Um levantamento realizado pela Casa Mundo Market Intelligence em parceria com a Natura revela como mensagens recebidas na infância ainda influenciam a forma como mulheres projetam seus sonhos e trajetórias.
Em um ano em que a América Latina volta a ocupar espaço de destaque no cenário global com a realização da Copa do Mundo de 2026 no México, uma pesquisa inédita lança luz a forma como mulheres são desencorajadas a sonhar grande desde a infância.
O estudo “Deixa a Mulher Latina Sonhar”, realizado pela Casa Mundo Market Intelligence em parceria com a Natura, ouviu 320 mulheres entre 20 e 55 anos no Brasil, México e Colômbia das classes A, B e C, em janeiro de 2026. Entre os principais resultados, o mais impactante destaca que 83% das entrevistadas afirmam que poderiam estar vivendo um futuro diferente caso tivessem recebido mais incentivo para sonhar grande já durante a infância e adolescência.
Os dados apontam para experiências compartilhadas por muitas mulheres ao longo da formação. Entre as entrevistadas, 28% relatam ter ouvido expressões como “sonha, mas com os pés no chão”. Outras 18% afirmam que determinados objetivos lhes foram apresentados como distantes ou inadequados para suas realidades. Já 13% receberam incentivo para seguir caminhos considerados mais seguros, enquanto 10% relatam mensagens relacionadas à discrição e aos comportamentos socialmente esperados para mulheres.
Os dados mostram que os impactos dessas experiências aparecem também na vida adulta. Segundo a pesquisa, 44% das participantes afirmam sentir receio de parecer exageradas ou iludidas ao compartilhar seus sonhos, enquanto 38% evitam falar sobre seus objetivos em voz alta.
Para Adriana Hack, fundadora e diretora executiva da Casa Mundo Market Intelligence, os resultados não indicam falta de ambição, mas refletem os limites impostos por expectativas sociais construídas ao longo do tempo.
“A questão não está relacionada à falta de ambição. Muitas mulheres cresceram recebendo mensagens que restringiam a maneira como enxergavam suas próprias possibilidades”, afirma.
O estudo também investigou quais expectativas ainda recaem sobre os projetos de vida femininos. Segundo as entrevistadas, 65% das expectativas atribuídas às mulheres permanecem concentradas em temas ligados ao cuidado, à família e à estabilidade. Apenas 15% associam os sonhos femininos à busca por liberdade individual.
Outro dado alarmante chama atenção para a dimensão familiar dessas construções sociais. Entre as participantes, 48% apontam a si mesmas ou outras mulheres da família como pessoas que acabaram reproduzindo limitações em relação aos próprios sonhos. Para as pesquisadoras, esse resultado demonstra como as normas sociais podem ser transmitidas entre gerações e incorporadas ao cotidiano.
De acordo com as informações coletadas na pesquisa, em diferentes contextos sociais, o incentivo recebido ou a falta dele durante a infância podem influenciar escolhas profissionais e pessoais, enquanto influenciam na percepção sobre quais espaços podem ser ocupados e quais objetivos são considerados possíveis na ótica feminina.
Ao evidenciar essas experiências, o levantamento incentiva uma intensa reflexão acerca dos discursos responsáveis por moldar expectativas e oportunidades desde a juventude e reforça a importância de ambientes que estimulem meninas e mulheres a sonharem sem restrições baseadas em gênero, cor ou classe social.
Prontos para se despedir dos melhores chefs das séries de TV? ‘O Urso’ retorna para sua quinta e última temporada nesta quinta-feira (25), às 22h (horário de Brasília). Todos os oito episódios chegam ao serviço já na noite de estreia, prometendo uma mistura ainda mais intensa de caos na cozinha, tensão e momentos emocionantes que marcaram a trajetória de cada personagem.
[Alerta de spoiler!] A nova temporada retoma a história imediatamente após os acontecimentos do fim da quarta temporada: Carmy (Jeremy Allen White) abandona o trabalho e deixa o novo restaurante sob os cuidados dos sócios — uma decisão que acendeu o desafio final da equipe. Agora, Sydney (Ayo Edebiri), Richie (Ebon Moss-Bachrach) e Natalie (Abby Elliott) precisam se unir para manter o restaurante funcionando sob pressão extrema e, ao mesmo tempo, lutar pela sonhada estrela Michelin que pode coroar o esforço coletivo e salvar o estabelecimento.
A diversidade do elenco, com a representação de chefs negros, foi um dos grandes destaques da série. Além de Ayo Edebiri, também integram o elenco Lionel Boyce, que interpreta Marcus Brooks; Edwin Lee Gibson, no papel de Ebraheim; Liza Colón-Zayas como Tina Marrero; e Corey Hendrix como Sweeps. Ao longo das temporadas, a visibilidade desses personagens ampliaram diferentes camadas dramáticas, além dos olhares sobre a cultura gastronômica e os desafios de quem trabalha em cozinhas de alta pressão.
Entre a extensa lista de prêmios conquistados pela série nos últimos anos, Ayo Edebiri e Liza Colón-Zayas venceram um Emmy cada uma, por suas interpretações impactantes.
A Indique, em parceria com uma empresa do setor, está conduzindo um estudo sobre como as mulheres se movem pelo Brasil. O projeto investiga os desafios enfrentados por elas em seus deslocamentos cotidianos.
A forma como as mulheres circulam pelas cidades brasileiras revela desigualdades, muitas vezes invisíveis nas estatísticas tradicionais. Questões como segurança, acessibilidade, custo do transporte, horários e responsabilidades de cuidado influenciam diretamente a mobilidade feminina, impactando oportunidades de trabalho, estudo, lazer e participação social.
Para compreender essas vivências e transformá-las em evidências capazes de impulsionar mudanças concretas, a Indique, consultoria especializada em pesquisa, raça, gênero e inovação, realiza um estudo nacional sobre a mobilidade das mulheres no Brasil. A iniciativa busca ouvir diferentes trajetórias e percepções para construir um retrato amplo e representativo sobre como elas ocupam e se deslocam em seus territórios.
O estudo parte da premissa de que ir e vir pela cidade não é uma experiência uniforme. Trajetos escolhidos, ruas evitadas, horários considerados seguros e os desafios de viajar com crianças ou retornar para casa à noite são fatores que moldam a relação das mulheres com os espaços urbanos e os sistemas de transporte.
“Quando observamos a mobilidade pela lente racial e de gênero, entendemos que circular pela cidade também é uma questão de cidadania. Escutar as mulheres é essencial para transformar essa realidade”, afirma Verônica Dudiman, co-fundadora da Indique.
Os dados coletados subsidiarão o desenvolvimento de estratégias e políticas voltadas a uma mobilidade mais segura, acessível e inclusiva. O objetivo é fortalecer o diálogo com gestores públicos, empresas e organizações da sociedade civil, impulsionando compromissos reais com a equidade de gênero.
Ao compartilhar suas experiências, as participantes colaboram para a construção de um conhecimento profundo e transformador. Conduzido pela Indique, este estudo servirá como base para que instituições públicas e privadas reforcem seu compromisso com a construção de cidades mais justas, seguras e equânimes para todas as mulheres.
Sete em cada dez meninas grávidas no Brasil são negras. O dado está entre os muitos números e relatos reunidos pela jornalista Joyce Ribeiro em “Nem Cresci e Já Sou Mãe: Relatos sobre gravidez na adolescência”, lançado pela Geração Editorial.
Resultado de uma investigação que reúne histórias reais, entrevistas com especialistas e dados de pesquisas nacionais e internacionais, o livro analisa os efeitos da gravidez na adolescência na educação, na saúde, na autonomia e nos projetos de vida de meninas brasileiras.
Em conversa com o Mundo Negro, Joyce Ribeiro explica que a motivação para escrever a obra surgiu após décadas acompanhando o tema como jornalista.
“Ao longo de mais de 25 anos de jornalismo, apresentei inúmeras reportagens sobre gravidez na adolescência. Mesmo com maior acesso à informação, os impactos continuam profundos quando essa gravidez acontece”, afirma.
Entre os relatos apresentados no livro estão histórias de adolescentes que enfrentaram abandono familiar, interrupção dos estudos e dificuldades para acessar redes de apoio. A obra também destaca que a gravidez precoce não pode ser compreendida apenas como uma escolha individual, mas como um fenômeno atravessado por desigualdades sociais, acesso à informação, violência e falhas na proteção de crianças e adolescentes.
Um dos episódios mais marcantes narrados na publicação foi compartilhado pela obstetra Larissa Cassiano. A médica relata o atendimento a uma menina de 11 anos que chegou a um hospital sem saber que estava grávida.
“Ela estava em trabalho de parto e gritava pela mãe”, relembra a profissional, em um caso que evidencia a urgência de fortalecer mecanismos de proteção à infância e adolescência.
Segundo Joyce Ribeiro, os desafios não terminam após o nascimento do bebê. A evasão escolar aparece como uma das consequências mais recorrentes, impactando diretamente a continuidade dos estudos e a inserção profissional dessas jovens.
A autora também chama atenção para a importância do apoio familiar e da educação sexual baseada em informação e diálogo.
“Todas as entrevistadas reforçaram que conseguiram seguir adiante porque tiveram suporte familiar, especialmente das mães”, conta.
Outro aspecto abordado no livro é a participação dos meninos e de suas famílias diante de uma gravidez não planejada. Para Joyce, a responsabilização não pode recair exclusivamente sobre as adolescentes.
“Orientar, conversar, ensinar e acolher também deve fazer parte da formação dos meninos”, afirma.
Ao longo da obra, a jornalista defende que escolas, famílias, profissionais de saúde e gestores públicos atuem de forma articulada na prevenção da gravidez na adolescência e na proteção de meninas e meninos.
A obra procura não oferecer aos leitores respostas definitivas relacionadas ao assunto, mas sim propor um debate acerca da responsabilidade coletiva, acesso à informação, proteção e oportunidades concretas para adolescentes enxergarem a possibilidade de trilhar caminhos diversos.
Ao refletir sobre a experiência de escrever o livro, Joyce Ribeiro afirma que encerra esse processo com uma percepção ampliada sobre os desafios enfrentados por meninas e jovens mães.
“Saio desta imersão com um olhar mais amoroso e protetor, especialmente em relação às nossas meninas. Espero que o livro seja ponto de partida para muitas conversas e reflexões”, conclui.
Pastor Henrique Vieira e Nath Finanças criticam publicidade de apostas na CazéTV durante a Copa e cobram responsabilidade sobre impacto na população negra.
A educadora financeira Nath Finanças e o pastor e deputado estadual Henrique Vieira se pronunciaram publicamente nesta semana para criticar a forma como a CazéTV, canal de streaming comandado por Casimiro Miguel e detentor dos direitos de exibição de todos os 104 jogos da Copa do Mundo de 2026 no YouTube, veicula publicidade de casas de apostas esportivas durante as transmissões do torneio. Os dois reagiram a uma declaração do próprio Casimiro em que o streamer minimizou as críticas sobre o volume de anúncios de bets no canal, afirmando em uma de suas lives que a publicidade de apostas “é o que faz girar o negócio” e que não acreditava que isso prejudicava o público.
O pastor Henrique Vieira, deputado estadual pelo Rio de Janeiro e coautor do Projeto de Lei 2478, que propõe restrições à publicidade de apostas esportivas na Câmara dos Deputados, respondeu diretamente ao posicionamento de Casimiro em vídeo publicado em suas redes sociais: “Tá prejudicando sim, e muita gente. Eu tenho recebido relatos de pessoas desesperadas, endividadas, nas mãos de agiotas, jovens deprimidos, tantos outros ansiosos. Não é só um negócio. É um negócio que está virando uma epidemia, um problema de saúde pública, e que está endividando e adoecendo o nosso povo”, afirmou Vieira em vídeo publicado em suas redes sociais, dirigindo-se diretamente ao streamer. O deputado citou o projeto que coassina como o mais avançado em tramitação na Câmara para regulamentar o setor, com medidas que incluem a proibição de propaganda, o veto a patrocínios e o estabelecimento de classificação de risco para proteger grupos vulneráveis, como adolescentes e jovens. Vieira também anunciou que participaria de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (25), ao lado do deputado Yuri Moura, para debater os impactos das bets no estado do Rio.
Em publicação em suas redes sociais, Nath Finanças afirmou que a questão ultrapassa o formato dos anúncios: “É um absurdo que o Cazé e seus comentaristas, com toda a autoridade e influência que têm, digam que uma odd acima de 4.0 tinha grande chance de acontecer. Isso não é apenas publicidade com QR Code. É uma comunicação que pode incentivar apostas. Basta pesquisar para ver o quanto esse mercado tem prejudicado e destruído famílias”, escreveu a educadora em suas redes sociais. Nath também apontou que afirmar que uma odd acima de 4.0 tem grande chance de acontecer contraria o princípio da veracidade e da informação adequada previsto na Nota Técnica SEI nº 3620/2026/MF, do Ministério da Fazenda, e destacou que a responsabilidade editorial é ainda maior quando o conteúdo alcança crianças e adolescentes.
A CazéTV afirmou, segundo a Folha de S.Paulo, que suas ativações comerciais seguem rigorosamente a legislação brasileira vigente. A Senacon, Secretaria Nacional do Consumidor vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, abriu em 24 de junho uma investigação preliminar para apurar possíveis irregularidades na publicidade de bets veiculada pelo canal durante as transmissões da Copa, após analisar vídeos em que narradores e comentaristas divulgavam cotações em tempo real e promoções como “cotações turbinadas”. A apuração avalia se o canal descumpriu normas previstas no Código de Defesa do Consumidor, na Lei 14.790 de 2023 e em portaria de 2024 da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que proíbem mensagens que sugiram ganhos fáceis ou minimizem os riscos financeiros da atividade.
Foto: CazéTV/ Divulgação
O canal integra ao seu Projeto Criadores nomes como o youtuber Julio Cocielo, que entre 2011 e 2018 publicou uma série de conteúdos considerados racistas pelo Ministério Público de São Paulo, incluindo um tuíte sobre o jogador Mbappé durante a Copa do Mundo de 2018. Cocielo foi processado criminalmente e também em ação civil pelo MP, que pedia R$ 7,4 milhões em danos sociais, mas foi absolvido nas duas instâncias, a última delas em 2024.
Cantora publicou nota em suas redes sociais nesta quinta-feira (25) esclarecendo que curtir uma publicação não equivale a endossar a conduta do empresário
A cantora Anitta se pronunciou nesta quinta-feira (25) em suas redes sociais para negar que tenha prestado apoio ao empresário Rodrigo Branco, condenado pela Justiça de São Paulo por declarações racistas proferidas em 2020 contra a médica e vencedora do BBB 20, Thelma Assis. Além do pronunciamento, a cantora deixou de seguir o empresário nas redes sociais. Na publicação, Anitta afirmou que a amizade com qualquer pessoa nunca se sobreporá a um ato que considera criminoso. “Racismo é crime. Quem comete é racista e deve lidar com as consequências de seus atos assim como Rodrigo Branco e tantas outras pessoas famosas, influentes e anônimas que cometeram ou cometem esse crime. Tem lei, pena e justiça. Não tem discussão. Não tem opinião de X ou Y. Nunca passei nem passarei pano pra um amigo que comete algum crime”, escreveu Anitta em publicação em suas redes sociais nesta quinta-feira (25).
A cantora também explicou que sua menor presença nas redes sociais nas últimas semanas não deve ser interpretada como silêncio conivente. “O fato de eu não ser mais tão ativa nas redes sociais quanto eu era antes não significa que eu esteja apoiando alguém diante de uma coisa tão indiscutível. Nunca me esquivei de me posicionar sobre as coisas, nunca tive posicionamento seletivo e não seria dessa vez”, completou, na mesma publicação.
O pronunciamento ocorre após a condenação de Rodrigo Branco pela 6ª Vara Cível de São Paulo, proferida em 15 de junho de 2026, que determinou o pagamento de R$ 40 mil por danos morais a Thelma Assis, valor que somado a juros e correção monetária chegou a R$ 76.061,07, segundo informação publicada pelo Brasil 247. O processo teve origem em março de 2020, quando Branco, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais ao lado da influenciadora Ju de Paula, afirmou que a médica tinha torcida “porque ela é negra, coitada” e que apoiá-la seria “racismo”. Na mesma live, dirigiu comentários racistas à jornalista Maju Coutinho, afirmando que ela “só está lá por causa da cor”.
Reprodução: redes sociais
Na sentença, a juíza Flávia Snaider Ribeiro reconheceu o racismo estrutural nas declarações e afirmou, que “a conduta do réu não se limita a ofender a vítima individualmente considerada e seus familiares, mas tem a propensão de também atingir a coletividade como um todo ao reproduzir símbolos históricos de inferiorização e exclusão.” Branco optou por não recorrer da decisão e publicou um vídeo nas redes sociais em que disse aceitar a responsabilidade pelas declarações. “Assumir a responsabilidade é parte do aprendizado e faço isso de cabeça erguida”, declarou o empresário em vídeo publicado em suas próprias redes sociais.
A publicação do empresário gerou uma série de manifestações de apoio por parte de celebridades, o que abriu uma nova polêmica sobre racismo e responsabilização pública. Nos comentários, Deborah Secco escreveu, em publicação nas redes sociais de Rodrigo Branco: “A gente erra, aprende, se responsabiliza pelos nossos erros e faz diferente.” Xuxa afirmou, na mesma publicação: “Errei muito e estamos aqui para tentar errar menos. É que essa pauta dói muito e nós, brancos, nunca vamos entender essa dor. Não dá mais para errar nesse assunto.” Astrid Fontenelle, que também deixou comentário na postagem, escreveu: “Não é fácil. Meu filho segue sendo um dos dois pretos que estudam na escola. Diariamente, vemos no noticiário casos e mais casos racistas. E somos nós, brancos e brancas, que temos que ir à luta por eles. Bem-vindo.” Segundo a Revista Fórum, tanto Xuxa quanto Astrid Fontenelle retiraram posteriormente suas mensagens de apoio.
Thelma Assis, que passou seis anos conduzindo o processo judicial, informou que destinará o valor recebido a uma instituição dedicada ao combate ao racismo, segundo o Mundo Negro. A médica também se manifestou sobre o período de espera pela decisão: “Esse impacto não pode ser desfeito com um simples pedido de desculpas na frente das câmeras”, afirmou,
Em 25 de junho de 1975, Samora Machel proclamou a independência de Moçambique após quase 11 anos de luta armada contra o colonialismo português.
No dia 25 de junho de 1975, Samora Machel, líder da Frente de Libertação de Moçambique e primeiro presidente da República Popular de Moçambique, proclamou no Estádio da Machava, em Maputo, a independência total e completa do país, encerrando mais de quatro séculos de presença colonial portuguesa em território africano e quase 11 anos de luta armada de libertação nacional. Na mensagem de proclamação dirigida ao povo moçambicano reunido no estádio, Machel declarou, conforme registrado na Declaração de Independência de Moçambique:
“A República que nasce é a concretização das aspirações de todos os moçambicanos, é o produto do sacrifício dos combatentes nacionalistas, de todo o povo moçambicano.”
O processo que tornou possível aquela proclamação teve início 13 anos antes, também em 25 de junho, quando a FRELIMO foi fundada em Dar-es-Salaam, na Tanzânia, a partir da fusão de três organizações nacionalistas de base regional: a União Democrática Nacional de Moçambique, a Mozambique African National Union e a União Nacional Africana de Moçambique Independente, reunidas sob os auspícios do presidente tanzaniano Julius Nyerere, conforme registrado pela Wikipédia em seu verbete sobre a Frente de Libertação de Moçambique. Eduardo Chivambo Mondlane, antropólogo e um dos fundadores do movimento, assumiu a presidência da FRELIMO e conduziu as primeiras etapas da luta política e armada, que teve início em 25 de setembro de 1964 no posto administrativo de Chai, na província de Cabo Delgado, segundo o Portal do Governo de Moçambique.
A guerrilha avançou gradualmente pelo território nacional, estabelecendo zonas libertadas no norte do país que escapavam ao controle colonial e funcionavam como embrião do futuro Estado moçambicano, enquanto Portugal mantinha no terreno uma força militar de aproximadamente 60 mil soldados para conter o avanço da FRELIMO, cujo contingente guerrilheiro havia chegado a 7 mil combatentes no início da década de 1970. Em 3 de fevereiro de 1969, Mondlane foi assassinado em Dar-es-Salaam pela explosão de uma encomenda armadilhada atribuída a agentes do colonialismo português, e a liderança da FRELIMO passou para Samora Machel, que conduziu o movimento até a proclamação da independência seis anos depois.
A virada política decisiva veio de fora de Moçambique, com a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 em Lisboa, que derrubou o regime do Estado Novo e abriu caminho para negociações entre o governo provisório português e a FRELIMO, resultando na assinatura dos Acordos de Lusaka em 7 de setembro de 1974, que fixaram a data da independência para 25 de junho de 1975, conforme registrado pela Bancada Parlamentar da FRELIMO em seu arquivo histórico sobre Samora Machel. Na sessão do Comité Central realizada na praia do Tofo, em Inhambane, foi aprovada a Constituição da República Popular de Moçambique e decidido que Machel seria o primeiro presidente, assumindo o cargo no dia da proclamação.
Foto: Reprodução
O período imediatamente posterior à independência foi marcado por tensões internas severas e por um conflito armado que se estendeu por quase duas décadas, com a Guerra Civil Moçambicana travada contra os rebeldes da RENAMO, movimento apoiado pela Rodésia e pela África do Sul, que destruiu infraestruturas econômicas e ceifou um número ainda impreciso de vidas antes de chegar ao fim com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz em 1992, segundo o Portal do Governo de Moçambique. Samora Machel não viveu para ver o encerramento desse conflito: morreu em 19 de outubro de 1986 num acidente aéreo em M’buzini, na vizinha África do Sul, sendo sucedido na presidência por Joaquim Alberto Chissano. Em 1981, ainda em vida, Machel havia deixado registrada na Praça da Independência uma declaração sobre as ameaças externas ao seu governo:
“Quando alguém vai com uma lata de petróleo pegar o fogo à casa do vizinho deixa sempre rasto. Este rasto é o rastilho que trará fogo à sua própria casa.”
Neste 25 de junho de 2026, Moçambique marca 51 anos daquela proclamação em um contexto em que o país ainda enfrenta desigualdade na distribuição de recursos naturais, precariedade de infraestrutura e tensões políticas que remontam ao período pós-guerra civil, enquanto a data permanece, para a população negra moçambicana e para os povos africanos de língua portuguesa, como referência central da luta anticolonial no continente africano.
Pela primeira vez na história, a África do Sul avança ao mata-mata de uma Copa do Mundo após vencer a Coreia do Sul por 1 a 0 em Monterrey, no México.
A seleção da África do Sul derrotou a Coreia do Sul por 1 a 0 na noite desta quarta-feira (24), no Monterrey Stadium, em Guadalupe, no México, e garantiu pela primeira vez na história do país uma vaga no mata-mata de uma Copa do Mundo. Em sua quarta participação no torneio, os Bafana Bafana finalmente superaram a barreira da fase de grupos, um objetivo que havia escapado nas campanhas de 1998, 2002 e 2010. O gol que selou a classificação saiu aos 18 minutos do segundo tempo, quando Thapelo Maseko recebeu cruzamento de Tshepang Moremi, girou sobre a marcação sul-coreana e finalizou de pé esquerdo para vencer o goleiro Kim Seung-gyu.
Com o resultado, os sul-africanos terminaram o Grupo A na segunda colocação, com quatro pontos. O México liderou a chave com nove pontos após derrotar a Tchéquia por 3 a 0 na rodada final. A África do Sul havia estreado na Copa com derrota por 2 a 0 para os mexicanos e arrancado um empate por 1 a 1 contra a República Tcheca na rodada seguinte, chegando ao jogo decisivo sabendo que apenas a vitória garantiria a classificação.
O técnico belga Hugo Broos, de 74 anos, respondeu à necessidade do resultado com uma mudança tática significativa: abandonou a formação com três meio-campistas centrais em linha e apostou em dois volantes e um armador, função entregue ao jovem Relebohile Mofokeng, que ganhou sua primeira oportunidade como titular na Copa e teve atuação decisiva na construção ofensiva ao longo de toda a partida. Na coletiva pós-jogo, Broos falou com jornalistas: “É difícil explicar este sentimento. Esperamos cinco anos por isso e o que fizemos nesses cinco anos é impressionante. Estamos na próxima fase, isso é histórico para os garotos e para mim.”
O personagem central da classificação foi Maseko, atacante de 22 anos revelado pelo SuperSport United e atualmente no Mamelodi Sundowns, principal clube do futebol sul-africano. Eleito o melhor jogador jovem da Copa Africana Sub-20 de 2023, ele passou boa parte da partida desperdiçando oportunidades antes de converter a chance definitiva. Sua trajetória recente carregava um peso adicional: uma lesão sofrida durante a Copa Africana de Nações de 2023 havia interrompido sua ascensão, e uma retomada gradual pelo Limassol, do Chipre, onde foi emprestado em janeiro de 2026, precedeu os meses que o trouxeram até Monterrey.
A conquista encerra um ciclo de ausências e eliminações precoces que marcou a história do selecionado africano no futebol mundial. A federação sul-africana só foi oficialmente reconhecida em 1992, após o fim do regime do apartheid, e desde então a seleção disputou apenas três edições do torneio antes de 2026: 1998, 2002 e 2010, todas com eliminação na fase de grupos. A participação de 2010, quando o país sediou o torneio, ficou marcada pela vitória sobre a França por 2 a 1, resultado que não foi suficiente para a classificação e que permaneceu como o ponto mais alto da trajetória dos Bafana Bafana em Copas até esta noite.
Do lado sul-coreano, a derrota deixou a seleção em situação delicada. Com três pontos, uma vitória e duas derrotas e saldo de gols negativo de um, a Coreia do Sul terminou em terceiro lugar no Grupo A e aguarda a definição da fase de grupos para saber se avança como um dos oito melhores terceiros colocados. A decisão de poupar o atacante Son Heung-min, que entrou apenas no segundo tempo, foi alvo de questionamentos após a partida, sobretudo porque a equipe asiática apresentou dificuldade de criação ofensiva durante boa parte do jogo.
A África do Sul enfrentará o Canadá, um dos países anfitriões da Copa, no próximo domingo (28), às 16h no horário de Brasília, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Na mesma coletiva, Broos reconheceu a dificuldade do adversário e deixou aberta a possibilidade de um avanço ainda mais profundo no torneio: “Quem sabe a gente não consegue passar de fase e chegar às oitavas.”
Na passarela em Paris, Pharrell Williams aposta em silhuetas fluidas, referências marítimas e uma leitura contemporânea da alfaiataria, enquanto reforça a fusão entre luxo urbano, natureza e cultura do vestir na coleção Primavera-Verão 2027 da grife.
O desfile Primavera-Verão 2027 da Louis Vuitton, sob direção criativa de Pharrell Williams, apresentou uma coleção que desloca a alfaiataria tradicional para um território marcado pelo litoral, pelo oceano e pela estética do surfe.
As silhuetas da coleção evocam um dandy contemporâneo atravessado por referências marítimas: peças com construção precisa convivem com texturas que remetem ao artesanal, além de adornos que fazem referência direta ao universo marinho. O resultado é uma leitura que aproxima o vestir urbano de uma atmosfera descontraída, sem abrir mão da sofisticação técnica que estrutura a maison.
A trilha sonora de abertura do desfile ficou por conta de uma prévia da faixa “HAAVIN”, do rapper norte-americano Quavo, produzida por Pharrell, reforçando a assinatura criativa do diretor também na construção sonora da apresentação.
Entre os elementos de bastidores, a produção destacou práticas sustentáveis de reaproveitamento e ciclo fechado: a água utilizada na cenografia, proveniente da Eaux de Paris, retornará à rede de esgoto por meio de um circuito fechado, enquanto a areia do desfile será destinada às quadras de vôlei de praia da Cité Internationale Universitaire de Paris.
O desfile evidencia como Pharrell tem ampliado a narrativa da Louis Vuitton masculina ao tensionar códigos clássicos da alfaiataria com referências de lazer, natureza e cultura contemporânea.
A premiação que celebra mulheres negras se prepara para o dia histórico no Rio de Janeiro e revela as especialistas que definirão as categorias de curadoria.
A PowerList Mundo Negro celebra a sua 5ª edição em 2026, consolidando-se como uma das maiores e mais impactantes premiações de homenagem ao protagonismo de mulheres negras no Brasil. Marcada para o dia 31 de julho, a cerimônia deste ano acontecerá na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro, inserida no calendário do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas.
Refletindo a relevância do prêmio, a edição de 2026 conta com o patrocínio da L’Oréal, por meio de seu grupo de afinidade negra AfroSou, e da TV Globo, que assina a parceria com a marca da novela das seis A Nobreza do Amor.
Nas etapas iniciais, o projeto já movimentou milhares de pessoas. O cronograma teve início em maio com as indicações e autoindicações abertas e, logo em seguida, seguiu para a consolidação do Top 5 por categoria. Após a intensa fase de votação popular, encerrada no dia 22 de junho, a organização do prêmio concentra-se agora no contato oficial com as escolhidas, tanto pelo voto popular quanto pelo júri técnico, etapa que se estende até o dia 30 de junho.
Ao todo, dez mulheres negras serão homenageadas. Além das cinco categorias de voto popular, as outras cinco são definidas por curadoria técnica, sob a responsabilidade de um júri especializado altamente qualificado, convidado pelo Mundo Negro. As juradas serão responsáveis por definir as vencedoras em:
Ciência, Tecnologia e Inovação
Liderança Corporativa
Diversidade e Impacto Social
Cultura, Artes e Entretenimento
Trajetória Transformadora
Conheça as Júris Técnicas da PowerList 2026
Aline Lima – @oficial.alinelima
Foto: Mundo Negro
Aline Lima é executiva de Diversidade e Inclusão, Mestranda em Consumo e professora convidada da FAAP. Analista junguiana. Alia antropologia e negócios para posicionar a inteligência cultural como motor de P&L, governança e inovação estratégica no mundo corporativo.
Flávia Oliveira – @flaviaol
Foto: Globo/Manoela Mello
Jornalista, colunista e comentarista de economia e política na Globonews, CBN e O Globo. É criadora e coapresentadora do podcast Angu de Grilo. Reconhecida por sua análise perspicaz que conecta dados econômicos e realidades sociais, com foco em raça, gênero e periferias.
Gaby Ferraz – @gabyfeerraz
Foto: Divulgação
Gabrielly Ferraz (Gaby Ferraz) é jornalista, criadora de conteúdo, podcaster e mestranda no PPGMC/UFF (Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano), onde pesquisa narrativas contra-hegemônicas na mídia. Também é pós-graduada em Gestão e Design em Carnaval e possui MBA em Estratégias de Comunicação Digital. Produz conteúdo nas redes sociais sobre o universo feminino, identidade e empoderamento negro. Aquariana, carioca e questionadora, Gaby conecta rigor acadêmico com comunicação acessível, criando pontes entre teoria e cotidiano.
Giovanna Heliodoro – @giovannaheliodoro
Foto: Rafael Fujita/Brandhaus Creative Studio
Giovanna Heliodora é comunicadora, historiadora, atriz, e referência na criação de conteúdos com representatividade negra e LGBTQIPN+, é apresentadora da 2ª temporada da série Conversas que Inspiram, podcaster do Vamos Sentindo, e sócia do TransBaile.
Grazi Mendes é executiva tech, professora, autora e designer de futuros, com mais de 20 anos de experiência no mercado de tecnologia. Autora do livro Ancestrais do Futuro: Qual a mudança que o seu movimento alcança? (2024), provoca lideranças a repensarem seus legados e o impacto de suas decisões. Ela é reconhecida como uma das 100 futuristas afrodescendentes mais influentes do mundo pela MIPAD/ONU.
Najara Black – @najarablack
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Najara Black é empresária, curadora, e gestora dos quiosques do Projeto Trilhos do Empreendedorismo (CCR Metrô Bahia), atuando no fortalecimento do desenvolvimento econômico e do afroempreendedorismo. Palestrante, mentora e facilitadora, já colaborou com instituições e marcas como Google, Meta, Sebrae, Aliança Empreendedora, Vale do Dendê Empreende Aí, Ginga Afrotech, Mercado Iaô, Senac/BA e outros. À frente da NBLACK há mais de 20 anos, acredita na moda como ferramenta de identidade, pertencimento e transformação social. Cofundadora da Ciranda Preta, promove conexões, fortalecimento e protagonismo entre mulheres negras através de encontros e experiências coletivas. É referência em moda com propósito, economia criativa e iniciativas de impacto social.
Natalia Paiva
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Considerada umas das 500 pessoas mais influentes da América Latina pela Bloomberg Línea, Natalia Paiva é líder tanto em temas relacionados à diversidade, equidade e inclusão, como em temas relacionados a novas tecnologias e seus impactos sociais. É presidente do MOVER (Movimento pela Equidade Racial) e sócia-fundadora da Alandar Consultoria, especializada em regulação de tecnologia. Com mestrado em Semiótica pela PUC-SP e MBA pela IE Business School em Madri, Natalia é Global Fellow do Inter-American Dialogue, think tank de políticas globais baseado em Washington. Também é conselheira do InternetLab, think tank de direitos digitais, e da Transparência Brasil.
Rachel Maia – @rachelomaia
Foto: Carol Prates
Rachel Maia é fundadora e CEO da RM Cia 360, empresa de impacto e governança. Ex-CEO da Pandora Brasil e executiva da Tiffany & Co., integra os conselhos da Petrobras, Vale e Hypera. Contadora pela FMU, possui MBA pela FGV e formação executiva pela Harvard Business School.
Taís Araujo – @taisdeverdade
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Atriz, apresentadora e produtora com mais de 30 anos de carreira, é referência em representatividade no audiovisual e no teatro nacional. Uma das principais embaixadoras da L’Oréal Paris Brasil, usa a sua voz e influência para impulsionar a valorização da cultura negra.
Quem já passou pela Powerlist
Em quatro edições, a premiação reconheceu mulheres que hoje são referência em diferentes campos da sociedade brasileira. Pela PowerList já passaram nomes como a deputada federal Erika Hilton (2023), a dermatologista Dra. Katleen Conceição (2022), a fundadora e curadora da Negra Rosa Rosangela Silva (2023), a diretora de Marketing da Globo Samantha Almeida (2024), a empreendedora e comunicadora Bárbara Brito (2024), a especialista em Inclusão e Diversidade na área de Beleza Marcele Gianmarino (2024), a psicóloga social, escritora e ativista, autora de O Pacto da Branquitude, Cida Bento (2025), a cantora Majur (2025) e a cientista Lívia Rodrigues (2025), entre outras trajetórias inspiradoras.
Patrocínio
A 5ª edição da PowerList Mundo Negro é patrocinada pelo Grupo L’Oréal, através do grupo de afinidade negra AfroSoul, em parceria ampliada após a edição de 2025. A TV Globo estreia como parceira da premiação, assinando com a novela A Nobreza do Amor, das 18h, e patrocinando especificamente a categoria Empreendedora do Ano. (Matérias dedicadas a cada parceria serão publicadas nos próximos dias.)
Sobre a Powerlist Mundo Negro
Em sua 5ª edição, a PowerList se consolida como a principal premiação de mulheres negras do Brasil, reunindo votação popular, curadoria técnica independente e cerimônia presencial. Conecta a comunidade negra a marcas e lideranças comprometidas com representatividade, e celebra trajetórias em diferentes áreas da sociedade.