Procurando materiais escolares com personagens negros e valorização à cultura negra? Chegou o grande momento de se preparar para volta às aulas e o Mundo Negro selecionou itens lindíssimos para crianças e adolescentes usaram na escola.
Entre os materiais, tem materiais para fortalecer os afroempreendedores e de outras marcas, com referências de princesa negra e heróis. Confira abaixo:
Mochila Afro
A Negaju Acessórios Afro está com mochilas afros lindíssimas que os adolescentes vão amar. Mas corre porque a edição é limitada! Na loja você também pode garantir o estilo completo da volta às aulas com brincos afros, colares e carteiras. Veja aqui!
Lápis de Cor Jumbo
Proporcionar experiências lúdicas com a diversidade racial no Brasil é muito importante para garantir a autoestima das crianças e dos jovens negros. Por isso, também recomendamos o kit com 6 cores, da coleção caras & cores da Faber Castell. Os pequenos agora podem enxergar que a cor de pele são diversas. Confira aqui!
Caderno
Que tal um caderno inspirador? A Xeidiarte oferece diversas estampas incríveis, incluindo com referência à filósofa Angela Davis, com a frase: Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela! A marca também conta com uma variedade de agendas e capinhas de celular. Veja aqui!
Lancheira Escolar
Impossível pensar em representatividade negra e não lembrar do Pantera Negra. Nesta lancheira da Bagaggio, ainda tem estampado a irmã Shuri e a General Okoye. Na loja, há outros itens com a mesma estampa.Veja aqui!
Estojo
A nova sensação para as meninas negras é a nova princesa da Disney, Aisha, que estrela o filme Wish, lançado recentemente nos cinemas. Na Olist, loja disponível no Mercado Livre, é possível encontrar estojo com estampa dela, entre outros itens.Confira aqui!
A desigualdade socioambiental também afeta o acesso a oportunidades econômicas e sociais
Para começar, o que é Racismo Ambiental?
O racismo ambiental é um termo utilizado para descrever o processo de discriminação que populações periferizadas e/ou compostas por minorias étnicas sofrem devido à degradação ambiental. A expressão é uma denúncia de que as pessoas historicamente invisibilizadas pelos líderes globais são as mais afetadas pela poluição, inundações, queimadas e demais degradações ambientais.
No contexto internacional, o tema também se refere às relações ecológicas desfavorecidas entre os hemisférios norte e sul global, como consequência do colonialismo.
Em uma sociedade onde o sistema não prioriza o bem-estar das minorias, o racismo ambiental segue se fortalecendo, as comunidades marginalizadas muitas vezes têm menos acesso a empregos, educação e serviços públicos de qualidade, o que leva a um ciclo vicioso de desvantagem social e econômica.
Recentemente acompanhamos a novela Braskem x Lagoa do Mundaú em Maceió (AL), que desde 2018 vem se desenhando como um grande desastre ambiental e o Brasil acompanha calado as falhas graves no processo de mineração que causaram instabilidade no solo. Ao menos três bairros da capital alagoana tiveram que ser completamente evacuados em 2020, por causa de tremores de terra que abalaram a estrutura dos imóveis, e todas as esferas governamentais se calaram, assim como Mariana e Brumadinho, uma tragédia anunciada, que teve o desfecho no dia 10 de dezembro de 2023.
E o que esta tragédia de Maceió tem em comum com o Racismo Ambiental?
A pesca e comercialização de peixes e mariscos são a principal fonte de renda de muitas famílias em Maceió, capital de Alagoas. Às margens da Lagoa Mundaú, na periferia da capital alagoana, vivem milhares de mulheres, na maioria negras, grande parte chefes de família, que encontram na pesca do sururu uma opção para levar alimento e o mínimo de dignidade aos seus filhos e filhas, a maioria das pessoas ali podem ser intituladas “empreendedoras”, mas, na verdade, travam uma luta desesperada e diária pela sobrevivência, muito distante do mito de “liberdade” e de “trajetória de sucesso”. São adultos, jovens e crianças que mergulham sem parar em uma água contaminada para colher mariscos e receber valores ínfimos no quilo dele “despinicado” / limpo, um trabalho desumano.
E qual o agravamento disso?
A princípio, o evento geológico pode ter causado prejuízos de até R$34 bilhões, segundo estudo do Instituto Alagoas. A lagoa é uma área de preservação ambiental e fonte de renda para milhares de marisqueiras e pescadores.
“Com o impacto tanto terrestre quanto lagunar teremos perda da biodiversidade na região [..] Teremos mortandade de espécies e até prejuízo na manutenção de outras.”, afirmou Regla Toujaguez, engenheira geóloga.
Concomitante com esta tragédia que pode ter danos irreversíveis ao bioma da região, o Brasil estava na COP 28 com a maior delegação entre os países participantes. Foram 1.337 inscritos. A delegação oficial do governo era de cerca de 400 pessoas. A pergunta que não quer calar, a COP 28, também chamada de “Cop dos influencers”, trouxe alguma solução, ou auxílio para os milhares de desalojados e agora sem renda da região da Lagoa do Mundaú, ou assim com vimos Mariana e Brumadinho, mais uma vez veremos uma cortina de fumaça se formar e os responsáveis saírem ilesos?
Combater o racismo ambiental é urgente para salvar vidas. Não podemos esquecer que centenas de famílias são destruídas após deslizamentos de terra e/ou enchentes, aterramentos ou desastres causados por grandes mineradoras que fazem extrações ilegais e após estes desastres socioambientais, estas comunidades são esquecidas.
Para combater o racismo ambiental, é necessário que as comunidades afetadas sejam incluídas em todas as decisões relativas ao meio ambiente e à saúde. Os governos e empresas devem garantir que as comunidades locais sejam informadas sobre os riscos ambientais associados às instalações em suas áreas, e que essas comunidades sejam consultadas antes da construção de novas instalações ou projetos.
Começa hoje (13), às 17h, a Copa Africana de Nações, principal campeonato de futebol do continente africano, com um jogo entre a anfitriã desta edição, Costa do Marfim, e Guiné-Bissau.
A competição teve início em 1957 e acontece a cada 2 anos. Neste ano, 24 das 54 nações africanas competirão pelo título que o Senegal conquistou em 2022, e tem o Egito como heptacampeão (venceu 7 vezes), sendo assim divididas:
Grupo A: Costa do Marfim, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e Nigéria Grupo B: Cabo Verde, Egito, Gana e Moçambique Grupo C: Camarões, Gâmbia, Guiné e Senegal Grupo D: Argélia, Angola, Burkina Faso e Mauritânia Grupo E: Mali, Namíbia, África do Sul e Tunísia Grupo F: República Democrática do Congo, Marrocos, Tanzânia e Zâmbia
Craques africanos que atuam em times foram do continente, retornam à casa para participar da competição como Victor Osimhen (Nigéria), André Onana (Camarões), Sébastien Haller (Costa do Marfim), Serhou Guirassy (Guiné) e Mohamed Salah (Egito).
Até o dia 24 de janeiro, durante as fases dos grupos, haverá jogos diariamente que poderão ser acompanhados na Band e das plataformas digitais do grupo: Bandplay, band.com.br e o canal do YouTube Esporte Na Band, às 11h, 14h ou 17h. Após este período, os jogos de oitavas de final ocorrerão de 27 a 30, quartas de final nos dias 2 e 3 de fevereiro, semifinal no dia 7, disputa pelo terceiro lugar no dia 10 e a grande final no dia seguinte, 11 de fevereiro.
Imagine a delícia de comer um bolos personalizados e doces que “nascem do encontro com a doçaria cearense com a Pâtissière francesa”? É assim que o chef confeiteiro Marcos Wandebaster, morador de Fortaleza, descreve as suas especialidades para o público para qual ele empreende da capital de Ceará e região metropolitana, em entrevista ao Mundo Negro e Guia Black Chefs.
Para preparar os bolos personalizados para aniversário e casamentos, cobertos com Buttercream e na Pâtissière francesa, Marcos destaca suas preferências individuais. “Busco ir pelo caminho da valorização dos insumos locais e dos pequenos produtores para desenvolver uma confeitaria brasileira/cearense”, destaca.
Cupcake Red Velve com Buttercream de Cream Cheese (Foto: Reprodução/Instagram)
“A minha cozinha vem, principalmente das minhas mais velhas. Minha tataravó ensinou à sua filha, que ensinou a sua filha… até chegar à mim. Quem me ensinou primeiramente a cozinhar e confeitar foi Tia Luciêne, que tem 82 anos”, diz o chef, orgulhoso da sua carreira construída a partir das mulheres da família.
Profissional especializado desde 2019, atualmente Marcos também está trabalhando na confeitaria do restaurante Mangue Azul, cursando gastronomia na universidade, além de ser um pesquisador da química, biologia e física dos bolos.
Bolo sabor manga e maracujá (Foto: Reprodução/Instagram)
“Através da minha pesquisa com cultura alimentar cearense e química da confeitaria, estou escrevendo um livro (e buscando patrocínio para tal’) com historiografias e conteúdos científicos voltados ao ofício de fazer bolos”, diz o chef.
Entre os mais pedidos pelos clientes de seu empreendimento, Marcos destaca o “Bolo Brigadeiroom (massa de chocolate feita com rapadura), Bolo Sweet Boom (massa com farinha de castanha de caju com recheio de doce de leite com flor de sal), Charllote (com massas de bolo e biscoitos franceses e frutas da estação) e Tarte au Citron”.
Todos os anos, quando as edições de reality se iniciam, várias temáticas retomam à cena, principalmente nas redes sociais. Desde 2021, temas como racismo têm fomentado diversos episódios e debates a respeito. O que devemos pontuar nestes moldais é que os realities são nada mais que, um recorte de como nossa sociedade está organizada. Os atravessamentos oriundos dele, são os mesmos que enfrentamos, quando possuímos a lente do letramento político, racial ou de gênero, no nosso dia a dia.
Para identificá-lo é necessário colocar esta luneta. Existe, uma parcela da população que não é impactada por essas problemáticas, pois vivem numa situação de falso conforto oriunda do desconhecimento e consequentemente, não identificação do preconceito, do racismo, do machismo em suas relações. E muitas vezes em suas próprias atitudes.
O letramento racial é muito importante para fomento dessas discussões nos espaços públicos e de poder – hoje tendo como grande palco disso as redes sociais – quando outrora já se foi o rádio e a televisão. Este atravessamento também é importante para que cada individuo identifique em si mesmo, os signos e símbolos do racismo e supremacia branca, desde a invasão portuguesa no território brasileiro. Somos, fruto do meio, que capacita sujeitos com todos esses preconceitos independente do lugar de fala que a cor de pele lhe indica ter.
O racismo estrutural organiza o Brasil para que o letramento não chegue aos brasileiros e brasileiras. Os dispositivos legais ainda não acompanham essa descontinuação que mesmo contemplada em algumas legislações não há aplicabilidade necessária, colocando os crimes de racismo e afins, à beira da impunidade.
E como combater este cenário de mais de 500 anos? Utilizando as ferramentas de poder. A comunicação, é uma grande ferramenta que conecta sujeitos que falam o mesmo código. Ou não. E a discordância é altamente necessária para formação do pensamento crítico. Quanto mais programas em rede nacional que movimentem essas pautas mais uma parcela da população irá buscar e propor debates do gênero. Mesmo que muitos ainda não estejam prontos para esta conversa.
Trabalhar por uma sociedade menos desigual e discriminatória, é uma batalha recente. Onde, nem aqueles que falam deste tema estão totalmente preparados. Somos seres humanos providos de qualidades e defeitos, em uma jornada infinita de constante evolução. É aceitável errarmos neste processo necessário e diário. Mas o conhecimento atrelado ao discurso movimenta as estruturas. Mecanismos esses feitos para privilegiar a branquitude no Brasil. Essa última comunidade, muito bem organizada, se movimenta todos os dias para não perder seus privilégios. E nós, população negra, precisamos também nos sistematizar.
No continente africano, essas discussões ocidentais não lhes atravessam. Lá, independente da cor de pele, todos são seres humanos. O que não acontece no Brasil. O seu fenótipo chega primeiro que você. E se você for um preto, com roupas simples numa rua deserta, é muito provável que alguém esconda o celular ao te ver. Isso se amplifica se você for uma mulher negra num espaço de poder predominantemente branco. Você terá que realizar uma prova todos os dias para validar a sua capacidade de ocupar aquele espaço. Ocupação de espaço essa que muitas mulheres pretas nem chegam a alcançar, pois ainda estão presas e afixadas nos territórios das comunidades periféricas.
A tal da meritocracia. O racismo é estrutural. Nas oportunidades que não chegam para uma parcela da população que mesmo em século 21, não consegue acessar espaços, muito menos ter poderes. E é nesse circuito que os problemas sociais se maximizam, como a evasão escolar, a crescente de jovens na criminalidade e tráfico de drogas, bem como no uso precoce desses entorpecentes.
Mas, isso não é de agora. A começar, pelo Direito à memória que ainda não temos. Estudos recentes já defendem que a história do Brasil precisa ser recontada. O que garante a Constituição Federal, de reconhecer que estamos amparados a este direito juridicamente, nos faz correr a passos largos atrás dessas memórias, nos ajudando contar mais sobre a escravidão, visto que ela durou mais tempo do que a própria abolição.
São mais de 300 anos para combater menos de 140 anos de uma falsa liberdade. Há pouco tempo os negros eram tratados como mercadoria, nessa diáspora que disseminou, matou, torturou, estuprou sua população. E a história segue sendo contada.
As políticas de reparação precisam atingir como entendemos a formação do nosso próprio país. De nossa própria cultura dentro desse epistemicidio que ignora tudo que o povo negro produz. Porque estes, ao longo dos anos só foram retratados de duas formas: como pacíficos ou como raivosos. O Binarismo que impossibilita um ser humano, que nem considerado humano é, pois, muitos acreditávamos que os corpos pretos nem dor sentiam, poderiam produzir conhecimento, muito menos se fossem mulheres negras à contar por Esperança Garcia.
Visto que o patrono da abolição no Brasil é Luiz Gama. Os recortes estão desde a invasão. E num reality, é óbvio que isso será evidenciado. As pessoas esquecem que estão sendo filmadas e depois, só são elas mesmas. E é assim a nossa estrutura social.
É essa estrutura, ainda tão solidificada que pode ser combatida através desse levante de ideias. Através do conhecimento libertador das mentes negras que ainda não se reconhecem como tal. Que não possuem a tão famosa consciência negra fortemente discutida no mês de novembro. E será que não deveria ser em setembro? Resistir não é apenas o único caminho. Precisamos nos emponderar o quanto antes.
A nova formação do paredão no BBB 24, realizada na noite desta sexta-feira (12), tem agitado as redes sociais! O público deve votar em quem fica, disputado entre Davi, Juninho e Thalytae a eliminação será neste domingo (14).
Em menos de uma semana, o motorista de app discutiu comMaycon, a “tia da merenda”, antes de ele ser eliminado e agora tem conquistado ainda mais o público, depois de confrontar o líder Rodriguinho ao vivo, ao ser indicado pelo pagodeiro para a berlinda.
“Eu estou bem posicionado dentro da casa, até agora não apresentei nenhuma falha. Falo com todos, me dou muito bem com todos. Acho que o voto do Rodriguinho pra mim foi um voto de muita emoção e sem estratégia nenhuma, e isso faz dele um péssimo jogador”, disse em seu discurso pela permanência.
No entanto, Rodriguinho não gostou nada das falas de Davi e o criticou para os outros da casa, inclusive com falas problemáticas. “O Davi não tem nada: é só um cara comum da Bahia. O que ele tem a mais? Fala pra mim!”, disse para o Lucas Pizane, que logo o rebateu. “Também não tenho história nenhuma a contar, também sou só um cara da Bahia”. Mas o pagodeiro insiste no termo usado: “Já tinha você, pra quê outro, igual?”.
O ex-BBB Gil do Vigor foi um dos internautas que elogiou a postura do motorista. “Valorizem a coragem do Davi de falar NA CARA, passando do tom ou não mas pelo menos ele segura o rojão. Mas quem decide são vocês!”, escreveu no X (antigo Twitter).
Talvez as pessoas estejam com medo de se posicionarem e acabarem se tornando os vilões do jogo, fora que, provavelmente estão aguardando a narrativa do injustiçado. Dito isto, valorizem a coragem do Davi de falar NA CARA, passando do tom ou não mas pelo menos ele segura o rojão.…
“Desculpa, gente. Mas a pessoa que tem coragem de peitar o Rodriguinho em rede nacional merece meu respeito só pela coragem kkkkkkkk eu acho que nessa hora eu ia bambear um tiquinho”, disse a influenciadora Preta Demais.
desculpa gente mas a pessoa que tem coragem de peitar o Rodriguinho em rede nacional merecemeu respeito só pela coragem kkkkkkkk eu acho q nessa hora eu ia bambear um tiquinho kk
O espetáculo “Luther King – O Musical” é arrebatador, imperdível, emocionante e didático. A todos que se dedicam a entender a luta do movimento pelos direitos civis nos anos da década de 1960 nos Estados Unidos vai surpreender pela riqueza de informações.
Percebo que o musical foi inspirado no livro “Autobiografia de Martin Luther King”, organizado por Clayborne Carson e brilhantemente traduzido por Carlos Medeiros. A primeira parte é dedicada ao episódio deRosa Parks.
Em 1º de dezembro de 1955, a sra. Rosa Parks recusou-se a deixar seu lugar quando o motorista de um ônibus lhe pediu que se levantasse e passasse para a parte traseira do coletivo. Ela estava sentada na primeira fileira de uma seção não reservada a negros. Todos os lugares atrás estavam ocupados, e se ela seguisse a ordem do motorista teria de ficar de pé para ceder o lugar a um passageiro de sexo masculino que tinha acabado de pegar o ônibus. De uma forma digna e tranquila, tão característica de sua radiosa personalidade, ela se recusou. Em resultado disso, foi presa. Era o tempo de leis segregacionistas e de um racismo amparado pela legislação.
Crédito: Fellipe Santiago Fotografia
O que impressiona na plateia que assistia ao espetáculo é a imediata identificação com os atores negros e a reação a todas as cenas, que foram seguidas de aplausos entusiasmados. É como se a realidade do Sul dos EUA retratasse a dura situação do racismo no Brasil. É impossível entender o ato da sra. Parks até se perceber que um dia a xícara da paciência acaba entornando e a personalidade humana solta um grito: “Eu não aguento mais isso.” Sua recusa em passar para a parte traseira do ônibus foi uma afirmação para o mundo, intrépida e corajosa, de que ela atingira o seu limite. Quantas pessoas não se sentem como Rosa Parks diante do racismo sofrido diariamente?
Um aspecto que se destaca para a reflexão é o papel dos pastores, sobre o qual Martin Luther King afirma o seguinte: ”…tenho a convicção de que qualquer religião que professe uma preocupação com as almas dos homens, mas não esteja igualmente preocupada com as favelas a que eles estão condenados, com as condições econômicas que os estrangulam e com as condições sociais que os debilitam, é uma religião espiritualmente moribunda, que só falta ser enterrada.”
Luther King com a certeza foi um dos maiores líderes do século XX e uma de suas conclusões impactantes sobre sua luta em defesa dos direitos da comunidade negra é a bela afirmação “Passei a perceber que ninguém abandona seus privilégios sem uma forte resistência. Percebi também que o propósito subjacente da segregação era oprimir e explorar os segregados, e não apenas mantê-los separados. Mesmo pedindo por justiça dentro das leis segregacionistas, os “poderes constituídos” não estavam dispostos a nos atender. Justiça e igualdade, percebi, nunca viriam enquanto a segregação permanecesse, pois o propósito básico desta era perpetuar a injustiça e a desigualdade.”
Crédito: Fellipe Santiago Fotografia
Se você não viu o espetáculo, recomendo que assista e reveja muitas vezes o musical que está em cartaz de quinta a domingo, em vários horários, até o dia 13 de fevereiro, no Teatro Nissi, em São Paulo, na Avenida Brigadeiro Luís Antonio, 884, conhecida “Broadway Paulista”. (Clique aqui!)
Diretora de uma das comédias mais divertidas do ano passado, ‘Ó Pai, Ó 2’, a cineasta Viviane Ferreira acaba de finalizar as filmagens de seu novo longa, ‘Família de Sorte’, que combina humor, questões sociais e a relação dos brasileiros com reality shows ao estilo de Big Brother Brasil.
Foto: Stella Carvalho
Os protagonistas do filme são o casal Maicon (Robson Nunes, de ‘Tim Maia’, ‘Carandiru’) e Jennifer (Micheli Machado, de ‘Todas as Flores’, ‘Quanto mais Vida, Melhor’) que também são um casal na vida real e pela primeira vez contracenam juntos em um filme.
Foto: Stella Carvalho
Na história, Jennifer trabalha em uma clínica pediátrica, enquanto Maicon era segurança de um galpão até ser demitido, o que o faz querer se inscrever para um reality show ao estilo Big Brother Brasil. Sua mulher, no entanto, também é inscrita pelo irmão, Cleitinho, sem que ela saiba e acaba sendo selecionada, deixando Maicon a cargo da casa e das duas filhas, Riana e Bionce . Chega então uma nova fase na vida dessa família, que tem de lidar com a fama, e com novas dinâmicas domésticas quando Maicon precisa assumir os cuidados da casa e das filhas na ausência de sua esposa.
Foto: Stella Carvalho
O filme conta com um elenco majoritariamente negro e combina humor com reflexões sociais, assim como outros trabalhos de Viviane Ferreira que são voltados para um audiovisual identitário. A diretora contou em entrevista que só aceitou dirigir o projeto sob uma condição: rir com as pessoas negras e não rir das pessoas negras.
Foto: Stella Carvalho
“A maneira estereotipada como as pessoas negras têm sido historicamente retratadas no nosso audiovisual faz com que todas as vezes que a gente pense em um elenco negro, a gente o coloque automaticamente agindo contra o racismo e não simplesmente vivendo. A gente merece viver, sonhar, se emocionar e pensar uma vida em plenitude”, disse em entrevista.
Foto: Stella Carvalho
Com roteiro da dramaturga e roteirista Maria Shu (das segundas temporadas das séries ‘Irmandade’ e ‘Bom Dia, Verônica’), o longa também traz no elenco Júlio Silvério, Letícia Soares, Ricardo Oshiro, entre outros.
O produtor Caio Gullane também apontou, em entrevista, a importância de colocar personagens negros na tela. “Nós precisamos criar um imaginário brasileiro, considerando que o país é majoritariamente afrodescendente, com histórias positivas de um cotidiano menos de exceção, não ligado à marginalidade”.
Família de Sorte chega aos cinemas no segundo semestre de 2024 com distribuição da Warner Bros. Discovery.
Astro da novela ‘Terra e Paixão’, da TV Globo, o ator Amaury Lorenzo sofreu uma abordagem no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Sem maiores justificativas, o artista foi impedido de embarcar e precisou ser revistado. Ele relatou toda a situação através do Instagram, nesta tarde de sexta-feira (12).
“[Estou] No aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e tive que ficar descalço, sem conseguir embarcar. Estou preso aqui, sem conseguir embarcar, com a desconfiança de que estou levando alguma coisa. Triste, né? Pois é. Deve ser o meu cabelo, a minha pele”, lamentou.
Lorenzo não deu mais detalhes sobre o caso, mas no vídeo, ele aparece sendo revistado, descalço e recebendo orientações de uma agente do aeroporto. “A gente conversa depois”, disse o ator após ser proibido de continuar gravando.
Em nota, o aeroporto RIOgaleão informou que repudia qualquer forma de discriminação e informou que outras pessoas também passaram pelo processo, que se deu de forma aleatória. “O RIOgaleão repudia qualquer forma de discriminação e reafirma seu compromisso com a igualdade e a diversidade. A inspeção aleatória do Aeroporto Internacional Tom Jobim é definida por acionamento automático realizado pelo equipamento de Raio-X, que leva em conta um percentual de passageiros que passam por cada aparelho. O mecanismo segue rigorosamente as normas estabelecidas na Resolução DAVSEC nº 02-2016 dos Procedimentos de Inspeção de Segurança regulamentados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)“, declarou a empresa, em nota.
“Durante a inspeção do Sr. Amaury Lorenzo, que foi conduzida com respeito e cordialidade pelos Agentes do aeroporto, outras pessoas também passaram pelo mesmo procedimento em outros equipamentos Após a inspeção, o ator embarcou normalmente”, finalizou o RIOgaleão.
No fim de 2023, aproveitei o recesso de Natal e Ano Novo e as férias escolares para fazer minha sonhada mudança de estado, de São Paulo para a Bahia. Em situações como essa, fica evidente para mim, a importância de ter uma rede de apoio e estar trabalhando em uma empresa flexível que considera o contexto da economia do cuidado.
O assunto parece novo para muitas empresas, principalmente, depois do maior destaque que recebeu ao ser escolhido como tema da última redação do Enem, mas é um problema antigo e bastante ligado à pauta antirracista. A desigualdade de raça e gênero na economia do cuidado é um fenômeno alarmante, evidenciado por números que revelam disparidades significativas.
Globalmente, mulheres realizam aproximadamente 75% do trabalho de cuidado não remunerado, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT); e são mulheres negras cerca de 62% dos trabalhadores domésticos no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao destacar as dificuldades específicas enfrentadas por mulheres negras, a primeira delas é a invisibilidade. É fundamental lembrar que, para grande parte da sociedade, o trabalho de cuidado desempenhado por elas ainda é invisível. Essa falta de reconhecimento tem sido um fator determinante na perpetuação de ciclos de desigualdade que afetam diretamente a autonomia financeira e profissional dessas mulheres.
Mulheres negras também encontram mais obstáculos ao acesso a oportunidades educacionais e profissionais, impactando diretamente sua participação em setores mais valorizados economicamente. Isso amplifica a disparidade no acesso a empregos que reconheçam e remunerem adequadamente o trabalho relacionado ao cuidado.
Nesse contexto, é imprescindível refletir que essa conciliação de trabalho e férias escolares não é igualmente acessível. Mulheres negras enfrentam barreiras adicionais, resultantes de desigualdades históricas e estruturais. E está longe de ser uma questão isolada, a realidade cruel é sentida em todos os segmentos sociais, um exemplo prático: a mãe que não consegue tirar férias junto com o filho pequeno, muito provavelmente vai contar com uma mulher negra como rede de apoio paga.
A falta de flexibilidade no ambiente de trabalho, somada às responsabilidades familiares, gera um fardo desproporcional a todas. A empatia empresarial se revela cada vez mais necessária para compreender as demandas específicas enfrentadas pelas mães durante as férias escolares e outras situações impostas pela maternidade. As empresas, ao adotarem políticas flexíveis, como horários de trabalho adaptáveis e opções de trabalho remoto, contribuem para a promoção do equilíbrio entre vida profissional e familiar.
Iniciativas empresariais que promovam equidade salarial, oportunidades educacionais igualitárias e reconhecimento do trabalho não remunerado são essenciais para criar uma sociedade justa e inclusiva. A conscientização dessas disparidades é o primeiro passo para a implementação de mudanças significativas em direção a uma economia do cuidado verdadeiramente equitativa.
Ao abordar a economia do cuidado sob a perspectiva de raça e gênero, é possível identificar muito além dos problemas, mas também oportunidades de promover uma sociedade mais justa e inclusiva. A conscientização e a ação coletiva são fundamentais para superar as desigualdades arraigadas e construir um futuro em que todas as pessoas, independentemente de raça e gênero, tenham suas contribuições reconhecidas e valorizadas.
Em síntese, a economia do cuidado demanda uma mudança de paradigma nas práticas empresariais. Ao considerar a jornada dupla das mulheres enquanto mães e profissionais, a empresa também dá um passo na construção de um sistema econômico mais inclusivo, equitativo e regenerativo para as pessoas e para o planeta.
Priscilla Arantes é gerente de comunicação do Sistema B Brasil, e articuladora do Coletivo Pretas B, um projeto que apoia mulheres negras na rede do Sistema B Brasil por meio de mapeamento, mentoria, consultoria e capacitação, e fundadora do Instituto Afroella.