Home Blog Page 7

“Garota do Momento”é indicada ao Emmy Internacional

0
Elenco de "Garota do Momento"
Foto: TV Globo

A história de Beatriz, personagem interpretada por Duda Santos em Garota do Momento, ganhou mais um capítulo internacional. A novela de Alessandra Poggi foi indicada ao Emmy Internacional 2026, na categoria Telenovela. A lista de indicados foi divulgada nesta quarta-feira (23) pela Academia Internacional de Artes e Ciências Televisivas.

A indicação acontece na 54ª edição do Emmy Internacional, que reúne 64 indicados em 16 categorias, representando produções de 22 países. Os vencedores serão anunciados em 23 de novembro, durante a cerimônia de gala realizada em Nova York, nos Estados Unidos.

Globo recebe cinco indicações

Além de Garota do Momento, a Globo aparece em outras quatro categorias da premiação. Ao todo, são cinco indicações:

  • Telenovela: Garota do Momento
  • Atualidades: Profissão Repórter: Feminicídio
  • Notícias: Fantástico: Retorno à Terra Yanomami
  • Série de curta duração: Jornada da Vida: Rio Mekong
  • Infantil: Factual e Entretenimento: Terceirão – Um ano, quatro vidas

As produções brasileiras estão entre os trabalhos selecionados pela Academia Internacional para a edição deste ano. Exibida pela Globo entre 2024 e 2025, a trama concorre com as produções turcas Leyla e Uzak Sehir, além da espanhola Valle Salvaje – 2ª temporada. 

Na novela, Duda Santos interpreta Beatriz, uma jovem que busca reencontrar a mãe, Clarice, interpretada por Carol Castro, depois de acreditar durante anos que havia sido abandonada por ela. Criada pela avó, Carmen, vivida por Solange Couto, a personagem constrói sua própria trajetória enquanto enfrenta os conflitos sociais e raciais presentes no Brasil dos anos 1950.

Beatriz no centro da trama

Produzida pelos Estúdios Globo, criada e escrita por Alessandra Poggi, com direção artística de Natália Grimberg e produção de Juliana Castro, Garota do Momento foi exibida na faixa das 18h entre 2024 e 2025.

A novela acompanha Beatriz, interpretada por Duda Santos, uma jovem que deixa Petrópolis em busca da mãe, Clarice (Carol Castro), no Rio de Janeiro. Ao chegar à capital, ela descobre uma série de informações ocultadas sobre sua própria história e passa a reconstruir sua identidade e sua relação com a família.

Ambientada no Brasil dos anos 1950, a trama articula romance, humor e melodrama com discussões sociais e acompanha transformações culturais do período a partir de universos como publicidade, televisão, música e moda.

A personagem de Duda Santos ocupa o centro dessa narrativa como uma jovem que constrói sua trajetória em meio às relações familiares e às tensões raciais presentes naquele contexto histórico.

Reconhecimento internacional

Para a diretora artística Natália Grimberg, a indicação reconhece o trabalho desenvolvido por toda a equipe da novela.

“Eu tô muito feliz que Garota do Momento teve esse reconhecimento. A gente sempre falou que era uma fábula de esperança. E é isso mesmo, foi uma novela que jogou luz a um tema muito importante, no protagonismo pra essa menina que podia mudar realmente a visão do país, trazendo toda uma força e ao mesmo tempo uma alegria”, afirmou.

A autora Alessandra Poggi também celebrou a indicação e destacou o trabalho coletivo realizado durante a produção.

“Garota do Momento fez história por apresentar um recorte de um tema pouco abordado com protagonismo numa novela. A ideia era mostrar um Brasil que poderia ter sido e provocar uma reflexão: que país seríamos hoje se setenta anos atrás tivéssemos vencido tantos preconceitos?”, afirmou. 

Duda Santos celebra indicação

Nas redes sociais, Duda Santos compartilhou o momento em que recebeu a notícia da indicação e voltou a publicar o vídeo de seu monólogo como Beatriz no último capítulo da novela.

O reconhecimento internacional chega depois de outros prêmios e indicações para a produção. Em 2025, Garota do Momento venceu o prêmio de Melhor Telenovela Romântica no Prêmios PRODU e também recebeu indicações no Seoul International Drama Awards, incluindo uma para Duda Santos na categoria de Melhor Atriz.

O resultado será anunciado em 23 de novembro, em Nova York.

Anok Yai retorna à Victoria’s Secret em 2026 após cirurgia

0
Anok Yai na passarela da VSFS 2025
Foto: Getty

Supermodelo egípcia retorna a passarela do Victoria ‘s Secret Fashion Show em outubro, depois de ser eleita Modelo do Ano de 2025 e passar por uma cirurgia cardíaca e pulmonar. 

Anok Yai está de volta à passarela da Victoria’s Secret. A supermodelo teve seu retorno ao Victoria’s Secret Fashion Show confirmado nesta terça-feira (22). O desfile acontece em 18 de outubro, em Los Angeles, nos Estados Unidos, e marca a terceira participação consecutiva da modelo no evento.

Aos 28 anos, poucas trajetórias na moda contemporânea reúnem tantos marcos em um espaço de tempo tão curto quanto a de Anok Yai. Nascida no Cairo, em 1997, filha de pais sudaneses que deixaram o país em meio aos conflitos, ela cresceu em Manchester, no estado de New Hampshire, nos Estados Unidos. Antes da moda, o plano era estudar bioquímica e se tornar médica. 

Em 2017, durante um evento da Howard University, uma fotografia feita por um fotógrafo de rua ganhou repercussão nas redes sociais e abriu caminho para sua entrada na indústria da moda. Desde então, a modelo construiu uma carreira marcada por campanhas, capas e desfiles para algumas das principais grifes do mundo, além de se tornar a segunda modelo negra a abrir um desfile da Prada, depois de Naomi Campbell. 

Anok se consolidou como um dos grandes nomes da moda contemporânea. Em 2025, ela foi eleita Modelo do Ano pelo The Fashion Awards, reconhecimento que veio após uma sequência de trabalhos de destaque nas principais passarelas internacionais.

O retorno ao Victoria’s Secret Fashion Show acontece em um momento de celebração de sua trajetória, após um período dedicado à recuperação da saúde. 

Anok Yai fala sobre recuperação após cirurgia

Em dezembro de 2025, Anok revelou nas redes sociais que havia passado por uma cirurgia para tratar uma anomalia congênita que afetava seu coração e seus pulmões. Segundo a modelo, a condição permaneceu assintomática durante boa parte de sua vida, mas posteriormente passou a provocar sintomas como tosse persistente, dores no peito, tosse com sangue e dificuldades para respirar.

Na ocasião, Anok compartilhou registros do período em que esteve internada e falou sobre a decisão de interromper a rotina de trabalho para cuidar da saúde.

“Sempre achei que poderia superar qualquer coisa com trabalho ou corrida, mas o universo tem um jeito de nos fazer parar e nos despertar”, afirmou.

Do quilombo à agricultura familiar: 6 negócios para conhecer no Dia do Sorvete

0
Gabriela Sales comanda a Doce Sereia, em Natal/Foto: Reprodução/Redes sociais

Empreendedores negros transformam ingredientes brasileiros, memórias afetivas e técnicas gastronômicas em sabores que vão muito além dos tradicionais chocolate, morango e creme

O sorvete ganha novos significados quando ingredientes, territórios e histórias de vida entram na receita. De uma criação inspirada nas casas de farinha de um quilombo no Ceará a uma gelateria que aposta em frutas regionais em Natal, empreendedores de diferentes regiões do Brasil têm transformado a sobremesa gelada em um espaço de criatividade, identidade e negócio.

No Dia do Sorvete, celebrado nesta quarta-feira (23), o Mundo Negro reúne seis estabelecimentos e projetos que ajudam a mostrar essa diversidade: Sorvete Caetanos, no Ceará; Gelado do Campo, em São Paulo; Lumi Creamy, também na capital paulista; Dois Tons Gelateria Artesanal, em Pernambuco; e Doce Sereia, no Rio Grande do Norte.

Caetanos – Ceará

Em Tururu, no Ceará, o gastrólogo e quilombola Joélho Caetano encontrou nas tradições alimentares de sua comunidade a inspiração para criar um sorvete de mandioca. Morador do Quilombo de Conceição dos Caetanos, ele desenvolveu o chamado Sorvete de Farinhada, que nasceu de uma pesquisa sobre a cultura alimentar do território.

A receita é feita à base de mandioca e não leva conservantes ou ingredientes industrializados. Para finalizar, recebe uma farofa doce preparada com farinha, coco, rapadura e manteiga de garrafa, elementos associados à tradição das casas de farinha da comunidade. 

O projeto foi desenvolvido durante o Laboratório de Criação em Cultura Alimentar e Gastronomia da Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco, no Ceará. Mais do que uma nova combinação de sabores, a proposta de Joélho é utilizar a gastronomia como ferramenta de valorização dos saberes e práticas alimentares quilombolas.

A Caetanos Gelateria funciona em Conceição, no município de Tururu, e mantém a conexão entre o negócio e o território onde a receita foi criada.

Endereço: R. Telemar 625, Conceição dos Caetanos, Tururu-CE 

Gelado do Campo – São Paulo

Na Barra Funda, em São Paulo, o chef glacier Francisco Sant’Ana se uniu ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para criar a Gelado do Campo. A sorveteria foi inaugurada em maio de 2026, depois de quatro anos de parceria entre o movimento e a Escola Sorvete, comandada por Sant’Ana.

A proposta é trabalhar com ingredientes provenientes de assentamentos da Reforma Agrária, especialmente frutas da agricultura familiar. O cardápio é sazonal e inclui sabores como castanha de caju, pingado, nata com goiabada, abacaxi com capim-santo e limão com cidreira. Além dos sorvetes, o espaço vende cafés, sucos, doces, salgados e sanduíches.

Francisco Sant’Ana é chef glacier e fundador da Escola Sorvete, criada em 2015. Especialista em sorvetes artesanais, ele estudou na França e na Espanha e também foi professor da Carpigiani Gelato University, na Itália. Ao longo da carreira, participou de projetos de sorveterias no Brasil e no exterior.

A Gelado do Campo está instalada na Rua Brigadeiro Galvão, 130, na Barra Funda, e funciona de terça a domingo.

Lumi Creamy – São Paulo

Antes de ter duas lojas em São Paulo, Fabrício Luminato começou vendendo seus sorvetes em um isopor no Beco do Batman, na Vila Madalena. O confeiteiro, natural de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, comprou uma máquina durante a pandemia e passou a produzir os próprios sorvetes em casa.

A trajetória começou antes, com a venda de brownies em eventos de rap no Rio de Janeiro. Depois, Fabrício passou pela Gastromotiva e pelo Copacabana Palace e trabalhou como confeiteiro em São Paulo. Foi nesse período que criou um sorvete de manteiga de garrafa, receita que posteriormente se tornou uma das marcas de seu trabalho.

A primeira loja da Lumi Creamy foi aberta em 2024, em um espaço de apenas 7 metros quadrados no Beco do Batman. Atualmente, a marca também possui uma unidade na região da República, onde funciona a fábrica.

O cardápio aposta em combinações pouco convencionais. Entre as criações estão requeijão com bolo de rolo, manteiga de garrafa com doce de leite, chocolate com coentro, maçã do amor e “não é pistache”, feito com sementes de abóbora tostadas. Também há sabores como baunilha do Cerrado com flor-clitória.

A história da Lumi também ganhou destaque pelo caminho percorrido por Fabrício, que saiu das vendas ambulantes para transformar a produção artesanal em uma marca com duas unidades.

Dois Tons – Recife e Olinda

Em Pernambuco, Michelle Nascimento está à frente da Dois Tons Gelateria Artesanal, negócio que nasceu em meio à pandemia e hoje possui unidades em Recife e Olinda.

Criada na periferia de Jaboatão dos Guararapes, Michelle identificou uma oportunidade quando uma gelateria de Minas Gerais estava encerrando as atividades. Em 2020, comprou os equipamentos da empresa e começou a estruturar o próprio negócio. A primeira unidade da Dois Tons foi inaugurada em março de 2021, na Praça de Casa Forte, no Recife.

A expansão veio nos anos seguintes. Em 2022, a marca abriu um quiosque no Shopping Patteo Olinda. Em 2024, chegou ao RioMar Recife e, posteriormente, inaugurou uma segunda unidade na Zona Norte do Recife, no bairro do Espinheiro.

Em 2025, Michelle recebeu o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na categoria Pequenos Negócios, representando Pernambuco. Atualmente, entre os sabores destacados pela marca estão pistache, cheesecake de frutas vermelhas e doce de leite.

A história da Dois Tons combina a formação de uma empreendedora que veio da periferia com a construção de uma empresa que passou a ocupar diferentes pontos da região metropolitana do Recife.

Doce Sereia – Natal

Na Vila de Ponta Negra, em Natal, a chef Gabriela Sales criou a Doce Sereia ao lado da irmã, Maria Alice Sales. A sorveteria foi inaugurada em fevereiro de 2025 com uma proposta artesanal e foco em frutas regionais.

O cardápio inclui sabores como umbu, seriguela, jabuticaba, pitanga e romã, além de opções tradicionais como pistache e doce de leite. A casa trabalha com bases, caldas, geleias e reduções produzidas pelas próprias sócias e utiliza o extrato das frutas para preparar os sorvetes.

A preocupação com o aproveitamento dos ingredientes também aparece nas receitas. Na versão de jabuticaba, por exemplo, a sorveteria utiliza tanto o sumo da fruta quanto uma geleia feita com as cascas. A casa também oferece opções sem açúcar e sem lactose, incluindo chocolate sem lactose.

Formada em Gastronomia, com pós-graduação em Nutrição e Alimentação Saudável pela PUC e mestrado em Antropologia pela UFRN, Gabriela reúne formação gastronômica e pesquisa sobre cultura e identidade em sua trajetória profissional. A chef também mantém trabalhos com mulheres da Vila de Ponta Negra.

A Doce Sereia fica na Rua Afonso Magalhães, na Vila de Ponta Negra, e segue apostando na combinação entre ingredientes regionais, produção artesanal e referências afetivas.

Ébanos Sorvete e Café – São Paulo

Comandada por Claudio Sales e Bruno Soares, a Ébanos Sorvete e Café nasceu da trajetória de Claudio, que começou a produzir picolés em casa e, posteriormente, transformou a experiência em um negócio especializado em sorvetes artesanais. A marca trabalha com dezenas de receitas autorais e mantém um cardápio que combina técnicas de confeitaria e ingredientes brasileiros.

Entre os sabores estão criações como banoffee, além de combinações menos convencionais, como caprese, feita com mascarpone, geleia de tomate e pistache. A proposta da Ébanos é fugir do repertório tradicional e explorar diferentes texturas, ingredientes e combinações em sorvetes produzidos artesanalmente.

Indígenas rebatem vídeo que sugere consentimento na colonização

0
Fotos: reprodução/Sheyden

Vídeo de Beatriz Bueno relativizou a violência contra mulheres indígenas e foi contestado por criadores indígenas

Um vídeo publicado no Instagram por Beatriz Bueno, criadora do Parditude, usa o cunhadismo para relativizar a ideia de que a miscigenação no Brasil colonial resultou de violência sexual contra mulheres indígenas. “Ao contrário de muitas pessoas que hoje saem afirmando que a miscigenação é só estupro, a gente precisa refletir sobre um hábito que existia nas populações indígenas”, diz ela na gravação, em que também transfere parte da responsabilidade pela violência colonial para os próprios povos indígenas. “A questão do consentimento não estava só ligada a um homem português que obrigava essa indígena por meio de um abuso, mas também aos hábitos dos próprios homens indígenas, de usarem as mulheres como objetos”, afirma.

O Parditude, conceito formulado por Beatriz, defende o reconhecimento das pessoas pardas como grupo racial próprio e é alvo de críticas de pesquisadores das relações raciais e de setores do movimento negro. No vídeo, ela baseia sua fala no livro “50 tons de racismo”, de Janaína Bastos, tema de uma aula paga que divulgou como parte do clube do livro que mantém no YouTube.

As respostas vieram de perfis como o de Juca Juká (@kran_j_susuarana), com 70,1 mil seguidores, e o de Karuãn (@karuan_tataneady), desenvolvedor da rede social Etnias, que rejeitam a leitura de consentimento e apontam a ausência de fontes indígenas no conteúdo.Beatriz baseou sua fala no livro “50 tons de racismo”, de Janaína Bastos, tema de uma aula paga que ela divulgou no mesmo vídeo como parte do clube do livro que mantém no YouTube.

Juca Juká contestou diretamente a tentativa de associar as relações coloniais a uma escolha das mulheres indígenas. “Você queria falar sobre o cunhadismo como se fosse consentimento”, disse no vídeo, em que também criticou a base da pesquisa apresentada. “Você tem que ir atrás de quem tem essa vivência, de quem conhece isso a fundo”, afirmou.

A leitura dos criadores encontra respaldo em lideranças indígenas de referência nacional. A deputada federal Célia Xakriabá, primeira indígena eleita para a Câmara por Minas Gerais, tem afirmado publicamente que a miscigenação brasileira não pode ser dissociada da violência colonial. “O Brasil foi invadido. Toda a miscigenação é fruto de violência”, declarou em 2025, durante sessão na Câmara dos Deputados. Em outra ocasião, a parlamentar lembrou que o estupro das mulheres indígenas é parte da história do país e definiu a mãe do Brasil como indígena.

A escritora Eliane Potiguara, considerada a primeira mulher indígena a publicar um livro no Brasil e fundadora do Grupo Mulher-Educação Indígena, construiu parte de sua obra como contraponto à objetificação e à exploração sexual impostas às mulheres indígenas desde a colonização. Mesmo o antropólogo Darcy Ribeiro, que não era indígena e difundiu o termo cunhadismo no livro “O Povo Brasileiro”, de 1995, associa a formação dos primeiros mestiços a sequestros, escravização e estupros de mulheres indígenas.

Ao levar o debate para a produção do conhecimento, Karuãn afirmou em vídeo que o cunhadismo nunca existiu entre os povos indígenas e que a leitura divulgada por Beatriz reflete a apropriação de saberes originários por pesquisadores de fora. “Enquanto o poder do conhecimento indígena estiver na academia, sendo utilizado pelo acadêmico não indígena, o extrativismo vai continuar”, disse. Na legenda de sua publicação, ele questiona onde estão os estudos que consideram a perspectiva das próprias mulheres indígenas e resume a crítica ao afirmar que “não basta pesquisar o indígena, é preciso pesquisar com o indígena”.

Mesmo Rio, de Elisama Santos, ganha montagem no Sesc Copacabana

0
Foto: Renato Mangolin/Divulgação

Com Sirléa Aleixo no elenco e direção de Renata Tavares, peça sobre mãe e filhas numa ceia de Natal fica no Sesc Copacabana até 18 de outubro

O Teatro de Arena do Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro, apresenta até 18 de outubro “Mesmo Rio”, adaptação teatral do primeiro romance da escritora e psicanalista Elisama Santos. A peça acompanha Maria Lúcia e as filhas Marília e Rita, mulheres da família Soares, que interrompem a ceia de Natal para uma conversa adiada por anos e descobrem guardar lembranças muito diferentes dos mesmos acontecimentos. A montagem tem dramaturgia de Rafael Souza-Ribeiro, encenação de Renata Tavares e foi contemplada pelo edital Cultura Sesc RJ Pulsar.

Rafael Souza-Ribeiro não transportou o livro para o palco de forma literal e criou um dispositivo próprio, que reúne as três personagens numa mesma noite e faz desse encontro a ação da peça. “O tempo deixa de ser cronológico e a memória invade o presente”, explica o dramaturgo, que aprofunda no espetáculo uma pesquisa sobre melodrama e relações familiares, agora a partir da experiência de uma família negra.

Primeira mulher negra a receber os prêmios Shell e APTR de Melhor Direção, por “Nem todo filho vinga”, Renata Tavares afirma que a montagem evita julgar as personagens pela lógica do bem e do mal. “São seres humanos. E cada pessoa carrega em si a sua bondade e a sua maldade”, diz. Para Elisama Santos, autora de best-sellers como “Educação Não Violenta” e “Por que Gritamos”, a peça preserva uma dimensão central do romance, a de uma família negra que não existe apenas em torno da dor. “É tão importante nos vermos vivendo, casando, namorando, simplesmente existindo, para além da resistência e das histórias de dor”, afirma.

O elenco reúne Sirléa Aleixo, vencedora do Prêmio Shell de Melhor Atriz por “Furacão”, no papel de Maria Lúcia, além de Graciana Valladares, premiada com o APTR de Melhor Atriz Coadjuvante por “Salina, a última vértebra”, e Mila Moura, que interpretam Marília e Rita. A direção musical é de Ifátókí Maíra Freitas. O projeto é idealizado pela Pagu Produções Culturais, que em 16 anos de trajetória assina pela primeira vez a concepção artística de um espetáculo próprio.

Serviço

Espetáculo: Mesmo Rio
Temporada: até 18 de outubro de 2026 (sem apresentações de 1º a 4 de outubro)
Horários: quinta e sexta, às 20h; sábado e domingo, às 18h
Local: Teatro de Arena do Sesc Copacabana, Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia-entrada), com valores reduzidos para conveniados e credencial Sesc; gratuito para o público PCG
Duração: 75 minutos
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: Libras nos dias 26/9 e 10/10; audiodescrição em 27/9

Padre Victor: primeiro sacerdote negro beatificado no Brasil

0
Foto: Arquivo Secretaria de Cultura de Três Pontas/

Ordenado em 1851, Francisco de Paula Victor enfrentou o racismo, serviu 53 anos em Três Pontas (MG) e foi beatificado em 2015, 110 anos após a morte

Devotos de diferentes cidades participam nesta quarta-feira (23), em Três Pontas, no Sul de Minas, do encerramento da festa do beato Francisco de Paula Victor, o Padre Victor, que morreu nessa mesma data em 1905. A programação integra a novena realizada no Santuário Diocesano Nossa Senhora d’Ajuda, que em 2026 tem como tema “Beato Padre Victor: homem de comunhão e unidade na Igreja”. A celebração lembra os 121 anos da morte de um homem negro que chegou ao sacerdócio numa sociedade organizada pela escravidão e que se tornou, ao longo de mais de meio século, a principal referência religiosa e educacional da cidade.

Francisco de Paula Victor nasceu em 12 de abril de 1827, na cidade da Campanha, no sul de Minas Gerais. Era filho de Lourença Maria de Jesus, mulher escravizada, e o nome de seu pai não é conhecido. Na juventude trabalhou como alfaiate, ofício que exercia quando, em 1848, procurou dom Antônio Ferreira Viçoso, então bispo de Mariana, durante uma visita à Campanha, para manifestar o desejo de seguir a vida religiosa, e com o apoio da madrinha ingressou no seminário de Mariana em 5 de junho de 1849.

Foto: Info/Prelado da Igreja Católica

A condição jurídica de Victor ao nascer é tema de debate entre pesquisadores. O historiador Marcus Vinícius Fonseca, da Universidade Federal de Ouro Preto, sustenta em artigo de 2020 que ele nasceu livre e observa que, à medida que a canonização avança, consolida-se a imagem de um homem que teria saído da escravidão para a santidade. O estudo propõe tratá-lo como um ser humano que agiu a partir das condições e possibilidades do Brasil do século XIX, o que desloca o foco da narrativa devocional para sua atuação concreta como padre e professor.

Os anos de formação foram marcados pelo racismo. Colegas de seminário o humilhavam e o submetiam a serviços braçais, segundo relatos reunidos pela Igreja. Ordenado em 14 de junho de 1851, trabalhou por 14 meses como vigário paroquial na Campanha antes de receber a missão que ocuparia o restante de sua vida.

Meio século em Três Pontas

Victor chegou a Três Pontas em junho de 1852. Parte da população o rejeitou no início por ser um “padre negro”, reação que expressava o racismo de uma sociedade em que pessoas negras eram mantidas sob cativeiro e raramente ocupavam posições de autoridade. O vigário permaneceu na paróquia até morrer, ampliou a Igreja Matriz e se dedicou à catequese e à instrução dos moradores.

A educação foi o eixo de seu trabalho na cidade. Victor fundou o Colégio Sagrada Família, onde atuou como professor de francês e latim. Muitos estudantes eram admitidos sem pagar, e um historiador da Campanha registra que, em 1874, 186 alunos recebiam formação no colégio. Entre os ex-alunos estava João de Almeida Ferrão, que se tornaria o primeiro bispo da Diocese da Campanha. Em 1891, o jornal Monitor Sul Mineiro afirmava que as famílias três-pontanas traziam a marca do ensino ministrado no colégio.

A caridade completou a reputação construída em sala de aula e no altar. Victor morava em um casarão simples, vivia de doações e repassava o que recebia, conduta que lhe rendeu o título de “Anjo Tutelar de Três Pontas”. Ele viveu para ver a abolição da escravatura, assinada em 13 de maio de 1888.

O padre morreu em 23 de setembro de 1905, e o corpo ficou exposto por três dias e, diante do grande número de pessoas no sepultamento, foi organizada uma procissão pelas ruas da cidade antes do enterro na Matriz. Seus restos mortais estão ao lado esquerdo do altar central da Matriz de Nossa Senhora d’Ajuda, e em 1929 a cidade ergueu uma herma em sua homenagem.

A fama de santidade nasceu entre os moradores e atravessou o século XX até chegar a Roma. O processo de beatificação começou em 13 de julho de 1993 e foi aceito pela Congregação das Causas dos Santos em 2002. Bento XVI reconheceu suas virtudes heroicas, etapa que lhe deu o título de venerável, e em junho de 2015 o Vaticano aprovou o milagre atribuído à sua intercessão.

O caso reconhecido envolve a professora Maria Isabel de Figueiredo, que havia retirado uma trompa após uma gravidez ectópica e tinha a outra obstruída. Ela pediu a intercessão do padre durante a novena de 2009 e, um ano depois, engravidou da filha Sofia. A beatificação ocorreu em 14 de novembro de 2015, no aeroporto de Três Pontas, conduzida pelo cardeal Angelo Amato, diante de cerca de 15 mil pessoas. No dia seguinte, o papa Francisco citou Victor na Praça de São Pedro e apresentou sua humildade como modelo para os sacerdotes.

A Diocese da Campanha já havia vivido experiência semelhante dois anos antes. Em maio de 2013, Nhá Chica foi proclamada beata em Baependi; também negra e filha de mãe escravizada, ela divide com Victor o lugar de referência para católicos negros do Sul de Minas.

Festa e canonização

A programação deste ano concentrou atos de fé nas ruas e no santuário. Na véspera, os fiéis participaram da Procissão da Penitência às 5h, da tradicional queima dos pedidos em frente à herma do beato e da Procissão Luminosa pelas ruas da cidade. A novena é rezada também pela canonização do beato, cujos restos mortais estão na Matriz que ele próprio construiu.

 Foto: Reprodução EPTV

O processo de canonização segue em andamento em Três Pontas. Para que Victor seja declarado santo, a Igreja precisa reconhecer um segundo milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido depois da beatificação. Informações sobre a causa, a agenda do santuário e as celebrações estão disponíveis no site padrevictor.com.br e nos perfis oficiais do santuário nas redes sociais.

Quilombo Ferreira Diniz é tombado pelo Iphan e se torna primeiro quilombo urbano do Rio de Janeiro com reconhecimento federal

0
Divulgação/Afronaz

Comunidade localizada na Glória, no Rio de Janeiro, terá território, memória e manifestações culturais protegidos pelo patrimônio federal

O Quilombo Urbano Ferreira Diniz, localizado no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, foi oficialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nesta terça-feira (22). A decisão foi formalizada durante a 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em Brasília, e inclui o território, a comunidade e suas manifestações culturais no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos.

Com o reconhecimento, o Ferreira Diniz passa a ser considerado o primeiro quilombo em contexto urbano do Rio de Janeiro a receber o tombamento federal e a obter essa proteção em âmbito nacional.

A decisão representa uma mudança importante na forma de reconhecer a presença quilombola em grandes centros urbanos. Localizado em uma das regiões mais conhecidas do Rio de Janeiro, o território preserva a memória de famílias negras que permaneceram no local mesmo diante dos processos de urbanização e da especulação imobiliária.

Memória de uma comunidade negra na Glória

A história do Quilombo Ferreira Diniz remonta à década de 1950, quando Maria Isabel Ferreira, descendente de africanos escravizados, passou a viver na região com o marido, Antônio Dias Pessanha. Atualmente, cerca de 70 descendentes das famílias Ferreira e Diniz integram a comunidade.

Ao longo das décadas, o território se consolidou como espaço de convivência entre diferentes gerações e de preservação de práticas culturais. Entre as atividades mantidas pelos moradores estão o B20 Futebol Clube, as rodas e os treinos de capoeira do grupo Aluandê Quilombo, o bloco do Quilombo da Glória e eventos comunitários, como a tradicional Feijoada da Tia Cida.

A organização formal da comunidade em defesa do território ganhou força a partir de 2020. Até 20 de março daquele ano, o quilombo não contava com uma organização associativa formal dedicada à proteção territorial. Segundo o relato da comunidade, a pandemia e o enfraquecimento de instituições públicas reforçaram a necessidade de organização da sociedade civil para reivindicar direitos e preservar a memória do local.

Nesse processo, a ACQUILERJ (Associação de Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro) passou a reconhecer a existência e a importância do quilombo em contexto urbano, contribuindo para dar visibilidade à presença quilombola na cidade.

Tombamento como proteção da memória

O processo de tombamento pelo Iphan passa a reconhecer não apenas o espaço físico ocupado pela comunidade, mas também a relação entre território, memória e manifestações culturais construídas ao longo das gerações.

Para os moradores, o reconhecimento reforça que a experiência quilombola não está restrita a áreas rurais ou afastadas dos grandes centros. A trajetória do Ferreira Diniz mostra a permanência de uma comunidade negra em meio à transformação urbana da cidade do Rio de Janeiro.

A oficialização também representa uma etapa de proteção institucional do território e de suas reminiscências históricas, em um contexto no qual comunidades tradicionais urbanas enfrentam desafios relacionados à preservação de seus espaços e modos de vida.

Comunidade prepara festa para celebrar tombamento

Para marcar a oficialização do tombamento, o Quilombo Ferreira Diniz realizará uma festa no sábado (26), a partir do meio-dia, no quintal da comunidade, na Glória.

A programação terá a tradicional Feijoada da Tia Cida e apresentação de Andrezão do Cacique. O encontro deve reunir moradores, lideranças comunitárias, ativistas, representantes da sociedade civil e instituições públicas que participaram da trajetória de reconhecimento do território.

A celebração será também um momento de encontro entre diferentes gerações da comunidade e de valorização de manifestações culturais que fazem parte da história do quilombo.

Serviço

Festa de Celebração do Tombamento do Quilombo Ferreira Diniz
Quando: 26 de setembro de 2026, a partir das 12h
Onde: Quintal do Quilombo Ferreira Diniz, bairro da Glória, Rio de Janeiro (RJ)
Atrações: Feijoada da Tia Cida e show com Andrezão do Cacique
Entrada: couvert artístico entre R$ 10 e R$ 20, não obrigatório, mas recomendado

Ibejis e infância: curso reverte renda para Festa das Crianças

0
Foto: Museu Afro Brasil/MAB/Divulgação

Ministrado pela Ìyá Luciana de Ọya, curso une Candomblé e direitos da infância; inscrições vão até 28 de setembro e a renda vai para a festa de 12 de outubro

O Polo Cultural Lar Maria & Sininha abriu inscrições para “Entre Encantos e Direitos: o que os Ibejis nos ensinam sobre as Infâncias”, curso que relaciona os saberes do Candomblé aos princípios de proteção de crianças e adolescentes previstos na legislação brasileira. A formação será ministrada pela Ìyá Luciana de Ọya, do Ilé Obá Asè Ogodô, diretora executiva da organização, e as vendas seguem até 28 de setembro de 2026. Toda a renda das inscrições será aplicada na Festa das Crianças de 12 de outubro, evento que a ONG promove desde 1989 com brincadeiras, alimentação, atividades culturais e distribuição de brinquedos.

O que o curso aborda

Os Ibejis, orixás gêmeos associados à infância, à alegria, à curiosidade e à continuidade da vida, servem de ponto de partida para a formação. No sincretismo religioso brasileiro, essas divindades costumam ser relacionadas a São Cosme e Damião, cuja data, 27 de setembro, mobiliza terreiros e famílias em torno da distribuição de doces e do preparo do caruru. O curso parte dessa referência para discutir como as tradições de matriz africana compreendem o cuidado com os mais novos e de que maneira esse entendimento conversa com a ideia de proteção integral.

Para a Ìyá Luciana, a formação oferece ao participante uma chave de leitura que não aparece na rotina. “O curso é mais uma possibilidade de ampliar conhecimentos e de fazer conexões com essa energia linda que é a da infância e a de Ibeji. Você vai fazer compreensões que no dia a dia não tem”, afirma.

O conteúdo programático inclui os significados dos Ibejis no Candomblé, a relação entre ancestralidade e proteção das infâncias, os direitos fundamentais de crianças e adolescentes, a diversidade religiosa e o enfrentamento ao racismo religioso. A programação também trata do papel da comunidade na rede de proteção e de práticas educativas antirracistas voltadas à valorização das diferentes infâncias.

A noção de proteção integral está no artigo 227 da Constituição de 1988 e foi detalhada no Estatuto da Criança e do Adolescente, sancionado em julho de 1990, que atribui à família, à sociedade e ao Estado o dever de assegurar os direitos de meninos e meninas com prioridade absoluta. Ao aproximar esse marco legal dos conhecimentos tradicionais, a formação propõe que o cuidado com a infância envolva também o terreiro, a escola e a vizinhança, ampliando a responsabilidade para além do núcleo familiar.

O público previsto reúne educadores, lideranças comunitárias e religiosas, profissionais da rede de proteção, familiares e demais pessoas interessadas em contribuir para infâncias livres do racismo e da intolerância religiosa. A facilitadora vê no conhecimento sobre as religiões de matriz africana um benefício que se estende a quem aprende. “Quando você tem conhecimento, você se beneficia dele, se conecta com a ancestralidade e cria laços diferentes. O curso tem esse objetivo de criar um laço e de reconectar a infância”, explica.

Quem conduz a formação

A Ìyá Luciana de Ọya é assistente social formada pela PUC-SP e soma mais de 30 anos de atuação na defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Integrou o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo, onde participou da construção, do acompanhamento e da fiscalização de políticas públicas voltadas à infância e à juventude. Também trabalha como consultora de diversidade, equidade e inclusão, com foco em raça e etnia, e tem na defesa das espiritualidades afro-brasileiras uma das frentes permanentes de sua atuação.

A direção do Polo Cultural Lar Maria & Sininha chegou a ela como herança de sua mãe, Maria Aparecida Bispo, que fundou a organização em maio de 1989 ao lado de Silviana Schimtt. Criada como abrigo para crianças em situação de vulnerabilidade, a instituição ampliou seu campo de trabalho sob a gestão de Luciana e passou a funcionar como espaço de cultura, cuidado e acolhimento comunitário.

A Festa das Crianças

A celebração de 12 de outubro acompanha a ONG desde a fundação e completa 37 anos em 2026. O dia reúne brincadeiras, refeições, atividades culturais e entrega de brinquedos, e a organização o apresenta como forma de afirmar o direito de cada criança de viver a própria infância com plenitude. Com o curso, o Polo busca reunir parte dos recursos necessários para a edição deste ano, fazendo da formação um instrumento de financiamento da própria ação comunitária.

Foto: divulgação

A Ìyá Luciana relaciona a arrecadação ao trabalho diário da instituição com meninos e meninas atendidos pelo Polo. “O Lar Maria & Sininha faz essa roda todos os dias com a infância e com a juventude. O curso contribui com a criança e o adolescente que estão aqui diariamente e com aqueles que vêm na festa. Ele contribui com o sonho da criança, um sonho de esperança, de dias melhores, de registros positivos”, diz.

Serviço

Curso: Entre Encantos e Direitos: o que os Ibejis nos ensinam sobre as Infâncias
Facilitadora: Ìyá Luciana de Ọya, do Ilé Obá Asè Ogodô
Realização: Polo Cultural Lar Maria & Sininha
Ingresso: R$ 100 + R$ 10 de taxa (total de R$ 110)
Parcelamento: até 12x de R$ 11,38, com taxas conforme o meio de pagamento
Inscrições: até 28 de setembro de 2026
Link: https://lnkd.in/dEYqRr2K
Destinação da renda: Festa das Crianças de 12 de outubro de 2026
Doações: Pix doar@larmariasininha.org.br
Instagram: @mariaesininha

Nath Finanças estreia reality na RedeTV! sobre educação financeira

0
Nath Finanças estreia na TV com reality show/Foto: Divulgação/RedeTV!

Nath Finanças vai levar sua experiência com educação financeira para a televisão aberta. A especialista, criadora de conteúdo e empresária estreia, nesta quinta-feira (24), o reality “Dinheiro na Conta”, novo programa da RedeTV! que acompanha histórias reais de pessoas que enfrentam dívidas, dificuldades para equilibrar o orçamento e projetos adiados por problemas financeiros. A atração terá estreia na emissora às 22h45.

No programa, Nath acompanha de perto a rotina financeira dos participantes para entender não apenas quanto dinheiro entra e quanto sai, mas também os hábitos e escolhas que estão por trás das dificuldades. A proposta é colocar as contas no papel, identificar gastos que comprometem o orçamento, rever prioridades e buscar alternativas para recuperar a autonomia financeira.

Mais do que apresentar fórmulas para economizar, o reality parte da realidade de cada participante. Ao longo do processo, Nath orientará a reorganização das despesas e a definição de metas que possam ajudar a retomar planos que ficaram para depois. A ideia é mostrar que educação financeira também pode ser uma ferramenta para quem já está endividado e precisa encontrar caminhos possíveis para reorganizar a própria vida.

A abordagem acompanha a trajetória construída por Nath nas redes sociais. Ela começou a produzir conteúdo sobre finanças pessoais em 2019 e, atualmente, reúne milahres de seguidores. Seu trabalho ficou conhecido por tratar de organização financeira com linguagem acessível, especialmente para pessoas que precisam administrar o orçamento com recursos limitados.

A chegada à televisão havia sido anunciada pela RedeTV! em abril deste ano. Na ocasião, a emissora apresentou Nathália Rodrigues, conhecida como Nath Finanças, como responsável por uma atração semanal dedicada às finanças pessoais.

Formada em Administração pela PUC-Rio e pós-graduanda em Gestão Financeira pela FGV, ela também atua como empresária, escritora e palestrante.

Para Nath, o objetivo do programa é lidar com as dificuldades financeiras sem transformar a dívida em motivo de julgamento. “Não vai ser apontando o dedo ou falando que a pessoa fracassou que vamos conseguir evoluir. Vai ter momento de bronca, mas também momento para ter orgulho do resultado. Vamos colocar tudo na planilha e ajudar nesse processo segurando a mão do participante”, afirmou.

Com “Dinheiro na Conta”, Nath leva para a televisão uma discussão que já faz parte de seu trabalho no ambiente digital: como transformar a organização das finanças em uma ferramenta para recuperar não apenas o equilíbrio do orçamento, mas também a possibilidade de realizar projetos e objetivos pessoais.

Evandro exige punição após sofrer ataques racistas nos Jogos Sul-Americanos

0
Evandro durante partida de vôlei de praia
Foto: Reprodução/ Instagram

Atleta foi alvo de comentários racistas nas redes sociais antes da semifinal em Rosário, na Argentina, e pede identificação e responsabilização dos envolvidos

O jogador de vôlei de praia Evandro se manifestou nesta terça-feira (22) sobre os ataques racistas que sofreu nas redes sociais durante os Jogos Sul-Americanos Santa Fe 2026, na Argentina. Em seu posicionamento, o atleta cobrou o avanço da investigação e a responsabilização dos envolvidos.

As manifestações ocorreram antes da semifinal do torneio masculino, disputada em 16 de setembro, em Rosário. Na ocasião, Evandro e Arthur Lanci enfrentaram os argentinos Nicolás e Tomás Capogrosso. Comentários com conteúdo racista foram publicados nas redes sociais do atleta.

Evandro pede responsabilização

Em sua declaração, Evandro afirmou que situações como essa não são novidade, mas ressaltou que se recusa a aceitar a ideia de que atletas precisem se acostumar com o racismo.

O jogador também destacou a conquista da medalha de ouro ao lado de Arthur Lanci e afirmou que os ataques não podem ser tratados como parte da competição.

“Racismo não é provocação. Racismo não é opinião. Racismo é crime”, escreveu o atleta em seu posicionamento.

Evandro afirmou ainda que pretende acompanhar o caso até o fim:

“Agora, espero que a investigação avance, que os responsáveis sejam identificados e que existam consequências.Vou acompanhar esse caso até o fim. Não somente por mim. Por todos os atletas pretos que entram em quadra, em campo, na pista ou em qualquer espaço carregando o direito de serem respeitados. E também pela próxima geração, que não deveria crescer aprendendo que precisa suportar aquilo que nunca deveria acontecer.”

Caso foi encaminhado às autoridades argentinas

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) encaminhou uma denúncia à Fiscalía, órgão do Ministério Público Fiscal responsável pela apuração de casos dessa natureza na Argentina. Segundo o COB, a área de Esportes Seguros acompanhou a situação durante a competição e adotou as medidas cabíveis após os ataques.

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) também publicou uma nota de repúdio. A entidade informou que está acompanhando o caso junto ao COB e que seguirá os desdobramentos para que os responsáveis sejam identificados e punidos.

Ouro no vôlei de praia

O episódio aconteceu durante a campanha que terminou com Evandro e Arthur Lanci campeões dos Jogos Sul-Americanos Santa Fe 2026.

Na semifinal, a dupla brasileira venceu Nicolás e Tomás Capogrosso por 2 sets a 1. Na decisão, Evandro e Arthur superaram os venezuelanos Esyenser Delgado e Juliangel Vargas por 2 sets a 0 e conquistaram a medalha de ouro.

Ao se posicionar sobre os ataques, Evandro fez questão de separar o episódio daquilo que considera parte da disputa esportiva ressaltando que o racismo não deve ser naturalizado nem tratado como provocação de competição.

A investigação segue sob responsabilidade das autoridades argentinas, após o encaminhamento feito pelo COB.

error: Content is protected !!