Em cartaz no Museu Histórico Nacional até 01 de novembro, a exposição “Espírito da África – Os Reis Africanos”, numa promoção do Museu Afro Brasil.
Com a curadoria de Emanoel Araújo, diretor-curador do Museu Afro Brasil, a exposição reúne 58 fotografias a cores e em p&B do austríaco Alfred Weidinger, que retratou de reis e chefes contemporâneos de diversas partes do continente africano, além de oito obras de arte africanas que dialogam com as próprias fotos.
Entre as obras de arte, destacam-se a máscara de ritual de Camarões, feita de miçangas e búzios; coroas de reis da Nigéria, bordadas em miçangas; a roupa do Rei Ooni de Ifé (1930-1955), bordada em veludo com o retrato do Rei; recades em madeira e bronze; um pequeno trono do povo Fon em bronze, madeira e couro e um aplique com bordados de diferentes reinos do Benim, entre 1620 e 1900.
4. Fon Ndofoa Zofoa III, Rei de Babungo, Babungo, Província Noroeste, Camarões, 2012
Segundo o curador, as fotos expostas têm um grande significado para a história e a memória ancestrais africana, uma vez em que os líderes tribais registrados pela câmera de Weidinger não tem mais poder político, sendo, no entanto, em sua essência, conselheiros de suas comunidades, lembrando a memória de uma África perversamente desfeita pelas novas divisões territoriais, que uniram diferentes etnias no período colonial.
“São muitos os reinos descobertos nesta expansão dos portugueses pelas ilhas atlânticas e Continente Africano. Com uma organização política, social e religiosa, esses soberanos negociaram e trocaram correspondências com os reis portugueses e até se batizaram para receber, não só a bênção cristã, mas a proteção de suas majestades”, conta o curador.
Alfred Weidinger é um fotógrafo austríaco especializado na África, com foco em pessoas. Em 2012 retratou os remanescentes das monarquias dos maiores reinados africanos. Essa busca resultou em um conjunto de belos retratos da nobreza africana do século XXI, intitulado “Last Kings of Africa”, “Os Últimos Reis da África”.
A composição das fotos é inspirada nas fotografias dos Reis, Chefes e Anciões africanos tiradas entre o final do século XIX e o início do século XX. Aquelas fotografias ficaram famosas em todo o mundo através de cartões postais e marcavam a curiosidade sobre a África ao mesmo tempo em que evidenciavam o início do domínio colonial europeu naquele continente, carregando o peso da subjugação da África aos poderes estrangeiros.
Hoje, as fotos de Weidinger destes monarcas funcionam, sobretudo, como registro de um passado que sobrevive sem o poder político, mas com a força da tradição.
6. Fo Djmo Kamga de Bandjoun, Bandjoun, Província Oeste, Camarões, 2012.
Serviço: “Espírito da África – Os Reis Africanos” Até 01 de novembro
Museu Histórico Nacional
Praça Marechal Âncora, s/nº
Próximo à Praça XV
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Telefones: 21 – 3299-0324 (recepção)
A presidenta Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (02) a reforma ministerial. De acordo com a nova composição do governo, as Secretarias de Igualdade Racial, Mulheres e Direitos Humanos serão reunidas em um novo ministério, que passa a se chamar Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.
A ministra da SEPPIR, Nilma Lino Gomes, foi indicada para dirigir a nova estrutura, que contará com 3 secretarias nacionais: Secretaria Nacional de Política para Mulheres, comandada por Eleonora Menicucci; Secretaria Nacional de Igualdade Racial, por Ronaldo Barros; e Secretaria Nacional de Direitos Humanos, por Rogério Sottili.
Durante o anúncio, a presidenta afirmou que “a medida visa fortalecer e aprimorar as políticas de gênero, combate ao racismo e direitos humanos”. Ao todo, a reforma extinguiu 8 ministérios, 30 secretarias nacionais e 3 mil cargos comissionados.
Nilma toma posse na próxima, dia 6 de Outubro.
Biografia
Natural de Belo Horizonte (MG), Nilma Lino Gomes é a Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República – SEPPIR/PR.
Pedagoga, mestra em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra, Nilma Lino é docente do quadro da UFMG e pesquisadora das áreas de Educação e Diversidade Étnico-racial, com ênfase especial na atuação do movimento negro brasileiro.
A titular da SEPPIR foi a primeira mulher negra a chefiar uma universidade federal ao assumir o cargo de reitora pro tempore da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), cargo que ocupou desde abril de 2013.
Além disso, Nilma Lino Gomes integra o corpo docente da pós-graduação em educação Conhecimento e Inclusão Social – FAE/UFMG e do Mestrado Interdisciplinar em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis (UNILAB). Foi Coordenadora Geral do Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Ações Afirmativas na UFMG (2002 a 2013). É membro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), da qual foi presidente entre os anos 2004 e 2006. A ministra da SEPPIR também integrou a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (gestão 2010 – 2014), onde participou da comissão técnica nacional de diversidade para assuntos relacionados à educação dos afro-brasileiros.
A Dra. Katleen Conceição não é somente uma dermatologista negra, especializada em pele negra que tem como clientes as divas Taís Araújo, Valéria Valenssa e Preta Gil. A médica gaúcha usa as redes sociais para difundir conceitos sobre cuidado com a pele negra, mas também ganha admiradores por suas mensagens positivas sobre negritude.
Dra. Katleen e sua filha Maria Eduarda (Foto/Arquivo pessoal)
Em casa não poderia ser diferente, pela conta da médica do Instagram dá para ver que ela tem passado seus conhecimentos para sua filha Maria Eduarda, de 9 anos, que herdou o carisma da mamãe famosa e destila fofura em um vídeo onde ela aplica protetor solar sozinha com direito a massagem facial.
Como generosidade é uma das grandes características da Dra. Katleen, ela bateu um papo com a gente para falar sobre os cuidados com a pele e cabelo das crianças negras.
Por mais que o crespo natural tenha finalmente conquistado seu espaço, (sendo a opção mais saudável) muitas mães têm dificuldades em lidar com o volume e textura dos fios, que embaraçam mais e são mais ressecados e optam em fazer uma química no cabelo da criança. “O ideal é que a química seja feita a partir dos 7 anos, com a supervisão de um dermatologista”, explica a Dra. Katleen.
Dê preferência ao cabelo natural, mas se optar por química, espere até que a criança tenha 7 anos
Ainda sobre o cabelo, sabemos que infelizmente ainda há poucos produtos, como shampoos, condicionadores e cremes de pentear destinados ao cabelo crespo infantil e a dermatologista afirma que à princípio, qualquer produto pode ser usado, mas deve-se atentar a necessidade específica de cada cabelo, já que alguns são mais crespos, outros vão para o cacheado, além das diferenças de volume.
Pele negra infantil
Mesmo com pele escura a criança deve usar protetor solar diariamente (Foto/Google Images)
Quando falamos de crescimento infantil não podemos ignorar a importância da vitamina D, fundamental para o fortalecimento dos ossos. Pessoas de pele negra tem maior carência dessa vitamina o que requer uma atenção especial. E a Dra. explica. “A pele negra, por ter maior quantidade de melanina, faz com que aja menor absorção da vitamina D. O ideal é realizar exames periódicos e ter acompanhamento médico”.
A pele escura não nos blinda contra os males do sol, que vão desde o ressecamento, descamação até o câncer de pele. “Crianças negra tem que usar filtro solar com o FPS 30, no mínimo. De preferência em loção, resistente a água e suor. O uso deve ser diário e a replicação feita a cada três horas”, finaliza Dra. Katleen.
A Dra. Katleen mantém um blog muito atualizado e repleto de dicas para a pele negra do homem e da mulher. Clique aqui para conferir.
Nós do Mundo Negro acreditamos que o empoderar as crianças negras pode ser não somente positivo, como revolucionário. No mês de outubro faremos algumas ações para presenteá-las. E os trabalhos já começaram com a promoção Mundo Negro Criança.
E funciona assim:
1) Curta nosso perfil no Instagram @sitemundonegro
2) Marque no seu perfil, a foto de uma criança negra que você conhece (filho, amigo, primo etc.) com as hashtags #mundonegrocriança#sitemundonegro
3) Ao final de cada semana do mês de Outubro estaremos compartilhando nossas fotos favoritas no Instagram e Facebook.
4) As fotos que tiverem mais curtidas ganharão uma caixa de Giz de Cera PintKor, da empresa Koralle em parceria com a UNIAFRO – que possui 12 cores de tom de pele negra – e o livro “Diário de Pilar na África”, um livro de aventura que ensina as crianças sobre a história , cultura, geografia africana e até Orixás.
Curtam as fotos, deixem comentários positivos e divertidos para nossas crianças. Vamos fazer uma corrente do bem e ajuda-las a se amarem ainda mais.
Pilar, Breno e o gato Samba embarcam na rede mágica e vão parar na África, onde conhecem Fummi, uma princesa iorubá. Juntos, eles tentarão salvar sua família e seu povo, capturados por comerciantes de escravos.
Viajando da Nigéria a Angola, Pilar e seus amigos aprendem várias coisas sobre a história da África, seus animais, e sua cultura. Os quatro aventureiros contam com a ajuda de um elefante para atravessar florestas, enfrentam o mar bravio num pequeno veleiro, galopam na perigosa savana montados em uma zebra, descem o rio Congo ao lado da poderosa rainha Jinga e enfrentam os donos dos navios negreiros.
Giz de cera Pintkor 12 cores em tons de pele Koralle Fabricados com ceras de alta qualidade, atóxico, não mancha as mãos.
Foram produzidos especialmente em parceria com a UNIAFRO – Política de Promoção da Igualdade Racial na Escola.
Regulamento
Essa promoção é uma parceria do site Mundo Negro, Editora Zahar e Koralle.
– Não serão aceitas fotos enviadas por e-mail e/ou inbox no Facebook.
– Será válido apenas uma foto por perfil
– Somente fãs do Mundo Negro no Instagram poderão concorrer
– Participando da promoção você automaticamente concorda com a publicação da foto da criança participante nas nossas redes sociais.
Denegrir significa torna-se negro e esse é dessa forma que o canal do Youtube, Ouriçado aproveita o seu espaço para levar o público a refletir sobre o que é ser negro do Brasil, por meio de humor.
Os vídeos são produzidos por atores da Oficina de Performance Negra realizado pelo Bando de Teatro Olodum – que revelou nomes como Lázaro Ramos e Luiz Miranda -, do curso livre de teatro da Universidade Federal da Bahia, além de atores convidados.
O Mundo Negro bateu um papo com Heraldo de Deus, um dos produtores do projeto.
De onde vem a inspiração para criar os vídeos?
Nossos roteiros infelizmente são inspirados no dia-a-dia, são uma reflexão acerca da nossa sociedade atual. Tudo o que buscamos retratar não é nem um pouco diferente da realidade da juventude negra e da periferia em Salvador e do que estamos acostumados a ver nos noticiários e na publicidade.
Qual a frequência das gravações dos vídeos?
Atualmente, por ainda não dispor de um material próprio (diferente de Glauber Rocha, temos as ideias na cabeça, mas ainda não temos a câmera na mão). Nossas gravações têm acontecido mensalmente e temos utilizado na maior parte do tempo nossas próprias casas como set de filmagem. O objetivo é poder aumentar a nossa capacidade de produção para que possamos produzir e publicar mais de um vídeo por mês, mas por enquanto é o que podemos fazer
O Ouriçado tem algum patrocínio ou é feito com recurso próprio?
Não temos nenhum patrocínio. Contamos com alguns apoiadores alguns deles saíram no meio do caminho.
A câmera e os técnicos são cedidos pela Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia (DIMAS/Funceb) e todos os gastos com deslocamento e pré produção ainda tem saído do nosso próprio bolso. Se algum leitor do site Mundo Negro estiver interessado em nos patrocinar, será aceito de muito bom grado!
Como tem sido o retorno?
O retorno até então tem sido positivo, poder dar uma visibilidade a artistas negros na nossa cidade (temos 90% da população é negra mas não nos sentimos representados na TV, na Publicidade local inclusive e nem em alguns outros canais da web – sempre são dois ou três num universo recheado de artistas negros e de muita competência) até por isso a sátira a prática do black face na maioria das nossas produções.
Há ainda aqueles que nos chamam de racistas, que acham que nossos vídeos são reforços positivos de algo tão negativo, a Ouriçado não surgiu com esse objetivo. Queremos mesmo é meter o dedo na ferida, é mostrar algo que passa muitas vezes desapercebido, mas que está diante do nosso nariz, todo dia, toda hora.
Alguns vídeos nossos já tem mais mil visualizações e principalmente, o fato de tornar-se protagonista numa luta diária e tão nossa é o maior retorno que podemos alcançar. Saber que nossos vídeos têm sido exibidos nas salas de aula propondo uma reflexão sobre a sociedade e nos permitir sonhar com uma realidade onde a cor da pele não seja motivo de diferenciação.
Partindo de são Paulo no dia 9 de outubro, sexta-feira, a bordo do Haux 371, um ônibus no estilo “hippie” que também é uma biblioteca itinerante, um baú cheio de atividades culturais e escola de artes, a Caravana Raízes levará seus convidados para a segunda vivência natural e cultural na cidade de Búzios, Região dos lagos do Rio de Janeiro.
Por Marília Gonçalves – Redatora do site Mundo Negro Curta nosso Instagram @sitemundonegro
A programação é voltada para o “Dia da Conexão”, descobrimento da história local dos quilombolas, relaxamento e alimentação saudável. Artistas e produtores nativos, que formam o Coletivo Conectivo, farão as apresentações musicas, de artes e rodas de bate papo. Além disso, os participantes poderão curtir a festa Batbacumba (SP). Tudo ao ar livre e de graça.
As vagas são limitadas e os pacotes disponíveis para venda com transporte de ida e volta, hospedagem no hostel Lagoa Beach, café da manhã, atividades e passeios, com preços entre R$ 380,00 e R$ 420,00, já estão no segundo lote.
SERVIÇO
Interessados: caravanaraizes@gmail.com Ida dia 9 e retorno 12 de outubro, às 22h.
Ponto de partida e retorno: estação Vila Madalena do metrô
O negro na perspectiva da economia, empreendedorismo, criatividade, mídia, espiritualidade e corporeidade, foram alguns dos muitos assuntos debatidos durante o quinto encontro Kwanzaa – São Paulo, realizado no sábado (26).
Por Silvia Nascimento
Foto: Equipe Kwanzaa SP
Aos mesmo tempo que oficinas para crianças e feira afro aconteciam, intelectuais negros de várias áreas levaram o público a reflexão com assuntos relevantes e alguns polêmicos, como a questão da apropriação cultural.
“Eu (mulher negra) não vou sair na rua usando um cocar. Eu sei que eu poderia ofender a mulher indígena com essa atitude, da mesma forma que me ofendo vendo uma branca usando um turbante, não que eu vá até ela para tirar o turbante, mas me sinto extremamente incomodada”, afirma Daniela Gomes, jornalista e Doutoranda em Estudos Africanos pela Universidade do Texas.
O sócio fundador do Ebony English, Rodrigo Faustino. Foto: Equipe Kwanzaa SP
Falando sobre criatividade na perspectiva da espiritualidade, Ama Mizani que estuda saúde holística africana e é membro do Afrocentricity International resgatou a importância de se valorizar a contribuição história do negro para humanidade, sobretudo na questão do conhecimento científico. “O primeiro médico da história da humanidade foi negro e ele descobriu a cura para centenas de doenças”, explicou a estudante que ainda defendeu que criatividade e espiritualidade andam juntas e que os momentos de inspiração são divinos.
Adriana da Feira Preta, as jornalista Rejane Romano e Daniela Gomes e o educador Fabiano Maranhão
A presidente do Instituto Feira Preta, Adriana Barbosa, falou sobre os desafiados em gerenciar a Feira Preta, maior evento de cultura negra da América Latina. “Há muita dificuldade em se conseguir financiamento, porque o banco não acredita que não vou ter como pagá-lo e ajuda do setor público também é complicada porque que muitas vezes nos encaminham para secretarias sem verbas para nos ajudar” relatou a empresária que ainda acredita que há muito apego emocional dos empreendedores negros que trabalham com esse segmento,
Um panorama sobre afro-negócios no Brasil e EUA foi o tema abordado por Rodrigo Faustino, sócio idealizador do Ebony English, a única escola de inglês no Brasil que trabalha com cultura negra em sala de aula. “ No Brasil houve uma tentativa de integração entre escravos recém libertos pela abolição. Nos EUA os que usavam a mão de obra escrava, não queria mais saber dessas pessoas, e isso fez com que eles tivessem que criar sua própria estrutura, como escolas, postos de saúde e até bancos, todos fundados e administrados por negros”.
O professor Fabiano Maranhão, mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos falou sobre como algumas brincadeiras praticadas por crianças brasileiras tem um teor racista de forma explícita. “Eu quando brincava de polícia e ladrão com os meus amigos na infância, era sempre o ladrão”, exemplificou o professor que ainda lembrou do “boi da cara preta” e outras canções com letras racistas.
O evento ainda teve o espaço Kwanzaa Kids com oficinas e contação de estórias para crianças. O escritor Durval Arantes, também esteve presente vendendo e autografando a sua obra “O último negro”.
O Kwanzaa Brasil é encabeçado pelo administrador de empresas Luiz de Jesus e tem sua próxima edição prevista para o dia 20 de novembro. Mais informações pela página oficial do evento no Facebook.
Reparar por meio de uma coleção de fotos, a ausência de reis negros na arte e livros de história foram alguns dos fatores que motivaram o fotógrafo americano James C. Lewis a criar a série “African Kings”.
Confira abaixo algumas das fotos de Lewis que inclui, na versão original à venda, a altura real dos homens africanos de história. Se eles eram realmente assim, nunca saberemos mas é fato que esses reis que fizeram da África um dos continentes mais poderosos antes da colonização.
Mais da metade dos 200 milhões brasileiros se identificam como negro ou negra. Todos os dias, 82 jovens brasileiros são mortos, 77% desses jovens são negros. Na selva de pedra de São Paulo, os jovens negros são três vezes mais sujeitos a serem mortos por violência policial do que os jovens brancos.
Nos últimos anos, o movimento americano #BlackLivesMatter colocou a questão de violência racista da policia na primeira pauta dos meios de comunicação social e política. Ao outro lado do Hemisfério, as vozes negras do Brasil estão plantando as suas próprias sementes de um apelo crescente à justiça.
“A questão não é de copiar [os americanos] mas de ver o que fazem, o que dá certo, ficar observando e tentar adaptar isso a nossa realidade brasileira,” diz Silvia Nascimento, fundadora da primeira mídia negra no Brasil, Site Mundo Negro, que proclama uma visão pro-africana de negritude universal.
“Eles têm uma história de luta que precede a nossa – no Brasil a escravidão acabou muito tempo depois,” Nascimento nos lembra. “Estamos em um grau de desenvolvimento agora que reflete muitas coisas que já aconteceram nos EUA nos anos 60, 70.”
(Manifestante na Marcha contra o genocídio da juventude negra, São Paulo, 2014. Crédito da foto: Katherine Jinyi Li.)
Quando considera o movimento #BlackLivesMatter, Nascimento ressalta uma força altamente qualificada de professores, advogados, políticos, jornalistas, e atores negros que apoia o movimento construído de protestos de rua e as redes sociais de massa. No Brasil, ainda um pais em desenvolvimento, essa mobilidade socioeconômica ainda está no processo de ser fortalecida para os negros, que só constituem 6.3% de todos os alunos no ensino superior.
Sheila de Carvalho no escritório da Conectas na Avenida Paulista, 2015. Crédito da foto: Katherine Jinyi Li
Mais do que um movimento de protesto de rua, os negros brasileiros levantam a dignidade negra através de mídias independentes e marchas pacíficas. Negros brasileiros saem às ruas todo ano na Marcha contra o Genocídio da Juventude Negra e a Marcha das Mulheres Negras. Estas marchas estão rigorosamente vigiadas pela policia mas ficam relativamente pacíficas, não como os confrontos violentos entre os manifestantes negros e os policiais americanos nos protestos #BlackLivesMatter.
Capa da revista TIME dos protestos #BlackLivesMatter em Baltimore, 2015. Crédito da foto: Devin Allen.)
O primeiro censo racial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) esse ano revelou que 85% dos juízes e 78% dos advogados no Brasil são brancos, que condenam uma população carceraria que é 67% negra.
“Essa proposta de ter políticas de ação afirmativa no sistema de justiça vai deixar a carreira mais representativa da sociedade… e trazer pessoas que entendam os problemas que a sociedade tem,” diz de Carvalho. “Esses juízos [das políticas de ação afirmativa] acabam trazendo uma diversidade de vivências que juízos que tiveram mais privilégios não tenham visto.”
De Carvalho lembra de ser a única aluna negra em uma sala de mais de 100 na Faculdade de Direito na Mackenzie. “Aqui no Brasil você entra em um espaço de ‘elite’ e você não vê a figura de uma pessoa negra – uma ausência de negros que já foi normalizada na nossa sociedade,” ela explica.
Brasileiros negros muitas vezes mostram saber pouco sobre sua própria história no ensino fundamental. Sem falar das batalhas dos heróis ex-escravos que lutaram para as comunidades negras, as escolas veneram os colonizadores e imigrantes brancos (igual à narrativa histórica ensinada nas escolas americanas). Como resultado, muitas referências do empoderamento negro no Brasil vêm dos EUA ou da África.
Comparado ao Brasil, os negros americanos já conseguiram construir uma fortaleza na conversa da nossa geração. Referencias desde Obama a Oprah, Malcolm X a Muhammed Ali, Angela Davis a Beyoncé, Black Panthers e #BlackTwitter e tudo demais, os negros lideram os americanos em uma diversificação das vozes na mídia de massas e no espaço político.
Para os negros na America Latina, uma identidade negra solidária ainda está obscura pela lenda colonial de miscegenação. Ex-presidente FHC que disse a famosa frase “Também tenho um pé na cozinha,” se declarando descendente de escravos apesar da sua óbvia brancura e pertencimento à classe elite. Depois negando ter falado a frase, Cardoso ainda assim deu o exemplo perfeito da ficção latina que o racismo não existe porque todos nós somos “um pouco negro”.
Na realidade, o racismo segue sendo a guia das normas sociais entre os negros e os brancos no Brasil. Tula Pilar, poetisa autodidata e ex-trabalhadora doméstica, escreve frequentemente sobre o abuso das suas empregadoras brancas. “Tiravam os cadernos das minhas mãos, rasgavam e falavam que estudar não era para as pessoas como eu,” ela recorda.
Ainda hoje, uma poeta reconhecida com aparências frequentes na mídia, Pilar enfrenta discriminação no mundo artístico. “Quando vou nos saraus no centro, eles me param na porta e me perguntam o que eu estou fazendo lá enquanto os brancos entram sem problema. Mas depois eu entro no palco e essas mesmas pessoas conseguem até chorar com as minhas poesias.”
Tula Pilar Ferreira, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), 2015. Crédito da foto: Katherine Jinyi Li
A mãe da Pilar, também uma trabalhadora doméstica, também não apoiou os sonhos de perseguir os seus estudos: “Minha filha, somos negros, pobres – não fica sonhando que o nosso mundo é outro!”
Hoje, Pilar organiza saraus “eróticos” para as mulheres na periferia. Ela ensina os seus filhos de usar os seus turbantes com orgulho e de dialogar com a policia sabendo dos seus direitos.
“Se amar, se aceitar é um ato político em si,” diz Nascimento sobre a ênfase cultural no Site Mundo Negro. “A geração da minha mãe, da minha avó abaixaram as cabeças, mais as minha filhas não irão.”
*Katherine Jinyi Li é uma jornalista americana morando no Brasil, cobrindo temas de luta comunitária, empreendedorismo local e justiça racial.
Essa reportagem foi publicada pela primeira vez no site americano The Seatle Globalist
O mito da democracia racial, além do racismo, são temas amplamente discutidos no projeto OCUPAÇÃO PRETA, realizado uma vez por mês com uma programação que discute as relações raciais no Brasil através da produção acadêmica e diversas manifestações artísticas realizadas pela população negra de São Paulo. Com o tema “Culturas Negras: Entre trocas e apropriações culturais”, o próximo Ocupação Preta acontece no dia 26 de setembro, sábado, a partir das 15h, no Centro Cultural da Penha (Largo do Rosário, 20, zona leste da cidade) com ENTRADA FRANCA, o projeto traz um show com o grupo Ilê Aláfia e apresentações do Manifesto Crespo e projeto Penharol.
PROGRAMAÇÃO
15h- Encontros Crespas e Cacheadas
O Encontro de Crespas e Cacheadas surgiu quando Márcia Turbanista em 2013 começou a ministrar uma Oficina de Turbantes. O encontro tem como objetivo reunir pessoas com os mesmos ideais,afim de compartilhar suas dificuldades,dúvidas, experiências e conhecimentos com os que buscam assumir seu cabelo Crespo Natural.
15h40 Roda de Conversa
Cultura Negras: Entre trocas e apropriações culturais
Salloma Salomão
Músico, Performer e Historiador. Doutorado em História pela PUC São Paulo (2005). Pesquisador associado do ICS- UL PT ( Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa). Tem um projeto de pesquisa de pós-doutorado sobre cultura musical dos Águdás, junto ao Departamento de pós graduação em História da USP. Atualmente professor de História da África e Diáspora Negra no Centro Universitário Fundação Santo André e é Consultor da Secretaria de Educação do Município de São Paulo. Tem experiência em produção e gestão cultural, formação acadêmica e continuada de professores na área de História, com ênfase em História do Brasil Império e República atuando principalmente nos seguintes temas: cultura musical, lutas pela liberdade, práticas culturais negras no século XIX e XX, identidades étnicas e movimentos negros urbanos, sociabilidades negras em São Paulo e musicalidades africanas.
Renata Felinto
Renata Felinto é doutoranda e mestra em artes visuais, bacharel em artes plásticas pelo IA/UNESP. Especialista em Curadoria em museus de arte pelo MAC/USP e artista visual, pesquisadora. Fundadora da Cubo Preto empresa que vem atuando nas áreas de artes visuais, história e cultura afro-brasileira de 2006.
Pedro Neto
Pedro Neto é Cientista Social PUC-SP, Pesquisador em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras. Desde 2000 é membro do Núcleo de Relações Raciais, Memória, Identidade e Imaginário do PEPG-PUC-SP, Membro Titular do primeiro Colegiado Setorial de Culturas Afro-Brasileiras do Conselho Nacional de Politica Cultural do Ministério da Cultura. Diretor de Projetos da Campomare Produções, Diretor do Fórum para as Culturas Populares e Tradicionais.
17h40 – Manisfesto Crespo
O Manifesto Crespo, grupo formado por jovens mulheres negras, nasceu a partir de discussões sobre as diversas questões do universo da cultura afrobrasileira. Principalmente o cabelo crespo, suas produções artísticas e estéticas, buscando reconhecer seu valor e fortalecer a memória e a autoestima de mulheres negras, numa luta pelo resgate das nossas origens – uma vez que o Brasil conta com a maior população originária da diáspora africana.
18h – Penharol
O Projeto Penharol Rap-a-Dub teve início nas festas organizadas por antigos amigos do bairro da Penha-SP, tudo por simples diversão, sempre com muita música. Apoiam a cultura gratuita de rua, levando uma música de qualidade e abrindo espaço para novos artistas mostrarem seu trabalho. Discotecagem Rap, Reggae com shows ao vivo. Penharol é um coletivo de moradores da Zona Leste, frequentadores, Mc’s, Dj’s & Skatistas. Nessa edição terão uma batalha de MC´s. O ganhador terá uma música gravada e mixada.
20h – Show Ilê Aláfia
O grupo de Maracatu formado inicialmente por crianças e adolescentes de 07 a 17 anos, conquistou os moradores e frequentadores do bairro do Jabaquara, com o balanço da música e da dança afrobrasileira. Hoje, o Ilê Aláfia, que em yorubá significa “Casa da Felicidade”, está aberto para a comunidade em geral. O projeto já abriu portas para o mercado de trabalho a integrantes e, atualmente, jovens desenvolvem atividades remuneradas, realizando oficinas de percussão e dança de ritmos brasileiros, inclusive foram contemplados pelo Programa VAI em 2012 e 2013 com o projeto Corte de Erês, formação de cortes de maracatu em escolas e ONGs do Jabaquara. Hoje o grupo tem 60 integrantes, distribuídos por alas, que estão divididas em corte real, baianas e percussão jovem e mirim. A cada dois anos é realizada a Troca de Coroas da Corte do Maracatu, festa em que o grupo elege o Rei, a Rainha e a Dama do Paço. Todo evento conta com apoio da comunidade que participa desde a fase de pesquisas até a confecção de adereços e manutenção dos instrumentos como alfaias, caixa e agbês. _____________________________________________________________________
OCUPAÇÃO PRETA
Quando: dia 26 de setembro de 2015, a partir das 15h00
Onde: Centro Cultural da Penha (Largo do Rosário, 20, – ZL – São Paulo)
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