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70% das mulheres têm problemas de saúde mental; fim da escala 6×1 pode mudar esse quadro

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Foto: gerada por IA

Trabalhar seis dias para descansar um. Para milhões de brasileiros, essa é a matemática da vida. Para as mulheres, a conta ainda não fecha: quando termina o turno, começa a outra jornada, a dos filhos, dos idosos, dos doentes, das tarefas que ninguém contabiliza. “Além da jornada de trabalho, elas têm a jornada do cuidado, que é o cuidado com a família, com os filhos, com os idosos, com os doentes, e além de tudo, a pressão social para ser perfeita, para dar certo, para dar conta de tudo”, afirma Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora.

“Nunca na história os trabalhadores estiveram tão adoecidos mentalmente”, diz Fontes. E dentro desse quadro, ela destaca um recorte que considera urgente: o das mulheres. Pesquisas da Rede Mulher Empreendedora apontam que 70% delas relatam alguma questão relacionada à saúde mental. “Isso tudo tem uma pressão muito forte”, afirma.

Na escala 6×1, esse acúmulo se torna ainda mais pesado. “A pessoa trabalha 6×1 e só sobra o domingo para poder fazer alguma coisa”, diz. Menos tempo livre significa menos espaço para dividir tarefas, menos espaço para descansar, menos espaço para cuidar de si.

Para Fontes, a mudança na jornada pode romper esse ciclo. “Tenho certeza que isso vai criar um ciclo positivo: vai ajudar as questões de saúde mental do próprio empreendedor, das mulheres, dos colaboradores. Não dá para viver numa sociedade onde é só o trabalho.”

O QUE MUDA PARA O PEQUENO EMPREENDEDOR

Na terça-feira, 28 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou o fim da escala 6×1. O projeto, apresentado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) em parceria com o vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ), idealizador do Movimento Vida Além do Trabalho, substitui o modelo atual pelo 5×2 e reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas. O texto segue para o Senado Federal.

A aprovação dividiu opiniões. Empresários como Rony Meisler, fundador da Reserva, alertam para o impacto direto no pequeno negócio: “A conta vai chegar para os donos de pequena empresa, que terão que contratar para cobrir os turnos, pagar hora extra ou demitir.” Para Fontes, a leitura é outra. “Toda mudança gera questionamentos. Acredito que este seja um momento histórico e que os empresários vão encontrar caminhos e novos modelos, porque existe saída”, diz. Para ela, o aumento de preços ao consumidor não é inevitável. “Isso é possível sem necessariamente gerar um impacto final para o consumidor, desde que haja disposição para pensar em outras soluções.”

Fontes fala da própria experiência. Na Rede Mulher Empreendedora, o modelo já é 5×2, com duas horas a menos às sextas-feiras, e a equipe opera em formato híbrido, três dias presenciais e dois em casa. “Isso não diminuiu em nada a nossa produtividade, a nossa participação no mercado. Tudo conseguiu funcionar”, afirma.

Ela reconhece que a transição não é simples, mas rejeita o que chama de “histeria coletiva”. “O importante é cada empreendedor olhar para a sua realidade e, dentro dela, fazer conta, prestar atenção, ver o que pode fazer de melhor, pensar em bonificações para os colaboradores.” O argumento central é que colaborador bem e descansado produz mais. “Se o colaborador está bem, está feliz, está conseguindo trabalhar, o negócio vai melhor, a produtividade vai melhor e isso vai fazer bem para todo mundo, para a sociedade, para o trabalhador, para o próprio pequeno negócio.”

Ela lembra ainda que o Brasil discute o primeiro estágio da transição enquanto outros países já estudam o modelo 4×3. “Existem estudos no mundo inteiro falando na redução do 4×3. A gente está discutindo ainda o primeiro estágio, que é o 5×2, quando existem países já discutindo o 4×3.”

“O trabalho é uma parte fundamental da nossa vida, mas a gente precisa ter também tempo para descanso, para convivência com a família e para cuidar de si próprio”, conclui Fontes.

Entrevista realizada por Silvia Nascimento, Head de Conteúdo do Mundo Negro.

Foto: Divulgação

Idris Elba consolida legado de personagens marcados por sabedoria e liderança ao viver Mentor em “Mestres do Universo”

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Foto: Divulgação

O ator britânico Idris Elba retorna ao universo das grandes franquias de fantasia e ação ao interpretar Duncan, também conhecido como Mentor ou Homem-de-Armas, no live-action de “Mestres do Universo”, da Amazon MGM Studios. Após já ter sido confirmado anteriormente no papel, o artista voltou a comentar recentemente sobre o personagem durante a estreia do longa em Los Angeles, reforçando sua conexão com personagens que concedem proteção, liderança e demonstram experiência ao longo de sua trajetória no cinema.

Em entrevista à revista People, Elba afirmou ter se divertido ao construir sua própria versão do personagem. “Interpretar Duncan e transformá-lo, fazê-lo parecer comigo, foi um verdadeiro prazer. Pude ser um pouco cômico e exagerado, então me joguei de cabeça”, declarou o ator, que também comentou sobre o preparo físico exigido pelo papel. “Preciso me manter em forma para poder correr e dar socos.”

A escolha de Idris Elba para o papel traz à tona uma característica frequente em sua filmografia de personagens marcados pela sabedoria, proteção e liderança espiritual. Em “Thor”, o ator viveu Heimdall, guardião ancestral de Asgard e uma das figuras mais respeitadas do universo da Marvel. Já em “Era Uma Vez um Gênio”, interpretou um Djinn atravessado por séculos de conhecimento e profundidade emocional. Em “Mogli”, deu voz a Bagheera, personagem protetor e responsável por conduzir o protagonista em uma jornada de amadurecimento e descoberta.

Elba interpreta uma figura sábia de um veterano guerreiro responsável por guiar o Príncipe Adam em sua jornada como He-Man. Durante a entrevista, o ator também revelou sua relação afetiva com “Mestres do Universo”, franquia que o acompanhou durante toda a infância. “Era algo que eu assistia muito quando criança”, afirmou.

Dirigido por Travis Knight, o longa chega aos cinemas brasileiros no dia 4 de junho e acompanha uma nova adaptação do clássico lançado originalmente em 1987. 

Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́: casal negro recria retratos formais do século XIX e ocupa o lugar que foi negado

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Casal negro posando em retrato formal no Solar do Jambeiro, ensaio Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́
Foto: luksmont · Produção: Gabrielly Ferraz · Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́
Em Niterói, um casal negro ocupa um casarão tombado do século XIX e cria enfim o álbum de família que nunca existiu. Conversamos com Gabrielly Ferraz, pesquisadora e idealizadora do projeto, e Pedro Melodia, músico, criador de conteúdo e parceiro nessa construção, sobre memória, afeto e o direito à imagem.

“Muitas histórias importam. Histórias têm sido usadas para expropriar e ressaltar o mal. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar. Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias também podem reparar essa dignidade perdida.” Chimamanda N. Adichie. O perigo de uma história única. (2019)

Quando se procura por pessoas negras no arquivo fotográfico brasileiro do século XIX, o que se encontra majoritariamente são corpos violentados, registros de exotização e os chamados “tipos negros” vendidos como souvenirs para europeus em viagem pelo Brasil. Existe a ausência de retratos afetuosos de famílias negras no cotidiano, de poses serenas e olhares altivos porque esses registros foram durante décadas privilégio quase exclusivo de corpos brancos. É como uma resposta à ausência desses arquivos que nasce ‘Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́’, ensaio fotográfico e audiovisual idealizado pela jornalista e pesquisadora Gabrielly Ferraz em parceria com o creator Pedro Melodia, a produtora INCria e o fotografo Luks Mota.

Para entender a urgência desse gesto, é preciso lembrar de algo fundamental: toda narrativa é uma escolha. Alguém decide o que contar, como contar e quem aparece nessa história. No caso das narrativas visuais, a dignidade registrada nas pinturas e nas fotografias no Brasil do século XIX era um privilégio que não cabia para pessoas negras. A construção das narrativas negras que foram divulgadas e perpetuadas nunca foram neutras, essas imagens rebaixam a identidade racial, danifica a autoestima, culpa as pessoas negras pela discriminação que sofrem e, por fim, justifica as desigualdades raciais como se fossem algo somente do passado, embora corpos negros sofram as consequências disso até hoje. 

A ideia de trabalhar as reconstruções das narrativas negras a partir da fotografia vem para posicionar o corpo negro em outro lugar, uma vez que esses corpos por muito tempo foram objetos de um olhar que nunca os admirou. Justamente para valorizar essas pessoas afetadas por anos de representações negativas e colaborar para o enfraquecimento dessa construção já consolidada de um imaginário negro negativo é que foi pensado o projeto Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́.

Gravado no Solar do Jambeiro, casarão tombado de Niterói que abrigou famílias brancas abastadas no século XIX, o projeto propõe um exercício de imaginação histórica: e se existissem álbuns de família pretos daquela época, com a mesma elegância, a mesma luz trabalhada, o mesmo cuidado com a pose? O nome do projeto vem do Yorùbá, Àtúnṣe significa corrigir, emendar, reconfigurar; Ìtàn Àtijọ́ significa a história antiga e funciona como uma espécie de declaração de intenções: é hora de reescrever o que ficou registrado e criar o que não existiu pois nos foi retirado. 

Em conversa exclusiva para o Mundo Negro, Gabrielly Ferraz e Pedro Melodia falam sobre o que move o projeto, o que ainda dói no arquivo brasileiro e o que significa ocupar, em pleno século XXI, um espaço de elegância que historicamente não foi feito pra acolher corpos como os nossos.

Além da fotografia, o papel da moda nesse projeto:

A escolha do figurino para este ensaio não foi aleatória, a Gaby vestiu uma criação de Mônica Anjos, estilista baiana que há 25 anos desenvolve peças carregadas de histórias, e como ela mesma define a sua obra: “Não é apenas uma roupa, é um projeto afetivo de resgate identitário preto.”

Os acessórios complementam muito essa narrativa: brincos grandes, anéis volumosos, o maximalismo presente em acessórios para o cabelo e corpo fazem parte de uma memória visual de artes que retratam reis e rainhas de Kemet, que são figuras da Antiguidade africana, uma civilização muito mais antiga do que a escravidão moderna nas Américas. E essa extravagância a partir dos acessórios, realçando a beleza nos lembra que a história negra não começa na escravidão, mas em reinos, lugar de conhecimento, poder e cultura.

Para adentrar mais sobre a construção desse material e entender todas as conexões e histórias que desencadearam essa ideia, conversamos com os modelos e a idealizadora do Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́ que reforça que o projeto significa além de uma produção para as redes sociais, se estende para algo que quer no seu cotidiano, fotos que vão ocupar as paredes de sua casa e um debate que será levantado também no ambiente acadêmico. 

Sobre a origem do projeto

1. De onde vem a ideia do Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́? O que te levou a pensar nesse projeto especificamente?

GABRIELLY FERRAZ — A ideia nasceu de uma falta muito específica que eu fui percebendo na minha própria vida, eu sinto que cresci com pouco repertório cultural que vinham de pessoas negras, meus pais tiveram acesso mas nos anos da minha criação ficou cada vez mais forte a inserção da religião evangélica, nos limitando ao consumo do que pertencia somente a religião. E eu demorei pra entender que isso não era uma falha minha ou da minha família, mas era também o resultado de um projeto: a música preta, a literatura preta, a arte feita por pessoas pretas, essas histórias passam por esse processo de apagamento mesmo e juntando ao preconceito e demonização do que vem do negro era muita dificuldade para chegar até a gente. Então comecei a buscar essas referências de forma independente, atrás dos rastros, sobre quem esteve antes de nós, perguntando aos mais velhos da minha família, ouvindo eles. E foi aí que eu comecei a sentir falta de uma coisa muito específica, conforme minhas avós iam contando a história delas e eu ia imaginando a cena, eu senti falta de registros desse momento afetuoso, né? Da intimidade entre pessoas negras, eu queria ver vídeos da minha avó nesses momentos de lazer rindo com as amigas, queria uma foto da minha bisavó comendo com a família num domingo qualquer, porque a minha avó sempre disse que ela era uma cozinheira de mão cheia. E esses momentos simples do cotidiano não eram registrados, né? Essas famílias não tinham esses recursos, quem tinha eram pessoas brancas e pra eles não era interessante registrar preto sendo feliz.

2. Você fala de um “silêncio do arquivo”. Como isso aparece concretamente na sua história familiar?

GABRIELLY FERRAZ — Os avós das minhas avós tinham conhecidos próximos que eram pessoas escravizadas, minha avó me contou das mulheres que ela via com “altos turbantes, com um negócio no tornozelo” [sic], pessoas negra sem documento, sem retrato, sem nenhum registro que dissesse “aqui ela esteve, aqui ela amou, aqui ela viveu” ainda assim eu sei que isso aconteceu nas condições possíveis, porque o povo preto sempre soube resistir, né? Existiram poucos momentos bons na vida dessas pessoas, porque pelo que ouvimos dos mais velhos pessoas pretas sempre acharam frestas pra construir arte, afeto e alegria, mesmo nos espaços onde isso era proibido. Quando a minha avó me conta essas histórias eu até consigo imaginar, mas imaginar não é o mesmo que ver, e foi esse incômodo que virou ponto de partida pro projeto.

3. Ao ter conhecimento da ideia, o que te atravessou de imediato? Por que aceitar entrar no projeto?

PEDRO MELODIA — Não tinha como não aceitar participar, um conteúdo altamente relevante, que honra nosso passado e nossos ancestrais. Principalmente por todo o apagamento histórico, poder trazer isso pros pretinhos e pretinhas que nos seguem é algo que faz com que eu sinta que estou seguindo o caminho certo, que é de informar, mostrar, e fazer sentir. 

O arquivo que não nos incluiu:

4. Você está pesquisando isso academicamente também, certo? Que autores e referências sustentam essa leitura crítica do arquivo fotográfico brasileiro?

GABRIELLY FERRAZ — Sim, esse é o projeto que eu quero continuar pesquisando no mestrado em Mídia e Cotidiano. Quando a gente olha pra fotografia brasileira do século XIX, encontra fotógrafos europeus como Christiano Junior, Alberto Henschel e Augusto Stahl, que comercializavam imagens de pessoas escravizadas como souvenirs para estrangeiros, o anúncio do Christiano Junior por exemplo no Almanaque Laemmert de 1866 falava em “variada colleção de costumes e typos de pretos” registros que seriam ideais para pessoas que estavam indo pra Europa. Os “registros do cotidiano brasileiro”, já apareciam nesse formato de dominação e da dor. Frantz Fanon escreveu que a principal arma dos colonizadores era a imposição da imagem do colonizado sobre o povo subjugado, então era proposital não registrar pessoas negras em momentos leves e fazer milhares de fotos e pinturas desses corpos sofrendo violência. Aí quando a gente lê bell hooks, em Olhares Negros: Raça e Representação, ela afirma que é fundamental que pessoas negras se apropriem das imagens que as representam, reconfigurando-as pra romper com as visões coloniais. O Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́ é pegar essa informação do Fanon e colocar em prática o que a bell disse.

5. A câmera fotográfica era cara, era um privilégio econômico, mas você sugere que o privilégio não era só material. Como assim?

GABRIELLY FERRAZ — A câmera era um privilégio de quem tinha condições financeiras, mas era também um privilégio muito simbólico. Ter a pose elegante, as roupas bem costuradas, o olhar altivo do retrato formal, tudo isso aparecia como exclusividade de corpos brancos, e a dignidade era registrada no papel e foi eternizada, emoldurada e a gente vê nos museus e centro culturais até hoje. A pessoa que ocupava esse espaço tinha o privilégio de pertencer, né? Essa ideia de pertencimento que foi construída sem nós. O que sobra do arquivo da minha família e da família de tanta gente preta mais velha é um vazio, só a lembrança que felizmente minha vó traz tantos detalhes no seu relato que nossa mente nos permite imaginar. Mas esse vazio também ensina, essa falta ela diz que aquele lugar de elegância, de momento em família registrado para perpetuar um sobrenome, não era nosso.

6. Você trabalha com imagem e conteúdo nas redes. Como você enxerga essa relação entre representação visual e construção do imaginário sobre pessoas negras hoje?

PEDRO MELODIA — A representação sempre foi muito importante para nós pessoas pretas, que no dia a dia dificilmente nos enxergamos em alguns lugares. Hoje em dia eu faço questão de mostrar as coisas boas que o trabalho na internet me proporciona, lugares que tenho ocupado que nunca imaginei ocupar. Gosto de contribuir positivamente para o imaginário dos meus seguidores, que são em sua maioria pessoas negras. Já mostrei muito e ainda mostro a correria do dia a dia, mas não quero reforçar só isso, porque de representação de correia já estamos cheios. Eu quero que as pessoas vejam que esses lugares também pertencem a nós. 

O QUE SOBROU NO ARQUIVO  |  Brasiliana Fotográfica

Um exercício simples basta pra dimensionar a crítica do projeto: basta buscar por “escravo”, “escrava” ou “negro” no portal Brasiliana Fotográfica, iniciativa da Fundação Biblioteca Nacional e do Instituto Moreira Salles, lançada em 2015, que hoje reúne cerca de 11,6 mil imagens dos séculos XIX e XX. O resultado é uma coleção vasta de pessoas negras registradas como mercadoria ou força de trabalho, raramente como sujeitos de seus próprios retratos. A grande maioria aparece até mesmo como “negro não identificado”.

Christiano Junior produziu, entre 1864 e 1866, uma série de cartes-de-visite catalogadas por origem africana  “Escravo – Moçambique”, “Escravo – Congo”, “Escrava – Mina”, “Escravo – Quelimane”, “Escravo – Inhambane” —, em que homens e mulheres aparecem sem nome, frequentemente sem roupa da cintura pra cima, enquadrados como em uma foto 3×4. Alberto Henschel, em estúdios de Pernambuco e da Bahia por volta de 1869, registrou “Mulher negra da Bahia”, “Retrato – Negra de Pernambuco”, “Retrato – Cafuza”, “Retrato – mulher negra não identificada”  categorias que reduzem pessoas a marcadores raciais e regionais. João Goston registra, por volta de 1870, uma “Escrava doméstica” em pose de senhora, sentada em poltrona, mas com a legenda reforçando seu lugar social. Marc Ferrez fotografa, em 1882, a “Colheita de café” no Vale do Paraíba, e a “Fazenda Monte Café” em 1885  paisagens em que pessoas negras aparecem na posição de trabalho. Felipe Augusto Fidanza, no Pará por volta de 1869, registra um “Homem negro – possivelmente escravizado – carregando cesto”, com o rosto encoberto pela carga. Uma fotografia anônima de Salvador, c. 1860, mostra uma senhora branca sentada em liteira sustentada por dois homens negros  ela centralizada, eles sustentando a cena com o corpo.

Esses são os registros que sobraram. São os retratos que viraram referência histórica, que aparecem em livros didáticos em que crianças constroem seus repertórios visuais do negro, que ilustram exposições sobre o século XIX brasileiro. Não tem, até hoje, um acervo com retratos de famílias negras posando em afeto, em elegância cotidiana até porque a formação de famílias também era um privilégio branco. É contra esse silêncio do arquivo que o Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́ se constrói, se existem registros de negros em posições subalternas, a ausência de registros de negros em cenários leves foi um projeto bem articulado.

Christiano Junior. [Escravos], [1864-1866]. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Biblioteca Nacional. Reprodução: Brasiliana Fotográfica (brasilianafotografica.bn.gov.br).

Christiano Junior. Escravo – Moçambique, Escravo – Congo, Escrava – Mina, Escravo – Quelimane, Escravo – Inhambane (série), [1864-1865]. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional. Reprodução: Brasiliana Fotográfica (brasilianafotografica.bn.gov.br).

Alberto Henschel. Mulher negra da Bahia, Retrato – Negra de Pernambuco, Retrato – Cafuza (série), circa 1869. Bahia e Pernambuco / Acervo Instituto Moreira Salles. Reprodução: Brasiliana Fotográfica (brasilianafotografica.bn.gov.br).

Ocupar o Solar do Jambeiro

ENTENDA  |  O Solar do Jambeiro

Localizado no bairro de São Domingos, em Niterói, o Solar do Jambeiro — também conhecido como Palacete Bartholdy  foi construído em 1872 pelo comerciante português Bento Joaquim Alves Pereira, Bento era um exemplar da arquitetura residencial urbana burguesa do século XIX, o casarão é revestido por um dos mais importantes acervos de azulejos portugueses do período no Brasil, com vidraças importadas do Porto e detalhes em madeira trabalhada. Pela casa passaram o médico Júlio Magalhães Calvet, o pintor Antônio Parreiras e, a partir de 1892, o diplomata dinamarquês Georg Christian Bartholdy, que mobiliou o sobrado com quadros, lustres, candelabros e porta-retratos europeus. Tombado pelo Iphan em 1974, foi desapropriado pela Prefeitura de Niterói em 1997 e reaberto ao público em 2001 como centro cultural vinculado à Fundação de Arte de Niterói. As paredes do Solar ainda hoje exibem registros fotográficos da elite branca que ocupou seus salões.

7. Por que escolher justamente o Solar do Jambeiro como locação do projeto?

GABRIELLY FERRAZ — Primeiramente porque atualmente eu moro em Niterói – RJ e consumo muito a agenda cultural da cidade, estou sempre visitando esses lugares. Mas pra entender a fundo essa escolha, a gente precisa pensar na história desse tipo de casarão. O Solar foi planejado em 1872, ainda dentro do período de  escravidão, já que a Lei Áurea só aconteceu dezesseis anos depois, e o território de Niterói, assim como toda a região da Baía de Guanabara, ainda contava com forte presença de trabalho escravo. Os sobrados residenciais daquele período, no Rio de Janeiro e adjacências, eram sustentados majoritariamente por pessoas escravizadas, desde os domésticos aos urbanos e também os trabalhadores em relações de dependência. Quem tinha o passe para construir um palacete deste porte naquela época, tinha uma posição social muito bem definida: a do comerciante europeu abastado, parte da elite de diferentes áreas que tinham suas fortunas ligadas estruturalmente com a economia da escravidão. Não temos documentos que provem isso de fato, mas o contexto histórico nos permite entender pelo menos que pessoas negras não ocupavam esse espaço como um momento de lazer. E é justamente esse contexto que torna a escolha do Solar potente: ele é, hoje, patrimônio público tombado, restaurado e mantido como referência da elegância arquitetônica do século XIX brasileiro, mas é quase impossível separar a elegância do século XIX do trabalho preto que a sustentou. Escolher o Solar é colocar dois corpos negros em afeto justamente dentro de um espaço que historicamente os manteve fora do retrato que podia ser pendurado na parede. É um conceito que vem da nossa imaginação mesmo, um exercício de perguntar: e se? E se os avós dos meus avós tivessem tido a oportunidade de viver suas vidas plenas, e se existissem álbuns de família pretos do século XIX, com a mesma pose elegante, o mesmo olhar sereno, será que nossa relação com nós mesmos seria diferente?

8. A decisão de ocupar o Solar do Jambeiro também veio da ausência de iniciativas pensadas por e para pessoas negras dentro do próprio espaço. Como isso pesou na escolha?

GABRIELLY FERRAZ — Pesou muito. Quando a gente olha pra programação mais antiga de espaços como o Solar saraus, exposições, peças de teatro, recitais, encontra uma agenda culturalmente muito rica, mas com as referências quase exclusivamente da Europa, e quase nunca pensada por pessoas negras, com pessoas negras no centro, para pessoas negras. Não é um problema só desse espaço, é um padrão da época que se reproduz justamente porque a presença negra nesses lugares ainda é tratada como exceção em momentos específicos e não como parte da história que é contada ali. Ocupar o Solar com o Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́ é, também, abrir uma fresta: dizer que esse patrimônio é público, que ele foi mantido com dinheiro público, e que a gente tem direito não só de entrar, mas de criar dentro dele, com os nossos termos, com a nossa estética, com a nossa intenção política  e que isso precisa virar prática constante, não evento isolado.

Como foi pra você, na prática, posar para as fotos naquele espaço? Teve algum momento durante o ensaio que te tocou de um jeito diferente?

PEDRO MELODIA —  Foi um momento que com certeza vai ficar marcado, me senti pertencente daquilo que deveria ser meu ahhaah, do que eu posso ter e do que podemos ter.  Um momento marcante foi o take de cuidado entre nós dois, eu ajeitando o afro puff dela e ela penteando o meu cabelo. O cabelo para pessoas pretas é algo muito sensível e pessoal e compartilhar isso com ela [Gaby] é incrível. 

Escrevivência e o direito à imagem

10. Conceição Evaristo fala em escrevivência, uma escrita que parte da experiência negra e se recusa a adormecer a casa grande. Você diria que esse projeto pode ser uma forma de escrevivência. Como?

GABRIELLY FERRAZ — Conceição Evaristo pensa a escrevivência como um fenômeno diaspórico, uma escrita que não tá aí para agradar (adormecer) a casa grande e sim para incomodá-la. Pra acordá-los, porque estão descansando e tendo sonos injustos, às custas da exaustão e exploração de um povo, né? E eu venho pensando que a criação de conteúdo, os vídeos, as fotos também podem ser uma forma de escrevivência, produzir essas imagens hoje, com intenção, é reescrever as nossas vivências. Não pra fingir que o que sabemos não existiu, as imagens retratadas (as de violência) eram aquelas porque era o que acontecia, mas também porque queriam que fosse só aquilo. Mas pensando em abrir essa portinha no imaginário coletivo, pra que uma criança preta que crescer daqui a vinte anos possa olhar um retrato como esse e entender, sem precisar de explicação, que aquele lugar também é dela, que a elegância, o afeto entre um casal, a sala bem iluminada de um casarão antigo, tudo isso pode ser, e foi, e será, também território preto.

11. O que você espera que uma pessoa preta sinta ao ver essas imagens circularem nas redes?

PEDRO MELODIA — Espero que as pessoas se sintam representadas e que as pessoas conheçam mais sobre o afeto negro, sobre cuidado, prosperidade e sonhos… Espero que chegue especialmente em pessoas que não tem muitas referências que elas possam enxergar outras perspectivas.

O que fica:

12. Pra encerrar, se o Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́ pudesse deixar uma única coisa pra quem assistir, qual seria?

GABRIELLY FERRAZ — É possível criar. Os registros visuais do século XIX impactaram diretamente na forma como nós, pessoas negras nos vimos representadas, e isso atravessa o modo como a gente se posiciona hoje séculos depois, por isso é tão importante construir imagens nossas fora do lugar de dor e sofrimento,  não porque a dor não existe, mas porque ela sempre foi retratada, mesmo nunca tendo sido a história toda. Eu gostaria muito de ter tido acesso a um registro dessas pessoas negras mais velhas rindo e em momentos de afeto, e como eu não vi, eu crio e quando a gente cria, o arquivo finalmente começa a se parecer com a gente.

13. E você, Pedro — o que esse projeto deixa em você?

PEDRO MELODIA — Deixa em mim a sensação de que nós deveríamos conhecer mais a história do nosso povo, a partir do momento que conhecemos mais, mais nós podemos informar e compartilhar com outras pessoas negras sobre nossa história e assim reforçamos que essa história não foi escrita só com dor, tem muito amor, afeto, muita arte e personalidade.

Artistas como Silvana Pinto Mendes, com suas afetocolagens que devolvem humanidade às representações de corpos negros, e Gê Viana, que em “Atualizações Traumáticas de Debret” (2020) ressignifica as cenas coloniais inserindo-as em contextos contemporâneos para “exaltar a autoestima do nosso povo”, integram esse movimento de reescrita visual decolonial. Esses trabalhos precisam ocupar espaços de construção de identidade como escolas e currículos.

O Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́ se insere nessa urgência de criar novas histórias no imaginário do povo preto. Assim como pintores, colunistas visuais e fotógrafos vêm fazendo, o projeto reconhece que se a história tivesse sido diferente, se nossos ancestrais não tivessem sido tão violentados, tivessem vivido momentos mais leve e tido acesso a câmeras, a retratos, e álbuns de família, estaríamos ocupando outros lugares no imaginário coletivo. E é justamente essa ocupação que esse movimento crescente vem reivindicando: o direito de reescrever visualmente os registros que nos foram negados, e de disputar futuros onde corpos negros não sejam exceção, mas regra. A fotografia e a arte visual aqui entra como reparação.

É dessa reparação que se trata. Quando um casal negro cria o álbum de família que seus ancestrais nunca tiveram, quando artistas reescrevem os retratos coloniais devolvendo afeto e dignidade, quando ocupamos o imaginário visual com nossas próprias narrativas  não se trata apenas de fazer arte é também a restituição da dignidade negra

FICHA TÉCNICA

Projeto: Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́ — recriando o passado

Idealização: Gabrielly Ferraz

Equipe: Gabrielly Ferraz, Pedro Melodia, INCria e Luks Mota

Local: Solar do Jambeiro, Niterói (RJ)

Apoio: Prefeitura de Niterói

Onde tudo começou: o vídeo de Rick Azevedo que levou a escala 6×1 ao debate nacional

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Foto: divulgação

Em setembro de 2023, Rick Azevedo era um balconista de farmácia de 29 anos, nascido em Dianópolis, no Tocantins, morador do Rio de Janeiro havia uma década, sem filho, sem marido, sem casa para cuidar, e mesmo assim sem tempo. Foi dessa contradição que nasceu um vídeo no TikTok que ninguém esperava que chegasse onde chegou.

https://vt.tiktok.com/ZSxbNGjxJ

“Quando é que nós da classe trabalhadora iremos fazer uma revolução nesse país relacionada à escala 6×1? Gente, é uma escravidão moderna. Moderna não, ultrapassada. Antes fosse moderna”, disse Azevedo para a câmera, revoltado e sem roteiro. No vídeo, ele questionava como alguém sem nenhuma das responsabilidades que a maioria dos trabalhadores carrega já não conseguia encaixar a própria vida nos seis dias de trabalho e um de folga. “Eu que não tenho filho, que não tenho nada, sou sozinho, não dá para fazer as coisas. Imagina quem tem filho, tem marido, tem casa para cuidar”, disse. “A pessoa tem que se doar para a empresa seis dias na semana e ter só um dia para folgar. E isso para ganhar salário mínimo. Gente, não dá.”

O vídeo viralizou em poucas horas e transformou um desabafo individual em pauta coletiva. Com o interesse crescendo nas redes, Azevedo passou a publicar mais conteúdo sobre o tema e, junto com outros trabalhadores, fundou o Movimento Vida Além do Trabalho, o VAT. Uma petição pelo fim da escala 6×1 ultrapassou 3 milhões de assinaturas. O que começou num vídeo gravado por um jovem indignado havia se tornado o maior debate trabalhista do país em décadas.

Da farmácia à política

A trajetória de Rick Azevedo até o vídeo que mudou sua vida não foi linear. Segundo o UOL, ele trabalhou como auxiliar de serviços gerais, vendedor, frentista e balconista de farmácia ao longo dos anos no Rio de Janeiro. Chegou a se matricular em três faculdades, Enfermagem, Marketing e Jornalismo, mas não concluiu nenhuma delas. O motivo, segundo ele mesmo, era falta de tempo, o mesmo argumento que o levou a gravar o vídeo.

Quem é Rick Azevedo, vereador eleito que fundou movimento contra escala 6x1  | CNN Brasil
Foto: arquivo pessoal

Com a repercussão do movimento VAT, Azevedo entrou para a política. Em outubro de 2024, um ano depois do vídeo, foi eleito vereador pelo PSOL no Rio de Janeiro com 29.364 votos, a votação mais expressiva do partido na cidade, segundo o UOL. Assumiu a presidência da Comissão do Trabalho e Emprego da Câmara Municipal e seguiu pautando a redução da jornada de trabalho a partir do mandato.

Em fevereiro deste ano, em entrevista à BBC News Brasil, Azevedo refletiu sobre o caminho percorrido. “Quando eu comecei lá atrás, como um balconista de farmácia que só queria desabafar, nos primeiros momentos, achei que realmente não iria avançar a ponto de a gente chegar até aqui”, disse.

Do movimento à Constituição

A pauta do VAT chegou ao Congresso Nacional quando a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) decidiu transformá-la em proposta legislativa. Em novembro de 2024, Hilton apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição inspirada nas reivindicações do movimento, com texto inicial mais ambicioso que o aprovado: previa jornada semanal de 36 horas e modelo de quatro dias de trabalho. Em poucas semanas, segundo a BBC News Brasil, a proposta superou o número mínimo de assinaturas necessárias para tramitar, reunindo apoios de parlamentares de centro e da direita. “Essa não é uma discussão de campo ideológico, mas de país”, afirmou Hilton à época.

O empresariado reageu. A Confederação Nacional da Indústria calculou uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro com a redução da jornada, e a Confederação Nacional do Comércio estimou que os custos sobre a folha salarial subiriam 21%. O CEO da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias, Sérgio Mena, afirmou à BBC News Brasil que a proposta era “populista” e inviabilizaria negócios do setor. “É um problema bem sério para o varejo e eu não sei como fechar essa conta”, disse.

Escala 6x1: Ex-balconista foi eleito vereador com bandeira - 14/10/2024 -  Cotidiano - Folha
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

Azevedo rebateu as críticas com um argumento histórico. “Se eu estivesse falando para você aqui agora, ‘vamos acabar com a escravidão no país’, os economistas de hoje iriam falar a mesma coisa: que o país não tem estrutura para acabar com a escravidão, que o país ia quebrar. O 13º salário, a mesma coisa. Férias remuneradas, a mesma coisa. Licença maternidade também”, disse à BBC News Brasil.

O governo Lula entrou na disputa com cautela. O presidente evitou assumir protagonismo nos primeiros meses, o que gerou críticas do próprio Azevedo. “O governo já deveria ter se posicionado de forma incisiva”, disse em entrevista ao UOL em março de 2025. A virada veio no 1º de Maio de 2025, quando Lula sinalizou apoio público à pauta pela primeira vez. “Está na hora do Brasil dar esse passo”, disse em pronunciamento na televisão, segundo a BBC News Brasil.

Na noite de quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e extingue a escala 6×1, com 461 votos a favor e 19 contra no segundo turno. O texto segue para o Senado Federal, onde ainda enfrenta resistências. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não manifestou compromisso em aprovar a mudança nos mesmos termos, segundo a BBC News Brasil, e qualquer alteração no texto retornaria a proposta à Câmara.

O balconista de farmácia que gravou um vídeo revoltado num quarto do Rio de Janeiro, sem imaginar onde aquilo ia chegar, agora é vereador, fundador de um movimento com milhões de apoiadores e um dos protagonistas da maior alteração constitucional em direitos trabalhistas desde 1988. “Quando eu comecei lá atrás, achei que realmente não iria avançar a ponto de a gente chegar até aqui”, disse à BBC News Brasil.

Fim da escala 6×1! Erika Hilton, travesti negra, protagoniza a maior vitória trabalhista em 38 anos

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Foto: divulgação

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (27), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e extingue a escala 6×1. Apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), travesti negra, a PEC foi construída em parceria com o vereador carioca Rick Azevedo (PSOL-RJ), idealizador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e trabalhador que viveu por 12 anos na própria escala que ajudou a combater.

Juntos, eles protagonizam a primeira alteração constitucional em direitos trabalhistas desde 1988, quando a jornada de 44 horas foi fixada, há 38 anos. “Esta é a maior vitória da classe trabalhadora desde 1988. São 40 anos de atraso e precisou a gente chegar aqui para fazer essa história”, declarou Hilton logo após a aprovação. O texto segue agora para o Senado Federal.

A Votação

No primeiro turno, 472 deputados votaram a favor da PEC e 22 contra, com 18 ausências e uma obstrução. No segundo turno, 461 aprovaram e 19 rejeitaram, com 33 deputados ausentes. A bancada do PT votou integralmente a favor nos dois turnos, com todos os 65 deputados presentes. A resistência ficou concentrada no PL, que registrou 11 votos contrários no primeiro turno e 9 no segundo, e no Novo, com 4 votos contra em ambas as rodadas. Entre os parlamentares que rejeitaram a proposta estão Rosângela Moro (PL-SP), Ricardo Salles (Novo-SP) e Marcel van Hattem (Novo-RS).

Mais cedo, a comissão especial da Câmara havia aprovado o parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), por 34 votos a 4, com oposição exclusiva de PL e Novo. Os parlamentares também rejeitaram um destaque apresentado pelo PL que pretendia modificar o período de transição para a escala 5×2, mantendo intacto o texto do relator.

O Que Muda

A PEC altera o trecho da Constituição Federal referente aos Direitos e Garantias Fundamentais para fixar que a duração do trabalho normal não pode superar oito horas diárias e quarenta horas semanais. A nova regra garante ainda ao menos duas folgas remuneradas por semana, com preferência para que uma delas ocorra aos domingos, e determina que pelo menos um dos dias de descanso deve recair dentro de cada semana de trabalho. Acordos e convenções coletivas poderão prever compensações de horário e reduções adicionais de jornada.

Para Erika Hilton, a mudança vai além de um ajuste técnico na legislação. “Nós estamos mudando a Constituição Brasileira para entregar às mães, aos pais, aos filhos, às famílias brasileiras dignidade e tempo de descanso”, afirmou a deputada.

Período de Transição

A redução das quatro horas semanais ocorrerá em duas etapas. As primeiras duas horas entram em vigor em até dois meses após a promulgação da PEC, e as duas horas restantes têm prazo de até 12 meses depois dessa primeira redução para ser implementadas. O fim da escala 6×1, com a garantia das duas folgas semanais, passa a valer 60 dias após a promulgação do texto.

O período de transição foi o principal ponto de disputas nas últimas semanas. Empresários e confederações de empregadores pediram mais prazo para adequação, e o governo, que inicialmente era contrário a qualquer fase de transição, chegou a um acordo que permitiu a implantação gradativa. O relator estabeleceu ainda que, decorridos 60 dias da promulgação, todos os acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas jornadas perdem validade automaticamente, medida que obriga sindicatos e empresas a negociar novos termos.

Quem Fica de Fora

As novas regras não se aplicam a trabalhadores com diploma de nível superior que recebem a partir de duas vezes e meia o teto do INSS, valor equivalente a cerca de R$ 21,1 mil mensais atualmente. Para esse grupo, as exigências de controle de jornada e ponto não serão aplicadas. A exclusão foi justificada pelo argumento de combater a prática da “pejotização” e garantir autonomia a profissionais de alta renda. Economistas avaliam que o debate deve ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade, qualificação profissional, inovação e investimentos em infraestrutura e logística.

A Vitória de Quem Protagonizou

Autora da PEC, Erika Hilton celebrou a aprovação em uma transmissão ao vivo nas redes sociais ainda na noite desta quarta-feira. Travesti negra e deputada federal por São Paulo, Hilton construiu a proposta ao lado do vereador carioca Rick Azevedo (PSOL-RJ), 29 anos, natural de Taipas do Tocantins e morador do Rio de Janeiro há mais de uma década. Em setembro de 2023, Azevedo publicou um vídeo no TikTok criticando a jornada 6×1 e comparando a escala a uma escravidão moderna. Em poucas horas, o vídeo acumulou milhares de comentários e compartilhamentos, o que motivou a criação de um grupo de WhatsApp para coordenar ações e, em seguida, a fundação do Movimento Vida Além do Trabalho.

Antes disso, Azevedo havia se matriculado em três faculdades, Enfermagem, Marketing e Jornalismo, mas não concluiu nenhuma delas, segundo ele, por falta de tempo. Em 2024, foi eleito vereador com quase 30 mil votos, a votação mais expressiva do PSOL no Rio, e assumiu a presidência da Comissão do Trabalho e Emprego da Câmara Municipal. Erika Hilton, chamada por Azevedo de “madrinha” do VAT, foi quem transformou o movimento em proposta formal, já que vereadores não têm prerrogativa de apresentar PECs no Congresso Nacional.

Hilton descreveu o resultado como uma virada depois de meses de ataques e resistência. “Fui muito atacada, fui muito agredida, fui ridicularizada em rede nacional, na internet, tratada como leviana, como irresponsável. E hoje estão todos eles mordendo a língua”, declarou. “Quando eu propus essa PEC, eu não imaginava que neste período de tempo nós conseguiríamos entregar ao povo brasileiro o que nós estamos entregando na noite de hoje”, acrescentou.

Para Hilton, o resultado tem um significado político que vai além da pauta trabalhista. “Hoje é uma noite de vitória da classe trabalhadora, mas é uma vitória que foi protagonizada por uma travesti preta, por uma bicha negra. Fomos nós, que fomos tratados como quem diminui o debate da esquerda, que levamos adiante uma mudança na Constituição”, afirmou. “A gente pode ser mulher, pode ser preta, pode ser travesti, pode ser o que for, mas a gente nunca pensa a sociedade somente para nós. A gente pensa uma política e um mundo que seja bom para todo mundo”, disse.

Próximo Passo: O Senado

Com a aprovação na Câmara, a PEC segue para o Senado Federal, onde precisa ser votada em dois turnos e reunir ao menos três quintos dos votos dos senadores em cada rodada para ser promulgada. A live completa de Erika Hilton com a celebração está disponível nas redes sociais da deputada.

Grupo L’Oréal e AfroSOU ampliam parceria com a PowerList Mundo Negro e sediam 5ª edição da premiação

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Foto: Divulgação/Mundo Negro

A PowerList Mundo Negro, principal premiação dedicada a mulheres negras no Brasil, ganha em 2026 sua casa: a sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro. A cerimônia da 5ª edição acontece no dia 31 de julho, dentro do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas, e marca a continuidade de uma parceria que começou em 2025 e cresceu para o protagonismo da edição mais aguardada da premiação.

A presença do Grupo L’Oréal na PowerList se dá através do AfroSOU, grupo de afinidade que reúne profissionais negros e negras dentro da companhia. Mais que um patrocínio institucional, a parceria é resultado direto da articulação de profissionais negros e negras dentro do Grupo L’Oréal, que enxergaram na PowerList uma oportunidade de visibilizar trajetórias que dialogam com a missão do AfroSOU: promover representatividade, equidade racial e desenvolvimento de carreiras.

Da articulação interna ao patrocínio máster

A parceria entre o AfroSOU e o Mundo Negro ganhou corpo em 2025, quando o Grupo L’Oréal entrou pela primeira vez como patrocinador da PowerList. Na edição de 2026, essa parceria se amplia: além do patrocínio máster, a companhia abre as portas de sua sede no Rio de Janeiro para receber a cerimônia de premiação, transformando o espaço corporativo em palco da celebração das 10 mulheres negras escolhidas pelo voto popular e pela curadoria técnica.

Camila Libório, em nome do AfroSOU L’Oréal Brasil, explica o que orienta essa escolha e o que ela representa para o grupo de afinidade dentro da companhia:

“Como grupo de afinidade racial, nosso papel fundamental é criar um ecossistema que conecte acolhimento, potência e visão de futuro. Para a AfroSOU, co-construir o Julho das Pretas ao lado da PowerList do Mundo Negro, em homenagem ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, fortalece diretamente o nosso pilar de 2026: ‘o que nos torna únicos enquanto nação’. Conectar-se com a força das mulheres negras brasileiras que movem as estruturas do país é a forma mais genuína de inspirar nossos colaboradores e construir, coletivamente, referências de um futuro possível, diverso e tangível.”

Eduardo Paiva, do Grupo L’Oréal, contextualiza a trajetória da parceria e o que representa para a companhia receber a premiação pela segunda vez em sua sede:

“É motivo de muito orgulho para o Grupo L’Oréal ser parceiro da PowerList Mundo Negro desde o início dessa iniciativa. Receber novamente a premiação em nossa sede, como aconteceu na primeira edição em 2022 e agora em 2026, reforça a continuidade de uma parceria construída a partir de um propósito em comum: ampliar a representatividade e o reconhecimento de mulheres negras que protagonizam histórias e inspiram futuros. Valorizar essas trajetórias e fortalecer espaços para que elas sejam celebradas faz parte do compromisso inabalável que temos com uma transformação mais diversa e inclusiva da sociedade.”

UMA EDIÇÃO HISTÓRICA

A 5ª edição da PowerList traz como grande novidade a possibilidade de autoindicação: pela primeira vez na história do prêmio, mulheres negras podem se inscrever diretamente em qualquer uma das cinco categorias do voto popular (Criadora Digital, Empreendedora do Ano, Profissional da Beleza, Destaque em Gastronomia e Profissional da Moda). As outras cinco categorias, definidas por curadoria técnica, contemplam Ciência, Tecnologia e Inovação; Liderança Corporativa; Diversidade e Impacto Social; Cultura, Artes e Entretenimento; e Trajetória Transformadora.

“Chegamos ao quinto ano do principal evento do Mundo Negro, que tem 27 anos de história. A potência de resistir só acontece pelas parcerias que acreditam nos nossos sonhos, pelas marcas e pela nossa audiência, que nos engaja e nos estimula a sonhar. Com L’Oréal e Globo presentes, podemos sonhar ainda mais alto e fazer do Julho das Pretas uma grande celebração”, afirma Silvia Nascimento, CEO e Head de Conteúdo do Mundo Negro.

Em 2025, a PowerList reconheceu nomes como a psicóloga social Cida Bento, autora de O Pacto da Branquitude, a cantora Majur e a cientista Lívia Rodrigues entre as 10 homenageadas. Para 2026, a expectativa é ampliar ainda mais o alcance da premiação.

COMO PARTICIPAR

As indicações para a PowerList Mundo Negro 2026 foram encerradas. A próxima etapa é a votação do Top 5 por categoria, que acontece entre 30 de maio e 22 de junho, totalmente online, em powerlist.mundonegro.inf.br/votar.

Feira Preta Festival retorna ao Rio com shows gratuitos, gastronomia, empreendedorismo, moda, talks e muito mais

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Foto: Arquivo pessoal / Agência Atlântica

Após dez anos longe da capital fluminense, o Feira Preta Festival retorna ao Rio de Janeiro nos dias 29, 30 e 31 de maio com uma edição que ocupa a Pequena África e diferentes pontos da região portuária local. O evento, considerado o maior festival de cultura e economia preta da América Latina, acontece no Píer Mauá, Armazém Kobra e em espaços históricos do território, promovendo shows, talks, empreendedorismo, gastronomia, moda, cinema e experiências culturais com entrada gratuita.

A edição carioca, com o mote “Negra é a raiz da revolução”, propõe um encontro entre a herança ancestral e o futuro, reforçando a conexão histórica da Pequena África com a formação da cultura negra brasileira. Entre as atrações musicais confirmadas no evento estão Sandra Sá, Leci Brandão, Teresa Cristina, Tati Quebra Barraco, Nanda Tsunami, Marina Íris, Áurea Martins, Rita Benedito e a cantora angolana Titica, referência do kuduro africano.

A programação também incorpora cortejos e manifestações ligadas à memória do território, como os Filhos de Gandhi e o Cortejo Prata Preta, conectando música ancestral a movimentos de resistência em diferentes pontos da região portuária do Rio. Em paralelo à agenda cultural, o festival levanta um debate sobre inovação e economia preta por meio de uma vasta programação de negócios apresentada pelo SEBRAE, com talks, mentorias, workshops e painéis voltados ao empreendedorismo negro. Entre os nomes confirmados nas mesas estão Nath Finanças, Michel Alcoforado, Cordell Carter e a escritora e curadora Sharna Jackson.

O festival também funciona como plataforma de fortalecimento econômico da população negra, reunindo empreendedores de áreas como moda, gastronomia, literatura, design e bem-estar, além de integrar parte dos expositores do ecossistema Feira Preta Cria, iniciativa do Instituto Feira Preta voltada ao desenvolvimento e aceleração de negócios negros.

“Retornar ao Rio depois de 10 anos é reconhecer a força desse território na formação da cultura negra brasileira. A Pequena África é um símbolo vivo de memória e resistência, mas também de futuro”, afirma Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta.

Confira a programação completa no site oficial: https://feirapretafestival2026.com.br/ 

Taís Araújo desembarca em São Paulo com a peça ‘Mudando de Pele” em junho

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Foto: Pedrona Polinario

A peça “Mudando de Pele”,  estrelada por Taís Araújo, ganhará uma temporada no Sesc 14 Bis, em São Paulo, a partir do dia 03 de junho. Após uma estreia de sucesso no Rio de Janeiro, a produção chega à capital paulista com o objetivo de proporcionar ao público uma experiência sobre conectividade, valor e identidade.

No enredo escrito pela britânica Amanda Wilkin, Taís interpreta Mayah, uma mulher de quase 40 anos que, em um momento de ruptura, abandona os ciclos em que precisava se encaixar para sustentar um trabalho e um relacionamento desgastado pelo tempo. Ao deixar para trás as prisões, ela inicia uma nova jornada de autodescoberta enquanto busca um novo lar e um novo trabalho aliados a novas conexões e outras formas de existir.

Durante esse processo, Mayah conhece Mildred, uma senhora jamaicana de 90 anos que dedicou a vida à luta pelos direitos civis, e Kemi, uma jovem irreverente que não pede licença para ocupar espaços. Nas entrelinhas de encontros, conflitos e aprendizados, as relações transformam a protagonista enquanto ela reconhece seu próprio valor em sua ancestralidade e identidade.

Ao lado de Dani Nega e Layla, Taís transforma o solo dirigido por Yara de Novaes e Yvi Souza, em uma experiência coletiva que constrói narrativas sobre a população negra para deslocando a dor do centro da trama. Com humor e sensibilidade, o espetáculo utiliza da poesia crítica como um meio para propor reflexões acerca da alegria, cura, afeto e protesto, revelando como a humanidade e a bondade podem surgir de lugares inesperados, imaginando futuros possíveis a partir das experiências de mulheres negras.

“Mudando de Pele” estará em cartaz do dia 03/06 ao dia 05/07 no Sesc 14 Bis, e os ingressos já estão disponíveis para compra no site oficial e nas unidades do Sesc SP.

Grupo de dança infantil de Uganda é convidado por Shakira ao palco da Copa do Mundo 2026 

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Foto: Reprodução/ Redes Sociais

As crianças do grupo de dança de Uganda, Triplets Ghetto Kids, receberam em maio deste ano o convite para se juntar a Shakira no show de encerramento da Copa do Mundo 2026. As finais acontecerão no dia 19 de julho, no estádio MetLife, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

A reação do grupo africano ao receber o convite, compartilhada no Instagram oficial (@ghettokids_tfug), viralizou rapidamente nas redes sociais devido à animação e à energia contagiante dos integrantes. A notícia foi dada pela própria Shakira, em um vídeo emocionante no qual a cantora destacou o desejo de transformar o momento em algo inesquecível. “Quero que seja especial para todos nós, inesquecível, por isso decidi convidar vocês para dançarem comigo na final”, declarou a artista.

Eles sobem ao palco da primeira performance de intervalo da Copa ao som do single de Shakira em parceria com o artista nigeriano Burna Boy, “Dai Dai”, no qual eles participam do clipe musical. Além da cantora colombiana, Madonna e o grupo sul-coreano BTS também se apresentarão no evento.

A participação do coletivo de dança em um dos maiores eventos do mundo, expande o alcance da arte africana para torcedores de diversas nacionalidades presentes no evento.

Kauê Penna representa talento da juventude negra carioca na boyband latina Santos Bravos

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Foto: Reprodução/ Redes Sociais

O cantor de 19 anos, nascido no Morro do Imperador, no Rio de Janeiro, iniciou sua trajetória na música inspirado por sua maior referência artística: a mãe. Foi cantando no coral da igreja frequentada por ela que Kauê Penna deu os primeiros passos em sua carreira, mas foi aos 14 anos que o artista ganhou projeção nacional ao vencer a quinta temporada do programa The Voice Kids, em 2020.

Integrando o time de Carlinhos Brown durante a competição, Kauê conquistou um contrato com a Universal Music Group, lançando, em 2021, seu primeiro EP gospel, “Promessa”, composto por sete faixas. O artista também construiu, simultaneamente à música, experiência nos palcos ao atuar em musicais entre 2020 e 2025, com temporadas em cartaz no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Antes de integrar o grupo Santos Bravos, Kauê Penna também tentou uma vaga no grupo global Now United. O cantor participou das audições para representar o Brasil no lugar de Any Gabrielly, mas a XIX Entertainment optou por outro integrante.

Impulsionada pela expansão global do mercado derivada de grupos sul-coreanos como BTS e TXT, a HYBE iniciou uma nova fase de internacionalização com a criação da HYBE Latin America, inaugurada em 2024 no México. A empresa formou seu primeiro boygroup latino por meio do programa de sobrevivência Santos Bravos, que reuniu mais de 400 inscritos e selecionou apenas 16 participantes para a competição, sendo Kauê um dos escolhidos.

Ao longo da competição, o carioca se destacou entre os participantes e foi escolhido como um dos cinco membros do grupo, tornando-se o único brasileiro do Santos Bravos. O grupo estreou oficialmente em outubro de 2025 com o single “0%”, e faz show em São Paulo no dia 28 de maio, na Casa Rockambole.

O jovem natural da Baixada Fluminense também se consolida como um representante da cultura afro-brasileira dentro do pop latino. Na recém-lançada faixa “Velocidade”, o artista incorpora gírias, expressões e referências cariocas em meio às sonoridades latinas do grupo, apresentando elementos da vivência periférica brasileira para fãs de diferentes nacionalidades. A letra da música, cantada pelo grupo em português e espanhol, amplia o alcance da cultura brasileira no mercado internacional e evidencia a influência histórica dos ritmos negros e periféricos na construção do pop contemporâneo latino.

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