As inscrições abrem em 2 de outubro. Vencedores serão anunciados em 25 de novembro, no Mês da Consciência Negra
O Guia Black Chefs, vertical de gastronomia do Mundo Negro, lança o Prêmio Black Chefs 2026. Pelo voto popular, o prêmio vai escolher os melhores restaurantes, bares, docerias e negócios de comida comandados por pessoas negras em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. O iFood é patrocinador da iniciativa.
“Mais uma vez, o Mundo Negro apresenta um projeto para dar visibilidade a pessoas negras que trabalham com gastronomia e garantir que o talento delas seja reconhecido. E esse reconhecimento não vem de influenciadores pagos nem de críticos gastronômicos cheios de vieses. Estamos dando a quem come, o cliente, a oportunidade de impulsionar os negócios de chefs e empreendedores negros que trabalham com comida e bebida”, diz Silvia Nascimento, fundadora e head de conteúdo do Mundo Negro e do Guia Black Chefs.
Luana Ozemela, vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood] – Foto: Divulgação
“A gastronomia brasileira tem uma enorme contribuição de profissionais e empreendedores negros, e iniciativas como o Prêmio Black Chefs ajudam a dar visibilidade a essa potência e a quem está por trás desses negócios. Quando o público conhece, escolhe e reconhece esses empreendedores, também ajudamos a gerar novas oportunidades e fortalecer seus negócios. Para o iFood, apoiar o prêmio é uma forma de valorizar esse protagonismo e fortalecer uma gastronomia cada vez mais diversa”, afirma Luana Ozemela, vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood.
Quais categorias
Em cada cidade, os negócios concorrem em sete categorias. Cada um pode se inscrever em até duas.
Comida afro: cozinhas de matriz africana e afro-brasileira, da comida de terreiro às receitas da diáspora.
Almoço de todo dia: o prato feito, a comida caseira, o restaurante onde se almoça durante a semana.
Comida de rua: barracas, carrinhos, quiosques e food trucks. Do acarajé ao churrasquinho.
Mesa de bar: botecos e bares, com seus petiscos, drinques e cervejas.
Ocasião especial: o restaurante escolhido para comemorar, receber alguém ou viver uma experiência diferente.
Doce: docerias, confeitarias, sorveterias e quem faz sobremesa por encomenda.
Lanche: hamburguerias, sanduicherias, salgados e cafés.
Entre os vencedores das categorias, o mais votado de cada cidade leva também o título de O Melhor da Cidade.
O que o vencedor recebe
Cada vencedor ganha uma reportagem no portal Mundo Negro e um vídeo produzido pela equipe do Mundo Negro sobre o negócio e sobre quem está à frente dele. O vídeo é publicado em collab nos perfis do Mundo Negro, que tem 1,1 milhão de seguidores no Instagram, do Guia Black Chefs e do próprio negócio. Na prática, a história do vencedor chega a um público que dificilmente alcançaria sozinho.
O vencedor também recebe a placa PrêmioGuia Black Chefs 2026, entregue pela equipe no próprio estabelecimento, para ficar exposta no local. É o sinal, para quem entra, de que aquele endereço foi escolhido pelo voto popular como o melhor da cidade na sua categoria.
Como participar
Donos de negócios podem inscrever seus estabelecimentos de 2 a 15 de outubro, pelo site guiablackchefs.mundonegro.inf.br.
O público também pode indicar um lugar para a disputa. Não é preciso morar na cidade do estabelecimento: vale indicar aquele restaurante que você conheceu numa viagem, o bar de uma visita, o doce que marcou. O importante é ter vivido a experiência. Basta informar no site o nome do negócio e a cidade. A organização entra em contato para completar a inscrição.
A participação é gratuita. Pode concorrer o negócio de alimentação ou bebida que atenda ao público e tenha ao menos uma pessoa negra entre donos, sócios ou responsáveis. Não é preciso ter CNPJ.
Como votar
A votação acontece exclusivamente pelo site guiablackchefs.mundonegro.inf.br, em duas fases. Na primeira, de 21 de outubro a 6 de novembro, o público vota entre todos os inscritos de cada categoria. Os cinco mais votados de cada uma viram finalistas, anunciados em 9 de novembro. Na segunda fase, de 9 a 22 de novembro, a contagem recomeça do zero e o público escolhe entre os finalistas.
Para votar, basta escolher a cidade e preencher a cédula. O voto só vale depois de confirmado pelo link enviado ao e-mail. Cada e-mail pode votar uma vez por cidade em cada fase.
Os vencedores serão anunciados em 25 de novembro, no portal e nas redes do Mundo Negro e do Guia Black Chefs.
Consultores
Cada cidade conta com um nome de referência da gastronomia negra na consultoria do prêmio.
A Chef Aline Chermoula – Foto: Divulgação
Em São Paulo, Aline Chermoula, chef, pesquisadora e educadora baiana, dedicada à valorização da culinária afrodiaspórica. À frente do Buffet Chermoula, transforma ancestralidade, memória e ingredientes brasileiros em experiências gastronômicas.
O Chef Joao Diamante – Foto: Divulgação
No Rio de Janeiro, João Diamante, chef baiano criado no Rio, fundador do projeto Diamantes na Cozinha e vencedor do Champions of Change do The World’s 50 Best. Comanda o Dois de Fevereiro, na Pequena África, e apresenta “Cozinha de Favela” na Globo.
A Chef Solange Borges – Foto: Divulgação
Em Salvador, Solange Borges, chef, empreendedora e mulher de terreiro, filha de baiana de acarajé. Idealizadora do Festival do Dendê, comanda o restaurante Culinária de Terreiro, em Camaçari.
Sobre o Guia Black Chefs
Criado em 2023 pelo Mundo Negro, o Guia Black Chefs reúne chefs, bartenders, sommelières, doceiras, cozinheiras de terreiro e empreendedores negros do mercado de gastronomia.
Campanha engloba dez unidades com mamografia para mulheres de 40 a 74 anos, Papanicolau, ultrassonografia e consulta de enfermagem; INCA estima mais de 10 mil novos casos de câncer de mama no estado em 2026
O Sesc RJ amplia, durante o Outubro Rosa 2026, o acesso à prevenção e à detecção precoce dos cânceres de mama e do colo do útero. Ao longo de outubro, dez unidades no estado estarão mobilizadas para oferecer gratuitamente ou a preços acessíveis mamografia, Papanicolau, ultrassonografia de mamas, consulta de enfermagem e atendimento social aos públicos contemplados pela campanha.
Uma das principais novidades deste ano é a ampliação do acesso à mamografia. Na campanha do Sesc RJ, poderão realizar o exame mulheres de 40 a 74 anos. Para aquelas dentro da faixa prevista pela instituição, a própria consulta de enfermagem da unidade poderá emitir a requisição ou o encaminhamento. Mulheres de outras idades também poderão ser atendidas mediante pedido médico.
A iniciativa acompanha mudanças recentes no acesso à mamografia no país. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a considerar a faixa de 50 a 74 anos como prioritária para o rastreamento mamográfico bienal e garantiu às mulheres de 40 a 49 anos acesso ao exame mesmo sem sinais ou sintomas, após orientação de profissional de saúde sobre riscos e benefícios.
INCA estima mais de 78 mil casos de câncer de mama no Brasil
A ampliação ocorre em um cenário que reforça a importância do diagnóstico precoce. A nova Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil. Para o câncer do colo do útero, são estimados 19.310 casos anuais.
No Estado do Rio de Janeiro, a estimativa é de 10.360 novos casos de câncer de mama somente em 2026.
A campanha será realizada nas unidades Sesc Barra Mansa, Campos, Duque de Caxias, Madureira, Nova Iguaçu, Ramos, São João de Meriti, Tijuca e Três Rios. O Centro de Abastecimento Guanabara também participa, com atendimento exclusivo aos funcionários da rede e seus dependentes. A unidade de Madureira oferecerá os demais serviços, mas não realizará mamografias.
De 1º a 31 de outubro, o agendamento será aberto a comerciárias e suas dependentes. A partir do dia 16, também poderão agendar gratuitamente integrantes do Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG), instituições parceiras, ONGs e empresas conveniadas.
Os atendimentos poderão ocorrer até dezembro, conforme a disponibilidade das unidades. O público geral também terá acesso aos serviços, mediante pagamento dos valores regulares, que variam entre R$ 30 e R$ 55.
Da prevenção à informação
Além dos exames, a programação do Outubro Rosa terá uma frente de Educação em Saúde, com atividades dentro e fora das unidades. Estão previstas palestras, rodas de conversa, oficinas, exposições e ações sobre prevenção dos cânceres de mama e do colo do útero, vacinação contra o HPV, alimentação, atividade física, autocuidado e saúde da mulher.
Em Campos, por exemplo, uma programação especial reunirá atividades de prevenção, alimentação consciente, práticas integrativas, oficinas de autocuidado e orientação sobre câncer de mama e do colo do útero.
Em Madureira, a exposição “Outubro para Além do Rosa” abordará prevenção, sinais de alerta, hábitos protetores e a participação da família e da comunidade nas redes de cuidado.
Barra Mansa receberá a exposição “Florescer da Resiliência”, que une arte, informação e relatos poéticos em torno do câncer de mama.
Também haverá ações voltadas às empresas. A proposta é aproximar os serviços de saúde do Sesc das trabalhadoras e apoiar os setores de Recursos Humanos na promoção da saúde e na prevenção, com exames e atividades educativas.
SERVIÇO
Outubro Rosa 2026 – Sesc RJ
Grátis
Comerciárias e dependentes, mediante Credencial Sesc De 1º a 31 de outubro
Público PCG (Programa de Comprometimento e Gratuidade), instituições parceiras, ONGs e empresas conveniadas De 16 a 31 de outubro
Papanicolau (R$ 30), Ultrassonografia de mamas (R$ 45) e Mamografia (R$ 55)
Público geral A partir de 1º de outubro
Exames e atendimentos
Mamografia: mulheres de 40 a 74 anos. Fora dessa faixa, é necessário pedido médico.
Papanicolau: mulheres de 25 a 64 anos. Fora dessa faixa, é necessário pedido médico.
Ultrassonografia de mamas: conforme indicação médica ou avaliação da equipe de enfermagem da unidade.
Consulta de enfermagem: gratuita para os públicos contemplados pela campanha.
Atendimento social: disponível quando necessário.
A apresentação de pedido médico permite o agendamento independentemente da faixa etária.
Como agendar
Presencialmente na Central de Atendimento ou por telefone na unidade participante.
Documentos necessários:
Documento oficial com foto;
CPF;
Credencial Sesc/comerciário, quando aplicável;
Comprovante de vínculo, para participantes encaminhadas por empresas parceiras.
Unidades participantes
Sesc Barra Mansa Av. Tenente José Eduardo, 560 Telefone: (24) 3324-2748
Sesc Campos Av. Alberto Torres, 397 Telefone: (22) 2738-1245
Sesc Duque de Caxias Rua General Argolo, 47 Telefone: (21) 3659-8362
Sesc Madureira – sem mamografia Rua Ewbanck da Câmara, 90 Telefone: (21) 3350-1501 / (21) 3350-8295
Sesc Nova Iguaçu Rua Dom Adriano Hipólito, 10 Telefone: (21) 2797-3653
Sesc São João de Meriti Av. Automóvel Clube, 66 – Centro Telefone: (21) 2755-6609 / (21) 2755-6552
Sesc Tijuca Rua Barão de Mesquita, 539 Telefone: (21) 3238-2464
Sesc Três Rios Rua Nelson Viana, 327 Telefone: (24) 2252-6325
Centro de Abastecimento Guanabara Atendimento exclusivo a funcionários da rede e dependentes.
Antes dos exames
Mamografia: não usar desodorante, talco, cremes ou óleos nas axilas e mamas no dia do exame. Recomenda-se usar roupa confortável, preferencialmente de duas peças.
Papanicolau: evitar relações sexuais, duchas, cremes vaginais e medicamentos de uso local nas 48 horas anteriores. O exame não deve ser realizado durante a menstruação.
Ultrassonografia de mamas: não exige preparo específico. Se houver, é recomendável levar exames anteriores.
Marca brasileira estreia com alfaiataria, pesquisa de materiais e uma apresentação que aproxima desfile e performance.
Moda, corpo e cena se encontram na PALCO, nova marca brasileira criada pelo estilista Luiz Cláudio Silva, fundador e diretor criativo da Apartamento 03, e pelo designer de acessórios Carlos Penna, fundador e diretor criativo da Carlos Penna Design. A proposta parte da roupa como linguagem e espaço de construção de identidades, explorando a relação entre vestir, presença e narrativa.
A estreia aconteceu em 30 de setembro, na União Fraterna, em São Paulo, com uma apresentação que combinou desfile e ato cênico. As atrizes Aline Wirley, Gabriela Loran e Bárbara Colen participaram da apresentação, que reuniu corpo, movimento, trilha sonora e vestuário para apresentar a primeira coleção da marca.
Foto:Zé Takahashi
A PALCO nasce de uma parceria que começou a ser construída há mais de uma década. Desde 2015, Carlos Penna desenvolve acessórios para os desfiles da Apartamento 03. Agora, a colaboração entre os dois criadores ganha uma marca própria, com a proposta de explorar novos códigos de moda a partir dos repertórios acumulados por ambos.
“Queríamos voltar a nos encantar com a moda. A PALCO nasce desse lugar de experimentação, de poder construir uma roupa, uma persona, um personagem e uma identidade com mais liberdade”, afirma Luiz Cláudio.
A coleção inaugural traduz essa ideia em uma alfaiataria de modelagens retas e silhuetas sem marcação de cintura. A pesquisa também passa pelos materiais: cerca de 90% dos tecidos são fornecidos pela G.Vallone, com foco em certificação e rastreabilidade. A coleção incorpora ainda malhas de cobre, tecidos dupla-face e fibras provenientes de pneus em peças estruturadas sob medida.
Foto: Zé Takahashi/ @lecanovo
A produção combina criações experimentais feitas sob medida e uma linha ready-to-wear, com camisas, blazers e outros itens produzidos em quantidades limitadas, de cinco a seis unidades por referência.
Para os criadores, a PALCO funciona como um espaço-laboratório, no qual formas, materiais e ideias podem ser testados ao longo do processo. O projeto também propõe uma produção em escala limitada e uma relação com a moda que privilegia a experiência e a expressão individual.
Cantora carioca acompanha a temporada Primavera/Verão 2027 e participa da agenda da Rabanne ao lado de nomes da moda internacional.
Ludmilla está em Paris para acompanhar a Semana de Moda, que conta com desfiles, apresentações e eventos da temporada Primavera/Verão 2027 até 6 de outubro. Nesta quarta-feira (30), a cantora participou da agenda da Rabanne na capital francesa e circulou por um dos principais circuitos internacionais de moda.
Durante a passagem pelo evento, Ludmilla apareceu ao lado de nomes como Lori Harvey, modelo e personalidade da mídia americana, Amina Muaddi, estilista e designer de calçados conhecida por criações presentes no guarda-roupa de artistas internacionais, e Law Roach, stylist responsável por trabalhos com nomes como Zendaya e Céline Dion.
Foto: Divulgação
A cantora ainda posou com Alex Consani, modelo e personalidade das redes sociais que recebeu o prêmio de Modelo do Ano no Fashion Awards de 2024, e Alton Mason, modelo que construiu carreira internacional em campanhas e desfiles de grandes grifes.
A presença de Ludmilla acontece durante uma temporada que reúne diferentes expressões da indústria da moda em Paris. Para a artista, a moda também integra a construção de sua imagem pública e de suas escolhas estéticas.
Idealizado por Katleen Conceição, encontro no IDOMED Vista Carioca reúne médicos e estudantes e recebe trabalhos científicos até 14 de outubro
O III Simpósio de Dermatologia da Pele Negra será realizado no dia 14 de novembro, das 8h às 15h, no IDOMED Vista Carioca, no Rio de Janeiro. Dedicado às particularidades da pele negra na prática dermatológica, o evento chega à terceira edição com programação voltada a dermatologistas, médicos generalistas, residentes de Dermatologia e estudantes de Medicina. A produção é da Derma Academy Rio.
Os temas abrangem dermatologia clínica, cosmiatria, cirurgia dermatológica e tricologia, área que trata da saúde dos cabelos e do couro cabeludo, entre outras especialidades necessárias para uma abordagem integral da pele negra, que corresponde a 55,5% da população brasileira. Os palestrantes vêm sendo anunciados pelo perfil oficial do simpósio no Instagram, e a primeira confirmada é a própria idealizadora do evento.
O simpósio foi idealizado pela dermatologista Katleen da Cruz Conceição, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e chefe do setor de Dermatologia para Pele Negra do Grupo Paula Bellotti. Ela também é preceptora do ambulatório e do fellow de Dermatologia para Pele Negra do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay e coordena, ao lado do dermatologista Cauê Cedar, o Departamento de Pele Étnica da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional do Rio de Janeiro (SBDRJ), o primeiro do tipo na entidade. Katleen liderou a organização do livro “Dermatologia para Pele Negra”, primeira obra brasileira dedicada ao tema, e integra entidades internacionais como a Skin of Color Society, onde atua como mentora, a Hair Research Society e a American Acne and Rosacea Society, além da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
O evento também está com submissões abertas para trabalhos científicos até 14 de outubro. As áreas temáticas são cirurgia dermatológica, cosmiatria, dermatologia clínica, doenças imunomediadas e inflamatórias, além de educação médica e formação em dermatologia, todas com foco na pele negra.
Serviço III Simpósio de Dermatologia da Pele Negra Data: 14 de novembro de 2026 Horário: das 8h às 15h Local: IDOMED Vista Carioca, Rio de Janeiro (RJ) Público: dermatologistas, médicos generalistas, residentes de Dermatologia e estudantes de Medicina Submissão de trabalhos: até 14 de outubro Inscrições: pela plataforma Even3 (aqui) Instagram: @simposiopelenegra
Marguerite Dorvilien foi homenageada por salvar brasileira de estupro em Paris Imagem: Reprodução/Facebook
Diretora de escola impediu tentativa de estupro contra Jhordana na linha RER C e recebeu a Ordem Nacional do Mérito, segunda maior distinção da França
A diretora de escola Marguerite Dorvilien recebeu as insígnias de cavaleira da Ordem Nacional do Mérito da França pela atitude tomada em 16 de outubro de 2025, quando salvou a brasileira Jhordana de uma tentativa de estupro em um trem da linha RER C, ao sul de Paris. A cerimônia contou com a presença de Valérie Pécresse, presidente da região de Île-de-France, e foi divulgada pelo político francês Philippe Tabarot em suas redes sociais.
A condecoração é a segunda mais importante concedida pelo Estado francês, atrás apenas da Legião de Honra. Criada em 1963 por Charles de Gaulle, a ordem é atribuída por decreto do presidente da República e costuma reconhecer pessoas com longa trajetória de serviços ao país, em áreas como educação, saúde, cultura e serviço público. Ao incluir Marguerite entre os condecorados por um único gesto, o governo francês trata a intervenção no trem como um ato de interesse nacional e a coloca como exemplo público no enfrentamento à violência contra mulheres.
Marguerite, que dirige uma escola particular em Ablon-sur-Seine, cidade a cerca de 20 quilômetros da capital francesa, estava no trem na manhã do ataque e conseguiu, sem ajuda de outros passageiros, espantar o agressor. Desde então, ela afirma estar “muito mais atenta” ao que acontece ao seu redor e às pessoas que a cercam.
Na publicação sobre a homenagem, Tabarot classificou a intervenção como “um ato de imensa coragem, que se insere em uma trajetória inteiramente voltada aos outros, à ajuda mútua e à atenção àqueles que estão em sofrimento e pedem socorro”, em tradução livre.
O político aproveitou a ocasião para mencionar a lei francesa que reforça a segurança nos transportes públicos. Segundo ele, a legislação cria novos meios para proteger os usuários, em especial as mulheres, que ainda estão “expostas com frequência demais à violência sexista e sexual” nas redes de transporte. Tabarot ponderou, no entanto, que o caso de Marguerite mostra que leis e dispositivos de segurança “não bastam sem a vigilância de cada um e sem a atenção que todos devemos ter uns com os outros”.
A homenagem acontece a pouco mais de duas semanas de o caso completar um ano, em 16 de outubro.
Edital prevê pelo menos R$ 10 milhões para projetos culturais realizados em favelas e periferias de oito territórios brasileiros
Agentes e produtores culturais têm até 13 de outubro de 2026, às 23h59, para inscrever projetos no Programa Rouanet nas Favelas 2. A iniciativa prevê a seleção de pelo menos 50 propostas culturais desenvolvidas em territórios de favelas e periferias urbanas de oito áreas do país.
Realizado pelo Ministério da Cultura (MinC) em parceria com a Vale e a Central Única das Favelas (CUFA), o programa prevê um investimento mínimo de R$ 10 milhões. Cada projeto selecionado poderá receber até R$ 200 mil por meio de recursos de incentivo fiscal. O edital também estabelece um aporte mínimo de R$ 1 milhão para cada localidade contemplada.
As propostas devem ser realizadas obrigatoriamente em regiões classificadas como favelas e comunidades urbanas pelo Censo Demográfico 2022 do IBGE. Nesta edição, podem participar iniciativas de Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Distrito Federal, Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Vitória (ES).
Quais projetos podem participar?
O edital contempla diferentes campos da produção cultural. Entre eles estão artes cênicas e visuais, audiovisual, música, humanidades, patrimônio cultural e museus.
Também podem ser apresentadas propostas classificadas como transversais, incluindo iniciativas relacionadas à cultura afro-brasileira, cultura urbana, como o hip-hop, culturas tradicionais, arte religiosa, cultura da infância e ações protagonizadas por pessoas com deficiência.
Na área de artes cênicas e visuais, são aceitos projetos de teatro, dança, circo, ópera, exposições e oficinas de capacitação. Já audiovisual e música incluem festivais, mostras, curtas e médias-metragens, podcasts, jogos eletrônicos, apresentações musicais e canto coral.
Em humanidades, patrimônio e museus, o edital contempla feiras literárias, saraus, publicação de livros, ações de preservação do patrimônio imaterial, artesanato e gestão de acervos museológicos.
Quem pode inscrever uma proposta?
A seleção é destinada a pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, que comprovem atuação cultural compatível com o projeto apresentado.
A entidade também precisa ter sede cadastrada na Receita Federal na mesma localidade em que a iniciativa será realizada. Cada pessoa jurídica poderá apresentar apenas uma proposta.
Projetos que já estejam ativos no sistema com número Pronac emitido não podem ser submetidos ao edital. As propostas passarão por etapas de avaliação e análise de integridade antes da seleção definitiva.
Inscrição é feita pelo Salic
A candidatura deve ser realizada gratuitamente e exclusivamente pela internet, por meio do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic).
No sistema, o proponente deve acessar o menu de submissão, selecionar a tipicidade “Editais Compartilhados” e, em seguida, a tipologia “Programa Rouanet nas Favelas – 2026”.
O Ministério da Cultura também disponibilizou um Manual do Proponente, com orientações sobre cadastro, apresentação do portfólio, preenchimento das informações do projeto, orçamento, acessibilidade e democratização do acesso.
Após preencher todas as informações, é necessário concluir e enviar a proposta dentro do prazo. Dúvidas sobre a inscrição podem ser encaminhadas pela aba “Solicitações”, dentro do próprio Salic. O Ministério também disponibiliza o e-mail salic@cultura.gov.br para questões técnicas relacionadas ao sistema.
Quando saem os resultados?
O cronograma prevê a divulgação do resultado provisório até 27 de novembro de 2026. O prazo para apresentação de recursos segue até 7 de dezembro, enquanto o resultado final deve ser publicado até 30 de dezembro.
Para os projetos selecionados, haverá ainda uma etapa complementar no site da Vale entre 4 e 15 de janeiro de 2027. A execução das iniciativas está prevista para começar a partir de 1º de maio de 2027, com prazo até 31 de dezembro de 2028.
Serviço
Programa Rouanet nas Favelas 2
Inscrições: até 13 de outubro de 2026, às 23h59min59s Onde: Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic) Territórios: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Distrito Federal, Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Vitória (ES) Valor por projeto: até R$ 200 mil Investimento previsto: mínimo de R$ 10 milhões Resultado provisório: até 27 de novembro de 2026 Resultado final: até 30 de dezembro de 2026
Decisão provisória reconhece que a ausência de construção no terreno, por si só, não afasta a proteção tributária de imóvel destinado às atividades de uma organização religiosa.
A Justiça suspendeu a cobrança de IPTU sobre um imóvel cedido para a instalação de um terreiro de candomblé em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo. A decisão foi obtida após atuação do Núcleo Especializado de Promoção da Igualdade Racial e de Defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais (Nupir).
O imóvel é utilizado pela Organização Religiosa Nzo Gongobila por meio de contrato de comodato e está destinado à construção de um espaço para a realização de atividades religiosas.
Antes da decisão judicial, o pedido administrativo de imunidade tributária havia sido negado pelo município sob o argumento de que o terreno ainda não possuía uma edificação.
Ao analisar o caso, porém, a Vara Única da comarca considerou que a ausência temporária de construção não é suficiente, por si só, para afastar a proteção tributária.
Segundo a decisão, a constituição regular da organização religiosa, o contrato de comodato e o alvará municipal para execução da obra, indicam a destinação do imóvel às atividades religiosas. Eventual desvio de finalidade deverá ser demonstrado pelo município.
Decisão também impede medidas de cobrança
Com a decisão provisória, o município de Embu-Guaçu fica impedido de realizar novos lançamentos de IPTU, protestos, inscrição do débito em dívida ativa, execuções fiscais ou constrições patrimoniais relacionadas ao imóvel.
O processo também deverá seguir o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, instrumento voltado à consideração das desigualdades raciais e de seus impactos na análise judicial de casos concretos.
A decisão, no entanto, é provisória. A imunidade tributária será analisada de forma definitiva após a manifestação do município e o prosseguimento da ação. A eventual restituição de valores pagos também será examinada ao longo do processo.
O Brasil não proíbe o Candomblé. A Constituição garante a liberdade de consciência e de crença e assegura o livre exercício dos cultos religiosos. Ainda assim, uma criança pode ter medo de ir à escola usando seus fios de conta. É nessa distância entre o direito escrito e o direito vivido que precisamos discutir se a democracia brasileira trata, de fato, todas as fés da mesma maneira.
A democracia não acontece apenas no texto da lei. Ela acontece no cotidiano, nas relações, nos corpos que podem circular sem medo, nos símbolos que são recebidos com respeito e nas vozes autorizadas a participar da vida pública. É justamente quando saímos da letra e olhamos para a experiência que a igualdade prometida começa a revelar suas rachaduras. A erosão da liberdade de crença acontece no uso político dos sistemas de crenças.
Não há problema em pessoas religiosas participarem da política. Certamente que não. Pessoas não deixam suas memórias, valores e crenças do lado de fora quando entram numa escola, num parlamento, num tribunal ou numa urna. O perigo começa quando uma experiência religiosa particular se apresenta como se fosse a medida moral de toda a sociedade. Uma coisa é levar a fé para o debate público. Outra, muito diferente, é tentar fazer do Estado uma extensão do templo, transformando uma interpretação religiosa em regra para quem crê de outro modo e também para quem não crê.
O Estado laico não é um Estado contra a religião. Ao contrário: é aquele que protege as religiões umas das outras e protege cada pessoa da obrigação de viver segundo a fé alheia. A laicidade deve garantir justamente a liberdade de crença ou de não crer.
No Brasil, entretanto, algumas formas de fé circulam pelo espaço público com a aparência da normalidade. Suas orações abrem cerimônias, seus símbolos ocupam repartições, seu vocabulário atravessa campanhas eleitorais e suas lideranças são tratadas como interlocutoras naturais da nação. Enquanto isso, tradições religiosas de matrizes africanas ainda precisam explicar que seus terreiros são espaços sagrados, que seus ritos não constituem ameaça e que seus símbolos não são sinais do mal.
Para algumas religiões, o espaço público oferece microfone. Para outras, exige defesa e silêncio. Umas são reconhecidas como religião antes mesmo que falem; outras precisam provar continuamente que merecem existir também como sistemas religiosos.
É nesse ponto que a intolerância religiosa deixa de ser compreendida como um simples conflito entre crenças. Quando um terreiro é invadido, uma criança é constrangida por usar fios de conta, uma liderança é demonizada ou uma comunidade é impedida de realizar seus ritos, não estamos diante apenas de pessoas que discordam sobre Deus, o sagrado ou o mundo. Estamos diante de uma distribuição desigual do direito de aparecer.
No caso das religiões de matrizes africanas, essa desigualdade carrega a história racial brasileira. Por isso, muitas vezes, chamar tudo apenas de intolerância religiosa não alcança a profundidade do problema. Há racismo religioso porque o ataque não se dirige somente a uma doutrina ou filosofia: ele alcança corpos negros, memórias africanas, modos comunitários de produzir conhecimento e formas de vida que resistiram à escravização, à perseguição e ao apagamento.
Em O perigo de uma religião única, procuro chamar atenção para o risco que surge quando uma religião deixa de desejar convivência e passa a desejar hegemonia. A religião única não precisa ser formalmente decretada. Ela pode se instalar como hábito, linguagem e expectativa. Instala-se quando uma tradição fala em nome de todos; quando seu repertório é confundido com moral universal; quando seus medos orientam políticas públicas; quando direitos passam a depender da aprovação de uma suposta maioria religiosa. Aos poucos, aquilo que é particular veste a roupa do universal. E quem não cabe nessa roupa aparece como desvio, inimigo ou ameaça.
Esse processo também ensina a desprezar. É o que tenho chamado de pedagogia do desprezo: uma aprendizagem social que hierarquiza diferenças e educa afetos, olhares e comportamentos. Ninguém nasce acreditando que um terreiro é menos digno que uma igreja. Isso é ensinado. Aprende-se por meio de piadas, sermões, imagens, silêncios, notícias e gestos cotidianos. Primeiro, uma tradição é tornada estranha. Depois, suspeita. Em seguida, inferior. Por fim, sua exclusão parece razoável.
Antes que um terreiro seja atacado, alguém precisou aprender a enxergá-lo como um lugar que poderia ser atacado. Antes que uma criança seja constrangida por seus fios de conta, alguém precisou aprender que aquele símbolo religioso valia menos do que outros. A violência não começa no momento da agressão. Ela começa muito antes, na produção social do desprezo.
O desprezo prepara o terreno para a violência porque afasta o outro do campo de nossa responsabilidade. Quando uma sociedade aprende a não se comover com o medo de uma criança de candomblé, ela já começou a negociar a própria democracia.
Em um ano eleitoral, talvez a pergunta mais importante sobre religião e política não seja qual é a fé de um candidato. Uma democracia laica não exige representantes sem fé. Exige um Estado em que a fé de quem governa não determine o tamanho dos direitos de quem é governado.
A fé pode inspirar compromisso com a justiça, com o cuidado, com a vida e com os mais vulneráveis. Mas também pode ser mobilizada como senha de pertencimento e instrumento de exclusão. Quando candidaturas disputam quem representa o verdadeiro povo de Deus, a pergunta necessária não é apenas em quem aquela pessoa acredita. Devemos perguntar quais existências cabem no projeto político que ela oferece. Cabem as pessoas de terreiro? Cabem as mulheres que reivindicam autonomia? Cabem as pessoas LGBTQIA+? Cabem ateus, agnósticos e pessoas de outras tradições?
Uma democracia não pode ser medida pela liberdade concedida à fé majoritária. Ela se mede, sobretudo, pela segurança garantida a quem não pertence à maioria.
Pensar seriamente essa questão não significa expulsar a religião da política, como se fosse possível ou desejável amputar das pessoas uma dimensão importante de sua experiência. Significa recusar que a fé seja convertida em autorização para controlar a vida alheia. Significa distinguir testemunho de imposição, convicção de coerção, presença pública de domínio do Estado.
Toda religião tem o direito de oferecer sua palavra ao mundo. Nenhuma tem o direito de encerrar o mundo dentro de sua palavra.
Talvez devamos, então, refazer a pergunta. Em vez de perguntar apenas se o Brasil permite que todas as pessoas tenham uma religião, precisamos perguntar se todas elas podem vivê-la com a mesma dignidade, visibilidade e proteção. Precisamos observar quem pode nomear seu sagrado sem ser ridicularizado, quem pode vestir seus símbolos sem ser agredido, quem pode educar seus filhos em sua tradição sem ser acusado de corrompê-los. A igualdade religiosa não existe quando a lei tolera a diferença, mas a sociedade pune quem a encarna.
A democracia começa quando compreendemos que a existência do outro não depende de nossa concordância. Conviver não é transformar o outro numa versão aceitável de nós mesmos. É construir um mundo em que diferenças não sejam convertidas em degraus de humanidade.
Se não enfrentarmos a desigualdade religiosa com seriedade, o que estará em risco não será apenas a liberdade dos terreiros. Estará em risco a própria ideia de uma sociedade plural, na qual nenhum grupo possa sequestrar o Estado e chamar seu privilégio de vontade divina.
A pergunta, portanto, permanece diante de nós: queremos uma democracia habitada por muitas fés ou uma religião única disfarçada de democracia? A resposta não será dada apenas pelo que dizemos. Será dada por quem conseguimos proteger.
Bàbá Sidnei Nogueiraé escritor, pesquisador e doutor em Semiótica pela Universidade de São Paulo (USP). Iniciado há 40 anos para Ṣàngó, é filho de Ìyálórìṣà Joesia Teles de Oyá e Ọ̀gá Plácido de Ògún. É membro consultivo da Cátedra de Sustentabilidade da UNESCO (SOST) e autor de Intolerância Religiosa, em edição revista e ampliada, além de outras obras. Sua trajetória reúne pesquisa, produção intelectual e atuação pública em torno das religiões de matriz africana, do racismo religioso, da ancestralidade e da liberdade religiosa.
Da menina que deixou o interior do Piauí em busca de novas possibilidades à mulher que hoje ocupa um espaço de liderança, Jayane Borges reflete sobre ascensão social, pertencimento, dinheiro e os limites de uma carreira construída sem abrir mão da própria vida.
A engenheira química de 32 anos que se define como “uma menina do interior”, nasceu em Picos, cidade de cerca de 70 mil habitantes no Piauí, onde cresceu em uma família que precisou se movimentar desde cedo para conquistar novas oportunidades. Hoje, como gerente sênior de Estratégia Corporativa da Natura, Jayane Borges olha para essa trajetória entendendo que prosperidade não se resume ao cargo ocupado ou ao dinheiro acumulado, mas ao poder de proporcionar à família a possibilidade de sonhar.
Aos 23 anos, durante a graduação em Engenharia Química na Unicamp, Jayane passou um período estudando em Manchester, no Reino Unido. Antes disso, havia deixado o Piauí para estudar em Teresina, onde foi morar com uma tia que teve papel importante na trajetória educacional da família.
“Eu queria sair do Piauí. Eu achava que o mundo não estava lá. Eu achava que vindo para São Paulo ia ter mais opções, eu ia conhecer mais coisas, eu ia viver outra coisa”, conta.
Durante o intercâmbio ela viveu experiências que sua família nunca havia presenciado e passou a perceber de maneira mais intensa questões relacionadas à classe social, raça e oportunidade. De volta ao Brasil, Jayane encontrou na consultoria de estratégia uma forma de continuar trabalhando com diferentes negócios e problemas complexos.
Foram quase oito anos no ramo onde aprendeu sobre estratégia, relações profissionais e códigos sociais, mas também desenvolveu a habilidade de questionar quanto de si mesma havia precisado adaptar para ocupar determinados espaços.
Agora, na Natura, ela dá início a uma nova etapa profissional em um espaço onde foi possível adquirir um novo olhar sobre carreira e prosperidade, cultivando relações e preservando espaços da vida que não precisam necessariamente ser produtivos.
Conversamos sobre carreira, dinheiro, pertencimento, planejamento de vida e longevidade.
Quem é a Jayane fora do trabalho? Como você gosta de ocupar seu tempo livre, e o que te diverte?
Nasci numa cidade muito pequena, morei em Campinas, morei em São Paulo e agora moro em Jundiaí. Então gosto dessa coisa de parar no meio do dia, tomar um café, conhecer alguma coisa nova. Acho que tem duas coisas que me recarregam mais. Uma é a cerâmica, que comecei há uns oito meses, mas sou muito apaixonada. Acredito que o barro tem uma vida própria, porque você tenta fazer uma coisa e ele sai outra. Também tenho lido bastante nos últimos três anos, dependendo do meu humor às vezes leio ficção, às vezes história. Eu e meu marido gostamos de assistir séries juntos, documentários. Isso tudo me reenergiza.
De onde você veio e como uma engenheira química foi parar no mundo da estratégia de negócios?
Acho que é uma história que vai muito em linha com a história da minha família. Eu tive uma tia que foi um anjo na minha vida e a primeira pessoa da minha família a se graduar e foi chamando, um a um, os sobrinhos para morarem com ela durante o ensino médio. Eu passei numa prova, ganhei uma bolsa e fui morar com ela e estudar em Teresina. Fazia muita olimpíada de química, física e matemática. Quando chegou o terceiro ano, fiz os vestibulares do Piauí e também o da Unicamp.
Passei em medicina na Federal do Piauí, que era o sonho dos meus pais, mas nunca foi o meu sonho. Na Unicamp, eu percebi que não gostava tanto da rotina industrial. Então me aproximei da empresa júnior e da Liga Empreendedora.
Depois veio a oportunidade de ir para a Inglaterra. Foi um divisor de águas na minha vida, foi lá onde aprendi inglês, vivi experiências que minha família nunca tinha vivido e tive minhas primeiras experiências internacionais.
Foto: Arquivo pessoal
Quando voltei, encontrei por acaso uma palestra de uma consultoria. Gostei da ideia de resolver problemas complexos e trabalhar com negócios diferentes. Foi assim que fui parar na estratégia.
O que a consultoria estratégica te ensinou sobre ocupar espaço? E o que você precisou desaprender depois?
A consultoria foi uma escola para mim. Aprendi muito sobre trabalho, sobre códigos sociais, sobre como me tornar adulta. No começo da minha carreira, se eu fosse esperar ter alguém parecido comigo, ou a maioria das pessoas parecidas comigo, para criar relações, alianças e aprender, eu perderia trocas muito ricas. Então sempre procurei mentores diferentes de mim, pessoas que tinham outras experiências.
No lugar de onde venho, não existiam códigos nem regras não ditas para se trabalhar ou alcançar a posição que tenho hoje. Então eu fui aprendendo esses códigos com quem sabia. Mas acho que também houve um processo de entender o que era adaptação e o que era identidade.
Ainda olho para trás para essas experiências para entender o que era eu e o que era a projeção que eu fiz de mim mesma. Precisei separar quem eu sou da minha produtividade. Quem é você quando não está gerando “valor monetário” para a sociedade?
Eu construí durante muito tempo uma autoestima muito relacionada à ideia de inadequação: inadequação regional, do lugar onde eu estava. Depois percebi que precisava entender quem eu era para além do trabalho.
Você chegou à Natura há poucos meses, com uma trajetória sólida no mercado. O que te faz querer construir uma carreira longa aqui?
Foto: Arquivo pessoal
Minha decisão de vir para a Natura foi muito consciente. Eu sou uma fã da Natura. Os benefícios são muito bons. Quando olho para o pacote de previdência privada e para o bônus de longo prazo, eles são construtores de patrimônio e muito relevantes quando você pensa em uma carreira mais longa. Mas tem uma coisa que eu queria adicionar: o berçário. Para planejamento de vida e planejamento de família, isso tem um valor muito grande para mim, porque eu não tenho rede de apoio aqui.
Tem uma metodologia muito legal, tem cuidado e fica do lado do prédio, o qual eu sou apaixonada. É um benefício que é difícil colocar preço. Acho que isso conversa com a ideia de carreira longa porque você precisa pensar em uma vida inteira, não só no próximo cargo.
Você trabalha na estratégia global de uma empresa cujo modelo de negócio gera renda para milhões de consultoras, muitas delas mulheres negras. Do seu lugar na estratégia, como você enxerga o papel da Natura na prosperidade dessas mulheres?
Eu venho de uma família cheia de microempreendedores e entendo o papel transformador que isso tem. A economia brasileira foi construída em cima disso. Isso é uma coisa que venho aprendendo aqui: não ver a venda direta como uma estratégia de ganho a curto prazo. Eu vim com as minhas visões de ter trabalhado em consumo, em consultoria, sobre eficiência, números, produtividade. Mas a venda direta é um negócio de pessoas, é um negócio de relações. Ela tem outras moedas. Pelas experiências que vivi e pelas pessoas próximas à minha família, é muito claro para mim o impacto que isso traz para a renda das pessoas.
Como você pensa prosperidade e planejamento de vida pra você? O que aprendeu sobre dinheiro que gostaria de ter sabido antes?
Quando você está ascendendo socialmente, é muito fácil olhar o dinheiro como uma coisa utilitarista, materialista. Demorou anos para eu conseguir separar e entender que existiam pedaços de mim que eu não podia mais valorar por dinheiro. Meu corpo, estar em paz, tem valor. Não é só mandar dinheiro para minha família comprar uma coisa. É sentar com eles e ajudá-los a sonhar. Meus pais têm um quintal muito grande, uma casa no interior. Minha mãe queria uma cozinha externa. E eu fiquei pensando: “eu podia dar isso, dar aquilo”. Mas quando eu sentei do lado deles e peguei um aplicativo e desenhei o que seria um quintal todo completo, eu entreguei para eles um sonho.
É muito fácil desmerecer coisas mais simples porque você batalhou tanto para ganhar dinheiro. Mas isso tem muito valor. E tem uma outra coisa que ninguém te conta antes de você ascender: a culpa que vem junto. A culpa por viver coisas que sua família não viveu, por ter oportunidades, por conseguir alguma coisa enquanto alguém próximo não conseguiu.
Foram vários anos conversando sobre isso em terapia. Hoje eu entendo que vou ajudar, mas também não preciso pegar tudo que tenho e dividir em 50.
O que a Natura oferece que faz diferença no seu plano de futuro, e por que a equidade salarial entre gênero e raça importa pra quem está construindo patrimônio a longo prazo?
Em relação a equidade, dificilmente uma pessoa senta e fala: “Eu vou olhar para você e te pagar mais barato”. É resultado de relações, de proximidades que alguns grupos têm entre si e de outras coisas que, se você não coloca para discussão, elas vão se auto justificando e se autoperpetuando. E a gente está aqui para quebrar isso. Quando você pensa em patrimônio de longo prazo, essas diferenças se acumulam. Então não é só uma questão de salário naquele mês. É o que aquele salário permite construir ao longo da vida.
A Natura tem a meta de 30% de pessoas negras em cargos de liderança. Na sua chegada, como foi encontrar outras pessoas negras em posições de decisão, com trajetórias parecidas com a sua? O que muda no dia a dia quando você não é a única na sala?
Se a gente for esperar ter todo mundo parecido com a gente para constituir relações, fica muito difícil. Você tem que ter trocas muito ricas com pessoas que são diferentes de você. também. Ser negro no Brasil, especialmente quando você ascende e vem de uma origem multiracial como eu, também significa entender a história da sua família, entender de onde você vem, como você se localiza e como você é percebido. É muito rico ter pessoas nessa trajetória também, com quem você consegue ter uma troca mais simples, mais fluida. É uma experiência que me faz sentir um sentimento de pertencimento que eu acho que nunca senti.
Longevidade também é saúde. Num cargo de tanta pressão, como você cuida do corpo e da mente pra ter uma carreira longa?
É um aprendizado. Eu nunca fui uma pessoa particularmente esportista. Sempre fui muito racional e estudei muito. Em determinado momento, seu corpo cobra. Quando seu corpo está mal, você também está mal. Moro hoje no interior porque entendi que queria uma cidade que coubesse na minha cabeça. Eu adoro o período que vivi em São Paulo, mas São Paulo não cabia na minha cabeça. Só isso já tira uma pressão muito grande.Também tenho buscado cada vez mais colocar exercícios na minha rotina.
Eu percebi depois de muito tempo que sou uma pessoa meio perfeccionista. Então, às vezes, chego às seis horas da tarde e penso: “O que eu tenho que fazer a mais aqui? É porque eu quero fazer a mais ou realmente preciso fazer isso?” Se você não se questionar sobre o porquê de estar fazendo as coisas, vai entrando no automático. O mundo corporativo pode te levar para esse lugar de “eu vou vestir essa armadura”. Só que essa armadura pesa. Ela pesa muito.
Antes de entrar na Natura, tirei seis meses de sabático. Li muito, comecei a fazer cerâmica, ouvi música e desenhei. A cerâmica tem um jeito de aterrar a gente que é muito forte. Quando faço cerâmica na segunda-feira à noite, quando chego lá, eu estou só lá. A peça pode demorar três meses para ficar pronta. Mas tudo bem, eu posso ter isso na minha vida que não é produtivo.
Ao longo da minha carreira, aprendi a sonhar. O mundo do trabalho é muito relevante para mim e acho que não é só uma forma de ganhar dinheiro. Todo mundo quer se sentir útil. Mas, se você centraliza sua vida ao redor disso, tem muita coisa que não consegue controlar. Então eu gosto de pensar que preciso ter “continentes” para me aterrar. Minha casa é um continente. Minha cerâmica é um continente. As músicas que escuto também. E acho que, nessa era de inteligência artificial, fica cada vez mais relevante pensar no que torna a gente humano.
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