Home Blog Page 5

10 anos de Atlanta: como Donald Glover reinventou a televisão ao contar histórias negras

0
Atlanta fez 10 anos de lançamento em setembro/Foto: IMDb

Estreada em 2016, série da FX rompeu com formatos tradicionais ao misturar comédia, drama, surrealismo, hip-hop e crítica social

Em setembro de 2016, uma série estreava na televisão norte-americana sem parecer muito interessada em explicar ao público exatamente o que ela era. Atlanta, criada por Donald Glover, chegava à FX acompanhando Earn Marks (Donald Glover), um jovem que retorna à cidade e passa a administrar a carreira musical do primo Alfred “Paper Boi” Miles (Brian Tyree Henry). Ao redor deles estavam Van (Zazie Beetz) e Darius (LaKeith Stanfield).

Dez anos depois, a produção é lembrada não apenas pelos personagens ou pelas histórias sobre a cena do hip-hop de Atlanta, mas pela maneira como ampliou as possibilidades da televisão. Desde os primeiros episódios, críticos destacaram sua originalidade, especificidade e capacidade de combinar humor, melancolia e observação social sem se prender às convenções de uma sitcom. A revista New Yorker, por exemplo, definiu a série como uma das produções mais interessantes daquela leva de comédias de meia hora de 2016 e chamou atenção para sua ênfase em personagem, atmosfera, lugar e ritmo.

A série está disponível no streaming Disney+.

Uma comédia que não queria ser apenas uma comédia

Uma das primeiras inovações de Atlanta foi justamente não se comportar como aquilo que a classificação “comédia” poderia fazer o público esperar.

A crítica publicada pelo TVLine antes da estreia já apontava que, embora tivesse meia hora de duração, seria enganoso simplesmente classificá-la como uma comédia. O Los Angeles Times, por sua vez, descreveu a produção como uma obra sutil e humana, centrada em personagens e no lugar onde eles vivem.

A própria estrutura da série confirma essa escolha. Um episódio pode acompanhar os problemas financeiros de Earn e, no seguinte, apresentar uma situação completamente absurda. A produção não estabelece uma fronteira rígida entre comédia, drama, terror, sátira e fantasia.

A experiência negra sem uma única fórmula

Atlanta também rompeu com uma expectativa frequente em narrativas sobre pessoas negras: a de que a história precisa necessariamente explicar a experiência racial para o público.

A série fala sobre racismo, pobreza, classe, dinheiro, identidade, violência, apropriação cultural e indústria musical. Mas seus personagens não existem apenas como instrumentos para discutir esses assuntos.

Eles são contraditórios, engraçados, egoístas, vulneráveis, ambiciosos e, muitas vezes, simplesmente estranhos.

A própria cidade ocupa um papel fundamental nessa construção. Em vez de funcionar apenas como cenário, Atlanta aparece como parte da identidade da produção, com sua história, cultura, lugares e relações sociais. Uma reportagem da Axios publicada em 2026, por ocasião dos 10 anos da série, destaca justamente o uso da cidade para abordar raça, estruturas de poder, capitalismo e identidade.

O absurdo como linguagem

Talvez nenhuma característica tenha se tornado tão associada a Atlanta quanto sua capacidade de transformar o absurdo em narrativa.

Um carro invisível. Uma versão negra de Justin Bieber. Um episódio apresentado como um programa de televisão dentro da própria série. Um rapper encontrando um jacaré. Uma história de terror protagonizada por Teddy Perkins.

Essas situações não são apenas “bizarras”. O absurdo permite que a série crie uma distância da realidade para falar sobre questões que são extremamente concretas.

“Teddy Perkins” e o terror dentro da comédia

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa liberdade é “Teddy Perkins”, episódio da segunda temporada.

Darius vai até uma mansão e encontra Teddy Perkins, personagem interpretado por Donald Glover com uma caracterização perturbadora. A história abandona boa parte da estrutura tradicional da série e assume elementos de terror psicológico.

O episódio chegou a ser indicado ao Emmy em categorias de direção e edição. (Television Academy)

Mais do que um episódio diferente, “Teddy Perkins” se tornou uma demonstração de que Atlanta poderia transformar seus próprios personagens e seu universo em matéria-prima para gêneros completamente diferentes.

A televisão como experimento

A liberdade narrativa se tornou ainda mais evidente nas temporadas seguintes.

Na terceira temporada, por exemplo, a série passou a apresentar episódios que funcionavam quase como curtas-metragens independentes. Alguns nem sequer acompanhavam diretamente Earn, Paper Boi, Van e Darius.

Em entrevista à GQ, Stephen Glover, roteirista e produtor executivo da série, explicou que a equipe sempre teve interesse na ideia de antologia e que, desde o início, brincava com a possibilidade de contar histórias completamente diferentes dentro de Atlanta.

O resultado foi uma produção que não precisava avançar sua trama principal a cada episódio para justificar sua existência.

Essa escolha chegou a provocar estranhamento entre parte do público, mas fazia parte da proposta criativa.

Uma cidade negra no centro da televisão

A escolha de Atlanta também é significativa.

Em vez de utilizar Nova York ou Los Angeles como centros inevitáveis de uma narrativa sobre indústria cultural, Atlanta colocou uma cidade do Sul dos Estados Unidos no centro da história. E não qualquer Atlanta: a Atlanta negra, musical, empresarial, periférica, rica, pobre, contraditória e culturalmente específica.

A Axios destaca que a produção surgiu em um momento particular da cidade, após os efeitos da Grande Recessão, e utilizou sua cultura, história e espaços como elementos para discutir questões maiores. A publicação também aponta que a série contou, naquele momento, com uma das poucas salas de roteiristas totalmente negras da televisão.

O hip-hop como parte da história

A música também não aparece apenas como trilha sonora.

A ascensão de Paper Boi permite que Atlanta explore a relação entre arte e dinheiro, fama e anonimato, autenticidade e indústria, comunidade e sucesso.

A carreira de um rapper funciona como ponto de partida para falar sobre as estruturas que cercam a cultura hip-hop — e sobre as expectativas colocadas sobre artistas negros.

Isso também aproxima a série da própria trajetória de Donald Glover, que atua simultaneamente como ator, roteirista, produtor, diretor, comediante e músico, sob o nome artístico Childish Gambino.

Uma série que também mudou o reconhecimento institucional

A inovação narrativa veio acompanhada de reconhecimento da indústria.

Segundo a Television Academy, Atlanta recebeu 26 indicações ao Emmy e conquistou sete prêmios. Entre eles estão as vitórias de Donald Glover como melhor ator em série de comédia e melhor direção de comédia em 2017.

A vitória na direção teve um significado histórico: Glover se tornou o primeiro homem negro a vencer o Emmy de direção em série de comédia.

A produção também recebeu reconhecimento por aspectos técnicos e artísticos. “Teddy Perkins”, por exemplo, foi indicado ao Emmy de direção e edição; anos depois, “Three Slaps” venceu na categoria de fotografia para série de meia hora.

Festival Break’Integração seleciona espetáculos de danças urbanas com cachês de até R$ 5,5 mil

0
Festival Break’Integração ocorre nos dias 16, 17 e 18 de outubro/Foto: Divulgação/Zayra Luiza

Inscrições para a segunda edição do festival ficam abertas até 1º de outubro; podem participar artistas solo e coletivos de qualquer lugar do estado de São Paulo

Artistas, dançarinos e bailarinos interessados em participar do 2° Festival de Break’Integração podem se inscrever gratuitamente até o dia 1° de outubro, quinta-feira, por meio de formulário. Realizado pelo Unity Warriors, o evento selecionará espetáculos de danças urbanas já estreados e trabalhos em processo de criação, com cachês que podem chegar até R$ 5.500. 

As inscrições são abertas a artistas solo e coletivos de danças urbanas de qualquer lugar do estado de São Paulo. O cadastro deve ser feito por meio do formulário disponibilizado pela organização, e o resultado da seleção será divulgado até 3 de outubro, nas redes sociais da Unity Warriors (@unitywarriors_br).

Para os espetáculos já estreados, serão selecionados até três trabalhos que tenham as danças urbanas como base de pesquisa e criação. Os espetáculos devem ter duração entre 30 e 60 minutos e os artistas terão um cachê de R$ 5.500.

Também serão escolhidos até nove espetáculos em processo de criação para integrar a Mostra de Processos do festival. Nesse caso, os trabalhos devem ter duração entre 15 e 30 minutos, e o cachê será de R$ 1.300 por trabalho selecionado.

O que é o Festival Break’Integração

Idealizado pela Unity Warriors, o Festival Break’Integração busca fortalecer a conexão entre artistas periféricos e promover a troca de saberes. A proposta também é alcançar públicos de todas as idades para a arte das danças urbanas, com espetáculos que têm o breaking dance como linha de pesquisa.

A segunda edição do festival será a última ação do projeto que celebra os 10 anos da Unity Warriors. O festival será realizado na Praça do Samba, em Perus, nos dias 16, 17 e 18 de outubro de 2026. A programação terá apresentações de três espetáculos de danças urbanas e nove espetáculos em processo de criação, selecionados por meio do edital aberto.

Além das apresentações, o festival terá um workshop com Thiago Negraxa, dançarino pioneiro e pesquisador referência nas danças urbanas. Ele compartilhará métodos de pesquisa com elementos fundamentais para a técnica do breaking, que carregam forte simbologia e são tradicionais no universo das batalhas.

A programação também contará com a mesa de conversa “Corpo Preto e Periférico em Cena”, com participação de Silvana de Jesus, Fabiano Maranhão e Igor Souza, fundador e diretor geral da Unity Warriors. O encontro abordará as relações étnico-raciais, a presença de corpos pretos e periféricos na cena artística e os desafios de produzir arte nas periferias, a partir das experiências dos integrantes da Unity Warriors como artistas, arte-educadores e agentes culturais.

A conversa também discutirá caminhos para ampliar a formação, a circulação e o acesso de artistas periféricos a novos espaços e oportunidades, fortalecendo trajetórias e abrindo novos horizontes por meio da arte.

O encerramento do festival ficará por conta da discotecagem do DJ Insano, em uma celebração que reunirá artistas e público em um encontro de música, dança e conexão. A atividade marcará os 10 anos da Unity Warriors com uma programação de música, dança e festa.

O Festival Break’Integração integra o projeto “Da Rua para o Palco, do Palco para a Rua – Unity Warriors 10 Anos”, do Grupo Unity Warriors, contemplado pela 38ª edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

Serviço

Festival Break’Integração – inscrições para seleção de espetáculos
Grátis

Gênero: Danças Urbanas
Inscrições: até 1º de outubro de 2026 (quinta-feira)
Resultado: até 3 de outubro de 2026, nas redes sociais da Unity Warriors
Instagram: @unitywarriors_br
Link de inscrição: formulário do 2º Festival Break’Integração (https://docs.google.com/forms/d/1pGaortwGhJ96juaa3G2DgWxbwkujuvtVlCvL0jbIA7w/viewform?edit_requested=true)
Quando: 16, 17 e 18 de outubro de 2026

Espetáculos de danças urbanas já estreados: até 3 selecionados; duração entre 30 e 60 minutos; cachê de R$ 5.500 por espetáculo.

Espetáculos em processo de criação: até 9 selecionados; duração entre 15 e 30 minutos; cachê de R$ 1.300 por trabalho.

Novidades de beleza assinadas por mulheres negras

0
Lançamentos da Negra Rosa, Pattern Beauty, Cécred, Fenty Skin e Fenty Beauty
Foto: Reprodução/ Instagram/ Divulgação

Fenty chega com nova base e cuidado para os olhos, enquanto Cécred, PATTERN Beauty e Negra Rosa apresentam novidades para pele e cabelos.

O mercado de beleza ganhou uma série de novidades recentes de marcas criadas por mulheres negras. Entre os lançamentos estão uma nova base da Fenty Beauty, um produto de skincare para a região dos olhos da Fenty Skin, perfume para cabelos da Cécred, ferramentas de styling da PATTERN Beauty e um blend de óleos da brasileira Negra Rosa.

Fenty Beauty aposta em nova base com 50 tons

A Fenty Beauty, de Rihanna, renovou sua proposta para a pele com a Pro Filt’r Fluid Flex Natural Matte Longwear Foundation. A base chega com 50 tons inéditos, incluindo mais opções de subtons neutros e ajustes nos subtons para ampliar as possibilidades de correspondência com diferentes peles.

A fórmula oferece cobertura média construível e acabamento matte natural. Segundo a marca, a tecnologia Fluid Flex foi desenvolvida para acompanhar os movimentos do rosto, enquanto a fórmula resiste a marcas, suor, umidade e transferência.

A novidade já aparece entre os lançamentos da Fenty Beauty, inclusive na versão brasileira do site da marca.

Fenty Skin lança cuidado para a região dos olhos

Na Fenty Skin, o destaque é o Dew N Plump Fresh-Sliced Hydrogel Eye Patches, novo produto voltado para a região abaixo dos olhos.

O diferencial começa na própria embalagem: ao girar a tampa, o sistema corta um par de patches de hidrogel por vez. A fórmula reúne ingredientes como niacinamida, pantenol, ácido hialurônico, esqualano e extratos de melancia, acerola e carambola.

O produto aparece atualmente no site oficial da marca como “coming soon”, portanto a disponibilidade pode variar conforme o mercado.

Cécred transforma fragrância em cuidado para os fios

Foto: Reprodução/ Instagram

A Cécred, marca de Beyoncé, lançou o Temple Oud Hair Perfume, uma fragrância desenvolvida especificamente para o cabelo.

O perfume tem perfil amadeirado e floral, com notas de bergamota e jasmim noturno que dão lugar ao oud, sândalo australiano e vetiver haitiano. A marca indica o uso depois da finalização ou entre os dias de lavagem, para renovar o perfume dos fios.

O produto foi pensado para todos os tipos e texturas de cabelo e tem 50 ml.

PATTERN amplia linha de styling térmico

Foto: Reprodução/Instagram

A PATTERN Beauty, de Tracee Ellis Ross, também entrou no território das ferramentas térmicas com uma linha voltada à preparação e finalização de cabelos texturizados.

Entre as novidades estão a Vibrating Flat Iron, chapinha com placas revestidas de cerâmica e tecnologia de vibração, e o Blow Out Primer, produto de preparação para o uso do secador. A linha foi desenvolvida considerando cabelos cacheados, crespos e texturas mais fechadas.

A proposta amplia o portfólio da PATTERN para momentos de styling que envolvem blowouts e silk press.

Negra Rosa aposta em blend de óleos

Foto: Divulgação

A brasileira Negra Rosa apresenta o Blend Cap. Rosa Mosq., indicado para cabelos cacheados e crespos.

A composição reúne óleo de rosa-canina, óleo de rícino e óleo de coco, além de ingredientes como pantenol e vitamina E. O produto integra o portfólio de cuidados capilares da marca, criada com foco nas necessidades de mulheres negras.

Amani Clínica & Spa: família de médicos negros une ciência e cuidado em novo espaço de bem-estar no Rio de Janeiro

0
Liana Tito, Gilmar Francisco e Aline Tito são sócios da Amani/Foto: Lia Maciel

A Amani Clínica & Spa, inaugurada nos últimos dias no Rio de Janeiro, nasceu da proposta de aliar ciência e saúde ao bem-estar e longevidade. Comandada totalmente profissionais negros, a clínica foi criada para oferecer sofisticação e criar um espaço que acolhe sem excluir e sem padronizar, segundo os fundadores.

Os sócios Liana Tito e Aline Tito, que são irmãs, e Gilmar Francisco, marido de Liana, são médicos de diferentes especialidades: oftalmologista, nutrólogo e cardiologista, respectivamente. A ideia de unir os profissionais da família e criar um negócio próprio veio após uma viagem para Zanzibar, um arquipélago da Tanzânia, na costa leste da África, em fevereiro deste ano. 

“Naquele lugar experimentamos uma sensação de paz que nos marcou profundamente”, diz Liana ao Mundo Negro. “Voltamos daquela viagem com a ideia de que a nossa família poderia construir um caminho para que muitas outras pessoas e famílias experimentassem algo semelhante, não simplesmente ocupar um espaço, mas verdadeiramente pertencer”. 

A médica e empresária, conta que esse é o lema do ambiente que a família construiu: “Aqui ninguém ocupa. Todos pertencem”.

O nome da clínica também foi inspirado nessa viagem: em suaíli, idioma falado em Zanzibar, “amani” significa “paz”.

Estar à frente de um negócio de saúde e bem-estar composto completamente por pessoas pretas tem um significado especial para Liana e seus sócios. Segundo ela, a clínica é um espaço construído por profissionais que não precisam apagar sua identidade para pertencer.

A formação em medicina é um ambiente historicamente ocupado, em maioria, por pessoas brancas. O custo para uma faculdade, ou até mesmo o acesso às condições para se chegar lá ainda representa uma barreira para uma parcela significativa da população negra brasileira. “Por isso, construir um negócio de saúde formado majoritariamente por profissionais negros carrega um simbolismo muito grande”, conta Liana.

A profissional ainda ressalta o que vem junto com essa representatividade e liderança: um diferencial, pois se produz algo que não se fabrica, o “pertencimento genuíno”. 

“Queremos ampliar o imaginário sobre quem pode estar nos espaços de excelência, liderança, ciência, sofisticação e, ao mesmo tempo, contribuir para que novos caminhos e possibilidades possam surgir a partir dessa presença”. 

Negócio negro e familiar 

Liana define o empreendimento familiar como “dor e delícia”. O fato de trabalhar com sua irmã e marido faz com que qualquer reunião familiar possa se tornar uma reunião de trabalho. 

“Em um momento, as crianças reclamam que não querem mais ouvir sobre a Amani. No instante seguinte, já estão explicando quais funções pretendem desempenhar quando forem adultas”, diz Liana.

A profissional também diz que é emocionante o olhar de seus pais, que carrega o orgulho de ver os filhos atravessando barreiras que, durante muito tempo, eles acreditaram que seriam intransponíveis. 

“Talvez, essa seja uma das coisas mais bonitas de se construir um negócio familiar: em algum momento, empresa, família, amizade, memória e futuro começam a se misturar”, diz Liana.

Comunidade de clientes

Segundo os sócios, o objetivo do novo negócio não é somente oferecer serviços de saúde e de medicina, mas também construir uma comunidade. Liana diz que construir vínculos duradouros e participar de diferentes momentos de cada pessoa e de sua família é um dos propósitos da clínica. 

Apesar de um olhar sensível e emotivo pela causa, Liana mantém os pés no chão e enxerga essa relação entre profissional e cliente como uma estratégia de negócio a ser seguida: “Hoje o cliente é mais informado e mais exigente. Ele quer resultado, mas quer compreender o tratamento. Quer tecnologia, mas também quer ser ouvido. Quer cuidar da aparência, mas não necessariamente deseja uma beleza padronizada… A Amani pretende responder a esse novo paciente oferecendo medicina baseada em ciência, prevenção, acompanhamento longitudinal e uma experiência de cuidado atenta”, conclui a médica e empresária. 

Sobre a clínica

A Amani oferece atendimentos nas especialidades de oftalmologia, cardiologia, ginecologia, dermatologia, nutrologia, psiquiatria e mais. Por enquanto, o local não aceita convênios médicos. 

A Amani está localizada no endereço: Largo do Machado, 21, Catete, Rio de Janeiro.

Lula assina MP que proíbe as bets no Brasil

0
Lula assina MP que proíbe bets no Brasil/Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta sexta-feira (25) a Medida Provisória (MP) que proíbe a atividade das bets no país. A um pouco mais de uma semana das eleições, Lula determina o fim das casas de apostas e também os cassinos on-line, como o famoso jogo do Tigrinho, a fim de combater o endividamento das famílias e a ludopatia (vício em jogos). 

A MP tem vigência imediata e vai passar por aprovação no Congresso Nacional em até 120 dias para continuar valendo.

Os sites e aplicativos deverão ficar disponíveis até às 23h59 do dia 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno, para quem tem dinheiro a ser resgatado. Após este prazo, os sites deverão ser bloqueados e haverá informações sobre como resgatar possíveis valores dos jogos.

Além da MP, Lula também apresentará um projeto de lei que visa criminalizar as bets e seus operadores, que deve ser avaliado por parlamentares. 

A medida tomada pelo atual presidente da República, candidato à reeleição, faz parte de um discurso que Lula já vem pautando em seu processo eleitoral. Foi em seu governo que houve a regulamentação das bets no Brasil, com a Lei 14.790, assinada em dezembro de 2023.

De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo vem olhando a qualidade de vida da população, bem como sua renda e saúde mental, o que motivou a assinatura desta MP. Durigan ainda firmou que a pasta está lançando um novo programa de renegociação de débitos de pessoas físicas, focados em dívidas antigas, em que o governo comprará esses débitos com desconto. 

Manifesto de Amor para a juventude negra

0
Livia Silva (Dalila) e eixe (Cauê Campos) - Foto: Reprodução

Ao nos debruçarmos a pensar sobre o futuro da teledramaturgia negra, ficamos empolgados pelo surgimento de atrizes negras que nos impactam, e torcemos para que elas ganhem mais cenas na novela “Por Você”.

As atrizes Bia Santana (Suelen), Livia Silva (Dalila) e Laura Luz (Glorinha) são sensacionais. Com figurinos simples e cabelos cacheados naturais nos levam a sonhar como são especiais estas jovens atrizes.

Há leveza, humor, dramaticidade e afeto na representação dessas meninas negras. Nos leva aos tempos de escola, tempos de sonhos, tempos de magia em nossas vidas, e é fácil se apaixonar por estas atrizes. Elas representam o bom senso, a criatividade, a paixão inicial. Todos nós que nos apaixonamos uma vez na juventude carregamos na memória o primeiro beijo, o primeiro olhar.

Dois amigos podem se apaixonar? A amizade pode ser afetada quando uma pessoa amiga se apaixona e a outra não corresponde, insiste que a melhor relação é manter a amizade? O amor é um sentimento complexo que alavanca a vida de um casal quando os dois estão apaixonados.

E o que acontece quando a paixão só atinge uma das pessoas? O sofrimento e a desilusão fazem parte das emoções que vivem as pessoas que ousam se apaixonar, sendo ou não correspondidos. É um risco.

Há cenas de amor que só pelo olhar dos atores Livia Silva (Dalila) e Cauê Campos (Peixe) nos inspiram detalhes maravilhosos. O olhar entre eles transmite paixão, desejo, atração e muito amor. São cenas que ficam eternizadas em nossa memória. São segundos na televisão que queremos ver muitas vezes. Falar de amor entre jovens negros é revolucionário: significa vida, esperança, tesão e sonhos que a vida vale a pena.

Há muita alegria, e é preciso investir na vida de jovens, investir em sonhos em que a juventude negra possa estudar, trabalhar, viver com dignidade e falar muito de amor. Grande parte dos textos sobre a juventude negra são de denúncias sobre a violência, o genocídio.

Hoje gostaria de lançar um manifesto de amor para jovens negros. Não é alienação sobre a dureza do trabalho precarizado, da jornada de trabalho extenuante, da violência policial, da falta de qualidade nas escolas.

Falar de amor é um gritar pela vida e esperança para a juventude negra.

Convido-os a ler uma poesia de Solano Trindade:

Amar é uma constante em mim

Amar é uma constante em mim

Amar é uma constante em mim
Tive o passado firmado no amor
O meu presente é uma afirmação de amor
O meu futuro será baseado no amor

Nunca amei as coisas
Não amo as coisas
Não amarei as coisas

O ser humano é a minha bandeira
Esta é a minha arte

Outras vezes cantei
Não espero ser amado
O que me interessa é amar
Amar com intensidade
Invariavelmente

O meu amor não está limitado ao tempo
E ao espaço

Tem um sentido estético
É eterno
É mais que um beijo
É mais que uma cópula
É mais que um desejo
É uma vontade permanente de amar

Foi o canto da minha adolescência
Foi a música da minha felicidade
É o ritmo da minha velhice.

Dr. Lucas Diniz avança no doutorado na USP com tese sobre inteligência artificial, face negra e diagnóstico infantil

0
Dr Lucas Diniz - Foto: Reprodução Instagram

O médico Lucas Diniz foi aprovado, no dia 24 de setembro, na qualificação do doutorado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). A tese desenvolve uma ferramenta de inteligência artificial que analisa fotografias do rosto para ajudar a identificar mais cedo crianças com a síndrome de Crouzon. O estudo tem um cuidado raro na área: a maior parte dos participantes é de pessoas pretas e pardas. A defesa está prevista para 2027.

A pesquisa, orientada pelo professor Nivaldo Alonso, nasceu de uma lacuna antiga da medicina. “Os manuais de cirurgia com que a gente aprende foram construídos sobre medidas de rostos brancos europeus”, afirma Diniz. Ao longo do trabalho, ele percebeu que a inteligência artificial repete o mesmo problema. “A inteligência artificial olha para um rosto do jeito que foi ensinada a olhar, com uma régua feita a partir de um grupo só, e erra mais quanto mais escura é a pele. Se a máquina erra mais no nosso rosto, a pergunta deixa de ser estética e passa a ser de possibilidade de diagnóstico.”

A síndrome de Crouzon faz os ossos do crânio se fecharem cedo demais, o que compromete o crescimento do rosto, a respiração e a visão da criança. A ferramenta não dá diagnóstico: ela aponta sinais que merecem a avaliação de um especialista, e a confirmação continua dependendo do médico e do exame genético. O ganho é de tempo. Segundo o pesquisador, essas crianças costumam passar por vários médicos antes de chegar a um centro especializado, enquanto a janela ideal para a cirurgia são os primeiros anos de vida.

Diniz reconhece o peso histórico de medir rostos negros. “Por muito tempo mediram a gente para tentar provar inferioridade, e eu sei disso quando escolho trabalhar com medida facial. O que muda é a finalidade, e muda quem está segurando o instrumento.” Ele lembra que quase todas as ferramentas de análise facial usadas na saúde foram treinadas em populações majoritariamente não negras, e que a maior parte dos estudos nem informa como esses sistemas funcionam em peles mais escuras. Na sua pesquisa, o desempenho da ferramenta é avaliado separadamente por grupo. “Isso permite saber onde a ferramenta funciona pior e corrigir antes que ela chegue ao público, em vez de descobrir depois que ela não funciona.”

O algoritmo foi desenvolvido com o apoio do professor André Dantas e de Bruno Oliveira. A banca de qualificação reuniu os professores Iolanda Tiberio, Leandro Luongo, Luiz Kowalski e Vera Lúcia Cardim.

Para o médico, a aprovação é também um marco pessoal. “Chegar até aqui num doutorado da Faculdade de Medicina da USP levando uma pergunta que nasceu da nossa realidade, e não apesar dela, é muito gratificante. Espero, de coração, que esse trabalho ajude famílias e crianças a chegarem ao diagnóstico certo e ao tratamento no tempo certo.”

Quando a influência pesa

0
Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

Por Letícia Sotero

Tenho acompanhado de perto as transformações que aconteceram na creator economy nos últimos anos e vi muitos talentos serem descobertos, conteúdos viralizarem, formatos se tornarem padrão para a publicidade digital, novas plataformas surgirem e novas maneiras de ganhar dinheiro e permanecer relevante aparecerem quase na mesma velocidade.

Quando faço o recorte desse cenário promissor para os creators negros, existe uma preocupação que tem ficado cada vez mais presente para mim: o que acontece com a saúde mental de quem viveu, em um curto espaço de tempo, uma grande ascensão financeira e de acesso e agora precisa conviver com dúvidas constantes sobre o amanhã?

Talvez eu pense nisso também por ter vivido, de algum modo, os dois lados dessa história. Estive próxima de um mercado que, especialmente entre 2020 e 2022, viu muito dinheiro circular, grandes oportunidades aparecerem e uma quantidade significativa de pessoas negras ocuparem espaços que durante muito tempo pareciam inacessíveis.

E também estou acompanhando o que acontece agora, quando algumas dessas oportunidades já não existem na mesma proporção e começam a aparecer dúvidas que antes não estavam tão presentes: quanto tempo essa carreira vai durar? De onde vem o próximo contrato? Como manter uma estrutura de vida que foi construída durante um período de maior prosperidade?

São perguntas sobre carreira, mas também atravessam autoestima, sensação de segurança e, em alguns casos, a própria saúde mental.

Não acho que seja possível falar sobre isso sem voltar para 2020, a pandemia mudou a relação das pessoas com a internet, acelerou o consumo de conteúdo e abriu espaço para uma geração de criadores que talvez, em outro momento, demorasse muito mais para ser vista.

Para os creators negros, esse movimento teve uma camada ainda mais importante. O tragico assassinato de George Floyd e a força que o Black Lives Matter ganhou naquele período recolocaram a discussão racial no centro das conversas de marcas, agências e plataformas.

No Brasil, isso significou também mais interesse, mais campanhas e mais espaço para pessoas negras que já produziam conteúdo, mas que durante muito tempo não eram consideradas pelo mercado publicitário.

Foi um momento importante, e, para muita gente, foi também a primeira vez em que a internet deixou de parecer apenas uma possibilidade e passou a representar uma mudança real de vida.

O problema é que oportunidade e estrutura são coisas diferentes.

O mercado aprendeu rapidamente a contratar creators, mas nem sempre houve o mesmo esforço para prepará-los para o que vinha depois. Muitos profissionais passaram, em pouco tempo, de conteúdos feitos como hobby ou como uma tentativa de ganhar alguma renda para contratos de valores que nunca tinham administrado antes.

E não estou falando apenas de saber quanto cobrar por um post, estou falando de entender imposto, contrato, reserva financeira, patrimônio, investimento, propriedade intelectual, diversificação de receita e, principalmente, como transformar um período de alta demanda em uma carreira sustentável.

A gente ensinou muita gente a entrar no mercado, mas pouco se falou sobre como permanecer nele, e talvez essa conta esteja chegando agora.

Porque ganhar muito dinheiro em determinado período não significa necessariamente ter construído segurança financeira. Quando a renda diminui, não volta apenas a preocupação com as contas, volta também uma pergunta mais difícil: quem você é quando deixa de receber a quantidade de atenção que recebia antes?

Tem uma música que diz: “negro sem dinheiro fica sem sossego”. É uma frase dura, mas acho que ela ajuda a explicar alguma coisa; para muitas pessoas negras, dinheiro não representa apenas consumo, representa liberdade, autonomia, possibilidade de ajudar a família, mudar de casa, viajar, contratar pessoas, abrir um negócio.

Existe uma dimensão de ascensão social que pesa muito nessa relação, e quando alguém experimenta isso publicamente e depois precisa lidar com uma redução de renda, a perda não acontece apenas no extrato bancário, existe também o esforço para sustentar a imagem de vida que foi construída nas redes sociais.

E as redes sociais não ajudam muito nesse processo. Elas são trabalho, vitrine, currículo, comunidade e palco, tudo ao mesmo tempo, e creator precisa continuar aparecendo, produzindo, performando, acompanhando números, respondendo à audiência e tentando entender o que o algoritmo quer dele.

Curtidas, comentários e visualizações deixam de ser apenas métricas de conteúdo e podem começar a funcionar como uma espécie de avaliação diária do próprio valor. Quando um conteúdo vai mal, não é difícil que a sensação de “esse conteúdo não funcionou” vire “eu não estou funcionando”.

A literatura científica sobre creators ainda é relativamente recente, mas já começa a registrar essa relação entre a atividade e o sofrimento psicológico. Estudos apontam experiências de estresse, burnout e ansiedade entre esses profissionais, além da pressão para manter uma persona pública e responder constantemente às expectativas da audiência.

Um estudo qualitativo com creators do Instagram, por exemplo, identificou relatos de estresse relacionados à expectativa de alcançar determinados níveis de curtidas e ao impacto dessa cobrança para além da própria plataforma.

Não dá para dizer que a rede social causa doenças mentais ou que todo creator está adoecendo, mas existe um ambiente de trabalho que coloca a pessoa em exposição constante, transforma atenção em moeda e faz com que o desempenho possa ser medido publicamente todos os dias.

Para creators negros, existe ainda outra camada, porque a experiência digital não acontece fora do racismo. Existe a exposição a comentários racistas, ataques, cobrança para falar sobre determinados assuntos, expectativa de representação e, muitas vezes, a necessidade de transformar a própria experiência em conteúdo.

O creator negro pode ser contratado pela sua criatividade, mas também pode ser convocado a representar uma pauta, uma comunidade ou uma ideia de diversidade. E representar também cansa.

Talvez por isso eu tenha dificuldade quando a discussão sobre saúde mental dos creators é reduzida a “faça terapia” ou “tire um tempo das redes”.

Claro que terapia, descanso e rede de apoio são importantes, mas existe uma dimensão profissional nesse problema que também precisa ser discutida: a saúde mental desse trabalhador também passa pela maneira como ele constrói a própria carreira.

Quando toda a renda depende da próxima publicidade, qualquer mudança no mercado vira uma ameaça. Quando a identidade profissional depende de um determinado número de seguidores, qualquer queda de alcance vira uma crise, quando o padrão de vida foi construído em cima de uma fase excepcional de faturamento, voltar para uma realidade mais simples pode parecer fracasso.

Aquela janela de atenção que se abriu para as pautas raciais durante a pandemia não permaneceu com a mesma intensidade, as empresas reorganizaram investimentos, algumas estruturas de diversidade foram reduzidas ou modificadas e pessoas que antes funcionavam como importantes pontes entre marcas e comunidades deixaram de ocupar determinados espaços de decisão.

Isso não significa que a pauta racial tenha desaparecido nem que o mercado tenha deixado de contratar creators negros. Mas parte daquela demanda extraordinária não se transformou, necessariamente, em uma estrutura permanente de oportunidades.

E quem construiu a vida acreditando que aquele ritmo seria o novo normal sentiu, e ainda sente, essa mudança.

É aí que volto a pensar no criador como uma espécie de novo jogador de futebol. Durante muito tempo, o jogador de futebol foi colocado nesse lugar de possibilidade de salvação. O menino que poderia mudar a própria vida, comprar a casa dos pais, ajudar os irmãos, tirar a família da dificuldade, e hoje, para muitas pessoas, principalmente jovens das periferias, o criador de conteúdo ocupa um lugar parecido.

É aquela pessoa que pode viralizar, fechar uma grande campanha e mudar tudo de uma hora para outra.

Só que a internet também produz uma ilusão perigosa: parece que a oportunidade está sempre a um viral de distância, e não está.

O mercado já está cheio de creators dos mais diferentes nichos, a atenção está cada vez mais disputada e ter milhões de seguidores não significa necessariamente ter milhões de visualizações, e uma audiência construída em 2020 pode responder de uma maneira completamente diferente em 2026.

Há creators que viralizaram com uma dança, um meme, um personagem ou um formato específico e que hoje já não ocupam o mesmo espaço na disputa pela atenção.

Alguns continuam produzindo, mas deixaram de ser lembrados pela publicidade, outros precisaram reconstruir completamente o negócio, e isso pode ser especialmente difícil quando o sucesso anterior continua registrado no feed.

A internet não apaga a fase em que você viajou, comprou, frequentou determinados lugares, fechou grandes campanhas ou mostrou uma vida que naquele momento era possível.

Tudo continua ali, onde existe uma pressão silenciosa para sustentar aquele padrão, mesmo quando a realidade financeira já mudou.

É como se o creator precisasse performar prosperidade mesmo quando está tentando descobrir como pagar as próximas contas.

Talvez uma das maiores dificuldades dessa profissão seja justamente aprender a sobreviver não apenas ao fracasso, mas também ao sucesso passado.

Por isso, acho que a conversa sobre saúde mental dos creators precisa começar também por uma conversa sobre dinheiro, mas não como uma cobrança para que todo creator vire empresário ou transforme tudo em negócio, mas como uma forma de ampliar suas possibilidades de escolha.

Uma audiência pode gerar publicidade, mas não deveria depender exclusivamente dela. Pode gerar produtos, eventos, licenciamento, propriedade intelectual, comunidades, negócios e outras fontes de receita.

Um creator pode construir uma carreira que exista para além do algoritmo e, principalmente, para além do próximo contrato.

Isso não resolve ansiedade, depressão, burnout ou qualquer outro sofrimento psíquico. Saúde mental é papo sério e muito mais complexa que planejamento financeiro, mas ter mais autonomia financeira e profissional pode diminuir uma parte da vulnerabilidade que existe quando toda a vida depende da próxima oportunidade.

Talvez a gente precise parar de pensar no creator apenas como alguém que consegue atenção e começar a enxergá-lo como um trabalhador que precisa construir uma carreira possível de sustentar, porque o problema não é deixar de viralizar, é acreditar que, para continuar existindo profissionalmente, você precisa continuar viralizando.

A internet pode, sim, mudar uma vida como já mudou a de muita gente, mas uma carreira não pode depender eternamente de um momento de exceção, e o desafio dessa geração de creators negros talvez não seja apenas conquistar mais atenção, é aprender a transformar a atenção que já conquistaram em autonomia, patrimônio, negócio, escolha e, principalmente, em uma vida que continue fazendo sentido quando o algoritmo decidir olhar para outro lado.

Mulher que acusou Jay-Z de estupro retira acusações

0
Foto: Getty Imagens/Phillip Faraone

Em declaração à Justiça de Nova York, Jane Doe diz que nunca conheceu o rapper, pede desculpas à família dele e afirma que as alegações eram falsas

A mulher que acusou Jay-Z de estupro em 2024 retirou integralmente as acusações em uma declaração apresentada nesta quinta-feira (24) à Corte Federal de Manhattan, em Nova York, na qual afirma que nunca conheceu nem falou com o rapper. Identificada nos processos apenas pelo nome fictício Jane Doe, ela declarou, sob pena de perjúrio, que Shawn Carter, nome de registro de Jay-Z, jamais a estuprou ou teve qualquer conduta inadequada com ela. O documento, de 12 páginas, foi obtido pela revista Rolling Stone.

Na declaração, Jane Doe escreveu que “não há verdade em nenhuma das minhas alegações contra o Sr. Carter” e reconheceu que as acusações causaram ao rapper “imensa dor, sofrimento e danos que jamais poderão ser totalmente reparados”. Ela afirma que decidiu se retratar de forma voluntária, sem receber pagamento ou compensação financeira de Jay-Z ou de qualquer pessoa agindo em nome dele.

Em comunicado, o novo advogado de Jane Doe, James Blair Newman Jr., afirmou que a cliente mantém a afirmação de que foi vítima de agressão sexual, mas se equivocou completamente ao identificar Jay-Z como autor. Segundo o advogado, ela “pede sinceras e incondicionais desculpas” ao rapper e à família dele, que inclui a cantora Beyoncé, casada com Jay-Z desde 2008.

Jane Doe também relatou ter informado sua equipe jurídica da época sobre determinadas “condições de saúde mental” antes de o nome de Jay-Z ser tornado público no processo, em dezembro de 2024.

Acusação surgiu após anúncio sobre Diddy

De acordo com a declaração, Jane Doe viu em setembro ou outubro de 2024 um anúncio no Facebook que procurava pessoas com denúncias de agressão sexual contra o rapper e produtor Sean Combs, conhecido como Diddy. Ela conta que entrou em contato com o escritório AVA Law Group e foi encaminhada ao advogado texano Tony Buzbee, que apresentou uma queixa em seu nome. Segundo o documento, a ação contra Combs, protocolada em outubro de 2024, foi apresentada sem o conhecimento dela e sem investigação independente.

Na ação, Jane Doe afirmava ter sido estuprada aos 13 anos por Combs e por uma celebridade masculina não identificada em uma festa após o MTV Video Music Awards de 2000, em Nova York. Em dezembro de 2024, a queixa foi alterada e passou a citar Jay-Z nominalmente. Na nova declaração, ela afirma que seus relatos mudaram ao longo do processo, que se lembrava de uma festa após outra premiação e que os advogados pediram um teste de polígrafo depois que surgiram inconsistências. Os advogados de Combs também negaram as acusações.

Jay-Z negou as alegações desde a primeira citação e acusou Buzbee de tentativa de chantagem. Em fevereiro de 2025, Jane Doe desistiu voluntariamente da ação, sem acordo financeiro, decisão que à época atribuiu ao medo de retaliação, embora mantivesse as acusações.

Jay-Z mantém ação contra o advogado Tony Buzbee

Junto com a declaração, a defesa de Jay-Z informou à Justiça que o rapper retirou Jane Doe da lista de réus da ação por acusação maliciosa que move desde 2025 contra ela, Tony Buzbee e o escritório do advogado, sediado no Texas. O processo segue agora apenas contra Buzbee e a firma.

Em declaração anterior no mesmo caso, Jay-Z afirmou que as acusações lhe causaram perdas de cerca de US$ 20 milhões em receitas e prejudicaram as relações dele e de sua empresa, a Roc Nation, com parceiros dos setores de esporte e entretenimento. Em entrevista à revista GQ publicada em março, antes da retratação, o rapper disse que viveu um período “muito difícil” e que ficou “de coração partido”.

Uma outra ação de Jay-Z contra Buzbee, apresentada na Califórnia sob a acusação de extorsão, foi rejeitada pela Justiça, decisão mantida em recurso no início deste mês. Buzbee afirmou não ter visto a nova declaração de Jane Doe e segue representando outras pessoas em processos civis contra Sean Combs.

Will Smith faz 58 anos; relembre dez sucessos do ator

0
Foto: divulgação

Vencedor do Oscar por King Richard, o ator nascido na Filadélfia começou no rap e ficou conhecido em Um Maluco no Pedaço antes de se firmar em Hollywood

Will Smith completa 58 anos nesta sexta-feira (25) com uma carreira que começou na música, na dupla de rap DJ Jazzy Jeff & The Fresh Prince. Nascido na Filadélfia, nos Estados Unidos, em 1968, ele venceu em 1989 o primeiro Grammy entregue na categoria de melhor performance de rap, com a faixa “Parents Just Don’t Understand”, e soma quatro prêmios da Academia de Gravação, dois com a dupla e dois na carreira solo. A estreia como ator veio em 1990, como protagonista da série Um Maluco no Pedaço, exibida pela NBC até 1996.

No cinema, Will Smith se consolidou em Hollywood com filmes de ação e ficção científica que lideraram as bilheterias nos anos 1990 e 2000 e recebeu três indicações ao Oscar de melhor ator, por Ali, À Procura da Felicidade e King Richard: Criando Campeãs. Pelo último, venceu a estatueta em 2022 e se tornou o quinto homem negro premiado na categoria, depois de Sidney Poitier, Denzel Washington, Jamie Foxx e Forest Whitaker. No mesmo ano, recebeu também o Globo de Ouro, o BAFTA e o prêmio do Sindicato dos Atores pelo papel. Confira dez trabalhos que marcaram a carreira do ator.

Will em Um Maluco no Pedaço (1990 a 1996)

Foto: divulgação

Na série criada a partir de uma ideia do produtor Benny Medina, Will Smith interpretou uma versão ficcional de si mesmo, um jovem da Filadélfia que vai morar com os tios ricos em Bel-Air, na Califórnia. A produção teve seis temporadas e 148 episódios, foi exibida no Brasil pelo SBT e ganhou em 2022 a releitura dramática Bel-Air, produzida pelo ator.

Mike Lowrey em Os Bad Boys (1995)

Foto: divulgação

Dirigido por Michael Bay, o filme colocou Will Smith ao lado de Martin Lawrence como dois policiais de Miami e foi o primeiro grande sucesso do ator no cinema. A parceria rendeu uma franquia de quatro filmes.

Capitão Steven Hiller em Independence Day (1996)

Foto: divulgação

No longa de Roland Emmerich, Will Smith vive um piloto dos fuzileiros navais que enfrenta uma invasão alienígena. O filme foi a maior bilheteria mundial do ano, com cerca de US$ 817 milhões, e venceu o Oscar de efeitos visuais.

Agente J em MIB: Homens de Preto (1997)

Foto: divulgação

Ao lado de Tommy Lee Jones, o ator interpretou o novato de uma agência secreta que monitora alienígenas na Terra. O filme arrecadou cerca de US$ 589 milhões, deu origem a uma franquia e rendeu a Will Smith um Grammy pela música-tema “Men in Black”.

Muhammad Ali em Ali (2001)

Foto: divulgação

Sob direção de Michael Mann, Will Smith retratou dez anos da vida do boxeador Muhammad Ali. O papel exigiu meses de preparação física e deu ao ator sua primeira indicação ao Oscar de melhor ator.

Alex “Hitch” Hitchens em Hitch: Conselheiro Amoroso (2005)

Foto: divulgação

Na comédia romântica, o ator interpreta um consultor que ajuda homens a conquistar as mulheres por quem se apaixonam. Com Eva Mendes e Kevin James no elenco, o filme arrecadou cerca de US$ 368 milhões.

Chris Gardner em À Procura da Felicidade (2006)

Foto: divulgação

Baseado na história real de Chris Gardner, o drama de Gabriele Muccino acompanha um pai que enfrenta a falta de moradia com o filho enquanto disputa uma vaga de corretor de ações. O filho foi interpretado por Jaden Smith, em sua estreia no cinema, e o papel rendeu a Will Smith a segunda indicação ao Oscar.

Robert Neville em Eu Sou a Lenda (2007)

Foto: divulgação

No filme de Francis Lawrence, o ator vive um cientista que acredita ser o último sobrevivente humano em Nova York após uma epidemia. A produção arrecadou cerca de US$ 585 milhões.

Gênio em Aladdin (2019)

Foto: divulgação

Na versão com atores do clássico animado da Disney, dirigida por Guy Ritchie, Will Smith assumiu o papel do Gênio, dublado por Robin Williams na animação de 1992. O filme ultrapassou US$ 1 bilhão em bilheteria e é o maior sucesso comercial da carreira do ator.

Richard Williams em King Richard: Criando Campeãs (2021)

Foto: divulgação

Dirigido por Reinaldo Marcus Green, o filme conta como Richard Williams planejou a carreira das filhas Venus e Serena Williams, que se tornaram campeãs mundiais de tênis. O papel deu a Will Smith o Oscar de melhor ator, além do Globo de Ouro, do BAFTA e do prêmio do Sindicato dos Atores.

error: Content is protected !!