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Sustentabilidade cultural como resistência: a gastronomia paraense em diálogo com o território carioca

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Foto: Arquivo Pessoal

Por Adriana Veloso

Falar de gastronomia amazônica é, necessariamente, falar de sustentabilidade cultural. No Pará, a comida é um sistema vivo de transmissão de saberes, organização social e resistência histórica dos povos afro-indígenas que moldaram a região. Ao trazer a cozinha paraense para o Rio de Janeiro, compreendi que esse movimento não se tratava apenas de deslocamento geográfico, mas de um encontro cultural, no qual a alimentação se torna linguagem, mediação e afirmação identitária.

Quando deixei Belém e cheguei ao Rio, trouxe comigo técnicas, ingredientes e memórias, mas, sobretudo, uma responsabilidade: apresentar a cultura paraense de forma íntegra, respeitando suas origens e dialogando com um novo território. O Pará concentra uma das maiores biodiversidades alimentares do país, com uma cultura culinária fortemente baseada na pesca artesanal, no extrativismo vegetal e em práticas transmitidas oralmente entre gerações. Ingredientes como pirarucu, tambaqui, tucupi, maniva e farinhas artesanais são expressões diretas dessa relação profunda entre alimento, território e cultura.

Ao se instalar em solo carioca, essa gastronomia passa a dialogar com outras referências culturais, ritmos urbanos e hábitos alimentares distintos. Esse encontro não pressupõe adaptação que descaracteriza, mas troca. A sustentabilidade cultural, nesse contexto, manifesta-se justamente na capacidade de manter a essência da cozinha paraense enquanto ela se relaciona com novos públicos, novas escutas e novas formas de circulação.

Os pescados na brasa simbolizam esse diálogo. A técnica ancestral, presente nas culturas afro-indígenas amazônicas, encontra no Rio um novo cenário, sem perder seu sentido original. O uso do fogo, o respeito ao tempo do peixe e a valorização do ingrediente em sua forma mais pura reafirmam que tradição e contemporaneidade podem coexistir. Cozinhar peixe na brasa, em território carioca, é afirmar que os saberes tradicionais seguem vivos e atuais.

Ao longo desse percurso, entendi que a gastronomia é uma das ferramentas mais eficazes de introdução cultural. Muitas vezes, antes de ser chef, precisei ser mediadora. Explicar que o açaí, no Pará, é base alimentar e sustento, consumido com peixe e farinha, ou que o tacacá precisa estar quente para cumprir seu papel sensorial e simbólico, faz parte desse processo de aproximação. Quando o público carioca se abre para esses códigos, a comida deixa de ser exótica e passa a ser compreendida como cultura.

A escolha do subúrbio do Rio de Janeiro, no bairro do Riachuelo, como ponto de partida do Pescados na Brasa, reforça essa ideia de encontro. A cultura paraense é coletiva, de rua, de convivência. No contato cotidiano com a vizinhança, criamos um espaço onde a Amazônia se manifesta de forma viva, afetiva e acessível. A chegada a outros territórios da cidade, como o Leblon, amplia esse diálogo e reafirma que a cozinha de raiz, quando sustentada por rigor cultural, ocupa qualquer espaço.

Ao lado do Júnior, meu parceiro de vida e de trabalho, definimos o Pescados na Brasa como uma Embaixada Afetiva. Nosso compromisso com a sustentabilidade cultural está em garantir que os ingredientes cheguem à mesa com sua história preservada, respeitando os ciclos naturais, a pesca artesanal e os modos tradicionais de preparo. Resistir, nesse caso, é não ceder à simplificação ou à descaracterização de uma cultura complexa.

A cultura alimentar paraense é reconhecida como uma das mais ricas do Brasil não apenas pela diversidade de ingredientes, mas pela forma como articula memória, território e identidade. Quando esse repertório encontra o Rio de Janeiro, cria-se um espaço de aprendizado mútuo, onde a gastronomia cumpre seu papel social e educativo.

Mais do que um restaurante, o Pescados na Brasa é um território de encontro. Um espaço onde a cozinha paraense se afirma como resistência cultural e, ao mesmo tempo, se coloca em diálogo com a cidade, mostrando que alimentar também é criar pontes, fortalecer identidades e preservar saberes.

Texto: Adriana Veloso – O tempero dos peixes é dele e as receitas da cozinha são dela. Adriana Veloso e José Maria (Júnior) saíram do Pará e vieram para o Rio de Janeiro há 12 anos: ele, restaurador de artes barrocas, veio antes a trabalho, e ela veio acompanhar o marido, trabalhando como balconista em uma drogaria. Os peixes que o Júnior levava para os churrascos de amigos – já que Adriana não come carne vermelha nem frango, apenas frutos do mar – eram os mais cobiçados. O sucesso era tanto, que incentivado por eles, começaram a fazer peixes na brasa, além dos acompanhamentos, para vender num estacionamento da Av. 24 de Maio, no Riachuelo, em agosto de 2019. Era apenas para “pegar e levar”, mas em poucos meses os clientes paravam para beber e papear enquanto esperavam a comida, fazendo dali um “point”. Foi assim que eles saíram em busca de uma casa para expandir o negócio, no mesmo bairro. Nasceu o Pescados na Brasa, em novembro de 2019, um bar com peixes do norte assados e comidas típicas.  O que era um complemento de renda acabou virando um restaurante, sonho da Adriana há muitos anos – ter uma “peixaria”, que é como se chamam os restaurantes de peixe em Belém –, ainda na sua terra, onde trabalhou por muito tempo como garçonete, caixa e gerente de restaurantes. Negócio em família… Além do casal, Gabrielly Veloso, a filha, é o braço direito deles na operação da casa. E quem manda os insumos nortistas de lá pra cá? Os sogros!

*Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta

APCA anuncia os finalistas da categoria TV de 2026; confira

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Foto: divulgação

A Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) divulgou a lista de finalistas da categoria Televisão, referente à produção de 2025. O anúncio confirma a consolidação do streaming na disputa direta com a TV aberta, mas o dado mais relevante desta edição é a forte presença de narrativas e talentos negros nas principais categorias, tanto em dramas históricos quanto em produções contemporâneas.

Entre as novelas, a disputa reflete a diversidade de gêneros. Garota do Momento (Globo), trama das seis que trouxe o protagonismo negro para a estética dos anos 50, concorre com o remake de Vale Tudo e a inédita Três Graças. No streaming, a HBO/Max aparece com Beleza Fatal, enquanto o Globoplay marca presença com a supersérie Guerreiros do Sol.

Nas séries, o tom é de relevância social. Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente foca na crise do HIV nos anos 80, trazendo à tona a vulnerabilidade de corpos marginalizados. No campo do humor e da crônica urbana, Pablo & Luisão (Globoplay) se destaca ao adaptar as histórias de amizade e periferia que viralizaram nas redes.

A categoria de Melhor Atriz evidencia a força de Camila Pitanga. Sua atuação em Beleza Fatal é um dos pilares da indicação da obra, colocando-a ao lado de nomes como Carol Castro (de Garota do Momento) e Marjorie Estiano.

Nas categorias masculinas, o reconhecimento de atores negros como Thomás Aquino (por Guerreiros do Sol) reforça a tendência da APCA de premiar interpretações que fogem do óbvio e trazem densidade para a tela.

Lista Completa de Finalistas – APCA 2026 (Categoria TV)

NOVELA

  • Beleza Fatal (Max)
  • Garota do Momento (Globo)
  • Guerreiros do Sol (Globoplay)
  • Três Graças (Globo)
  • Vale Tudo (Globo)

SÉRIE

  • Ângela Diniz (HBO)
  • Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (HBO)
  • Os Donos do Jogo (Globoplay)
  • Pablo & Luisão (Globoplay)
  • Tremembé (Prime Video)

ATRIZ

  • Camila Pitanga (Beleza Fatal)
  • Carol Castro (Garota do Momento)
  • Débora Bloch (Vale Tudo)
  • Marjorie Estiano (Ângela Diniz)
  • Suely Franco (Dona de Mim)

ATOR

  • André Lamoglia (Os Donos do Jogo)
  • Irandhir Santos (Guerreiros do Sol)
  • Jaffar Bambirra (Dias Perfeitos)
  • Jhonny Massaro (Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente)
  • Thomás Aquino (Guerreiros do Sol)

‘Dona Beja’: Nova novela da HBO Max com David Junior e André Luiz Miranda estreia em fevereiro

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Foto: Divulgação/ HBO Max

A HBO Max confirmou a estreia de ‘Dona Beja’ para o dia 2 de fevereiro, com os atores David Junior, André Luiz Miranda no elenco principal da nova novela, ao lado de Grazi Massafera. A produção terá lançamento global na plataforma de streaming da Warner e promete uma releitura atualizada da história inspirada na trajetória de Ana Jacinta de São José, figura histórica mineira.

Com 40 capítulos, a trama resgata o universo da maior cortesã do Brasil colonial em uma narrativa que mescla empoderamento, desejo e vingança, dialogando com temas contemporâneos sem abrir mão de uma estética sofisticada e de alto padrão de produção.

Para dar vida ao período, a equipe construiu uma cidade cenográfica de mais de 1.700 m² e produziu mais de 3 mil figurinos exclusivos. As gravações também passaram por locações como Paraty e Lumiar, ampliando a ambientação histórica da obra.

O elenco reúne nomes como Erika Januza, Indira Nascimento, Bukassa Kabengele, Thalma de Freitas, Pedro Fasanaro, Bianca Bin, Deborah Evelyn, Otávio Muller, Isabela Garcia, Tuca Andrada, Gabriel Godoy, Miguel Rômulo, entre outros, além das participações especiais de Elisa Lucinda, Elizabeth Savalla, Othon Bastos, Virgílio Castelo e Lúcia Veríssimo.

‘Dona Beja’ é a segunda novela original da HBO Max, após o grande sucesso de ‘Beleza Fatal’, protagonizado por Camila Pitanga, que viralizou nas plataformas digitais e nas redes sociais.

“Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou”: Jorge Aragão é a voz oficial do Carnaval Globeleza 2026

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Foto: Beatriz Damy/Globo

O Carnaval de 2026 marca um rito de passagem na televisão brasileira. A nova campanha da Globo para a folia mergulha na própria raiz para contar a história da festa sob uma nova perspectiva. A peça central não é apenas uma vinheta, mas uma homenagem aos 50 anos de carreira de Jorge Aragão, o Poeta do Samba. O público agora ouve a icônica trilha “Lá Vou Eu”, que embala o imaginário nacional desde 1991, com uma diferença fundamental: após 35 anos, o próprio Jorge assume o microfone para cantar sua composição na campanha oficial.

A narrativa se constrói dentro de uma roda de samba, espaço onde o tempo não é linear, mas circular. Ali, o saber não se impõe, se compartilha. O antigo e o novo coexistem, lado a lado, no mesmo compasso. É nesse território simbólico que a campanha encontra sua maior profundidade histórica.

Ao lado de Jorge, estão Sombrinha, Sereno e Nei Lopes. Para entender o peso desse encontro, é preciso voltar ao Rio de Janeiro dos anos 1970, quando esses nomes operaram uma revolução silenciosa no Cacique de Ramos. Juntos, eles não apenas fundaram o Fundo de Quintal, como reinventaram a forma de fazer samba no Brasil. A música saiu das grandes orquestras e passou a caber nas mãos, nos corpos e na invenção: o tantã, o repique de mão, a palma, o coro. Uma transformação que alterou para sempre a pulsação das rodas de samba em todo o país.

É nesse reencontro que a campanha ganha densidade emocional. Não se trata apenas de revisitar uma obra, mas de reconhecer o tempo vivido dentro dela. O próprio Jorge traduz esse sentimento ao falar da experiência:

“Chega a ser difícil descrever, de tamanha alegria. É uma honra ver minha obra sendo celebrada, uma satisfação enorme. É saber que tudo valeu a pena. Me senti em casa, brinquei, cantei. Foi como se eu estivesse antigamente no Cacique de Ramos. Me senti felicíssimo por ter ao meu lado Nei Lopes, Sereno, Sombrinha, meus grandes parceiros, além dessas mulheres que viraram ícone dessa vinheta de Carnaval, a Valéria e a Erika. Gostaria de conseguir expressar exatamente o que eu, como um compositor, com a idade que tenho, sinto nesse momento. Foi inesquecível e espero que vocês gostem do que verão na tela da Globo.”

É nesse ponto que a campanha deixa de ser apenas observada e passa a ser sentida. Ao longo dos anos, a vinheta da Globeleza marcou um momento muito específico: o instante em que o Carnaval começava, em que a televisão avisava que algo mudava no ritmo do país. Não era só abertura de programa, era um sinal que atravessava gerações.

“O carnaval na televisão é a fonte de muitas memórias lindas da minha adolescência. Era a época que a gente dormia a tarde, para virar a noite vendo os desfiles com meus pais e tios. Era samba, comida boa, aulas sobre os temas das escolas e ver quem decorou melhor os sambas-enredo. Então quando chegava fevereiro eu aguardava o momento de ver a Globeleza, os efeitos do Hans Donner e a proximidade da temporada de desfiles na Globo”, relata Silvia Nascimento, jornalista e Head de Conteúdo do Mundo Negro. 

Essa dimensão subjetiva reforça uma máxima antiga do samba: o compositor é aquele que traduz o que o povo sente, mas ainda não sabe como dizer. Se essa regra for verdadeira, Jorge Aragão é um de seus maiores intérpretes. Em 2026, ao colocá-lo no centro da roda para cantar a canção que batiza o Carnaval brasileiro, a Globo não apresenta apenas uma campanha. Faz, simbolicamente, um acerto de contas com a própria história.

JORGE ARAGÃO É UMA LENDA VIVA NA HISTÓRIA DO SAMBA

Sua carreira ganhou projeção nacional em 1976, quando Elza Soares apresentou ao Brasil “Malandro”. Vieram depois hinos como “Vou Festejar” e “Coisinha do Pai”, eternizados na voz de Beth Carvalho. O que torna Jorge uma figura vital é seu ecletismo e sua sofisticação musical: ele transita do samba-rock de “Cabelo Pixaim” às influências eruditas de Bach e Villa-Lobos, provando que o sambista é um músico completo, capaz de harmonias complexas que desafiam qualquer tentativa de reduzir a cultura preta à simplicidade.

O que Jorge Aragão e o Fundo de Quintal fizeram nos anos 1980 foi mudar o eixo do samba sem romper com sua essência. A música seguiu sendo tradição, mas ganhou outra proximidade: passou a caber no corpo, na palma da mão, na conversa em volta da mesa. O samba permaneceu o mesmo, apenas circulando de forma mais direta, mais próxima, mais compartilhada.

Essa história não é apenas contada: ela é encenada na nova vinheta da Globeleza 2026. O cenário da roda de samba foi pensado como um espaço de memória ativa, onde cada elemento carrega sentido. Nas paredes, os quadros de Tia Ciata e Clementina de Jesus não funcionam como decoração, mas como fundamento. Ciata foi quem abriu sua casa, na Pequena África, para que o samba sobrevivesse quando era criminalizado. Clementina levou a voz ancestral para o rádio. Na vinheta, elas aparecem como sentinelas simbólicas, garantindo que o caminho percorrido por Jorge Aragão tenha raiz, chão e continuidade.

Também dentro da vinheta, a presença de Valéria Valenssa e Érika Moura ao lado de Jorge carrega um significado profundo. Em um tempo de esvaziamento simbólico do Carnaval, em que referências negras são frequentemente diluídas, vê-las nesse mesmo enquadramento é um gesto de afirmação. Valéria construiu um imaginário de possibilidade ao coroar a beleza negra em rede nacional. Érika deu sequência a essa linhagem, sustentando com o corpo e a presença uma representação que o racismo insiste em apagar. Colocá-las ao lado do Poeta é afirmar, visual e simbolicamente, que o Carnaval tem memória, rosto e pertencimento.

O Carnaval Globeleza de 2026 sela um reencontro essencial: a obra, finalmente, reconhece a voz de seu autor. Ver Jorge Aragão assumir o microfone da canção que ele mesmo criou para o imaginário nacional é a consagração de meio século de maestria suburbana. Como ele próprio canta: “Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou”. O que o Brasil assiste agora é exatamente isso, o respeito ao caminho trilhado.

Reforçando esse compromisso com a ancestralidade e o futuro, Samantha Almeida, Diretora de Marketing da TV Globo, destaca a intenção por trás deste movimento:

“Gosto de dizer que o futuro é algo que estamos construindo agora, a partir das escolhas que fazemos no presente. E essa campanha nasce exatamente desse entendimento. Ao resgatar a memória afetiva do Globeleza, fazemos uma escolha intencional de celebrar uma referência fundamental da nossa cultura em vida, reverenciar nossos mestres e criar conexão entre gerações.”

FICHA TÉCNICA | GLOBELEZA 2026

  • Diretor de Marca & Comunicação: Manuel Falcão
  • Direção de Criação: Ricardo Moyano
  • Gerente Sr de Criação: Victor Seabra e Julio Marcello
  • Criação: Pedro Henrique Maroni Costa e Julia Custodio
  • Roteiro: Pedro Henrique Maroni Costa
  • Direção de Arte: Julia Custodio

PLANEJAMENTO E ATENDIMENTO

  • Direção Estratégia de Marca & Comunicação: Bernardo Magalhães
  • Gerente Sr de Planejamento: Bruno Altieri
  • Planejamento: Lorena Carvalho
  • Direção de Marketing & Operações: Mariana Novaes
  • Gerente Sr de Atendimento: Suzana Prista
  • Atendimento: Dryelle Primo e Flavio Carrijo

PRODUÇÃO E RTV

  • Gerente de Produção: Ricardo Leo
  • Coordenação RTV: Gabriela Bonn
  • RTV: Fernanda Ribeiro
  • Coordenação de Produção: Klemerson Cantalice
  • Produção: Cristiano Gesualdo e Camila Xavier
  • Estagiária de Produção: Maria Firmino

EQUIPE DE SET (FILMAGEM)

  • Diretor de Cena: Leandro Rial
  • Assistente de Direção: Fernanda Baudaue
  • Diretor de Fotografia: Caio Humb
  • Produtor: Diego Costa
  • Diretor de Arte: Macerla Escafura
  • Técnico de Som: Helio
  • Figurinista: Athria Gomes
  • Maquiagem: Capa

PÓS-PRODUÇÃO

  • Produtora de Pós: Arpoador Filmes
  • Supervisão Artística: Debora Indio do Brasil
  • Produtora de Pós: Rebeca Montenegro
  • Edição: Lucas Vieira e Diego Gomes
  • Correção de Cor: Irineu Lima
  • Finalização: Lucas Vieira

Após absolvição, STF vai julgar caso de racismo de Marcão do Povo contra Ludmilla

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Fotos: Reprodução/Redes Sociais e Web

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar o caso de racismo envolvendo o apresentador Marcão do Povo, que proferiu ofensas racistas contra a cantora Ludmilla em rede nacional de televisão. A informação é do O blog do Ancelmo Gois do jornal O Globo. Em 2017, à época contratado pela Record TV, o comunicador chamou a artista de “pobre macaca”, o que gerou um processo judicial e sua demissão da emissora.

A ação chegou ao STF por meio de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), protocolada pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO). A iniciativa é assinada pelos advogados Hédio Silva Jr., Silvia Souza e Anivaldo dos Anjos Filho, que pedem a suspensão imediata da decisão judicial que absolveu o apresentador.

Na ADPF, o instituto questiona o entendimento do juiz responsável pelo caso, que reconheceu a existência do crime, mas concluiu pela absolvição de Marcão do Povo. A decisão considerou a conduta como “crime de bagatela”, argumentando que a proporcionalidade deveria prevalecer sobre a criminalização do racismo, além de apontar que o apresentador já teria sido “punido” pela repercussão pública do caso e que estaria “exausto no momento da conduta”.

Para os advogados do IDAFRO, a absolvição representa um exemplo recorrente de julgamento ideológico no sistema de Justiça brasileiro. Segundo a petição, há uma substituição de fatos e provas por interpretações subjetivas que relativizam o racismo, prática estrutural e historicamente combatida pelo ordenamento jurídico.

O caso voltou ao centro do debate público no mês passado, quando Ludmilla revelou, por meio das redes sociais, que recusou um convite para receber uma homenagem no SBT. A cantora afirmou que não poderia aceitar a honraria enquanto a emissora continuasse dando espaço a pessoas coniventes com atitudes racistas. “Eu preciso ser muito honesta aqui. Eu não posso aceitar uma homenagem enquanto essa mesma emissora segue dando voz, segue dando espaço, respaldo a pessoas coniventes com a atitude racista. Isso para mim é incoerente e inaceitável”, criticou a cantora, ao destacar a contratação do Marcão do Povo pela emissora, depois que ele foi demitido da Record.

Buscas por irmãos quilombolas desaparecidos no Maranhão chegam no nono dia e mobiliza mais de 500 pessoas

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As buscas pelos irmãos quilombolas Ágatha Isabelly Reis Lago, de 6 anos, e Allan Michael Reis Lago, de 4 anos, chegaram ao nono dia nesta segunda-feira (12), no município de Bacabal, no interior do Maranhão. A operação mobiliza mais de 500 pessoas e envolve uma ampla força-tarefa formada por órgãos estaduais e municipais, voluntários da comunidade e apoio do Exército Brasileiro, incluindo militares que estavam de férias ou em período de folga.

As crianças são moradoras do Quilombo São Sebastião dos Pretos, território onde o desaparecimento ocorreu no domingo, 4 de janeiro, após os irmãos saírem para brincar em uma área de mata da região. Desde então, as buscas seguem de forma ininterrupta, com mobilização da própria comunidade quilombola, que tem atuado ativamente ao lado das forças de segurança.

No domingo (11), quatro peritos do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) chegaram a Bacabal para acompanhar o caso, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA). A equipe multidisciplinar, composta por psicólogo e assistente social, iniciou perícias psicológicas e sociais, com escuta de familiares das crianças desaparecidas. O IPCA é vinculado à SSP-MA e à Perícia Oficial de Natureza Criminal.

O primo dos irmãos, Anderson Kauã Barbosa Reis, de 8 anos, que também estava desaparecido, deverá ser ouvido pelo IPCA, mediante autorização dos órgãos de proteção à criança e ao adolescente. Ele foi encontrado com vida na última quarta-feira (7) em uma área de mata, após desaparecer por 72 horas.

Segundo a Polícia Civil do Maranhão (PCMA), Anderson Kauã foi localizado no povoado Santa Rosa, a cerca de quatro quilômetros, em linha reta, do local onde as crianças haviam sido vistas pela última vez. O resgate foi feito por três produtores rurais que trafegavam pela região em uma carroça e avistaram o menino em meio à vegetação.

Após o resgate, a criança foi encaminhada ao Hospital Geral de Bacabal, onde permanece internada. Segundo a equipe médica, Anderson chegou abatido, com dificuldade de fala e em estado de choque, mas apresenta evolução clínica considerada positiva. Ele segue sob cuidados médicos e acompanhamento psicológico, ainda sem previsão de alta. As informações preliminares repassadas pelo menino foram analisadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Conforme a SSP-MA, as bases das buscas estão instaladas em dois pontos estratégicos: no Quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças residem, e no povoado Santa Rosa, próximo ao local onde o primo foi encontrado. Em ambos os locais, a Prefeitura de Bacabal montou estruturas de apoio às equipes e aos voluntários, com tendas, alimentação, água, ambulâncias e outros serviços essenciais.

Segundo o governador do Maranhão, Carlos Brandão, as buscas já somam mais de 150 horas de trabalho contínuo, com mais de 500 pessoas mobilizadas, além do uso de drones com sensores térmicos, aeronaves do Centro Tático Aéreo (CTA), cães farejadores e equipes especializadas da Polícia Militar do Maranhão (PMMA), Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), Força Estadual, Exército Brasileiro e órgãos municipais.

O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, anunciou o pagamento de uma recompensa de R$ 20 mil para quem fornecer informações que contribuam para localizar as duas crianças. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 181 ou diretamente à coordenação da força-tarefa responsável pelas buscas no município.

Informações do CNN Brasil

Escola afro-brasileira Maria Felipa anuncia encerramento de suas atividades em Salvador

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A Escola Afro-brasileira Maria Felipa, primeira instituição de ensino com foco em pedagogia decolonial no país, anunciou o encerramento de suas atividades enquanto escola privada em Salvador. Em comunicado oficial, as sócias Bárbara Carine e Maju Passos informaram que a decisão foi tomada após nove anos de existência do projeto na capital baiana. O encerramento ocorre após um ciclo de sete anos letivos e uma tentativa constante de viabilizar a sustentabilidade do negócio na cidade que é o berço da instituição.

A gestão revelou que a manutenção da sede em Salvador exigiu um esforço financeiro e pessoal extremo. Segundo a nota, as proprietárias realizaram o “investimento de mais de um milhão de reais de recursos pessoais” na estrutura da cidade, além de enfrentarem um alto desgaste emocional e físico. “Buscamos diversos caminhos de sustentabilidade do negócio. Entretanto… elas decidiram encerrar a operação e seguir apenas com a unidade do Rio de Janeiro”, afirma o comunicado, ressaltando que a sede carioca já caminha para a autossuficiência.

Mesmo com o sucesso da expansão para o Sudeste, onde o número de matrículas quadruplicou em apenas um ano, a saída de Salvador é descrita com pesar devido à ligação histórica com o território. “Salvador é nossa cidade. Nosso lugar no mundo. A Bahia é a terra de Maria Felipa, nossa heroína. Por isso lutamos todos esses anos pela manutenção do projeto na cidade”, explicaram as fundadoras. Elas destacam, porém, que no atual cenário não é possível dar continuidade ao trabalho na capital baiana, mantendo a esperança de retomar o sonho em uma conjuntura futura.

O encerramento da unidade marca o fim de um capítulo importante para a educação soteropolitana, onde a escola se tornou referência por centralizar saberes africanos e indígenas no currículo infantil. No fechamento da nota, as sócias dirigiram-se à comunidade escolar com gratidão: “Agradecemos às nossas crianças (razão do nosso existir), agradecemos às/aos profissionais de educação que atuaram todos esses anos nesse sonho, agradecemos às famílias que confiaram a sua maior preciosidade em nossas mãos”.

Capital do Quênia aprova dois dias mensais de folga menstrual para colaboradoras

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Foto gerada por IA

Em um passo decisivo para os direitos trabalhistas e a saúde feminina, o Governo do Condado de Nairóbi aprovou formalmente a concessão de dois dias de licença menstrual remunerada por mês para suas servidoras. A medida, aprovada pelo Gabinete sob a presidência do Governador Johnson Sakaja, marca a capital queniana como pioneira na formalização do apoio à saúde menstrual dentro de suas políticas de Recursos Humanos.

A decisão foi tomada durante uma sessão estratégica do Comitê Executivo do Condado. O objetivo central é reconhecer a dismenorreia (dor menstrual severa) como uma condição que impacta diretamente a produtividade e o bem-estar da força de trabalho feminina, que hoje representa mais da metade do funcionalismo público da capital

A nova política não se baseia apenas em bem-estar, mas em dados sólidos de gestão. Estudos citados no memorando do governo indicam que entre 65% e 80% das mulheres sofrem de dores menstruais, muitas vezes em níveis que comprometem a capacidade laboral.

Antes da aprovação, a ausência de diretrizes forçava as funcionárias a enfrentar o “presenteísmo”, estar fisicamente no trabalho, mas sem condições reais de produtividade devido ao desconforto. “A política visa solucionar essa lacuna, oferecendo suporte estruturado sem impor ônus financeiro adicional ao município”, destaca o documento de posição do gabinete.

A gestão Sakaja garantiu que a implementação será acompanhada por medidas de sensibilização para evitar estigmas no ambiente de trabalho. Os principais pontos da execução incluem:

  • Sigilo Total: Garantia de privacidade e dignidade para as funcionárias em todos os níveis.
  • Avaliação de Desempenho: A utilização dos dias de saúde menstrual não terá impacto negativo nas avaliações de carreira.
  • Continuidade Operacional: Para garantir que os serviços essenciais não parem, o setor de Gestão do Serviço Público implementará escalas de revezamento e trocas de turnos.

Com esta medida, Nairóbi se junta a um grupo seleto de nações e regiões que reconhecem legalmente essa necessidade. Na África, a Zâmbia já possui o “Mother’s Day” (um dia de folga mensal). Globalmente, países como Japão, Coreia do Sul, Indonésia e Espanha (esta última desde 2023) já possuem leis que protegem a saúde menstrual das trabalhadoras.

No Quênia, embora o Ministério da Saúde e órgãos como o UNFPA já defendessem políticas de higiene e combate à pobreza menstrual, a iniciativa de Nairóbi é vista por especialistas como um avanço prático na remoção de barreiras de gênero no mercado de trabalho.

Guia inédito mapeia 100 experiências de gastronomia negra em todo o Brasil

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Foto gerada por IA

Lançamento aproveita ano com 10 feriados nacionais; publicação resolve lacuna histórica de visibilidade

Onde comer bem e apoiar o empreendedorismo negro durante as viagens? Essa pergunta, comum entre quem busca consumo consciente, tinha até agora uma resposta fragmentada. O Guia Black Chef’s 2026, lançado neste domingo (5) pelo Mundo Negro em parceria com o Guia Black Chef’s, resolve esse problema com uma curadoria inédita: 100 experiências gastronômicas de empreendedorismo negro em todo o Brasil, organizadas em formato prático e acessível.

“Pela primeira vez, existe um mapeamento nacional dedicado exclusivamente a isso”, afirma Silvia Nascimento, coordenadora editorial do guia. “Não existe um veículo no Brasil com mais credibilidade que o Mundo Negro para lançar um produto como esse, inédito, construído com um trabalho que é resultado de uma marca comprometida em promover a comunidade negra por meio de conteúdo há mais de 20 anos.”

O lançamento não é por acaso. 2026 começa com 10 feriados nacionais – incluindo Carnaval, Páscoa e diversos feriados prolongados – tornando-se um ano ideal para viagens pelo Brasil. O guia chega justamente no momento em que brasileiros começam a planejar seus roteiros.

O problema da invisibilidade

Estabelecimentos de proprietários negros frequentemente não aparecem em guias gastronômicos tradicionais ou plataformas de turismo. Mesmo com qualidade técnica e proposta diferenciada, faltava visibilidade organizada. “Cada estabelecimento aqui presente representa uma história de excelência, técnica e paixão que o mercado tradicional não enxerga”, destaca a publicação.

O Guia Black Chef’s existe desde 2023 e já apresentou mais de 200 estabelecimentos, consolidando-se como referência no setor. Esta edição reúne o melhor dessa curadoria: das praias do nordeste aos bistrôs do sul, passando por casas de sushi, pizzarias, sorveterias, cafeterias, hamburguerias e refúgios à beira-mar.

Cinco categorias para facilitar escolhas

O guia organiza as experiências para atender diferentes momentos: Pé na areia e verão (sabores litorâneos), Comida ancestral (tradições preservadas), Alta gastronomia (técnica apurada), Happy Hour & Burgers (descontração) e Sabores do Mundo & Cafés (sushi, pizzas, sorvetes, cafés autorais).

“Do sushi artesanal aos pratos de raiz, das sorveterias aos cafés, a diversidade é a essência”, afirma o guia. Entre os destaques estão o Ú Bistrô em Tibau do Sul (RN), refúgio contemporâneo na Praia da Pipa com vista para o mar; o Velas do Cumbuco no Ceará, onde kitesurf encontra gastronomia; e o Zé Barbudo Lounge em Trancoso (BA), que une o charme da Bahia com drinks e cozinha sofisticada.

Formato pensado para quem viaja

Em 16 páginas com design editorial, o guia facilita decisões rápidas. Um PDF bônus traz Instagram clicável de cada estabelecimento – basta tocar para acessar cardápio, horários e fazer reservas. “Nesta edição, convidamos você a descobrir destinos onde a ancestralidade dialoga com a inovação e cada prato conta uma narrativa única”, apresenta a publicação.

“O Guia Black Chef’s é mais novinho, mas já se tornou um projeto referência jornalística em conteúdos afrocentrados de gastronomia”, completa Silvia Nascimento.

O Guia Black Chef’s 2026 está disponível por R$ 67. Assinantes pagantes da Newsletter Hub Mundo Negro recebem um link exclusivo por e-mail com desconto especial, pagando apenas R$ 47.

ACESSE O GUIA AQUI

Sobre o Guia Black Chef’s
Criado em 2023, o Guia Black Chef’s é a principal referência no mapeamento da gastronomia negra brasileira, tendo apresentado mais de 200 estabelecimentos em todo o território nacional.

Sobre o Mundo Negro
Há mais de 20 anos, o Mundo Negro é referência em conteúdo sobre cultura, empreendedorismo e representatividade negra no Brasil.

Helber Alves segue desaparecido desde a véspera de Natal e família cobra respostas sobre o caso

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Foto: Reprodução

O produtor audiovisual Helber Alves, de 26 anos, segue desaparecido desde a madrugada do dia 24 de dezembro, na Grande São Paulo. Ele foi visto pela última vez por volta das 2h, na estação Cidade Jardim, na zona oeste da capital, segundo informações repassadas por familiares. Passados 12 dias do desaparecimento, o caso continua sem esclarecimentos e é investigado pela Polícia Civil.

Neste domingo (4), a irmã Kelly Alves atualizou a situação atual nas redes sociais. “Até o momento, as pistas que existem já foram entregues à polícia, porém não recebemos respostas ou atualizações concretas sobre o andamento do caso. Estamos aguardando pacientemente pra que tudo seja feito de forma correta!”, escreveu.

“Há a possibilidade de o Helber ter entrado em um carro de transporte por aplicativo, mas não é possível afirmar qual empresa, nem confirmar essa informação. Ainda não temos imagens de câmeras de monitoramento. Por esse motivo, toda informação compartilhada é fundamental para ajudar nas buscas”, completou.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), as apurações estão sob responsabilidade do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) da Delegacia Seccional de Carapicuíba. Em nota à imprensa, a pasta informou que as diligências seguem em andamento com o objetivo de localizar Helber e esclarecer os fatos relacionados ao desaparecimento.

Antes de desaparecer, Helber esteve na casa da irmã, no bairro Engenho Novo, em Barueri, no dia 22 de dezembro. Segundo relato da família, ele enfrentava dificuldades financeiras e foi até o local para conversar. Por volta das 22h50, deixou a residência e chegou a permanecer sentado na calçada por algum tempo. Já na madrugada do dia 23, enviou uma mensagem à mãe dizendo que havia conseguido dinheiro para quitar dívidas, mas, desde então, não respondeu mais.

Familiares destacam que Helber é pai de uma menina de 5 anos e sempre foi muito presente na vida da filha. Ele havia combinado de buscá-la no dia 24 para passar o Natal juntos, o que não aconteceu, aumentando a preocupação. No dia 29 de dezembro, amigos e parentes realizaram uma manifestação pacífica em frente à estação Cidade Jardim, pedindo mais visibilidade para o caso e celeridade nas investigações.

Qualquer informação que possa contribuir para localizar Helber Alves pode ser repassada de forma anônima ao Disque Denúncia, pelo número 181.

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