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“O conceito do que é talento é uma construção colonial”: Executiva Flávia Porto dá dicas para desenvolvimento profissional de pessoas negras

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Flávia Porto (Foto: Arquivo pessoal)

Conselheira e cofundadora do Instituto Pactuá, Flávia Porto conduziu workshop que trouxe reflexões sobre liderança estratégica, ancestralidade, negócios e tecnologia.

“A sorte encontra os preparados.” Essa é uma das principais reflexões levantadas por Flávia Porto, executiva de RH, ao conduzir recentemente o workshop “Licença para Decolar”, promovido pelo Instituto Pactuá. A atividade integrou a programação do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras (PDLN), realizado em parceria com a Saint Paul Exame, e reuniu diversos participantes para formação.

O workshop trouxe reflexões sobre liderança estratégica, ancestralidade, negócios e tecnologia. Segundo a executiva, a ancestralidade ocupa um papel central no desenvolvimento profissional de pessoas negras. “Na grande maioria das vezes, o conceito do que é talento é uma construção colonial, fazendo com que as pessoas negras, cuja trajetória ancestral é diferente, não sejam reconhecidas como tal. Com isso, o autoconhecimento, combinado com autorregulação e estratégia, é chave para a aceleração e o crescimento na vida profissional”, afirma Flávia, que também é conselheira e cofundadora do Instituto Pactuá, em entrevista ao Mundo Negro.

Flávia tem vasta experiência como executiva de RH e empreendedora, com carreira construída no Brasil e no exterior, e já atuou em grandes empresas como Dell, Reckitt e Yara Brasil.

Durante o encontro realizado on-line, Flávia propôs que profissionais passem a gerir suas trajetórias como organizações gerem seus negócios, com planos de ação contínuos. “Conhecer nossa missão pessoal, nossa visão e nossos valores conduz a estratégia de avanço, fazer análise das nossas fraquezas, riscos e oportunidades, construindo networking e planos de ação com constante atualização e monitoramento, que chamo de plano de desenvolvimento individual”, diz. A tecnologia, nesse processo, aparece como aliada, seja por meio de plataformas de networking ou do uso de inteligência artificial para simular cenários de carreira.

Outro ponto central do encontro foi abordar o equilíbrio entre performance e comunicação. “Digo que não basta termos ambição, temos que cuidar da reputação profissional, que se faz com histórico de performance e boa conduta. No entanto, apenas performar bem não é o suficiente: temos que dar visibilidade à nossa performance, não apenas ao que entregamos, mas a como entregamos”, explica.

“Precisamos dar visibilidade às pessoas que precisam saber das suas ambições — indo além das conversas protocolares de carreira que as empresas oferecem. Dar visibilidade às lideranças, pares, pares da sua liderança e outros parceiros de trabalho faz com que mais pessoas se tornem nossas ‘defensoras’ ou influenciadoras do nosso nome em oportunidades que possam surgir”, completa. Flávia lembra ainda que muitas vagas estratégicas não são divulgadas publicamente, o que torna as redes de relacionamento ainda mais decisivas.

Questionada sobre como os profissionais negros podem comunicar suas ambições de forma assertiva em ambientes corporativos que ainda são marcados por desigualdades raciais, a executiva chama atenção para a necessidade de equilíbrio.

“Muitas vezes, pessoas negras, quando altivas, são lidas como arrogantes. Conscientes disso, precisamos ser um pouco mais cuidadosos, sabendo que quem decide por nós tem lentes diferentes, nem sempre apreciativas, mas de altíssima exigência, visto que não somos naturalmente idealizados nos espaços de poder e decisão, mas de servidão e colaboração. Falar de forma objetiva, com uma conversa estruturada, compartilhando seu plano de desenvolvimento, trazendo histórias e feitos relevantes para sua trajetória é um bom começo”, afirma.

Para encerrar, como parte dos conselhos para o desenvolvimento de líderes negros, Flávia destacou a importância de assumir o protagonismo da própria trajetória. “Conhecer ocupantes de posições de seu interesse, navegar no território desejado, levar o plano de desenvolvimento individual tão a sério quanto levamos nossas responsabilidades profissionais, não esperando as oportunidades baterem à sua porta. A sorte encontra os preparados, e cuidar intencionalmente da carreira também dá trabalho — mas os resultados são relevantes.”

Este conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Instituto Pactuá.

MP pede medida protetiva para criança de 5 anos, vítima de intolerância religiosa em escola do RJ e defende afastamento de professora

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Foto: Reprodução/TV Globo

O Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou, na última quinta-feira (29), medidas protetivas em favor de uma criança de 5 anos vítima de intolerância religiosa dentro de uma escola municipal em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

De acordo com os autos, o MPRJ defendeu o afastamento imediato da professora investigada do Espaço de Desenvolvimento Infantil Professor Celso de Almeida Chaves, além da proibição de qualquer contato com a criança e com as testemunhas, durante a apuração dos fatos.

As medidas foram requeridas após atuação do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro), que representa a família. Para o Ministério Público, o episódio representa risco à integridade psicológica da vítima, que passou a apresentar sinais de medo e ansiedade e chegou a se recusar a retornar à escola.

O MP também se manifestou favoravelmente à realização antecipada do depoimento especial da criança, previsto em lei, como forma de evitar sua revitimização ao longo das investigações.

O caso ocorreu em novembro do ano passado, quando a criança presenteou a professora com uma flor associada a Oxum, orixá do candomblé professado por sua família. Segundo a apuração, a docente afirmou que a flor “pertencia ao diabo”, arremessou-a ao chão e a pisoteou diante de cerca de 20 alunos.

Segundo os advogados que acompanham o caso — Hédio Silva Jr., fundador do Idafro, Arivaldo dos Anjos Filho e Rogério Gomes —, a decisão, que ainda depende de confirmação judicial, pode representar um marco inédito na resposta do Estado à intolerância religiosa contra crianças no ambiente escolar no Brasil.

Kenya Sade apresentará o intervalo do Super Bowl: “Precisamos aceitar que podemos sonhar alto“

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Foto: divulgação

Neste domingo (8), Kenya Sade estará à frente da cobertura brasileira do Show do Intervalo do Super Bowl 2026, transmitido pela TV Globo, direto da Califórnia. O evento, a grande final da NFL, é considerado não apenas o maior espetáculo esportivo dos Estados Unidos, mas também um dos momentos mais relevantes da cultura pop global, especialmente por seu tradicional show do intervalo, que neste ano terá Bad Bunny como atração principal.

Para além do caráter esportivo e musical, a presença de Kenya Sade na transmissão carrega um peso simbólico significativo. Em entrevista exclusiva ao Mundo Negro, a jornalista refletiu sobre o que representa ocupar esse espaço como mulher preta em um evento de alcance mundial, destacando o papel da educação e de sua trajetória pessoal na construção desse momento.

“Eu acho que quando eu sou convidada pra fazer uma transmissão fora do Brasil, em um dos maiores eventos dos Estados Unidos, e sendo uma mulher preta, eu só lembro da minha trajetória, né? De todos os caminhos que me trouxeram até aqui, da minha mãe, que me criou sozinha, que sempre acreditou muito no poder da educação, que a educação transforma, que a educação nos faz prosperar. Somente através da educação que a gente tem a possibilidade de ter uma mobilidade social.

Então, com essas novas oportunidades que eu venho galgando dentro da televisão, isso só me faz lembrar da minha mãe, da minha família, das mulheres pretas que me moldaram e que me ensinaram a sonhar alto. Porque eu acho que a gente precisa aceitar primeiro que a gente pode sonhar alto, que a gente pode estar nesses espaços, e esses sonhos têm se realizado.”

Ao falar sobre o impacto profissional e simbólico da cobertura, Kenya reforçou que o momento extrapola uma conquista individual e se conecta a uma história coletiva de mulheres negras que abriram caminhos na comunicação brasileira.

“Eu acho que estar à frente, junto com o jornalismo do esporte, de um dos maiores eventos esportivos do mundo, e um dos maiores palcos da cultura pop do mundo, é realmente um feito muito grande, é uma realização muito grande para uma mulher preta, nesse lugar de visibilidade, de oportunidade.”

Ela também citou o legado de Glória Maria como referência de pioneirismo e inspiração para novas gerações de jornalistas negras, destacando a importância de representatividade em grandes coberturas internacionais.

“Acho que são novos caminhos que se desenham para nós. Eu acho que a Glória Maria lá atrás, nós a víamos nas geleiras, na Antártida, na Nigéria, fazendo matérias incríveis. E eu acho que as pessoas vão se inspirar muito em ver também uma mulher preta retinta como eu, apresentando um dos maiores eventos musicais dos Estados Unidos, direto da Califórnia, sabe? Eu acho que é muito inspiracional, é muito poderoso tudo que eu venho conquistando, não só para mim, como para todas nós mulheres pretas, que vieram antes e para as que virão depois.”

No Brasil, a transmissão do Super Bowl será exibida pela TV Globo, com início da partida às 20h30 (horário de Brasília). O Show do Intervalo será apresentado logo após o episódio do BBB 26, com Kenya Sade conduzindo a cobertura e contextualizando o espetáculo para o público brasileiro.

Mais do que um evento esportivo, o Super Bowl se consolidou como um dos maiores palcos globais da música e do entretenimento, reunindo milhões de espectadores ao redor do mundo, e, neste ano, terá uma mulher preta brasileira como rosto da transmissão no país.

CARTA ABERTA AO MINISTÉRIO DA IGUALDADE RACIAL

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Foto: divulgação

Sobre a ausência de diálogo entre o Ministério da Igualdade Racial e a mídia negra independente

Ao
Ministério da Igualdade Racial (MIR)
Governo Federal do Brasil

O Mundo Negro e o Notícia Preta, dois dos principais portais da imprensa negra brasileira, vêm a público registrar, de forma respeitosa e transparente, uma preocupação que compartilhamos há anos: a ausência de diálogo institucional contínuo entre o Ministério da Igualdade Racial e a mídia negra independente do país.

Esta carta não é uma crítica à existência do Ministério, tampouco um pedido de financiamento.  Trata-se de um apontamento responsável sobre a distância que se estabeleceu entre quem formula políticas públicas para a população negra e quem, há décadas, comunica, informa, mobiliza e forma consciência crítica dentro dessa mesma população.

A imprensa negra como patrimônio histórico da luta por igualdade

A imprensa negra brasileira existe desde o século XIX. Foi por meio de jornais como O Homem de Cor, A Voz da Raça e tantos outros que a população negra construiu narrativas próprias, combateu estereótipos e disputou espaço na esfera pública quando os grandes veículos silenciavam suas pautas.

Hoje, no ambiente digital, a mídia negra independente cumpre esse mesmo papel: informa, forma opinião, fiscaliza o poder público, produz memória e fortalece identidades. Em um país onde o racismo estrutural ainda molda oportunidades, a comunicação antirracista não é acessória, é estratégica.

Quem somos

Mundo Negro
Fundado há mais de 20 anos, o Mundo Negro é um dos portais pioneiros da mídia negra digital no Brasil. Criado e dirigido por Silvia Nascimento, jornalista negra, o veículo mantém-se de forma totalmente independente, sem apoio institucional permanente, produzindo jornalismo, cultura e formação crítica para centenas de milhares de leitores ao longo de duas décadas.

Notícia Preta
Com 7 anos de existência, fundado e dirigido por Thais Bernardes, jornalista negra, o Notícia Preta tornou-se um dos maiores portais negros do país, com milhões de pessoas alcançadas mensalmente em suas plataformas digitais, além de projetos educacionais como a Escola de Comunicação Antirracista, que já formou milhares de pessoas gratuitamente.

Ambos os veículos são liderados por mulheres negras jornalistas que, sem estruturas empresariais tradicionais, sustentam diariamente o maior ecossistema de mídia negra independente do Brasil.

Nosso papel social

  • Produzimos jornalismo com perspectiva racial e de direitos humanos
  • Combatemos desinformação e estigmas raciais
  • Formamos novas gerações de comunicadores negros
  • Conectamos políticas públicas às realidades dos territórios
  • Damos visibilidade a iniciativas, vozes e saberes historicamente silenciados

Esse trabalho é realizado, em grande parte, sem editais específicos, sem políticas permanentes de fomento e enfrentando desafios de sustentabilidade financeira que poderiam ser mitigados por articulação institucional e reconhecimento público.

O que ocorreu: tentativas formais de diálogo sem retorno

Nos últimos três anos, tanto o Mundo Negro quanto o Notícia Preta buscaram diálogo institucional com o Ministério da Igualdade Racial. Registramos abaixo, de forma objetiva, algumas dessas tentativas.

Mundo Negro

  • Participação, a convite do próprio governo, na reunião das mídias negras para a construção do Plano Nacional de Comunicação Antirracista.
  • Após o encontro, foram enviados dois pedidos formais de devolutiva solicitando:
    • Relatório das propostas apresentadas
    • Indicação do que foi incorporado
    • Cronograma das próximas etapas
  • Até o momento, não houve resposta institucional.
  • Solicitações de entrevistas com a Ministra Anielle Franco, reforçando que a pauta seria espaço de escuta e voz institucional. As solicitações deixaram de ser respondidas após determinado momento da gestão.

Notícia Preta

  • Convite formal para participação da Ministra no programa NP Notícias.
  • Em abril de 2025, a assessoria confirmou a entrevista. Dias depois, a participação foi cancelada por agenda.
  • Novas solicitações de datas foram enviadas — sem qualquer retorno posterior.
  • Solicitações de posicionamento e direito de resposta em matérias jornalísticas também não obtiveram resposta.

Articulação pela Mídia Negra

  • Em 2024, a Articulação enviou nota técnica ao MIR denunciando apagamento institucional dentro do Grupo de Trabalho de Comunicação Antirracista.
  • Não houve resposta oficial.

Esses registros não são apresentados aqui como denúncia, mas como fatos documentados que ilustram a ausência de diálogo continuado.

O que defendemos

A construção de políticas públicas eficazes exige escuta permanente da sociedade civil organizada, especialmente de quem atua diretamente na produção de informação para a população que o próprio Ministério busca representar.

A mídia negra independente não é apenas beneficiária potencial de políticas: é parceira estratégica, formuladora de conhecimento, canal de escuta social e ponte entre Estado e território.

Sem diálogo, perde o Ministério. Sem diálogo, perde a sociedade. Sem diálogo, enfraquece-se o próprio projeto de comunicação antirracista que o governo propõe construir.

Nosso chamado

Reafirmamos nossa disposição para o diálogo institucional, transparente e contínuo. Não reivindicamos privilégios. Reivindicamos reconhecimento, escuta e articulação.

Porque comunicação antirracista não se faz apenas em planos escritos, se faz em relações vivas, permanentes e respeitosas entre Estado e sociedade.

Seguimos à disposição.

Att,

Mundo Negro
Silvia Nascimento, Fundadora e Head de Conteúdo

Notícia Preta
Thais Bernardes,  Fundadora e CEO

Justiça de SC suspende proibição de cotas raciais após STF exigir explicações do Governo

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Foto: gerada por IA

A Justiça de Santa Catarina determinou, nesta terça-feira (27), a suspensão da lei estadual que proibia a oferta de cotas raciais em universidades do estado. A decisão foi proferida logo após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelecer um prazo de 48 horas para que o governo catarinense e a Assembleia Legislativa (Alesc) prestassem esclarecimentos sobre a constitucionalidade da norma. A suspensão atende a uma ação direta de inconstitucionalidade protocolada pelo PSOL.

A lei havia sido sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL) na última quinta-feira (22), após aprovação pelo legislativo catarinense no fim de 2025. O texto vedava a reserva de vagas por critérios de raça ou gênero, mantendo apenas ações afirmativas baseadas em critérios econômicos, para pessoas com deficiência e alunos de escolas públicas. A norma previa, inclusive, uma multa de R$ 100 mil por edital que descumprisse a proibição.

A lei, sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL), tentava extinguir o critério racial, sob pena de multas de R$ 100 mil por edital. Analisando a resistência à medida, a jornalista Flávia Oliveira destacou a contradição histórica presente no Sul do país:

“Tem um artigo famoso falando disso, os ‘cotistas ingratos’, que são exatamente os imigrantes e seus descendentes que receberam políticas públicas de governo e hoje, no Sul do país, se insurgem contra as cotas. Existe uma mentalidade ainda racista que repele no Brasil qualquer coisa que seja em benefício da população afro-brasileira.”

A urgência da suspensão ocorreu no contexto do despacho de Gilmar Mendes, que destacou o risco de prejuízo a processos seletivos já em andamento, como o vestibular 2026/1 da Udesc. O ministro também abriu prazo para que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre a validade da lei.

Com a decisão judicial de hoje, a proibição de cotas raciais deixa de ter efeito imediato enquanto o mérito da questão segue em debate no judiciário. Isso garante a manutenção das políticas de reparação racial nos vestibulares de Santa Catarina, impedindo o corte de verbas públicas para as instituições que utilizam o critério racial. O governo de Santa Catarina e a Alesc ainda devem responder formalmente ao STF dentro do prazo estipulado, que se encerra nesta quarta-feira (28).

Jovens que torturaram e mataram cão Orelha viajam à Disney; pais alegam férias programadas

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Foto: reprodução/divulgação

O assassinato brutal do cão comunitário Orelha, ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis, gerou uma onda de indignação nacional e denúncias de favorecimento devido ao poder aquisitivo dos envolvidos. O animal, um cão dócil de aproximadamente 10 anos que vivia no bairro, foi atraído por um grupo de quatro adolescentes durante a madrugada para ser torturado.

Orelha sofreu agressões extremas antes de morrer. Segundo relatos, o cão foi espancado brutalmente e teve a cabeça perfurada com pregos, o que resultou na exposição de seu cérebro. Ele foi encontrado ainda vivo e agonizando por moradores na manhã seguinte e levado ao veterinário, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu na mesa de cirurgia.

Além do ataque a Orelha, as investigações apontam que o grupo tentou afogar outro cachorro comunitário, um vira-lata caramelo, levando-o para o fundo do mar. Este segundo animal conseguiu escapar nadando e sobreviveu.

Os quatro adolescentes suspeitos foram identificados como Mateus Silva Ferreira, Igor Zampieri, Evandro Dauks e Pedro Kolausky. O caso ganhou repercussão pelo perfil socioeconômico dos jovens, que pertencem a famílias da elite local conectadas a grandes empresas:

  • Um dos jovens é filho do proprietário do Majestic Palace Hotel.
  • Outro é filho do dono da rede Marca na Vieiras.
  • Há também o filho da proprietária da loja Fashion Nomade.
  • Mateus Ferreira da Silva é filho de Marcos Fernando da Silva, proprietário da Audio Soluções Contábeis e da One Capital Consultoria.

A investigação enfrenta obstáculos éticos e judiciais. O porteiro que filmou as agressões para servir de prova foi ameaçado pelos pais dos adolescentes. Além disso, a juíza que inicialmente julgaria o caso declarou-se parcial por possuir relações próximas com as famílias dos agressores.

No dia 27 de janeiro, foi confirmado que dois dos suspeitos viajaram para Orlando, nos Estados Unidos, com destino à Disney. Em nota enviada ao portal DN+, uma das famílias defendeu a viagem: “O fato de nosso filho estar em viagem programada há muitos meses é transformado em algo suspeito, em fuga de responsabilidade. Nada disso procede, queremos que todo esse caso seja solucionado o mais rápido possível”.

A Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos envolvidos para recolher dispositivos eletrônicos e segue com o inquérito para apurar tanto o ato infracional dos menores quanto a conduta dos adultos por suposta coação.

Cariúcha será a nova apresentadora do ‘SuperPop’ na RedeTV!

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Foto: Reprodução/Instagram

Cariúcha assinou o contrato com a RedeTV! e assumirá o comando do programa ‘SuperPop’. A informação foi confirmada pela própria RedeTV! nesta segunda-feira (26), para o colunista Flavio Ricco do Portal LeoDias. A estreia está prevista para março.

Depois de anunciar que não renovaria seu vínculo com o SBT, a artista passou a ser apontada como um dos principais nomes para assumir a atração, que marcou época sob a apresentação de Adriane Galisteu, no início, e de Luciana Gimenez, nos últimos 25 anos.

Entre diversos nomes cotados, Cariúcha foi o nome mais votado, principalmente pela possibilidade de renovar a imagem do programa.

Nas redes sociais, Cariúcha celebrou o novo momento com uma mensagem de fé e gratidão: “Eu sempre tive um sonho de ter meu próprio programa, E sempre pedi isso a Jesus e sabia que estava perto. Obrigada Jesus por tudo, sem ti nada sou!”.

A apresentadora ainda agradeceu a referência negra de quem se inspirou para o seu trabalho. “Obrigada Oprah [Winfrey] por trazer representatividade e nos fazer sonhar”.

Em carta aberta, Kanye West pede perdão à comunidade negra e judaica ao reconhecer erros e fala sobre saúde mental

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Foto: Arnold Jerocki/Getty Images

Kanye West publicou uma carta aberta no Wall Street Journal, nesta segunda-feira (26), em que pede perdão às pessoas que feriu, reconhece erros graves nos últimos anos e fala abertamente sobre sua saúde mental. No texto, ele relata que uma lesão cerebral não diagnosticada por mais de duas décadas contribuiu para o agravamento de seu transtorno bipolar tipo 1, resultando em episódios de comportamento impulsivo, discursos de ódio e ações que ele afirma lamentar profundamente.

“Há vinte e cinco anos, sofri um acidente de carro que quebrou meu maxilar e causou uma lesão no lobo frontal direito do meu cérebro. […] A lesão mais profunda, a que estava dentro do meu crânio, passou despercebida”, iniciou o texto. Segundo o rapper, a falha médica só foi identificada em 2023, o que teve impacto direto em sua saúde mental. “Essa falha médica causou sérios danos à minha saúde mental e levou ao meu diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1.”

Ye descreve como a negação é um dos mecanismos mais perigosos do transtorno. “Quando você está em mania, não acha que está doente. […] Você sente que está vendo o mundo com mais clareza do que nunca, quando, na realidade, está perdendo completamente o controle.”

Ele também alerta para o estigma associado ao transtorno: “Quando as pessoas te rotulam como ‘louco’, você sente que não pode contribuir com nada de significativo para o mundo. É fácil para as pessoas fazerem piada e rirem disso, quando, na verdade, essa é uma doença séria e debilitante, da qual você pode morrer.”

Na carta, o rapper cita dados da Organização Mundial da Saúde e da Universidade de Cambridge para reforçar a gravidade da condição, e reconhece que feriu pessoas próximas ao perder contato com a realidade. “Disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que eu mais amo foram as que eu mais maltratei.” Ele admite ainda que se afastou de sua própria identidade: “Olhando para trás, me desconectei do meu verdadeiro eu.”

Um outro momento da carta, ele aborda sua associação a símbolos nazistas. “Nesse estado fraturado, me agarrei ao símbolo mais destrutivo que consegui encontrar, a suástica, e até vendi camisetas com ela.” Ele afirma sentir vergonha profunda: “Me arrependo e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso não justifica o que fiz. Eu não sou nazista nem antissemita. Eu amo o povo judeu.”

O artista também se dirige diretamente à comunidade negra, reconhecendo sua importância em sua trajetória. “À comunidade negra — que me sustentou em todos os altos e baixos e nos momentos mais sombrios. A comunidade negra é, sem dúvida, a base de quem eu sou. Sinto muito por ter decepcionado vocês. Eu amo a nós.”

Ye revela que, no início de 2025, enfrentou um episódio maníaco de quatro meses, marcado por comportamentos psicóticos, paranoicos e impulsivos. “Destruiu minha vida.” Em um dos trechos mais sensíveis, ele escreve: “À medida que a situação se tornava cada vez mais insustentável, houve momentos em que eu não queria mais estar aqui.”

Ele explica que viver com transtorno bipolar é lidar com ciclos intensos: “Quando você entra em um episódio maníaco, você está doente naquele momento. Quando não está em um episódio, você está completamente ‘normal’. E é aí que os destroços da doença atingem com mais força.” Após atingir o que ele descreve como fundo do poço, Ye afirma que sua esposa, Bianca Censori, o incentivou a buscar ajuda.

O rapper também relata ter encontrado apoio online. “Encontrei conforto em fóruns do Reddit, de todos os lugares.” Segundo ele, ler relatos de outras pessoas o ajudou a perceber que não estava sozinho: “Não sou só eu que destrói a própria vida uma vez por ano, apesar de tomar remédios todos os dias e ser informado pelos chamados melhores médicos do mundo de que não sou bipolar, mas apenas estou vivenciando ‘sintomas de autismo’,”

Reconhecendo o impacto de sua voz como figura pública, ele escreve: “Minhas palavras como líder na minha comunidade têm impacto e influência global. Na minha mania, perdi completamente a noção disso.”

Atualmente, Kanye West afirma estar em tratamento e buscando um novo equilíbrio: “À medida que encontro meu novo equilíbrio e novo centro por meio de um regime eficaz de medicação, terapia, exercícios e vida saudável, tenho uma clareza nova e muito necessária.”

Encerrando a carta, o artista afirma que não busca indulgência, mas compreensão. “Não estou pedindo simpatia nem um passe livre, embora aspire conquistar o seu perdão.” E conclui: “Escrevo hoje simplesmente para pedir sua paciência e compreensão enquanto encontro o caminho de volta para casa.”

Casal Obama defende protestos contra violência de agentes de imigração: “Cabe a cada um de nós nos manifestar contra a injustiça”

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Fotos: Stephen Maturen/Getty Images e Getty Images

Barack e Michelle Obama se manifestaram neste domingo (25) sobre o assassinato de Alex Pretti, um norte-americano morto por um agente federal de imigração em Minneapolis durante um protesto contra as ações do ICE. Em nota conjunta, o casal afirmou que o caso deve servir de alerta nacional e que os valores fundamentais dos Estados Unidos estão sob ataque.

“O assassinato de Alex Pretti é uma tragédia comovente”, escreveram. “Também deve ser um alerta para todos os americanos, independentemente do partido, de que muitos dos nossos valores fundamentais como nação estão cada vez mais sob ataque.”

“Os americanos esperam que eles cumpram suas funções de maneira legal e responsável e que trabalhem com, e não contra, as autoridades estaduais e locais para garantir a segurança pública”, afirmaram o ex-presidente e a ex-primeira-dama ao afirmar também reconhecer o trabalho dos agentes.

Segundo o comunicado, nas últimas semanas, moradores de várias regiões do país têm se mostrado indignados com ações do ICE e de outros agentes federais, que vêm empregando táticas consideradas intimidatórias, abusivas e perigosas. Eles ressaltaram que essas práticas, classificadas por especialistas como vergonhosas e ilegais, resultaram na morte de dois cidadãos americanos.

O casal criticou duramente a postura do governo federal, que, em vez de impor responsabilização aos agentes envolvidos, tem apresentado explicações públicas para os assassinatos de Pretti e Renee Good sem base em investigações consistentes — versões contestadas por imagens em vídeo.

Obama e Michelle também cobraram que o presidente Donald Trump e os funcionários do governo federal revejam suas atuações e passem a trabalhar de forma construtiva com o governador de Minnesota, o prefeito de Minneapolis e as forças policiais estaduais e locais para evitar novos episódios de violência.

A nota termina com um chamado à mobilização cidadã. “Todo americano deve apoiar e se inspirar na onda de protestos pacíficos em Minneapolis e em outras partes do país. Eles são um lembrete oportuno de que, em última análise, cabe a cada um de nós, como cidadãos, nos manifestar contra a injustiça, proteger nossas liberdades fundamentais e responsabilizar nosso governo.”

O enfermeiro norte-americano Alex Pretti, de 37 anos, foi morto no último sábado (24) durante uma abordagem do Departamento de Segurança Interna (DHS). As autoridades alegaram que ele estaria armado e teria sacado a arma, mas essa versão é contestada.

De acordo com análise do The New York Times, os vídeos da ação não mostram qualquer movimento que indique que Pretti tenha sacado uma arma, nem evidências de que os agentes soubessem que ele estava armado. Pretti possuía porte legal.

Este é o segundo caso fatal envolvendo operações de imigração em Minneapolis em menos de um mês. Em 7 de janeiro, Renee Good também foi morta durante uma ação do ICE.

Polícia apura denúncia de que crianças desaparecidas no Maranhão teriam sido vistas em São Paulo

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Foto: Reprodução

A Polícia Civil investiga uma denúncia de que as duas crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão, teriam sido vistas na noite de sábado (24), em um hotel no bairro da República, região central de São Paulo. A informação ainda está em apuração e não há confirmação oficial de que se trate dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a Polícia Civil do Maranhão foi comunicada sobre a possível ocorrência para adoção de providências de forma integrada entre os dois estados. Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) afirmou que todas as denúncias são rigorosamente checadas, seja em cooperação com forças policiais de outros estados, seja com o deslocamento de equipes locais, quando necessário.

Ainda de acordo com a SSP-MA, para não comprometer as investigações, não é possível divulgar mais detalhes neste momento.

Nesta segunda-feira (26), completam-se 23 dias desde o desaparecimento de Ágatha e Allan. As buscas seguem em andamento com atuação conjunta das forças de segurança e sem restrição a um único ambiente, abrangendo áreas de mata, rios e lagos, paralelamente às investigações conduzidas pela Polícia Civil. A comissão especial formada para apurar o caso continua ouvindo testemunhas e realizando outros procedimentos considerados essenciais.

Após varreduras extensas sem pistas significativas, as autoridades informaram que as buscas foram reduzidas, enquanto a investigação policial foi intensificada. Segundo a SSP-MA, as equipes seguem em prontidão para retomar ações em locais específicos caso surjam novos indícios.

“O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade”, afirmou Maurício Martins.

Mesmo com a mudança de estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, e equipes especializadas permanecem mobilizadas para atuar em áreas de mata e lagoas.

Nos primeiros 20 dias de operação, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros por terra e por água, incluindo regiões de mata fechada e de difícil acesso. Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal e voluntários, participaram das ações. O inquérito é conduzido por uma comissão especial composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal e já ultrapassa 200 páginas.

Depoimento do primo contribui com as investigações

O primo de 8 anos também ficou desaparecido por cerca de três dias na mata e foi encontrado em 7 de janeiro por carroceiros que passavam pela região. Após 14 dias internado, ele recebeu alta no dia 20, e a Justiça do Maranhão autorizou sua participação nas buscas.

Um dos pontos indicados por ele foi a chamada “casa caída”, onde cães farejadores confirmaram a passagem das crianças. O local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, mas, considerando obstáculos naturais como trilhas, lagoas e áreas de mata, o percurso pode chegar a aproximadamente 12 km.

As informações fornecidas ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado. O menino relatou que a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa do pai, mas, para evitar serem vistos por um tio, decidiu seguir por outro trecho da mata.

A partir desse ponto, o grupo teria se perdido. Ele afirmou ainda que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar.

Neste sábado (24), o menino retornou ao quilombo São Sebastião dos Pretos, onde vive com a família. Eles, que antes moravam em uma casa simples de barro e madeira, receberam uma nova moradia no povoado.

Força-tarefa e uso do Amber Alert

A força-tarefa que procura pelos irmãos passou a adotar uma estratégia mais direcionada, com foco na investigação policial e no uso de ferramentas que ampliem o alcance das buscas. Entre os recursos utilizados está o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil do Maranhão.

O sistema emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças, utilizando plataformas como Facebook e Instagram para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, o uso do Amber Alert é considerado fundamental para ampliar a mobilização social. O alerta é ativado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e permanece visível no feed de usuários da região, com dados como nome, características físicas e contatos para envio de informações. De acordo com o MJSP, o protocolo é acionado de forma excepcional, quando há indícios de risco de morte ou de lesão grave.

Na última semana, houve mudança na estratégia de busca após o depoimento do primo de 8 anos, diante da ausência de vestígios nas áreas inicialmente vasculhadas.

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