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Nikolly Fernandes é a nova musa da Estação Primeira de Mangueira

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Fotos: @guilhermedeka @winipjr/Gshow

Atriz de 20 anos que interpreta Kênia em A Nobreza do Amor foi oficializada musa da Mangueira neste sábado (29) e desfila em 2027 no enredo sobre Iansã.

A atriz Nikolly Fernandes, de 20 anos, foi oficializada musa da Estação Primeira de Mangueira neste sábado (29). Ela interpreta a personagem Kênia na novela A Nobreza do Amor, exibida no horário das seis pela TV Globo desde 16 de março deste ano.

A Nobreza do Amor acompanha a trajetória do reino fictício de Batanga, na costa africana, após a deposição da rainha Niara e a fuga da família real para o Brasil. Na trama, Kênia é filha de Jendal, personagem interpretado por Lázaro Ramos, e vive inicialmente cercada pelo poder do pai antes de se aproximar dos grupos que resistem a ele. Para construir a personagem, Nikolly pesquisou a própria ascendência africana e estudou orixás durante o período de preparação, processo que a aproximou de referências culturais também presentes no universo do samba.

A atriz classifica Kênia como uma anti-heroína e descreve a personagem como intensa e explosiva. A mudança de postura da jovem acontece quando ela passa a perceber os efeitos das decisões do pai sobre a população de Batanga. A novela ainda anunciou a chegada de Taís Araújo ao elenco, o que deve provocar uma virada na trama.

A relação de Nikolly com a Mangueira é anterior ao trabalho na novela. Ainda criança, ela integrou a Mangueira do Amanhã, ala mirim da escola, e seguiu depois como passista até ser convidada a assumir o novo posto. Em entrevista à revista Quem, a atriz descreveu a oficialização como a realização de um sonho e afirmou que sempre teve amor pela escola. O posto de musa, tradicional nas escolas de samba cariocas, costuma ser ocupado por figuras públicas ligadas à agremiação, com papel de representação da escola em eventos e na divulgação do enredo ao longo da temporada.

A oficialização de Nikolly amplia a presença de mulheres negras em funções centrais nos desfiles do Grupo Especial, ao lado de rainhas e madrinhas de bateria de outras agremiações, postos que combinam representação institucional e projeção artística ao longo da temporada de carnaval.

Fundada em 28 de abril de 1928 pelos sambistas Carlos Cachaça, Cartola e Zé Espinguela, entre outros, a Estação Primeira de Mangueira é uma das agremiações mais tradicionais do carnaval carioca e reúne, ao longo de sua história, nomes como Jamelão, Beth Carvalho e Nelson Sargento. A escola completa cem anos em 2028 e chega à próxima temporada de desfiles em meio às comemorações que antecedem a data.

Para o Carnaval de 2027, a Mangueira apresentará o enredo Oyá Por Nós, homenagem à orixá Oyá, também reconhecida como Iansã nas tradições do Candomblé. É a primeira vez que a escola constrói um enredo integralmente dedicado a um orixá, com abordagem centrada nas narrativas orais, nos itãs e nos orikis do Candomblé. O trabalho é assinado pelo carnavalesco Sidnei França, em seu terceiro desfile na escola, em parceria com os enredistas Felipe Tinoco e Sthefanye Paz.

A escolha do tema retoma uma relação antiga entre a escola e a orixá. Em 2016, a Mangueira já havia se aproximado do universo de Oyá com o enredo “Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá”, um dos desfiles mais lembrados da agremiação na década passada.

‘A mulher negra não precisa provar nada’: conversamos com Brunna Gonçalves sobre

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Brunna Gonçalves
Brunna Gonçalves fala sobre cuidados com cabelo natural/Reprodução/Redes sociais

“Existe uma cobrança muito contraditória sobre a mulher negra e qualquer escolha parece precisar provar alguma coisa, mas a mulher negra não precisa usar o cabelo de uma única maneira para provar que se ama”, diz Brunna Gonçalves ao Mundo Negro, ao compartilhar aspectos de sua vida e cuidados capilares. Recentemente, a bailarina divulgou seu novo visual por meio do Instagram, com cachos naturais volumosos, fios loiros e compridos. A publicação acumulou mais de 2 milhões de visualizações e milhares de comentários. Bruna trouxe à tona uma narrativa rotineira sobre sua aparência: “‘Ela tem vergonha do cabelo natural, por isso só usa lace’. Eu com vergonha do meu cabelo natural”, escreveu no vídeo, parafraseando questionamentos que recebe sobre seu cabelo durante toda a sua carreira. 

Conhecida por utilizar e compartilhar abertamente conhecimento sobre laces, Brunna Gonçalves relata que essa nova fase retrata um momento “muito bonito” de sua vida. “Me reconhecer, brincar com a minha imagem, mostrar outras versões de mim. Meu cabelo natural é lindo, saudável e faz parte de quem eu sou, mas minha liberdade também está em poder transformá-lo”, diz.

A bailarina mostrou o novo penteado e enfatizou que complementou-o com a técnica do megahair, respondendo ainda à comentários que duvidaram da legitimidade e da naturalidade de seus fios. “Não é lace, gente”, frisou.

Brunna relata que as críticas são rotineiras e elucida para uma cobrança desproporcional que recebe diante do uso de seus fios naturais ou não. Enquanto mulher negra, bailarina, esposa de uma das cantoras negras mais bem-sucedidas do país e uma imagem muito forte nas redes, a carreira de Brunna é marcada pelo racismo e acusações sobre como utilizar o seu cabelo. 

“Durante muito tempo as pessoas interpretaram o fato de eu usar lace como se eu tivesse vergonha do meu cabelo natural, e obviamente isso nunca foi verdade”, afirma.

Bailarina profissional desde os 21 anos de idade, ela afirma que seu cabelo também faz parte de sua expressão corporal. Brunna diz que gosta de experimentar comprimentos, cores, texturas diferentes, usar lace, trança, cabelo natural ou megahair; essas mudanças fazem parte de sua forma de “se apresentar ao mundo” e que nunca foram uma tentativa de esconder quem é.

Rotina de cuidados com os fios

Mãe de Zuri, de 1 ano, com a cantora Ludmilla, com quem é casada há sete anos, Brunna diz que, após a gestação, ficou mais atenta aos cuidados que seu corpo e cabelo requerem. “A gravidez e o pós-parto trazem muitas mudanças, então eu passei a observar mais as quedas, a força e o crescimento dos fios, o que eles estavam pedindo em cada momento, sem querer apressar nenhum processo”. 

Brunna revela que mantém uma rotina de hidratação, nutrição e reconstrução dos fios. Ela faz um cronograma visando o cuidado do couro cabeludo e respeita os intervalos entre uma transformação e outra, para não agredir a saúde dos fios. “Tudo com acompanhamento de profissionais de minha confiança. Sou muito chata com isso”. 

A bailarina ainda afirma que a mulher negra não precisa usar o cabelo de uma única maneira para provar que mantém os devidos cuidados e seguir uma rotina regrada de atenção aos fios. 

Ela criou empresa de buffet à domicílio e dá oportunidades para pessoas negras e LGBTQIA+

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Tamares Nascimento
Tamares Nascimento é dona do Cozinhando em Família/Foto: Divulgação

A história de Tamares Nascimento com o buffet Cozinhando em Família começou em 2016, após momentos difíceis em sua vida. Moradora de Itaquera, na zona leste de São Paulo, ela enfrentou abandono, a morte do pai, rejeição familiar, dependência química e chegou a viver nas ruas e também passou por presídios após ser acusada por um crime que afirma não ter cometido. Hoje ela está à frente do seu próprio negócio.

Quando conseguiu deixar as ruas e decidiu reconstruir a própria vida, buscou emprego, mas se deparou novamente com as portas fechadas. Mesmo tendo conseguido uma oportunidade na cozinha de um famoso restaurante, foi demitida por causa dos antecedentes criminais. Diante da dificuldade de encontrar espaço no mercado de trabalho, decidiu criar a própria oportunidade.

O primeiro passo foi a venda de coxinhas de porta em porta. Tamares descobriu que poderia transformar os conhecimentos adquiridos na cozinha em um negócio próprio e, posteriormente, fez um curso de gastronomia para se aperfeiçoar.

Foi nesse processo que nasceu o Cozinhando em Família, um buffet à domicílio. A iniciativa cresceu e passou a atuar também na produção de eventos. Hoje, o principal serviço oferecido pela empresa é o buffet de churrasco, feijoada, salgados e massas.

Mais do que uma fonte de renda, o negócio se tornou uma extensão da própria história da empreendedora. A equipe é formada por familiares e por pessoas que, segundo ela, também enfrentam dificuldades para conseguir espaço no mercado de trabalho, entre elas ex-presidiários, dependentes químicos em recuperação, pessoas LGBTQIA+ e mulheres com mais de 45 anos.

A proposta é transformar o negócio em uma porta de entrada para quem costuma ser rejeitado profissionalmente. “Uma oportunidade pode mudar uma vida. Uma coxinha mudou a minha”, afirma a empreendedora ao Mundo Negro.

A trajetória até aqui foi marcada por desafios. Ela conta que passou 12 anos como dependente química, viveu nas ruas e enfrentou o sistema prisional. Hoje, vê no empreendedorismo uma forma de reconstruir não apenas a própria vida, mas também criar oportunidades para outras pessoas.

A história do Cozinhando em Família também ganhou espaço na televisão. Atualmente, a empreendedora participa do programa Elevator Pitch Brasil, da Record News, experiência que representa mais uma etapa de sua jornada no empreendedorismo.

El Niño e população negra: prevenir para combater desigualdades

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por Rachel Maia

O Brasil entra em um novo período de atenção climática. O El Niño, confirmado em junho de 2026, tem previsão de permanência até março de 2027, com maior impacto no Norte, Nordeste e no Sul. Como apontam as atualizações de agosto do portal do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com base nas projeções do NOAA, há probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño extremo no próximo trimestre e 69% de chance de que seja um dos mais intensos desde o início dos registros, em 1950.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pela alteração dos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo, o El Niño nos preocupa, principalmente por tornar ainda mais difícil a vida da população negra, periférica, ribeirinha, quilombola e indígena, historicamente submetida a diferentes formas de vulnerabilidade territorial e social.

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, 56,8% da população residente em favelas e comunidades urbanas era parda e 16,1%, preta. Pessoas negras, portanto, representavam 72,9% dos moradores desses territórios. Quando essa realidade se combina a déficits de infraestrutura, saneamento e habitação, além da maior exposição a áreas de risco, a capacidade de resposta aos eventos extremos também se torna desigual.

Racismo ambiental: da previsão à prevenção

Formulado a partir de estudos realizados nos Estados Unidos e posteriormente incorporado ao debate global sobre justiça climática, o conceito de racismo ambiental surgiu na década de 1980 para analisar como critérios sociais e raciais influenciam a distribuição desigual dos impactos ambientais. 

No Brasil, esse fenômeno se manifesta em um cenário resultante de décadas de ocupação desigual do território, ausência de políticas públicas e racismo estrutural, que condicionam grande parte da população negra à vida em regiões sem planejamento urbano.

Os estudos sobre justiça climática já nos sinalizam que essas regiões são negligenciadas, o que torna seus moradores mais suscetíveis ao agravamento do colapso socioambiental. Isso aponta para a necessidade de que, nas cidades, as periferias brasileiras recebam maior atenção por concentrarem menor cobertura vegetal, maior impermeabilização do solo e infraestrutura de drenagem insuficiente.

As projeções científicas indicam que eventos extremos deverão se tornar mais frequentes e intensos em decorrência das mudanças climáticas e do aquecimento global. Se a tecnologia já permite melhorar a previsão de onde e quando determinados eventos podem acontecer, o próximo passo é utilizar esses dados para identificar quem estará mais vulnerável e direcionar investimentos preventivos para quem mais precisa.

Pesquisadores brasileiros unem IA e ciência para prever eventos hidrológicos 

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), coordenado pelo físico e pesquisador Leonardo Santos, por meio do projeto IFAST, faz uso da inteligência artificial (IA), para aprimorar a previsão de enxurradas e inundações. Assim como, a doutoranda em Ciências da Computação Gislaine Freitas está à frente de uma pesquisa voltada à mobilidade segura, com o desenvolvimento de uma ferramenta de alerta capaz de ajudar a evitar trechos alagados durante períodos de chuva intensa.

Com mais de 50 pesquisadores nacionais e internacionais e 15 instituições envolvidas, a plataforma FloodcastingXAI, em operação desde 2025, está transformando grandes volumes de dados em alertas mais precisos e localizados, possibilitando a antecipação de riscos e a mitigação de impactos em tempo recorde.

Temos um desafio coletivo pela frente: construir políticas de prevenção que culminem na inclusão da população diretamente afetada, tanto na formulação das políticas públicas de prevenção quanto na construção de soluções que combinem ciência, inteligência artificial, planejamento urbano, saneamento e habitação.

No enfrentamento do racismo ambiental, antecipar riscos, ampliar o acesso à informação e direcionar investimentos para os territórios mais afetados não são apenas estratégias de gestão: são escolhas de justiça e responsabilidade social. Pois todo o ecossistema perde quando um de nós não volta para casa ou perde seu lar.

A tecnologia pode ser uma aliada importante na prevenção de eventos climáticos. Quanto antes percebermos que a mitigação dos impactos ambientais deve priorizar quem mais precisa, mais próximos estaremos da civilidade.

Chef David Cruz cria Sistema de Gestão de Resíduos com foco em Sustentabilidade na Gastronomia

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O chef David Cruz, criador do sistema, “o Nexo Alimentar - Foto Divulgação

David Cruz, o chef paulista, com sangue nordestino e alma carioca em sua passagem pela cidade maravilhosa, usou seu conhecimento de  18 anos na Gastronomia para inovar e criar um sistema de gestão de resíduos a partir de inteligência artificial. O sistema Nexo Alimentar oferece uma ótica de “olhar para o lixo” a partir de uma foto tirada pelo operador (ASG) e essa imagem capta os itens mais encontrados na lixeira; sobe essas informações para um banco de dados e analisa o padrão de desperdício. 

“o Nexo Alimentar oferece algumas possibilidades estratégicas de analisar aquele resíduo. Uma delas, por exemplo, é identificar o consumo médio do produto por pessoa; bem como, a redução de custos a partir dos desperdícios”, explica Cruz.

Outros pontos que podem ajudar na tomada de decisão dos gestores e chefs estão relacionados à qualidade dos insumos ou aceitabilidade de um prato pelo cliente. 

De acordo com o criador do Nexo Alimentar, quando é encontrado um padrão de resíduos no lixo isso pode ser reflexo da falta de qualidade dos insumos; apresentação do prato ou tamanho da porção. Olhar para o lixo é essencial para compreender os desperdícios e alterar processos na gestão de um empreendimento gastronômico. Na operação que o chef está se despedindo no momento houve desde o início de sua gestão 42,5% de redução de resíduos de alimentos. Isso, em outras palavras, é diminuição de custos; e, automaticamente,  aumento de lucros.

A gastronomia como área que permite a criação há um gargalo em pratos e sua aceitabilidade. O chef destaca algo muito simples e que o ajudou a diminuir o desperdício de frutas no empreendimento hoteleiro que atua: “apenas mudar o corte e apresentação das frutas diminuiu seu retorno para a lixeira. O chef brinca em relação a uma experiência corriqueira na área: criar um prato com tamanho de porção mau definida. O  Nexo Alimentar foi essencial para rever o porcionamento dos pratos. O sistema promete contribuir para o impacto financeiro de empreendimentos gastronômicos, bem como na ecoeficiência – essencial para a implementação da orientação gerencial para sustentabilidade.

O setor já está de olho no perfil com foco em gestão e sustentabilidade do chef David Cruz. Nos próximos dias ele assume uma operação hoteleira no Brasil com 41 hotéis na posição de chef corporativo de Alimentos e Bebidas (A&B) da rede.

É muito bom ver os nossos se destacando e sendo reconhecidos pela excelência em uma das maiores redes hoteleiras do país.

GiroDelas promove experiências de lazer e conexão para mulheres negras no RJ: “Queremos criar possibilidades para muitas”

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Mulheres negras participam de encontro do GiroDelas no Rio de Janeiro
Foto: Divulgação

Evento reúne música, gastronomia, autocuidado e lazer em três encontros pensados para mulheres negras no Rio de Janeiro durante o mês de setembro.

Criar espaços para que mulheres negras possam simplesmente aproveitar a vida também é uma forma de construir pertencimento. É a partir dessa proposta que o GiroDelas realiza três encontros em setembro, na Casa Milagre, no Cosme Velho, no Rio de Janeiro.

Nos dias 12, 19 e 27 de setembro, das 13h às 18h30, a programação terá pocket shows de três cantoras, uma atração musical diferente a cada edição, além de DJs comandando uma seleção formada por 100% de música negra, nacional e internacional.

A programação também inclui experiências gastronômicas com chefs convidadas, ativações de marcas comandadas por afroempreendedores, ações de autocuidado e bem-estar e outros momentos voltados ao lazer e à convivência.

A proposta do GiroDelas é criar oportunidades para que mulheres negras circulem pela cidade, conheçam novos lugares e estabeleçam conexões que possam continuar para além do evento.

“Não queremos criar um espaço para poucas. Queremos criar possibilidades para muitas.”, declarou Patrícia Chaves, idealizadora do GiroDelas. 

Lazer, acesso e pertencimento

A escolha do formato também parte da compreensão de que muitas experiências são vividas de forma diferente quando existe uma comunidade para compartilhá-las. No GiroDelas, mulheres podem conhecer restaurantes e espaços culturais, ouvir música, dançar, descansar, experimentar novas atividades e construir relações em um ambiente pensado para elas.

O horário dos encontros também foi definido considerando diferentes realidades. A programação acontece durante o dia para que mães possam contar com suas redes de apoio por algumas horas, mulheres no puerpério possam participar quando se sentirem preparadas e outras convidadas consigam aproveitar a experiência e retornar para casa ainda durante o dia.

“A ideia é que o GiroDelas caiba na vida real dessas mulheres, e não que elas precisem abrir mão da própria vida para participar.”, destacou Patrícia. 

A comunidade também busca reunir mulheres com diferentes profissões, trajetórias, níveis de escolaridade e condições financeiras. A proposta é criar um ambiente de convivência em que essas diferenças não sejam obstáculos para a construção de novas relações.

Uma rede que continua depois da festa

Um dos aspectos centrais do GiroDelas é justamente o que acontece depois de cada encontro. A convivência entre as participantes já resultou em amizades, viagens, indicações profissionais e novas relações de consumo entre mulheres da própria comunidade.

A organizadora do projeto também é parte dessa dinâmica. Segundo ela, já contratou serviços de maquiagem, higienização e trancista de mulheres que conheceu por meio do evento.

A lógica transforma o encontro em uma porta de entrada para uma rede que continua se movimentando no cotidiano. Segundo Patrícia:

“O GiroDelas não termina quando o evento acaba. No fim, o que estamos construindo é uma rede.”

Black Money também faz parte da experiência

A escolha dos espaços e dos profissionais que participam da programação também integra essa proposta. A Casa Milagre, onde serão realizados os encontros de setembro, foi idealizada por Cidoca Nogueira, mulher negra que criou o espaço de hospitalidade a partir de referências de memória, afeto e acolhimento.

Para o GiroDelas, ocupar um empreendimento criado por uma mulher negra também significa fortalecer iniciativas negras e contribuir para a circulação de recursos dentro da própria comunidade.

Na programação musical, a escolha é igualmente intencional: DJs mulheres negras serão responsáveis pela trilha sonora, formada exclusivamente por música negra brasileira e internacional. A iniciativa também busca ampliar a visibilidade e as oportunidades para profissionais negras em um mercado historicamente marcado pela presença masculina.

A gastronomia segue a mesma lógica, com chefs negras convidadas para desenvolver cardápios exclusivos para cada encontro.

Assim, o lazer se conecta à valorização de profissionais, empreendedoras e iniciativas negras.

Uma comunidade em expansão

O GiroDelas completa dois anos em dezembro e prepara uma celebração especial na Casa Savana. Para 2027, a comunidade também prevê novas experiências, incluindo um encontro em um iate, pensado a partir da possibilidade de dividir coletivamente os custos de uma experiência que individualmente teria um valor elevado.

A proposta acompanha uma tendência de encontros voltados à socialização e ao lazer de mulheres negras que também vem ganhando espaço em cidades como Paris, Atlanta, Nova York, Londres e Belgrado.

“É sobre pertencimento, acesso, autocuidado e liberdade. É sobre descobrir que nós também podemos ocupar novos lugares, viver experiências de qualidade e ter o direito de simplesmente aproveitar a vida juntas.”

Serviço

GiroDelas — Casa Milagre
Datas: 12, 19 e 27 de setembro de 2026
Horário: 13h às 18h30
Local: Casa Milagre, Cosme Velho, Rio de Janeiro (RJ)
Programação: pocket shows, DJs, gastronomia, marcas negras, autocuidado, bem-estar e experiências de lazer.

Ingressos disponíveis no Sympla 

‘O problema nunca foi falta de talento’: Um dos poucos CEOs negros do país abre os hábitos que o sustentam além do crachá

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Denis Tassitano
Denis Tassitano é General Manager da Swile Brasil e criador do Best In Black/Foto: Divulgação



Para Denis Tassitano, CEO da Swile Brasil, sucesso profissional não se resume somente à competência. Em uma carreira de mais de 15 anos no mercado de tecnologia, o empresário aprendeu que talento, sozinho, nem sempre é suficiente para abrir portas, especialmente quando se fala em profissionais negros ocupando espaços de liderança.

“Na maioria das trajetórias de sucesso existe uma combinação entre repertório e conexões: o que você sabe e quem tem a oportunidade de saber o que você sabe”, afirma Tassitano. “Em determinadas fases da vida, precisamos alargar o foco para aquilo que exige mais de nós naquele momento”.

O executivo chegou à Swile Brasil após mais de uma década à frente da SAP, onde construiu uma trajetória em posições estratégicas e de negócios. Formado em Marketing pelo Mackenzie, com pós-graduação pela ESPM e extensão em Marketing pela Universidade de Nova York, sendo um dos poucos profissionais negros em cargo de liderança no Brasil, ele também se dedica a iniciativas de diversidade e inclusão voltadas à presença de grupos minoritários em cargos de destaque. Ele é co-fundador do Pacto A, organização que conecta profissionais negros a executivos experientes. Também criou o Best In Black, um programa de networking voltado a executivos e empreendedores negros.

Mas, para Tassitano, construir uma carreira não significa estar permanentemente conectado ao trabalho, nem tentar acompanhar todas as novidades que surgem em um mercado cada vez mais acelerado pela tecnologia e pela inteligência artificial. Ele defende que o equilíbrio pode ser construído ao longo do tempo, e não necessariamente todos os dias.

“Hoje, para mim, estar em movimento importa mais do que buscar performance”, diz. A mesma lógica se aplica à vida pessoal: entre caminhadas, viagens, museus e encontros com amigos e familiares, ele busca preservar relações que, segundo ele, permanecem mesmo quando empresas, cargos e ciclos profissionais terminam.

Ao Mundo Negro, entrevista concedida à Editora-Chefe do Mundo Negro Silvia Nascimento , Tassitano fala sobre os desafios de sua trajetória como profissional negro em posição de liderança, a relação entre carreira e vida pessoal, como mantém o repertório em um mundo em constante transformação e por que considera as conexões humanas tão importantes quanto o sucesso profissional.

Para você ainda vale a premissa de que temos que ser duas vezes melhores que os brancos para se destacar?

Eu não acredito que precisamos ser duas vezes melhores. O problema nunca foi falta de talento. Muitas vezes, o talento simplesmente não chega aos lugares onde as oportunidades são decididas. E é aí que entra um ponto no qual eu bato constantemente: acesso, conexões. Muita gente acredita que repertório, conhecimento e competência, sozinhos, serão suficientes para abrir todas as portas. São fundamentais, claro, mas não bastam. Na maioria das trajetórias de sucesso existe uma combinação entre repertório e conexões: o que você sabe e quem tem a oportunidade de saber o que você sabe.

Por isso, para mim, a discussão não deveria ser sobre negros precisarem ser melhores. Precisamos ampliar o acesso aos espaços, às conversas, às pessoas e às oportunidades onde o talento possa ser reconhecido.

Obama já disse em entrevista que é impossível equilibrar carreira com vida pessoal. Você concorda? Como você sabe em que momento o que deve ser priorizado?

Eu concordo que existem momentos em que o equilíbrio simplesmente não vai existir e não vejo necessariamente isso como um problema. Em determinadas fases da vida, precisamos alargar o foco para aquilo que exige mais de nós naquele momento.

Pode ser a busca por uma promoção, a adaptação a um novo cargo ou empresa, ou a preparação para um objetivo específico de carreira. Mas também pode acontecer exatamente o contrário: uma doença nossa ou de alguém próximo, o nascimento de um filho ou qualquer situação que faça a vida pessoal exigir muito mais atenção.

Quando falamos em falta de equilíbrio, quase sempre imaginamos o trabalho invadindo a vida pessoal, mas nem sempre é assim. Eu gosto de pensar na vida como uma prova de longa distância. Um corredor pode dar tudo de si em determinado trecho, sabendo que depois precisará recuperar o fôlego e administrar melhor o ritmo. Acho que a vida funciona um pouco assim. O equilíbrio não precisa existir todos os dias, mas precisa existir ao longo do percurso.

📷 Newton Santos/Divulgação

Vivemos em uma época em que ferramentas de trabalho ligadas à tecnologia são atualizadas semanalmente, entre outros aspectos profissionais afetados pela IA. Como você se organiza para acompanhar essa atualização? Cursos, leituras, podcasts? Pode indicar para a gente o que você consome?

Eu desisti há algum tempo de tentar acompanhar tudo. Isso já era impossível e a IA só deixou essa impossibilidade mais evidente. Minha preocupação hoje é outra: manter a curiosidade e ampliar a minha visão de mundo.

Leio menos livros do que gostaria, é uma batalha constante, mas consumo muitos artigos, podcasts e audiobooks. Faço cursos, converso com pessoas de áreas e gerações diferentes e estudo temas que, muitas vezes, parecem não ter nenhuma relação com o meu trabalho. Uma dica prática é treinar o seu feed. Se não dá para vencer o algoritmo, junte-se a ele! Navegue menos, mas faça com que o tempo gasto ali também alimente seus interesses.

Quando quero aprender sobre algo, uso uma regra simples: três livros, três podcasts, três audiobooks e bons perfis sobre o tema. Isso me ajuda a criar repertório sem a pretensão de dominar tudo.

A atividade física é algo quase inegociável para grandes líderes. Você treina ou tem alguma atividade física regular?

Por incrível que pareça, não tenho uma atividade física regular há algum tempo, mas estou sempre em movimento. Ando muito pela cidade, gosto especialmente de caminhadas noturnas e, quando viajo, caminho por todos os lados. Para mim, é uma das melhores formas de conhecer um lugar, inclusive São Paulo, que é a cidade onde vivo.

No escritório, prefiro as escadas ao elevador e tenho o privilégio de morar em um bairro onde grande parte da vida acontece a uma distância agradavelmente caminhável.

Agora estou retomando a academia à noite, com exercícios leves e sauna. Meu objetivo mudou: não quero bater recordes. Quero manter a forma, preservar a memória muscular que construí desde a adolescência e envelhecer bem.

Hoje, para mim, estar em movimento importa mais do que buscar performance.

Socializar e ter amigos é cada vez mais fundamental em um mundo acelerado. Como você inclui a convivência com amigos e também família na sua rotina?

No livro “Os 5 principais arrependimentos que as pessoas têm antes de morrer”, de Bronnie Ware, que trabalhou durante anos com pacientes em cuidados paliativos, identificou cinco arrependimentos recorrentes no fim da vida. Um deles é muito simples e poderoso: “Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos”. Definitivamente, esse não será um arrependimento meu. Falamos muito de saúde física e mental, mas ainda pouco de saúde social. Eu acredito profundamente no poder das relações. Networking nunca foi colecionar contatos; é construir relações genuínas, no trabalho, nas amizades e, principalmente, na família.

Por isso, eu produzo encontros, viajo, vou a museus, encontro amigos, converso sem pauta. Nem todo encontro precisa produzir alguma coisa, mas precisamos produzir o encontro. Falta de tempo não pode ser sempre a justificativa para deixarmos as relações para depois. Talvez um dos riscos desta época seja transformar tudo em produtividade. Até o descanso virou performance. Eu preservo espaços de conexão como fundamentais na minha rotina, seja presencial ou virtual.

Cargos mudam, empresas mudam, ciclos terminam. Relações permanecem.

No final, não quero construir uma carreira extraordinária às custas de uma vida medíocre sem conexão com pessoas.

*Entrevista concedida à Editora-Chefe do Mundo Negro Silvia Nascimento

Justus Kelley é a primeira mãe a vencer o Miss USA

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Justus Kelley com a coroa de Miss USA 2026
Foto: Reprodução/ @rezanationmedia

Mulher negra, casada e mãe de acolhimento de duas crianças, Kelley conquistou a coroa aos 31 anos, após o concurso ampliar suas regras de elegibilidade.

A modelo e escritora Justus Kelley fez história ao ser coroada Miss USA 2026. Ela se tornou a primeira mãe e mulher casada a conquistar o título na história do concurso.

Kelley, que anteriormente foi Miss Virginia USA, assumiu a coroa após o Miss USA ampliar suas regras de elegibilidade e deixar de restringir a participação de mulheres de acordo com seu estado civil ou condição parental.

A mudança permitiu que mulheres casadas e mães disputassem o título — uma possibilidade que, para Kelley, havia ficado distante após o casamento.

Agora, aos 31 anos, ela ocupa o posto que também quebra esteriótipos acerca de quem pode chegar ao palco do Miss USA.

Da Virgínia à coroa nacional

Antes de conquistar o título nacional, Kelley representou a Virgínia no Miss USA. Além da carreira no universo dos concursos, ela atua como autora, é mãe de acolhimento de duas crianças e embaixadora global do St. Jude Children’s Research Hospital.

Sua trajetória também se conecta ao trabalho de cuidado e à atuação pública. Como embaixadora da instituição, participa de iniciativas relacionadas à conscientização e ao apoio às crianças atendidas pelo hospital.

Uma nova regra, uma nova possibilidade

A edição de 2026 acontece após o concurso alterar seus critérios de participação. A abertura para mulheres independentemente de casamento ou maternidade amplia o perfil de candidatas que podem disputar a principal coroa nacional dos Estados Unidos.

Para Kelley, a mudança representou a possibilidade de retornar a um espaço que ela havia imaginado não ocupar novamente depois de se casar.

A próxima etapa da competição levará a nova Miss USA a um palco internacional, onde ela disputará o título de Miss Universe.

1º Simpósio Afro de Tarô debate ancestralidade e identidade negra em SP

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Foto: gerada por IA

Evento híbrido acontece nos dias 17 e 18 de outubro, no Teatro Almadalma, e discute ancestralidade, identidade e o papel de pessoas negras dentro da prática oracular

O Grupo Mistérios da Luz promove, nos dias 17 e 18 de outubro, o 1º Simpósio Afro de Tarô – Pamela Colman Smith, evento voltado à discussão de ancestralidade, racismo, identidade e representatividade negra dentro do universo do tarô e das práticas oraculares. A programação reúne mais de 30 palestrantes ao longo dos dois dias, em formato híbrido, com transmissão online e atividades presenciais no Teatro Almadalma, em São Paulo.

O nome do simpósio faz referência a Pamela Colman Smith, ilustradora responsável pelas imagens do baralho de tarô mais popular do mundo, o Rider-Waite-Smith, cuja contribuição histórica costuma ser apagada ou secundarizada nas narrativas tradicionais sobre a origem do tarô moderno. A identidade visual do evento, com elementos como raízes, a flor protea, um turbante e uma estrela de oito pontas, foi desenvolvida para representar ancestralidade, identidade negra e conexão com diferentes tradições espirituais e de conhecimento.

Serviço

Evento: 1º Simpósio Afro de Tarô – Pamela Colman Smith
Data: 17 e 18 de outubro de 2026
Local: Teatro Almadalma, São Paulo (SP)
Formato: híbrido, presencial e online
Realização: Grupo Mistérios da Luz

Programação – Sábado (17/10), manhã (9h às 14h30)

  • 9h00 — Credenciamento, com entrega de pulseiras, crachás e café de boas-vindas
  • 9h50 — Luana Gonçalves, boas-vindas
  • 10h00 — Thays Camargo, abertura, “Bate Folhas”
  • 11h00 — Mesa Magna: Simbologia do Simpósio, sobre atravessamentos do tarô quanto à decolonialidade, a obra de Pamela Colman Smith e questões raciais, de gênero e classe
  • 12h00 — Vanessa Ribeiro, sobre a invisibilização e o reconhecimento das mulheres negras dentro da cartomancia
  • 12h30 — Isabel Gomes, “O Perigo da História Única: Feminino, Invisibilização e Memória no Tarô”
  • 13h00 — Alexsander Lepletier, sobre gênero, sexualidade e raça no tarô
  • 13h30 às 14h30 — Almoço

Programação – Sábado (17/10), tarde (14h30 às 21h)

  • 14h30 — Dr. Márcio Santos, sobre ferramentas legais de enfrentamento ao racismo e ao racismo religioso
  • 15h00 — Daniela Torres, “Pardo é Negro? Uma conversa sobre identidade, raça e pertencimento no Brasil”
  • 15h30 — Nei Naiff, sobre tarô em transformação e os novos caminhos da consciência oracular
  • 16h00 — Kelma Mazziero, sobre o acesso aos estudos na prática oracular
  • 16h30 — Eshe Orah, sobre grafologia
  • 17h00 — Lu Zanetta, “Ativando Exu Ancestral”
  • 18h00 — Rosana de Almeida, Prêmio Roberto Caldeira
  • 18h30 — Marina Caldeira, sobre como cultivar ancestralidade através do tarô
  • 19h às 21h — Mostra Cultural, com Sergio Moura e Fernando Picheli (“Carta de Amor ao Brasil”, às 19h) e Luter Nguzaule e Banda (“Meu Samba é Reza”, às 20h), além de entrevistas com Allice Nation ao longo do dia

Programação – Domingo (18/10), manhã (8h30 às 14h)

  • 8h30 — Café de recepção
  • 9h00 — Ana Rita, “Raízes nas Escolas: um oráculo sobre mulheres em sala de aula”
  • 10h00 — Deia Filhad’Água, “Kaá Timbó: Feitiçaria Brasileira”
  • 11h00 — Barbara Gregório, sobre ancestralidade e hoodoo nas Américas afrodiáspora
  • 11h30 — Luiza Papaleo, sobre uma visão holística de saúde através do tarô
  • 12h00 — Sabá Nefer, Kemetic Yoga
  • 13h às 14h — Almoço

Programação – Domingo (18/10), tarde (14h às 19h30)

  • 14h00 — Wagner Ribeiro, “Cantos, contos e cartas: encruzilhadas entre a musicovivência e o tarô”
  • 15h00 — José Roberval, sobre a branquitude imposta pelos tarôs europeus
  • 15h30 — Lolla Alonso, “Magia tem cor? Fortalecendo seu Ori”
  • 16h30 — Douglas Santos, sobre tons de pele e aspectos corporais na astrologia
  • 17h00 — Rafael Lima, sobre se toda expansão de consciência deve produzir realidade
  • 17h30 — Ione Reis, “Entre Folhas e Bênçãos: Ancestralidade, Ervas e Benzimento”
  • 18h30 — Jana Baps, reggae e desfile afro
  • 19h30 — Elenildes Silva, encerramento e legado

Rei de Uganda, monarca mais jovem do mundo, morre aos 34 anos

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Foto: ROBERTO SCHMIDT/AFP via Getty

O rei Oyo Nyimba, de Uganda, morreu aos 34 anos. Ele se tornou o monarca reinante mais jovem do mundo ao assumir o trono aos três anos.

O rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, de Uganda, morreu na noite de quinta-feira (27), aos 34 anos, após ser tratado por uma doença não revelada nos Estados Unidos. A morte foi anunciada pelo primeiro-ministro do Reino de Tooro, Calvin Armstrong Rwomiire Akiiki, em publicação na rede social X. Oyo Nyimba se tornou o monarca reinante mais jovem do mundo ao assumir o trono aos três anos de idade, em 1995, após a morte do próprio pai, o rei Patrick David Matthew Kaboyo Rwamuhokya Olimi III.

Segundo Akiiki, o rei deixa um príncipe como herdeiro, cuja identidade só será revelada formalmente em cerimônia própria, conforme os costumes do reino. “A continuidade da Coroa está assegurada”, afirmou o primeiro-ministro em nota. A causa da morte não foi divulgada, mas um ministro do governo ugandense já havia dito, horas antes do anúncio, que o rei recebia tratamento médico crítico fora do país.

O Reino de Tooro é um dos reinos tradicionais de Uganda, localizado na região oeste do país, próximo à fronteira com a República Democrática do Congo. Fundado no início do século XIX, o reino foi extinto pelo governo ugandense em 1967, sob o então presidente Milton Obote, que buscava unificar politicamente o país eliminando as monarquias tradicionais. As instituições reais foram restauradas em 1993 como entidades culturais, sem poder político formal, mas mantendo forte influência simbólica e social sobre o povo batooro.

Coroado uma semana após o enterro do pai, o então príncipe de três anos passou por rituais tribais que o transformaram oficialmente em Omukama, título que significa “rei” no idioma local. Imagens da época mostram a criança brincando com brinquedos durante a cerimônia e chegando a tirar a coroa feita de pele de leão por considerá-la pesada demais. Até completar 18 anos, Oyo governou por meio de regentes nomeados pelo próprio reino, entre eles a mãe, a rainha Best Kemigisa, assumindo plenos poderes cerimoniais apenas em abril de 2010.

Ainda criança, o rei se tornou uma figura conhecida internacionalmente, recebendo atenção de líderes mundiais em eventos oficiais. Um dos vínculos mais marcantes de sua infância foi com o então líder da Líbia, Muammar Gaddafi, que fez diversas viagens a Uganda e apoiou financeiramente a família real de Tooro ao longo de anos, até sua morte, em 2011.

Já adulto, Oyo passou a se dedicar a projetos de desenvolvimento social e ambiental na região. Um dos mais conhecidos foi uma fazenda-modelo no distrito de Kyenjojo, que combinava pecuária leiteira, cultivo de café, banana, manga, tomate, criação de peixes, cabras e aves, aberta à visitação pública para ensinar técnicas agrícolas modernas à população local. Em 2022, ele liderou uma expedição real ao maciço Rwenzori, cadeia de montanhas com quase cinco mil metros de altitude, para chamar atenção aos efeitos do aquecimento global na região e promover o montanhismo como atividade turística em Uganda. A expedição resultou em um documentário produzido pela National Geographic, exibido internacionalmente em 2023.

Reservado em relação à vida pessoal, o rei nunca se casou e era frequentemente descrito na imprensa ugandense como o solteiro mais cobiçado do país. Em setembro do ano passado, o presidente do Parlamento ugandense chegou a prometer publicamente pagar o preço da noiva, tradição local, no dia em que o monarca decidisse se casar.

A morte pegou parte da população ugandense de surpresa, já que muitos não sabiam da gravidade do quadro de saúde do rei antes do anúncio oficial. O vice-presidente do Parlamento de Uganda, Thomas Tayebwa, declarou à agência de notícias AP que a notícia era “muito difícil de compreender”. Nas redes sociais, o músico e líder da oposição ugandense Bobi Wine também prestou homenagem ao monarca, desejando que sua alma descansasse em paz eterna.

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