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Ministério Público vai investigar usuários do aplicativo ‘Simulador de Escravidão’

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Foto: Reprodução.

O Ministério Público de São Paulo vai investir usuários que baixaram o aplicativo ‘Simulador de Escravidão’ e que fizeram comentários racistas na loja virtual Play Store. No aplicativo, era possível comprar, vender e até torturar negros escravizados. O jogo foi removido após a repercussão da sociedade.

A promotora Maria Fernanda Balsalobre Pinto, do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância, solicitou que a empresa Google, responsável por alocar o aplicativo na Play Store, forneça dados pessoais de todos os usuários que comentaram sobre o jogo. A profissional considera que houve “discurso de ódio penalmente típico”. Desenvolvido pela Magnus Games, o simulador, lançado em 20 de Abril, contava com mais de mil downloads e 70 avaliações. Muitos usuários até pediam por melhoria nas ‘formas de agressão’ disponíveis.

Aplicativo ‘Simulador de Escravidão’. Foto: Reprodução

Após tomar conhecimento sobre o jogo, o Ministério da Igualdade Racial emitiu uma nota, no último dia 24 de maio, dizendo que entrou em contato com a Google para desenvolver medidas que filtrem este tipo de conteúdo da plataforma. “Ao tomar ciência do caso, a pasta entrou imediatamente em contato com a empresa de tecnologia para a construção conjunta de medidas que contribuam para um filtro eficiente para que discursos de ódio, intolerância e racismo não sejam disseminados com tanta facilidade e sem moderação em espaços virtuais. Após reação do ministério e da sociedade civil, o jogo foi retirado do ar”, disse o MIR em nota.

Com presença do diretor e elenco, Itaú Cultural exibe “Marte Um” na terça-feira, em São Paulo

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Foto: Reprodução

Nesta terça-feira (30), o Itaú Cultural vai promover uma sessão especial de Marte Um, com a presença do diretor do filme, Gabriel Martins, e de outros integrantes do longa-metragem.

A exibição do filme é tema do “Encontros de cinema”, uma roda de debate sobre o audiovisual brasileiro promovido pelo Itaú Cultural. O debate vai acontecer após a sessão, amanhã, com o diretor do filme.

“Marte Um” traz o cotidiano de uma família negra que vive nas periferias de Minas Gerais em 2018, quando Bolsonaro se elegeu, e busca uma forma de seguir seus sonhos, mesmo que em outro planeta. Com elementos afrofuturistas, o filme aborda temas como família preta e desigualdade.

Além de ser aclamado pela crítica, Marte Um chegou a ser um dos nomes cotados para concorrer ao Oscar de 2023 na categoria de Melhor Filme Internacional, mas acabou ficando de fora da premiação.

Além da presença de Gabriel Martins, o montador do filme Thiago Ricarte, os atores Rejane Faria, Camilla Damião e Carlos Francisco também estarão presentes.

O filme será exibido no Espaço Itaú de Cinema da Augusta às 19h. O ingresso é gratuito e limitado, sendo disponibilizado presencialmente por ordem de chegada.

Steven Berghuis, atacante do time holandês Ajax dá soco em torcedor que fez ofensa racista ao jogador Brian Brobbey

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Foto: Reprodução

O atacante do time holandês, Steven Berghuis deu um soco em um torcedor que chamou seu companheiro de time Brian Brobbey de “câncer negro”, segundo informações da imprensa europeia.  O caso aconteceu no domingo (28).

Outros torcedores filmaram o momento em que os jogadores voltavam para o ônibus após derrota na partida contra o Twente, por 3 a 1, pelo Campeonato Holandês. No vídeo, Berguis está andando em direção à porta do ônibus, quando volta e dá um soco no torcedor que teria feito o xingamento racista contra Brobbey.

Após o vídeo viralizar nas redes sociais, Berghuis se desculpou pela atitude e disse que “as pessoas pensam que podem dizer qualquer coisa”: “Eu me arrependo de minha ação. Eu não deveria ter feito isto. Depois de todos os jogos fora de casa, muitas ameaças são feitas contra nós. Eu estou acostumado a isso, mas as pessoas pensam que podem dizer qualquer coisa”.

Já Brian Brobbey publicou um story abraçado a Berghuis com um coração, no que pareceu um agradecimento pela atitude do colega.

O Ajax informou que deve investigar o que aconteceu antes da ação do jogador para tomar então adotar algum tipo de medida. 

O caso acontece uma semana depois que o jogador do Real Madrid, Vinivius Junior sofreu ataques racistas na partida contra o Valencia no dia 21 de maio. A confusão acabou com o atacante sendo hostilizado por torcedores e jogadores rivais, levando um mata-leão de Hugo Duro, e sendo o único expulso de campo.

Segunda temporada de ‘Bel-Air’ mantém drama com novos debates e conflitos raciais 

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Kwaku Alston/Peacock

A segunda temporada de ‘Bel-Air’, reboot de ‘Um Maluco no Pedaço‘, produzida por Will Smith, finalmente será estreada no Brasil, no dia 31 de maio, pelo Star+. Apesar de algumas cenas engraçadas, a nova temporada promete entregar mais debates e conflitos raciais, envolvendo não só a família Banks, mas toda a escola de Los Angeles, deixando o telespectador apreensivo a todo momento.

Protagonizado por Jabari Banks, Will fica abalado após descobrir a verdadeira história sobre o seu pai. Ele precisa aprender a perdoar a família por ter mentido durante tantos anos, além de repensar seu relacionamento com Lisa Wilkes (Simone Joy Jones).

O orgulho poderá prejudicá-lo, já que ele embarca na vontade de ser independente e começa a jogar basquete em troca de dinheiro em um bairro pobre de Los Angeles, tentando voltar ao nível profissional que tinha na Filadélfia. Desta forma, conhece o olheiro Doc Hightower (Brooklyn McLinn), que parece mais interessado em causar conflitos na sua vida particular, do que realmente alavancar a sua carreira no esporte. 

Foto: Divulgação

Esta temporada também conta com um crossover especial da atriz Tatyana Ali, que interpretou a Ashley Banks em ‘Um Maluco no Pedaço’, fazendo o papel da Mrs. Hughes, uma das professoras da Ashley (Akira Akbar), na série ‘Bel-Air’. 

Por serem as únicas negras na sala, elas ficam muito próximas, e Mrs. Hughes arrisca o seu emprego por indicar livros afrocentrados para a sua aluna favorita da sala. O que pode ocasionar em um grande movimento dos estudantes negros, com uma forte liderança do Carlton (Olly Sholotan). 

Depois de vivenciar e reconhecer as violências racistas sofridas na primeira temporada, Carlton promete passar por uma transformação, reafirmando cada vez mais a sua negritude e valorizando a presença de outros alunos e professores negros na escola elitista. 

Foto: Divulgação

Hilary Banks (Coco Jones), após convencer a amiga Ivy (Karrueche Tran) a comprar a Casa dos Influenciadores, parece viver em um momento mais estável profissionalmente, porém, ainda precisa amadurecer em algumas situações relacionadas ao trabalho e definir o que realmente sente pelo Jazz (Jordan L. Jones), para não perdê-lo. 

Quanto a Vivian (Cassandra Freeman), ela está animada com a nova fase da carreira artística, mas apesar de sua maturidade e relevância, ainda terá que lutar contra o machismo e o racismo. E Philip (Adrian Holmes), assim como Will, precisará deixar o orgulho de lado e assumir os seus erros, especialmente neste momento que se vê distante do sobrinho e do braço direito Geoffrey (Jimmy Akingbola).

Veja o trailer abaixo: 

Halle Bailey vai ao cinema assistir “A Pequena Sereia”; Filme já arrecadou US$ 164 mi

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Foto: Disney

Até a própria pequena sereia foi assistir seu filme! Halle Bailey, estrela do novo live-action da Disney, “A Pequena Sereia”, postou no final de semana um vídeo no TikTok mostrando sua ida ao cinema para assistir o filme que estreou mundialmente na última semana.

“Não acredito que A Pequena Sereia é o filme nº 1 do mundo, pessoal! Fui ao cinema ver ontem à noite”, escreveu a atriz e cantora na legenda. Sua ida discreta, com máscara e óculos escuro, ainda teve direito a um balde de pipoca personalizado do filme e a trilha sonora do vídeo “Part of Your World”.

Ela também aproveitou o momento nostálgico para compartilhar as primeiras imagens da gravação do filme, há três anos atrás. “Mais alguns momentos dos bastidores (não posso acreditar que isto foi há quase três anos)”, escreveu em seu Instagram.

Ainda que a espera para o lançamento fosse enorme, o racismo por trás da primeira sereia negra ainda segue sendo um problema. O live-action arrecadou até agora US$ 164 milhões na sua estreia global, segundo o Deadline, mas era esperado uma estreia muito maior. Segundo o portal e especialista, há um movimento de críticas tendenciosas, e até racistas, atrapalhando a estreia do filme.

Segundo a avaliação inicial do Rotten Tomatoes, a média de aprovação inicial do filme era de 70%. Já na IMDB, conhecida mundialmente por ser uma fonte segura de avaliações de filmes, começou a alertar sobre a possível sabotagem do filme. “Nosso mecanismo de avaliação detectou atividades suspeitas em torno deste título. Para preservar a confiabilidade do nosso sistema, aplicamos uma medida diferente de cálculos”, mensagem da IMDB no site nos EUA, Canadá, Brasil, Reino Unido e França.

Um dos lugares onde o boicote ao filme está sendo mais forte é na China, No país chinês, uma das bilheterias mais importantes, o filme não passou de US$ 2,5 milhões.

Mesmo com as críticas tendenciosas no Brasil e no mundo, o filme segue superando as expectativas e encantando quem já assistiu. Veja nossa crítica sobre A Pequena Sereia.

Pretos ou pardos? Fala de Vanessa da Mata gera debate sobre classificação correta no grupo racial negro

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Foto: Reprodução

Durante sua participação no programa “Saia Justa”no GNT, a cantora Vanessa da Mata afirmou que demorou a se reconhecer como uma mulher “preta”. “Mesmo com os cabelões enormes e falando dos traços e defendendo o cabelo preto, demorei à beça. E naquela época era uma coisa meio modinha dizer “você não é”. E eu dizia, não me tire a única coisa que eu sei sobre mim, que eu sou preta”, pontuou ela. A fala da cantora gerou um debate sobre a importância de fazer uma classificação correta de cor dentro do grupo racial negro e como a identificação equivocada prejudica indicadores sociais e a aplicação assertiva de políticas públicas.

Durante o bate-papo, com Larissa Luz, Astrid Fontenelle, Gabriela Prioli e Bela Gil, a chef afirmou que demorou para se entender sua identidade racial. “Eu demorei para entender que eu era uma mulher preta. Quanto mais ter uma educação, uma visão e uma atitude antirracista.”, falou Bela Gil.

Em resposta, Vanessa da Mata contou que também demorou para se entender dessa forma. “Mesmo com os cabelões enormes e falando dos traços e defendendo o cabelo preto, demorei à beça. Porque tinha um pai branco, de olho claro, que eu olhava e falava assim, ‘E ele?’. Era como se eu tivesse mandando ele embora e sendo filha só da minha mãe. E naquela época era uma coisa meio modinha dizer “você não é”. E eu dizia, não me tire a única coisa que eu sei sobre mim, que eu sou preta. Porque é tudo muito confuso. Eu dizia em casa: ‘Gente, a gente é preto, pelo amor de deus’.”, afirmou.

Nos comentários, a doutora em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismos da UFBA, Carla Akotirene pontuou a necessidade de entender a classificação racial de “pretos” e “pardos” e como a confusão causada por um entendimento errado pode prejudicar indicadores sociais: “Minhas irmãs, olha, vocês são mulheres negras. E não pretas!! Preta é subgrupo de cor que não sofreu miscigenação, dentro da Raça. Infelizmente precisamos reformular essas falas, pois que prejudicam os indicadores sociais e a coleta do quesito cor nos equipamentos públicos. Um beijo afetuoso.❤️”, disse. “Se fosse pra coletar a cor vocês seriam pardas/ Negras. Eu Carla, Preta/ Negra”, explicou ela.

A socióloga Sara Araujo publicou recentemente em suas redes sociais, uma postagem em que explica que as pessoas no Brasil confundem os termos. E afirmou que “há uma diferença gritante entre ser uma pessoa preta e negra”.

“Preta é o tom de pele, há uma porcentagem em torno de 13% de pessoas pretas no Brasil (que são invisibilizadas), para você ter uma ideia, essa porcentagem é basicamente o total da porcentagem de pessoas negras nos Estados Unidos da América. Portanto, há um percentual grande de pessoas pretas que vivem na invisibilidade das políticas públicas.”, explicou.  

O que diz o IBGE?

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) adota uma classificação específica para o grupo de negros, dividindo-os em duas categorias: pretos e pardos.

Essa classificação é utilizada nas pesquisas e levantamentos populacionais realizados pelo IBGE, incluindo o censo demográfico. A separação em pretos e pardos tem o objetivo de captar a diversidade racial existente na população brasileira, considerando as diferentes tonalidades de pele e origens étnicas.

De acordo com o critério adotado pelo IBGE, as pessoas que se autodeclaram pretas são aquelas que têm a pele preta, com traços fenotípicos de afrodescendentes. Já as pessoas pardas são aquelas caracterizadas por uma mistura de características raciais, como negras, brancas e indígenas.

Essa diferenciação entre pretos e pardos é relevante para a análise e compreensão das desigualdades raciais no país, uma vez que permite identificar e quantificar a população negra de forma mais precisa.

“Sirvo como exemplo para outras pessoas que têm a pele como a minha”, celebra Tom Mendes, Diretor do ID_BR

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Foto: Lilo Oliveira.

O Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) é uma organização sem fins lucrativos pioneira, totalmente comprometida com a aceleração da promoção da igualdade racial. Com o objetivo de conscientizar e engajar organizações e a sociedade, o ID_BR desenvolve ações em diferentes formatos. Seu Diretor Institucional é Wellington Mendes, de 33 anos, que também é conhecido como Tom Mendes. Atuando na organização há quase 7 anos, ele possui formação em Administração de Empresas pela PUC Rio e é pós-graduado em Gestão de Projetos pela USP.

“Nasci e fui criado em Acari, zona norte do Rio de Janeiro, que infelizmente tem um dos piores IDH’s. Eu acho que um dos meus objetivos de vida também é levar o que eu vi do mundo pra lá também, recursos e possibilidades para aquele espaço, que é o espaço onde eu fui criado, onde eu vivi grande parte da minha vida e tem grande parte da minha formação também como pessoa”, diz Tom em entrevista ao MUNDO NEGRO. Atualmente ele também realiza outras atividades envolvendo consultoria e assessoria de negócios.

Tom Mendes. Foto: Lilo Oliveira.

Trabalhar como diretor do ID BR é uma dádiva para Tom. Ele conta que se sente realizado ao saber que consegue dormir e acordar tranquilo sem ter que precisar provar sua capacidade para outras pessoas. “[Esse sentimento] é válido seja pra minha equipe, seja também para Luana Genót, que é diretora também no Instituto, seja para o nosso conselho, de que a pauta racial, a pauta de gênero, a pauta LGBTQ, a pauta dos povos originários, de pessoas com deficiência, são pautas importantes”, conta ele. “Eu vejo o sofrimento das pessoas no mercado dia a dia, e são empresas que a gente apoia de vários profissionais altamente qualificados e que querem ter esse olhar mais afirmativo e mais intencional para a pauta racial, principalmente, e não conseguem por conta da própria estrutura e das pessoas que tem o poder da caneta ali nas empresas”.

Ocupando espaços de liderança e conversando com alguns dos maiores empresários do país, Tom revela que sente orgulho ao receber mensagens de pessoas se inspirando em sua história e em sua imagem. “Eu fico muito feliz de receber algumas mensagens sobre isso que são pessoas jovens que tem o exemplo do meu cabelo, da forma como eu me visto, do brinco que eu uso, ocupando essa cadeira e conversando com pessoas do alto escalão de várias empresas e sendo um par dessas pessoas, também serve, eu sirvo como exemplo pra várias outras pessoas que vieram de ambientes periféricos, que são como eu, tem a pele como a minha nesses espaços, tem sido muito gratificante, sabe?“, conta ele.

Prêmio Sim à Igualdade Racial

Nessa jornada, Tom também atua como diretor do Prêmio Sim à Igualdade Racial, organizado pelo Instituto IDBR e que em 2023 trouxe o tema ‘Origens e Raizes’. “Esse ano, particularmente, a temática e os números estão voltados para a ancestralidade, para falar um pouco de passado”, comenta o profissional, que também se orgulha do seu trabalho e da transformação que está sendo feita. No dia 28 de maio, após o ‘Fantástico’, a TV Globo vai transmitir, pela primeira vez, um programa especial com os melhores momentos, entrevistas e conteúdos do prêmio Sim à Igualdade Racial. O especial mostrará ao público da TV aberta os melhores momentos da 6ª edição do prêmio, além de apresentar entrevistas com as personalidades reconhecidas pela premiação.

Tom Mendes. Foto: Lillo Oliveira.

Fazer a direção é um grande desafio também é um lugar de muito aprendizado e tem uma coisa bacana de que a gente eu consigo imprimir conceitualmente muito do que eu acredito eu tenho muito dessa liberdade essa parceria com a Globo que nós temos”, celebra o executivo, que também comemora a possibilidade de expansão do Prêmio Sim à Igualdade Racial na TV aberta.” E agora indo pra TV brasileira, a TV aberta, a minha tia vai ver, as vozinhas, as pessoas de Acari, né? Tipo, vão conseguir enxergar para além do que eu faço e para além da minha verdade, a verdade também de tantas pessoas que tão tratando dessa pauta de racista aqui no Brasil. Então, a gente vai conseguir fomentar muita coisa”.

Estudo evidencia desigualdade no envelhecimento da população negra

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Foto: Freepik

O estudo “Envelhecimento e Desigualdades Raciais”, feito pelo Itaú Viver Mais, em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), identificou que a desigualdade racial impacta na vida da população negra também no envelhecimento. Segundo a pesquisa, São Paulo e Salvador são as capitais mais desiguais para a população negra acima dos 50.

O estudo, lançado no dia 19 de maio, foi realizado em três capitais brasileiras, São Paulo, Salvador e Porto Alegre. Foram entrevistados 1.462 pessoas, na faixa dos 50 anos ou mais, e analisaram 11 indicadores que compõem o envelhecimento ativo: autoestima; bem-estar; saúde: acesso e prevenção; atividades físicas; mobilidade; inclusão produtiva; inclusão digital; segurança financeira; capital social; práticas culturais; e exposição à violência.

Entre os indicadores do Índice de Envelhecimento Ativo, cinco deles se destacaram em questão da desigualdade racial, territorial e de gênero, sendo mais evidente na vida de pessoas negras. São eles: Inclusão produtiva, Segurança financeira, Exposição à violência, Saúde e Inclusão digital.

Em inclusão produtiva, que analisou subsistência e fontes de renda, a população negra tem os piores rendimentos financeiros. Em média, em Salvador e São Paulo as mulheres negras tiveram o pior desempenho, seguido pelos homens negros. De modo geral, as mulheres negras são as mais impactadas neste caso, enquanto o homem negro supera a mulher branca em algumas faixas de idade.

Em segurança financeira, que avalia a segurança e a condição de pagarem suas contas mensais, evidencia ainda mais o primeiro indicador. Em todas as cidades e idades acima dos 50 a população negra recebe menos e possui mais dificuldade de pagar suas contas. Em Salvador, 50% das mulheres negras, entre 60 e 69 anos, disseram ter dificuldade em pagar suas despesas, já as mulheres brancas, na mesma faixa etária, apenas 10% sentem dificuldade.

Dados da Pnad ainda mostram ainda mais o peso da diferença. A média salarial das pessoas brancas acima dos 50 anos é de R$ 3000, enquanto a maior média salarial da população negra acima dos 50 anos é R$1.724.

Já em exposição a violência, a desigualdade racial pesa ainda mais que a de gênero. Em São Paulo, homens negros são os mais afetados pela violência em todas as faixas etárias, enquanto em Salvador são as mulheres negras as mais afetadas na maioria das idades.

Um dos fatores importantes após os 50 anos, a saúde, é também um dos mais desiguais. Nas três capitais o estudo identificou que homens e mulheres brancas possuem mais acesso à saúde de qualidade, incluindo atendimento, remédios e assistência. No caso da saúde privada, os brancos continuam sendo os mais beneficiados.

Mesmo a tecnologia e o acesso ao mundo digital sendo algo mais presente em todas as faixas de idades, a população acima dos 50 é a que menos tem presença digital. Mas no caso da população negra, são os que mais possuem acesso à internet em todas as capitais.

De modo geral, o racismo estrutural e as políticas públicas garantem que a população negra tenha os piores salários, acesso a saúde, segurança e qualidade de vida. Isso faz com que a população negra, de um modo geral, não chegue na “melhor idade” com seus direitos básicos garantidos.

O estudo mostra que a desigualdade racial no envelhecimento é um assunto que precisa ser debatido. O sistema racista está tirando das pessoas negras o direito de envelhecer. Um direito que nunca foi dado.

“Além de explicitar as dificuldades que a população negra enfrenta para um envelhecimento ativo e saudável, os resultados dessa empreitada apontam que há um campo fértil de possibilidades de intervenção para os setores público, privado e terceiro setor. O estudo reforça a necessidade de uma discussão ampla acerca de iniciativas e oportunidades para este segmento populacional, além de mais investigações sobre as desigualdades raciais no envelhecimento”, concluiu o estudo.
Para acessar o estudo completo é só clicar aqui.

Ei corporativo: você é muito mais La Liga do que imagina, e nós, profissionais negros, cada dia mais somos Vini Jr.

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Foto: Reuters/Pablo Morano

*Por Viviane Elias Moreira

O pack de novembro do mundo corporativo está pronto, e os power points com conteúdo sobre conscientização racial a serem apresentados aos gestores na semana de conscientização sobre a questão racial já podem ser atualizados: nas duas últimas semanas, o material produzido pela sociedade racista em que vivemos garantiu o pack novo, sem precisar recorrer aos conteúdos de 2020, ligados ao Black Lives Matter e ou George Floyd.

Temos nos CNPJs brasileiros muito mais similaridades com a La Liga que precisaríamos admitir em 2023. A primeira grande semelhança é a inércia. A imprensa vem noticiando cenas deploráveis de ataques racistas ao Vini Jr. há mais de 5 meses e a ação pífia e lenta vem ocorrendo somente agora, mediante a uma pressão que desencadeou inclusive o desenho de uma possível crise diplomática entre os países. 

Por aqui, as empresas têm a mesma ação, com a adoção de processos ligados às áreas de compliance, recursos humanos ou diversidade e inclusão, que acolhem denúncias e demoram meses para tomar uma decisão, e em 90% dos casos é solucionada como situações de ruídos de comunicação entre líderes e liderados. A esmagadora maioria destas áreas não tem pessoas negras em cargos estratégicos ou, no caso de compliance, não tem treinamentos específicos em letramento racial ou compliance antidiscriminatório. 

Outro grande ponto de convergência infeliz entre os mundos: o posicionamento em cima do muro, como estratégia de “deixa-baixar-a-poeira-daqui-a-pouco-todo-mundo-esquece”. Ausência de posicionamento de patrocinadores da La Liga tem o mesmo peso da ausência de posicionamento dos embaixadores dos grupos de diversidade racial, que na maior parte das vezes aparece em momentos específicos e estratégicos da empresa, executando o walk the talk estruturado em palavras e não em ações e não devemos esquecer da oportunidade de uma possível entrevista sobre o que o seu CNPJ fez até agora sobre o tema de inclusão racial, onde o entrevistador deve ser uma pessoa negra de pele clara representante da média gerência, porque representatividade importa. 

Claro que temos o manual prático para pessoas especiais se tornarem antirracistas: # de repúdio, frases de apoio e recomendações de pacote básico de literatura e séries sobre como ser antirracista. E como os CNPJs “ainda” não sabem como lutar contra o racismo, na hora do almoço do “condado” de cada grande cidade do país, ouvimos constantemente que é “um absurdo”, “mas ele também pediu né”, “ele tem que agradecer, porque afinal tem a oportunidade de estar lá”, “o cara ganha milhões, tem que parar de mi mi mi” e o clássico “eu até chorei quando vi”. O constantemente dura mais ou menos 2 semanas ou até acontecer algum outro caso de racismo com comoção nacional. Para os praticantes do nível avançado deste manual, vale também o post na rede social com aquele seu amigo ou amiga negra, que é a única pessoa negra em cargo estratégico da sua organização e que você sabe que é um aliado porque inclusive eles estiveram na festa de aniversário do seu filho. 

Neste caso, as pessoas especiais antirracistas já têm a justificativa definitiva para agir desta forma: ele é meu par ou da minha equipe, sei que não é certo porque tenho pessoas negras que eu amo e sofrem com isso, mas não posso correr o risco de ser envolvido. Sabe como é que é? Tenho boleto para pagar. Medo? Inércia? Abstenção? Incorrência? Não, nada disso. Eles chamam de viés inconsciente.

E enquanto isso, como ficam os Vini Jrs. do corporativo? Assim como o jogador, vamos nos segurar no que fazemos de melhor: nosso trabalho. Continuamos a mostrar a nossa competência, enquanto somos desprezados e pré-definidos por rótulos ligados ao nosso tom de pele. Continuamos nos capacitando, treinando, estudando e dando o nosso melhor para conseguir alcançar os níveis de qualidade e acessibilidade que são colocados somente para nós nas empresas.

Continuaremos ouvindo não para nossas promoções, para nossas provas de assédio moral e de racismo recreativo e estrutural, instauradas nos processos dos CNPJs. Continuaremos sendo utilizados como tokens estratégicos e muitas vezes, colocados todos em um único rótulo como se profissionais negros não tivessem o direto de ter jornadas raciais com posicionamento ou visões divergentes uma das outras. Continuaremos lutando com poucos aliados reais e uma rede de apoio para manter o mínimo de segurança psicológica possível. 

Se você leu esta coluna até este momento aguardando uma proposta de ação, desculpe te desapontar, mas para isso você tem no mínimo 3 anos de conteúdo farto dos últimos fóruns, post e livros disponíveis na rede sobre o tema. Eu mesma participei de várias. Hoje, esta coluna é para falar que estamos desapontados com vocês, caros aliados CNPJs, que continuam tratando os profissionais negros da mesma forma que a La Liga vem tratando os seus melhores jogadores negros: com a incapacidade de entender que o racismo estrutural não acaba em um evento ou em um jogo. E você gestor, não é tarde para se tornar um Ancelotti e parar de falar somente sobre futebol e se posicionar com o que realmente é relevante: o combate ao racismo. A bola está do lado de vocês e, basta saber quem está a fim de fazer um gol de verdade ou apenas continuar ganhando por W.O quando o tema são as questões raciais corporativas. 

Kanye West quer lançar uma nova tendência de moda: a ‘meia sapato’

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Kanye West utilizando 'YEEZY SOCK SHOES'. Foto: Backdrig.

Chega de sapatos. Kanye West agora utiliza ‘meias em formato de sapato’. Essa é a nova tendência de moda do rapper norte-americano, que também atende pelo nome de Ye. Nesta última semana, o artista foi fotografado utilizando a peça peculiar. Ele até registrou a patente como ‘YEEZY SOCK SHOES’, com o objetivo de vender meias e meias com sola de couro.

Kanye West utilizando ‘YEEZY SOCK SHOES’. Foto: Backdrig.

Além da SOCK SHOES, West também foi visto em outra ocasião utilizando o calçado na cor preta. Até o momento, não se sabe quando a peça estará disponível para compra.

Kanye West utilizando ‘YEEZY SOCK SHOES’. Foto: Backdrig.

Em outubro do ano passado, o rapper perdeu relações com a Adidas. “Após um estudo aprofundado, a empresa tomou a decisão de encerrar imediatamente a colaboração com Ye”, disse a empresa após West realizar publicações antissemitas. “A Adidas não tolera antissemitismo e qualquer outro tipo de discurso de ódio. Os comentários e ações recentes de Ye foram inaceitáveis, odiosos e perigosos, e violam os valores da empresa de diversidade e inclusão, respeito mútuo e justiça”, disse o comunicado.

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