Iza no festival
Universo Spanta (Foto: Carol Caminha)
Com o retorno do Festival de Verão Salvador neste final de semana, a cantora Iza e Daniela Mercury já são os primeiros nomes confirmados na edição de 2024. No fim da noite da abertura do evento, no sábado (28), as artistas noticiaram a novidade nos telões do evento, realizado no Parque de Exposições.
Na primeira noite, o público assistiu ao show da Daniela Mercury, Orochi, Djonga, Criolo, entre outros. A cantora e ministra da cultura, Margareth Menezes cantou seus grandes sucessos e homenageou Elza Soares com Maju e Larissa Luz.
Em seguida, Gilberto Gil também subiu ao palco junto com Caetano Veloso relembrando músicas de ambas as carreiras, além de homenagear a cantora Gal Costa, cantando “Divino Maravilhoso”.
Carlinhos Brown fez um show com a banda Àttooxxá. Luedji Luna participou do show da Ivete Sangalo e para encerrar, Xande Pilares realizou um dueto com Ferrugem.
No segundo dia de evento, Xamã recebeu o grupo Gilsons durante sua apresentação. Alcione e Luíza Sonza relembraram grandes sucessos como “Meu Ébano” e “Você Me Vira a Cabeça”.
Ludmilla encerrou o grande festival e cantou a música “Sou Má“, parceria com as gêmeas Tasha e Tracie, cantando apenas a sua parte para lembrar a estreia no dia 2 de fevereiro nas plataformas digitais.
No último dia 11 de janeiro foi ao ar os dois episódios finais da segunda temporada de “Casamento às cegas” deixando os telespectadores com muitas dúvidas e curiosidade sobre o desfecho de alguns casais. Para matar a curiosidade do público, o reality conta com um episódio extra, chamado “O reencontro”.
O episódio especial da temporada irá ao ar nesta quarta-feira (1) e será lançado também no YouTube e TikTok e traz muita lavação de roupa suja da segunda temporada e conversa até mesmo com os pais dos participantes.
Passados os encontros às cegas nas cabines, a lua de mel e o tão esperado “sim” no altar (que foi para poucos nesta segunda temporada), os participantes irão se reunir para falar mais sobre o experimento, sobre os casamentos e como está a vida pós reality.
Assim que lançada o último episódio, a comunidade negra levantou diversos debates a partir do que aconteceu com Will e Verônica, segundo os internautas, já no altar, o Will disse “Não” após se encontrar em conflitos entre a possível futura esposa e a mãe.
https://www.instagram.com/p/Cn7rcskr246/
No tão esperado reencontro os telespectadores ouviram um pouco sobre tudo que aconteceu a partir da perspectiva dos pais dos participantes, entre os confirmados estão: a mãe de Will e Flávia e o pai de Thamara, que não se seguram ao dar suas opiniões sobre o que aconteceu com os filhos. E spoiler: rolou treta entre eles.
O reencontro vai ser exibido no dia 1° de fevereiro nos canais da Netflix Brasil no YouTube e no TikTok às 18h e, uma hora depois, às 19h, também disponível no serviço. Para os que gostam de comentar em tempo real essa novidade tá incrível.
Com apresentação do casal Camila Queiroz e Klebber Toledo, os participantes Alisson Hentges, Guilherme Martins, Robert Richard, Tiago Augusto, William Domiêncio, Flávia Queiroz, Maíra Bullos, Thamara Térez, Vanessa Carvalho e Verônica Brito relembram os principais momentos, reacendem algumas DRs, contam se o amor é realmente cego e revelam quem ainda está junto. Tem ainda participação especial de Amanda Souza sobre a sua vida pós-experimento.
Anielle Franco recebe representantes da Antra em seu gabinete (Foto: Thayane Alves)
Ação tem objetivo de incluir pessoas transexuais e travestis em postos de trabalho no governo federal
No Dia da Visibilidade Trans, lembrado em 29 de janeiro, o Ministério da Igualdade Racial lançou um formulário para coleta de currículos de pessoas negras transexuais e travestis. A ideia, surgida após uma reunião com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), tem o objetivo de incluir mais pessoas desse segmento da população LGBT em postos de trabalho no governo federal. Para se candidatar, as pessoas interessadas devem preencher o formulário disponível em http://bit.ly/mirprofissionaistrans.
Para a ministra Anielle Franco, a inclusão de pessoas negras e LGBTQIAP+ em postos de trabalho no governo federal é uma prioridade. “O Brasil ainda é o país que mais mata pessoas trans em todo o mundo. Isso não pode continuar assim. Por isso, o governo federal tem um olhar atento às demandas da comunidade LGBTQIAP+, e nesse caso específico, das pessoas trans e pretende mudar esse quadro tão discrepante e de tanta violência que ainda persiste em nosso país”.
De acordo com o “Dossiê Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras“, divulgado pela Antra durante a semana passada, em 2022, 131 pessoas trans foram assassinadas no Brasil. Há 14 anos consecutivos o Brasil é o primeiro da lista no assassinato de travestis e transexuais.
CURRÍCULOS – Uma das prioridades do ministério da Igualdade Racial é a inclusão de pessoas negras em postos de decisão do governo federal. A meta é que se tenha 30% de pessoas negras nos DAS 4 e 5. Atualmente, o percentual é de 2,7%.
Nos primeiros dias de gestão, o MIR criou um formulário para receber currículos de pessoas negras interessadas em trabalhar no governo federal. Mais de cinco mil inscrições foram recebidas. Na última semana, Anielle se encontrou com o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e entregou 41 currículos de pessoas negras com formação e/ou experiência na área de Turismo.
“Este é um trabalho que estamos fazendo em parceria com todas as outras pastas do governo federal e estamos à disposição para facilitar o contato entre os órgãos e pessoas negras qualificadas, com graduação, mestrado e doutorado nas mais diversas áreas do conhecimento”, conclui a ministra.
Apresentando o Saturday Night Live pela primeira vez no último sábado (28), o ator norte-americano Michael B. Jordan falou sobre o rompimento do relacionamento com a modelo Lory Harvey, com quem namorou por um ano. O relacionamento dos dois chegou ao fim em junho de 2022.
No monólogo de abertura, Jordan explicou como passou por sua “primeira separação pública”: “A maioria das pessoas depois de um rompimento pensa: ‘Vou ficar em melhor forma’. Mas eu já estava em forma de Creed !”, disse ele. “Então eu tive que dizer, ‘Tudo bem, acho que vou aprender um novo idioma”, continuou.
B. Jordan revelou que está usando app de namoro ao dizer “Estou en Raya”. Raya é um aplicativo de relacionamento com acesso limitado a empresários e celebridades.
Ao lado do ator de 35 anos, o rapperLil Baby (28) também estreou no SNL como convidado musical da noite.
Em post nas redes sociais, Kely Nascimento destacou que Pelé teve que “baixar a cabeça” para fazer o que gostava
No último domingo (29), Kely Nascimento, filha mais velha de Pelé, publicou uma série de posts em homenagem ao pai, falecido há um mês, aos 82 anos, em decorrência do câncer de cólon. Nas mensagens, ela também relembrou como o jogador teve que enfrentar o racismo para se dedicar ao “amor da vida dele”.
Em um dos posts, Kely Nascimento lamentou o assassinato brutal do americano Tyre Nichols, morto por policiais no dia 3 de janeiro nos Estados Unidos e destacou que Pelé também sofreu com o racismo: “Eu ia escrever aqui que não aguentei e precisei interromper o meu feed de ‘só pai e só saudades’ para dizer algo sobre o que aconteceu com Tyre Nichols. Mas na verdade eu não estou interrompendo porque racismo seja com @pele com Edson ou com Dico, só mudava na sua manifestação e foi uma parte inextricável da vida dele”, dizia a mensagem.
Reprodução/Instagram
Kely continuou o texto explicando como o pai, que começou a carreira nos anos 50, teve que “aturar”o racismo para continuar jogando futebol. “A escolha que a vida ofereceu para ele foi: se impor sobre todo o racismo que sofria ou jogar futebol. Isso não era escolha, o amor da viva dele foi o futebol, então ele aturou muito, mas muito mesmo, e aprendeu a abaixar a cabeça e calar a boca e achar que isso fazia parte da vida. Que o racismo que ele sofria fazia parte do preço que ele tinha que pagar por fazer oque ele mais amava e usar o dom que Deus lhe deu.”, relembrou.
A filha mais velha do rei do futebol reconheceu as homenagens feitas para o pai e finalizou o texto dizendo: “Eu amo todas essas homenagens que todos estão fazendo para meu pai, mas eu também quero homenagear ele falando sobre o racismo que fez tanta parte da vida dele e de nos todos a continua determinando a vida de maior parte do mundo”.
A noite de ontem (28) foi emocionante na Senzala do Barro Preto, sede do Bloco Afro Ilê Aiyê, com a 42ª Noite da Beleza Negra, concurso que elege a Deusa do Ébano que irá representar o bloco durante o ano. A cada ano fica mais difícil para os jurados escolherem entre as lindas 14 finalistas selecionadas para a grande noite, vestidas como verdadeiras deusas africanas, turbantadas por Dete Lima, diretora e estilista do Ilê Aiyê.
E esta edição foi muito especial por alguns motivos:
A volta do concurso depois de dois anos pausado devido à pandemia.
Como sentimos falta do arrepio dos tambores, da emoção de ver mulheres de uma beleza, de um endeusamento cheio de encanto e força ancestral.
De fato, o “Ilê é a coisa mais linda de se ver”.
Foto: Deusas do Ébano/Camilla Prado
Gleicy Ellen, a Deusa do Ébano 2020, passou o manto para a nova Deusa, Dalila Oliveira, depois de dois anos representando o Ilê Aiyê, ou seja, ela foi Deusa do Ébano 2020, 2021 e 2022. Imagina o coração dela como não estava? Ela conversou com o Mundo Negro cheia de emoção sobre sua relação de família com o Ilê. Foi muito muito emocionante o momento da passagem do manto.
Foto: Passagem do Manto/Camilla Prado
Laís de Araújo Ferreira foi a primeira finalista trans a concorrer no concurso. E, deixo aqui registrado que foi de arrepiar a entrada dela, senti meus olhos marejarem e vi lágrimas escorrerem nos rostos ao meu lado.
Aconteceu uma linda homenagem ao centenário da matriarca do Ilê Aiyê, Mãe Hilda Jitolu. O ator Sulivã Bispo leu um lindo texto, a multi-instrumentista mirim Lilica Rocha emocionou à todos junto com o balé solo de Edilene Alves, bailarina e Deusa do Ébano de 2009, fazendo uma interação com a representação do orixá Omolu, relacionado à vida e à morte. Durante a apresentação, o público recebeu das bailarinas um banho de pipoca (oferente de Omolu) para proteção e trazer bons caminhos.
O diretor artístico, Elísio Lopes Jr., comentou “Estou assinando esse espetáculo pela sétima vez, com a mesma equipe. Essa equipe criativa (Zebrinha, Jarbas Bittencourt, Renata Mota, Clarissa Torres) foi responsável pela construção de um novo formato e de uma nova estética para a Noite da Beleza Negra. Para nós, muito além do concurso, essa noite aponta direções, pautas e estéticas da arte preta. Os artistas querem esse palco, comemoram quando são convidados, doam seu ofício. E nós honramos essa responsabilidade. É a história do Ilê e a nossa colaboração criativa para o enaltecimento da nossa cultura preta e da nossa ancestralidade.”, e reforço aqui, que a potência dessa equipe, fez o Curuzu se arrepiar.
E teve mais homenagem!
O centenário de Agostinho Neto, que luta pela libertação de Angola, então colônia de Portugal, e tornou-se o primeiro presidente de Angola em 1975. Homenageado pelo ator Diogo Lopes Filho que encarnou a voz poética e a potência desse ícone angolano.
O Ilê Aiyê dedica a ele o tema do seu Carnaval 2023.
Aguardem a boniteza que será essa roupa desenhada carregada de ancestralidade e axé.
A Avon, patrocinadora do evento, apresentou o vídeo-manifesto “A Beleza e o Tempo”, que fala sobre como a mulher preta é tempo, beleza, inspiração, história e ancestralidade.
Você pode conferir aqui:
https://www.instagram.com/p/Cn-QqZSpmVr/
As atrações da Band’Aiyê, Nara Couto, Patrícia Gomes, Alobened e Afrocidade animaram a Senzala do Barro Preto e os leques sacudiram.
A representatividade presente no ato de trançar o cabelo é um dos temas do documentário “Trançatlânticas”. A produção, dirigida por Isabela Leite, apresenta o cotidiano das trancistas Eudi Melo, Bia Kellen e Mariama; da cantora dama do reggae Célia Sampaio; e da poeta Débora Melo, mostrando o paralelo entre cabelo, ancestralidade, vivências e afeto, direto da periferia de São Luís-MA.
“Trançatlânticas” é um documentário cheio de cores, sons e formas urbano-quilombo-quebrada, onde 5 mulheres jovens e de periferia dão o tom de uma conversa-caminho. Cenas do cotidiano se misturam a lapsos no espaço, invocando o encantamento dos sentidos. Entre as raízes ancestrais do trancismo, representação identitária, empoderamento econômico e manifestação artística, um universo potente se revela. É um convite para pensar sobre autocuidado, auto realização, independência financeira, lugar no mundo e rotas que tornam tudo isso possível.
Com produção executiva de Louyse Silva, a obra audiovisual põe em tela trancistas que tra(n)çam caminhos coletivos e mostram a história de poder por trás da estética. Espiral de falas, poesias recitadas, cabelos sendo trançados, cenas da correria do dia a dia e salões de beleza conquistados com muito esforço.
“Trançatlânticas” está disponível gratuitamente no catálogo do Globoplay.
Em entrevista para o The Joe Budden Podcast, concedida no mês de dezembro, Akon deu sua opinião sobre relação de gênero em África
Em entrevista para o The Joe Budden Podcast , concedida no mês de dezembro, o rapper Akon, de 49 anos, causou polêmica ao reproduzir uma série de falas machistas sobre o “papel” das mulheres, afirmando que homens seriam superiores.
Akon teria começado dizendo que homens e mulheres “nunca ser iguais, porque os homens são os reis e divinos deste universo”. Ao dizer que preferia as mulheres africanas, o rapper justificou dizendo que elas tratam homens como reis porque não estão competindo ou “lutando por igualdade, porque entendem que mulheres e homens nunca podem ser iguais”, afirmou.
Em seu discurso, ele ainda pontuou: “Como aqui, mesmo se você disser a palavra ‘papel’ para uma mulher aqui, ela ficará ofendida. ‘Ei, faça o seu papel e deixe-me fazer o meu.’ ‘Função? O que diabos você quer dizer com papel? Como todo mundo tem um papel. Há uma infraestrutura para a vida. E se uma mulher não entende sua posição e o papel que ela desempenha na vida, todo mundo fica confuso”.
Em mais um show de absurdos, ao falar sobre procriação, Akon ainda teria dito que são os homens que criam a vida: “A mulher não cria a vida, ela apóia a criação da vida. Homens, nós somos deuses. Somos nós que criamos a vida. Deixe-me dar-lhe a ciência disso. Um homem agora pode criar uma vida sem uma mulher… uma mulher não pode criar uma vida sem um homem.
Se eu quisesse criar a vida agora sem uma mulher, eu simplesmente atiraria no meu esperma, colocaria em uma incubadora e esperaria nove meses… talvez até menos com a ciência de hoje… uma mulher não pode fazer isso. Os homens perderam a noção do poder que realmente possuem e passaram para a mulher. Aqui na América, os homens têm medo de seu poder”, afirmou.
Com um histórico de trabalhos para a Netflix, Amazon, Globoplay e Comedy Central, neste domingo, 29, Dia da Visibilidade Trans, o MUNDO NEGRO entrevistou a diretora e roteirista Gautier Lee, 29, para falar sobre a carreira, a vivência de pessoas trans e negras nas telas e nas produções. “Mesmo com o sucesso arrebatador de obras como “Corra!” do Jordan Peele ou “Heartstopper” de Alice Oseman, o mercado audiovisual brasileiro segue relutante em produzir obras similares, pois isso significaria deixar o controle criativo na mão de pessoas negras e/ou LGBT”, afirma cineasta não-binária.
A cineasta estreia na direção de um longa, com o filme “Pajubá“, que traz a narrativa de corpos e multiplicidade de vivências de pessoas trans, com roteiro de Hela Santana, escritora negra, trans e baiana, radicada em São Paulo. A obra constrói um panorama histórico, artístico e educacional sobre a cultura e vida trans brasileiras, mesclando o documentário à ficção, ao ativismo, à performance e à música.
“Poder fazer um filme sobre vivência trans que não foca em sofrimento e violência com liberdade artística é algo que parecia distante para não dizer impossível. É a possibilidade de poder celebrar quem somos ao mesmo tempo em que assumimos o controle da narrativa sobre a nossa história e nossa cultura”, afirma Gautier Lee sobre o longa que ainda não tem data de exibição.
Dirigido por Gautier Lee, o curta “Desvirtude” venceu como melhor filme no Festival de Gramado (Foto: Rafael Bëde)
Leia a entrevista completa abaixo:
Gautier, compreendo que você já deve ter falado algumas vezes como é ser uma pessoa negra e não-binária no mercado audiovisual, mas a sua percepção mudou em algum momento da sua carreira ou continua sendo a mesma? Como é ser essa pessoa no audiovisual?
Ser uma pessoa negra e não binária que trabalha com audiovisual é cansativo. O mercado é majoritariamente dominado por pessoas cishetero brancas, o que me coloca em um lugar de eterna explicação acerca de questões raciais e de gênero. Eu não sou estudiosa desses temas e não estou capacitada a ensinar ou instruir qualquer pessoa a respeito desses assuntos, mas isso ainda me é cobrado.
Ser roteirista na Netflix deve ser o sonho de muitos profissionais do audiovisual. Como você avalia a experiência na série De Volta Aos 15?
Foi muito divertido escrever o “De Volta Aos 15”. Eu sou consumidora ávida de conteúdo teen e escrever para o público jovem sempre foi um grande desejo meu. E poder saciar esse desejo com essa série em especial me deixou muito feliz, pois pude escrever para atrizes que eu já conhecia, admirava e que, não vou mentir, estavam na minha lista pessoal de profissionais com quem eu sonhava em trabalhar. E isso ajudou a tornar a experiência ainda mais marcante e especial pra mim.
Gautier conseguiu retificar o gênero como não-binário em documentos oficiais em 2022 (Foto: Rafael Bëde)
Você sente que esse é um novo momento dos cinemas e produtoras de streamings, em se preocupar com inclusão das pessoas LGBTQIAP+ e negras? E quanto a percepção de pessoas negras que são LGBTQIAP+?
Eu, particularmente, não acho que exista uma preocupação genuína em incluir profissionais LGBT+ e/ou negros no mercado audiovisual. O que existe é a vontade de capitalizar em cima do discurso de diversidade e inclusão que tem estado em alta nos últimos anos. Porém, as produtoras e streamings, mesmo sendo empresas que, naturalmente, priorizam o lucro e audiência, perceberam que fica feio vender nossas narrativas sem a nossa participação no processo criativo e técnico. E essa participação, mesmo que tenha aumentado ultimamente, ainda se concentra majoritariamente nos cargos com menor poder de decisão da hierarquia audiovisual. Basta olhar a ficha técnica dos últimos lançamentos nacionais e questionar, por exemplo, quantas obras com protagonismo negro são dirigidas por pessoas brancas. Ou quantas obras com protagonismo trans são dirigidas por pessoas cis. E a resposta, infelizmente, é: a grande maioria. No fim das contas, profissionais negros e/ou LGBT+ mesmo com currículos impecáveis, formações acadêmicas no exterior e prêmios a perder de vista são tidos como ótimos candidatos para os programas de formação feitos por essas empresas, que obviamente também tem o seu valor e importância. Mas, esses mesmos profissionais raramente são vistos como possibilidades reais para liderarem projetos audiovisuais que custam dezenas de milhões de reais. Essa posição de confiança segue reservada quase que exclusivamente para pessoas brancas.
Em setembro, Gauiter lançou o filme “Samba às Avessas”, inspirado no disco de mesmo nome da sambista Pâmela Amaro (Foto: Rafael Bëde)
Como você avalia os filmes e séries que incluem as pessoas que são minorizadas no audiovisual? Você acha que falta conteúdos fora dos estigmas com negros e LGBTQIAP+, que sejam retratadas em uma comédia romântica ou de terror, por exemplo?
Pensando no cenário audiovisual nacional, eu sinto que finalmente estamos conseguindo construir, ainda que em passos lentos, obras que não apenas incluem, mas também celebrem grupos historicamente marginalizados. Quando eu estava na faculdade de Cinema haviam pouquíssimos filmes e séries disponíveis que retratassem pessoas negras e/ou LGBT de uma forma humanizada. E a grande maioria deles eram produções estrangeiras. Quanto aos gêneros cinematográficos nos quais essas representações são feitas, ainda é um desafio para criadores conseguirem vender projetos que saiam do escopo drama, comédia ou infanto-juvenil. Mesmo com o sucesso arrebatador de obras como “Corra!” do Jordan Peele ou “Heartstopper” de Alice Oseman, o mercado audiovisual brasileiro segue relutante em produzir obras similares, pois isso significaria deixar o controle criativo na mão de pessoas negras e/ou LGBT. O que falta na verdade é a presença de pessoas negras e/ou LGBT+ em cargos de liderança e com poder de decisão.
Recentemente, a cineasta ganhou o 6º Prêmio Abra na categoria de Excelência em Roteiro (Foto: Rafael Bëde)
Tem algum projeto em vista que poderia nos dar uma spoiler?
Alguns! Esse ano estreiam as segundas temporadas das séries “De Volta aos 15” (Netflix) e “Auto Posto” (Comedy Central Brasil). Além delas, também tem a estreia do “Depois Que Tudo Mudou”, um podcast de ficção com protagonismo negro e LGBT+ que será lançado no Globoplay. E também vou dirigir meu primeiro longa, “Pajubá”, que foi escrito pela Hela Santana, e que se propõe a fazer um panorama da cultura e da história trans brasileira.
Quais são seus filmes e séries com representatividade negra, trans e não binário favoritos?
Filmes: “Não! Não Olhe!” do Jordan Peele; “Infiltrado na Klan” do Spike Lee; “Queen & Slim” da Melina Matsoukas; “Homem Aranha no Aranhaverso” do Peter Ramsey; “Amarelo – É Tudo Para Ontem” do Emicida. Séries: Abbott Elementary, Pose, Steven Universe, Encantado’s, Sense8, Good Trouble
Chloe Bailey e Anitta foram vistas na comunidade Cascatinha, em Vargem Grande, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (27). As cantoras foram vistas gravando cenas inspiradas nos bailes de favela do Rio de Janeiro. Os rumores de que Chloe gravaria um videoclipe no Brasil cresceram na última semana e após a circulação dos vídeos, ganharam ainda mais força.
O novo projeto de Anitta ainda é desconhecido e nesse sábado a artista respondeu às suposições dos internautas “Quem disse que era um videoclipe?”, questionou a cantora. As filmagens, em sua maioria, mostram Anitta em becos, barbearias, bares e bailes de favela. A última vez que a cantora subiu a favela para fazer gravações foi em 2019, quando lançou “Bola, rebola”.
Durante as gravações divulgadas nesta sexta-feira (27), as artistas apareceram dançando enquanto rapazes passam segurando diferentes tipos armas. Recentemente vazou uma cena polêmica das gravações, onde Anitta aparece realizando sexo oral em um rapaz no beco da comunidade, a cena dividiu opiniões dos internautas. “É um desserviço”, comenta um usuário do Twitter.
a gente é o 2º país mais procurado pra turismo sexual. o que a anitta faz não é empoderamento, é um baita desserviço.
— Jonas da FENET – Justiça por Sarah! (@jonasdafenet) January 27, 2023
Anitta está no Brasil realizando algumas gravações para um projeto ainda desconhecido, em vídeos captados pelos moradores da comunidade, a cantora brasileira aparece de tranças nagô na lateral e com o seu cabelo natural. As fotos divulgadas sobre o projeto geraram polêmica na última sexta-feira (27), alguns internautas acusaram a artista brasileira de estereotipar periferias e pessoas periféricas e questionaram a forma como a artista representa a favela em suas produções.
A cantora Chloe está recebendo o carinho dos fãs brasileiros e foi vista na gravação curtindo funks cariocas da década de 90 e dos anos 2000. Recentemente a cantora norte-americana surpreendeu os fãs ao anunciar para março de 2023 o seu primeiro álbum solo da carreira intitulado de “In Pieces”.
A Chlöe dançando Só As Cachorras num baile de favela. Se isso é um sonho, não me acorde. pic.twitter.com/Y8wcYBt3J2
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