parte da população. A saída, segundo ele, é priorizar o orgânico nos alimentos consumidos com mais frequência e, para todos os outros, apostar nos produtos da estação, que pedem menos agrotóxico na produção e chegam ao mercado mais acessíveis e com mais sabor.
A cidade como despensa
Essa lógica de aproveitar o que a terra oferece no tempo certo é o que Bruna Crioula expande para o ambiente urbano, mostrando que a coleta de alimentos na calçada, como manga e ora-pro-nóbis, não é improviso, mas direito à cidade e conexão com o bioma local. Nutricionista, mestra em ciências sociais e matrigestora da Crioula Curadoria Alimentar, ela prepara chutney de manga com ora-pro-nóbis para mostrar que é possível ir além do suco ou da salada e que fazer compotas no auge das safras garante variedade alimentar o ano todo sem depender de ultraprocessados. “Comer o que a terra dá onde a gente vive é um ato ecológico”, resume Bruna, conectando coleta urbana, sazonalidade e soberania alimentar num mesmo argumento que fecha o que Jônatas e Saulo abriram: o ingrediente principal começa antes da cozinha, na mão de quem produz.
Acompanhe os conteúdos da campanha no TikTok @sitemundonegro e no portal Mundo Negro. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #AgriculturaFamiliar #SoberaniaAlimentar #GuiaBlackChefs #MundoNegro
Allan Mamede não precisou de muito tempo para entender o que queria. Aos 14 anos, já sabia que a comida, que desde cedo havia sido para ele lugar de inclusão, afeto e expressão, também podia virar profissão. Foi ali que teve seu primeiro emprego em uma cozinha. “A gastronomia entrou na minha vida muito através das minhas memórias, vivências e necessidade. Desde cedo a comida sempre esteve muito presente pra mim como lugar de inclusão, afeto, linguagem e basicamente uma forma de expressão”, conta.
Chef de cozinha carioca, Mamede desenvolveu ao longo dos anos uma gastronomia autoral que une técnica e identidade, transformando referências pessoais e culturais em experiências gastronômicas. Pratos que contam histórias através dos ingredientes. Sua trajetória inclui passagens por restaurantes Michelin e hotéis estrelados, além de dois momentos marcantes na televisão: foi campeão do Que Seja Doce, no GNT, e finalista do Chef de Alto Nível, da Globo.
Toda essa trajetória, no entanto, parte do mesmo lugar. “Hoje, tudo que construo na cozinha carrega muito dessas referências, das minhas histórias e da forma como eu enxergo a vida e a comida”, diz.
Foto: divulgação
É essa visão que ele leva para a campanha #IngredientePrincipal. O TikTok escolheu o Brasil para inaugurar essa campanha global, que conta com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs como parceiros estratégicos na produção de conteúdo com 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Allan Mamede é um deles.
Milho é memória e tradição. Está no curau, na canjica, na pamonha e atravessa gerações. Alan Mamade (@Chef Mamede ) traz uma versão diferente: milho cozido na pressão por 10 minutos, finalizado na air fryer com manteiga temperada, molho de pimenta defumada e sal. Simples, acessível e irresistível. A dica que faz toda a diferença: guardar a palha para fazer pamonha depois. Zero desperdício começa nos detalhes. #IngredientePrincipal#TheMainIngredient#Milho
Para os jovens negros que pensam em seguir o mesmo caminho, o recado carrega uma convicção que ele construiu na própria pele: “Confiem na própria capacidade e no repertório que carregam. Estudem, testem e aprendam o máximo que der. Não se prendam às amarras que o mundo às vezes impõe a você. A gastronomia é muita técnica e padrão a ser seguido, mas identidade e vivência também são parte essencial disso. É isso que dá alma à comida.”
E completa: “Estudem, se dediquem, se preparem tecnicamente, mas sem abrir mão da própria essência. Nossa visão tem muito valor e precisa ocupar cada vez mais espaço dentro da gastronomia.”
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