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Stevie Wonder anuncia turnê de 50 anos de “Songs in the Key of Life”

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Stevie Wonder durante apresentação musical
Foto: Raph_PH/ Divulgação

Aos 76 anos, cantor apresentará o álbum de 1976 na íntegra em 18 shows pela Europa e pelos Estados Unidos.

Cinco décadas depois de lançar “Songs in the Key of Life”, Stevie Wonder vai voltar aos palcos cantando os sucessos do álbum que marcou sua carreira. Aos 76 anos, o cantor e compositor anunciou uma turnê comemorativa de 50 anos do disco, com 18 apresentações entre outubro e dezembro de 2026 pela Europa e pelos Estados Unidos.

A turnê começa em 13 de outubro, em Birmingham, na Inglaterra, e passará por cidades como Paris, Copenhague, Oslo, Estocolmo, Amsterdã, Londres e Manchester antes de seguir para os Estados Unidos. Na etapa norte-americana, Stevie se apresenta em Nova York, Chicago, Washington, D.C. e Detroit, encerrando a agenda em 19 de dezembro, em Los Angeles.

A proposta é apresentar “Songs in the Key of Life” na íntegra, revisitando um dos trabalhos mais importantes da trajetória de Stevie Wonder e da música negra norte-americana.

Um álbum atemporal

Lançado em 1976, “Songs in the Key of Life” reuniu diferentes referências musicais, passando por soul, funk, jazz, gospel, pop e experimentações com instrumentos eletrônicos.

O álbum também consolidou a capacidade de Stevie Wonder de transformar experiências pessoais e questões sociais em canções atemporais que marcaram toda uma geração de fãs, abordando temas como infância, amor, espiritualidade, família e desigualdade racial.

Faixas como Sir Duke”, homenagem a Duke Ellington, “I Wish”, “Isn’t She Lovely” e “As” se tornaram alguns dos maiores sucessos do repertório do artista.

A produção também encerrou uma sequência especialmente marcante na carreira de Stevie. Entre 1972 e 1976, ele lançou cinco álbuns que se tornaram referências: “Music of My Mind”, “Talking Book”, “Innervisions”, “Fulfillingness’ First Finale” e “Songs in the Key of Life”.

Reconhecimento histórico

O impacto de “Songs in the Key of Life” também foi reconhecido pela indústria musical. Em 1977, Stevie Wonder venceu o Grammy de Álbum do Ano pelo disco, além de levar outros prêmios naquela edição.

O álbum também integra o National Recording Registry, da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, por sua relevância cultural, histórica e estética. Em 2002, foi incluído no Grammy Hall of Fame.

Uma das faixas do álbum é “Black Man”, que aborda a contribuição de diferentes povos para a construção da sociedade e da história.

Por onde Stevie Wonder vai passar?

A turnê começa em Birmingham, na Inglaterra, em 13 de outubro, e segue por diferentes cidades europeias, incluindo Paris, Copenhague, Oslo, Estocolmo, Hannover, Colônia, Amsterdã, Dublin, Londres, Manchester e Glasgow.

Na sequência, Stevie Wonder desembarca nos Estados Unidos para shows em Nova York, Chicago, Washington, D.C. e Detroit, onde fará duas apresentações.

A última parada será Los Angeles, em 19 de dezembro, encerrando a turnê de 50 anos de “Songs in the Key of Life”.

Estão em destaque na agenda como shows mais aguardados os do Madison Square Garden, em Nova York, em 19 de novembro, e a apresentação no The O2, em Londres, em 3 de novembro.

Principais datas

  • 13/10 — Birmingham, Inglaterra
  • 15/10 — Paris, França
  • 18/10 — Copenhague, Dinamarca
  • 22/10 — Estocolmo, Suécia
  • 28/10 — Amsterdã, Holanda
  • 03/11 — Londres, Inglaterra
  • 08/11 — Manchester, Inglaterra
  • 19/11 — Nova York, EUA
  • 21/11 — Chicago, EUA
  • 23/11 — Washington, D.C., EUA
  • 08 e 09/12 — Detroit, EUA
  • 19/12 — Los Angeles, EUA

Beauty Fair 2026: Selecionamos os principais lançamentos para as crespas e cacheadas da maior feira de beleza do país

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Camilla de Lucas
Camila de Luccas e Kolene se juntam para lançamento de nova linha/Foto: Divulgação

A Beauty Fair 2026 chegou ao fim nesta terça-feira (8), no Expo Center Norte, em São Paulo, depois de quatro dias reunindo marcas, profissionais, criadores de conteúdo e consumidores em torno das principais tendências do mercado de beleza. Considerada uma das principais vitrines do setor no país, a feira reuniu mais de 2 mil marcas, 500 expositores e mais de 200 mil visitantes.

Entre as novidades apresentadas, o segmento de cabelos ganhou destaque com produtos que apostam na especialização por tipo de fio, tratamentos multifuncionais e soluções para diferentes técnicas. Para o público negro, especialmente consumidores de cabelos crespos, cacheados e usuários de tranças, algumas das novidades chamaram atenção por contemplarem necessidades específicas desse universo.

Embora nem todos os produtos sejam desenvolvidos exclusivamente para pessoas negras, os lançamentos abaixo dialogam diretamente com rotinas de cuidados comuns entre consumidores de fios com curvaturas. Confira cinco novidades apresentadas na Beauty Fair 2026.

1. Widi Care — Juba Tranças

A Widi Care levou à Beauty Fair a Juba Tranças, novidade voltada aos cuidados associados às tranças, uma das técnicas mais presentes entre pessoas negras e que exige atenção específica tanto na preparação quanto na manutenção dos fios.

A novidade faz parte de uma estratégia mais ampla da marca para atender diferentes necessidades dentro do universo dos cabelos com curvaturas. Além da Juba Tranças, a Widi Care apresentou a evolução da linha PhytoBerry Ultra-Hidratação e os óleos finalizadores SALVA.

A aposta em produtos específicos para tranças acompanha uma mudança no mercado de beleza: em vez de oferecer apenas produtos genéricos para cabelos cacheados e crespos, marcas têm criado soluções direcionadas a técnicas e momentos específicos da rotina, como finalização, hidratação e manutenção de penteados.

2. African Beauty — Mousse Modelador e Spray Solta Nós

A African Beauty ampliou seu portfólio de fibras e, ao mesmo tempo, apresentou produtos destinados aos cuidados com os cabelos. Entre os destaques estão o Mousse Modelador e o Spray Solta Nós.

A estratégia aproxima dois universos que fazem parte da rotina de muitas consumidoras negras: as fibras utilizadas em tranças e extensões e os produtos necessários para cuidar dos fios naturais e das técnicas aplicadas sobre eles.

Além das novidades de tratamento, a marca apresentou novas cores de fibras durante a feira. Para a organização da Beauty Fair, o movimento representa uma ampliação das possibilidades de venda dentro de uma mesma categoria, combinando extensão do portfólio de fibras com produtos de cuidado.

3. Kolene — Nutri Bond by Camilla de Lucas

A Kolene apresentou uma expansão da linha Nutri Bond by Camilla de Lucas, criada especialmente para cabelos com curvaturas. O lançamento reúne três novidades: Hair Splash, Elixir de Óleos Africanos e Mel Africano Finalizador.

O Hair Splash combina perfumação, ação de day after, proteção térmica e controle do frizz. Já o Elixir de Óleos Africanos e o Mel Africano Finalizador ampliam as opções de finalização da linha, com foco em brilho e definição.

O desenvolvimento dos produtos contou com a participação da própria Camilla de Lucas, da equipe da marca e do Bonde Kolene, comunidade formada por mais de 150 creators com diferentes tipos de curvatura. Segundo a marca, o Nutri Bond se tornou o maior lançamento da Kolene desde o reposicionamento iniciado em 2023, superando em 60% as expectativas de vendas.

A Kolene também aproveitou a Beauty Fair para apresentar uma nova identidade visual de suas embalagens, em comemoração aos 50 anos da marca.

Os produtos serão lançados oficialmente no mercado a partir de outubro.

4. Bio Extratus — Supermáscara Cronograma

A Bio Extratus apresentou a Supermáscara Cronograma, da linha be.use Bio Extratus by Mago dos Cabelos, criada para reunir três etapas do cronograma capilar em um único produto: hidratação, nutrição e reconstrução.

Indicada para cabelos lisos, ondulados, cacheados e crespos, inclusive quimicamente tratados, a máscara tem tempo de pausa de apenas três minutos. A proposta é facilitar uma rotina que tradicionalmente exige produtos diferentes para cada etapa.

Na fórmula, a etapa de reconstrução conta com aminoácidos biomiméticos de baixo peso molecular; a hidratação é associada ao D-Pantenol; e a nutrição reúne óleos de rícino, coco e macadâmia. O produto tem 250 g e preço sugerido de R$ 68,90.

A máscara também tem fórmula vegana e não contém parabenos, petrolatos ou corantes. A proposta é oferecer uma alternativa mais prática para quem precisa alternar tratamentos de acordo com as necessidades dos fios, incluindo os cabelos crespos e cacheados.

5. TRUSS — Hydra Air e novas soluções de tratamento

A TRUSS Professional apresentou na Beauty Fair uma série de novidades para diferentes etapas do cronograma capilar. Entre os destaques está a Hydra Air, lançamento que completa a atuação da marca nas principais etapas de tratamento.

A marca também ampliou a linha Nutri Infusion, com a chegada do Night Spa e da Lipidic Hair Mask, além de apresentar a linha Color Shield e o novo condicionador Blond Revolution. As novidades têm foco principalmente no tratamento, manutenção e preparação dos cabelos.

Embora os lançamentos da TRUSS não sejam exclusivos para cabelos crespos ou para o público negro, a ampliação das possibilidades de tratamento também contempla consumidores com diferentes texturas e necessidades de fibra. A marca aposta em um portfólio cada vez mais segmentado, acompanhando uma tendência observada na Beauty Fair 2026: a substituição de soluções genéricas por produtos voltados a necessidades específicas.

6. Salon Line — Xêrosa Coleção Perfume

A Salon Line amplia a linha Xêrosa com uma coleção de fragrâncias que aproxima o body splash do universo da perfumaria. Com classificação eau de toilette, os produtos apostam em aromas mais sofisticados e marcantes, além de embalagens inspiradas em frascos de perfume. As fragrâncias podem ser aplicadas tanto no corpo quanto nos cabelos, combinando perfumação e praticidade para a rotina de beleza. A coleção reúne quatro fragrâncias: Doce Blush, Lady Rouge, Pérola Chic, Paradoxo Floral e Quartzo Rosa.

Vozinha é indicado à Bola de Ouro 2026 em lista inédita

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Vozinha, goleiro de Cabo Verde, durante partida de futebol
Reprodução: Buda Mendes/Getty Images

Destaque de Cabo Verde na Copa do Mundo, goleiro de 40 anos concorre ao Troféu Yashin ao lado de Yassine Bounou, do Marrocos, e Édouard Mendy, do Senegal. 

O goleiro Vozinha, de Cabo Verde, está entre os dez indicados ao Troféu Yashin 2026, prêmio concedido pela France Football ao melhor goleiro da temporada. A indicação reconhece o desempenho do jogador de 40 anos na Copa do Mundo de 2026, quando Cabo Verde fez sua estreia no torneio e avançou à fase eliminatória.

Ao celebrar a indicação no Instagram, Vozinha escreveu: Lembro-me de onde vim, de tudo o que vivi, dos sacrifícios, das dificuldades e de todos aqueles que caminharam comigo. Esta nomeação não é só minha. Levo comigo São Vicente, Cabo Verde e um povo inteiro que nunca deixou de acreditar.” 

A presença de Vozinha também compõe um marco para o futebol africano: três goleiros africanos aparecem entre os dez indicados ao prêmio pela primeira vez desde a criação do Troféu Yashin, em 2019. A lista também reúne o marroquino Yassine Bounou e o senegalês Édouard Mendy.

Vozinha ganhou destaque na Copa

Na estreia, diante da Espanha, o goleiro fez sete defesas no empate por 0 a 0 e foi eleito o melhor jogador da partida pela Fifa. Ao longo do Mundial, ele terminou com 18 defesas em quatro partidas, número que o colocou entre os goleiros com mais intervenções no torneio.

A atuação ajudou Cabo Verde a avançar à fase eliminatória em sua primeira participação em uma Copa do Mundo. A seleção também se tornou o país de menor população a alcançar a fase de mata-mata da competição.

Aos 40 anos, Vozinha transformou a campanha histórica de Cabo Verde em uma indicação inédita para sua carreira no principal prêmio individual destinado a goleiros.

Três goleiros africanos na lista

O continente africano aparece pela primeira vez representado por três goleiros na disputa além de Vozinha, são eles o marroquino Yassine Bounou, e o senegalense Édouard Mendy.

Bounou teve 58 partidas na temporada 2025/26, com 30 jogos sem sofrer gols, enquanto Mendy disputou 56 partidas e terminou com 28 jogos sem ser vazado. Mendy também conquistou a Liga dos Campeões da Ásia e a Supercopa Saudita com o Al-Ahli.

A presença dos três goleiros representa um marco histórico para o Troféu Yashin, criado em 2019 para reconhecer anualmente o melhor goleiro da temporada. O brasileiro Alisson foi o primeiro vencedor.

Quem concorre ao Troféu Yashin 2026?

A lista tem dez goleiros:

  • Yassine Bounou — Marrocos
  • Thibaut Courtois — Bélgica
  • Joan García — Espanha
  • Gregor Kobel — Suíça
  • Emiliano Martínez — Argentina
  • Édouard Mendy — Senegal
  • David Raya — Espanha
  • Matvey Safonov — Rússia
  • Unai Simón — Espanha
  • Vozinha — Cabo Verde

A lista oficial foi divulgada pela organização da Bola de Ouro nesta terça-feira (8).

Brasileiros indicados à Bola de Ouro

A lista da categoria principal da Bola de Ouro 2026 também reúne nomes de destaque do futebol brasileiro. Vini Jr., Gabriel Magalhães e Marquinhos concorrem na principal categoria, além de Lorena que disputa o prêmio de melhor goleira, enquanto Lamine Yamal, da Espanha, também concorre à categoria individual da premiação.

Bola de Ouro será realizada em Londres

A cerimônia da 70ª edição da Bola de Ouro está marcada para 26 de outubro, em Londres. A premiação deixa Paris excepcionalmente neste ano para celebrar as sete décadas desde a primeira edição, vencida pelo inglês Stanley Matthews, em 1956.

A edição de 2026 considera o desempenho dos jogadores na temporada 2025/26, incluindo a Copa do Mundo disputada na América do Norte.

‘Feito Pipa’, filme premiado em Gramado, ganha trailer e disputa vaga brasileira no Oscar

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Feito Pipa
Filme estreia dia 5 de novembro nos cinemas/Foto: Divugação/Jamille Queiroz

Longa dirigido por Allan Deberton é estrelado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos e chega aos cinemas em novembro

O filme brasileiro “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, acaba de ganhar seu trailer oficial. Estrelado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, o longa chega aos cinemas brasileiros em 5 de novembro e está entre os seis filmes habilitados pela Academia Brasileira de Cinema para disputar a indicação do Brasil ao Oscar 2027 na categoria de Melhor Filme Internacional. O representante brasileiro será anunciado em 16 de setembro.

A produção teve destaque na 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, onde foi o filme mais premiado. O longa recebeu quatro Kikitos — de Melhor Direção para Deberton, Melhor Atriz para Teca Pereira, Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos e Melhor Filme pelo Júri Popular — além de uma Menção Honrosa para Yuri Gomes.

História acompanha menino criado pela avó no sertão do Ceará

No filme, Yuri Gomes interpreta Gugu, um menino de quase 12 anos apaixonado por futebol que vive em Quixadá, no sertão do Ceará, com a avó Dilma, interpretada por Teca Pereira. Professora aposentada, ela criou o neto de maneira livre e afetuosa, estimulando sua criatividade e dando a ele uma infância marcada pela autonomia.

A relação com o pai, Batista, vivido por Lázaro Ramos, é diferente. Marcada por ausências e sentimentos não expressos, a convivência entre os dois ganha novos contornos quando Gugu passa a enfrentar a possibilidade de deixar a casa da avó para morar com o pai.

A partir desse conflito, “Feito Pipa” aborda temas como amadurecimento, pertencimento, afeto e liberdade. O elenco também conta com Carlos Francisco, de “O Agente Secreto”, e Georgina Castro, de “O Céu de Suely”, além das crianças Luan Vasconcelos, Beatriz Carwile, Nathyel Martins, Manuela Paulino, Pablo Vinícios e Enzo Uejo.

Assista ao trailer:

Trajetória internacional

Antes da estreia nacional em Gramado, “Feito Pipa” percorreu festivais internacionais e conquistou cinco prêmios. A primeira exibição mundial aconteceu em fevereiro, durante a Berlinale, na Alemanha.

Na 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, o longa recebeu o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus. A produção também esteve entre os três finalistas do Teddy Award.

No Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias, na Colômbia, Yuri Gomes recebeu o prêmio de Melhor Interpretação na mostra competitiva Cine de los Barrios. Já no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México, o filme conquistou o Prêmio Maguey de Melhor Filme e o Prêmio Maguey de Melhor Interpretação para Teca Pereira e Yuri Gomes.

A produção também passou por eventos como o Giffoni Film Festival, na Itália; o Frameline, em São Francisco, nos Estados Unidos; e o Shanghai International Film Festival, na China.

Rodado em Quixadá, “Feito Pipa” é produzido pela Deberton Filmes e Biônica Filmes. A distribuição nos cinemas brasileiros será feita pela Paris Filmes, enquanto a M-Appeal é responsável pelas vendas internacionais.

Ruby Bridges: 1ª criança negra em escola branca no sul dos EUA

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Foto: Getty Images/APPaul Morigi

Em 1960, aos seis anos, ela foi escoltada por agentes federais para entrar na Escola Primária William Frantz, em Nova Orleans.

Ruby Bridges nasceu em 8 de setembro de 1954, em Tylertown, no Mississippi, filha de Abon e Lucille Bridges. A família se mudou para Nova Orleans, na Louisiana, ainda durante a infância de Ruby, em busca de melhores oportunidades de trabalho e educação. O ano de seu nascimento coincidiu com um marco jurídico decisivo nos Estados Unidos: a Suprema Corte americana declarou, no caso Brown v. Board of Education, que a segregação racial nas escolas públicas era inconstitucional, encerrando formalmente décadas de validação legal da doutrina “separados, mas iguais”, firmada em 1896 no caso Plessy v. Ferguson.

A decisão da Suprema Corte, no entanto, levou anos para se traduzir em mudanças concretas na Louisiana. Somente em 1960 um juiz federal determinou o início da dessegregação nas escolas do estado. Foi nesse contexto que a NAACP, organização histórica de defesa dos direitos civis, aplicou testes de admissão em crianças negras de Nova Orleans para avaliar quais poderiam frequentar instituições até então exclusivamente brancas. Ruby foi uma das seis aprovadas e a única designada para a Escola Primária William Frantz.

No primeiro dia de aula, Bridges precisou ser acompanhada por agentes federais em meio a protestos de pais brancos. A diretora a levou diretamente para a sala da direção, onde permaneceu o dia inteiro enquanto centenas de crianças eram retiradas da escola pelos próprios pais. Durante toda a primeira série, Ruby teve uma única professora, Barbara Henry, e foi a única aluna da turma. Ela não podia frequentar o refeitório nem o parquinho, e precisava de escolta até para usar o banheiro. A pressão também atingiu a família: os pais perderam o emprego e, anos depois, se separaram.

Foto: Getty Images/reprodução

A trajetória de Bridges se tornou símbolo do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, sobretudo depois que o pintor Norman Rockwell retratou sua caminhada até a escola na obra “O Problema com o Qual Todos Vivemos”, publicada pela revista Look em 1964. Já adulta, Bridges se tornou autora e ativista, fundou a Ruby Bridges Foundation em 1999 e atuou para preservar a Escola Primária William Frantz após danos causados pelo furacão Katrina, em 2005.

É importante uma precisão histórica: a própria biografia oficial de Ruby Bridges, publicada pelo National Women’s History Museum, define sua conquista como a de “primeira criança afro-americana no Sul a frequentar uma escola primária exclusivamente branca”, não como a primeira do país. No mesmo dia de sua matrícula, outras três meninas negras (Leona Tate, Gail Etienne e Tessie Prevost) integraram simultaneamente a escola McDonough 19, também em Nova Orleans.

Em 2024, Ruby Bridges foi incluída no Hall da Fama Nacional das Mulheres, reconhecimento que reafirma o peso histórico de sua trajetória iniciada ainda na infância.

AMNB e Instituto Pretas debatem mulheres negras e eleições 2026

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Foto: UN Women/Ryan Brown/Divulgação

Webinário nesta terça (8), às 19h, discute a incidência política institucionalizada de mulheres negras nas eleições de 2026.

A Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) e o Instituto Pretas promovem nesta terça-feira (8), às 19h, o webinário “Política institucionalizada e mulheres negras: como incidir em épocas de eleição”, com transmissão ao vivo pelo canal da AMNB no YouTube. O encontro abre uma jornada de debates voltada às eleições de 2026 e discute o descompasso entre a participação eleitoral de mulheres negras e o espaço real que ocupam depois que as urnas fecham.

Participam da mesa a psicóloga Cida Bento, a historiadora Valdecir Nascimento e a historiadora Janira Sodré, com mediação da jornalista Rosane Borges. Cida Bento é doutora pela Universidade de São Paulo, cofundadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e autora do livro “O Pacto da Branquitude”, lançado em 2022, referência nos estudos sobre branquitude e racismo institucional no Brasil. Em 2015, a revista The Economist a incluiu entre as cinquenta pessoas mais influentes do mundo no campo da diversidade.

Valdecir Nascimento é formada em História pela Universidade Federal da Bahia e mestre em Educação pela Universidade do Estado da Bahia. Coordena o Odara, Instituto da Mulher Negra, e ocupa a coordenação executiva da AMNB, além de representar o Brasil na Rede de Mulheres Afrolatinoamericanas, Afrocaribenhas e da Diáspora. Janira Sodré, também historiadora, é fundadora do Instituto Pretas e integra a coordenação executiva da AMNB, com atuação recente no Comitê Impulsor Nacional da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. Rosane Borges, jornalista e pesquisadora, assina o livro “Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível”.

A AMNB reúne organizações de mulheres negras distribuídas pelas cinco regiões do país e atua há mais de duas décadas no enfrentamento ao racismo, ao sexismo e à violência política contra mulheres negras. O tema da incidência institucional ganha peso no calendário eleitoral de 2026, quando o movimento de mulheres negras pretende ampliar a cobrança por representação efetiva, e não apenas simbólica, dentro dos mandatos eletivos.

Serviço
📌 Data: hoje, 8 de setembro
🕖 Horário: 19h
📍 Transmissão: canal da AMNB no YouTube

Emmy 2026 premia Olhos de Wakanda e Ernest Harden Jr.

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Foto: divulgação/HBO

Série animada Olhos de Wakanda e o ator Ernest Harden Jr., de The Pitt, venceram na segunda noite do Creative Arts Emmy, em Los Angeles, no domingo.

A segunda noite do Creative Arts Emmy, realizada no domingo (6) no Peacock Theater, em Los Angeles, entregou dois prêmios que colocam a experiência negra em evidência dentro da premiação. “Olhos de Wakanda”, série animada da Marvel ambientada no universo de Pantera Negra, venceu na categoria de Melhor Realização Individual em Animação, Design de Personagens, com o profissional Uzoma Dunkwu, pelo episódio “Into the Lion’s Den”. Já Ernest Harden Jr. levou o Emmy de Melhor Ator Convidado em Série Dramática por sua atuação em “The Pitt”, aos 73 anos e após cinco décadas de carreira.

“Olhos de Wakanda” é uma minissérie de quatro episódios criada por Todd Harris, storyboard artist que trabalhou nos dois filmes de “Pantera Negra” dirigidos por Ryan Coogler, que também assina a produção executiva da série animada. A trama acompanha os Hatut Zeraze, um grupo de guerreiros wakandanos que atravessam diferentes períodos da história em missões para recuperar artefatos de vibranium roubados por inimigos da nação. Cada episódio se passa em uma época e local distintos, da Idade do Bronze à China antiga, e a animação foi produzida com uma técnica pintada à mão inspirada em artistas afro-americanos como Ernie Barnes.

O elenco de vozes reúne nomes como Winnie Harlow, Cress Williams, Lynn Whitfield, Anika Noni Rose e Steve Toussaint. A série estreou em agosto de 2025 no Disney+ e integra a linha do tempo oficial do Universo Cinematográfico Marvel, sendo a primeira produção da Fase Seis do franchise.

Ernest Harden Jr. construiu a carreira como ator coadjuvante desde 1974, quando estreou no cinema em “Três Dias do Condor”, ao lado de Robert Redford. Passou por séries clássicas como “The Jeffersons”, entre 1977 e 1979, e acumulou participações em produções como “ER” e “Hill Street Blues” ao longo das décadas seguintes. Em “The Pitt”, drama médico da HBO Max, Harden interpretou Louie Cloverfield, paciente recorrente do pronto-socorro cuja história terminou com a morte do personagem, por hemorragia pulmonar, na segunda temporada.

Ao subir ao palco para receber o prêmio, o ator dedicou a estatueta à atriz Bette Davis, com quem contracenou no telefilme “White Mama”, de 1980, e que na época concorreu ao Emmy sem vencer. “A gente não conseguiu daquela vez, mas esse aqui é para nós dois”, disse Harden. Ele também agradeceu aos produtores executivos de “The Pitt”, incluindo John Wells e o astro Noah Wyle, e descreveu o momento como surreal após décadas de papéis menores.

A cerimônia principal do Emmy, com as categorias de maior visibilidade como melhor série e melhor atuação principal, acontece no dia 14 de setembro, também no Peacock Theater, com apresentação de Mariska Hargitay.

Creators negros: quem são, seus territórios e seus temas favoritos (que nem sempre são sobre raça)

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Creators negros de diferentes nichos e territórios no Brasil
Foto: Canva Imagens

Levantamento com mais de 2 mil inscritos na Vitrine de Creators Negros, base gratuita do Mundo Negro, mapeia 24 unidades federativas e mostra que 78% deles não atuam com pauta racial.

Mais de 2 mil criadores de conteúdo negros se cadastraram na Vitrine de Creators Negros nas três primeiras semanas do projeto. A base é gratuita, foi criada pelo Mundo Negro e teve as inscrições abertas em 14 de agosto de 2026.

Em um único dia chegaram 53% das inscrições. Na primeira semana, o cadastro já reunia mais de 90% do total registrado até agora.

As respostas ao formulário permitem traçar um perfil consolidado desse grupo: em que estados vivem, em quantas frentes produzem, em que redes atuam e sobre o que falam.

O dado central contraria a leitura mais frequente do mercado publicitário. Entre os inscritos, 78% não marcaram ativismo e negritude entre os seus nichos.

O que é a Vitrine de Creators Negros

A Vitrine é uma base gratuita de criadores negros mantida pelo Mundo Negro. O cadastro tem dez perguntas e reúne nome, cidade, rede principal, nichos de atuação e uma frase de descrição do conteúdo.

Quem se inscreve autoriza a inclusão desses dados em uma lista distribuída a marcas e agências parceiras, que usam o material para propor parcerias. A consulta pode ser filtrada por cidade, nicho e rede.

O projeto responde a uma queixa recorrente de áreas de marketing e de agências, a de que não haveria oferta suficiente de criadores negros no mercado. As inscrições seguem abertas e sem custo.

Os territórios: onde estão os creators negros no Brasil

A base cobre 24 unidades federativas e as cinco regiões do país. Foram declaradas mais de 300 cidades.

São Paulo concentra 33% das inscrições e o Rio de Janeiro, 27%. Somados, os dois estados respondem por 60% do total. Os outros 40% se distribuem pelo restante do país.

A Bahia aparece em terceiro lugar, com 11% da base, à frente de Minas Gerais. Na sequência vêm Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e Espírito Santo.

O recorte por cidade mostra uma dispersão maior que a do recorte por estado. Fora das capitais estão 28% dos inscritos, em municípios como Niterói, Guarulhos, Campinas, Juiz de Fora, Feira de Santana, Nova Iguaçu, Osasco, Uberlândia, Contagem e Campos dos Goytacazes.

Há ainda registros de criadores que vivem em oito países além do Brasil, entre eles Portugal, Estados Unidos, Angola, Itália, Espanha e Inglaterra, e que produzem em português para o público brasileiro.

Os temas: do que falam os creators negros

O formulário oferecia 21 opções de nicho e permitia marcar mais de uma. A média ficou em quase cinco nichos por pessoa, e cerca de 80% dos inscritos marcaram três ou mais.

Beleza e cabelo lidera, presente em 55% dos perfis. Lifestyle aparece em 50%, moda em 43%, cultura e arte em 39% e diversidade em 32%. Em seguida vêm saúde e bem-estar, fitness, humor, música, viagem, educação, gastronomia e games.

Ativismo e negritude foi marcado por 22% dos inscritos. Os outros 78% não incluíram esse nicho entre suas frentes de atuação.

A descrição livre reforça o dado. Cada inscrito escreveu uma frase sobre o próprio conteúdo, e em 87% delas não há menção a raça. As palavras mais recorrentes são beleza, real, rotina, autoestima, autocuidado e autenticidade.

Entre os que marcaram ativismo e negritude, apenas um inscrito escolheu esse nicho isoladamente. A média do grupo é de mais de sete nichos por pessoa, acima da média geral da base.

Os números indicam que o repertório desses criadores é comercial e diversificado, e que a associação automática entre creator negro e pauta racial não se sustenta na amostra.

Os nichos com menor oferta

Alguns segmentos aparecem em volume reduzido, o que os torna relevantes para quem planeja mídia.

Espiritualidades de matriz africana foi marcado por 7% dos inscritos. Maternidade e família aparece em 13% dos perfis e LGBTQIAPN+ em 12%. Finanças e empreendedorismo somam 7%, tecnologia 6% e games 3%.

São territórios com pouca oferta de patrocínio e audiência de alta fidelidade, em contraste com beleza, onde a concorrência por creators é maior.

50% dos inscritos atuam em mais de uma rede

Metade dos cadastrados, 50% do total, usou o campo opcional para informar outras redes além da principal. Entre esses, 60% indicaram o TikTok e quase 10% apontaram o YouTube.

O dado sugere que boa parte da base já opera fora do Instagram, o que amplia as possibilidades de formato e de distribuição em campanhas.

Brand safety e casas de aposta

Uma das perguntas do formulário tratava de parcerias com casas de aposta nos últimos seis meses, item que costuma ser barreira em aprovações jurídicas de anunciantes.

Do total de inscritos, 99% responderam que não firmaram esse tipo de parceria no período. O restante se divide entre quem já fez e quem afirmou avaliar caso a caso.

Como acessar a base

A Vitrine segue com inscrições abertas para criadores negros de qualquer cidade e qualquer nicho, sem custo.

A lista é distribuída a marcas e agências parceiras com nome, contato, cidade, rede principal e nichos de cada creator que autorizou o compartilhamento dos dados.

Dados apurados em 4 de setembro de 2026, com base nas inscrições recebidas desde 14 de agosto de 2026. A Vitrine de Creators Negros é uma iniciativa do Mundo Negro.

O racismo não dá alta: por que a saúde mental negra pede um cuidado próprio

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Mulher negra em reflexão sobre saúde mental e racismo
Imagem gerada por IA

Setembro Amarelo raramente fala de raça. Mas o sofrimento psíquico da população negra tem causa nomeada, e o cuidado que funciona para nós passa por escuta racializada e aquilombamento

Todo setembro o país se pinta de amarelo e repete que falar é a melhor solução. Mas há uma pergunta que a campanha raramente faz: falar com quem? E sobre o quê, quando a dor tem cor e história?

Existe um tipo de sofrimento que não cabe no vocabulário padrão da saúde mental. Ele não começa numa perda, num acidente ou num desequilíbrio químico. Começa na rua, no mercado, no trabalho, no olhar atravessado, na bolsa que se aperta quando você passa. E não termina.

Essa é a diferença que a psicologia brasileira demorou a nomear. Um luto se elabora e, em algum momento, a pessoa vive uma nova relação. Um trauma de acidente se trata até que os sintomas cedam e ela volte a dirigir sem crise de ansiedade. Existe prognóstico. Com o racismo, não existe.

Quem formula assim é o psicólogo Lucas Veiga, mestre em Psicologia Clínica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que atende pessoas negras há treze anos. Em entrevista ao Mundo Negro, ele contou que o que há de comum entre pacientes muito diferentes entre si é justamente a repetição. Mesmo pessoas com identidade negra afirmada, fortalecidas, com repertório político, seguem chegando à sessão com um episódio novo.

“Mesmo quando os pacientes conquistam uma identidade afirmada e não submetida à discursividade racista, os episódios de racismo não param de acontecer.”

É por isso que o cuidado em saúde mental para pessoas negras não pode ser pensado como reparo de um evento passado. Ele precisa sustentar alguém que continua sendo exposto.

O corpo como primeira casa

O efeito mais conhecido do racismo sobre a subjetividade é a introjeção do discurso racista. A pessoa negra passa a acreditar que vale menos, que é inferior, que é feia. Frantz Fanon nomeou isso como complexo de inferioridade, ou auto-ódio: o ódio racial que se instala por dentro e faz alguém odiar os próprios traços.

Mas há uma camada mais funda, e é ela que explica por que estamos falando disso em setembro.

“O nosso corpo, que é a nossa primeira casa e o nosso primeiro território, pode ser experimentado como uma ameaça a nós mesmos, porque é exatamente por termos a cor da pele e os traços que temos que sofremos violência. Se a pessoa sofre violência pelo corpo que tem, no limite ela só se livraria disso livrando-se do próprio corpo através da morte.”

Daí, segundo Veiga, o índice considerável de suicídio entre a população negra jovem. Um número que não pode ser lido sem levar em conta o que o racismo faz com a relação de uma pessoa negra com o próprio corpo.

E não adianta apostar que a próxima geração resolve. Uma geração com mais acesso à informação, mais representatividade na mídia e uma relação mais amorosa com os próprios cabelos segue sendo atravessada pela violência racial.

A vida é maior do que o racismo

Aqui está a virada, e ela é o oposto do fatalismo.

Se é impossível o fim imediato do racismo, também é impossível sermos inteiramente capturados por ele. Pessoas negras seguem produzindo modos de vida que esse cenário não previa. Existir plenamente, no meio disso, já é uma criação improvável. E é essa criação que o cuidado precisa proteger.

“Por isso é muito importante sustentar a afirmação de que a vida é maior do que o racismo. Dizer isso é um convite para manter a conexão com a vida e com a ancestralidade, no sentido de que os princípios e tecnologias ancestrais que nos possibilitaram chegar até aqui são os que nos possibilitarão seguir adiante.”

Viver bem, segundo uma ética do bem viver, é descrito pelo psicólogo como nossa principal resposta, e também nossa maior vingança, ao contexto de opressão racial.

Aquilombar é cuidar

A saída não é individual, e é aí que a campanha tradicional erra o alvo. Não basta dizer “procure ajuda” para quem adoece por causa de algo estrutural.

Veiga pensa os quilombos como tecnologia ancestral. Eles foram erguidos no meio da colonização: enquanto a escravização acontecia, africanos em condição escrava criaram, pela fuga, um território existencial livre das engrenagens da opressão colonial. Fundar um espaço onde é possível respirar não é passado. É ferramenta.

No cotidiano, aquilombar é ter um lugar onde não é preciso explicar o racismo antes de falar da própria dor. O terreiro, a roda de amigas, o coletivo no trabalho, o grupo de mulheres negras, a terapia com profissional negro. É rede que sustenta a vida entre uma sessão e outra, e antes de qualquer sessão existir.

Uma clínica que sabe o que é racismo

Esse debate não é novo, ele só demorou a chegar aqui. A Psicologia Preta surgiu nos Estados Unidos no fim dos anos 1960, no calor da luta por direitos civis, e teve larga produção de artigos e livros ao longo dos anos 1970. Enquanto o movimento negro reivindicava direitos, intelectuais negros e negras da saúde mental construíam uma black psychology, depois chamada de African Psychology.

O ponto de partida foi um diagnóstico duro sobre o próprio campo: a psicologia disponível não tinha considerado a especificidade da experiência negra.

“A importação direta de saberes da psicologia ocidental, produzidos por pessoas brancas para pessoas brancas, seria insuficiente para uma escuta e um trabalho clínico qualificado com pessoas negras, por mais que trouxessem alguns insights importantes.”

A Psicologia Preta nasce com dois objetivos. Entender os impactos do racismo na saúde mental da população negra, para pensar a escuta e o cuidado. E, esse é o ponto menos comentado, compreender o que seria uma subjetividade negra saudável, definindo índices de saúde para a nossa população a partir das filosofias e cosmogonias africanas.

Ou seja: não é só medir o adoecimento. É nomear o florescimento. Saber como é uma vida negra que vai bem, e não apenas catalogar o que nos quebra.

O que nos conecta

Homens e mulheres negros são afetados de formas distintas, e orientação sexual, identidade de gênero e classe também atravessam a população negra. Olhar para a especificidade desses marcadores é exercício necessário.

Mas há algo que alcança toda e qualquer pessoa negra, e reconhecer isso tem função política: fortalece a coesão, a articulação e o vínculo enquanto comunidade. É a síntese mais precisa do que este Setembro Amarelo poderia aprender. Cuidado em saúde mental para pessoas negras não se faz no isolamento. Se faz em rede.

As falas de Lucas Veiga foram colhidas em entrevista ao Mundo Negro, publicada em junho de 2026.

Se você está passando por um momento difícil, o CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia, e também por chat no site cvv.org.br. Em situação de emergência, procure o SAMU (192) ou a UPA mais próxima.

‘Lanternas’ bate recorde de audiência e se posiciona como a maior estreia de uma série da DC Studios na HBO Max

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Aaron Pierre
Aaron Pierre interpreta John Stewart na série 'Lanternas', da DC Comics, distribuída pela HBO Max/Foto: IMDb

A série “Lanternas”, produção da DC Studios para a HBO Max, vem mantendo o crescimento de audiência desde a estreia. O terceiro episódio, exibido na plataforma no último domingo (30), alcançou 10 milhões de espectadores em todo o mundo e 7 milhões nos Estados Unidos nos três primeiros dias de disponibilidade, segundo dados divulgados pela Warner Bros. Discovery e apurados pelo The Wrap.

O resultado representa o maior índice de audiência da série até o momento e confirma uma trajetória de crescimento semana a semana. O terceiro episódio apresenta a história de origem de John Stewart, personagem interpretado pelo ator Aaron Pierre.

Na estreia, “Lanterns” havia registrado 9,3 milhões de espectadores globalmente, dos quais 6,6 milhões estavam nos Estados Unidos. O desempenho colocou a produção entre as cinco maiores estreias de séries da história da HBO Max. A plataforma, no entanto, não divulgou os números referentes ao segundo episódio.

Desde a estreia, em 16 de agosto, o episódio piloto já acumulou mais de 20 milhões de espectadores em todo o mundo, segundo a HBO Max. A empresa afirma que o número continua crescendo.

O terceiro episódio também teve forte repercussão nas redes sociais. Na noite de estreia, a hashtag #Lanterns permaneceu entre os dez assuntos mais comentados do X nos Estados Unidos por 11 horas consecutivas, oito delas ocupando a primeira posição.

Maior estreia da DC Studios na HBO Max

O lançamento de “Lanternas” também se tornou a maior estreia de uma série da DC Studios na HBO Max, superando os desempenhos iniciais de produções como “It: Bem-Vindos a Derry”, “The Penguin” e “True Detective: Night Country”.

Apesar do desempenho inicial, outras produções tiveram médias globais maiores ao longo de suas temporadas. “It: Bem-Vindos a Derry”, por exemplo, alcançou média de 27,1 milhões de espectadores, enquanto “Pinguim” e “True Detective” registraram médias de 19,8 milhões e 17,5 milhões, respectivamente.

Sobre ‘Lanternas’

A trama acompanha Hal Jordan, interpretado por Kyle Chandler, e John Stewart, vivido por Aaron Pierre. Os dois são integrantes da Tropa dos Lanternas Verdes e acabam envolvidos na investigação de um assassinato no interior dos Estados Unidos. O caso, inicialmente terrestre, leva os personagens a uma trama com conexões cósmicas.

A série é uma das primeiras produções do novo universo audiovisual da DC Studios sob o comando de James Gunn e Peter Safran.

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