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Arroz com feijão: o prato que sustenta a identidade brasileira 

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Foto: divulgação

A base alimentar do Brasil enfrenta, periodicamente, ataques que tentam desqualificar o prato mais popular do país. Discursos recentes têm tentado classificar o arroz e o feijão como “ração”ou alimento de baixo valor, em uma tentativa de elevar padrões gastronômicos estrangeiros em detrimento da soberania alimentar nacional. 

Na campanha #IngredientePrincipal, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, dois especialistas destacam como essa combinação garante não apenas técnica, mas a nutrição completa.

O nutricionista Rafa Bastos (@rafabastosnutri) rebate a desinformação nutricional e a desqualificação cultural que cercam o tema. Ele pontua que essa dupla não é aleatória; faz parte da história, da mesa e do cotidiano da população. Chamar arroz e feijão de ração é uma forma de atacar a base alimentar do povo negro e do povo pobre, a mesma comida que sustentou gerações inteiras e continua sendo o pilar da saúde pública no Brasil.

Entre os mais vulneráveis há uma queda no consumo dessa combinação. Esse fenômeno é impulsionado por uma transição alimentar que privilegia ultraprocessados e dietas de exclusão sem base científica. A demonização da comida de verdade ignora que a deficiência hormonal ou problemas de saúde não advêm do prato tradicional, mas do contexto geral de uma alimentação cada vez mais industrializada e distante das raízes.

Técnica e ancestralidade no prato

A gastronomia brasileira encontra sua sofisticação justamente na simplicidade técnica e no aproveitamento integral dos insumos. O gastrólogo Joélho Caetano (@joelhocaetano) demonstra como a cozinha quilombola opera na lógica do desperdício zero e da potência de sabor. Através de pratos como o baião de dois e o caldinho de feijão preto, ele prova que o arroz e o feijão são veículos de criatividade e preservação histórica.

No preparo do baião de dois, Joélho utiliza elementos como a manteiga da terra, a cebola roxa e o alho pilado para criar uma camada de sabor que acolhe o feijão e o arroz. O uso do caldo de cozimento do próprio grão para cozinhar o arroz não é apenas uma técnica de sabor, mas um método de preservação de nutrientes e respeito ao ingrediente. A adição do queijo coalho e do cheiro verde finaliza um preparo que, no quilombo, é reconhecido como um alimento completo que alimenta famílias inteiras com dignidade e prazer.

O reaproveitamento também é uma forma de alta gastronomia popular. O caldinho de feijão, feito a partir das sobras do almoço, ganha nova vida com o refogado de pimenta de cheiro e a textura conferida pela batata inglesa. É uma culinária que entende o tempo e a transformação dos alimentos, transformando o que seria descarte em uma entrada sofisticada e nutritiva.

O PF como patrimônio

Defender o arroz e feijão, ou o tradicional prato feito (PF), é defender a soberania nacional. Enquanto a gastronomia europeia é frequentemente vendida como o único lugar da técnica e do refinamento, a cozinha preta brasileira mostra que a sofisticação está na capacidade de criar complexidade sensorial com o que a terra oferece.

A discussão vai além do sabor e atinge as políticas públicas, como a merenda escolar. Manter esses ingredientes no centro da dieta é garantir que as próximas gerações tenham acesso a uma nutrição equilibrada e culturalmente situada. O arroz com feijão é a nossa tecnologia de sobrevivência e a nossa maior expressão de identidade.

Esta matéria faz parte da parceria TikTok x Mundo Negro x Guia Black Chefs.

#IngredientePrincipal #TheMainIngredient #ArrozEFeijao #GastronomiaNegra #SoberaniaAlimentar

Acarajé, vatapá e azeite de dendê: o trio sagrado da Bahia

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Foto: divulgação

Feijão-fradinho, cebola e sal no acarajé; farinha de mandioca, leite de coco e camarão no vatapá; azeite de dendê unindo os dois: três pratos com um fio condutor e uma cozinha que o IPHAN reconheceu como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2005, mas que o mercado ainda trata como culinária de segunda categoria. É esse argumento que a chef Bianca Oliveira (@chefbiancaoliveira) desenvolve nos vídeos da campanha #IngredientePrincipal, iniciativa global do TikTok que estreou no Brasil em parceria com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs, reunindo 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição.

O dendê no centro

De todos os ingredientes do trio, o azeite de dendê é o mais atacado, alvo de uma narrativa sobre colesterol alto alimentada durante décadas pela indústria de óleos vegetais refinados que concorre diretamente com ele nas prateleiras. O que a pesquisa mostra é diferente: o dendê é rico em carotenoides, fontes de pró-vitamina A, e em vitamina E nas formas de tocoferóis e tocotrienóis, compostos com ação antioxidante que protegem as células de danos oxidativos. Estudo publicado na revista Segurança Alimentar e Nutricional, da Unicamp, mostrou que o azeite mantém sua concentração de vitamina A mesmo após o processamento térmico, o que o torna fonte viável no combate à hipovitaminose A. É com esses dados que Bianca responde ao mito nos vídeos da campanha: “Ele é muito mais saudável do que qualquer óleo vegetal”, afirma a chef, que usa o dendê como insumo central da sua cozinha e como argumento direto contra o apagamento da culinária afro-brasileira.

Técnica que o mercado subestimou

O acarajé chegou ao Brasil no período colonial pelas mãos das mulheres africanas escravizadas, que adaptaram o akará iorubá com os ingredientes disponíveis aqui, resultando numa receita de feijão-fradinho, cebola e sal, moídos e fritos no dendê quente até formar o bolinho crocante por fora e macio por dentro. “O acarajé é feito apenas de feijão-fradinho, cebola e sal, e é um dos alimentos mais nutritivos que temos na culinária afro-brasileira”, diz Bianca, que fecha o trio com o vatapá numa versão sem glúten, feita com farinha de mandioca no lugar do pão, incorporada à base como um pirão até atingir o ponto correto, tornando o prato acessível para pessoas com intolerância sem abrir mão da receita original. O leite de coco extraído diretamente do coco fresco, batido com água morna e coado, completa o preparo com qualidade nutricional que o produto industrializado, carregado de sódio e aditivos, não oferece.

A chef que comanda a Casa do Dendê

Nascida em Salvador e radicada em Aracaju, Bianca Oliveira é mulher preta, lésbica, mãe solo e filha de axé cuja formação não veio de escolas tradicionais de gastronomia, mas das suas origens e da reconexão com a ancestralidade, tendo a Chef Sol como mentora. O que começou com marmitas virou a Casa do Dendê, espaço que ela comanda em Aracaju como referência da cozinha afro-brasileira na capital sergipana, com acarajé, abará e feijoada preparados sempre com o dendê como fio condutor. Finalista do Top 10 da Expo Favela e embaixadora do Fundo Agbara, do Sebrae e do Instituto Rainhas, ela resume o que o trio representa: “Uso a minha cozinha com a história e a cultura africana, desenvolvendo um trabalho de fortalecimento da identidade negra e da ancestralidade.” O acarajé, o vatapá e o dendê não são símbolos folclóricos, são técnica, nutrição e memória com endereço preciso na história do Brasil.

Acompanhe os conteúdos da campanha no TikTok @sitemundonegro e no portal Mundo Negro. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #AcarajéPatrimônio #AzeiteDeDendê #GuiaBlackChefs #MundoNegro

PANCs e ervas crioulas: a soberania alimentar que cresce nos quintais e calçadas

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Luiz Feliz (Foto: Divulgação)

A natureza oferece uma abundância que muitas vezes ignoramos ao caminhar pelas calçadas ou observar o fundo do quintal. Na campanha #IngredientePrincipal, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, os especialistas Ronaldo Assis, Bruna Crioula e Luiza Felix, falam sobre como as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e ervas crioulas são o alicerce de uma autonomia alimentar que resiste ao apagamento promovido pelo sistema industrial.

Como explica a pesquisadora e cozinheira Luiza Felix (@felixluiza), as PANCs são plantas com partes comestíveis que não costumam estar nas prateleiras dos grandes mercados. Essas “plantas selvagens” crescem com facilidade, sem necessidade de manejo complexo ou agrotóxicos. Elas podem ser raízes, frutos, folhas ou flores com alto valor nutricional e medicinal. Exemplos como a vinagreira, a capuchinha e o dente-de-leão faziam parte do cotidiano de nossos antepassados muito antes da dominância dos ultraprocessados.

Para a nutricionista Bruna Crioula (@brunacrioula), o termo “não convencionais” pode ser lido como “não colonizadas”. Ela defende que a cidade é um pomar e que a coleta urbana é um direito à cidade e ao conhecimento do bioma local. Colher uma manga na calçada ou buscar a ora-pro-nóbis que cresce espontaneamente nos muros é um ato de nutrição inteligente e ancestral. Aproveitar o auge das safras para criar conservas e chutneys é uma estratégia para garantir variedade alimentar o ano todo, reduzindo a dependência da indústria.

o afrochef Ronaldo Assis (@afrochefronaldoassis) destaca o poder das ervas crioulas, aquelas que as avós e tias guardavam com sabedoria no fundo do quintal. Entre as menos exploradas comercialmente, mas de grande potência sensorial, estão:

  • Alfavaca: Essencial para trazer frescor e aroma.
  • Quiôiô: Uma erva versátil que transforma pratos da moqueca ao feijão.
  • Língua de Vaca: Folha potente para refogados e preparos caseiros.

Ronaldo reforça que essas ervas trazem cor, cura e intensidade às refeições, sendo a base de temperos artesanais que o mercado convencional não consegue oferecer.

Resgatar o uso dessas plantas é fortalecer a soberania alimentar através do conhecimento. Ao olhar para o que nasce livremente, reconectamos nossa mesa com a terra e com a história de muitos povos que sempre souberam que a verdadeira riqueza cresce no quintal.

Esta matéria integra a campanha #IngredientePrincipal #TheMainIngredient, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs.

Acompanhe os chefs nas redes: @brunacrioula, @afrochefronaldoassis e @felixluiza.

Do jambolão à acerola: as frutas brasileiras que deixamos de comer no dia a dia

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O prato dos brasileiros no dia a dia ainda não contém toda a biodiversidade que temos no nosso país. Na campanha #IngredientePrincipal, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, dois nutricionistas revelam diversas frutas que estão nos quintais, nas calçadas e nas feiras, mas que sumiram dos cardápios de muitas famílias.

O jamelão por exemplo, também conhecido como jambolão, a nutricionista Bruna Crioula (@brunacrioula) destaca que é uma fruta de cor roxa intensa que frequentemente pinta as calçadas das cidades brasileiras, não encontrada nos mercados. Embora seja originário da Índia, ele se adaptou perfeitamente ao clima local. Mais do que uma árvore de sombra, o jamelão carrega uma história de potência e identidade. 

O nutricionista Rafa Bastos (@rafabastos) destaca que o fruto é um símbolo de resistência negra. O apelido do cantor José Bispo Clementino dos Santos, o eterno Jamelão da Mangueira, nasceu de uma tentativa racista de diminuir suas características físicas pela cor da fruta. Ele, contudo, transformou o rótulo em grandeza, tornando-se uma das vozes mais inesquecíveis do samba. Nutricionalmente, a fruta é rica em antocianinas, antioxidantes que auxiliam na proteção cardiovascular e no combate a radicais livres.

No coração da Caatinga, o umbu resiste como um dos símbolos mais fortes do sertão nordestino. Seu nome vem do tupi “y-mbu”, que significa árvore que dá de beber, uma referência à capacidade das suas raízes de armazenar água para enfrentar as secas.

Rafa aponta que o umbu nunca foi apenas uma fruta, mas uma estratégia de sobrevivência e cultura. Historicamente, há relatos de que Lampião e seu bando utilizavam a sombra e a água das raízes dos umbuzeiros para se esconder e resistir no semiárido. Hoje, além de alimentar famílias com sucos e a tradicional umbuzada, a fruta movimenta a economia da agricultura familiar na região.

Sazonalidade e Diversidade no Prato

Bruna Crioula traz o olhar para a inteligência de respeitar a safra. A acerola, por exemplo, quando consumida na época certa, é mais barata, saborosa e nutritiva. Para nutricionista, entender os ciclos da natureza é uma forma de autonomia alimentar. Ela explora a diversidade em preparos criativos, como o uso do jambolão para quebrar narrativas de que frutas “de rua” não pertencem à gastronomia, ou a combinação inusitada de chutney de manga com ora-pro-nóbis, unindo o doce da fruta ao potencial proteico da PANC (Planta Alimentar Não Convencional).

O desaparecimento dessas frutas dos cardápios reflete um distanciamento da nossa própria biodiversidade. Priorizar o que é local e da estação é um ato político e cultural. Quando falamos de comida, não estamos falando apenas de nutrientes, mas de território, memória e identidade.

Esta matéria integra a campanha #IngredientePrincipal #TheMainIngredient, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs.

Acompanhe os chefs nas redes: @brunacrioula e @rafabastosnutri

Zero desperdício: a sabedoria ancestral para reaproveitar alimentos como casca, talo, semente e sobras

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Foto: divulgação

Antes da sustentabilidade ganhar notoriedade em debates sobre o meio ambiente, a prática do reaproveitamento de alimentos já existia por sabedoria ou necessidade. Cascas, talos e sementes não são vistos como resíduos, mas como ingredientes potentes, repletos de sabor e história. Na campanha #IngredientePrincipal, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, os chefs Joélho Caetano, Gerson Fernandes e Lucas Amâncio mostram como transformar o que seria descartado em pratos deliciosos.

O chef Lucas Amâncio levanta um questionamento fundamental: “Isso é lixo ou ingrediente?”. Para ele, o desperdício zero não é uma moda passageira, mas uma forma de respeito por quem plantou e por quem pagou pelo alimento. Lucas ressalta que talos de ervas, como o coentro, concentram muito sabor para refogados, e sementes de abóbora podem ser transformadas em petiscos nutritivos, combatendo diretamente o desperdício doméstico e profissional.

Essa visão também é aprofundada por Gerson Fernandes, que utiliza o que chama de “sobras inteligentes” para criar bases da alta gastronomia. O chef ensina que cascas de camarão, quando douradas e deglaçadas com vinho branco e extrato de tomate, transformam-se num bisque — um “ouro líquido” essencial para risotos e massas. Da mesma forma, talos e cascas de cenoura, cebola e alho-poró são a base para um fundo de legumes extraído lentamente, provando que casca também é sinônimo de sabor.

A ancestralidade é destacada pelo chef Joélho Caetano. Na cozinha do seu quilombo, a premissa é clara: da banana aproveita-se tudo, até a casca. Ele apresenta uma técnica minuciosa onde as cascas de banana são desfiadas e hidratadas no vinagre por cerca de dez minutos antes do preparo. Refogadas com cebola, alho, louro e finalizadas com molho de tomate e queijo muçarela para garantir cremosidade, as cascas transformam-se numa “carne” vegana que carrega memória e identidade cultural.

Além da inovação com a banana, Joélho resgata o valor das refeições cotidianas, como o arroz mexido com as sobras do dia anterior e o caldinho de feijão preto enriquecido, reforçando que a inteligência culinária das nossas avós sempre soube extrair o máximo de cada ingrediente.

Valorizar essas práticas é reconhecer que o “zero desperdício” é uma tecnologia social de resistência. Ao trazer esses elementos para o centro do prato, os chefs do Guia Black Chefs não estão apenas seguindo uma tendência global, mas reivindicando um legado que sempre pertenceu à culinária negra, provando que o futuro da alimentação reside no respeito absoluto ao ciclo integral da natureza.

Esta matéria integra a campanha #IngredientePrincipal #TheMainIngredient, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs.

Acompanhe os chefs nas redes: @chefgersonfernandes, @cheflucasamancio e @joelhocaetano 

Do milho à pamonha, à canjica e além: o ingrediente que nunca sai da mesa brasileira

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Foto: gerada por IA

Bruno Manoel (@preto_na_cozinha) pega quatro espigas de milho, separa a palha, bate a polpa com açúcar e manteiga e transforma tudo em pamonha em menos de 30 minutos. A receita parece simples, mas o que ele mostra nos vídeos da campanha #IngredientePrincipal vai além da técnica: o milho, antes de virar símbolo de festa junina, foi alimento central na mesa indígena e afro-brasileira por séculos.

O projeto é uma iniciativa global do TikTok que escolheu o Brasil para sua estreia, em parceria com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs, reunindo 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Bruno é um deles.

Da palha ao saquinho

Pernambucano, nascido em Paulista e radicado no Recife, Bruno Manoel perdeu a mãe aos 16 anos e começou vendendo docinhos com a irmã. Anos depois, foi uma receita de queijadinha publicada nas redes que abriu as portas para uma carreira que hoje soma quase 1 milhão de seguidores no Instagram, a vitória no reality “Que Delícia”, do Mais Você, e a participação no “Chef de Alto Nível”, ambos da TV Globo. Formado pela Le Cordon Bleu, ele construiu um trabalho voltado para tornar a culinária nordestina acessível sem esvaziar sua história.

É essa lógica que ele aplica ao milho. No vídeo da pamonha, Bruno mostra que o processo começa na escolha da espiga, passa pelo aproveitamento integral da palha para fazer o saquinho e termina com o cozimento em água fervente por 20 a 25 minutos. “Tá cansado de tá comendo bolacha, pão? Vai ali comprar quatro espigazinhas de milho, faz uma pamonha, tu tem o que tomar café”, diz. A canjica segue a mesma lógica: poucos ingredientes, tempo de preparo acessível e memória afetiva no resultado.

O milho antes da festa junina

O que o calendário junino popularizou como entretenimento sazonal tem raízes muito mais antigas. O milho chegou à mesa brasileira muito antes da colonização portuguesa, cultivado por povos indígenas que o usavam como base alimentar em diferentes formas: farinha, bebida, mingau, bolo. Com a diáspora africana, o grão foi incorporado à cozinha afro-brasileira e ganhou novos contornos, aparecendo em preparos como a canjica, associada a celebrações e à partilha coletiva. O que a festa junina fez foi recortar esse alimento de sua origem e colá-lo num contexto de folclore regionalizado, apagando a camada indígena e negra que o sustenta.

Bruno Manoel desfaz esse recorte ao mostrar a pamonha e a canjica como receitas do cotidiano, não de festa. Pratos que cabem numa terça de manhã, num café com a família, num inverno qualquer no Nordeste.

Ingrediente que une

O milho é também um dos alimentos mais democráticos da mesa brasileira: está na pamonha pernambucana, na canjica baiana, no curau paulista, no angu mineiro e no cuscuz nordestino. Essa presença transversal é o que o conecta diretamente ao conceito do #IngredientePrincipal: um alimento que atravessa regiões, classes e gerações sem perder sua raiz.

Acompanhe os conteúdos da campanha no TikTok @sitemundonegro e no portal Mundo Negro. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #MilhoNaMesaNegra #CozinhaNordestina #GuiaBlackChefs #MundoNegro

Dendê, feijão-fradinho e sabedoria ancestral: o que a cozinha de terreiro sempre soube sobre nutrição

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Foto: gerada por IA

Feijão-fradinho, azeite de dendê, camarão e cebola. Quatro ingredientes que, juntos, formam o omolocum, prato sagrado de Oxum preparado nos terreiros de candomblé há séculos. O que para muitos parece ritual exótico é, na prática, um sistema alimentar com lógica nutricional, calendário próprio e função social comprovada. Três profissionais negras debatem esse tema na campanha #IngredientePrincipal, iniciativa global do TikTok que o Brasil inaugura em parceria com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs.

Sistema alimentar, não folclore

Iyá Sônia Oliveira (@iyasoniaoliveira) explica que cada ingrediente do omolocum tem uma função precisa: o feijão-fradinho é rico em fibras, o dendê concentra vitaminas A e E, o camarão oferece proteína com baixo teor de gordura e a cebola é fonte de vitamina C e vitaminas do complexo B. “Valorizar pratos tradicionais como o Omolocum é valorizar a cultura, ciência e saúde. Nutrir o corpo também é nutrir a nossa identidade e a nossa história”, afirma. O que os terreiros já praticavam há gerações, a ciência da nutrição levou décadas para sistematizar. Além disso, a cozinha de terreiro obedece a um calendário ritual rigoroso: cada orixá tem seus pratos, seus dias e seus ingredientes específicos, o que configura, muito antes de qualquer tendência contemporânea, um modelo de alimentação sazonal e funcional.

Da marmita ao aquilombamento

Em Aracaju, Bianca Oliveira (@user031374378) transformou esse entendimento em espaço físico. A Casa do Dendê, que ela idealizou e conduz, nasceu de marmitas e se tornou referência de cozinha afro-brasileira na capital sergipana, servindo acarajé, abará e feijoada sempre com o azeite de dendê como fio condutor. Chef “soterosergipana”, nascida em Salvador e radicada em Aracaju, Bianca é mulher preta, lésbica, mãe solo e filha de axé, cuja formação não veio de escolas tradicionais de gastronomia, mas das suas origens e da reconexão com a ancestralidade. “Uso a minha cozinha com a história e a cultura africana, desenvolvendo um trabalho de fortalecimento da identidade negra e da ancestralidade”, diz. Finalista do Top 10 da Expo Favela e embaixadora do Fundo Agbara e do Sebrae, ela chegou à campanha com uma cozinha que já é, por si mesma, um manifesto: o dendê não faz mal, o acarajé não é comida menor e o terreiro nunca foi lugar de atraso.

Fome, terreiro e política

A dimensão coletiva da cozinha sagrada é o que orienta a pesquisa de Bruna Crioula (@brunacrioula), nutricionista, mestra em ciências sociais e matrigestora da Crioula Curadoria Alimentar. Ela mapeia como a comida de terreiro funcionou historicamente como rede de segurança alimentar para populações negras periféricas, uma estratégia de enfrentamento à fome que o discurso dominante nunca nomeou como tal. Bruna escolheu a nutrição ainda no ensino médio, após um trabalho escolar sobre a fome, mas encontrou no curso uma lacuna que a desafiou: referências negras e discussões sobre saúde da população negra simplesmente não existiam na grade. A resposta foi construir uma formação paralela, transitando por jornalismo, ciências sociais e economia, até articular o que ela define como alimentação numa afroperspectiva. “Ancestralidade alimenta e esse despertar para nossas heranças e memórias agroalimentares é a nutrição que me representa”, resume.

O que une Iyá Sônia, Bianca e Bruna é o mesmo diagnóstico: o racismo religioso no Brasil também opera na mesa, ao demonizar o dendê, subestimar o acarajé e ignorar a sofisticação nutricional dos pratos sagrados. As três respondem a isso com prática, pesquisa e cozinha no fogo aceso.

Os conteúdos da campanha estão disponíveis no TikTok @sitemundonegro e no portal Mundo Negro. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #ComidaSagrada #CozinhaDeTerreiroé #RacismoReligioso

A mandioca em todas as suas formas: puba, farinha e a raiz que une o Brasil negro

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Foto: reprodução

A mandioca (Manihot esculenta) é cultivada no Brasil há mais de quatro mil anos. Está presente na culinária brasileira desde antes da chegada dos portugueses ao país em 1500 e, segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo em “História da Alimentação no Brasil” (1983), é o chamado “pão da terra”, alimento estruturante de povos indígenas, quilombolas e comunidades negras periféricas. Na campanha #IngredientePrincipal, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, três chefs mostram como essa mesma raiz se desdobra em formas completamente distintas, atravessando regiões e técnicas sem perder a memória de quem a cultivou.

A sabedoria fermentada do quilombo

O chef @joelhocaetano, que cozinha a partir de sua vivência em comunidade quilombola no Ceará, apresenta a puba, também chamada de carimã, como ingrediente central de sua cozinha. A puba é a massa resultante da fermentação natural da mandioca: a raiz descascada fica submersa em água por sete dias até amolecer, é então lavada e ralada para obtenção da massa. O processo, que parece simples, carrega uma lógica nutricional sofisticada desenvolvida pelos povos originários.

A fermentação resolve um problema central: a mandioca brava contém ácido cianídrico em concentração que pode chegar a 450 miligramas em 100 gramas de raiz, tornando-a tóxica. O processo de fermentação neutraliza esse componente e transforma a raiz em puba, um alimento com mais de 116 lactobacilos. Esse conhecimento não veio de laboratório. Veio dos quilombos.

No vídeo da campanha, Joélho prepara um creme de carimã: leva ao fogo leite, açúcar, cravo e erva-doce, incorpora a massa puba e finaliza com gema de ovo antes de peneirar. “O ingrediente principal é aquele que conta história, traz sabores e utiliza os ingredientes que nos trazem memórias afetivas”, afirma o chef.

O estudioso Câmara Cascudo registrou que carimã é o mesmo que farinha d’água, farinha de puba e mandioca mole, ingrediente base para mingaus e doces clássicos do Norte e Nordeste, como o bolo Souza Leão pernambucano. O creme de Joélho é parte dessa mesma linha histórica, atualizada nas mãos de quem viveu o quilombo.

Da farinha ao prato: a técnica que a Bahia consagrou

A chef @bianca.oliveirachef trabalha com a mandioca a partir de outra entrada: a farinha como substituta do pão na receita do vatapá. O prato tem origem na África Ocidental e chegou ao Brasil por meio dos Iorubá, que o chamavam de ehba-tápa, desembarcando na Bahia onde o dendê foi incorporado à receita. Ao longo dos séculos, a farinha de mandioca se estabeleceu como alternativa natural ao pão em muitas versões regionais.

O vatapá é uma comida baiana desenvolvida no Brasil e representa uma ligação ancestral, um elo de resistência ao longo dos tempos para o povo preto, sendo a culinária baiana responsável pelo sustento de muitas famílias negras baianas.

A versão de Bianca é voltada para pessoas com intolerância ao glúten: a base do vatapá é preparada normalmente e, ao atingir fervura, a farinha de mandioca substitui o pão no papel de espessante, chegando ao mesmo ponto cremoso da receita tradicional. “É um vatapá extremamente leve e que você pode fazer facilmente”, explica a chef. A substituição não é adaptação menor, é reconhecimento de que a mandioca sempre esteve lá.

Milho, memória e raiz nordestina

O chef @brunomanoel_chef fecha o trio com a canjica, prato que aproxima a mandioca do milho na lógica da cozinha preta nordestina. O milho, assim como a mandioca, foi cultivado nos quilombos do Brasil como base da vida econômica e alimentar das comunidades que resistiram ao sistema escravocrata. Ambas as raízes compartilham o mesmo papel histórico: alimentar quem o sistema tentou fazer passar fome.

Para Bruno, a canjica não é sobremesa. “Canjica não é sobremesa não, visse? É uma memória quente servida numa tigela. É raiz, não é luxo não. É sobre continuidade.” A receita leva milho batido com leite de coco e cozinhado em fogo baixo até engrossar, processo que carrega tanto a técnica quanto a afetividade de quem aprendeu na infância.

Uma raiz, muitos saberes

O que Joélho, Bianca e Bruno mostram juntos é que a mandioca não é um ingrediente único. É uma família de saberes que se ramifica conforme quem a maneja: a puba fermentada do quilombo cearense, a farinha que sustenta o vatapá baiano, o milho que vira canjica no Nordeste. No Norte e Nordeste os beijus, farinhas e gomas são alimentos diários que compõem praticamente todas as refeições do dia, mostrando como cada região adaptou o cultivo e uso culinário da mandioca à sua realidade.

Tratar essa raiz como ingrediente simples ou pobre é ignorar a sofisticação técnica de quem a dominou por séculos sem precisar de escola de gastronomia para isso.

Esta matéria integra a campanha #IngredientePrincipal #TheMainIngredient, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs.

Acompanhe os chefs nas redes: @joelhocaetano, @bianca.oliveirachef e @brunomanoel_chef.

“Eu me dei conta de que dou conta de ocupar todas essas gavetinhas”: Rafael Zulu conta como equilibra empresas, família e carreira na TV

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Rafael Zulu - Foto:

O primeiro negócio de Rafael Zulu quebrou. Era um bar, abriu porque ele sempre foi apaixonado pela noite, e fechou porque ele não sabia o que estava fazendo.

“Quando você está num negócio que não entende, não faz um business plan e não cuida, está fadado ao fracasso. Foi o que aconteceu”, ele conta, em entrevista exclusiva ao Mundo Negro.

Hoje, Zulu é sócio de empresas em frentes bem distintas. Due.inc, no corporativo. Tardezinha, no entretenimento. Adore, incorporadora que está entre as maiores construtoras de Pernambuco. Negócios de hospedagem e tecnologia. Mais o trabalho de ator, que nunca parou, e agora a estreia como apresentador do Papo de Segunda, no GNT.

A trajetória dele interessa por uma razão específica. A maioria das pessoas que empreende no Brasil não é herdeira, começa do zero. E a maior parte das histórias de sucesso circuladas por aí esconde o tombo do começo. Zulu não esconde.

“Acredito que todo mundo que quebra algum dia sai fortalecido para os próximos negócios”, afirma. “Inclusive, sempre digo: ter um sócio que já quebrou na vida é algo positivo, pois esse cara não vai querer passar por aquilo novamente.”

Depois do bar, ele mudou o método. A regra passou a ser uma só.

“Sempre optei por ter sócios que já eram ligados à área. Eu não me meto num negócio do qual não sei absolutamente nada”, diz. “Sempre fui curioso e quis entender de tudo um pouquinho.”

A Tardezinha entrou na vida dele quando ele já tinha, nas palavras dele, “uma capacidade maior de entendimento empresarial”. Se cercou de gente que entendia do negócio. Com a Adore foi igual: sócios do meio da construção civil, com o conhecimento técnico que ele não tinha.

O que Zulu coloca na mesa é o que ele construiu fora do negócio específico. “No final do dia, eu empresto meu relacionamento e meu conhecimento em Marketing, que é minha formação, atuando diretamente nesse setor. Se você entra num negócio com a tranquilidade de querer aprender com quem já está ali, as coisas tendem a dar certo.”

É a lógica de um ecossistema, e ele nomeia assim. “O mercado corporativo exige muito tempo de escritório, e meus sócios contribuem para que eu possa atuar em outras frentes, entendendo que minha presença na TV também abastece o nosso negócio. É um ecossistema que gira.”

A pergunta que segue naturalmente é sobre rotina. Como alguém dá conta de atuação, empresas, apresentação de um programa semanal de TV e ainda mantém a família como prioridade declarada?

“A paternidade pesa, mas confesso que não atrapalha em nada, porque meus filhos crescem com a certeza de que o papai precisa voar para que eles possam voar também”, responde Zulu.

Ele é pai de Luiza, de 19 anos, que segundo ele já cresceu entendendo essa lógica, e de Kalu. “Tudo o que faço é conversado com minha esposa e minha filha.”

A organização, ele diz, vem antes. “Consigo organizar minha vida porque sou um cara organizado. Faço um milhão de coisas, mas sei parar um dia inteiro para ficar com a família.”

E quando não dá para parar, a família vai junto. “Se viajo para um trabalho fora do Rio, por vezes cato o bonde e todo mundo vai comigo. Minha família nunca atrapalhou porque, antes de eles chegarem, eu já trabalhava. Não vou abrir mão da minha vida e do meu trabalho, eles estarão comigo nos meus sonhos.”

Para os próximos cinco anos, a aposta não é concentrar em uma frente. É manter todas.

“Eu me dei conta de que dou conta de ocupar todas essas gavetinhas”, afirma. “A Tardezinha é sazonal, o que é maravilhoso. No ano em que ela acontece, demanda muito, mas geralmente nos finais de semana. Agora no Papo de Segunda, a segunda-feira é um dia tomado, mas o restante da semana a gente administra. É um caos organizado! E eu amo o caos organizado. Não saberia não fazer esse tanto de coisa que eu faço.”

O Papo de Segunda estreia sua 18ª temporada no dia 27 de abril, segunda, às 22h30, no GNT. Rafael Zulu chega ao programa junto com Gil do Vigor, compondo com João Vicente de Castro e Francisco Bosco uma das formações mais diversas da atração em mais de uma década de história.

Sobre entrar no sofá de um programa que ele mesmo já assistiu como fã, Zulu é direto. Ser um dos dois homens pretos da nova formação já diz algo.

“Como um homem preto num programa, a gente sabe que liga a televisão e não se reconhece muitas vezes. Eu me vejo muito pouco na TV, hoje um pouco mais na teledramaturgia”, ele diz. “Então, eu acho que estar ali já é um ato de resistência. Um homem preto ocupando um espaço daquele ali, sem falar nada, já representa uma espécie de militância.”

Ele adianta que não vai se furtar. “Quero falar sobre as minhas questões e as questões da minha comunidade, do meu povo. Se ainda precisamos falar, é porque as coisas ainda estão acontecendo aí fora. Eu seria muito cobrado pela minha comunidade se não trouxesse nossos temas para dentro de uma conversa como essa.”

No fim, a trajetória de Rafael Zulu entrega uma síntese rara. A de um homem preto que ocupa TV aberta, TV paga, conselho de empresa e obra em Pernambuco ao mesmo tempo, e que olha para trás sem esconder o primeiro tombo. O bar que quebrou virou método. O método virou negócio. E o negócio virou ecossistema.

“Respirava fundo para não chorar”: Will vai a Paris com a La Roche-Posay e vive o sonho que começou em uma lan house de Feira de Santana

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Foto: divulgação

 “Eu até brinquei na viagem que a marca estava fazendo um ‘feitiço’ para nos deixar em encantamento , mas a verdade é que toda essa magia gira em torno de muita tecnologia”. O criador de conteúdo baiano William, o Will (@willsosou), embarcou para Paris a convite da La Roche-Posay para vivenciar de perto os bastidores científicos da marca e o lançamento do Mela B3 Double Dose, o produto mais ambicioso da linha Mela B3 no Brasil em 2026. O convite não era apenas para conhecer um produto novo. Era para ir até a origem: visitar a cidade francesa de mesmo nome da marca, entender como nasce cada fórmula e, no caminho, deixar que tudo isso passasse pelo filtro de quem cresceu no interior da Bahia sonhando com um lugar que, por muito tempo, não parecia feito para ele.

La Roche-Posay é, literalmente, o nome de uma pequena cidade no interior da França, na região de Vienne, a sudoeste de Paris. Suas fontes termais são documentadas desde o século XIV, quando a lenda conta que o nobre Bertrand Du Guesclin teria curado um cavalo com eczema nas águas do local. Em 1617, o médico de Luís XIII foi até lá para estudar as propriedades da água, e a fama foi tão grande que Napoleão Bonaparte chegou a fundar um hospital militar na cidade para tratar as lesões de pele de seus soldados.

Em 1905, foi inaugurado o primeiro Centro Termal da cidade. Em 1913, La Roche-Posay foi reconhecida oficialmente como termal e, em 1975, o farmacêutico René Levayer fundou o laboratório dermatológico que hoje é a marca mais recomendada por dermatologistas no mundo. Toda essa história não é detalhe de brochura. É o que Will viu de perto, e é o que moldou a forma como ele passou a falar sobre a marca depois que voltou.

Will não é um influenciador de beleza no sentido tradicional. Ele é comunicador, criador de conteúdo e uma voz crítica nas redes sociais, conhecido por questionar o que não faz sentido e defender o que é genuíno. Não é o tipo de perfil que costuma aparecer em viagens de imprensa de marcas de skincare, e é exatamente por isso que a escolha importa.

“Eu sentia vontade de chorar em diversos momentos. Acho que pessoas como eu, que vêm do mesmo lugar que eu, vão entender o abismo que existe entre a escassez e o medo de defender o certo, o que acaba nos deixando em uma situação de muita vulnerabilidade. Eu parava, observava aquelas pessoas lindas, os criadores que a marca selecionou, a própria marca ali presente, e me lembro de respirar fundo para não chorar enquanto agradecia, porque, sem dúvidas, a partir disso eu me senti pertencente. Era como um mantra na minha cabeça: eu repetia ‘eu mereço, eu mereço’. Vendo toda aquela grandiosidade, o carinho da marca comigo e os amigos criadores, todos pessoas éticas, eu me senti tão acolhido. Ainda estou degustando essa sensação.”

O que Paris representa quando você vem de Feira de Santana

Will cresceu no interior da Bahia. Suas primeiras referências de beleza e comunicação vieram de uma gráfica longe de casa, onde ele acessava a internet para assistir às primeiras blogueiras de maquiagem no YouTube. Paris, enquanto epicentro global da indústria da beleza, não estava no horizonte óbvio de alguém com essa trajetória, e é justamente esse descompasso que ele articula com precisão.

“Eu não cresci me vendo representado onde sonhei estar. Sou uma pessoa muito afetuosa, minhas memórias são muito latentes, como se estivessem cristalizadas. Eu conseguia ver o Willian que andava muito para chegar a uma gráfica só para acessar a internet e entrar no YouTube para assistir às minhas primeiras blogueiras de maquiagem, que já viviam a realidade que eu desejava. Isso tudo lá do interior da Bahia, em Feira de Santana. Quando eu desisto da beleza no sentido de postar vídeos de maquiagem, como fazia na adolescência, e descubro na minha comunicação a ponte para me conectar comigo mesmo, percebo que tudo faz parte da construção. Estando ali, eu pensava nos meus primos, nos pequenos da minha família e no quanto isso significava como reparação. Me senti em uma vitrine, sendo visto pelo mundo como pertencente àquele lugar, e eu sou. Foi um despertar em todos os sentidos: minha mãe, minha irmã e meu noivo, no Brasil, emocionados com a minha conquista, e eu sendo inspiração para todos eles. Foi fantástico.”

O relato de Will toca diretamente numa questão que o veículo Mundo Negro acompanha de perto: a ausência histórica de pessoas negras e periféricas em narrativas de prestígio dentro da indústria da beleza global. Que Paris ainda seja um lugar onde essa presença precisa ser nomeada como conquista diz muito sobre o tamanho do caminho que ainda existe.

Bastidores da ciência

A viagem não foi só sobre experiência emocional. A La Roche-Posay levou os criadores aos bastidores da marca, incluindo a visita à cidade que dá nome ao laboratório, onde as fontes termais seguem sendo usadas como base dos produtos. Mais de 840 estudos clínicos sustentam as fórmulas da marca, e os recursos termais atendem inclusive pacientes oncológicos e com doenças de pele graves em tratamento dermatológico.

Will saiu de lá com outra leitura sobre o que significa falar de uma marca de skincare.

Foto: divulgação

“Eu até brinquei na viagem que a marca estava fazendo um ‘feitiço’ para nos deixar em encantamento , mas a verdade é que toda essa magia gira em torno de muita tecnologia. E eu afirmo que a marca fez algo inédito: mostrar além da embalagem, do roteiro e do alinhamento publicitário. Mostrar onde tudo nasce, como começa, a ciência e o cuidado em cada etapa. Nunca mais eu vou falar da marca de qualquer forma. Já existia um cuidado da minha parte, mas depois de ver o impacto social e o cuidado com pessoas reais que utilizam esses recursos como ferramenta de tratamento, inclusive em casos de câncer e outros problemas de pele, eu entendi que preciso ser ainda mais responsável ao falar sobre ela, porque há muito cuidado e ciência envolvidos.”

O produto

O Mela B3 Double Dose é o lançamento central dessa parceria. O carro-chefe da linha Mela B3 combina dois ativos patenteados: o Melasyl, molécula desenvolvida ao longo de 18 anos de pesquisa com respaldo de 45 patentes globais, e o Proxylane, ativo com ação firmadora. O mecanismo do Melasyl é considerado inédito no mercado: em vez de agir na produção de melanina como a maioria dos ativos antimanchas, ele intercepta o excesso de melanina antes que ele cause manchas na pele, sem alterar o tom natural de quem usa. O Double Dose tem fórmula de textura emulsão leve, foi testado em pele brasileira e é adequado para uso diário, tanto de manhã quanto à noite. Os dados clínicos da fórmula indicam 97% de correção visível de manchas e redução de 75% nas rugas em uma semana de uso, além de pele 20% mais firme em quatro horas.

Para Will, a linha é especialmente relevante porque resolve um problema que ele viveu na própria pele, literalmente.

“Eu amei, porque sempre que ouço a palavra ‘relevante’, me sinto sendo chamado [risos]. Quero responder de forma muito pessoal. Eu sempre tive problemas com manchas: a acne vinha seguida de manchas. Fiz uso de muita medicação com acompanhamento profissional, e isso afetou muito minha saúde, de tanto trauma em ter a pele manchada. Meu medo sempre foi a espinha aparecer e deixar rastro. Com o uso do Mela B3, foi a primeira vez que eu comprovei na minha pele que não surgem manchas no pós-acne. Eu vejo essa tecnologia, na minha opinião, como a mais promissora da marca na atualidade, porque imagina interceptar a mancha antes mesmo que ela aconteça? Amo que não deixa a pele oleosa, posso usar diariamente e também à noite antes de dormir, e minha pele nunca esteve tão iluminada. Eu até brinquei que queria uma banheira de Mela B3, porque ele uniformiza a pele sem me desbotar, respeitando que eu sou uma pessoa preta. Ele age na mancha, e não no tom da pele.”

Foto: divulgação

Esse ponto não é cosmético. Para peles negras, a hiperpigmentação pós-acne é uma das queixas dermatológicas mais comuns e uma das menos atendidas pelo mercado tradicional de skincare, que por décadas desenvolveu produtos calibrados para outros fototipos. Um ativo que age especificamente no excesso de melanina sem interferir no tom natural da pele tem implicações concretas para esse público.

O que fica

Will parte para Paris como um criador de conteúdo crítico e volta com o que, segundo ele, é uma mudança de perspectiva sobre o que significa falar de autocuidado.

“Sim, o processo. Deu para perceber que tudo leva tempo e que pele saudável exige dedicação. Durante a viagem, parecia um filme, tudo muito perfeito. Eu dizia aos meus amigos que parecia um show da Beyoncé: tudo funciona, tudo performa bem. Mas existe muita dedicação, detalhe e muita pesquisa por trás. Então, o que eu quero transmitir é que pele bonita não nasce da noite para o dia, mas sim da dedicação diária com os produtos certos. Essa viagem tira a ideia de aceleração e abre espaço para entendermos a importância do autocuidado com tempo e produtos de qualidade.”

O Mela B3 Double Dose está disponível nas principais farmácias e redes de beleza do Brasil. Para acompanhar o conteúdo de Will sobre a experiência, acesse o Instagram dele em @willosou. A La Roche-Posay pode ser acessada no Instagram em @larocheposaybr.

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