O diretor Ryan Coogler anunciouDavid Jonssoncomo o novo Pantera Negra durante o painel da Marvel na San Diego Comic-Con, nos Estados Unidos, na noite de sábado (25). O ator britânico será o intérprete de T’Challa II, filho do herói vivido por Chadwick Boseman, no terceiro filme da franquia, previsto para lançar em dezembro de 2028. Nesta nova fase do MCU, ele assumirá o papel que vinha sendo ocupado por Shuri (Letitia Wright).
Criado em Londres, Jonsson cresceu com a mãe e o apoio dos irmãos mais velhos. Segundo o próprio ator, a família foi decisiva para sua formação artística e o incentivou a seguir a carreira com dedicação total. Entre os 16 e os 18 anos, Jonsson conquistou uma bolsa na American Academy of Dramatic Arts, em Nova York, mas o período não garantiu, de imediato, espaço na indústria. De volta à Inglaterra, ele precisou se sustentar com trabalhos em bares e também como modelo da Abercrombie & Fitch.
A virada na trajetória veio quando conseguiu entrar na Royal Academy of Dramatic Art, uma das escolas de teatro mais prestigiadas do Reino Unido. A formação abriu caminho para uma carreira que ganhou força com a série “Industry”, na qual interpretou um jovem do mercado financeiro. Depois disso, os convites para o cinema começaram a se acumular.
Em 2023, Jonsson chamou atenção na comédia romântica “Rye Lane”. No ano seguinte, consolidou sua projeção internacional em “Alien: Romulus” e no drama “A Longa Marcha: Caminhe ou Morra”. A sequência de papéis reforçou o nome do britânico entre os talentos de Hollywood.
Em 2025, Jonsson venceu o prêmio de Estrela em Ascensão do BAFTA, a única categoria escolhida pelo público britânico, destacando o início de sua carreira e os papéis de destaque com projeção internacional. Na mesma época, após participar de “O Código da Cadeia”, produção que levou seis anos para ser concluída e aborda o sistema prisional, Jonsson decidiu investir também na produção audiovisual. Ao lado de Sophia Gibber, ele fundou uma produtora voltada a projetos com histórias culturalmente relevantes e complexas.
Reservado fora das câmeras, Jonsson se define como um ator introvertido e diz usar sua natureza observadora como ferramenta para construir personagens densos. Ele também afirma não gostar de se ver durante a gravação, para não quebrar a imersão no papel.
Com a escolha para viver o novo Pantera Negra, Jonsson entra definitivamente no centro de uma das franquias mais populares da Marvel, em um momento de expectativa renovada em torno do universo de Wakanda.
A Marvel confirmou que Pantera Negra 3 estreia em 15 de dezembro de 2028 e trará o ator britânico David Jonsson no papel do filho de T’Challa, assumindo o manto do herói de Wakanda. O anúncio foi feito durante a San Diego Comic-Con 2026, um dos maiores encontros da cultura pop no mundo, e reacendeu a expectativa dos fãs em torno da franquia.
Jonsson, conhecido por Alien: Romulus e The Long Walk, viverá uma versão mais velha do personagem apresentado no desfecho de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, o filho de T’Challa com Nakia, vivida por Lupita Nyong’o. A escolha aponta para uma passagem de tempo significativa na história e para um recomeço da saga sob uma nova geração.
A produção reforça que a decisão não substitui o legado de Chadwick Boseman, intérprete original de T’Challa, morto em 2020. A proposta é dar continuidade à herança do herói, mantendo sua presença simbólica sem apagar a história construída até aqui.
Ryan Coogler, diretor dos dois primeiros filmes, volta ao comando do projeto, garantindo continuidade criativa à franquia. O longa será rodado em 70mm, formato de grande escala que promete elevar o impacto visual das cenas de ação e dos efeitos.
Letitia Wright retorna como Shuri, e Denzel Washington também foi anunciado como parte do elenco durante o painel da Marvel, que teve a participação presencial do ator.
Com estreia marcada para o fim de 2028, Pantera Negra 3 representa mais um capítulo de uma das franquias mais celebradas do Universo Cinematográfico Marvel e um marco para a representatividade negra no cinema de grande orçamento
Marina Silva, Macaé Evaristo, Cida Bento e outras lideranças foram homenageadas no Club Homs; idealizadora, Ruth Lopes é pré-candidata a deputada federal por São Paulo.
Mulheres negras com atuação na política, na cultura, na comunicação, na educação e em outras áreas se reuniram, na sexta-feira (24), no Club Homs, em São Paulo, para uma noite de reconhecimento de trajetórias e fortalecimento de redes. Promovido pelo Instituto Mulher Negra & Cia, o evento “Mulheres Pretas no Poder: A Noite das Vozes Negras” integrou as celebrações pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
A programação colocou em pauta a presença de mulheres negras em espaços de liderança e tomada de decisão, incluindo a política institucional. Entre as homenageadas estiveram Marina Silva (Rede-SP), ex-ministra do Meio Ambiente e deputada federal, e Macaé Evaristo (PT-MG), também deputada federal.
Também foram reconhecidas Rosângela Hilário, Zara Figueiredo, Jordana Araújo, Jessi Alves, Stela Maria, Madalena, Sol Vega, Milena Moreira, Ana Elisa, Cida Bento e Dani Pimenta. As trajetórias reunidas pelo encontro passam por áreas como educação, produção cultural, comunicação, empreendedorismo e atuação social.
Idealizadora do evento e presidente do Instituto Mulher Negra & Cia, a socióloga e comunicadora Ruth Lopes é pré-candidata a deputada federal por São Paulo pelo PT. Entre as participantes mencionadas nos registros públicos consultados, ela é a única cuja pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo estado foi confirmada.
“Durante muito tempo, aprendemos a celebrar histórias extraordinárias sem perguntar quem sustentou essas trajetórias. Este prêmio nasce para reconhecer mulheres negras que ocupam espaços de liderança e, ao mesmo tempo, lembrar que nenhuma delas chegou até aqui sozinha”, afirmou Ruth.
Inspirado no mote “Nunca solte a mão de uma mulher preta”, o encontro destacou a construção coletiva por trás dessas trajetórias e a importância das redes formadas entre mulheres negras de diferentes gerações e campos de atuação.
A noite marcou a celebração dos 50 episódios do “Pod da Preta”, apresentado por Ruth Lopes. O evento foi realizado pelo Instituto Mulher Negra & Cia em parceria com a Frente Negra Online.
O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, nasceu da necessidade de tornar visíveis mulheres que, historicamente, permaneceram invisibilizadas nas estatísticas, nos espaços de poder e nos processos de tomada de decisão.
Instituída em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, a data reuniu lideranças de diversos países para denunciar o racismo, o sexismo e as desigualdades sociais que atravessam a vida das mulheres negras há séculos. No Brasil, desde 2014, o dia também homenageia Tereza de Benguela, símbolo da resistência quilombola e da liderança feminina negra.
Essa data também me leva a refletir sobre o quanto seguimos engajadas em fomentar oportunidades para outras mulheres e sobre a importância de homenagear aquelas que estão tão próximas de nós.
Neste artigo, Shirley Serafim, consultora de Relações Públicas, que atua em uma multinacional sediada em Singapura, que opera em toda a região da Ásia-Pacífico representará todas as mulheres negras que tive a honra de alcançar com a minha trajetória pautada pela diversidade de talentos e humanização social. É uma troca que fortalece ambas as partes e nos permite crescer mutuamente.
“Sou formada em Relações Internacionais, formação que ampliou minha visão sobre geopolítica, diversidade cultural e cooperação entre os povos. Essa experiência acadêmica, somada à vivência profissional, consolidou em mim a certeza de que a inclusão não deve ser tratada apenas como um valor institucional, mas como uma estratégia indispensável para o desenvolvimento sustentável das empresas e das sociedades”, ressalta Shirley Serafim, que já soma quase 30 anos de carreira.
Três décadas depois daquele encontro histórico, os desafios permanecem. Houve avanços na ocupação das universidades, na presença em cargos públicos, no empreendedorismo e na produção intelectual. No entanto, o mercado de trabalho continua reproduzindo desigualdades estruturais, tornando a trajetória das mulheres negras muito mais desafiadora e, consequentemente, mais exaustiva.
Interseccionalidade
Mulheres negras enfrentam barreiras que não atingem da mesma forma homens negros e brancos ou mulheres brancas. Isso significa menor acesso às posições de liderança e maior concentração em atividades precarizadas. É impossível discutir produtividade, inovação ou competitividade sem enfrentar as desigualdades que limitam o desenvolvimento de milhões de mulheres. O acesso às oportunidades de crescimento profissional e à remuneração ainda está aquém do ideal para a maioria dessas trabalhadoras, especialmente quando comparado ao de profissionais de outras etnias.
“Na Ásia, onde atualmente desenvolvo minha carreira, essa transformação é particularmente evidente. Países da região ampliaram significativamente a presença feminina em setores estratégicos, como tecnologia, comércio internacional, finanças, relações governamentais e diplomacia. Mesmo em áreas tradicionalmente masculinas, observa-se um crescimento consistente da participação feminina em posições de liderança e representação internacional. Entretanto, quando analisamos essa evolução sob uma perspectiva interseccional, percebemos que os avanços não alcançam todas as mulheres da mesma forma. Falar sobre equidade exige reconhecer que nós, mulheres negras, enfrentamos desafios específicos decorrentes da combinação entre desigualdades raciais e de gênero”, contextualiza a consultora de Relações Públicas.
Os dados de 2025 do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), evidenciam essa realidade. As mulheres negras representam cerca de 30% dos lares brasileiros como principais responsáveis pelo sustento familiar. Apesar disso, recebem, em média, 53% menos que os homens brancos. Quase metade delas vive com rendimento de até um salário mínimo, 39% estão na informalidade e apenas uma em cada 46 ocupa cargos de direção ou gerência. A taxa de desocupação entre mulheres negras também permanece superior à média nacional, alcançando 8%, o dobro da observada entre homens brancos.
Esses números revelam que, enquanto cresce o discurso empresarial sobre inovação e sustentabilidade, a realidade demonstra que o talento das mulheres negras continua sendo subaproveitado. A ausência de oportunidades equitativas de contratação, promoção e desenvolvimento mantém inúmeras profissionais — altamente qualificadas — afastadas dos espaços onde poderiam exercer plenamente seu potencial.
As que já estão no mercado seguem com maestria sustentando setores essenciais da economia. Como exemplo, temos Dione Assis no jurídico, Helen Moraes na construção civil, Carolina Prates na administração empresarial, Márcia Maia e Silvana Maia na educação. Entre tantas outras que estão presentes, na saúde, nos serviços, no comércio, na ciência, na cultura, e também no empreendedorismo, transformando a escassez de oportunidades formais, muitas vezes, em negócios próprios.
Celebrar o 25 de julho, para nós, tem um significado que vai muito além da homenagem: representa resistência, memória e luta. É mais um momento para reconhecer que a democracia econômica e o desenvolvimento sustentável dependem da superação das desigualdades raciais e de gênero. Enquanto mulheres negras continuarem sendo maioria entre as responsáveis pelo sustento das famílias e minoria nos espaços de decisão, o mercado de trabalho continuará refletindo estruturas de exclusão construídas ao longo da história.
A história das mulheres negras latino-americanas e caribenhas é marcada pelo trabalho, pela resistência e pela capacidade de transformar adversidades em oportunidades. Nosso desafio permanente é garantir que todas as mulheres sejam respeitadas, tenham sua dignidade preservada e possam ocupar os espaços com igualdade de condições, reconhecimento e remuneração. A luta iniciada em Santo Domingo, em 1992, nos trouxe até aqui e permanece atual porque ainda há um longo caminho a percorrer.
“Trabalhar diariamente em um ambiente multicultural, ao lado de profissionais de diferentes nacionalidades e culturas, fortaleceu minha compreensão sobre os desafios globais e confirmou algo que considero inquestionável: organizações diversas tomam melhores decisões, inovam mais e alcançam resultados mais consistentes”, ressalta Shirley Serafim.
Entre a representatividade e a verdadeira igualdade existe um caminho que exige compromisso coletivo, políticas consistentes e mudanças estruturais. Sigo por aqui porque acredito que nem uma mulher deve ficar de fora!
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados e Mário Agra/Câmara dos Deputados
Neste 25 de julho, celebramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, data que no país também homenageia a liderança quilombola Tereza de Benguela. Mais do que uma celebração, o marco é um chamado à reflexão sobre a urgência de democratizar os espaços, inclusive na política. Embora representem 28% da população brasileira — o maior grupo demográfico do país —, as mulheres negras ainda ocupam apenas 5,6% das cadeiras na Câmara dos Deputados (29 das 513 vagas), pouco mais de 1% no Senado Federal e menos de 6% das Assembleias Legislativas estaduais.
Apesar da luta por mais espaço na política, diversas lideranças negras e femininas que furam o bloqueio de uma estrutura historicamente patriarcal e racista transformam a agenda pública. Da defesa dos direitos humanos e do combate à fome às pautas ambientais e de diversidade, a presença dessas mulheres no poder não é apenas um ato de representatividade, mas um projeto de reparação histórica e futuro para o país.
Abaixo, relembramos trajetórias pioneiras e contemporâneas que moldaram e seguem redefinindo a política brasileira de Norte a Sul.
Antonieta de Barros
Foto: Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
Professora, jornalista e política catarinense, Antonieta de Barros fez história ao se tornar a primeira mulher negra a assumir um mandato parlamentar no Brasil e a primeira deputada estadual de Santa Catarina. Eleita nas urnas em 1934 pelo Partido Liberal Catarinense — no histórico primeiro pleito em que as mulheres brasileiras puderam votar e ser votadas —, assumiu a titularidade da vaga na 1ª legislatura (1935-1937). Antes de seu mandato ser interrompido pelo Estado Novo, tornou-se a primeira mulher a presidir uma sessão legislativa no país. Com a redemocratização, retornou à Assembleia Legislativa em 1948, utilizando a política, a imprensa e a sala de aula no combate ao analfabetismo, ao racismo e à discriminação de gênero.
Entre seus maiores legados, está a autoria da lei estadual que instituiu o Dia do Professor e o feriado escolar em Santa Catarina em 15 de outubro — pioneirismo que serviu de base para a oficialização da data em todo o país, em 1963. Assim, Antonieta de Barros consolidou uma trajetória atemporal de liderança, cidadania e emancipação social.
Benedita da Silva
Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
Referência histórica da política brasileira, Benedita da Silva acumula pioneirismos como a primeira mulher negra a ocupar os cargos de vereadora do Rio de Janeiro, deputada constituinte, senadora e governadora do estado — sendo a única ex-governante viva do RJ que não foi presa nem cassada por corrupção. Criada na favela do Chapéu Mangueira, foi aprovada nas urnas em 1982 para seu primeiro mandato com o marcante slogan “Negra, mulher e favelada”, participou ativamente da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e atualmente segue no exercício do mandato como deputada federal.
Entre suas principais realizações, destacam-se o projeto que inscreveu Zumbi dos Palmares no Panteão dos Heróis da Pátria, as propostas pioneiras para a instituição do Dia da Consciência Negra, a cota para inclusão de negros nas produções audiovisuais e a exigência do quesito etnia em documentos oficiais. Como governadora, criou delegacias para apurar crimes raciais e regulamentou cotas no ensino superior fluminense, além de ter sido a relatora da histórica PEC das Domésticas no Congresso Nacional, garantindo direitos trabalhistas e no combate ao assédio para a categoria.
Erika Hilton
Foto: Matheus Alves
Ativista dos direitos humanos, Erika Hilton fez história ao se tornar a primeira mulher trans e negra eleita para a Câmara Municipal de São Paulo, sendo a vereadora mais votada do país em 2020. Em 2022, alcançou projeção nacional ao se eleger deputada federal por São Paulo. Sua atuação parlamentar combina firmeza na defesa da igualdade de gênero e raça, direitos da comunidade LGBTQIAPN+, articulação no combate à fome e liderança em pautas voltadas à dignidade das periferias e à garantia dos direitos da classe trabalhadora.
Recentemente a parlamentar protagonizou um marco histórico ao articular e aprovar na Câmara dos Deputados a PEC que estabelece o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Construída em parceria com o vereador carioca Rick Azevedo, idealizador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) —, a proposta representa a primeira grande alteração constitucional em direitos trabalhistas no país desde a promulgação da Carta Magna de 1988. O texto ainda aguarda votação no Senado Federal, mas reflete a capacidade de mobilização social e articulação política de Erika Hilton na intersecção de pautas da população brasileira.
Leci Brandão
Foto: Alesp
Além de artista fundamental da cultura brasileira, especialmente no samba, Leci Brandão construiu uma carreira política marcada pela defesa da igualdade racial, dos direitos das mulheres, das religiões de matriz africana e da população LGBTQIA+. Filiada ao PCdoB desde 2010, tornou-se a segunda deputada negra da história da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) e fez história como a primeira mulher negra a cumprir quatro mandatos consecutivos na casa, sendo eleita e reeleita nos pleitos de 2010, 2014, 2018 e 2022. Sua atuação parlamentar é voltada ao fomento do patrimônio cultural, ao fortalecimento da juventude e à proteção de populações vulnerabilizadas, incluindo comunidades indígenas e quilombolas.
Entre suas principais iniciativas legislativas, destaca-se a coautoria no Projeto de Lei “Menstruação Sem Tabu”, articulação pioneira para combater a pobreza menstrual com a distribuição gratuita de absorventes a estudantes e pessoas em vulnerabilidade. Assina também projetos voltados à valorização da cultura popular, como a criação do Dia Estadual do Samba e do Dia da Favela, somando mais de 37 leis aprovadas ao longo de sua trajetória parlamentar.
Lívia Duarte
Foto: Tereza Maciel
A psicóloga Lívia Duarte fez história ao se tornar a primeira mulher preta eleita deputada estadual no Pará em 2022. Anteriormente, a ativista que nasceu no Guajará I, na periferia de Belém, foi eleita vereadora da capital paraense em 2020. Em seu mandato municipal, bateu o recorde na elaboração legislativa em um ano e meio, sendo autora do Estatuto da Igualdade Racial de Belém e de projetos de lei como a distribuição gratuita de absorventes e a criação de creches noturnas.
A parlamentar expandiu sua liderança para o cenário estadual e internacional. Sua atuação política fundamenta-se no combate ao racismo, na defesa dos direitos das mulheres, das mães, da população LGBTQIAP+ e das pessoas com deficiência. Mestranda pela UFPA, Lívia projeta a voz dos povos da Amazônia em fóruns globais, acumulando participações na Comission on the Status of Women- CSW a convite da ONU e no movimento internacional de parlamentares por um futuro livre de combustíveis fósseis, articulando a justiça ambiental e social.
Marielle Franco
Foto: Renan Olaz/Divulgação/CMRJ
Cria da Maré, socióloga e defensora dos direitos humanos, Marielle Franco foi a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro em 2016. Sua atuação na Câmara Municipal pautou-se no combate à violência policial, na defesa das mulheres periféricas, dos jovens negros e da população LGBTQIA+. No parlamento, presidiu a Comissão de Defesa da Mulher e atuou como relatora da comissão que monitorava a intervenção federal no estado, denunciando abusos e violações de direitos. Seu assassinato brutal em 2018 tentou calar a sua luta, mas transformou sua memória em um símbolo global de resistência, impulsionando o “Efeito Marielle” – uma onda de candidaturas de mulheres negras na eleição em todo o país.
Em pouco mais de um ano de mandato, a vereadora articulou projetos voltados à coleta de dados sobre a violência de gênero, à garantia do aborto legal e à ampliação do acesso à saúde pública e à mobilidade urbana. Entre suas propostas aprovadas estão a Lei das Casas de Parto, criada para humanizar o atendimento ao parto normal na rede pública, e a regulamentação do serviço de mototáxi na capital fluminense. Marielle construiu um legado atemporal de ocupação de espaços de poder, cidadania e transformação social no Brasil e no mundo.
Marina Silva
Foto: Rogério Cassimiro/MMA
Historiadora, ambientalista e uma das vozes políticas mais influentes do Brasil no mundo, Marina Silva é referência na articulação entre sustentabilidade, combate à emergência climática e justiça socioambiental. Nascida em um seringal no Acre, alfabetizou-se na adolescência e iniciou sua trajetória no movimento sindical e comunitário ao lado de Chico Mendes, com quem fundou a CUT no estado em 1985. Eleita a vereadora mais votada de Rio Branco em 1988 e deputada estadual em 1990, notabilizou-se pelo combate aos privilégios políticos. Em 1994, fez história ao se tornar a pessoa mais jovem a ser eleita senadora da República no país, aos 36 anos.
Como ministra do Meio Ambiente nos governos do Lula, liderou a implementação de metas históricas de redução de emissões e o fortalecimento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas. Em 2010, tornou-se a primeira mulher negra a se candidatar à Presidência da República no Brasil, alcançando o terceiro lugar com quase 20 milhões de votos no pleito inicial e superando 22 milhões de votos na eleição de 2014. Eleita deputada federal por São Paulo em 2022 pela Rede Sustentabilidade, retornou ao comando do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, consolidando o restabelecimento do Fundo Amazônia, a recriação do Conama e a instituição de órgãos focados no combate ao desmatamento e na defesa do clima. Sua trajetória une a vivência dos seringais ao protagonismo global na preservação dos biomas e na garantia de direitos aos povos tradicionais.
Olívia Santana
Foto: Reprodução/Instagram
A pedagoga Olívia Santana fez história ao se tornar a primeira mulher negra a ser diretamente eleita pelo voto popular para o cargo de deputada estadual na Bahia. Foi vereadora de Salvador por uma década, titular das secretarias municipais de Educação e estaduais de Políticas para as Mulheres e do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte. Sua liderança é marcada pela implementação da lei que inspirou a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, pela criação da Ronda Maria da Penha no estado.
Filiada ao PCdoB, foi reeleita deputada estadual em 2022, consolidando-se como a candidata de esquerda mais votada na Bahia. Sua atuação no parlamento combina a defesa da educação pública com o combate ao racismo e à violência de gênero, sendo autora da lei de salvaguarda da capoeira e da norma que garante prioridade em programas de emprego para mulheres vítimas de violência doméstica. Em 2023, lançou o livro “Mulher Preta na Política”, registrando sua trajetória como documento histórico.
Celebrado em 25 de julho, oDia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, reafirma a necessidade de visibilizar narrativas de reconhecimento, luta, criação e conhecimento. Para marcar a data, o Mundo Negro selecionou seis documentários que destacam o legado inestimável de diferentes mulheres negras brasileiras. Desde personalidades da televisão e da música, quanto de trabalhadoras domésticas, mulheres que lutam por justiça social e a representatividade na comunidade LGBTQIAPN+.
Tributo – Zezé Motta
Na série Tributo, o episódio especial sobre a Zezé Motta acompanha a trajetória de uma das artistas mais importantes do país, revisitando a a partir de sua potência como atriz, cantora e referência de representatividade negra na cultura brasileira. O documentário destaca a longevidade e a relevância da carreira de Zezé, reunindo memórias e depoimentos sobre sua contribuição para a arte e para a presença negra nas telas e nos palcos. Disponível no Globoplay.
Foto: Globo/Raphael Dias
Diálogos com Ruth de Souza
O documentário revisita a história de uma das maiores atrizes brasileiras, cujo trabalho marcou profundamente a cultura negra no Brasil. Dirigido por Juliana Vicente, o filme apresenta Ruth de Souza como uma pioneira cuja carreira influenciou gerações e ampliou a presença de mulheres negras na dramaturgia brasileira. Disponível na Netflix.
Foto: Divulgação
Clementina
A produção acompanha a força artística de Clementina de Jesus, cantora essencial para a música brasileira e para a valorização das raízes afro-brasileiras. O documentário percorre canções e passagens da história de Clementina, destacando sua voz singular e o vínculo profundo entre seu repertório e a ancestralidade negra. Disponível no Prime Video.
Foto: Divulgação/Festival do Rio
Eu Sou Nair Jane – A Luta das Trabalhadoras Domésticas
O filme recupera a história de uma liderança fundamental na organização política das trabalhadoras domésticas no Brasil, abordando a trajetória de Nair Jane como símbolo da resistência de mulheres negras que enfrentaram exploração e desigualdade para reivindicar direitos e dignidade no trabalho. Disponível na Cultne.
Foto: Divulgação
Nós, Mulheres Pretas, Raízes de Luta e Resistência
A partir de um encontro entre trabalhadoras negras dos serviços de proteção especial de Ermelino Matarazzo e Ponte Rasa, o documentário reúne relatos que preservam memórias, reafirmam a ancestralidade e revelam a força de mulheres que transformam seus territórios por meio do cuidado, da resistência e da luta por justiça social. Disponível no Ubuplay e YouTube.
Crédito: Reprodução/YouTube
Narrativas Negras Não Contadas: Meu Nome é Tiana
O episódio especial da série da HBO Max homenageia Tiana, uma travesti mineira de 92 anos, devota tanto à fé católica quanto à comunidade LGBTQIAPN+. Ela é reconhecida como a travesti mais idosa do Brasil. O documentário está disponível na HBO Max e no YouTube.
O empresário e fundador do grupo, Mathew Knowles, revelou à Page Six Radio, da SiriusXM, que o projeto trará faixas nunca lançadas e uma colaboração com Missy Elliott.
Os fãs do Destiny’s Child podem esperar novidades nas próximas semanas. Mathew Knowles, empresário responsável pela formação do grupo e detentor dos direitos sobre sua marca e catálogo, confirmou que um novo projeto com remixes e faixas inéditas será lançado dentro de 30 dias.
A revelação foi feita durante entrevista ao programa Page Six Radio, da SiriusXM, exibida na última quarta-feira (22), quando Knowles adiantou que o material reunirá músicas nunca disponibilizadas ao público, além de novas versões de sucessos da trajetória do trio.
“Estamos prestes a lançar uma série de novos remixes, alguns que vocês nunca ouviram antes. Temos faixas que nunca foram lançadas e vamos disponibilizá-las em breve. Há rappers convidados, mas são as garotas nas músicas. Temos misturas de dance e outras mais voltadas ao R&B”, afirmou Mathew Knowles em entrevista ao Page Six Radio, da SiriusXM.
Durante a conversa, o empresário também revelou um dos nomes envolvidos no projeto. Sem entrar em muitos detalhes, confirmou a participação de Missy Elliott em uma das faixas antes de interromper o assunto.
“Missy Elliott está em uma delas… Ah, vou parar por aqui”, disse, também durante a entrevista ao Page Six Radio.
Segundo Knowles, o lançamento faz parte das celebrações pelos 30 anos do Destiny’s Child e utiliza gravações já existentes no acervo do grupo. Por esse motivo, o projeto não depende de novas sessões em estúdio com Beyoncé, Kelly Rowland e Michelle Williams.
Formado em Houston, na década de 1990, o Destiny’s Child tornou-se um dos grupos femininos mais influentes da música contemporânea, com sucessos como “Say My Name”, “Bills, Bills, Bills” e “Survivor”. A formação definitiva, composta por Beyoncé, Kelly Rowland e Michelle Williams, encerrou oficialmente suas atividades em 2005, quando as integrantes passaram a se dedicar às carreiras solo.
Mathew Knowles permanece como proprietário da marca registrada e do catálogo do Destiny’s Child, o que lhe garante respaldo para administrar relançamentos, projetos comemorativos e materiais inéditos vinculados ao grupo.
Embora a data oficial ainda não tenha sido anunciada, a expectativa é que o projeto chegue às plataformas digitais até o fim de agosto, conforme o prazo informado pelo empresário.
Toda receita carrega uma história. Antes de virar prato na mesa, o acarajé, o caruru e tantas outras iguarias passaram por gerações de mãos negras que preservaram, adaptaram e transmitiram saberes vindos da África e recriados na Bahia. O desafio de sempre foi um só: como garantir que essas histórias não se percam. É a esse desafio que responde o Guia da Culinária Afro-Baiana, app e site que reúnem 31 pratos, suas histórias e receitas, colocando o patrimônio alimentar afro-baiano na palma da mão de quem quiser cozinhar, aprender e transmitir adiante.
A proposta é simples e potente: usar a tecnologia como ferramenta de salvaguarda. Em linguagem acessível, o guia apresenta a origem e o modo de preparo de cada prato, mostra como a contribuição afrodiaspórica vai muito além dos ingredientes e inclui técnicas, transformações de receitas e o cardápio ritual das religiões de matriz africana, e ainda indica restaurantes em Salvador onde experimentar cada iguaria. Não é um cardápio congelado, mas um inventário vivo, ao mesmo tempo afetivo e técnico, que aproxima a cozinha de terreiro e de boteco do público que nunca chegou até ela.
Selecionar apenas 31 pratos foi, por si só, um recorte de resistência. A escolha priorizou as comidas mais emblemáticas e, principalmente, aquelas ameaçadas de desaparecer. Para dar corpo ao projeto, uma equipe de pesquisadores reuniu bibliografia e pesquisa de campo sobre a história e o preparo de cada receita, e os 31 pratos e seus ingredientes foram ilustrados pelos artistas Davi Barreto e Bruno Moncorvo, num encontro entre a palavra escrita e a imagem que dá dignidade visual a essa cozinha.
Por trás da iniciativa está o trabalho de Vagner Rocha, o Dr. Dendê, pesquisador e doutor em estudos étnicos e africanos que há mais de 15 anos investiga as relações entre comida, religião e cultura na Bahia. O guia nasceu das memórias afetivas da comida da sua mãe e de outras mulheres da família, aquele carinho, cuidado e aconchego que a comida desperta em qualquer pessoa. “Ao revelar as histórias, transformações e receitas de tantos pratos, o Guia pretende mostrar como a contribuição afrodiaspórica não se restringe aos ingredientes, mas inclui também técnicas de preparo, modificações de receitas e adequação do cardápio ritual das religiões de matriz africana”, explica.
Vagner Rocha, o Dr. Dendê
O guia integra um projeto maior que une pesquisa histórica e comunicação contemporânea para difundir o patrimônio alimentar baiano, do qual o podcast Viagem Gastronômica com Dr. Dendê é o carro-chefe, com três temporadas nos principais streamings e temas que passam pelos carurus de São Cosme e Damião, pelos usos rituais do azeite de dendê e pelo afroempreendedorismo de mulheres negras à frente de restaurantes e botecos nos bairros populares de Salvador. Colocar tudo isso no ar, em formato de app e site, é reafirmar que ancestralidade e tecnologia não se opõem: quando a técnica está a serviço da memória, ela vira mais um instrumento de axé.
O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura e execução do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura.
Serviço
Guia da Culinária Afro-Baiana
Como baixar: disponível no Google Play e na App Store, buscando por Dr. Dendê
Site: viagemcomdrdende.com.br
Instagram: @guiadaculinaria.afrobaiana e @dr_dende
Programação gratuita acontece neste sábado (25), no Jabaquara, com atividades sobre saúde mental, cuidado, saberes de mulheres negras, e música.
O Centro de Culturas Negras Mãe Sylvia de Oxalá celebra 46 anos de história neste sábado (25), com uma programação gratuita no Jabaquara, Zona Sul de São Paulo. As atividades incluem oficina, palestra, roda de conversa e apresentações musicais.
A celebração está marcada para começar às 10h, enquanto a primeira atividade anunciada será realizada às 11h. A oficina “Conexão Natureza, Ancestralidade e Saúde Mental”, conduzida por Leila Rocha, abre a programação dedicada ao público.
Ao meio-dia, a psicóloga Kelen Cristina de Jesus apresenta a palestra “Raízes que Florescem: Mulheridades Negras e Tecnologias de Cuidado”. A atividade aborda práticas de cuidado e saúde mental construídas a partir das experiências de mulheres negras.
Às 13h, Ariane Neves, Daniela Trindade e Yalorixá Lurdinha participam da roda de conversa “Mulheres Sábias: Guardiãs dos Saberes e dos Territórios”. A mediação será realizada pela produtora cultural e poeta Valéria Motta.
A programação artística começa às 15h30, com a apresentação do Maracatu Ilê Aláfia, e às 17h, o público participa do tradicional parabéns pelos 46 anos do centro cultural.
O encerramento acontece às 18h com o show “Postais de Odara”. A apresentação utiliza gêneros como o rap, R&B e trap para abordar temas como amor, pertencimento, resistência e experiências LGBTQIAPN+.
Referência para a cultura afro-brasileira em São Paulo
Inaugurado em 12 de julho de 1980, o então Centro Cultural do Jabaquara foi criado como um núcleo de atividades culturais integradas. O complexo reunia uma casa de cultura, um teatro e duas bibliotecas.
O equipamento se tornou o primeiro centro cultural da cidade dedicado à promoção da cultura afro-brasileira. Atualmente, sua programação é construída com participação e protagonismo da comunidade negra.
O espaço integra um complexo que também abriga a Casa Histórica do Sítio da Ressaca, patrimônio tombado pelo município, e uma área verde de aproximadamente 11 mil metros quadrados.
Desde 2018, o centro cultural leva o nome de Mãe Sylvia de Oxalá, iyalorixá e liderança do movimento negro reconhecida pela atuação no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa, além do trabalho de preservação da memória e das tradições afro-brasileiras.
Serviço
46 anos do Centro de Culturas Negras Mãe Sylvia de Oxalá
Data: sábado, 25 de julho Horário geral: a partir das 10h Local: Rua Arsênio Tavolieri, 45, Jabaquara, São Paulo Entrada: gratuita
Programação:
11h — Oficina “Conexão Natureza, Ancestralidade e Saúde Mental”
12h — Palestra “Raízes que Florescem: Mulheridades Negras e Tecnologias de Cuidado”
13h — Roda de conversa “Mulheres Sábias: Guardiãs dos Saberes e dos Territórios”
Diretora jurídica da companhia há mais de duas décadas, ela defende que olhar para o outro e dar luz a novos talentos faz parte do trabalho de quem lidera.
Esta é a primeira entrevista da série Carreiras Negras, parceria inédita entre o Mundo Negro e a Natura. A cada mês, a série apresenta lideranças negras que fizeram carreira dentro da companhia e investiga uma questão pouco explorada: o que leva um profissional negro a permanecer e crescer em cargos de decisão. A proposta é oferecer um contraponto documentado à ideia, ainda corrente, de que grandes empresas são ambientes intransponíveis para pessoas negras. A série começa com Kássia Reis, diretora jurídica da Natura.
Kássia Reis, diretora jurídica da Natura (Foto: Divulgação)
Kássia está na empresa desde janeiro de 2000. Entrou no departamento jurídico ainda no quarto ano da faculdade de Direito e passou por diferentes posições e especialidades até chegar à diretoria. Especialista em Direito Empresarial com ênfase em tributação, resume o próprio estilo de gestão em uma frase: “Minha atuação só é efetiva quando enalteço pessoas com talento, principalmente as pessoas negras.” É uma resposta prática a uma pergunta que ainda soa contraditória no meio corporativo: dá para exercer o acolhimento na alta liderança?
A convicção tem raízes na infância. Kássia é a caçula de quatro filhos de uma mãe que assumiu sozinha o comando de casa após a morte do pai, aos 48 anos. Ela tinha 13. A família era de origem modesta, e os filhos trabalhavam para ajudar nas despesas. “As escolhas eram mais limitadas”, lembra. Antes do primeiro registro em carteira, aos 16, ela jogou basquete e fez salgados para a lanchonete da mãe. Dos pais, de pouca instrução formal, diz ter herdado o “cuidado coletivo” e a generosidade que hoje transporta para a gestão.
Com formação técnica em contabilidade e o objetivo, desde cedo, de advogar, uniu as duas áreas. A ida da contabilidade para o jurídico de uma indústria foi uma decisão tomada ainda na graduação. Deu certo, e a permanência na Natura se estendeu por mais de vinte anos. Questionada sobre o que a manteve na empresa e em crescimento, aponta o sentido que dá ao trabalho. “O que me encanta e me move é a certeza de que posso fazer muito pelo outro”, diz. “É como se eu estivesse no mundo para ajudar quem precisa de mim.”
Esse olhar para o outro orienta também o modo como conduz as equipes. “Sempre busquei identificar o brilho [nas pessoas] e somá-lo”, afirma. Diz valorizar quem a estimula a expandir a capacidade de “criar pontes”, expressão que usa para descrever o que considera o melhor de uma liderança: aproximar pessoas e abrir caminho. É aí que, para ela, acolhimento e liderança deixam de ser opostos e passam a se sustentar.
Preparar quem vem depois é parte do que Kássia entende como sua função atual. Ela descreve a formação de novos profissionais como uma forma concreta de sucessão. “A forma mais efetiva do meu trabalho é dar luz às pessoas talentosas, principalmente as pessoas negras”, afirma. Trabalha, segundo ela, para que outros vejam ali a possibilidade de ocupar espaços antes restritos.
Ela credita parte da própria trajetória ao apoio de pessoas que chama de “anjos”, e diz manter até hoje uma rede de trocas com amigas e colegas. “Tenho a felicidade de nunca me sentir só, porque sempre tive humanos maravilhosos no meu caminho.”
A uma jovem que considere a diretoria de uma grande empresa um objetivo fora de alcance, responde de forma direta: “Jamais acreditem que não são capazes. Tudo que é para ser nosso será. Só confiar e trabalhar duro.”
Em 2025, a Natura atingiu o marco histórico de 40% de pessoas negras em seu quadro geral de colaboradores, cumprindo seu compromisso público. No mesmo período, a companhia dobrou o número de pessoas negras em posições gerenciais, resultado de iniciativas de inclusão, e registrou 0% de saídas voluntárias de talentos negros em cargos de gerência durante o ano, evidenciando a criação de um ambiente de alto pertencimento e segurança psicológica.
A entrevista integra o Julho das Pretas, mês que carrega o 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Kássia diz ter passado a olhar a data com mais atenção nos últimos anos e, a partir dessa consciência, foi “construindo espaço para ajudar mais e mais pessoas, oferecendo apoio, criando condições e ampliando oportunidades”. É esse movimento que resume o que quer deixar: “Meu legado é ampliar a consciência e a ação para que a sociedade crie mais oportunidades e espaços para todos.”
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