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Luciano Quirino vive grande fase na carreira: vilão em “A Nobreza do Amor”, filme sobre caso Elize Matsunaga e novo espetáculo no teatro

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Foto: TV Globo

Entre a televisão, o cinema e os palcos, Luciano Quirino vive um dos momentos mais produtivos da carreira. Na novela das 18h, “A Nobreza do Amor”, o ator dá vida a Pascoal, um perigoso mercenário que chega à trama aplicando um golpe no rei de Batanga e logo se torna o braço direito de Jendal (Lázaro Ramos) nas maldades. Mas a novela é só uma das frentes de um artista que também está no elenco de um filme sobre o caso Elize Matsunaga e prepara o retorno aos palcos no segundo semestre.

Quem acompanha a trama vê em Jendal uma figura ambiciosa, calculista e com sede de poder, vilania compartilhada com a filha, Kênia (Nykolly Fernandes), e agora reforçada por Pascoal. Estratégico, observador e quase silencioso, o personagem chega ao núcleo principal carregando relações tensas, marcadas por manipulações e jogos de interesse.

“Pascoal é um homem que chega de fora, mas rapidamente entende o jogo de poder daquele reino”, conta o ator. “Ele é extremamente perigoso, não é um vilão impulsivo. Pensa, calcula, articula, e isso o torna ainda mais assustador.” Para compor o personagem, Quirino buscou referências na ficção misturadas a um traço contemporâneo. “Busquei como referência personagens clássicos que operam na sombra, como Iago, de Otelo, e até figuras mais populares como o Jafar, de ‘Aladdin’, já que Pascoal traz esse ar de mistério e seu figurino remete a alguns do clássico vilão de ‘Aladdin’, mas sempre trazendo para uma construção própria, mais humana e brasileira”, explica.

Segundo o ator, dar vida ao mercenário tem sido um exercício de mergulhar em territórios novos. “Tem sido um desafio muito instigante. O Pascoal me provoca a explorar novas camadas como ator, acessar lugares mais sombrios e compreender uma lógica completamente diferente daquilo que eu vinha fazendo até aqui. Fazer um vilão exige que você defenda ideias que, muitas vezes, são moralmente questionáveis, mas o segredo é nunca o julgar. Ele acredita no que faz e a diferença está justamente aí: encontrar a lógica interna daquele comportamento”, afirma.

Por estar no núcleo central da novela, Quirino divide muitas cenas com Lázaro Ramos, parceria que ele define como “muito potente”. “O Lázaro é um ator extremamente generoso, inteligente em cena, e isso eleva o jogo. A gente cria uma dinâmica de tensão e cumplicidade que movimenta a trama”, destaca.

A trama também rendeu um reencontro: o ator volta a contracenar com André Luiz Miranda, com quem trabalhou em “Dona Beja”, da HBO Max. Os dois integram o núcleo da cidade fictícia de Batanga, agora em posições opostas. “Tivemos a oportunidade de contracenar, mas agora em lados opostos, ele como mocinho e eu como vilão. Isso cria uma tensão muito interessante em cena, porque existe uma conexão anterior entre nós, mas dentro da história somos adversários”, detalha.

Em “Dona Beja”, reedição da novela que se popularizou em 1986, Quirino interpreta Mendonça, pai do personagem de André Luiz Miranda. Ele descreve o papel como “um homem de época, porém atravessado por sentimentos muito profundos”, que vive conflitos intensos entre amor, honra e desejo. Para o ator, a nova versão se distingue principalmente na abordagem: “A nova versão traz um olhar mais contemporâneo, mais aprofundado nas relações e nas camadas dos personagens. Há uma escuta mais sensível para temas que hoje são inevitáveis.”

Elenco de Dona Beja – Foto: Reprodução Instagram

Embora admire o trabalho de Jonas Mello, que viveu Mendonça na primeira versão, Luciano optou por não se prender à trama de 86. “Tenho muito respeito pelo trabalho do Jonas Mello, mas optei por não me prender à versão anterior. Preferi construir o meu Mendonça a partir do texto e da direção. Naturalmente, as versões dialogam, mas cada uma tem sua identidade”, comenta. O elenco ainda proporcionou o reencontro com Thalma de Freitas, com quem dividiu cena em “Laços de Família” no início dos anos 2000. “Foi especial. A Thalma é uma atriz de uma sensibilidade enorme. A gente se reencontra com mais maturidade, mais repertório, e isso aparece em cena. Nessa história vivemos um casal, o Mendonça e a Josefa. Tem história ali, tem verdade.”

A boa fase também alcança o cinema. Quirino integra o elenco do filme que reconstitui o caso Elize Matsunaga. “Foi um trabalho delicado. Quando lidamos com histórias reais, existe uma responsabilidade muito grande. Procurei tratar tudo com respeito, sem sensacionalismo, entendendo a complexidade humana envolvida”, diz. Sobre seu personagem, adianta: “É alguém que observa muito mais do que fala, e quando fala, muda o rumo das coisas. Ele chega de forma sutil, mas deixa marcas profundas.”

Nos palcos, presença constante, o ator esteve recentemente no espetáculo sobre os irmãos Timotheo da Costa, experiência que define como “um encontro com a história, com a arte e com a ancestralidade”. Para o segundo semestre, prepara o retorno como o maestro Carlos Gomes em “Maestro Selvagem”, projeto que descreve com “expectativa enorme”.

“Esse é um projeto muito especial pra mim. A ideia é retomar com uma circulação mais ampla, passando por capitais e cidades do interior, ampliando o alcance dessa história”, conclui.

“As negras letras de Oswaldo de Camargo”: uma homenagem em vida a um mestre da literatura negra

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O espetáculo “As negras letras de Oswaldo de Camargo” precisa ser visto pela população negra. É uma das homenagens mais singelas e belas que se pode prestar em vida a um escritor negro.

O elenco é constituído por atores belíssimos: Elina de Souza, Adolfo Moura, Dimmy Anderson, todos negros +60, e o ator mirim Miguel Lucca Britto. A direção é de Eduardo Silva.

Conheci o Sr. Oswaldo de Camargo na década de 1970, no lançamento do livro de contos “Carro do Êxito”, livro de cabeceira que sempre releio. É daquelas obras pelas quais você se apaixona: lê, relê, compra exemplares antigos e edições novas, presenteia amigos e, quando encontra o autor, agradece e fala dos contos, das paisagens citadas, dos momentos vividos na cidade de São Paulo.

Assistir a Oswaldo de Camargo no teatro é uma grande emoção. O jovem ator Miguel Lucca Britto, que representa o período da infância, nos traz uma imensa alegria em saber que as crianças e jovens estão tornando a figura de Oswaldo eterna.

Oswaldo Faustino, autor da peça, é daqueles intelectuais que nos orgulhamos de conhecer. Brilhante, mágico, deslumbrante e um apaixonado pelo xará. A cada palavra pronunciada pelo ator Adolfo Moura, ouço o genial Oswaldo Faustino.

Que ator esse Adolfo Moura! Arrasa pela sobriedade em interpretar Oswaldo de Camargo.

A figura feminina na peça, Elina de Souza, é um toque de alegria, sabedoria e respeito à nossa ancestralidade, com um olhar de esperança e despertar para a vida. Quando Elina entra em cena, só consigo pensar em um solo de trompete de Miles Davis, pela liberdade e leveza do seu desempenho. Que beleza, que olhar cativante, que nos leva à admiração.

Dimmy Anderson, o ator que representa o pai de Oswaldo, nos leva a refletir sobre a paternidade e o impacto, a ferida aberta, jamais cicatrizada, da partida ainda jovem. História de muitas famílias negras que, após a escravidão, tiveram seus pais mortos pela exaustão do trabalho, pela doença do alcoolismo, pelo descaso do Estado. Dimmy dá um show com a dramatização de ser um pai trabalhador e carregado de esperança no futuro dos filhos.

A direção de Eduardo Silva, que tenho acompanhado nos palcos paulistas, é uma chama de esperança no surgimento de diretores negros. Um trabalho primoroso, mais uma vez.

Se você ainda não viu o espetáculo “As negras letras de Oswaldo de Camargo”, saiba que é um momento especial na dramaturgia negra paulista. Atores, escritor e diretor negros, todos empenhados em prestar uma homenagem ao grande Oswaldo de Camargo, que completará 90 anos. Que privilégio dos paulistas poderem assistir a este belo trabalho, que nossos filhos, netos, sobrinhos e amigos precisam conhecer.

Gostaria de citar uma poesia do escritor Oswaldo de Camargo:

Grito de angústia

À memória de meu pai

Dê-me a mão. Meu coração pode mover o mundo com uma pulsação… Eu tenho dentro em mim anseio e glória que roubaram a meus pais. Meu coração pode mover o mundo, porque é o mesmo coração dos congos, bantos e outros desgraçados, é o mesmo.

É o mesmo coração dos que são cinzas e dormem debaixo da Capela dos Enforcados… é o coração da mucama e do moleque; e eu sei muitas canções de ninar gente branca, sei histórias, todas feitas à sombra das palmeiras, ou nas margens do Nilo… Eu conheço um grito de angústia, trovejante, que deve estarrecer todas as minhas amantes que tenho decerto…

Eu conheço um grito de angústia, e eu posso escrever este grito de angústia, e eu posso berrar este grito de angústia, quer ouvir? “Sou um negro, Senhor, sou um… negro!”

(15 poemas negros, p. 51-52)

SERVIÇO:

Espetáculo: “As Negras Letras de Oswaldo de Camargo
Temporada: 22 de maio a 21 de junho de 2026.
Horários: Quinta a domingo às 20h.
Local: Complexo Funarte (Teatro Funarte) – Alameda Nothman, 1058, Campos Elíseos, São Paulo – SP.
Ingressos: R$ 40
Vendas: https://ciaumbrasil.com.br/bilheteria-oswaldo-de-camargo
Mais informações: @cia.um.brasil

Josiane Climaco lança livro sobre Educação Física antirracista 

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Josiane Climaco apresenta livro sobre Educação Física antirracista
Foto: Hamilton Barssou/ Divulgação

A pesquisadora e professora Josiane Cristina Climaco lança o livro “Educação Física e Matrizes Africanas: Por uma proposição crítico-superadora e antirracista” em Salvador, no dia 11 de julho, durante o evento Redes Alvorada. A obra propõe uma releitura da Educação Física brasileira a partir das contribuições de diferentes matrizes africanas para a cultura corporal.

Publicada pela Editora Revista África e Africanidades, a obra aborda a formação de professores e professoras, os desafios enfrentados pela educação pública e a presença ainda limitada de referências africanas e afro-brasileiras nos currículos acadêmicos. A autora defende uma prática pedagógica comprometida com a equidade racial e com a valorização das identidades negras na educação.

Organizado em quatro eixos centrais, o livro amplia o debate sobre educação antirracista ao abordar a formação docente e os desafios da implementação da Lei 10.639/03, propondo novas possibilidades pedagógicas para o ensino da dança.

Segundo Josiane Climaco, a publicação é resultado de décadas de atuação como professora de Educação Física e pesquisadora das relações étnico-raciais.

“Minha área de formação foi construída sob uma lógica biologicista e eurocêntrica, que se consolidou como norma na educação brasileira. Pesquisar e sistematizar as contribuições do continente africano para o desenvolvimento das práticas corporais, de forma curricular e aplicável às escolas, foi um passo fundamental para qualificar o processo de formação integral”, afirma.

Josiane é mestra e doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e atua na rede estadual de ensino, na Faculdade Lusófona e na UFBA. Sua trajetória é marcada pela pesquisa e militância em defesa da educação antirracista e da valorização da cultura negra.

O livro possui recursos interativos acessados por QR Code, incluindo vídeos da autora, uma conversa sobre a pesquisa e o recurso educacional Elimu, ampliando suas possibilidades de utilização pedagógica.

A obra também será apresentada em São Paulo, na Colômbia e durante o Congresso Nacional de Pesquisadores e Pesquisadoras Negras (COPENE 2026), em Brasília.

Caso Miguel Otávio segue sem desfecho 6 anos após sua morte 

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Mirtes Renata durante ato por justiça para Miguel Otávio
FOTO: AMANDA REMÍGIO/TV JORNAL

Nesta segunda-feira (2), completam-se seis anos da morte de Miguel Otávio Santana da Silva, que, aos 5 anos de idade, foi colocado sozinho em um elevador de um edifício residencial no Recife (PE), em um caso que mobilizou o país e se tornou símbolo do debate acerca da desigualdade racial no acesso à justiça.

Miguel estava sob os cuidados de Sarí Corte Real enquanto sua mãe, Mirtes Renata de Souza, trabalhava no local. Ao sair para passear com o cachorro da família, Mirtes deixou o filho no apartamento. Pouco depois, o menino foi colocado sozinho no elevador e acabou chegando a um andar superior do edifício, de onde caiu.

Em 2023, Sarí Corte Real foi condenada por abandono de incapaz com resultado morte. Em maio deste ano, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) manteve a pena de sete anos de prisão em regime inicialmente fechado. Apesar disso, ela continua respondendo ao processo em liberdade enquanto a defesa apresenta recursos.

Agora, o caso segue para análise no Superior Tribunal de Justiça (STJ), etapa que definirá os próximos desdobramentos do processo.

Nos últimos anos, Mirtes Renata tem mantido uma atuação pública em defesa da memória do filho, seguindo na luta pelo cumprimento da decisão judicial. Em diferentes manifestações, ela questiona a demora na execução da pena e denuncia o que considera privilégios concedidos à condenada, como a manutenção do passaporte, a possibilidade de viagens internacionais e a continuidade de atividades acadêmicas enquanto o processo aguarda decisão definitiva.

Em uma publicação compartilhada nesta segunda-feira (2), data que marca seis anos da morte de Miguel Otávio, Mirtes Renata voltou a expressar a sua  indignação diante da espera por uma resposta definitiva da Justiça e cobra o cumprimento da condenação. 

“A Justiça já levou mais tempo para responder do que o tempo que Miguel teve para viver. Eu tenho medo de que a lentidão vença. Tenho medo de que a demora se transforme em impunidade. Tenho medo de que, enquanto a condenada segue vivendo sua vida, viajando, sorrindo e construindo novas memórias, a história do meu filho continue presa em recursos sem fim.Não temos mais tempo.Junho não pode terminar sem uma resposta concreta para Miguel.Junho não pode terminar sem que a condenada seja presa. 2026 não pode ser mais um ano de espera.”, declarou.

Caso na Lapa expõe o medo de envelhecer da classe média alta; lição dos terreiros sobre respeito à velhice e à morte

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por: Rodrigo França

Há uma cena recente em São Paulo que escancara mais do que parece. Na Lapa, moradores reagiram à presença de casas de repouso e ao trânsito de carros funerários. O incômodo virou debate público, com reportagens da Folha de S. Paulo mostrando o desconforto de quem não quer conviver com o envelhecimento e, principalmente, com a morte.

Mas vamos ser honestos. Ninguém está discutindo trânsito. Ninguém está preocupado com fluxo de veículos. O que está em jogo é outra coisa. É o desejo de manter a ilusão de juventude intacta. É a tentativa de empurrar para fora do campo de visão aquilo que desorganiza a fantasia de controle. A velhice virou um erro estético. Um ruído. Algo que precisa ser escondido para que a narrativa da juventude permanente continue funcionando. Só que ela não se sustenta.

Vivemos mais. Essa é a promessa do nosso tempo. A medicina avançou, a expectativa de vida aumentou. Mas, curiosamente, quanto mais vivemos, menos sabemos lidar com o que isso significa. Queremos os anos extras, mas não queremos ver o que eles produzem. Queremos longevidade, mas recusamos a velhice. Isso não é só contradição. É imaturidade social.

Agora olha para as comunidades de terreiro. O mais velho não é descartado. Ele é referência. É quem sustenta a memória, quem organiza o sentido, quem conecta o presente ao passado. A morte não é um tabu silencioso. É parte do ciclo. A ancestralidade não é discurso bonito. É prática. O mesmo acontece em muitas comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas. O tempo não é uma corrida desesperada. É um fluxo. O mais velho carrega mundo, não peso. Existe ali um entendimento mais sofisticado da existência, algo que o modelo urbano decidiu abandonar em nome da produtividade e da aparência.

Quando você rejeita o velho, você está rejeitando o seu próprio futuro. Não existe exceção. Não existe blindagem. Não existe filtro que segure o tempo. Enquanto isso, um outro dado desmonta completamente essa fantasia de controle. Hoje, vemos cada vez mais jovens morrendo. Violência, desigualdade, colapso da saúde mental. A morte não está esperando a velhice chegar. Ela já está atravessando a juventude. Percebe o paradoxo?

A gente esconde quem viveu muito e naturaliza a morte de quem mal começou. Isso não é só incoerente. É brutal. O carro funerário incomoda porque ele quebra a encenação. Ele lembra que existe fim. E, num mundo que se construiu em cima da ideia de performance constante, falar de fim é quase um ato subversivo. Mas ignorar isso tem custo.

Uma sociedade que não sabe olhar para a morte também não sabe viver plenamente. Porque viver sem a consciência do fim é viver anestesiado, superficial, sempre adiando aquilo que importa.

As comunidades tradicionais entenderam algo que a gente insiste em desaprender. O respeito ao mais velho não é caridade. É inteligência coletiva. É reconhecer que o tempo não é inimigo, é estrutura.

Não adianta admirar essas comunidades de longe e continuar reproduzindo a lógica que descarta o envelhecimento no seu cotidiano. Não adianta transformar ancestralidade em estética e continuar tratando o velho como problema. Isso é incoerência fantasiada de sensibilidade.

Quando o tempo marcar você, onde você quer estar? Num mundo que esconde, ou num mundo que acolhe? Porque esse debate não é sobre a Lapa. É sobre o tipo de humanidade que você está ajudando a construir. E, principalmente, sobre o tipo de velhice que você vai merecer.

Hilton Cobra leva legado do teatro negro para A Nobreza do Amor

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Hilton Cobra ao centro, caracterizado como Chinua em A Nobreza do Amor
Foto: Estevam Avellar/ TV Globo

A trajetória de mais de quatro décadas de Hilton Cobra no teatro brasileiro se reflete em Chinua, personagem que interpreta na novela das seis A Nobreza do Amor, da TV Globo. Na trama, o ator e diretor baiano dá vida a Chinua, conselheiro do rei Cayman II e uma das figuras centrais da resistência ao golpe liderado por Jendal, personagem de Lázaro Ramos.

Fiel à família real destronada, Chinua permanece em seu posto mesmo após a mudança de poder e se torna um importante aliado de Dumi na luta pela restauração da ordem no reino. A presença de Hilton Cobra no papel tem chamado atenção pela construção de uma representação digna, complexa e altiva da realeza africana ambientada nos anos 1920.

A escolha do ator para interpretar Chinua dialoga com sua rica trajetória artística construída ao longo de mais de quatro décadas. Nascido no município de Feira de Santana, na Bahia, o artista é uma das principais referências do teatro negro brasileiro contemporâneo, com atuação marcada pela valorização das culturas negras e pelo fortalecimento de espaços de protagonismo para artistas negros no teatro e na televisão brasileira.

Sua trajetória nos palcos começou no final da década de 1970, quando protagonizou o espetáculo Solta-me Orelha, dirigido por Luiz Marfuz. Em 2001, fundou a Companhia dos Comuns, coletivo inspirado no legado do Teatro Experimental do Negro, criado por Abdias Nascimento. Também esteve à frente da Fundação Cultural Palmares entre 2013 e 2015, período em que contribuiu ativamente para o fortalecimento de políticas voltadas à preservação da cultura afro-brasileira.

Entre seus trabalhos mais conhecidos está o solo Traga-me a Cabeça de Lima Barreto, espetáculo criado em comemoração aos seus 40 anos de carreira e que contou com diversas apresentações pelo Brasil, propondo uma reflexão crítica sobre racismo científico, intelectualidade negra e memória histórica por meio da obra e da trajetória do escritor Lima Barreto.

Hilton Cobra integrou o elenco de Medida Provisória, filme dirigido por Lázaro Ramos e inspirado na peça Namíbia, Não!, de Aldri Anunciação, e, ao longo dos anos, consolidou-se como ator, diretor, gestor cultural e articulador de iniciativas para impulsionar a produção cultural negra no Brasil.

Em A Nobreza do Amor, o artista reforça seu legado e sua presença na televisão brasileira ao interpretar um personagem com uma narrativa pautada em valores como lealdade e sabedoria, contribuindo para ampliar a visibilidade de personagens negros no audiovisual.

Quando a publicidade brasileira entendeu que o Brasil era a referência

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Rua decorada com bandeira do Brasil e menino jogando bola.
Foto: Getty Images

Por: Dayane Oliveira

Com a proximidade do Cannes Lions International Festival of Creativity, eu tenho pensado muito sobre uma mudança silenciosa — mas extremamente poderosa — que aconteceu na publicidade brasileira nos últimos anos: o momento em que paramos de olhar para fora em busca de validação criativa e começamos, finalmente, a reconhecer o Brasil como referência.

Por muito tempo, a comunicação brasileira acreditou que sofisticação criativa era sinônimo de aproximação com códigos internacionais. As grandes referências vinham de campanhas estrangeiras, de estéticas globais e de uma ideia quase implícita de que, para parecermos modernos, premium ou inovadores, precisávamos nos afastar da nossa própria identidade.

Mas talvez a grande virada da publicidade brasileira tenha acontecido justamente quando entendemos o contrário: o que nos coloca no centro não é tentar parecer outra coisa.

É assumir, sem pedir licença, o nosso próprio jeito de criar. E isso mudou tudo.

Recentemente, assisti a um vídeo sobre códigos visuais brasileiros e fiquei pensando no quanto elementos que antes eram vistos apenas como “populares”, “informais” ou até “cafonas” passaram a ocupar um lugar estratégico dentro da construção criativa contemporânea.

As tipografias de feira.
O cachorro caramelo.
Os memes virais.
As manifestações culturais.
As cores exageradas.
O improviso brasileiro.
O humor da internet.
O funk.
O São João.
A linguagem periférica.
Os regionalismos.

Tudo isso deixou de ser tratado como adjacência cultural para virar ferramenta criativa. E talvez esse seja um dos movimentos mais interessantes da publicidade brasileira recente.

Porque o Brasil percebeu que seu diferencial competitivo não estava na tentativa de reproduzir uma estética global pasteurizada — mas justamente na potência cultural que já existia aqui.

Hoje, vemos marcas buscando cada vez mais territorialidade, autenticidade e repertório local. Não porque virou “trend”, mas porque o comportamento contemporâneo exige verdade cultural. As pessoas reconhecem quando existe construção real de linguagem — e também percebem quando existe apenas apropriação estética. E a internet brasileira teve um papel fundamental nessa virada.

Durante anos, o Brasil foi tratado apenas como consumidor de tendências digitais globais. Mas, aos poucos, a lógica se inverteu. A linguagem da internet brasileira começou a influenciar formatos, narrativas, comportamento e estética em escala internacional.

Os memes brasileiros atravessaram fronteiras.
Os creators brasileiros viraram referência de linguagem.
A estética periférica deixou de ser nicho.
A cultura popular virou centro criativo.

E isso não aconteceu por acaso.

Aconteceu porque existe uma potência cultural muito difícil de reproduzir artificialmente. O Brasil cria linguagem a partir da convivência, do humor, da limitação, da criatividade cotidiana e da mistura constante de referências. Talvez por isso a publicidade brasileira continue sendo uma das mais observadas do mundo.

Mas acredito que existe uma diferença importante agora: antes, éramos reconhecidos pela execução criativa. Hoje, começamos a ser reconhecidos também pelo repertório cultural. E isso é uma mudança enorme.

Porque significa entender que a nossa potência não está apenas na capacidade de criar boas campanhas — mas na capacidade de transformar comportamento, estética e identidade em linguagem universal.

O que antes era visto como excesso, informalidade ou “brasilidade demais”, hoje aparece como diferencial competitivo.

E talvez essa seja uma das mudanças mais simbólicas da publicidade contemporânea: o Brasil deixou de ocupar as adjacências da criatividade global quando entendeu que nunca precisou pedir referência emprestada.

Nosso jeito de ser sempre foi, também, nosso jeito de criar. E foi exatamente isso que nos colocou no centro.

Tony Tornado deixa elenco de ‘Quem Ama Cuida’ para reduzir ritmo de trabalho

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Foto: Reprodução/Instagram @leorosariophotos Foto: Reprodução/Instagram @leorosariophotos

Ator e cantor pediu para sair da novela das nove da Globo após rotina intensa em “Êta Mundo Melhor!”. Saiba quem seria seu personagem na trama de Walcyr Carrasco.

Completando 96 anos de vida e em plena atividade profissional, o ator e cantor Tony Tornado decidiu recalcular sua rota na televisão e pediu para deixar o elenco de Quem Ama Cuida, a próxima novela das nove da TV Globo. O artista, que segue contratado da emissora, avaliou que o ritmo intenso e exaustivo das gravações recentes de Êta Mundo Melhor! exigiu muito fisicamente, optando por priorizar produções com cronogramas mais curtos e menos desgastantes daqui para frente.

A decisão de diminuir o ritmo não significa uma aposentadoria. Em entrevista recente, o artista veterano reforçou que não cogita parar e que pretende seguir ativo enquanto puder, destacando seu amor por fazer shows, viajar e sentir o carinho do público. A escolha atual reflete, na verdade, uma gestão estratégica de sua própria saúde e carreira.

Na história assinada por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Tony daria vida ao Doutor Osmar Vaz, um milionário de postura rígida, marcado por dores do passado e que guardava um segredo misterioso que o afastou do amigo Arthur, interpretado por Antonio Fagundes. Osmar entraria na segunda fase da trama como o pai de Silvana, personagem vivida pela atriz Belize Pombal. Na narrativa, o núcleo de Belize tem papel central: ela é uma viúva cujo filho, Tiago, assumirá o comando da joalheria da família após a morte do tio, travando uma disputa direta com a prima Ingrid, papel de Agatha Moreira.

A saída de Tony Tornado mexe nos planos dos autores, que agora buscam um novo nome para o papel do patriarca. Enquanto o público acompanha os próximos passos da carreira histórica de Tony, a presença de Belize Pombal no elenco principal da novela das nove garante a continuidade da potência e da representatividade preta em papéis de destaque e alta densidade dramática no horário nobre.

Série documental sobre o julgamento de Michael Jackson estreia amanhã na Netflix

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Foto: The Grosby Group

Série documental em três episódios reconstrói os bastidores do julgamento de 2005 com depoimentos de jurados, testemunhas e membros da defesa. Estreia em 3 de junho.

A plataforma de streaming Netflix lança em seu catálogo a série documental Michael Jackson O Veredito nesta quarta-feira dia 3 de junho de 2026. A nova produção audiovisual dividida em três episódios reconstrói detalhadamente os bastidores do julgamento por abuso infantil enfrentado pelo cantor. O processo criminal que mobilizou a imprensa global ocorreu na Califórnia e terminou com a absolvição total do artista de todas as queixas apresentadas na época após meses de sessões no tribunal americano.

O projeto de não ficção pega carona no recente sucesso comercial alcançado pela cinebiografia intitulada Michael nas salas de cinema de todo o mundo para debater a memória do músico sob um novo ângulo. De acordo com informações publicadas originalmente pelo Metrópoles a nova produção obteve um acesso inédito aos detalhes da disputa judicial iniciada no ano de 2003. A narrativa busca apresentar uma perspectiva direta e informativa ao expor as dinâmicas de poder e as estratégias jurídicas do caso.

A direção da obra ficou sob a responsabilidade do cineasta Nick Green enquanto a profissional Fiona Stourton assumiu as funções de produção para a plataforma de streaming. O grande diferencial dessa nova abordagem sobre o tema consiste na reunião de depoimentos de pessoas que acompanharam as sessões oficiais da corte de perto. O público terá acesso a relatos exclusivos fornecidos por integrantes do corpo de jurados além de testemunhas oculares antigos acusadores e membros das equipes de defesa.

Os realizadores do projeto destacaram em comunicado oficial que o debate em torno do cantor continua vivo mesmo duas décadas após o encerramento do caso. Os profissionais pontuaram que o documentário oferece uma perspectiva inédita sobre os fatos ocorridos na corte que por muito tempo permaneceram distantes do conhecimento do grande público. A estrutura textual evita adjetivos melodramáticos para priorizar o caráter puramente jornalístico e técnico que envolve uma das maiores coberturas da imprensa.

Ouvir as mesmas músicas repetidamente ajuda o cérebro a lidar com emoções

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Foto: magnific

Pesquisas mostram que ouvir as mesmas músicas repetidamente revela traços emocionais e de personalidade. Entenda o que a ciência explica sobre esse comportamento.

Ouvir as mesmas músicas repetidamente não é apenas uma questão de gosto. Pesquisas interdisciplinares sugerem que o hábito revela aspectos profundos da estrutura mental e emocional do ouvinte, ligados à busca por segurança, ao processamento de sentimentos e a traços específicos de personalidade. A conclusão parte de uma reportagem do jornal O Globo publicada em 30 de maio de 2026, que reuniu estudos de diferentes áreas para explicar por que tantas pessoas ignoram milhões de faixas disponíveis nas plataformas de streaming e voltam sempre para as mesmas canções.

Um relatório do Center of Music in the Brain aponta que a música ativa o sistema de recompensa do cérebro. Ao ouvir uma canção favorita, o organismo libera dopamina, substância associada à sensação de prazer. Esse mecanismo gera uma dependência positiva que leva o ouvinte a repetir a experiência, transformando a música em ferramenta de regulação emocional.

O pesquisador Daniel Levitin, autor do livro “This Is Your Brain on Music”, também estudou como essa repetição ativa áreas cerebrais ligadas ao prazer e à memória afetiva, reforçando a conexão entre canções conhecidas e bem-estar psicológico.

Os traços de personalidade influenciam diretamente esse comportamento. Estudo publicado pela revista WebMD identificou oito comportamentos específicos em pessoas que repetem as mesmas músicas, concluindo que o hábito está associado a conforto na previsibilidade e a alta inteligência emocional.

Segundo a pesquisa, esses ouvintes não evitam emoções intensas, ao contrário, se engajam ativamente com elas, usando as canções para processar experiências e acessar sentimentos profundos. Para pessoas introvertidas, a repetição funciona ainda como recurso de preparação emocional, criando um espaço sonoro seguro diante de situações sociais desafiadoras ou de sobrecarga mental.

Em um ambiente marcado pela incerteza e pelo excesso de estímulos, músicas conhecidas oferecem estabilidade e sensação de controle. Pesquisadores chamam esse fenômeno de “efeito de familiaridade”: quando o cérebro já conhece uma melodia, ele não precisa processar informações novas, o que reduz o esforço cognitivo e gera conforto imediato. Esse mecanismo explica por que a repetição musical se intensifica em momentos de ansiedade, estresse ou cansaço emocional, funcionando como uma âncora mental que ajuda o ouvinte a se reorganizar internamente.

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