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Terceiro acusado pela morte de Mãe Bernadete será julgado em outubro; crime completou três anos

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Mãe Bernadete, liderança quilombola baiana assassinada em 2023.
Foto: Divulgação

O terceiro acusado de envolvimento no assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, será julgado pelo Tribunal do Júri no dia 13 de outubro, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. O crime completou três anos na segunda-feira (17).

Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuim”, é apontado pelo Ministério Público como um dos executores do assassinato, ocorrido em 17 de agosto de 2023, na comunidade quilombola Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.

Segundo o advogado da família, Dr. Hédio Silva, as provas reunidas no processo são suficientes para sustentar a condenação do acusado. Durante o julgamento, a defesa pretende pedir a aplicação da pena máxima, de 40 anos de prisão.

“Ele foi o segundo executor. Ele atirou várias vezes. Temos prova testemunhal, prova pericial, além da arma utilizada no crime, que ele chegou a exibir nas redes sociais. Também há elementos de que participou do planejamento da execução. Diante da robustez das provas, não tenho dúvida de que será condenado. Vamos pedir a pena máxima, de 40 anos”, afirmou o advogado.

Josevan foi pronunciado por homicídio qualificado pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. O julgamento será realizado em Salvador após o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinar a transferência do processo, inicialmente vinculado à comarca de Simões Filho. A decisão tornou-se definitiva em maio deste ano.

Relembre o caso

Mãe Bernadete tinha 72 anos quando foi assassinada a tiros dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares. De acordo com a acusação, a atuação da liderança em defesa do território quilombola e contra a expansão do tráfico de drogas na região contrariava os interesses de uma organização criminosa que atuava na localidade.

O assassinato ocorreu seis anos após a morte do filho de Mãe Bernadete, o também líder quilombola Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo. Ele foi morto a tiros em setembro de 2017.

Este será o terceiro julgamento relacionado ao assassinato de Mãe Bernadete. Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos já foram julgados e condenados pelo crime. Apontado pelas investigações como mandante, Marílio morreu posteriormente durante uma operação policial.

Dr. Hédio Silva participou do julgamento mais recente e afirma que cada nova etapa representa um avanço na busca da família por justiça e responsabilização dos envolvidos.

“Não estamos falando apenas da responsabilização por um crime brutal contra uma mulher de 72 anos. Mãe Bernadete era uma liderança quilombola, uma defensora do seu território e dos direitos de sua comunidade. A resposta da Justiça precisa estar à altura da gravidade desse crime. A família seguirá acompanhando cada etapa até que todos os responsáveis sejam julgados e responsabilizados”, declarou.

Angelique Kidjo faz história como primeira cantora africana na Calçada da Fama de Hollywood

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Angelique Kidjo na Calçada da Fama
Foto: © Frederic J. Brown, AFP

A ícone da música Angélique Kidjo, de 64 anos, tornou-se nesta terça-feira (18) a primeira musicista africana — e a primeira artista negra africana — a receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, em Los Angeles, nos Estados Unidos. “Sem a gente, não há música possível neste planeta”, afirmou a cantora, na cerimônia que contou com a presença de nomes de peso da indústria do entretenimento, incluindo Harvey Mason Jr., presidente da Recording Academy, e o ator Djimon Hounsou.

Nascida no Benin, Angélique mudou-se para Paris em 1983, onde deu os primeiros passos de uma carreira global. Ela lançou 19 álbuns desde 1981 e conquistou fãs em todo o mundo graças à sua habilidade única de fundir estilos da África Ocidental com funk, jazz e R&B.

A cantora acumula cinco prêmios Grammy em sua trajetória: venceu na categoria de Melhor Álbum de Música do Mundo Contemporâneo em 2008 e ganhou o prêmio de Melhor Álbum de Música Global quatro vezes entre 2015 e 2022. Em 2023, também recebeu o Polar Music Prize, considerado o “Nobel da música”.

Sua extensa lista de colaboradores inclui artistas diversos como Burna Boy, Alicia Keys, John Legend, Philip Glass, Sting, Peter Gabriel, Bono e Yo-Yo Ma.

Além dos Grammys e do Polar Music Prize, a cantora ainda foi listada pela Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, pela BBC como uma das 50 figuras mais icônicas da África e pelo The Guardian como uma das 100 pessoas mais cultas do planeta.

Em declaração à AFP quando a estrela foi anunciada, no ano passado, Angelique demonstrou otimismo sobre o futuro: “Poderei ser a primeira cantora africana a ter uma estrela na Calçada da Fama, mas tenho certeza de que não seria a última. Muitos outros virão e isso enche meu coração de alegria”.

Vitrine de Creators Negros ultrapassa 1 mil inscrições em menos de 24 horas

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Vitrine de Creators Negros supera 1 mil inscrições em 24 horas
Foto: Divulgação

Iniciativa do Mundo Negro aproxima criadores negros de marcas, agências e imprensa e já mobiliza a comunidade.

Mais de 1.000 criadores negros se inscreveram na Vitrine de Creators Negros em menos de 24 horas após o lançamento da iniciativa. O número mostra a força da demanda e o desejo da nossa comunidade em estar em espaços que conectem talentos negros ao mercado, e reforça a importância de ampliar a visibilidade de quem já produz conteúdo em diferentes nichos e regiões do Brasil.

Criada pelo Mundo Negro, a Vitrine reúne criadoras e criadores pretos de todo o país para facilitar o encontro com marcas, agências e profissionais de imprensa interessados em encontrar talentos negros para campanhas, projetos e parcerias.

A proposta surgiu a partir de uma questão recorrente no mercado: a alegação de que seria difícil encontrar creators negros. A resposta ao lançamento veio rapidamente. Em menos de um dia, mais de mil pessoas preencheram o formulário para fazer parte da Vitrine. Nos comentários da publicação, integrantes da comunidade também agradeceram a iniciativa e destacaram a importância de criar uma ponte entre quem produz conteúdo e quem busca esses profissionais.

“Isso tá sendo tão necessário! Dentro do meu nicho, é realmente raro ver um preto tendo oportunidade de fechar com uma marca grande.”, declarou o seguidor Christian Mello (@soueuchristianmello). 

A Vitrine parte da ideia de que repertório e consistência também são critérios de valor, independentemente do tamanho da audiência.

O sucesso inicial da iniciativa também é um agradecimento à comunidade que respondeu ao chamado e ajudou a mostrar, mais uma vez, que talento negro existe — e está criando todos os dias.

As inscrições para a Vitrine de Creators Negros seguem disponíveis. Criadores interessados podem fazer seu cadastro em: https://mundonegro.inf.br/vitrine-de-creators-negros/.

Any Gabrielly protagoniza “Habeas corpus”, nova série da Netflix

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Any Gabrielly em cena da série Habeas corpus, da Netflix.
Foto: Rafael Barion/Netflix

Produção estreia em 23 de setembro e é inspirada no trabalho do Innocence Project Brasil

Any Gabrielly estreia em uma nova frente da carreira como Marina, estudante de Direito em “Habeas corpus”, primeira série jurídica brasileira da Netflix. A produção chega ao catálogo da plataforma em 23 de setembro e também tem Marjorie Estiano, Vladimir Brichta, Danton Mello, Marisa Orth e Natália Lage no elenco.

Na trama, Marjorie interpreta Inez, uma professora de Direito que lidera um grupo de revisão criminal dedicado a investigar a condenação de um jovem que afirma não ter cometido o crime pelo qual foi preso.

Marina, interpretada por Any Gabrielly, é uma das alunas de Inez e se aproxima da professora movida por um objetivo pessoal: buscar respostas para uma injustiça que afetou profundamente sua família.

A história é inspirada no trabalho real do Innocence Project Brasil, organização que atua na investigação e revisão de casos de condenações injustas. A produção utiliza essa realidade como ponto de partida para discutir falhas do sistema de Justiça.

A série tem direção geral de Luiz Villaça, que também assina a criação ao lado de Leonardo Moreira e Donna Oliveira. Leonardo Moreira é responsável pelo roteiro final.

A Netflix divulgou as primeiras imagens da produção nesta terça-feira (18) e confirmou a estreia para 23 de setembro.

Gaby Ferraz e Joanna Fernanda lançam plataforma de idiomas com foco na cultura afro-francófona 

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Gaby Ferraz e Joanna Fernanda, criadoras do Afrofrancês
Foto: Divulgação

Afrofrancês conecta ensino de idiomas a literatura, memória, colonialismo e ancestralidade, com aulas conduzidas por professores nativos de países africanos francófonos. 

Aprender francês a partir de referências culturais negras e das experiências de países africanos francófonos é a proposta do Afrofrancês, projeto idealizado pelas pesquisadoras Gaby Ferraz e Joanna Fernanda. A iniciativa une ensino de idiomas, literatura, memória, colonialismo e ancestralidade em uma experiência que supera o aprendizado convencional da língua.

O projeto parte do francês falado em mais de 20 países africanos que têm o idioma como uma das heranças do processo de colonização francesa. Nesses territórios, o francês convive com diversas línguas locais, entre elas wolof, lingala, kikongo, swahili, tshiluba e baoulé, formando diferentes experiências linguísticas e culturais.

Pesquisa e educação como ponto de partida

A criação do Afrofrancês nasce do encontro entre as trajetórias de suas idealizadoras. Joanna Fernanda é professora de francês e mestranda em Literaturas Francófonas, com pesquisa voltada ao colonialismo, à cultura e à literatura de países africanos de língua francesa.

Seu repertório acadêmico orienta a construção dos conteúdos, a curadoria literária e cultural e a abordagem crítica utilizada nas aulas. A proposta é apresentar o idioma também a partir das produções culturais e dos contextos históricos dos lugares onde ele é utilizado.

Gaby Ferraz é jornalista, criadora de conteúdo e pesquisadora de memória e narrativas negras na diáspora, atuando na estruturação da experiência cultural do projeto. Sua contribuição inclui a organização de imersões, passeios, o podcast do Afrofrancês e a seleção dos professores africanos que participam das aulas.

A experiência das próprias idealizadoras como estudantes de idiomas também influenciou a metodologia. Gaby, que estudou inglês e espanhol de forma autodidata, identificou na própria trajetória a importância de estabelecer uma relação de identificação com os conteúdos estudados.

Professores como parte da experiência cultural

Atualmente, o Afrofrancês reúne alunos que buscam aprender francês por essa perspectiva. As aulas são conduzidas por professores nativos de diferentes países africanos francófonos.

No projeto, esses profissionais também compartilham referências e experiências relacionadas aos seus próprios contextos culturais. As idealizadoras os definem como “corpo-memória”, destacando a presença de suas vivências na construção das aulas e na ampliação do repertório dos estudantes.

A proposta não se restringe ao ambiente virtual ou à sala de aula. O Afrofrancês já realizou encontros de culinária, atividades relacionadas ao artesanato, cinedebates e clubes de leitura em parceria com empreendedores interessados em aproximar os alunos de diferentes expressões culturais.

Turmas personalizadas

Outro aspecto do método está na formação das turmas. Antes de começar as aulas, os interessados respondem a um formulário que funciona como uma espécie de entrevista inicial. O objetivo é conhecer interesses, gostos pessoais, formas preferidas de aprendizado e experiências multiculturais anteriores.

A partir dessas informações, as turmas são organizadas de maneira personalizada, de acordo com os perfis e interesses dos estudantes.

As novas turmas do Afrofrancês estão abertas e os grupos continuam sendo formados de maneira personalizada. Informações sobre aulas e valores estão disponíveis no Instagram @francesafro.

Executiva defende que mulheres falem sobre suas conquistas: “Temos que desaprender a humildade silenciosa”

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Lauren Flanigan
Foto: Divulgação

Há 12 anos, Lauren Flanigan ingressou na Mondelez como estagiária, e desde 2024, tornou-se líder de um portfólio de US$ 2,5 bilhões em mais de 20 mercados globais. A executiva — que também presidiu o Conselho Afro-Americano da multinacional — consolida sua trajetória no topo do mercado corporativo desafiando normas estruturais de gênero e raça. Para ela, o divisor de águas na carreira foi abandonar a expectativa do reconhecimento passivo e reivindicar o próprio protagonismo: “Temos que desaprender a humildade silenciosa”, afirmou em uma entrevista recente à Forbes Brasil.

No início de sua caminhada, Flanigan acreditava na premissa de manter a cabeça baixa e esperar pelo reconhecimento. Ao perceber os limites dessa postura, mudou a estratégia e passou a comunicar ativamente seus resultados sob o lema “dê crédito e receba o crédito”. “Com muita frequência, a sociedade incentiva as mulheres a adotarem comportamentos que jogam contra o sucesso corporativo — ser quieta, ser humilde, não ser insistente, não pedir muito”, destacou. “Aprendi que as pessoas não podem conhecer os detalhes do meu trabalho a menos que eu conte a elas”.

A postura assertiva se refletiu em números e campanhas premiadas mundialmente. Responsável por ações globais da marca Trident — incluindo peças premiadas com o Leão de Ouro no Festival de Cannes —, a executiva demonstra visão aguçada para identificar oportunidades de mercado.

Em 2017, percebendo um nicho inexplorado para produtos sazonais, a Flanigan estruturou um plano de negócios que convenceu a liderança a criar uma divisão exclusiva sob sua gestão. A iniciativa gerou o lançamento de 13 produtos em nove meses e uma receita superior a US$ 100 milhões em três anos. “Muitas vezes, esperamos as coisas acontecerem. Mas, às vezes, você precisa criar a oportunidade”, afirma a executiva.

Com trajetória que conecta alta performance e compromisso com a equidade, a executiva também utilizou seu espaço para fortalecer a presença de profissionais negros no corporativo durante sua gestão no Conselho Afro-Americano da empresa. Para Flanigan, a presença nos espaços de decisão ganha sentido quando acompanhada de movimentos coletivos. “Representatividade importa, mas mentoria ativa e aliança importam mais. Meu objetivo é sempre elevar outros enquanto eu subo”, destaca.

Inspirada pelo pai corporativo e pela mãe empreendedora, o interesse de Lauren pelo marketing surgiu ainda no ensino médio, consolidando-se durante sua passagem pela renomada Wharton School, na Universidade da Pensilvânia.

Apesar de gerenciar operações em múltiplos fusos horários, a executiva faz questão de estabelecer limites rígidos para preservar sua saúde mental e o convívio com a família. Entre hábitos como a escrita de diários de gratidão e a confecção de velas, ela mantém o foco no que realmente importa: “No final da minha vida, quero me orgulhar do meu sucesso profissional, mas não será a única coisa à qual me apegarei. Protejo as pessoas e os momentos dos quais mais me lembrarei da mesma forma que protegeria uma entrega profissional.”

Caso Tupac Shakur: Promotoria afirma que ex-líder de gangue ordenou morte do rapper por vingança

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Tupac e Keffe D
Fotos: IMDB e Steve Marcus/Pool/Las Vegas Sun via AP file

Quase três décadas após o assassinato que marcou a história do hip-hop, o julgamento de Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, teve início em Las Vegas. Único réu formalmente acusado pela morte de Tupac Shakur, o ex-líder de gangue é apontado pela promotoria como o articulador e “comandante” do ataque ocorrido em 1996.

Embora não seja acusado de ter efetuado os disparos, a acusação sustenta que Davis planejou a ação, forneceu a arma e ordenou o ataque como retaliação a uma agressão sofrida por seu sobrinho, Orlando Anderson, horas antes.

“Sejamos claros, Duane Davis não apertou o gatilho. Mas planejou o tiroteio em retaliação à agressão sofrida por seu sobrinho”, declarou o promotor-chefe adjunto Binu Palal diante do júri. Davis se declara inocente.

O episódio que culminou na morte de Tupac teve origem em um confronto físico horas antes do crime, no hotel MGM Grand, após uma luta de boxe de Mike Tyson. Na ocasião, o rapper e integrantes de seu grupo se envolveram em uma briga com Orlando Anderson, membro da gangue South Side Compton Crips e sobrinho de Davis.

De acordo com a promotoria, Davis considerou que o ocorrido exigia uma resposta. Ele teria conseguido uma arma e circulado por Las Vegas ao lado de outros homens em um Cadillac branco até localizar o veículo em que estavam Tupac e Marion “Suge” Knight, cofundador da Death Row Records. Davis estaria no banco do passageiro e teria repassado a arma para Anderson, apontado como o autor dos disparos.

Baleado em 7 de setembro de 1996, aos 25 anos, Tupac Shakur não resistiu aos ferimentos e morreu seis dias depois.

Declarações do réu e contra-argumentos da defesa

Grande parte da tese da acusação baseia-se em falas do próprio Davis ao longo dos anos. Em entrevistas e em um livro de memórias publicado em 2019, o réu afirmou que estava no veículo envolvido no atentado e confirmou ter entregue a arma ao sobrinho.

A defesa de Davis contestou a validade do material, alegando que passagens da autobiografia foram dramatizadas com fins comerciais para impulsionar vendas. Os advogados classificaram a investigação como “tendenciosa, negligente e incompleta”, questionando a consistência das provas reunidas ao longo de quase três décadas. O advogado Michael Sanft questionou o desaparecimento de relatórios policiais e mudanças de depoimentos de testemunhas ao longo do tempo.

No primeiro dia de audiência, o ex-policial de Las Vegas Garry Dale relatou que acompanhou o rapper na ambulância após o ataque e tentou identificar os suspeitos. Segundo o agente, Tupac recusou-se a colaborar com as investigações, afirmando apenas: “Nós vamos cuidar disso”.

Outra testemunha, Ingrid Stokes, relatou que estava em um veículo próximo no momento do ataque e presenciou o momento em que o carro do rapper foi emparelhado. “Estávamos de cabeça baixa, tirando os cintos de segurança, quando ouvimos os tiros. O inferno se instaurou”, relatou.

O assassinato de Tupac Shakur permanece como um dos episódios mais chocantes na história da música, marcado pelas tensões geopolíticas do rap entre as costas Leste e Oeste dos Estados Unidos e pelos conflitos entre gangues rivais na década de 1990.

Justiça anula autuação por trabalho escravo na casa de desembargador em SC e retira nome da ‘lista suja’

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Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região
Foto: Reprodução

Por unanimidade, o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-12) anulou o processo administrativo que confirmava o auto de infração por trabalho análogo à escravidão na residência do desembargador Jorge Luiz de Borba, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em Florianópolis. A decisão beneficiou a esposa do magistrado, Ana Cristina Gayotto de Borba, apontada pela fiscalização como a empregadora de Sônia Maria de Jesus, uma mulher negra, surda e cega de um olho. As informações são da coluna do Leonardo Sakamoto do UOL.

Com o entendimento do tribunal, a Justiça determinou a remoção do nome de Ana Cristina da “lista suja” do trabalho escravo, o cadastro federal mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e reconhecido pela ONU como uma das principais ferramentas de combate ao crime e de gestão de risco comercial. No entanto, a Advocacia-Geral da União solicitou uma decisão sobre o caso, e o Ministério Público do Trabalho informou que também irá recorrer da anulação.

A decisão colegiada do tribunal, tomada sob segredo de Justiça, não analisou o mérito da fiscalização e não concluiu que a trabalhadora não tenha sido submetida a condições análogas à escravidão. A anulação fundamentou-se em uma falha considerando que houve violação à ampla defesa.

Segundo o relator, desembargador Garibaldi Tadeu Pereira Ferreira, embora a presença de advogado não seja obrigatória em processos administrativos, o pedido expresso para que as comunicações fossem feitas aos advogados constituídos deveria ter sido respeitado pela administração pública. Como a notificação foi enviada diretamente a Ana Cristina, o prazo recursal expirou sem manifestação da defesa técnica. Assim, o acórdão invalidou apenas a etapa administrativa que confirmava a infração, sem desfazer a operação de resgate nem absolver os investigados.

Entenda o caso

Sônia Maria de Jesus foi resgatada em junho de 2023 por uma ação conjunta do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, composto por Inspeção do Trabalho, MPT, MPF, DPU e Polícia Federal. Levada aos nove anos de uma creche na Grande São Paulo pela mãe de Ana Cristina, a fiscalização concluiu que Sônia trabalhou quase 40 anos para a família exercendo tarefas domésticas e cuidados diários sem receber salário, carteira assinada, férias, décimo terceiro ou descanso semanal. Ela passou a maior parte da vida sem registro de identidade, emitido apenas em 2019, e sem ter sido alfabetizada em português ou em Língua Brasileira de Sinais (Libras), comunicando-se apenas por gestos.

No imóvel, segundo o relatório, ela dormia entre um quarto anexo à área de serviço e o quarto de hóspedes da residência. Diante da repercussão do resgate e da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por trabalho escravo, a família Borba sustentou que Sônia era integrante da família e anunciou intenção de pedir sua filiação afetiva. Contudo, publicações nas redes sociais mostravam Sônia listada como “funcionária” do casal, ficando de fora de fotos e homenagens sobre a família reunida.

Apenas três meses após o resgate, a trabalhadora foi devolvida à casa do desembargador sob a justificativa de manifestar uma suposta vontade clara e inequívoca, em decisão autorizada pelo ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça, e mantida no Supremo Tribunal Federal pelo ministro André Mendonça, que negou um habeas corpus da Defensoria Pública da União.

O subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos classificou como teratológica a ordem que permitiu o retorno, alertando para pareceres técnicos que atestavam a impossibilidade de a vítima manifestar livre vontade e comparando a situação à Síndrome de Estocolmo, uma vez que o retorno interrompeu a autonomia da vítima e seu aprendizado em Libras.

O caso provocou denúncias de entidades à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA e levou o relator especial da ONU para formas contemporâneas de escravidão, Tomoya Obokata, a declarar-se alarmado com a autorização judicial para a devolução da trabalhadora aos patrões, recomendando ao Brasil a garantia efetiva de resgate, reabilitação e reparações a Sônia.

Mundo Negro lança a Vitrine de Creators Negros para marcas encontrarem talentos para campanhas publicitárias

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Vitrine de Creators Negros do Mundo Negro para campanhas publicitárias
Foto: Reprodução

O Brasil é 55,5% negro, mas a comunicação das marcas ainda não reflete essa realidade. Segundo o 8º Estudo Diversidade na Comunicação de Marcas nas Redes Sociais (Buzzmonitor, 2026), apenas 32,5% das propagandas das maiores marcas do país trouxeram pessoas negras em 2026, número abaixo do registrado em 2024. Em setores como varejo e entretenimento, essa presença não passou de 25%. E, no ranking dos 20 maiores creators do Brasil (OCDR), apenas um é negro.

O contraste fica ainda mais evidente diante do potencial desse mercado: conteúdos com elencos diversos engajam cerca de 30% mais e a população negra movimenta R$ 1,9 trilhão por ano em bens e serviços no país. Representatividade e resultado de negócio caminham juntos.

É nesse cenário que o Mundo Negro lança a Vitrine de Creators Negros: um diretório que reúne criadoras e criadores pretos de todo o Brasil e de todos os nichos e os torna fáceis de encontrar para campanhas publicitárias. A proposta responde a uma pergunta que a redação escuta com frequência: marcas e agências querem diversificar seus elencos, mas dizem não saber onde encontrar esses profissionais. A Vitrine coloca essa informação, organizada por nicho e região, ao alcance de um clique.

A discussão já vinha ganhando força na comunidade. “Onde estão os influenciadores negros do Brasil?”, questionou o creator Andre Damião (@oneandre) em publicação recente. Na mesma linha, o comunicador baiano William Souza (@willosou) provocou o mercado com um “Procura-se influenciadores pretos”.

“Sempre que converso com alguém do mercado que claramente não convive com pessoas negras, aparece o mesmo discurso: o de não saber onde a gente está. O Mundo Negro é o veículo líder em jornalismo com foco na comunidade negra, e quero usar essa credibilidade para ampliar a base de dados desses criadores de conteúdo e fazer deste projeto um aliado potente do movimento de inclusão de pessoas negras na publicidade”, afirma Silvia Nascimento, Fundadora e Head de Conteúdo do Mundo Negro.

O funcionamento é simples. O creator preenche um cadastro rápido e passa a integrar a lista. Marcas, agências e imprensa consultam esse material e falam diretamente com cada profissional, sem intermediários e sem burocracia. O Mundo Negro não faz a curadoria dos contatos nem intermedeia negociações: o papel do veículo é dar visibilidade e facilitar que as marcas encontrem talentos negros para suas campanhas.

É creator negro? Faça seu cadastro em: https://mundonegro.inf.br/vitrine-de-creators-negros/.

É marca, agência ou imprensa? Acesse a lista e encontre quem você procura.

Fontes: 8º Estudo Diversidade na Comunicação de Marcas nas Redes Sociais (Buzzmonitor, 2026); Top 20 Creators Brasil 2026 (OCDR).

Breno da Matta vive pianista em “A Nobreza do Amor”

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Breno da Matta caracterizado como Murilo Malta em A Nobreza do Amor
Foto: Beatriz Damy/Globo

Ator entra na novela das seis como Murilo Malta, que retorna a Barro Preto e reacende uma história de amor interrompida no passado

Breno da Matta é o novo nome a movimentar a trama de “A Nobreza do Amor”. O ator interpreta Murilo Malta, um pianista ligado ao passado de Maria Helena, personagem de Quitéria Kelly. A estreia de suas primeiras cenas está prevista para esta terça-feira (18), na novela das seis da TV Globo.

Murilo retorna a Barro Preto para se apresentar na festa das bodas de prata de Marta (Emanuelle Araújo) e Diógenes (Danton Mello). A chegada do músico, no entanto, representa mais do que um compromisso profissional: ela coloca frente a frente duas pessoas que tiveram a trajetória marcada por um amor interrompido.

Na juventude, Murilo e Maria Helena viveram um romance que foi impedido pela família dela. Maria Helena acabou se casando com Fortunato (César Ferrario), enquanto Murilo seguiu sua trajetória como pianista.

O reencontro acontece anos depois e abre espaço para que os dois revisitem escolhas e possibilidades que ficaram no passado. Para Breno, a relação construída com Quitéria Kelly também contribuiu para a composição do casal.

“Quitéria é uma amiga de muitos anos. Já trabalhamos juntos no teatro. Quando soube que ela seria minha parceira de cena e meu par romântico na novela, fiquei muito feliz. A nossa relação de confiança tornou o processo muito natural”, afirmou o ator em entrevista ao portal O Globo.

Breno também destacou a parceria durante a preparação das cenas. Segundo ele, a proximidade entre os dois artistas ajudou na construção da relação entre Murilo e Maria Helena.

“Tem sido uma experiência muito especial, construída com troca, parceria e cumplicidade”, declarou.

Um reencontro que transforma o presente

Para o ator, a volta de Murilo não representa apenas a retomada de um romance. O personagem também provoca Maria Helena a olhar para a própria trajetória e para as possibilidades que ainda existem em sua vida.

“Esse reencontro promete ser um dos grandes momentos da trama. Quando os dois se reencontram, reacende uma chama que vai além do amor. É também a redescoberta da própria vida, da possibilidade de voltar a ser feliz e da coragem necessária para reconstruir sua história”, afirmou Breno ao O Globo.

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