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Maternidade e carreira: um dueto complexo e real

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Foto: Larissa Isis

O que é equilíbrio para você? Não existe uma receita única para conciliar todas as responsabilidades na vida, mas é fato que o desequilíbrio entre pilares da nossa vida prejudica a qualidade de vida e bem-estar.

Maternidade e carreira são um dueto complexo e real. Trabalhar e ser mãe não são mundos separados, mas dimensões da vida que se complementam. Quando pensamos em maternidade no contexto profissional, o que vem à mente? Talvez licença-maternidade, salas de amamentação e horários flexíveis. Mas será que isso é tudo sobre esse tema?

De acordo com um estudo da Rede Mulher Empreendedora (RME), para 87% das mulheres empreendedoras, a motivação para empreender e buscar independência financeira é justamente ter mais tempo no cuidado dos filhos e da família. E essa tendência tem crescido nos últimos anos. Dados do Sebrae mostram que mais de 10,1 milhões de negócios no Brasil são comandados por mulheres, sendo que 52% delas são mães.

Mães no mercado de trabalho: motivação e sensibilidade

Assumir as responsabilidades do lar já é um desafio por si só, que se torna ainda maior quando precisa ser conciliado com as exigências profissionais. Mesmo diante dessas dificuldades, aproximadamente 85% das mulheres no país enfrentam uma dupla jornada, dividindo-se entre o trabalho remunerado e as obrigações domésticas e de cuidado com os filhos. Além dos desafios inerentes a essa realidade, muitas ainda lidam com o preconceito no ambiente de trabalho.

Um estudo conduzido pelo LinkedIn em fevereiro deste ano apontou que 44% das mulheres nunca solicitaram um aumento salarial ou negociaram uma promoção, apesar de se sentirem merecedoras. Esse fenômeno reflete a cultura machista predominante, na qual questões sobre maternidade ou desejo de ter filhos são levantadas durante processos seletivos, mulheres são subvalorizadas, enfrentam olhares críticos durante a gravidez e, em alguns casos, são injustamente demitidas após o término da licença-maternidade.

Contrariando a ideia de que a maternidade pode limitar as capacidades profissionais das mulheres, para muitas, ter filhos serve como um estímulo adicional para se destacarem em suas carreiras. Pesquisas indicam que mães adquirem habilidades únicas e desenvolvem uma maior empatia, o que as torna especialmente aptas a gerenciar relações interpessoais no ambiente de trabalho.

O maternar da mulher negra

A jornada de ser mãe varia significativamente de uma para outra, como mães negras enfrentamos desafios adicionais devido a nossa  posição na estrutura social. Nós frequentemente ocupamos os empregos mais instáveis e temos menos liberdade para escolher passar tempo em casa com nossos  filhos, além de enfrentar  a falta de garantias trabalhistas. Com rendimentos inferiores e escassas opções para obter suporte externo, muitas acabam interrompendo os estudos e se voltando para o setor informal, buscando maneiras de se sustentar. A ausência de políticas públicas que assegurem direitos trabalhistas adequados, salários justos, representatividade em diversos campos profissionais – não somente nos mais vulneráveis – e acesso a creches públicas,  complica ainda mais a capacidade dessas mulheres de equilibrar as responsabilidades profissionais com a maternidade.

De acordo com o estudo da economista Janaina Feijó, pesquisadora do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), as mulheres negras ainda convivem com uma taxa de desemprego mais elevada do que os demais grupos analisados.

No primeiro trimestre de 2023, a desocupação foi de 13,1% para elas. Enquanto isso, a taxa de desemprego ficou em 8% para as mulheres brancas e amarelas.

Entre os homens, o indicador foi de 8,4% para os negros e de 5,7% para os brancos e amarelos. Ou seja, somente as mulheres negras tinham uma taxa de desemprego de dois dígitos no país.

Como mãe preta de dois, executiva, empreendedora, destaco alguns pontos que julgo essenciais para seguirmos em frente:

  • Não carregue a maternidade como culpa;
  • Tente organizar seu tempo, de forma que você se cuide;
  • Tente manter uma rede de apoio próxima, peça ajuda;
  • Tenha rotinas facilitadas, não tente fazer tudo ao mesmo tempo;
  • Sua família precisa estar junto com seu propósito, tente não culpabilizar seus filhos.

É fundamental debater e tratar dessas questões para fomentar a igualdade de gênero e racial, além de apoiar mulheres que buscam conciliar a maternidade com suas trajetórias profissionais. Mantendo o diálogo aberto sobre esse tema, temos a oportunidade de elevar a conscientização, estimular alterações nas políticas e procedimentos nos ambientes de trabalho e promover uma distribuição mais equitativa das obrigações familiares entre homens e mulheres, bem como na sociedade como um todo.

*Kelly Baptista, Mãe, Diretora executiva da Fundação 1Bi, Gestora Pública, membro da Rede de Líderes Fundação Lemann e Linkedin Top Voice.

“Foi uma decepção suprema”, diz Angela Bassett sobre perder o Oscar 2023 para Jamie Lee Curtis

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Foto: Film Magic via Getty Images.

Em recente entrevista para Oprah Winfrey, Angela Bassett comentou sobre sua derrota no Oscar 2023. Ela concorria ao título de ‘Melhor Atriz Coadjuvante’ pelo papel de Rainha Ramonda no filme ‘Pantera Negra: Wakanda Para Sempre’. Bassett acabou perdendo o prêmio para Jamie Lee Curtis, que atuou no filme ‘Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo’.

Assim que foi anunciado o resultado, a reação de tristeza de Bassett viralizou nas redes sociais. Muitos usuários apontaram que ela deveria ter vencido a estatueta. “Acho que lidei bem com isso. E essa era a minha intenção, lidar muito bem com isso”, disse a atriz para Oprah. “Foi, claro, uma decepção suprema. E a decepção é humana. Fiquei desapontada e lidei com isso como um ser humano. Fui [gentil] comigo mesma e com meus filhos que estavam lá comigo.”

“O ‘rosto de Angela Bassett’ se espalhou por toda a internet”, disse Oprah. “As pessoas diziam que sua decepção era evidente, mas achei que você lidou com isso muito bem.” A estrela de 65 anos se tornou a primeira atriz do Universo Cinematográfico Marvel a ser indicada ao Oscar. Também foi sua primeira indicação em 30 anos, tendo sido indicada anteriormente por sua atuação como Tina Turner na cinebiografia de 1993, What’s Love Got To Do With It .

Neste ano de 2024, Bassett foi honrada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood com um Oscar honorário pelo legado e o impacto de sua carreira no mundo do cinema.

Livro ‘O Avesso da Pele’ tem aumento de 400% nas vendas após censura

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Foto: Carlos Macedo/Divulgação

Vencedor do Prêmio Jabuti em 2021, principal prêmio literário do país, o livro ‘O Avesso da Pele’, escrito por Jeferson Tenório, teve um aumento de 400% nas vendas na Amazon depois de ser censurado pelos governos do Mato Grosso Sul, Goiás e do Paraná por ter sido considerado inapropriado para menores de 18 anos.

A polêmica em torno da obra começou na última sexta-feira, 1, quando Janaína Venzon, diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Ernesto Alves de Oliveira, publicou um vídeo nas redes sociais onde pedia para que os professores não usassem o livro e pedindo que os exemplares fossem retirados da escola por conter “vocabulário de baixo nível”. Dias depois, as secretarias de educação dos estados do Mato Grosso do Sul e Goiás pediram a retirada dos livros das bibliotecas das escolas afirmando que o livro apresenta “expressões impróprias” para menores de idade e que deve ser reavaliado.

Em suas redes sociais, o autor publicou um texto onde aponta que a censura ao livro são “distorções e fake news”: “As distorções e fake news são estratégias de uma extrema direita que promove a desinformação. O mais curioso é que as palavras de “baixo calão” e os atos sexuais do livro causam mais incômodo do que o racismo, a violência policial e a morte de pessoas negras”, afirmou.

No início da semana, em entrevista para o Globo News, o autor, Jeferson Tenório, lembrou que a obra integra o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que avalia e distribui as obras farão parte do currículo escolar dos alunos da rede pública. “É importante dizer também que o livro faz parte do programa do governo, é um programa do PNLD, um programa que avalia as obras com especialistas em educação para que depois eles sejam oferecidos às escolas. Mas quem decide são os professores dentro do seu projeto pedagógico. Então não cabe nem a secretaria, nem a própria direção da escola decidir se aquele livro pode ou não fazer parte daquela faixa etária”.

Ele também afirmou ter ficado espantado com a censura aos livros: “Me causa sempre espanto, porque nós já temos tão poucos leitores no Brasil e deveríamos estar preocupados em formar leitores e não censurar livros”.

Projeto ‘Elas na Montanha’ quer promover mais momentos de autocuidado para mulheres negras

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Foto: Divulgação

A narrativa das mulheres na sociedade atual é liderada pelo cansaço. E quanto menos conseguimos encontrar tempo para o cuidado e a conexão conosco, mais essa afirmação pode se tornar uma sentença para nós. O cenário, em especial para as mulheres negras, mostra que a sobrecarga de trabalho e das responsabilidades relacionadas ao cuidado com a casa e a família, massivamente atribuídos às pessoas do gênero feminino tem sido adoecedor, de acordo com o relatório lançado pelo Think Olga no ano de 2023, que mostrou que “ansiedade e o estresse atingem a rotina de metade das mulheres brasileiras”.

Mas lembrar de cuidar de quem cuida é fundamental para que as mulheres consigam andar na contramão do adoecimento sistemático causado pela sobrecarga e pelo racismo. A médica cardiologista e montanhista, Dra. Cibelle Dias Magalhães, está entre as mulheres que têm pensado em estratégias de sobrevivência pautadas no autocuidado e na reconexão consigo. “As mulheres vivem muito sobrecarregadas de excesso de atividades, de excesso de tarefas. Sempre responsáveis por cuidar, gerenciar e organizar a casa, gerenciar e cuidar de suas carreiras, cuidar da sua imagem, para precisar manter uma imagem padrão. As mulheres também sofrem muito com a questão de como lidar com o envelhecimento numa sociedade que pouco valoriza a mulher no pós menopausa, tem dificuldade de aceitar o envelhecimento na sua naturalidade, então a gente está sempre muito pressionada. No final do dia a gente para para pensar, quanto a gente está exausta, porque as mulheres estão muito cansadas de cuidar de todo mundo, de gerenciar tudo”, ressaltou a médica.

A Dra. Cibelle é responsável por ser uma das criadoras do projeto ‘Elas na Montanha’, uma iniciativa que surgiu de uma necessidade identificada pela médica de exercer a medicina integrada aos pilares da qualidade de vida. O projeto realiza palestras e encontros em locais fechados ou ao ar livre focados na saúde e bem-estar de mulheres, com atividades como prática de trilha e escalada, yoga, alimentação saudável e rodas de conversa.

“O Elas na Montanha tem uma agenda de encontros, encontros femininos que busca oferecer esse bem-estar para as mulheres, esse espaço de acolhimento, em contato especialmente com a natureza, fortalecendo os pilares da qualidade de vida.”, contou ao explicar quais pilares sustentam os encontros. “Nos nossos encontros a gente oferece o cuidado a partir desses pilares: atividade física, conexão com outras mulheres, criando relações mais profundas, a gente tem um cuidado maior com a alimentação. Saborosa, feita com muito carinho, muito amor, rica em frutas, verduras e vegetais, alimentação natural. Além de práticas de gerenciamento do estresse”.

“As mulheres podem ficar à vontade para ser elas mesmas ali. Onde elas podem trazer às suas questões, trocar com a gente de maneira leve, falar sobre suas necessidades, sobre o seu dia a dia, olhar para si, ter esse momento de contato com a natureza, que é tão importante, que é um lugar onde a gente sabe, cientificamente, dos benefícios comprovados”, explica.

Ao entender que mulheres negras são as que menos procuram o projeto de autocuidado, ela decidiu organizar uma viagem para um grupo de médicas negras, conhecido como Afropaty’s. A médica lembra que os médicos negros representam apenas 3% do total de profissionais da classe e que convivem diariamente com o racismo de pessoas que desvalidam sua competência profissional, a médica reforça que esse grupo também necessita de cuidados voltados para sua saúde e bem-estar físico e mental: “E é muito importante eventos como esse para permitir que essas mulheres negras, médicas, que são a minoria nos seus espaços, que muitas vezes são a única nos seus espaços, elas possam se fortalecer para conseguir superar, conseguir vivenciar, superar todos os desafios que naturalmente as mulheres, que a gente já trouxe, as mulheres vêm sofrendo e a gente tem essa carga adicional, o que gera um nível adicional de estresse, de exaustão, não apenas física, mas exaustão mesmo”.

“A gente vê que isso é muito comum entre os médicos negros, além dessa carga de representar o grupo, justamente, terem muitas vezes trazer um peso aí, ao mesmo tempo como de uma forma positiva, que são os arrimos de família, muitas vezes. São aquelas pessoas que quebraram um ciclo, às vezes, de pobreza, um ciclo de dificuldades, de escassez na família, só que também, por outro lado, ao mesmo tempo que carregam essa felicidade, essa responsabilidade, mas também acaba sendo um peso adicional de responsabilidade, de necessidade mesmo, às vezes, de trazer toda uma família, o que gera uma carga, muitas vezes, de trabalho ainda maior. Então os médicos, muitas vezes, já sofrem por excesso de trabalho, a pressão”, detalha a Dra. Cibelle ao lembrar os desafios enfrentados por médicas negras e pontuar como eventos como os organizados pelo ‘Elas na Montanha’ são fundamentais para que as profissionais possam se fortalecer, juntas em sua identidade como mulheres negras e no cuidado com sua saúde e qualidade de vida.

Dia da Mulher: chefs proprietárias de restaurantes para conhecer

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Foto: Marcelo Ferreira

Em celebração ao Dia Internacional das Mulheres, o Mundo Negro e o Guia Black selecionou quatro mulheres negras que são donas de restaurantes, em diferentes regiões do Brasil. 

São proprietárias e chefs conceituadas que valorizam a culinária afro-brasileira, pequenos produtores, se especializaram na culinária vegetariana e homenageiam outras mulheres negras no cardápio. 

Veja abaixo:

Tia Nice – Organicamente Rango (SP) | Instagram: @organicamenterango

A chef Cleunice Maria de Paula, mais conhecida como Tia Nice, comanda o restaurante Organicamente Rango, localizado no Campo Limpo, zona sul de São Paulo, desde 2019. Com um cardápio diverso, a sua premiada feijoada vegetariana é a favorita  pelo público. Já trabalhou como faxineira, manicure, e hoje é uma líder comunitária dedicada à alimentação saudável nas periferias e valoriza o produto orgânico dos produtores familiares.

Foto: Reprodução/Instagram

Jovi e Neiva Maximiano – Tapioca das Pretas (GO) | Instagram: @tapiocadaspretas 

As premiadas irmãs Josi e Neiva decidiram juntar a memória afetiva e representatividade para criar a “Tapioca das Pretas”, em Goiânia, que desde 2015 conquista os paladares com sua goma especial e um cardápio com mais de 20 tipos de tapiocas. Cada sabor é batizado com o nome de uma mulher negra que serviu como inspiração para as irmãs, como Taís Araújo, Beyoncé, Alcione e Marielle Franco.

Foto: Reprodução/Instagram

Eliane Barbosa Carneiro – AME Sabor (PR) | Instagram: @ames2sabor

Vegetariana há quase 20 anos, Eliane é dona do restaurante Ame Sabor, na cidade de Ponta Grossa, com um cardápio inteiro vegetariano. Ela conta que sentiu a necessidade de estabelecimento gastronômico que oferecesse mais alimentos assim, sem que se transformassem em um prato insosso. Então ela decidiu abrir o seu próprio negócio.

Foto: Reprodução/Instagram

Ivanilda Luz – Odara Restaurante (AL) | Instagram: @odararestaurante

Maria Ivanilda da Silva Luz, mais conhecida como Ivanilda Luz, é chef e proprietária do Odara Restaurante. Localizado em Maceió, o espaço é especializado em cozinha afro-brasileira e africana, e celebra a ancestralidade e o axé em cada detalhe. Ela também se apresenta com orgulho como: “mulher, mãe, negra, bissexual, periférica, gastróloga, pesquisadora da cozinha afro-brasileira e diasporica, entre outras especialidades”.

Foto: Reprodução/Instagram

As mulheres do fim do mundo

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Foto: Pietro Baroni/ LUZ/ Redux

Texto: Rachel Maia

Elas são muitas. Para celebrar o dia 8 de março, divido com vocês a minha admiração pelas trajetórias de Elza Soares (1930-2022), cantora e compositora, e das mulheres negras, indígenas, quilombolas, trans, lésbicas, PCDs, brasileiras em geral, que precisam lutar com afinco, mesmo diante de tantas adversidades, a fim de galgar espaços nos mais diversos lugares.

As mulheres do fim do mundo representam todas nós. Eu, por exemplo, tenho me dedicado muito para que, no mundo dos negócios, as mulheres ocupem posições nos mais diferentes níveis hierárquicos. Hoje, porém, abordo e celebro, especificamente, as mulheres negras, buscando construir uma reflexão coletiva, entendendo que o feminismo precisa ultrapassar as barreiras do racismo.

A Mulher do Fim do Mundo é o título do álbum de 2015 de Elza (título que alude à canção homônima), o qual representa a força e a luta da mulher negra que ousa ir além das estatísticas, da imposição do patriarcado racista e das surras da vida. A intérprete foi considerada, nos anos 2000, a Melhor Cantora Brasileira do Milênio pela BBC de Londres e permanece como referência de competência e entrega até o fim. Em entrevista para Antônio Abujamra, no programa Provocações da TV Cultura, ela fala o porquê de estar estudando outros três idiomas: “Eu estou fazendo um CD de jazz. Eu não quero cantar inglês perfeito, quero ter o sotaquezinho brasileiro, mas é sempre bom você interpretar da melhor forma possível”, afirma, mostrando o seu comprometimento. 

A busca pela excelência faz parte de nós, mulheres negras, em todas as profissões. Não há outro caminho: essa procura vem da nossa ancestralidade, talvez até por sobrevivência. Quando Elza relata que se considera chorona e acredita que isso se deve ao fato de não ter sido uma menina feliz, não ter vivido uma bela infância (foi obrigada pelo pai a se casar com 12 anos), me pergunto quantas de nós tivemos que deixar o choro de lado e seguir lutando.

Da periferia para o mundo

Quando ouço o relato de Elza, uma mulher negra que contribuiu para quebrar paradigmas, e olho para o nosso cenário atual, percebo o quanto é importante validar a nossa luta e a nossa construção histórica. Não é fácil carregar o peso de ser a primeira, não é fácil lutar o tempo todo, mas o que nos move é saber que há crianças negras se enxergando em nossa trajetória. 

Nós não somos só luta e força, somos também desejo, calmaria, inteligência, sagacidade, doçura, amor e muita paixão pelo que construímos (incluindo nós mesmas). Vejam: vem aí uma geração de meninas negras com potência, conscientes de quem são e do que querem, que validam seus sentimentos e contam com lugares de pertencimento. Elas estão se libertando das amarras de estereótipos inseridos na sociedade e alçando novos voos. 

Sueli Carneiro, escritora, filósofa e doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP), fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, em seu livro Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil (2011), ressalta: “A cada novo 8 de março, Dia Internacional da Mulher, celebra-se o contínuo crescimento da presença feminina no mundo dos negócios, nas esferas de poder, em atividades secularmente privatizadas pelos homens, e, em geral, omite-se o fato de as negras não estarem experimentando a mesma diversificação de funções sociais que a luta das mulheres produziu”.    

A escritora destaca também a solidão da mulher negra que ocupa apenas uma ou outra posição de importância. Ressalta ainda a participação de mulheres negras engajadas para uma mudança histórica, combatendo o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância. Os dados atuais, entretanto, nos mostram que é preciso mais. E, principalmente, que essa luta não é apenas das mulheres negra, e sim da sociedade como um todo.

Segundo informações do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), divulgadas em 2023, somente 17% das CEO das empresas brasileiras são mulheres. Dessas, apenas 4% são negras. Frente a esses números, importante salientar que, quando as mulheres estão no comando, a diversidade aumenta.

Somos múltiplas e dominamos uma pluralidade de saberes. Ocupar espaços, ganhar notoriedade, alcançar a independência financeira e o protagonismo sobre nossa existência é um direito constituído e vamos lutar por isso até o fim – como Elza nos ensinou. Ela nos deixa um legado e nos mostra que não há racismo, sexismo ou etarismo que nos impeçam de seguir. 

Que o trecho a seguir, interpretado por Elza, ecoe no seu e no nosso caminhar: “Eu quero cantar / Até o fim, me deixem cantar até o fim / Até o fim, eu vou cantar / Eu vou cantar até o fim”.

Ministro questiona laudo e vota para absolver militares que atiraram 257 vezes contra carro de Evaldo Rosa

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Foto: Reuters/Fabio Texeira

O ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira, do STM (Superior Tribunal Militar), votou por absolver os militares do Exército que mataram o músico Evaldo Rosa dos Santos e o catador de recicláveis Luciano Macedo, em abril 2019, no Rio de Janeiro.

Para justificar o voto, o ministro questionou a conclusão do laudo necroscópico referente à ação. A perícia aponta que Evaldo morreu em decorrência de uma hemorragia causada por um tiro na cabeça, o que teria ocorrido durante uma segunda ação dos militares, após a primeira leva de tiros.

No entanto, Oliveira levantou trechos de depoimentos de familiares da vítima para apontar discordâncias e sugerir que a vítima pode ter morrido durante a primeira ação dos militares, com um tiro de fuzil nas costas. O que seria motivo suficiente para absolver os agentes do homicídio, já que para ele, a primeira ação foi em legítima defesa putativa, por acreditarem que estariam sob risco ao confundir o carro da vítima com a de criminosos.

Segundo o ministro, a ação foi dividida em dois atos e o primeiro cenário apresentava risco aos militares, então a condenação deveria ser por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Enquanto no segundo, o carro estava parado. Neste momento, o catador de recicláveis Luciano Macedo foi até o veículo para ajudar Evaldo, mas os agentes iniciaram novos disparos, que atingiram ambos. 

Relembre o caso

No dia 7 de abril de 2019, Evaldo e a família seguiam para um chá de bebê quando tiveram o carro alvejado pelos militares em Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro. O músico morreu após ser atingido por nove disparos. Ao todo, foram 257 tiros de fuzil e pistola.

Em outubro de 2021, o tenente Ítalo da Silva Nunes foi condenado a 31 anos e seis meses de prisão em regime fechado e outros sete foram condenados a 28 anos de prisão em regime fechado.

Com 55 anos de carreira e mais de 70 filmes, Zezé Motta será homenageada na série ‘Tributo’, do Globoplay

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Foto: Raphael Dias

A carreira consagrada da atriz Zezé Motta será homenageada na série ‘Tributo’, do Globoplay. A produção, que estreia na plataforma neste dia 8 de março, vai honrar a trajetória da artista de 79 anos, que se tornou um dos maiores ícones do audiovisual brasileiro.

“A gente, na verdade, nunca se dá conta de certas coisas, sabe? Depois parei para pensar: eu sou da década de 1940. São 55 anos de carreira, estreei na ditadura e tenho mais de 70 filmes no currículo”, disse Zezé. “As pessoas na rua me tratam, às vezes, como uma entidade. Aí cheguei à conclusão de que talvez, realmente, minha vida seja interessante para ser contada. Eu me senti feliz, honrada, respeitada”.

Através das redes sociais, Zezé também comemorou o lançamento da série e disse que não possui planos de se aposentar. “Foram dias de gravações e tenho certeza que vocês irão amar. Me sinto honrada em poder ter minha história contada, mais ainda, vejo que valeu a pena toda minha luta para chegar até aqui, e não fiquem pensando que vou me aposentar, eu quero mais ainda, muito mais“, destacou.

A série ‘Tributo’ vai contar ainda com a participação de Taís Araujo. A atriz Laura Cardoso também será homenageada.

Dra. Jaqueline Goes se torna embaixadora da Ciência no Brasil

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Foto: UM BRASIL/Divulgação.

A coordenadora responsável por mapear o genoma da COVID-19 em tempo recorde, Jaqueline Goes, foi nomeada oficialmente como embaixadora da Ciência no Brasil. Nesta última quarta-feira (6), a biomédica participou de seu primeiro compromisso oficial pós-trâmites contratuais.

O objetivo de Jaqueline é popularizar a Ciência no país, além de influenciar outras mulheres, principalmente, negras, a estarem em cargos de protagonismo nessa área de atuação.

Atuando desde o ano passado como colaboradora na Diretoria de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (SEDES), a biomédica tem realizado um papel crucial no acesso à Ciência para toda população brasileira.

No evento realizado nesta quarta, Jaqueline compôs a mesa de cerimônia ao Dia Internacional da Mulher, além de fazer parte do lançamento do edital ‘’Meninas e Mulheres na Ciência’’ ao lado da ministra da Ciência Tecnologia e Inovação Luciana Santos.

Escola de Justiça Racial: Movimento Negro Evangélico lança programa gratuito de formação antirracista

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Foto: Freepik

O Movimento Negro Evangélico do Brasil, uma organização nacional que opera em 10 estados brasileiros, anunciou o lançamento da Escola de Justiça Racial, ação que faz parte do Programa Martin Luther King para formação e incidência política. “Com conteúdos básicos sobre igreja, evangelho e combate ao racismo, fornecemos a igreja brasileira uma capacitação com professoras e professores direcionados pelo Espírito Santo para este tempo”, diz a página oficial do programa.

A ideia da escola é promover uma iniciativa educacional de capacitação e desenvolvimento teórico-prático da comunidade evangélica na luta pela equidade racial. “A escola
de justiça racial é necessária porque vivemos em um país desigual e é preciso pensar nas
tecnologias e ferramentas do povo negro para diminuir desigualdades através do nosso
conhecimento ancestral”, diz Rakell Matoso coordenadora nacional do Movimento Negro Evangélico.

A Escola de Justiça Racial vai ocorrer nos meses de março, abril e maio de 2024 de maneira presencial nas cidades do Rio de Janeiro e Recife, e também terá uma versão on-line para chegar em outros lugares do país.

O coordenador geral do Programa Martin Luther King, Jackson Augusto, defende que a ideia geral é discutir a sociedade em que vivemos. “O Brasil é um país com uma história sangrenta e a igreja protestante brasileira chega aqui ainda na época colonial e nunca discutiu de maneira oficial e profunda o legado da escravidão e o racismo dentro de suas estruturas, a escola é um instrumento de consciência e transformação não somente da igreja mas que também discute a sociedade que vivemos”, relata ele.

A inscrição na Escola de Justiça Racial é totalmente gratuita e pode ser feita através desse link (CLIQUE AQUI).  

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