Em Medo e Raiva, filósofo investiga o que afetos considerados “sombrios” podem revelar a partir de mitos e filosofias; lançamento acontece nesta quarta (13), no Museu do Amanhã.
“O problema não é senti-los, mas desconhecê-los.” A reflexão de Renato Noguera resume uma das provocações centrais de seu novo livro, Medo e Raiva: o que os mitos e as filosofias revelam sobre nossos afetos sombrios, que será lançado nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro.
Em publicação compartilhada em seu perfil no Instagram, o filósofo questionou a forma como a sociedade costuma estabelecer uma hierarquia entre os afetos, valorizando sentimentos considerados positivos enquanto medo e raiva são frequentemente associados ao fracasso ou à falta de controle.
“Vivemos em uma cultura que nos ensina a celebrar apenas os afetos considerados ‘positivos’, como se a felicidade permanente fosse uma meta possível — e como se sentir medo ou raiva fosse um fracasso.”
É a partir dessa questão que Noguera desenvolve a proposta do livro, publicado pela HarperCollins Brasil. Em vez de tratar esses afetos como sentimentos que precisam ser eliminados, a obra propõe investigar o que eles podem comunicar.
O que medo e raiva podem revelar?
Segundo a apresentação feita pelo autor, medo e raiva também fazem parte da experiência humana e podem desempenhar diferentes funções.
“Os mitos e as filosofias nos mostram que medo e raiva não são vilões. Eles podem nos proteger, revelar nossos limites, denunciar injustiças e abrir caminhos para o autoconhecimento”, escreveu Noguera.
A obra percorre diferentes tradições mitológicas e filosóficas, entre elas as tradições iorubá, tupi-guarani, hindu, greco-romana, judaico-cristã, japonesa, inuíte, kemita e romena.
A proposta não é colocar essas tradições em uma comparação superficial, mas observar como diferentes sistemas de pensamento elaboraram experiências relacionadas ao medo, à raiva e a outros afetos considerados difíceis.
A partir de figuras como Ogum, Anhangá, Curupira, Kali, Durga e Medusa, Noguera constrói reflexões sobre limites, conflitos, justiça, transformação e autoconhecimento.
Uma crítica à ideia de felicidade permanente
O livro também questiona a expectativa de que as pessoas deveriam buscar continuamente estados emocionais considerados positivos.
Para Noguera, essa perspectiva pode transformar sentimentos como medo e raiva em problemas a serem eliminados, em vez de experiências que podem ser compreendidas.
A reflexão dialoga com psicologia, neurociência e psicanálise e com pensadores como Freud, Nietzsche, Espinosa e Derrida. O autor também aproxima a discussão de intelectuais indígenas e negros contemporâneos, como Ailton Krenak, Nêgo Bispo e Davi Kopenawa.
A partir desse diálogo, Medo e Raiva apresenta a ideia de uma “descolonização dos afetos”, questionando a maneira como diferentes emoções são hierarquizadas e interpretadas.
A proposta não é defender que medo ou raiva devam conduzir as decisões, mas compreender esses sentimentos antes de tentar silenciá-los.
Como escreveu Noguera:
“Talvez a pergunta não seja como eliminar os afetos sombrios, e sim como aprender a conviver com eles sem que eles conduzam a nossa vida.”
Lançamento no Museu do Amanhã
O lançamento de Medo e Raiva: o que os mitos e as filosofias revelam sobre nossos afetos sombrios acontece nesta quarta-feira (13), às 18h30, na Livraria Janela, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O encontro contará com a participação de Aza Njeri, ao lado do autor.
Serviço
Lançamento de Medo e Raiva
Livraria Janela — Museu do Amanhã, Rio de Janeiro (RJ)
13 de agosto
18h30
Renato Noguera e Aza Njeri
Mais informações sobre o lançamento podem ser acompanhadas nos perfis @noguera_oficial e @harpercollinsbrasil.
Decisão do TJ-AM considerou que apresentador ultrapassou os limites da crítica ao satirizar a aparência da jornalista; caso ainda cabe recurso.
O apresentador Sikêra Júnior foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) a pagar R$ 30 mil por danos morais à jornalista Basília Rodrigues. A decisão, tomada pela Terceira Câmara Cível na segunda-feira (10), considerou que o apresentador ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao fazer gestos e comentários que atingiram a honra e a imagem da jornalista. A defesa informou que pretende recorrer.
O episódio ocorreu em 9 de setembro de 2022, quando Sikêra apresentava o Alerta Nacional, exibido pela TV A Crítica, de Manaus, e retransmitido pela RedeTV!.
Na ocasião, o apresentador, pré-candidato a deputado federal por São Paulo, criticou Basília após cometer um erro durante o CNN Novo Dia. A jornalista havia dito que o lema da bandeira brasileira era “independência ou morte”, em vez de “ordem e progresso”, e posteriormente corrigiu a informação.
A crítica ao erro, por si só, não foi o único ponto analisado pela Justiça. Durante o programa, Sikêra fez gestos para satirizar a aparência física de Basília. Para o TJ-AM, a conduta se aproximou do chamado body shaming, expressão utilizada para descrever a exposição ou humilhação de uma pessoa em razão de suas características físicas.
Ofensas ultrapassaram a crítica ao trabalho
A decisão também considerou uma publicação atribuída ao apresentador em uma plataforma digital na qual Basília era identificada pela expressão “cara de bolacha”.
Segundo o acórdão, depois da exposição promovida por Sikêra, a jornalista passou a receber comentários de outras pessoas relacionados à sua aparência física.
Para os desembargadores, portanto, houve uma diferença entre questionar o erro cometido por uma profissional durante uma transmissão jornalística e transformar sua aparência em alvo de ridicularização pública. A corte entendeu que, nesse ponto, a conduta atingiu a honra e a imagem da jornalista.
O tribunal também estabeleceu que outras manifestações de Sikêra relacionadas ao erro de Basília estavam dentro do direito à crítica ou não haviam sido direcionadas individualmente a ela. Por isso, o pedido de indenização, inicialmente de R$ 100 mil, foi parcialmente acolhido e fixado em R$ 30 mil.
Decisão reverte sentença anterior
O processo havia sido julgado inicialmente pela 19ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus, que considerou improcedente o pedido de indenização apresentado pela jornalista.
Os advogados de Basília, Renato Gomes e Camilo Onoda Caldas, recorreram. Na segunda instância, a Terceira Câmara Cível do TJ-AM reformou parcialmente a decisão e reconheceu o direito à reparação por danos morais.
A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.
Liberdade de expressão não afasta responsabilidade por ofensas
Ao analisar o caso, o TJ-AM considerou que a liberdade de expressão não protege manifestações que ultrapassem o exercício da crítica e atinjam direitos da personalidade.
A defesa de Sikêra afirmou que o tribunal afastou alegações de racismo e sexismo e sustentou que as críticas ao erro jornalístico estavam protegidas pelo direito de crítica. O advogado também informou que pretende buscar a reforma da decisão.
Um homem italiano de 53 anos foi preso preventivamente na Bahia, após ser denunciado por importunação sexual e discriminação racial contra a cantoraRenata Nascimento. O crime ocorreu em Morro de São Paulo, enquanto a artista trabalhava em um estabelecimento local. A prisão em flagrante foi realizada pela Polícia Militar e posteriormente convertida em preventiva pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Valença.
Durante a abordagem no local de trabalho da vítima, o homem dirigiu-se à cantora e perguntou “Qual é o seu valor?”. “Como em momento algum que ele tentou interagir comigo, não olhei para ele, ele apontou o celular para mim e falou ‘escrava’ duas vezes. Como se estivesse mandando olhar para ele”, relatou à TV Bahia. Em outro momento do vídeo, é possível ouvir o turista afirmar: “Eu sou superior, nós somos superiores”.
Para reunir evidências do ocorrido, a artista fixou o próprio celular no suporte do microfone e registrou a aproximação e as atitudes do agressor. Ela explicou a decisão de gravar a cena para garantir a responsabilização do suspeito. “Eu já passei por esse tipo de situação em outros momentos e não aconteceu nada com os agressores justamente por eu estar à flor da pele e não conseguir gravar. Por já ter passado por essas situações, consegui manter a calma e fiz provas para poder ajudar com que a Justiça fosse feita com ele”, disse.
Funcionários do estabelecimento acionaram a Polícia Militar após testemunharem a cena e relatarem que o homem também havia proferido ofensas racistas contra outra mulher que esteve no local momentos antes.
Equipes do 31º Batalhão da PM conduziram o suspeito e a vítima para a Delegacia Territorial de Valença, onde ele foi autuado em flagrante. Na audiência de custódia, a Justiça decidiu pela conversão para prisão preventiva. O juiz responsável pelo caso fundamentou a decisão no risco de reincidência e no histórico do autuado.
O homem já cumpria pena em regime semiaberto por uma condenação de 2013 relacionada ao crime de tráfico de drogas em Salvador. Entre as condicionantes do regime que foram descumpridas durante o episódio estavam as proibições de frequentar bares e de consumir bebidas alcoólicas.
Devido à nacionalidade do acusado, a audiência contou com a presença de um intérprete e a decisão judicial foi traduzida para o italiano. O homem foi encaminhado para o Conjunto Penal de Valença, onde permanece à disposição da Justiça.
Existe uma violência antiga na maneira como o Brasil olha para pessoas negras. Durante muito tempo, nos foi permitido aparecer, desde que alguém escolhesse o enquadramento. Podíamos estar na fotografia, no palco, na televisão, no cinema. O problema começava quando queríamos decidir a luz, o silêncio, o conflito, a narrativa. É por isso que a chegada de “Nosso Segredo”, primeiro longa metragem dirigido por Grace Passô, merece ser celebrada com atenção.
Grace não está simplesmente ocupando a cadeira de direção. Ela chega ao cinema depois de construir uma trajetória própria no teatro, na dramaturgia e na atuação. Chega trazendo consigo uma experiência de criação que nunca dependeu da autorização de um olhar dominante. Sua estreia no longa metragem, portanto, não acontece como quem bate à porta de uma casa desconhecida. Ela entra no cinema carregando uma linguagem que já existia. E isso muda tudo.
“Nosso Segredo” acompanha uma família negra que tenta reconstruir a própria rotina depois de uma perda. Cada integrante atravessa o luto de uma maneira, enquanto o filho caçula guarda um segredo capaz de tocar as raízes daquela dor. A premissa poderia parecer simples. Não é. Porque uma família negra raramente foi autorizada pelo imaginário brasileiro a ser simplesmente uma família. Sobre nós, frequentemente recaem símbolos, diagnósticos, estereótipos, estatísticas e expectativas. Somos transformados em representação de alguma coisa antes que nos seja permitido ser contraditórios.
Grace Passô parece partir de outro princípio: pessoas negras não precisam carregar uma tese nas costas para que suas vidas tenham importância. Uma família pode sofrer uma perda. Pode esconder alguma coisa. Pode não saber conversar. Pode amar de maneira imperfeita. Pode guardar aquilo que não consegue dizer. Pode existir. Essa existência cotidiana também é política.
Há uma dimensão profundamente filosófica nisso. Quem somos quando ninguém está nos explicando? O que permanece de uma família quando a dor retira as palavras que organizavam a rotina? Que segredos herdamos sem perceber? E o que acontece quando aquilo que escondemos deixa de ser apenas uma lembrança individual e passa a revelar uma ferida compartilhada?
É justamente aí que a negritude de “Nosso Segredo” pode ser percebida com mais força. Ela não parece precisar de uma placa dizendo “isto é um filme negro”. Está na família, nos afetos, nos artistas reunidos, na experiência de uma cineasta negra assumindo a autoria de sua própria narrativa. Isso é muito diferente de simplesmente colocar pessoas negras diante da câmera. Representação também é poder de invenção.
Durante muito tempo, a cultura brasileira foi pródiga em representar pessoas negras como força de trabalho, como sofrimento, como violência, como folclore, como problema social. O que ainda estamos aprendendo a reconhecer é o direito de sermos mistério. E talvez o cinema seja um dos lugares mais interessantes para essa conquista. O mistério de uma pessoa não precisa ser resolvido para que sua humanidade seja reconhecida.
“Nosso Segredo” chega com um elenco que reúne Robert Frank, Ju Colombo, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip, Marisa Revert, Gláucia Vandeveld e Juan Queiroz. Também estão no filme dois nomes que carregam uma enorme força simbólica em suas próprias trajetórias: Mateus Aleluia, referência fundamental da música brasileira e integrante dos Tincoãs, e Tássia Reis, uma das grandes vozes da música brasileira contemporânea.
A música original é de Amaro Freitas, artista que construiu uma obra singular a partir do encontro entre o jazz contemporâneo e tradições musicais afrobrasileiras.
Nada disso parece gratuito. Existe uma inteligência na escolha dos artistas que atravessam esse filme. E existe beleza na possibilidade de diferentes linguagens negras se encontrarem no cinema sem precisar pedir licença para existir.
Grace Passô conhece o valor do silêncio. Por isso é importante observar que seu cinema nasce também de uma trajetória marcada pela palavra. Como dramaturga, ela foi reconhecida pela APCA, pelo Prêmio Leda Maria Martins e pelos Prêmios Shell do Rio e de São Paulo, tornando-se a primeira dramaturga negra brasileira a receber o Shell. Como atriz, recebeu duas vezes o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio e duas vezes o Candango no Festival de Brasília. Em 2018, foi eleita melhor atriz no Festival Internacional de Cinema de Turim.
No audiovisual, dirigiu “República”, premiado no Festival de Brasília, no Kinoforum e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, além de receber reconhecimento pelo roteiro. Também dirigiu “Vaga Carne”, adaptação de sua própria peça teatral, codirigida com Ricardo Alves Jr., selecionada para a Berlinale.
“Nosso Segredo” é seu primeiro longa metragem. É importante dizer isso sem transformar a informação em celebração vazia. O que interessa é compreender o que existe por trás dessa estreia. Existe uma artista negra que passou anos construindo repertório, linguagem e pensamento antes de chegar a um formato que ainda concentra muito poder simbólico e econômico. Chegar ao longa é também atravessar uma fronteira. E quando uma mulher negra atravessa essa fronteira, outras pessoas passam a enxergar uma possibilidade que antes parecia distante.
Não porque Grace tenha a obrigação de representar todas as mulheres negras. Nenhuma artista deveria carregar esse fardo. A potência está justamente no contrário. Quanto mais autorias negras existem, menos precisamos procurar uma única obra para explicar uma experiência inteira. Uma cineasta não precisa falar por uma comunidade. Ela precisa ter liberdade para falar a partir de si. Essa diferença é fundamental.
Por isso, prestigiar “Nosso Segredo” não significa assistir ao filme porque ele é dirigido por uma mulher negra. Significa entender que uma obra merece encontrar público também porque sua existência amplia o campo do que podemos imaginar no cinema brasileiro. E existe uma urgência nisso.
E quando uma artista como Grace Passô coloca sua visão diante de uma tela grande, existe uma pergunta que também se dirige a nós, espectadores: estamos dispostos a assistir ao cinema brasileiro quando ele deixa de nos entregar aquilo que já sabemos e nos convida a enxergar de outro lugar?
“Nosso Segredo” teve sua estreia mundial na Berlinale e passou por festivais na França, no Uruguai, na Argentina e na Jordânia. Agora chega ao Brasil, primeiro pelo Festival de Gramado e, em 27 de agosto, às salas de cinema pela Sessão Vitrine Petrobras.
Abel Tesfaye havia anunciado planos de deixar de usar The Weeknd, mas afirmou durante show em Estocolmo que decidiu manter o nome artístico.
O cantor canadense Abel Tesfaye, conhecido mundialmente como The Weeknd, decidiu manter o nome artístico que acompanha sua carreira desde o início dos anos 2010. A declaração foi feita durante um show em Estocolmo, na Suécia, no último sábado (8), após o artista experimentar a possibilidade de encerrar essa fase de sua trajetória.
“Eu experimentei um pouco a aposentadoria e não gostei da sensação. Estarei aqui para sempre com vocês”, afirmou o cantor durante a apresentação.
A fala representa uma mudança nos planos anunciados anteriormente por Tesfaye, que vinha sinalizando a intenção de deixar The Weeknd para trás e avançar para uma nova etapa artística usando seu nome de nascimento.
A tentativa de deixar The Weeknd para trás
Abel Tesfaye já havia falado sobre a possibilidade de abandonar o nome artístico em entrevista à revista People. Na ocasião, explicou que o processo já estava em andamento, mas que a turnê dificultava uma ruptura imediata com a identidade que construiu ao longo da carreira.
“Já comecei? Sim, estou quase lá. Quer dizer, estou em turnê agora, então não posso abandonar isso completamente”, afirmou.
A mudança vinha sendo tratada como uma possível transição de fase para o artista, que construiu uma carreira marcada por diferentes momentos musicais e visuais sob o nome The Weeknd.
Questionado sobre o aspecto emocional da decisão, Tesfaye preferiu não detalhar. “Ah, não posso falar muito sobre isso”, respondeu à People.
Agora, a declaração feita em Estocolmo indica que a relação com o nome artístico tomou outro caminho. Em vez de encerrar The Weeknd, Abel Tesfaye decidiu continuar associado ao personagem artístico que se tornou uma das identidades mais reconhecidas da música contemporânea.
Um nome que se tornou parte da carreira
Criado por Abel no início de sua trajetória musical, The Weeknd deixou de ser apenas um nome artístico e passou a identificar uma obra construída ao longo de mais de uma década.
Foi sob esse nome que o artista lançou projetos como Trilogy, Beauty Behind the Madness, Starboy, After Hours e Dawn FM, consolidando uma identidade musical própria e alcançando projeção internacional.
A tentativa de abandonar o nome, portanto, representava também uma mudança na relação do artista com uma identidade que acompanha sua carreira desde o começo.
Por enquanto, a decisão anunciada em Estocolmo mantém The Weeknd como parte da trajetória de Abel Tesfaye.
E, ao menos para o público que acompanhava a possibilidade de uma despedida, a aposentadoria do nome artístico pode esperar.
Lutador passou 2.174 dias preso por um crime que não cometeu e perdeu carreira, renda e anos de convivência com a família; decisão anterior havia classificado o caso como um “dissabor”.
A Justiça do Rio de Janeiro reconheceu que o lutador Sílvio José da Silva, conhecido como Sílvio Pantera, tem direito a receber indenização do Estado após passar quase seis anos preso por um crime que não cometeu.
A decisão representa uma mudança de entendimento do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Em julgamento anterior, o pedido de reparação havia sido negado por 3 votos a 2. O relator do processo, desembargador Marco Antônio Ibrahim, havia considerado que a situação estaria dentro do “risco normal da atividade judiciária” e que o encarceramento representaria um “dissabor” ou “aborrecimento”.
Segundo informações e apuração do g1, o relator reviu o próprio entendimento e reconheceu que a decisão anterior apresentava contradições e não estava de acordo com a Constituição. Na nova análise, a 7ª Câmara de Direito Público reconheceu, por 3 votos a 0, a responsabilidade do Estado pelo erro que levou à prisão e à condenação de Sílvio.
Uma condenação baseada em reconhecimento fotográfico
O caso começou em novembro de 2015, após um assalto em Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A vítima foi esfaqueada e teve o carro levado.
Sílvio entrou na investigação porque conhecia uma mulher apontada como envolvida no crime e porque havia fotografias dele no celular dela. Segundo o g1, no momento do assalto, o lutador estava a cerca de 30 quilômetros do local e chegava para um treino. Havia, inclusive, registro de sua passagem pela catraca da academia.
Cerca de um mês depois, quando a vítima ainda se recuperava de um coma, policiais apresentaram uma fotografia de Sílvio para reconhecimento. Conforme relatado pelo advogado da família, a vítima teria sido informada pelos policiais de que o lutador havia confessado o crime — o que não havia acontecido.
Nenhuma testemunha apontou Sílvio como um dos autores do assalto. Ainda assim, em 2017, ele foi condenado a mais de 16 anos de prisão.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que considerou viciado o reconhecimento fotográfico utilizado como prova. Sílvio foi colocado em liberdade em 2021, depois de permanecer 2.174 dias preso.
Quase seis anos longe da família e do trabalho
A prisão teve consequências que ultrapassaram o período de encarceramento. Sílvio era lutador profissional e o provedor da família.
Durante os anos em que esteve preso, ficou afastado da mulher e dos filhos e perdeu a possibilidade de acompanhar parte da infância deles. Depois de recuperar a liberdade, também precisou reconstruir sua trajetória profissional.
Atualmente, Sílvio trabalha como entregador por aplicativo e dá aulas de boxe para crianças de comunidades da Zona Oeste do Rio.
Essas consequências foram consideradas na nova decisão do TJRJ. Ao reconhecer o direito à reparação, o relator destacou ao g1, que Sílvio ficou afastado da mulher e dos filhos, sem emprego e submetido às condições do sistema prisional durante um longo período.
“Além de tudo, Sílvio José ficou afastado de seus filhos e de sua mulher, sem emprego, em instalação insalubre, num ‘estado inconstitucional de coisas’ por um longo período.”
Para o relator, essas circunstâncias reforçam a dimensão do dano causado e justificam a indenização. O valor da reparação não foi informado na decisão divulgada nas reportagens.
A ação de Sílvio contra o Estado
A busca por reparação começou em 2022, quando Sílvio ingressou com uma ação contra o Estado do Rio de Janeiro por danos morais decorrentes da prisão e da condenação injustas.
O pedido foi negado em primeira instância e posteriormente chegou ao TJRJ. No julgamento, dois desembargadores defenderam a responsabilização do Estado, mas o entendimento inicialmente prevalecente foi contrário à indenização, por 3 votos a 2.
Na ocasião, o relator afirmou que as partes estariam sujeitas a “dissabores” e “aborrecimentos” decorrentes da tramitação ou do resultado de processos e classificou a situação como parte do risco normal da atividade judiciária.
Após rever a decisão, Ibrahim reconheceu que o entendimento anterior apresentava contradições e não estava de acordo com a Constituição. A nova análise concluiu que o caso de Sílvio ultrapassava os riscos ordinários da atividade judicial e configurava erro judiciário capaz de gerar responsabilidade do Estado.
Com a mudança, a 7ª Câmara de Direito Público reconheceu, por unanimidade de 3 votos a 0, o direito de Sílvio Pantera à indenização.
“Eu paguei uma coisa que eu não fiz”
Mesmo depois da liberdade e do reconhecimento judicial de que houve erro, as consequências do caso continuam presentes na vida de Sílvio.
Em entrevista ao g1, sua esposa, Daniele Sousa Marques, falou sobre o impacto do estigma deixado pela prisão. Segundo ela, pessoas ainda questionam a inocência do lutador mesmo após a decisão que reconheceu as falhas no processo.
“Dói, porque as pessoas que me conhecem, às vezes vão pesquisar sobre uma luta minha, vê lá que fui preso, eu fico até com vergonha. Eu paguei uma coisa que eu não fiz”, afirmou Sílvio ao g1.
A cantora e empresária Beyoncé passou a deter o controle total da SirDavis, marca de uísque criada em 2024 em parceria com a Moët Hennessy, divisão de bebidas do conglomerado francês LVMH. A empresa vendeu sua participação no negócio, e os valores da transação não foram divulgados.
Com a mudança, Beyoncé passa a administrar a marca de forma independente. A SirDavis foi criada a partir de uma joint venture entre a artista e a Moët Hennessy e tem produção nos Estados Unidos e sede em Houston, no Texas.
Uma marca construída a partir de referências familiares
A SirDavis carrega elementos ligados à identidade texana de Beyoncé e à história de sua família. O nome da marca homenageia Davis Hogue, bisavô da artista, que era fazendeiro e produzia bebidas alcoólicas durante o período da Lei Seca nos Estados Unidos.
A embalagem da bebida apresenta um cavalo em relevo, referência às raízes texanas da família da cantora.
Na composição, o uísque combina características associadas às tradições norte-americana, japonesa e escocesa. Quando foi lançada, em 2024, a SirDavis chegou ao mercado norte-americano com preço sugerido de US$ 89, sendo distribuidas em comércios varejistas de cidades como Londres, Paris e Tóquio.
A marca expande a presença de Beyoncé no empreendedorismo em que a artista transformou referências familiares em ativos de uma operação empresarial global.
Beyoncé amplia seu portfólio empresarial
A SirDavis integra um conglomerado de negócios que Beyoncé vem construindo há anos. A artista é responsável pela Parkwood Entertainment, empresa fundada entre 2008 e 2010 que administra projetos relacionados à sua carreira, turnês e produções audiovisuais.
No mercado de moda, Beyoncé criou a Ivy Park em 2016 e passou a deter integralmente os direitos da marca em 2018. A empresa posteriormente estabeleceu uma parceria com a Adidas, encerrada em comum acordo em 2023.
Em 2024, a empresária também lançou a Cécred, marca voltada para cuidados capilares. A atuação no setor de bebidas também se conecta à trajetória empresarial da família Knowles-Carter. O marido de Beyoncé, Jay-Z, mantém uma relação comercial com a LVMH por meio da Armand de Brignac, marca de champanhe conhecida pelo apelido “Ace of Spades”.
Jay-Z havia adquirido a Armand de Brignac antes de a LVMH comprar 50% da empresa, em 2021. A parceria tornou o músico sócio do conglomerado francês no negócio.
O que muda para a SirDavis?
A principal mudança é societária: a LVMH deixa de ter participação na marca, enquanto Beyoncé passa a controlar integralmente o negócio. Os detalhes financeiros da operação não foram divulgados.
A aquisição reforça uma estratégia que acompanha a artista por anos: transformar propriedade intelectual, referências culturais e projetos criativos em negócios próprios, com atuação em diferentes setores da economia.
Minha família sempre foi grande e apaixonada por celebrações, tenho lembranças de estarmos sempre reunidos, comemorando alguma coisa, muitas vezes, nem existia uma data especial, eram os momentos mais ordinários que acabavam se transformando em memórias extraordinárias. Aos domingos, ir para a Penha na casa do vovô, era compromisso. Era o dia em que a família se reunia, para almoços fartos que começavam às 11h da manhã e ia além do horário do Faustão.
Os cinco filhos chegavam com suas esposas e maridos, os onze netos apareciam junto com seus namorados e namoradas, e a casa enchia. Sobrava espaço também para agregados e tudo virava uma grande festa, a nossa família se tornava ainda maior.
A cozinha lotava, a sala lotava, o quintal ficava tomado de gente conversando, rindo, comendo e contando histórias. Os aniversários nunca eram apenas “um bolinho”, a casa se transformava em um evento.
Além da casa do meu avô, as casas dos meus tios e tias também foram palco de inúmeros encontros: finais de ano, chás de bebê, almoços especiais de sábado e comemorações improvisadas que acabavam virando tradição familiar. O fim do ano era o meu momento favorito, não apenas pelos presentes que esperávamos do Papai Noel, mas porque significava, dormir tarde, encontrar e reunir toda a família, além de comer as melhores receitas preparadas pelas minhas tias, que sempre tiveram um tempero irresistível.
Quase todos esses momentos foram registrados e guardados como memórias. Talvez por isso eu goste tanto de fotografia.
A fotografia sempre esteve presente na história da minha família, e não apenas na minha geração, temos registros fotográficos que atravessam décadas: fotografias dos anos 1960, 1950 e até mesmo da década de 1940. Existem imagens das férias dos meus tios em Ribeirão Preto, da juventude dos meus avós em Minas, dos casamentos da família, da minha mãe ainda criança…
Para uma família negra, isso tem um significado ainda maior. Sabemos que, durante boa parte do século passado, fotografar era caro, possuir uma câmera era um privilégio distante da realidade de muitas famílias brasileiras, e por isso, cada uma dessas imagens se transformou em um documento precioso da história da nossa família. Algumas fotos resistiram muito bem ao tempo, outras nem tanto.
Existem fotografias que perderam cor, contraste e definição, algumas estão manchadas e outras já apresentam sinais claros do desgaste causado pelo tempo, mas, mesmo quando a qualidade da imagem desaparece, a memória continua ali, talvez seja por isso que, sempre que podemos voltamos naqueles álbuns antigos mantidos por minha tia e observamos foto a foto com cuidado, quase como quem tenta atravessar o tempo e retornar àquele instante congelado.
Recentemente, minha mãe decidiu recuperar uma fotografia antiga da minha avó, era uma imagem já bastante desgastada. O rosto estava pouco nítido e vários detalhes haviam se perdido com o passar das décadas, mas na tentativa de restaurar essa fotografia, minha mãe, aos 64 anos, decidiu experimentar uma ferramenta de inteligência artificial. O resultado foi muito além do que imaginávamos, a tecnologia conseguiu recuperar detalhes da imagem, reconstruir traços do rosto da minha avó e devolver nitidez a uma fotografia que já parecia quase indecifrável. Pela primeira vez, vi minha avó como nas memórias da minha mãe, e com uma qualidade próxima dos registros atuais. Foi emocionante, não apenas porque a fotografia estava mais bonita, foi emocionante porque, de alguma forma, parecia que uma parte da nossa história estava voltando para perto de nós, além da proximidade quase que real da imagem de como minha avó era, segundo minha mãe.
O uso da inteligência artificial ainda desperta muitas dúvidas, em alguns momentos é difícil distinguir o que é um registro fiel daquilo que foi reconstruído por algoritmos. Existem debates importantes sobre autenticidade, privacidade e sobre os limites éticos dessas ferramentas, mas existe também uma outra conversa que merece atenção: a possibilidade de usar a tecnologia para preservar memórias.
Ao longo dos últimos meses, começamos a restaurar fotografias antigas da nossa família, algumas foram recuperadas em cores, outras ganharam definição, rostos que estavam desaparecendo voltaram a ser reconhecidos, expressões, roupas e cenários reapareceram depois de décadas escondidos sob os efeitos do tempo. Ver uma fotografia em preto e branco ganhar cores não muda a história, mas aproxima aquela história do presente e permite que novas gerações se conectem de maneira diferente com pessoas que vieram antes delas, e talvez esse seja um dos usos mais bonitos da inteligência artificial.
Não para criar algo novo, mas para preservar aquilo que já existe.
Hoje, mais de 50 fotografias da nossa família já passaram por algum processo de restauração com o auxílio da inteligência artificial, mas ainda temos um longo caminho pela frente. São mais de 200 imagens guardadas em álbuns que atravessaram gerações, algumas delas estão sendo recuperadas pela primeira vez, outras estão nos ajudando a redescobrir histórias que já estavam sendo esquecidas.
Existe algo particularmente bonito em acompanhar esse processo, ver minha mãe, uma mulher de 64 anos, explorando uma tecnologia que costuma ser associada aos mais jovens para proteger aquilo que ela tem de mais valioso, as memórias da nossa família.
Para mim ainda existem muitas perguntas sem resposta sobre inteligência artificial: Para onde vão essas imagens? Como garantir a segurança dos nossos dados? Como distinguir o que é um registro histórico do que foi reconstruído digitalmente? São questionamentos necessários, mas, enquanto essas respostas continuam sendo debatidas, uma certeza permanece dentro da minha família: nossas fotografias seguem vivas. E, graças à tecnologia, muitas delas terão a chance de atravessar mais algumas gerações.
O suspense “Is God Is”, estreia da dramaturga e finalista do Prêmio Pulitzer Aleshea Harris na direção de cinema, chegará ao catálogo brasileiro do Prime Video no dia 19 de agosto sob o título nacional “Ardente Vingança”. O longa-metragem adapta a peça teatral homônima escrita por Harris em 2018 e reúne um elenco negro de peso do cinema norte-americano.
A trama acompanha a história de duas irmãs gêmeas negras que carregam marcas profundas de queimaduras graves causadas pelo próprio pai durante a infância. A narrativa ganha um tom de acerto de contas quando elas descobrem que a mãe, que acreditavam ter morrido no mesmo incêndio, sobreviveu. No leito de morte, a mãe faz um último pedido às filhas: encontrar e matar o homem responsável pelo sofrimento da família.
O elenco principal conta com Kara Young e Mallori Johnson, acompanhadas por Janelle Monáe,Sterling K. Brown e Vivica A. Fox.
Foto: Divulgação
A recepção crítica do longa tem sido amplamente favorável. No Rotten Tomatoes, a produção estreou com 94% de aprovação crítica, destacando a força da direção de Harris, a densidade dos temas abordados e a entrega do elenco.
Em crítica publicada pelo Boston Globe, a narrativa do filme foi descrito como “um grito impenitente de fúria feminina negra, representado pelas magníficas atuações de Kara Young e Mallori Johnson”. Já a revista Variety definiu o longa como “ao mesmo tempo extremamente divertido e profundamente perturbador”, pontuando que a estreia de Aleshea Harris no cinema “colhe com ousadia o que outros semearam”.
A influenciadora e escritoraCarla Lemosdenunciou ter sido brutalmente agredida durante um samba no Centro do Rio de Janeiro. Nas redes sociais, Carlinha contou que, na última sexta-feira (7), foi atacada no evento Samba Independente dos Bons Costumes, na Fundição Progresso, por um homem que aparentava estar bêbado e que não a conhecia.
“Levei socos insistentes, tive minhas tranças puxadas e meu supercílio aberto por um homem que nem me conhecia”, relatou. Segundo Carla, tudo começou depois que ela voltou do banheiro e percebeu dois homens caindo em cima de amigos e incomodando o público ao redor.
O amigo do suposto agressor chegou a esbarrar nela diversas vezes, até que ela tentou se defender com um pedido para que ele parasse de cair em cima dela. O homem se afastou, mas, logo depois, a violência escalou.
“A partir daí, eu só lembro de violência. O bêbado me dá um empurrão de um lado, depois um soco na maçã do rosto, que doeu bastante, e, na sequência, um soco na testa, que ardeu”, disse.
Em meio à confusão, foi a cantora que se apresentava no palco quem primeiro interrompeu o show para pedir ajuda pelo microfone. “Ouço a cantora no palco falando: ‘Estão agredindo uma mulher, ela tá sangrando’. Quando olho pra minha mão toda ensanguentada, percebo que essa mulher sou eu”, relatou Carla em seu perfil no Instagram.
Segundo a advogada da vítima, Thaiz Sardinha, a artista precisou fazer o apelo duas vezes para que a agressão fosse interrompida. “Ao todo, foram aproximadamente cinco homens tentando retirá-lo de cima dela, até que finalmente conseguiram afastá-lo”, afirmou.
Em entrevista à GloboNews, Carla reforçou a vulnerabilidade que a tornou um alvo fácil: “Não dirigi uma palavra àquele cidadão. (…) Eu era a menor, a mais fraca ali”.
Além dos hematomas e ferimentos, Carla relatou que se sente dolorida “não só fisicamente, mas por todos os processos violentos” que começaram ainda na madrugada de sexta-feira e seguem até hoje. Ela diz ter recebido diversos relatos de outras mulheres que passaram por situações parecidas e tiveram suas histórias negligenciadas. “Saber que eu não fui a primeira, não serei a última”, desabafou.
Casa de show se pronuncia
A Fundição Progresso, onde o samba aconteceu, divulgou nota lamentando o caso e afirmando que levou a ocorrência à delegacia mais próxima. Leia na íntegra:
“Infelizmente algo terrível aconteceu no nosso ambiente de trabalho na última quinta-feira. Logo depois de pararmos a roda para dar o recado que damos toda quinta-feira, de que não toleramos misoginia e qualquer tipo de preconceito, uma mulher foi brutalmente agredida.
Nós, a equipe da casa, o público em volta, os amigos; todos agiram o mais rápido possível para socorrer. Depois do ocorrido, fizemos o que sempre pregamos. Fomos até o fim e ficamos na delegacia até o final do trâmite legal. Mas não foi suficiente. O agressor saiu de lá andando e rindo.
A proteção de uma mulher contra a violência de gênero não pode depender dela conhecer ou ter mantido uma relação afetiva com seu agressor. Se a violência acontece porque ela é mulher, o Estado precisa protegê-la como vítima de violência de gênero em todos os lugares, em casa, no trabalho, na rua, numa festa ou em qualquer outro espaço. Esse é nosso compromisso”.
ATUALIZAÇÃO: Dia 13/08 às 8h40:
Em nota de esclarecimento, a defesa de Lucas afirma que o episódio ocorreu em meio a uma confusão generalizada, iniciada após uma suposta ofensa racial contra o amigo dele, George. As advogadas Gabrielly Caldeira Lima Cruz e Flavynia Mozzara Ventura Silva negam que Lucas tenha agredido Carla de forma consciente, deliberada ou motivada por gênero ou raça, e afirmam que ele também sofreu lesões e perdeu a consciência durante o tumulto.
A defesa acrescenta que, conforme os relatos e elementos reunidos até o momento, há indicação de que a agressão atribuída a Lucas possa ter sido praticada por outro integrante do grupo, descrito por testemunhas como um homem alto, branco e magro. A identificação desse indivíduo e a confirmação da dinâmica dos acontecimentos dependem, contudo, da análise das imagens de segurança, dos depoimentos e das demais provas submetidas às autoridades.
Leia a nota de esclarecimento da Defesa:
“Na madrugada de 07 de agosto de 2026, o Sr. Lucas encontrava-se na Fundição Progresso, localizada na Lapa, Rio de Janeiro/RJ, acompanhado de seu amigo George, quando este, pessoa negra, foi alvo de grave ofensa racial praticada por um terceiro integrante de determinado grupo, que o chamou de “MACACO”.
Ao questionar o autor da ofensa acerca da conduta discriminatória, o Sr. Lucas foi recebido de maneira agressiva. A discussão rapidamente evoluiu para um confronto físico generalizado, envolvendo mais de 5 (Cinco) pessoas simultaneamente, em ambiente de intensa aglomeração, tumulto e absoluta dificuldade de individualização das condutas.
A defesa esclarece, de maneira firme, que o Sr. Lucas não se dirigiu à mulher que se apresenta publicamente como vítima com a intenção de agredi-la, tampouco praticou contra ela qualquer conduta motivada por sua condição de mulher ou de pessoa negra. O Sr. Lucas aproximou-se inicialmente para defender seu amigo da ofensa racial e, após o início do tumulto, limitou-se a tentar proteger a si próprio e o Sr. George das agressões praticadas por diversas pessoas.
Conforme os relatos e elementos reunidos até o presente momento, há indicação de que a agressão atribuída ao Sr. Lucas possa ter sido praticada por outro integrante do próprio grupo presente no local, descrito por testemunhas como um homem alto, branco e de compleição magra. A identificação desse indivíduo e a confirmação da dinâmica dos acontecimentos dependem, contudo, da análise das imagens de segurança e das demais provas que estão sendo reunidas e submetidas às autoridades competentes.
Em razão do tumulto coletivo, é possível que a mulher estivesse entre as pessoas que se aproximaram ou se envolveram na confusão. O Sr. Lucas, recebeu sucessivos golpes, sobretudo na região da cabeça, e perdeu a consciência, retomando-a apenas quando já se encontrava na delegacia. Por responsabilidade, a defesa esclarece que a dinâmica exata de eventuais contatos físicos deverá ser apurada por meio das imagens, dos depoimentos e dos demais elementos probatórios.
O que o Sr. Lucas nega categoricamente é ter se dirigido à referida mulher ou desferido, de maneira consciente, deliberada e individualizada, qualquer agressão contra ela.
O Sr. Lucas e seu amigo George também foram gravemente agredidos durante o episódio. Lucas sofreu ferimento no olho direito, com necessidade de sutura, além de lesões no nariz, no braço e na região da cabeça, tendo sido submetido a atendimentos médicos e exames complementares. George igualmente sofreu traumas na cabeça, lesões ao redor do olho e hematomas pelo corpo.
Os registros fotográficos, prontuários e documentos médicos comprobatórios das lesões já foram encaminhados aos veículos de imprensa que vêm acompanhando o caso. Outros resultados médicos ainda pendentes serão apresentados oportunamente, tão logo disponibilizados.
Os fatos foram levados ao conhecimento da autoridade policial e permanecem sob investigação, inexistindo, até o presente momento, conclusão definitiva acerca da dinâmica das agressões ou da autoria individualizada de cada conduta. Também estão sendo adotadas providências para apurar a ofensa racial dirigida ao Sr. George, identificar seu autor e responsabilizar todas as pessoas envolvidas nas agressões.
O Sr. Lucas não possui antecedentes criminais nem registro de envolvimento anterior em conduta semelhante, sendo profissional e pessoa idônea, que se viu envolvida no tumulto ao reagir à grave ofensa racial dirigida ao amigo e que, posteriormente, tornou-se vítima de múltiplas agressões”
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