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Duane “Keffe D” Davis é condenado pelo assassinato de Tupac Shakur

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Foto: Pool/AFP/Getty Images

Duane Keffe D Davis foi condenado por assassinato em primeiro grau pela morte de Tupac Shakur em 1996, em Las Vegas. Sentença sai em 13 de outubro.

Duane “Keffe D” Davis foi condenado nesta segunda-feira, 31 de agosto, por assassinato em primeiro grau com uso de arma letal, em júri realizado em Las Vegas, cidade onde o rapper Tupac Shakur foi morto a tiros em 1996. A decisão chega quase 30 anos após o crime e faz de Davis a única pessoa já acusada formalmente pela morte do rapper. Os promotores não sustentaram que ele tenha disparado os tiros, mas o responsabilizaram por orquestrar o assassinato, categoria mais grave de homicídio na legislação dos Estados Unidos e que indica morte considerada intencional e premeditada pelo júri. Familiares de Tupac reagiram à leitura do veredicto, e Sekyiwa “Set” Shakur, irmã do rapper, chorou baixinho durante a sessão, embora não tenha havido manifestações audíveis no tribunal.

A acusação chegou a considerar um agravante por envolvimento de gangues organizadas, hipótese descartada ainda durante o julgamento. Segundo o vice-procurador-chefe do distrito, Binu Palal, em declaração à CNN Brasil, a decisão se deu por “questões logísticas relacionadas a testemunhas”. A sentença contra Davis será conhecida em seis semanas, no dia 13 de outubro, e até lá ele permanece sob custódia, sem direito a fiança. Caberá à juíza Carli Kierny decidir a pena, que pode chegar a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

O veredicto foi lido duas semanas antes de 13 de setembro, data em que a morte de Tupac completa 30 anos. O rapper morreu no University Medical Center de Las Vegas, a menos de três quilômetros do tribunal onde Davis foi julgado, seis dias depois de receber quatro tiros aos 25 anos. Segundo a acusação, Davis comandou o ataque como retaliação a uma briga anterior envolvendo o sobrinho dele, Orlando “Baby Lane” Anderson, supostamente agredido por Tupac e integrantes de seu grupo pouco antes do crime.

Tupac já acumulava um histórico de episódios violentos antes da morte. Em 1993, havia sido acusado de atirar em dois policiais durante uma briga em Atlanta, acusação retirada posteriormente, e no ano seguinte uma fã o acusou de abuso sexual após um encontro em um hotel, caso em que o rapper se declarou inocente e alegou relação consensual, segundo reportagem do jornal The New York Times à época. Ainda durante a deliberação desse julgamento, ele foi atingido por cinco tiros ao tentar escapar de uma abordagem em um estúdio de gravação em Nova York, passou por cirurgia e acabou condenado a 18 meses de prisão no caso de abuso sexual. Ao recorrer da sentença, fechou um acordo com o executivo Marion “Suge” Knight, da gravadora Death Row Records, para pagar fiança e seguir em liberdade, vínculo que aprofundou seu envolvimento com as gangues que disputavam espaço na cena do hip-hop californiano e que, nos anos seguintes, resultou em ataques entre os grupos rivais.ar a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

O veredicto foi lido duas semanas antes de 13 de setembro, data em que a morte de Tupac completa 30 anos. O rapper morreu no University Medical Center de Las Vegas, a menos de três quilômetros do tribunal onde Davis foi julgado. Ele tinha 25 anos quando recebeu quatro tiros e faleceu seis dias depois.

Segundo a acusação, Davis comandou o ataque como retaliação a uma briga anterior envolvendo o sobrinho dele, Orlando “Baby Lane” Anderson, supostamente agredido por Tupac e integrantes de seu grupo antes do crime.

Tupac já acumulava um histórico de episódios violentos antes da morte. Em 1993, ele havia sido acusado de atirar em dois policiais durante uma briga em Atlanta, acusação retirada posteriormente. No ano seguinte, uma fã o acusou de abuso sexual após um encontro em um hotel, caso em que o rapper se declarou inocente e alegou relação consensual, segundo reportagem do jornal The New York Times na época.

Ainda durante a deliberação desse julgamento, Tupac foi atingido por cinco tiros ao tentar escapar de uma abordagem em um estúdio de gravação em Nova York. Ele passou por cirurgia, foi condenado a 18 meses de prisão no caso de abuso sexual e recorreu da decisão, fechando um acordo com o executivo Marion “Suge” Knight, da gravadora Death Row Records, para pagar fiança e seguir em liberdade. O vínculo aprofundou o envolvimento do rapper com as gangues que disputavam espaço na cena do hip-hop californiano, cenário que, nos anos seguintes, resultou em ataques entre os grupos rivais.

30 voltas ao sol da figura mais magnética da nossa geração

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Foto: Jamie McCarthy

Zendaya completa 30 anos nesta terça-feira, 1º de setembro. Relembre a trajetória da atriz, do futebol na infância em Oakland aos prêmios em Hollywood.

Zendaya Maree Stoermer Coleman completa 30 anos nesta terça-feira, 1º de setembro, data de seu nascimento em Oakland, na Califórnia, em 1996. Reconhecida internacionalmente por papéis em Homem-Aranha, Duna e Euphoria, a atriz e cantora construiu a carreira ao longo de mais de quinze anos sem que a vida pessoal ocupasse o mesmo espaço que os projetos profissionais, comportamento pouco comum entre astros de Hollywood da mesma geração.

A atriz nasceu em uma família formada por Claire Stoermer, diretora de teatro com ascendência alemã e escocesa, e Kazembe Ajamu Coleman, professor de educação física com raízes no Zimbábue. O nome escolhido pelos pais vem da língua shona, falada no país africano, e significa “dar graças”. Essa dupla origem aparece com frequência quando a cobertura sobre cultura negra trata da formação da atriz, já que a ascendência paterna a conecta diretamente ao continente africano.

Antes de se dedicar à atuação, Zendaya passou a infância em atividades esportivas competitivas. Ela integrou equipes de basquete ainda no jardim de infância, por incentivo do pai, que buscava reproduzir na filha o próprio histórico como professor de educação física. A prática se estendeu ao futebol, esporte que ela disputou pelo Rockridge Soccer Club, clube local de Oakland, além do atletismo. Fotos e vídeos dessa fase voltaram a circular nas redes sociais nos últimos meses, mostrando a atriz ainda criança em campo, em contraste com a exposição que marca sua rotina atual.

A mudança de rumo começou por volta dos seis anos, quando Zendaya passou a acompanhar a mãe no trabalho de bastidores do California Shakespeare Theater, companhia onde Claire atuava como gerente de casa durante o verão. Na função, a menina organizava cadeiras e vendia ingressos para arrecadação de fundos, mas o interesse real estava nas apresentações em si. Seu primeiro papel em um palco foi o de um bicho da seda na montagem escolar de “James and the Giant Peach”. A partir dali, ela deixou as competições esportivas para se dedicar à dança e à interpretação, decisão que não agradou de imediato o pai, que somente depois assumiu a função de empresário e passou a levá-la pessoalmente a testes e audições.

Ainda criança, Zendaya trabalhou como modelo para marcas como Macy’s e Old Navy e frequentou aulas na Oakland School for the Arts. Ela também dedicou dois anos ao hula, dança tradicional havaiana, na Academy of Hawaiian Arts, e seguiu como aprendiz do California Shakespeare Theater.

A carreira na televisão começou em 2010, quando ela foi escalada para viver Rocky Blue na série “Shake It Up”, do Disney Channel, papel que ocupou até 2013. Na sequência, estrelou e também produziu “K.C. Undercover”, exibida entre 2015 e 2018, função que ampliou sua participação nos bastidores da produção além da atuação diante das câmeras.

Em paralelo à televisão, Zendaya lançou o álbum autointitulado “Zendaya” em 2013, precedido pelos singles “Swag It Out” e “Watch Me”, este último em parceria com Bella Thorne.

No cinema, a estreia como protagonista veio em 2017, com o musical “O Rei do Show”, ao lado de Hugh Jackman e Zac Efron. No mesmo ano, ela interpretou Michelle Jones, a MJ, em “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, primeiro dos quatro filmes que fez na franquia da Marvel ao lado de Tom Holland, sequência que incluiu “Homem-Aranha: Longe de Casa” (2019), “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021) e “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, lançado em julho deste ano.

Em 2019, ela assumiu o papel de Rue Bennett na série “Euphoria”, da HBO, sobre uma adolescente em tratamento contra a dependência química. A atuação rendeu à atriz dois prêmios Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática, o que a tornou a intérprete mais jovem a vencer a categoria.

A partir de 2021, ela viveu Chani na adaptação de “Duna”, de Denis Villeneuve, personagem que repetiu em “Duna: Parte Dois”, de 2024, e que volta a interpretar em “Duna: Parte Três”, com estreia prevista ainda para este ano. Outros trabalhos recentes incluem “Malcolm & Marie” (2021) e “Challengers” (2024), além de “The Drama”, ao lado de Robert Pattinson, e “A Odisseia”, de Christopher Nolan, ambos lançados em 2026.

No universo da moda, Zendaya recebeu o prêmio Fashion Icon do Conselho de Designers de Moda dos Estados Unidos, o CFDA, e foi incluída pela revista Time na lista das cem pessoas mais influentes do mundo em 2022.

Na vida pessoal, o relacionamento com Tom Holland, colega de elenco desde as filmagens de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” em 2016, tornou-se público apenas em 2021, após registros de paparazzi. O casamento dos dois foi mantido em sigilo por meses, período que incluiu a circulação nas redes sociais de imagens falsas, geradas por inteligência artificial, apresentadas como se fossem da cerimônia real. Questionado sobre o episódio em entrevista à revista Esquire, Holland afirmou que a própria família sabia que as fotos eram falsas porque “estavam todos lá”, confirmando a união sem detalhar data ou local da celebração.

A agenda da atriz para os próximos meses inclui a divulgação de “Duna: Parte Três” e a continuidade do trabalho como produtora, função que vem assumindo com mais frequência desde “K.C. Undercover” e que deve se estender aos próximos projetos ainda não anunciados.

“Um restaurante não depende só de saber cozinhar”, diz a Chef Michele Crispim

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Michele Crispim é fundadora do Florella Bistrô & Café/Foto: Divulgação

Vencedora da quarta temporada do MasterChef Brasil e dona do Florella Bistrô & Café, em São Paulo, a chef falou sobre delegar funções, planilha desde 2015 e o preço de tentar dar conta de tudo sozinha

“Pensem num chef de cozinha: qual é a imagem que vem na cabeça de vocês? Um homem branco.” A pergunta foi feita por Michele Crispim (@crispimichele) a uma plateia do Universa Talks 2026, evento do UOL dedicado ao empreendedorismo feminino, e serviu para explicar por que ela decidiu construir a própria imagem antes mesmo de ter um endereço físico. “Eu falei: gente, eu quero ocupar esse espaço.”

Antes de entrar na cozinha profissionalmente, Michele trabalhava com Gestão de Pessoas e acompanhava o MasterChef querendo mudar de carreira. Em 2017 se inscreveu na quarta temporada, chegou à final e venceu. Morava na Grande Florianópolis, onde abriu o primeiro restaurante. Hoje comanda o Florella Bistrô & Café (@florellabistro), na Vila Nova Conceição, em São Paulo, aberto em 2025.

A casa própria mudou o jogo de um jeito que ela descreve sem romantismo. Uma marca pessoal pode ser sustentada por talento e presença, mas um restaurante precisa funcionar todos os dias, com ou sem a chef no salão. Foi aí que apareceram os erros que ela faz questão de contar em voz alta.

O primeiro é o mais comum entre quem entra na gastronomia pela paixão. “Eu sei cozinhar, mas um restaurante não depende só de saber cozinhar; ele depende de administração, de financeiro, de marketing. Se eu ficar fazendo só o que eu sei, eu não vou nem saber o que está acontecendo no meu negócio”, disse.

No primeiro restaurante, ela tentou ocupar todos os postos ao mesmo tempo. “Eu ia às três horas da manhã no Ceasa comprar as coisas, depois queria estar na cozinha porque não confiava, e ainda queria atender as pessoas. O que aconteceu? Me sobrecarregou.” A virada veio quando aceitou dividir, entendendo que “cada um tem que cuidar daquilo que sabe fazer e aprender a delegar funções”. O efeito, segundo ela, apareceu no caixa: “depois que eu deleguei funções, o meu faturamento aumentou muito”.

Vale um contraponto que a fala dela não cobre. Delegar pressupõe caixa para pagar alguém, e boa parte de quem empreende na gastronomia brasileira toca o negócio sozinha ou com a família, entre a cozinha de casa, o delivery e a barraca de feira. Para quem está nesse ponto, o conselho mais aplicável da Michele não é o de contratar, é o que veio antes dele: separar as contas pessoais das contas da empresa e saber, todo mês, quanto entra e quanto sai. A planilha que ela mantém desde 2015 existiu antes de qualquer sócio.

Sobre clientes, Michele separa duas coisas que costumam ser tratadas como uma só. Atrair é uma tarefa, fazer voltar é outra. “Sinceramente, para ele retornar é a comida. Eu posso ter uma série de estratégias para fazer ele ir até lá, mas para ele voltar a comida tem que ser boa.” A crítica é dirigida a quem aposta todas as fichas em ações virais que não se sustentam quando o prato chega à mesa. “Nenhum restaurante sobrevive de experiências únicas.”

A disciplina com números aparece na fala dela como método, não como dom. “Ser organizada financeiramente é indispensável. Eu tenho planilhado a minha vida financeira desde 2015, com todos os meus gastos pessoais e da empresa separadamente.” Daí ela puxa um recado sobre ambição, geralmente mais difícil de engolir do que planilha: “a gente tem medo de ser grande muitas vezes, não pode ter medo de investir no que você faz”. Metas financeiras audaciosas, nas palavras dela.

A chef também recusa a ideia de esperar o momento em que tudo estará resolvido. “Você tem que aprender no caminho. Ninguém vai estar se sentindo 100% pronta.” E trata o erro como ativo, não como derrota: “quanto mais eu erro, mais caro eu vou cobrar. Ao invés de fazer um curso, eu quebrei minha cara. Aí eu já sei o que eu errei”.

A formação em Gestão de Pessoas, que ficou para trás no currículo mas não na prática, fecha o raciocínio no ponto que atravessa todos os outros. “No final das contas, é sempre sobre lidar com pessoas. O que as pessoas têm mais dificuldade é no lidar com pessoas.” Nenhuma tecnologia, diz ela, substitui escuta e olhar atento para a equipe.

“Eu sou o meu produto principal, eu sou a minha empresa”, definiu. A frase explica o cuidado que ela teve em construir a imagem antes da casa e explica também o limite desse modelo: um negócio que depende inteiramente de uma pessoa só cresce quando essa pessoa aprende a sair do centro.

SERVIÇO

Florella Bistrô & Café (@florellabistro)
Rua Dina, 76, Vila Nova Conceição, São Paulo (SP)
Chef Michele Crispim (@crispimichele)

Quando o palco brasileiro se parece mais com o Brasil: Musical 7 Mulheres e Um Mistério

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Laura Castro e Letícia Soares de 7 Mulheres e Um Mistério
Foto: Divulgação

Por Rodrigo França

Laura Castro, Letícia Soares e Larissa Noel estão em 7 Mulheres e Um Mistério, O Musical, e a presença das três atrizes negras diz algo importante sobre a adaptação de uma obra estrangeira para o Brasil. Laura e Letícia integram o elenco principal, enquanto Larissa atua como swing. A montagem poderia simplesmente reproduzir uma determinada imagem da França dos anos 1950. Escolheu outro caminho: uma história pode nascer em outro país, em outra década, e ainda assim encontrar no palco brasileiro os rostos do Brasil.

Parece uma decisão simples. Historicamente, não foi.Durante décadas, atrizes negras estiveram à mercê de personagens previamente definidas pela raça e, muitas vezes, pelos estereótipos construídos em torno dela. A empregada, a mulher hipersexualizada, a subalternizada, a personagem cuja existência dramática precisava estar associada à pobreza, à violência ou ao racismo. Quando surgia uma família rica, uma história de amor, uma comédia de costumes ou uma personagem cuja raça não estava indicada no texto, a suposta universalidade frequentemente ganhava uma aparência bastante específica: branca.

7 Mulheres e Um Mistério ajuda a desmontar essa lógica sem transformar a escolha do elenco numa tese pronunciada em cena. Inspirado em HuitFemmes, de Robert Thomas, o espetáculo acompanha mulheres confinadas numa mansão depois de um assassinato ocorrido durante uma reunião familiar de Natal. A adaptação, músicas e letras são de Anna Toledo, com direção artística de Ricardo Grasson e Heitor Garcia. A própria adaptação amplia as motivações das personagens femininas, procurando libertá-las de uma narrativa organizada exclusivamente em torno da validação masculina. 

Bruna Guerin, Laura Castro, Letícia Soares, Malu Rodrigues, Paula Capovilla, Stella Miranda e Verónica Valenttino formam o elenco principal. Entre elas, Laura e Letícia podem simplesmente fazer aquilo para que foram formadas: interpretar. Podem ser sofisticadas, engraçadas, suspeitas, contraditórias, amorosas, cruéis. Podem pertencer àquela família e àquela mansão. Larissa Noel, na função exigente de swing, precisa estar preparada para assumir a cena quando convocada. Nenhuma das três precisa apresentar uma justificativa racial para estar dentro daquela ficção.

E aqui aparece uma contradição antiga do nosso ofício. O teatro gosta de repetir que o ator pode ser qualquer coisa. Pode atravessar séculos, nacionalidades, classes sociais, profissões e universos que jamais experimentou pessoalmente. Essa liberdade é considerada parte da natureza da interpretação. Mas, quando artistas negros reivindicam o mesmo princípio, surgem perguntas sobre fidelidade histórica, aparência da personagem ou intenção do autor. Se atuar é justamente a arte de habitar outra existência, por que essa liberdade encontra fronteiras quando chega a nossa vez?

A discussão ganha outra dimensão num país em que 55,5% da população se declarou preta ou parda no Censo de 2022, segundo o IBGE. O palco brasileiro não precisa obedecer matematicamente à demografia nacional, porque arte não se produz por planilha. Mas a ausência recorrente de pessoas negras também não pode continuar sendo tratada como acaso estético num país de maioria negra. Quando elas desaparecem sistematicamente das famílias, dos romances, das comédias, dos musicais e das narrativas consideradas universais, existe uma escolha sendo feita, mesmo quando ninguém assume sua autoria.

Por isso Laura Castro, Letícia Soares e Larissa Noel importam aqui. Não porque devam carregar nas costas a responsabilidade de representar milhões de brasileiras negras. Exatamente o contrário. Importam porque ajudam a afirmar o direito de uma atriz negra não precisar representar outra coisa além de sua personagem.

O talento não tem cor, repetimos há anos. O acesso aos papéis, historicamente, teve. A mudança começa quando a primeira frase finalmente produz consequência sobre a segunda.

Se você quer se entreter com um espetáculo bem cantado, bem tocado, muito bem interpretado e com um visual deslumbrante, vá ao teatro assistir a 7 Mulheres e Um Mistério, O Musical. Minha indicação tem ainda um motivo especial: ver Laura Castro, Letícia Soares e Larissa Noel, três atrizes deslumbrantes, ocupando o teatro musical brasileiro em estado de excelência, com talento, técnica e presença.

A temporada segue até 4 de outubro de 2026, no 033 Rooftop, no Teatro Santander, em São Paulo, com sessões às sextas, às 20h; sábados, às 16h e 20h; e domingos, às 15h e 19h. 

Samantha Almeida comanda primeiro Masterclass da Globo sobre relevância e construção de marcas

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Samantha Almeida estreia Masterclass da Globo/Foto: TV Globo/João Cotta

Samantha Almeida, diretora de Marketing da TV Globo, ministra o primeiro episódio do Masterclass promovido pela emissora voltado à profissionais da publicidade e propaganda. A aula faz parte do projeto Master Globo, que reúne vídeos, cursos e aulas profissionalizantes, a fim de promover conhecimento e formação sobre o mercado de mídia e entretenimento. 

Com o tema “Atenção sem significado não constrói marca”, Almeida fala sobre cultura, relevância e impulsionamento de marcas e negócios. 

Almeida é uma profissional notória no mundo do marketing, propaganda e produtos. À frente da TV Globo há mais de quatro anos, a profissional já passou por outros lugares de grande relevância, como o Twitter, em que atuou como diretora de planejamento e Cannes Lions, em que foi jurada por três anos na categoria Titanium Lions, categoria mais prestigiada do festival, e foi presidente do júri na categoria Social & Influencer, que discute a economia da criação e comunicação, além de Levi’s, Avon e Music2/Mynd. 

A profissional é uma das principais vozes na defesa da diversidade, representatividade e inclusão de pessoas pretas na comunicação. Em 2023, passou a ocupar o cargo de Diretora de Diversidade e Inovação em Conteúdo dos Estúdios Globo.

Almeida ainda acumula reconhecimentos importantes: foi a primeira mulher negra a conquistar o Caboré, uma das principais premiações do mercado publicitário brasileiro e eleita pelo MIPAD, organização parceira da ONU, como uma das 100 Mais Influentes Afrodescendentes do Mundo, em 2020, ao lado de Kamala Harris, Michael Jordan, Oprah Winfrey, Jay Z e Beyoncé.

As aulas do Masterclass são gratuitas, on-line e a gravação do primeiro episódio com Samantha Almeida já está disponível no site Master Globo. Para participar é preciso somente se cadastrar com uma conta no globo.com.

Shonda Rhimes renova contrato com Netflix por mais cinco anos 

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Shonda Rhimes
Shonda Rhimes renova com Netflix por mais cinco anos/Foto: Divulgação/Netflix

Responsável por sucessos mundiais como Bridgerton, Rainha Charlotte e Inventando Anna, a Shonda Rhimes, produtora, empresária e fundadora da Shondaland, assinou mais cinco anos de contrato de exclusividade com a Netflix. A informação foi confirmada pela diretora de conteúdo da plataforma, Bela Bajaria. 

A renovação vem após cinco anos de contrato, em uma parceria que se iniciou há quase 10 anos, em 2017. A Shondaland continuará responsável por produções exclusivas no streaming, além de jogos, produtos licenciados e eventos relacionados aos projetos. 

Bridgerton é o carro-chefe e a produção que mais sustenta essa parceria entre Rhimes e Netflix. Segundo a plataforma, a franquia de Bridgerton acumulou 610 milhões de visualizações em 2023. A série também mantém três temporadas entre as séries de língua inglesa mais populares da companhia, incluindo a primeira e terceira temporadas. As produções baseadas nos livros de Julia Quinn também renderam um spin-off de sucesso, Rainha Charlotte, que se aprofunda na história da rainha na juventude, antes de se tornar monarca do universo que se passa na Londres do século XIX. 

Com mais cinco anos de parceria, a quinta temporada de Bridgerton já está em produção, prevista para lançar em 2027, e a sexta também já foi confirmada. 

Além de Bridgerton e Rainha Charlotte, a Shondaland ainda possui outras produções de sucesso mundial no catálogo da Netflix, como Inventando Anna e Assassinato na Casa Branca. Já passaram pelo streaming os sucessos How to Get Away With Murder, que emplacou Viola Davis na história da televisão e Grey’s Anatomy. 

Shonda Rhimes tem uma longa trajetória como uma mulher negra de sucesso, que coleciona prêmios e indicações por suas produções, além de desempenhar um importante papel na representatividade e diversidade no ambiente de entretenimento e televisivo.

Beyoncé ganha festa de 20 anos de “B’Day” em Salvador

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Beyoncé em Salvador em 2023
Foto: Reprodução/ @matheusl8 @idw.company

Celebração organizada pela Sony Music acontece em 8 de setembro e terá cerca de 40 fãs selecionados; cidade já recebeu Beyoncé em passagem surpresa em 2023

Salvador foi escolhida para sediar uma celebração oficial pelos 20 anos de B’Day, segundo álbum solo de Beyoncé. Organizada pela Sony Music Brasil, a festa “HAPPY B-DAY” acontece no dia 8 de setembro e reunirá cerca de 40 fãs da cantora na capital baiana.

Para participar, os fãs precisam responder a um questionário disponibilizado pela organização. As respostas consideradas mais criativas serão selecionadas para a celebração. Cada participante escolhido poderá levar um acompanhante.

A organização também informou que haverá transporte para os convidados, com saída do Salvador Shopping até o local do evento.

Lançado originalmente em 4 de setembro de 2006, B’Day marcou uma fase importante da carreira solo de Beyoncé e chegou ao público com faixas como “Déjà Vu”, “Irreplaceable”, “Ring the Alarm”, “Freakum Dress” e “Beautiful Liar”, parceria com Shakira.

A comemoração acontece poucos dias depois do aniversário de lançamento do álbum e integra uma série de ações relacionadas às duas décadas do projeto. Para marcar a data, Beyoncé prepara uma edição comemorativa de B’Day com 27 faixas, incluindo músicas inéditas, versões em espanhol e “Morning Dew (Donk)”, lançada em julho deste ano.

‘B’Day’ ganha novas faixas 20 anos depois

A celebração do álbum também chega acompanhada de material inédito. “Morning Dew (Donk)” foi lançada por Beyoncé em julho, marcando seu primeiro lançamento de uma música inédita em dois anos. A faixa ganhou posteriormente um pacote de remixes que inclui uma nova versão com JAY-Z.

A edição comemorativa de B’Day terá 27 faixas e amplia o repertório originalmente lançado em 2006 com músicas que não integravam a edição original do álbum, além de versões alternativas e novas gravações.

A história de Beyoncé com Salvador

A escolha de Salvador para a celebração também retoma a relação construída entre Beyoncé e a capital baiana.

Em dezembro de 2023, a cantora surpreendeu fãs brasileiros ao desembarcar na cidade para participar do evento Club Renaissance, realizado durante a divulgação de Renaissance: A Film by Beyoncé.

Na ocasião, Beyoncé apareceu no palco do Centro de Convenções de Salvador, segurou uma bandeira da Bahia e agradeceu ao público que acompanhou sua passagem pela cidade.

A visita aconteceu anos depois de a cantora já ter estabelecido uma relação significativa com o público brasileiro, mas teve um impacto particular em Salvador por ocorrer de forma inesperada e em meio às celebrações relacionadas à era Renaissance.

Agora, quase três anos depois, a capital baiana volta a receber uma celebração oficial ligada à carreira da artista. A festa de 8 de setembro será restrita aos convidados selecionados pela organização, que terão direito a levar um acompanhante.

‘Pop the Balloon or Find Love’: Reality gringo de relacionamentos reforça estereótipos entre pessoas negras?

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Pop the Balloon or Find Love/Crédito: IMDb

A cena em que um pretendente se apresenta para outro e, caso não agrade, um balão é estourado, é comum nas redes sociais. Trata-se de um reality show de relacionamento norte-americano, criado por Arlette Amuli e Bolia Matundo, o “Pop the Balloon or Find Love”(em tradução: Estoure o balão ou encontre o amor), em que a intenção é formar casais negros. A série é exibida pela Netflix dos Estados Unidos ou pelo próprio canal do YouTube.

Amuli e Matundo falaram recentemente à CNN African Voices sobre uma pauta importante que permeia a narrativa do reality: o reforço a estereótipos já enraizados e tão presentes na comunidade negra. 

Como se trata de um programa de amor, que busca formar casais e cria uma dinâmica divertida para que eles se conheçam e se gostem, talvez o assunto não fique tão evidente. Porém, segundo os criadores, há também um grande cuidado a ser tomado: expectativas irreais. 

“As pessoas vivem com expectativas irrealistas. Elas têm que parar de buscar pelo par perfeito”, diz Matundo na entrevista. 

“As pessoas realmente não tentem olhar para as outras internamente, elas só olham para você e dizem assim: ‘ah, não, as calças deles’ ou ‘os sapatos deles’”, relata Amuli. “Eu só queria que as pessoas tentassem olhar um pouco mais para o interior”.

Os criadores do reality relatam que receberam uma mensagem de uma espectadora que acusou o programa de reforçar “os piores estereótipos sobre pessoas negras”. Os episódios exibem participantes com grande diversidade de características físicas e emocionais e promovem o discurso da auto aceitação. Também, são mostradas questões como racismo, maternidade, independências das mulheres, autoestima e entre outros.

Quando perguntado sobre os estereótipos, Matundo foi sucinto: “Somos todos humanos”, disse ele na entrevista. “Mesmo que eu não mostrasse outras nacionalidades ou outras raças, seria a mesma coisa. É assim que funciona o cenário dos relacionamentos, é assim que somos”. 

Ao mesmo tempo, Matundo defendeu que o reality nada mais é do que um espelho da sociedade real e que o principal objetivo do programa é resolver esses problemas que permeiam a sociedade, como as manias das pessoas em relacionamentos, exigências irreais e preconceitos. 

“Estamos mostrando às pessoas: ‘Este é o problema’. Como você vai resolver um problema se não consegue enxergá-lo? Nós trazemos pessoas de todas as áreas, temos médicos, estudantes, atendentes, advogados, e não podemos determinar que tipo de pessoa ou que tipo de personalidade elas vão apresentar no programa. É isso que, na minha opinião, faz nosso programa se destacar: deixamos as pessoas serem elas mesmas”, concluiu Matundo.

Mirtes Renata se forma em Direito e homenageia filho, Miguel Otávio ao receber diploma

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Mirtes Renata segura foto de Miguel Otávio na formatura
Foto: Reprodução/ Instagram

Mãe de Miguel Otávio, Mirtes concluiu a graduação em Direito e celebrou a conquista ao lado da família e de amigas, mantendo a memória do filho presente durante a solenidade.

Mirtes Renata Santana concluiu a graduação em Direito e participou, no sábado (29), da cerimônia de formatura realizada no Recife (PE). Ao subir ao palco para receber o diploma, ela levou consigo a fotografia do filho, Miguel Otávio, e foi acompanhada pela música “Maria, Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Durante a solenidade, imagens de Miguel foram exibidas no telão. Mirtes entrou no salão acompanhada da mãe, Marta, da irmã, Fabiana Patrícia, e de duas amigas. O momento foi marcado pela homenagem ao menino e pela celebração da conquista acadêmica da mãe.

“Foi uma caminhada muito difícil, marcada por muita dor, muitos desafios. Muitas vezes pensei que não ia conseguir chegar até essa data, mas Miguel sempre foi o meu propósito para continuar. Cada passo dessa caminhada é sobre ele, é para honrar ele”, afirmou Mirtes ao portal g1.

A formação em Direito encerra uma etapa importante de sua trajetória acadêmica. Em dezembro, ela havia sido aprovada com nota 10 no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que abordou a chamada escravização moderna e as violações de direitos enfrentadas por trabalhadoras domésticas.

Na época, Mirtes contou que a produção do trabalho foi atravessada pelo contato com relatos de mulheres que vivenciaram violações no trabalho doméstico. Ela também destacou como a pesquisa dialogava com sua própria trajetória.

“Foi bem difícil escrever esse TCC, porque eu trago a vivência de outras mulheres. Foi muito pesado ouvir as vivências delas, as narrativas com relação ao que elas viveram no trabalho doméstico, as inúmeras violações de direitos. […] Eu me vi muito nesse trabalho”, disse ao g1.

Memória de Miguel

Miguel Otávio Santana da Silva morreu em 2 de junho de 2020, aos 5 anos, após cair do nono andar de um edifício no Centro do Recife. Na ocasião, Mirtes trabalhava como empregada doméstica e havia saído para passear com o cachorro da família para a qual trabalhava.

O menino entrou sozinho em um elevador e chegou ao nono andar, de onde caiu. O episódio resultou em um processo criminal contra Sari Corte Real, então patroa de Mirtes.

Em maio de 2022, Sari foi condenada em primeira instância a oito anos e seis meses de reclusão por abandono de incapaz com resultado morte. Posteriormente, a pena foi reduzida para sete anos. Conforme as informações apresentadas no caso, ela responde ao processo em liberdade enquanto aguarda novos desdobramentos judiciais.

Desde a morte do filho, Mirtes tem transformado sua trajetória pública e acadêmica também em um espaço de preservação da memória de Miguel e de discussão sobre direitos humanos.

Agora bacharel em Direito, ela celebrou a conclusão da graduação carregando a imagem do filho consigo. A homenagem durante a formatura simboliza a presença de Miguel em uma conquista que Mirtes afirma ter sido também uma forma de honrar sua memória.

Filme sobre Carolina Maria de Jesus participa da Bienal do Livro de SP

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Foto: divulgação

Maria Gal, Vera Eunice e Conceição Evaristo participam de mesa e exibição de teaser inédito do longa Carolina de Jesus no dia 5 de setembro.

O filme Carolina de Jesus, inspirado na obra e na trajetória da escritora, terá uma apresentação especial na Bienal do Livro de São Paulo no dia 5 de setembro, das 15h15 às 16h, na Arena da Bienal. O encontro reunirá parte do elenco e da equipe do longa para discutir a memória, o legado e a importância de Carolina Maria de Jesus, além dos desafios de adaptar sua história para o cinema, com exibição inédita do teaser da produção.

A mesa terá a participação de Maria Gal, que interpreta Carolina e também é uma das produtoras do filme, de Vera Eunice, filha da escritora e atriz na produção, de Clayton Nascimento, ator e preparador de elenco do longa, e de Conceição Evaristo, escritora e um dos nomes centrais da literatura afro-brasileira, que também integra o elenco. A mediação é da jornalista e apresentadora Adriana Couto.

Dirigido por Jeferson De, com roteiro de Maíra Oliveira, o longa é uma adaptação do livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus. A produção é assinada por Clélia Bessa e Maria Gal, com produção associada de Cris Arenas, Rosane Svartman e Sara Silveira. A trama parte de trechos dos diários da escritora e acompanha o período entre a escrita do livro e sua publicação, com foco em aspectos pouco explorados de sua vida, como afetos, desejos, maternidade e consciência política.

O elenco reúne ainda Raphael Logam, Liza Del Dala, Carla Cristina Cardoso, Ju Colombo, Caio Manhente, Jack Berraquero, Fabio Assunção, Alan Rocha e Thawan Lucas. As filmagens aconteceram no Rio de Janeiro, com locações na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no Recreio dos Bandeirantes e nos Estúdios Quanta, onde a equipe de arte liderada por Billy Castilho reconstituiu a Favela do Canindé dos anos 1950 em um cenário de mais de 400 metros quadrados, complementado por painéis de LED que ampliaram a profundidade da cenografia.

Carolina de Jesus é uma produção da Move Maria, da Raccord Produções e da Buda Filmes, com coprodução da Globo Filmes, produção associada da Dezenove Som e Imagem e distribuição da Elo Studios. Ainda em pós-produção, o longa tem lançamento previsto para 2027 e já recebeu reconhecimento internacional no Goes to Cannes, iniciativa do Marché du Film, mercado oficial do Festival de Cannes, entre apenas três produções de diferentes países premiadas na edição deste ano.

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