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Processo inédito pode tirar cargo de juiz por racismo religioso contra chef Solange Borges

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Chef Solange Borges sorridente em foto preto e branco com roupas do candomblé.
Foto: Fernanda Vasconcellos

Em uma decisão que pode criar um precedente histórico no Judiciário brasileiro, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade. O magistrado é acusado de racismo religioso, e esta é a primeira vez no país que um membro da magistratura corre o risco real de perder o cargo devido a práticas racistas.

A denúncia que originou o processo foi apresentada pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO) e pela chef Solange Borges. O caso aconteceu em fevereiro deste ano, no Fórum de Camaçari (BA), quando o juiz ordenou a retirada da fotografia da sacerdotisa do Candomblé que fazia parte de uma exposição. Para justificar o ato violento contra a memória e a fé de matriz africana, o magistrado alegou a “preservação da laicidade do Estado”. No entanto, uma imagem de um santo católico foi mantida no mesmo espaço, evidenciando o caráter seletivo e discriminatório da decisão.

Ao abrir o PAD, o próprio tribunal baiano reconheceu que há indícios suficientes de que o princípio da laicidade foi instrumentalizado para atingir e invisibilizar as religiões de matriz africana.

Para o Dr. Hédio Silva, advogado de Solange Borges e presidente do IDAFRO, a abertura do processo é um divisor de águas, mas também escancara a urgência de uma reforma estrutural na formação dos juízes brasileiros. “Pela primeira vez na história um juiz poderá perder o cargo por prática de racismo. Enquanto o Judiciário não investir nas provas dos concursos públicos, nos processos seletivos de juízes e no aprimoramento da formação dos magistrados, vamos continuar recorrendo às sanções. Ninguém comemora ver um juiz perder o cargo por qualquer razão que seja. Mas, enquanto não houver um trabalho preventivo, sobretudo de qualificação e formação dos magistrados, continuaremos utilizando o PAD, as representações criminais e o direito penal para combater as práticas racistas.”

O advogado destaca, ainda, que a relevância do processo ultrapassa a responsabilização individual do magistrado e alcança a própria atuação institucional do Poder Judiciário. “Este processo afirma que o princípio da laicidade não pode ser manipulado para invisibilizar religiões de matriz africana enquanto símbolos de outras tradições permanecem naturalizados nos espaços públicos. Quando a seletividade recai justamente sobre expressões religiosas afro-brasileiras, não estamos diante de um debate abstrato sobre neutralidade do Estado, mas de um caso concreto de racismo. A abertura do PAD demonstra que o Judiciário também precisa responder aos parâmetros constitucionais de igualdade.”

Historicamente, magistrados que cometiam faltas graves eram “punidos” com a aposentadoria compulsória — mantendo seus vencimentos intactos. Mas com as recentes alterações nas sanções disciplinares da magistratura, a perda definitiva do cargo tornou-se uma realidade palpável para casos de extrema gravidade, como o crime de racismo.

Arraiá Gastronomia Preta 2026 chega ao centro do Rio

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Muhcab na Pequena África
Foto: Divulgação

Evento gratuito ocupa a Pequena África entre 3 e 5 de julho com gastronomia, quadrilhas, brincadeiras juninas e estreia do documentário Pretonomia

A Pequena África, no centro do Rio de Janeiro, será palco de três dias de celebração da cultura afro-brasileira durante o Arraiá Gastronomia Preta 2026. Idealizado pelo pesquisador Breno Cruz como parte das ações do Festival Gastronomia Preta, o evento acontece entre os dias 3 e 5 de julho, no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), reunindo gastronomia, manifestações da cultura popular, atividades para crianças e adultos e o lançamento do documentário Pretonomia.

Com entrada gratuita, mediante retirada antecipada de ingressos, a programação reforça o papel da gastronomia como patrimônio cultural e espaço de preservação de saberes ancestrais presentes na formação da culinária brasileira.

Pequena África recebe celebração das tradições afro-brasileiras

Segundo Breno Cruz, a escolha do Muhcab ocupa um lugar simbólico na história da iniciativa por ter sediado a primeira edição do Prêmio Gastronomia Preta.

Localizado na Pequena África, território que reúne importantes marcos da presença negra na cidade do Rio de Janeiro, o espaço fortalece a relação entre memória, cultura, identidade e produção de conhecimento. A realização do evento nesse contexto expande o diálogo entre as festas juninas e as contribuições afro-brasileiras para a construção dessas manifestações culturais.

Documentário apresenta trajetória do projeto Pretonomia

A abertura do Arraiá acontece na sexta-feira (3), às 16h, com uma sessão especial de lançamento do documentário “Pretonomia”. A produção reúne relatos de participantes do projeto de extensão desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), iniciativa voltada à formação de profissionais para os setores de alimentação, bebidas e hospitalidade.

O filme registra experiências de estudantes e participantes ao longo dos últimos três anos e apresenta os impactos da formação em suas carreiras, evidenciando o acesso à qualificação e ao fortalecimento de redes no setor gastronômico.

Após a exibição, o público poderá participar do início oficial da programação junina, que segue até as 22h, com apresentações de quadrilhas e atividades culturais.

Gastronomia com heranças afro-brasileiras

Durante o sábado (4) e o domingo (5), a programação começa ao meio-dia, apresentando feira gastronômica, quadrilhas, bingo e brincadeiras tradicionais.

O cardápio busca valorizar práticas alimentares transmitidas entre gerações, destacando receitas presentes nas festas juninas e pratos ligados à cozinha de terreiro. Entre eles estão xinxim de frango, canjiquinha com costela, cuscuz recheado, vaca atolada, milho cozido, chica doida, cachorro-quente, além de doces como canjica, curau com cocada, bolo de milho com queijo e goiabada, brigadeiro de milho, pé-de-moça e gumbe, sobremesa de origem africana.

Cultura, memória e território

Realizado em um equipamento cultural dedicado à preservação da história e da cultura afro-brasileira, o Arraiá Gastronomia Preta reafirma a conexão entre gastronomia, educação e patrimônio cultural.

Ao ocupar a Pequena África, território historicamente marcado pela presença e produção cultural negra, o Arraiá Gastronomia Preta busca conectar gastronomia, educação e patrimônio cultural, promovendo atividades abertas ao público e contribuindo para ampliar o reconhecimento dos saberes afro-brasileiros em diversos setores.

O evento é realizado pelo Festival Gastronomia Preta, Pretonomia e SAV Social, com apoio do Muhcab, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), da TV Globo e da plataforma O Que Fazer no Rio. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla. 

Encontre mais informações no perfil oficial do evento @festivalgastronomiapreta.

‘Noiz por Noiz’: nova série dirigida por Luh Maza retrata o SLAM e a luta da juventude periférica

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Elenco de Noiz Por Noiz e a diretora Luh Maza
Fotos: Gael Ferreira e Divulgação

Com foco nas vivências da juventude negra e periférica, a série ficcional dramática “Noiz por Noiz” entra em fase de desenvolvimento trazendo um time de peso do audiovisual negro brasileiro. Dirigida por Luh Maza (“Da Ponte Pra Lá”) e escrita por Akin e Alessandro Pereira, a produção acompanha a trajetória de Marcos, Imani e Samanta, três amigos inseparáveis que vivem na Favela do Adeus. Unidos pelos sonhos e pelos desafios cotidianos, os protagonistas buscam se estabelecer em profissões autônomas, numa tentativa de romper com a CLT e construir novas perspectivas de futuro por meio do próprio trabalho.

A produção, que se conecta diretamente com a cultura urbana e o SLAM (batalha de poesia falada), reúne nomes fundamentais do setor. A preparação de elenco fica sob a responsabilidade de Matriarcak e Eduardo Silva, que também integra o elenco da obra ao lado de Inara Santos.

Inara já demonstrou seu talento integrando produções de grande alcance como as séries “Manhãs de Setembro” e “Pico da Neblina”, além do aclamado longa “7 Prisioneiros”. Já Eduardo Silva carrega no currículo mais de quatro décadas de uma trajetória no audiovisual, com passagens por obras como “Quilombo”, “Castelo Rá-Tim-Bum”, “Carcereiros” e “3%”, tendo como trabalho mais recente a nova temporada de “Sessão de Terapia”.

A criação de “Noiz por Noiz” é fruto do talento de Akin, artista PCD, ator, roteirista e diretor natural de Diadema, no ABC Paulista. Crescido na periferia, Akin iniciou sua caminhada no audiovisual como figurante e, a partir desse espaço, pavimentou sua carreira como ator e desenvolvedor de projetos autorais. Seu primeiro papel de destaque na atuação foi na série “Quando Ela Desaparecer”, produção original do Globoplay que aguarda estreia.

Atualmente em fase de desenvolvimento, a equipe de “Noiz por Noiz” está em busca de patrocinadores, investidores e de uma produtora audiovisual que queira somar forças ao projeto, com o objetivo de viabilizar a produção e ampliar o alcance de narrativas urgentes sobre a juventude negra, a cultura urbana e a potência da arte independente.

“Você acha que eu queria dizer ao mundo que tinha transtorno bipolar?”: Jenifer Lewis fala sobre o diagnóstico que afetou até sua vida íntima

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Foto: reprodução/youtube

Em entrevista ao podcast de Keke Palmer, atriz descreveu décadas vivendo com transtorno bipolar não diagnosticado, a resistência ao tratamento e o trabalho que transformou sua relação com a própria saúde

Jenifer Lewis, atriz com mais de 250 episódios de televisão e 60 filmes, falou abertamente sobre o transtorno bipolar que a acompanha desde a juventude e que, por anos, permaneceu sem diagnóstico e sem tratamento. Em entrevista ao podcast “Baby, This Is Keke Palmer”, Jenifer Lewis, atriz com mais de 250 episódios de televisão e 60 filmes, falou abertamente sobre o transtorno bipolar que a acompanha desde a juventude e que, por anos, permaneceu sem diagnóstico e sem tratamento. Em entrevista ao podcast “Baby, This Is Keke Palmer”, Lewis descreveu como o estado maníaco não gerenciado afetou diferentes áreas da sua vida e afirmou que, durante esse período, não reconhecia o que vivia como um problema. “Nunca soube que era um problema. Eu achava que todo mundo era assim”, disse.

O transtorno bipolar é uma condição de saúde mental caracterizada por oscilações intensas de humor entre fases de mania, marcadas por euforia, impulsividade e energia elevada, e fases de depressão, com tristeza profunda e dificuldade de funcionar no cotidiano. Quando não tratado, pode comprometer relacionamentos, carreira e colocar a vida em risco. Lewis foi diagnosticada em 1990, aos 32 anos, depois de um colapso nervoso desencadeado pela epidemia de AIDS, período em que perdeu aproximadamente 200 pessoas do seu círculo próximo, em sua maioria homens gays que integravam os elencos da Broadway. “Você chegava em casa e três tinham morrido. Você chegava em casa e cinco tinham morrido na secretária eletrônica. Foi uma época que não fazia sentido, porque éramos jovens demais para vivenciar aquele tipo de morte”, relatou no podcast.

Foi uma amiga que a convenceu a buscar ajuda, embora Lewis admita que resistiu. “Eu fui chutando e gritando, porque eu a admirava. E você ouve as pessoas que respeita. Mas quando você está naquele estado maníaco, você não ouve ninguém. Você só quer estar no alto. Você quer ser vista. Há um desespero ligado a essa necessidade”, disse. A atriz ressaltou que o estado maníaco cria uma ilusão de controle que dificulta o reconhecimento do problema, e que a disposição para se tratar precede qualquer avanço. “Você tem que querer estar bem. As pessoas não têm paciência. Ficam dizendo ‘não gosto de como isso me faz sentir’. Mas se você quer acelerar num carro e matar alguém na estrada, acho que vale a pena levar um tempo para gerenciar esses remédios.”

Lewis ressaltou que não defende a medicação como único caminho, mas é enfática sobre buscar acompanhamento profissional. “Eu promovo o tratamento. Vá conversar com alguém. Se alguém te tocou, se alguém te abusou, e você não está falando sobre isso, vá buscar ajuda”, disse. A atriz também falou sobre a necessidade de paciência com o processo de ajuste da medicação, explicando que cada organismo responde de forma diferente e que desistir cedo é um dos maiores obstáculos ao tratamento eficaz.

A decisão de tornar públicas essas experiências, incluindo o transtorno bipolar, os abusos sofridos na infância por um pastor e os comportamentos compulsivos da fase sem tratamento, foi descrita por Lewis como uma escolha deliberada de servir a quem ainda não consegue nomear o que vive. “Você acha que eu queria contar ao mundo que tinha transtorno bipolar? Você acha que eu queria contar ao mundo todas essas coisas? Você não sabe por quê? Porque eu queria que você aprendesse com isso. Eu consegui tudo o que queria porque disse a verdade”, afirmou. Lewis documentou essa trajetória no memoir “The Mother of Black Hollywood” e prepara um show solo no qual revisita cada uma dessas passagens, que segundo ela será entregue como legado para as gerações mais jovens.

“Olhos d’Água”, de Conceição Evaristo, é escolhido para abrir biblioteca criada por Dua Lipa

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Fotos: Jéssica Batan

A coletânea vencedora do Prêmio Jabuti foi escolhida como primeiro título da Manifesto Library, inaugurada na Livraria Lello, no Porto, em Portugal.

“Olhos d’Água”, coletânea de contos da escritora mineira Conceição Evaristo publicada em 2014, foi escolhida como a primeira obra a ocupar as prateleiras da Manifesto Library, biblioteca criada pela cantora britânica Dua Lipa e inaugurada no sábado (27) na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal. O espaço é a primeira versão física do Service95 Book Club, clube de leitura mensal comandado pela artista e integrado à sua plataforma de cultura e comportamento, a Service95.

A Manifesto Library nasceu com um acervo dedicado a obras censuradas ou silenciadas ao redor do mundo, reunindo mais de 100 títulos. Entre eles estão “O Conto da Aia” (1985), de Margaret Atwood, e “Felon” (2019), de Reginald Dwayne Betts. Em comunicado à imprensa, Dua Lipa descreveu o espaço como “um santuário para livros que desapareceram, para autores cuja coragem desmascara estruturas de poder e controle, e para leitores que se recusam a aceitar que alguém diga quais livros eles podem ou não ler”. A cantora citou ainda obras banidas por distritos escolares por abordarem raça ou sexualidade, títulos com circulação restrita voltados ao público LGBTQIA+ e casos em que autores pagaram com a própria vida por suas palavras.

Foto: divulgação

Conceição Evaristo esteve presente na inauguração e registrou o momento em suas redes sociais. “Junto à recepção calorosa que recebi na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, tive a grata surpresa de saber que o livro ‘Olhos d’Água’, de minha autoria, foi escolhido como a primeira obra a ocupar as prateleiras da Manifesto Library”, escreveu a autora no Instagram, descrevendo o acervo como dedicado a “vozes silenciadas e histórias esquecidas”, capaz de “preencher lapsos e vazios da história e da literatura”.

Publicada pela Editora Pallas em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional, “Olhos d’Água” reúne 15 contos que percorrem o cotidiano de mulheres e homens negros, abordando desigualdade racial, violência urbana e relações de gênero a partir de uma perspectiva enraizada na experiência afro-brasileira. A obra conquistou o Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas em 2015 e, em 2025, foi listada entre os 25 melhores livros brasileiros do século XXI pela Folha de S.Paulo. Cinco dos sete livros publicados por Evaristo foram traduzidos para inglês, francês, espanhol, árabe e eslovaco.

A presença do livro em uma biblioteca europeia dedicada a obras censuradas posiciona a produção de Evaristo no debate global sobre acesso à leitura e liberdade de expressão. Em Portugal, “Olhos d’Água” é publicado pela editora Orfeu Negro, que lançou o título em 2024 ao lado de “Canção para Ninar Menino Grande”, romance mais recente da autora. A Manifesto Library funciona em caráter permanente em um dos andares da Livraria Lello, disponibilizando os títulos para leitura presencial pelo público.

‘A Casa do Dragão’: Rhaena Targaryen altera trama dos livros na 3ª temporada ao assumir Sheepstealer

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Rhaena Targaryen em cena de A Casa do Dragão.
Foto: HBO

Após o clima caótico da Batalha da Goela na estreia da nova temporada de ‘A Casa do Dragão’, hoje (28) estreia o segundo episódio da série na HBO Max, às 22h. Agora, Rhaena Targaryen (Phoebe Campbell) retorna sabendo que só atrapalhou seus aliados do Team Black ao aparecer no confronto montada em Sheepstealer. Mas será que ela ainda pode conseguir domesticar o dragão?

Na obra ‘Fogo & Sangue’, escrita por George R. R. Martin, o dragão selvagem é reivindicado por Nettles, personagem de origem humilde que constrói sua relação com a criatura aos poucos, sem qualquer vínculo com a dinastia Targaryen.

Sheepstealer, conhecido por roubar ovelhas dos habitantes da região de Pedra do Dragão, sempre foi retratado como um dragão indomável e imprevisível. Na série, essa característica segue em destaque logo na aguardada Batalha da Goela, quando Rhaena leva a criatura ao combate e percebe que o vínculo entre os dois ainda precisa ser bem estabelecido.

No livro, Nettles se aproxima de Sheepstealer com paciência, oferecendo ovelhas diariamente até conquistar a confiança do dragão. O gesto, além de simbólico, rompe com a lógica tradicional de que apenas Targaryens seriam capazes de controlar essas criaturas.

Na prática, isso significa que a relação entre Rhaena e Sheepstealer ainda precisa de mais tempo para amadurecer. A série, até aqui, sugere que a conquista da criatura não garante domínio absoluto, o que abre espaço para novos conflitos e instabilidade entre os aliados de Rhaenyra Targaryen na reivindicação ao Trono de Ferro.

Isso torna a trajetória de Rhaena um dos pontos mais sensíveis da temporada.

Dia do Orgulho: sem negros e trans, a diversidade vira privilégio branco

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Mulher negra trans segurando uma bandeira LGBTPIAPN+.
Foto: IA

Por: Rodrigo França

Eu estava em cima de um trio elétrico na Parada LGBTQIAPN+ de São Paulo, deste ano, quando uma imagem me atravessou mais do que qualquer música, qualquer discurso ou qualquer celebração. No meio de uma multidão que cantava, reivindicava, dançava e comemorava direitos conquistados, havia um jovem negro parado. Sozinho. Com um cartaz simples de papelão nas mãos. Nada elaborado. Nenhum slogan de marketing. Nenhuma produção sofisticada. Apenas uma frase: “Nenhum direito a menos”.

Durante muito tempo, enquanto o trio permaneceu praticamente imóvel, ele continuou ali. E eu não conseguia parar de olhar. Porque, de repente, aquela imagem parecia fazer uma pergunta que atravessa toda a história do movimento LGBTQIAPN+. Onde estão as pessoas negras? Onde estão as travestis negras? Onde estão os homens negros, mulheres negras? Onde estão aqueles que carregam as maiores estatísticas de violência, exclusão e morte? E, principalmente, quem pode estar aqui celebrando?

Quando olhei para a multidão, vi majoritariamente pessoas brancas. Muitos homens brancos. E não se trata de negar a legitimidade de suas existências, de suas dores ou de suas lutas. A questão é outra. Quem ocupa o centro da narrativa? Quem tem visibilidade? Quem aparece nas campanhas? Quem recebe os convites? Quem é lembrado quando chega o mês do orgulho?

É impossível celebrar o orgulho LGBTQIAPN+ sem olhar para a questão racial. E é impossível falar da história desse movimento sem lembrar de Marsha P. Johnson. Durante décadas, a história hegemônica tenta embranquecer até mesmo as origens da revolta que se transformaria no maior símbolo da luta LGBTQIAPN+ mundial. Mas os levantes que ocorreram no entorno do Stonewall Inn não podem ser compreendidos sem reconhecer a presença decisiva de pessoas negras, latinas, travestis, transexuais e drag queens que viviam na margem da margem.

Pessoas que não estavam lutando apenas pelo direito de amar. Estavam lutando para sobreviver. A diferença é profunda. Enquanto parte da população LGBT reivindicava reconhecimento social, outras pessoas reivindicavam o direito de continuar vivas.

Não é coincidência que até hoje as travestis e mulheres trans negras estejam entre as maiores vítimas da violência. Não é coincidência que a pobreza tenha cor. Não é coincidência que a exclusão tenha endereço. Não é coincidência que a morte seja distribuída de forma tão desigual. Por isso, quando observo grandes eventos LGBTQIAPN+, às vezes me pergunto se estamos diante de uma celebração da diversidade ou da vitória de um segmento específico dentro dessa diversidade.

Porque a branquitude possui uma capacidade histórica de ocupar espaços, inclusive aqueles construídos por outras mãos. Aconteceu no samba. Aconteceu na cultura popular. Aconteceu em inúmeros movimentos sociais. E acontece também dentro da comunidade LGBTQIAPN+.

A luta nasceu profundamente marcada por pessoas negras, latinas, pobres e trans. Mas o protagonismo público, os microfones, os contratos publicitários, os espaços institucionais e a representação midiática acabaram sendo concentrados, muitas vezes, nas mãos de pessoas brancas. Mesmo quando pertencem a grupos historicamente discriminados.

Esse é um debate que costuma gerar desconforto porque desafia uma ideia muito difundida: a de que sofrer uma opressão elimina automaticamente a possibilidade de reproduzir outras. Mas não elimina. Um homem branco gay continua sendo branco. Uma mulher branca lésbica continua sendo branca. E a branquitude não desaparece quando alguém sofre discriminação por orientação sexual. Privilégios não são anulados. Eles coexistem. É justamente por isso que tantas vezes vemos pessoas utilizando sua condição de grupo minorizado como uma espécie de certificado automático de consciência social.

Como se sofrer preconceito em uma dimensão impedisse alguém de praticar silenciamentos em outra. A realidade mostra o contrário. Também existem hierarquias dentro da própria diversidade. Também existem exclusões dentro dos grupos excluídos. Também existe racismo dentro da comunidade LGBTQIAPN+. E a pergunta mais dura seja justamente aquela que me acompanhou enquanto observava aquele jovem negro segurando seu cartaz.

Quem está faltando nesta festa? Quem não conseguiu chegar? Quem está trabalhando enquanto outros celebram? Quem está na escala seis por um? Quem está limpando o chão da festa? Quem está servindo? Quem está cuidando das crianças? Quem está cuidando dos idosos? Quem está garantindo que a cidade continue funcionando enquanto a Avenida Paulista se transforma em palco?

Essas perguntas não são novas. Elas atravessam também uma crítica histórica ao feminismo liberal branco. Durante décadas, muitas conquistas femininas foram possíveis porque outras mulheres, quase sempre negras e pobres, permaneceram ocupando os espaços do cuidado. Enquanto algumas conquistavam o direito de ocupar escritórios, universidades e cargos de poder, outras continuavam responsáveis pela cozinha, pela limpeza e pela criação dos filhos que não eram seus.

A liberdade de umas frequentemente repousava sobre o trabalho invisível de outras. Já passou da hora de perguntar se algo semelhante acontece em parte dos espaços LGBTQIAPN+. Porque representatividade sem redistribuição de poder é apenas uma nova forma de desigualdade. E orgulho sem memória corre o risco de virar espetáculo. 

A imagem daquele jovem negro continua comigo. No meio de uma multidão celebrando, ele parecia lembrar algo que não deveria ser esquecido.

Nenhum direito a menos. Mas para quem?

Se a resposta não incluir as pessoas negras, especialmente as travestis e mulheres trans negras, então não estamos falando de libertação coletiva. Estamos falando apenas da ampliação dos privilégios de quem já estava mais próximo deles.

BET Awards 2026: Cardi B lidera indicações da premiação negra 

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Cardi B confirmada como atração do BET Awards 2026
Foto: Divulgação

A cerimônia acontece neste domingo (28), em Los Angeles, e também terá apresentações de Queen Latifah, Doechii, Tems, Kehlani e Nas. 

O BET Awards 2026 confirmou as primeiras apresentações musicais da cerimônia, marcada para este domingo (28), no Peacock Theater, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Entre os nomes anunciados, Cardi B é o principal destaque da edição.

A rapper lidera a lista de indicados deste ano com seis indicações pelo álbum Am I the Drama?, reforçando seu protagonismo em uma das principais celebrações da cultura negra no entretenimento.

O evento será apresentado pelo humorista Druski, com MC Lyte retornando como locutora oficial do evento. Queen Latifah, um dos maiores nomes da história do hip-hop, também está confirmada entre as atrações da noite.

A primeira lista de performances reúne ainda artistas como Doechii, Tems, Kehlani, Common, Nas, Ari Lennox, Rick Ross, T.I. e Rapsody. O palco BET Amplified, voltado para artistas em ascensão, receberá a cantora KWN.

A premiação criada em 2001 pela Black Entertainment Television (BET), reconhece artistas, atletas, atores e personalidades que contribuem para a cultura negra, contemplando categorias ligadas à música, cinema, televisão, esporte, moda e cultura digital.

A edição de 2026 acontece no domingo, 28 de junho, e pode receber novos anúncios de performances até o início da cerimônia.

“Observe Espaço-Entre” chega à CAIXA Cultural Rio de Janeiro

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Conativo posa diante de obra da exposição Observe o Espaço-Entre
Foto: Divulgação

Artista visual de Duque de Caxias apresenta 16 obras inspiradas na mobilidade urbana, no cotidiano e nas relações construídas na Baixada Fluminense

A produção artística da Baixada Fluminense ocupa o centro do Rio de Janeiro a partir de 2 de julho com a exposição “Observe o Espaço-Entre”, do artista visual Conativo. Em cartaz na CAIXA Cultural Rio de Janeiro até 16 de outubro, a mostra reúne 16 pinturas que partem das experiências do artista em Imbariê, bairro onde nasceu e foi criado, em Duque de Caxias.

Antes de chegar à CAIXA Cultural, a mostra foi apresentada em Duque de Caxias. Conativo também participou de exposições coletivas em instituições como o Paço Imperial, o Sesc Niterói e o Museu Ciência e Vida, além de integrar a programação da ArtRio em 2025.

Graduado em Artes Visuais pela UERJ, o artista constrói uma narrativa sobre deslocamentos cotidianos, trabalhadores informais, mobilidade urbana e as formas como a população transforma e ocupa a cidade. As obras apresentam cenas cotidianas para quem vive na Baixada Fluminense, registrando experiências frequentemente ausentes dos espaços tradicionais da arte.

O título da exposição dialoga com a reflexão do intelectual quilombola Nego Bispo em A Terra dá, a Terra quer. Ao abordar diferentes formas de compreender território e pertencimento, a mostra propõe um olhar construído por quem vive nesses espaços, rompendo com perspectivas que historicamente reduziram a periferia a estereótipos.

“As pinturas falam de um deslocamento que faz parte da vida de muita gente daqui. Então, acaba sendo simbólico também que as obras agora façam esse mesmo movimento, saindo de Duque de Caxias e chegando ao Centro do Rio”, afirma Conativo.

A exposição demonstra como esses territórios produzem conhecimento, memória e linguagem visual próprias a partir de pinturas que registram construções urbanas, fluxos de transporte, vendedores informais e cenas que fazem parte da rotina de milhares de pessoas da região metropolitana do Rio de Janeiro.

A mostra também investe em acessibilidade. Todas as obras contam com audiodescrição, e a pintura “Vitral #1 Surfistas de Trem” possui placa tátil para visitação.

Ao longo da programação, serão realizadas visitas mediadas com o artista e o curador João Paulo Ovidio, uma oficina de impressão artesanal baseada em técnicas de gravura e um bate-papo sobre os temas presentes na exposição, seguido do lançamento do catálogo físico.

Coletiva Tempero de Oyá lança cartilha on-line e gratuita com receitas e reflexões sobre cultura alimentar afro-brasileira 

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Coletivo Tempero de Oyá reunido e sorridente para a foto.
Sabores do Tempo (Foto: Caio Resende)

A Coletiva Tempero de Oyá anunciou o lançamento da Cartilha Tempero de Oyá, uma publicação digital e inteiramente gratuita que coroa meses de encontros, trocas de saberes e fortalecimento comunitário na periferia de São Paulo. O material é o resultado do projeto “Sabores do Tempo – Conexões Entre o Saber e o Fazer”, realizado em Perus, na Zona Noroeste da capital paulista.

Além de receitas, o documento se consolida como um manifesto de resistência, identidade e valorização do patrimônio cultural negro e periférico. Nas páginas da cartilha, os leitores encontram pratos repletos de afeto e história, como Moqueca de Banana-da-Terra, Baião de Dois e Escondidinho de Mandioca com Carne-Seca, além de reflexões profundas sobre ancestralidade e território.

Ao longo do projeto, o coletivo colocou em pauta discussões urgentes e necessárias para o cenário gastronômico atual. Um dos grandes momentos do projeto foi a roda de conversa liderada pela chef e sommelière Dani Souza, que debateu o “Racismo Alimentar”. O encontro discutiu os impactos estruturais que limitam o acesso da população negra à alimentação saudável, a histórica invisibilização dos saberes culinários de matriz africana e a necessidade urgente de fomentar a representatividade negra nos espaços de alta gastronomia e comando de cozinhas.

O percurso de construção da cartilha contou ainda com debates ricos sobre “Nutrição e Saúde”, mediado pela educadora social Valéria Pássaro, e “Soberania Alimentar: Plantar e Colher”, comandado pela bióloga Bruna Macedo. Todos os encontros foram gratuitos e contaram com tradução em LIBRAS.

Criada em 2015, a Coletiva Tempero de Oyá nasceu em Perus para homenagear a horta de Dona Iracema e a força ancestral da orixá Iansã.

Realizada com o apoio do Programa VAI, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, a cartilha agora serve como um convite digital para que outras comunidades e territórios acessem e repliquem essa tecnologia social de cuidado e pertencimento através da comida.

Cartilha (formato digital): https://drive.google.com/file/d/1RGV9NYhyUejHCP3joDzYrx8Xsd-lNo4F/view
Mais informações: @temperode_oya

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