Educação básica e raça: Onde estamos e o que falta para alcançar a verdadeira equidade?

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Educação básica e raça: Onde estamos e o que falta para alcançar a verdadeira equidade?
Foto: IA/Magnific

Os novos dados do IBGE apontam que, pela primeira vez, mais da metade dos negros concluiu o ensino médio, mas taxa de analfabetismo entre idosos pretos e pardos ainda é o triplo em relação aos brancos.

Os dados do módulo de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo IBGE, trazem um panorama agridoce para a população negra. Ao mesmo tempo em que o país registra conquistas históricas de acesso à educação básica para nossa comunidade, os indicadores deixam explícito o peso do racismo estrutural, que ainda dita quem consegue permanecer na escola e chegar ao ensino superior.

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Conquista histórica no ensino médio

Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, mais da metade da população preta ou parda com 25 anos ou mais (51,3%) completou o ensino médio. O avanço é expressivo se comparado a 2016, quando esse percentual era de apenas 42,8%. Apesar do marco comemorativo, a igualdade racial no ambiente escolar ainda está longe de ser alcançada. A distância para a população branca, cuja taxa de conclusão é de 64,9%, permanece praticamente estagnada em 13,6 pontos percentuais de diferença, mostrando que o ritmo de inclusão precisa acelerar.

O peso do passado: Analfabetismo na terceira idade

O reflexo de décadas de negligência do Estado com a população negra fica nítido ao olhar para os mais velhos. Entre a população com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos chega a impressionantes 20,6% , quase três vezes superior à dos brancos (7,3%).

Houve uma redução de 1,2 p.p. em relação ao ano anterior, mas, como define o analista da pesquisa do IBGE, William Kratochwill:

“O avanço acontece, mas evidencia um legado estrutural público de exclusão educacional.”

No panorama geral (considerando pessoas de 15 anos ou mais), o analfabetismo entre negros é de 6,5%, contra 2,8% de pessoas brancas.

Acesso ao ensino superior e o abandono escolar

As barreiras raciais se tornam ainda mais profundas quando analisamos a juventude e o acesso à universidade.

  • Ensino superior: Na faixa de 18 a 24 anos, a proporção de jovens brancos que já concluíram a graduação (6,2%) é mais que o dobro da de pretos ou pardos (3,0%). Além disso, enquanto 33,4% dos brancos estão na faculdade (etapa ideal para a idade), apenas 18,9% dos negros ocupam esse espaço.
  • Exclusão: Entre os jovens que não frequentam e não concluíram o ensino superior, a esmagadora maioria é negra: 70,1% dos pretos ou pardos estão fora da universidade, contra 55,0% dos brancos.
  • Perfil do abandono: O levantamento aponta que 7,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não completaram o ensino médio no país. Desse total de evadidos da escola, 72,8% são pretos ou pardos.

Os dados provam que o Plano Nacional de Educação (PNE) só conseguiu atingir suas metas de universalização e acesso no ensino superior entre a população branca.

Para a população negra, o desafio principal do país vai muito além de matricular as crianças: envolve criar políticas públicas sólidas de assistência estudantil que combatam a necessidade do trabalho precoce e garantam a permanência e a conclusão dos jovens pretos e pardos em todas as etapas de ensino.

Fonte: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47221-analfabetismo-fica-abaixo-de-5-em-2025-mas-8-4-milhoes-ainda-nao-sabem-ler-e-escrever

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