As festas juninas costumam ser associadas à tradição católica e às influências europeias, mas sua forma brasileira foi moldada por diferentes matrizes culturais. Na religiosidade, na música, na culinária e nas formas de celebração, a presença negra também faz parte dessa história.
Bandeirinhas, quadrilhas, comidas típicas e fogueiras fazem parte do imaginário que cerca as festas de São João. Celebrada em todas as regiões do país, a data costuma ser apresentada como uma herança das tradições católicas trazidas pelos portugueses. Mas essa narrativa, embora importante, não conta toda a história.
Ao longo dos séculos, o São João foi transformado pelas diferentes populações que formaram o Brasil. Nesse processo, a presença negra contribuiu para moldar práticas culturais, expressões religiosas, formas de sociabilidade e manifestações artísticas que ajudaram a construir uma das maiores festas populares brasileiras, como um retrato da diversidade cultural do país.
A FOGUEIRA ENTRE SÃO JOÃO E XANGÔ
Um dos símbolos mais conhecidos da festa junina é a fogueira. Na tradição católica, sua origem está associada à história de Isabel, mãe de João Batista, que teria acendido uma fogueira para avisar Maria sobre o nascimento do filho.
Nas religiões de matriz africana, especialmente nas que se originam no povo iorubá, em que se cultuam os orixás, o período dos festejos juninos também está relacionado a Xangô, orixá associado à justiça, ao fogo, aos raios e aos trovões. Em muitas casas de axé, as celebrações dedicadas a Xangô acontecem durante o mesmo período das festividades de São João.
Essa aproximação revela como o sincretismo é um dos traços mais marcantes da história cultural brasileira.
MÚSICA, DANÇA E ENCONTRO
A presença negra também pode ser percebida na construção da cultura musical que acompanha os festejos juninos.
Os arraiais são marcados por ritmos desenvolvidos a partir do encontro entre matrizes africanas, indígenas e europeias. Instrumentos de percussão, tradições orais, formas coletivas de dança e experiências comunitárias ajudaram a formar a identidade sonora que hoje caracteriza grande parte das festas populares brasileiras, como ferramentas de preservação cultural e transmissão de memória.
CULINÁRIA E SABERES COMPARTILHADOS
As festas juninas também revelam a centralidade da culinária como espaço de encontro entre diferentes matrizes culturais que formam a sociedade brasileira.
Em “Feira de Mangaio”, clássico de Sivuca eternizado na voz de Clara Nunes, versos como “bolo de milho, broa e cocada / eu tenho pra vender, quem quer comprar?” evocam justamente essa dimensão alimentar das festas populares, em que a comida não é apenas consumo, mas também memória, circulação e identidade cultural.
Nesse contexto, o milho aparece como um dos principais elementos das celebrações juninas, associado ao ciclo agrícola que estrutura boa parte das festas no país. Sua presença nas mesas brasileiras dialoga com usos tradicionais de povos originários das Américas, enquanto outros ingredientes que compõem o universo junino revelam trajetórias distintas de circulação e adaptação cultural.
O leite de coco, por exemplo, tem origem ligada ao norte da África e se incorporou à culinária brasileira ao longo do processo histórico de formação do país, especialmente nas regiões costeiras e no Norte e Nordeste. Já o açúcar, amplamente presente em doces típicos das festas juninas, também está inserido em uma história marcada pela presença africana no sistema produtivo colonial e na reorganização dos saberes culinários no Brasil.
FESTA, MEMÓRIA E CONTINUIDADE
Ao reunir religiosidade, música, culinária e memória, as festas juninas ajudam a contar uma história maior: a de um país construído pelo encontro de diferentes culturas e pela contribuição de populações que ajudaram a formar a identidade brasileira.
A presença afro-brasileira nesse processo não aparece como elemento lateral, mas como parte estruturante da cultura popular que sustenta o próprio imaginário das festas de São João.
Oprah revelou no Cannes Lions que Whitney caiu do palco em 2009. A equipe da cantora contestou a versão e negou que ela estivesse sob efeito de drogas no momento.
Oprah Winfrey revelou publicamente, durante sua participação no festival Cannes Lions, em 22 de junho de 2026, que Whitney Houston caiu do palco durante sua última aparição no programa “The Oprah Winfrey Show”, em setembro de 2009, e que a apresentadora pediu à plateia presente que não divulgasse fotos nem detalhes do ocorrido. No mesmo dia, o espólio da cantora, administrado por Pat Houston, contestou a versão e afirmou que Whitney não estava sob efeito de drogas naquele momento.
Oprah recebeu o prêmio LionHeart do festival quando fez a revelação. Segundo ela, Whitney havia tido uma recaída e estava visivelmente alterada no dia da gravação. “Eu tinha tanta confiança da plateia do The Oprah Show. Ela tinha voltado a usar drogas e caiu do palco”, disse a apresentadora. Ela afirmou ter agido rapidamente para evitar que o episódio se tornasse público. “Eu sabia que se essa história vazasse, ela ficaria destruída. Então eu implorei para que não divulgassem as fotos, porque isso arruinaria a vida dela, e eles não divulgaram. Isso não aconteceria hoje, posso garantir”, declarou.
A resposta do espólio veio horas depois, por meio de nota enviada ao site TMZ. Pat Houston afirmou que Whitney “definitivamente caiu do palco, mas foi durante a passagem de som, em razão da escuridão do local e da falta de familiaridade com o palco. Ela definitivamente não estava drogada”. A nota reconheceu as batalhas pessoais da cantora com o vício, mas contestou a atribuição do episódio específico ao uso de substâncias. “É impreciso e injusto associar essa luta a cada performance ou a cada capítulo de sua vida. O que a plateia testemunhou naquele palco foi resultado de disciplina, talento e comprometimento, não das suposições que outros projetam”, diz o comunicado. O texto encerrou com uma declaração direta sobre a memória da artista: “A humanidade de Whitney incluiu triunfos e batalhas, mas naquele dia ela se apresentou como a artista profissional e talentosa que sempre se esforçou para ser. Devemos a ela a dignidade de contar a verdade, não de repetir mitos.”
A aparição de 2009 foi a última de Whitney Houston no programa de Oprah. Na ocasião, a cantora interpretou “I Didn’t Know My Own Strength” e participou de uma conversa franca sobre sua trajetória, seus desafios pessoais e o impacto do vício em sua vida. Durante a entrevista, ao ser questionada sobre o uso de substâncias, Houston falou sobre os altos e baixos de seu casamento com o cantor Bobby Brown. “Às vezes a gente se diverte mesmo. Mas quando chega ao ponto de estar em casa tentando esconder o que não quer que as pessoas saibam, é doloroso. E aí você quer mais, só para que ninguém te veja chorar”, disse ela a Oprah naquele programa.
Whitney Houston e Oprah Winfrey se encontraram pela primeira vez no programa em abril de 1999. A apresentadora revelou no Cannes Lions que, antes daquela gravação, desligou as câmeras e foi aos bastidores conversar diretamente com a cantora. “Então me diga, o que você quer que aconteça aqui? E eu vou te dizer o que eu quero que aconteça aqui”, disse Oprah que perguntou à artista. Segundo ela, essa foi uma das entrevistas mais marcantes de sua carreira.
Whitney Houston faleceu em 11 de fevereiro de 2012, aos 48 anos, em decorrência de afogamento acidental em um hotel de Beverly Hills. A causa da morte incluiu doença cardíaca e uso de cocaína como fatores contribuintes. Sua filha, Bobbi Kristina Brown, morreu três anos depois, em 2015, aos 22 anos, em circunstâncias similares.
Emicida publicou vídeo com pesquisas da FGV e do Nobel de Economia para responder à fala de Luciano Huck sobre dependência no Bolsa Família. Veja os dados.
O rapper e escritor Emicida publicou na segunda-feira (23) um vídeo nas redes sociais para responder às críticas que o apresentador Luciano Huck fez ao Bolsa Família durante o 5º Fórum Esfera, realizado no Guarujá (SP) no dia 23 de maio. Sem se colocar como adversário de Huck, Emicida estruturou a fala em torno de estudos da Fundação Getúlio Vargas, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e dos economistas laureados com o Nobel Esther Duflo e Abhijit Banerjee, deslocando a discussão do terreno moral para o campo das evidências.
No evento empresarial, Huck afirmou que o Bolsa Família não gera estímulo para que os beneficiários deixem o programa e que famílias criavam “atalhos para ficar no programa de distribuição de renda ad aeternum”. A fala viralizou e provocou reações de personalidades públicas, influenciadores e do próprio Ministério do Desenvolvimento Social, cujo titular, Wellington Dias, rebateu as afirmações com dados governamentais no dia 27 de maio.
Emicida optou por esperar. “A minha intenção aqui não é responder ninguém. Por isso eu esperei uns dias pra abaixar a poeira, sair da esfera do lacre e trocar essa ideia numa perspectiva de diálogo construtivo e agregador”, disse no vídeo. A escolha de aguardar cinco dias antes de se manifestar foi, em si, uma tomada de posição: enquanto boa parte do debate se concentrava na disputa de narrativa imediata, o artista organizou um argumento sustentado por pesquisa.
O ponto central da fala de Emicida foi um estudo publicado em dezembro de 2025 pela FGV em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social, que acompanhou durante dez anos o percurso de beneficiários que recebiam o programa em 2014. O resultado contradiz diretamente a premissa de Huck. “Seis em cada dez já tinham saído. Entre os que eram adolescentes na época, sete em cada dez. E nas casas onde o pai ou a mãe tinha carteira assinada, quase oito em cada dez”, afirmou Emicida, citando os números com precisão.
O rapper mencionou ainda que, somente em 2025, dois milhões de famílias deixaram o programa porque a renda familiar superou o limite de elegibilidade. “A porta giratória existe e ela gira pra fora”, disse. Os dados são consistentes com os levantamentos do próprio Ministério do Desenvolvimento Social, que registrou, nos primeiros três anos do Novo Bolsa Família, criado em 2023, uma média mensal de saídas superior à de entradas, com aproximadamente 447 mil saídas contra 359 mil entradas por mês, segundo análise da economista Juliane Furno publicada em junho de 2026.
Emicida também citou o retorno econômico do programa para rebater a ideia de que o gasto social é ineficiente. Segundo o Ipea, cada real investido no Bolsa Família gera R$ 1,78 de impacto no Produto Interno Bruto. O mecanismo é direto: ao contrário de outros fluxos de capital, o benefício entra imediatamente no consumo das camadas de menor renda, dinamizando o comércio local. “Esse dinheiro não vai pra offshore, pra Suíça, pra Ilhas Cayman. Pra onde ele vai? Pro mercadinho da esquina, pra farmácia, pro caderno da escola”, disse o rapper.
Emicida recorreu ao conceito de “armadilha da pobreza”, desenvolvido pelos economistas Duflo e Banerjee, para responder ao argumento de que o programa desestimula o trabalho. Os dois pesquisadores ganharam o Nobel de Economia em 2019 justamente por desenvolver metodologias de avaliação de políticas de combate à pobreza, revisando evidências de mais de cem países. A conclusão, segundo Emicida, é direta. “Não existe evidência de que dar uma renda pra quem precisa faz a pessoa trabalhar menos. O que prende alguém na pobreza não é o benefício, é a pobreza.”
A menção a Duflo e Banerjee não foi casual: Emicida assina os comentários dos dois livros infantojuvenis da economista lançados no Brasil pela Companhia das Letrinhas em maio de 2026, “Volta por Cima” e “Conta Comigo”. As obras abordam pobreza global para leitores a partir de seis anos e fazem parte de um projeto editorial que inclui uma olimpíada nacional de redação. “Assinei dois livros junto da Esther Duflo aqui no Brasil. Ela ganhou o Prêmio Nobel de Economia justamente por entender e clarificar como a pobreza funciona de verdade”, contextualizou o artista no vídeo.
Emicida também citou o economista Michael França e sua análise sobre a “Loteria do CEP”, conceito que descreve como o local de nascimento determina as oportunidades de uma pessoa no Brasil, para concordar parcialmente com Huck. O apresentador havia mencionado dado da OCDE segundo o qual uma família na base da pirâmide social brasileira leva, em média, nove gerações para alcançar a classe média. Para Emicida, o número está correto, mas a conclusão tirada dele não. “Nove gerações não é a prova de que o programa Bolsa Família não funciona. É a descrição exata do buraco que o programa se propõe a tapar.”
O debate iniciado pela fala de Huck ganhou dimensão adicional ao se cruzar com os dados de composição do Bolsa Família. Segundo o Informe Bolsa Família nº 109, publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Social em março de 2026, 84% dos responsáveis familiares pelo programa são mulheres e 74,8% desse grupo são mulheres negras. Os dados refletem uma concentração estrutural: conforme levantamento do Ipea, cerca de 80% dos 10% mais pobres da população brasileira são negros. O programa atende preferencialmente esse público não por critério identitário explícito, mas porque a pobreza brasileira tem recorte racial definido.
Emicida não abordou o recorte racial de forma explícita no vídeo, mas o argumento estrutural que ele construiu converge com essa leitura: a crítica ao programa como instrumento de acomodação ignora que a permanência na pobreza decorre de condições objetivas, não de ausência de vontade. “Quem tá há nove gerações no final da fila não tá lá por preguiça. Tá lá porque na largada da corrida tem uns que nascem na metade do caminho, e outros nascem amarrados ao final dele.”
Emicida disse concordar com parte do diagnóstico de Huck sobre ineficiência do Estado e com a ideia de que o programa pode ser aperfeiçoado com o uso de tecnologia, ponto que o apresentador defendeu em vídeo publicado no dia 24 de maio, após as críticas. O rapper, porém, estabeleceu uma distinção entre aperfeiçoamento e moralização. “Aperfeiçoar o programa? Sempre. Usar a tecnologia pra chegar com mais precisão em quem mais precisa? Vambora”, disse, para em seguida acrescentar um alerta sobre segurança de dados em tempos de inteligência artificial, tema que considerou “mais urgente do que a maioria tem conseguido ver.”
O ponto de separação entre as duas perspectivas, na leitura do artista, está no ponto de partida do argumento. “O ponto de partida não pode ser a desconfiança de quem tem menos. Tem que ser a dignidade de quem segura esse país de pé todo dia”, afirmou. A frase sintetizou o eixo do vídeo: não uma refutação agressiva das críticas de Huck, mas uma reorientação da pergunta. Enquanto o apresentador indagou como motivar famílias a sair do programa, Emicida propôs reformular o problema. “A pergunta certa nunca foi como fazer o pobre querer sair do programa. Ele sempre quis. A pergunta é: que ponte a gente construiu pra ele ter pra onde ir sem o programa?”
A escritora britânica Zadie Smith, a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, a angolana Ana Paula Tavares e o escritor brasileiro Edimilson de Almeida Pereira estão entre os destaques da programação da Flip 2026. O festival literário, que acontece entre os dias 22 e 26 de julho em Paraty (RJ), também contará com a participação da pesquisadora e escritora Juliana Borges, responsável pela mediação da aguardada conversa com Zadie Smith.
Divulgada nesta terça-feira (23), a programação completa da Festa Literária Internacional de Paraty reúne autores de diferentes países e consolida a presença de escritoras e escritores negros em algumas das principais mesas da edição deste ano.
Zadie Smith participa pela primeira vez da Flip
Um dos principais destaques desta edição é a participação inédita da escritora britânica Zadie Smith. Autora de obras como Dentes Brancos e A Fraude, a romancista ocupará um dos horários mais prestigiados da programação, em uma conversa mediada pela pesquisadora Juliana Borges.
Reconhecida internacionalmente por romances que abordam identidade, pertencimento, classe, migração e transformações sociais, Zadie Smith construiu uma extensa e respeitada trajetória na literatura contemporânea em língua inglesa.
Sua participação marca um dos momentos mais aguardados da programação e reforça a presença de autoras negras em espaços centrais dos grandes festivais literários.
Djaimilia Pereira de Almeida integra programação do festival
Outro nome de destaque é a escritora luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, vencedora de duas edições do Prêmio Oceanos e autora de obras que exploram deslocamentos, memória, relações familiares e experiências da diáspora.
Djaimilia participa da mesa Falo do que Impede o Sono, ao lado do escritor franco-argelino Kamel Daoud, com mediação da jornalista Adriana Ferreira Silva.
Ana Paula Tavares leva a literatura angolana para Paraty
A escritora, poeta, historiadora e pesquisadora angolana Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões de 2025, também integra a programação principal da Flip.
Sua obra é marcada pelo diálogo entre memória, oralidade, história e experiências femininas. Sua participação acontece em uma mesa individual mediada pelo poeta Tarso de Melo.
Edimilson de Almeida Pereira representa a literatura negra brasileira
A programação também contará com a presença do escritor, poeta e pesquisador Edimilson de Almeida Pereira, um dos nomes mais relevantes da literatura brasileira contemporânea.
Sua produção literária e acadêmica dialoga com religiosidades afro-brasileiras, cultura popular, memória e patrimônio cultural, temas que ocupam lugar de destaque em sua trajetória intelectual.
A programação completa da Flip 2026 está disponível nos canais oficiais do evento: flip.org.br.
No dia de Xangô, conheça o Rei de Oyó: sua história, seus itans, o machado de duas lâminas e o que a tradição do candomblé ensina sobre ele.
Quando o atabaque acelera e a dança esquenta no barracão, ninguém que conhece o candomblé confunde o toque de Xangô com o de nenhum outro orixá. O ritmo é acelerado, marcado, quente como brasa. Os pés batem forte no chão. O corpo se curva para trás, os braços sobem como raios. Quem ainda não entendeu quem é esse orixá entende naquele momento: É O REI!
Xangô foi o quarto Alafim de Oyó, título que designava o rei soberano do mais poderoso dos impérios iorubás, na região que hoje corresponde ao sudoeste da Nigéria. Antes de ascender ao trono, governava Cossô, pequena cidade nas cercanias da capital, e foi de lá que partiu para destituir o irmão Ajacá-Dadá, considerado inábil para governar, assumindo o comando de um império que reunia os maiores centros do mundo iorubá. A memória que os mitos preservaram não é a de um governante suave: Xangô buscou novas armas, expandiu territórios, julgou disputas no palácio, e quando descobriu uma poção mágica capaz de produzir fogo pela boca, logo a testou dos altos de uma elevação, lançando labaredas sobre pastagens e animais enquanto o povo chamava aquilo de raio e aquele barulho de trovão. Quem ele era no mundo dos vivos determinou quem ele se tornaria depois de morto.
Numa das versões mais difundidas, o rei errou a pontaria com sua poção de fogo e incendiou o próprio palácio, que arrastou consigo toda a cidade de Oyó. Seus ministros se reuniram, enviaram o general Gbaca para destituí-lo, e Xangô, derrotado e humilhado, seguiu o costume que obrigava o rei a responder com a própria vida por desastres que se abatiam sobre o povo sob sua coroa. Retirou-se para a floresta e se enforcou numa árvore, mas nenhum corpo foi encontrado, e seus partidários proclamaram imediatamente que o rei havia ascendido ao céu dos orixás: “Obá ko so”, o rei não se enforcou. A expressão é deliberadamente ambígua na língua iorubá, podendo significar ao mesmo tempo “o rei não se enforcou” e “o rei de Cossô”, o que transforma a proclamação numa afirmação de identidade tanto quanto numa negação da morte. Divinizado, Xangô passou a ser invocado em todos os templos com o grito “Kaô Kabiesilé”, que se traduz como “me curvo diante do Rei”, e o rei de Oió, a partir de então, tornou-se seu primeiro sacerdote.
O trovão que rasga o céu é, para os devotos, a voz desse rei que não se calou. As pedras de raio que surgem na terra depois das tempestades, chamadas edun-ará, são seus mensageiros materiais, e as pedreiras, os maciços rochosos, os terrenos de pedra à flor do chão são seus territórios por uma razão que a tradição não deixa implícita: a pedra não recua, não se parte no primeiro golpe, não muda de posição sob pressão. Pierre Verger registrou que o oxé de Xangô, seu machado de duas lâminas, parece a estilização de um personagem carregando fogo sobre a cabeça, o que se conecta diretamente à cerimônia chamada ajerê, na qual os iniciados de Xangô devem carregar na cabeça uma jarra com furos pelos quais queima um fogo vivo, demonstrando que o transe não é simulado e que o orixá, de fato, desceu.
O MACHADO QUE VÊ OS DOIS LADOS
O oxé é uma arma de duas lâminas que cortam em direções opostas, e a tradição do candomblé é precisa ao explicar o que isso significa: uma lâmina pune o culpado, a outra protege o inocente, e nenhum julgamento acontece sem que as duas sejam consideradas. Isso distingue a justiça de Xangô da imagem ocidental de Têmis, a deusa grega da lei que se representa de olhos vendados para indicar imparcialidade, porque Xangô julga com os olhos completamente abertos, e seus orikis, os cânticos de louvor que a tradição preservou por séculos, deixam isso explícito: ele é “aquele que briga com as pessoas sem ser condenado, porque nunca briga injustamente”, e “olha assustadoramente para as pessoas antes de castigá-las”, o que significa que o castigo não é impulsivo, mas o desfecho de uma observação cuidadosa. Um orixá que vê tudo antes de agir não pode ser ludibriado por quem apresenta apenas uma versão dos fatos.
Num dos itans mais conhecidos, o reino de Xangô enfrentava uma guerra que parecia perdida, com seus soldados sendo massacrados por ordem das autoridades inimigas enquanto o orixá observava da pedreira. Num ímpeto de raiva, consultou Ifá e bateu o osé contra a rocha, e das faíscas nasceu o fogo que destruiu os comandantes do exército inimigo, poupando os soldados que apenas cumpriam ordens. Quando seus próprios ministros exigiram a execução completa dos sobreviventes, Xangô recusou com uma formulação que a tradição preservou como definição de seu caráter: seu ódio não poderia ultrapassar os limites da justiça. Os guerreiros libertados passaram a servi-lo, e aquela vitória passou a ser citada não como proeza militar, mas como demonstração de discernimento. Outro itan narra os três irmãos que chegaram ao rei acusando uns aos outros de traição, e Xangô entregou um machado a cada um com o pedido de que lançassem contra uma pedra: o que se gabou de sua força viu o machado quebrar, o que chorou por sua sorte teve o mesmo resultado, e o que ficou em silêncio, concentrado na intenção, recebeu seu machado de volta intacto. Xangô absolveu esse e puniu os outros dois, porque a justiça não está na força das palavras, mas na integridade de quem as pronuncia.
Há ainda o itan em que Oxalá, pai de Xangô, permaneceu injustamente preso durante sete anos no reino do filho sem que este soubesse. Durante esse período, grandes calamidades se abateram sobre o povo, e quando Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido, resgatou o pai, ordenou festas em todo o reino e se reconheceu responsável pela injustiça que ocorreu sob sua coroa, mesmo sem tê-la ordenado. Essa passagem é a fundação da festa das Águas de Oxalá, celebrada até hoje nos terreiros, e a mensagem que ela carrega é constitutiva do culto: o rei responde pelo que acontece em seu reino, e a ignorância não é absolvição.
Seria um equívoco reduzir Xangô à sua função jurídica, porque o orixá que governa a justiça governa também a alegria, e as duas coisas coexistem sem contradição. O toque quente do barracão não existe apesar de Xangô ser um juiz severo, mas porque ele é também o orixá que se alegra quando o corpo se move e o tambor esquenta, e os alabês que tocam para ele sabem que o ritmo não pode ser frio, que a resposta vem do calor da entrega, e que uma festa morna não convoca ninguém. O amalá, feito de quiabo cortado com camarão seco, pimentas e condimentos no azeite de dendê, é seu prato preferido, e suas oferendas devem ser generosas porque ele aprecia que seus súditos comam muito e bem, numa demonstração de abundância que é também uma demonstração de respeito.
Xangô teve três esposas que os mitos descrevem com personalidades distintas e complementares: Iansã, a companheira de batalhas que foi ela quem buscou a poção de fogo nos baribas antes de o rei existir como divindade; Oxum, o amor doce, a sedução e a riqueza, sua esposa favorita; e Obá, a devotada, aquela que demonstrou amor ao extremo de um ato que os mitos registram como tragédia pessoal. O orixá que governa a justiça conhece, pelos próprios relacionamentos, a complexidade das relações humanas, e essa experiência acumulada em mito é parte do que o qualifica para julgar. Suas cores são o vermelho e o marrom, o fogo e a terra, a brasa que já não chama atenção mas ainda queima quando se encosta.
DA CORTE DE OYÓ AOS TERREIROS DO BRASIL
O culto a Xangô chegou ao Brasil como o orixá do império e saiu daqui como o patrono do candomblé. Quando o Império de Oyó entrou em colapso no final do século XVIII sob pressão de seus inimigos, os povos iorubás, antes protegidos pelo poder militar da capital, tornaram-se vulneráveis ao tráfico escravista e passaram a desembarcar no Brasil em grande quantidade durante o século XIX. Vinham de diferentes cidades iorubás, traziam diferentes orixás tutelares, falavam variações distintas do mesmo idioma, mas tinham Xangô em comum porque o culto ao orixá do rei se havia espalhado por todo o império. No Brasil, foram reunidos nas cidades, não mais dispersos nas fazendas do interior, e essa concentração urbana criou as condições para reconstituir a religião. O primeiro terreiro iorubá da Bahia, fundado por mulheres da irmandade da Barroquinha em Salvador, foi dedicado a Xangô.
A marca do orixá na estrutura do candomblé brasileiro vai além da devoção e se inscreve na própria hierarquia dos terreiros, que reproduzem a organização da corte de Oyó com uma precisão que revela o quanto aquelas fundadoras conheciam a vida da capital iorubá. A ekedí, sacerdotisa confirmada que não entra em transe mas cuida do orixá manifestado, corresponde ao título èkejì òrìsà da corte do Alafim. O alabê que toca os atabaques tem paralelo nos isugbin, os musicistas do palácio. A iyá-nasó, título de uma das fundadoras do candomblé, era originalmente a mãe do culto pessoal de Xangô do rei. Esse terreiro não é uma reinvenção livre nem uma adaptação improvisada, mas uma memória arquitetada por pessoas que sabiam exatamente o que estavam preservando e escolheram organizar essa memória em torno da corte do orixá que julgava com os olhos abertos. Em Pernambuco, o culto aos orixás passou a se chamar simplesmente xangô, e na santeria cubana apenas os sacerdotes de Xangô têm o privilégio de receber o sangue sacrificial na cabeça durante a iniciação, enquanto em Trinidad-Tobago xangô é o nome da própria religião, porque o orixá que não se enforcou também não se deixou apagar.
O QUE VOCÊ ESTÁ PEDINDO A ELE
r tudo isso sobre Xangô, seu machado, seus itans, a corte que atravessou o Atlântico e se reconstituiu nos terreiros brasileiros, muda a forma de entender o que significa chegar até ele com um pedido. Existe uma crença difundida de que recorrer a um orixá poderoso garante proteção proporcional ao poder de quem é invocado, e essa crença, quando aplicada a Xangô, produz um equívoco que os próprios ensinamentos do candomblé tratam de corrigir. Xangô não distribui graça independente do mérito de quem pede, porque ele julga o pedido antes de atendê-lo, já que sua função não é conceder favores, mas administrar justiça, e a justiça exige que a causa seja examinada antes que a sentença seja proferida. Pedir a Xangô proteção numa causa injusta não é um pedido que vai simplesmente ser ignorado: é um pedido que coloca quem pede na posição de réu diante de um juiz que vê tudo e que não tem o costume de ser complacente com quem o procura de má-fé.
Com seus filhos, os que nascem sob sua influência e são consagrados a ele nos terreiros, a severidade é ainda maior porque a expectativa é maior, e a tradição é consistente nesse ponto: Xangô poupa menos os seus do que poupa os outros, porque de quem está mais próximo do rei se espera que compreenda melhor as regras do reino. O itan de Oxalá preso por sete anos ilustra exatamente esse princípio: o reino sofreu as consequências de uma injustiça que o rei não ordenou e não conhecia, mas que aconteceu dentro de seus muros, de forma que a proximidade com Xangô não é uma proteção extra contra seu julgamento, mas um aumento de responsabilidade perante ele.
Quando o atabaque começa a esquentar e a dança de Xangô toma o barracão, os que conhecem a tradição sabem que estão diante de um orixá que se alegra com a festa e que exige coerência fora dela. O axé de Xangô não se divide: o mesmo fogo que cozinha o amalá e aquece o toque é o mesmo que desce como raio sobre quem invocou o rei com mentira na boca. Antes de fazer seu pedido, a tradição sugere que você saiba com clareza o que está pedindo e por quê, e que você tenha certeza de que, quando Xangô olhar para o seu lado da história, o que encontrará é a verdade. Porque ele vai olhar, e quando olha bem, não comete erros.
“Muitas vezes, o embate entre nós, negros, é mais fácil do que derrubar uma figura branca racista”, afirma a psicóloga
As redes sociais não raramente têm um impacto na comunidade negra similar ao da Carta de Lynch. O texto, que não tem comprovação histórica mas é usado como parábola por ativistas, fala da história de Willie Lynch, um suposto proprietário de escravos no Caribe que mantinha os escravizados sob controle, exaltando as diferenças que eles tinham entre si. A história serve como exemplo de como o “dividir para conquistar” é uma técnica eficiente para criar rivalidade em grupos historicamente oprimidos.
A suposta carta escrita em 1712 dizia: “Verifiquei que entre os escravos existem uma série de diferenças. Eu tiro partido destas diferenças, aumentando-as. Eu uso o medo, a desconfiança e a inveja para mantê-los debaixo do meu controle. Eu vos asseguro que a desconfiança é mais forte que a confiança e a inveja mais forte que a concórdia, respeito ou admiração.”
Cortando para o século 21, a comunidade negra no Brasil ainda interage com seus pares de forma desconfiada. A culpa, assim como no caso dos nossos ancestrais do século XVIII, não é das pessoas negras, mas do cenário onde o racismo gera escassez de oportunidades e onde nossa união é vista como ameaça.
Se para os brancos só ser branco já é um fator que gera empatia, acolhimento e oportunidades entre pares, para os negros é um pouco mais complicado.
Cida Bento é psicóloga, cofundadora e diretora do CEERT, referência em equidade racial no trabalho. Autora de O Pacto da Branquitude, ela influencia políticas públicas e práticas de inclusão, atuando como mentora de lideranças e estrategista contra o racismo institucional. O Pacto da Branquitude é um conceito que descreve um acordo não verbalizado e inconsciente entre pessoas brancas. Baseado em acordos tácitos, visa manter privilégios e posições de poder no Brasil, perpetuando o racismo estrutural e as desigualdades raciais mesmo após o fim da escravidão. É também um pacto narcísico.
Mas e a comunidade negra? Tem seus próprios pactos? Quando discordamos, é válido tornar isso um debate público? O financiamento comunitário pode suprir a fuga das marcas das nossas pautas? Nessa entrevista exclusiva, Cida responde essas e outras questões.
O pacto racial implica ignorar as falhas de membros do mesmo grupo?
“É importante refletir sobre pessoas negras falando de maneira pejorativa sobre organizações e outras pessoas negras. É sempre bom lembrar que nós, brancos e negros, homens e mulheres, aprendemos como se trata os negros no Brasil. Aprendemos nos livros didáticos, nas novelas e na universidade. Aprendemos junto com os brancos.
Apesar dessa aprendizagem, podemos mudar essa realidade, mas precisamos falar sobre ela. Precisamos discutir como nós, negros, também podemos ter internalizado negatividades sobre o nosso próprio grupo e corpo, e como lidar com isso. Isso tem dimensões cognitiva, emocional, afetiva e ética: como cuidamos de nós mesmos?
Muitas vezes, o embate entre nós, negros, é mais fácil do que derrubar uma figura branca racista. Enfrentamos mais dificuldades no confronto com o branco do que com o negro, então as brigas acabam se dando entre nós.
Sobre aceitar as falhas dos nossos: eu acho que não devemos aceitar incondicionalmente. Porém, tenho uma tendência a conversar sobre falhas que ocorrem entre nós no que chamo de ‘cozinha’, na intimidade. Nunca fui a público falar algo negativo contra outra organização ou pessoa negra. Acredito que devemos conversar na ‘cozinha’ e, no máximo, ignorar aquela pessoa, mas deixo para os brancos a tarefa de batê-la.”
Para a senhora, existe um “Pacto da Negritude” no Brasil? A escassez de oportunidades na sociedade dificulta a unidade da comunidade negra como povo?
“Eu penso que existem pactos da negritude, sim. Vejo isso no nosso projeto do CEERT, o Prosseguir. Os participantes relatam como suas vozes são fortalecidas nesse espaço entre iguais, enfrentando dificuldades similares e compartilhando formas de lidar com elas. É o contato com pessoas negras que avançaram em pautas importantes e que compartilham essa experiência.
Esse pacto pode ser melhor compreendido e aprimorado quando discutimos o aquilombamento no conceito de Abdias do Nascimento. Ele traz essa dimensão política e de cuidado de nós para nós. O aquilombamento possui o conceito de luta política e de relações de fortalecimento e afeto. Um grupo precisa ter uma base afetiva, intelectual e de apoio mútuo para se validar e seguir em frente.
O financiamento comunitário seria também uma forma de pacto? Quais outras a senhora destacaria?
Acredito que podemos batalhar por um financiamento comunitário, que é também uma forma de pacto.
A batalha por apoio institucional deve ser intencional. Isso é crucial porque a extrema-direita supera em muito as redes progressistas em termos de engajamento e impacto, como mostra o Manchetômetro. Para mudarmos realidades drásticas, como uma população apoiando chacinas em favelas, precisamos disputar e fortalecer nossas redes com esse tipo de apoio.
*Entrevista publicada originalmente em Dezembro de 2025 .
“Não há no mundo um pobre coitado linchado, um pobre homem torturado, em quem eu não seja assassinado e humilhado.”– Aimé Césaire
Não podemos aceitar que a memória de João Cândido seja atacada, e muito menos apagada, na história brasileira. Lembrar da sua batalha é o compromisso mínimo de quem não aceita que o racismo continue sendo o alicerce das relações raciais neste país. E aqui faço a minha parte.
O gaúcho João Cândido nasceu no dia 24 de junho de 1880, em Encruzilhada do Sul. Um homem negro elevado, postumamente, ao posto de herói nacional por causa do seu papel no movimento histórico dentro da Marinha do Brasil. A luta do negro é um continuum desde a colonização; com o estabelecimento da Lei Áurea, o ciclo de violência não foi abolido. O racismo simplesmente mudou de métodos. Passamos a ser humilhados, marginalizados, perseguidos e assassinados pelo Estado. Clamamos por socorro, mas o discurso da democracia racial era colocado como um “cala a boca” pelas pessoas brancas.
Na Marinha, os castigos como punição remetiam ao que acontecia nas fazendas. Chibatadas. Chibatadas e mais chibatadas nos corpos negros. Humanos negros. O rastilho de pólvora para a corajosa atitude de centenas de marinheiros, pretos e pardos, que se mobilizaram contra a instituição, aconteceu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes foi condenado a 200 chibatadas. A tolerância acabou daqueles oprimidos, afinal, era a dignidade humana que estava em questão. João Cândido mobilizou cerca de 2.300 marinheiros. Estavam exigindo a melhoria nas condições de trabalho e a abolição da chibatada. Isso ocorreu na noite de 22 de novembro de 1910.
O governo brasileiro tomou um choque de realidade. Nas palavras do Almirante Negro: “(…) Na organização da revolta eu dispunha de todos os poderes, parei o Brasil. Durante seis dias eu parei o Brasil (…)”. Esses insurgentes ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro, na época a capital federal. O governo se viu encurralado e entrou em acordo com os marinheiros; o movimento ficou conhecido como Revolta da Chibata.
Mas como o sistema é perverso, os acordos foram descumpridos pelo governo. A perseguição contra os marinheiros e João Cândido foi implacável. Daquele momento em diante, a história do nosso herói se resume em dor, sofrimento e injustiças. Apesar disso, prefiro pensar na sua coragem e no objetivo alcançado tempos depois: chibatada, nunca mais! E o Almirante Negro eternamente o nosso herói.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CÂNDIDO, João. Depoimento de João Cândido, líder da Revolta da Chibata. Entrevistadores: Hélio Silva e Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Museu da Imagem e do Som, 1968. Transcrição disponível em: Impressões Rebeldes (UFF). Disponível em: https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/2022/wp-content/uploads/2024/05/Entreista-com-Joao-Candido-1968-Impressoes-Rebeldes.pdf. Acesso em: 19 jun. 2026.
MOREL, Marco. João Cândido e a luta pelos direitos humanos. Livro fotobiográfico. Brasília: Fundação Banco do Brasil, 2008. V. 1.PASSOS, Eridan. João Cândido: o herói da ralé. São Paulo: Expressão Popular, 2008
Na semana que marca os 17 anos da morte do Rei do Pop, ocorrida em 25 de junho de 2009, o Globoplay estreia, nesta terça-feira (23), a série documental ‘Michael Jackson – A História’. Dividida em quatro episódios, que já estão disponíveis na íntegra, a produção comissionada pela BBC e dirigida por Sophie Fuller revisita a trajetória de um dos artistas mais influentes da história da música.
Ao longo dos episódios, o documentário relembra diferentes capítulos da vida e da carreira do cantor, desde sua ascensão meteórica ao estrelato mundial até os acontecimentos que marcaram sua vida fora dos palcos. Para isso, a série combina imagens de arquivo e entrevistas com pessoas próximas a ele, explorando o talento, os desafios, as controvérsias e os momentos decisivos que ajudaram a construir seu legado.
Sua irmã, Janet Jackson— que ficou de fora da cinebiografia ‘Michael’, lançada em abril deste ano —, concedeu uma entrevista exclusiva para a produção, que também conta com o depoimento do rabino Shmuley Boteach.
Quase duas décadas após a sua partida, o astro continua ocupando um lugar único no imaginário da cultura pop mundial. Suas músicas seguem atravessando gerações, suas performances permanecem como referência para artistas de diferentes estilos e sua história continua despertando o interesse de fãs ao redor do mundo.
Atacante belga deixou a concentração da seleção para estar presente no parto do filho Praise em Londres e voltou a Seattle na terça-feira.
O atacante belga Jérémy Doku, de 24 anos, acompanhou na segunda-feira, 22 de junho, o nascimento de seu primeiro filho em Londres e deve se reapresentar à seleção da Bélgica na noite desta terça-feira em Seattle, onde o grupo se prepara para a última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. O bebê se chama Praise e é filho de Doku com sua esposa Shireen. A federação belga confirmou que o jogador viajou à capital britânica com a autorização da comissão técnica e acompanhado por um médico da própria seleção, e que estará disponível para o jogo contra a Nova Zelândia, marcado para a próxima sexta-feira, pelo Grupo G do torneio.
A decisão de liberar Doku gerou uma sequência de reações públicas que extrapolaram o campo esportivo. A apresentadora France Pierron, do canal francês L’Équipe TV, criticou abertamente o jogador durante um programa da emissora, classificando o momento do parto como “nojento” e afirmando que o pai seria “completamente inútil” nessa situação. Pierron argumentou que disputar uma Copa do Mundo representa uma oportunidade raramente repetida na carreira de qualquer atleta e que Doku estaria abrindo mão de algo que centenas de jogadores “dariam tudo para viver”. A fala foi gravada e circulou amplamente nas redes sociais nas horas seguintes. O canal se distanciou das declarações por meio de nota oficial e afastou a apresentadora, além de pedir desculpas publicamente ao jogador e ao público.
Doku respondeu à polêmica com brevidade antes de embarcar para Londres. “Ninguém quer perder o nascimento do seu primeiro filho”, disse o jogador. A declaração foi suficiente para concentrar o apoio de torcedores e de outros atletas ao redor do mundo. O alemão Nadiem Amiri, pai de dois filhos, foi um dos que se manifestaram. O jogador afirmou não entender “de forma alguma” as críticas e acrescentou que “todos os pais sabem como esse momento é especial”.
Foto: reprodução redes sociais
A ausência de Doku na partida contra o Irã, no domingo, não teve relação com a viagem a Londres. O atacante ficou fora do empate sem gols por conta de uma infecção respiratória aguda, diagnosticada durante os treinos em Los Angeles que antecederam o jogo, quando ele precisou deixar as atividades de campo mais cedo. Os médicos belgas recomendaram que ele não jogasse e iniciaram tratamento com antibióticos. Com a recuperação confirmada, sua participação contra os neozelandeses está prevista.
A situação de Doku se desdobrou em um contexto de pressão crescente sobre a seleção belga no torneio. A Bélgica somou apenas dois pontos nas duas primeiras rodadas, após empate por 1 a 1 com o Egito e o placar zerado diante do Irã, e ocupa a terceira posição do Grupo G. O confronto contra a Nova Zelândia, na sexta-feira, é praticamente eliminatório para os Diabos Vermelhos, que chegaram ao torneio entre as seleções apontadas como favoritas ao título.
O debate aberto pelo caso de Doku extrapolou a discussão específica sobre futebol e alimentou um debate mais amplo sobre paternidade, presença familiar e as cobranças impostas a atletas profissionais durante competições de longa duração. A escolha do jogador e a reação da L’Équipe TV mobilizaram comentaristas, ex-atletas e o público em geral, tanto na Europa quanto nas Américas. A federação belga, ao comunicar o retorno de Doku, encerrou a nota parabenizando o jogador e sua família pelo nascimento de Praise.
O antropólogo Michel Alcoforado sobe ao palco em agosto com o monólogo ‘Coisa de Rico: Outras Histórias’, baseado em sua investigação sobre os hábitos e códigos da elite brasileira.
Um dos maiores fenômenos do mercado editorial em 2025, com mais de 160 mil exemplares vendidos, o livro “Coisa de Rico: A Vida dos Endinheirados Brasileiros” (Editora Todavia) será adaptado para os palcos. O antropólogo e autor da obra, Michel Alcoforado, estreará o espetáculo “Coisa de Rico: Outras Histórias” nos dias 21 e 22 de agosto no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda.
A montagem se apresenta no formato de monólogo e expande a investigação de Alcoforado sobre os comportamentos, identidades e distinções sociais que definem as camadas mais abastadas do Brasil. Ao longo de aproximadamente 70 a 80 minutos de duração, o pesquisador compartilha bastidores inéditos de sua pesquisa de campo, relatos e reflexões de quando se infiltrou entre milionários para mapear o chamado “teatro da elite”, o conjunto de gestos, objetos e ambientes que demarcam fronteiras sociais.
O roteiro do espetáculo foi desenvolvido por Alcoforado em parceria com o roteirista Afonso Capellaro, conhecido por trabalhos em programas como Greg News e Que História É Essa, Porchat?. A produção da peça fica por conta da Queremos!, produtora responsável pela realização de festivais e turnês musicais no país.
Serviço:
Espetáculo: Coisa de Rico: Outras Histórias
Quando: 21 e 22 de agosto de 2026, às 20h
Onde: Teatro Sabesp Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569, Consolação, São Paulo – SP)
Ingressos: À venda pela plataforma Uhuu, com valores que variam entre R$ 70 (meia-entrada) e R$ 180 (inteira)