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O Globo publica reportagem sobre cientista Nina da Hora com foto de outra mulher negra

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Fotos: Arquivo pessoal/reprodução

Pesquisadora revela que O Globo usou foto de outra mulher negra em seu nome desde 2022 e explica por que corrigir o site não resolve o problema no acervo.

A cientista da computação Nina da Hora denunciou uma falha de apuração do jornal O Globo, que publicou, na lista dos 101 brasileiros que constroem o futuro, seu nome associado à fotografia da escritora Lu Ain-Zaila, outra mulher negra – imagem catalogada de forma incorreta no acervo do veículo desde 2022. Fundadora do Instituto da Hora e especialista em ética de inteligência artificial, ela usou o caso para expor uma falha registrada quatro anos antes da publicação de domingo.

A redação trocou a fotografia no site em poucas horas depois de contatada, mas sem nota de correção. A edição impressa, que já havia circulado, permanece com o erro. O crédito publicado sob a imagem trazia a data de arquivo de 17 de novembro de 2022, o que evidencia que o vínculo incorreto entre nome e fotografia existe há quatro anos dentro do próprio banco de dados do jornal.

“O que aconteceu no domingo não foi o erro”, disse Nina, em publicação no LinkedIn, ao descrever a descoberta do equívoco durante o fim de semana. O problema real está registrado no acervo do jornal desde 2022 e respondeu de forma incorreta a buscas pelo nome da cientista ao longo de todo esse período, inclusive depois da correção feita no site.

A troca da imagem publicada não resolve a origem do problema, porque o par errado entre nome e rosto permanece no índice de arquivo do jornal, disponível para qualquer novo uso da fotografia. Nina escreveu um relatório técnico sobre esse comportamento antes mesmo do episódio, demonstrando que corrigir a cópia publicada não repara o sistema que a gerou. O relatório completo, em português e inglês, está disponível nos comentários da publicação, junto com a explicação sobre por que a troca no site não neutraliza a circulação da edição impressa.

O erro não envolveu inteligência artificial, mas um banco de imagens, um campo de metadado preenchido de forma equivocada e uma redação que não conferiu a informação. Esse tipo de banco não registra quem está de fato na fotografia, mas sim quem alguém escreveu que está, e qualquer sistema automatizado que consome esse dado herda a mesma falha, acrescentando a ela uma camada adicional de difícil reversão.

Cientista da computação, Nina da Hora pesquisa sistemas de identificação facial e espaços de embeddings, tecnologias em que a distinção entre pessoas de um mesmo grupo racial costuma falhar com mais frequência. O episódio reproduziu, fora de qualquer modelo de inteligência artificial, o mesmo mecanismo que ela estuda em laboratório, o que reforça o argumento de que falhas atribuídas a algoritmos com frequência têm origem em processos humanos anteriores à automação.

A mulher que aparece na fotografia publicada em nome de Nina não foi identificada nem procurada pelo jornal. A reportagem de Mundo Negro tentou localizar essa mulher e, até o fechamento desta matéria, não obteve êxito.

O caso se soma a um debate mais amplo sobre racismo algorítmico, termo cunhado por pesquisadores como Tarcízio Silva, autor do livro Racismo Algorítmico: Inteligência Artificial e Redes Digitais, para descrever como tecnologias de dados intensificam práticas discriminatórias em áreas como segurança pública, saúde e mercado de trabalho. Levantamentos independentes já mostraram, por exemplo, que sistemas de reconhecimento facial usados por forças de segurança apresentam taxas de erro mais altas para rostos negros, e que algoritmos de redes sociais tendem a priorizar imagens de pessoas brancas em testes comparativos. O episódio com Nina da Hora acrescenta a esse debate um exemplo de falha registrada antes de qualquer automação, na etapa de catalogação manual de um acervo jornalístico.

Nina da Hora integra a lista de homenageados da PowerList Mundo Negro 2026 na categoria Ciência, Tecnologia e Inovação, reconhecimento concedido a profissionais negros que se destacam na produção de conhecimento e na fiscalização pública de sistemas automatizados no país. Até a publicação desta matéria, O Globo não havia se manifestado publicamente sobre o episódio além da troca da fotografia no site.

“Nós dois simplesmente sabíamos”: atores comentam o destino de Baela e Alyn em ‘A Casa do Dragão’

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Cena da série A Casa do Dragão
Foto: HBO

Alerta de spoiler! 

A família Velaryon continua dando o que falar em “A Casa do Dragão”. No novo episódio, lançado ontem (26) na HBO Max, Baela Targaryen (Bethany Antonia) e Alyn de Hull (Abubakar Salim) protagonizam o primeiro e surpreendente beijo após uma conversa marcada pela vulnerabilidade emocional e o peso das perdas da guerra. A sequência reforça o avanço da trama dos Velaryon nas adaptações dos livros de George R. R. Martin.

De forma sutil, a aproximação entre os dois começou durante a busca por Corlys Velaryon, depois da Batalha da Goela. Ao lado dos meios-irmãos Alyn e Addam de Hull, Baela se vê diante de uma nova configuração familiar, em meio às consequências do conflito e à necessidade de estreitar laços com os filhos ilegítimos de Corlys. Ela também vive um outro ponto de virada, após perder o noivo Jacaerys Velaryon na guerra.

Em “Fogo & Sangue”, Baela e Alyn acabam se casam após a guerra civil Targaryen, o que leva parte do público a interpretar a cena como uma preparação para esse desfecho. Ainda assim, a série tem adotado mudanças em relação ao material original, deixando em aberto o que pode acontecer entre os personagens.

Para Bethany e Abubakar, a primeira conversa entre os dois após a Batalha da Goela já carregava intimidade. “Foi engraçado, nós dois estávamos rindo como crianças pequenas, sabendo o que estava acontecendo. Também estávamos rindo do fato de que — quer dizer, spoilers — Jace nem estava com frio, mas essa é a realidade”, disse Salim recentemente ao Decidir.

“Aquela cena na praia foi maravilhosa de filmar porque não precisamos conversar muito sobre o que ela significava. Nós dois simplesmente sabíamos instintivamente e, sim, foi maravilhoso”, afirmou Antonia.

“O interessante sobre Baela e Alyn é que ambos perderam suas mães. Eles se reconhecem muito nessa responsabilidade de irmão mais velho, de sempre ter que estar junto, de sempre fazer a coisa certa. Ambos têm irmãos mais novos que parecem fazer o que querem”, completou Salim.

O próximo episódio de “A Casa do Dragão” estreia no domingo, às 22h, na HBO Max.

Antônio Pitanga ganha musical em sua homenagem: “Um artista que atravessa gerações preservando memórias”

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Pitanga, O Musical
Foto: Divulgação

O ator e cineasta Antônio Pitanga será tema de um musical idealizado por Jô Santana, com texto e direção de Rodrigo França. Intitulado “Pitanga, O Musical”, o espetáculo nasce como homenagem à trajetória de um dos maiores artistas da história do Brasil e pretende revisitar sua atuação nas artes e na vida pública ao longo de mais de seis décadas.

A criação é fruto da parceria entre Jô Santana — ator, produtor e idealizador da Trilogia do Samba — e Rodrigo França, dramaturgo, cineasta, diretor teatral e colunista do site Mundo Negro. Segundo a produção, o projeto busca celebrar o legado de Pitanga e consolidar sua presença como patrimônio vivo da cultura nacional.

Com previsão de estreia para o segundo semestre de 2027, em Salvador, cidade natal do artista, “Pitanga, O Musical” seguirá em temporada por São Paulo e Rio de Janeiro. A montagem promete mapear a trajetória do ator através de suas passagens pelo cinema, teatro, televisão e pela cena política, relacionando sua obra às grandes transformações sociais do país.

“Antônio Pitanga é o nosso griô. Um artista que atravessa gerações preservando memórias, abrindo caminhos e ampliando o horizonte da cultura brasileira. Esse musical é mais do que merecido. Penso, inclusive, que já deveria ter acontecido há muito tempo”, diz Jô Santana com exclusividade ao Mundo Negro. “Idealizar e realizar essa homenagem chega no momento certo da minha trajetória. Como artista que pensa a sociedade, sinto que estou preparado e digno dessa missão. Não medirei esforços para entregar um musical à altura desse grande homem, desse grande artista e dessa referência indispensável para a cultura brasileira”, completa.

“Receber do Jô Santana a missão de escrever e dirigir um musical sobre Antônio Pitanga é um presente que chega ao colo de qualquer artista que reconhece a riqueza que a negritude brasileira ofereceu e continua oferecendo ao país. Pitanga é um dos grandes precursores dessa história. Sou profundamente grato à sua trajetória e tenho o lindo benefício de, há anos, acordar quase todas as manhãs com uma mensagem, uma reflexão ou uma palavra dele. Isso revela a dimensão do intelectual e do ser humano que ele é. Ganha a sociedade por ter Antônio Pitanga como um de seus maiores artistas. Ganha quem tem a oportunidade de caminhar ao seu lado. Esse musical já nasce deslumbrante”, diz Rodrigo França ao site.

Avon celebra o 25 de Julho com mulheres negras em jantar

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Mulheres negras reunidas no jantar da Avon em celebração ao 25 de Julho
Foto: Divulgação

O encontro marcou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e reuniu jornalistas e criadoras de conteúdo. 

A Avon promoveu, na sexta-feira (24), um jantar em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado em 25 de julho. O encontro reuniu jornalistas e criadoras de conteúdo para uma conversa sobre representatividade, beleza, desenvolvimento de produtos e equidade racial.

A programação buscou criar um espaço de troca entre mulheres negras que atuam no mercado da beleza e da comunicação, e apresentar iniciativas da marca relacionadas à diversidade de tons de pele.

Durante o encontro, Aline Lima, Head de Diversidade, Equidade e Inclusão da Natura América Latina, destacou que a construção da equidade racial exige continuidade, escuta e transformação de compromissos em ações concretas. Segundo ela, a empresa desenvolve, desde 2013, pesquisas sobre a diversidade de tons de pele em diferentes países.

Desenvolvimento de produtos para diferentes tons de pele

Entre as iniciativas apresentadas está a linha de hidratação facial Avon Care Radiância e Luminosidade, desenvolvida para peles pretas e pardas a partir de estudos realizados em países da América Latina.

A Avon também afirma ampliar seu portfólio de maquiagem com diferentes cores, acabamentos e tecnologias. Entre os lançamentos recentes estão produtos para a construção do chamado lip combo, técnica que combina delineador labial e batom.

Como parte da agenda em torno do 25 de julho, a marca também patrocinou o Festival Pacto das Pretas. O movimento passou por Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo com debates, conexões e atividades voltadas à atuação e ao protagonismo de mulheres negras.

A influenciadora Tamiê estava presente no jantar e ressaltou a importância de encontros nos quais mulheres negras possam compartilhar experiências, fortalecer conexões e participar das discussões que movimentam o mercado da beleza.

“Encontros como esse reforçam a importância de criar espaços em que mulheres negras sejam protagonistas e possam trocar experiências.”

5 filmes dirigidos por mulheres negras para celebrar o Julho das Pretas

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Cena do filme Café com Canela
Foto: Divulgação

O Julho das Pretas é um mês para celebrar as mulheres negras, e o cinema é um dos caminhos que tem o poder de trazer a visibilidade positiva para elas, seja nas telas ou nos bastidores. Destacando o cenário do audiovisual brasileiro, Luh Maza, cineasta e colunista do Mundo Negro, selecionou cinco títulos entre um clássico que atravessa gerações, além de produções mais recentes, mostrando como diretoras negras refletem a cultura e as vivências negras com olhares diversos.

Do marco histórico de Adélia Sampaio às novas vozes que ocupam festivais e plataformas de streaming, as obras desconstroem estereótipos e ampliam o imaginário coletivo sobre a comunidade negra no Brasil.

Veja lista completa abaixo

“Amor Maldito” (1984) dirigido por Adélia Sampaio – considerado o primeiro longa-metragem dirigido por uma mulher no Brasil. Disponível no YouTube.

Fotos: Divulgação e Marcus Leoni/Itaú Cultural

“Café com Canela” (2017) dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio – longa onde uma dos codiretores é uma mulher negra

Fotos: Divulgação

“Um Dia Com Jerusa” (2020) dirigido por Viviane Ferreira – segundo longa de ficção dirigido exclusivamente por uma mulher negra

Fotos: Divulgação

“Racionais MC’s – Das Ruas de São Paulo pro Mundo” (2022) dirigido por Juliana Vicente – longa documental distribuído pela Netflix

Fotos: Divulgação

“Insubmissas” (2024) dirigido por Ana do Carmo, Júlia Katharine, Luh Maza e Taís Amordivino – longa antológico onde 3 das quatro codiretoras eram negras e a outra descendente asiática.

Fotos: Divulgação e Cleber Correa

A reexistência no topo: Representatividade, desafios e o poder transformador da mulher negra na liderança

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Liderança negra
Foto: IA/Maginifc

No Brasil, onde mais de 56% da população se autodeclara negra, a desigualdade racial e de gênero no mercado de trabalho ainda é alarmante. Dados recentes mostram que apenas 3% da população negra ocupa cargos de alta liderança no país, e o percentual de mulheres negras em posições executivas é ainda menor. Essa discrepância reflete uma estrutura corporativa que, historicamente, exclui e invisibiliza corpos negros, especialmente os femininos, dos espaços de decisão. Nesse contexto, a jornada de uma mulher negra até o topo é marcada por desafios desproporcionais, mas também por um poder transformador que transcende o individual.

É comum ouvirmos no meio corporativo que a liderança é uma jornada solitária. No entanto, quando essa trajetória é atravessada pela interseccionalidade de raça e gênero, essa afirmação deixa de ser um mero clichê de gestão para se tornar uma realidade concreta, dura e diária. Para a maioria das executivas negras que alcançam o topo, a experiência de ser a única presença negra em salas de reunião, conselhos e diretorias não é uma exceção, mas, na maioria das vezes, a regra do cotidiano.

Costumamos idealizar mentalmente a figura da liderança perfeita: um time diverso, empoderado e conduzido por uma pessoa “super-heroína” capaz de equilibrar todos os pratos. Contudo, no cotidiano, a solidão da mulher negra na gestão se manifesta de forma sutil e profunda. A ausência de pares na alta liderança que compartilhem das mesmas vivências faz com que conselhos e modelos tradicionais de gestão precisem ser constantemente filtrados e adaptados para fazerem sentido dentro da nossa própria realidade e essência.

Essa sensação de isolamento reflete diretamente a estrutura do mercado de trabalho brasileiro. Trata-se de uma discrepância alarmante em uma nação onde mais de metade da população é negra, evidenciando como o acesso ao topo exige um esforço desproporcional, acompanhado por inseguranças e pela enorme responsabilidade de inspirar e puxar aqueles que o sistema insiste em deixar à margem.

A complexidade dessa jornada se intensifica quando inserimos o recorte da maternidade. O mercado corporativo tradicional historicamente pregou o mito de que a maternidade colocaria um fim na carreira de uma executiva. A prática cotidiana, no entanto, demonstra o exato oposto: a maternidade possui o potencial de transformar a mulher em uma líder incomparavelmente melhor, mais empática, estratégica e resiliente. 

O desafio, no entanto, reside na falta de estruturas acolhedoras que compreendam a integração entre a vida pessoal e a profissional sem tabus ou penalizações veladas. Políticas corporativas que promovam a equidade de gênero e a inclusão de mães no mercado de trabalho são essenciais para que essas mulheres possam exercer todo o seu potencial.

Lidando com esses cenários há mais de 25 anos e hoje como presidente da Fundação 1bi, atuando com a melhoria da educação pública por meio da tecnologia, reflito que:

“O cargo e o título, para mim e de onde eu venho, fazem toda a diferença. Não porque o título sirva para autoafirmação, mas porque, ao verem uma mulher negra ocupar uma diretoria executiva e, na sequência, uma presidência, outras pessoas entendem que também podem chegar lá. O título visibiliza a conquista e abre caminhos para que a jornada das próximas gerações seja um pouco mais leve.”

Quando uma mulher negra ocupa uma posição de liderança, ela não apenas quebra barreiras para si mesma, mas também inspira e pavimenta o caminho para outras mulheres negras que vêm depois.

Apesar dos avanços pontuais e do boom de compromissos públicos e vagas afirmativas registrado por volta de 2020, o cenário atual exige alerta. Percebe-se um movimento de recuo nas organizações, com a diminuição de programas afirmativos e a descontinuidade de comitês de diversidade. 

Promover a transformação social e alterar a cultura corporativa é uma tarefa diária e exaustiva. Não basta apenas abrir portas de entrada em cargos de base; é urgente garantir o desenvolvimento, a retenção e a ascensão real dessas profissionais a posições decisórias. Empresas precisam ir além de discursos e compromissos superficiais, implementando políticas estruturais que garantam a equidade de forma sustentável.

Samara Martins é oficializada candidata à Presidência pela UP

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Samara Martins e Raquel Brício na convenção da UP que oficializou sua candidatura
Foto: Divulgação

Dentista do SUS terá a guarda-portuária Raquel Brício como vice em uma chapa formada integralmente por mulheres. 

O partido Unidade Popular pelo Socialismo (UP) oficializou, no domingo (26), a candidatura de Samara Martins à Presidência da República nas eleições de 2026. A guarda-portuária paraense Raquel Brício foi anunciada como candidata à Vice-Presidência, formando uma chapa composta integralmente por mulheres.

A convenção nacional ocorreu na Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, e reuniu filiados e representantes da legenda. Entre as 13 pessoas presentes que disputarão governos estaduais pela UP, 11 são mulheres.

Dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), Samara ocupa a vice-presidência nacional do partido e atua em movimentos voltados aos direitos das mulheres, da população negra e da classe trabalhadora. Em 2022, ela foi candidata à Vice-Presidência na chapa encabeçada por Léo Péricles, presidente nacional do partido.

Ao apresentar as prioridades de um eventual governo, Samara defendeu a reestatização de empresas privatizadas, a ampliação das contratações diretas pelo poder público e mudanças na destinação dos recursos do orçamento federal.

A candidata também propôs a realização de uma auditoria da dívida pública e a suspensão dos pagamentos para ampliar os investimentos em políticas sociais. Segundo ela, o orçamento deve colocar as necessidades da população trabalhadora no centro das decisões governamentais.

Participação de mulheres e pessoas negras na política

A UP lançou 12 mulheres entre as 17 candidaturas do partido aos governos estaduais. Para Samara, a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão é necessária para enfrentar a desigualdade de gênero e construir políticas de combate ao feminicídio e à misoginia.

Entre as medidas defendidas estão a criminalização da misoginia, a responsabilização das plataformas digitais pela circulação de conteúdos de ódio contra mulheres e a inclusão da educação de gênero nas escolas.

A candidata também defendeu mecanismos legais para ampliar a presença de mulheres e pessoas negras nos espaços de poder, incluindo o Congresso Nacional.

Questionada sobre os desafios de ampliar o alcance de uma candidatura com menor representação institucional e menos espaço nos meios de divulgação, Samara afirmou que a campanha será construída por meio do contato direto com a população.

Em entrevista ao portal g1, ela destacou a atuação da militância em comunidades, escolas, universidades e locais de trabalho:

“É nessa luta de rua, olho no olho, conversando com as pessoas, que a gente quer disputar e ultrapassar essa barreira.”

Instituto Pactuá completa cinco anos dedicado à formação de lideranças negras e já impactou mais de mil pessoas

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Formandos do Instituto Pactuá
Formatura do Instituto Pactuá (Foto: Divulgação)

O Instituto Pactuá, organização sem fins lucrativos voltada à formação e à aceleração de lideranças negras no ambiente corporativo, completou cinco anos de atuação em julho. A data foi marcada pelo “Formassário”, evento que celebrou a formatura da quarta turma do programa de mentoria e reuniu mentores, mentorados, cofundadores, conselheiros, parceiros e representantes de empresas na sede do iFood, em São Paulo.

Fundado por executivos comprometidos com a diversidade no ambiente corporativo, o Pactuá nasceu para acelerar a inserção e a ascensão de profissionais negros em posições de decisão. Ao longo desses cinco anos, consolidou uma rede de lideranças, mentores, empresas e parceiros e já impactou mais de mil pessoas: foram mais de 700 participantes no programa de mentoria e mais de 300 lideranças negras alcançadas por iniciativas de educação realizadas em parceria com instituições como Grupo Exame | Saint Paul, Fundação Dom Cabral e IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Todas as ações são orientadas pelos pilares Conexão, Inspiração e Educação.

O trabalho responde a uma desigualdade persistente no país. Embora pessoas negras representem 56% da população brasileira, ocupam apenas 4% dos cargos de liderança nas empresas, percentual que cai para 0,4% quando se trata de mulheres negras.

Durante o “Formassário” , dezenas de participantes entre mentores e mentorados celebraram a conclusão da quarta turma. O evento também marcou o anúncio da quinta edição do Programa de Mentoria, prevista para começar em agosto com aproximadamente 600 novos participantes e a parceria do MOVER (Movimento pela Equidade Racial), que amplia a rede de desenvolvimento de lideranças negras em diferentes setores da economia.

Íris Barbosa Barreira, presidente do Instituto Pactuá (Foto: Divulgação)

“O que começou como um sonho se tornou um movimento. Nestes cinco anos construímos uma rede que conecta pessoas, compartilha experiências e amplia oportunidades para profissionais negros ocuparem espaços de liderança. Cada nova turma representa mais empresas transformadas e mais histórias de sucesso sendo escritas”, afirma Íris Barbosa Barreira, presidente do Instituto Pactuá.

A celebração ainda marcou o lançamento de novas iniciativas. O iFood oficializou uma parceria com o Instituto para oferecer bolsas em um bootcamp de Inteligência Artificial, ampliando o acesso dos participantes a uma competência considerada estratégica para o futuro do trabalho. Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o Pactuá também anunciou a concessão de bolsas para a participação de mulheres negras líderes no programa de mentoria, reforçando o compromisso de ampliar a presença feminina negra nos espaços de decisão.

Encerrado em clima de confraternização, o “Formassário” reafirmou a proposta do Instituto Pactuá de ampliar oportunidades, conectar talentos e fortalecer uma rede de lideranças capazes de promover transformações dentro das organizações e na sociedade.

O Pactuá tem como objetivo acelerar a inserção e a ascensão de profissionais negras em posições de liderança no ambiente corporativo. Por meio de programas de mentoria, educação executiva, desenvolvimento de carreira e da articulação de uma ampla rede de lideranças, promove conexões, compartilha conhecimento e amplia oportunidades. Fundamentado nos pilares Conexão, Inspiração e Educação, atua em parceria com empresas e instituições de referência para contribuir com a formação de lideranças mais diversas e a construção de organizações mais inovadoras, inclusivas e competitivas.

Os momentos que marcaram os 14 anos de carreira de Erika Januza

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Fotos: Estevam Avellar/Tv Globo/Reprodução redes sociais

Da estreia na TV Globo ao trono de Batanga em ‘A Nobreza do Amor’, relembre os momentos que marcam a carreira de Erika Januza como atriz e apresentadora.

Nascida em Contagem, Minas Gerais, Erika Januza chegou à TV Globo em 2012 depois de ser escolhida entre duas mil candidatas para protagonizar a minissérie “Subúrbia”, dirigida por Luiz Fernando Carvalho e Paulo Lins. De lá para cá, construiu uma carreira que atravessa a dramaturgia, o carnaval e a moda, acumulando papéis de destaque em novelas de horário nobre, quatro anos como rainha de bateria de uma das maiores escolas de samba do Rio de Janeiro e, mais recentemente, uma cadeira fixa em um dos programas mais tradicionais da televisão por assinatura brasileira. Ao longo desse percurso, a representatividade negra se consolidou como eixo de boa parte das escolhas profissionais da atriz, da dramaturgia ao debate que hoje conduz na televisão.

Da estreia às novelas de horário nobre

Depois de “Subúrbia”, Erika seguiu construindo repertório em produções como “Em Família” e “Sol Nascente”, até chegar a “O Outro Lado do Paraíso”, novela das nove exibida em 2017, na qual viveu a juíza Raquel. O papel consolidou seu espaço nos horários nobres da emissora e ampliou a visibilidade nacional conquistada nos anos anteriores.

Corte de cabelo e um gesto de representatividade

Ao interpretar a tenista Marina em “Amor de Mãe” (2019), Erika decidiu cortar o cabelo bem curto e assumir a textura natural dos fios, inspirada na tenista norte-americana Serena Williams. Em entrevista à revista “Glamour”, contou que a escolha nasceu de um desejo genuíno de representar mais mulheres e falou sobre o próprio processo de reconexão com a imagem e com a ancestralidade negra. A repercussão nas redes sociais foi imediata, e a atriz reagiu com bom humor às críticas sobre a nova aparência. Em entrevista ao Purepeople, afirmou seguir sendo ela mesma, “apenas renovada”, e comemorou o número de fãs que decidiram copiar o corte depois de vê-la na tela.

Quatro carnavais à frente da bateria da Viradouro

Fora das novelas, Erika também construiu história na Sapucaí. Por quatro anos seguidos, ocupou o posto de rainha de bateria da Viradouro, escola de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, desfilando em fantasias que reforçaram sua ligação com o carnaval e com a cultura afro-brasileira, sempre descrita por ela mesma como uma paixão genuína pela festa.

De rainha a apresentadora de rainhas

A vivência no posto rendeu, em 2025, o convite para comandar “Rainhas Além da Avenida”, produção do GNT exibida durante o período de carnaval, na qual entrevistou rainhas de bateria de escolas de samba do Rio e de São Paulo, dando espaço às histórias, às delícias e aos desafios de quem está por trás da fantasia. A experiência à frente do documentário pesou diretamente na escolha da atriz para integrar o “Saia Justa” a partir de abril daquele mesmo ano, ao lado de Eliana, Bela Gil e Tati Machado, ocupando um posto que já teve nomes como Rita Lee, Fernanda Young, Marisa Orth e Astrid Fontenelle na história do programa.

Um lugar de fala no sofá mais tradicional do GNT

Como integrante fixa da atração, Erika tem usado o espaço para trazer ao debate temas ligados à vivência das mulheres negras no Brasil, unindo sua bagagem como atriz, apresentadora e ex-rainha de bateria em um só lugar de fala dentro de um dos programas mais longevos da TV por assinatura brasileira.

Estilo e moda além das telas

No universo fashion, Erika também é reconhecida como referência de estilo, ousa nas escolhas de look e acompanha de perto as tendências, características que reforçam seu papel de fashionista para além do trabalho como atriz e apresentadora.

Novos papéis em produções de época

Em 2026, Erika viveu a personagem Candinha em “Dona Beja”, novela de época da TV Globo, ampliando um currículo que já passou por dramas contemporâneos, comédias e produções voltadas à valorização da cultura popular brasileira. No mesmo ano, assumiu Niara, rainha de Batanga e mãe da protagonista, em “A Nobreza do Amor”, primeira novela da faixa das 18h a retratar reis, rainhas e guerreiros negros em uma fábula africana, com elenco majoritariamente negro.

Entre a estreia em 2012 e a cadeira fixa no “Saia Justa”, Erika Januza consolidou um percurso que combina atuação, apresentação e Carnaval, mantendo a representatividade negra como fio condutor de boa parte de suas escolhas profissionais, do corte de cabelo em “Amor de Mãe” ao trono de Batanga em “A Nobreza do Amor”. A atriz segue com a agenda cheia entre a TV Globo e o GNT, dividindo o tempo entre o set de gravação, o sofá do programa e os preparativos para os próximos desfiles de carnaval, mantendo viva a ligação com a Sapucaí mesmo depois de deixar o posto de rainha de bateria da Viradouro.

Internautas levantam teoria sobre Damson Idris não integrar elenco de “Pantera Negra 3”

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Foto: Warner Bros./Divulgação

David Jonsson foi confirmado como o novo Pantera Negra e internautas levantaram teorias sobre o motivo de Damson Idris ter ficado fora do elenco do filme.

Damson Idris passou mais de um ano como o nome mais associado pelo público à sucessão de Chadwick Boseman em “Pantera Negra”, mas não integra o elenco de “Pantera Negra 3” fechado por Ryan Coogler, que colocou David Jonsson no papel de T’Challa II. A ausência de Idris, somada ao histórico de respostas evasivas do próprio ator sobre o assunto, alimentou nas redes sociais uma teoria que atribui a decisão a um episódio pessoal, o relacionamento de Idris com a influenciadora Lori Harvey, ex-namorada de Michael B. Jordan e amiga de longa data de Coogler.

O nome de Idris começou a circular como possível herdeiro do papel em janeiro de 2025, quando o consultor de bastidores Jeff Sneider afirmou que a Marvel buscava um ator para dar continuidade a T’Challa. A partir daí, aparições do britânico ao lado de nomes da franquia, como Danai Gurira e Angela Bassett, fortaleceram a expectativa do público. Em nenhum momento, porém, Idris confirmou qualquer contato oficial com o estúdio.

Questionado repetidas vezes por veículos de imprensa, o ator manteve o mesmo padrão de resposta, sempre sorridente e sem negativa direta. No programa “Today”, da NBC, o apresentador Craig Melvin perguntou diretamente se Idris havia conversado com a Marvel sobre o papel, ao que o ator respondeu apenas “sim-não”. Diante da interpretação de Melvin de que a resposta soava como um sim, Idris insistiu que também poderia significar não, mas confirmou que aceitaria o convite caso a Marvel o procurasse oficialmente. Na TIME100 Next Gala, ao ser questionado por um repórter da revista sobre a mesma especulação, respondeu rindo “não, não, eu não sei de nada sobre isso”, frase recebida pelo repórter com a aposta de que o assunto voltaria a ser discutido no futuro. Em janeiro deste ano, no tapete vermelho do Globo de Ouro, agradeceu aos fãs pela expectativa e classificou o assunto como rumor, sem negar nem confirmar qualquer tratativa.

Circulou também uma versão de que Idris teria recusado o convite. Em resposta a um usuário do X que lamentou a suposta recusa, o próprio ator ironizou a informação, comparando-a a outras oportunidades fictícias, como um papel ao lado de Daniel Day-Lewis e uma cinebiografia de Eddie Murphy. Outra versão colocou Idris em uma lista de três atores que teriam recusado o papel, ao lado de David Oyelowo e John Boyega, sem qualquer confirmação do estúdio ou dos próprios citados.

A confirmação de David Jonsson como o novo T’Challa, feita por Coogler na San Diego Comic-Con, encerrou oficialmente a expectativa em torno de Idris. Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, contou à revista Empire que a escolha nasceu de uma iniciativa pessoal de Coogler, que o procurou cerca de seis meses antes do anúncio para dizer que havia encontrado o ator ideal após ver a atuação de Jonsson em “A Longa Marcha”. “Ele teve um encontro secreto com o Jonsson, sob o manto da escuridão, em um hotel qualquer, e depois me ligou e disse, ‘É ele, é ele, eu senti. Senti isso na minha alma. Ele é um bom homem, e ele é o próximo Pantera Negra.’ Aí eu me arrepiei, fiquei emocionado e disse, ‘Vamos fazer isso’. Então guardamos esse segredo por uns cinco, seis meses”, contou Feige à revista Empire. Em nenhum momento Feige ou Coogler mencionaram publicamente o nome de Idris ao justificar a escolha.

Horas depois do anúncio, perfis no X passaram a associar a ausência de Idris a um episódio pessoal. Publicações de usuários como MediumSizeMeech e Zero, que somaram engajamento expressivo na rede, sustentam que Coogler teria evitado escalar o ator por proximidade com Michael B. Jordan, protagonista dos dois primeiros filmes da franquia e amigo pessoal do diretor desde “Fruitvale Station”, parceria dos dois lançada em 2013. A teoria conecta esse afastamento a um relacionamento amoroso, já que Idris namorou a influenciadora Lori Harvey entre o fim de 2022 e novembro de 2023, cerca de seis meses depois de Harvey encerrar o namoro de quase dois anos com Jordan. Um comentário em uma publicação sobre a especulação resumiu o argumento que se espalhou pela rede, ao afirmar que Coogler “não ia quebrar o código dos manos pelo Damson Idris”. Nenhuma das publicações traz fonte ligada à produção do filme, à Marvel ou às pessoas citadas, e nem Coogler, nem Jordan, nem Idris comentaram publicamente essa versão até o fechamento desta reportagem.

A expectativa em torno do substituto de Boseman existe desde a morte do ator, aos 43 anos, em 2020, em decorrência de um câncer de cólon. “Wakanda Para Sempre” resolveu a lacuna transferindo o manto do herói para Shuri, papel de Letitia Wright, sem repor diretamente o intérprete original, e apresentou ainda criança o filho de T’Challa e Nakia, personagem que agora Jonsson assume adulto. O primeiro filme da franquia arrecadou 1,3 bilhão de dólares em bilheteria mundial e venceu três prêmios da Academia, o que ajuda a explicar por que qualquer movimentação de elenco relacionada ao papel de T’Challa gera repercussão imediata entre o público.

Damson Idris não se manifestou sobre o anúncio de Jonsson nem sobre a teoria que circula a seu respeito até a publicação desta matéria. “Pantera Negra 3” tem estreia prevista para 15 de dezembro de 2028, com Letitia Wright e Winston Duke confirmados no elenco ao lado de Jonsson e com a participação já anunciada de Denzel Washington em personagem ainda não revelado.

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