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A preta venceu: como a ascensão da pessoa preta pode vir acompanhada de um luto identitário

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Quem vem de uma realidade pobre, periférica provavelmente já ouviu ou reproduziu a seguinte frase: “agora que ficou rico, não fala mais com pobre”. A ironia do próprio título mora aí: comemora-se a conquista mas existe a cobrança do pertencimento. Em uma passagem do livro Um Defeito de Cor” em um momento que a personagem central do livro depois de ter vivido duros anos de escravidão, contrói e conquista uma realidade mais próspera e ela diz “minha vida seguiu um caminho e fui me deixando levar para muito longe do que tinha imaginado. E isso foi bom para mim, que tinha conseguido coisas com as quais os pretos nem sonhavam, não porque sonhassem pequeno, mas porque não sabiam que tais sonhos eram possíveis”.


E esse é um momento em que se nota um outro olhar sobre a personagem, a mediadora de um clube do livro do qual faço parte diz que é aí que vai se instaurando um “ranço” da kehinde. Esse incômodo de Kehinde surge porque para prosperar após a violência do cativeiro, Kehinde precisou adotar novos hábitos, ser pragmática e ter certa distância da vulnerabilidade que a cercava. Isso pode até ser lido como soberba, mas foi também uma estratégia de sobrevivência. O que leva diretamente para a seguinte questão: como se passa por mudanças significativas na própria vida, mudanças essas que são consequência de um misto de atitudes que foram tomadas justamente para alcançar determinados objetivos, sem permitir também ser transformado? A verdade é que não se passa ileso, a transformação é o preço da entrada. Em ‘Ensinando a transgredir Bell Hooks aborda esse assunto e nos explica que: ‘a educação vem como uma prática da liberdade’, a intelectual aborda toda a complexidade sobre quem vem de lugares de vulnerabilidade social e finalmente ocupa novos espaços, geralmente essas pessoas se encontram na situação que a autora pontua quando diz que “o preço da entrada costuma ser o abandono da nossa linguagem e costumes originais”, escancarando que a travessia altera inevitavelmente o sujeito.
Logo, como manter uma “essência” que era resultado de uma outra realidade?


A gente cresce tentando sobreviver, depois tenta conquistar para em algum momento conseguir de fato, viver. E nesse caminho vamos pelos recursos disponíveis, seja através do estudo, trabalho, empreendedorismo, arte, comunicação, qualquer habilidade que possa abrir uma porta que sempre esteve fechada vai ser usada como arma para esse corpo com sede de mudança. Mas existem algumas nuances que precisam ser levadas em consideração, cada passo dado, é uma nova experiência, cada caminho vai exigir algo de você e as pequenas transformações vão acontecendo, até se tornarem grandes demais para quem não te acompanhou no processo, estranhar.
No caminho para a conquista,é comum que alguns lugares deixem de fazer sentido, pode ser que algumas conversas já não te despertam tanto interesse e até velhos hábitos acabam ficando incompatíveis com a rotina, e você os deixa para trás. No caminho a gente vai fazendo outras descobertas, e até o que era visto como a meta pode acabar ficando pequeno e as mudanças de estratégias vão acontecendo simultaneamente pois agora você tem acesso a outras informações e entendeu que coisas ainda maiores também são possíveis.


E, inevitavelmente, algumas pessoas ficam para trás. Se você é uma pessoa que está vivendo constante transformação, como faz para manter na sua vida pessoas ou hábitos que já não tem nada em comum com a pessoa que você se tornou? Já que estão vivendo momentos e experiências completamente diferentes? Como se divide em 2 e mantém o melhor dos dois mundos, como não se perder no caminho, manter a admiração de pessoas próximas que foram importantes em outros momentos e também sem decepcionar pessoas que estão presentes e sendo importantes agora? O mais importante é entender que o afeto e a gratidão continuam ali, independente de quem você se tornou ou está se tornando, mas o dia a dia exige um assunto e um ritmo em comum que a mudança de vida acaba afastando. E a grande ironia do “a preta venceu” é essa: se você tentar se desdobrar em duas para agradar todo mundo, acaba não sendo inteira em lugar nenhum.
A realidade da vida de pessoas pobres no Brasil às vezes tenta encaixar todos em uma mesma caixinha, existe a romantização da ideia do crescer junto, e essa é a intenção, mas a realidade ainda é muito dura. Nem todo mundo quer o mesmo futuro, nem todo mundo pensa em viver de outra forma, nem todo mundo está insatisfeito com a própria realidade, ainda que seja uma realidade mais simples e nem todo mundo enxerga oportunidade onde você enxerga. E no meio dessa busca existem também muitos códigos que pessoas pretas precisam aprender para conseguir ocupar alguns espaços, frequentar novos lugares, construir novas redes e novos hábitos e fazer constantes adaptações de vida. E ainda assim pode ser que aos poucos, você entenda que não pertence completamente ao lugar de onde veio, mas também nunca pertence totalmente ao lugar onde chegou.


A pessoa negra buscando ascensão possivelmente vive entre mundos. E pode parecer uma piada “tadinha, está enfrentando dificuldades porque agora tem alguns acessos e um pouco mais de dinheiro”, mas é basicamente isso, esse não lugar, o “entre mundos” pode sim ser solitário e prejudicial para uma pessoa que provavelmente cresceu em vínculos expansivos, longos e acolhedores. O que você tem agora? Com quem se identifica? Como os “seus” te olham, o que mudou? Você quer provar que pertence aos dois mundos, mas para qual mundo você mais precisa provar coisas? A escritora Chimamanda Ngozi Adichie, em ‘O perigo de uma história única’, conta que, mesmo sendo de classe média e filha de professores universitários, sua colega de quarto na faculdade nos Estados Unidos sentia uma pena antes mesmo de conhecê-la, ‘‘Sua postura preestabelecida em relação a mim, como africana, era uma espécie de pena condescendente e bem-intencionada” ficando chocada só de ver que ela falava inglês bem.


Na prática, quando a pessoa preta ocupa um novo ambiente, ela sente essa pressão de precisar romper com o estereótipo e provar que a sua capacidade é real. É aí que a ascensão exige uma virada de chave: você precisa assimilar novos códigos e linguagens para garantir seu espaço. Só que a ironia é dupla: de um lado, você precisa provar para o novo mundo que merece estar ali; de outro, precisa provar para o seu mundo de origem que o seu letramento não virou soberba.


E, no meio dessa maratona para provar algo para todo mundo, acontece uma limitação.
Talvez por não ter medido esforços para mudar a própria realidade não tenha sobrado muito tempo para olhar para a própria realidade que te construiu com os olhos de quem você era, e acaba caindo no erro de olhar para esse lugar com as lentes das limitações que você teve.
Você esquece que aquilo também construiu você, você esquece que o repertório, a linguagem, a criatividade, a forma de existir e até a força para chegar tão longe nasceram justamente daquele lugar. E a ascensão não tem o direito de apagar essas memórias e sim reverenciá-las. Que ninguém continua o mesmo depois de transformações sequenciais, já é um fato, mas agora é entender que existe um desafio, e o desafio não é continuar “o mesmo de antes” e sim continuar reconhecendo a potência do lugar que você saiu sem tentar modificá-lo ou diminuí-lo. Porque esse lugar também é igualmente importante, essa antiga realidade foi o que te impulsionou, isso não diminui a sua trajetória, na verdade, conta a sua história, o que torna igualmente importante. É realmente uma contradição.


Também não se sobrecarregue achando que o seu dever é carregar todo mundo nas costas, isso pode te adoecer. Recentemente ouvi a frase “se a porta tá querendo fechar e eu passei, vou ficar entre ela, deixando meio aberta até todo mundo chegar”. Crie também movimentos que geram mais oportunidades, já que você agora tem alguns acessos facilitadores. Indique um nome, compartilhe conhecimento, capine o caminho assim como capinaram um pouco antes o seu, assim outras pessoas não precisarão começar exatamente do mesmo ponto em que você começou.


Já que agora você tem um repertório incrível, de coletividade, criatividade, sagacidade e ginga, você pode viver na ponte, justamente sendo um agente que facilita os trajetos, quem sabe? Talvez o “a preta venceu” seja conseguir sempre voltar com dignidade e ser bem recebido sem precisar deixar de ir também.


Porque muitas vezes a solidão da pessoa preta em ascensão nasce justamente dessa raridade, não é o “lugar comum”, pode ser que você também se encontre perdido nesse espaço e buscando uma identificação e como ainda existem poucas pessoas negras ocupando determinados espaços de poder, quem chega lá frequentemente deixa de ter pares. E é uma solidão política.

por: gaby ferraz e victoria moura

Os looks da Big D: Stylist Joseph Ackon revela como os figurinos ajudam a construir a identidade de Duquesa

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Foto: divulgação

A moda ocupa um papel central na trajetória artística de Duquesa desde o início de sua carreira, funcionando como ferramenta para comunicar conceitos e marcar novas fases de seus projetos. Por trás dessa construção está o trabalho do stylist Joseph Ackon, parceiro criativo responsável pelos figurinos que acompanham a artista em lançamentos, campanhas e apresentações públicas.

Segundo Ackon, o processo nunca partiu de tendências do momento, mas da tradução da personalidade de Duquesa em peças que unem conforto, versatilidade e potência estética. O stylist atribui o funcionamento da parceria à experiência que já possuía trabalhando com corpos curvilíneos, o que permitiu transformar ideias e referências da artista em figurinos tecnicamente confortáveis sem abrir mão de estilo e qualidade.

A construção da identidade visual de Duquesa acontece de forma colaborativa entre os dois. A artista participa ativamente de todas as etapas do processo criativo, pesquisando referências em cinema, arte, moda e cultura visual antes do desenvolvimento das peças. Ackon recebe esse material, refina as ideias e as transforma em looks que funcionam na prática, mantendo um traço reconhecível independentemente da ocasião.

Para Duquesa, esse envolvimento direto é essencial porque seu estilo nunca esteve ligado apenas à estética. A artista veste manequim 46 e faz questão de reforçar publicamente que esse tamanho pode ocupar qualquer espaço com sofisticação e confiança. Ela descreve o processo de escolha das roupas como uma forma de reconhecimento pessoal, no qual uma peça perde sentido quando não a representa ou não garante conforto.

Entre os figurinos mais marcantes da carreira, Ackon destaca o look utilizado por Duquesa no Tiny Desk Brasil, produzido em couro ecológico e metais. Para o stylist, a peça sintetiza a fase atual da artista e comunica força e imponência sem afastar sua essência, reforçando a presença de uma mulher preta em espaços de destaque no rap nacional.

O trabalho da dupla parte sempre da construção de uma narrativa antes da definição de tecidos, modelagens ou acessórios. Ackon explica que cada look carrega o poder de descrever um momento, uma intenção ou uma emoção específica, e que a clareza desses códigos torna o processo de criação mais natural.

Essa relação entre moda e música também explica, na avaliação do stylist, por que Duquesa se tornou referência de estilo para seu público. Fãs não apenas observam os figurinos da artista, mas incorporam essas escolhas ao cotidiano, em um movimento que Ackon associa ao empoderamento feminino e negro e à valorização da autoconfiança e da aceitação.

Em um cenário no qual imagem e música caminham lado a lado, a trajetória de Duquesa demonstra que o figurino funciona como extensão de sua narrativa artística, reforçando uma identidade construída com propósito ao longo de sua carreira.

Editorial de Dia dos Pais mostra moda como herança entre gerações

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Foto: @gabrieloalvez

Ana Paula Fernandes assina styling de editorial que transita entre all jeans, streetwear e clássico para celebrar a moda como memória afetiva.

Antes de existir uma tendência nas passarelas ou um influenciador ditando o que vestir, existe uma referência que nasce dentro de casa. Para muitas famílias negras, o primeiro contato com a moda acontece observando pais, tios e avôs. A maneira de combinar uma jaqueta, escolher um boné, vestir uma camisa ou usar uma cor específica carrega histórias, fortalece a autoestima e ajuda a construir a identidade de quem aprende, desde cedo, que vestir-se também é uma forma de ocupar o mundo.

Inspirado pelo Dia dos Pais, este editorial parte dessa memória afetiva para mostrar como o estilo também é uma herança. Em cada família existe uma forma própria de se vestir, e essa diversidade aparece nesta produção, que transita entre o all jeans, o streetwear e propostas mais clássicas, revelando que não existe um único jeito de expressar elegância. O que une todos esses estilos é a identidade construída e transmitida dentro de casa.

“A moda sempre foi uma linguagem dentro da nossa comunidade. Antes de conhecer uma marca ou uma tendência, muitas pessoas negras aprendem sobre estilo olhando para os homens da própria família. O editorial parte justamente dessa memória afetiva, mostrando que a roupa também é uma forma de transmitir valores, pertencimento e identidade entre gerações”, afirma Ana Paula Fernandes (@anapauladks), responsável pelo styling e pela direção criativa do projeto. “Para a população negra, vestir-se bem também é uma forma de proteção e afirmação. A roupa não elimina o racismo, mas muitas vezes muda a maneira como somos vistos e ocupamos determinados espaços. Ela comunica quem somos antes mesmo de qualquer palavra”.

O editorial também propõe uma reflexão sobre o vestir como expressão de identidade. Para a população negra, a moda carrega significados ligados à autoestima, à presença e à forma de ocupar espaços. Ao transitar entre diferentes estilos, o ensaio evidencia que não existe uma única maneira de expressar elegância, mas diversas formas de afirmar identidade sem perder de vista as referências construídas dentro da própria família.

Neste Dia dos Pais, o Mundo Negro presta homenagem aos homens negros que fizeram da própria presença uma referência para seus filhos. Antes mesmo de ensinar um ofício ou compartilhar conselhos, muitos transmitiram confiança, identidade e pertencimento por meio de gestos cotidianos, inclusive da forma de se vestir. São heranças silenciosas que atravessam gerações e mostram que a moda também preserva memórias, fortalece vínculos e mantém vivo um legado que começa dentro de casa.

Morre a atriz Clodd Dias, de “Manhãs de Setembro” e “As Five”

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Clodd Dias
Foto: Ale Catan

A atriz Clodd Dias morreu aos 49 anos nesta quarta-feira (6). Conhecida por trabalhos em produções como “Manhãs de Setembro” e “As Five”, a artista teve a morte confirmada pelo diretor artístico Ruy Cortez. A causa do falecimento não foi informada.

“Tristeza absoluta com a perda de Clodd Dias, mais uma mulher trans preta que nos deixa, mais uma atriz, uma artista brasileira que foi sendo morta pela tristeza de um país, que não valoriza seus artistas, pior os maltrata com absoluto desinteresse”, lamentou o diretor. “Clodd sempre lutou por condições de dignidade para si. Triste quando constatamos que mais uma vez falhamos”, completou.

Ruy também destacou o talento e a intensidade da atriz. “Clodd era uma artista visceral. Uma artista nata. Desde de o tempo da escola, quando ela fez um Firs imesquecível, Clodd era tida como um talento nato, absoluto. Que os deuses a acolham, recebam em puro amor”, escreveu.

Ainda não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento da atriz.

Relembre a carreira da artista

Natural de Itapetininga, no interior de São Paulo, Clodd começou a atuar aos 14 anos. Em 2001, formou-se no Centro de Artes Célia Helena e, ao longo da carreira, acumulou experiências em diferentes linguagens artísticas.

Mulher trans negra, a atriz defendia a ampliação da representatividade LGBTQIAPN+ e o reconhecimento de pessoas negras e trans nas artes cênicas. Sua atuação foi marcada pela presença em produções do teatro, do cinema e do streaming.

Clodd ganhou destaque ao interpretar Roberta na série “Manhãs de Setembro”, do Prime Video, ao lado de Liniker. O trabalho contribuiu para consolidar sua trajetória no audiovisual, que também inclui as séries “Ayô” (2025) e “Notícias Populares” (2022).

No cinema, participou dos filmes “Rodeio Rock” (2023), “O Clube das Mulheres de Negócios” (2022) e “Dois Mais Dois” (2021). No teatro, esteve em montagens como “Entrega para Jezebel”, “Mãe de Santo”, “A Mulher que Digita”, “Esperando Godot e Negrinha”.

Em 2026, integrou o elenco do espetáculo “O céu fora daquela janela”, apresentado no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Sua trajetória foi reconhecida com o Prêmio Arcanjo de Cultura, além de outras homenagens.

Conhecido por “Diabo Negro”, ele se tornou o primeiro general negro a comandar um exército francês

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Foto:Imagem pública/reprodução

O militar franco-haitiano comandou dezenas de milhares de soldados durante a Revolução Francesa, tornou-se o oficial negro de maior patente já registrado em um exército ocidental até então e inspirou romances do próprio filho, o escritor Alexandre Dumas.

Thomas-Alexandre Dumas nasceu em 25 de março de 1762, na cidade de Jérémie, colônia francesa de Saint-Domingue, hoje Haiti, filho de Marie-Cessette Dumas, mulher negra escravizada, e do nobre francês Alexandre-Antoine Davy de la Pailleterie. Levado à França pelo pai em 1776, aos 14 anos, tornou-se homem livre e recebeu educação típica de filho de aristocrata, ingressando no Exército francês em 1786, aos 24 anos, como soldado raso e usando o sobrenome da mãe.

Dumas se engajou nos ideais republicanos assim que a Revolução Francesa começou, e sua trajetória militar acelerou junto com o novo regime. Em 1792, tornou-se tenente-coronel da Legião Negra, unidade formada por homens livres de cor. No ano seguinte, aos 31 anos, foi promovido a general de brigada e, semanas depois, a general de divisão, assumindo o comando-em-chefe do Exército dos Pirineus Ocidentais e, na sequência, do Exército dos Alpes, à frente de mais de 50 mil soldados. A vitória na abertura das passagens alpinas viabilizou o avanço francês na Segunda Campanha Italiana contra o Império Austríaco.

Foi nesse período que Dumas recebeu dos inimigos austríacos o apelido de Schwarzer Teufel, o Diabo Negro, em referência à sua força em combate. Em março de 1797, ao deter sozinho um esquadrão austríaco em uma ponte sobre o rio Eisack, na região do Tirol, ganhou de Napoleão Bonaparte a alcunha de Horácio Cocles do Tirol, numa referência ao herói romano que salvou Roma sozinho em uma ponte.

Em 1798, Dumas assumiu o comando da cavalaria francesa na expedição napoleônica ao Egito. As divergências com Bonaparte já vinham de campanhas anteriores, quando o general se posicionou contra saques cometidos por tropas francesas, e se aprofundaram durante a campanha egípcia. Em 1799, ao retornar à França, o navio em que viajava enfrentou uma tempestade e foi forçado a atracar em Taranto, no Reino de Nápoles, então hostil à França. Dumas foi capturado e mantido preso por quase dois anos, em condições que comprometeram permanentemente sua saúde, incluindo perda parcial da visão.

Ele só foi libertado em 1801, após a intervenção militar francesa na região. De volta à França, encontrou um cenário político transformado. Napoleão, então cônsul, restabeleceu a escravidão em colônias francesas a partir de 1802 e editou uma série de decretos que restringiam direitos de pessoas negras e mestiças, incluindo a proibição de ingresso no Exército. Dumas foi alvo direto dessa reviravolta, teve pedido de pensão negado e nunca recebeu reconhecimento oficial pelos anos de cativeiro. Chegou a ser apagado de registros visuais da campanha egípcia, substituído por um oficial branco em uma pintura encomendada sobre a tomada do Cairo.

Debilitado pelas sequelas do cativeiro e por dificuldades financeiras, Thomas-Alexandre Dumas morreu em 26 de fevereiro de 1806, em Villers-Cotterêts, aos 43 anos. Deixou a esposa, Marie-Louise Labouret, e três filhos, entre eles Alexandre Dumas, que tinha apenas quatro anos quando o pai morreu e cresceu ouvindo relatos sobre seus feitos. O escritor viria a se tornar um dos nomes mais lidos da literatura francesa, autor de “Os Três Mosqueteiros” e “O Conde de Monte Cristo”, romances que incorporam elementos da trajetória paterna, da ascensão heroica à queda em desgraça diante de um poder maior.

A biografia “The Black Count”, do jornalista americano Tom Reiss, reconstituiu em detalhes a vida do general francês e venceu o Prêmio Pulitzer de biografia em 2013, contribuindo para resgatar do esquecimento histórico um dos militares de maior patente ocupados por uma pessoa negra em um exército europeu até hoje.

‘Michael 2’: Sequência da cinebiografia do Rei do Pop ganha previsão de estreia nos cinemas

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Jaafar Jackson no filme "Michael"
Foto: Universal Pictures

A Lionsgate confirmou que a continuação da cinebiografia “Michael”, dedicada ao Rei do Pop, está em desenvolvimento e tem lançamento previsto para o final de 2027 ou o primeiro semestre de 2028. Com o primeiro filme encerrando de forma cativante no início da turnê Bad, a sequência deve abordar mais esse momento da carreira, a turnê Dangerous e também os embates do artista com a Justiça.

Em teleconferência com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre, Adam Fogelson, presidente da divisão de cinema da Lionsgate, afirmou que o estúdio deve iniciar a produção do filme sobre o Michael Jackson entre o “final deste ano ou início de 2027”.

Dirigido por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) e com roteiro de John Logan (Gladiador), “Michael” acompanha a ascensão do astro desde os tempos do Jackson 5, interpretado por Juliano Valdi, até o início da carreira solo, com Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, no papel principal. O elenco também conta com Colman Domingo e Nia Long como os pais do astro, Miles Teller como seu agente, além de Laura Harrier, Kat Graham e Derek Luke.

O filme se tornou um fenômeno comercial e ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em arrecadação global, consolidando-se como a cinebiografia de maior sucesso da história e o segundo filme mais visto de 2026. No Brasil, Michael foi a maior bilheteria da história da Universal Pictures no país, atraindo mais de 7,5 milhões de espectadores aos cinemas.

Michael está disponível para compra e aluguel em plataformas digitais como YouTube e Prime Video.

Ateliê Xongani retorna à moda com coleção em alumínio reciclado

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Fotógrafo: Gustavo Paixão

Ana Paula Xongani assina a direção criativa de Fundamento, coleção autoral que reúne sustentabilidade e durabilidade em peças de alumínio reciclado.

O Ateliê Xongani retoma suas atividades com o lançamento da coleção Fundamento, marcando uma nova fase da marca autoral brasileira após três anos de pausa. As peças foram desenvolvidas em alumínio reciclado e infinitamente reciclável, material que sustenta os três pilares definidos para esse retorno: autoralidade, sustentabilidade e durabilidade. O pré-lançamento está marcado para 7 de agosto.

Ana Paula Xongani assume a criação e a direção criativa da coleção, retomando um percurso que havia iniciado na moda antes de expandir sua atuação como comunicadora, apresentadora, empresária e criadora de conteúdo. O nome Fundamento remete àquilo que dá base e estrutura para a continuidade de um projeto, e a marca reforça que a retomada não representa um retorno ao passado, mas uma nova etapa amadurecida e voltada para o futuro.

A escolha do alumínio reciclado considera propriedades como leveza, resistência e versatilidade, além da capacidade do material de retornar diversas vezes ao ciclo produtivo sem perder suas características principais. Essa opção reflete um compromisso que vai além do resultado visual dos acessórios e passa a incluir a origem dos materiais, sua permanência e sua possibilidade de transformação ao longo do tempo.

Fundamento propõe acessórios com formas marcantes e volumes expressivos, construídos a partir de uma linguagem própria que busca atravessar tendências sazonais. A proposta da coleção está em estabelecer uma relação mais duradoura entre as pessoas e os objetos que escolhem usar, em contraste com ciclos de consumo mais rápidos e descartáveis.

Em depoimento sobre o relançamento da marca, Ana Paula Xongani afirmou que a pausa de três anos não significou um afastamento definitivo do universo da moda. “Eu pausei o Ateliê por três anos, mas nunca deixei de ser uma mulher da moda. Mesmo quando minha atuação profissional passou a ocupar outros espaços, Fundamento é o meu reencontro com a criação, com o Ateliê Xongani, com a história do Ateliê Xongani e com tudo o que nos trouxe até aqui”, disse a criadora, ao descrever a nova fase como mais consciente e madura.

A retomada do Ateliê Xongani reúne experiências acumuladas por Ana Paula ao longo dos últimos anos, período em que consolidou também sua atuação na comunicação. A coleção presta uma reverência à mãe da criadora, Cristina Mendonça, e inclui a participação de N’weti Ferro, filha mais velha de Ana Paula, que assina como designer de produto na equipe. Essa combinação de trajetórias inaugura um novo momento para a marca, unindo design autoral, sustentabilidade, imagem e narrativa em um mesmo projeto.

O retorno do Ateliê Xongani ao mercado se soma a um movimento mais amplo de valorização da moda autoral brasileira, que tem buscado formas de criar, produzir e consumir com maior consciência sobre os materiais utilizados e o impacto ambiental da cadeia produtiva. Marcas independentes assinadas por criadores negros ocupam um espaço cada vez mais relevante nesse cenário, ao propor alternativas de produção que dialogam com sustentabilidade e permanência.

A coleção Fundamento tem pré-lançamento previsto para hoje, 7 de agosto, com peças produzidas em alumínio reciclado, capulana, canutilho e veludo alemão. A criação e a direção são assinadas por Ana Paula Xongani, com N’weti Ferro como designer de produto.

Mais informações podem ser acompanhadas pelo Instagram @ateliexongani e pelo site www.xongani.com.

Créditos da produção: modelos Kelly Marques e Barbarhat Sueyassu, direção criativa de Day Molina, fotografia de Gustavo Paixão, beleza de Lua Gimènes, catering de Samantha Cristina e produção de Marcio Costta.

Jacaré, ex-É o Tchan, assume cargo de supervisor em empresa no Canadá

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Foto: reprodução redes sociais

Edson Cardoso, conhecido como Jacaré durante os anos em que integrou o grupo É o Tchan, ocupa atualmente o cargo de supervisor em uma empresa de restauração residencial no Canadá, onde vive com a esposa, Gabriela Mesquita, e as duas filhas do casal desde 2016. A empresa presta serviços a famílias que precisam acionar seguros após incêndios ou alagamentos, e Jacaré responde pelo setor responsável por retirar e devolver os pertences das casas durante as reformas.

Em entrevista ao canal Two Canadá, no YouTube, o ex-dançarino descreveu a rotina do trabalho que hoje ocupa boa parte de seus dias. Segundo ele, quando uma residência sofre esse tipo de sinistro, a seguradora aciona a empresa em que trabalha, que então retira móveis, roupas e demais itens da casa para viabilizar o reparo e, posteriormente, os recoloca no lugar. À frente da equipe responsável por essa etapa, Jacaré ocupa uma função de chefia conquistada anos após a mudança para o país.

Jacaré deixou o Brasil em 2016, seis anos depois de encerrar sua trajetória artística mais visível. O intérprete havia permanecido na TV Globo como integrante do elenco de Turma do Didi mesmo após o fim de sua passagem pelo É o Tchan, mas o contrato do programa chegou ao fim em 2010, o que o levou a repensar os próximos passos ao lado da esposa. A decisão de buscar um plano alternativo à carreira artística surgiu naquele período, motivada pela instabilidade de depender da renovação anual de contratos e da aceitação do público para seguir trabalhando.

A escolha pelo Canadá teve como ponto de partida o fato de uma cunhada do casal já morar no país havia alguns anos. A mudança definitiva ocorreu em 2016, e em 2023 a família obteve o visto de residência permanente, consolidando a estadia após sete anos de adaptação. Antes de migrar para a área de restauração residencial, Jacaré chegou a buscar oportunidades como ator no novo país e participou de figurações em produções de TV, mas não deu continuidade a esse caminho profissional.

Além da função na empresa de restauração, Jacaré também presta serviços de divulgação para uma companhia que auxilia famílias brasileiras interessadas em se mudar para o Canadá. Gabriela Mesquita, sua esposa, atua como consultora dentro dessa mesma empresa, o que torna comum vê-los compartilhando nas redes sociais aspectos da experiência de viver no exterior.

Ao justificar a permanência no país, o ex-dançarino citou fatores ligados à qualidade de vida e à segurança da família. Ele afirmou manter afeto pelo Brasil e por Salvador, cidade onde nasceu, mas descreveu o Canadá como o lugar onde reconstruiu sua vida e onde os filhos, nascidos no Rio de Janeiro, se identificam hoje como canadenses.

O É o Tchan surgiu em Salvador na década de 1990 e projetou nacionalmente artistas como Carla Perez, Scheila Carvalho e Sheila Mello, além do próprio Jacaré, consolidando o grupo como um dos fenômenos do axé music daquele período. A saída de Jacaré da vida artística e sua reconstrução profissional em outro país acompanham um movimento observado entre ex-integrantes de grupos de sucesso das décadas de 1990 e 2000, que buscaram, após o fim da exposição midiática mais intensa, outras formas de sustento e estabilidade fora dos holofotes.

Vini Jr. renova contrato com o Real Madrid até 2032 

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Vini Jr. com a camisa do Real Madrid durante partida pelo clube espanhol
Foto: Divulgação/ Real Madrid

O clube espanhol anunciou nesta quinta-feira (6) a renovação do contrato do atacante brasileiro Vinícius Júnior por mais seis temporadas, até 30 de junho de 2032, encerrando as especulações sobre seu futuro.

Vini Jr. chegou ao Real Madrid em julho de 2018, aos 18 anos, após deixar o Flamengo. Desde então, consolidou sua trajetória como um dos principais nomes da equipe ao longo de oito temporadas, onde disputou 375 partidas, marcando o total de 128 gols e conquistando 14 títulos pelo clube. 

Entre eles estão duas edições da Liga dos Campeões da UEFA, nas quais balançou as redes nas finais vencidas pelo Real Madrid, em Paris (2022) e Londres (2024).

Protagonismo dentro e fora de campo

Vini Jr. também acumulou importantes reconhecimentos individuais em 2024, quando recebeu o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA (The Best) e foi eleito o melhor jogador da Copa Intercontinental.

A renovação reforça a confiança do Real Madrid no atleta que se tornou peça central do elenco, e o novo vínculo amplia a permanência do jogador brasileiro no clube por mais cinco anos em relação ao contrato anterior, que era válido até 2027. Caso cumpra o acordo até o fim, o atacante completará 14 temporadas defendendo a equipe espanhola.

Renovação inclui valorização salarial e bônus por desempenho

A renovação do contrato também representa uma valorização financeira para o atacante. Segundo informações divulgadas pelo Globo Esporte, as negociações envolveram não apenas a extensão do vínculo, mas também um reajuste salarial e bônus relacionados ao novo acordo.

De acordo com a apuração, o atacante defendia uma remuneração compatível com sua importância no elenco e com a proximidade do encerramento do contrato anterior, que era válido até junho de 2027.

Com o novo vínculo, Vini Jr. passará a receber 20 milhões de euros por temporada, cerca de R$118,7 milhões por ano, valor que corresponde ao teto salarial estabelecido pelo presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, para o elenco principal.

O contrato também prevê bonificações relacionadas à assinatura do novo vínculo, metas individuais e cláusulas de permanência, o que pode elevar o valor total recebido pelo camisa 7 ao longo dos próximos anos.

O mito da “Pele que não envelhece”

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Foto: Gabriel Ribeiro( @oigabs)

Doutor em Bioquímica Luiz Cantú explica como acontece o envelhecimento da pele negra

“Mas pele negra não envelhece”. Taí uma frase que ouvimos com certa frequência. Assim como “Pele negra não precisa de protetor solar”. E, embora os fototipos mais altos tenham sim um fator natural de proteção solar por conta da eumelanina (FPS13 x FPS3,3 de uma pele mais clara) e isso diminua o estresse oxidativo, isso não torna nenhuma das duas frases totalmente verdadeira.

Quanto ao FPS, acho que já entendemos que o aumento da radiação UV aliado à falta de diagnóstico soma um cenário letal para muitas pessoas tardiamente diagnosticadas. Mas hoje vamos focar em envelhecimento. E sim. A pele negra passa pelo processo de envelhecimento. Mas de forma diferente. E eu vou te explicar tudo. 

Quando pensamos em envelhecimento, pensamos imediatamente em rugas. Mas existem outros sinais que são tão importantes quanto e, na pele negra, eles surgem nessa faixa 45+: manchas, discromias, tom desigual, perda de sustentação… Embora a proteção gerada pela melanina seja considerável, o colágeno e as fibras elásticas se desorganizam com o tempo, assim como em qualquer fototipo de pele. A melanina segura essa barreira um pouco mais. Um pouco.

Um outro fator se soma à equação quando consideramos essa faixa etária: a menopausa. A perimenopausa já inicia uma queda hormonal que afeta diretamente a pele, que é um dos órgãos que mais sente essa mudança, pois ela tem receptores de estrogênio e responde diretamente à essa queda. Os números são bem sólidos, inclusive: existe uma queda de cerca de 30% do colágeno nos primeiros 5 anos após a menopausa. E não para. A queda segue anualmente. 

Por outro lado, a gente ainda passa por uma queda de produção de ceramidas, o que interfere na saúde da barreira cutânea, diminuindo a hidratação, a firmeza e o viço. Para a pele negra, essa conta fica um pouco mais salgada, porque a união desses fatores pode desencadear ou agravar a hiperpigmentação, uma questão que sofremos naturalmente ao longo da vida. 

Parece um texto pessimista, não? Mas não é. É o incômodo do rompimento de um estigma e de um equívoco de comunicação que faz com que as pessoas não olhem para si próprias ao não entenderem o que está acontecendo com elas. E agora segura na minha mão, que eu vou te dar o manual de como cuidar de si mesma nessa fase que pode, sim, ser desafiadora.

Vamos focar em 4 pilares para nos cuidarmos: barreira, fotoproteção, despigmentação e nutrição. Pra cuidarmos da barreira, precisamos entender o que ela é pra nós: nossa muralha de defesa contra as agressões do mundo. E como a regeneramos e a mantemos íntegra? Com ceramidas e lipídeos para que não percamos mais água. Em uma pele que está perdendo ceramidas pela queda hormonal, é essencial aumentar a hidratação com hidratantes que aumentem a saúde dessa barreira. Óleos na rotina noturna, hidratação corporal com hidratantes com ceramidas, regeneradores cutâneos. Estamos dizendo pra nossa pele: “Tá tudo bem. Eu sei o que está acontecendo e eu estou aqui”.

Agora vamos falar de um dos fatores mais importantes: a fotoproteção. Ela evita o dano à pele, diminui o estresse oxidativo, protege do câncer de pele e da geração de manchas. E não estou falando apenas da luz solar. A luz azul é uma grande estimuladora do aumento de manchas, e a proteção contra ela é essencial. Os produtos? Protetores solares todos os dias e, para a luz azul, bases ou protetores com cor trazem essa camada de proteção extra que você vai perceber que compensa e muito.

Mas e as manchas? Sim, em pele negra elas podem ser um grande incômodo. E, pra isso, temos muitas opções de uniformizadores de pele. Mas atenção. A pele negra precisa ser cuidada com mais cuidado e parcimônia. Um passo em falto e você desperta as três letras mais temidas: HPI. Hiperpigmentação Pós-Inflamatória. O ideal é ir aos poucos, evitar procedimentos e tratamentos agressivos demais para não passar do ponto e ir para o outro extremo. Para isso, produtos como o Mela B3, o MelanoControl e procedimentos em clínicas confiáveis e, principalmente, especializadas em peles negras, fazem toda a diferença.

E a nutrição? A pele é o nosso maior órgão e você tá aí deixando ela passar fome. Uma pele madura requer mais que uma hidratação superficial. Ela requer ingredientes que acolham a nova fisiologia, cuidem da microbiota da pele e entreguem os efeitos que nossa pele realmente precisa: antioxidantes, agentes que apoiem a síntese de colágeno e evitem a degradação do que já existe e texturas que nutram sem sufocar a pele.

E, pra isso tudo acontecer, vem o elemento mais difícil: ir a um dermatologista. Ainda temos na dermatologia um espaço muito agressivo e atravessador para os pacientes negros. E isso vem mudando. Vemos horizontes com o crescimento da voz de dermatologistas como a Dra. Kathleen Conceição e a Dra. Nandara Paiva, que vêm criando em seus espaços portos de acolhimento para essa população tão negligenciada e até mesmo mal diagnosticada. É um resgate de pessoas que voltam a ver possível uma relação com a sua autoestima. E isso transforma tudo ao redor delas. 

Uma mulher negra de 45 anos se cuidar é mais que apenas uma rotina. É um ato de acolhimento de si própria e de gerações anteriores. É o rompimento de estigmas e o começo de um ciclo que se propaga para as gerações seguintes. É se enxergar importante, central e digna de todo o cuidado que ela merece. A pele madura não é um problema. As rugas não são um peso. São o retrato de uma vida vivida. Se temos rugas, é porque sorrimos, choramos, sentimos e, mais importante: contra todas as expectativas, vivemos. Hoje a ciência já fornece soluções em todas as faixas de preço e possibilidades para que nos cuidemos. E é nessas possibilidades que eu te convido a encontrar, a partir dos seus 45 anos, a sua fase da vida mais plena e radiante.

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