Casa Savana: onde a gastronomia e a cultura ancestral se encontram

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Casa Savana: onde a gastronomia e a cultura ancestral se encontram
Foto: Mariana Monteiro

No Centro do Rio, perto do Cais do Valongo, uma potência cultural do povo preto se faz presente – a Casa Savana. É um lugar de gente bonita e não apenas do Samba como traço marcante da cultura carioca. Há também Jazz, Blues, Forró, Reggae, Rap, Afrobeat, Black Music; além de uma cozinha de raízes africanas chefiada pela talentosa chef Dandara Batista. Coxinha de Vatapá, Amalá, Efó com Peixe, Bafrika e Peixe à moda do Quilombo do Campinho (que eu já escrevi aqui quando fui à Paraty) são umas das delícias que a gente encontra por lá.

A escolha do nome é também uma forma de preservar a identidade do povo de África. De acordo com os sócios Pedro Henrique (ambos com mesmo nome), “Savana é uma vegetação rasteira que predomina em África. É uma região da África que não foi colonizada (Etiópia). Os colonizadores não conseguiram colonizar as savanas.” E só não colonizaram porque eram presas fáceis para os animais selvagens.

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Assim, “Savana é um lugar que ninguém colonizou. Espaço que o branco não entrou e não colonizou lá” – complementa Pedro Henrique Oliveira. A Casa Savana é um espaço para levar nossa cultura, nossa culinária, nossa arquitetura e nossa religiosidade a partir da cultura preta. A Gastronomia, evidentemente, está presente alinhada ao Turismo e aos almoços nos finais de semana. Aos sábados, tem o café da manhã com turistas que visitam a Pequena África; e, depois de visitarem nossa história, retornam para o almoço.

Feijoada de feijão vermelho (Foto: Reprodução/Instagram)

Sob o comando da Chef Dandara Batista, o espaço oferece pratos a la carte assinados a partir de uma leitura multirreferenciada de África. Me lembro ao escrever sobre a atuação da chef Dandara que a primeira vez que comi Arroz de Auçá foi no AfroGourmet – ganhador de melhor restaurante da primeira edição do Prêmio Gastronomia Preta em 2022. De entrada, o mini acarajé com vatapá e caruru e bobó de cogumelos (opção vegana) reforçam a potência da culinária afrobrasileira. Nos pratos principais, Dandara faz um passeio por Angola, Nigéria, Mocambique, São Tomé e Príncipe e Senegal.

Na busca por imóveis na região central da capital fluminense, um dos sócios lembrou da realidade de alguns empresários pretos no Brasil. Tendo uma negociação mediada por uma amiga corretora na intenção de alugar um espaço próximo à Carioca, ouviu um áudio encaminhado pelo dono do imóvel a ela: “Sai fora dessa, eles não têm cara de empresários.” Convenhamos, não é sobre ter cara – é sobre ter cor de empresário neste país. Com um “voto de confiança” do atual dono em um espaço que só tinha uma lâmpada e que precisava ser completamente reestruturado, os empresários remodelaram o antigo casarão da Rua Camerino 162 e hoje são ponto de encontro das culturas pretas na Cidade Maravilhosa.

Se você não visitou a Casa Savana é da cidade ou está pelo Rio de Janeiro, não perca essa oportunidade – é um lugar para chamar de nosso com a nossa história pensada e apresentada em cada lugar por onde você passa os olhos.

Chef Dandara Batista (Foto: Reprodução/Instagram)

Empreendimento: @casasavanarj

Preto Gourmet: Breno Cruz é o criador do Prêmio Gastronomia Preta, do Pretonomia e do Festival Gastronomia Preta. Pós-doutor, professor de Gestão na Gastronomia, Empreendedor Social e autor de 15 livros nas áreas de Administração e Gastronomia

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