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O futuro é ancestral: quilombolas apresentam na COP30 suas próprias tecnologias de cuidado com o planeta

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Foto: divulgação

As soluções para a crise climática talvez não estejam nas conferências internacionais, mas nas comunidades que há séculos sabem o que é resistir. É isso que revela a pesquisa inédita lançada pelo Instituto Sumaúma durante a COP30, em Belém — um trabalho que documenta as tecnologias ancestrais e as práticas culturais e comunicacionais desenvolvidas por quilombolas em diferentes territórios do Brasil.

Mais do que um estudo, “Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade” é uma virada de perspectiva: coloca os quilombos no centro da discussão sobre justiça climática. Construída em diálogo direto com lideranças, a pesquisa mostra que o conhecimento ancestral não é memória, é prática viva, ferramenta de adaptação e cuidado com o planeta.

“A conta simplesmente não fecha”, afirma Taís Oliveira, diretora do Instituto Sumaúma. “As comunidades que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas são justamente as que detêm saberes e tecnologias sociais capazes de responder a eles, mas suas soluções seguem invisibilizadas.”

Para a pesquisadora quilombola Juliane Sousa, consultora convidada no projeto, o estudo também quebra estereótipos: “Ainda existe uma imagem equivocada de que os quilombolas vivem isolados, e essa não é a realidade. Assim como outras populações, nós também temos acesso à internet, frequentamos faculdade e levamos uma vida como qualquer outra. A diferença está na nossa relação com a natureza — ela vem das nossas heranças e se baseia no cuidado com todas as formas de vida.”

Ao lançar a pesquisa em plena COP30, o Instituto Sumaúma propõe um deslocamento: que as discussões sobre o clima deixem de falar sobre os povos quilombolas e passem a ser conduzidas por eles. Porque onde há ancestralidade, há também tecnologia, política e futuro.

Pré-lançamento da pesquisa
Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade: entre as agendas de justiça climática e as práticas culturais e comunicacionais
12 de novembro de 2025 — das 10h às 12h
Rua Cônego Jerônimo Pimentel, 315 – Umarizal, Belém/PA (Casa das ONGs)

Lançamento oficial da pesquisa
13 de novembro de 2025 — a partir das 8h
Passagem Paulo VI, 244 – Cremação, Belém/PA (Cedenpa)

COP 30: 5 empreendimentos de donos negros para incluir na rota gastronômica de Belém

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Foto: Reprodução/Puba Bar

Entre os dias 10 e 21 de novembro, a COP30 (Conferência do Clima da ONU) vai movimentar a cidade de Belém (PA). Além dos debates e plenárias, é uma oportunidade do público presente conhecer melhor a cultura e a gastronomia da Amazônia. Para esta experiência, o Mundo Negro e o Guia Black Chefs selecionou cinco empreendimentos de donos negros para os turistas incluírem na rota gastronômica.

Veja a lista completa abaixo:

  1. Churrasco do Preto (@churrascodopreto)
    O Churrasco do Preto é parada obrigatória. Conhecido pelo churrasco raiz e com música ao vivo, mas o restaurante também traz muita variedade no cardápio para almoço e jantar, como a deliciosa batata recheada de camarão e o hambúrguer argentino, feito com chorizo em tiras. Onde: Rua Antônio Barreto, 1820.
  1. Acarajé da Juci D’Oyá (@acarajedajucidoya)
    Seu tabuleiro de acarajé é uma grande referência gastronômica de Belém. A Mãe Juci D’Oyá, baiana de acarajé e guardiã da memória, vende gastronomia afrodiaspórica que une a tradição da Bahia com o toque especial do Pará. Onde: Ilha de Cotijuba.
  1. Puba Bar (@puba.belem)
    O estabelecimento é um bar intimista com vinhos e cardápio com sabores criados a partir da mandioca. Entre os pratos mais queridos pelos clientes, tem o delicioso atum cru com tucupi, nampla, chuchu, coentro e castanha do Pará. Onde: Rua Veiga Cabral, 649.
  1. A Casa Jambu Mineiro (@acasajambumineiro)
    O culinária mineira no coração amazônico. Com o toque caseiro, o restaurante oferece um buffet com o valor acessível e um cardápio variado como arroz de cachaça, feijão tropeiro e vaca atolada, além de um bom samba. Onde: Rua Ferreira Cantão, 278.
  1. Boá na Ilha (@boanailha)
    Pra quem quer respirar melhor a Amazônia, o restaurante Boá na Ilha pertence a uma família ribeirinha e oferece sabores inesquecíveis, como o filé de filhote na brasa, além de boas bebidas como o vinho de miriti. Onde: Ilha do Combu.

Novembro Negro: 10 documentários para entender a negritude brasileira

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Beatriz Nascimento (Foto: Divulgação)

Em celebração ao Novembro Negro, o Mundo Negro selecionou 10 documentários que ajudam a compreender as múltiplas dimensões da experiência negra no Brasil. São obras que atravessam música, desigualdades, fé, ancestralidade, arte e resistência. Desde produções com histórias que denunciam o racismo estrutural, às que também exaltam a excelência negra. Os filmes abaixo estão disponíveis para assistir em plataformas de streamings pagos e gratuitos.

A Negação do Brasil

O diretor Joel Zito Araújo investiga como atores e atrizes negros foram retratados nas antigas telenovelas brasileiras. O documentário é um marco do cinema negro e propõe uma análise crítica sobre a representação da negritude na TV. Onde assistir: YouTube.

Foto: Divulgação

Cidade de Deus – 10 Anos Depois

Uma década após o sucesso mundial de Cidade de Deus (2002), o documentário reencontra os atores do filme e mostra o impacto da obra em suas vidas. Entre sonhos, frustrações e conquistas, o longa dirigido por Luciano Vidigal e Cavi Borges, reflete sobre oportunidades e desigualdade racial no elenco. Onde assistir: Apple TV+.

Foto: Divulgação

Diálogos com Ruth de Souza

Um encontro entre gerações. O filme dirigido por Juliana Vicente traz conversas entre Ruth de Souza, a primeira atriz negra a conquistar destaque no teatro e cinema brasileiro, e artistas contemporâneas que seguem seus passos. Um tributo à sua trajetória e à resistência da mulher preta nas artes. Onde assistir: Netflix.

Foto: Preta Portê Filmes/Divulgação

Mães de Maio: Um Grito por Justiça

Após uma chacina de maio de 2006, um grupo de mulheres transforma a dor em luta. O documentário acompanha as Mães de Maio, movimento formado por mães de jovens negros e periféricos assassinados pela polícia, na busca por verdade e justiça. Onde assistir: YouTube.

Foto: Gabriel Guerra/ Conectas

Milton Bituca Nascimento

Mais do que um registro da carreira de um dos maiores nomes da música brasileira, o documentário celebra a humanidade e o legado de Bituca. Entre imagens inéditas e depoimentos emocionantes, vemos o artista revisitar sua trajetória e se despedir dos palcos. Onde assistir: Globoplay.

Foto: Divulgação

Mussum: Um Filme do Cacildis

Mais do que o trapalhão que o Brasil amava, o filme mostra o homem por trás das piadas: músico, sambista e símbolo de resistência. A trajetória de Mussum é revisitada em um retrato cheio de humor, emoção e consciência racial. Onde assistir: Prime Video.

Foto: Divulgação

Ôrí

O clássico narrado por Beatriz Nascimento e com destaque a sua história pessoal, o documentário apresenta os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, além da relação entre Brasil e África. Onde assistir: CurtaOn!/Prime Video.

Foto: Divulgação

Pequena África

Dirigido por Zózimo Bulbul e apresentado por Maria Gal, a série documental mergulha na história da região da Pequena África, no Rio de Janeiro – um território que guarda as memórias da diáspora africana no Brasil. Um retrato poético sobre cultura, fé e resistência. Onde assistir: Globoplay.

Foto: Divulgação

Projeto Memória – Lélia Gonzalez: Caminhos e Reflexões Antirracistas e Antissexistas

O documentário revisita a vida e o pensamento de Lélia Gonzalez, pioneira no feminismo negro e na luta antirracista. Com imagens de arquivo e depoimentos inspiradores, a produção resgata o legado de uma mulher que revolucionou o pensamento social brasileiro e segue ecoando nas novas gerações. Onde assistir: Cultne.TV.

Foto: Cezar Loureiro/ Reprodução

Racionais: Das Ruas de São Paulo Pro Mundo

A trajetória de um dos grupos mais importantes do rap nacional é contada com potência e emoção. O documentário dirigido por Juliana Vicente mostra como Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay transformaram a dor e a revolta das periferias em voz e identidade para o povo preto. Onde assistir: Netflix.

Foto: Divulgação

Kendrick Lamar lidera o Grammy 2026 e ‘Pecadores’ se destaca entre as trilhas indicadas

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Créditos: Divulgação e ©Warner Bros/Courtesy Everett C

O Grammy 2026, maior premiação da música mundial, divulgou nesta sexta-feira (7) sua lista de indicados, e o grande destaque é Kendrick Lamar. O rapper lidera com nove indicações, incluindo as categorias mais cobiçadas: Álbum do Ano com ‘GNX’, além de Música do Ano e Gravação do Ano com ‘Luther’, em parceria com a SZA.

Outro grande destaque na lista de indicados a trilha sonora do filme ‘Pecadores’, dirigido por Ryan Coogler e estrelado por Michael B. Jordan, que também vem sendo apontado como um dos favoritos ao Oscar 2026. O longa dominou as categorias dedicadas a trilhas e composições para o audiovisual, com cinco indicações ao Grammy, incluindo Melhor Trilha Sonora para Filme e Melhor Trilha Sonora Compilada para Filme.

A trilha de Pecadores disputa ainda na categoria Músicas Escritas para Filme e TV, com três faixas em destaque: ‘I Lied to You’, ‘Pale, Pale Moon’ e ‘Sinners’.

Ao todo, o Grammy 2026 conta com 95 categorias, e a cerimônia acontece no dia 1º de fevereiro, em Los Angeles.

Veja a lista de indicados abaixo:

Álbum do Ano

“GNX” – Kendrick Lamar
“Chromakopia” – Tyler, The Creator

“DeBÍ TiRAR MáS FOTos” – Bad Bunny
“Swag” – Justin Bieber
“Man’s Best Friend” – Sabrina Carpenter
“Let God Sort Em Out” – Clipse, Pusha T & Malice
“Mayhem” – Lady Gaga
“Mutt” – Leon Thomas

Melhor Álbum de Música Global
“No Sign of Weakness” – Burna Boy
“Sounds Of Kumbha” – Sounds Of Kumbha
“Eclairer le monde – Light the World” – Youssou N’Dour
“Mind Explosion (50th Anniversary Tour Live)” – Shakti
“Chapter III: We Return To Light” – Anoushka Shankar Featuring Alam Khan & Sarathy Korwar
“Caetano e Bethânia Ao Vivo” – Caetano Veloso e Maria Bethânia

Canção do Ano
“Anxiety” – Doechii
“Luther” – Kendrick Lamar, SZA
“Abracadabra” – Lady Gaga
“Apt.” – Rosé, Bruno Mars
“DtMF” – Bad Bunny
“Golden” – Guerreiras do K-pop
“Manchild” – Sabrina Carpenter
“Wildflower” – Billie Eilish

Gravação do Ano
“Anxiety” – Doechii
“Luther” – Kendrick Lamar, SZA
“DtMF” – Bad Bunny
“Machild” – Sabrina Carpenter
“Abracadabra” – Lady Gaga
“Wildflower” – Billie Eilish
“The Subway” – Chappell Roan
“APT.” – Rosé, Bruno Mars

Melhor Performance Pop de Duo ou Grupo
“Defying Gravity” – Cynthia Erivo e Ariana Grande
“30 For 30” – Kendrick Lamar e SZA

“Golden” – Guerreiras do K-pop
“Gabriela” – Katseye
“APT.” – Rosé, Bruno Mars

Melhor Canção de R&B
“Heart Of A Woman” – Summer Walker”
“It Depends” – Chris Brown e Bryson Tiller
“Folded” – Kehlani
“Overqualified” – Durand Bernarr
“Yes It Is” – Leon Thomas

Melhor Álbum de R&B
“Why Not More?” – Coco Jones
“Escape Room” – Teyana Taylor
“Beloved” – Giveon
“The Crown” – Ledisi
“Mutt” – Leon Thomas

Melhor Canção de Rap
“Anxiety” – Doechii

“The Birds Don’t Sing” – Clipse, Pusha T & Malice e John Legend & Voices Of Fire
“Sticky” – Tyler, The Creator Featuring GloRilla, Sexyy Red & Lil Wayne
“TGIF” – GloRilla
“TV Off” – Kendrick Lamar e Lefty Gunplay

Melhor Álbum de Rap
“Glorious” – GloRilla
Chromakopia – Tyler, The Creator
“Let God Sort Em Out” – Clipse, Pusha T & Malice
“God Does Like Ugly – JID


Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual
“Piece By Piece” – Pharrell Williams
“Devo” – Devo
“Live At The oyal Albert Hall” – Raye
“Relentless” – Diane Warren
“Music By John Williams” – John Williams

Melhor Canção Escrita para Mídia Visual
“I Lied To You” – “Pecadores”
“Pale, Pale Moon” – “Pecadores”
“Sinners” – “Pecadores”
“As Alive As You Need Me To Be” [From “Tron: Ares”]
“Golden” – “Guerreiras do K-pop
“Never Too Late” – “Elton John”

Veja a lista completa aqui!

Black Travel Summit 2025: Rio recebe o maior encontro global de turismo negro

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O Black Travel Summit (BTS) é o principal encontro global voltado para viajantes, empreendedores, criadores de conteúdo e profissionais negros da indústria do turismo. Criado por Anita Moreau, o evento busca celebrar a cultura negra, fortalecer conexões internacionais e promover o afroturismo como ferramenta de inclusão, economia e valorização da diáspora africana. Em 2025, o BTS terá sua primeira edição internacional no Rio de Janeiro, de 13 a 16 de novembro, com o tema “Diaspórica: Legacy in Motion”.

O evento conta com a Embratur como Destination Host, que apoiará a experiência da cidade, promovendo matchmaking B2B, sessões exclusivas e a valorização do Brasil como destino de afroturismo. Para a agência brasileira, o BTS é uma oportunidade de consolidar o país como líder em turismo negro, promovendo igualdade racial e experiências autênticas que gerem renda para comunidades locais, microempreendedores e artistas.

Entre os patrocinadores e parceiros, destacam-se o Hyatt, que apoia o evento pelo quinto ano consecutivo, oferecendo painéis e sessões voltadas para desenvolvimento de liderança e branding pessoal; American Airlines, patrocinadora do Black Travel Awards Gala; AmaWaterways, apoiadora da recepção de abertura; Benin Tourism, que lidera uma sessão exclusiva; e a parceria cultural com a AfroPunk, que proporciona ingressos com desconto e acesso exclusivo à imprensa.

A edição de 2025 contará com palestrantes de destaque, como Jason Harvey, EVP e GM do BET+, que fará o keynote, além de Malik Yoba, Sophia Costa e convidados especiais como Tania Neres dos Santos. O evento também reunirá marcas e destinos internacionais, incluindo Visit Jordan, Lunfarda Travel, Fora Travel e Visit Panama, fortalecendo a rede global de turismo negro e criando oportunidades de negócio e intercâmbio cultural.

O BTS não é apenas uma conferência, mas um movimento estratégico para o turismo negro, promovendo representatividade, inclusão e desenvolvimento econômico. Ao focar em experiências lideradas por comunidades negras, o evento contribui para que o turismo seja uma ferramenta de empoderamento social e cultural, ao mesmo tempo em que reforça a importância do Brasil no cenário internacional do afroturismo.

Para participar ou acompanhar a cobertura, interessados podem acessar o site oficial do evento (blacktravelsummit.com), e conferir a agenda completa, além de acompanhar o desenvolvimento do evento que promete colocar o Rio de Janeiro no centro do afroturismo global.

ENEM é pra gente também: por que a juventude negra não pode ser deixada para trás

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Por Kelly Baptista

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que se aproxima, consolidou-se como a principal porta de entrada para o Ensino Superior no Brasil e uma ferramenta crucial para a mobilidade social. Contudo, a jornada da juventude negra para acessar e prosperar neste exame é um reflexo contundente das profundas e persistentes desigualdades raciais e sociais que estruturam a educação brasileira.

Apesar de inegáveis avanços, como as políticas de ações afirmativas, a juventude negra segue enfrentando barreiras severas:

  • Evasão e Atraso Escolar: Em 2023, cerca de 72,5% das 9 milhões de pessoas que não haviam concluído o ensino médio eram pretas ou pardas. A evasão é acentuada por fatores como dificuldades financeiras (42% dos casos), responsabilidades familiares e problemas de transporte.
  • Baixa Representatividade no Superior: Esses desafios culminam em uma presença significativamente menor de jovens negros aptos a realizar o ENEM e ingressar no ensino superior. Atualmente, a presença de negros entre 18 e 24 anos atinge apenas 19,3%, em forte contraste com os 36% entre os brancos.
  • Desigualdade de Infraestrutura e Rendimento: Estudantes pretos, pardos e indígenas frequentemente estão em escolas com pior infraestrutura (Governo Federal, Nota Técnica sobre Desigualdade Racial na Educação). Essa disparidade se reflete no desempenho: em 2023, a média de candidatos pretos e pardos no ENEM foi muito inferior. Apenas 8% dos candidatos pretos obtiveram nota acima de 600 pontos em Matemática, contra 20,2% dos brancos.
  • Acesso a Cursos de Prestígio: Mesmo com o impacto positivo da Lei de Cotas, que elevou a presença de negros nas universidades federais para 49% em 2024 (comparado a 20% em 2009), a representação em cursos de maior prestígio e remuneração, como Medicina, ainda é muito baixa.

Políticas Afirmativas: A Luta Pela Permanência

A Lei de Cotas, juntamente com o ENEM, Sisu, ProUni e FIES, foi um divisor de águas, garantindo o acesso à universidade historicamente negado a dezenas de milhares de jovens negros.

No entanto, a luta pela inclusão não pode parar na matrícula. É fundamental fortalecer as políticas de permanência, garantindo:

  • Bolsas de estudo;
  • Auxílios moradia e alimentação;
  • Apoio psicopedagógico.

Essas medidas são cruciais para que a juventude negra que ingressa pelo ENEM consiga concluir o curso com sucesso e ter uma experiência universitária digna.

Garantir que o ENEM seja, de fato, para a juventude negra exige um esforço que transcende a prova. Passa por combater o racismo estrutural desde a Educação Infantil, investir em infraestrutura nas escolas públicas e fortalecer as políticas de acesso e permanência no Ensino Superior.

Deixar a juventude negra para trás é abrir mão de uma parte significativa do futuro do Brasil. A luta por um ENEM inclusivo e por uma educação antirracista é, portanto, uma luta urgente por um país mais justo, equânime e potente.

Fontes:

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua)

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)

Censo da Educação Superior

Microdados e Notas Técnicas do ENEM

Governo Federal/Ministério da Educação (MEC)

Dados sobre a implementação e impacto da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012)

“Quando falo sobre autocuidado e prazer, entendo o chá como fio condutor de tudo isso”, diz Flávia Barbosa

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Foto: Divulgação

Em um período em que cada vez mais pessoas recorrem ao chá como um caminho para o autocuidado, Flávia Barbosa, 35, sommelier de chás e criadora de conteúdo, convida o público a enxergar a bebida também como uma ferramenta de cura e autoconhecimento, além de, no Brasil, ter origens nas culturas dos povos negros e indígenas.

“Embora minhas ancestrais mais próximas não tenham tido uma ligação forte com esse universo e nem me passado diretamente muitos ensinamentos, ao escolher me conectar e trabalhar com o chá, sinto que continuo um trabalho muito mais antigo. Quando falo sobre autoconhecimento, autocuidado, prazer, rituais e, principalmente, pausa e descanso, entendo o chá como fio condutor de tudo isso”, conta Flávia em entrevista ao Mundo Negro e Guia Black Chefs.

Nascida em Ribeirão Preto e atualmente morando em São Paulo, Flávia iniciou sua trajetória em 2015, quando se encantou com o Masala Chai, bebida tradicional indiana que passou a servir em sua microempresa vegetariana. O encantamento foi tanto que, um ano depois, ela decidiu se mudar para a capital paulista para estudar no Instituto do Chá, onde se especializou na área.

Foto: Divulgação

“Após dois anos atuando em uma casa de chá, abri minha própria empresa, a Capins da Terra, que, em seu auge, chegou a oferecer 13 blends autorais, vendidos inicialmente na loja virtual e, entre 2022 e 2024, também em ponto físico”, diz Flávia, que recentemente decidiu encerrar as atividades comerciais para se dedicar integralmente à criação de conteúdo, além de ministrar aulas, experiências e workshops sobre chás.

Nas redes sociais, onde é conhecida com o @capinsdaterra, ela compartilha sua rotina e a sua relação com práticas de autocuidado, “valorizando processos e tudo o que for mais natural possível”. Neste momento, ela também desenvolvendo o seu novo projeto-extensão, Folhas de Ciata (@folhasdeciata), para fortalecer uma comunidade de mulheres que encontram nos chás e nas ervas uma possibilidade e uma estratégia de bem viver. “Ser uma mulher negra que propõe o que eu proponho, é sem dúvida uma forma de manter vivo o sonho das que vieram antes de mim.”

O chá para o equilíbrio

Foto: Divulgação

Questionada sobre seu chá favorito, Flávia afirma que ser difícil definir para uma amante do chá, mas explica a sua escolha: “Atualmente — considerando os aprendizados e a fase da vida em que me encontro — tenho me identificado muito com os oolongs, chás semi-oxidados que, como gosto de explicar, ficam ‘no meio do caminho’ entre os chás verdes e os pretos. Por muitos anos, vivi em extremos. Encontrar esse meio-termo, esse equilíbrio (mesmo que momentâneo) em meio à rotina agitada, foi um grande desafio — e hoje consigo experienciar isso.”

E completa: “Por isso os oolongs têm me encantado tanto: além de representarem esse equilíbrio, sua complexidade sensorial me proporciona múltiplas experiências, mostrando que é possível viver vários caminhos dentro de uma mesma jornada.”

Ser uma mulher negra no universo do chá

Foto: Divulgação

Apesar da leveza que o tema carrega, Flávia não romantiza os desafios de ser uma mulher negra nesse setor. “Além da falta de identificação recorrente como proprietária da marca e das microviolências racistas cotidianas, existe também a desvalorização e a falta de credibilidade dentro do próprio setor. Embora a cultura do chá no Brasil tenha origem nos povos indígenas e em nós, pessoas negras em diáspora, houve um sequestro histórico e apagamento de muitos rituais pelo colonizador”, explica.

Ela também chama atenção para o pensamento “místico-colonizador”, que acredita que pessoas negras que trabalham com ervas não devem monetizar seu saber. “Tudo isso dificulta construir renda exclusivamente a partir dos chás e, consequentemente, afasta muitas pessoas negras dessa área”, afirma.

Mas Flávia tem sonhos maiores que estes desafios.“Meus planos envolvem continuar crescendo na minha área, multiplicando meus conhecimentos sobre chás e impactando positivamente a vida de mais pessoas. Além disso, busco ajudar a preservar a vida e a memória das verdadeiras matriarcas dos chás no Brasil: mulheres indígenas, benzedeiras e erveiras.”

Lívia Rodrigues lidera a criação do primeiro anticaspa para cabelos crespos e cacheados, lançado pela Vichy

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Lívia Rodrigues (Foto: Divulgação)

Um novo produto promete transformar o cuidado com o couro cabeludo de pessoas com cabelos afro. A Vichy lançou recentemente o Dercos Anticaspa Shampoo Espuma de Limpeza Cachos & Crespos, primeiro anticaspa desenvolvido especialmente para fios com curvatura.

O lançamento representa um marco na indústria da beleza e da representatividade na ciência. A pesquisadora Lívia Rodrigues, química e líder de Valorização Científica em Cuidados Capilares e Coloração para a América Latina na L’Oréal, e uma das premiadas da Powerlist Mundo Negro 2025, foi quem comandou o desenvolvimento do produto — um processo que contou com uma equipe diversa de cientistas e escuta ativa de consumidoras negras.

“O projeto foi liderado por mim, em valorização cientifica, mas tivemos muitos cientistas envolvidos nesse lançamento e com certeza diversidade foi o ponto chave. Eu, por exemplo, sou uma mulher negra que uso tranças e sabia da necessidade de ter um produto que facilitasse a minha rotina. Somos um time diverso, mas para além disso, somos um time que coloca o consumidor no centro dos nossos desenvolvimentos e, a partir desse conhecimento, investimos em novos testes instrumentais e com consumidores com tranças e locs. Foi nessa etapa, que vimos a oportunidade de também criar um novo modo de uso, especialmente desenhado para este público”, afirma Lívia em entrevista ao Mundo Negro.

O novo Dercos foi criado para combater a caspa sem comprometer a hidratação e definição dos fios. A fórmula combina ativos poderosos como Piroctona Olamina e Ácido Salicílico, reconhecidos pela ação anticaspa e purificante, com ingredientes hidratantes que mantêm o equilíbrio da fibra capilar.

Testado em todas as curvaturas, tranças e locs, o produto traz até 74% menos frizz, hidratação duradoura e eliminação da caspa persistente, com efeito anti-recidiva de até seis semanas. Outro diferencial está na textura em espuma leve, que facilita a aplicação e o enxágue, e no bico de precisão, que alcança diretamente o couro cabeludo — ideal para quem usa penteados protetores.

Para Ana Luiza Cunha, diretora de Marketing de Vichy, o lançamento chega para suprir uma lacuna histórica no cuidado com o couro cabeludo de pessoas com cabelos crespos e cacheados. “O Shampoo Espuma de Limpeza Cachos e Crespos combina ação anticaspa com hidratação intensa, diferente dos anticaspas tradicionais que costumam ressecar os fios”, destaca a executiva.

O produto é também resultado de uma colaboração entre Vichy e o AfroSou, rede de afinidade racial do Grupo L’Oréal no Brasil.

Disponível no Dermaclub com preço sugerido de R$129,90 (200ml), o Dercos Anticaspa Shampoo Espuma de Limpeza Cachos & Crespos é mais do que um novo item de beleza: é um avanço simbólico e científico, que mostra o poder da diversidade em transformar a indústria cosmética.

Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e a Vichy.

Canal Brasil exibe programação especial durante o Mês da Consciência Negra

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Em celebração ao Dia da Consciência Negra (20/11), o Canal Brasil apresenta uma programação especial ao longo de todo o mês de novembro com documentários, filmes, séries e shows que abordam temas como racismo, religião, ancestralidade e cultura negra. A iniciativa inclui a faixa “Negritudes”, dedicada a histórias que exploram a vida, a arte e a luta de pessoas pretas, com o objetivo de ampliar a discussão sobre representatividade e protagonismo negro no audiovisual.

A programação tem início no dia 6 de novembro, com o longa-metragem “O Dia que Te Conheci” (2023), de André Novais Oliveira, às 20h. Na trama, Zeca tenta levantar cedo para pegar o ônibus e chegar uma hora e meia depois na escola da cidade vizinha, mas descobre que será demitido. A partir daí, ele desenvolve um vínculo inesperado com a colega de trabalho Luísa. Classificação: 14 anos.

No dia 13/11, às 20h, será exibido “Filhas do Vento” (2004), de Joel Zito Araújo, sobre duas irmãs que se reencontram 45 anos depois, carregando rancores do passado. Classificação: 14 anos. Já no dia 27/11, às 20h, entra em cartaz “Amor Maldito” (1984), de Adélia Sampaio, considerado o primeiro longa de uma cineasta negra no Brasil, que retrata um romance entre duas mulheres. Classificação: 16 anos.

Mostra Mês da Consciência Negra – Quintas, às 20h

  • O Dia que Te Conheci (2023) – 6/11 – 20h
  • Filhas do Vento (2004) – 13/11 – 20h
  • Amor Maldito (1984) – 27/11 – 20h

Maratona Curta na Tela – Cineastas Negros
Data: Quinta-feira, 20/11
Horário: A partir das 20h

  • “Cavaram Uma Cova No Meu Coração” (2024) – inédito, 23’, direção: Ulisses Arthur. A história acompanha uma mineradora que perfura a terra para extrair sal-gema, enquanto uma gangue de adolescentes planeja quebrar a máquina responsável pelos tremores. Classificação: Livre.
  • “Eu Me Chamo Darwin” (2021) – inédito, 11’, direção: Well Darwin. Reflexão sobre identidade a partir da memória. Classificação: Livre.
  • “Cores e Botas” (2010), 16’, direção: Juliana Vicente. Joana sonha em ser paquita, mas nunca se viu representada por ser negra. Classificação: 12 anos.
  • “Rainha” (2016), 31’, direção: Sabrina Fidalgo. Rita realiza o sonho de ser rainha de bateria, enfrentando desafios internos e externos. Classificação: 12 anos.
  • “Como Respirar Fora D’Água” (2021), 16’, direção: Júlia Fávero e Victoria Negreiros. Janaína é injustamente enquadrada por policiais e enfrenta sua relação com o pai. Classificação: 12 anos.
  • “Quintal” (2015), 20’, direção: André Novais Oliveira e Maurílio Martins. Um dia na vida de um casal de idosos da periferia. Classificação: 18 anos.
  • “Escasso” (2022), 16’, direção: Gabriela Gaia Meirelles e Clara Anastácia. Rose celebra o sonho da casa própria enquanto apresenta seu lar. Classificação: 12 anos.
  • “Remendo” (2023), 21’, direção: Gg Fákọ̀làdé. Zé trabalha reparando objetos esquecidos. Classificação: 12 anos.

Faixa Negritudes
Data: Segunda-feira, 24/11
Horário: A partir das 20h

  • “Tijolo por Tijolo” (2025) – inédito, 103’, direção: Quentin Delaroche e Victória Álvares. Uma família recifense reconstrói seu lar após evacuação por risco de deslizamento, durante a pandemia de Covid-19. Classificação: Livre.
  • “Virgínia e Adelaide” (2025) – inédito, 96’, direção: Yasmin Thayná e Jorge Furtado. O encontro entre Virgínia Bicudo, primeira psicanalista negra do Brasil, e Adelaide Koch, psicanalista judia refugiada da Alemanha nazista. Classificação: 14 anos.
  • Maratona “Escravidão no Século XXI” (2021) – 5 episódios, direção: Bruno Barreto e Marcelo Santiago. Análise das condições que configuram trabalho análogo à escravidão no Brasil. Classificação: 16 anos.
  • “Isto é Pelé” (1974), 75’, direção: Eduardo Escorel e Luiz Carlos Barreto. A trajetória de Edson Arantes do Nascimento e suas conquistas no futebol brasileiro. Classificação: 10 anos.
  • “Garrincha, Alegria do Povo” (1962), 58’, direção: Joaquim Pedro de Andrade. A carreira do jogador, com cenas das Copas de 1958 e 1962. Classificação: Livre.
  • “Arapuca” (2023), 20’, direção: Joel Caetano. Marcos retorna à antiga casa para cuidar do pai doente. Classificação: 12 anos.
  • Show Sandra de Sá – 30 Anos & Convidados (2007), 63’. Álbum também conhecido como ÁfricaNatividade, celebra 30 anos da carreira da artista. Classificação: Livre.

A programação completa do Canal Brasil para o Mês da Consciência Negra oferece um panorama diverso e plural da produção audiovisual negra, combinando obras inéditas e clássicas. São oportunidades de reflexão sobre representatividade, cultura, história e resistência, reunindo artistas e diretores negros que pautam a vida, a arte e a luta de pessoas pretas no Brasil.

Exposição ‘Imaginação Radical’ celebra 100 anos de Frantz Fanon no Museu das Favelas

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Obra Robinho Santana

O Museu das Favelas anuncia a abertura de sua nova exposição, Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon, que estreia em 25 de novembro de 2025, em São Paulo, marcando também os três anos da instituição. A mostra chega após o sucesso de público de Racionais MC’s: O Quinto Elemento e celebra o centenário de um dos pensadores mais influentes do século XX, refletindo sua relevância para a arte, a política e os movimentos sociais atuais.

Com curadoria de Thais de Menezes, co-curadoria de Jairo Malta e expografia de Gisele de Paula, a exposição reúne mais de 130 obras e apresenta artistas de diversas nacionalidades, incluindo Brasil, Colômbia, Argélia, Marrocos, Bolívia, Venezuela, Angola e Espanha. Entre os destaques, estão Dalton Paula, Bruno Baptistelli, Rebeca Carapiá, JX, Juliana dos Santos, Nenesurreal, Tau Luna e Mayara Amaral, mostrando a influência contínua de Fanon sobre gerações de ativistas, artistas e intelectuais.

Segundo Natália Cunha, diretora do Museu das Favelas, a exposição reforça o posicionamento da instituição como espaço de reflexão e produção crítica. “Para Fanon, os povos historicamente marginalizados precisam narrar a si mesmos para resgatar humanidade, dignidade e protagonismo. Esta mostra é um convite para reimaginar o mundo a partir das tecnologias sociais e ancestrais das favelas, e inaugurar durante o Mês da Consciência Negra reforça ainda mais seu significado.”

A expectativa é receber mais de 80 mil visitantes até maio de 2026. O Museu das Favelas está localizado no Largo Páteo do Colégio, no Centro Histórico de São Paulo, e funciona de terça a domingo, das 10h às 17h, com entrada gratuita. É necessário retirar ingresso antecipado no Sympla ou na recepção, sujeito a lotação. Visitas mediadas devem ser agendadas previamente.

Mais informações em museudasfavelas.org.br.

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