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“Fim de Semana em Família” é marcado por oficinas, contação de história afro-brasileiras e lançamento de livro infantil

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Foto: Reprodução - Imagem Ilustrativa

No mês de férias, o Fim de Semana em Família, no Itaú Cultural, em São Paulo, oferece uma programação ótima para quem não vai viajar. Nos dias 7 e 8 de julho, às 14h, tem a oficina de música “Roda, roda, roda“, ministrada pelo grupo CantaVento, que entre cantos, percussão corporal e brincadeiras cantadas, junto com as crianças exploram elementos sonoros para a pratica musical cotidiana. O repertório é composto de canções do Brasil e do mundo, do passado e do presente.

Logo após, às 16h, o mesmo grupo apresenta o espetáculo Brincantorias. Em uma viagem pelos sertões do Brasil e outros cantos do mundo, eles levam para o palco do Itaú Cultural a cultura popular. O repertório apresenta Balagulá, de Venâncio e Corumba e “Meninos”, de Juraildes da Cruz, entre outras canções aprendidas na tradição oral.

Cantinho da Leitura e a Feirinha de Troca

O Cantinho da Leitura e a Feirinha de Troca estarão abertos ao público a partir das 11h. Na Feirinha, as crianças poderão trocar uma obra infantojuvenil por outra, escolhida entre os materiais disponibilizados pelo instituto.

Estão disponíveis 30 publicações do acervo infantojuvenil da biblioteca do Itaú Cultural, no Cantinho da Leitura. Neste mês de julho a homenageada é a autora Janine Rodrigues Nascimento, que irá lançar neste fim de semana “Nuang: caminhos da liberdade“, com ilustrações de Luciana Nabuco. Essa é a quinta obra da autora e fala sobre os “Uthando“, povo conhecido pela sabedoria, a honra de suas palavras e a beleza negra.

A narrativa conta a história da personagem Nuang, uma Uthando alegre e talentosa, que gostava de deitar no colo de sua avó e ouvir histórias, mas um terrível acontecimento mudou o percurso de seu caminho. É a fé em Nzambi (ancestralidade cultuada no candomblé de seguimento Angola), a força da memória, a união e a confiança que darão força para a menina e seu povo reconquistarem a liberdade.

Ao meio dia, do sábado e domingo, para celebrar o lançamento do livro, acontece também uma sessão de contação de histórias, que propõe uma viagem pelos contos africanos, tão presentes na cultura brasileira. Após a atividade, a autora fica à disposição do público-mirim e de seus acompanhantes para conversar, tirar fotos e dar autógrafos.

A entrada é livre. O Itaú Cultural fica na Avenida Paulista, n° 149, Estação Brigadeiro do Metrô. Para mais informações, acesse: www.itaucultural.org.br.

Youtuber Nathália Braga lança série de entrevistas sobre pensamentos de mulheres negras

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Com a chegada do mês de julho, conhecido como Mês da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha, comemorado especificamente no dia 25, desde 1992, a youtuber e estudante de jornalismo, Nathália Braga, de 21 anos, vai publicar uma série de entrevistas intitulada Duafe. Portando apenas um smartphone e um gravador de voz, a websérie apresenta quatro brasileiras e o que pensam sobre temas como empreendedorismo, maternidade, autoestima e Academia.

Além do estímulo à diversidade, Nathália pretende incentivar pessoas a produzir conteúdo com equipamentos de baixo custo, como o celular. “É importante ceder o espaço do canal pra gente ouvir e aprender com outras narrativas de mulheres negras que falam por si e têm opiniões diferentes”, conta a estudante, que também já lançou uma websérie sobre autocuidado.

Inspirada no símbolo africano ‘Duafe’, que representa os valores e características femininas, a série terá episódios publicados a cada quinta-feira de julho, às 20h, no canal Nathália Braga.

Assista o trailer.

Cocielo e outros: Comunidade negra, a ofendida e menos ouvida, quer racistas banidos

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Uma conversa entre pessoas brancas, marcas, influenciadores, imprensa, debatendo como lidar em situações de racismo, sem dar voz para pessoas negras. Isso é o Brasil, em 2018.

Quando uma mensagem racista de alguém de relevância, mesmo que fabricada como do Júlio Cocielo, vem à tona, não é só o personagem mencionado, no caso o jogador francês Kylian Mbappé a vítima, e sim toda uma comunidade. O mexeu com um, mexeu com todos, vale para questões raciais também.

Reprodução Twitter

Cada manifestação online ou off-line relativas a esse caso, são de pessoas que se sentiram atingidas por aquele conteúdo e exigem justiça.

Se números são tão importantes, porque marcas e agências nunca se apegam aos números demográficos que apontam que a maior parte da população brasileira é negra e direcionam seu orçamento, mesmo que seja só a metade, a quem conversa com essa parcela da população?

“Naturalmente o ambiente discriminatório que acontece no mundo off-line, acaba levando esse comportamento também para o mundo digital. Por isso que negros, produtores de conteúdo, têm chances menores de serem seguidos por milhares de pessoas e ter seu conteúdo celebrado por muita gente na Internet” detalha Ale Santos, autor Indie de SCIFI & Fantasia Afro-americana, consultor de Gamificação e Griot Transmídia.

Ale Santos (Foto: Arquivo Pessoal)

A premissa que a população negra é a maioria, mas não consome, também é baseada em preconceito, não em dados. Os números mostram, que em 2017 a comunidade negra movimentou 1,5 trilhões de reais (Instituto Locomotiva).

E nada disso é novidade. São dados ignorados por pessoas que não querem potencializar projetos feitos pela comunidade negra. Eles querem uma mídia massivamente jovem, branca e de preferência da região Sudeste do país.

“Se as marcas realmente querem promover toda essa inovação que elas prometem que vão construir no mundo, se elas querem dar voz para as pessoas, elas têm que dar voz para quem está na base da pirâmide, para as pessoas que são excluídas, e olhar para os assuntos delas também, além de evitar que elas sejam oprimidas por quem está falando besteira”, alfineta Santos.

Twitter e Youtube deveriam banir Cocielo? Para os ofendidos, sim

Fizemos uma pesquisa no Stories do site Mundo Negro, no Instagram, perguntando se nossos leitores achavam que o caso do post racista era passível de banimento do Júlio Cocielo do Youtube. Das 900 pessoas que responderam à enquete, 96% acham que ele deveria ser expulso do da plataforma de vídeos.

“Nos casos explícitos de racismo como esse, as plataformas deveriam remover o perfil daquela pessoa, por que os prints comprovam. As marcas deveriam punir essas pessoas já que essas pessoas violaram os termos de uso, que é o de não usar linguagens racistas e discriminatórias. Se as pessoas denunciam, esses perfis têm que ser removidos”, defende Paulo Rogério Nunes, publicitário, especialista em diversidade e professor da Universidade Católica de Salvador.

Paulo Rogério Nunes (Foto: Arquivo Pessoal)

A Assessoria de Imprensa do Google, nos informou que a plataforma não irá se pronunciar sobre o caso, porque as manifestações racistas não foram feitas na plataforma. A empresa reforçou a importância da comunidade em denunciar o conteúdo inapropriado.

Outro caso de racismo disfarçado de piada veio de um dos humoristas mais preconceituosos do Brasil Danilo Gentilli.

No final do mês de Outubro de 2012,  o tradutor Thiago Ribeiro resolveu se manifestar contra as piadas racistas feitas por Gentili em seu programa “Agora é tarde”, veiculado pela Band. Uma piada que associava jogadores de futebol à macacos fez com que o tradutor entrasse em contato com a emissora para obter os dados necessários para a formalização de uma denúncia de racismo junto ao Ministério Público. Ao saber das intenções de Thiago, o comediante usou seu Twitter para dar a resposta perguntando “Quantas bananas você quer para deixar essa história para lá”. Em 2014, o apresentador da Band foi absolvido.

Legislação e termos de uso

“Não é permitido promover violência, ameaçar ou assediar outras pessoas com base em raça, etnia, nacionalidade, orientação sexual, sexo, identidade de gênero, religião, idade, deficiência ou doença grave”. Esses são alguns pontos dos termos de uso do Twitter. Se essas normas estivessem sendo praticadas, os perfis do Cocielo, do Biel, para citar os famosos que foram pegos em flagrantes, não deveriam mais estar no ar.

“Esse tipo de discurso que ele fez é racismo mesmo. Quando ele cita que uma determinada pessoa tem uma função na sociedade por conta da cor, ele está incidindo na lei do racismo aqui no Brasil, a 7716 de 1989, que é praticar ou induzir a discriminação ou o preconceito de raça, etnia, religião ou procedência nacional. Ele pode ser processado por isso. Já tivemos um caso de uma jovem que falou que nordestino não é gente e ela foi condenada a prestação de serviços à comunidade, pagamento de multa e indenização. Ele pode sofrer o mesmo processo e pena dessa jovem” esclarece Juliano Trevisan Advogado especialista em direito constitucional, Membro da Comissão de Igualdade Racial da OAB/PR e Youtuber no canal Escurecendo as Coisas.

Juliano Trevisan (Foto: Arquivo Pessoal)

Sobre banimento, Trevisan acha que seria mais complicado. “Acho que seria mais cabível uma publicação de retratação. Como penalidade o banimento é mais improvável, a não ser que ele tenha ferido os termos de uso  ou política de privacidade da plataforma. No Facebook isso é melhor explicado do que no Twitter, que na prática é uma rede mais livre e que não tem tanta privação. Caso ele não remova a postagem racista, caberia uma multa para cada dia que ele deixasse a publicação no ar”, finaliza o advogado.

O fim da era do silêncio

“A pessoa que é ofendida hoje, seja com qualquer piada, ela tem voz. Nesse caso do Cocielo, muitos outros ofendidos se manifestaram, inclusive os que têm uma certa voz, desde o Bruno Gagliasso que é um artista proeminente com milhões de seguidores à Youtuber Gabi Oliveira.” A análise é de Nadja Pereira, Analista de social data e pesquisadora. estudante de big data analysis na FIA Business School.

Nadja Pereira (Foto: Arquivo Pessoal)

“Os micro-influenciadores e os grandes influenciadores que têm simpatia com a causa da equidade racial, também se sentiram ofendidos com esse tipo de comentário e tomaram voz sobre isso. Por mais que para umas pessoas isso seja mimimi, significa que todos têm voz, é a democratização da informação no sentido antropológico mesmo”, complementa a pesquisadora.

Novamente no Twitter , alguns usuários resgataram postagens antigas do jornalista Ronald Rios, que tinham conteúdo racista.

Depois da confusão no seu perfil, ele correu para escrever um artigo no Médium onde disse.

 

“Mas nessa do  saci, meu bom, é sério, eu era só um cara branco idiota tentando ser preto porque pretos são legais. Há 10 anos. Hoje em dia eu sei o que sou. E eu não sou racista”, se defende o jornalista.

Dizer que não é racista, que errou, que tem bom coração, é um direito das pessoas, porém a Internet não é um espaço para amadores. Quando quem foi silenciado finalmente pode se expressar, um pedido de desculpas pode não ser mais o suficiente, até porque quando negro erra, a história é outra.

 

Bem feito: Racismo do Youtuber-Influenciador Júlio Cocielo espanta seus patrocinadores

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O youtuber Júlio Cocielo, anteriormente conhecido por seu jeito “engraçado” entre adolescentes, foi desmascarado no último dia 30, durante o jogo da França x Argentina, quando externou seu racismo em um tuit dizendo o seguinte: “Mbappé conseguiria fazer uns arrastão top na praia hein“.

O post se referia ao jogador francês, Kylian Mbappé, e causou alvoroço nas redes sociais. Logo as pessoas passaram a questionar Cocielo pelo que foi dito e ele alegou ser uma “piada”, relacionada a “velocidade” do jogador e não um comentário de cunho racista. Em seguida a polêmica, o youtuber apagou o tuit, mas foram descobertos outros.

Após ser desmascarado pelo público, Cocielo apagou mais de 50 mil tuits e usuários das redes sociais começaram a cobrar posicionamento das marcas que o apoiavam, como a Coca-Cola, Submarino e o Banco Itaú. Segundo o levantamento do Google, publicado pelo site Meio & Mensagem, o youtuber aparece entre as dez personalidades de vídeo que mais influenciam os jovens, junto a nomes como Flavia Calina, Felipe Castanhari e Felipe Neto.

Em nota enviada ao Meio & Mensagem, a Coca-Cola, que teve Cocielo como garoto-propaganda nas Olimpíadas de 2016, afirmou que não possui mais nenhuma ligação com o youtuber e que não tem planos para qualquer futura parceria. “O respeito à diversidade é um dos principais valores da nossa companhia, em nossas campanhas celebramos as diferenças e promovemos a união. Manifestações preconceituosas não são toleradas. Repudiamos qualquer forma de racismo, machismo, misoginia ou homofobia”, diz a nota.

O Itaú afirmou em comunicado que “repudia toda e qualquer forma de discriminação e preconceito. Esperamos que o respeito à diversidade sempre prevaleça”. O banco exibiu até o sábado, 30, um vídeo para a Copa que aparecia Cocielo, que já foi substituído.

Em entrevista ao site, Meio & Mensagem, Danilo Strano, diretor de planejamento da plataforma de marketing de influência Tubelab, explica que o caso traz aprendizados na relação entre marcas e influenciadores e que é importante a percepção enquanto figuras públicas, que devem filtrar os comentários referentes a qualquer assunto.

“Esse tipo de polêmica reforça a necessidade das marcas em realizar o histórico dos criadores de conteúdo, até para ponderar a conexão dos comentários do influenciador com os valores da companhia. Quando Júlio Cocielo fez os primeiros comentários, em 2010, estava no começo da carreira; por isso, não representava nenhum grande perigo para nenhuma marca. Hoje, qualquer comentário que ele fizer pode representar algum tipo de ameaça, ainda mais quando trata de aspectos socioeconômicos”, analisa.

Marielle Franco, Conceição Evaristo e Carolina de Jesus serão homenageadas na Flip, em Paraty

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A Feira Literária Internacional de Paraty (Flip 2018), em um debate da Casa Libre & Nuvem de Livros, irá homenagear a vereadora Marielle Franco, assassinada em março, no Rio de Janeiro. Além dela, as escritoras Conceição Evaristo, Carolina de Jesus também serão homenageadas.

As três foram escolhidas por compartilharem histórias de militância e combate às desigualdades sociais e raciais. Conceição Evaristo, a única viva entre elas, estará presente no bate-papo, ao lado da socióloga Janaína Damasceno e do jornalista Tom Farias, com mediação do bibliotecário e jornalista Vagner Amaro.

O encontro acontecerá no dia 27 de julho (sexta-feira), às 18h, na mesa “Vozes que não podem se calar: encontro entre Carolina, Conceição e Marielle“. Passados quase quatro meses das mortes de Marielle e do motorista Anderson Gomes, até hoje a Polícia Civil não conseguiu esclarecer a autoria do crime.

A Casa Libre & Nuvem de Livros funcionará de 26 a 30 de julho, das 11h às 22h, na Rua da Lapa, 8, Centro Histórico. O espaço é promovido desde 2014 pela Liga Brasileira de Editoras (Libre). “Leitura, gesto político” é o tema que conduzirá os debates na Casa Libre & Nuvem de Livros parte da premissa de que a leitura instaura um campo de presença e encontro com outros saberes, facilitando diálogos e trocas atemporais, contribuindo desta forma com a potencialização e construção de novas consciências.

“Pelo quinto ano consecutivo, a Libre, em parceria com a Nuvem de Livros, traz uma discussão contundente para a Flip. Discutir o papel da leitura é discutir o mundo. É discutir as possibilidade de formação de novos leitores e que estes sejam atentos e reflexivos. Discutir leitura é fugir da alienação que parece nos rondar. O mercado editorial precisa entender que, para o crescimento do número de leitores, é preciso incentivo e formação de seres pensantes”, explica Raquel Menezes, presidente da Libre.

Para obter mais informações sobre a programação completa, acesse: http://libre.org.br/casa-libre-nuvem-de-livros-na-flip-2017-2/.

Musical sobre Zeca Pagodinho chega a São Paulo em julho e conta a trajetória do artista

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Após estreia no Rio de Janeiro, “Zeca Pagodinho – Uma história de amor ao Samba” chega em São Paulo, no Teatro Procópio Ferreira, no dia 14 de julho e fica pela cidade até 05 de agosto. Com ingressos a partir de R$40, as sessões acontecerão às quintas-feiras (21h), sextas-feiras (21h), sábados (17h e 21h) e domingos (17h).

O musical retrata a vida do cantor em dois atos. No primeiro, o público conhece os momentos que o levaram a construir o sólido caráter do nosso herói suburbano, um cara que nunca deixou de ser um homem do povo. Nessa fase, Peter Brandão dá vida ao protagonista da história, Jessé Gomes da Silva Filho, nome de batismo de Zeca Pagodinho.

No segundo momento, o espetáculo retrata o encontro do artista com a fama e sua popularidade. O ator Gustavo Gasparani assume o papel de Zeca em sua fase madura. Grande admirador do sambista, Gustavo também é responsável pelo texto, roteiro e direção geral do musical.

Artista consagrado, que alcançou o sucesso sem perder suas origens, Zeca que saiu do subúrbio de Xerém, dos amigos, do palco e das canções que todo brasileiro sabe um refrão, é retratado com carinho no espetáculo. O roteiro apresenta a história real de um homem que se apaixonou pelo o samba ainda criança e, desde então, vive um caso de amor com a música.

Ao fim da curta temporada em São Paulo, “Zeca Pagodinho – Uma história de amor ao Samba” sai em turnê pelo Brasil, e passa por Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Vitória, Goiânia, Santos, Curitiba e Porto Alegre. O espetáculo é uma produção da Dannemann Entretenimento e Chaim Produções. Realização do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura. Patrocínio SulAmérica. Transportadora oficial é a Avianca Brasil.

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site www.ingressorapido.com.br.

“Brasil, um País fundado no ventre de Mulheres Nativas e Africanas”

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Ilustração: Kenny Joseph

“Ele era da “principal nobreza de Viana do Castelo” (Portugal); ela, filha de um cacique tupinambá…”

Diogo Álvares Corrêa foi um um explorador português que sobreviveu a um naufrágio, na costa do litoral baiano, por volta do ano de 1510.

Já habitante entre os nativos, passou a ser chamado de “Caramuru”. Foi, muito provavelmente, o primeiro homem europeu a constituir um casal extra-étnico em terras brasileiras.
O Brasil foi “descoberto” no ano de 1500 (outra balela eurocêntrica, pois os núcleos populacionais aqui encontrados pelos colonizadores já habitavam o território brasileiro havia pelo menos 9.000 [[[nove mil!!!]]] anos).

A vinda de mulheres europeias de forma sistemática só se consolidou a partir do ano de 1550, à época em que Tomé de Sousa foi nomeado o primeiro governador do Brasil. Ainda assim, eram em número muito baixo e educadas, as moçoilas de Portugal, educadas sob as premissas e o rigor dos tabus dogmáticos do catolicismo.
Nos primeiros anos da exploração europeia sobre o Novo Continente, o deslocamento entre a costa oeste Africana e a costa leste do Brasil durava de 35 a 40 dias e as tripulações eram compostas exclusivamente por homens.
Ao desembarcaram em terras novas, os navegantes estavam ensandecidos pela abstenção sexual e, diante da visualização da nudez natural de meninas, moças e mulheres indígenas, é possível especular sobre os horrores passados pelo contingente feminino habitante dos novos territórios encontrados.

As primeiras embarcações dos navios tumbeiros trazidos da África começaram a chegar ao longo da costa brasileira por volta de 1526.

Isso significa considerar que as meninas, moças e mulheres Africanas eram estupradas e violentadas rotativamente (ou seja por mais de um membro de uma mesma tripulação) por mais de um mês em alto mar. E (se sobrevivessem ao infortúnio), passavam a ser violadas também em terras firmes, após serem vendidas como mercadorias, nos leilões escravagistas da época.

Seguramente este cenário deve ter se mantido razoavelmente no mesmo padrão por pelo menos uns 200 anos da História do Brasil, ou seja, mesmo APÓS o estabelecimento consolidado das mulheres eurocêntricas em território nacional.
O que dá robustez à interpretação de que o Brasil, enquanto Estado, País, Pátria e Estado, foi concebido sob a instituição do estupro, do sexo violento, da miscigenação coercitiva (…), da mistura étnica mais abusiva do que consentida.
E que, pela perspectiva do olhar masculino europeu, lançou as bases dos estereótipos e fetiches sexo-pejorativos e sexo-infames associados às mulheres nativas e de descendência africana em terras tropicais.

As mazelas deste início questionável da civilização brasileira podem ser sentidas nas investidas do “turismo sexual” europeu, que ainda assola a costa brasileira de norte a sul do país, em pleno século 21.

No tocante às mulheres negras, entendo que nós homens (principalmente os homens pretos) precisamos nos fazer alinhados à luta delas, naquilo em que elas entenderem ser o nosso melhor tipo de apoio, para que construamos uma comunidade forte, representativa, coesa, unida e vitoriosa, a partir da blindagem da dignidade e do valor intrínseco de cada uma das nossas meninas, moças, mulheres e anciãs do nosso eixo étnico.

Manos, mãos à obra.
Já passou da hora!
Durval Arantes

Projeto “Garotas Brilhantes” une brasileiras no combate ao abuso sexual e violência contra menores de Luanda

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O projeto “Garotas Brilhantes” foi um dos 96 semifinalistas da 12ª Edição do Prêmio Itaú-Unicef, realizado pelo Itaú Social e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Na próxima segunda-feira (2), seis brasileiras do projeto embarcam para Luanda, capital de Angola, com o intuito de levar a 70 meninas de 14 à 17 anos uma experiência de empoderamento e melhoria da autoestima. Durante 10 dias, duas psicologas, duas educadoras voluntárias, uma médica e uma gestora social estarão juntas para auxiliar no processo de incentivo na comunidade.

“Nós estaremos partindo para começar uma nova historia e reescrever historias de empoderamento e cidadania para as meninas adolescentes que moram em Luanda. Dessa maneira, essas meninas podem ter acesso aos seus direitos, algo inerente a todo ser humano […] Ao compartilharmos a nossa vivência no Brasil, queremos demonstrar que elas podem realizar algo semelhante”, explica a coordenadora do projeto, Neusa Ferraz.

A ação acontece na escola de profissionalização de mulheres da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). Serão realizadas atividades socioeducativas, de acolhimento, orientações de saúde e bem-estar e visitas domiciliares.

Para fomentar o empreendedorismo, as brasileiras realizarão palestras, rodas de conversa, dinâmicas e oficinas de artesanato. Na mala, as profissionais levarão 250 livros para doação e mais de mil peças de vestuário, brinquedos e produtos de higiene pessoal.

 

“Vou na Fé” combate o racismo e exalta a relação de afeto e respeito no Candomblé em videoclipe

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Com o intuito de reforçar os valores das religiões de matriz africana, Nouve acaba de lançar o videoclipe da música “Vou na Fé”. O roteiro retrata pontos positivos do Candomblé que, na maioria das vezes, é tratado de forma depreciativa. Em contrapartida ao desrespeito religioso, o rapper mostra sua visão sobre ancestralidade, afeto, respeito e como essa troca de boas energias, que é denominada Àse, é importante dentro da religião.

O videoclipe tem roteiro e direção assinados pelo próprio rapper e a gravação e edição por Robson Borges, da produtora “Aion Imagine”. Para fazer parte do elenco, ele convidou sua Ìyálòrìsà, mãe Dialá, além de Érica Ribeiro, Telma Duarte e Cide Babá Ybí. As gravações foram realizadas em Paranapiacaba, interior de São Paulo e na capital.

O propósito da música é reforçar os valores das religiões de matriz africana. O videoclipe retrata pontos positivos do Candomblé que, na maioria das vezes, é tratado de forma depreciativa. Em contrapartida ao desrespeito religioso, o rapper mostra sua visão sobre ancestralidade, afeto, respeito e como essa troca de boas energias, que é denominada Àse, é importante dentro da religião.

“O roteiro mostra o cuidado e afeto de uma Ìyálòrìsà, Bàbálòrísá, irmão ou irmã de santo dentro de um terreiro de Candomblé. O clipe também mostra o outro lado da moeda, que é o preconceito aos adeptos da religião, em meio da cidade grande. Seja lá, numa entrevista de um emprego, ao passar pelas ruas com os seus adereços, guias, turbante entre outros. Os olhares são realmente diferentes”, explica o artista.

Confira o videoclipe:

“Racismo reverso, Bey cafona e militantes burros”: Jornalistas brancos parem de palpitar sobre negritude

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Antes que quem leia este texto ache que a proposta é fazer uma declaração de guerra contra os jornalistas brancos, sinto decepcioná-los, mas esta não é a intenção. Temos jornalistas de todas as cores, gêneros, orientações sexuais e crenças e essa pluralidade é que torna o conteúdo mais diversificado e cabível de cobrir pautas plurais de forma autêntica.

A ausência de jornalistas negros em espaços opinativos da imprensa brasileira não é novidade. Um estudo de 2016, parece ainda ter números próximos à realidade. Feito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o documento revelou que apenas 10% dos colunistas dos principais jornais de Brasil, O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão, eram negros. Você sentiu alguma mudança de dois anos para cá?

Tão lastimável quanto a não contratação de jornalista negros é o péssimo hábito dos grandes jornais colocarem pessoas brancas para opinar sobre assuntos relacionados direta ou indiretamente às comunidade negra.

Nas últimas semanas tivemos três casos que valem a pena ser destacados.

“Vocês são burros”

Tony Goes consegue grande alcance e repercussão em seus textos que abordam, desde onde está a Beyoncé Brasileira (como se precisássemos de uma) , ausência dos negros no audiovisual, assuntos importantes, mas que poderiam se escritos por diversos jornalistas ou produtores culturais negros. Sua última pérola foi chamar de burros, militantes do movimento negro que protestaram (até por que têm esse direito) contra a escalação da cantora Fabiana Cozza para interpretar a sambista Ivone Lara, no espetáculo,  Dona Ivone Lara – O Musical.

“Todos esses militantes não sabem o que é teatro. Acham que uma peça precisa reproduzir em detalhes a vida real, e que um ator só pode interpretar a si mesmo. São de uma ignorância espantosa. E também são burros, com o perdão da má palavra. Porque esse tipo de atitude, ao atacar quem já é aliado, prejudica a luta de todos. A causa é justa, mas o alvo é errado. O inimigo é outro, e está dando risada de nos ver tão divididos.”

Nós quem, Goes?

“Novo clipe da Beyoncé é bacanal narcisista”

Sheila Leirner, colunista de cultura do Estadão, é um expert em arte, mas não conseguiu entender a proposta básica do clipe Ape Shit da cantora Beyoncé. Ela achou ofensivo que os Carters ficassem de costas para as obras de artes para importantes da humanidade ( do ponto de vista eurocêntrico da questão) e essa era justamente a forma do casal mostrar desprezo pelo os que não o representa.

E não satisfeita, ela ainda diz que o que deve ser celebrado é o ótimo, mas violento, vídeo This is America.

“Sem qualquer dúvida, ‘This Is America’ clipe do americano Childish Gambino colocado no YouTube há pouco mais de um mês, é o melhor e mais extraordinário contraponto ao brega arrogante de Beyoncé e Jay-Z no Museu do Louvre. Clipe inteligente que, com a sua crueza, ao contrário de ‘Apeshit’, denuncia de fato a América atual: o lobby das armas, o racismo, o sistema penal, a violência policial, o hiperconsumo e a própria luxuosa, vulgar e pretensiosa sociedade do espetáculo na era das redes sociais, da qual ‘The Carters’ são os expoentes máximos. ‘This is America’, além da ótima música e atuação, ele sim, faz pensar.”

Faz quem pensar? O Ape Shit não faz ( na visão de Sheila) por que talvez não seja aceitável para um certo perfil de pessoas, negros fazendo arte dentro de espaços tradicionais.

“Os selfies deles, com vestimentas perfeitamente adaptadas a uma visita de museu, de costas para a Mona Lisa, não podem ser mais cafonas. Ego-retratos capazes de fazer Leonardo se revirar em seu túmulo…”. Má notícia Sheila, eles não poderiam se importar menos com a opinião do Leonardo.

Para defender Ivone Lara moça agride DJ branca

Negros e negras diariamente sofrem com situações onde são interrompidos, coagidos ou constrangidos por não serem brancos, mas quando um branco passa por isso, vira notinha na coluna do prestigiado jornalista Ancelmo Goes, que também fala muito sobre negritude.

“Que horror “”Quanto intolerância” foram termos usados por ele para relatar o incidente onde uma DJ Branca que ao tocar uma música de Ivone Lara, ouviu “ você não pode tocar isso por que você não é negra”.

Post da DJ Lili em suas redes sociais

Veja o flagrante de branquitude, onde a DJ ameça desistir da carreira por conta de uma única manifestação de uma mulher ( de cor não identificada) embrigada. Sim, isso virou notícia de jornal de grande circulação.

O jornalista também erra feio em classificar o ato de quem ofendeu a DJ branca, de racismo. Não existe racismo reverso. Pessoa brancas no máximo sofrem preconceito, visto que racismo está interligado a relações de poder, que no caso, a comunidade negra não tem. Um jornalista negro provavelmente não teria dado essa bola fora.

A verdade é que esses jornalista escrevem para pessoas brancas. Quando falam de negritude soam como se precisássemos de validação de vozes brancas para as nossas questões. Não precisamos ainda temos gente negra com muita mais competência para abordar sobre essa temática e outras tantas. Oportunidade é o que falta.