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‘Coisa de Rico’, de Michel Alcoforado, ganha adaptação para o teatro e estreia em SP

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O antropólogo Michel Alcoforado sobe ao palco em agosto com o monólogo ‘Coisa de Rico: Outras Histórias’, baseado em sua investigação sobre os hábitos e códigos da elite brasileira.

Um dos maiores fenômenos do mercado editorial em 2025, com mais de 160 mil exemplares vendidos, o livro “Coisa de Rico: A Vida dos Endinheirados Brasileiros” (Editora Todavia) será adaptado para os palcos. O antropólogo e autor da obra, Michel Alcoforado, estreará o espetáculo “Coisa de Rico: Outras Histórias” nos dias 21 e 22 de agosto no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda.

A montagem se apresenta no formato de monólogo e expande a investigação de Alcoforado sobre os comportamentos, identidades e distinções sociais que definem as camadas mais abastadas do Brasil. Ao longo de aproximadamente 70 a 80 minutos de duração, o pesquisador compartilha bastidores inéditos de sua pesquisa de campo, relatos e reflexões de quando se infiltrou entre milionários para mapear o chamado “teatro da elite”, o conjunto de gestos, objetos e ambientes que demarcam fronteiras sociais.

O roteiro do espetáculo foi desenvolvido por Alcoforado em parceria com o roteirista Afonso Capellaro, conhecido por trabalhos em programas como Greg News e Que História É Essa, Porchat?. A produção da peça fica por conta da Queremos!, produtora responsável pela realização de festivais e turnês musicais no país.

Serviço:

  • Espetáculo: Coisa de Rico: Outras Histórias
  • Quando: 21 e 22 de agosto de 2026, às 20h
  • Onde: Teatro Sabesp Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569, Consolação, São Paulo – SP)
  • Ingressos: À venda pela plataforma Uhuu, com valores que variam entre R$ 70 (meia-entrada) e R$ 180 (inteira)
  • Classificação: Livre

Após condenação, Rodrigo Branco publica vídeo de desculpas e recebe apoio de famosos

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Foto: reprodução redes sociais / divulgação

Após condenação por racismo contra Thelma Assis, Rodrigo Branco paga indenização de R$ 76 mil, publica vídeo de desculpas e recebe apoio de famosos.

Dias após a divulgação de sua condenação por danos morais em um processo movido pela médica, apresentadora e vencedora do “BBB 20”, Thelma Assis, o empresário Rodrigo Branco publicou um pronunciamento em suas redes sociais para se desculpar publicamente e detalhar o cumprimento da sentença.

O caso remonta a 30 de março de 2020, quando Branco participou de uma transmissão ao vivo no Instagram e afirmou que a torcida por Thelma no reality show existia apenas “porque ela é negra coitada”. Recentemente, a juíza Flávia Snaider Ribeiro, da 6ª Vara Cível de São Paulo, determinou uma indenização de R$ 40 mil por danos morais, classificando as falas como um “comportamento discriminatório que não se pode admitir”. Embora a decisão de primeira instância coubesse recurso e apontasse que o empresário havia sido citado por edital sem apresentar defesa formalizada nos autos, Branco declarou que optou por não recorrer.

No vídeo publicado, o empresário afirmou ter efetuado o pagamento total atualizado de R$ 76.061,07. “No momento que eu soube da condenação falei com o meu advogado, eu falei: ‘não quero recorrer, não quero nada, eu quero cumprir integralmente o que foi determinado'”, relatou.

Branco afirmou que nunca tentou fugir das consequências: “Minha vida sempre continuou sendo pública. Moro na mesma casa há 8 anos, todo mundo que me segue sabe onde eu trabalho […] Nunca desapareci, nunca tentei fugir das consequências”, declarou, rebatendo a informação de que não teria sido localizado pela Justiça durante a tramitação da ação. O empresário pontuou que o episódio aconteceu há seis anos e que, desde então, passou por um período de reflexão e transformações pessoais. Nominalmente, ele estendeu os pedidos de desculpas à Thelma Assis, à jornalista Maju Coutinho e à influenciadora Ju de Paula.

A publicação do empresário gerou uma série de manifestações de apoio por parte de figuras públicas e celebridades brasileiras nos comentários da postagem, que destacaram o reconhecimento do erro e o processo de evolução.

A publicação do empresário gerou uma série de manifestações de apoio por parte de figuras públicas e celebridades brasileiras nos comentários da postagem, que destacaram o reconhecimento do erro e o processo de evolução.

A apresentadora Xuxa Meneghel prestou apoio ao empresário, escrevendo: “Ro, achei de muita coragem e valia o que vc fez … errei muito e estamos aqui pra aprender e tentar errar menos .. é que essa pauta doí muitoooo e nos brancos NUNCA vamos entender essa dor , espero de coração que vc , eu e o planeta mude NAO DA MAIS pra errar nesse assunto , bjs no seu coração”.

A cantora Simone Mendes também comentou na publicação: “Reconhecer uma falha exige humildade, e transformar esse aprendizado em uma mensagem de respeito ao próximo demonstra maturidade. Nunca vamos saber a real dimensão da dor que foi causada, porque somente quem a sentiu conhece o peso que ela carrega. Parabéns pela coragem de se posicionar com humildade”. O influenciador Gominho registrou seu apoio escrevendo “É isso!”, e a atriz Fabiana Karla completou: “Parabéns pelo aprendizado, querido. Sigamos todos aprendendo”. Outros nomes como Luciana Gimenez e a apresentadora Adriane Galisteu (“É sobre isso”) também deixaram acenos de suporte na publicação.

A atriz Deborah Secco escreveu na postagem: “Pessoas não são descartáveis… A gente erra, aprende, se responsabiliza pelos nossos erros e faz diferente. Te amo e amo acompanhar sua evolução”. A apresentadora Lívia Andrade declarou: “Não te conhecia na época do ocorrido, mas esse é o Rodrigo que eu conheci e admiro. Não acredito em desculpas acredito em mudança de comportamento”. A apresentadora Astrid Fontenelle também se manifestou: “Sou das que te falou que errou. E acredito que agora você está pronto pra vir pra essa luta antirracista. Não é fácil. Meu filho segue sendo um dos dois pretos q estudam na escola . Diariamente vemos no noticiário casos e mais casos racistas. E somos nós, brancos e brancas que temos q ir à luta por eles. Bem vindo”.

Antes da publicação do vídeo, Thelma Assis havia se pronunciado afirmando que doará parte do valor recebido na causa para uma instituição dedicada ao combate ao racismo, celebrando o reconhecimento do fato pela Justiça após anos de trâmite processual.

Elza Soares, a mulher que cantou pelas mulheres

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Elza Soares (Foto: Reprodução / Twitter)

Elza Soares cantou o que muitas mulheres viviam e o Brasil preferia não ver. Conheça as músicas que se tornaram hinos de resistência feminista e antirracista.

O registro oficial aponta o nascimento de Elza da Conceição em 23 de junho de 1930, na favela da Moça Bonita, subúrbio carioca de Padre Miguel. A própria cantora, contudo, desconfiava do papel; acreditava ter nascido anos depois. A divergência burocrática escondia uma violência precoce: a adulteração de sua idade pelo pai para forçá-la a um casamento aos 12 anos. O episódio antecipava o Brasil que Elza enfrentaria, um país que frequentemente utiliza seus mecanismos oficiais para chancelar abusos.

A trajetória pessoal da artista confunde-se com a própria crônica das vulnerabilidades brasileiras. Viúva aos 21 anos e mãe de cinco filhos, Elza vivenciou o luto de perder quatro deles ao longo da vida. Conheceu a violência doméstica em dois casamentos e, em 1970, viu sua residência no Jardim Botânico ser metralhada pela repressão da ditadura militar enquanto o companheiro, o craque Garrincha, e os filhos estavam no imóvel. O episódio forçou o casal ao exílio na Itália, onde foram amparados por Chico Buarque.

Elza Soares despediu-se em 20 de janeiro de 2022, aos 91 anos, por causas naturais. Deixou o plano físico dias após concluir as gravações de um novo álbum, mantendo o pacto com o ofício até o último fôlego.

Ao longo de 35 discos e mais de seis décadas de carreira, Elza demonstrou uma lucidez artística precisa. Seu repertório focado em racismo, machismo e violência doméstica nunca foi uma adesão oportunista a pautas sazonais, mas sim o eco de suas próprias cicatrizes. A cantora compreendia o poder de penetração da música, uma arte capaz de furar bolhas intelectuais, ecoar em rádios populares e ocupar as ruas.

Essa postura combativa manifestou-se de forma pioneira no início dos anos 1980. Em uma época em que os maus-tratos domésticos eram confinados ao silêncio das residências, Elza ocupou o sofá do programa TV Mulher, na TV Globo, para pautar o assunto em rede nacional. O gesto corajoso inspirou, décadas mais tarde, o compositor Douglas Germano, que presenciara as agressões sofridas pela mãe na infância, a escrever a canção que se tornaria um dos maiores hinos de resistência da música brasileira contemporânea.

"Cadê meu celular? Eu vou ligar pro 180 / Vou entregar teu nome e explicar meu endereço / Aqui você não entra mais, eu digo que não te conheço."
— Maria da Vila Matilde (Douglas Germano)

Gravada em 2015 para o aclamado álbum A Mulher do Fim do Mundo, quando Elza já contabilizava 85 anos, “Maria da Vila Matilde” transcendeu as plataformas de áudio. O refrão “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim” virou palavra de ordem em protestos, como as manifestações que tomaram a Câmara Municipal do Rio de Janeiro após o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018. A urgência da faixa permanece infelizmente atual: dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que, no Brasil, a maioria expressiva dos feminicídios é cometida por parceiros ou ex-companheiros das vítimas.

A Mulher do Fim do Mundo marcou um ponto de inflexão na discografia de Elza ao ser seu primeiro trabalho composto exclusivamente por faixas inéditas. Sob a produção de Guilherme Kastrup e cercada pela vanguarda musical paulistana, a intérprete reuniu samba, rock distorcido, rap e música eletrônica em um repertório que conquistou o Grammy Latino.

As faixas desse período revelam uma honestidade brutal:

  • “A Mulher do Fim do Mundo”: Na faixa-título, o verso “Eu sou e vou / Até o fim cantar” ganha contornos de manifesto existencial, amparado pela densidade de uma voz que sobreviveu ao silenciamento.
  • “Língua Solta”: Desmistifica a coragem ao apresentá-la não como uma ausência de medo, mas como uma reação coletiva e hesitante diante do horror.
  • “O Que Se Cala”: Faixa de abertura do álbum seguinte, Deus É Mulher (2018), inicia-se a cappella. A voz de Elza surge nua, sem instrumentos, reivindicando para si o direito à narrativa histórica da mulher negra.
  • “Dentro de Cada Um”: Rejeita eufemismos literários ao retratar a violência de forma crua, expondo as marcas físicas e psicológicas do abuso.

Outro marco fundamental de sua discografia é a releitura de “A Carne”, gravada originalmente em 2002 no álbum Do Cóccix Até o Pescoço. Composta por Marcelo Yuka, Seu Jorge e Ulisses Cappelletti, a música ganhou contornos definitivos na interpretação de Elza. Ao cantar que “a carne mais barata do mercado é a carne negra”, a artista explicitou a indissociabilidade entre gênero e raça no Brasil. Anos mais tarde, ciente do impacto de sua luta, Elza ressignificou o próprio clássico ao afirmar publicamente que a carne negra já não era a mais barata: “Vale uma tonelada”.

Eleita em 1999 como a “Cantora do Milênio” pela corporação britânica BBC, Elza Soares consolidou uma obra que se recusa a envelhecer como mera peça de museu. Suas canções operam hoje como ferramentas pedagógicas e manifestos sociais, mantendo viva a postura de uma artista que se recusou a dourar a pílula da realidade, transformando a própria biografia em um espelho incômodo e necessário para o Brasil.

“Sem palavras pelo carinho”: Black Alien volta às redes e anuncia novo álbum

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Foto: Reprodução / Roncca

Rapper carioca voltou às redes sociais após longo período em tratamento e revelou detalhes do projeto “ADZ AINDA: Aloha From Hell”, com produção de Papatinho e Barba Negra

Gustavo de Almeida Ribeiro, o Black Alien, voltou às redes sociais nesta semana para comunicar ao público que está bem e anunciar seu novo álbum. A mensagem foi publicada nos stories do Instagram de sua conta pessoal, @mr.black_gus, e encerrou um silêncio prolongado que coincidiu com um período de tratamento de saúde. “Eu estou bem. Sem palavras pelo carinho. Não se esqueçam que eu amo vocês”, escreveu o rapper ao final do comunicado.

O novo projeto se chama “ADZ AINDA: Aloha From Hell” e tem lançamento previsto para dezembro de 2026. A produção principal ficará a cargo de Papatinho e Barba Negra, com participação de outros beatmakers que assinarão loops e samples próprios no disco. O título retoma a sigla ADZ, referência direta ao seu último álbum solo, “Abaixo de Zero: Hello Hell”, lançado em 2019 e produzido integralmente por Papatinho.

No mesmo comunicado, Black Alien descreveu uma mudança significativa no seu processo criativo durante o período de afastamento. A viola, instrumento que ele passou a tocar sem pretensões, evoluiu para uma ferramenta de composição com intenção definida. Segundo o rapper, as músicas passaram a “pedir” melodia e letra, e responder a esse pedido tornou-se o princípio que orienta o trabalho atual.

As composições criadas antes dessa virada permanecerão instrumentais e integrarão o disco como riffs e loops nas produções de Papatinho e Barba Negra. “Até outro dia, viola era uma diversão soltinha, pretensão zero, 100% fun. Igual ao rap no começo, hoje é 101 por cento e meio for fun porque to compondo com um norte”, afirmou Black Alien no texto publicado nos stories.

Black Alien teve duas overdoses, em 1999 e 2013, e passou por uma depressão em 2010, após a morte do amigo e rapper SpeedFreaks. A luta pela sobriedade tornou-se matéria-prima do último disco: “Este álbum é sobre luta. Mas não se trata só de dependência química, pois o buraco para todos nós é sempre mais embaixo. É sobre a luta para ser melhor do que eu mesmo”, disse ele à época do lançamento de “Abaixo de Zero: Hello Hell”.

Em fevereiro de 2025, durante show na Audio, em São Paulo, o artista enfrentou dificuldades para lembrar as letras de suas músicas, o que gerou especulações entre os fãs sobre uma possível recaída. O afastamento que se seguiu foi acompanhado de preocupação pública, com cancelamentos de apresentações e ausência completa das redes sociais.

O comunicado encerra um período de silêncio que gerou preocupação real entre fãs e colegas de profissão. A confirmação de que está bem, feita pelo próprio Gustavo, é a informação mais aguardada pelos que acompanham sua trajetória, e antecede o anúncio do álbum como dado mais relevante da publicação. “ADZ AINDA: Aloha From Hell” tem lançamento previsto para dezembro de 2026, com produção de Papatinho e Barba Negra.

Grazi Mendes participa de vivência na Itália com Marcelo Gleiser

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Grazi Mendes durante experiência Island of Knowledge na Itália
Foto: Reprodução/ Instagram

A professora, autora e executiva de tecnologia Grazi Mendes foi uma das convidadas para participar do Island of Knowledge – Questione a Realidade, experiência realizada na Toscana, Itália, e idealizada pelo físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser.

A iniciativa reúne pessoas de diferentes áreas para refletir sobre ciência, filosofia, espiritualidade e os desafios diante do presente e do futuro. Em relato compartilhado nas redes sociais, Grazi descreveu a vivência como uma experiência que ainda está sendo elaborada e que provocou reflexões profundas sobre conhecimento, liderança e de sua própria existência.

“Vai demorar um tempo para eu elaborar tudo o que aconteceu na Toscana e aqui dentro do peito”, escreveu.

Liderar exige reaprender a fazer perguntas

Entre os principais aprendizados da experiência, Grazi destaca uma mudança de perspectiva sobre liderança.

Segundo ela, um dos convites feitos ao longo da imersão foi olhar para o universo não como algo que pode ser controlado, mas como um espaço de mistério, descoberta e questionamento.

Em entrevista ao Mundo Negro, a executiva afirmou que esse olhar dialoga diretamente com desafios contemporâneos como a crise climática, o avanço da inteligência artificial, as desigualdades e o esgotamento de modelos tradicionais.

“Diante da crise climática, da inteligência artificial, das desigualdades e do esgotamento dos modelos antigos, o líder não pode ser apenas alguém que entrega respostas rápidas. Precisa ser alguém capaz de questionar a realidade com coragem, humildade e imaginação radical”, afirma.

A vida no centro das decisões

Outro aspecto que marcou a experiência foi a reflexão sobre a centralidade da vida nas decisões humanas.

Ao observar as discussões sobre o cosmos, a raridade da existência e a fragilidade da Terra, Grazi passou a refletir sobre responsabilidade, impacto coletivo e futuro.

Para ela, liderança não pode ser reduzida a desempenho, produtividade ou crescimento. Cada decisão produz efeitos concretos sobre pessoas, territórios e gerações.

“O universo nos coloca em perspectiva: somos pequenos, mas não somos irrelevantes. Justamente por isso, responsabilidade é inegociável”, destaca.

Um sonho da infância revisitado

Em conversa com o Mundo Negro, Grazi relatou que a experiência teve um significado pessoal para ela.

Apaixonada por física desde criança, ela relembra que estudou em escola pública e nem sempre teve acesso a professores especializados na área. O interesse pela ciência surgiu cedo, mas encontrou limitações estruturais que marcaram sua trajetória educacional.

Por isso, participar de uma imersão conduzida por um dos cientistas brasileiros mais reconhecidos internacionalmente despertou memórias de uma antiga curiosidade.

“Tem uma parte minha dessa menina da quinta série que queria ter aula com um professor de física”, conta.

A experiência também a levou a refletir sobre acesso ao conhecimento e oportunidades educacionais. Para Grazi, o encantamento produzido pela ciência pode ampliar a forma como crianças e jovens compreendem a vida, o planeta e seu lugar no mundo.

Tecnologia, consciência e futuro

As discussões da vivência também reforçaram uma preocupação presente em sua atuação profissional: a relação entre tecnologia e humanidade.

Segundo ela, o futuro não pode ser pensado apenas a partir da capacidade técnica de criar novas ferramentas. É necessário discutir quais valores devem acompanhar essas transformações.

“A grande pergunta deixa de ser só o que seremos capazes de criar, mas que tipo de humanidade queremos preservar enquanto criamos”, afirma.

Convite para retornar em 2027

A participação de Grazi no Island of Knowledge terá continuidade.

Após a experiência na Toscana, ela foi convidada a retornar à Itália em março de 2027 para integrar um grupo formado por dez pensadores que debaterá o tema “Futuros”.

Badó Pães: A padaria que se tornou o novo hype gastronômico do Rio

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Padaria Bodó (Foto: Reprodução/Instagram)

Por: Breno Cruz (Preto Gourmet)

Se São Paulo é reconhecida pelas suas experiências em padarias e sempre o Rio de Janeiro talvez tenha sido reverenciado pelos botecos e pela sua boemia, a Badó Pães, liderada pelo sócio gestor Igor de Oliveira, promete entregar a excelência das padocas de São Paulo no bairro mais boêmio do Rio de Janeiro – a Lapa. Igor, um jovem paulistano de 32 anos, é reconhecido pela sua trajetória em abrir empreendimentos de sucesso na Gastronomia. É ele quem lidera a operação do mais novo point carioca gastronômico.

Foto: Reprodução/Instagram

Badó é abreviação de Borogodó e tem como proposta entregar excelência na panificação com preços justos. Com um espaço amplo de 260m2,  a Badó já se destaca pela produção de excelência de pães clássicos como baguetes, sourdoughs, focaccias e brioches, além de folhados (as chamadas viennoiseries), a exemplo de croissants, pain au chocolat, mil-folhas e palmiers. Uma das apostas da ala mais doce do cardápio é o rolinho de canela, que já é um sucesso de vendas com seu sabor equilibrado. Há também pastéis de nata, tortinhas com base de biscoito sablé, bolos, cookies, sonhos recheados e bombas de chocolate.

Há sete anos empreendendo e com formação em Gastronomia e Marketing em Gestão Empresarial, o empresário Igor de Oliveira tem a Badó Pães como seu terceiro empreendimento – sendo a Absurda Confeitaria também parte de sua trajetória empreendedora de sucesso. Igor destaca que “nos outros negócios quem dava a canetada final eram pessoas brancas” – e agora é diferente. Claro que isso acaba por repercutir na relação com seus colaboradores – o letramento racial faz toda diferença e isso possivelmente contribui para que ele possa se afirmar como liderança profissional de excelência no setor de alimentos e bebidas. Inclusive, tenho uma ex-aluna (Ana Flávia) contratada e um aluno (Caioá) como estagiário atuando na Badó Pães – eles são só elogios à proposta do ambiente de trabalho e do negócio).

Foto: Reprodução/Instagram

E como o espaço queridinho dos cariocas já nos primeiros meses de funcionamento, a Badó Pães abre às 08 horas da manhã e fecha às 19 horas – sendo folga coletiva às terças-feiras – decisão estratégica do sócio gestor por compreender que se fosse na onda de fechar às segundas como os empreendimentos gastronômicos vizinhos, a segunda seria “morta de possibilidades” para quem mora ou visita o bairro. No dia que visitei a padaria  tinha uma pequena fila. Eu achei o máximo ter fila pois geralmente existe muita reclamação de empresários nos primeiros meses de um negócio. Na média, segundo Igor, visitam o local 250 pessoas diariamente. Pensei: “Uau, tem fila para entrar no empreendimento liderado por um homem preto! Que sucesso!”

Foto: Reprodução/Instagram

Se você estiver passeando pela Lapa ou se morar no Rio de Janeiro, vale muito a pena conhecer a Badó Pães. Preço justo, espaço confortável e excelência nos produtos vendidos. Fiquei com vontade de quero mais.

Empreendimento: @bado.paes Empresário: @deoliveira.iigor

Preto Gourmet: Breno Cruz é o criador do Prêmio Gastronomia Preta, do Pretonomia e do Festival Gastronomia Preta. Pós-doutor, professor de Gestão na Gastronomia, Empreendedor Social e autor de 15 livros nas áreas de Administração e Gastronomia

Educação básica e raça: Onde estamos e o que falta para alcançar a verdadeira equidade?

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Estudante negra escrevendo no caderno com uma caneta.
Foto: IA/Magnific

Os novos dados do IBGE apontam que, pela primeira vez, mais da metade dos negros concluiu o ensino médio, mas taxa de analfabetismo entre idosos pretos e pardos ainda é o triplo em relação aos brancos.

Os dados do módulo de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo IBGE, trazem um panorama agridoce para a população negra. Ao mesmo tempo em que o país registra conquistas históricas de acesso à educação básica para nossa comunidade, os indicadores deixam explícito o peso do racismo estrutural, que ainda dita quem consegue permanecer na escola e chegar ao ensino superior.

Conquista histórica no ensino médio

Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, mais da metade da população preta ou parda com 25 anos ou mais (51,3%) completou o ensino médio. O avanço é expressivo se comparado a 2016, quando esse percentual era de apenas 42,8%. Apesar do marco comemorativo, a igualdade racial no ambiente escolar ainda está longe de ser alcançada. A distância para a população branca, cuja taxa de conclusão é de 64,9%, permanece praticamente estagnada em 13,6 pontos percentuais de diferença, mostrando que o ritmo de inclusão precisa acelerar.

O peso do passado: Analfabetismo na terceira idade

O reflexo de décadas de negligência do Estado com a população negra fica nítido ao olhar para os mais velhos. Entre a população com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos chega a impressionantes 20,6% , quase três vezes superior à dos brancos (7,3%).

Houve uma redução de 1,2 p.p. em relação ao ano anterior, mas, como define o analista da pesquisa do IBGE, William Kratochwill:

“O avanço acontece, mas evidencia um legado estrutural público de exclusão educacional.”

No panorama geral (considerando pessoas de 15 anos ou mais), o analfabetismo entre negros é de 6,5%, contra 2,8% de pessoas brancas.

Acesso ao ensino superior e o abandono escolar

As barreiras raciais se tornam ainda mais profundas quando analisamos a juventude e o acesso à universidade.

  • Ensino superior: Na faixa de 18 a 24 anos, a proporção de jovens brancos que já concluíram a graduação (6,2%) é mais que o dobro da de pretos ou pardos (3,0%). Além disso, enquanto 33,4% dos brancos estão na faculdade (etapa ideal para a idade), apenas 18,9% dos negros ocupam esse espaço.
  • Exclusão: Entre os jovens que não frequentam e não concluíram o ensino superior, a esmagadora maioria é negra: 70,1% dos pretos ou pardos estão fora da universidade, contra 55,0% dos brancos.
  • Perfil do abandono: O levantamento aponta que 7,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não completaram o ensino médio no país. Desse total de evadidos da escola, 72,8% são pretos ou pardos.

Os dados provam que o Plano Nacional de Educação (PNE) só conseguiu atingir suas metas de universalização e acesso no ensino superior entre a população branca.

Para a população negra, o desafio principal do país vai muito além de matricular as crianças: envolve criar políticas públicas sólidas de assistência estudantil que combatam a necessidade do trabalho precoce e garantam a permanência e a conclusão dos jovens pretos e pardos em todas as etapas de ensino.

Fonte: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47221-analfabetismo-fica-abaixo-de-5-em-2025-mas-8-4-milhoes-ainda-nao-sabem-ler-e-escrever

No livro “14 de Maio”, Hélio Santos contesta o colorismo com dados e defende a união entre pardos e pretos

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Retrato do intelectual negro Hélio Santos
Helio Santos (Foto: Divulgação

Em entrevista ao Mundo Negro, um dos maiores intelectuais da questão racial no Brasil fala sobre sua nova obra, “14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo”

Temas ligados à questão racial são sempre garantia de engajamento nas redes sociais, com debates acalorados, julgamentos e acusações. Quando falamos de um país negro como o Brasil, falta discutir soluções embasadas em dados e em fatores históricos, por meio de conteúdos que reconheçam que a questão racial não deve ser tratada nesses fóruns públicos a partir de experiências pessoais, e sim como uma luta coletiva por igualdade.

Hélio Santos, um dos nomes mais importantes para a reflexão sobre o Brasil negro na perspectiva social e econômica, traz em sua nova obra, 14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo, um conteúdo precioso e necessário. É a contribuição de quem viveu e estudou a negritude com profundidade e produz uma literatura ancorada em dados cruzados com aspectos históricos e políticos.

“Conclamo pessoas pardas e pretas, das mais diferentes tonalidades, a permanecermos juntas. Somos uma mesma família. Se não bastassem os dados socioeconômicos que nos vinculam como grupo historicamente discriminado, temos barreiras históricas, psicológicas e políticas a superar, e só as superaremos juntos. Não nos iludamos”, reflete o intelectual.

Santos é doutor em administração pela FEA-USP, professor e escritor. Pesquisador e ativista da questão racial, publicou o livro A busca de um caminho para o Brasil: a trilha do círculo vicioso (2000). Tem colaborado com diversas organizações da sociedade civil voltadas à equidade racial, como Oxfam Brasil, Instituto Ethos, Fundo Baobá e Pacto pela Democracia, entre outras. Atualmente, preside o Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra). É também Doutor Honoris Causa pela UFBA.

“Eu me formei ouvindo intelectuais negros como o professor Hélio Santos. A vida me deu a sorte de ser um de seus milhões de aprendizes”, diz o rapper Emicida no prefácio do livro.

Nesta entrevista, concedida à nossa editora-chefe Silvia Nascimento, ele explica a proposta da obra e fala sobre a influência das redes sociais nas lutas coletivas da comunidade negra, o impacto econômico do racismo e o pardismo, tema ao qual dedicou um capítulo completo do livro.

14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo terá um evento especial de lançamento em São Paulo:

Data: 23 de junho de 2026 (terça-feira)

Horário: 19h

Local: Itaú Cultural — Av. Paulista, 149, Bela Vista, São Paulo (SP)

Ingressos: retirada a partir da data do evento, às 12h, pelo site do Itaú Cultural (@itaucultural). Limite de 2 ingressos por pessoa.

1) Professor, o título do livro fala sobre o dia após a abolição, considerado “o mais longo da História”. Sua obra analisa o Brasil destacando o papel do movimento negro nas conquistas do nosso povo. Tenho a impressão de que a Geração Z, massivamente digital, por vezes desmerece antigas conquistas e cria teorias sobre questões que são consenso entre nossos acadêmicos e ativistas mais maduros. As redes sociais, na sua visão, têm contribuído para nossas lutas ou mais confundido?

O 14 de maio é uma alegoria que trabalho há muito tempo e, de fato, é um dia que ainda temos conosco. É o dia mais longo, e dele restam pedaços em qualquer cidade do país a que a gente vá. O livro tem um componente histórico, sem dúvida. É memória do movimento negro. Mas não abrimos mão de ser propositivos. Apresentamos sugestões e encaminhamentos, até porque acreditamos que as políticas afirmativas pontuais se esgotaram. Elas precisam alcançar outro patamar.

Sobre as redes sociais: a profusão de narrativas pulverizadas por essa revolução digital é um instrumento com que a minha geração não contou, mas que precisa se tornar uma ferramenta eficaz, e não um mero painel exibicionista. Proponho a ideia de desenvolvermos influenciadores orgânicos, aqueles e aquelas que trazem uma pegada que fortalece a autoestima e que buscam o empoderamento educacional, econômico e político.

Eu gosto da Geração Z. As pessoas mais velhas dessa geração ainda não têm 30 anos. São proativos, inovadores, gostam de causas, e já nascem na época da internet. Acredito que um jovem negro periférico tem condições de ser um influenciador orgânico, e isso é inovador. Hoje temos poucos. Algumas pessoas imaginam que ter milhões ou centenas de milhares de seguidores é, por si só, relevante. Será relevante se essa pessoa for sensibilizada nessa direção. Quanto aos que não estão, faço uma autocrítica: cabe a mim, a vários setores da sociedade e às organizações negras estimulá-los, atraí-los, desenvolver modelos em que eles se sintam bem. Vejo um grande potencial. Não podemos abdicar da juventude. A Geração Z, antes de ser um problema, é um grande potencial.

2) Falamos muito sobre o Pacto da Branquitude. O Pacto da Negritude ainda é uma utopia? Como as dificuldades econômicas, que mantêm a prosperidade distante de muitos de nós, dificultam nossa união enquanto povo?

Esta pergunta é muito mais complexa do que parece. O pacto da branquitude é um acordo não verbalizado pelo qual os descendentes de europeus mantêm privilégios. Ora, um pacto da negritude não pode ser o contrário, isto é, criar mecanismos para manter privilégios. Não teríamos como fazer isso, mesmo que desejássemos.

A gente não pode esquecer que, para cada dez anos de Brasil, sete se passaram sob a escravidão. As dificuldades econômicas e educacionais estão na base, na forma como a abolição se deu. O CEDRA, Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais, acaba de mostrar que, mantidas as atuais tendências e condições, só em 2399, daqui a 376 anos, a renda média do trabalhador negro se igualará à do trabalhador branco. Essa geração que está aí não está disposta a esperar quase quatro séculos.

Mas veja como o pacto da negritude tem de se dar: no campo político. Hoje, segundo o ex-ministro da Fazenda Haddad, temos uma evasão fiscal em torno de R$ 800 bilhões, isso sem considerar a sonegação. Não haverá recurso para desenvolver os programas massivos que defendo. As políticas afirmativas que temos hoje são importantes, mas não dão conta. Nós não somos o problema da desigualdade; somos parte da solução. O Brasil será aquele país gigante que ouvi celebrar a minha adolescência e juventude inteiras na medida em que a população negra tiver participação adequada. Isso pede uma nova cultura de desenvolvimento.

O nosso pacto da negritude não se parece com o da branquitude: este existe para preservar os brancos; aquele, para preservar o Brasil, porque redime a todos. Essa é a diferença.

3) O senhor dedicou um capítulo ao pardismo, conceito muito confundido com o de colorismo. A que o senhor atribui o crescimento desse movimento no Brasil?

A identificação negra vem desde o primeiro censo, de 1872, há 154 anos, portanto 16 anos antes do fim da escravidão. Ali foram definidas duas categorias: pretos e pardos. Essa distinção não foi pautada pelo movimento negro, como muitas vezes somos acusados. Quem conduziu aquele primeiro censo, ao criar as duas categorias, já intuía que a mistura era uma marca nossa, secular.

No centro dos equívocos dessa polêmica em torno da categoria parda está a ideia do colorismo. O colorismo, como sabemos, dispõe as discriminações raciais numa escala de cor: as pessoas de pele mais escura sofreriam mais discriminação e teriam menos oportunidades; as de pele mais clara, menos discriminação e mais oportunidades. No nosso livro, provo que isso é mentira. Apresentamos dados quantitativos que mostram que, no Brasil, não é verdade.

A primeira coisa que precisamos saber é que, pelo último censo, o Brasil tem 92 milhões de pardos e 21 milhões de pretos. Ou seja: para cada 100 afro-brasileiros, 82 são pardos e 18 são pretos.

4) Ainda sobre o tema, a que o senhor atribui o crescimento específico do movimento do pardismo nos últimos anos?

A autodeclaração, hoje utilizada em múltiplas instâncias da vida nacional, resulta de uma luta árdua e foi um dos ganhos políticos mais relevantes da epopeia contra o racismo. Antes de tudo, é preciso reconhecer que não vivemos um momento de crise da identidade racial. Ao longo do século XX, em particular nos anos 1980 e 1990, nossa identidade se firmou no sentido de unificar quem se autodeclara preto e pardo, constituindo o grupo afrodescendente, afro-brasileiro ou negro. Podemos usar qualquer uma dessas três denominações.

Desracializar uma sociedade descaradamente racista é o sonho de muita gente que sempre defende o Estado “neutro” para manter privilégios. Esse crescimento tem a ver com isso. É fundamental reconhecer, também, que o próprio ativismo negro tem contribuído para esse falso debate do colorismo. Os equívocos do pardismo incluem violências de algumas bancas contra pessoas pardas. É o que venho chamando de “ativismo de banca”: avaliadores que priorizam os pretos e vetam pardos legítimos. Esse ativismo é prejudicial e integra o que chamo, no capítulo, de equívocos do pardismo.

O que quero frisar é o seguinte: conclamo pessoas pardas e pretas, das mais diferentes tonalidades, a permanecermos juntas. Somos uma mesma família. Se não bastassem os dados socioeconômicos que nos vinculam como grupo historicamente discriminado, temos barreiras históricas, psicológicas e políticas a superar, e só as superaremos juntos. Não nos iludamos.

5) Neste momento global de retrocesso da diversidade, o que o senhor diria a quem acha que essa pauta está morrendo e não vale mais a pena lutar?

Hoje, no Brasil, os ativistas que batalham por diversidade e inclusão vêm sendo taxados de “identitários”, em tom de censura, sofrendo restrições à direita e também à esquerda. Ora, os marcadores de raça, gênero, geração, orientação sexual e outros não são meros cacoetes ideológicos, como o vendaval conservador soprado do Norte Global quer fazer crer. É preciso entender que diversidade não é salada de frutas: requer gestão.

Em 2023, a Suprema Corte dos Estados Unidos, de perfil bem conservador, vetou as cotas raciais nas universidades depois de mais de 50 anos de vigência. Desde então há uma cruzada contra essas políticas, reforçada pela eleição de Donald Trump. Não conheço maneira mais eficaz de operar contra a espécie humana do que se opor àquilo que me parece ser a sua decência: as diferenças, que consagram a nossa identidade.

Por outro lado, é preciso lembrar que, aqui no Brasil, as cotas raciais só foram formalmente autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal há 14 anos. Nós, do movimento negro, não defendemos “pautas identitárias”, termo impreciso, vago e malicioso. Defendemos, e continuaremos a defender, pautas afirmativas reparatórias. A diversidade racial é instrumento básico para o desenvolvimento do Brasil, até porque somos maioria. Esse discurso que aí circula foi importado e está mal colocado, embora muita gente navegue nessa onda. O movimento negro não é identitário: nossa pauta, repito, é afirmativa e reparatória.

Ficha técnica

Título: 14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo

Autor: Hélio Santos

Editora: Selo Zahar (Companhia das Letras)

Páginas: 160

Formato: 14 x 21 cm, brochura

Capa: Alceu Chiesorin Nunes

ISBN: 978-65-5979-273-3

Lançamento: 23 de junho de 2026

Preço (pré-venda): R$ 64,90

‘O Polígamo’: novela sul-africana é o novo sucesso da Netflix 

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Cena da novela sul-africana O Poligamo disponível na Netflix
Foto: Netflix/Divulgação

A novela sul-africana “O Polígamo” chegou ao catálogo da Netflix em 12 de junho com seus 22 episódios disponibilizados de uma só vez. Baseada no romance The Polygamist (2012), da escritora zimbabuana Sue Nyathi, a produção tem chamado atenção do público ao combinar drama familiar, relações afetivas complexas e reflexões sobre identidade e poder aos olhos do público.

A trama acompanha Joyce Gomora, interpretada por Gugu Gumede, uma influenciadora digital que constrói para seus seguidores a imagem de uma família bem-sucedida ao lado do marido, Jonasi Gomora, personagem de Sdumo Mtshali. A estabilidade dessa narrativa começa a ruir quando as relações extraconjugais do empresário passam influenciar na dinâmica familiar.

Embora a história seja apresentada a partir dos conflitos provocados pelas escolhas de Jonasi, a narrativa se desenvolve principalmente pela perspectiva de Joyce. A personagem ocupa o centro da trama ao lidar com as consequências da imagem que construiu publicamente e com os desafios que surgem quando essa representação deixa de corresponder à realidade.

Esse olhar diferencia a produção das narrativas tradicionais do gênero. Em vez de concentrar o enredo apenas na descoberta da infidelidade, a novela explora as tensões entre aparência e autenticidade, questionando os limites da construção de uma vida idealizada diante do público.

Jonasi Gomora é retratado de forma complexa como um empresário bem-sucedido e figura influente em sua comunidade. O personagem vê sua posição ser gradualmente tensionada à medida que esposas e amantes ganham protagonismo na história. A produção evita construir personagens exclusivamente a partir de papéis de herói ou vilão, apostando em relações marcadas por contradições e disputas de poder.

Produzida pela Stained Glass Productions, a novela adapta para as telas elementos centrais da obra de Sue Nyathi. A autora construiu, em seu romance, uma narrativa que explora os contrastes entre vida pública e vida privada, destacando como ambições, expectativas sociais e ressentimentos acumulados podem moldar relações familiares.

Hoje é o último dia de votação da PowerList Mundo Negro 2026

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Votação final da PowerList Mundo Negro 2026
Foto: arquivo pessoal

A PowerList Mundo Negro 2026 entra em sua reta final. Hoje, 22 de junho, é o último dia para participação do público na escolha das finalistas da premiação, que reconhece trajetórias de mulheres negras em diferentes áreas de atuação no Brasil.

A segunda fase da edição ainda está aberta, mas o resultado depende diretamente da participação popular. Na primeira etapa, a premiação registrou mais de 3 mil votos e mais de 850 mulheres negras indicadas em todo o país. Dessa primeira fase saíram as finalistas de cada categoria.

Categorias da premiação

Entre as categorias estão Criadora Digital, Empreendedora do Ano, Profissional da Beleza, Destaque em Gastronomia e Profissional da Moda. As indicadas representam diferentes segmentos do mercado criativo, empreendedor e cultural.

Indicadas por categoria

Criadora Digital
@cynthiamariah, @misteriosdaluz, @palmiratonet, @lu_blackstylist e @sarahafonseca.

Empreendedora do Ano
@fanymirandaoficial, @ednusaribeiro, @geolima_, @lacreafro e @soumariananunes.

Profissional da Beleza
@dinaurafrancabeauty, @glei__souza, @leticiamaria.imbali, @pretabrasileira e @projetoraizes.

Destaque em Gastronomia
@taynapassosoficial, @saintclaircezar, @felixluiza, @ajeumdapreta e @kitandadasminas.

Profissional da Moda
@cangaceirafuturista, @monicasampaiosr, @ateliekeilavianna, @golinjoias e @madanegrif.

Prazo final

A votação segue aberta até o fim do dia 22 de junho. As vencedoras serão premiadas no dia 31 de julho, durante o Julho das Pretas, em cerimônia na sede da L’Oréal Groupe Brasil, no Rio de Janeiro.

Como votar

A participação é simples, e pode ser feita de forma online, pelo link: https://powerlist.mundonegro.inf.br/votar/, é só escolher a candidata na sua respectiva categoria, preencher o formulário com o seu e-mail e finalizar a ação. A mensagem de confirmação do voto registrado surge instantaneamente na tela do aparelho e vale lembrar que cada e-mail cadastrado permite registrar apenas uma escolha.

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