Luciano Quirino vive grande fase na carreira: vilão em “A Nobreza do Amor”, filme sobre caso Elize Matsunaga e novo espetáculo no teatro

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Luciano Quirino vive grande fase na carreira: vilão em “A Nobreza do Amor”, filme sobre caso Elize Matsunaga e novo espetáculo no teatro
Foto: TV Globo

Entre a televisão, o cinema e os palcos, Luciano Quirino vive um dos momentos mais produtivos da carreira. Na novela das 18h, “A Nobreza do Amor”, o ator dá vida a Pascoal, um perigoso mercenário que chega à trama aplicando um golpe no rei de Batanga e logo se torna o braço direito de Jendal (Lázaro Ramos) nas maldades. Mas a novela é só uma das frentes de um artista que também está no elenco de um filme sobre o caso Elize Matsunaga e prepara o retorno aos palcos no segundo semestre.

Quem acompanha a trama vê em Jendal uma figura ambiciosa, calculista e com sede de poder, vilania compartilhada com a filha, Kênia (Nykolly Fernandes), e agora reforçada por Pascoal. Estratégico, observador e quase silencioso, o personagem chega ao núcleo principal carregando relações tensas, marcadas por manipulações e jogos de interesse.

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“Pascoal é um homem que chega de fora, mas rapidamente entende o jogo de poder daquele reino”, conta o ator. “Ele é extremamente perigoso, não é um vilão impulsivo. Pensa, calcula, articula, e isso o torna ainda mais assustador.” Para compor o personagem, Quirino buscou referências na ficção misturadas a um traço contemporâneo. “Busquei como referência personagens clássicos que operam na sombra, como Iago, de Otelo, e até figuras mais populares como o Jafar, de ‘Aladdin’, já que Pascoal traz esse ar de mistério e seu figurino remete a alguns do clássico vilão de ‘Aladdin’, mas sempre trazendo para uma construção própria, mais humana e brasileira”, explica.

Segundo o ator, dar vida ao mercenário tem sido um exercício de mergulhar em territórios novos. “Tem sido um desafio muito instigante. O Pascoal me provoca a explorar novas camadas como ator, acessar lugares mais sombrios e compreender uma lógica completamente diferente daquilo que eu vinha fazendo até aqui. Fazer um vilão exige que você defenda ideias que, muitas vezes, são moralmente questionáveis, mas o segredo é nunca o julgar. Ele acredita no que faz e a diferença está justamente aí: encontrar a lógica interna daquele comportamento”, afirma.

Por estar no núcleo central da novela, Quirino divide muitas cenas com Lázaro Ramos, parceria que ele define como “muito potente”. “O Lázaro é um ator extremamente generoso, inteligente em cena, e isso eleva o jogo. A gente cria uma dinâmica de tensão e cumplicidade que movimenta a trama”, destaca.

A trama também rendeu um reencontro: o ator volta a contracenar com André Luiz Miranda, com quem trabalhou em “Dona Beja”, da HBO Max. Os dois integram o núcleo da cidade fictícia de Batanga, agora em posições opostas. “Tivemos a oportunidade de contracenar, mas agora em lados opostos, ele como mocinho e eu como vilão. Isso cria uma tensão muito interessante em cena, porque existe uma conexão anterior entre nós, mas dentro da história somos adversários”, detalha.

Em “Dona Beja”, reedição da novela que se popularizou em 1986, Quirino interpreta Mendonça, pai do personagem de André Luiz Miranda. Ele descreve o papel como “um homem de época, porém atravessado por sentimentos muito profundos”, que vive conflitos intensos entre amor, honra e desejo. Para o ator, a nova versão se distingue principalmente na abordagem: “A nova versão traz um olhar mais contemporâneo, mais aprofundado nas relações e nas camadas dos personagens. Há uma escuta mais sensível para temas que hoje são inevitáveis.”

Elenco de Dona Beja – Foto: Reprodução Instagram

Embora admire o trabalho de Jonas Mello, que viveu Mendonça na primeira versão, Luciano optou por não se prender à trama de 86. “Tenho muito respeito pelo trabalho do Jonas Mello, mas optei por não me prender à versão anterior. Preferi construir o meu Mendonça a partir do texto e da direção. Naturalmente, as versões dialogam, mas cada uma tem sua identidade”, comenta. O elenco ainda proporcionou o reencontro com Thalma de Freitas, com quem dividiu cena em “Laços de Família” no início dos anos 2000. “Foi especial. A Thalma é uma atriz de uma sensibilidade enorme. A gente se reencontra com mais maturidade, mais repertório, e isso aparece em cena. Nessa história vivemos um casal, o Mendonça e a Josefa. Tem história ali, tem verdade.”

A boa fase também alcança o cinema. Quirino integra o elenco do filme que reconstitui o caso Elize Matsunaga. “Foi um trabalho delicado. Quando lidamos com histórias reais, existe uma responsabilidade muito grande. Procurei tratar tudo com respeito, sem sensacionalismo, entendendo a complexidade humana envolvida”, diz. Sobre seu personagem, adianta: “É alguém que observa muito mais do que fala, e quando fala, muda o rumo das coisas. Ele chega de forma sutil, mas deixa marcas profundas.”

Nos palcos, presença constante, o ator esteve recentemente no espetáculo sobre os irmãos Timotheo da Costa, experiência que define como “um encontro com a história, com a arte e com a ancestralidade”. Para o segundo semestre, prepara o retorno como o maestro Carlos Gomes em “Maestro Selvagem”, projeto que descreve com “expectativa enorme”.

“Esse é um projeto muito especial pra mim. A ideia é retomar com uma circulação mais ampla, passando por capitais e cidades do interior, ampliando o alcance dessa história”, conclui.

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