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Editorial de moda ensina a vestir para o trabalho com identidade

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Foto: Gabriel Alves (@gabrieloalvez)

Ana Paula Fernandes assina styling e direção criativa de editorial que reúne looks para diferentes ambientes profissionais sem abrir mão do estilo.

Escolher o que vestir para trabalhar vai além de seguir um dress code. A roupa pode ajudar a transmitir cuidado, confiança e personalidade, especialmente em momentos como uma entrevista, uma reunião importante ou o início de uma nova trajetória profissional. Encontrar esse equilíbrio entre o ambiente e a própria identidade é o ponto de partida deste editorial, que reúne diferentes inspirações para quem quer construir um visual profissional sem abrir mão do estilo.

Entre alfaiataria, peças clássicas, cores, sobreposições e acessórios, as produções mostram que não existe um único jeito de se vestir bem para o mercado de trabalho. Um look mais sóbrio pode ganhar personalidade nos detalhes, enquanto cores e modelagens diferentes ajudam a atualizar referências tradicionais. Mais do que copiar uma fórmula, a ideia é entender o que faz sentido para cada ambiente e para quem está vestindo.

Para Ana Paula Fernandes (@anapauladks), responsável pelo styling e pela direção criativa do editorial, a imagem também faz parte da forma como nos apresentamos profissionalmente. “A roupa não define a competência de ninguém, mas pode contribuir para a maneira como a pessoa se sente e se posiciona. Quando você está confortável e se reconhece no que veste, isso pode trazer mais confiança para chegar a uma entrevista, participar de uma reunião ou simplesmente enfrentar a rotina de trabalho.”

Para pessoas negras, essa relação também pode dialogar com autoestima e pertencimento. “Durante muito tempo, determinados espaços profissionais foram associados a uma imagem muito específica de como alguém deveria se vestir para ser considerado adequado. É importante ampliar esse olhar e entender que profissionalismo não precisa significar apagar a identidade. Você pode conhecer o ambiente, fazer escolhas adequadas para aquela ocasião e, ainda assim, deixar sua personalidade aparecer”, afirma Ana Paula.

Na prática, alguns elementos ajudam a construir essa versatilidade: investir em peças que conversem entre si, apostar em uma boa modelagem, usar cores de acordo com o efeito que se quer criar e escolher acessórios capazes de transformar uma produção são alguns caminhos. Alfaiataria, por exemplo, não precisa ficar restrita ao visual tradicional e pode ganhar novas combinações, assim como uma peça mais casual pode funcionar em determinados ambientes quando equilibrada com outros elementos.

No fim, estar bem vestido para trabalhar não é seguir um uniforme ou vestir um personagem para se encaixar. É compreender o contexto, cuidar da própria apresentação e encontrar formas de fazer com que estilo e profissionalismo caminhem juntos. Porque a melhor escolha é aquela que permite chegar aos espaços com confiança, reconhecendo a própria imagem e entendendo que também há lugar para a sua identidade.

Beyoncé celebra os 20 anos de “B’Day” com homenagem a Celia Cruz

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Foto: divulgação

Beyoncé relançou nesta quinta-feira (3), no Brasil, a edição comemorativa de 20 anos do álbum “B’Day”, incluindo a faixa inédita “Cuerpo Tumbao (Get Me Bodied)”, primeira parceria musical entre a cantora e o colombiano Maluma. A canção retoma o refrão de “La Negra Tiene Tumbao”, clássico associado à cantora cubana Celia Cruz, e termina com uma frase de Beyoncé em espanhol que ecoa um comentário histórico da artista cubana sobre seu domínio do inglês.

Celia Cruz costumava se dirigir ao público de premiações internacionais nos Estados Unidos afirmando que seu inglês não soava tão bem quanto seu espanhol. A frase, repetida por ela em diferentes ocasiões ao longo da carreira, tornou-se conhecida como “my English is not very good looking”. Beyoncé recria a construção na própria língua de Celia Cruz ao cantar “my Spanish is not very good looking” no encerramento de “Cuerpo Tumbao”, em um gesto que transforma a fala da cantora cubana em citação direta dentro da faixa.

A edição comemorativa reúne, segundo o portal Infobae, 31 faixas entre versões originais, remixes e colaborações inéditas. Entre as novidades também está “Irreplaceable (Como La Flor)”, regravação que utiliza a voz da cantora mexicano-americana Selena Quintanilla, morta em 1995. O álbum original, lançado em 4 de setembro de 2006, chega às plataformas na mesma data em que Beyoncé completa 45 anos, celebrados nesta sexta-feira (4) com uma festa em Londres.

Salvador recebe, no dia 8 de setembro, uma comemoração exclusiva pelos 20 anos do álbum, organizada pela Sony Music Brasil, com cerca de 40 convidados selecionados por meio de questionário.

Quem lutou pela independência do Brasil além de Dom Pedro

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Fotos: Acervo Museu Paulista/ Domínio Público/ Arquivo público do Estado da Bahia/TV Globo

Pesquisas mostram que gente negra sustentou a guerra que garantiu a independência do Brasil na Bahia, com Maria Felipa e Antônio Rebouças na linha de frente

A independência do Brasil é apresentada nos livros didáticos como um gesto solitário do príncipe regente Pedro, que teria anunciado às margens do rio Ipiranga, em São Paulo, a separação em relação a Portugal. Pesquisas de historiadores como Hélio Franchini Neto, diplomata e doutor em História pela Universidade de Brasília, mostram um processo bem mais longo e sangrento, que mobilizou mais de 50 mil soldados entre 1821 e 1823 em confrontos armados espalhados do norte ao sul do país. A tese de Franchini Neto, publicada em livro pela Topbooks sob o título “Independência e Morte”, reconstitui esse período de instabilidade política que só se encerrou de fato no primeiro semestre de 1823.

A imagem mais conhecida da independência é a pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, concluída em 1888 por encomenda da comissão responsável pela construção do Museu do Ipiranga, atual Museu Paulista da Universidade de São Paulo. A obra retrata o príncipe montado a cavalo, cercado por uma comitiva vestida com trajes formais. Pesquisas de historiadores da própria USP apontam que a comitiva viajava, na verdade, em mulas, mais adequadas ao trajeto acidentado entre o litoral paulista e a capital, e usava roupas comuns de viagem, sem o brilho de corte europeia reproduzido na tela.

A decisão de proclamar a independência também não partiu apenas do príncipe. Em 2 de setembro de 1822, enquanto Pedro estava em São Paulo tentando apaziguar uma disputa política local, chegou ao Rio de Janeiro um decreto das Cortes portuguesas que exigia seu retorno imediato e anulava atos de seu governo. A princesa Maria Leopoldina, que assumira a regência interina do Brasil em 13 de agosto daquele ano, reuniu o Conselho de Estado, que recomendou por unanimidade a ruptura com Portugal. A recomendação chegou ao príncipe em 7 de setembro, data que se tornou o marco oficial da independência.

Na Bahia, a separação em relação a Portugal levou mais tempo e custou mais vidas. As tropas portuguesas resistiram à independência até 2 de julho de 1823, em batalhas que mobilizaram a população negra de Salvador e da região do Recôncavo. Uma das lideranças desse combate foi Maria Felipa de Oliveira, mulher negra nascida na Ilha de Itaparica e descendente de africanos sudaneses escravizados. Marisqueira e capoeirista, Felipa liderou um grupo de cerca de 40 mulheres que atraiu marinheiros portugueses para uma emboscada, agrediu-os com folhas de cansanção, planta que provoca queimaduras, e incendiou embarcações inimigas na Baía de Todos os Santos. A ação foi decisiva para impedir o avanço português sobre Salvador e é lembrada anualmente no desfile cívico do 2 de julho na capital baiana.

Também fez nome nessa guerra o advogado Antônio Pereira Rebouças, filho de pai português e da negra liberta Rita Brasília dos Santos. Autodidata, sem diploma em direito, Rebouças manteve diários em que relatava sua participação nas batalhas decisivas da Bahia e se descrevia como um herói da independência. A historiadora Keila Grinberg, autora da biografia “O Fiador dos Brasileiros”, confirma que foi ali, na guerra baiana, que ele começou a construir o nome que o levaria à política. Em 1824, ao assumir a secretaria de governo da província de Sergipe, Rebouças enfrentou forte resistência de proprietários locais incomodados com um homem negro à frente dos negócios públicos. Mesmo assim, seguiu carreira política longa, como deputado em diversas legislaturas e conselheiro do Império.

A permanência da escravidão foi a condição que sustentou o acordo entre as elites políticas e econômicas responsáveis pela criação do novo país. A historiadora Ynaê Lopes dos Santos, professora da Universidade Federal Fluminense e consultora do podcast “Projeto Querino”, explica que a unidade nacional buscada pela elite brasileira dependia diretamente da manutenção do trabalho escravo, instituição que organizava a sociedade não apenas economicamente, mas também política e socialmente. Dois anos após a separação de Portugal, a primeira Constituição do Império, outorgada por Pedro I em 1824, manteve intacto o sistema escravista.

O jornalista Tiago Rogero reuniu essas histórias no podcast “Projeto Querino”, produzido pela Rádio Novelo, e depois em livro publicado pela editora Fósforo. O nome do projeto homenageia Manuel Raimundo Querino, jornalista, professor e abolicionista baiano autor de “O Colono Preto Como Fator da Civilização Brasileira”, de 1918. Uma frase do fotógrafo e ativista do movimento negro Januário Garcia abre o trabalho de Rogero: “existe uma história do negro sem o Brasil, o que não existe é uma história do Brasil sem o negro”.

Ao reunir episódios como a resistência de Maria Felipa e Antônio Pereira Rebouças na Bahia e o pacto que manteve a escravidão após 1822, pesquisadores como Franchini Neto, Ynaê Lopes dos Santos e Tiago Rogero convidam o leitor a revisitar o 7 de setembro com outra pergunta em mente, a de quem, além do príncipe a cavalo, também lutou para que o Brasil deixasse de ser colônia.

FOTO 3X4: ILÉA FERRAZ – uma das grandes atrizes brasileiras

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Foto: arquivo pessoal

Por Rodrigo França

Iléa Ferraz tem 41 anos de carreira e ainda responde sobre o futuro com uma frase que desmonta qualquer tentativa de transformá-la em passado: “O melhor da minha arte ainda está por vir”. É preciso escutá-la com atenção. Estamos diante de uma artista que atravessou quatro décadas de teatro, televisão, audiovisual e artes visuais sem aceitar que a escassez de oportunidades destinada às mulheres negras determinasse a dimensão de sua criação.

Chamar Iléa de uma das grandes atrizes negras brasileiras é verdadeiro, mas insuficiente. Ela é uma das grandes atrizes brasileiras. O adjetivo “negra” importa porque conta uma história que o país tentou tornar invisível. Já o seu talento não precisa de qualquer delimitação. Atriz, dramaturga, roteirista, diretora, produtora, artista visual, cenógrafa, ilustradora e preparadora de elenco, Iléa construiu uma trajetória que atravessa linguagens com uma inquietação rara. Formada pela Escola de Teatro Martins Penna, fundou a Black e Preto Produções Artísticas e criou a Mimunegra, Mostra Internacional de Arte da Mulher Negra.

Há uma reparação necessária em escrever sobre Iléa Ferraz. Não a reparação que transforma uma artista em vítima permanente da história, mas aquela que reorganiza o enquadramento. Durante muito tempo, o Brasil se acostumou a reconhecer artistas negros depois que envelheceram, morreram ou já não podiam usufruir plenamente do reconhecimento. Iléa conheceu de perto Ruth de Souza, Léa Garcia e Jacira Silva. Viu a grandeza dessas mulheres convivendo com a escassez de trabalho, dinheiro e reconhecimento. Quando afirma ter testemunhado o apagamento de atrizes negras ainda em vida, ela não fala de uma abstração sociológica. Fala de colegas, amigas, referências. Fala do que seus próprios olhos registraram.

Sua resposta sobre representatividade deveria ser lida por quem ainda acredita que presença ocasional significa transformação: “Representatividade só existe se tiver quantidade, visibilidade e dignidade financeira”. A frase desloca o debate da fotografia para a estrutura. Uma atriz negra em cena pode produzir uma imagem poderosa enquanto dezenas permanecem sem trabalho. A diversidade que não chega ao contrato, à remuneração, à autoria, à direção e aos lugares de decisão corre o risco de funcionar como decoração institucional.

Iléa aprendeu cedo a procurar quem estava ao redor quando entrava em um espaço criativo. “Praticamente não estávamos em lugar nenhum”, recorda. Sua geração precisou criar enquanto procurava frestas. E, em determinados momentos, precisou fabricar a própria porta.

Nos anos 1990, participou da fundação da Cia. de Teatro Black e Preto. Foi nesse ambiente que encontrou A Botija de Ouro, de Joel Rufino dos Santos, trabalho que considera fundamental para compreender o caminho que desejava seguir como artista negra independente. A relação com a obra atravessou os anos. Em 2011, uma adaptação cênico musical protagonizada por Iléa integrou o lançamento da segunda edição do Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afrobrasileiras, promovido pela Fundação Cultural Palmares.

Sua independência nunca significou isolamento. Iléa construiu instituições, projetos e possibilidades para que outras pessoas também fossem vistas. A Mimunegra nasceu com o propósito de evidenciar a participação das mulheres negras nas artes e ampliar sua presença na produção, direção, roteiro e interpretação. Em 2014, quando a mostra homenageou Zezé Motta pelos 70 anos de vida e 50 de carreira, Iléa já compreendia algo que hoje parece evidente: celebrar uma artista negra em vida também é uma ação política contra o esquecimento.

Seu currículo ajuda a dimensionar essa travessia. No teatro, esteve em montagens como A Partilha, Os Negros, Dorotéia, Hamlet é Negro e Besouro Cordão de Ouro. Em 2003, recebeu indicação ao Prêmio Shell de melhor atriz por Nunca Pensei Que Ia Ver Esse Dia. Na televisão, passou por produções como Xica da Silva, Tenda dos Milagres, A Padroeira, Mãe de Santo, Escrava Anastácia e, mais recentemente, O Som e a Sílaba.

Mas uma carreira como a de Iléa não cabe numa relação de títulos. Há algo mais profundo em sua permanência. Ela recusou a ideia de esperar que o mercado descobrisse tudo aquilo que sabia fazer. Dirigiu, escreveu, produziu, desenhou cenários, ilustrou livros. Suas imagens chegaram às capas de obras de Conceição Evaristo e Wole Soyinka. Trabalhou como preparadora de elenco em produções como O Coro, Manhãs de Setembro e O Som e a Sílaba. Atualmente, também dirige, atua e circula pelo Brasil com trabalhos que reafirmam essa multiplicidade criativa.

Existe ainda uma menina acompanhando essa mulher. Iléa escreveu para A Botija de Ouro: “A menina que fui ainda sou”. É uma imagem bonita porque sua infância não aparece como lembrança adormecida. Filha única, criada entre pais, primas, primos, tias, tios e vizinhos, ela se recorda de uma comunidade organizada pelo cuidado, pelo abraço e pela delicadeza. A família, porém, temia seu desejo de ser artista. Diziam que aquilo passaria quando crescesse. A menina escutava, entristecia e continuava querendo.

Quarenta e um anos depois, ela continua.

E há algo de profundamente brasileiro nessa história. O país celebra com facilidade a resistência de artistas negras, quando deveria perguntar por que exigiu tanta resistência delas. A palavra “guerreira”, tantas vezes oferecida como elogio às mulheres negras, pode esconder uma violência: naturalizar que determinadas pessoas precisem suportar o dobro para receber uma fração. Iléa não romantiza esse percurso. Quando perguntada sobre quais estratégias criou para se proteger do preconceito, responde que estratégia alguma blinda alguém do racismo, do etarismo e da misoginia. O que ela exercita é a percepção. Olhar ao redor. Entender o que está acontecendo. Não permitir que a violência desvie sua atenção dos próprios objetivos.

Sua obra mais recente também carrega essa capacidade de se observar. Em Deixa Comigo, monólogo que escreveu com Luciano Cachimbo e no qual assina direção e cenografia, interpreta Lina. Diz que a personagem tem muito dela, das mulheres de sua família e das pessoas que admira. Lina lhe ensina sobre amizade, humanidade, escolhas e contradições. Depois de quatro décadas interpretando outras existências, Iléa afirma que a profissão grifou suas próprias qualidades e defeitos. E acrescenta uma frase preciosa: gosta cada vez mais de quem vem se tornando.

Existe uma serenidade conquistada aí. Não a serenidade de quem encontrou um lugar confortável, mas a de quem sabe exatamente o preço do próprio caminho. Iléa não trata fama e reconhecimento como pecados. Considera vaidade, reconhecimento e sucesso ingredientes importantes de uma carreira. A maturidade estaria em encontrar a medida capaz de fazer com que permaneçam sem engolir a artista.

Quando aconselha jovens atrizes negras, não oferece uma fórmula de sucesso. Pede que olhem para trás. Essa orientação carrega uma genealogia inteira. Olhar para trás significa saber que o palco onde alguém pisa hoje guarda marcas de Ruth, Léa, Jacira, Zezé e de tantas mulheres cujos nomes receberam menos luz do que suas obras mereciam. Significa compreender que nenhuma conquista começou no instante em que passamos a enxergá-la.

A menina que ouviu que esqueceria o sonho cresceu e não esqueceu. Atravessou 41 anos criando personagens, imagens, espetáculos e espaços para que outras artistas também pudessem existir. Quando perguntada sobre o que gostaria que dissessem a seu respeito daqui a muitas décadas, Iléa não escreve o próprio epitáfio. Olha adiante: quer que outras pessoas se espelhem em sua história e continuem perpetuando a arte negra brasileira.

Colocar Iléa Ferraz no lugar que lhe pertence não exige inventar grandeza. Exige enxergar a que já está diante de nós. E fazer isso agora, enquanto ela cria, dirige, escreve, atua, desenha, ensina, inquieta e continua desejando o próximo trabalho.

Aos 41 anos de carreira, Iléa ainda leva consigo a menina que decidiu ser atriz. Se pudesse encontrá-la no início de tudo, diria para manter a coragem, a determinação, a humildade e a audácia. E acrescentaria um conselho doméstico, quase banal, que acaba dizendo muito sobre uma vida inteira:

“Não esqueça o casaco, porque às vezes vai fazer frio.”

Fez frio.

Ela continuou.

Sabores e saberes das periferias é o tema da feira gastronômica do Itaú Cultural em setembro

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Itaú Cultural
Itaú Cultural realiza mais uma edição do Menu Cultural no dia 6 de setembro/Foto: Divulgação

O Itaú Cultural realiza no próximo domingo (6) mais uma edição do Menu Cultural, feira mensal dedicada à gastronomia, à cultura alimentar e ao artesanato. Das 11h às 17h, o evento ocupa o Bulevar do Rádio, espaço ao ar livre localizado entre o Itaú Cultural e o Sesc Avenida Paulista, em São Paulo. A entrada é gratuita e o consumo dos produtos comercializados no local é pago.

A partir desta edição, o evento passa a contar com curadoria gastronômica e cultural da Gastronomia Periférica, organização criada por Edson Leite e Adélia Rodrigues. Com o tema “O Que É Gastronomia Periférica? Identidade Cultural e Transversalidade”, a programação reúne 12 estandes de pequenos negócios, produtores, cozinheiros e ex-alunos da organização.

A proposta é apresentar diferentes formas de produção gastronômica desenvolvidas nas periferias, relacionando alimentação a temas como memória, identidade cultural, transmissão de saberes e geração de renda. O público poderá encontrar desde pratos preparados na hora até produtos artesanais e bebidas.

Entre os participantes está o Restaurante Da Quebrada, que leva ao evento caldeirada de pirarucu e sanduíche de cordeiro. A Joias Culinárias & Açucaradas apresenta baião de dois e arroz carreteiro com carnes defumadas e temperos típicos.

A YBrasa terá como destaque o Culovis, sanduíche de copa-lombo suíno defumado servido no pão brioche, com opção de acompanhamento de batata frita com creme de queijo ou tradicional. Já o Sítio Nossa Vida aposta em preparos como o Yakis Obaa, feito com macarrão, carne e legumes ao molho oriental, além de chips de banana-verde, pesto de azedinha e ganache de biomassa de banana-verde.

Também participam da feira a Delícias da Tia Laine, com opções doces e salgadas, como bala baiana, escondidinhos, tortas e mini empadões; a Maria Terra Produtos Artesanais, que leva produtos como patê de alho com cambuci, jiló em escabeche, cebola caramelizada, quiabo salteado e geleias de frutas brasileiras; e a Barraca da Ziza, especializada em lanches e sanduíches de pernil e calabresa suína.

Na parte de sobremesas, a Borboleta Doce oferece brigadeiros de queijo com goiabada e de limão-siciliano com morango e pimenta-rosa, além de brownie recheado, mousse de maracujá e copos da felicidade.

As bebidas ficam por conta da Cervejaria TRIA, que terá chope Pilsen e Session IPA, e da Beba Bem em Casa, com espumantes, vinhos brancos, rosés, laranjas e tintos, além de suco de uva.

Artesanato

Além da gastronomia, o Menu Cultural terá expositores dedicados à produção artesanal. Entre eles está a Cerâmica Baluarte, que desenvolve peças utilitárias moldadas com folhas nativas e tem a geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade entre suas iniciativas. O Projeto Viela também participa da programação com peças de moda e acessórios relacionados à identidade cultural.

Serviço

Menu Cultural – O Que É Gastronomia Periférica?
Data: 6 de setembro (domingo)
Horário: das 11h às 17h
Local: Bulevar do Rádio, entre o Itaú Cultural e o Sesc Avenida Paulista
Entrada: gratuita; produtos e alimentos são pagos

Em caso de chuva, a equipe do evento avaliará a realização da programação no espaço externo.

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, próximo à estação Brigadeiro do metrô.
Funcionamento: de terça a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h.
Informações: (11) 2168-1777 ou WhatsApp (11) 9 6383-1663.
E-mail: atendimento@itaucultural.org.br.
O espaço possui acesso para pessoas com deficiência física. O estacionamento tem entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108.

Como preservar o comprimento dos cachos e crespos no verão

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Mulher negra com cabelo crespo longo no verão
Foto: Canva Imagens

Veja como preservar o comprimento dos fios crespos e cacheados. Crescimento capilar não depende apenas de fazer o fio crescer: cuidados com quebra, ressecamento, calor e exposição ao sol ajudam a preservar os centímetros conquistados.

Quem tem cabelo crespo ou cacheado e está em busca de mais comprimento sabe que o processo não se resume a somente esperar o cabelo crescer. Em muitos casos, os fios crescem normalmente, mas a quebra e os danos ao longo do caminho fazem com que o comprimento não seja percebido, ou fique perdido no meio do caminho.

A combinação de sol, calor, água do mar, cloro e maior frequência de lavagens pode contribuir para o ressecamento e deixar os fios mais suscetíveis à quebra. Então é hora de colocarmos a lupa para enxergarmos melhor os cuidados que podem salvar o seu crespo e cacheado no próximo verão.

Por isso, se a meta é chegar à estação com cabelos mais longos e saudáveis, a palavra-chave é retenção de comprimento. Ou seja: além de estimular um couro cabeludo saudável, é preciso preservar a fibra capilar e reduzir situações que favorecem a quebra.

Crescimento e retenção: qual é a diferença?

O crescimento do cabelo acontece a partir do folículo, no couro cabeludo. Mas ter fios que crescem não significa necessariamente conseguir perceber o aumento do comprimento.

Isso porque o cabelo pode perder parte desse comprimento por conta de quebra, ressecamento, atrito e danos à fibra.

Nos cabelos crespos e cacheados, existe ainda o fator encolhimento, característica natural dos fios com curvatura que faz com que eles aparentem ser consideravelmente mais curtos quando secos.

Por isso, um cabelo que parece ter pouco comprimento pode, na realidade, estar crescendo normalmente.

A estratégia, então, não é tentar eliminar a curvatura, mas reduzir a quebra e, quando desejado, utilizar técnicas que deixem o comprimento mais aparente.

Como proteger os cabelos crespos e cacheados no verão?

Sol, piscina e mar fazem parte da temporada, mas podem exigir uma atenção extra aos cabelos.

Antes de entrar na piscina ou no mar, uma estratégia simples é molhar os fios com água doce. Também é possível utilizar um leave-in adequado à necessidade do cabelo e apostar em penteados de baixa manipulação.

Depois da exposição, é importante enxaguar bem os fios e manter uma rotina de cuidados que ajude a combater o ressecamento.

Quanto menos danos forem acumulados ao longo do tempo, maiores são as chances de preservar o comprimento conquistado.

Com que frequência devo lavar? 

Manter o couro cabeludo limpo é importante para a rotina de cuidados. A frequência ideal de lavagem, porém, varia de acordo com as características do couro cabeludo, dos fios e dos produtos utilizados.

O recomendado é lavar o cabelo cerca de duas vezes por semana, mas não precisa ser uma regra rígida. Em períodos de maior calor, suor ou uso de produtos, por exemplo, pode ser necessário adaptar a frequência.

O mais importante é encontrar uma rotina que mantenha o couro cabeludo limpo sem ressecar excessivamente os fios.

O fator encolhimento não é inimigo do crescimento

Nos cabelos crespos e cacheados, o comprimento visual pode variar bastante entre o cabelo molhado e seco. Isso acontece por causa da própria estrutura da curvatura.

Para quem deseja visualizar mais comprimento sem alterar a estrutura dos fios, algumas técnicas podem ajudar.

Banding, twists, tranças e coques frouxos são alternativas que podem deixar os fios temporariamente mais alongados. A finalização também pode ser adaptada para favorecer um resultado com menos encolhimento.

O mais importante é evitar métodos que causem tração excessiva ou danifiquem a fibra em busca de um efeito mais alongado.

Menos manipulação também ajuda a preservar o comprimento

Desembaraçar, pentear e refazer o cabelo constantemente pode aumentar o atrito e favorecer a quebra.

Uma rotina de baixa manipulação pode ser uma aliada de quem está tentando reter comprimento. O ideal é desembaraçar os fios com cuidado, preferencialmente quando estiverem úmidos e condicionados, utilizando os dedos ou uma ferramenta adequada.

Na hora de escolher a escova, vale optar por um modelo desenvolvido para desembaraçar cabelos crespos e cacheados, com movimentos delicados e sem puxar os fios.

Também é importante observar os penteados escolhidos. Tranças muito rentes à raiz e ao couro cabeludo, além de outros estilos muito apertados, podem exercer tração excessiva e aumentar o risco de danos.

Por isso, se o objetivo é preservar o comprimento, prefira penteados confortáveis e que não deixem o couro cabeludo tensionado.

Crescer é importante, mas fazer o comprimento permanecer também faz parte do projeto cabelão.

E as fontes de calor?

Secador, difusor e outras ferramentas térmicas podem fazer parte da rotina, mas o uso excessivo de calor pode danificar a fibra e favorecer a quebra.

Para quem utiliza o secador para alongar ou finalizar os fios, algumas medidas ajudam a reduzir a exposição:

  • use protetor térmico;
  • prefira temperaturas baixas ou médias;
  • mantenha o aparelho em movimento;
  • evite concentrar o calor em uma única região;
  • mantenha uma distância segura entre o secador e os fios;
  • evite utilizar fontes de calor diariamente.

A ideia não é abolir o secador, mas fazer com que ele seja utilizado de maneira consciente.

Cuidar do couro cabeludo também faz parte da rotina

O crescimento começa no couro cabeludo, por isso a região também precisa de atenção.Manter uma rotina de higiene adequada, evitar o acúmulo excessivo de produtos e observar alterações persistentes são cuidados importantes.

O couro cabeludo também deve ser considerado na escolha da frequência de lavagem e dos produtos utilizados. Coceira persistente, descamação intensa, dor ou outras alterações que não melhoram com os cuidados habituais merecem avaliação profissional.

O crescimento capilar acontece de forma gradual. O que pode ser trabalhado na rotina é a preservação dos fios para que o comprimento conquistado não seja perdido por quebra.

Na hora de cortar, menos pode ser mais

Cortar o cabelo não faz os fios crescerem mais rápido, por isso, quem está em busca de comprimento não precisa ficar cortando as pontas constantemente.

Se a meta é deixar o cabelo crescer, vale evitar cortes frequentes sem necessidade e concentrar os cuidados na preservação da fibra e na redução da quebra.

Cuidados ao dormir

O atrito durante o sono pode contribuir para o embaraçamento e o desgaste dos fios. Uma forma simples de reduzir esse contato é utilizar touca ou fronha de cetim durante a noite.

O ideal é incorporar esse cuidado à rotina de forma consistente, principalmente para quem percebe que acorda com os fios muito embaraçados ou ressecados.

Também vale evitar dormir com o cabelo excessivamente apertado. Um penteado confortável e frouxo pode ajudar a reduzir a tensão enquanto você dorme.

Produtos para incluir no projeto cabelão

Somado aos cuidados, alguns produtos podem fazer toda a diferença na sua rotina capilar. Confira abaixo as nossas indicações:

Salon Line #todecacho Protetor Térmico pode entrar na rotina de quem utiliza ferramentas de calor, seguindo as orientações de uso da fabricante.

Para os momentos de tratamento, a Lola Cosmetics Morte Súbita Máscara é uma opção para quem busca uma máscara voltada ao cuidado e recuperação dos fios.

Já o Widi Care Juba Creme de Pentear pode ser utilizado na finalização de cabelos crespos e cacheados, ajudando na definição e no cuidado diário.

A escolha, porém, deve considerar as necessidades individuais dos fios. Nem todo produto funciona da mesma maneira para todas as pessoas, e uma rotina eficiente é aquela que respeita a curvatura, a condição da fibra e os hábitos de cada cabelo.

O segredo do cabelão é preservar o que já cresceu

Se a meta é conquistar cabelos mais longos, especialmente durante o verão, o caminho está em reduzir a quebra e preservar o comprimento.

Proteção contra os efeitos do verão, menos manipulação, uso consciente de fontes de calor, tratamento, cuidados com o couro cabeludo, proteção durante o sono e atenção à tração dos penteados fazem parte de uma rotina que pode ajudar os fios a crescerem longos e saudáveis. 

Trinta reais no chão da sala, trezentos mil na conta do hospital

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Foto: Canva

Tem uma Dona Sônia na sua família.

Setenta e dois anos, ri alto, faz bolo no domingo, cria neto, toma remédio de pressão há quinze anos e jura que está ótima. E tem um tapete solto no meio da sala dela, sem antiderrapante, com a ponta levantada perto da porta, que custou trinta reais na feira e é o objeto mais perigoso daquela casa. Pode causar uma queda da própria altura, que pode quebrar um osso.

Acompanhe o que vem depois da queda, porque é aí que está o assunto de hoje. Ela quebra o fêmur, fica quase duas semanas internada, opera, recebe alta e começa a peregrinação: ortopedista num lugar, fisioterapia em outro, cardiologista num terceiro, e em boa parte do país isso significa estrada, barco, diária de acompanhante e um dia inteiro de trabalho perdido a cada consulta. Cada profissional fica com um pedaço da história, os exames não circulam, a receita muda sem que se confira a anterior, e quem acaba coordenando o caso é a filha, que aprende a carregar pasta de exame e a remarcar consulta no WhatsApp.

Eu já quebrei o meu fêmur. Foram duas cirurgias, a primeira com fixador externo, a famosa gaiola, e outra com uma haste de metal por dentro do osso. Passei dias internado em UTI cardiológica com suspeita de embolia gordurosa, que acontece quando o osso longo fraturado libera gordura da medula na circulação e essa gordura chega ao pulmão e obstrui vaso. Um terror. A conta hospitalar passou de trezentos mil reais, e depois vieram meses de fisioterapia.

Deu tudo certo e eu fiquei ótimo, com uma vantagem que é preciso dizer em voz alta: eu era jovem e tinha reserva muscular e funcional alta, construída em esporte desde a infância. Com setenta e dois anos a história costuma ser outra, e para quem não tem recurso ela também costuma ser outra.

A peregrinação que descrevi tem nome e se chama fragmentação do cuidado. O dinheiro se perde menos no preço de cada consulta e mais nos buracos entre uma e outra, e quem trata a própria doença em pedaços separados interna mais, coisa que estudo de vários países vem mostrando na mesma direção. Aqui a conta chega dividida em três: a que o SUS ou o plano paga, a do trabalho que se perde, e a que a família banca em transporte, tempo e desgaste.

Eu opero face e faço doutorado na Faculdade de Medicina da USP pesquisando inteligência artificial. O que mais me intriga é o que a máquina vai deixar de enxergar, tendo aprendido com poucos rostos como o meu. Um exemplo do meu campo: criança com síndrome craniofacial rara costuma receber diagnóstico tarde no Brasil, e a triagem por imagem pode levantar a suspeita mais cedo, inclusive em região onde o especialista mais próximo está a horas de viagem. Isso funciona melhor com o rosto negro dentro do banco de imagens desde o começo.

Há também o risco de a conta ser feita contra nós. Até 2021, a fórmula mais usada no mundo para estimar como o rim está funcionando entregava um resultado diferente quando o paciente era negro, o que fazia o rim parecer melhor do que estava e atrasava o encaminhamento para o especialista e para a fila de transplante, prática que as sociedades médicas de nefrologia recomendaram abandonar naquele ano. Um médico revisa uma conta dessas numa consulta. Um algoritmo treinado com ela repete o mesmo atraso milhões de vezes por dia, em silêncio, e a responsabilidade se dilui pelo caminho.

Então, antes de virar o sistema de ponta-cabeça, que tal começarmos pela prevenção das quedas?

Dá para medir sua reserva hoje, de graça, em menos de um minuto. Fique de pé numa área livre, com alguém por perto, sente no chão e levante usando o mínimo de apoio que conseguir, sem pressa. São dez pontos, cinco para sentar e cinco para levantar, e você desconta um ponto a cada apoio que usar, mão, joelho, antebraço ou lateral da perna, mais meio ponto se perder o equilíbrio.

Salve o resultado com a data no bloco de notas do celular ou mande para o seu próprio e-mail, porque assim você acha na hora da consulta e consegue comparar daqui a seis meses.

O teste é brasileiro, criado no fim dos anos 1990 pelo professor Claudio Gil Araújo, e o que ele mostrou não é pouco: em mais de dois mil adultos entre 51 e 80 anos, acompanhados por cerca de seis anos, quem pontuou de 0 a 3 morreu cerca de cinco vezes mais, por todas as causas, do que quem pontuou de 8 a 10. Se você tem prótese de quadril, joelho operado, osteoporose ou dor, não force nada e leve a pergunta ao seu médico. Nota baixa hoje é endereço de treino.

Esse número sozinho não resolve o caso, porque orientação vira ação dentro de uma relação de cuidado, com alguém que conheça a história inteira. Ele serve para começar a conversa, e começar conversa é mais antigo do que parece. O Papiro Edwin Smith, escrito no norte da África há mais de três mil e seiscentos anos, descreve 48 casos cirúrgicos em ordem, um a um, e cada caso termina com o veredito do cirurgião sobre o que ele vai tratar, com o que ele vai lutar e o que está fora do alcance. Registro, ordem, plano e responsabilidade declarada. É o que o sistema de hoje se esforça para reaprender, agora com computador no meio.

A Dona Sônia da sua casa continua rindo alto na sala. O tapete continua lá.

Às vezes a gente procura solução complicada para problema de saúde, quando o que resolve é usar de um jeito novo a ferramenta que já está na mão. Isso tem nome: inovação, e é por isso que eu insisto.

Hoje, antes de dormir: tire o tapete e faça o seu teste, salvando o número com a data. Depois mande esta coluna para quem cuida de alguém em casa.

Eu sou Dr. Lucas Diniz, cirurgião plástico facial pela USP, CRM-SP 194459, RQE 111712, pesquisador de Inteligência Artificial para Cirurgias Craniofaciais da perspectiva da população negra.

Texto de caráter estritamente informativo e educativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico formal.

Feriado em casa? Confira 11 filmes com protagonismo negro para assistir nos streamings 

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Judas e o Messias Negro
Daniel Kaluuya e LaKeith Stanfield estrelam esta história sobre o partido dos Panteras Negras nos EUA/Foto: IMDb

O feriado pode ser uma boa oportunidade para colocar os filmes em dia, seja para quem prefere ação e aventura, ou quem busca uma comédia, um romance ou uma história baseada em acontecimentos reais. Entre os catálogos dos principais serviços de streaming, há produções de diferentes épocas e gêneros que têm atores negros em papéis de destaque ou apresentam histórias centradas em personagens negros.

De grandes franquias de Hollywood a dramas inspirados em histórias reais, a seleção reúne filmes para diferentes gostos. Entre as opções estão produções como Pantera Negra, Bad Boys: Até o Fim, A Cor Púrpura e King Richard: Criando Campeãs. Confira a lista e escolha o que assistir durante o feriado.

1. Clonaram Tyrone! — Netflix

Gênero: comédia, ficção científica e suspense

John Boyega, Teyonah Parris e Jamie Foxx estrelam a história de três moradores de um bairro de Atlanta que se veem envolvidos em uma série de acontecimentos estranhos. Um traficante, uma prostituta e um cafetão acabam formando uma aliança improvável depois que percebem que há algo muito maior por trás dos acontecimentos que estão presenciando. A investigação leva o trio a uma conspiração que envolve experimentos secretos, clonagem e um misterioso plano de controle da população.

2. Bad Boys: Até o Fim — Prime Video

Gênero: ação, comédia e policial

Will Smith e Martin Lawrence retornam como os detetives Mike Lowrey e Marcus Burnett. Desta vez, os dois precisam investigar uma conspiração depois que seu antigo capitão, já morto, é acusado de envolvimento com o tráfico de drogas. Enquanto tentam provar a inocência do ex-chefe, Mike e Marcus acabam sendo considerados criminosos e entram na lista dos mais procurados. Perseguidos pela própria polícia, eles precisam fugir e descobrir quem está por trás da armação, enquanto enfrentam tiroteios, perseguições e situações que colocam a amizade da dupla à prova.

3. A Cor Púrpura — HBO Max

Gênero: drama e musical

Fantasia Barrino, Taraji P. Henson e Danielle Brooks estrelam a adaptação musical do romance de Alice Walker. A história acompanha Celie, uma mulher que passa por anos de violência e abusos enquanto tenta encontrar seu lugar no mundo. Ao longo da vida, ela estabelece relações que transformam sua trajetória e encontra em outras mulheres força para reconstruir a própria história. Ambientado na Geórgia do início do século XX, o filme combina drama, música e uma narrativa de superação.

4. O Sol Também é uma Estrela — Prime Video

Gênero: romance e drama

Yara Shahidi e Charles Melton interpretam Natasha e Daniel, dois jovens que se conhecem por acaso em Nova York e passam a maior parte do dia juntos. Enquanto Daniel tenta convencê-la de que os dois estão destinados a se apaixonar, Natasha enfrenta uma situação que pode mudar completamente seu futuro: ela e a família estão prestes a ser deportados para a Jamaica. Entre passeios pela cidade, conversas e encontros inesperados, os dois começam a questionar se aquela aproximação é apenas uma coincidência ou se existe algo maior por trás dela.

5. Um Príncipe em Nova York 2 — Prime Video

Gênero: comédia e romance

Eddie Murphy e Arsenio Hall voltam aos papéis de Akeem e Semmi, personagens que fizeram sucesso no filme de 1988. Agora rei de Zamunda, Akeem descobre que tem um filho que nunca conheceu, fruto de um relacionamento que teve durante uma viagem aos Estados Unidos. Diante da possibilidade de o jovem ser seu herdeiro, ele retorna ao Queens acompanhado de Semmi para encontrar o rapaz e levá-lo para seu reino. A chegada do novo integrante da família, no entanto, provoca confusões e disputas pela sucessão do trono.

6. Judas e o Messias Negro — HBO Max

Gênero: drama, histórico e suspense

Daniel Kaluuya e LaKeith Stanfield estrelam o filme inspirado em acontecimentos reais dos anos 1960. A trama acompanha Fred Hampton, líder do Partido dos Panteras Negras em Illinois, e William O’Neal, um jovem criminoso que é pressionado pelo FBI a se infiltrar na organização. Enquanto Hampton ganha influência como líder político e mobiliza a comunidade, O’Neal passa informações para os agentes que acompanham seus passos. A relação entre os dois se torna cada vez mais complexa até chegar a um desfecho trágico.

7. Pantera Negra — Disney+

Gênero: ação, aventura e ficção científica

Após a morte de seu pai, T’Challa retorna para Wakanda e assume o trono do país, além de herdar o posto de Pantera Negra. O novo rei, porém, precisa lidar com um adversário inesperado: Erik Killmonger, que surge com uma ligação com a família real e uma visão completamente diferente para o futuro do reino. Enquanto enfrenta uma disputa pelo poder, T’Challa precisa decidir que tipo de líder pretende ser e proteger Wakanda de ameaças externas e internas.

8. Pantera Negra: Wakanda Para Sempre — Disney+

Gênero: ação, aventura e drama

Após a morte do rei T’Challa, Wakanda precisa lidar com a perda de seu líder e com novas ameaças. A rainha Ramonda, Shuri, Okoye e as Dora Milaje se unem para proteger o país enquanto potências estrangeiras tentam obter o vibranium. A situação se complica com a chegada de Namor, líder de Talokan, uma nação submarina que também possui o poderoso metal e que passa a entrar em conflito com Wakanda. Em meio à disputa, Shuri precisa encontrar seu próprio caminho e lidar com o legado deixado pelo irmão.

9. Marte Um Globoplay

Gênero: drama

A trama acompanha a família Martins, que vive em Contagem, Minas Gerais, e tenta seguir em frente diante das dificuldades do dia a dia. O caçula, Deivinho, sonha em estudar astrofísica e participar de uma missão para colonizar Marte, mas precisa lidar com as expectativas do pai, que aposta em uma carreira no futebol para o filho. Enquanto isso, a mãe, Tércia, passa a questionar a própria vida após um acontecimento inesperado, e a filha mais velha, Eunice, vive um novo amor e começa a pensar em deixar a casa dos pais.

10. A Mulher Rei — Prime Video

Gênero: ação, aventura e drama histórico

Viola Davis interpreta Nanisca, general das Agojie, grupo de guerreiras que protege o reino africano de Daomé no início do século XIX. Depois de uma nova ameaça colocar o território em risco, Nanisca precisa preparar um grupo de jovens recrutas para enfrentar uma guerra. Ao mesmo tempo, ela lida com conflitos dentro do próprio reino e com acontecimentos de seu passado. Inspirado na história das Agojie, o filme acompanha a preparação das guerreiras e a batalha pela sobrevivência de seu povo.

11. Pixinguinha, Um Homem Carinhoso — Globoplay

Gênero: drama e biografia

Seu Jorge interpreta Pixinguinha em uma cinebiografia que acompanha diferentes momentos da vida e da carreira do músico. A história começa ainda na juventude, quando ele se destaca como flautista, e passa por sua trajetória com o grupo Oito Batutas, a temporada em Paris, a criação de algumas de suas principais composições e os períodos de dificuldade e reconhecimento ao longo da carreira. O filme também aborda sua relação com Beti, sua esposa, interpretada por Taís Araújo, além dos últimos anos de sua vida.

“A capacidade de aprender é tão importante quanto os títulos”, diz Renato Sppozido, gerente de Tecnologia da Natura

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Renato Sppozido - Gerente de Tecnologia da Natura - Foto: Divulgação

Ele entrou no mercado aos 16 anos, como menor aprendiz numa empresa de obras públicas. Trinta anos depois, volta de quase uma década no Peru, onde liderou a integração tecnológica da Avon com a transferência de 100 mil consultoras.

“Em outra experiência, houve um gestor que me falou assim: você pode chegar a gerente, mas a diretor você não vai chegar não. Aquilo me marcou.”

Quem lembra a cena é Renato Sppozido, 45 anos, gerente de Tecnologia América Latina da Natura e, até junho de 2025, responsável pela área de tecnologia digital e dados da companhia no Peru. A frase foi dita em outra empresa, em outro momento da carreira. Ele repete hoje com a serenidade de quem já respondeu na prática: “Você pode ocupar o espaço que quiser ocupar. Claro que alinhado às competências. Mas a cor da pele não vai ser o fator que te elimina de chegar naquele lugar.”  Em tempo, o  compromisso da  Natura é ter no quadro de colaboradores administrativos a mesma proporção de grupos subrepresentados que existe na sociedade (em cada país)

Em 2016, Renato embarcou para Lima com um filho de 3 anos e uma tese silenciosa: a de que carreira internacional não precisa passar pelos Estados Unidos. Ficou nove anos. Quatro deles em uma empresa de óleo e gás, e depois cinco na Operação da Natura do Peru, onde co-liderou a integração dos sistemas da Avon e a migração de mais de 100 mil consultoras de beleza. Sob sua gestão, a operação peruana ficou em primeiro lugar no Ranking de Inovação Brinca C3 Peru 2022, como a empresa mais inovadora do país. Voltou ao Brasil com uma filha peruana, espanhol fluente e a experiência rara de ter comandado tecnologia num país que a companhia usou como campo de provas para a maior integração de sistemas de sua história.

Conversamos sobre trajetória, inovação e o que faz um profissional negro não apenas chegar, mas permanecer.

De onde você é, quantos anos tem e como a tecnologia entrou na sua vida?

Eu sou Renato, tenho 45 anos, tenho quatro filhos, sendo dois do coração. Moro no Rio e faço bate-volta semanal para São Paulo. Comecei a trabalhar bem jovem, com 16 anos, como jovem aprendiz numa empresa de obras. Depois fui para uma empresa que prestava serviços para órgão público, e ali trabalhei em um laboratório de informática, onde a gente consertava computador, na época em que ainda se consertava, porque hoje em dia se troca a peça. E fui galgando outras posições até chegar na Natura. Junto com a carreira, segui o conselho do meu pai de fazer curso técnico em eletrônica. Eu já trabalhava e fazia o curso ao mesmo tempo. O técnico foi a porta de entrada para eu ingressar na área de tecnologia.

Como você equilibra se divertir, descansar e ainda se manter atualizado sobre a sua área? O que você gosta de fazer no tempo livre?

Atividade física é inegociável. Vou à academia de cinco a seis vezes por semana com a minha parceira de vida e maior incentivadora, a Luciana, sempre que os horários batem. Foi por influência dela que passei a me olhar com mais cuidado, a me alimentar melhor e a levar a musculação a sério. No fim de semana pedalamos juntos na orla. E tem outro ritual: tiro uma hora e meia do domingo para estudar algo que eu não sei. Porque as coisas mudam numa velocidade tão rápida que o conhecimento que você adquiriu um mês atrás fica obsoleto. Faço cursos online, assisto videocasts e tenho mergulhado bastante em vibe coding. Antes eu lia 15 livros por ano; agora vão uns três, quatro, e consumo outros formatos. E o mais legal é conseguir influenciar: meu filho me viu e disse “pai, quero malhar”. Peguei o benefício que temos aqui na Natura do Wellhub, e o inscrevi , e ele está indo super feliz.

Renato Sppozido – Gerente de Tecnologia da Natura – Foto: Divulgação

O setor de tecnologia historicamente lida com a falta de diversidade em cargos de liderança. Como tem sido a sua trajetória até ocupar uma posição estratégica na Natura?

Na Natura, a diversidade é tratada como estratégia de negócio. A companhia tem um compromisso público que envolve a empresa inteira. Eu não entrei por programa de diversidade, mas a Natura criou um programa de aceleração de carreira para pessoas negras que já estão em liderança. E, no meu caso, a bagagem internacional pesou. Foram nove anos fora, cinco deles à frente da tecnologia da Natura no Peru, gerindo equipes multiculturais num cenário de altíssima complexidade. É isso que me solidificou para assumir a cadeira que eu ocupo hoje.

Na Natura, a diversidade é tratada como estratégia de negócio. A companhia tem um compromisso público que envolve a empresa inteira.

De que forma a sua atuação na Natura ajuda a desconstruir a ideia do “preto único” nos cargos de liderança em tecnologia?

Sendo honesto, é muito difícil ver profissionais negros ocupando determinados espaços.. Tenho pares negros na diretoria. Isso importa porque você vê que pode ocupar aquele espaço. Quando você olha para o lado e olha para cima e vê, você pensa “eu posso ocupar aquele lugar também”. Eu participo de mesas de tomada de decisão em que a minha opinião é validada. Ontem mesmo eu estava discutindo um orçamento relativamente grande com o diretor de finanças, e o que eu disse tinha peso. Não é só pelo fato de ser negro que você vai chegar, porque tem as competências. Mas a cor da pele não pode ser o fator que te elimina.

Qual a importância de ter outros talentos negros na transformação digital da Natura? De que forma a empresa reforça que é um lugar seguro e de alto impacto para a evolução de talentos negros em carreiras ágeis?

Transformação digital e dados não são só sobre sistema, nuvem ou código. São sobre pessoas. É entender a pluralidade das consumidoras e das consultoras, entender os perfis delas. O Brasil tem uma grande parte da população negra, então nossos produtos e serviços precisam falar com ela, e para isso precisamos de talentos negros construindo essas soluções. Na nossa diretoria temos várias pessoas negras, inclusive em dados e inteligência artificial. A gente olha em volta e vê gente parecida conosco, que é o reflexo do país. Como comunidade negra tivemos uma grande evolução, mas ainda falta uma evolução nacional de se abraçar como uma nação negra em maioria.

Foto : Divulgação

A Natura é uma referência em Tech Beauty. De que maneira as áreas de inteligência artificial, ciência de dados e biotecnologia estão transformando o modelo de negócios e a experiência do consumidor na prática?

Conectamos tecnologia, beleza e bem-estar para criar experiências únicas e inovadoras. A convergência entre tecnologia e beleza foi redefinida na nossa atuação. No Peru, num projeto conjunto com a área de Dados & IA ,entregamos ferramentas preditivas e modelos de inteligência artificial generativa para a força de vendas, para as consultoras e para os consumidores. E fizemos o letramento de dados junto, porque não adianta entregar a ferramenta e não preparar quem vai usar. O mais legal foi ver o público administrativo interagindo com aquilo. No fim do dia, é entender comportamento e traduzir em resultado real de negócio.

O debate sobre racismo algorítmico na inteligência artificial ainda é muito presente quando falamos de ética e inclusão. Quais práticas a equipe da Natura adota para combater esse tipo de viés no desenvolvimento das soluções tecnológicas?

O algoritmo tem viés, isso acontece muito. Mas o combate à ele começa na governança e na curadoria dos dados, e em quem desenvolve a tecnologia. Se o time que construiu esses modelos foi homogêneo, o algoritmo fatalmente vai herdar uma visão limitada. Aqui a gente adota diretrizes rígidas de ética em inteligência artificial, audita bases de dados e faz treinamento para evitar discriminações, com equipes multidisciplinares olhando para isso durante todo o ciclo de vida do produto. O ponto principal é que isso não é feito depois do produto pronto: faz parte da arquitetura desde a concepção.

Que mensagem ou conselho você gostaria de deixar para os novos e futuros profissionais negros da área de tecnologia que desejam construir uma carreira de impacto?

Eu sigo dois dos três conselhos que o meu pai me deu na juventude, e eles mudaram a minha história. O primeiro foi aprender inglês, que abriu a porta para a carreira internacional. O segundo foi fazer o curso técnico em eletrônica, que me colocou dentro da tecnologia. Então diria para investir numa base técnica e estar sempre aprendendo idioma. Buscar o espaço dele. Ter capacidade de resolver problemas reais, porque é disso que a gente precisa: tem um monte de dores para resolver. Construir redes de apoio. E pertencer ao lugar que ele quer estar. Eu continuo mentorando gente da minha equipe anterior do Peru até hoje, e é uma troca: você ensina e você aprende. Mas se for para guardar uma coisa só, é esta: a capacidade de aprender é tão importante quanto os títulos. As ferramentas mudam o tempo todo. Quando eu comecei, trabalhava com uma tecnologia que já ficou para trás. Mas a mentalidade e os fundamentos que construí naquela época foram o verdadeiro alicerce para quem eu me tornei.”


Você passou nove anos no Peru. Como esse capítulo entrou na sua história?

Eu tinha feito uma temporada curta na Espanha, cinco meses, num projeto. Ficou aquele bichinho dentro de mim: eu queria viver uma cultura de verdade. Ficou no meu plano de desenvolvimento até aparecer o Peru. Foram quatro anos em óleo e gás e cinco na operação da Natura no Peru, de fevereiro de 2020 a junho de 2025. Entrei bem no início da pandemia. Foi um período de transformação digital enorme. A Natura fez várias aquisições, e o Peru foi o país-laboratório para preparar os sistemas e receber a Avon. Como era uma operação menor, todo o teste e erro era feito lá antes de escalar.

Tem alguma entrega que, quando você viu funcionando, fez você pensar: aqui é um novo momento?

Teve a Maia, um modelo avançado de inteligência artificial entregue à força de vendas. O cenário no Peru era o seguinte: a maior parte dessa força de vendas não era digital, e a gente tem uma complexidade importante de sistemas. Para uma gerente de negócio saber dados financeiros da rede dela, e a força de vendas é medida por produtividade, ela precisava cruzar várias fontes. Pegava dado de um sistema, dado de outro, cruzava e chegava no número. Unificamos tudo e deixamos à disposição dela. Com um comando, e até por voz, ela pergunta: “quanto falta para eu bater a meta?”. E vem a resposta. Aquilo virou agilidade e virou resultado financeiro, porque a cobrança passou a ser feita mais perto delas. Foi disruptivo.

Os seus pais tinham formação? De onde vem esse interesse por eletrônica?

A determinação da minha mãe foi a base de tudo. Trabalhando em casa de família e criando a gente após a separação, ela traçava a meta com clareza: ‘estudar é a única saída para ser alguém na vida‘. Ela me dava o que fazer. Meu pai, que sempre acreditou na educação e aos 65 anos soma três graduações, me dava o como por já ter percorrido essa jornada. Essa combinação de valores moldou a minha vida e hoje já alcança a terceira geração, os meus filhos. 

Entrevista:
Silvia Nascimento @silvia_nascimentoo
Fotos: Arquivo pessoal


Carla Jeffery, atriz do Disney Channel, morre aos 33 anos

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Foto: Disney Channel

Agência confirmou a morte da atriz nesta quarta (2) sem revelar a causa; Jeffery viveu Bree na franquia Zombies e Keysha Black em Curb Your Enthusiasm

A atriz norte-americana Carla Jeffery morreu na terça-feira (1º), aos 33 anos, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira (2) pela Alexanders Talent Management, agência que cuidava de sua carreira desde os 12 anos de idade. A causa da morte não foi divulgada.

Jeffery ficou conhecida por interpretar Bree, cheerleader e melhor amiga da protagonista Addison, na franquia “Zombies”, do Disney Channel. A atriz esteve nos três primeiros filmes da série, lançados em 2018, 2020 e 2022, e emprestou a voz à personagem na animação “Zombies: The Re-Animated Series”, de 2024. Ela não integrou o elenco de “Zombies 4: Dawn of the Vampires”, de 2025, nem foi anunciada para “Zombies 5: Secrets of the Sea”.

Antes de chegar à Disney, Jeffery construiu uma trajetória de duas décadas no audiovisual americano. A estreia aconteceu em 2006, quando tinha 12 anos, no filme “Phat Girlz”, em que interpretou a versão criança da protagonista vivida por Mo’Nique. No ano seguinte, passou a integrar o elenco de “Curb Your Enthusiasm”, de Larry David, como Keysha Black, filha de Loretta Black, personagem de Vivica A. Fox. A família Black chega à casa de Larry David após ser deslocada pelo furacão Katrina, um dos arcos mais lembrados da sexta e da sétima temporada da série. Jeffery esteve em dez episódios, entre 2007 e 2009.

A atriz também passou por produções como “Southland”, “iCarly”, “Good Luck Charlie”, “Shake It Up”, “Crazy Ex-Girlfriend”, “Scream Queens” e “American Vandal”, além de participações pontuais em “Lie to Me” e “Suburgatory”.

Seu irmão gêmeo, Carlon Jeffery, também trabalhou como ator na Disney Channel, com o papel de Cameron Parks no seriado “A.N.T. Farm”. Os dois nasceram em Houston, no Texas, em 10 de julho de 1993, e começaram nas aulas de interpretação juntos, ainda crianças, antes de a família se mudar para Los Angeles em 2005 em busca de oportunidades no mercado audiovisual.

No comunicado que confirmou a morte, a agente Carla Alexander descreveu Jeffery como uma mulher de “sorriso radiante capaz de iluminar qualquer ambiente” e afirmou que a atriz era “mais do que uma cliente, era da família”. O texto pede que a privacidade dos familiares e amigos seja respeitada durante o luto.

A Disney Entertainment Television também se manifestou sobre a morte da atriz. Em nota, a empresa afirmou que o talento e a generosidade de Jeffery “deixaram uma marca indelével em quem teve o privilégio de trabalhar com ela” e estenderam condolências à família, ao elenco e aos fãs da franquia.

Colegas de elenco publicaram homenagens nas redes sociais ao longo desta quarta-feira. Milo Manheim, que contracenou com Jeffery nos três filmes de “Zombies”, escreveu que ela era “a pessoa mais doce” que já havia conhecido. Chandler Kinney, intérprete da personagem Willa na franquia, descreveu a colega como alguém capaz de iluminar qualquer sala em que entrasse. Já a atriz e cantora Baby Ariel, que interpretou Wynter nos filmes, publicou uma mensagem breve de despedida em seu perfil.

Até o momento, nenhum familiar de Jeffery se pronunciou publicamente sobre sua morte, e a agência que a representava não indicou local nem circunstâncias do falecimento. Detalhes sobre velório ou cerimônia de despedida também não foram divulgados.

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