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Nova York atualiza formação de cosmetologia para incluir cabelos crespos e cacheados

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Nova York atualiza formação de cosmetologia para incluir cabelos cacheados e crespos/Foto: Pexels

O Departamento de Estado de Nova York propôs uma atualização nas regras de formação de profissionais de cosmetologia e de cuidados com cabelos naturais para ampliar o ensino sobre diferentes tipos e texturas de cabelo. A mudança inclui conteúdos específicos sobre cabelos lisos, ondulados, cacheados, crespos e afro, além de aspectos como porosidade, elasticidade e densidade dos fios.

A legislação, assinada pela governadora Kathy Hochul, determina que os cursos incluam conteúdos sobre propriedades do cabelo e do couro cabeludo, cuidados, tratamentos e técnicas de penteado para cabelos texturizados

Pelas novas diretrizes, o currículo de cosmetologia passa a dedicar 10 horas à análise capilar, contemplando tipos de cabelo — fino, médio e grosso — e diferentes texturas. Os estudantes também deverão aprender a identificar características do couro cabeludo e dos fios, incluindo padrões de crescimento, porosidade, elasticidade e densidade.

A atualização também amplia o conteúdo prático. Na disciplina de xampus, enxágues, condicionadores e tratamentos, que terá 30 horas, os alunos deverão aprender procedimentos voltados a todos os tipos e texturas de cabelo, incluindo técnicas de desembaraço e tratamento específicas para cabelos cacheados e crespos.

O treinamento também passa a abordar cortes para cabelos cacheados e crespos e técnicas de estilização específicas, como difusão de cabelos cacheados e crespos, além de procedimentos como silk press (técnica de alisamento temporário para cabelos crespos ou cacheados naturais, sem utilizar calor e produtos com química agressiva ou relaxamento)  em cabelos naturais. O currículo ainda determina que questões relacionadas à integridade de fios com diferentes texturas sejam consideradas em procedimentos de transformação química e coloração.

Para profissionais de natural hair styling, a proposta estabelece um currículo de 300 horas, com 10 horas dedicadas à estrutura e às propriedades dos cabelos e 220 horas concentradas em tranças, locks, extensões e estilização. O conteúdo inclui texturas cacheadas, crespas, onduladas, wiry e lisas, além de técnicas como twist, twist out, Bantu knots, definição de cachos e prevenção de danos causados pelo calor.

A atualização faz parte de uma proposta de regulamentação do Departamento de Estado de Nova York para revisar os padrões educacionais exigidos para a obtenção das licenças de cosmetologia e natural hair styling no estado. O texto foi publicado no New York State Register em março de 2026.

Fabiana Nogueira é promovida a CIO da Danone no Brasil

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Fabiana Nogueira, nova CIO da Danone na América Latina
Foto: Reprodução/Linkedin

Executiva, que acumula mais de 20 anos de experiência em dados e tecnologia, passa a integrar o comitê diretivo da companhia no Brasil. 

A Danone Brasil promove Fabiana Nogueira Feitosa a chief information officer (CIO). Com a nova posição, a executiva passa a integrar o comitê diretivo da companhia no Brasil.

Com mais de 20 anos de experiência em dados, analytics, inteligência artificial e tecnologia, Fabiana está há sete anos na Danone. Antes da promoção, atuava nos Estados Unidos como parceira de negócios das áreas de operações, qualidade e pesquisa e inovação, onde liderava a estratégia de dados e inteligência artificial da companhia para as Américas.

Na nova função, a executiva terá entre os principais desafios a continuidade da agenda de transformação digital da Danone, com atuação voltada para dados, inteligência artificial e tecnologia no Brasil.

Lizzo tem processo por assédio e discriminação arquivado e comemora decisão nas redes sociais

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Lizzo
Lizzo comemora que processo movido contra ela foi arquivado na Justiça/Foto: Reprodução/Instagram

A cantora Lizzo teve uma vitória judicial nesta terça-feira (1º), após um juiz federal dos Estados Unidos rejeitar as acusações restantes em um processo movido pela ex-assistente de figurino Asha Daniels contra a empresa responsável pela turnê da artista, a Big Grrrl Big Touring. A ação, apresentada em 2023, acusava a equipe de assédio sexual e racial, discriminação, ambiente de trabalho hostil e condições inadequadas durante a etapa europeia da Special Tour.

Segundo a decisão do juiz Fernando L. Aenlle-Rocha, Daniels não apresentou evidências suficientes para demonstrar que os episódios relatados atingiam o nível exigido pela legislação americana para caracterizar um ambiente de trabalho hostil ou discriminação. O magistrado também rejeitou a alegação de discriminação por deficiência relacionada a uma lesão no pé que Daniels afirmou ter sofrido durante o trabalho. As acusações de uso de termos racistas também foram consideradas sem evidências suficientes.

Lizzo responde a outro processo

O processo havia sido aberto em setembro de 2023, pouco depois de três ex-bailarinas de Lizzo — Arianna Davis, Crystal Williams e Noelle Rodriguez — entrarem com uma ação contra a cantora, sua empresa e a então capitã de sua equipe de dança, Shirlene Quigley. As bailarinas acusaram a equipe de assédio sexual, racial e religioso, discriminação por deficiência, agressão, cárcere privado e criação de um ambiente de trabalho hostil. Entre os relatos, estavam acusações de que Lizzo teria pressionado uma das bailarinas a interagir com artistas nus durante uma apresentação em uma casa noturna em Amsterdã. Lizzo negou as acusações.

A ação das bailarinas é diferente do processo de Asha Daniels e continua sendo uma disputa judicial separada. Ao longo do processo, algumas alegações foram retiradas, incluindo a acusação de humilhação relacionada ao peso. Em 2026, Lizzo afirmou que não pretende fazer um acordo e que está disposta a levar o caso adiante, reiterando que considera falsas as acusações feitas contra ela.

Após a decisão desta terça-feira, Lizzo comemorou nas redes sociais. Em um vídeo publicado no Instagram, a cantora afirmou estar aliviada com o resultado e disse que “a verdade prevaleceu”. Ela também declarou que não pretende deixar de contestar as acusações feitas contra ela e seus negócios.

A decisão, portanto, representa uma vitória judicial para Lizzo no caso movido por Daniels, mas não equivale a uma absolvição geral de todas as acusações de assédio e discriminação feitas contra a cantora. O processo das três ex-bailarinas permanece como uma ação independente.

Senado aprova a PEC do fim da escala 6X1; proposta segue para o plenário

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Senado
Senado aprova a PEC do fim da escala 6x1/Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho e tem um de descanso. A proposta segue agora para análise do Plenário.

Relatada pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), a PEC 221/2019 reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de repouso remunerado por semana, sem redução salarial. Um deles deverá ser, preferencialmente, aos domingos. A jornada diária poderá chegar a oito horas, com possibilidade de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas.

O texto, que havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, recebeu 36 emendas na CCJ do Senado, todas rejeitadas pelo relator. Durante a votação, senadores contrários à proposta argumentaram que a redução da jornada pode elevar custos para empresas e pressionar a inflação. O senador Rogério Marinho (PL-RN), por exemplo, defendeu maior flexibilidade para que empregadores e trabalhadores definam diferentes escalas.

Segundo Omar Aziz, a mudança poderá beneficiar mais de 37 milhões de trabalhadores. O relator também afirmou que a redução da jornada representa uma atualização das regras diante dos avanços de produtividade, tecnologia e organização do trabalho. Parlamentares favoráveis à PEC destacaram ainda possíveis impactos positivos sobre a saúde dos trabalhadores e a produtividade.

Como será implementada a nova escala?

Caso seja aprovada pelo Plenário do Senado, a mudança será implementada de forma gradual. Dois meses após a publicação da emenda, a jornada máxima passaria para 42 horas semanais. Um ano e dois meses depois, chegaria às 40 horas. Durante a transição, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer mecanismos de compensação, desde que sejam mantidos dois dias de repouso por semana.

Para ser aprovada no Senado, a PEC precisará passar por dois turnos de votação e receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um deles. Antes da primeira votação, são previstas cinco sessões de discussão, embora os prazos possam ser reduzidos mediante acordo entre os senadores.

Maldosamente perfeitas: 10 vilãs negras que ganharam o público

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Fotos: divulgação

De Mallory Bellarie a Marie Laveau, atrizes negras deram vida a personagens de vilania que o público não conseguiu deixar de amar.

Toda boa trama precisa de alguém para torcer contra, e é aí que mora a graça de assistir a essas personagens em ação. Elas mentem, manipulam, armam esquemas e deixam um rastro de confusão por onde passam, mas fazem isso com tanto estilo que vira impossível não prestar atenção só para ver o próximo passo. A audiência sabe que deveria estar do lado do mocinho, só que a vilã rouba a cena, o figurino, a trilha sonora e, no fim das contas, o coração do público também.

Atrizes negras vêm construindo algumas das versões mais afiadas desse arquétipo nos últimos anos, transformando papéis que poderiam ser rasos em personagens cheias de camadas, humor ácido e frases que grudam na memória. Separamos dez delas, personagens que fazem o espectador rir, se assustar e secretamente torcer para que saiam ilesas de mais um esquema.

Mallory Bellarie

Foto: divulgação/Netflix

Interpretada por Crystle Stewart em Beauty in Black, Mallory comanda um império de beleza com a frieza de quem não deixa espaço para sentimentalismo. A personagem mistura ambição corporativa com segredos de família, e cada decisão que ela toma parece calculada para machucar alguém específico.

Mariah Dillard

Foto: divulgação

Vivida por Alfre Woodard em Luke Cage, Mariah é vereadora do Harlem por dia e figura ligada ao crime organizado por trás das câmeras. A atuação de Woodard constrói uma mulher que acredita estar corrigindo injustiças históricas, o que torna sua trajetória de queda ainda mais perturbadora.

Monet Tejada

Foto: Paul Schiraldi/Starz

Mary J. Blige assume o comando de uma organização criminosa em Power Book II: Ghost como Monet, matriarca que trata os próprios filhos como peças de um tabuleiro. A personagem foi escrita sob medida para a cantora, e o resultado é uma rainha do tráfico que impõe respeito só de entrar em cena.

Cookie Lyon

Foto: divulgação

Taraji P. Henson não interpreta exatamente uma vilã em Empire, mas Cookie transita por zonas cinzentas o suficiente para entrar nessa lista. Ex-presidiária que retoma o controle da gravadora fundada com o ex-marido, ela ameaça, grita e ainda assim conquista a simpatia do público a cada aparição.

Marie Wallace

Foto: divulgação

Interpretada por Maya Lewis em Scandal, Marie chega para desestabilizar o núcleo de personagens já acostumado a lidar com manipulação política em Washington. A personagem reforça a tradição da série de criar antagonistas que jogam tão sujo quanto os protagonistas.

Amanda Waller

Foto: divulgação

Viola Davis dá corpo a uma das figuras mais temidas do universo DC. Amanda comanda operações secretas do governo sem hesitar em sacrificar heróis ou vilões para atingir seus objetivos, e a atriz constrói a personagem com uma frieza que dispensa qualquer exagero.

Mulher-Gato

Foto: divulgação

Duas atrizes negras marcaram versões diferentes da personagem: Eartha Kitt, na série clássica de Batman dos anos 1960, e Halle Berry, no filme solo de 2004. Cada uma trouxe uma leitura própria para Selina Kyle, sempre equilibrando charme e ameaça.

May Day

Foto: divulgação

Grace Jones interpreta a capanga e parceira do vilão Max Zorin em 007: Na Mira dos Assassinos. Com força física impressionante e presença que domina qualquer cena, May Day é lembrada até hoje como uma das capangas mais icônicas da franquia Bond.

Marie Laveau

Foto: divulgação

Angela Bassett e Lance Reddick dividem a mitologia vodu de American Horror Story: Coven como a Rainha Vodu de Nova Orleans e o loa que guarda as portas entre o mundo dos vivos e dos mortos. A dupla constrói um dos arcos mais sombrios da temporada, movido por um pacto que custa caro demais.

Natasha Karina

Foto: divulgação

Garcelle Beauvais encerra a lista como a ex-supermodelo dos anos 1990 de Survival of the Thickest. Natasha distribui farpas com a naturalidade de quem já viu tudo na vida e não tem paciência para perder tempo com quem não está à sua altura.

Thelminha anuncia saída da Mocidade Alegre após 21 anos na escola

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Foto: reprodução redes sociais

Apresentadora integrou oito dos 13 títulos da escola paulistana e se despede da Morada do Samba após duas décadas de trajetória como sambista.

A médica e apresentadora Thelminha anunciou nesta segunda-feira (1º), por meio das redes sociais, o fim de sua parceria com a Mocidade Alegre após 21 anos de história na escola de samba paulistana. Ao longo desse período, ela integrou oito das 13 conquistas da agremiação no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo.

Na publicação, Thelminha relembrou as diferentes funções que exerceu na escola. “Foram 21 anos fazendo parte dessa escola, onde construí grande parte da minha trajetória como sambista”, escreveu, ao citar as passagens como ritmista, passista, destaque de chão e destaque da comissão de frente.

Entre os momentos mais marcantes da trajetória de Thelminha na Mocidade Alegre estão o bicampeonato conquistado em 2023 e 2024 e o título deste ano, quando ela integrou a comissão de frente representando a atriz Léa Garcia, homenageada pela escola no desfile.

A apresentadora afirmou que encerra o ciclo com tranquilidade, mesmo diante das lembranças construídas ao longo de mais de duas décadas de Carnaval. Segundo ela, os desfiles inesquecíveis e a certeza de que a história ao lado da escola guarda capítulos que continuarão sendo lembrados tornam a despedida mais leve.

Thelminha também dedicou parte da publicação à comunidade da Morada do Samba, sede da Mocidade Alegre, a quem deixou uma mensagem de carinho antes de reforçar o significado de sua trajetória na agremiação. “Ser sambista é um privilégio e ter pertencido à Mocidade Alegre sempre será motivo de orgulho”, declarou.

Com o anúncio, a apresentadora encerra oficialmente uma passagem de 21 anos pela escola, sem detalhar ainda os próximos passos de sua carreira no Carnaval.

Tardezinha anuncia projeto que une corrida e entretenimento para 2027 

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Thiaguinho/Tardezinha
Tardezinha anuncia corrida de rua para 2027/Foto: Divulgação/Tardezinha

O cantor Thiaguinho vai levar a atmosfera do Tardezinha para além dos palcos. O artista anunciou a criação da Corrida Tardezinha, projeto que pretende unir esporte, música e entretenimento em um circuito de corridas de rua por seis capitais brasileiras em 2027.

A iniciativa terá etapas no Rio de Janeiro, Salvador, Belém, São Paulo, Brasília e Curitiba. A proposta é que os participantes tenham, além da experiência esportiva, momentos de celebração e integração ao fim de cada percurso, com música e atrações.

A Corrida Tardezinha busca reproduzir nas ruas o conceito que ajudou a transformar a Tardezinha em um dos maiores eventos de pagode do Brasil: a combinação de música, celebração e experiências coletivas.

Corrida Tardezinha terá seis etapas em 2027

O circuito passará por seis capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Salvador, Belém, São Paulo, Brasília e Curitiba. Cada etapa contará com estrutura própria para as largadas e provas, seguida de uma programação de encerramento com música e atrações para os participantes.

O projeto segue uma tendência de eventos que aproximam o universo da música das corridas de rua, criando experiências que vão além da competição esportiva.

A proposta é semelhante à da Corrida 100% Você, de Bell, Rafa e Pipo Marques, que também combina corrida e música. No evento, os artistas participam da experiência ao lado dos corredores e assumem o palco após as provas.

Com a Corrida Tardezinha, Thiaguinho pretende transportar para o universo esportivo a identidade do projeto musical que já reúne milhares de pessoas em diferentes cidades brasileiras.

ONU define medidas de reparação pelos efeitos da escravização a população negra

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ONU define medidas de reparação pelos efeitos da escravização
Foto: Canva Imagens

Recomendação do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial propõe medidas como compensações financeiras, pedidos oficiais de desculpas e abertura de arquivos

O Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) recomendou que os Estados adotem medidas de reparação pelos danos provocados pelo tráfico transatlântico de africanos escravizados, pela escravização e por seus efeitos persistentes sobre pessoas de ascendência africana.

A orientação foi formalizada na Recomendação Geral nº 40, aprovada pelo comitê no âmbito da interpretação da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, adotada em 1965. O documento representa uma mudança na forma como o órgão aborda a reparação, deslocando o debate da responsabilidade histórica para as obrigações atuais dos Estados no combate à discriminação racial.

O comitê também indicou medidas visando a reparação histórica do que definem como o crime mais grave contra a humanidade, entre elas estão compensações financeiras, pedidos oficiais de desculpas, abertura de arquivos históricos, revisão de monumentos públicos e criação de comissões independentes da verdade.

Segundo a interpretação do CERD, a análise das responsabilidades dos Estados deve considerar as obrigações internacionais vigentes atualmente, e não apenas as legislações existentes no período em que o tráfico transatlântico e a escravização ocorreram.

A recomendação não possui caráter juridicamente vinculante, mas pode servir como referência para debates políticos e ações judiciais relacionadas à reparação.

Reparação como resposta à discriminação racial

O documento relaciona os danos produzidos pelo tráfico transatlântico e pela escravização a desigualdades e formas de discriminação racial que permanecem no presente.

A especialista do CERD e uma das autoras da recomendação, Pela Boker-Wilson, afirmou à AFP que enfrentar as injustiças históricas não pode ser separado do combate à discriminação racial contemporânea.

A proposta do comitê considera que medidas reparatórias podem assumir diferentes formas e não se limitam à compensação financeira. O reconhecimento público, a preservação de documentos históricos e a revisão de narrativas e símbolos também aparecem entre as possibilidades apresentadas.

A discussão se insere em um movimento internacional mais amplo pela justiça reparatória. Em documentos anteriores, o próprio sistema das Nações Unidas já havia recomendado medidas de reparação relacionadas ao tráfico transatlântico de africanos escravizados e aos legados da escravização e do colonialismo.

Estados envolvidos no tráfico transatlântico

Estados Unidos, Reino Unido, França e Portugal fazem parte dos países que compõem a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, como nações que tiveram participação histórica no tráfico transatlântico de africanos escravizados e em processos coloniais.

Em março de 2026, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que classificou o tráfico de africanos escravizados e a escravização racializada de africanos como “o crime mais grave contra a humanidade”. A iniciativa reforçou, no âmbito internacional, o debate sobre memória, justiça e reparação.

A Recomendação Geral nº 40 passa a integrar um extenso debate a cerca das rotas que os Estados devem traçar, no enfrentamento as formas de discriminação racial que permanecem relacionadas a esse legado.

Fontes: AFP, Jornal O Globo.

Bienal do Livro de São Paulo reúne autores nacionais e internacionais em setembro; saiba quem são os autores negros presentes no evento

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Foto: Divulgação

Evento promove discussões, debates, entrevistas e trocas entre autores, leitores e criadores de conteúdo

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo acontece de 4 a 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi, na zona norte da capital paulista. Com o tema “Palavra e Futuro”, o evento terá programação voltada à literatura, tecnologia, inclusão e sustentabilidade e espera receber mais de 700 mil visitantes ao longo dos dez dias.

A edição deste ano reunirá cerca de 350 autores nacionais e internacionais, além de 269 expositores. Entre os nomes confirmados estão Alice Oseman, Elena Armas, Ana Huang e Lynn Painter, no grupo internacional, e Conceição Evaristo, Itamar Vieira Junior, Raphael Montes, Ana Suy e Paula Pimenta, entre os brasileiros.

Além dos encontros com escritores, a programação inclui sessões de autógrafos, lançamentos de livros, debates e atividades voltadas ao público infantil e juvenil. A Bienal também terá espaços dedicados ao mercado editorial e à formação profissional, ampliando a programação para além da venda de livros.

Uma das novidades desta edição é o sistema de cashback para estimular a visita durante a semana. De segunda a quinta-feira, após as 17h, o ingresso custa R$ 30 e dá direito a 100% de cashback para compras na feira. A meia-entrada custa R$ 15 e também oferece o benefício. Nos demais períodos, os ingressos variam de R$ 20 a R$ 42.

O evento funcionará das 9h às 22h nos dias úteis e das 10h às 22h aos fins de semana. No último dia, 13 de setembro, o encerramento será às 21h. Para facilitar o acesso, haverá transporte gratuito entre a estação Portuguesa-Tietê e o Distrito Anhembi, onde será realizada a Bienal.

Conheça os autores negros que irão palestrar

Para destacar a presença negra na programação da Bienal do Livro de São Paulo 2026, o evento reúne escritores, artistas, pesquisadores e intelectuais que têm trajetórias marcadas pela literatura, pela educação, pela cultura e pela representação da população negra. Entre nomes consagrados e novos expoentes, confira alguns dos autores negros que participam desta edição e as datas em que estarão no evento.

Conceição Evaristo

Conceição Evaristo é escritora, poeta, contista e ensaísta mineira, uma das principais vozes da literatura afro-brasileira contemporânea. Doutora em Literatura Comparada, estreou na literatura em 1990, com publicações nos Cadernos Negros. É autora de obras como Ponciá Vicêncio, Becos da Memória e Olhos d’água, vencedora do Prêmio Jabuti. Sua produção é marcada pelo conceito de “escrevivência”, que transforma experiências individuais e coletivas da população negra em matéria literária.

Presença na Bienal: 4 de setembro, às 15h30, na Arena Cultural, para a mesa “Conceição Evaristo: 80 anos de escrevivência”

Eliana Alves Cruz

Eliana Alves Cruz é escritora e jornalista carioca. Formada em Comunicação Social, construiu carreira na área de comunicação esportiva antes de se dedicar também à literatura. Estreou com Água de Barrela, romance baseado em pesquisas sobre a história de sua própria família desde o período da escravidão. Também é autora de O Crime do Cais do Valongo e A Vestida, livro vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Contos em 2022. Sua obra aborda memória, ancestralidade, racismo e a experiência da população negra no Brasil.

Presença na Bienal: 4 de setembro, às 17h30, na mesa “Escreviventes: A gente combinamos de escrever”, ao lado de Estevão Ribeiro e Marcelino Freire.

Estevão Ribeiro

Estevão Ribeiro é escritor, quadrinista, ilustrador, diretor e roteirista audiovisual. Natural de Vitória (ES), é criador das tirinhas Os Passarinhos e de Rê Tinta, personagem que acompanha uma menina negra e empoderada. Também participou de projetos como Pequenos Heróis e Futuros Heróis. Em sua produção, destaca-se a representação da negritude e a criação de personagens negros na literatura e nos quadrinhos.

Presença na Bienal: 4 de setembro, às 17h30, na mesa “Escreviventes: A gente combinamos de escrever”, com Eliana Alves Cruz e Marcelino Freire. 

Itamar Vieira Junior

Itamar Vieira Junior é escritor e geógrafo baiano, autor de Torto Arado, um dos grandes fenômenos da literatura brasileira contemporânea. O romance recebeu o Prêmio Leya, o Prêmio Jabuti e o Oceanos, entre outros. Doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), o autor também pesquisou comunidades quilombolas da Chapada Diamantina, tema que dialoga com sua produção literária.

Presença na Bienal: 13 de setembro, às 14h45, na mesa “Esse livro dá samba: quando a literatura entra na avenida”, ao lado de Socorro Acioli.

Michel Alcoforado

Michel Alcoforado é antropólogo, professor, escritor, palestrante e especialista em comportamento, consumo e inovação. Fundador do Grupo Consumoteca, tornou-se conhecido por pesquisas sobre comportamento e consumo e pela investigação sobre as elites brasileiras. É autor de De Tédio Ninguém Morre e Coisa de Rico, livro baseado em anos de pesquisa sobre os hábitos e códigos sociais dos brasileiros mais ricos.

Presença na Bienal: 4 de setembro, Às 17h30, na mesa “Coisa de Quem? Dinheiro, corpo e o direito de pertencer”.

Alcimar Frazão

Alcimar Frazão é quadrinista, ilustrador e gestor cultural, formado em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). É autor de romances gráficos como Ronda Noturna, Cadafalso e Lovistori, este último em parceria com o roteirista Lobo. Também atua como curador de programação cultural no Sesc São Paulo e participou da curadoria de exposições dedicadas à produção de quadrinhos brasileiros.

Presença na Bienal: 12 de setembro, às 19h30, na mesa “Quadrinhos e Literatura”

Bárbara Carine

Bárbara Carine é professora, escritora, palestrante e pesquisadora baiana, formada em Química e Filosofia pela UFBA, com mestrado e doutorado em Ensino de Química. É idealizadora da Escola Afro-Brasileira Maria Felipa, primeira escola afro-brasileira registrada em uma Secretaria de Educação no país. Autora de livros como Como ser um educador antirracista, vencedor do Prêmio Jabuti de 2024 na categoria Educação, dedica sua produção à educação antirracista, à ciência e à valorização dos saberes negros.

Presença na Bienal: 6 de setembro, às 10h30, na mesa “Descobrir quem somos começa cedo: letramento racial é coisa de criança”, com Kiusam de Oliveira. Ela também participa de sessão de autógrafos às 11h30. 

Renato Noguera

Renato Noguera é filósofo, professor, escritor e pesquisador, com trabalhos voltados principalmente às relações entre filosofia, educação, relações raciais e questões de gênero. Autor de livros como Por que amamos: o que os mitos têm a ver com o amor? e Mulheres e deusas, Noguera também é conhecido por sua atuação na divulgação do pensamento filosófico e na reflexão sobre masculinidades e relações humanas.

Presença na Bienal: 12 de setembro, às 17h30, na mesa “Masculinidades possíveis: ser homem em 2026”, ao lado de Milly Lacombe, Alexandre Coimbra Amaral e João Silvério Trevisan, no Salão de Ideias.

Estudo da USP confirma que Brasil é o país mais miscigenado do mundo

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Foto: gerada por IA

Estudo da USP publicado na Science mapeou o DNA de 2.723 brasileiros e associa a miscigenação do país a um padrão de violência sexual histórica.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo concluiu que o Brasil é o país com maior diversidade genética do mundo, resultado do sequenciamento completo do genoma de 2.723 pessoas de todas as regiões do país, de capitais a comunidades ribeirinhas. O trabalho integra o projeto DNA do Brasil, do Ministério da Saúde, e foi publicado em maio na Science, uma das revistas científicas mais influentes do mundo. Segundo o levantamento, a população brasileira carrega, em média, 60% de ancestralidade europeia, 27% de africana e 13% de indígena, com a europeia predominando no Sul e no Sudeste, a africana no Nordeste e a indígena no Norte e no Centro-Oeste.

Assimetria expõe violência sexual

Os dados revelam uma diferença expressiva entre a herança genética transmitida por homens e por mulheres ao longo da formação do país. A linhagem paterna, presente no cromossomo Y, é 71% europeia, enquanto o DNA mitocondrial, transmitido apenas de mãe para filho, carrega 42% de ancestralidade africana e 35% indígena. A geneticista Tábita Hünemeier, professora do Instituto de Biociências da USP e uma das coordenadoras da pesquisa, atribui esse padrão a um processo sistemático de violência contra mulheres indígenas e africanas. “Isso conta uma história de violência, seja ela qual for, porque é pouco provável que 80% das mulheres africanas quisessem ficar só com homens europeus e os homens indígenas somem da população”, afirmou a pesquisadora ao Jornal Nacional. Para Hünemeier, os resultados ajudam a desmontar a ideia de uma miscigenação consentida que, segundo ela, ainda sustenta parte da identidade nacional.

A historiadora Maria Helena Machado, da USP, especialista em gênero e maternidade durante a escravidão, reforça essa leitura. “A mulher escravizada, indígena ou africana, estava a serviço do escravizador, tornando corriqueiros os assédios e estupros”, disse Machado, autora, com o historiador Antonio Alexandre Cardoso, do livro “Geminiana e seus filhos: Escravidão, maternidade e morte no Brasil do século XIX”, publicado em 2024 pela editora Bazar do Tempo. Machado descreve as mulheres escravizadas como duplamente exploradas, tanto como força de trabalho quanto como reprodutoras, e situa esse padrão dentro de políticas de Estado que, já no Brasil independente, incentivavam a mestiçagem como caminho para o branqueamento da população. Como exemplo, ela cita propostas apresentadas em 1823 pelo deputado José Bonifácio de Andrada e Silva para estimular casamentos entre mulheres negras e indígenas com homens brancos, dentro de um projeto que buscava integrar a população negra à europeia.

Décadas antes da pesquisa da USP, o ativista, escritor e político Abdias Nascimento já questionava a miscigenação brasileira como fenômeno espontâneo. Em entrevista ao jornal O Globo publicada em 1978, ele descreveu a miscigenação, do modo como ocorreu no país, como um dos instrumentos de um processo mais amplo de genocídio contra a população negra, ao lado da destruição de línguas africanas e de assassinatos diretos. Nascimento definiu esse processo como uma forma de compulsão social que empurrava pessoas negras a embranquecer para obter aceitação e ascensão social. Em sua obra “O Genocídio do Negro Brasileiro”, publicada originalmente em 1978, ele associou a miscigenação brasileira à exploração sexual da mulher negra e à ideologia do branqueamento, difundida como projeto de nação a partir do século XIX. O autor fazia questão de dizer que não se posicionava contra a miscigenação em si, mas contra a forma como ela ocorreu no Brasil, sem igualdade de condições entre os grupos envolvidos.

Além da assimetria entre linhagens paterna e materna, os pesquisadores identificaram combinações de ancestralidade africana que não têm registro nem no continente africano, resultado do tráfico de pessoas retiradas à força de diferentes regiões da África e agrupadas no Brasil, muitas vezes sem falar o mesmo idioma. “Nós estamos sequenciando genomas de ancestralidade africana e indígena que ninguém está estudando. Os bancos de dados são todos de DNA de populações brancas”, afirmou Lygia da Veiga Pereira, geneticista da USP e coordenadora do projeto DNA do Brasil, ao Jornal Nacional. A equipe também identificou mais de 8 milhões de variações genéticas nunca antes registradas em nenhum banco de dados do mundo, além de definir 18 perfis genéticos distintos na população brasileira, a maioria deles combinando mais de uma ancestralidade.

Aplicações para a saúde pública

Os pesquisadores associam o mapeamento genético a avanços concretos na área da saúde, já que centenas dos genes identificados estão ligados a doenças que vão de pressão alta a diferentes tipos de câncer. O assistente administrativo Antônio Pereira da Silva, um dos participantes da pesquisa, descobriu ter predisposição a uma doença renal crônica e passou a adotar cuidados preventivos a partir do resultado. Lygia Pereira projeta que o conhecimento detalhado do genoma nacional poderá permitir a médicos identificar grupos de maior risco para exames como a mamografia antes da idade convencionalmente recomendada, reduzindo custos e ampliando a precisão dos diagnósticos. A equipe já sequenciou outros 7 mil genomas e prevê novos resultados nos próximos meses, com o objetivo de ampliar ainda mais a representatividade de populações africanas e indígenas nos bancos de dados genômicos globais.

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