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Samara Martins, a única mulher na corrida presidencial, defende aumento em 100% do salário mínimo e congelamento do preço dos alimentos

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Foto: Divulgação/UP

“Mesmo com toda a desigualdade, nós podemos vencer”: Única mulher a apresentar pré-candidatura à Presidência da República em 2026, Samara Martins (UP) afirma colocar a soberania alimentar e a valorização do trabalhador no centro de seu programa econômico. 

Em entrevista ao Mundo Negro, a vice-presidente nacional da Unidade Popular defende medidas radicais para conter o endividamento que atinge mais de 80% das famílias brasileiras, propondo o aumento de 100% do salário mínimo nacional e o congelamento do preço dos alimentos atrelado a uma profunda reforma agrária. Mulher negra e mãe de dois filhos, ela afirma que sua chapa é a única que não busca reformar o capitalismo, mas sim construir o socialismo a partir das demandas da maioria da população.

No levantamento mais recente do Datafolha, divulgado na última sexta-feira (22), Samara pontuou com 3% das intenções de voto no primeiro turno, consolidando um empate técnico, dentro da margem de erro, com nomes como os governadores Romeu Zema (Novo, 3%) e Ronaldo Caiado (PSD, 4%). O cenário eleitoral segue liderado pelo presidente Lula (PT), com 40%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 31%. “Tentam nos esconder, mas a gente tem tentado quebrar esse bloqueio. A gente pode ir muito longe esse ano”, afirma Samara ao falar sobre as suas expectativas.

Além da reestruturação econômica, Samara traz para o debate sua experiência prática como dentista no SUS (Sistema Único de Saúde), dentro do sistema prisional. Na entrevista, ela denuncia a exclusão na saúde bucal — destacando que 37% dos estudantes de escolas públicas nunca foram ao dentista — e defende o fortalecimento do SUS por meio da suspensão e auditoria da dívida pública, além de propor a obrigatoriedade de que todos os políticos utilizem os serviços públicos de saúde e educação.

Nas eleições de 2022, Samara foi candidata a vice-presidente ao lado de Leonardo Péricles, compondo a única chapa presidencial formada inteiramente por pessoas negras naquele pleito.

Foto: Divulgação/UP

Leia a entrevista completa abaixo:

1) Você é, até agora, a única mulher pré-candidata à Presidência em 2026. Sendo ainda uma mulher negra, como você avalia a importância da sua candidatura e a luta para enfrentar a invisibilidade para participar dos debates eleitorais?

A nossa pré-candidatura cumpre um papel importante na conjuntura política do nosso país, porque somos a representação da maioria da população brasileira, que é justamente de mulheres negras e trabalhadoras, não apenas pela minha figura pessoal, mas principalmente pelo programa de transformações profundas da Unidade Popular, a UP, que é o programa do socialismo no Brasil. Há de fato uma tentativa enorme de invisibilizar a nossa pré-candidatura, mas temos conseguido, por meio do trabalho de base, mesmo nas ruas e nas redes digitais, romper o bloqueio das grandes mídias, dos institutos de pesquisa e fazer nossas propostas chegarem nas pessoas. E mesmo já tendo pontuado nas pesquisas, em pesquisas relevantes como o Datafolha, a Quaest, a Atlas, a Intel, ainda tentam esconder, fingir que a minha pré-candidatura simplesmente não existe. Mesmo assim, na pesquisa do Datafolha, eu estou em terceiro lugar, no empate técnico com gente que tem muito mais espaço na mídia, que conta com um poder de dinheiro, de fundos partidários enormes e também de dinheiro dos grandes empresários. O fundamental, então, é nas ruas para nós da UP, né? E nas ruas a UP tem crescido. Em todo o Brasil eu tenho recebido apoio da classe trabalhadora, de pessoas já conhecendo a nossa pré-candidatura, e isso dá muita força pra gente seguir no que a gente tem chamado de guerra eleitoral, porque é um processo extremamente desigual.

Foto: Divulgação/UP

2) Entre muitas demandas relacionadas ao atendimento de saúde no Brasil, está o menor acesso a serviços odontológicos para pessoas negras e de baixa renda. Como uma dentista que atua no SUS, você tem estudado propostas a respeito? Como a sua própria vivência tem lhe ajudado a propor melhorias na saúde?

Com certeza as políticas de saúde pública estão entre as prioridades do nosso programa. Eu, como dentista e trabalhadora do SUS, na Estratégia Saúde da Família, tenho a atenção primária na saúde bucal como uma das minhas prioridades. É o que eu mais estudo, é no que eu me especializei: na saúde pública. Eu faço hoje atendimento num presídio no Rio Grande do Norte, onde atendo uma grande população, que são os jovens negros que hoje estão encarcerados por essa lógica de negação de direitos, de acesso aos serviços e de encarceramento em massa. Realmente, em sua maioria estão já presos, mas sem julgamentos. Então, eu sempre digo que são privados de liberdade, mas também são privados de sorrir, nesse meu papel na saúde bucal dentro do presídio. E a saúde bucal, além da saúde geral, traz dignidade pras pessoas. Esse tem sido o meu esforço profissional.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostrou que 37% dos estudantes de escolas públicas que estão entre 13 e 17 anos nunca foram ao dentista na vida. Isso me alarmou bastante. São adolescentes que passaram 13, 17 anos da vida sem nunca ter ido ao dentista. E além disso, a cobertura odontológica na atenção básica no Brasil é estimada em apenas cerca de 45% da população. Então, nem todo mundo tem acesso à saúde bucal. E ainda há uma desigualdade regional grande, onde os centros urbanos, as capitais, principalmente do Sudeste, têm acesso a serviços odontológicos, enquanto as regiões Nordeste e Norte acabam tendo menos atenção. Na atenção especializada a situação é bem semelhante, mas o nosso povo merece sorrir, né? E é preciso ampliar o entendimento de que a saúde bucal faz parte da saúde integral das pessoas e que a odontologia deve ser exercida na prevenção, e não só na intervenção, que ainda é mutiladora no Brasil. A gente precisa acabar com a lógica de que o Brasil é o país dos desdentados. Para isso, é preciso aumentar os recursos da saúde num geral, o que passa pela divisão do orçamento e, nesse sentido, auditar e suspender o pagamento da dívida pública. Uma das nossas propostas é a necessidade de investir no SUS e em outras áreas sociais. Então, é necessário garantir que isso aconteça. Além disso, garantir a valorização dos cirurgiões-dentistas e técnicos em saúde bucal.

Nós estamos inclusive na luta nacional pela aprovação do piso salarial dos dentistas para incentivar essa abertura maciça de concursos, para que os profissionais atuem na saúde pública mais felizes, mais valorizados. A saúde bucal deve ser um direito de todos, e não só para quem pode pagar por procedimentos estéticos caríssimos, que é o que está mais aí na moda e o que tem sido falado.

Quero lembrar também que nós temos feito a defesa de que todos os políticos sejam obrigados a usar o SUS e a educação pública, do presidente da República ao vereador. Isso é básico, na minha opinião, para que os investimentos na saúde aumentem e que as pessoas sejam atendidas integralmente em sua saúde.

Foto: Reprodução/Instagram

3) Em um cenário em que mulheres ainda são cobradas a conciliar tudo ao mesmo tempo, o que a experiência de ser mãe muda na forma como você pensa o trabalho, cuidado, Estado e direitos sociais?

Sim, a sobrecarga de nós, mulheres trabalhadoras, mães, a dupla, tripla jornada imposta a nós, é na maioria das vezes um grande empecilho para as mulheres não se colocarem nos espaços de poder e de decisão política. Nós, mulheres, somos convencidas de que temos que dar conta de tudo sozinhas: da casa, do cuidado com os filhos, da comida, da roupa, da escola, da saúde, e ainda ser uma trabalhadora formal ou informal ganhando muito pouco e administrando as finanças da casa para que a família viva bem. 

Além do peso físico, a sobrecarga mental é muito grande. Quando nos tornamos mães, o nosso objetivo é garantir que a vida dos nossos filhos seja a melhor possível, e no sistema capitalista isso é impossível porque o bem-estar das pessoas não está em primeiro lugar; é tudo pensado para o lucro, e os direitos e serviços essenciais viram mercadoria. Então a moradia, o transporte, a alimentação, tudo vira uma mercadoria. E na lógica do Estado, ou se privilegia o bem-estar das pessoas e suas necessidades fundamentais, ou se prioriza o lucro da classe dominante. Os grandes empresários, o agronegócio, os banqueiros, os especuladores… não dá para atender os dois lados e achar que vai dar para conciliar essas classes.

Nós, da Unidade Popular, defendemos que a vida está em primeiro lugar e que a lógica capitalista, que tem o capital, o lucro como principal, deve ser destruída e construída em seu lugar uma sociedade socialista em que o social esteja no centro. Que um país que tanto produz beneficie o seu povo, e não a exportação com alto custo, que é a destruição do meio ambiente e dos nossos territórios.

É importante lembrar também que, no socialismo, as mulheres sempre foram prioridade. O Estado deve servir para nos libertar do trabalho doméstico, das jornadas extras, e garantir que nós, mulheres, possamos ser livres para viver. Isso sim é ser radical, é ser revolucionário, ou seja, resolver o mal pela raiz de fato.

Foto: Reprodução/Instagram

4) Uma das principais queixas da população brasileira hoje é o preço dos alimentos, levando muitos ao endividamento com parcelamentos feitos nos mercados. Na sua opinião, como a Unidade Popular se diferencia das outras candidaturas para pensar a economia, emprego e renda?

A diferença é que o nosso programa não se propõe a reformar o capitalismo, mas a construir o socialismo. A minha pré-candidatura apresenta a proposta de aumentar em 100% o salário mínimo, congelar o preço dos alimentos, vinculado ao controle de toda a cadeia produtiva de alimentos — a produção, a distribuição, o estoque —, com o início de uma profunda reforma agrária. Hoje as famílias brasileiras se endividam até para fazer as compras do mês. Quase 81% das famílias possuem algum tipo de dívida, e isso significa quase 82 milhões de pessoas inadimplentes. É metade da população adulta. As pessoas estão endividadas com cartão de crédito, com crediário, com empréstimos pessoais. Essas são as principais formas de endividamento, e isso se deve justamente ao desemprego, aos baixos salários, aos preços dos alimentos, aos aluguéis cada vez mais caros. Então, a solução não é distribuir mais crédito, garantir mais crédito, inclusive vinculado ao uso do FGTS das pessoas, etc. É necessário priorizar a soberania alimentar do povo, planificar a economia e acabar com a anarquia que é a produção, bem como revogar o arcabouço fiscal que limita o índice de reajuste salarial. Isso é determinante.

Foto: Reprodução/Instagram

5) A violência contra meninas e mulheres tem sido um grande foco de debate com o grande aumento das ocorrências neste ano. Quais medidas você tem estudado para prevenir as vítimas?

São quatro mulheres vítimas de feminicídio por dia. A cada 6 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil; aumenta a violência de todos os tipos contra as mulheres. E é uma realidade alarmante num Brasil que ainda inferioriza mulheres e as retira dos espaços de poder. Por isso, nossa pré-candidatura propõe garantir um programa de formação sobre violência de gênero desde o ciclo básico nas escolas. É preciso educar as crianças, os adolescentes, os jovens, fomentar uma educação não sexista, que não inferiorize as mulheres.

Além disso, criar casas de referência para as mulheres em situação de violência, mas também de prevenção à violência para apoio psicológico, jurídico, político, a exemplo das casas de ocupações que o movimento de mulheres tem realizado, que é o movimento do qual eu faço parte, o Movimento de Mulheres Olga Benário; assim como garantir mais casas-abrigo e delegacias 24 horas, que são pouquíssimas nas cidades e nos estados, preparadas para atender as mulheres, para que não violentem novamente essas mulheres.

Porque diante dos fatos de violência, de feminicídio, é preciso endurecer as punições, as penas para práticas de violência contra as mulheres, os crimes de feminicídio, mas a misoginia também deve ser punida. Garantia de igualdade salarial, garantia de emprego, para que nenhuma mulher tenha que se manter numa relação abusiva e violenta devido a uma dependência financeira. É inadmissível que isso ainda aconteça, reforçando que uma parte das demissões acontece por conta da maternidade, e isso é uma forma de misoginia estrutural.

Muitas mulheres são demitidas até 2 anos após terem seus bebês em consequência da maternidade, ou sofrem outras punições no local de trabalho no retorno das licenças. Mas é importante lembrar que a opressão às mulheres também é fruto do capitalismo, que precisa desse mecanismo de violência para justificar a exploração de um ser humano por outro, que precisa diminuir, que precisa inferiorizar, que precisa oprimir para explorar ainda mais as mulheres.

No socialismo, as relações entre as pessoas serão diferentes, porque as relações econômicas também serão outras, serão relações de cooperação, não de exploração. O capitalismo precisa da opressão de gênero, da opressão de raça, da LGBTfobia, do capacitismo, da xenofobia para existir e para explorar esses que são considerados menores por esse sistema.

Por isso, ser contra o patriarcado, ser contra o machismo, contra a misoginia ou qualquer tipo de opressão é necessariamente ser contra o sistema capitalista.

Foto: Wildally Souza

6) Considerações finais

Para finalizar, eu queria pedir a todas as pessoas que têm gostado das nossas propostas que possam nos seguir nas mídias digitais, compartilhar os nossos conteúdos com os familiares, com os amigos, participar da nossa vaquinha pela internet — e, se puderem, divulgar o link no final da entrevista — nos ajudar a sermos mais conhecidos. Tentam nos esconder, mas a gente tem tentado quebrar esse bloqueio. A gente pode ir muito longe esse ano. Nós estamos na disputa e, mesmo com toda a desigualdade, nós podemos vencer, porque se o nosso povo estiver convencido, estiver consciente, pode tudo, inclusive mudar as figuras que estão no poder, que exercem o poder no nosso país.

Dados contradizem críticas de Luciano Huck ao Bolsa Família e expõe desconhecimento sobre programas sociais no Brasil

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Foto: Divulgação

As críticas do apresentador Luciano Huck ao Bolsa Família, que viralizaram nas redes sociais, abriram espaço para um debate histórico acerca dos preconceitos construídos em torno de um dos maiores programas de transferência de renda existentes no Brasil.

Durante comentário sobre o município de Senhor do Bonfim, na Bahia, em participação no 5º Fórum Esfera, Huck afirmou no último sábado (23): “Ao concentrar 56% da sua economia no Bolsa Família, você não gera nenhum estímulo para elas saírem. Na verdade, elas queriam um monte de atalhos para conseguir ficar no programa ‘ad aeternum’”.

Após a repercussão negativa da fala, o apresentador se pronunciou através das redes sociais no domingo (24), afirmando que sua declaração havia sido retirada de contexto e alegando manter um posicionamento favorável a programas sociais. O caso evidencia a persistência de discursos que associam pobreza à acomodação e revela desconhecimento sobre economia e vulnerabilidade social, ignorando fatores históricos e estruturais relacionados à desigualdade, emprego e distribuição de renda no Brasil.

Dados da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, indicam que 2.069.776 famílias deixaram o Bolsa Família entre janeiro e outubro de 2025 após aumento da renda familiar, seja pela conquista de um emprego formal ou pela abertura do próprio negócio.

Desse total, cerca de 1,3 milhão de famílias deixaram o programa por superarem o limite de renda estabelecido, enquanto aproximadamente 727 mil concluíram o período da chamada “regra de proteção”, mecanismo que garante metade do benefício por até 12 meses após o aumento da renda per capita familiar.

A medida existe justamente para evitar que famílias retornem à extrema pobreza diante da perda de emprego ou da instabilidade financeira, realidade comum entre trabalhadores brasileiros. O levantamento também aponta que o número de pessoas que optam por permanecer exclusivamente dependentes do benefício representa uma parcela mínima entre os beneficiários. Em abril deste ano, o valor médio pago pelo programa a 18,9 milhões de famílias foi de R$ 678,22.

Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas mostra que, de cada dez pessoas que recebiam o Bolsa Família em 2014, seis conseguiram deixar o programa nos dez anos seguintes. A pesquisa também destaca que a garantia de uma renda mínima foi fundamental para ampliar o acesso das famílias à educação, alimentação e estabilidade financeira, criando condições favoráveis ao empreendedorismo, ao ingresso na universidade e ao mercado de trabalho formal.

Vale ressaltar que o programa possui critérios ligados à frequência escolar e à vacinação, fatores que contribuem diretamente para a melhoria da qualidade de vida e para a redução das desigualdades sociais. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro foi de 5,8%, a menor para o período desde 2012.

A repercussão das falas de Luciano Huck revela o cenário em que a pobreza ainda é enxergada no Brasil, onde programas sociais persistem sendo tratados sob a ótica da desconfiança e atravessados pelo discurso da meritocracia, especialmente quando direcionados à população pobre, negra e periférica. O episódio demonstra como políticas de assistência social ainda enfrentam resistência em uma sociedade acostumada a questionar direitos básicos quando eles alcançam as camadas mais vulneráveis da população.

PowerList Mundo Negro 2026: indicações encerram amanhã

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Foto: divulgação

As indicações para a PowerList Mundo Negro 2026 encerram amanhã, dia 26 de maio, à meia-noite. A premiação, que já soma mais de 3.500 votos e 600 mulheres negras indicadas desde a abertura no dia 12 de maio, chega ao fim da primeira fase com números que mostram o quanto a comunidade negra brasileira abraçou esse movimento. Ainda dá tempo de indicar ou se autoindicar, e cada voto conta.

O que é a PowerList

Em sua 5ª edição, a PowerList Mundo Negro se consolida como a principal premiação dedicada exclusivamente a mulheres negras no Brasil. A cada edição, a premiação homenageia 10 mulheres, uma em cada categoria, escolhidas em duas frentes complementares: cinco por voto popular, em que a comunidade indica e elege as homenageadas, e cinco por curadoria técnica, definidas por um júri especializado convidado pelo Mundo Negro. A cerimônia acontece no dia 31 de julho, dentro do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro, com patrocínio do Grupo L’Oréal, por meio do grupo de afinidade negra AfroSoul, e da TV Globo, que assina a parceria com a novela A Nobreza do Amor.

“Chegamos ao quinto ano do principal evento do Mundo Negro, que tem 27 anos de história. Com L’Oréal e Globo presentes, podemos sonhar ainda mais alto e fazer do Julho das Pretas uma grande celebração”, afirma Silvia Nascimento, CEO e Head de Conteúdo do Mundo Negro.

As categorias

São cinco categorias abertas ao voto popular com indicações encerrando amanhã: Criadora Digital, para mulheres negras que produzem conteúdo autoral e consistente nas plataformas digitais; Empreendedora do Ano, para fundadoras, cofundadoras, sócias ou gestoras à frente de negócios com operação real e impacto comprovado; Profissional da Beleza, para cabeleireiras, trancistas, maquiadoras, manicures e esteticistas negras; Destaque em Gastronomia, para chefs, cozinheiras, quituteiras, confeiteiras, doceiras, padeiras e gestoras de negócios de alimentação; e Profissional da Moda, para estilistas, costureiras, designers, consultoras de imagem, modelistas, bordadeiras e demais profissionais que reinventam estilos e tendências. As outras cinco categorias, definidas por curadoria técnica, são Ciência, Tecnologia e Inovação, Liderança Corporativa, Diversidade e Impacto Social, Cultura, Artes e Entretenimento e Trajetória Transformadora.

A novidade da autoindicação

Pela primeira vez na história da premiação, mulheres negras podem se inscrever diretamente em qualquer uma das categorias de voto popular, em um movimento que reforça o protagonismo e o reconhecimento próprio como atos políticos de afirmação. Quem optar pela autoindicação responde a duas perguntas: uma descrição do trabalho profissional e das conquistas mais impactantes nos últimos 12 a 18 meses, e a justificativa de por que merece estar na PowerList 2026.

Como indicar

O processo é totalmente online e simples. Acesse powerlist.mundonegro.inf.br/votar, selecione a categoria, indique o nome da profissional ou inscreva o seu próprio trabalho, informe seu e-mail e confirme. As indicações encerram amanhã, dia 26 de maio, à meia-noite. Na sequência, a curadoria consolida o Top 5 de cada categoria entre os dias 27 e 29 de maio, a votação final abre no dia 30 de maio e segue até 22 de junho, quando as homenageadas são definidas antes de subirem ao palco no dia 31 de julho.

Indique ou se autoindique até amanhã em: powerlist.mundonegro.inf.br/votar

Enquanto EUA faturam com Oprah, Shonda e Issa, streaming no Brasil só escolhe homens brancos como showrunners, aponta Luh Maza

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Foto: Cleber Correa

“O mercado americano entendeu há muito tempo que mulheres negras não produzem só o commodity da representatividade. Nós produzimos linguagem, audiência, franquias, dinheiro”. A cineasta, roteirista e diretora Luh Maza desabafou sobre um grande incômodo na indústria do streaming nacional: as plataformas continuam excluindo mulheres negras e pessoas trans dos cargos de showrunner (liderança criativa e de gerenciamento de séries) e dão as costas para o modelo de sucesso bilionário dos Estados Unidos. 

Roteirista de sucessos dos streamings como ‘Os Quatro da Candelária’ e ‘Da Ponte Pra Lá’, Maza utiliza a própria história das matrizes norte-americanas dessas plataformas para expor o atraso do mercado brasileiro. Nos EUA, nomes que moldaram a história da televisão e do streaming são mulheres negras que ditaram — e ainda ditam — regras de mercado, audiência e faturamento.

A cineasta relembra referências incontestáveis que provam o valor comercial e cultural de ter narrativas diversas chefiadas por quem as vivencia:

  • Shonda Rhimes: Uma das maiores e mais lucrativas showrunners da história da TV mundial.
  • Oprah Winfrey: Pioneira que desbravou a função e fundou impérios de mídia.
  • Issa Rae, Michaela Coel e Lena Waithe: Roteiristas e criadoras contemporâneas que transformaram a cultura pop global e geram franquias de sucesso.
  • Janet Mock: A primeira mulher trans e negra a ocupar o cargo de showrunner e diretora na TV americana.

Enquanto a indústria global fatura alto apostando na genialidade dessas mulheres, Maza aponta que, no Brasil — um país de maioria negra e majoritariamente composto por mulheres —, o cenário é de completo apagamento. “Nós não temos sequer acesso real à possibilidade de contar as nossas histórias, porque os nossos projetos já chegam tortos para essas executivas”, afirma.

A crítica de Luh Maza toca em um ponto sensível sobre a divisão do poder no audiovisual brasileiro. Ela chama a atenção para o fato de que a maior parte das cadeiras de tomada de decisão nas plataformas é ocupada por mulheres brancas. No entanto, a escolha delas para a liderança criativa recai quase sempre sobre o mesmo perfil.

“A maioria esmagadora dos showrunners, que são os líderes criativos das séries que elas escolhem, são homens — homens brancos e cisgêneros”, pontua a diretora. “Até a proporção de mulheres brancas nessa função é irrisória. Mulheres negras, nenhuma. Mulheres negras e trans, menos ainda.”

Diante dessa barreira, a cineasta questiona diretamente a postura das profissionais brancas que gerenciam esses fundos de produção. “Eu não sei se elas não entenderam qual deveria ser as suas funções ou se estão exercendo exatamente o papel para o que foi designado a elas, agindo como se fossem porteiras de um prédio de alto padrão, julgando quem pode entrar, quem pode permanecer e quem ameaça demais o ambiente do edifício”, desabafa Maza.

A diretora sublinha que a branquitude que lidera esses processos é diretamente responsável pelo estado criativo, financeiro e psicológico das profissionais negras e trans que tentam sobreviver no mercado. Ela deixa, ainda, um alerta sobre a volatilidade dos cargos corporativos: “Vocês são funcionárias, não as donas dessa cobertura. E na dança das cadeiras da indústria, uma hora também vai faltar para vocês se sentarem.”

Ao revelar que sua trajetória é marcada por histórias absurdas de constrangimento, manipulação e apagamento — “como se o lugar reservado para mim já estivesse delimitado antes mesmo de eu chegar” —, Luh Maza enfatizou que começará a expor essas vivências publicamente.

O objetivo, segundo ela, é mostrar que o problema não é uma insatisfação individual, mas sim uma engrenagem estrutural que sabota o progresso de profissionais negros. Ao abrir o canal para que outras pessoas compartilhem suas experiências, a cineasta convoca o mercado a romper a demagogia e as desculpas.

Mês dos Namorados: Embaixada Preta faz evento para quem busca conexões fora dos apps

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Imagem gerada por IA

O evento Date My Mate chega em junho à Embaixada Preta, em São Paulo, propondo transformar apresentações entre amigos em experiências autênticas de conexão, sendo uma alternativa aos aplicativos de namoro e às dinâmicas cada vez mais automatizadas.

Idealizado por Daniela Benoit, responsável pelo movimento de netweaving Connecting Brains, o evento promove encontros presenciais e apresentações entre amigos, buscando incentivar conexões construídas fora dos algoritmos.

O Date My Mate transforma a paquera em uma experiência coletiva de forma leve e bem-humorada. Durante o evento, participantes sobem ao palco para apresentar amigos solteiros, compartilhando suas histórias e curiosidades por meio de criativas apresentações em PowerPoint diante de uma plateia aberta à possibilidade de encontrar um novo amor.

A dinâmica inovadora resgata o encontro presencial como experiência social e afetiva em meio ao desgaste provocado pelos aplicativos de relacionamento. Em vez de perfis robotizados e cuidadosamente montados para plataformas digitais, o projeto cria espaço para interações verdadeiras e espontâneas, apostando em trocas genuínas entre os participantes.

A escolha da Embaixada Preta como sede desta edição, em uma localização estratégica no centro de São Paulo, reforça a proposta do evento. O espaço tornou-se referência na cidade ao reunir iniciativas voltadas à arte, cultura, inovação, empreendedorismo e impacto social, sendo um importante ponto de encontro criativo e comunitário.

A proposta do evento parte de uma provocação simples: “Cansou de ouvir seu amigo reclamar que não encontra ninguém? Então talvez esteja na hora de você resolver isso pessoalmente.”

Os participantes podem assistir às apresentações ou subir ao palco para apresentar um amigo solteiro, com criatividade, respeito e bom humor.

O evento ocorre no dia 11 de junho, na Embaixada Preta, localizada na Avenida Nove de Julho, 50, em São Paulo. Os ingressos podem ser adquiridos pela plataforma Sympla.

Lupita Nyong´o reage a ataques racistas ao ser escalada para interpretar Helena de Tróia em “ A ODISSEIA”

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Foto: Revista Elle / Norman Jean Roy

A atriz Lupita Nyong’o reagiu publicamente às críticas racistas que recebeu ao ser escolhida para interpretar a personagem Helena de Tróia, na adaptação de Christopher Nolan do clássico poema grego de Homero, The Odyssey, que chega aos cinemas brasileiros em 16 de julho. A produção cinematográfica é uma das estreias mais aguardadas do ano e reúne em seu elenco nomes como Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Robert Pattinson e Zendaya.

Nyong’o interpreta simultaneamente Helena, a mulher cuja beleza foi o estopim da Guerra de Tróia, e sua irmã, Clitemnestra. Desde o anúncio, a escolha da atriz para viver uma das personagens mais emblemáticas da mitologia grega gerou uma onda de comentários racistas nas redes sociais, entre eles o do comentarista Matt Walsh, que afirmou que “ninguém no planeta realmente acha que Lupita Nyong’o é a mulher mais bonita do mundo” e acusou Nolan de ser “covarde” por não escalar uma atriz branca para o papel.

O bilionário Elon Musk também repercutiu as críticas e chegou a declarar que Nolan “perdeu sua integridade” ao escolher Lupita para integrar o elenco do longa, afirmando ainda que o diretor estaria mais preocupado com premiações do que com a fidelidade estética da personagem.

Lupita rebateu as críticas e defendeu a proposta artística do filme. “Esta é uma história mitológica. Eu apoio muito a intenção de Chris com isso e com a versão dessa história que ele está contando. Nosso elenco representa o mundo. Não vou gastar meu tempo pensando em uma defesa. As críticas existirão quer eu responda a elas ou não”, declarou à revista americana Elle.

Lupita afirmou que trabalhar com o diretor premiado lhe permitiu explorar novas interpretações acerca da personagem e ressaltou a importância da diversidade do elenco na construção da obra cinematográfica.

Outros nomes do elenco também passaram a ser alvo de ataques nas redes sociais. O rapper Travis Scott e o ator Elliot Page receberam comentários racistas e transfóbicos, embora seus papéis no filme ainda não tenham sido revelados.

PowerList Mundo Negro 2026 bate 3.500 votos e 600 indicadas em menos de duas semanas

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Foto: divulgação

A PowerList Mundo Negro 2026 chegou à sua 5ª edição com números que mostram o quanto a premiação cresceu na consciência da comunidade negra brasileira. Em menos de duas semanas desde a abertura das indicações, no dia 12 de maio, mais de 3.500 votos foram registrados e 600 mulheres negras já foram indicadas nas cinco categorias de voto popular, um resultado que reforça o papel da premiação como o principal espaço de reconhecimento de mulheres negras no Brasil.

A cerimônia acontece no dia 31 de julho, dentro do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro. A edição conta com o patrocínio do Grupo L’Oréal, por meio do grupo de afinidade negra AfroSoul, e da TV Globo, que assina a parceria com a novela A Nobreza do Amor. A cada edição, a premiação homenageia 10 mulheres negras, uma em cada categoria, escolhidas em duas frentes: cinco por voto popular e cinco por curadoria técnica de um júri especializado.

A grande novidade desta edição é a autoindicação. Pela primeira vez, mulheres negras podem se inscrever diretamente em qualquer uma das categorias de voto popular, em um movimento que coloca o protagonismo e o reconhecimento próprio como atos políticos de afirmação.

“Chegamos ao quinto ano do principal evento do Mundo Negro, que tem 27 anos de história. Com L’Oréal e Globo presentes, podemos sonhar ainda mais alto e fazer do Julho das Pretas uma grande celebração”, afirma Silvia Nascimento, CEO e Head de Conteúdo do Mundo Negro.

As categorias e as indicações

As cinco categorias abertas ao voto popular são Criadora Digital, Empreendedora do Ano, Profissional da Beleza, Destaque em Gastronomia e Profissional da Moda. As outras cinco, definidas por curadoria técnica, são Ciência, Tecnologia e Inovação, Liderança Corporativa, Diversidade e Impacto Social, Cultura, Artes e Entretenimento e Trajetória Transformadora. As indicações para as categorias populares seguem abertas até o dia 26 de maio, totalmente online, no portal powerlist.mundonegro.inf.br/votar.

Alice Carvalho e Grace Passô estreiam na sexta temporada de ‘Sessão de Terapia’, no Globoplay

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Foto: André Cherri/Tv Globo

A sexta temporada de “Sessão de Terapia”, série Original Globoplay dirigida por Selton Mello, estreia nesta quinta-feira (22) com duas incorporações de peso ao elenco: as atrizes Grace Passô e Alice Carvalho. Cada uma interpreta uma personagem que chega ao consultório do psicanalista Caio Barone por razões distintas, mas igualmente carregadas de complexidade emocional. A temporada libera cinco episódios por semana, sempre às sextas-feiras, e o primeiro episódio estará disponível gratuitamente para não assinantes.

Morena, episódio 2

Alice Carvalho vive Morena, uma dentista metódica e filha única que passou a vida tendo o pai como principal referência afetiva após perder a mãe ainda jovem. O equilíbrio dessa relação foi abalado quando ele recebeu o diagnóstico de Alzheimer, há cerca de três anos, e Morena assumiu sozinha os cuidados. Ela chega ao consultório de Caio Barone diante de uma decisão que a coloca à beira do colapso: internar o pai numa Instituição de Longa Permanência para Idosos ou continuar arcando com tudo sozinha.

Foto: André Cherri/Tv Globo

A autora Jaqueline Vargas destaca a universalidade do drama. “A Morena vive o dilema de ceder o controle e entregar uma pessoa que ama aos cuidados de um profissional de saúde. Diante dessa situação, muitos sentimentos invadem a mente dela, como culpa e medo, especialmente por ela já ser uma pessoa sozinha”, explica. Alice Carvalho descreve a personagem como alguém que desenvolveu mecanismos de defesa para não encarar a própria dor, chegando à terapia com resistência e uma leveza forçada que esconde o quanto está sofrendo. “Na terapia, ela entra num lugar de ser meio gaiata, que eu particularmente adoro, mas que fica um pouco problemático”, afirma a atriz. Selton Mello celebra a escolha. “O público tem visto ela à frente de papéis mais brutos, e eu fiquei muito encantado com a ideia de trazer a Alice para fazer uma personagem que traz uma certa doçura, vivendo um drama”, diz o diretor.

Rosa, episódio 5

Grace Passô ocupa um lugar diferente na narrativa: ela não é paciente, mas supervisora. Rosa Gabriel é psicóloga e psicanalista indicada por Davi, antigo terapeuta de Caio Barone, para acompanhar o processo do protagonista. Nos bastidores de sua própria vida, Rosa enfrenta o esgotamento de ser a única fonte de renda da família desde que o ex-marido saiu de casa, o que adiciona uma camada de humanidade a uma figura que, na superfície, se apresenta como incisiva e pouco acolhedora.

Foto: André Cherri/Tv Globo

O primeiro contato entre Rosa e Caio Barone é marcado por atrito. “Ela possui uma forma singular de trabalhar, aos olhos de Caio Barone, não muito acolhedora. Ela não vai ser amiguinha como Davi foi com o Caio Barone e isso o deixa incomodado num primeiro instante”, descreve Selton Mello. A tensão entre os dois ainda carrega um mistério: ao se deparar com o nome de Caio Barone como possível paciente, Rosa tem a sensação de que o conhece, o que alimenta a ambiguidade da relação ao longo dos episódios. O produtor criativo Roberto d’Avila resume bem a dinâmica. “Diferentemente de um profissional acolhedor, eles começam com um atrito, uma energia um pouco de confronto, mas com uma troca muito interessante de provocação, o que funciona com o Caio Barone”, pontua.

Selton Mello não poupa elogios à atriz. “A Grace é uma atriz extraordinária. Ela é dramaturga, diretora, escritora, ela é uma potência. Para assumir esse papel de imponência, tinha que ser ela”, afirma o diretor. Grace, por sua vez, destaca o comprometimento de Selton com o projeto. “É um projeto que ele abraça com muita força e muito conhecimento, então é muito bom atuar em obras assim”, diz a atriz.

“Sessão de Terapia” é uma série Original Globoplay com produção da Moonshot, direção de Selton Mello, autoria de Jaqueline Vargas e produção criativa de Roberto d’Avila.

Caso Marielle: Por unanimidade, STF torna réus policiais por obstrução de Justiça e associação criminosa

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Fotos: Reprodução/TV Globo e g1

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar réus os policiais Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, Giniton Lages e Marco Antonio de Barros Pinto. A decisão fundamenta-se em denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposta participação em crimes relacionados à investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Os três agentes respondem pelos crimes de associação criminosa e obstrução de Justiça. O julgamento ocorre no plenário virtual do colegiado e segue aberto até a próxima sexta-feira (22).

Segundo a denúncia da PGR, os policiais teriam atuado com o objetivo de dificultar o esclarecimento dos homicídios, ocorridos em março de 2018 no centro do Rio de Janeiro.

O posicionamento que prevaleceu no julgamento foi o do relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes. Em seu voto, Moraes apontou que a PGR descreveu detalhadamente as condutas criminosas atribuídas aos acusados e demonstrou a existência de indícios suficientes para justificar a abertura da ação penal.

O andamento do processo contra os policiais sucede as condenações dos mandantes do crime, ocorridas em fevereiro deste ano pela mesma Primeira Turma do STF. Na ocasião, os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados a 76 anos e 3 meses de prisão pelo planejamento dos assassinatos da parlamentar e de seu motorista. O colegiado também determinou o pagamento de uma indenização de R$ 7 milhões às famílias das vítimas.

No mesmo julgamento de fevereiro, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, foi condenado a 18 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça. Outros dois acusados também receberam penas privativas de liberdade por participação no duplo homicídio e na organização criminosa.

Rosana Paulino: a artista negra brasileira destaque na Bienal de Veneza

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Foto: Divulgação

Rosana Paulino comanda o pavilhão do Brasil na 61ª edição da Bienal de Veneza, que ocorre de maio a 22 de novembro de 2026, ao lado de Adriana Varejão. Neste ano, o pavilhão brasileiro é composto apenas por mulheres, sob curadoria de Diane Lima, primeira mulher negra a assumir o cargo na mostra.

A exposição intitulada “Comigo Ninguém Pode”, em referência à planta popularmente associada à proteção, reúne obras das artistas que há mais de três décadas pesquisam, por diferentes linguagens, as marcas deixadas pelo imperialismo e pela discriminação racial na formação do Brasil.

Entre os destaques apresentados por Paulino está a obra “Arácnis”, instalação em que estruturas de ferro semelhantes a teias carregam rostos de pessoas escravizadas, além de trabalhos inéditos produzidos especialmente para a Bienal.

“É uma oportunidade de discutir a formação do país de uma maneira sofisticada, apresentando para o mundo, junto com a Varejão, um Brasil diferente, que muita gente não sabe que existe e que é fortemente marcado pela questão negra e pela relação com a natureza”, afirmou Paulino à imprensa.

A artista fruto do relacionamento entre um pintor de paredes e de uma faxineira, consolidou sua presença internacional com exposições em cidades como Buenos Aires, Bruxelas e Nova York, além de ter obras incorporadas aos acervos da Tate Modern, em Londres, e do Museum of Modern Art, em Nova York. Paulino também recebeu reconhecimentos como o Munch Award, que a destacou como uma das principais vozes do feminismo negro contemporâneo.

Natural da Freguesia do Ó, na Zona Norte de São Paulo, Paulino cresceu em um bairro que, na época, ainda preservava características rurais. A mãe criava galinhas e mantinha uma horta, enquanto o pai descarregava caminhões de açúcar até aprender o ofício de pintor. Já a mãe trabalhou grande parte da vida como faxineira e complementava a renda da família com bordados.

A infância foi marcada por brincadeiras na rua e contato com a natureza, experiências que refletiram em sua obra décadas depois. Apaixonada por biologia, a artista juntava dinheiro para assinar revistas científicas ainda adolescente, ao mesmo tempo em que descobria no desenho e na criação manual outra forma de interpretar o mundo.

Aos 15 anos, incentivada pela mãe, Rosana Paulino ingressou em um curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Anos depois, escolheu artes visuais na Universidade de São Paulo após ser aprovada também em biologia na Universidade Estadual de Campinas. A artista seguiu a trajetória acadêmica até o doutorado na USP e posteriormente se especializou em gravura no London Print Studio, em Londres, com bolsa da Capes.

A presença de Paulino na Bienal de Veneza não é inédita. Em 2022, ela participou da mostra principal a convite da curadoria internacional. Desde então, seu reconhecimento fora do Brasil cresceu exponencialmente, gerando convites de universidades e instituições estrangeiras para lecionar fora do país. Ainda assim, a artista escolheu permanecer na Zona Norte paulistana.

Seu ateliê funciona em Pirituba, em uma casa de três andares cercada por árvores, luz natural e uma praça frequentada diariamente pela população local. Foi ali também que a artista decidiu construir outro projeto: transformar uma casa em frente ao ateliê em um centro de pesquisas voltado para estudantes e jovens artistas.

O espaço deve reunir uma biblioteca especializada em arte, diáspora africana, questões afro-brasileiras e produções intelectuais da América Latina, Ásia e Oriente Médio, visando romper com formações artísticas eurocêntricas e norte-americanas.

“Não acredito em fazer dinheiro e sair do país, ou em fazer dinheiro e sumir da minha região”, declarou à imprensa.

A história de vida e a trajetória de Rosana Paulino no cenário internacional são um espelho do potencial social e educacional da arte brasileira contemporânea. A curiosidade estrangeira representa uma consequência da dimensão de sua produção artística. Sua presença no pavilhão brasileiro em Veneza evidencia um país que olha para o próprio legado ancestral.

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