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Iyá Sônia Oliveira: a chef que aprendeu no candomblé que cada ingrediente tem um sentido e cada gesto carrega intenção

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Foto: divulgação

O encontro de Sônia Oliveira com a cozinha de terreiro não aconteceu de uma vez. Foi, como ela mesma descreve, um chamado silencioso que foi chegando aos poucos, no tempo certo. “No início, eu via apenas o alimento para o santo, o cheiro, o cuidado no preparo. Mas, com o tempo, fui compreendendo que ali existia algo muito maior: memória, fé e ancestralidade”, conta.

Iyalorisá, professora e empreendedora sergipana, Sônia se iniciou no candomblé em 2002, e foi nesse espaço que a cozinha ganhou outra dimensão. “Fui aprendendo que cozinhar, naquele espaço, é um ato de respeito e conexão. Cada ingrediente tem um sentido, cada gesto carrega intenção, e cada preparo é uma forma de diálogo com o sagrado. Não se trata apenas de alimentar o corpo, mas de fortalecer o espírito.”

Essa visão se tornou o alicerce do seu trabalho. Idealizadora do Yeyê Bistrô e da Ojú Ifá Modas, em Sergipe, Sônia celebra ancestralidade e identidade negra por meio da fé, da culinária e da economia criativa, mobilizando sua comunidade e construindo um espaço onde gastronomia e espiritualidade se encontram. Para ela, a cozinha de terreiro é, antes de tudo, um patrimônio coletivo: “ancestral, coletiva e sagrada.”

É essa compreensão que ela leva para a campanha #IngredientePrincipal. O TikTok escolheu o Brasil para inaugurar essa campanha global, que conta com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs como parceiros estratégicos na produção de conteúdo com 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Iyá Sônia Oliveira é uma delas.

Para os jovens negros, o recado é sobre responsabilidade e pertencimento: “Preservar os saberes de terreiro é, antes de tudo, um ato de continuidade. Esses saberes chegaram antes de nós, atravessaram o tempo, resistiram à dor e chegaram até aqui. Agora é hora de cuidar desse grande legado que recebemos de presente dos nossos ancestrais. Vocês são continuidade. E preservar esses saberes é garantir que aquilo que nos sustenta não se perca, mas siga vivo atravessando gerações.”

#IngredientePrincipal #TheMainIngredient #CozinhaDeTerreiroÉSagrada

Mundo Negro Talks dedica segunda edição às mães negras no Mês das Mães, em parceria com Grupo HEINEKEN e Sephora Brasil

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Foto: gerada por IA

Encontro íntimo de 30 mulheres acontece em 11 de maio, na HEINEKEN House em São Paulo, com oficina de IA, conversa sobre maternidades e ativação Sephora. Duas vagas estão reservadas para assinantes pagas da newsletter do Mundo Negro no Substack.

Em 11 de maio, segunda-feira, o Mundo Negro realiza a segunda edição do Mundo Negro Talks, encontro íntimo que reúne 30 mulheres negras para uma tarde de troca, escuta e fortalecimento. A edição Mês das Mães acontece na HEINEKEN House, em São Paulo, das 15h às 18h, em parceria com o Grupo HEINEKEN e a Sephora Brasil.

A programação é construída em três frentes. A tarde abre com uma oficina de IA e produtividade para mulheres, conduzida por Silvia Nascimento, fundadora do Mundo Negro, com foco em ferramentas práticas que ajudam a organizar trabalho, agenda e rotina pessoal. Em seguida, uma talk sobre maternidades abre espaço para histórias de mães e filhas negras atravessadas por maternidades diferentes. É uma escuta sobre os muitos modos de ser e construir família. A tarde fecha com uma oficina de maquiagem da Sephora. Café, comidinhas e bebidinhas geladas do Grupo HEINEKEN acompanham o encontro.

A edição reforça duas parcerias com histórico junto ao Mundo Negro. O Grupo HEINEKEN apoiou a primeira edição do Mundo Negro Talks, Julho das Pretas, em 2025, também em São Paulo. Já a Sephora Brasil esteve ao lado do Mundo Negro no Novembro Negro Mundo Negro + Pinterest Brasil, ação de Consciência Negra realizada na sede da Pinterest, em São Paulo, em 2023. As duas marcas voltam agora juntas para esta edição em homenagem ao Mês das Mães.

“Para o Grupo HEINEKEN, apoiar iniciativas que promovam inclusão, desenvolvimento e a troca qualificada de experiências é parte central da nossa estratégia. O Mundo Negro Talks materializa esse compromisso ao promover diálogos relevantes e proporcionar um ambiente seguro e inspirador para que mulheres negras compartilhem suas trajetórias, fortaleçam conexões e ampliem suas redes de apoio e influência”, afirma a empresa em nota.

Silvia Nascimento, Head de Conteúdo e fundadora do Mundo Negro e do Guia Black Chefs, e mãe de três, também celebra a parceria. “É muito simbólico a gente poder potencializar eventos com foco em mulheres e mães negras com apoio de marcas que levam a diversidade e inclusão a sério. O Brasil se mantém a custas das nossas mães e conversas sobre elas sempre são pautas em destaque no Mundo Negro.”

Como concorrer a uma das vagas

Por ser um encontro íntimo, todas as vagas do Mundo Negro Talks são por convite. Para esta edição, o Mundo Negro reserva duas vagas para assinantes pagas da newsletter no Substack . 

O convite com o formulário de inscrição será enviado por e-mail às assinantes pagas na quinta-feira, 9 de maio, pela manhã. As vagas são preenchidas por ordem de inscrição, e a confirmação final é feita pela curadoria do Mundo Negro. Inscrever-se não garante a vaga.

Serviço Mundo Negro Talks | Mês das Mães Data: 11 de maio (segunda-feira), das 15h às 18h Local: HEINEKEN House, São Paulo

“Que o nosso medo não limite nossos filhos a viver”: Tia Má reflete sobre os desafios da maternidade preta

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Foto: arquivo pessoal

Atriz, jornalista e escritora, Maíra Azevedo, a Tia Má, está no momento mais produtivo da carreira: em 2025, lançou “A menina que não sabia que era bonita”, seu primeiro livro infantil pela Editora Malê, mantém a nova temporada de “Rensga Hits!” no Globoplay e fez teste para a novela “Dona de Mim”, da TV Globo. Em entrevista exclusiva ao Mundo Negro, a baiana de 45 anos falou sobre maternidade, raça e o medo cotidiano de criar dois filhos negros no Brasil.

Com 2 milhões de seguidores no Instagram e passagens por séries como “Nada Suspeitos” (Netflix) e “Toda Família Tem” (Prime Video), Tia Má é hoje uma das vozes mais reconhecidas quando o assunto cruza humor, autoestima e consciência racial.

Foto: arquivo pessoal

Para além dos sets e das telas, ela é mãe de Aladê, 18 anos, e Ayanna, 5, e foi sobre essa maternidade que ela quis falar nesta conversa ao Mundo Negro: sobre as cicatrizes financeiras de criar um filho sozinha aos 26, sobre o medo diário de ver um menino preto retinto enfrentar a rua e sobre a certeza de que esse medo não pode se tornar uma grade para os filhos que ela ama.

Dois filhos, dinâmicas diferentes

Aladê e Ayanna têm 13 anos de diferença e, por causa disso, cada um construiu com a mãe um tipo completamente distinto de relação. Aladê, que hoje tem 18 anos, cresceu sendo filho único e companheiro de uma mulher que trabalhava, lutava financeiramente e precisava que ele também fosse parceiro da rotina. Essa proximidade se consolidou numa amizade real, do tipo que atravessa gerações sem cerimônia. “A gente troca receita, a gente troca letra de música”, conta Maíra, descrevendo uma relação que já não tem mais a verticalidade típica entre mãe e filho adolescente. Com Ayanna, de 5 anos, a dinâmica é completamente outra: a filha mais nova chegou quando Maíra já tinha uma carreira consolidada, uma autoestima construída a custo e uma clareza sobre si mesma que a maternidade jovem não permitia. É Ayanna quem, sem saber o peso do que faz, devolve à mãe o que o mundo às vezes tenta tirar. “Ela olha para mim e diz o quanto eu sou linda. Ouvir da minha filha que eu sou linda, que ela quer ser igual a mim quando crescer, faz eu ter a certeza de que estou caminhando no lugar certo”, diz Maíra, acrescentando que esse olhar vai além da vaidade: “É ela olhar para a mãe dela e ter a mãe dela como referência.”

Foto: arquivo pessoal

Mas é exatamente esse amor que torna o medo mais pesado. No Brasil, criar filhos negros exige uma vigilância que não tem descanso, e Maíra não tem dificuldade em nomear isso. Aladê é um menino preto retinto que vai crescer enfrentando uma sociedade que historicamente trata corpos como o dele como ameaça, e Maíra carrega essa consciência todos os dias. “Meu filho é um menino preto retinto e eu sei que a rua é um lugar muito hostil para ele. Minha filha é uma menina e qualquer lugar pode ser um lugar ameaçador”, afirma. E define o que sente numa frase que não deixa margem para interpretação: “Ser mãe é viver com medo.”

O que a maternidade ensinou sobre a própria mãe

Tornar-se mãe mudou também a forma como Maíra enxerga a mulher que a criou. Antes da maternidade, certas reações da mãe pareciam exageradas ou difíceis de entender, o tipo de coisa que filhos jovens tendem a atribuir ao excesso de proteção ou à diferença de geração. Depois que Aladê nasceu, esse julgamento foi se dissolvendo. Maíra passou a reconhecer, na própria experiência, o mesmo desespero que via na mãe e que antes não sabia nomear. “Eu passei a entender melhor o desespero dela em relação a mim em determinadas coisas”, conta. Esse entendimento não eliminou os conflitos, que ela reconhece como naturais em qualquer relação entre gerações diferentes, mas aprofundou a amizade que já existia entre as duas e transformou a mãe numa referência ainda mais consciente. “Eu tento ser uma versão melhorada da minha mãe, mas eu preciso entregar para meu filho e para minha filha o mínimo do que recebi dela, que foi muito carinho, muita atenção, muito afeto.”

Soja, telhado caindo e banho de balde: a maternidade dos 26

Ser mãe aos 26 anos, em Salvador, sem estabilidade financeira e com um filho pequeno para criar, é uma realidade que muitas mulheres negras conhecem bem e que Maíra viveu sem rede de proteção. Naquele período, ela enfrentou desemprego, moradia precária e uma rotina de privações que ela descreve com a mesma franqueza com que fala de tudo. “Eu fiquei numa casa que foi infestada de pombos. Fiquei um momento desempregada que eu comia soja com meu filho porque não tinha dinheiro para comprar nenhuma outra proteína”, conta. O telhado chegou a cair uma vez, e havia períodos em que a falta de água forçava soluções improvisadas que ela e Aladê aprenderam a transformar em memória boa: o banho de balde virou brincadeira, e é uma história que os dois ainda contam hoje dando risada. “Meu filho lembra disso até hoje e a gente consegue falar disso dando risada. Mas era muito tenso”, diz ela, sem romantizar o que foi difícil.

Foto: arquivo pessoal

Foi dentro desse cenário de escassez que Maíra encontrou em Aladê a força para não desistir. O filho não era só uma responsabilidade, era a razão concreta de seguir em frente quando as condições objetivas não davam motivo para isso. “Aladê foi a bênção que eu recebi da minha ancestralidade para não desistir”, diz. Quando Ayanna nasceu, em 2020, no auge da pandemia, o contexto era radicalmente diferente: Maíra tinha 40 anos, uma carreira estabelecida, bursite e uma casa própria esperando pela filha. A instabilidade financeira que marcou a criação de Aladê não existia mais, mas o corpo também não era o mesmo. “Minha filha nasceu com uma casa boa. Então isso para mim mudou muito”, afirma, antes de reconhecer o outro lado da equação: “Já não é mais o mesmo corpo, já não é a mesma vitalidade.” É por isso que ela costura as histórias dos dois com uma frase que diz repetir para eles: “Eles nasceram da mesma barriga, mas eles têm duas mães diferentes. Porque a mãe de Aladê era uma mulher jovem; a mãe de Ayanna é uma senhora na menopausa.”

Filhos e redes sociais: diálogo com um, proteção total com a outra

As redes sociais ocupam um lugar ambíguo na vida de Maíra: foi pela internet que ela ganhou voz nacional, ultrapassou 2 milhões de seguidores e se tornou referência em pautas de raça e autoestima, mas é também na internet que ela precisa exercer o papel de mãe com mais cuidado e estratégia. Com Aladê, que já tem 18 anos e inevitavelmente acompanha a presença pública da mãe, a abordagem é o diálogo direto e sem protecionismo excessivo. Maíra prepara o filho para o que ele vai encontrar, incluindo os ataques e as tentativas de desqualificação que fazem parte da exposição pública, e deixa claro qual é o único parâmetro que importa. “Você tem que criar a sua imagem sobre mim a partir da nossa relação, do que a gente vive dentro de casa e fora de casa, não nas redes sociais”, diz ao filho. Com Ayanna, que ainda tem 5 anos, a lógica é oposta: a menina aparece pouco nas plataformas e Maíra não abre mão dessa escolha. “Eu tento preservar a minha filha ao máximo”, afirma, e explica sem rodeios o motivo: “As pessoas são cruéis na internet. São cruéis porque tem gente que tem uma vida tão miserável que a única coisa que ela tem é atacar uma outra pessoa.”

As memórias que ela guarda de cada um

Quando a conversa chega às memórias, Maíra fala dos filhos com o sorriso de quem sabe exatamente onde guardou cada coisa. A lembrança mais forte que tem de Aladê nasceu diretamente da sua própria profissão: jornalista de formação, repórter do Jornal A Tarde na época, ela criou com o filho um ritual chamado Jornal da Família, em que os dois narravam o dia um para o outro como se fossem repórteres de si mesmos. Aladê contava a escola, Maíra contava o trabalho, e o exercício ensinava ao menino, mesmo antes de ele saber escrever direito, que a vida cotidiana tem valor de reportagem. “A gente tinha um jornalzinho que a gente fazia, dando informes de como foi o dia um do outro”, conta. As listas de compras que ele fazia nessa época, com “uva” e “brinquedo” escritos do jeito que sabia, Maíra guarda na memória com afeto. Nos fins de semana, a rotina era de museu, teatro e programas culturais que caberiam no orçamento apertado daquela fase. “Eu e Aladê, a gente todo final de semana ia sempre para museu, a gente ia para o teatro. A gente ia para muito programa cultural que era mais acessível”, lembra.

Foto: arquivo pessoal

Com Ayanna, as memórias são do presente e do cotidiano, e têm um significado que vai além do afeto. A filha nasceu em 2020, no auge da pandemia, num momento em que o mundo parou e o medo era o clima dominante, e foi justamente por isso que a gravidez se tornou, para Maíra, uma certeza de que as coisas iam continuar. “Quando eu estava grávida eu sabia que a gente ia conseguir vencer a pandemia só porque eu estava grávida. Eu dizia: ‘Não é possível que eu vou ficar grávida e o mundo vai acabar’”, lembra. Hoje, o que move Maíra é observar a filha brincar de futuro, sempre se posicionando como dona, como líder, como quem manda: dona de loja, de salão, de empresa. Para uma menina negra de 5 anos, esse detalhe não é pequeno, e Maíra sabe disso. “Eu percebo que ela já entende que ela merece estar num lugar de liderança, ela merece estar num lugar de ser respeitada. Isso é muito bacana para mim.”

A mensagem para mães negras

Ao encerrar a conversa, Maíra quis falar diretamente com outras mães negras, mas fez isso a partir de um lugar que ela mesma ocupa: o de quem também precisa ouvir o próprio recado. O medo de que ela fala ao longo de toda a entrevista, o medo pela segurança de Aladê na rua, pela integridade de Ayanna em qualquer ambiente, é um medo que ela reconhece como paralisante, e é justamente aí que está o perigo. Quando o medo paralisa a mãe, ele também paralisa os filhos, e Maíra tem clareza sobre esse risco. “Várias vezes no meu dia o meu medo às vezes me paralisa e eu vejo que, por estar com medo, eu posso estar impedindo que meus filhos vivam experiências da vida deles que eles têm direito”, admite. O pedido que ela faz a outras mães é, portanto, o mesmo que ela tenta fazer a si mesma todos os dias: “Que o medo que a gente tem não proíba, não limite nossos filhos a viver. Eu sei que é difícil. Mas a gente precisa permitir que eles possam viver, viver livremente, ter as experiências que eles mereçam ter.”

Acompanhe Tia Má no Instagram em @tiamaoficial e encontre o livro “A menina que não sabia que era bonita” pela Editora Malê.

Entrevista: Silvia Nascimento

Solange Borges: a chef que aprendeu com a mãe que cozinhar para o santo é o maior ato de amor e devoção

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Foto: divulgação

Para Solange Borges, a culinária de terreiro não é um nicho, é a origem. “O que é a comida baiana que as pessoas comem na sexta-feira? Acarajé, carurú, vatapá, efó, moqueca. Todas essas comidas têm na tradição o dendê. O dendê veio com os povos escravizados. E foi no terreiro, com mulher de candomblé, que nasceu, mesmo que empiricamente, o acarajé. Então, a comida baiana que a gente faz referência hoje na Bahia e no mundo é, pra mim, a comida de terreiro”, defende.

Essa convicção tem raiz. Sua mãe, Joselita Borges, era mulher de candomblé e todas as manhãs fazia comida para o santo. Solange cresceu observando esse ritual com os olhos de quem ainda não entendia tudo, mas sentia. “Eu achava muito interessante o amor, o afeto, o carinho, a devoção que ela tinha em preparar a comida pro santo. Dali surgiu esse meu amor, esse carinho, esse meu afeto, essa minha devoção pela religiosidade e pela sua comida.”

Joselita também vendeu acarajé. Faz parte, como Solange ressalta com orgulho, da linhagem das primeiras empreendedoras do Brasil: as baianas de tabuleiro. Chef Solange Borges herda e honra esse legado, levando o tabuleiro para a rua e para a rede, contando sua história em voz alta.

É exatamente essa postura que a conecta à campanha #IngredientePrincipal. O TikTok escolheu o Brasil para inaugurar essa campanha global, que conta com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs como parceiros estratégicos na produção de conteúdo com 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Solange Borges é uma delas.

@sitemundonegro

Antes de virar biju, o aipim passa pelas mãos de Solange Borges (@chefsolangeborges ) do jeito ancestral: raspa, mói e peneira. Um processo que a cozinha de terreiro sempre soube fazer e que começa muito antes do fogo acender. Rico em carboidratos de absorção gradual, fibras, vitaminas do complexo B e minerais como cálcio e fósforo, o aipim é um dos alimentos mais completos e democráticos da cozinha brasileira e africana. Na mão de Solange, ele é rainha. E o biju é a prova de que comer bem começa no respeito ao ingrediente. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #Aipim

♬ som original – MundoNegro

Para os jovens negros que querem se conectar com a cozinha ancestral, o conselho é uma convocação: “Falem da verdade de vocês. Se tiverem tempo, prestem atenção no que as mães, os pais, os avós fazem. E especialmente, contem suas histórias. Como é que você aprendeu a conhecer e a fazer essa comida? Vai na história, porque a história é muito importante. Coloque essa história no mundo, coloque a sua voz no mundo.”

E ela completa com uma frase que resume seu próprio caminho: “As pessoas que são de comunidades tradicionais precisam contar suas histórias. A gente precisa contar e contar e contar, repetidas vezes.”

#IngredientePrincipal #TheMainIngredient #CulináriaDeTerreiroÉPatrimônio

Encontro de Engenharia Preta reúne profissionais negros do setor no Rio neste sábado

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Foto: gerada por IA

Evento gratuito tem palestras, almoço de networking e tour pela Pequena África

A Rede de Engenharia Preta (REP) realiza neste sábado (09), na Glória, Zona Sul do Rio, o Encontro de Engenharia Preta 2026. A iniciativa, gratuita, reúne profissionais e estudantes para discutir representatividade negra no setor, racismo ambiental e os caminhos para construir ambientes mais diversos na ciência e na tecnologia.

A programação principal acontece das 8h30 às 12h30 na sede da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (SEAERJ), com palestras e mesas de debate. À tarde, quem quiser pode seguir para um almoço de networking na Casa Savana, no Centro, e depois fazer o Tour Pequena África, que percorre um dos territórios mais simbólicos da história afro-brasileira da cidade. As duas atividades são opcionais e têm custo individual.

Entre os nomes confirmados está Dom Filó, que participa da mesa sobre soft skills, cultura e consciência racial. O pesquisador Paulo Santos traz um panorama dos engenheiros ativistas no Brasil, e Nga Nizimbo fala sobre história e protagonismo negro na construção do mundo. A mesa de abertura discute racismo ambiental e desafios contemporâneos.

A REP nasceu para preencher uma lacuna histórica do setor. Profissionais negros da engenharia relatam, com frequência, trajetórias marcadas pelo isolamento e pela falta de reconhecimento. A rede se propõe a ser um espaço de acolhimento e fortalecimento coletivo, valorizando contribuições da cultura negra na engenharia e incentivando a formação de novas gerações. Além dos encontros presenciais, o coletivo realiza reuniões online toda última quinta-feira do mês.

A inscrição é gratuita e a organização incentiva contribuições voluntárias para apoiar as ações da rede. A programação também prevê vagas gratuitas para mães interessadas em participar do tour.

Serviço 

Encontro de Engenharia Preta 2026

Data: 9 de maio de 2026

Horário: 8h30 às 12h30

Local: SEAERJ, Rua do Russel 1, Glória, Rio de Janeiro/RJ

Inscrições: https://forms.gle/ymxLoax4nUtGQN4n8 

Ingressos para o tour: https://www.sympla.com.br/evento/conheca-a-pequena-Africa/3408206

Torta, ceviche e carne de casca: a versatilidade das receitas para o uso sem desperdícios da banana

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Foto: gerada por IA

A banana é um dos alimentos mais onipresentes na mesa brasileira. Seja na sobremesa, no café da manhã ou em pratos principais, a fruta carrega uma versatilidade única, com o aproveitamento integral de uma culinária precisa e ancestral. Na campanha #IngredientePrincipal, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, Joélho Caetano e Kelma Zenaide revelam como tudo pode ganhar contornos de inovação com a banana no centro da cozinha.

Para o gastrólogo Joélho Caetano (@joelhocaetano), a cozinha é um espaço de narrativa onde o ingrediente principal precisa contar uma história e trazer sabores que conectam o comensal às suas raízes. Em sua trajetória, o aproveitamento integral da fruta é o pilar que sustenta criações como a sua carne de casca de banana e a torta doce de banana, que dispensa glúten, açúcar e lactose. A técnica de Joélho vai além do básico, tratando a casca — muitas vezes descartada — como a base de um prato refogado rico e texturizado.

Essa visão de que a fruta deve ser utilizada em sua forma integral também se destaca na prática da Mestra Kelma Zenaide (@kitutugastronomiafrobrasileira), que combina esse olhar sustentável com uma tecnologia ancestral de preparo. Em sua cozinha, ela criou a receita ceviche de banana da terra, ideal para petiscos que surpreendem pela simplicidade e profundidade de sabor. 

A convergência entre a herança quilombola, presente na atuação de Joélho, e o domínio das técnicas ancestrais de Kelma, reforça que a cozinha brasileira tem na sua base a sabedoria da terra. Não se trata de improviso, mas de um profundo conhecimento sobre como extrair o máximo de cada alimento, respeitando seu ciclo e potencial.

Esta matéria é parte de uma parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs, uma iniciativa que busca amplificar vozes e práticas que transformam a gastronomia brasileira a partir de suas raízes.

#IngredientePrincipal #TheMainIngredient #GastronomiaAncestral #AproveitamentoIntegral #CulturaAlimentar

Da agricultura familiar à mesa: quem produz o ingrediente principal

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Foto: gerada por IA

Antes de qualquer técnica ou apresentação, existe quem planta, quem colhe e garante que o alimento chegue até a mesa. É com essa frase que o chef Jônatas Bomfim (@chefjonatasbomfim) abre sua participação na campanha #IngredientePrincipal, iniciativa global do TikTok que estreou no Brasil em parceria com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs, reunindo 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Ao lado do nutricionista Saulo Gonçalves (@saulo.nutri) e da pesquisadora Bruna Crioula (@brunacrioula), ele coloca em foco o elo mais invisível da cadeia alimentar brasileira: a agricultura familiar, setor que, segundo o Censo Agropecuário do IBGE de 2017, concentra 77% dos estabelecimentos rurais do país e responde por 87% da produção nacional de mandioca, 70% do feijão e 67% das ocupações no campo.

A origem como ponto de partida

Jônatas Bomfim cresceu entre duas cozinhas: a da avó Carminha, de Salinas da Margarida, com dendê, frigideiras e moquecas, e a da avó Joana, do interior baiano de Terra Nova, com farofa d’água e carne de sertão frita. Essa dupla formação moldou a forma como ele entende gastronomia muito antes de passar pelo Senac Bahia ou pelo bacharelado em Gastronomia da UFBA, onde se tornou pesquisador e extensionista. Fora da universidade, comanda a brigada de uma cozinha industrial que produz refeições para o Tribunal de Justiça da Bahia e a Maternidade Climério de Oliveira, além de criar o projeto Chefe da Quebrada, voltado para talentos da periferia. É essa visão de gastronomia como ferramenta coletiva que ele leva para a campanha: “A agricultura familiar é o que sustenta a alimentação do povo brasileiro todos os dias. E para mim, sempre foi e será o ingrediente principal. Porque sem origem, não existe gastronomia.”

O que chega à mesa e como escolher

Partindo da mesma base que Jônatas coloca no centro, Saulo Gonçalves responde nos vídeos da campanha uma das perguntas mais frequentes no seu consultório: é obrigatório comer orgânico? Carioca, formado primeiro em Direito e depois em Nutrição, Saulo construiu nas redes sociais uma linguagem que mistura humor e ciência sem abrir mão do contexto real das pessoas, já participou do É de Casa e do Mais Você, ambos da TV Globo, e tem na alimentação natural consciente seu principal campo de atuação. A resposta sobre orgânicos é direta: o alimento orgânico tem composição superior porque o Brasil utiliza volumes altos de pesticidas e aditivos químicos na produção convencional, mas o custo mais alto e o prazo curto de validade tornam a adesão integral inviável para a maior parte da população. A saída, segundo ele, é priorizar o orgânico nos alimentos consumidos com mais frequência e, para todos os outros, apostar nos produtos da estação, que pedem menos agrotóxico na produção e chegam ao mercado mais acessíveis e com mais sabor.

A cidade como despensa

Essa lógica de aproveitar o que a terra oferece no tempo certo é o que Bruna Crioula expande para o ambiente urbano, mostrando que a coleta de alimentos na calçada, como manga e ora-pro-nóbis, não é improviso, mas direito à cidade e conexão com o bioma local. Nutricionista, mestra em ciências sociais e matrigestora da Crioula Curadoria Alimentar, ela prepara chutney de manga com ora-pro-nóbis para mostrar que é possível ir além do suco ou da salada e que fazer compotas no auge das safras garante variedade alimentar o ano todo sem depender de ultraprocessados. “Comer o que a terra dá onde a gente vive é um ato ecológico”, resume Bruna, conectando coleta urbana, sazonalidade e soberania alimentar num mesmo argumento que fecha o que Jônatas e Saulo abriram: o ingrediente principal começa antes da cozinha, na mão de quem produz.

Acompanhe os conteúdos da campanha no TikTok @sitemundonegro e no portal Mundo Negro. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #AgriculturaFamiliar #SoberaniaAlimentar #GuiaBlackChefs #MundoNegro

Allan Mamede: afeto e inclusão como ingredientes de uma gastronomia com identidade

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Foto: divulgação

Allan Mamede não precisou de muito tempo para entender o que queria. Aos 14 anos, já sabia que a comida, que desde cedo havia sido para ele lugar de inclusão, afeto e expressão, também podia virar profissão. Foi ali que teve seu primeiro emprego em uma cozinha. “A gastronomia entrou na minha vida muito através das minhas memórias, vivências e necessidade. Desde cedo a comida sempre esteve muito presente pra mim como lugar de inclusão, afeto, linguagem e basicamente uma forma de expressão”, conta.

Chef de cozinha carioca, Mamede desenvolveu ao longo dos anos uma gastronomia autoral que une técnica e identidade, transformando referências pessoais e culturais em experiências gastronômicas. Pratos que contam histórias através dos ingredientes. Sua trajetória inclui passagens por restaurantes Michelin e hotéis estrelados, além de dois momentos marcantes na televisão: foi campeão do Que Seja Doce, no GNT, e finalista do Chef de Alto Nível, da Globo.

Toda essa trajetória, no entanto, parte do mesmo lugar. “Hoje, tudo que construo na cozinha carrega muito dessas referências, das minhas histórias e da forma como eu enxergo a vida e a comida”, diz.

Foto: divulgação

É essa visão que ele leva para a campanha #IngredientePrincipal. O TikTok escolheu o Brasil para inaugurar essa campanha global, que conta com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs como parceiros estratégicos na produção de conteúdo com 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Allan Mamede é um deles.

@sitemundonegro

Milho é memória e tradição. Está no curau, na canjica, na pamonha e atravessa gerações. Alan Mamade (@Chef Mamede ) traz uma versão diferente: milho cozido na pressão por 10 minutos, finalizado na air fryer com manteiga temperada, molho de pimenta defumada e sal. Simples, acessível e irresistível. A dica que faz toda a diferença: guardar a palha para fazer pamonha depois. Zero desperdício começa nos detalhes. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #Milho

♬ som original – MundoNegro

Para os jovens negros que pensam em seguir o mesmo caminho, o recado carrega uma convicção que ele construiu na própria pele: “Confiem na própria capacidade e no repertório que carregam. Estudem, testem e aprendam o máximo que der. Não se prendam às amarras que o mundo às vezes impõe a você. A gastronomia é muita técnica e padrão a ser seguido, mas identidade e vivência também são parte essencial disso. É isso que dá alma à comida.”

E completa: “Estudem, se dediquem, se preparem tecnicamente, mas sem abrir mão da própria essência. Nossa visão tem muito valor e precisa ocupar cada vez mais espaço dentro da gastronomia.”

#IngredientePrincipal #TheMainIngredient #GastronomiaAutoral

Após séculos de resistência, maior quilombo do Brasil entra em processo de tombamento na Chapada dos Veadeiros

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Foto: Paulo Araújo - Ministério do Meio Ambiente

O território Kalunga, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, deu início ao processo de tombamento conduzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em parceria com o Sebrae. A medida promete reforçar a proteção das cerca de 8 mil pessoas que vivem na maior área quilombola do país.

São mais de 260 mil hectares de Cerrado preservado e 39 comunidades distribuídas entre os municípios de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás. O território Kalunga é apontado pelo governo federal e por pesquisadores que estudam a região há décadas como o maior quilombo do Brasil. Suas paisagens de rios, cachoeiras e veredas se tornaram rota central do turismo de base comunitária no Centro-Oeste.

Foi nesse cenário que o Iphan e o Sebrae assinaram, em 26 de março, um convênio de cooperação técnica e financeira para conduzir o tombamento. O acordo segue a Portaria nº 135/2023, norma que estabelece um rito específico para a proteção de territórios quilombolas, e tem validade prevista até 2028.

A primeira etapa será a elaboração de um inventário detalhado dos bens culturais materiais e imateriais da região, somado ao mapeamento das potencialidades econômicas das comunidades. Esse material vai compor o dossiê de tombamento, peça central do reconhecimento.

O cronograma inclui visitas técnicas, reuniões com as associações Kalunga e oficinas de campo. Nesses encontros, moradores vão compartilhar conhecimentos tradicionais sobre agricultura, festas religiosas, modos de cura e a história de ocupação do território. A proposta é que os próprios Kalunga sejam protagonistas na definição do que precisa ser registrado e protegido, sem que o processo fique restrito a consultores externos e órgãos estatais.

Para lideranças locais ouvidas pela imprensa regional, o tombamento funciona como mais uma camada de proteção em um território historicamente marcado por conflitos de terra, grilagem e pressões para a expansão de empreendimentos turísticos e do agronegócio. O reconhecimento como patrimônio cultural nacional dificulta iniciativas que desrespeitem o modo de vida das comunidades ou causem danos irreversíveis ao Cerrado. A titulação definitiva das áreas quilombolas segue como demanda em aberto.

O processo também reabre o debate sobre o modelo de desenvolvimento da Chapada dos Veadeiros, hoje um dos destinos mais cobiçados do ecoturismo brasileiro. Especialistas defendem que a combinação entre agricultura familiar, turismo comunitário e proteção do patrimônio cultural pode garantir renda e autonomia para as famílias Kalunga, ao mesmo tempo em que preserva o bioma e a memória da resistência negra construída ao longo de séculos.

Ainda não há data definida para a conclusão do tombamento. As etapas técnicas devem avançar até 2028, com possíveis ajustes conforme as condições de acesso e o ritmo das atividades nas comunidades. Até lá, o território Kalunga seguirá no centro de uma disputa simbólica e política sobre o futuro do maior quilombo do país. Para quem vive na terra, esse futuro passa por um direito que antecede qualquer convênio: o de permanecer e decidir sobre os próprios caminhos.

Com informações do Metrópoles, G1 e Iphan.

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Fotos: Getty Images

Dez anos depois de sua última aparição no Met Gala, Beyoncé retornou ao Metropolitan Museum of Art, em Nova York, na noite desta segunda-feira (4) como se nunca tivesse saído, e como se soubesse exatamente o peso de cada segundo daquele reencontro. A cantora de 44 anos assumiu o posto de coanfitriã da noite ao lado de Nicole Kidman, Venus Williams e Anna Wintour, cruzou o tapete bege pela primeira vez desde 2016 e ainda trouxe consigo o marido Jay-Z e a filha Blue Ivy, de 14 anos, que fez sua estreia oficial no evento mais exclusivo da moda mundial, com autorização especial dos organizadores, já que o baile é restrito a maiores de 18 anos.

O look do tapete

A escolha do visual para a chegada não deixou dúvidas sobre o nível de intenção por trás de cada detalhe. Beyoncé apostou em um vestido nude personalizado assinado por Olivier Rousteing, cravejado com um esqueleto de diamantes na parte frontal, complementado por uma cauda dramática de plumas em degradê que varria o chão a cada passo. Milhares de cristais foram meticulosamente dispostos para traçar as linhas anatômicas do corpo, criando uma fusão entre arte de vanguarda e alta-costura que respondia de forma cirúrgica ao tema da noite, Fashion Is Art. Ao lado dela, Blue Ivy surgiu impecável em um vestido tomara-que-caia creme da Balenciaga, com jaqueta esportiva e sapatos cintilantes que equilibraram juventude e sofisticação, e roubaram parte dos flashes da mãe, sem cerimônia.

Fotos: Getty Images

A foto das três gerações no topo das escadarias do museu, Beyoncé, Jay-Z e Blue Ivy posando juntos sob as luzes do Metropolitan, já circula como uma das imagens mais comentadas da noite, e o público vai falar sobre ela por semanas. Havia ali algo que nenhum stylist consegue planejar: a energia de uma família que entende o momento histórico que está vivendo e o abraça sem vacilar.

A troca de look dentro do museu

Se o vestido de esqueleto já era difícil de superar, Beyoncé provou que estava apenas aquecendo. Já dentro do museu, longe das câmeras do tapete e diante dos convidados mais selecionados do planeta, a cantora trocou o conjunto de Rousteing por um look preto deslumbrante: um número customizado de Robert Wun Couture com saia sereia, véu combinando e cristais do decote à barra. O efeito foi o de uma segunda chegada, desta vez, para quem estava do lado de dentro. Ao aparecer ao lado de Nicole Kidman e Venus Williams na frente do Temple of Dendur, Beyoncé entregou o que a moda chama de declaração: não existe um look de gala quando você é a gala.

Fotos: Getty Images

A parceria com Rousteing e o peso da lealdade

A escolha de Olivier Rousteing para assinar o look de entrada não foi por acaso nem por conveniência de agenda. “Ele tem sido muito leal a mim, e já criamos tantos looks icônicos juntos”, disse Beyoncé à Vogue no tapete vermelho, deixando claro que o vestido era também uma homenagem ao estilista. A declaração carrega um subtexto importante: Beyoncé não escolhe parceiros, ela constrói histórias com eles. E Rousteing, diretor criativo da Balmain, é personagem recorrente nessa narrativa desde os tempos da Renaissance World Tour.

O momento com Blue Ivy

Mas foi ao falar sobre a filha que Beyoncé deixou a armadura de anfitriã de lado e mostrou a mãe. Ao ser questionada sobre o que significava estar de volta ao evento, ela disse que a experiência parecia “surreal”, destacando a presença de Blue Ivy como o centro emocional da noite. “É incrível poder compartilhar isso com ela”, acrescentou, visivelmente emocionada ao posar no topo das escadarias com Jay-Z. A menina que cresceu nos bastidores de shows históricos agora cruza um dos tapetes mais fotografados do mundo com desenvoltura, e Beyoncé estava radiante ao vê-la fazer isso. “Ela está pronta”, disse a cantora. “Vou poder experimentar o evento pelos olhos da Blue, relaxar um pouco.” Para o público, que acompanhou Blue Ivy desde o nascimento, ver essa cena foi algo próximo de uma emoção coletiva.

Blue Ivy Carter Keeps It Cool in Balenciaga for Her 2026 Met Gala Debut |  Vogue
Foto: Getty Images

A especulação sobre o Act III

O retorno de Beyoncé ao Met Gala não chegou sozinho, ele veio acompanhado de uma das especulações mais intensas dos últimos meses no mundo da música. Desde que a cantora retirou toda a merchandise de Cowboy Carter de sua loja oficial e postou um vídeo de arquivo com Stevie Nicks nos bastidores do clipe de Bootylicious, o Beyhive entrou em estado de vigília permanente. A teoria que ganhou força é a de que o Act III, terceiro capítulo da trilogia iniciada com Renaissance em 2022 e continuada com Cowboy Carter em 2024, se inclinaria para o rock, gênero com raízes profundas na cultura negra e que Beyoncé já flertou ao longo da carreira, de colaborações com Jack White a homenagens explícitas a Tina Turner durante a última turnê.

A proximidade do Met Gala acelerou as teorias. Uma conta de fãs no X afirmou que o álbum seria anunciado durante a semana do evento e lançado no verão americano. A assessora de imprensa da cantora, Yvette Noel-Schure, respondeu com rapidez: “Isso é absolutamente falso”, escreveu, reforçando a negativa no Instagram com uma linha direta, “Nenhum álbum está chegando.” A própria mãe de Beyoncé, Tina Knowles, deu uma declaração que, dependendo de como se lê, pode ser tanto um balde de água fria quanto um aceno cuidadoso: “Não acho que vai ser semana que vem ou hoje ou amanhã, mas está chegando e é incrível.” O Met Gala passou sem anúncio musical. Mas a noite em si, os looks, a filha estreando, a família reunida sob os holofotes, funcionou como um recomeço público que o Beyhive vai destrinchar por meses em busca de pistas.

O contexto do baile

O Met Gala 2026 celebrou a exposição Costume Art, do Instituto de Moda do museu, com o dress code Fashion Is Art como convite para que os convidados expressassem sua relação pessoal com a moda enquanto forma de arte. O curador Andrew Bolton descreveu o objetivo da noite como celebrar o corpo vestido como centro de toda expressão cultural, o que transformou cada look no tapete em argumento, não apenas em estética. Nesse cenário, Beyoncé não apenas cumpriu o dress code: ela o definiu. A última vez que havia cruzado aquele tapete foi em 2016, com um vestido de látex nude da Givenchy Haute Couture para a edição Manus x Machina. Dez anos depois, ela voltou com dois looks, uma filha debutante e a sensação de que o capítulo que vem a seguir, na moda, na música, na vida, vai ser o maior de todos.

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