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Mostra Internacional de Cinema Negro chega em sua 10ª edição

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Com homenagem ao cineasta Haroldo Costa, a Mostra Internacional de Cinema Negro chega a sua 10ª edição.  O evento conta com a curadoria do antropólogo e cineasta Celso Prudente, com assistência do engenheiro Paulo Rufino.

A mostra começa hoje, 25 de novembro, com uma cerimônia de abertura no Memorial da América Latina ( há a necessidade prévia de cadastramento para participar). Do dia 27 a 30 de novembro haverá a exibição gratuita de curtas e longas que mostram a contribuição do negro na sociedade. De acordo com os produtores, os filmes escolhidos mostram o negro de forma positiva, fugindo dos estereótipos e imagens depreciativas.

Carlinhos Brown em cena do filme "Olho de Boi" que faz parte da Mostra
Carlinhos Brown em cena do filme “Olho de Boi” que faz parte da Mostra

 Confira a programação:

Dia 25 de Novembro às 19h00

Cerimônia de Abertura na Biblioteca do Memorial da América Latina – sujeito à convite entre em contato  credenciamento.

 26 de Novembro às 19h00

1) Olho de Boi – Curta Metragem

2) Kilburn Grange Park – O Parque de Kilburn – curta metragem

Debate com os diretores de cinema após a exibição dos filmes

Local: BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA

Rua Henrique Schaumann, 777 – Pinheiros – São Paulo

27 de Novembro às 14h00

1) Iemanjá  – curta Metragem

2) Marighella – longa metragem

Debate com os diretores de cinema após a exibição dos filmes

Local: BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA

Rua Henrique Schaumann, 777 – Pinheiros – São Paulo

29 de Novembro às 19h00

1) Martin Luther King (Kinect) – O retumbar de um novo sentido – curta metragem

2) Os pombos de Londres – London Pigeon

Debate com os diretores de cinema após a exibição dos filmes

Local: BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA

Rua Henrique Schaumann, 777 – Pinheiros – São Paulo

 Dia 30 de Novembro às 14h00 – Casa Pau Brasil

1) Martin Luther King – O retumbar de um novo sentido – curta metragem

2) Voice of Black Opera – Vozes da ópera negra curta metragem

3) Iemanjá  – curta metragem

Debate com os diretores de cinema  e desfile de moda afro após a exibição dos filmes

Local: Casa Pau Brasil

Endereço: Rua Fidalga, 403 – Vila Madalena – SP

 http://www.casapaubrasil.com.br

 Mais informações:

Site oficial
Facebook

Deuses de Dois Mundos, a mitologia dos orixás no livro de PJ Pereira

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Dois mundos em paralelo. Na terra o ambicioso New Fernandes  se envereda pela carreira jornalística e encontra, por meio de um caso de sabotagem industrial, o caminho para subir na carreira.  Enquanto isso no mundo dos orixás, Orunmilá , o maior adivinho de todos os tempos, vê os búzios,  seus instrumentos que possibilitam  previsões e revelações,  se calarem.

 

Por Silvia Nascimento – “O Livro do Silêncio”, de PJ Pereira, publicitário brasileiro dono da bem sucedida agência Pereira & O’Dell, sediada nos EUA,  é o primeiro da trilogia “Deuses de Dois Mundo”. A obra, que é lançada amanhã, 25 de novembro,  é um romance onde os orixás, os deuses da mitologia africana, aparecem como personagens. PJ ressalta que não se trata de um livro sobre religião.  “Não acredito que seja real aos aspectos religiosos. Até porque conheço pouco sobre os rituais. O que meus amigos do santo, especialmente do Gantois, em Salvador, fizeram, foi me apresentar às lendas, e esse é o material que usei”, explica PJ, que é filho de Oxossi, apesar de não ter sido iniciado no candomblé.

O livro tem trailer produzido pela Laundry Design, de Los Angeles, com trilha sonora de Otto e Pupillo (Nação Zumbi), participação especial de Andreas Kisser (Sepultura) e narração de Gilberto Gil. Os direitos da trilogia já foram vendidos para cinema, TV e quadrinhos.

httpv://www.youtube.com/watch?v=GNAWuAlQKqE

Confira a entrevista exclusiva do autor  PJ Peireira ao site Mundo Negro.

Mundo Negro-  PJ de onde surgiu seu interesse pelo candomblé?
PJ Pereira –  Eu cresci no Rio, classe média, Zona Sul. Tudo em volta de mim dizia que “macumba” era coisa de se ter medo. Quando fui morar em São Paulo, conheci um baiano muito bacana e fui saber que ele era do candomblé. Fiquei impressionado como uma pessoa tão boa poderia fazer parte de algo que eu achava tão ruim, então pedi para ele me explicar, me contar, me mostrar. Meu contato então saiu do choque do meu preconceito com a bondade do povo de santo.

MN- Há outros aspectos da cultura negra com que você identifique?
PJ – Como parte desse processo de pesquisa eu fiquei fascinado pela estética africana de um modo geral, mas especialmente as máscaras Gueledé, que comecei a usar como tema das minhas pinturas. Expus algumas delas em vários países.

E como praticante de artes marciais, sempre fui fascinado por capoeira. Que só não aprendi por falta de vergonha e excesso de barriga.

MN- Como você acha que o livro será recebido pelos praticantes do candomblé?
PJ – Essa pergunta é difícil. Porque é uma das minhas maiores ansiedades. Escrevi essa história porque depois que conheci melhor essa mitologia achei que outras pessoas como eu deveriam ter acesso a ela, antes de formarem uma opinião sobre ela ser “coisa do diabo”, sabe? Então meu objetivo nunca foi necessariamente agradar o povo de santo, nem trazer mais seguidores, mas sim fazer com que o resto do mundo respeite essa cultura do mesmo jeito que respeitam as lendas de Zeus ou de Thor. O que torna isso mais complicado é que as lendas dos orixás são complexas, e os “personagens” não são bonzinhos o tempo todo como se espera de um santo católico, então acho que pode ter gente que vai ter mais preconceito ainda. Mas acho que vai ter quem passe a gostar e respeitar também. O que disse aos meus amigos do santo é que espero que esse livro traga mais bem que mal às religiões de origem africana.

MN -A narrativa é leal aos aspectos reais do candomblé?
PJ – Não acredito que seja real aos aspectos religiosos. Até porque conheço pouco sobre os rituais. O que meus amigos do santo, especialmente do Gantois, em Salvador, fizeram, foi me apresentar às lendas, e esse é o material que usei. O mitológico, não o ritual. Então peguei alguns dos mitos que mais gosto e usei em momentos especiais da trama, mas entre eles, há vários momentos saídos da minha cabeça. O professor Reginaldo Prandi, da USP, autor do Mitologia dos Orixás, me disse que o que eu fiz poderia ter sido um desastre como aquele que separou o Orum e o Aiê, mas que a história ficou surpreendentemente forte e respeitosa da essência dos personagens dessa mitologia.

 

Pé na África: Arte e reflexão fechando a semana da consciência negra em São Paulo

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O mês da Consciência Negra está quase no fim e a última “Pílula de Cultura Feira Preta “acontece neste domingo. O evento é gratuito e acontece todos os meses, mas este edição será especial por conta da participação do cantor e ator Bukassa Kabengele, idealizador da festa Pé na África que é o tema do evento.

Quem for por lá poderá aprender mais sobre África, onde serão apresentados aspectos positivos da cultura do continente. Para tanto haverá a roda de conversa: “Qual a importância do reconhecimento da africanidade na cultura brasileira”,  a exposição “Olhar Negro”, de Vera Rocha Vidal, apresentação de Dança Afro com Vanessa Soares e show de Bukassa Kabengele acompanhado da Banda Booka Mutoto.

Serviço:

Pílula de Cultura Feira Preta – Festa Pé na África

Dia 24 de novembro de 2013, a partir das 16h

Centro Cultural São Paulo – R. Vergueiro 1000 – Sala Adoniran Barbosa

Entrada Franca

Os Mendonças

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“Por que você escreve essas coisas de preto?”

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Foto: SeCom Bahia

Recentemente, me perguntaram por que escrevo essas “coisas de preto”. Não foi só uma vez.

Foto: SeCom Bahia
Foto: SeCom Bahia

Por Higor Faria*

Poderia dizer que escrevo “coisas de preto” porque sou preto, ou porque quero afirmar e externalizar a minha identidade. Assim como seria possível dizer que escrevo a fim de encontrar, por meio das “coisas de preto”, outros pretos — inserção, acolhimento e proteção. Posso também afirmar que escrevo para que outros pretos se projetem e encontrem pares de vivências. Tudo isso é motivação e não deixa de ser verdade.

E mais. É válido falar que escrevo “coisas de preto” para denunciar tanto o genocídio da nossa juventude negra quanto a falta de oportunidade e os obstáculos impostos especificamente aos negros quando se fala em escolaridade e mercado de trabalho. Ou ainda para derrubar padrões que excluem o corpo negro ou que o coisificam por meio da hipersexualização. Escrevo “coisas de preto” por isso também, não é mentira.

Escrevo “coisas de preto” por querer ser um contador de histórias. E quero também contar a nossa história, como muitos outros negros já fazem há mais tempo e melhor que eu. O protagonismo me impulsiona: preto contando nossas “coisas de preto”.

Tô cansado de não negros dizendo como devemos ser,pensar e agir. De forma geral, isso só resultou em exclusão, em marginalização, em estigmatização e em genocídio de quem é preto. Existem as exceções. Existem, mas, por mais que haja um nível de empatia transcendental, o branco nunca vai dar de cara com os mesmos obstáculos, quem dirá ter que superá-los. Aliados são mais que bem-vindos. A luta precisa de vocês. Mas o protagonismo é nosso, é preto.

É tempo de nossa voz ser ouvida e respeitada. Há um pensamento coletivo de que nós, pretos, somos radicais quando falamos de racismo, enquanto brancos são sensatos falando do mesmo assunto com as mesmas palavras. Escrevo para acabar com essa lucidez seletiva que legitima só o outro, o não preto, para contar as nossas “coisas de preto”.

Tem quem cante, tem quem atue, tem quem produz, tem quem legisla, e tem quem debate “coisas de preto”. Eu escrevo. É a arma que possuo. Posso até não manejá-la da melhor forma — ainda. Tenho noção que o aprendizado é constante e a vontade de acertar o alvo é grande. E também é por isso que escrevo essas “coisas de preto”.

Sigo com o racismo na mira: uma hora ele não escapa!

Higor Faria é preto, publicitário, estuda masculinidade negra e escreve no https://medium.com/@higorfaria

20 de novembro e a luta incessante pela descolonização

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Por Júlio Evangelista Santos Júnior*

Costumo dizer em minhas andanças que somos um povo de mente colonizada e subconsciente racista parafraseando J. Martiniano Silva em seu livro Racismo à Brasileira, ao qual recomendo aos colegas leitores. Em um país com mais de 350 anos de escravização de povos africanos e seus descendentes transladados para o Brasil de forma desumanizada e opressora, que em 2013 completou 125 anos de uma abolição inconclusa e sem as devidas reparações, com 25 anos de uma Constituição Cidadã inconstitucionalmente descumprida pelos brasileiros e seus representantes republicana e democraticamente eleitos, os 318 anos da morte de Zumbi e conseqüente declínio de Palmares não comovem e nem alteram o modus operandi de um Estado baseado na desigualdade e violação de direitos humanos básicos própria de um modelo hegemônico e racista de desenvolvimento.

Zumbi dos Palmares - Herói Negro da Nova Consciência Nacional
Zumbi dos Palmares – Herói Negro da Nova Consciência Nacional

Costumo dizer também neste dia, e em todos os outros diga-se de passagem, que a hipocrisia do cidadão brasileiro é tão sofisticada e irônica que faz do ‘racismo à brasileira’ o pior tipo de racismo existente no mundo, pois traz o raciocínio defensivo como arma de desincompatibilização do racismo de si próprio, ou seja, ‘eu não sou racista’, mas a sociedade é, eu não discrimino, mas a sociedade sim.

Enfim, é 20 de novembro, dia em que incontáveis e incontestáveis ativistas escrevem e bradam nas redes sociais, e pelas ruas do país, por igualdade e fim do racismo e que os não menos incontáveis, mas contestáveis, ‘cidadãos de bem e de todas as cores’ bradam que ‘somos todos iguais’ e que só existe a raça humana, o que nos remete a pensar o porquê de tanta resistência a um dia em que enaltecemos a nossa resistência a um processo de desumanização que já dura 513 anos. É inegável a ampliação das formas de organização e de luta do movimento negro e antirracista, ao qual agradeço constantemente pela minha formação e sobriedade, como também é inegável a aprovação de leis em favor da igualdade racial e de iniciativas governamentais nesse sentido, porém nada disso surtirá efeito se a mente colonizada e o subconsciente racista continuarem moldando os comportamentos humanos de forma a degradar incessantemente uma parcela significativa da população que sempre foi a ‘maioria minorizada’ e invisibilizada deste país. Essa mente colonizada produz fenômenos que substituíram a forma escravocrata de extermínio da população negra no Brasil a partir de, e desde, 1888 e que devem ser combatidos com toda a desenvoltura e resistência possíveis. Somente políticas públicas não serão suficientes nesse processo que invisibiliza o feminicídio, desdenha da luta quilombola, amplia o genocídio da juventude negra, demoniza as religiões de matriz africana, desqualifica e macula as iniciativas afirmativas de promoção da igualdade racial e de enfrentamento ao racismo e ainda confere legitimidade a um racismo institucional cada vez mais poderoso e ingrato diante das relevantes contribuições do povo negro no processo de formação nacional.

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Quilombo Kalunga, Comunidade Vão das Almas. Na foto, a senhora Deuanir Francisco da Conceição, 39 anos, com a família – Foto Agência Brasil

Pela efetiva implementação das ações afirmativas, pela aprovação imediata de cotas no serviço público em todos os entes federativos, pela criação onde ainda não existam de órgãos municipais e estaduais de promoção da igualdade racial, por um feriado nacional da Consciência Negra (projeto de lei que está engavetado no Congresso), pela ampliação do debate por um Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (que já está em construção e precisa de maior participação popular), pelo empoderamento da população sobre o Estatuto da Igualdade Racial, por mais representantes negros nos espaços políticos e em todos os espaços democráticos!

Axé Zumbi, axé Dandara!

*Júlio Evangelista Santos Júnior, também conhecido por Tumbi Are Nagô de Oyò, é militante e ativista do movimento negro, coordenador da Regional Baixada Santista do Projeto Educafro, poeta, angoleiro, Tecnólogo em informática com ênfase em gestão de negócios, advogado, pós-graduando em direito constitucional aplicado e gestor público municipal de promoção de igualdade racial e étnica na Prefeitura de Cubatão/SP

“Oba, a escravidão voltou!” O artista Jairo Peireira encara o racismo durante performance na rua

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Olhares tortos, sorriso de desprezo, frases racistas e muito deboche aqui e a acolá enquanto o número de viaturas policiais só aumentava. Este foi o ambiente onde o cantor, ator e vlogger do Diário Preto, Jairo Pereira encarou durante a performance da obra “Os Mendonças”, parte do projeto “Ainda estamos vivos”, no último sábado (16). A escolha da Oscar Freire, não foi por acaso, por ser a rua que abriga as lojas mais caras do mundo.

Fotos: Roberto Ventura

Por Silvia Nascimento – Inicialmente caminhando com um terno, Jairo foi seguido pelos Mendonças, representados por cinco atores vestindo máscaras confeccionadas pela marionetista e atriz Juliana Notari, que tiveram o rosto do ator como molde. “ Fiz as máscaras com o rosto do Jairo por motivos estéticos, para haver uma unidade”, explica a atriz. “Os Mendonças” representam o sistema de opressão que barra o desenvolvimento dos negros no Brasil. “Escolhemos este nome, por ser um nome muito comum entre os bandeirantes, familias aristocráticas brasileiras e ruralistas”, explica Jairo.

Ao andar em meio a olhares perplexos de quem andava pela rua sofisticada, Jairo é atacado e despido pelos Mendonças, sempre de olhos vendados, até ser banhado de sangue.

Tensão e racismo na Oscar Freire

“Escutei uma pessoa dizendo que Jairo estava tendo o que merecia”, relata Juliana que ficou impressionada com os burburinhos repletos de racismo e preconceito que ela ouviu enquanto o grupo de artistas atuava pelos quarteirões da Oscar Freire.

Ódio e tristeza tomaram Jairo ao constatar o que no fundo ela já previa que aconteceria. “Uma senhora olhou para mim e disse: oba, a escravidão voltou! Foram muitos olhares de desprezo e o número de viaturas de polícia que já é acima da média na Oscar Freire, aumentou enquanto a gente atuava, mas os policiais nem fizeram nada, porque no fundo sabiam do que se tratava e eu os encarei bem de frente”, descreve o ator que acredita que se não fosse a presença das câmeras ele corria um risco real de ser agredido mais do que verbalmente.

Vídeo com a perfomance será lançado no Dia da Consciência Negra

A obra “Os Mendoças” será divulgada exclusivamente no canal Diário Preto, no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. De acordo com o Jairo, essa parceria com a artista Juliana Notari vai continuar e novos atos acontecerão ainda este ano. A perfomance é aberto à participação do público em geral.

Canal do Diário Preto no Youtube
Diário Preto no Facebook.

 

Caso Danilo Gentili : justiça ignora denúncia de vítima de racismo

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“Faz um ano que vivo esse inferno. Descobriram o telefone da minha casa e até o nome da minha esposa”, relata Thiago Ribeiro, o tradutor paulistano que virou alvo de um linchamento virtual ao dizer que denunciaria a Band e o comediante Danilo Gentilli ao Ministério Público por incitação ao racismo em TV aberta, crime previsto no artigo 20º da  Lei Federal nº 7.716/1989. .

Por Silvia Nascimento – No final do mês de Outubro de 2012,  o tradutor Thiago Ribeiro resolveu se manifestar contra as piadas racistas feitas por Gentili em seu programa “Agora é tarde”, veiculado pela Band. Uma piada que associava jogadores de futebol à macacos fez com que o tradutor entrasse em contato com a emissora para obter os dados necessários para a formalização de um denúncia de racismo junto ao Ministério Público. Ao saber das intenções de Thiago, o comediante usou seu Twitter para dar a resposta perguntando “Quantas bananas você quer para deixar essa história para lá”. Gentili rapidamente apagou a mensagem, mas Thiago já tinha tudo gravado, inclusive a enxurrada de ataques racistas que se seguiram e que o fez passar noite acordado para “printar” tudo o que estava acontecendo.

O advogado de Gentilli tentou um acordo com Thiago, mas o tradutor seguiu com as denúncias e as encaminhou a vários órgãos de combate ao racismo.

Morosidade da justiça e descaso do movimento negro

Delegacia de combate a crimes raciais e de intolerância (Decradi), SOS RACISMO, SEPPIR, Conselho da Comunidade negra, OAB SP, Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e Ministério Público foram os órgãos onde Thiago, formalizou a denúncia contra Gentilli. “Tive apenas a ajuda Secretaria de Justiça para fazer o boletim de ocorrência e foi isso. Até agora não tive nenhum retorno sobre a minha denúncia ”, detalha Ribeiro.

Nenhuma entidade do movimento negro ofereceu assessoria jurídica a Thiago, mesmo com toda a repercussão pela Internet e as indiretas que o comediante continuou a fazer em seu programa. “Ele chegou a citar meu nome uma vez, mas logo após minha denúncia, ele fazia várias indiretas que eram sobre mim”, relata o tradutor.

O maior desgosto de Thiago, além da demora em uma resposta por parte dos órgãos competentes, foi a falta de mobilização por parte das entidades do movimento negro.

“Essa semana mesmo, voltei a encaminhar e-mails para entidades com vários links mostrando os ataques que sofri, e não tive nenhuma retorno”, desabafa. Ele agora considera levar o caso a órgãos internacionais por não ter tido uma resposta do governo brasileiro.

 Ataques pelo Twitter ainda persistem

Em função da repercussão de uma reportagem antiga referente ao caso republicada  há poucos dias pela Internet, os ataques contra Thiago pelas redes sociais, que na verdade nunca cessaram, se intensificaram.

“Há pessoas dizem que quero aparecer ou  tirar dinheiro do Gentilli”, explica Ribeiro que ainda relata que sente mais solidariedade por parte dos brancos que os seguem no Twitter do que pelos negros, que o acusam de estar sendo “racista e exagerado”, por não terem se sentido ofendidos com as piadas.

Mesmo com o descaso da justiça brasileira e o desamparo das entidades negra, Thiago não desiste. Ele ainda espera resposta dos órgãos onde ele encaminhou a denúncia e as provas e estuda agora mover uma ação também por danos morais contra o comediante. “Danilo Gentili incitou o ódios dos seus fãs que vieram me atacar e eu tive minha vida invadida. Mesmo que eu tenha que procurar ajuda lá fora, eu não vou desistir”, finaliza Ribeiro.

 

 

10 filmes para refletir sobre consciência negra

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Além dos livros, filmes são uma ótima maneira de saber mais sobre História. Nesta semana da consciência negra, selecionamos 10 filmes que te farão refletir sobre a situação dos negros no Brasil e no mundo.

1. Faça a Coisa Certa

Spike Lee – 1989

 httpv://www.youtube.com/watch?v=muc7xqdHudI

Sal (Danny Aiello), um ítalo-americano, é dono de uma pizzaria em Bedford-Stuyvesant, Brooklyn. Com predominância de negros e latinos, é uma das áreas mais pobres de Nova York. Ele é um cara boa praça, que comanda a pizzaria juntamente com Vito (Richard Edson) e Pino (John Turturro), seus filhos, além de ser ajudado por Mookie (Spike Lee). Sal decora seu estabelecimento com fotografias de ídolos ítalo-americanos dos esportes e do cinema, o que desagrada sua freguesia. No dia mais quente do ano, Buggin’ Out (Giancarlo Esposito), o ativista local, vai até lá para comer uma fatia de pizza e reclama por não existirem negros na “Parede da Fama”. Este incidente trivial é o ponto de partida para um efeito dominó, que não terminará bem.

 

2. Conduzindo Miss Daisy

Bruce Beresford – 1989

 httpv://www.youtube.com/watch?v=hlMSj5rv3Ok

Atlanta, 1948; Uma rica judia de 72 anos (Jessica Tandy) joga acidentalmente seu Packard novo em folha no jardim premiado do seu vizinho. O filho (Dan Aykroyd) dela tenta convencê-la de que seria o ideal ela ter um motorista, mas ela resiste a esta idéia. Mesmo assim o filho contrata um afro-americano (Morgan Freeman) como motorista. Inicialmente ela recusa ser conduzida por este novo empregado, mas gradativamente ele quebra as barreiras sociais, culturais e raciais que existem entre eles, crescendo entre os dois uma amizade que atravessaria duas décadas.

3. A Outra História Americana
Tony Kaye – 1998

 httpv://www.youtube.com/watch?v=715wjoUMrro

Um dos melhores filmes sobre o tema racial da década de 1990, não poupa o espectador da violência e do ódio ao mostrar os crimes de uma gangue racista de skin heads, formada por integrantes neonazistas, nos Estados Unidos. O filme tem o poder de mostrar como o ódio racial acaba com a vida tanto de agressores quanto de agredidos, e é contundente, principalmente pela mensagem e pela ótima interpretação de Edward Norton.

4. Amistad
Steven Spielberg – 1998

 httpv://www.youtube.com/watch?v=BJFDOvGMD0U

Baseado em um evento real, este filme relata a incrível história de um grupo de escravos africanos que se rebela e se apodera do controle do navio que os transporta e tenta retornar à sua terra de origem. Quando o navio, La Amistad, é aprisionado, esses escravos são levados para os Estados Unidos, onde são acusados de assassinato e são jogados em uma prisão à espera do seu destino. Uma empolgante batalha se inicia, o que capta o interesse de toda a nação e confronta os alicerces do sistema judiciário norte-americano. Entretanto, para os homens e mulheres sendo julgados, trata-se simplesmente de uma luta pelos diretos básicos de toda a humanidade: a liberdade.

 5. A Negação do Brasil

Joel Zito Araújo – 2001

 httpv://www.youtube.com/watch?v=gVnxFvMaLSw

O documentário é uma viagem na história da telenovela no Brasil e particularmente uma análise do papel nelas atribuído aos atores negros, que sempre representam personagens mais estereotipados e negativos. Baseado em suas memórias e em fortes evidências de pesquisas, o diretor aponta as influências das telenovelas nos processos de identidade étnica dos afro-brasileiros e faz um manifesto pela incorporação positiva do negro nas imagens televisivas do país.

 6. Quanto Vale Ou É Por Quilo?
Sergio Bianchi – 2005

 httpv://www.youtube.com/watch?v=pRjhvfQtGig

Adaptação livre do diretor Sérgio Bianchi para o conto “Pai contra Mãe”, de Machado de Assis, Quanto Vale ou É Por Quilo? desenha um painel de duas épocas aparentemente distintas, mas, no fundo, semelhantes na manutenção de uma perversa dinâmica sócio-econômica, embalada pela corrupção impune, pela violência e pelas enormes diferenças sociais. No século XVIII, época da escravidão explícita, os capitães do mato caçavam negros para vendê-los aos senhores de terra com um único objetivo: o lucro. Nos dias atuais, o chamado Terceiro Setor explora a miséria, preenchendo a ausência do Estado em atividades assistenciais, que na verdade também são fontes de muito lucro. Com humor afinado e um elenco poucas vezes reunido pelo cinema nacional, Quanto Vale ou É Por Quilo? mostra que o tempo passa e nada muda. O Brasil é um país em permanente crise de valores.

 7. Agosto Negro
Samm Styles – 2007

httpv://www.youtube.com/watch?v=GKlWELvdU2E

A curta vida do ativista condenado George Lester Jackson (Gary Dourdan, da série CSI) se torna o estopim para uma revolução, dando início a mais sangrenta rebelião ocorrida em toda a história do presídio de San Quentin. Agosto Negro narra a jornada espiritual e a violenta fé de Jackson, desde sua condenação por roubar 71 dólares de um posto de gasolina até galvanizar a Família Black Guerrilla com seu incendiário livro, criado a partir de cartas, Soledad Brother, ou espalhar ferocidade nos corredores de San Quentin em um dia de agosto, quando seu irmão mais novo, Jonathan, chocou o país ao fazer refém toda uma corte de justiça na Califórnia, em protesto pelo julgamento de Jackson. Para o militante George Jackson, a revolução não era uma escolha, mas uma necessidade.

8. Besouro
João Daniel Tikhomiroff – 2010

httpv://www.youtube.com/watch?v=aQzMmeLtfpk

Bahia, década de 20. No interior os negros continuavam sendo tratados como escravos, apesar da abolição da escravatura ter ocorrido décadas antes. Entre eles está Manoel (Aílton Carmo), que quando criança foi apresentado à capoeira pelo Mestre Alípio (Macalé). O tutor tentou ensiná-lo não apenas os golpes da capoeira, mas também as virtudes da concentração e da justiça. A escolha pelo nome Besouro foi devido à identificação que Manuel teve com o inseto, que segundo suas características não deveria voar. Ao crescer Besouro recebe a função de defender seu povo, combatendo a opressão e o preconceito existentes.

9. Bróder
Jeferson De – 2011

                                                    httpv://www.youtube.com/watch?v=yZKamCn78DA

Capão Redondo, bairro de São Paulo. Macu (Caio Blat), Jaiminho (Jonathan Haagensen) e Pibe (Sílvio Guindane) são amigos desde a infância e seguiram caminhos distintos ao crescer. Jaiminho tornou-se jogador de futebol, alcançando a fama. Pibe vive com Cláudia e tem um filho com ela, precisando trabalhar muito para pagar as contas de casa. Já Macu entrou para o mundo do crime e está envolvido com os preparativos de um sequestro. Uma festa surpresa organizada por dona Sonia (Cássia Kiss), mãe de Macu, faz com que os três amigos se reencontrem. Em meio à alegria pelo reencontro, a sombra do mundo do crime ameaça a amizade do trio.

 10. Histórias Cruzadas
Tate Taylor – 2012

httpv://www.youtube.com/watch?v=8uHX0_atXN0 

Jackson, pequena cidade no estado do Mississipi, anos 60. Skeeter (Emma Stone) é uma garota da sociedade que retorna determinada a se tornar escritora. Ela começa a entrevistar as mulheres negras da cidade, que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite branca, da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen Clark (Viola Davis), a emprega da melhor amiga de Skeeter, é a primeira a conceder uma entrevista, o que desagrada a sociedade como um todo. Apesar das críticas, Skeeter e Aibileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem novas adesões.

Com informações da Biblioteca da Universidade Federal de São Paulo

 

 

10ª Marcha da Consciência Negra em São Paulo

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A Marcha da Consciência Negra em São Paulo comemora 10 anos este ano, tornando-se um dos mais tradicionais eventos políticos da cidade.  Organizado por entidades do movimento negro, esta edição  que acontece no 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, será dividida em 10 blocos temáticos que destacarão temas como violência, cotas, religião, mulheres negras e LGBTT.

Trajeto da marcha

– às 11h: concentração no vão livre do MASP, com atividades culturais
– às 13h: Culto inter-religioso + Ato político
– às 14h:30 início da Marcha que caminha pela AV.Paulista – Consolação
– às 16h chegada no Teatro Municipal
– às 17h: Ato político + encerramento.

Serviço:
10ª Marcha da Consciência Negra
20 de novembro a partir das 11h
Ponto de encontro: Vão Livre do MASP
Mais informações via Facebook: https://www.facebook.com/consciencianegrasp?fref=ts

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