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Mundo Negro confirma 5ª edição da PowerList e abre indicações com novidade da autoindicação

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Foto: divulgação

Premiação celebra mulheres negras que mudam histórias e acontece em 31 de julho, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro

A PowerList Mundo Negro chega à sua 5ª edição em 2026 com uma das maiores edições da história do prêmio. A cerimônia acontece no dia 31 de julho, dentro do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro. Esta edição contará com o patrocínio do Grupo L’Oréal, através de seu grupo de afinidade negra AfroSoul, e da TV Globo, que assina a parceria com a marca da novela A Nobreza do Amor.


A cada edição, a PowerList homenageia 10 mulheres negras, uma em cada categoria, escolhidas em duas frentes complementares: 5 categorias por voto popular, em que a comunidade indica e elege as homenageadas, e 5 categorias por curadoria técnica, definidas por um júri especializado convidado pelo Mundo Negro.


A grande novidade desta edição é a possibilidade de autoindicação. Pela primeira vez, mulheres negras poderão se inscrever diretamente em qualquer uma das categorias do voto popular, em um movimento que reforça o protagonismo e o reconhecimento próprio como atos políticos de afirmação.


“Chegamos ao quinto ano do principal evento do Mundo Negro, que tem 27 anos de história. A potência de resistir só acontece pelas parcerias que acreditam nos nossos sonhos, pelas marcas e pela nossa audiência, que nos engaja e nos estimula a sonhar. Com L’Oréal e Globo presentes, podemos sonhar ainda mais alto e fazer do Julho das Pretas uma grande celebração”, afirma Silvia Nascimento, CEO e Head de Conteúdo do Mundo Negro.


AS 10 CATEGORIAS DA POWERLIST 2026
Voto popular e autoindicação:

  • Criadora Digital
  • Empreendedora do Ano
  • Profissional da Beleza
  • Destaque em Gastronomia
  • Profissional da Moda

Curadoria técnica:

  • Ciência, Tecnologia e Inovação
  • Liderança Corporativa
  • Diversidade e Impacto Social
  • Cultura, Artes e Entretenimento
  • Trajetória Transformadora

COMO INDICAR E VOTAR


A votação popular acontece em duas fases, totalmente online, no portal oficial: powerlist.mundonegro.inf.br/votar

  • Fase 1, Indicações abertas: de 12 a 26 de maio de 2026
  • Top 5 por categoria: consolidação entre 27 e 29 de maio
  • Fase 2, Votação do Top 5: de 30 de maio a 22 de junho
  • Contato com as escolhidas (voto popular e júri técnico): de 22 a 30 de junho

Quem optar pela autoindicação responderá a duas perguntas-chave: descrever o trabalho profissional e as conquistas mais impactantes nos últimos 12 a 18 meses, e justificar por que merece estar na PowerList 2026.


QUEM JÁ PASSOU PELA POWERLIST


Em quatro edições, a premiação reconheceu mulheres que hoje são referência em diferentes campos da sociedade brasileira. Pela PowerList já passaram nomes como a deputada federal Erika Hilton (2023), a dermatologista Dra. Katleen Conceição (2022), a fundadora e curadora da Negra Rosa Rosangela Silva (2023), a diretora de Marketing da Globo Samantha Almeida (2024), a empreendedora e comunicadora Bárbara Brito (2024), a especialista em Inclusão e Diversidade na área de Beleza Marcele Gianmarino (2024), a psicóloga social, escritora e ativista, autora de O Pacto da Branquitude, Cida Bento (2025), a cantora Majur (2025) e a cientista Lívia Rodrigues (2025), entre outras trajetórias inspiradoras.


A 5ª edição amplia esse legado e celebra novas mulheres em todas as 10 categorias da premiação.

PATROCÍNIO


A 5ª edição da PowerList Mundo Negro é patrocinada pelo Grupo L’Oréal, através do grupo de afinidade negra AfroSoul, em parceria ampliada após a edição de 2025. A TV Globo estreia como parceira da premiação, assinando com a novela A Nobreza do Amor, das 18h, e patrocinando especificamente a categoria Empreendedora do Ano. (Matérias dedicadas a cada parceria serão publicadas nos próximos dias.)

SOBRE A POWERLIST MUNDO NEGRO


Em sua 5ª edição, a PowerList se consolida como a principal premiação de mulheres negras do Brasil, reunindo votação popular, curadoria técnica independente e cerimônia presencial. Conecta a comunidade negra a marcas e lideranças comprometidas com representatividade, e celebra trajetórias em diferentes áreas da sociedade.


Indicações e votação: powerlist.mundonegro.inf.br/votar C

ontato: powerlist@mundonegro.inf.br

‘Opará Saberes’ chega à 4ª edição com debates sobre educação antimachista e violência de gênero

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Carla Akotirene, idealizadora do Opará Saberes / Foto: divulgação

A 4ª edição do Opará Saberes, projeto idealizado pela pesquisadora e escritora Carla Akotirene, doutora em Estudos Interdisciplinares de Gênero, Mulheres e Feminismo pela UFBA, chega em 2026 com uma proposta ampliada: além de enfrentar as barreiras estruturais que dificultam o acesso de mulheres à pós-graduação, a iniciativa coloca a educação antimachista como estratégia central de combate à violência de gênero e ao feminicídio. As atividades começam no dia 20 de maio e seguem até o dia 26, com inscrições gratuitas e abertas ao público.

A conferência de abertura acontece no dia 20 de maio, às 18h, no auditório do PAF Ondina, na Universidade Federal da Bahia, com o sociólogo Deivison Mendes Faustino, conhecido como Deivison Nkosi, doutor em Sociologia pela UFSCar e autor de obras como “Frantz Fanon: um revolucionário, particularmente negro” e “O colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana”. As inscrições podem ser feitas presencialmente no local, sem custo, e os participantes recebem certificado de participação.

Deivison Nkosi, Renato Noguera e Anderson Eduardo, palestrantes do Opará Saberes 2026. Foto: Divulgação

A escolha da educação antimachista como eixo central responde a um cenário que os pesquisadores envolvidos descrevem como paradoxal e urgente. “Neste ano em que completa dez anos, o projeto retorna com o propósito de promover um amplo debate em torno de uma educação antimachista, ampliando ações também para a educação básica e para adolescentes e jovens sob risco de cooptação por discursos de ódio e pela chamada ‘cultura redpill’, além de atuar na formação de operadores do Direito para qualificar as intervenções com homens autores de violência”, afirma Carla Akotirene.

Nessa mesma direção, o jurista Anderson Eduardo Carvalho de Oliveira, doutor pelo PPGNEIM/UFBA e um dos palestrantes do ciclo, reforça a necessidade de ir além da punição. “Vivemos um momento paradoxal. Temos uma das legislações mais avançadas do mundo, mas os índices de feminicídio seguem crescendo. Isso mostra que não basta punir, é preciso intervir nas estruturas que produzem a violência”, afirma.

Os palestrantes e as datas

Além de Deivison Nkosi, o ciclo de formação conta com o filósofo Renato Noguera, doutor em Filosofia pela UFRJ e autor de “ABC do Amor” e “Porque Amamos”, que se apresenta nos dias 23 e 26 de maio. Anderson Eduardo completa a programação nos dias 25 e 26 de maio, com foco na relação entre masculinidade, violência e na qualificação de operadores do direito que atuam com a Lei Maria da Penha. As aulas acontecem nas sedes do Ministério Público da Bahia, na Avenida Joana Angélica, 1.312, no bairro de Nazaré, e da OAB Bahia, na Rua Portão da Piedade, 16, no bairro da Piedade.

Para além do debate sobre violência de gênero, o Opará Saberes atua diretamente na ampliação do acesso de mulheres negras, trans e quilombolas aos programas de pós-graduação, articulando formação acadêmica, produção de conhecimento e intervenção social.

“Ao integrar educação, justiça e produção de conhecimento, o Opará Saberes reafirma seu compromisso com o enfrentamento estrutural do machismo e com a construção de caminhos concretos para a redução da violência de gênero no Brasil”, defende Carla Akotirene. A professora Márcia Tavares, do PPGNEIM/UFBA, reforça ainda a dimensão afetiva da iniciativa. “O Opará é também espaço de referência, de acolhimento, de troca e de afeto”, afirma.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com o PPGNEIM/UFBA, a OAB Bahia, o Ministério Público da Bahia e o Instituto de Juristas Negras, e prevê expansão para unidades como a Faculdade de Direito, a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas e o Instituto de Psicologia e Serviço Social da UFBA.

Serviço

4ª edição do Opará Saberes: Educação Antimachista

Inscrições gratuitas, presencialmente nos locais de cada atividade.

Certificado de participação garantido.

  • 20 de maio, 18h: Deivison Nkosi, auditório do PAF Ondina, UFBA (Av. Milton Santos, s/nº, Ondina)
  • 23 de maio, 10h: Renato Noguera, auditório do Ministério Público da Bahia (Av. Joana Angélica, 1.312, Nazaré)
  • 25 de maio, 10h: Anderson Eduardo, auditório do Ministério Público da Bahia
  • 26 de maio, 18h: Renato Noguera e Anderson Eduardo, auditório da OAB Bahia (Rua Portão da Piedade, 16, Piedade)



    O evento tem apoio do Instituto Juristas Negras

PowerList Mundo Negro 2026: quem cuida da autoestima da comunidade merece reconhecimento

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Foto: gerada por IA

A PowerList Mundo Negro 2026 abre as indicações para a categoria Profissional da Beleza até 26 de maio, e neste ano, pela primeira vez, quem quiser também pode se autoindicar. A cerimônia da 5ª edição acontece no dia 31 de julho, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro, com patrocínio do Grupo L’Oréal e da TV Globo.

Quem Pode Concorrer

Cabeleireiras, trancistas, maquiadoras, manicures e esteticistas negras com atuação real e presença na vida das suas clientes e comunidades. O setor de beleza é um dos principais caminhos de autonomia econômica para mulheres negras no Brasil, e a PowerList quer colocar esse trabalho no lugar de destaque que ele merece.

O Que Conta na Avaliação

A comunidade vota e define a homenageada, mas a curadoria valida as indicações com base em critérios claros: impacto na comunidade, valorização da identidade e da estética negra, consistência na atuação e geração de renda. Quem se autoindicar descreve o próprio trabalho e as conquistas dos últimos 12 a 18 meses, mostrando por que merece estar na PowerList 2026.

Na edição 2025, Moda e Beleza eram uma categoria única, homenageada por Najara Black pelo voto popular. Em 2026, as duas ganham espaço próprio, um reconhecimento de que cada uma dessas áreas merece seu próprio holofote.

Indique ou se autoindique em: powerlist.mundonegro.inf.br/votar

Prêmio Sim à Igualdade Racial 2026 anuncia vencedores em edição que celebra os dez anos do ID_BR

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Foto: Marden Matos

Prêmio Sim à Igualdade Racial 2026 anuncia vencedores em edição que celebra os dez anos do ID_BR

Em uma edição que marca os dez anos de atuação do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), o Prêmio Sim à Igualdade Racial 2026 anunciou os doze vencedores desta edição, distribuídos entre os pilares Cultura, Educação e Empregabilidade. A cerimônia será transmitida em 24 de maio, pela TV Globo.

No pilar Cultura, o artista visual Dalton Paula foi reconhecido na categoria Arte em Movimento pelo trabalho com o Sertão Negro, espaço de formação e criação que ele coordena em Goiás. A Rádio Nacional dos Povos venceu em Raça em Pauta, Alma Preta Jornalismo levou Destaque Publicitário e a indígena Cunhaporanga foi a vencedora de Influência e Representatividade Digital.

No pilar Educação, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) recebeu o prêmio Educação e Oportunidade. A pesquisadora Bárbara Carine, referência em ensino de ciências com perspectiva afrocentrada, venceu na categoria Intelectualidade. O escritor e ativista Daniel Munduruku foi reconhecido em Inspiração. A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro ficou com a inédita categoria Escolas SIM, voltada para Secretarias de Educação que se tornaram referência.

No pilar Empregabilidade, a executiva Luana Ozemela venceu em Liderança, o restaurante baiano Dendezeiro foi reconhecido em Trajetória Empreendedora, e o Grupo L’Oréal Brasil e a Natura dividiram o prêmio de Comprometimento Racial.

A edição de 2026 traz o conceito Surrealismo Afro-Indígena Brasiliano, que propõe expandir os imaginários sobre o Brasil a partir de suas raízes afro-indígenas. A frase que orienta o tema, “sonhamos o que parece impossível para realizar o que é indispensável”, coloca o sonho como ferramenta de transformação social, ancorada na ancestralidade, na criatividade e na justiça racial.

“Celebrar os 10 anos do ID_BR é reconhecer uma trajetória construída a partir do impacto real na vida das pessoas. Ao longo dessa caminhada, vimos histórias serem transformadas, oportunidades serem ampliadas e novas narrativas ganharem espaço”, afirma Tom Mendes, diretor institucional do ID_BR e diretor geral do prêmio.

Para Luana Génot, CEO e fundadora do ID_BR, a edição comemorativa expressa a maturidade de um projeto que nasceu para abrir caminhos. “Uma década depois, ver tantas histórias, iniciativas e trajetórias reunidas no prêmio mostra a força desse movimento coletivo. O tema deste ano também reforça isso: precisamos imaginar novos futuros para conseguir construir mudanças que antes pareciam impossíveis.”

Desde 2023, o Prêmio Sim à Igualdade Racial já alcançou mais de 70 milhões de pessoas por meio da transmissão na TV Globo e nas redes sociais. A premiação reconheceu 50 marcas e pessoas, contou com a participação de 68 empresas e, segundo o ID_BR, gerou mais de 1.500 empregos ao longo de sua trajetória.

Serviço

Prêmio Sim à Igualdade Racial 2026 Transmissão em 24 de maio, pela TV Globo Realização: Instituto Identidades do Brasil (ID_BR)

PowerList Mundo Negro 2026: sua criadora digital favorita merece esse reconhecimento

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Foto: magnific

A presença de mulheres negras no ambiente digital brasileiro é o que sustenta grande parte da inovação e da estética consumida atualmente, embora essa liderança nem sempre seja refletida nas oportunidades de mercado. Enquanto a criatividade negra dita as conversas mais relevantes, muitas profissionais ainda enfrentam uma realidade de subvalorização, onde propostas de permuta e orçamentos reduzidos tentam limitar o alcance de trajetórias que já provaram sua alta performance.

Diante dessa disparidade entre o impacto gerado e o reconhecimento recebido, a PowerList Mundo Negro 2026 posiciona a categoria Criadora Digital como um espaço estratégico de exaltação e visibilidade necessária. A premiação busca subverter a lógica da invisibilidade ao colocar sob os holofotes as mulheres que, apesar das barreiras comerciais, conseguem transformar suas plataformas em ferramentas de construção de narrativa, impacto social e autoridade intelectual.

Nesse esforço de trazer para o centro quem realmente faz a diferença, a categoria foca em mulheres negras que mantêm uma produção autoral e consistente em redes como Instagram, TikTok, LinkedIn ou YouTube. O reconhecimento abrange tanto as criadoras independentes quanto aquelas que lideram grandes projetos multimídia, desde que o protagonismo negro e a qualidade técnica sejam os pilares de uma atuação que não aceita mais o papel de coadjuvante nas grandes campanhas.

Para garantir que essa homenagem chegue a quem de fato mobiliza a comunidade, o processo de avaliação prioriza a originalidade e a capacidade de educar e informar com uma estética apurada. Valorizamos resultados que demonstrem mudanças reais de percepção e uma construção de comunidade genuína, provando que o conteúdo produzido por mulheres negras é a base da comunicação contemporânea e merece ser tratado com o devido prestígio e profissionalismo.

A celebração dessas conquistas ganha um novo significado nesta edição com a chegada da autoindicação, um movimento que incentiva cada profissional a reconhecer seu próprio valor e reivindicar seu espaço na história da premiação. Ao permitir que a criadora descreva sua trajetória e suas vitórias dos últimos meses, a PowerList abre caminho para que talentos muitas vezes ignorados pelos algoritmos ocupem o palco principal na sede da L’Oréal Brasil, no dia 31 de julho.

O reconhecimento que a nossa trajetória exige

A construção desse novo cenário de valorização depende da mobilização de toda a rede no portal oficial, seja indicando nomes que são referência ou inscrevendo o próprio trabalho para a fase de votação. Esse é o momento de garantir que a excelência das mulheres negras seja celebrada em sua totalidade, transformando o Julho das Pretas em um marco de reconhecimento para quem nunca parou de criar e inspirar.

Faça sua indicação ou autoindicação: powerlist.mundonegro.inf.br/votar

Dia do Chef de Cozinha: Guia Black Chefs, do Mundo Negro, transforma visibilidade em ferramenta de mercado para chefs negros

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Comemorado em 13 de maio, o Dia Nacional do Chef de Cozinha foi instituído pela Associação Brasileira da Alta Gastronomia (ABAGA) em 1999 para reconhecer os profissionais que transformam ingredientes em técnica, memória e liderança. No Brasil, onde pessoas pretas e pardas representam 61% da força de trabalho em bares e restaurantes, segundo levantamento da Abrasel, essa data ganha outra camada de significado: ela escancara o quanto a gastronomia foi construída por mãos negras que historicamente ficaram fora dos holofotes.

É nesse contexto que o Guia Black Chefs, iniciativa do Mundo Negro lançada em 2023, completa quase três anos como uma das principais plataformas de visibilidade da gastronomia negra no país. Mais do que um perfil editorial, o Guia funciona como ferramenta de mercado: de um lado, mapeia chefs, cozinheiros, bartenders, confeiteiros e personal chefs negros de todas as regiões do Brasil; de outro, oferece a quem contrata, seja empresa, evento ou consumidor final, um caminho direto para encontrar esses profissionais.

A proposta nasceu de uma constatação simples e incômoda: existem milhares de profissionais negros excelentes no setor, mas eles raramente aparecem nas listas de “melhores chefs”, nas capas de revista ou nas indicações que circulam quando alguém precisa contratar. O Guia se propôs a corrigir essa rota, transformando o que era invisibilidade em catálogo vivo, atualizado e acessível.

Em quase três anos de operação, o projeto acumulou números e marcos consistentes. São 14 mil seguidores no Instagram, estreia recente no TikTok, dezenas de entrevistas publicadas e mais de 400 conteúdos exclusivos focados em chefs negros, negócios da gastronomia preta e coberturas especiais em datas como Dia das Mães, Páscoa, Semana Santa, Natal e COP30. O Guia também lançou seu primeiro produto editorial: um guia com 100 negócios de empreendedores negros do setor, ampliando o alcance da plataforma para além do digital.

“Nesses quase 3 anos de perfil foram dezenas de entrevistas, mais de 400 conteúdos exclusivos com foco na gastronomia negra, nos chefs, enaltecendo negócios desse ramo durante datas especiais e criamos até nosso primeiro produto, um guia com 100 negócios de empreendedores negros. Estou bem satisfeita, mas sei que ainda há muita gente boa fora do nosso radar”, afirma Silvia Nascimento, jornalista, fundadora do Mundo Negro e idealizadora do Guia Black Chefs.

O impacto do projeto também se mede pelos desdobramentos que ele gerou. Parcerias com plataformas como iFood e TikTok colocaram chefs do Guia em campanhas de alcance nacional e global. A série #IngredientePrincipal, produzida em parceria com TikTok e Guia Black Chefs, levou mais de 20 profissionais para o ar com vídeos sobre ancestralidade afro-brasileira, alimentação saudável, sustentabilidade e zero desperdício. Histórias antes restritas a comunidades específicas passaram a circular para audiências de milhões, e nomes como Joélho Caetano, Mestra Kelma Zenaide, Bianca Oliveira, Iyá Sônia Oliveira e Bruno Manoel ganharam novos públicos e oportunidades.

@sitemundonegro

As canetas emagrecedoras atuam como o hormônio GLP-1, reduzindo a fome e aumentando a saciedade. Mas nem todo mundo tem acesso a esse tratamento. Rafa Bastos (@Rafa Bastos Nutri ) mostra que escolhas simples do dia a dia conseguem estimular efeitos parecidos. Aumente o consumo de vegetais e fibras para ter mais volume e saciedade na refeição. Priorize proteínas acessíveis como ovos, frango, peixe, fígado e moela, que preservam a massa muscular e controlam a fome. Mantenha o combo clássico: arroz, feijão, proteína e vegetal. Evite ficar muitas horas sem comer, pois a fome acumulada aumenta o risco de exagero na próxima refeição. Mexa-se de alguma forma possível na sua rotina. E beba água: às vezes o corpo confunde sede com fome. No fim das contas, são as escolhas diárias que sustentam o emagrecimento, com ou sem caneta. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #Nutrição

♬ som original – MundoNegro

Para além das parcerias com marcas, o Guia também viralizou ao apresentar histórias que comoveram o público: chefs de quilombo, cozinheiras de terreiro, confeiteiros periféricos, profissionais formados em fundo de quintal que hoje assinam cardápios premiados. Ao colocar esses nomes em circulação, o projeto faz o que pouca mídia tradicional faz com consistência: trata o profissional negro da gastronomia como protagonista, não como exceção.

Neste 13 de maio, mais do que celebrar uma data, o Guia Black Chefs renova um compromisso. O de seguir mapeando, entrevistando, recomendando e conectando. Porque visibilidade, no fim, é também ferramenta de geração de renda, e nenhuma celebração do Dia do Chef estará completa enquanto os profissionais negros, que são a maioria do setor, continuarem sendo a minoria nas estantes de livros, nos rankings e nas indicações.

Para conhecer os profissionais e negócios mapeados pelo Guia Black Chefs, siga @guiablackchefs no Instagram e TikTok.

Maternidade e Carreira: as mães talentosas que o mercado perde

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Foto: arquivo pessoal

Por: Márcia Silveira

Existe uma contradição evidente em muitas empresas. Afirmam buscar profissionais com alta adaptabilidade, inteligência emocional, gestão de crise, autonomia, organização e tomada de decisão. No entanto, raramente reconhecem que essas competências são intensamente desenvolvidas na experiência da maternidade — especialmente entre mães solo, atípicas e mulheres que concentram múltiplas responsabilidades.

Quando essas habilidades são adquiridas fora dos ambientes corporativos tradicionais, raramente são reconhecidas como competências estratégicas. Deixam de ser diferencial e passam a ser obrigação implícita. Falar sobre isso é uma questão de inteligência empresarial.

A discussão sobre maternidade e carreira ainda é, em grande parte, conduzida sob uma lógica de conciliação. Entretanto, isso parte de um pressuposto de que as estruturas já estão adequadas e que cabe às mulheres apenas equilibrar. Creio que o ponto central não seja este, mas sim: por que insistimos em um modelo que não contempla a realidade de quem sustenta múltiplas jornadas?

O mercado de trabalho foi estruturado por uma lógica linear de disponibilidade, previsibilidade e dedicação contínua. Na maternidade solo, a situação se agrava. Ela não representa apenas a ausência de um parceiro na criação dos filhos…Implica centralizar responsabilidades financeiras, emocionais, operacionais e decisórias.

Outro ponto é a tendência de associar rede de apoio exclusivamente à família. A carreira e o financeiro organizados também viabilizam acesso a profissionais qualificados, suporte técnico e soluções que ampliam a segurança e o bem-estar da criança. Uma rede de apoio mais estável e imune às instabilidades que por vezes assolam as relações.

Nos últimos anos, vimos avanços na discussão sobre maternidade e carreira, mas essas iniciativas ainda são pontuais frente à complexidade do desafio. Além disso, é essencial desenvolver líderes capazes de aprimorarem o reconhecimento de competências, realidades diversas e de superarem a premissa de que todos partem de condições iguais.

Enquanto essa transformação não ocorre, o mercado perde talentos no pós-maternidade ou deixa as mães longe do potencial de contribuição empresarial que poderiam gerar. A reflexão hoje é: precisamos com urgência investir em caminhos práticos como a flexibilização das formas de trabalho, o diálogo integrado com as redes de apoio e o alinhamento de execução das atividades em cada fase.

Empresas que compreenderem a maternidade como potência de liderança, e não como limitação operacional, estarão mais preparadas para reter talentos, ampliar inovação e construir culturas verdadeiramente sustentáveis.

Negócios negros no Brasil: quando o consumo não sustenta quem produz

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Foto: magnific

Por: Rachel Maia

Os resquícios da Abolição da Escravatura — sem a devida reparação —, que perduram há mais de um século, afetam empresários negros e a população negra, além de impedirem o avanço econômico do Brasil

O consumo negro no Brasil movimenta R$ 1,9 trilhão por ano de acordo com o estudo “O Consumo Invisível da Maioria”, realizado em 2025 pelos institutos Akatu e DataRaça. No entanto, segundo dados do portal Sebrae existe um déficit de 59% no faturamento de empresárias negras em comparação ao de empresários brancos.

Isso explica por que esse fluxo não se converte, na mesma proporção, na sustentação de negócios negros. Não porque falte intenção, mas porque o sistema foi desenhado para que o dinheiro circule e se concentre fora dessas iniciativas. Esse descompasso revela uma engrenagem histórica que organiza quem consome, quem produz e, principalmente, quem acumula.

Ao longo das últimas décadas, a população negra ampliou seu poder de consumo, fruto de avanços sociais, maior acesso à educação e inserção no mercado de trabalho. No entanto, esse crescimento não foi acompanhado por um fortalecimento equivalente ao empreendedorismo negro em escalada. O resultado é um fluxo constante de riqueza que sai das mãos de quem consome, mas raramente permanece com quem compartilha das mesmas origens, referências e territórios.

Esse fenômeno não é acidental, ele está diretamente ligado às barreiras estruturais que limitam o crescimento dos negócios negros. Trata-se de concorrência em condições historicamente desiguais, falta de acesso a crédito, menor capital inicial, redes de contato mais restritas e dificuldades de inserção em grandes cadeias de distribuição. 

Liana Santos, empresária e estilista à frente da Liana d’Áfrika, no Rio de Janeiro, é uma referência quando o assunto é moda, mas, infelizmente, também integra as estatísticas de negócios que enfrentam grandes desafios para manter a saúde financeira da empresa e escalar novas oportunidades. Mesmo entregando figurinos autênticos e de qualidade para pessoas influentes, ela ainda não se encontra entre as empresas de alto poder aquisitivo.

“O cenário contemporâneo revela uma contradição latente: embora o poder de compra da população negra movimente cifras bilionárias, o fluxo desse capital raramente se cristaliza na manutenção e no florescimento de empresas de propriedade negra. No segmento da moda afro atemporal, exemplificado pelo rigor estético e cultural da Lianad’Áfrika, o desafio transcende a criação artística; ele reside no enfrentamento de gargalos econômicos e de uma desigualdade social historicamente estratificada”, afirma a empresária.

Há uma dinâmica sofisticada de apropriação cultural: grandes marcas utilizam elementos de estética, de linguagem e de comportamento negro e transformam identidade em produto sem, necessariamente, redistribuir valor para as comunidades que originam essas expressões. O consumo acontece, a influência é reconhecida, mas a estrutura de retorno permanece concentrada.

“Enquanto grandes corporações absorvem a estética afrodescendente como tendência sazonal, marcas autorais enfrentam déficit de aportes e créditos, logística e insumos e invisibilidade seletiva. Para a Lianad’Áfrika, posicionar-se no nicho da moda afro atemporal não é apenas uma escolha estilística, é um ato de insurgência econômica. A atemporalidade propõe um consumo consciente, oposto ao descarte desenfreado, exigindo que o consumidor compreenda o valor intrínseco de cada peça”, contextualiza Liana.

Outro ponto central é a fragmentação. O consumo negro, apesar de expressivo, ainda não opera de forma articulada como estratégia econômica coletiva. Diferentemente de outros grupos que historicamente estruturaram redes de apoio, financiamento e circulação interna de capital, no Brasil essa lógica ainda está em construção. O resultado é um mercado potente, porém disperso, que não consegue, sozinho, sustentar cadeias produtivas robustas.

“O mercado consumidor muitas vezes celebra a cultura, mas negligência o CNPJ negro, optando por alternativas de fast fashion que mimetizam a identidade africana sem o devido lastro de pertencimento. Apoiar marcas que, sobretudo, têm como propósito a conscientização da importância da sustentabilidade em suas produções e comercialização é reconhecer que a moda afro não é um adereço momentâneo, mas uma expressão de continuidade histórica que demanda, acima de tudo, viabilidade econômica e justiça social”, ressalta a estilista.

Reduzir essa questão a uma escolha individual — “consumir de negócios negros” — também é insuficiente. A responsabilidade não pode recair apenas sobre o consumidor. Sem políticas públicas consistentes, acesso ampliado ao crédito, incentivo à formalização e inclusão em grandes mercados, o esforço individual tende a esbarrar em limites estruturais.

O consumo já existe e é relevante. O grande desafio é construir um ecossistema capaz de reter valor. Isso implica repensar cadeias produtivas, fomentar redes de negócios, ampliar o acesso ao capital e, sobretudo, reconhecer que o desenvolvimento econômico passa, necessariamente, pela redistribuição de oportunidades.

Transformar consumo em poder econômico exige intencionalidade, estratégia e estrutura. Não se trata apenas de onde o dinheiro é gasto, mas de como ele circula, onde ele permanece e quem ele fortalece ao longo do caminho. Enquanto essa engrenagem não for redesenhada, o paradoxo persiste: um mercado expressivo desenhado por empresários negros, que movimenta riqueza, mas ainda luta para convertê-la em base sólida de autonomia econômica.

Somos muito mais que consumidores, produzimos intelectualidade, cultura e produtos, e compartilhamos saberes em grande escala. Para que os negócios negros se tornem um pilar de prosperidade coletiva, é necessário valorizar a cultura e seus criadores.

Mundo Negro confirma 5ª edição da PowerList e abre indicações com novidade da autoindicação

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Mundo Negro confirma 5ª edição da PowerList e abre indicações com novidade da autoindicação


Premiação celebra mulheres negras que mudam histórias e acontece em 31 de julho, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro
A PowerList Mundo Negro chega à sua 5ª edição em 2026 com uma das maiores edições da história do prêmio. A cerimônia acontece no dia 31 de julho, dentro do Julho das Pretas Latino-Americanas e Caribenhas, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro. Esta edição contará com o patrocínio do Grupo L’Oréal, através de seu grupo de afinidade negra AfroSoul, e da TV Globo, que assina a parceria com a marca da novela A Nobreza do Amor.


A cada edição, a PowerList homenageia 10 mulheres negras, uma em cada categoria, escolhidas em duas frentes complementares: 5 categorias por voto popular, em que a comunidade indica e elege as homenageadas, e 5 categorias por curadoria técnica, definidas por um júri especializado convidado pelo Mundo Negro.


A grande novidade desta edição é a possibilidade de autoindicação. Pela primeira vez, mulheres negras poderão se inscrever diretamente em qualquer uma das categorias do voto popular, em um movimento que reforça o protagonismo e o reconhecimento próprio como atos políticos de afirmação.


“Chegamos ao quinto ano do principal evento do Mundo Negro, que tem 27 anos de história. A potência de resistir só acontece pelas parcerias que acreditam nos nossos sonhos, pelas marcas e pela nossa audiência, que nos engaja e nos estimula a sonhar. Com L’Oréal e Globo presentes, podemos sonhar ainda mais alto e fazer do Julho das Pretas uma grande celebração”, afirma Silvia Nascimento, CEO e Head de Conteúdo do Mundo Negro.
AS 10 CATEGORIAS DA POWERLIST 2026
Voto popular e autoindicação:

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  • Diversidade e Impacto Social
  • Cultura, Artes e Entretenimento
  • Trajetória Transformadora

COMO INDICAR E VOTAR
A votação popular acontece em duas fases, totalmente online, no portal oficial: powerlist.mundonegro.inf.br/votar

  • Fase 1, Indicações abertas: de 12 a 26 de maio de 2026
  • Top 5 por categoria: consolidação entre 27 e 29 de maio
  • Fase 2, Votação do Top 5: de 30 de maio a 22 de junho
  • Contato com as escolhidas (voto popular e júri técnico): de 22 a 30 de junho

Quem optar pela autoindicação responderá a duas perguntas-chave: descrever o trabalho profissional e as conquistas mais impactantes nos últimos 12 a 18 meses, e justificar por que merece estar na PowerList 2026.
QUEM JÁ PASSOU PELA POWERLIST
Em quatro edições, a premiação reconheceu mulheres que hoje são referência em diferentes campos da sociedade brasileira. Pela PowerList já passaram nomes como a deputada federal Erika Hilton (2023), a dermatologista Dra. Katleen Conceição (2022), a fundadora e curadora da Negra Rosa Rosangela Silva (2023), a diretora de Marketing da Globo Samantha Almeida (2024), a empreendedora e comunicadora Bárbara Brito (2024), a especialista em Inclusão e Diversidade na área de Beleza Marcele Gianmarino (2024), a psicóloga social, escritora e ativista, autora de O Pacto da Branquitude, Cida Bento (2025), a cantora Majur (2025) e a cientista Lívia Rodrigues (2025), entre outras trajetórias inspiradoras.
A 5ª edição amplia esse legado e celebra novas mulheres em todas as 10 categorias da premiação.

PATROCÍNIO

A 5ª edição da PowerList Mundo Negro é patrocinada pelo Grupo L’Oréal, através do grupo de afinidade negra AfroSoul, em parceria ampliada após a edição de 2025. A TV Globo estreia como parceira da premiação, assinando com a novela A Nobreza do Amor, das 18h, e patrocinando especificamente a categoria Empreendedora do Ano. (Matérias dedicadas a cada parceria serão publicadas nos próximos dias.)

SOBRE A POWERLIST MUNDO NEGRO
Em sua 5ª edição, a PowerList se consolida como a principal premiação de mulheres negras do Brasil, reunindo votação popular, curadoria técnica independente e cerimônia presencial. Conecta a comunidade negra a marcas e lideranças comprometidas com representatividade, e celebra trajetórias em diferentes áreas da sociedade.
Indicações e votação: powerlist.mundonegro.inf.br/votar Contato: powerlist@mundonegro.inf.br

História, Ancestralidade e Alta Gastronomia: a cozinha do chef Rafael Morente em Paraty (RJ)

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Foto: divulgação

Por: Breno Cruz (Preto Gourmet)

Uma parada na carreira de cozinheiro para viver novos ares fora da capital paulista junto com sua companheira Carol o levou à cidade litorânea de Paraty, no Rio de Janeiro. Ao chegar, compreendeu que a cidade vivia um boom gastronômico; e, como parte do enredo, Rafael teve que repensar aquela pausa em sua vida pessoal e profissional com a notícia da chegada do seu primeiro filho (Jonas). Com a bagagem profissional que tinha ao passar por grandes casas em São Paulo (SP), estava super preparado para assumir operações sofisticadas na cidade.

Em um país onde o colorismo é uma realidade, o chef paulista se compreendeu como homem pardo na cozinha profissional, ao ouvir de um chef que sua namorada à época era negra; e, ao se olhar, percebeu seu tom de pele mais escuro que o da namorada. Foi neste momento que Rafael Morente compreendeu que ele também era racialmente marcado.

Essa compreensão dos marcadores sociais também o motiva a contar sua história enquanto profissional de cozinha no Pindorama – o restaurante que ele criou e que é um dos sócios. Pindorama é também uma aula de história por resgatar o primeiro nome do Brasil antes da invasão portuguesa – uma vez que esse era o nome dado pelos povos originários. Pindorama significa Terra das Palmeiras.

Nessa aula de história do nosso território, o chef Rafael Morente une (i) cozinha e técnicas Caiçara com (ii) insumos nativos que ele e sua equipe colhem na Mata Atlântica, (iii) cozinha afrodiaspórica e (iv) técnicas de diferentes cozinhas. É, sem sombras de dúvidas, alta gastronomia em um ambiente sofisticado e com cozinha autoral. Mas para chegar até aqui existe uma trajetória.

Aos 16 anos, o adolescente iniciou sua trajetória na cozinha profissional em um restaurante espanhol em São Paulo (SP). Em seguida, passou por um restaurante chinês nos finais de semana ainda no Ensino Médio. Aos 18 anos foi formalmente contratado por um bar de Tapas e atuou como confeiteiro. Depois, passou por um restaurante italiano onde ficou por alguns anos até chegar em Paraty com planos de atuar com panificação – especificamente com pães de fermentação natural. Naquele momento, Rafael já não queria mais trabalhar em cozinhas de restaurantes. Com a gravidez de sua companheira, o chef teve que voltar às cozinhas profissionais e deixar de lado seus planos de atuar como boulanger (padeiro).

E com essa bagagem de prática culinária em diferentes cozinhas, o chef Rafael Morente decidiu colocar em prática o projeto da sua vida – o Pindorama, que é um restaurante autoral de comida brasileira, evidenciando os insumos, técnicas, cultura e história do Brasil. Em seu trabalho de elaboração de pratos e experiências, o chef usa PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), FANCs (Fungos Alimentícios Não Convencionais), méis de abelhas nativas com produção local em um meliponário e PENACOS (Peixes Alimentícios Não Convencionais).

Minha experiência no Pindorama foi com o menu de quatro etapas – o menu Ancestral que também é nomeado de Nego Bispo. A entrada foi um mexilhão defumado com vinagrete de palmito; seguida de dois pratos principais – o Peixe azul-marinho com farofa de urtiga e harumaki de paçoca de banana; e, o Vatapá de arroz, castanhas do caju, quiabo grelhado e camarões flambados na cachaça. A sobremesa foi o arrebatador “Sonho Abolicionista” – uma criação pensada a partir da junção de um sonho de padaria recheado com pudim abolicionista (uma receita de 1888). Se posso deixar uma reflexão, aqui está: todo ser humano vivo neste planeta deveria ter a oportunidade de experimentar e virar os olhinhos com o Sonho Abolicionista.

O chef Rafael Morente é, sem sombras de dúvidas, um talento que deve ser conhecido por quem aprecia nossa cultura e nossa culinária. É inovador, potente, audacioso nas suas criações e legitimamente brasileiro. E é com essa audácia que termino meu texto de retorno ao Mundo Negro trazendo histórias de boas comidas e de profissionais da Gastronomia neste Brasil.

Texto: Preto Gourmet

Chef: @rafaelmorente

Restaurante: @pindoramaparaty

Preto Gourmet

Breno Cruz é o criador do Prêmio Gastronomia Preta, do Pretonomia e do Festival Gastronomia Preta. Pós-doutor, professor de Gestão na Gastronomia, Empreendedor Social e autor de 15 livros nas áreas de Administração e Gastronomia

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