Benjamin Daniel Gabriel, o Ben Dancer (Foto: reprodução redes sociais)
Benjamin Daniel Gabriel, o Ben Dancer, dançou por mais de sete dias em Lagos, superou em quase 50 horas a marca atual e aguarda a validação do Guinness.
O dançarino nigeriano Benjamin Daniel Gabriel, de 32 anos, conhecido como Ben Dancer, encerrou na terça-feira (29), em Lagos, uma tentativa de sete dias de quebrar o recorde mundial de maior maratona de dança individual, depois de dançar continuamente por 176 horas, 52 minutos e 59 segundos. A performance começou em 22 de setembro, no Freedom Park, e ainda depende da validação do Guinness World Records.
O recorde publicado atualmente pelo Guinness é de 127 horas e foi estabelecido em 2023 pela indiana Srushti Sudhir Jagtap, que tinha 16 anos na época. Ben Dancer havia fixado como meta 168 horas, alcançou essa marca no início da manhã de terça e continuou dançando por cerca de mais nove horas.
Pelas regras da organização, o participante ganha cinco minutos de descanso a cada hora completa de atividade, tempo que o dançarino pôde acumular em alguns momentos. Para aguentar a prova, ele se alimentou de pequenas porções de comida e água de coco. Após o encerramento, foi levado a um hospital para avaliação médica, segundo sua equipe.
Ben Dancer integra o grupo do músico Made Kuti, neto de Fela Kuti, criador do afrobeat. Autodidata, começou a dançar aos 12 anos, tem cerca de 18 anos de carreira profissional e fundou a Bendancer Academy International, dedicada à formação de novos dançarinos. “A ideia do Guinness nunca foi o recorde em si. Era conseguir atenção global para que as pessoas olhassem mais para as danças indígenas africanas”, afirmou.
O pedido ao Guinness passou por um processo longo, já que Gabriel se inscreveu três vezes antes de receber autorização para a tentativa, em fevereiro. A organização confirmou ter recebido a candidatura e agora vai examinar as provas enviadas pela equipe antes de decidir pela homologação. A análise inclui a gravação contínua e sem edição das 176 horas, os registros de cada pausa acumulada, depoimentos de testemunhas independentes e relatórios médicos sobre o estado do dançarino durante o desafio.
A tentativa se soma a uma série de desafios do tipo na Nigéria. A maratona culinária da chef Hilda Baci gerou cerca de 1.500 inscrições do país no Guinness nos meses seguintes, e dias depois do início da performance de Ben Dancer, quase 51 mil pessoas se reuniram na Tafawa Balewa Square, perto do Freedom Park, para bater o recorde de público em uma estreia de filme. Enquanto aguarda o resultado, o dançarino pretende atuar como uma espécie de embaixador cultural na promoção das danças africanas.
EP reúne faixas registradas durante as sessões do álbum clássico, lançado originalmente em 1976; músicas foram selecionadas pelo próprio artista e remixadas pelos engenheiros originais
Stevie Wonder celebra os 50 anos de “Songs in the Key of Life” com quatro gravações inéditas registradas durante as sessões de estúdio do álbum. O novo EP, lançado nesta segunda-feira (28), aniversário do disco, reúne as faixas “It’s Easier”, “My Life Story of Love”, “I Can See the Sun In Late December” e “I’m Into Livin’”. O disco está disponível nas principais plataformas de streaming de áudio.
As músicas foram selecionadas pessoalmente por Wonder e receberam novas mixagens dos engenheiros de gravação e mixagem originais do álbum, John Fischbach e Gary O Adante, creditado no LP original como Gary Olazabal.
O lançamento também recupera uma história dos bastidores das sessões. Às 4h54 da manhã, quando a última sessão de “Songs in the Key of Life” chegou ao fim, Nathan Watts, baixista de longa data de Wonder, exclamou “Fo’FiftyFo’!”. A expressão se tornou uma brincadeira interna entre as pessoas próximas ao artista e passou a representar o encerramento de uma sessão de estúdio.
Agora, 50 anos depois, o horário ganha novo significado com a divulgação das quatro gravações inéditas.
“Convivemos com ‘Songs in the Key of Life’ por cinquenta anos, mas ainda há mais para ouvir”, afirmou Wonder. Segundo o artista, as músicas não foram incluídas no álbum original, mas fizeram parte do processo criativo daquele período. “Elas me levam de volta àquela época da minha vida e, agora, passam a fazer parte das vidas de vocês também”, declarou.
Gravações das sessões originais
As quatro faixas foram compostas e produzidas por Stevie Wonder durante as sessões de “Songs in the Key of Life”. “My Life Story of Love” tem letra escrita em parceria com Susaye Greene, ex-integrante do grupo The Supremes e artista da Motown. Greene também foi coautora de “I Can’t Help It”, música de Michael Jackson.
O EP reúne ainda músicos que participaram daquele período da carreira de Wonder. Entre eles estão o tecladista Gregory Phillinganes, então no início de sua carreira profissional com o Wonderlove; os guitarristas Michael Sembello, coautor de “Saturn”, e Ben Bridges; o saxofonista Jim Horn; o baterista Raymond Pounds; e Nathan Watts, baixista que iniciou suas primeiras sessões de gravação com Wonder após uma turnê e construiu uma parceria que permanece até hoje.
A faixa “I’m Into Livin’” conta com backing vocals de Shirley Brewer, que também participou de “Ordinary Pain”, do álbum original; Thelma Houston, que posteriormente alcançaria o primeiro lugar nas paradas com “Don’t Leave Me This Way”; e Deniece Williams, então vocalista do Wonderlove e que pouco depois iniciaria sua trajetória como artista solo.
Faixas do EP
“It’s Easier”
“My Life Story of Love”
“I Can See the Sun In Late December”
“I’m Into Livin’”
50 anos de um álbum histórico
Lançado originalmente em 28 de setembro de 1976, “Songs in the Key of Life” rendeu a Stevie Wonder o terceiro de seus três prêmios Grammy de Álbum do Ano. O disco recebeu certificação Diamante e foi incluído no Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
Entre as músicas que integram o álbum estão “Love’s in Need of Love Today”, “Sir Duke”, “Isn’t She Lovely” e “As”.
O trabalho aborda temas como amor, fé, desigualdade, oportunidade e consciência social, transitando entre celebração, protesto, experiências pessoais e esperança coletiva. As quatro gravações inéditas agora divulgadas ampliam o registro do processo criativo que deu origem ao álbum.
Turnê de 50 anos
A celebração continua com a “Songs in the Key of Life Performances – 50th Anniversary Tour”, promovida pela Live Nation e produzida pela Wonder Productions Inc. Stevie Wonder apresentará o álbum na íntegra a partir de 13 de outubro, na Utilita Arena Birmingham, na Inglaterra.
A turnê seguirá por cidades da Europa, incluindo Paris, Copenhague, Oslo, Estocolmo, Hannover, Colônia, Amsterdã e Dublin, antes de retornar ao Reino Unido para apresentações em Londres, Manchester e Glasgow.
A etapa norte-americana começa em 19 de novembro, no Madison Square Garden, em Nova York. Depois, a turnê passará por Chicago, Washington D.C. e Detroit, com encerramento marcado para 19 de dezembro, no Intuit Dome, em Los Angeles.
Quem é Stevie Wonder
Stevie Wonder é um dos artistas mais premiados da música popular mundial. Ao longo da carreira, vendeu mais de 100 milhões de discos e recebeu 25 prêmios Grammy, além de um Grammy pelo Conjunto da Obra, um Oscar e um Globo de Ouro.
O músico também recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, o Kennedy Center Honors e o Prêmio Gershwin da Canção Popular. “Songs in the Key of Life” integra o Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
Além da carreira musical, Wonder participou da campanha pela criação do Dia de Martin Luther King Jr. como feriado nacional nos Estados Unidos e atua em defesa dos direitos civis, da inclusão de pessoas com deficiência e de causas humanitárias. Como Mensageiro da Paz das Nações Unidas, mantém sua atuação voltada à promoção da igualdade e da dignidade humana.
Atriz brasileira se encontrou com a vencedora do Oscar, que integra a produção executiva do longa gravado em Cuiabá, cidade natal de Bella.
Bella Campos protagonizou um momento emocionante de encontro com a atriz vencedora do Oscar, Viola Davis em Paris. As atrizes estão conectadas profissionalmente por “Cinco Tipos de Medo”, longa brasileiro dirigido por Bruno Bini e protagonizado por Bella, que tem Viola como produtora executiva por meio da Ashé Ventures.
O encontro ganhou um significado especial para a atriz brasileira, que já admirava o trabalho de Viola antes da parceria no cinema. Bella conta que a leitura da autobiografia Em Busca de Mim (Finding Me), escrita pela atriz norte-americana, marcou sua trajetória.
“Ler a biografia da Viola Davis mudou a minha vida e me atravessou de uma forma muito profunda, não só como atriz ou fã, mas como mulher. Tê-la como parceira em um filme gravado em minha cidade é algo que me deixa muito emocionada. Encontrá-la pessoalmente torna esse momento ainda mais significativo para mim”, afirma Bella.
O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo e representa 1,9% do PIB mundial (US$ 2,28 trilhões). É um país diverso que abriga pessoas de diferentes etnias, crenças e saberes. Talvez por isso também seja o país do empreendedorismo, da diversidade de negócios e da importação. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, as importações brasileiras somaram US$ 280,2 bilhões.
Quem está participando da riqueza gerada por esse mercado?
Quando observamos a composição racial da população brasileira, que, de acordo com o Censo 2022, é majoritariamente formada por pessoas pretas e pardas — 55,5% da população, ou cerca de 112,7 milhões de pessoas —, estamos falando de uma parcela que representa uma parte relevante do mercado consumidor, da força de trabalho e do potencial empreendedor econômico e intelectual brasileiro. No entanto, nos deparamos com uma falta que, para nós, empresários negros, já está mais do que na hora de ser resolvida: as riquezas e o reconhecimento não condizem com os nossos feitos.
Nos últimos dez anos, o empreendedorismo negro avançou. Segundo levantamento do Sebrae, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), existe uma base empresarial negra numerosa e em expansão. Em 2013, o número de pessoas pretas ou pardas à frente de negócios era de 12,8 milhões. Em 2023, esse número passou para 15,6 milhões, um crescimento de aproximadamente 22%.
O nosso desafio, portanto, está em transformar presença econômica em participação efetiva nos mercados de maior valor. E para isso, Alan Soares, fundador do Movimento Black Money, contribui para este artigo com o ímpeto de provocar um mercado que segue em movimentos circulares quando o assunto é o avanço dos negócios de pessoas negras.
Executivo de estratégia, inovação e tecnologia, Alan atua na formulação de modelos de soberania econômica, ecossistemas de negócios e alocação de capital produtivo para a redução de assimetrias de mercado.
“O Estado brasileiro movimenta anualmente cerca de R$ 900 bilhões em compras e contratações. É mais de 10% do PIB operando como uma engrenagem que drena recursos sem permitir que empresas negras acumulem estoque ou capital. A barreira não é a competência do empreendedor periférico, mas o atrito planejado da máquina: a recusa desproporcional de crédito para suportar o fluxo de caixa e editais burocráticos desenhados para proteger oligopólios históricos”, comenta o especialista.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2021, havia 13,2 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) no país. O levantamento do Instituto, construído a partir de bases administrativas como CNPJ, SIMEI, RAIS e CEMPRE, permite uma visão mais detalhada do perfil desses empreendedores, inclusive por raça ou cor. Entre os MEIs com informação de raça ou cor, os brancos representavam 47,6%, enquanto os pardos correspondiam a 31% e os pretos, a 4,8%. Ou seja, mesmo em uma modalidade empresarial criada para facilitar a formalização de pequenos negócios, a distribuição racial não reproduz simplesmente a composição da população brasileira.
Há um aspecto fundamental para esse debate: empreender não significa necessariamente acumular capital. Essa é uma questão importante, porque existe uma distância entre ter um negócio e ter uma empresa capaz de disputar grandes contratos, fornecer para grandes corporações, acessar crédito, inovar, exportar e crescer.
O IBGE já avançou ao incorporar raça ou cor às estatísticas sobre microempreendedores individuais. Mas ainda existe uma lacuna entre saber quem empreende e saber quem captura as oportunidades econômicas geradas pelas grandes compras do país. Essa informação permitiria transformar uma discussão frequentemente tratada apenas como questão social em uma questão de estratégia econômica.
“O debate sobre compras públicas no Brasil ainda se apoia em uma ilusão reconfortante: a crença de que a inclusão econômica virá da benevolência moral do sistema. Não virá. Diante de uma estrutura de mercado indiferente, a dignidade não é concedida pelo discurso; ela é arrancada pela soberania material e pela posse dos meios de produção.”
Ampliar a base produtiva, estimular a formalização, criar empregos, aumentar a renda e distribuir de maneira mais ampla os efeitos multiplicadores do consumo e do investimento é um objetivo e, ao mesmo tempo, um desafio para os especialistas negros que têm em seus negócios soluções para essa transformação.
“Esperar conscientização espontânea é resignação estéril. Compras públicas inclusivas não exigem dinheiro novo nem caridade orçamentária: exigem redirecionar o fluxo já existente e usá-lo como alavanca de concorrência e desconcentração de riqueza. Quando 55,5% da população atua apenas como consumidora de riquezas que não controla nem retém, o país sabota seu próprio teto produtivo. O poder de compra do governo precisa deixar de ser um teatro de intenções e se tornar o que realmente pode ser: um ato deliberado de engenharia econômica para quebrar a inércia de um Brasil que deseja deixar de ser o país do Quase”, ressalta Alan.
Crédito, capacitação, inovação, digitalização, acesso a mercados, certificações, internacionalização e, sobretudo, transparência. Grandes empresas podem começar a medir a diversidade de suas cadeias de fornecedores. O poder público pode aperfeiçoar suas bases de dados. Instituições financeiras podem acompanhar a distribuição racial do crédito empresarial. E os sistemas de compras podem produzir indicadores capazes de mostrar quem está efetivamente participando das oportunidades econômicas.
Essa parcela majoritária da população brasileira, formada por pessoas pretas ou pardas, é, para além de consumidora, geradora de riquezas e saberes. Por isso, é preciso medir a presença dessas pessoas como proprietárias, fornecedoras, empregadoras e exportadoras. Isso significa não subdimensionar negócios por raça e, com isso, deixar uma parte importante da economia brasileira fora do radar.
Fazer com que os negócios de empresários negros que já existem entrem nas grandes cadeias de valor é um desafio que precisa avançar. E, como já disse Alan, isso não se dará de maneira espontânea.
Registro do Bureau of Prisons aponta 21 de janeiro de 2028 como nova data projetada para a saída do rapper; previsão já passou por diversas alterações desde a condenação
Sean “Diddy” Combs teve novamente a data projetada para sua saída da prisão federal alterada. Segundo o Bureau of Prisons (BOP), órgão responsável pelo sistema penitenciário federal dos Estados Unidos, o rapper está atualmente com a soltura prevista para 21 de janeiro de 2028.
A informação consta no sistema oficial de consulta de presos do BOP. O órgão explica que a data exibida no campo “Release Date”, quando está no futuro, corresponde a uma data projetada de soltura calculada pelo próprio Bureau of Prisons. O BOP também alerta que essas datas podem ser alteradas e que os registros passam por revisões e recálculos relacionados aos créditos previstos pelo First Step Act.
A nova previsão representa mais uma mudança no calendário de Combs. A data havia sido indicada anteriormente como 5 de fevereiro de 2028 e, antes disso, passou por outras alterações. Em julho, por exemplo, o BOP indicava 24 de janeiro de 2028. Em setembro, o registro havia sido alterado para 5 de fevereiro. A nova atualização coloca a previsão atual em 21 de janeiro.
Por que a data de soltura muda?
As alterações não significam necessariamente que o tribunal tenha reduzido a sentença imposta a Diddy. Em outubro de 2025, o rapper recebeu 50 meses de prisão após ser condenado por duas acusações de transporte de pessoas para fins de prostituição. O Departamento de Justiça dos EUA confirma que a sentença foi determinada em 3 de outubro de 2025.
A diferença entre os 50 meses determinados pelo tribunal e a data efetiva projetada pelo BOP está relacionada ao cálculo da execução da pena, que pode considerar, entre outros fatores, tempo já cumprido, créditos de boa conduta e créditos previstos pelo First Step Act.
O próprio BOP informa que o First Step Act permite que presos elegíveis acumulem créditos por participação em programas e atividades consideradas produtivas. Esses créditos podem ser aplicados para antecipar a transferência para regimes de pré-libertação ou a saída para supervisão na comunidade.
Por isso, a data exibida pelo sistema pode mudar à medida que novos créditos são calculados e aplicados. O BOP ressalta, inclusive, que as sentenças estão sendo revisadas e recalculadas em razão da implementação dos créditos do First Step Act e recomenda que o sistema seja consultado periodicamente.
Alteração após incidente na prisão
Uma das mudanças recentes também ocorreu depois de um incidente envolvendo Combs na prisão. Em julho, o rapper teria se envolvido em uma briga com outro detento no Federal Correctional Institution (FCI) Fort Dix, em Nova Jersey, onde cumpre pena. Segundo relatos publicados pela imprensa, ele chegou a ser colocado em isolamento.
Na ocasião, a data projetada, que havia sido antecipada para 24 de janeiro de 2028, posteriormente passou para 5 de fevereiro. A CNN Brasil relatou que a alteração ocorreu após o episódio e que Combs também participava de um programa de reabilitação para dependência química na unidade.
O BOP, entretanto, não divulga publicamente os detalhes individuais dos cálculos de créditos ou de eventuais medidas disciplinares aplicadas a cada preso. Por isso, não é possível afirmar, com base apenas no registro oficial, qual fator específico provocou cada uma das alterações na data de Combs.
Condenação e recurso
Combs foi condenado por duas acusações relacionadas ao transporte de pessoas para fins de prostituição. No mesmo julgamento, o júri o absolveu das acusações mais graves de tráfico sexual e conspiração de extorsão. A sentença estabeleceu 50 meses de prisão, além de cinco anos de liberdade supervisionada e multa de US$ 500 mil.
A defesa de Combs também recorre da condenação e da sentença. Assim, além das alterações administrativas na previsão de soltura, o caso continua sendo analisado na Justiça federal americana.
Até a atualização mais recente do sistema 32do Bureau of Prisons, a data projetada para a soltura de Sean “Diddy” Combs é 21 de janeiro de 2028. A data, porém, não deve ser tratada como definitiva, já que o próprio BOP informa que seus cálculos podem ser atualizados.
Cursos de tecnologia, beleza, design, comunicação visual e administração serão oferecidos pelo Senac RJ e Sebrae Rio; pré-inscrições acontecem em outubro.
Moradores da região da Pequena África, na zona portuária do Rio de Janeiro, poderão participar de cursos gratuitos de capacitação profissional a partir de outubro. A nova edição do Impulsiona RJ, iniciativa realizada pelo Senac RJ em parceria com o Sebrae Rio, disponibiliza 128 vagas em formações nas áreas de tecnologia, beleza, design e comunicação visual e administração.
As pré-inscrições acontecem nos dias 1º, 2 e 5 de outubro, das 9h às 16h, no Instituto Meta Educação, no bairro do Estácio. As aulas começam a partir de 13 de outubro e também serão realizadas no local.
Serão oferecidos cursos nas áreas de Design para Redes Sociais, Alongamento de Cílios, Atendimento ao Cliente, Rotinas Administrativas e Estoque de Compras, Design de Sobrancelhas e Excel.
A iniciativa integra uma ação voltada à inclusão produtiva e à formação profissional. Nesta edição, os participantes também terão contato com a metodologia Voando Alto, desenvolvida pelo Senac RJ, que trabalha habilidades relacionadas à análise crítica e à tomada de decisões diante dos novos desafios presentes no mercado de trabalho.
A programação inclui ainda workshops com conteúdos direcionados à geração de trabalho e renda, buscando desenvolver conhecimentos práticos e apoiar o crescimento da autonomia financeira dos participantes.
Quem pode participar
Para realizar a pré-inscrição, é necessário:
ter mais de 16 anos;
ter concluído o Ensino Fundamental I;
apresentar RG, CPF e comprovante de residência, com original e cópia.
Pessoas inscritas no CadÚnico terão prioridade. Durante a pré-inscrição, os candidatos participam de uma entrevista de perfil socioeconômico. Após a seleção, os participantes serão contatados para concluir a matrícula. Os selecionados também receberão auxílio-refeição, kit aluno e material para as aulas.
Capacitação na Pequena África
A ação acontece na região conhecida como Pequena África, território da zona portuária do Rio de Janeiro formado pelos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo e marcado pela presença e pela produção cultural da população negra na história da cidade.
O projeto tem como objetivo ampliar o acesso à formação profissional e contribuir para a inclusão produtiva em comunidades e regiões do estado.
Serviço
Impulsiona RJ — cursos gratuitos de capacitação
Local: Instituto Meta Educação — Rua Haddock Lobo, 71, Estácio, Rio de Janeiro
Pré-inscrições: 1º, 2 e 5 de outubro de 2026
Horário: das 9h às 16h
Início das aulas: 13 de outubro de 2026
WhatsApp: (21) 99957-1743
Inscrição: presencial e por ordem de chegada
Documentos: RG, CPF e comprovante de residência (original e cópia)
Com azul, branco, vermelho e véu na passarela, a Matières Fécales coloca a mulher negra e imigrante no centro do debate político na Semana de Moda de Paris.
A marca Matières Fécales abriu a Semana de Moda de Paris, na segunda-feira (28), com um desfile na Place de la République, praça que reúne historicamente marchas e manifestações na capital francesa, para apresentar a coleção de verão 2027 “The 99 Percent”. O estilista Steven Raj Bhaskaran, que fundou a marca em Montreal em 2014 com Hannah Rose Dalton, levou 99 looks vestidos por 99 modelos não brancos em torno da estátua de Marianne, símbolo da República Francesa, em um protesto contra o 1% mais rico do planeta e o sistema que concentra riqueza nas mãos de poucos. Foi o primeiro desfile de moda realizado na praça.
Foto: Matieres Fecales
A coleção é a continuação de “The One Percent”, apresentada em março, uma sátira às elites inspirada em dados da Oxfam segundo os quais o 1% mais rico concentra quase metade da riqueza global. Agora, o foco passa para quem sustenta esse topo. Bhaskaran explicou que o elenco reflete as pessoas com quem cresceu em conjuntos habitacionais no Canadá, para onde sua mãe migrou vindo da Guiana. “Uma homenagem às famílias não brancas que perseguem um sonho de liberdade. Uma mensagem de esperança para todos os imigrantes alvos de injustiça todos os dias”, afirmou o estilista.
A imagem que encerrou o desfile resume o tema da coleção: duas modelos, uma de terno branco e outra de vestido de lamê dourado com cauda longa, caminharam curvadas carregando nos ombros manequins que representavam bilionários, uma referência direta à ideia de que a base da pirâmide social sustenta a riqueza de quem está no topo.
Foto: Matieres Fecales
Na França, também chamou atenção a passagem de três mulheres negras e musculosas, que atravessaram a praça em vestidos justos nas cores azul, branco e vermelho da bandeira nacional, e a última delas cobria os cabelos com um véu vermelho. A imagem ganhou peso político por aparecer a poucos meses da eleição presidencial francesa, em um momento em que questões identitárias e religiosas dominam o debate público no país. “É um lugar de revolução. Acho perfeito que o primeiro desfile de moda da história na Place de la République seja organizado por um grupo de imigrantes como nós”, disse Bhaskaran sobre a escolha do local.
Foto: Matieres Fecales
O desfile foi dividido em três atos, e o primeiro deles homenageou os migrantes que deixaram tudo para trás em busca de um futuro melhor para os filhos, com vestidos e looks monocromáticos que passavam do branco ao preto, ao vermelho e ao azul, e terminou com o próprio estilista e sua família vestidos de branco. O segundo tratou das revoltas e da cultura punk, com jeans destruídos, jaquetas bomber, vestidos rasgados e camisetas com a palavra “Resist”, em meio à fumaça que tomou a praça. O terceiro, ao som de Nina Simone, trouxe vestidos volumosos com rendas, bordados e penas e chapéus inspirados em culturas da África Ocidental.
A cantora Rihanna e o estilista Rick Owens acompanharam o desfile da primeira fila. Parte da renda obtida com a venda da coleção será destinada à associação La Maison d’Allanah, que ajuda refugiados LGBTQIA+ a encontrar moradia na França.
O discurso político faz parte da marca desde o nome, que significa “matéria fecal” em francês e foi escolhido por Bhaskaran e Dalton como crítica a uma indústria da moda que consideravam excludente e voltada ao desperdício. Nos últimos anos, a grife vestiu Lady Gaga no Grammy e Zendaya na divulgação do filme “Odisseia”.
A vida me ensinou que não posso aceitar qualquer discurso sem que eu tenha clareza do que se trata fundamentalmente. E tem uma razão: sou um homem preto em uma sociedade racista, o cuidado é redobrado para não pisar em falso. E assim, o adensamento de complexidades que atinge a população negra é infindável, tanto que se passaram mais de quinhentos anos de Brasil e os negros seguem lutando pelo reconhecimento da própria humanidade. E as políticas públicas conquistadas até o presente momento surgiram por mobilizações e tensionamentos dos movimentos negros, políticos e intelectuais negros.
Contudo, esses enfrentamentos também nos trouxeram aprendizados que deixaram uma coisa muito clara sobre os espectros políticos nos quais os partidos se situam: enquanto a direita se esconde na meritocracia e nega a dívida histórica com os descendentes de africanos, a esquerda muitas vezes reduz o racismo à luta de classes, empurrando as nossas pautas para a fila de espera. Daí muitas pessoas negras se revoltam e recuperam a célebre frase de Sueli Carneiro: “Entre a direita e a esquerda sei que eu continuo preta”.
Essa frase surgiu em sua entrevista para a Revista Caros Amigos (2002), no entanto o perigo está no uso distorcido dessa máxima nas redes sociais para sugerir que os negros não devam aliar-se a ninguém externo à comunidade.
É aí que mora o engano ou a manipulação interessada. Sueli Carneiro estava defendendo a autonomia negra; não o isolamento político. Afinal, não importa quem governe, as questões raciais estarão sempre presentes. Porém, o papel histórico do movimento negro é a mobilização e a pressão sobre a política institucional para a conquista de direitos. A frase não é um chamado à abstenção.
Em 2022, também era um ano eleitoral como este que estamos vivendo. Sueli Carneiro deu uma entrevista visceral no podcast “Mano a Mano”, programa conduzido pelo rapper Mano Brown e pela jornalista Semayat Oliveira. A intelectual foi enfática na advertência em relação à frase em questão, e não deixou dúvidas: “Não manipule o que eu disse: ‘entre a esquerda e a direita continuo preto… continuo preta’ (…) nós temos lado, e a nossa função é empurrar a esquerda para a esquerda.”
Ter lado, portanto, não é trair a autonomia: é exercê-la. A luta negra exige combate na mesma arena onde os privilegiados fortalecem seus poderes. Isolar-se em hipótese alguma será a solução dos nossos problemas.
Tainã Dorea e Denise Valencio unem saberes afrodiaspóricos e memórias das avós em jardim que volta à Expoflora de Natal entre 14 de novembro e 20 de dezembro.
A arquiteta paisagista Tainã Dorea, do escritório arq.uilombo, e Denise Valencio, do perfil Terapiando com Plantas e Flores, criaram o projeto Jardim da Memória Afro-Brasileira, que resgata os saberes e a ancestralidade das mulheres negras ao unir o paisagismo afrorreferenciado de Tainã ao paisagismo de memória e afeto de Denise. Apresentado na 43ª edição da Expoflora, realizada entre 28 de agosto e 27 de setembro em Holambra (SP), o jardim homenageia avós, mães, benzedeiras, quitandeiras, quituteiras e outras mulheres que preservaram e transmitiram conhecimentos sobre plantas, alimentação, cuidado e proteção. O projeto volta ao público na edição de Natal da Expoflora, que acontece de 14 de novembro a 20 de dezembro, na mesma cidade.
A ideia, segundo Tainã, nasceu da experiência dessas mulheres e da vontade de levá-la para o desenho da paisagem. “O jardim foi criado por mim e pela Denise Valencio a partir dos saberes de mulheres negras, avós, mães, quitandeiras, quituteiras e benzedeiras, para pensar como essas vivências também podem ser inscritas na paisagem por meio das plantas”, afirma a paisagista. Para isso, a dupla recorreu ao conceito de escrevivência, criado pela escritora Conceição Evaristo para nomear a escrita construída a partir da experiência vivida por mulheres negras, e o aplicou ao paisagismo, fazendo com que plantas, objetos e obras de arte funcionem como registros de memória.
Plantas, arte e memória
Uma frase de Conceição Evaristo, disposta em uma das paredes, abre o núcleo dedicado às escrevivências das mulheres negras nas paisagens, onde obras de Gabriel Guedes, Claudiane Guedes, Erika Nascimento, Alexandre Pedro Ferreira, Mabson Ferreira e da própria Tainã Dorea tratam da ancestralidade feminina em linguagens como pintura, pintura em cabaça, colagem digital, fitotipia, técnica que fixa imagens sobre folhas com a exposição à luz do sol, e secagem de plantas. No mesmo espaço, cestos e macramês com PANCs, as plantas alimentícias não convencionais, fazem referência às quitandeiras, mulheres negras que tiveram papel de destaque na comercialização de frutas e alimentos e que, no período colonial e após a abolição, ocuparam ruas e mercados de cidades como Salvador e Rio de Janeiro garantindo com esse comércio o sustento de muitas famílias.
Os conhecimentos passados de geração em geração pela oralidade ganham forma no jardim medicinal e de PANCs, instalado na parte frontal. Alecrim, hortelã e lavanda remetem ao uso tradicional de plantas em chás e emplastros, e espécies como o trevo lembram que muitos desses saberes também passavam pela alimentação. Ao fundo, junto à parede de tijolos, o Jardim Sagrado das Ewés/Makaia reúne plantas associadas à proteção, como dracena-peregun, espada-de-são-jorge e pimentas, e leva no nome as palavras ewé, do iorubá, e makaia, de origem banto, ambas ligadas à folha e aos povos africanos que contribuíram para a formação cultural brasileira.
A memória familiar aparece de forma mais direta no trecho que recria as antigas varandas das avós, espaços de convivência e de transmissão de histórias, com portões de ferro, cadeira de balanço, vasos, flores, ervas, mobiliário e objetos de decoração. Fotografias das avós de Denise Valencio completam a homenagem e aproximam a narrativa coletiva da história pessoal de quem idealizou o projeto.
Paisagismo afrorreferenciado e de memória
Tainã Dorea é mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), atua como docente e está à frente do arq.uilombo, escritório-laboratório de paisagismo afrorreferenciado que desenvolve projetos, consultorias e oficinas educativas. “Meu trabalho parte do paisagismo afrorreferenciado, buscando trazer para a paisagem os saberes afrodiaspóricos, olhando para a história da comunidade negra e materializando através do projeto”, explica. Denise Valencio trabalha com o paisagismo de memória e afeto, que leva para os espaços elementos ligados às histórias familiares, em especial às memórias das avós, e faz a curadoria de objetos e outros elementos afetivos que ganham novo sentido na composição da paisagem, como a varanda recriada no jardim.
O Jardim da Memória Afro-Brasileira chegou ao público em um dos principais eventos de floricultura do país, realizado desde 1981 em Holambra, cidade de colonização holandesa que concentra a maior produção de flores do Brasil.
Quem não visitou o projeto na edição de setembro poderá conhecê-lo na edição de Natal da Expoflora, entre 14 de novembro e 20 de dezembro, em Holambra. Os trabalhos de Tainã Dorea podem ser acompanhados no perfil @arq.uilombo, e os de Denise Valencio em @terapiando.com.plantaseflores, ambos no Instagram.
Para construir uma campanha política é necessário contar com um verdadeiro arsenal. Dinheiro é fundamental. Estar associado a um partido político, idem. Afinal, não existe, no Brasil, a figura do político avulso. Contudo, a soma de recursos financeiros e inserção partidária não é suficiente para garantir uma cadeira no parlamento. Isso porque qualquer candidatura séria e comprometida com valores deve ser lastreada em uma ampla base de apoio.
E é este exatamente o ponto que destaca a jornada eleitoral da socióloga e militante feminista e antirracista, Ruth Lopes, cofundadora do Instituto Mulher Negra & Cia. Até se lançar na campanha para deputada federal pelo PT de São Paulo, Ruth percorreu um longo caminho na militância, no sentido mais amplo que a palavra pode ter. Começando pelo movimento estudantil, no qual, a partir de interlocuções orgânicas na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e na União Nacional dos Estudantes (UNE), ela chegou à direção do Diretório Acadêmico na década de 1990, tornando-se a primeira mulher negra a compor uma chapa vitoriosa.
O rompimento de barreiras, aliás, é parte importante do fio condutor da trajetória dessa paulistana de 62 anos, que mais que um “bicho político”, como ela gosta de se apresentar, se tornou uma construtora de pontes. E foram essas pontes que fizeram com que centenas de conterrâneos aderissem à sua campanha.
O núcleo duro é composto por menos de 10 pessoas e o restante do trabalho acaba sendo tocado por voluntários. Em um tempo no qual existe uma grande descrença em relação aos políticos, e que se reflete na baixa adesão, especialmente de jovens, à campanha eleitoral, conseguir aglutinar pessoas de diversas origens sociais, faixas etárias e orientações ideológicas demonstra que a campanha surgiu a partir de uma outra lógica. “Antes de aceitar o convite para ser candidata, eu busquei cada uma de minhas referências políticas, sociais e intelectuais, para entender se este seria um projeto pessoal ou coletivo”,diz.
A lista inclui a amiga de militância a ex-vereadora Claudete Alves, o jurista Hédio SilvaJr., a escritora, jornalista, pesquisadora e mãe de santo Claudia Alexandre, a psicóloga e ativista antirracista Cida Bento, o professor e militante Helio Santos, o cantor Netinho de Paula, o maestro Josoé Polia, o padre José Enes de Jesus, presidente do Instituto do Negro Padre Batista, a diretoria do Aristocrata Clube, além de outros tantos integrantes da sociedade civil. “Minha intenção era mostrar que não seria uma candidatura avulsa, mas alguém conectado com as causas da negritude, que compõe o maior segmento populacional do país, mas continua alijado dos espaços de decisão e de poder.”
Do ponto de vista prático, a campanha começou a ser desenhada no final de 2025, quando Claudete, cujo mandato preencheu o hiato após a aposentadoria da vereadora Teodosina Ribeiro, na década de 1960,intermediou uma agenda com o deputado estadual Antonio Donato (PT-SP), um dos principais nomes da articulação interna do partido em nível nacional. O encontro foi um pouco tenso. “A Claudete marcou uma reunião com Donato, na qual ele me convidou para sair candidata”, lembra Ruth. “Levei um susto, afinal estava filiada ao PT desde 2022 e nunca havia pensado na possibilidade de assumir tamanho desafio.” Passado o espanto inicial, Ruth conta que ela colocou as coisas de uma forma bem aguda, avisando que não toparia ser “laranja” de ninguém e que só aceitaria entrar na disputa se houvesse condições mínimas de competitividade.
O ato, que poderia ter sido encarado como “sincericídio”, acabou pesando positivamente, como destaca Donato ao lembrar do encontro: “Conversamos sobre a luta antirracista e a necessidade de termos mais mulheres negras no Congresso Nacional”, diz. “E como ela (Ruth) tem uma trajetória de luta e compromisso que a credenciavam, achei que era o nome ideal.” O deputado estadual do PT lembra que para dobrar Ruth ainda levou um tempo. “De cara ela não aceitou, mas começou a fazer um processo de escuta com as lideranças dessa luta e dessa comunidade e viu que não era um desejo pessoal, mas sim uma missão a cumprir”.
Aqui, torna-se necessário fazer um parêntese. Afinal, historicamente, os partidos têm negligenciado as candidaturas de minorias de direitos: mulheres e afro-brasileiros. Foi com isso em mente que Ruth decidiu que só se lançaria à Câmara dos Deputados após ser “abraçada” pela comunidade e pela direção do PT, garantindo condições financeiras para desenvolver a campanha em pé de igualdade com os demais. “Tinha de ser uma campanha enxergada como competitiva e não apenas mais uma para tapar buraco”, diz ela. Como a verba prevista é de apenas R$ 800 mil – montante expressivo, mas metade do considerado ideal por analistas – o jeito foi estruturar um núcleo duro, remunerado, e contar com uma ampla rede de apoio e suporte voluntário, focada na força da militância orgânica.
E é neste ponto que a Ruth socióloga e ativista das causas antirracista e do empoderamento feminino fez a conexão com a Ruth empreendedora e influenciadora digital. Apesar de contarem a mesma história, calcada na determinação, na resiliência e no inconformismo, são jornadas que começaram a partir de pontos distintos. A primeira se deu a partir da consciência cidadã, do desejo de melhorar o mundo e do espírito de luta herdados da família e aprimorados no mundo acadêmico. A segunda foi guiada pelo imperativo de retorno ao mercado de trabalho após quase uma década de afastamento em decorrência de problemas de saúde na família; o agravamento da saúde da mãe, cujo quadro de Alzheimer se deteriorou de forma aguda, emendou com os cuidados com a irmã gêmea Raquel, acometida pela doença de Crohn. “Foi um período difícil. Minha mãe com mais de 90 anos exigindo cuidados extremos, e depois minha irmã, cúmplice e parceira em todas as jornadas, que ficou um longo período no hospital”, recorda.
Para voltar ao mercado de trabalho, Ruth diz que preferiu romper com o passado. “Optei por reescrever, ou melhor, continuar minha história de um novo ponto, para não ficar eternamente colada em projetos importantes, mas que haviam ficado no passado, como a ONG Afrobras, criadora e mantenedora da Faculdade Zumbi dos Palmares, e o Troféu Raça Negra, nos quais participei da criação e da gestão”, explica. “A volta ao game teve como base as pautas que marcaram a minha trajetória pessoal e profissional. Era a cartada final, então tinha de encarar com ou sem medo”. Foi neste contexto que surgiram o Instituto Mulher Negra & Cia., focado no empreendedorismo feminino, a páginaOpinião da Preta e a rede de blogueiros e ativistas Frente Negra Online.
E é esta turma que vem dando sustentação a boa parte das ações e atos da campanha. Do núcleo duro participam profissionais liberais que ingressaram na faculdade graças aos programas cocriados por ela. Tanto a equipe remunerada quanto a de voluntários é multicultural e segue a filosofia de vida adotada por Ruth: “Nem todo preto é meu aliado, e nem todo branco é meu inimigo”. E é com essa capacidade de estabelecer pontes e arregimentar adeptos que a candidata tem conseguido a adesão de personalidades da política, do empreendedorismo e dos movimentos sociais às quais conclama a segurar em sua mão: Marina Silva, Simone Tebet, Ana Estela Haddad e outros tantos agentes do mundo político, acadêmico, cultural e social já repetiram o bordão: Segura na mão da preta! “Ruth tem uma enorme capacidade de aglutinar, de organizar, e tem a sensibilidade política de sacar as bandeiras mais importantes para a campanha. Será uma grande deputada”, diz Donato.
Rosenildo Ferreiraé jornalista, empreendedor, ghostwriter e atua como voluntário na campanha de Ruth Lopes, que conheceu em 2003, durante visita da Afrobras à revista IstoÉ Dinheiro, na qual era editor de negócios e colunista de sustentabilidade
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