Os fãs da Beyoncé podem comemorar, os visuais estão chegando. No último show da turnê Renaissance World Tour, que aconteceu neste domingo (01), Beyoncé anunciou o filme “Renaissance: A Film by Beyoncé”, baseado no último álbum e na turnê. O filme será lançado oficialmente no dia 01 de dezembro em colaboração com a Parkwood Entertainment e a AMC.
“Cuidado com o que pede, porque eu talvez obedeça”, escreveu Beyoncé na legenda do trailer em seu Instagram divulgado na madrugada desta segunda-feira (02). Segundo as informações da Variety, o filme terá “um escopo ambicioso” e vai contar com bastidores da turnê e os tão aguardados visuais do álbum lançado em 2022. O filme também terá um formato documentário com relatos da gravação do álbum e produção da turnê.
“Quando estou me apresentando, não sou nada além de livre”, diz Beyoncé em um trecho do trailer. “Meu objetivo para esta turnê era criar um lugar onde todos fossem livres e ninguém fosse julgado.”
Neste final de semana, a Variety também divulgou com exclusividade que a Parkwood Entertainment, empresa da Beyoncé, estava fechando negócios com a AMC para levar o filme para as telonas. Segundo as informações, o acordo fechado com a empresa é semelhante ao da Taylor Swift, que também vai lançar o filme “The Eras” baseado na sua turnê. Taylor autofinanciou seu filme e receberá mais de 50% da bilheteria.
Por coincidência (ou não), o filme Renaissance será lançado oficialmente nos EUA no dia 1 de dezembro, Dia Mundial do Combate a AIDS. Seu tio Johnny, a quem ela dedicou seu álbum, morreu por complicações do HIV.
A atriz Kerry Washington está contando detalhes de sua trajetória pessoal e profissional novo livro intitulado “Thicker Than Water”. A estrela de “Scandal” falou sobre os motivos que a levaram a não interpretar mais “a melhor amiga da garota branca” em filmes depois de viver a personagem Renee, no filme “Against the Ropes”, de 2004. No longa, a personagem de Washington era melhor amiga da protagonista, vivida por Meg Ryan.
Meg Ryan e Kerry Washington em “Thicker Than Water” – Foto: Reprodução
A atriz de 46 anos fazia o papel da colega de trabalho e confidente da protagonista branca. Ela escreveu em seu livro: “Isso estava se tornando um novo nicho para mim, o melhor amigo da garota branca”. Antes do filme, ela já havia interpretado a melhor amiga de uma protagonista branca duas vezes, em “No Balanço do Amor”, de 2001, protagonizado por Sean Patrick Thomas e Julia Stiles, e no piloto não lançado de um drama cômico da Fox chamado “Wonderfalls”.
Kerry Washington queria que seu papel em “Against The Ropes” fosse a última vez que ela fizesse um papel dentro do estereótipo porque sentiu que tinha ‘atingido o ápice’ como “a melhor amiga da garota branca”.
Ela ainda afirma em seu livro: “‘Harry e Sally: feitos um para o outro’ ainda é, até hoje, um dos meus três filmes favoritos de todos os tempos, então, depois de interpretar a melhor amiga de Meg Ryan, interpretar o papel com qualquer outra pessoa teria sido uma mudança lateral. Não é que eu queria ser a estrela do filme; eu queria que meus personagens tivessem sua própria história. Eu não queria ser um acessório na jornada de uma mulher branca.”, destacou.
Com 56 shows agendados pela Europa e América do Norte, chega ao fim neste domingo (1) a turnê ‘Renaissance’, de Beyoncé. Quebrando recordes, estima-se que o espetáculo tenha arrecadado mais de U$ 560 milhões, se tornando a maior turnê negra de todos os tempos. Celebrando a negritude, a cultura ballroom e a diversidade LGBTQIA+, Beyoncé conquistou milhões de fãs com seu espetáculo fashion, carregado de sucessos como ‘Break My Soul’, ‘Alien Superstar’, ‘Cuff It’ até as canções mais antigas como ‘Drunk In Love’ ou ‘Crazy In Love’.
Foto: Reprodução
Claro que não é fácil apresentar uma turnê com a proporção da ‘Renaissance’, mas muitos fãs ainda acreditam na possibilidade de uma nova leva de shows da cantora, que há anos não realiza espetáculos na América Latina ou na África. A última passagem pelo Brasil foi em 2013, durante a ‘Mrs. Carter Tour’. Ainda não está claro quais serão os próximos passos de Beyoncé. De acordo com o jornalista José Norberto Flesch, famoso por dar furos de shows internacionais, a cantora continua com datas marcadas para o Brasil em 2024, mas até o momento nenhuma confirmação foi feita.
É possível que Beyoncé realize uma terceira leva de shows incluindo a América Latina, Oceania e Ásia, mas a cantora não deu nenhum indício de que isso irá acontecer. O próprio projeto ‘Renaissance’ possui outros atos, conforme anunciado pela artista em 2022. Mas vale lembrar que a ‘Formation Tour’, de 2016, também incluiu apenas shows na Europa e América do Norte.
Por enquanto, parece que o Brasil vai esperar um pouco mais para ver a Beyoncé…
Você se dá bem com sua sogra? E se vocês estivessem presos em uma ilha deserta? Essa é a proposta do ‘Ilhados com a Sogra’, novo reality da Netflix que estreia no dia 09 de outubro.
Em mais uma aposta de reality brasileiro, em “Ilhados com a Sogra” a Netflix reúne seis casais que disputam em diversas provas para conquistar R$ 500 mil, mas com um porém, uma pessoa da dupla vai enfrentar as provas com a sua sogra.
Entre os casais concorrentes, estão Thyago Cesar, influencer, e sua esposa Mayara Tenório, atriz. Thy vai precisar sobreviver aos conflitos com sua sogra, Severina Tenorio que é compositora. Segundo um trecho do trailer, o clima entre eles vai esquentar.
Além da família de Thy, temos também a família de Rogéria Castro, que vai ter que sobreviver aos embates com sua nora, Thais Castro, esposa de Rodrigo Castro. Além do programa, Rodrigo e Thais falam sobre sexualidade em @oscastroos.
Quem é que não ama um doce, imagina feito por quem ama o que faz?
Giovanna Oliveira sempre teve o sonho de ser confeiteira e após longos anos de experiências decidiu tirar seu sonho do papel e criar seu próprio empreendimento, o @vidadocebygi.
Aos 19 anos, Giovanna decidiu ir atrás do seu objetivo e foi estudar gastronomia na Califórnia. Ela passou por uma das mais renomadas universidades do ramo da gastronomia, Le Cordon Bleu, e teve a oportunidade adquirir conhecimento em restaurantes clássicos e premiados.
Hoje ela está de volta ao Brasil como Chef Pâtissier, especializada em doces finos e artísticos para eventos, e vive em São Paulo. “Procuro trazer toda criatividade adquirida ao longo dos anos para as minhas criações.”
Sua especialidade são o bombom de pistache com amora e o bombom Jack Daniels Honey com folhas de ouro 24k.
Por Shenia Karlsson, Psicóloga clínica, Co-Fundadora do Papo Preta.
Nos últimos anos, as mudanças sociais vieram com tanta força que ser negro deixou de ser um adjetivo e passou a ser uma condição, uma existência, uma autodeterminação. Nos Estados Unidos por exemplo, NEGRO é escrito com letras maiúsculas, ressaltando o respeito por aqueles que nos antecederam nas lutas contra o racismo. É comum ver pessoas negras baterem a mão no peito com orgulho, com sentimento de pertença e afirmando tal identidade. SOU NEGRO/A/E.
Diante destes fenômenos, é possível observar algumas mudanças nos mais variados processos de construção de identidade(s), principalmente a construção das identidades negras, sim, no plural porque são múltiplas. Como o processo de construção de identidade é dinâmico e fluido, discutir identidade negra e como ela foi forjada historicamente requer considerar a reconstrução desta identidade tão importante para o povo negro em diáspora, especialmente no Brasil.
A identidade negra diz respeito a localizar-se socialmente como sujeito e tem um caráter político, como salienta Stuart Hall e Paul Gilroy em suas obras. No entanto, num mundo Ocidental onde somos induzidos a validar a identidade branca como ponto de partida, como explicita Neusa Santos Souza, tornar-se negro é uma tarefa que ultrapassa a esfera do discurso. Então, como podemos nos certificar que os nossos processos de construção de identidade(s) negra esteja realmente livre das amarras do mito negro?
Este artigo propõe discorrer sobre como a clínica psicológica voltada para negros pode auxiliar na reflexão de alguns caminhos possíveis na re-construção da identidade negra como condição do ser e garantia mínima de saúde mental. A autora Neusa Santos Souza e Fanon aponta em suas obras que na verdade não somos negros, pelo menos internamente, e sim devemos nos tornar negros a partir de uma disponibilidade interna que surge de uma necessidade existencial e um diálogo crítico com nosso contexto social. Dito isto, tornar-se negro é tornar-se sujeito negro numa sociedade em que negros já nascem assujeitados.
Especialmente nos últimos anos, a Psicologia movimentou-se no sentido de preencher uma enorme lacuna ética: a exclusão da discussão do sujeito negro na clínica psicológica e nas práticas de cuidado. No que diz respeito aos estudos de raça e racismo, foi necessário uma corrida contra o tempo para repensar as práticas e, minimamente garantir que o racismo e a discriminação racial fossem finalmente reconhecidos como fatores de adoecimento.
As críticas tornaram-se severas – especialmente sobre profissionais de saúde que perpetuavam as mesmas violências no setting terapêutico – e a população negra passou a cobrar um atendimento de qualidade e focado em suas peculiaridades. Entretanto, ainda não estabelecemos um fazer psicológico modelo, o que possuímos são caminhos possíveis onde as premissas seriam o compromisso ético-político nos espaços de cuidado, estudos e pesquisas sobre essa temática em específico e a disseminação das informações a fim de implementar as mudanças necessárias nas lógicas do mercado do cuidado. Mas, como a Psicologia pode auxiliar no processo da construção da identidade negra na clínica psicológica? Como criar espaços para que surja o sujeito negro em sua plenitude? Grada Kilomba cita Bell Hooks em sua obra ‘Memórias da Plantação’ para discorrer sobre o conceito de sujeito e diz que “só eles têm o direito de definir a sua própria realidade, de estabelecer suas próprias identidades, de nomear a sua história”. O sujeito negro surge a partir do protagonismo de sua própria trajetória.
Contudo, como é possível esse devir negro partindo do princípio que em sociedades racistas o negro é sequestrado pelo desejo do sujeito universal e se perde em seu real desejo e essência? Mais uma vez Grada destaca que diante da conscientização emerge um “duplo desejo: o de nos nos opormos a esse lugar de alteridade e o de nos reinventarmos”. Nesse sentido, penso a clínica psicológica como um espaço de segurança em que o sujeito negro tenha legitimidade de surgir visto que o meu compromisso como terapeuta seria fornecer um lugar de plena segurança, sem interdições ou retaliações, onde emoções antes interditas possam circular e ser acolhidas com humanidade. É bem verdade que essa tarefa não é fácil, entretanto, a cada dia pessoas negras procuram profissionais de psicologia treinados para uma escuta ativa, profissionais com os quais possam não só se identificar mas sensíveis às suas vivências.
Como eu tenho conduzido minha prática? Como psicóloga clínica percebo que o processo da (re)construção da identidade negra ultrapassa o quesito melanina e aprofunda questões existenciais em que num dado momento o sujeito possa vir questionar todo o seu histórico, alianças, pactos coletivos, afetos, parcerias e induz o sujeito negro a uma espécie de luto do sujeito branco. Durante esse processo, é comum perpassar por fases de alienação, negação, suspeição, raiva, rejeição ao mundo branco até alcançar um estado ideal de consciência negra após uma etapa que eu nomeio como descolonização afetos.
Vale ressaltar que é inevitável o emergir de um sujeito negro político – uma identidade negra política – devido às transformações que ocorrem durante esse desvendar do ser. Como é um caminho doloroso e sem volta, geralmente é possível finalmente entrar em contato com o real desejo e viver de forma que faça mais sentido. Embora a clínica tende a tratar o individual, esse fazer clínico sempre pensa o devir negro no sentido coletivo pois a revolução é coletiva e se faz em todos os espaços. Deixo uma frase minha: “Se o corpo é político, a saúde mental também é”.
A violência racial é um dos motivos que causam tanto sofrimento psíquico em pessoas negras. Mas como racializar essa discussão ao se referir à saúde mental?
Em entrevista ao Mundo Negro, opsicanalista Lucas Mendes revela o conceito originário de Banzo, que ainda acomete a população negra na diáspora africana, mas é um tema pouco abordado, mesmo durante a campanha do Setembro Amarelo.
“Banzo é um estado emocional de tristeza, desânimo, desesperança, que o preto escravizado usava para descrever esse sentimento. Por estar longe da sua terra natal, por estar longe da África, longe da sua família e da sua tribo. Além de ser explorado, violentado, cansado fisicamente e emocionalmente”, explica o psicanalista.
Mesmo com o fim da escravidão, as marcas desse sofrimento continuam profundas. “As pessoas pretas de hoje, especialmente as do Brasil, tem um banzo introjetado. A cultura se atualizou e continua explorando a gente da mesma forma […] o banzo pega quase que um atalho no entendimento da angústia e do sofrimento do preto”, diz Lucas, um estudioso de psicanálise e relações raciais no Brasil.
Lucas Mendes (Foto: Divulgação)
Leia a entrevista completa abaixo:
Qual o conceito de Banzo? E qual a ligação do banzo com os africanos escravizados?
Banzo é um estado emocional de tristeza, desânimo, desesperança, que o preto escravizado usava para descrever esse sentimento. Por estar longe da sua terra natal, por estar longe da África, longe da sua família e da sua tribo. Porque não é só a África [em si], era da sua matriz, da sua região, das suas pessoas, de tudo, além de ser explorado, violentado, cansado fisicamente e emocionalmente. Esse estado de cansaço, tristeza, desesperança, que é a atonia. Essa falta de movimento com a própria vida, chamava de banzo.
Banzo, quando você vai ouvindo a definição, se parece muito com a definição do estado depressivo melancólico, e aí tem uma especificação que é importantíssima, pois é um estado emocional complexo que carrega muitas coisas: desesperança, culpa, falta de energia, falta de motivação, déficit de autocuidado, um olhar negativo para si e um olhar negativo para tudo que se refere a si no mundo. Eles se parecem muito.
Depressão é uma condição orgânica que carrega esses quesitos por uma falta de energia cerebral que a consequência, é um estado depressivo, que pode vir por exemplo, de um luto, de um adoecimento por violências físicas, sexuais, e outras diversas. A duração e a falta de autonomia que a pessoa tem em relação ao estado depressivo que é o problema. Quando se torna permanente, independente dele ser orgânico ou não, é um problema. Banzo se encaixa muito bem em depressão ou em um estado depressivo.
Banzo foi, na verdade, um termo originalmente criado pelos negros escravizados e que foi apropriado à linguagem coloquial brasileira e ficou ao longo do tempo. As leituras, por exemplo, de como o racismo criou o Brasil fala sobre isso, de que esse termo era usado, e os brancos que se apropriavam e os escravizadores foram ouvindo e reproduzindo ‘o negro está com Banzo’, e o termo ficou.
Lucas Mendes (Foto: Divulgação)
Ainda hoje, podemos dizer que os negros na diáspora tem uma ligação com esse mesmo sentimento?
100 % dá pra dizer que as pessoas pretas de hoje, especialmente as do Brasil, que é o que eu estudo, psicanálise e relações raciais no Brasil tem um banzo introjetado. A cultura se atualizou e continua explorando a gente da mesma forma, porque o capitalismo é essencialmente racista. Não sou eu que estou dizendo isso, o Silvio Almeida [no livro] ‘Racismo Estrutural’, e inúmeros outros autores que se debruçaram sobre isso, que o capitalismo só existe se ele tiver alguém para ser explorado, e neste caso, o Brasil, o preto, a preta. É um sistema de escravização, muito mais sofisticado, subjetivo e elaborado, mas continua sendo um sistema de escravização.
Ele deturpa a identidade, tira a herança do eu, então o racismo faz isso. Existe uma segunda etapa que é o ideal preto, que também não é identidade por si só, porque também entra numa ideia de união do negro, que é horrível, que é como ‘somos todos de África, então somos todos iguais’. Não, porque lá não são todos iguais, porque são ‘N’ povos, culturas, diversidades coletivas e individuais. Esse borramento dessas individualidades, faz com que a pessoa perca a identidade. Uma vez que você perde o eu, você fica desesperançoso de si em relação ao mundo. Tem um sistema de exploração objetivo, trabalho e subjetivo do negro, que faz com que perca energia e que tenha sentimentos de culpa, pois a cultura responsabiliza o preto por tudo o que acontece, mesmo sem ter polícia à prova disso.
Então essa combinação toda, completamente, sim, está introjetada na nossa cabeça e o banzo é um sentimento comum. O banzo tira a energia vital que poderia fazer com que o negro se insurgisse contra aquele sistema escravocrata. E uma das fontes de energia que o banzo priva é a raiva, porque ela fica voltada para dentro, é tudo contra mim: ‘eu sou o problema’, ‘eu não gosto de mim’, ‘eu me odeio’, ‘eu estou causando mal’, ‘eu estou fazendo errado’. Então essa raiva toda que poderia ser fonte de energia para solução individual ou coletiva, para sair daquele problema, ele fica privado, porque a raiva está voltada para dentro.
Tem um lugar que é muito perverso, que eu vejo muito, que é o preto ou a preta que ascende e, ao ter sucesso, ele entra em banzo. Ele não estava antes, porque, na verdade, existem locais onde a identidade deste preto ou preta é preservado, mas, no sistema mais amplo, capitalista, esse lugar é periférico, ele é periferizado. Quando aquela pessoa sai daquilo, se instala o banzo, e aí, opa, que porra é essa? Pois é, é essa herança que ficou lá dentro, esse banzo ainda existe dentro da gente e, quando a gente eventualmente vai ocupar a totalidade, eu não estou nem falando só de sucesso financeiro, mas em formas de prosperar, o banzo que estava quieto, porque ele não estava entrando em confronto com a identidade parcial, ele se estabelece, porque, quando você pega tudo, ele está lá. Essa ideia psicanalítica do banzo. Frantz Fanon falou muito sobre isso.
Lucas Mendes (Foto: Divulgação)
O Banzo também é importante para se refletir durante as campanhas de Setembro Amarelo? Por quê?
Eu tenho um ranço enorme com Setembro Amarelo porque é deslocar uma discussão que é sobre algo vital, que é a vida, muito complexo e gigantesco, numa discussão muito pequena. Eu particularmente, quase que rejeito uma discussão sobre Setembro Amarelo, porque eu acho quase impossível fazer ela simplificada, assim como eu penso sobre Novembro Negro. É importantíssimo ter e usar aquele espaço, desde que a gente saiba que aquilo é reduzido pra uma discussão racial que é infinitamente maior, só que gera uma falsa satisfação de que já deu um aviso. Se a gente for ter uma discussão sobre a vida, o desejo da morte ou a desistência da vida por sofrimento psíquico, e eu não acho que é viável fazer nenhuma discussão de sofrimento psíquico sem racialização, falou do preto, não tem como não falar do banzo. Eu gosto muito da palavra ‘banzo’ e uso inclusive terapêuticamente falando. O banzo racializa automaticamente. Pega quase que um atalho no entendimento da angústia e do sofrimento do preto. O racismo é sobre a morte. Ou ela é provocada externamente, ou ela é induzida. E aí pode ser por suicídio que é a versão mais drástica, mas em outras formas.
O que é triste quando a gente está falando de saúde mental e, por exemplo, depressão, é que existe uma saída. Mas é que culturalmente se deturpa a coisa e às vezes ela é tida como se não houvesse a saída. Vários sofrimentos psíquicos de violências mais explícitas ou menos, tem saída, mas a cultura mostra como se não tivesse e aí a pessoa se vê num beco sem saída.
Eu vejo que fica um festival de frases bonitas e coisas legais a serem ditas, mas pouco responsável porque a discussão é muito complexa e ela precisa de uma responsabilização tão complexa quanto. A gente tem que discutir o Setembro Amarelo, eu só sou encrencado com a forma como discutem ela. Violência de gênero, de raça, de orientação sexual, de identidade, não discutir isso é superficializar a discussão, porque boa parte do sofrimento psíquico é decorrente dessas violências.
Anielle Franco, ministra do Ministério da Igualdade Racial, está sendo duramente criticada nas redes sociais por ter viajado em um avião da FAB para participar do lançamento da campanha intitulada ‘Com Racismo Não Tem Jogo’, evento com a CBF na cidade de São Paulo, na final da Copa do Brasil. Embora a participação indique o fechamento de uma articulação em torno do combate e denúncias de racismo em ambiente esportivo e o descolamento da Ministra esteja de acordo com o Decreto 10.267/2021, acabou sendo obrigada a demitir uma assessora que fez declarações inadequadas sobre torcedores são-paulinos no final da Copa Brasil.
Esse episódio nos leva a refletir sobre a ascensão de homens e mulheres negros em cargos de ministros e assessores na esfera do Governo Federal como um processo de democratização. Desde a primeira eleição do presidente Lula, a presença de pessoas negras cresceu sensivelmente em postos do primeiro e do segundo escalão em comparação aos governos que o antecederam.
Brasília, nas gestões anteriormente conduzidas pelo presidente Lula, nunca viu tantas pessoas negras em cargos de confiança. A inserção nesses postos de poder é resultado e reflete anos de intensa militância do movimento negro no interior do Partido dos Trabalhadores. Direito e uma conquista que deve sempre ser ressaltada e enaltecida, que inclusive refletiu para a aprovação de leis de cotas nas universidades e, posteriormente, no serviço público, o que amplia o número de servidores públicos negros e a possibilidade de inserção em posições de destaque em cargos de direção.
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Contudo, outro lado dessa presença, é o acachapante racismo e os racistas fazem parte da máquina do Estado. É fantasiosa a ideia de pensar que essas pessoas cederiam os espaços sem criar fatos cotidianos e tentar forçar a ideia de “não lugar” como afirmou certa vez Joel Rufino dos Santos, tornando a vida de pessoas negras nesses espaços ainda mais difícil. E a Administração Pública Federal tem caminhos secretos e ardilosos, que foram cuidadosamente formulados durante muito tempo. Nem tudo que a lei permite é possível ser realizado. Muitas pessoas acreditam na boa fé, na imparcialidade e neutralidade dos servidores públicos. Qualquer ato administrativo é passível de uma sutil e vital negociação.
É preciso se ater a esses passos que devem ser pensados e articulados, o desconhecimento sobre como funciona a administração pública pode ser vital na manutenção do cargo. E tecer essa teia, principalmente para recém-chegados ao poder é imprescindível para não cair de forma mortal e, por vezes serem penalizados. Cometer um erro ao ocupar um cargo de confiança na administração pública pode impactar de forma trágica a sua vida profissional e até pessoal.
A necessidade dos gestores de atender ao conjunto de agendas os coloca em meio ao campo minado que são as diárias e passagens aéreas. Apesar de se tratarem de viagens a trabalho, a legislação está bem mais rigorosa quanto aos deslocamentos que são concedidos aos servidores públicos. Não se pode ignorar que muitos militantes, passam a estar investidos em funções públicas, na ansiedade de atender aos inúmeros pedidos e de reforçar a aproximação com a base política: por vezes, são traídos e pagam um preço de serem acusados de serem desonestos, e de malversação de recursos públicos. Os canais de comunicação, especificamente as redes sociais, são implacáveis e não perdoam qualquer erro cometido por um servidor público. E, se for uma mulher negra, a resposta é cruel.
Anielle Franco não foi a primeira pessoa negra a viver o escrutínio dos seus atos administrativos e políticos, todos os dias. A história de outros ministros negros nunca foi fácil. Foram sempre contestados e tiveram desfechos dramáticos, terríveis e irreversíveis em praticamente todos os casos. Cada pessoa negra que ocupa um cargo na Administração Pública Federal, desde o momento que chega a Brasília, precisa ficar no mínimo atento. Os inimigos não dormem e estão sempre atentos para criar fatos.
O Ministério da Igualdade Racial nunca foi plenamente aceito na Esplanada dos Ministérios e nos governos estaduais, pois a sua simples existência questiona o racismo estrutural do Estado brasileiro.
Denzel Washington protagoniza um dos papéis mais impecáveis como ‘justiceiro’ nos cinemas! Em ‘O Protetor: Capítulo Final’, o ator traz o melhor longa da franquia, além de continuar entregando muito charme para os fãs. Não foge da narrativa dos primeiros filmes da sequência, porém é mais sangrento e com algumas cenas mais leves.
O longa já começa com o Robert McCall matando um grupo de bandidos, o que acaba o levando para Altomonte, na Itália, onde precisa morar por um tempo. O que ele não esperava, era ser tão bem acolhido, fazer novas amizades, e quem sabe, até viver um novo romance. Ele finalmente transparece um pouco de leveza, desde a morte de sua amiga Susan Plummer(Melissa Leo), no filme anterior.
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Determinado a morar neste lugar, próximo dos novos amigos, antes ele precisará enfrentar poderosos mafiosos que controlam a região. McCall, como sempre, não vai parar até acabar com todos os criminosos. Ele quer transformar a cidade em um ambiente seguro para viver nela em paz. E sua sede por justiça, por mais que violenta, não assusta seus novos amigos, já que ele está lutando para protegê-los.
Para combater os mafiosos, McCall se aproxima de Emma Collins, uma agente da CIA interpretada por Dakota Fanning. A dinâmica dos dois deixa um ar de ‘quero mais’, para vê-los mais tempo juntos em cena. Mesmo assim, ela se torna uma personagem muito relevante para o desfecho do filme.
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Diretor dos três longas da fraquia, Antoine Fuqua realizou um ótimo trabalho para que não houvesse nenhuma ponta solta e um final que contemplasse os fãs da franquia. Junto com Denzel, a dupla novamente entregou um bom filme de ação. ‘O Protetor: Capítulo Final’ estreia nos cinemas dia 5 de outubro.
Quase 30 anos após o assassinato de Tupac Shakur, em 1996, novos desdobramentos sobre o caso estão surgindo. Na manhã desta sexta-feira, 29, a polícia norte-americana realizou a prisão de Duane “Keffe D” Davis, ex-membro do South Side Compton Crips, em Las Vegas, nos Estados Unidos, pelo assassinato do rapper, de acordo com informações divulgadas pela Associated Press.
Segundo a agência de notícias, horas depois da prisão de Davis, a promotoria afirmou que ele havia sido acusado de homicídio com uso de arma mortal. Marc DiGiacomo, vice-promotor distrital, afirmou em entrevista que Davis “ordenou a morte” de Tupac e se referiu ao acusado como um “mandante local”.
Já existe uma ligação anterior de Duane Davis com a morte de Tupac. Em 2019, ele fez uma confissão, afirmando que estava no Cadillac de onde partiram os tiros que acertaram o rapper. Apesar disso, o homem disse que seu sobrinho, Orlando Anderson, era o responsável pelos tiros. Davis também escreveu sobre isso em seu livro de memórias, “Compton Street Legend”, publicado em 2019.
Em julho deste ano, a polícia de Las Vegas cumpriu um mandado de busca após voltar a investigar o caso. “O Departamento da Polícia Metropolitana de Las Vegas pode confirmar que um mandado de busca foi cumprido em Henderson, Nevada, em 17 de julho de 2023, como parte da investigação de homicídio em andamento de Tupac Shakur. Não teremos mais comentários neste momento”, disse a polícia em comunicado.
Tupac Shakur foi morto no dia 13 de setembro de 1996, aos 25 anos. O rapper foi atingido em um tiroteio após ter saído de uma alta de boxe em Las Vegas Trip. Ele estava em um BMW.